Você está na página 1de 4

UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA (DEG)


CONTROLE AMBIENTAL

VISITA TÉCNICA A ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO DA


UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (ETE/UFLA)

BEATRIZ FONSECA DE CARVALHO


FELIPE ALEXANDER JULIO
GUSTAVO HENRIQUE DE SOUZA PAIVA

LAVRAS – MG
2018
INTRODUÇÃO
Águas residuárias, ou esgoto, são efluentes oriundos do uso comercial, industrial, doméstico, de áreas
agrícolas, dentre outras fontes. Podem ser classificadas em esgoto industrial, quando majoritariamente é
oriundo de instalações industriais ou sanitário, sendo este último constituído predominantemente por despejos
domésticos, águas pluviais e, minoritariamente, de despejos industriais. O tratamento e o destino final destas
águas residuárias impacta diretamente a qualidade das águas e, consequentemente, seus beneficiários. Portanto,
trata-se de uma problemática que envolve, além do potencial técnico-científico nacional, toda a sociedade
brasileira (BRASIL, 2009).
Diante do impacto direto e indireto das águas residuárias na qualidade de vida da sociedade, tornou-
se necessária a participação do Estado na regulamentação das condições e padrões de lançamento de efluentes
em corpos d´água. No Brasil, a resolução do CONAMA nº 357 (BRASIL, 2005), alterada e complementada
pela resolução CONAMA nº 430 (BRASIL, 2011), estabelece tais requisitos. Além disso, a última resolução
supracitada obriga o responsável pela fonte potencialmente poluidora dos recursos hídricos a apresentar,
anualmente, a Declaração de Carga Poluidora às autoridades de fiscalização ambiental. Portanto, caso o esgoto
não atenda a tais parâmetros dispostos por estas resoluções, deverá passar por processos físico, químicos e
biológicos à sua adequação legal. Tais processos integram uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).
Conforme Sperling (1996, p. 169), a determinação inicial do objetivo e nível de processamento de uma
estação de tratamento de esgoto (ETE) é necessária à concepção de um projeto otimizado. Tais parâmetros
devem estar ancorados aos requisitos estabelecidos pela legislação vigente e são alcançados por meio de uma
sequência de operações que devem estar inclusas no projeto da ETE. Tais operações são interdependentes e
comumente divididas em níveis (Preliminar, Primário, Secundário e Terciário).
Devido à constituição física, química e biológica dos poluentes do esgoto, os seus processos de
tratamento também serão físicos, químicos e biológicos. Tais processos atuam de forma sinérgica nos níveis
de tratamento, sendo categorizado o processo conforme o fenômeno predominante (JORDÃO; PESSOA,
2011).
O tratamento em nível preliminar objetiva a remoção de sólidos grosseiros, gorduras e areia. O
primário envolve a sedimentação, flotação, sistemas anaeróbios, digestão do lodo e secagem do lodo. O
secundário a filtração biológica, processos de lodos ativados e lagoas de estabilização aeróbia, cujas quais
podem ser aeradas. Por fim, o tratamento terciário, cujo qual envolve os processos de remoção de organismos
patogênicos, nutrientes e pode conter tratamentos avançados, como a filtração final, absorção por carvão e
membranas (JORDÃO; PESSOA, 2011).
Dentre os principais subprodutos sólidos gerados no tratamento biológico do esgoto, a maior fração
volumétrica é formada por lodo (subproduto dos tratamentos primários e secundários). Este subproduto, já
estável, demanda da ETE uma logística à sua disposição final. O adensamento (remoção do volume), a
estabilização (redução de sólidos voláteis), o condicionamento (preparação para a desidratação), a desidratação
(remoção de umidade) e por fim, a própria disposição final (SPERLING, 1996, p. 208).
Conforme Bettiol e Camargo (2005) o lodo, dentro das exigências dos órgãos ambientais e suas
resoluções, tem potencial de aplicação na agricultura, ressaltando-se que o monitoramento em relação ao
nitrato, metais pesados, orgânicos persistentes, bem como patógenos humanos.

OBJETIVOS
O objetivo da visita foi conhecer a Estação de Tratamento de Esgoto da Universidade Federal de
Lavras, as unidades que compõe o sistema de tratamento de esgoto, e a forma de funcionamento.

DESENVOLVIMENTO
2
Etapas observadas no processo de tratamento de esgoto:
❖ Tratamento primário
● Retenção de material grosseiro: o esgoto contido nas estações elevatórias do campus chega à ETE pela
caixa de passagem a qual contém uma grade que retém o material grosseiro, sendo esse, então, um
processo físico. Devido à gordura que pode ficar retida na grade, é necessário a limpeza da mesma
para desobstruir a passagem do fluido. O material retirado é destinado a um aterro. Logo após a caixa
há um medidor de vazão automatizado, o qual quantifica o esgoto que chega à estação;
● Caixa de gordura: este é o segundo processo físico. A gordura contida no efluente flota e é retirada por
um caminhão de sucção, na parte superficial, quando se faz necessário. Para diminuir o odor a caixa é
fechada e possui um filtro com limalha de ferro, assim compostos com enxofre reagem com óxidos de
ferro e formam sulfetos de ferro;
● Tanque de armazenamento: após sair da caixa de gordura o fluido é armazenado em tanques e destes
será bombeado para o topo dos reatores;
❖ Tratamento secundário
● Reatores anaeróbicos: esta é a etapa secundária do processo. Nestes reatores está contido o lodo que
são os microrganismos que decompõem a matéria orgânica do efluente. Para o controle do nível de
lodo existem diferentes pontos no reator onde podem ser coletadas amostras. Por se tratar de uma
decomposição anaeróbica, gás metano é gerado, logo, este deveria ser queimado em queimadores ou
reaproveitado para produção de energia elétrica que seria utilizada para o funcionamento do soprador
que envia ar para os reatores aeróbicos, no entanto, devido a um vazamento que ainda não foi
identificado, nenhuma das medidas está sendo feita. Em média o fluido leva 8 horas para ser
transferido aos reatores aeróbicos;
● Reatores aeróbicos: também chamado de biofiltro aerado submerso, nele ocorre a decomposição
aeróbica. Nele estão contidos anéis de plástico que retém os microrganismos no reator e, para evitar a
saída de microrganismos para o tratamento terciário, do reator o fluido passa para filtros de areia. Em
caso de entupimento os filtros devem ser lavados e a água de lavagem retornada ao processo de
tratamento;
❖ Tratamento terciário
● Tanque de contato: este tanque é destinado ao tratamento químico de patógenos. Possui um formato
que possibilita a movimentação mais eficiente do fluido que sai dos filtros de areia de forma que ele
se misture com o hipoclorito, o qual é gotejado em uma das laterais do tanque;
● Radiação UV: aqui ocorre o tratamento físico de patógenos por meio da radiação UV emitida por
lâmpadas, isso faz com que o DNA dos patógenos seja desestabilizado ocasionando sua morte. O
fluido é escoado por uma estrutura triangular que proporciona a distribuição uniforme do fluxo. Neste
processo é importante que não haja a presença de lodo, visto que este pode interferir na emissão da
radiação UV. No entanto a vedação das lâmpadas não foi feita de maneira eficiente e, por esse motivo,
esse processo não está em funcionamento;
Terminado o tratamento, o efluente passa por uma calha Parshall, que é um medidor de vazão do esgoto
tratado de saída e, finalmente, é encaminhado para o curso de água.
A estação também possui uma sala de controle que permite o controle do processo de tratamento e
também das estações elevatórias localizadas do campus. Ao lado da sala de controle há a sala do soprador cuja
função é enviar ar ao reator aeróbico.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
3
A ETE possui grande importância no saneamento ambiental, visto que através de seus processos ocorre
a adequação dos efluentes de esgoto a fim de seremlançados, novamente, aos cursos d’água de acordo com as
especificações que são definidas nas normas ambientais.Isto reforça o uso sustentável dos recursos naturais e
a melhora da qualidade ambiental, sendo que a falta de saneamento básico está relacionada com a incidência
e potenciação de doenças e internações hospitalares.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Programa Nacional de Capacitação de Gestores Ambientais.
Brasília, DF, 2009. 66 p.
BRASIL. Resolução CONAMA Nº 430 de 13 de maio de 2011. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Diário
Oficial da União [da]. República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 16 maio 2011. p. 89.
BRASIL. Resolução CONAMA n.º 357, de 17 de março de 2005. Conselho Nacional do Meio Ambiente.
Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, 18 mar. 2005. Seção 1, p.
58-63.
JORDÃO, E. P.; PESSOA, C. A. Tratamento de esgotos domésticos. 6 ed. Rio de Janeiro: ABES, 2011.
von SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 2 ed. Belo Horizonte:
Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais, 1996.
BETTIOL, W.; CAMARGO, O. A. de. Impacto ambiental do uso agrícola do lodo de esgoto. In: Seminário
internacional sobre microbiologia aplicada ao meio ambiente: antecedentes históricos e perspectivas, 2005,
São Paulo. Anais... São Paulo: USP, 2005. p. 1-19.