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PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO

O processo judicial tributário é aquele em que depois de configurado o lançamento e o crédito tributário,
serve como instrumento do contribuinte para exercer o seu direito de questionar a legalidade do tributo,
caso o ache indevido, ou para que a fazenda pública tenha o seu direito de crédito efetivado.

Mesmo vencido na fase administrativa, o sujeito passivo da obrigação tributária (contribuinte ou


responsável) pode impetrar judicialmente ações para garantia de seus direitos. Já o sujeito ativo dessa
mesma obrigação, tendo sido vencido na fase administrativa, não pode mais pleitear o crédito fruto da
contenda. Se vencedor, vai utilizar-se do judiciário para recebê-lo.

São características do processo judicial tributário:

I- Controle externo da legalidade: o processo corre no Poder judiciário, que controlará a legalidade dos
atos praticados pela Administração.

II- Formalismo: todo processo judicial é revestido de formalismos determinados por dispositivos legais.

III- Definitividade dos Julgados: chegando a última instância, as decisões judiciais tornam-se
definitivas, não havendo como modificá-las.

IV- Poder expropriatório: a ação de execução fiscal pode resultar na perda por parte do sujeito passivo,
de parte de seu patrimônio, com o objetivo de cumprir a decisão que lhe tenha sido desfavorável.

V- Relação triangular: na ação judicial, estão presentes os três elementos subjetivos que lhe são típicos:
o autor, o réu e o julgador.

VI- Lei de Regência: é competência privativa da União legislar sobre direito processual, conforme o
art.22, da CF.

Inclua-se também os privilégios processuais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios como:
prazo em quádruplo para constatar a ação que contra eles é proposta; prazo em dobro para recorrer das
decisões que venham a ser proferidas no processo que sofrer execução por precatórios e duplo grau
obrigatório em caso de decisões a eles contrárias.

A Constituição estabelece que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito (art. 5º, XXXV, CF). Por isso, cabe tanto a Administração fiscal quanto o contribuinte provocar a
manifestação do Poder Judiciário, todas as vezes que, esgotados os meios administrativos, uma das partes
deixe de cumprir a lei, cumpra-a deficientemente ou a infrinja.

O processo judicial tributário regula-se pelo código de processo civil, salvo no que diz respeito à
execução fiscal e a cautelar fiscal.

No que diz respeito ao processo de conhecimento em matéria tributária, este é sempre de autoria do
contribuinte, pois a decisão no processo administrativo é sempre do fisco, não existindo razão para este
recorrer ao judiciário.
Espécies de Processo Judicial Tributário

a) Processo de conhecimento

Tem por fim a composição de um litígio. Instaura-se diante de uma controvérsia sobre o direito material.

O processo de conhecimento é a principal sede onde se desenvolve a atividade jurisdicional.

b) Processo de execução

Neste tipo de processo não ocorre a composição de litígio, porque este não existiu ou já foi composto em
anterior processo de conhecimento. Por isto mesmo a propositura do processo de execução só é possível
quando se dispõe de um título, cuja formação pode ser judicial, como é o caso de sentença proferida no
processo de conhecimento, ou extrajudicial, um documento ao qual a lei atribui essa qualidade, como é o
caso da certidão de inscrição da dívida tributária. Quem promove um processo de execução já possui,
portanto, um título executivo.

c) Processo cautelar

No processo cautelar também não se coloca para o juiz um conflito para ser resolvido. Pede-se uma
providência para a preservação de um direito que está sendo ou vai ser questionado, mas poderá perecer
se aquela providência não for adotada.

Ações de Iniciativa do Fisco

a) Execução fiscal

É a ação que dispõe a fazenda pública para a cobrança de seus créditos, sejam tributários ou não, desde
que inscritos como dívida ativa. A matéria é regulada pela lei n. 6830/80.

O objeto da execução fiscal, não é a constituição nem a declaração do direito , mas a efetivação deste ,
que se presume , por força de lei, líquido e certo. Tal presunção é relativa e pode, portanto, ser afastada
por prova a cargo do executado. A prova, porém , há de ser produzida no processo de embargos.

b) Cautelar fiscal

Tem por fim tornar indisponíveis os bens do contribuinte. É cabível nas hipóteses indicadas na lei, antes
da propositura da execução fiscal ou no curso desta .
A cautelar fiscal somente pode ser impetrada contra sujeito passivo de crédito tributário ou não tributário,
regularmente constituído em procedimento administrativo. Hugo de Brito entende que o pedido de
cautelar é inútil, pois nada acrescenta como garantia do tesouro público.

Ações de Iniciativa do Contribuinte

a) Ação anulatória de lançamento tributário

Tem como objeto a anulação do procedimento administrativo de lançamento. Esta ação refere-se ao
processo de conhecimento, seguindo o rito ordinário, daí ser chamada de ação ordinária. Pode-se ainda
impetrar tal ação contra a Fazenda Pública para anular ato praticado no procedimento administrativo.

b) Ação declaratória

Diz respeito ao processo de conhecimento e segue o procedimento ordinário. Distingue-se da ação


anulatória em razão do pedido. A ação declaratória pede-se a declaração da existência, da inexistência ou
do modo de ser de uma ralação jurídica.

Enquanto que na ação anulatória de lançamento o juiz afirma ou nega a relação jurídica tributária como
fundamento da decisão, na ação declaratória a afirmação da existência ou da inexistência da relação
jurídica constitui a própria decisão.

c) Ação de consignação em pagamento

Pagar não é apenas um dever, é também um direito, e seu exercício há de estar garantido por uma ação, e
esta é a de consignação em pagamento. Pode ser ajuizada quando a Fazenda Pública recusa o recebimento
ou subordina o este ao pagamento de outro tributo, subordina o recebimento ao cumprimento de
exigências administrativas sem fundamento legal, ou quando é exigido por mais de uma pessoa jurídica
de direito público tributo idêntico sobre mesmo fato gerador.

d) Ação de repetição de indébito

É aquela ação de procedimento ordinário em que o autor pede que seja condenada a Fazenda Pública a
restituir tributo pago indevidamente.

Questão importante é a do Art. 166 do CTN, que diz que a restituição de tributo que comportem, por sua
natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido
o referido encargo. Este dispositivo é de flagrante inconstitucionalidade, como afirma Hugo de Brito, pois
viola de forma indireta o princípio da legalidade.
e) Mandado de segurança

É a garantia constitucional do cidadão contra o poder público. O mandado de segurança pode ser
impetrado pelo contribuinte desde que tenha um direito líquido e certo e que seja lesado ou ameaçado por
ato de autoridade. Mandado de segurança é o meio constitucional posto à disposição de toda pessoa física
ou jurídica, órgão com capacidade processual, ou universalidade reconhecida por lei, para a proteção de
direito individual ou coletivo, líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, lesado ou
ameaçado de lesão, por ato de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que
exerça. Normalmente, o mandado de segurança é repressivo de uma ilegalidade já cometida, mas pode ser
preventivo de uma ameaça a direito líquido e certo do impetrante. Exige-se um ato concreto, não bastando
a mera suposição. Podem fazer uso dessa ação as pessoas física, jurídicas (a Constituição Federal não os
excluiu, não fala em pessoa humana), bem como os órgãos públicos despersonalizados, mas dotados de
capacidade processual, como as Chefias dos Executivos, as Presidências das Mesas do Legislativo, os
Fundos Financeiros, as Comissões autônomas, as Superintendências de Serviços e demais órgãos da
administração centralizada ou descentralizada que tenham prerrogativas ou direitos próprios a defender.

Dos Embargos à Execução.

Os, também conhecidos, embargos do devedor é ação autônoma incidental ao processo de execução. É
meio de defesa do executado contra a pretensão executória de credor, estando o seu objeto ligado a
relação obrigacional – título como a regularidade dos atos executivos. A execução tem sempre o objetivo
único de satisfazer o direito do exequente.

Tratando-se de execução para haver quantia certa ou coisa fungível, ou execução para entrega de coisa, os
embargos somente serão admitidos depois de ter havido, no primeiro caso, a penhora, o depósito da coisa
devida, no último (art. 737 do CPC). Somente nas execuções para cumprimento das obrigações de fazer e
não fazer que, não contém atos executórios iniciais, podem ser os embargos interpostos
independentemente da prévia segurança do juízo.

Os embargos podem atacar o título executivo judicial (art. 741) ou o título executivo extrajudicial (745).
No que toca ao TEJ somente essas matérias arroladas no artigo 741 podem ser objeto dos embargos, sob
pena de rejeição. Alegações de direito material que se refiram a acontecimentos posteriores a sentença são
todas alegáveis, bem como quanto as questões processuais.

O procedimento dos embargos do devedor tem algumas particularidades. Segundo o art. 739, o juiz
poderá rejeitá-los liminarmente, quando apresentados fora do prazo legal; quando não se apoiarem nas
hipóteses do art. 741; e nos casos indicados no art. 295 que arrola as hipóteses gerais de indeferimento da
inicial. Recebidos os embargos o juiz manda intimar o credor para impugná-los no prazo de 10 dias,
designando data da audiência de instrução e julgamento, dispensando-a se os embargos versarem sobre
matéria de direito, ou sendo de fato a prova for exclusivamente documental (art. 740 e § único). Da
sentença que rejeita os embargos cabe apelação recebida apenas no efeito devolutivo. Além dos embargos
do devedor, previstos pelo art.736, prevê o Código um segundo momento em que o executado poderá se
opor. São aqueles que podem ser opostos a adjudicação e a arrematação (art. 746). Em tal caso versarão
matéria subseqüente à penhora, ou seja, matéria superveniente ao momento em que os embargos do art.
736 tenham sido ajuizados.

Dessa forma, fica demonstrado que há vários tipos de ações para solucionar relações jurídico-tributárias e
que o próprio processualista, seja Advogado, Membro do Ministério Público ou Magistrado, que não
conhecer a ciência e a técnica do Direito Tributário ou, às vezes, de cada tributo em espécie, não terá
suficiente habilidade para equacionar ou resolver problemas típicos da tributação.

Processo Judicial Tributário, portanto é o conjunto de atos e termos processuais que se desenvolvem
perante o Poder Judiciário, em que é assegurado tanto ao Fisco quanto ao contribuinte litigantes,
contraditório e ampla defesa, e que visa dar uma decisão definitiva sobre a matéria questionada.

Bibliografia

- FABRÍCIA DANIELE SOEIRO RODRIGUES - Acadêmica de Direito da Universidade da Amazônia


(UNAMA). 24/11/2006 Consulexhttp://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=1647

- NARCISO LEANDRO XAVIER BAEZ https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-


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8#q=NARCISO+LEANDRO+XAVIER+BAEZ+processo+judicial+tributario

- RAPHAEL PEIXOTO DE PAULA MARQUES - Acadêmico da UNIPÊ - 12/11/2002 –


http://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=96

WWW..STF.GOV.BR

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