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Projeto: Jornada da pesquisa CECULT UFRB - "Dramaturgias em transito" - Arte Pesquisas,

Pesquisa Arte

Organização: Professores Maciej Rozalski, Rubens da Cunha CECULT UFRB

Onde: Casa dos Humildes,Teatro Dona Canô, Santo Amaro, Bahia

Quando: 14-15 de novembro 2019

Sobre conceito: Arte Pesquisa, Pesquisa Arte

O Projeto pretende abranger temas dos encontros interdisciplinares em artes cênicas


contemporâneas. Esse encontro estará focado na análise de novas ou de alternativas formas
artísticas, especialmente essas que são desenvolvidas nos processos criativos interdisciplinares
entre artes e pesquisa.

Os organizadores do evento querem convidar os artistas pesquisadores para abrir diálogo sobre
estratégias de construção das suas próprias linguagens criativas entendidas como processo de
pesquisa constante.

Queremos falar sobre a variedade dos encontros interdisciplinares e analisar os problemas de


tradução e permanência entre as formas. Trazendo, como exemplo, o teatro, podemos apontar,
especialmente, a questão da desconstrução do primado do texto no teatro contemporâneo e a
valorização da presença interdisciplinar do corpo dançante, ritmo e musicalidade, instalação e ação
performática, palhaçaria, intervenção urbana e outras linguagens na matéria cênica.

No caso da dança, podemos apontar a questão de tensão entre convenções da estrutura


coreográfica e a liberdade da improvisação. A dança contemporânea procura novos caminhos para
se liberar das formas e convenções estáveis e para encontrar novas formas de expressão.

Problemas similares aparecem praticamente em todo tipo de arte. Apareçam as perguntas sobre as
possibilidades de diálogo entre as linguagens artísticas, relação entre suas formas, convenções e
liberdades. Existe sempre um momento de experimentação entre as formas. “Más não todo
experimento é pesquisa” como fala Marco De Marinis em Pesquisa, Experimentação e Criação em
Teatro no Século XX (2014). Queremos falar sobre ponto especifico, no qual o artista começa
estabelecer seus próprios códigos e estratégias de tradução de si mesmo. Como quer George
Steiner em Gramáticas de criação (1990) cada grande obra de arte é processo da tradução
constante. Podemos arriscar e chamar esse momento de endurecimento como início de sua
própria pesquisa. Permanências e traduções que estabelecem vivencia do artista dentro de sua
própria obra. Queremos falar de dentro de obra, não sobre obra.

Como meu corpo na cena pode virar minha escrita? Como posso escrever minha dança? "Qual é
imagem da sua voz? Como você pode virar peixe e esse peixe virar árvore? Mas não parecer
arvore, ser arvore de verdade." pergunta Cristina Colla, atriz de teatro Lume em livro Caminhante,
não tem caminho, só rastros (2013). A fala de Cristina expressa as dúvidas que surgem da longa
experiência cênica dos artistas que buscam seus próprios caminhos nos processos criativos. Suas
pesquisas em arte são físicas, materiais e não apenas conceituais. Muitos autores como Cecilia
Almeida Salles Gesto inacabado (1990) apontam questão de arte como artesanato criado no
processo de inúmeras correções, erros e novas versões.

Para aprofundar mais questão de interdisciplinaridade, precisamos sair da proposta stricte teórica
e conceitual. Precisamos falar sobre a prática diária de artista como pesquisa. Queremos propor
algumas estratégias para se aprofundar na matéria diária da pesquisa em arte. Falar sobre arte no
nível das ferramentas, formas e aspectos práticos do artesanato. Uma das possibilidades é trazer
para nossa discussão palavra dramaturgia, más discolada de linguagem stricte teatral.
Dramaturgias estão lá expandidas nas outras linguagens, criando suas próprias histórias e métodos
de comunicação. Existe dramaturgia da voz, do dançarino gritando pelo seu próprio corpo, como
existem as dramaturgias das ruas pelas quais percorrem os próprios artistas. A palavra dramaturgia
se expressa nesse sentido pelo jogo das oposições e tenções que criam a própria história da obra
falada raramente pela lógica racional do texto.

A idéia de multi-dramaturgias não exclui a estruturação do trabalho do artista cênico, mas propõe
uma estratégias de nos levar para o mundo interdisciplinar em artes. O texto e a convenção
coreográfica sempre precisa dominar minha expressividade? Qual é importância de meu próprio
caminho para o ato criativo. Eu posso, citando de novo Cristina Colla, “dançar meu teatro”? E o que
significa isso? Trazer a dança pessoal na cena e desenvolver essa dança na minha própria
linguagem cênica. Muitos artistas pesquisadores, como George Steiner em Gramáticas de criação
(1990) ou Cecilia Almeida Salles em Gesto inacabado (1990), aproximam o processo artístico mais
da criação de artesanato do que do gesto conceitual. A necessidade de repetição, erro e variedade
das versões, em processo de mudança freqüente, trazem perguntas sobre aproximação do
significado das palavras artesanato e pesquisa como estratégias de desenvolver a obra.
Estrutura do encontro:

Dramaturgias em trânsito

Jornada da pesquisa CECULT UFRB - Arte Pesquisas, Pesquisa Arte. Encontro interdisciplinar das
práticas dos pesquisadores em arte.

Curadoria: Maciej Rozalski e Rubens da Cunha CECULT UFRB

Onde: Casa dos Humildes e teatro Dona Canô Santo Amaro, Bahia

Quando: 14-15 de novembro 2019

13 de novembro

Museu de Recolhimento dos Humildes

9.00 – 12.00 - Mesa aberta: "Dramaturgias em transito" - arte pesquisas, pesquisa arte.

14.00 – 16.00 - Mostras teórico/práticas dos projetos em processo de pesquisa.

Teatro Dona Canô

17.00 – 19.00.00 - Apresentações performáticas.

- “A profetiza” – Leticia Rachid, Direção Maciej Rozalski

- “Erradicação” – Direção e atuação Maciej Rozalski

19.00 - 21.00 – Roda de improvisação corpo/musical, intervenção musical Pedro Amorim, Victor
Valentim CECULT UFRB

14 de novembro

9.00 – 12.00 - Vivencia de improvisação “Corpo em fluxos da água” na cachoeira de Pedras.


Bibliografia:

COLLA, Ana Cristina, Caminhante, não tem caminho, só rastros, Perspectiva, São Paulo, 2013

DE MARINIS, Marco em Pesquisa, Experimentação e Criação em Teatro no Século XX, ARJ, Vol. ½, p.
21-38, Brasil, Jul./Dez. 2014

SALLES, Cecilia Almeida, Gesto inacabado, processo de criação artística, Annablume, São Paulo
1990

STEINER, George, Gramáticas de criação, Globo, São Paulo, 2003

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