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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA ___ VARA DO JUIZADO ESPECIAL

CÍVEL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE AGUAS CLARAS-DF

BRUNO CALEO ARARUNA DE OLIVEIRA, brasileiro, solteiro, advogado,


portador do RG n.º 41.579 OABDF e CPF n.° 014.492.541-95, residente e domiciliado na SHS
Ch. 46, Lote 20, Taguatinga-DF, CEP: 72.001-465, telefone: 61-4041.1133, e-mail:
caleo@globo.com, em causa própria, vem à presença de Vossa Excelência, propor

AÇÃO DE REPARAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS

em face de HOTEL URBANO VIAGENS E TURISMO S. A., inscrita sob o CNPJ:


12.954.744/0001-24, com sede na AV AYRTON SENNA Nº 2150, BLOCO: I, LOJA: 301, BARRA
DA TIJUCA, RIO DE JANEIRO -RJ, CEP: 22.775-900.

1. DOS FATOS:

O autor adquiriu pacote de viagem junto a requerida no dia 18 de junho de


2015, pelo valor de R$ 13.902,00. O pacote inclui passagem aérea da cidade de Brasília-DF para
Recife-PE ou Maceió-AL ida e volta, com 7 noites de hospedagem, em Maragogi, no Hotel
Grand Oca Maragogi Resort, com sistema All Inclusive (comidas e bebidas-alcoólicas e não
alcoólicas à vontade), translado de ida e volta do aeroporto de Recife-PE ou Maceió-AL para o
hotel em Maragogi (o aeroporto localiza-se a uma distância aproximada de 130km do hotel).

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Tal pacote foi adquirido para 6 (seis) pessoas que embarcariam juntas, são elas:
o autor voucher C4E01203; Natalia de Freitas Rosa voucher B6344B83; Jose Maria de Sousa
Filho voucher D64EAC3B; Evania Maria Araruna de Sousa voucher D64EAC3B; Beatriz Caleo
Rosa de Oliveira voucher DDF6B524; Donizeth Aparecida de Freitas Rosa voucher EC46DBBF
(doc. reserva em anexo).

De acordo com as regras, o pacote poderia ser utilizado em qualquer data e 1º


de agosto de 2015 a 30 de novembro de 2016, exceto os meses de dezembro, janeiro, fevereiro
e julho, semanas de feriados e eventos na região.

Após a compra do pacote, o autor recebeu, por e-mail, um formulário para


confirmação da reserva com a indicação de três possíveis datas. Assim, foi escolhido as datas
que se iniciariam em de 14/11/2016, 16/11/2016 e 30/10/2016 (doc. reserva em anexo)

Desde então o autor vem fazendo contatos no sentido de saber informação


sobre o seu pacote, conforme protocolos nº369348 de 15/01/2016, que foi informado que as
reservas são feitas apenas 90 dias antes da data reserva e que não adiantaria manter contato
até lá.

Ao passo que em 09/09/2016 o autor fez novo contato (protocolo nº564987)


afim de verificar sobre que sua reserva, sem resposta conclusiva quanto a reserva, apenas foi
informado que deveria aguardar.

Desde de então o autor tentou contatos quase que diários para receber
informações na van tentativa de viajar com sua família afim de comemorar o aniversário de
Natália de Freitas Rosa que se daria em 18/11/2016, todos em vão (protocolo nº 566261 do
dia 12/09/2016, protocolo nº 566246 do dia 13/09/2016, entre outros).

O requerente, por não ter recebido retorno da empresa ré, realizou


reclamação junto ao site reclameaqui.com a partir de 20/09/2016, protocolo de atendimento:
#8934350, tal tratativa se encerrou em 07/12/2016 sem resolução. Note que, conforme
documentação em anexo, foram feitos 22 contatos somente neste canal.

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A partir de então a reclamação foi “terceirizada” a empresa Plinc Turismo da
qual foi entabulado acordo entre as partes no sentido de que a viajem se daria a partir de
01/03/2017 (e-mail anexo), mas a empresa cancelou novamente a reserva.

Assim, em razão da impossibilidade do cumprimento a oferta o autor não viu


outra maneira que a via judicial para ser ressarcido.

DOS DANOS MATERIAS

A relação estabelecida entre as partes é, a toda evidência, de consumo,


consoante se extrai dos arts. 2º e 3º da Lei n. 8.078/90, inferindo-se do contrato entabulado
entre as partes que a parte ré é prestadora de serviços, sendo a parte autora, seu destinatário
final. Nesse contexto, o caso em apreço subsume-se às disposições do Código de Defesa do
Consumidor.

Observe-se que a legislação consumerista deriva sua validade diretamente do


texto constitucional, ex vi do art. 5º, XXXII, que iça a defesa do consumidor à condição de
cláusula pétrea.

O Código de Defesa do Consumidor prevê a responsabilidade objetiva para as


hipóteses de danos causados por defeitos relativos à prestação de serviços. Neste sentido,
destaco o art. 14 da Lei nº 8.078/90:

"Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da


existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como
por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos".

Nesse sentido, por se tratar de responsabilidade civil objetiva é dispensável a


análise do elemento volitivo, mas a norma exige a análise do elemento objetivo, qual seja a
falha de prestação de serviços. Portanto, o requerido responde objetivamente pelos danos
causados pela falha na prestação do serviço, bastando à parte autora comprovar o dano e o
nexo causal.

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Insta realçar que o art. 6º, VI, do Código de Defesa do Consumidor e o art. 944,
caput, do Código Civil enunciam o direito daquele que suportou o evento danoso à efetiva
reparação da lesão sofrida, devendo ser o quantum indenizatório ser mensurado pela extensão
do dano. Tem-se positivado o princípio da restitutio in integrum, que prescreve a indenização
ampla e integral do consumidor.

Conforme já informado, o autor adquiriu pacote aéreo um ano e três meses


antes do momento do cumprimento a oferta para viajar com sua família para comemorarem
juntos o aniversário de Natália de Freitas Rosa que se daria em 18/11/2016.

Salienta-se, ainda, que o requerente buscou diversas vezes o cumprimento da


oferta (vários protocolos de atendimento em anexo). Aceitou até mesmo o cumprimento em
época posterior ao termino do cumprimento a oferta, em março de 2017, que também foi
cancelado pela empresa ré.

Ademais, o autor era responsável pela tratativa da “viajem dos sonhos” da


família de 6 pessoas que jamais tinham viajado juntos.

Assim, verifica-se patente a falha na prestação do serviço oferecido pela


requerida, pois frustrada a expectativa da parte autora em viajar com sua família.

Motivo pelo qual requer a reparação, no valor de R$ R$ 13.902,00 (treze mil


novecentos e dois reais), referente a aquisição do pacote de viagens, corrigida
monetariamente, pelo índice INPC, a partir da prolação da sentença, acrescido de juros
moratórios de 1,0% (um por cento) ao mês, contados do evento danoso, até a data do efetivo
ressarcimento.

DO DANO MORAL

Reza o artigo 186 do Código Civil que o ato ilícito é aquele que, por ação ou
omissão voluntária (dolo), negligência ou imprudência (culpa), viola direito ou causa dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Já o artigo 927 do CCB prevê que
"aquele que, por ato ilícito (arts. 186 a 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo"

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O art. 6º, VI, do Código de Defesa do Consumidor prevê ser direito básico do
consumidor a efetiva prevenção e reparação dos danos patrimoniais e morais.

Nas relações de consumo, diferentemente das relações contratuais paritárias,


reguladas pelo Código Civil, o que se indeniza a título de danos morais é o descaso, a desídia,
a procrastinação da solução de um pedido do consumidor sem razão aparente por mais tempo
do que seria razoável, que traz como consequência ofensa à honra, ao afeto, à liberdade, à
profissão, ao respeito, à psique, à saúde, ao nome, ao crédito, ao bem estar e à vida, sem
necessidade de ocorrência de prejuízo econômico.

E dois são os argumentos para tal posicionamento nas relações de consumo:


1) O CDC consagra o direito básico de todo consumidor à reparação de danos, sejam materiais,
sejam morais, traduzindo-se esse direito como o direito de indenização dos prejuízos causados
pelo fornecimento de bens ou serviços defeituosos, por assistência deficiente ou por violação
do contrato de fornecimento. Trata-se de importante mecanismo de controle contra práticas
comerciais abusivas, exigindo dos fornecedores condutas compatíveis com a lealdade e a
confiança e 2) O caráter protetivo do CDC, que busca a equalização das forças contratuais em
favor da parte mais fraca, no caso o consumidor, pois quem detém a possibilidade de resolver
o problema que aflige o contratante é o fornecedor. É ele que detém a primazia nas ações que
podem resolver os transtornos a que é submetido o consumidor, o qual não tem qualquer
ingerência sobre o processo de fornecimento do serviço.

Demonstrada a má prestação de serviços no pacote de viagem contratado,


com falhas na reserva, são fatos capazes de causar frustração, abalo psíquico e,
consequentemente, dano moral, em razão do constrangimento que causam à pessoa
humana.

Corrobora esta angústia as diversas tentativas frustradas de solucionar a


singela controvérsia extrajudicialmente, a injustificável recusa da empresa em atender, com
exigível adequação e eficiência, à lícita demanda do consumidor; a privação do serviço
adquirido, não só ao autor como a todos os seus familiares para comemorar o aniversário de

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Natália de Freitas Rosa que se daria em 18/11/2016; e o evidente menosprezo aos claros
direitos elencados na Lei n. 8.078/90, que encontraram guarida apenas com a demanda
deflagrada perante o Judiciário, configuram um quadro de circunstâncias especiais com
habilidade eficiente de violar a dignidade e, assim, render ensejo à configuração do dano
moral.

Assim, demonstrada a má prestação de serviços no pacote de viagem


contratado, com falhas na reserva, capazes de causar frustração, abalo psíquico e,
consequentemente, dano moral, em razão do constrangimento que causam à pessoa humana.

Pior que isso é o fato de que, com base nos documentos anexados, que a
empresa Ré enviou e-mail confirmando a reserva e por telefone e logo depois o cancelou.

Assim, rentando configurado os morais que restaram ante a impossibilidade


de fruição do serviço e diante da frustração sofrida pelo requerente em não poder viajar com
sua família, deve o juiz atentar, em cada caso, em relação à forma de fixação do valor de
indenização por danos morais. Devendo o magistrado levar em conta tanto a qualidade do
atingido, como a capacidade financeira do ofensor, de molde a inibi-lo a futuras reincidências,
ensejando-lhe expressivo, mas suportável, gravame patrimonial

Na lição de Claudia Lima Marques, “de nada vale a lei (law in the books), se
não tem efeitos práticos na vida dos consumidores (law in action) e no reequilíbrio das relações
de poder (Machtpoistionen) e relações desequilibradas e mesmo ilícitas. (...) Os danos
materiais e morais sofridos pelo consumidor individual, porém, devem ser todos ressarcidos,
pois indenizar pela metade seria afirmar que o consumidor deve suportar parte do dano e
autorizar a prática danosa dos fornecedores perante os consumidores.” (Contratos no Código
de Defesa do Consumidor, p. 695).

No presente caso vê-se que todas as pessoas envolvidas no evento danoso


devem ser ressarcidas, assim, solicita-se, desde já, a reparação por danos morais calculada a
razão de R$ 3.800,00 (três mil e oitocentos reias) a todas as 6 (seis) pessoas que se viram
impedidas de viajar.
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DO PEDIDO

Diante de todo o exposto, vem à presença de Vossa Excelência requerer:

I) que se digne em determinar a Citação da Ré, para, querendo, responder


aos termos da presente demanda, sob pena de arcar com o ônus da
revelia, desde já requerida;

II) a reparação, no valor de R$ no valor de R$ R$ 13.902,00 (treze mil


novecentos e dois reais), referente a aquisição do pacote de viagens,
corrigida monetariamente, pelo índice INPC, a partir da prolação da
sentença, acrescido de juros moratórios de 1,0% (um por cento) ao mês,
contados do evento danoso, até a data do efetivo ressarcimento;

III) a reparação por danos morais calculada a razão de R$ 3.800,00 (três mil
e oitocentos reias) a todas as 6 (seis) pessoas que se viram impedidas
de viajar, que perfaz o valor de R$ 22.800,00 (vinte e dois mil e
oitocentos reais)

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas,


em especial pelo depoimento pessoal da Requente, oitiva de testemunhas, prova documental
e pericial e outras cabíveis à espécie.

Dar-se-á causa, apenas para efeito de alçada, o valor de R$ 36.702,00 (trinta e


seis mil e setecentos e dois reais).

Termos em que, pede Deferimento.

Brasília, 05 de fevereiro de 2017.

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Bruno Caleo Araruna de Oliveira

OAB-DF: 41.579

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