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Unidade 5

A Lei de Direitos Autorais


e o Plágio Acadêmico

Na Unidade 5 você tomará conhecimento de um assunto muito


polêmico nos meios acadêmicos. Ao final desta Unidade você deverá
ter atingido os seguintes objetivos:

• Demonstrar senso ético.


• Conceituar plágio e direito autoral.
• Conhecer a legislação referente aos direitos autorais e a
sua violação.

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5.1
O Direito Autoral
No Brasil, a Constituição Federal de 1988 garante o direito autoral no artigo 5º, inciso
XXVII, quando assinala: “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou
reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar”. Entende-se
como direitos autorais, os direitos morais e patrimoniais do autor de uma produção literária,
artística ou científica.
De acordo com o ECAD3 (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), instituição
privada, sem fins lucrativos que cuida da arrecadação e distribuição dos direitos autorais de
execução pública musical, o Brasil é signatário de diversos “tratados internacionais, com o
objetivo de proteger as relações entre o criador e a utilização de obras literárias, artísticas ou
científicas, tais como livros, pinturas, esculturas, músicas, ilustrações, fotografias, etc.”. E cita
como exemplos, a Convenção de Berna (Decreto 75.699, de 6.12.75); a Convenção de Roma
(Decreto 57.125, de 19.10.65); e o Acordo sobre aspectos dos Direitos de Propriedade
Intelectual relacionados ao Comércio – ADPIC (Decreto 1.355, de 30.12.94).
O Direito Autoral no Brasil está regulamentado pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de
1998, alterada pela Lei Nº 12.853, de 14 de agosto de 2013.
De acordo com a Lei nº 9.610/98, em seu artigo 7º, incisos I a XIII, são consideradas
obras intelectuais protegidas aquelas que representam “as criações do espírito, expressas por
qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se
invente no futuro”. Essas obras são as seguintes:

I. os textos de obras literárias, artísticas ou científicas;


II. as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza;
III. as obras dramáticas e dramático-musicais;
IV. as obras coreográficas e pantomímicas, cuja execução cênica se fixe por
escrito ou por outra qualquer forma;
V. as composições musicais, tenham ou não letra;
VI. as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas;
VII. as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da
fotografia;
VIII. as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética;
IX. as ilustrações, cartas geográficas e outras obras da mesma natureza;
X. os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia,
topografia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência;
XI. as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais,
apresentadas como criação intelectual nova;
XII. os programas de computador;
XIII. as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases
de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização ou disposição
de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual.

3
EDAD. Legislação de Direito autoral. Disponível em: <http://www.ecad.org.br/pt/direito-
autoral/Legislacao/Paginas/default.aspx> Acesso em: 15 mar.2015.

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Saiba mais

Registro de Obras Literárias e Artísticas

Desde 1973, como definido na Lei 5.988, a Biblioteca Nacional é


a instituição responsável pelo registro de obras literárias e artísticas,
aceitando o registro de textos dos mais diversos gêneros literários,
técnicos e científicos; como também de criações musicais, teatrais, para
cinema e televisão, história em quadrinhos e personagens desenhados; e
outras produções publicitárias e para publicações periódicas.
O espírito extremamente atual que permeia as discussões sobre
direito autoral faz com que até mesmo a criação de sites, no que diz
respeito à seleção, organização e disposição de seu conteúdo, possa ser
registrado na Biblioteca Nacional.
Em todo o território nacional, outras instituições podem, mediante
convênio com a Biblioteca Nacional, se credenciar como escritórios de
representação.
É importante saber, no entanto, que o registro na Biblioteca
Nacional é facultativo. A proteção aos direitos do autor independe de
registro, diferentemente do que acontece, por exemplo, com a patente ou
outros instrumentos de propriedade industrial.

Texto disponível em:


<http://www.casadoautorbrasileiro.com.br/direito-
autoral/nocoes-basicas> Acesso em: 16 mar.2015.
.

Do mesmo modo, essa lei apresenta um rol de produções que não são objeto de
proteção como direitos autorais em seu artigo 8º, incisos I a VII. São elas:

I. as ideias, procedimentos normativos, sistemas, métodos, projetos ou


conceitos matemáticos como tais;
II. os esquemas, planos ou regras para realizar atos mentais, jogos ou
negócios;
III. os formulários em branco para serem preenchidos por qualquer tipo de
informação, científica ou não, e suas instruções;
IV. os textos de tratados ou convenções, leis, decretos, regulamentos, decisões
judiciais e demais atos oficiais;
V. as informações de uso comum tais como calendários, agendas, cadastros
ou legendas;
VI. os nomes e títulos isolados;
VII. o aproveitamento industrial ou comercial das ideias contidas nas obras.

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É necessário destacar que quando nos propomos a elaborar um trabalho acadêmico,
devemos respeitar a Lei de Direito Autoral, fazendo referências às obras literárias, artísticas e
científicas e seus respectivos autores, de modo que a ele sejam dados os créditos merecidos.
Apropriar-se do trecho ou de uma ideia de uma obra, copiando sem referenciá-lo, constitui-se
naquilo que chamamos “plágio”. É o que veremos no item 5.3, logo após tratarmos das obras
de domínio público.

5.2
Domínio Público

Os autores possuem direitos de autoria sobre as suas produções intelectuais, entretanto,


esses direitos deixam de ter validade sob condições especiais também previstas na a Lei nº
9.610/98, como é o caso das obras de “domínio público”.
A noção de domínio público decorre da noção de que quando um autor produz uma
obra, não produz apenas para si ou para seus herdeiros, mas também, para toda a humanidade,
passando a pertencer à coletividade, pois se trata de uma herança cultural.
Assim, podemos afirmar que uma obra é de “domínio público” quando é livre para que
todos possam utilizá-la e dela usufruir.

É de setenta anos o prazo de proteção aos direitos conexos, contados a partir


de 1º de janeiro do ano subsequente à fixação, para os fonogramas; à
transmissão, para as emissões das empresas de radiodifusão; e à execução e
representação pública, para os demais casos. (LEI n. 9.610, 1998, Art. 96)

A Lei nº 9.610/98, prevê que uma produção intelectual passa a pertencer ao domínio
público após 70 anos, a contar de 1º de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor; ou
quando não tenha deixado herdeiros; ou, ainda, quando o autor é desconhecido.

5.3
Plágio – violação do direito autoral

Quando um indivíduo se apropria de uma produção literária, artística ou científica, seja


a obra inteira ou parte dela, ou ainda uma ideia atribuindo a si próprio sua autoria, então dizemos
que ele cometeu um “plágio”.

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O plágio, portanto, é a utilização de uma produção intelectual (literária, artística e
científica), sem dar o devido crédito ao autor da obra. É uma questão ética e precisa ser
combatido nos meios acadêmicos, local onde o plágio é muito comum nos dias de hoje.
Quando incluímos uma citação retirada do trabalho de outro autor em uma produção
acadêmica realizada por nós, dando a ele o devido crédito, não estamos praticando plágio. Dar
crédito ao autor é registrar sua obra ao longo do trabalho e incluí-lo nas referências.
Porém, quando copiamos integralmente ou parte de um trabalho acadêmico, de uma
publicação, ou ainda de qualquer obra literária ou artística sem a devida referência, estamos
cometendo o crime de plágio e provocando diversas situações de conflitos, principalmente no
campo da ética. É necessário, portanto, que se conheça mais sobre este problema tão comum
nas universidades brasileiras e internacionais, para que seja possível combatê-lo.
Há, pelo menos, três tipos de plágio: integral, parcial e conceitual.

• Integral quando a obra/texto é inteiramente copiada;


• Parcial quando se faz o famoso “recorte e cole”, isto é, quando se faz cópias de
frases e parágrafos dos textos;
• Conceitual quando a ideia expressa é copiada de forma distinta do original.

Em todos os casos, o “plagiador” não faz referência à autoria, isto é, toma para si os
benefícios intelectuais do trabalho, sem considerar os prejuízos que pode causar ao autor
original.
Como assinalamos anteriormente, o direito autoral está previsto na legislação brasileira
(Lei nº 9.610/98) e sua violação é crime e consta do Código Civil e do Código Criminal
brasileiros.
O Código Penal brasileiro (Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940, art. 184)
considera crime contra a propriedade intelectual passível de penalidades na forma da lei, a
violação dos direitos do autor e os que lhe são conexos. Vejamos o que traz este artigo na
íntegra, alterado pela Lei nº 10.695, de 1º de julho de 2003:

Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:


Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de
lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual,
interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do
artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os
represente:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 2o Na mesma pena do § 1o incorre quem, com o intuito de lucro direto ou
indireto, distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire,
oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma
reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete
ou executante ou do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga

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original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização
dos titulares dos direitos ou de quem os represente.
§ 3o Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra
ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar
a seleção da obra ou produção para recebê-la em um tempo e lugar
previamente determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro,
direto ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do
artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os
represente:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 4o O disposto nos §§ 1o, 2o e 3o não se aplica quando se tratar de exceção ou
limitação ao direito de autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com
o previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a cópia de obra
intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista,
sem intuito de lucro direto ou indireto.

A Lei nº 9.610/98 prevê também as situações que não se aplicam penalidades, ou seja,
não são consideradas como plágio. Vejamos o que consta no Capítulo IV, artigos 46 a 48:

Capítulo IV
Das Limitações aos Direitos Autorais

Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:


I - a reprodução:
a) na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo,
publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se
assinados, e da publicação de onde foram transcritos;
b) em diários ou periódicos, de discursos pronunciados em reuniões públicas
de qualquer natureza;
c) de retratos, ou de outra forma de representação da imagem, feitos sob
encomenda, quando realizada pelo proprietário do objeto encomendado, não
havendo a oposição da pessoa neles representada ou de seus herdeiros;
d) de obras literárias, artísticas ou científicas, para uso exclusivo de deficientes
visuais, sempre que a reprodução, sem fins comerciais, seja feita mediante o
sistema Braille ou outro procedimento em qualquer suporte para esses
destinatários;
II - a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado
do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro;
III - a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer outro meio de
comunicação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou
polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do
autor e a origem da obra;
IV - o apanhado de lições em estabelecimentos de ensino por aqueles a quem
elas se dirigem, vedada sua publicação, integral ou parcial, sem autorização
prévia e expressa de quem as ministrou; V - a utilização de obras literárias,
artísticas ou científicas, fonogramas e transmissão de rádio e televisão em
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estabelecimentos comerciais, exclusivamente para demonstração à clientela,
desde que esses estabelecimentos comercializem os suportes ou equipamentos
que permitam a sua utilização;
VI - a representação teatral e a execução musical, quando realizadas no
recesso familiar ou, para fins exclusivamente didáticos, nos estabelecimentos
de ensino, não havendo em qualquer caso intuito de lucro;
VII - a utilização de obras literárias, artísticas ou científicas para produzir
prova judiciária ou administrativa;
VIII - a reprodução, em quaisquer obras, de pequenos trechos de obras
preexistentes, de qualquer natureza, ou de obra integral, quando de artes
plásticas, sempre que a reprodução em si não seja o objetivo principal da obra
nova e que não prejudique a exploração normal da obra reproduzida nem cause
um prejuízo injustificado aos legítimos interesses dos autores.
Art. 47. São livres as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras
reproduções da obra originária nem lhe implicarem descrédito.
Art. 48. As obras situadas permanentemente em logradouros públicos podem
ser representadas livremente, por meio de pinturas, desenhos, fotografias e
procedimentos audiovisuais.

É preciso ressaltar, por fim, que podemos utilizar as produções e ideias dos autores,
desde que façamos com o devido cuidado, valorizando sua criatividade e esforço intelectual.
Em síntese, utilizar uma produção não é plágio, plágio é utilizá-la sem dar ao seu autor
o valor que ele merece.

Resumindo

• O Direito autoral é garantido pelas leis brasileiras e sua


violação se constitui em crime passível de penalidades
previstas no Código Penal.
• Uma obra é de “domínio público” quando é livre para que
todos possam utilizá-la e dela usufruir.
• Plágio é o nome atribuído à apropriação indevida de uma
produção intelectual, seja literária, artística ou científica.

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