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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE PORTELA E MOSCAVIDE Escola Secundária da Portela

Escola EB 2,3 Gaspar Correia


– 12.º ano
Escola EB1 Catela Gomes
Ficha de Gramática Escola EB1/JI Quinta da Alegria
2019/2020 Escola EB1/JI Portela

Leia o texto com atenção e selecione, para cada item, a única opção correta:

Manuel Halpern, “O Mural de Pessoa”

Se no tempo de Fernando Pessoa houvesse Facebook, então é que a arca nunca mais acabava. E os pessoanos estudariam
cada like, com afinco, procurando as motivações literárias e as personalidades escondidas naquele gesto espontâneo. E as
partilhas. Talvez aquela Oração que circula por aí, da Banda Mais Bonita da Cidade, lhe despertasse os sentidos, ou pelo menos a
um dos heterónimos. Ai, se a equipa do Mark Zuckerberg descobrisse os heterónimos iria logo classificá-los como perfis falsos, e
5 lá se ia o mural do Álvaro de Campos. Talvez não dessem por nada. E só anos mais tarde os pessoanos mais aplicados
encontrariam um perfil falso sem amigo nenhum, mas pessoanamente genial.
Sim, o Álvaro de Campos seria o mais torrencial. Partilhas em catadupa, remissões para o blogue, momentos de grande
euforia e habilidade informática.
O Ricardo Reis publicaria, rigorosamente, um post por dia, e só aceitaria amizade de pessoas com quem privasse. O
10 Alberto Caeiro não seria informaticamente dotado, mas até acharia graça à coisa. O Bernardo Soares gostaria mais do Twitter.
Nenhum deles teria cinco mil amigos, nem mesmo o Fernando Pessoa ortónimo, sobretudo por uma questão de timidez, apesar
de passar demasiado tempo no chat com Ofélia. Todos os posts de amor são ridículos.
Imagine-se o manancial de informação arquivado. As publicações do mural. O Almada Negreiros seria um dos mais
fervorosos frequentadores, com considerações e discussões acesas. Até ao dia, claro está, em que via a conta bloqueada, por
15 denúncia de Júlio Dantas, que considerou aquela história do "Pim!" indecorosa e imoral no seu mural.
Quando inventaram a revista Orpheu, criaram um evento a que poucos amigos ligaram. Mas eles insistiram muito. Até
criaram um site onde publicavam apenas parte dos conteúdos... Quem quisesse ler o resto que comprasse a revista. Contudo, o
volume três apenas sairia em edição digital, com grafismo do Almada e ciberarte do Amadeo.
Todos choraram muito a Morte de Mário de Sá-Carneiro. De Paris, ele já tinha colocado uns posts que sugeriam a
20 depressão, mas ninguém poderia esperar aquilo. O Mural encheu-se de comoventes mensagens de despedida. Alguns até lhe
dedicariam poemas.
Quando Fernando Pessoa morreu, misteriosamente, Ricardo Reis continuou ativo, a publicar os seus posts diários. Quem
descobriu isso foi esse tal de Saramago, que o matou anos mais tarde.

http://visao.sapo.pt/jornaldeletras/rubricas/homemdoleme/homem-do-leme-o-mural-de-pessoa=f610184
(consultado dia 30/10/2015)

1. A primeira oração do texto (“Se no tempo de Fernando Pessoa houvesse Facebook”, linha 1) classifica-se como sendo uma oração
subordinada adverbial
a) condicional.
b) concessiva.
c) consecutiva.
d) completiva.

2. A forma verbal “houvesse” (linha 1) encontra-se no


a) Pretérito Imperfeito do Indicativo.
b) Pretérito Imperfeito do Conjuntivo.
c) Pretérito Perfeito do Indicativo.
d) Futuro do Conjuntivo.

3. O pronome pessoal “lhe” (linha 3) refere-se a


a) à “Banda mais bonita da Cidade”
b) àquela “Oração que circula por aí”
c) aos pessoanos.
d) a Fernando Pessoa.

4. O recurso ao pronome pessoal “-los” ( linha 4) assegura a coesão


a) referencial.
b) lexical.
c) frásica.
d) interfrásica.

5. A palavra “informática” (linha 8) resulta do seguinte processo de formação


a) composição morfológica.
b) composição morfossintática.
c) extensão semântica.
d) amálgama.

6. No enunciado “E só anos mais tarde encontrariam um perfil falso sem amigo nenhum” (linhas 5- 6) o complemento direto
substituir-se-ia do seguinte modo:
a) “o encontrariam”.
b) “encontrariam-no”.
c) “encontrá-lo-iam”.
d) “encontrariam-o”.

7. No enunciado “Partilhas em catadupa, remissões para o blogue, momentos de grande euforia e habilidade informática .” (linhas 7-
8) deparamo-nos com
a) um polissíndeto.
b) uma adjetivação.
c) uma enumeração.
d) um paradoxo.

8. Com o recurso ao advérbio “rigorosamente” (linha 9) o autor do texto pretende realçar, em Ricardo Reis, o seu caráter
a) manipulador.
b) autoritário.
c) complacente.
d) inflexível.

9. A locução prepositiva “apesar de” (linha 11-12) introduz uma oração subordinada
a) substantiva relativa.
b) adverbial concessiva.
c) adjetiva relativa restritiva.
d) adverbial final.

10. Que relação semântica se estabelece entre os nomes Fernando Pessoa e “Álvaro de Campos”, “Ricardo Reis”, “Alberto Caeiro” e
“Bernardo Soares”?
a) Meronímia- holonímia.
b) Holonímia- meronímia .
c) Hiperonímia - hiponímia.
d) Heteronímia- ortonímia.

11. O segmento “ridículos” (linha 12 ), o constituinte sublinhado desempenha a função sintática de


a) complemento direto.
b) modificador restritivo do nome.
c) predicativo do complemento direto.
d) predicativo do sujeito.

12. A palavra “indecorosa” (linha 15) é sinónima de


a) “obscena”.
b) “atrevida”.
c) “grandiosa”.
d) “surpreendente”.

13. Atenta no enunciado “considerou aquela história do "Pim!" indecorosa e imoral no seu mural .” (linha 15) e assinala a alínea onde é
feita, corretamente, a sua análise sintática:
a) “considerou aquela história do "Pim!" indecorosa e imoral no seu mural”- predicado; “aquela história do "Pim!" indecorosa e
imoral”- complemento direto; “no seu mural.”- modificador (do grupo verbal).
b) “considerou aquela história do "Pim!" indecorosa e imoral”- predicado; “aquela história do "Pim!" indecorosa e imoral”-
predicativo do sujeito; “no seu mural.”- modificador (de frase).
c) “considerou aquela história do "Pim!" indecorosa e imoral no seu mural”- predicado; “aquela história do "Pim!"”-
complemento direto; “indecorosa e imoral”- predicativo do complemento direto; “no seu mural.”- modificador (do grupo
verbal).
d) “considerou aquela história do "Pim!" indecorosa e imoral ”- predicado; “aquela história do "Pim!" indecorosa e imoral”-
complemento direto; “no seu mural.”- complemento oblíquo.

14. Relê a frase “Quando inventaram a revista Orpheu, criaram um evento a que poucos amigos ligaram.” (linha 16) e assinala a única
alínea correta:
a) A conjunção “Quando” introduz a oração subordinante.
b) A vírgula separa a oração subordinada que antecede a subordinante.
c) A palavra “poucos”, quanto à sua classe, é um pronome indefinido.
d) O segmento “ a revista Orpheu” desempenha a função de sujeito simples.

15. O recurso ao conector “ Contudo” (linha 17) constitui um mecanismo de coesão


a) frásica.
b) referencial
c) lexical
d) interfrásica.

16. A palavra “Todos” (linha 19), quanto à sua classe e subclasse, trata-se de um
a) quantificador universal.
b) quantificador numeral.
c) pronome indefinido.
d) determinante indefinido.

17. O constituinte “de comoventes mensagens de despedida” (linha 20) desempenha a função sintática de
a) sujeito.
b) complemento oblíquo.
c) complemento direto.
d) complemento indireto.

18. A forma verbal “continuou” (linha 22) pertence à subclasse dos verbos principais
a) intransitivos.
b) transitivos diretos.
c) copulativos.
d) transitivos indiretos.

19. O determinante “seus” (linha 22) assegura a coesão


a) referencial (anáfora).
b) lexical (reiteração).
c) referencial (catáfora).
d) lexical (substituição).

20. A oração “que o matou anos mais tarde” (linha 23) é uma
a) subordinada adverbial temporal.
b) subordinada adjetiva relativa explicativa.
c) subordinada adverbial causal.
d) subordinada substantiva completiva.

21. Com a forma verbal “matou” (linha 26), o autor recorre a uma
a) hipálage.
b) comparação.
c) antítese.
d) metáfora.

22. O antecedente do pronome pessoal “o” ( linha 23) é


a) Ricardo Reis.
b) Fernando Pessoa.
c) José Saramago.
d) O Mural.

23. As orações subordinadas relativas “que sugeriam a depressão” (linhas 19-20) e “ que o matou anos mais tarde” (linha 23) têm

a) valor restritivo e explicativo respetivamente.


b) valor explicativo e restritivo, respetivamente.
c) ambas valor restritivo.
d) ambas valor explicativo.

24. O segmento sublinhado na passagem “ (…) sobretudo por uma questão de timidez(…) “ ( l.10) desempenha a função sintática de

a) complemento do nome.
b) complemento oblíquo.
c) complemento do adjetivo.
d) modificador.