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Rui Tomás Monteiro

A primeira pessoa a concretizar uma verdadeira


fotografia foi Joseph Nicéphore Niepce, em 1826,
ao conseguir reproduzir a vista descortinada da
janela do sótão de sua casa.
Assim, por volta de 1822, já optara por um verniz
de asfalto (betume da judeia), aplicado sobre
vidro, além de uma mistura de óleos destinada a
fixar a imagem.

Louis-Jacques Mandé Daguerre, em 1835, sensibilizou com iodeto


de prata, uma chapa revestida com prata.
Em 1837 já tinha padronizado este processo ‒ o Daguerreótipo, no
qual usava chapas de cobre sensibilizadas com prata e tratadas com
vapores de iodo, revelando a imagem latente expondo-a à acção
do mercúrio aquecido. Após a sua imersão numa solução de sal
aquecida a imagem mantinha-se inalterável no tempo.
Embora o lançamento dos daguerreótipos criasse a fotografia, foi
um inglês, Fox Talbot, que, por volta de 1835, inventou o primeiro
sistema simples para a produção de um número indeterminado de
cópias, através da utilização de um negativo.
Na verdade revelou e copiou o
seu primeiro calótipo no dia 23
de Setembro de 1840.
Em 1851, Frederick Scott Archer
inventou o processo de colódio
húmido. Esse sistema incluía o
revestimento de uma chapa de
vidro com uma solução de nitra-
to de celulose ‒ onde havia um
iodeto solúvel ‒ e a sua sensibili-
zação com nitrato de prata.
Em 1871, Richard Leach Maddox, um médico inglês, inventou a primeira chapa
manipulável, usando gelatina para manter o brometo de prata no lugar; dois anos
depois era comercializada a emulsão gelatinosa e por volta de 1877, encontravam-se
no mercado as chapas de alta sensibilidade, acondicionadas em caixas, prontas para
serem usadas.
384-322 a. C.
Aristóteles filósofo Grego, observou a imagem do sol projectada no solo em forma de
meia lua, ao passar por um pequeno orifício entre as folhas de um plátano.
Descobriu também, que quanto menor fosse o orifício, mais nítida era a
imagem. Surge assim, a primeira descrição da câmara obscura.

965-1038 d.C.
Alhazem, sábio Árabe, observa um eclipse solar com a câmara escura. Este engenho
era usado com frequência por sábios Europeus no século XIII, para observação
de eclipses.

1139-1238
Alberto o Grande, conhecia já o nitrato de prata.

1452-1519
Leonardo da Vinci, refere com precisão a utilização da câmara obscura no seu
livro de notas, só divulgado no fim do século XVIII.
1604
Ângelo Sala cientista Italiano, observa um certo composto de prata que escurece quando
exposto ao sol. Acreditava-se que o calor era o responsável pelo fenómeno.

1687-1744
Johan Heinrich Schulze, professor de anatomia da universidade de Altdorf, notou que
um vidro que continha ácido nítrico, prata e gesso, escurecia quando exposto à
luz. Por eliminação de partes, demonstrou que os cristais de prata ao receberem
luz, e não calor como se suponha, se transformavam em prata metálica negra.

1761-1805
Thomas Wedgwood, imprime com êxito silhuetas de folhas e vegetais, sobre couro branco
impregnado de nitrato de prata. Mas, Wedgwood não conseguiu fixar as imagens,
apesar de lavadas e envernizadas, elas escureciam quando expostas à luz.

1777
O químico Karl Wilhelm Scheele descobre que o amoníaco actua como fixador de forma
satisfatória.
A Leica, lançada no
mercado em 1925,
Usada por Talbot
foi a primeira má-
por volta de
quina manipulada
1840, esta máqui-
de precisão. Graças
na possuía uma
ao seu obturador de
objectiva de mi-
plano focal, prepa-
croscópio e ar- Lançada em 1888,
rou o terreno para a
mação ajustável. a Kodak de George
Construída por André revolução ocorrida
Eastman permitia no sistema de
Giroux, a primeira câmara
que se fizessem fotografia de 35mm.
para daguerreótipos a ser
cem ex-posições
comercializada compunha-
com um filme em Continua a ser
se de dois estojos que se
r o l o . Q u a l q u e r melhor máquina de
encaixavam um no outro
objecto situado a 35mm não reflex.
para focar a objectiva. O
uma dis-tância
obturador era um disco de
superior a 1,2m
metal na frente da objec-
encontrava-se
tiva e a lente tinha uma
automatica-mente
distância focal de 38cm e
em foco.
uma abertura útil de f 1.4
Inicialmente, por herança cultural e também pelas
características dos primeiros processos (Daguerreótipos e
calótipos) em que se tinha de recorrer a exposições muito
longas, as primeiras fotografias retratam ora naturezas mortas
ora paisagens, tendo sempre como referência a pintura,
reflectindo a visão e o temperamento românticos.
A arte romântica dirigia-se sobretudo à classe média, que tinha substituído a aristocracia
como patrona dos artistas.
Nos finais da década de 1840 e inícios da década de 1850 as classes alta e média
endinheirada recorriam cada vez mais ao retrato notabilizando-se fotógrafos como
Nadar, Lewis Carroll e Julia Cameron

Baudelaire Sara Bernhardt


Os primórdios da fotografia reflectem a visão e o temperamento
românticos: na verdade o séc. XIX tinha uma curiosidade
generalizada e a e convicção de que tudo podia ser descoberto.
A fotografia teve um extraordinário impacto na imaginação desta
época, tornando o resto do mundo acessível, ou simplesmente
revelando-o de uma forma diferente. O amor pelo exótico era
parte integrante do escapismo romântico, e em 1950
encontramos já fotógrafos que carregaram o equipamento até
lugares distantes. Timothy Osullivan

Na segunda metade do séc. XIX, a imprensa desempenhou um papel fulcral nos


movimentos sociais. A fotografia tornou-se um
importante veículo
de reformas, graças
ao documentário
fotográfico, que conta
histórias das vidas
das pessoas.

Paul Martin Jacob Riis Lewis Hine


Crucial para o desenvolvimento da fotografia foi o sentimento generalizado no
século XIX de que o presente já era História. Nesse sentido a fotografia passa a
desempenhar na imprensa um papel fundamental mostrando o
acontecimento relatado em imagem real
No final do século aparecem os primeiros jornalistas fotográficos: Matthew
Brady, Alexander Gardner, Roger Fenton...
Por volta de 1857 Oscar Reijlander e Henry Peach Robinson criam o
picturalismo recorrendo à composição prévia da imagem, ao uso da luz e da
manipulação da fotografia.

Os dois caminhos da vida , combina 30 negativos


numa revelação conjunta: um jovem (do qual há 2
imagens), está a fazer uma escolha entre o caminho da
virtude e o do vício, o último representado por 6 figuras.
A fotografia causou grande sensação em 1857 e até a
Rainha Vitória comprou um exemplar.

Como reacção ao Picturalismo surge um movimento


liderado por Peter Henry Emerson que se insurge
contra a fotografia artística. Emerson era apologista
do que denominou Fotografia Naturalista, baseada
em princípios científicos. Usando um único negativo,
Emerson compunha os seus quadros com o maior
cuidado.
Grande parte da sua obra é dedicada a cenas da vida
rural e à beira-mar, que não se afastam muito das
primeiras fotografias documentais.
A controvérsia sobre se a fotografia seria ou não arte teve o seu ponto culminante nos
primeiros anos da década de 1890, com o movimento secessionista, que eclodiu em
1893, com criação em Londres do Linked Ring, um grupo rival da famosa Royal
Photographic Society of Great Britain. Estimulados pelas ideias de Emerson, os
Seccionistas procuravam um picturalismo independente da ciência e da tecnologia. Dez
anos mais tarde, na América do Norte é criado o grupo Photo-Scession sob a orientação
de Alfred Stiegliz.
Estas duas organizações tentavam granjear, para a fotografia pictoralista, o reconheci-
mento como uma das belas artes.

Gertrude
Käsebier

Edward
Steichen
A sede insaciável de experiências em segunda mão explica a crescente popularidade
dos daguerreótipos estereoscópicos.
Inventada em 1849, a câmara de lente dupla produzia duas imagens que
correspondem às duas imagens ligeiramente diferentes de cada um dos nossos olhos.
Quando olhadas através de um instrumento especial, chamado estereoscópio, estas
fotografias fundem-se de modo a criar uma notável ilusão de profundidade tri- -
dimensional.

A fotografia estereoscópica foi uma invenção importante na medida em que a sua


visão binocular constitui um desvio significativo em relação à perspectiva pictórica
tradicional, e demonstrou pela primeira vez as potencialidades da fotografia para
alargar a nossa visão do mundo.
Uma orientação completamente nova foi traçada por Eadweard Muybridge o
pai da fotografia em movimento.
Associando duas tecnologias diferentes inventou uma forma de fotografar o
movimento em pontos sucessivos. Com várias câmaras providas de
obturadores electromagnéticos além de um circuito eléctrico para o disparo
conseguir congelar , em fotografias separadas, várias posições que
constituem o movimento do andar humano e dos animais.

O trabalho depois desenvolvido por Muybridge e outros preparou o terreno


para o advento da sétima arte ‒ O Cinema.
O mérito de tornar os prazeres da fotografia acessíveis ao público cabe, incontesta-
velmente, a George Eastman, que ambicionou elaborar um sistema fotográfico através
da qual a pessoa simplesmente tirasse a foto e não se preocupasse com mais nada.

Assim nasceu a Kodak.

Era uma máquina pequena, com um rolo de


filme para cem exposições dentro de um chassi,
um obturador armado por um cordão e dispara-
do por meio de botão, tinha apenas uma velo-
cidade (1,25/seg), uma abertura e uma objec-
tiva de foco fixo.

Lançada com o slogan: “Você prime o botão nós


fazemos o resto”, a câmara alcançou um êxito
impressionante.

O seu preço era de 25 dólares e o serviço de


revelação de 10 dólares.
Durante o século XIX, a fotografia tentou estabelecer-se como arte, mas não
conseguiu criar uma identidade própria.
Foi só debaixo de condições invulgares de perturbação política e de reforma
social que ela se virou para o tema essencial da arte ‒ a vida.
Ao desenvolver uma perspectiva independente, a fotografia viria a combinar
os princípios estéticos do Secessionismo e a abordagem documental do
Fotojornalismo com o que aprendera da fotografia do movimento.
Tal como as outras artes, a fotografia foi sensível às três principais correntes da
nossa era: o Expressionismo, a Abstracção e a Fantasia, no entanto a fotografia
enveredou sobretudo pelo Realismo e por isso sofreu uma evolução distinta.
Devemos, portanto, analisar a fotografia do século XX sobretudo em termos
de escolas diferentes e do modo como estas reagiram a estas correntes,
tantas vezes contraditórias entre si.
Caracterizada por se centrar a sua atenção no jornalismo documental
inicia-se discretamente em Paris, com Eugène Atget.
Os sucessores directos de Atget foram dois fotógrafos da Europa de
Leste: André Kertész e Gyula Halasz (conhecido por Brassaï).
O apogeu da Escola de Paris deu-se, com a obra de Henri Cartier-
Bresson.
É ainda de referir, de entre todos os outros fotógrafos, o trabalho de
Robert Doineau..
O pai da fotografia moderna nos
Estados Unidos foi Alfred
Stieglitz, cuja influência se pro-
longou por toda a sua vida.
Graças à ligação com o Foto-
Secessionismo foi um defensor
incansável da fotografia como
arte.
É a partir da Escola de Stieglitz
que, pela primeira vez, através do
conceito de fotografia directa, a
fotografia documental americana
atinge o estatuto de arte.
Para além de Stieglitz é de
destacar a obra dos fotó-
grafos:
• Edward Weston;
• Ansel Adams;
• Margaret Bourke-White;
• Edward Steichen;
• Wayne Miller.
Na Alemanha, a fotografia atingiu um grau de perfeição ainda não ultrapassado com o
movimento da Nova Objectividade , surgido nas décadas de 20 e 30.
A beleza intrínseca dos objectos era realçada pela clareza das formas e da estrutura das
suas fotografias. Esta abordagem tinha muito em comum com os princípios da Bauhaus,
excepto no que diz respeito à função da arte.
Os seus mais importantes fotógrafos são:
Renger-Patzsch Sander
e August Sander.
Os anos que decorreram entre 1930 e 1945 podem ser considerados como a
época heróica da fotografia, graças à forma notável como os fotógrafos
encararam os desafios do seu tempo.
Robert Capa
O fotógrafo de guerra Robert Capa é
um bom exemplo de coragem física,
tendo feito a cobertura de guerras
por todo o mundo, até ser morto pela
explosão de uma mina no Vietnam.

Dorothea Lange
O interesse de Dorothea Lange pelas pessoas,
e a sensibilidade que demonstra perante a sua
dignidade, fizeram dela a melhor fotógrafa
documental do seu tempo.
A Impessoalidade , deficiência que, para muitos críticos, impedia a
aceitação da fotografia, passou a ser considerada uma virtude na
década de 20.
Justamente porque as fotografias são produzidas por meios mecânicos,
parecia agora a alguns artistas serem elas o meio mais perfeito de
representar a realidade moderna.
Nos finais da I Grande Guerra, os Dadaístas inventaram a
fotomontagem e o fotograma.
Embora estes dois processos, completamente diferentes entre si, já
tivessem sido utilizados ao serviço da anti-arte, prestaram-se
igualmente bem à prática quer da Fantasia quer da Abstracção, apesar
da aparente oposição entre os dois estilos.
As Fotomontagens são simplesmente partes de fotografias cortadas e reunidas de
modo a formarem novas fotografias. Este refazer de imagens destrói todo o ilusionismo
da fotografia directa . O objecto destes trocadilhos visuais é pôr em causa a nossa
concepção da realidade, mostrando a discrepância entre a nossa percepção do mundo
e o nosso entendimento irracional do seu significado.
As fotomontagens em breve foram utilizadas na feitura de Posters cuidadosamente
elaborados.

Herbert Bayer John Heartfield


O Fotograma não tira fotografias ‒ constrói-as; os
objectos são colocados directamente sobre o
papel fotográfico e expostos à luz.
Man Ray, não foi o primeiro a fazer fotogramas,
mas é ao seu nome que geralmente os
associamos, graças aos seus Rayographs .

Lázló Moholy-Nagy, que foi professor na Bauhaus, como


muitos dos artistas russos da década de 20, via também a
luz como manifestação da energia dinâmica do espaço.
Os efeitos conseguidos nas suas fotografias através da
justaposição e interpenetração das formas são fascinantes
Espantosas fotografias científicas foram produzidas entre
1939 e 1958 por Berenice Abbott antiga aluna e
colaboradora de Man Ray, para exemplificar as leis da física.
São imagens fascinantes, literal e visualmente, e a sua
perfeição formal torna-as artisticamente interessantes e
cientificamente válidas.
A fotografia depois da II Grande Guerra foi marcada pela abstracção
durante duas décadas, em particular nos Estados Unidos.
São de destacar os nomes de Aaron Siskind e Minor White.
A fantasia voltou gradualmente a afirmar-se nos dois lados do atlântico
em meados da década de 50.
Os seus mais importantes fotógrafos são Jerry Uelsmann e Joanne
Leonard.
A fotografia documental ganha expressão tanto pelos Foto-jornalistas
de guerra como pelo reaparecimento de uma nova forma de fotografia
directa nos Estados Unidos.
Eugene Smith, Robert Frank e Diane Arbus são os nomes mais
representativos.
Aaron Siskind, amigo íntimo dos pintores do Expressionismo
Abstracto, registou as ruínas e sinais de decadência da
sociedade moderna.
Ocultas nestes pormenores, descobriu figuras que lembram
cifras e são ironicamente, semelhantes a ideogramas de
civilizações esquecidas e hoje ininteligíveis.

Minor White, aproximou-se ainda mais do espírito do


Expressionismo Abstracto. Tendo trabalhado com
Adams e Weston, foi influenciado de forma
determinante pelo conceito de Equivalente de
Stieglitz.
Durante o seu período mais produtivo, de meados da
década de 50 a meados da de 60, praticou um estilo
altamente individual, usando a alquimia da câmara escu-
ra para transformar a realidade numa metáfora mística.
O americano Jerry Uelsmann, um dos mentores deste
movimento, inspirou-se nas fotografias de negativos
múltiplos de Oscar Rejlander, assim como nos equivalentes
de Stieglitz.
Se bem que a obra de Uelsmann tenha também uma faceta
lúdica próxima da Arte Pop, ele tenta geralmente dar forma
às imagens-arquétipo que vêm do fundo do subconsciente

Joanne Leonard
Tanto a imagem como o título do O Romantismo é, em
última análise, fatal apontam para um significado
pessoal que é autobiográfico nas suas referências.
Podemos reconhecer nesta visão perturbadora algo do
erotismo torturado de Pesadelo de Fuseli.
W. Eugene Smith, o principal fotojornalista dos
nossos dias, era um cínico compassivo que, nas
suas próprias palavras, comentava a condição
humana com uma “paixão racional”.
Tomoko no banho, tirada em 1972, em Minamata,
uma aldeia de pescadores no Japão, mostra uma
criança deformada por intoxicação de mercúrio, a
quem a mãe está a dar banho.
Não é só o tema mas o tratamento que Smith lhe
dá que empresta a esta fotografia um tom
infinitamente comovedor.
O aparecimento de uma forma nova de fotografia
directa nos Estados Unidos é, em grande parte, da
responsabilidade de um só homem, Robert Frank.
É com surpresa que finalmente compreendemos a
intenção irónica de Santa Fé, Novo México, as
bombas de gasolina voltam-se, no meio da paisagem
deserta, para a palavra SAVE (Salvem), como se
fossem membros de uma seita religiosa, procurando,
em vão, a salvação numa assembleia de culto.
Durante as décadas de 1960/70, os principais protagonistas dos
movimentos artísticos emergentes: Conceptual Art, Land Art, Minimal
Art, Art Povera utilizam a fotografia como complemento do seu
discurso plástico, razão pela qual a fotografia enquanto arte perde
protagonismo.
Só nos finais dos anos 70 a fotografia deixou de ser a irmã menor da
pintura e a prova disso é o auge actual de exposições desta disciplina e
a sua cotização em alta no mercado.
Só a fotografia documental através do fotojornalismo e sobretudo das
revistas Life, Nathional Geografic, Photo, e da agência Magnum
mantêm o protagonismo da fotografia enquanto arte.
São de destacar os nomes de Sebastião Salgado, Bill Brandt, Robert
Mapplethorp e Pete Turner.
Sebastião Salgado Bill Brandt Mapplethorp Pete Turner
Definitivamente a fotografia entrou na era da imagem digital, de forma que as suas
anteriores limitações óptico-químicas desapareceram. As novas máquinas digitais
possibilitam que um maior número de pessoas possa ter fácil acesso a uma melhor
captação e ao tratamento posterior das suas fotografias, aperfeiçoando-as e
personalizando-as o que implica que o carácter de instantâneo tradicional com que
habitualmente se vinculava vá perdendo a força.
Por tudo isso na fotografia actual os limites entre baixa e alta cultura são progres-
sivamente mais difíceis de ver, tendência por vezes defendida pelos próprios fotógrafos,
que misturam linguagens e recursos próprios da publicidade, da moda, do cinema e do
mundo do videoclip ou da banda desenhada. Muitos destes fotógrafos concebem as
suas obras em série, por vezes com alguma narratividade.
Finalmente podemos agrupar os temas mais típicos em três blocos:
Temas Metalinguísticos (natureza da linguagem fotográfica ou da representação);
A Realidade Actual, tratando de um amplo espectro que vai do mundo da política aos
problemas sociais e à ecologia, etc.
Por último o que enlaça com questões do género, identidade ou aparência, sobretudo
com os novos modelos de sexualidade que, graças à tolerância destes tempos, são
possíveis de abordar com maior liberdade.
Cindy Sherman Tracey Moffatt Young British Artists
Da Austrália, a fotógrafa
artística mais destacada
é Tracey Moffatt, autora
de séries como Lauda-
num ou Something
more, onde questiona a
situação dos aborígenes,
Nos Estados Unidos Cindy com referências cinema- Sara Lucas
Sherman é a figura mais tográficas e pictóricas,
O caso britânico é particular,
destacada, considerada de forma melodramática
porque deve ser estudado se-
como um dos principais e artificiosa.
gundo o fenómeno dos YBAs
criadores da Arte Actual. também conhecido como Britart,
Costuma trabalhar com grupo de artistas reunidos em
séries, como a magistral 1988 em torno da figura de
Untitled Films Stills. Damien Hirst. Entre os fotógra-
fos, chamam a atenção Tacita
Dean, Gillian Wearing, Sara Lucas
ou Sam Taylor-Wood.
Nova Escola da Fotografia Alemã A fotografia Buffa
Andreas Gursky é talvez o principal A fotogtafia Buffa foi um fenómeno que viveu o
fotógrafo da chamada Nova Escola de seu máximo apogeu em meados da década de
Fotografia Alemã, influenciado pela 1980, nos Países Baixos, por uma série de
tradição documental do seu país e criadores ‒ Rommert Bonnstra, Teun Hochs ‒
interessado em mostrar a dialética que preparavam o cenário antes de as tirarem.
indivíduo-civilização. Thomas Ruff é
outro nome a realçar.
A fotografia em França A fotografia em Portugal
Os nomes mais badalados no panorama A portuguesa Helena Almeida coloca
francês são os de Shophie Calle, em cuja questões interessantes em torno da repre-
obra se questiona os temas da intimi- sentação, misturando a fotografia a preto e
dade e do, misturando texto e imagens. branco com manchas cromáticas de pintura.

E o duo Pierre & Gilles, cuja estética Entre outros são ainda de destacar os
abertamente gay, não faz mais do que seguintes nomes: Paulo Nazolino e Jorge
inscrever de uma forma divertida o kitsh Molder,
como forma de estilo.
Chema Madox, realiza uma fotografia inteligente e bela, seguindo o caminho
metalinguístico aberto por René Margueritte.
Fotografia Conceptual
Para Misha Gordin a fotografia conceptual é uma forma elevada de expressão artística ao
nível da pintura, da escultura, da poesia ou da música. A questão reside mesmo no
"conceito". E explica: "Um tema pobre, executado com uma técnica perfeita, resulta
ainda assim numa fotografia pobre. Logo, o elemento mais importante de uma imagem
poderosa é o conceito". A ideia e a sua materialização através da linguagem fotográfica
torna-se assim a essência do processo da fotografia conceptual. Por esse motivo, as suas
imagens são de uma simplicidade e minimalismo quase extremos - para que a ideia não
seja ofuscada e o seu sentido não seja equívoco.