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Análise dos Solos

Palloma Ribeiro Cuba dos Santos


João Dalton Daibert

Análise dos Solos

1ª Edição

www.editoraerica.com.br

1
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Daibert, João Dalton


   Análise dos solos / João Dalton Daibert, Palloma Ribeiro Cuba dos Santos. -- 1. ed. -- São Paulo : Érica, 2014.

    Bibliografia.
  ISBN 978-85-365-0743-9

    1. Mecânica dos solos 2. Solos 3. Solos - Análise 4. Solos - Classificação I. Santos, Palloma Ribeiro Cuba dos. II. Título.

14-01281                                                
CDD-624.1513

Índices para catálogo sistemático:


1. Mecânica dos solos : Engenharia 624.1513

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Coordenação Editorial: Rosana Arruda da Silva


Capa: Maurício S. de França
Edição de Texto: Beatriz M. Carneiro, Bruna Gomes Cordeiro, Carla de Oliveira Morais Tureta,
Juliana Ferreira Favoretto, Nathalia Ferrarezi, Silvia Campos
Preparação de texto e Editoração: Triall Composição Editorial Ltda
Produção Editorial: Adriana Aguiar Santoro, Alline Bullara, Dalete Oliveira, Graziele Liborni,
Laudemir Marinho dos Santos, Rosana Aparecida Alves dos Santos, Rosemeire Cavalheiro

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2 Análise dos Solos


Agradecimentos

Agradeço à minha família, minha mãe Marta e meu pai Alair. Às minhas irmãs Melissa Talita e
Nicolle, pelo apoio e incentivo.
Em especial, agradeço ao meu marido, Rafael, que esteve ao meu lado me ajudando, me
apoiando e entendendo minha ausência, minhas noites em claro. E à minha filha Júlia, grande fonte
de inspiração.
Agradeço, também, ao meu colega e colaborador, João Dalton, e à sua esposa, Mari, pela ajuda.
E, por fim, agradeço a Deus.
Palloma Cuba Ribeiro dos Santos

Primeiramente aos alunos, os egressos e os atuais, sem os quais este trabalho não teria nenhum
sentido.
Aos colegas de trabalho, professores e demais funcionários que partilham comigo a Educação
na Escola.
Aos meus professores de todas as épocas, do grupo escolar à faculdade, todo o meu respeito.
Aos colegas da vida profissional, principalmente aos da 'lida' com SOLOS, com os quais aprendi
muitos 'macetes' e dicas que repasso neste livro.
Aos de casa, pais, irmãos, filhos, e netos, toda a sorte de parentes que convivem comigo e
minha hiperatividade, o meu melhor 'muito obrigado'.
João Dalton Daibert

3
Sobre os autores

Palloma Ribeiro Cuba dos Santos, Engenheira Civil e mestre em Tecnologias Ambientais e
Recursos Hídricos pela Unesp, com experiência em docência, consultoria ambiental e investigação
de solo, obras de manutenção civil e consultoria gerencial. Professora da Fatec e do IFSP, ministran-
do aulas de Mecânica dos Solos e Resistência dos Materiais.
João Dalton Daibert, Mineiro, nascido em 31 de janeiro de 1951 em Juiz de Fora, formado em
Engenharia Civil em 1979, pela Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora
– UFJF. Cursou, na mesma faculdade, pós-graduação em Estradas com ênfase em TOPOGRAFIA e
SOLOS. Atuou como monitor enquanto estudante dentro destas áreas, e, como professor, nessa área,
no CTU – Colégio Técnico Universitário da mesma UFJF, durante dois anos. Ainda como professor,
atuou no Centro Paula Souza na ETEC de Itapetininga, trabalhando com alunos na Escola Agrícola
em 1999 e 1980.
Como profissional de engenharia, trabalhou em obras como Ferrovia do Aço (MG-RJ), Cuiabá
a Porto Velho (MT-RO), Gasoduto Bolívia-Brasil (SP), International Paper (MT), Rodovias Castelo
Branco, Raposo Tavares e Marechal Rondon (SP), atuando nas diversas fases destas obras, como pro-
jeto, execução, fiscalização e consultoria.
Desde 2008, exerce a função de Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico, no Ins-
tituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFSP, no Campus de Caraguatatuba-SP, onde
logrou aprovação em concurso público, lecionando atualmente TOPOGRAFIA e MECÂNICA DOS
SOLOS E FUNDAÇÕES, tendo exercido também o cargo de Coordenador da Área de Infraestrutura
e Recursos Naturais, à qual estão ligados o Curso Técnico de EDIFICAÇÕES e o Curso Técnico em
AQUICULTURA, este na modalidade 'à distância'.

4 Análise dos Solos


Sumário

Capítulo 1 - Introdução à Análise dos Solos................................................................... 11


1.1 Conceitos........................................................................................................................................................11
1.2 Importância da mecânica dos solos............................................................................................................13
1.3 Problemas comuns que necessitam do conhecimento de mecânica dos solos......................................14
Agora é com você!................................................................................................................................................16

Capítulo 2 - Exploração do Subsolo: Origem e Formação................................................. 17


2.1 Conceitos........................................................................................................................................................17
2.2 Intemperismo ................................................................................................................................................19
2.3 Classificação dos solos segundo sua formação..........................................................................................20
2.3.1 Solos sedimentares................................................................................................................................21
2.3.2 Solo residual...........................................................................................................................................22
Agora é com você!................................................................................................................................................24

Capítulo 3 - Características Físicas e de Identificação dos Solos....................................... 25


3.1 Conceitos........................................................................................................................................................25
3.2 Sondagem........................................................................................................................................................26
3.2.1 Índice de resistência à penetração......................................................................................................30
3.3 Índices físicos.................................................................................................................................................32
3.3.1 Massa específica ou densidade............................................................................................................32
3.3.2 Peso específico.......................................................................................................................................33
3.3.3 Umidade.................................................................................................................................................34
3.3.4 Índice de vazios.....................................................................................................................................35
3.3.5 Grau de saturação.................................................................................................................................35
3.3.6 Porosidade..............................................................................................................................................36
3.4 Granulometria................................................................................................................................................37
3.5 Estados de consistência.................................................................................................................................39
3.5.1 Ensaios de determinação dos limites de Atterberg...........................................................................40
Agora é com você!................................................................................................................................................48

Capítulo 4 - Classificação dos Solos............................................................................. 49


4.1 Conceitos........................................................................................................................................................49
4.2 Classificação granulométrica........................................................................................................................50
4.3 Sistema rodoviário de classificação.............................................................................................................53

5
4.4 Sistema de classificação unificado ..............................................................................................................55
4.5 Classificação tátil-visual................................................................................................................................57
Agora é com você!................................................................................................................................................58

Capítulo 5 - Compactação: Massa Específica................................................................. 59


5.1 Conceitos........................................................................................................................................................59
5.2 Ensaio de Proctor...........................................................................................................................................62
5.3 Ensaio CBR (California Bearing Ratio).......................................................................................................63
5.4 Tipos de compactação no campo................................................................................................................65
Agora é com você!................................................................................................................................................68

Capítulo 6 - Tensões no Solo....................................................................................... 69


6.1 Conceitos........................................................................................................................................................69
6.2 Pressões verticais devidas ao peso próprio dos solos ...............................................................................70
6.2.1 Tensões efetivas ....................................................................................................................................72
6.3 Tensões devidas a cargas aplicadas .............................................................................................................73
Agora é com você!................................................................................................................................................76

Capítulo 7 - Fluxo de Água nos Solos: Percolação.......................................................... 77


7.1 Conceitos........................................................................................................................................................77
7.2 Fluxo unidimensional...................................................................................................................................78
7.3 Fluxo bidimensional......................................................................................................................................80
Agora é com você!................................................................................................................................................84

Capítulo 8 - Adensamento........................................................................................... 85
8.1 Conceitos........................................................................................................................................................85
8.2 Recalque por adensamento...........................................................................................................................86
8.3 Ensaio de adensamento unidimensional ...................................................................................................88
8.4 Teoria do adensamento.................................................................................................................................90
Agora é com você!................................................................................................................................................92

Capítulo 9 - Estado Plano de Tensão no Solo................................................................. 93


9.1 Conceito..........................................................................................................................................................93
9.2 Estado plano de tensões................................................................................................................................94
9.3 Círculo de Mohr.............................................................................................................................................96
Agora é com você!..............................................................................................................................................100

6 Análise dos Solos


Capítulo 10 - Fundações........................................................................................... 101
10.1 Conceitos....................................................................................................................................................101
10.2 Fundações rasas ou diretas.......................................................................................................................102
10.3 Fundações profundas................................................................................................................................106
10.4 Capacidade de carga..................................................................................................................................114
Agora é com você!..............................................................................................................................................116

Bibliografia.............................................................................................................. 117

7
8 Análise dos Solos
Apresentação

O solo é um recurso natural básico no mundo, muito utilizado pelo homem. A análise do solo
torna-se cada vez mais importante, pois sua utilização está diretamente relacionada aos problemas
com outros recursos: hídricos, biodiversidade e risco de vida da população.

Também é importante lembrar que a estabilidade das obras, de pequeno ou grande portes,
estão direta ou indiretamente ligadas à fundação e sua relação com sua base: o solo.

Além da importância do estudo dos solos para a concretização das obras de estradas, túneis,
barragens, pavimentação, pontes e edificações em geral, que englobam geologia e engenharia entre
outras áreas, tais como: cálculo estrutural e a investigação do solo, também é muito importante para
a agricultura e áreas ambientais.

O mau uso pode gerar erosão ou desertificação do solo, utilização de tecnologias inadequadas,
diminuição da conservação de água no solo, destruição da cobertura vegetal.

Análise dos Solos inicia-se com introdução, conceitos sua importância e problemas comuns e
segue abordando a exploração do subsolo, características físicas e de identificação dos solos, sua clas-
sificação, compactação e tensões no solo, fluxo de água e percolação, adensamento, estado plano de
tensão no solo e termina enfatizando os tipos de fundações.

Dessa forma, em Análise dos Solos, também conhecida como Mecânica dos Solos, analisamos
as características do solo, sua classificação, e, essencialmente, buscamos prever seu comportamento.
Então, vamos iniciar esse aprendizado, desde a formação do solo até sua utilização.

Os autores

9
10 Análise dos Solos
1
Introdução à
Análise dos Solos

Para começar

O objetivo do Capítulo 1 é apresentar a mecânica dos solos, assim como a importância do estudo
dos solos nas obras em estradas, túneis, barragens, pavimentação, pontes e edificações em geral.
Também serão apresentados os problemas comuns que exigem o conhecimento de mecânica dos solos.

1.1 Conceitos
No início de uma construção, de pequeno ou grande porte, para dar estabilidade à obra, a pri-
meira coisa que deve ser feita é o estudo do solo do local. Esse estudo é realizado pelo profissional
especializado em Mecânica dos Solos.
Mecânica dos Solos é a disciplina que estuda as características do solo, sua classificação, e
busca prever seu comportamento quando sujeitos a solicitações provocadas pelo homem ou pela
natureza. Engloba: geologia de engenharia, investigação geotécnica, barragens, fundações, taludes/
aterros, estruturas de contenção, mecânica das rochas, túneis, pavimentos, estabilização de solos,
geotécnica ambiental, entre outras disciplinas como resistência dos materiais e cálculo.
Talude é uma superfície de terreno inclinada, resultado de uma escavação ou de um aterro
(porção de terra que nivela um terreno) natural, feito pelo homem ou estabilizado, como é o caso da
Figura 1.1.

11
Wikimedia Commons/Sutili
Figura 1.1 - Talude fluvial estabilizado por técnicas
de bioengenharia de solos.

Geotecnia é a aplicação de métodos científicos e princípios de engenharia para a aquisição, a


interpretação e o uso do conhecimento dos materiais da crosta terrestre e materiais terrestres para a
solução de problemas de engenharia. Abrange as áreas de mecânica dos solos e das rochas, e muitos
dos aspectos de engenharia da geologia, geofísica, hidrologia e ciências afins.
Estudos antigos baseados na física e na matemática deram origem à mecânica dos solos, que
avançou de acordo com os grandes acidentes e as novas necessidades de obras. A partir do início do
século XX começou a se desenvolver a mecânica dos solos.
O marco inicial se deu em 1925, com a publicação do trabalho de Erdbaumechanik, que lan-
çou as bases do conhecimento em mecânica dos solos. O livro foi escrito pelo austríaco Karl von
Terzaghi, considerado o pai da engenharia geotécnica e o fundador da mecânica dos solos.
Todas as obras de engenharia civil estão apoiadas sobre o solo, e algumas utilizam o próprio
solo como elemento de construção, por exemplo, as barragens e os aterros de estradas. Portanto,
buscar a estabilidade, entender o comportamento funcional e estético da obra, em grande parte,
depende do conhecimento do solo, essencialmente pelo desempenho dos materiais existentes nos
maciços terrosos.
Além da construção civil, uma das áreas de destaque do profissional especialista em solos é
a ambiental, com atribuições de investigação do nível de contaminação de solos e a elaboração de
projetos de tratamento dos terrenos. No segmento imobiliário clássico, os serviços desse profissio-
nal também são solicitados principalmente nas etapas iniciais da obra, pois é ele quem coordenará
as atividades de investigação do solo, terraplanagem, escavações, contenções, projeto e execução de
fundações, entre outros.

12 Análise dos Solos


1.2 Importância da mecânica dos solos
A importância dos solos como material de construção é equivalente à do aço ou do concreto.
O conhecimento de mecânica dos solos e geotecnia é indispensável, por exemplo, em engenharia
estrutural, como mostra a Figura 1.2, pois todas as estruturas se apoiam direta ou indiretamente em
solos ou rochas. Essa razão, por si só, justificaria a necessidade de conhecer em detalhes o comporta-
mento dos solos, mas deve-se ainda adicionar a complexidade do seu comportamento conferida pela
sua natureza de material particulado e multifásico.

Wikimedia Commons/US Department of Agriculture

Figura 1.2 - Esquema das


camadas do solo.

Historicamente, acidentes mundiais mostram cada vez mais a importância do conhecimento


do solo e seu comportamento não só como base, mas também como entorno. É comum, principal-
mente em países tropicais como o Brasil, no período de chuvas, ver grandes catástrofes causadas por
movimentações de terra associadas a grande volume de chuva, em curto período de tempo, resul-
tando em perdas materiais e de vidas. Nessa perspectiva, a descrição do comportamento do solo e o
mapeamento geológico torna-se vital.
O mapeamento geológico constitui-se em um estudo detalhado das áreas, com relevo, tipos de
solo e rocha, que caracterizam, do ponto de vista da geologia, determinada região.
Os movimentos de massa, em particular os deslizamentos, constituem, assim como as enchen-
tes, uma das ameaças naturais com o maior grau de recorrência em todo o mundo e, portanto, cau-
sam fortes danos às sociedades. Estimativas realizadas mostram que a quantidade de deslizamentos
registrada ao redor do mundo, especialmente em países montanhosos, supera outras ameaças natu-
rais tais como: sismos, furacões e vulcões (Chen e Lee, 2004; Bonachea, 2006). Várias cidades brasi-
leiras podem ser incluídas nesta situação, e, recentemente, passaram por grandes catástrofes, como a
apresentada na Figura 1.3, provocadas por fortes chuvas os estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro,
Minas Gerais, São Paulo etc.

Introdução à Análise dos Solos 13


Wikimedia Commons/Vladimir Platonow
Figura 1.3 - Desastre natural em Teresópolis- RJ (2011).

O Brasil é um país extenso, com diferentes realidades de subsolo, desde grandes planícies
rochosas a áreas pantanosas, a importância do estudo do subsolo local torna-se indispensável, evi-
tando assim problemas construtivos futuros.

1.3 Problemas comuns que necessitam do


conhecimento de mecânica dos solos
Os principais problemas e os mais comuns causados pelo mau uso do solo são:
»» Recalque em fundações, que ocorre quando uma edificação sofre um rebaixamento
devido ao assentamento do solo sob sua fundação. O recalque é a principal causa de trin-
cas e rachaduras em edificações, principalmente quando não ocorre o recalque homogê-
neo, uma parte da obra rebaixa mais que outra gerando esforços estruturais não previstos
e podendo até levar a obra à ruína.
»» Ruptura de taludes que ocorre quando um plano de terreno inclinado, que limita um
aterro e tem como função garantir sua estabilidade, se rompe.
»» Escolha equivocada de material para aterro ou barragem de terra.
»» Percolação de água e rebaixamento do nível freático, ou seja, rebaixamento do nível
d’água.

14 Análise dos Solos


Todos esses problemas podem causar danos estruturais ou deslizamentos de terra e afetara
diretamente a segurança da obra e das pessoas envolvidas.

Amplie seus conhecimentos

A famosa Torre de Pisa, apresentada na Figura 1.4, localiza-se na praça dos Milagres, em Pisa, na Itália. Foi construída
para ficar na vertical, mas começou a inclinar-se para sudeste logo após o início da construção, em 1173, devido a um caso
típico de recalque diferencial. Permanece em pé até hoje, pelas constantes intervenções de especialistas em geotecnia.

Wikimedia Commons/NotFromUtrecht

Figura 1.4 - Torre de Pisa.

Vamos recapitular?

Este capítulo mostrou a disciplina mecânica dos solos, que estuda as características do solo, sua clas-
sificação e busca prever seu comportamento para evitar os problemas que podem ocorrer por causa da má
utilização do solo. Apresentou alguns conceitos básicos sobre solo, como geotecnia, talude e recalque.
Também foram vistos os principais problemas relacionados ao solo e a importância do estudo
detalhado de mecânica dos solos na construção civil.

Introdução à Análise dos Solos 15


Agora é com você!

1) Pesquise sobre o trabalho de Erdbaumechanik, que deu início à mecânica dos solos.
2) Qual deve ser a primeira coisa a ser feita para garantir a estabilidade estrutural de
uma obra? Qual a disciplina responsável?
3) Quando e por que se iniciou o estudo de mecânica dos solos?
4) Em uma obra de engenharia civil, quais os principais problemas causados pela falta
do estudo do solo?

16 Análise dos Solos


2
Exploração do
Subsolo: Origem
e Formação

Para começar

O objetivo do Capítulo 2 é definir solo e sua formação: a pedogênese. Para isso, vamos estudar a
definição do solo, o intemperismo, e detalhar seus agentes: físicos, químicos e biológicos.
A classificação do solo quanto à formação também será apresentada neste capítulo.

2.1 Conceitos
Há milhões de anos, não havia solo. Encontravam-se apenas rochas, enormes rochas, dos mais
variados tamanhos, denominadas “rochas-matriz”. As chuvas, o vento, o calor e o frio fizeram com
que esses enormes rochedos começassem a ruir. Em determinado momento, as rochas se quebraram
em tantas vezes que se tornaram pequenos grãos. Finalmente, esses dividiram-se em partes cada vez
menores até se tornarem minerais.
A partir daí, plantas maiores puderam se desenvolver. Restos de vegetais e de animais mortos,
ao entrar em decomposição, enriqueciam o solo formando os nutrientes, denominados húmus (ou
humo), e se misturam com os minerais das rochas. Todo esse processo denomina-se pedogênese.
Logo, pedogênese ou formação de solos é o processo pelo qual determinado solo é formado,
assim como suas características e sua evolução na paisagem. Quanto maior a atuação da pedogênese
no solo, mais esta se tornará um corpo individual, com características próprias.

17
O solo é a camada mais superficial da crosta, entre a litosfera e a atmosfera, composto por sais
minerais dissolvidos na água intersticial, seres vivos e rochas em decomposição (Figura 2.1). Esse
aglomerado pode ser escavado sem a utilização de explosivos, e é utilizado como material de cons-
trução ou suporte de estruturas. A decomposição das rochas, que inicialmente constituíam a crosta
terrestre, recebe o nome de intemperismo.

Características das
camadas no perfil do solo O
A1
(O) Horizonte orgânico com matéria orgâni- A2
ca recente e/ou em decomposição
A3
(A1, A2 e A3) camadas onde estão se de-
compondo galhos, frutos, folhas, sementes,
além de fezes, urina, ossos e restos de
animais. Todo esse material em decomposi-
B
ção libera minerais os quais são absorvidos
pelas raízes ou levados pela água para a
camada inferior.
Solo
(B) Camada rica em argila, carbonatos e
outros materiais trazidos pela água das
camadas superiores. C

(C) Pedras e cascalho que fazem parte da


rocha localizada abaixo do solo, ou que Rocha
foram trazidos por algum rio de tempos
passados.
Rocha
Rocha: Dela provêm os sedimentos do solo
acima.

Figura 2.1 - Perfil do solo.

Para finalizar, o solo é originado da ação do intemperismo na rocha, misturado com a matéria
orgânica denominada húmus e água. Veja a Figura 2.2.
Nas regiões tropicais, a degradação das rochas ocorre mais rapidamente devido à alta temperatura
e grandes amplitudes térmicas. Diferentes tipos de solo são originados, dependendo de sua formação, das
características físicas, da quantidade de minerais e nutrientes que predominam em cada ambiente.
Contudo, o solo pode ser visto sobre diferentes óticas. Para um biólogo, o solo determina os
diferentes ecossistemas e hábitats dos seres vivos. Para um engenheiro agrônomo, o solo é a camada
na qual pode-se desenvolver vida (vegetal e animal). Contudo, neste livro, estudaremos o solo sob o
ponto de vista da mecânica dos solos, e neste caso o solo é um corpo passível de ser escavado, utili-
zado como suporte para construções ou material de construção.

18 Análise dos Solos


Clima + Organismo
Clima + Organismos

Água

Intemperismo

Humos

Rocha Solo
Solo
Rocha

Figura 2.2 - Formação do solo.

2.2 Intemperismo
Intemperismo, também conhecido como meteorização, é o conjunto de fenômenos físicos,
químicos e biológicos que levam à degradação e ao enfraquecimento das rochas. Essa decomposição
se dá por agentes físicos e químicos denominados agentes de intemperismo.

Exemplo
As variações de temperatura entre o dia e a noite, por exemplo, agem sobre as rochas, frag-
mentado-as. A água da chuva penetra e reage com os minerais que compõem as rochas, origi-
nando substâncias ácidas que corroem a rocha.

Sob a ação dos agentes físicos, químicos e biológicos as rochas se modificam, se separam e se
decompõem, dando origem ao solo. Os agentes do intemperismo são:
» Químico: no intemperismo, por causa dos agentes químicos, ocorre a decomposição dos
minerais das rochas a partir da ação das reações químicas. São vários os fatores, e um
deles é a ação da água da chuva carregada de elementos atmosféricos, como CO2, que
ataca os minerais da rocha em sua superfície exposta e em suas fraturas, provocando o
esfacelamento em blocos, pelo aumento de volume da água ao formar o gelo e os decom-
põe dando origem a novos minerais.
As reações químicas que compreendem a decomposição dos minerais primários das
rochas são: oxidação, hidratação, dissolução, hidrólise e acidólise.
» Oxidação: perda de elétrons de um elemento, através de reação com o oxigênio. Essa
reação destrói a estrutura cristalina do mineral.

Exploração do Subsolo: Origem e Formação 19


» Hidratação: incorporação de água à estrutura mineral, formando um novo mineral.
» Dissolução: mistura até que o mineral seja dissolvido completamente por ácidos.
» Hidrólise: as rochas constituídas basicamente por silicatos, quando entram em con-
tato com a água, sofrem hidrólise, quebra de uma molécula devido à água, resul-
tando em uma solução alcalina (solução capaz de neutralizar ácidos).
» Acidólise: semelhante à hidrólise, entretanto um ácido tem a função da água, ou seja,
a quebra de uma molécula devido ao ácido. A reação de decomposição de minerais
que ocorre em ambientes de clima frio, onde a decomposição da matéria orgânica é
incompleta, formando ácidos orgânicos que diminuem muito o pH das águas, com-
plexando e solubilizando o ferro (Fe) e o alumínio (Al).
» Físico: o intemperismo, devido aos agentes físicos, ocorre principalmente à variação de
temperatura nas rochas, é mais comum em climas secos, sejam eles quentes ou frios. A
rocha se expande quando aquecida e se contrai quando resfriada. Desta forma, as rochas
tendem a se fragmentar pelo enfraquecimento de suas estruturas. Além de tudo, os mine-
rais que compõem as rochas têm diferentes coeficientes de dilatação, ampliando assim a
fragmentação das rochas. A cor e a granulometria da rocha influenciam na sua fragmen-
tação. Assim, rochas mais escuras tendem a aquecer com mais facilidade, e as rochas mais
grosseiras tendem a se desintegrar mais facilmente do que as de grãos pequenos.
» Biológico: o intemperismo devido aos agentes biológicos é produzido pelas bactérias, pro-
duzindo a decomposição de materiais orgânicos.

Fique de olho!

O intemperismo biológico produz solos mais férteis, sendo muito comum na Ucrânia, onde se encontra um dos solos mais
férteis do mundo, o Tchernoziom, que é um tipo de solo mineral, caracterizado pela cor escura, e é considerado a classe
de solos mais férteis e agricultáveis.

O intemperismo é o desgaste da rocha que resulta no solo. A erosão é o desgaste do solo que causa
impactos ambientais, como a destruição das estruturas que compõem o solo e a desnutrição do solo.

2.3 Classificação dos solos segundo sua formação


O solo, produto do intemperismo sobre a rocha, cuja transformação se desenvolve ao longo de
um tempo, em determinado relevo, clima e bioma são divididos em dois grandes grupos de solos: os
transportados, também conhecidos como sedimentares, e os não transportados, também conheci-
dos como residuais.

20 Análise dos Solos


Talus ou colúvio

Rocha sã

Solo residual

Rocha alterada

Figura 2.3 - Perfil típico de encosta.

2.3.1 Solos sedimentares


Os solos sedimentares ou transportados (Figura 2.4) são aqueles que sofrem o intemperismo em
um local, e depois sofrem a ação transportadora dos agentes geológicos como mar, rio, vento, gelo, gra-
vidade, e depositados em forma de sedimentos em distâncias variadas. Nesse tipo de solo há grande
quantidade de matéria orgânica em sua composição. Não possui ligação com a rocha original.
Em geral, os solos sedimentares são depositados com menor consolidação que os residuais, com
maior heterogeneidade e profundidade variável. São menos resistentes, com maior permeabilidade.
Resistência Permeabilidade

Areia

Argila

Areia

Argila

Rocha

Prof. Prof.

Figura 2.4 - Solos sedimentares.

Exploração do Subsolo: Origem e Formação 21


São solos transportados:
»» Solos de aluvião: é um depósito de sedimentos clássicos (areia, cascalho e/ou lama). São
transportados e arrastados pela água. Sua constituição depende da velocidade das águas
no momento de deposição, sendo encontrado material mais grosseiro próximo às cabecei-
ras, e o material mais fino (argila) é carregado a maiores distâncias. Esses solos apresen-
tam baixa capacidade de suporte (resistência), elevada compressibilidade, e são suscetíveis
à erosão. São fontes de materiais de construção, mas péssimos materiais de fundação.
»» Solos orgânicos: mistura do material transportado, com quantidades variáveis de maté-
ria orgânica decomposta. Formados em áreas de topografia bem caracterizada (bacias e
depressões continentais, nas baixadas marginais dos rios e litorâneas). Normalmente são
identificados pela cor escura, cheiro forte e granulometria fina. Esse tipo de solo possui
alta compressibilidade e baixíssima resistência. Provavelmente este é pior tipo de solo para
os propósitos do engenheiro geotécnico.
»» Solos coluviais (ou depósito de tálus): o transporte se deve exclusivamente à gravidade, e
o solo formado possui grande heterogeneidade. São de ocorrência localizada, geralmente
ao pé de elevações e encostas, provenientes de antigos escorregamentos. Apresentam boa
resistência, porém elevada permeabilidade. Colúvio é um material predominantemente
fino e tálus é predominantemente grosseiro.
»» Solos eólicos: são formados pela ação dos ventos, e os grãos dos solos possuem forma
arredondada. É o mais seletivo tipo de transporte de partículas de solo. Não são muito
comuns no Brasil, destacando-se somente os depósitos ao longo do litoral.

2.3.2 Solo residual


O solo residual é resultado da decomposição da rocha matriz e permanece no mesmo local. De
certa forma, guarda a estrutura da rocha matriz da qual teve origem. Os solos residuais são solos não
transportados (Figura 2.5). Originados do processo de intemperização de rochas-mãe que lhe deram
origem, e se encontram sobre a mesma.
O solo residual é mais homogêneo, resistente e mais impermeável.

Resistência Permeabilidade

Prof. Prof.

Figura 2.5 - Solo residual.

22 Análise dos Solos


Para ocorrer, é necessário que a velocidade de decomposição da rocha seja maior do que a
velocidade de remoção por agentes externos. Regiões tropicais favorecem a degradação da rocha
mais rapidamente. Diante desse contexto, sua ocorrência é comum no Brasil.
»» Solo residual maduro: é um solo mais homogêneo e não apresenta nenhuma relação com
a rocha-mãe.
»» Solo residual jovem: apresenta boa quantidade de material, pode ser classificado como
pedregulho (diâmetros > 4,8 mm). São bastante irregulares quanto à resistência, colora-
ção, permeabilidade e compressibilidade (a intensidade do processo de alteração não é
igual em todos os pontos).
»» Solo saprolítico: guarda características da rocha sã e tem basicamente os mesmos mine-
rais, porém sua resistência já se encontra bastante reduzida. Pode ser caracterizado como
uma matriz de solo, que envolve grandes pedaços de rocha altamente alterada. Apresenta
pequena resistência ao manuseio.
»» Solo de alteração de rocha: ainda preserva parte de sua estrutura e de seus minerais,
porém com dureza inferior à da rocha matriz, em geral muito fraturada, permitindo
grande fluxo de água nas descontinuidades.

Vamos recapitular?

Este capítulo mostrou que o intemperismo, com seus agentes físicos, químicos e biológicos, leva à
degradação da rocha, que misturada ao húmus e à água resulta no solo.
De acordo com a formação do solo, pode ser classificado como solo sedimentar e residual.

Exploração do Subsolo: Origem e Formação 23


Agora é com você!

1) Qual a diferença entre rocha e solo?


2) O que é pedogênese?
3) Quais os agentes do intemperismo? Exemplifique-os.
4) Pesquise sobre a mineralogia dos tipos de solo.
5) Comente a classificação dos solos, devido à formação.

24 Análise dos Solos


Características
3
Físicas e de
Identificação
dos Solos

Para começar

No Capítulo 3 será estudada a caracterização do solo, ou seja, um grupo de ensaios que propor-
ciona a obtenção de parâmetros. O ensaio de granulometria é a determinação dos índices físicos dos
limites de consistência.
Também serão apresentadas técnicas de sondagem e perfil geológico do solo.

3.1 Conceitos
Muitas são as dificuldades encontradas quando se trata de solo, pois o solo não possui com-
portamento linear como o aço, por exemplo. O termo caracterização é utilizado em geotecnia para
identificar um grupo de ensaios que visam a obter algumas características básicas dos solos com o
objetivo de avaliar a sua aplicabilidade nas obras de terra. A caracterização física é feita habitual-
mente recorrendo a ensaios simples. Esse conjunto de ensaios proporciona a obtenção de parâmetros
e índices que identificam não só a natureza do solo, bem como podem ser correlacionados com as
suas propriedades mecânicas, por exemplo, a resistência.
O solo pode apresentar diferentes comportamentos, e depende do meio ambiente onde se
encontra, tais como: clima, umidade, saturação, por isso é diferente em cada local. Normalmente o
solo a ser pesquisado não está situado na superfície, mas sim em horizontes profundos, e muitos são
sensíveis às perturbações da amostragem, como a sondagem, o que dificulta, em laboratório, a pro-
dução de suas características reais.

25
Sondagem é um processo de exploração e reconhecimento do subsolo, muito utilizado em
engenharia civil durante uma investigação de solo que permita, por exemplo, a definição do tipo e o
dimensionamento das fundações que servirão de base para uma edificação. A partir da sondagem é
possível coletar amostras de solo e determinar o perfil vertical do subsolo.
Coletadas as amostras do solo, têm início os ensaios de laboratório. A determinação dos
índices físicos ajuda a estabelecer a mineralogia do material. Os índices físicos são: umidade,
índices de vazios, porosidade, grau de saturação e peso específico. Outro ensaio é o de granu-
lometria, o qual é composto pelo peneiramento para solos granulares, e ensaio de sedimenta-
ção, quando o solo é coesivo. Concluindo os ensaios têm-se os limites de consistência ou limi-
tes de Atterberg. Deles é obtido o índice de plasticidade. Os índices físicos e de consistência.
O termo consistência refere-se ao grau de resistência e plasticidade do solo, que dependem das
ligações internas entre as partículas. Os solos ditos coesivos (argilas e siltes) possuem consis-
tência plástica, com certos teores-limites de umidade.

3.2 Sondagem
Na sondagem a percussão é também chamada de Sondagem SPT, nome que vem da abreviação
do termo em inglês Standard Penetration Test, ou seja, Teste de Penetração Padrão. O SPT é um pro-
cesso muito usado para conhecer o subsolo. Padronizada pela ABNT/NBR6.484/2001 - Execução de
Sondagem de Simples Reconhecimento dos Solos.
No procedimento geotécnico de campo para obter amostra do subsolo, a sondagem ou ensaio
de penetração dinâmica (SPT), é possível medir a resistência do solo. Os objetivos da sondagem são:
»» Conhecer o tipo de solo a cada metro, com a retirada de amostra.
»» Conhecer o nível de resistência oferecido pelo solo.
»» Localizar as posições dos níveis de água no solo.
O ensaio consiste de uma perfuração vertical no solo, com diâmetro normal de 2,5 polega-
das. A profundidade varia com o tipo de obra e de terreno, ficando em geral entre 10 e 20 metros.
Enquanto não se encontra água, o avanço da perfuração é feito, em geral, com um trado espiral
(helicoidal). O avanço com trado é feito até atingir o nível de água ou, então, algum material resis-
tente. Daí em diante, a perfuração continua com o uso de trépano e circulação de água, processo
denominado “lavagem”. Trépano de lavagem é constituído por peça de aço terminada em chanfro, e
duas saídas laterais para a água, Figura 3.1.
O trépano vai sendo cravado no fundo do furo por repetidas quedas da coluna de perfura-
ção (trépano e hastes). O martelo cai de uma altura de 30 centímetros, e a queda é seguida por um
pequeno movimento de rotação, acionado manualmente da superfície, com uma cruzeta acoplada ao
topo da coluna de perfuração. Injeta-se água sob pressão pelos canais existentes nas hastes, essa água
circula pelo furo e arrasta os detritos de perfuração até a superfície. Para evitar o desmoronamento
das paredes nas zonas em que o solo se apresenta pouco coeso é instalado um revestimento metálico
de proteção (tubo de revestimento).

26 Análise dos Solos


Roldana

Pernas Cabo de aço


simples

Alavanca do engate de redução

Engate de redução

Eixo de transmissão

Mancal

Mangote de sucção Manivela


Mangueira de recalque

Pernas com escadas

Cones para apoio das pernas

Roldana
Amostrador

Corda

Guia
Peso do
bater Cabeçote Corda
de cravação
Acoplamento Para o guincho
da haste Haste de ou cabrestante
perfuração
Revestimento Tornel
de água

Haste de perfuração
Tê substituível pelo
cabeçote de cravação
(1) para cravar o
resvestimento Mangueira de sucção
Mangueira de sucção
Bomba
Tanque Peso de bater

(1) Cabeçote de cravação


de revestimento Revestimento
(2) Cabeçote de cravação
da haste Trépano: pode ser substituído por um amostrador.
Sapata cortante O tornel de lavagem é, então, substituído pelo
cabeçote de cravação da haste (2)

Figura 3.1 - Equipamento de lavagem.

Características Físicas e de Identificação dos Solos 27


Durante a perfuração, a cada metro de avanço é feito um ensaio de cravação do amostrador,
no fundo do furo, para medir a resistência do solo e coletar amostras. Esse ensaio é denominado
ensaio de penetração ou ensaio SPTN. É feito com um cilindro amostrador-padrão, Barrilete, com
golpes de um martelo com massa padronizada de 65 quilos, solto em queda livre de uma altura de 75
centímetros, Figura 3.2. Durante o ensaio são anotados os números de golpes necessários à cravação
do amostrador, em três trechos consecutivos de 15 centímetros, sendo que o valor da resistência à
penetração (NSPT) consiste no número de golpes aplicados na cravação dos 30 centímetros finais.
Após a realização de cada ensaio, o amostrador é retirado do furo e a amostra é coletada. As amos-
tras retiradas do amostrador, Figura 3.3, devem ser acondicionadas em frascos perfeitamente fecha-
dos para a manutenção da umidade natural e das suas estruturas geológicas para posterior classifica-
ção, que geralmente é feita pelo método tátil-visual e laboratorial.

Roldana

Corda

Tripé Peso
65 Kg

Ressalto
Operação
manual

Haste

Furo de 2 1/2"

Barrilete

Figura 3.2 - Ensaio de penetração.

O processo de perfuração, por trado ou lavagem, associado aos ensaios de penetração, deve ser
realizado até se obter uma das seguintes condições:
»» Quando em 3 metros sucessivos, se os índices de penetração forem maiores do que 45/15. 
»» Quando em 4 metros sucessivos forem obtidos índices de penetração entre 45/15 e 45/30. 
»» Quando em 5 metros sucessivos forem obtidos índices de penetração entre 45/30 e 45/45
(número de golpes/espaço penetrado pelo amostrador).

28 Análise dos Solos


Figura 3.3 - Amostrador.

Caso a penetração seja nula dentro da precisão da medida na sequência de cinco impactos do
martelo, o ensaio será interrompido, não havendo necessidade de obedecer ao critério estabele-
cido. Entretanto, ocorrendo essa situação antes de 8 metros, a sondagem será deslocada até o máximo
de quatro vezes, em posições diametralmente opostas, distantes 2 metros da sondagem inicial.
A ABNT/NBR 8.036/83: “Programação de sondagens de simples reconhecimento dos solos
para fundações de edifícios” estabelece os números de perfurações a serem feitas, de acordo com o
tamanho do edifício, conforme segue:
»» No mínimo uma perfuração para cada 200 m2 de área da projeção em planta do edifício,
até 1.200 m2 de área.
»» Entre 1.200 m2 e 2.400 m2 fazer uma perfuração para cada 400 m2 que excederem os
1.200 m2 iniciais.
»» Acima de 2.400 m2 o número de sondagens será fixado de acordo com o plano particular
da construção.
Em quaisquer circunstâncias, o número mínimo de sondagens deve ser de dois para a área da
projeção em planta do edifício até 200 m2, e três para área entre 200 m2 e 400 m2. 
Os dados colhidos na sondagem são apresentados na forma de perfil individual do furo, ou
seja, um desenho que traduz o perfil geológico do subsolo na posição sondada, com base na descri-
ção dos “testemunhos”, Figura 3.4, aquelas amostras colhidas durante a perfuração. A descrição dos

Características Físicas e de Identificação dos Solos 29


testemunhos é feita a cada manobra e inclui classificação litológica – cor, tonalidade e dados sobre
formação geológica, mineralogia, textura e tipos dos materiais.

- Perfuração com trado rotativo 2,5 pol


- Sondagem a percussão SPT - Standart Penetration Test
- Coleta das amostras: Ensaio SPT - Número de Golpes
Solo com sondas tubulares com liner
Profundidade
Nível d’água

Perfil
Cotas Caracterização do material
Régua

(m)
(m)

Geológico
NBR 6502 NBR 7150
5 10 15 20 25 30

17,0
7,0 17,0 17,0

Argila pouco arenosa


18,0
8,0 18,0
Coloração: Amarela

19,0
9,0 19,0

20,0
0,0 20,0

20,70
1,0
21,0 21,0

22,0
2,0 22,0
Silte arenoso
areno pouco
argiloso.
argilo
23,0
3,0 23,0 Coloração: variegada

24,0
4,0 24,0

25,0
5,0 25,0
25,45

26,0
6,0 26,0 Fim da sondagem
son

Figura 3.4 - Perfil individual do furo.

3.2.1 Índice de resistência à penetração


O índice de resistência à penetração (SPT) foi definido por Terzaghi-Peck, que nos diz que “é a
soma do número de golpes necessários à penetração no solo, dos 30 centímetros finais do amostra-
dor”. Despreza-se, portanto, o número de golpes correspondente à cravação dos 15 centímetros ini-
ciais do amostrador. Os valores de SPT obtidos dão uma indicação preliminar da consistência (solos
argilosos) ou estado de compacidade (solos arenosos). Veja a Tabela 3.1.

30 Análise dos Solos


Tabela 3.1 - Índices de resistência à penetração
Solos Índices de resistência (SPT) Designação σ adm (kgf/cm2)

≤4 Fofo <1

5 - 10 Pouco compacto 1-2

Areias e siltes arenosos 11 - 30 Mediamente compacto 2-4

31 - 50 Compacto 4-6

≥ 50 Muito Compacto >6

≤2 Muito Mole <0,25

2-4 Mole 025 - 0,5

5–8 Média 0,5 - 1


Argilas e siltes argilosos
9 – 15 Rija 1-2

16 – 30 Muito Tija 2-4

≥ 30 Dura >4

A interpretação dos dados SPT auxilia a escolha do tipo das fundações, a estimativa das taxas
de tensões admissíveis do terreno, assim como uma previsão dos recalques das fundações. Além
disso, é possível estimar a carga admissível em um solo arenoso pela fórmula a seguir:

σ adm = NSPT − 1 = [kgf/cm2 ]

Fique de olho!

Em solo arenoso, com índice SPT de 20, com base na tabela de Terzaghi-Peck, a tensão admissível estaria entre 2 e
4 kgf/cm2.

Aplicando a fórmula:

σ ad
admm = 20 − 1 = 3, 47kkgf/c
gf/cmm2

Chega-se à tensão admissível: 3,47 kgf/cm2.

Amplie seus conhecimentos

A cidade de Santos é mundialmente conhecida pelos seus edifícios tortos na avenida à beira-mar. Isso ocorreu porque, na
época de sua construção, foram feitas fundações rasas, apoiadas a cerca de 8 metros de profundidade, onde se encontra um
solo argiloso relativamente rígido (SPT 8-designação de acordo com a tabela: média). Entretanto, cerca de 10 metros abaixo,
encontra-se areia argilosa muito mole, cujo SPT é 1/60, ou seja, o martelo dá uma batida e já penetra 60 centímetros.

Ao longo dos anos, a argila vai recalcando, o solo vai cedendo, e os edifícios afundam. Há casos em que os prédios des-
ceram mais de 1 metro em relação ao nível original. Os edifícios ficaram tortos porque não afundaram por igual. Um pré-
dio faz pressão sobre a fundação do prédio vizinho, e naquele local ambos afundam mais, pois existe maior pressão sobre
o subsolo.

Os prédios mais novos utilizam estacas mais profundas, que vão buscar solo mais duro, a mais de 27 metros de profun-
didade.

Características Físicas e de Identificação dos Solos 31


3.3 Índices físicos
Os índices físicos tentam representar as condições físicas de um solo no estado em que se
encontra. Podem servir como dados valiosos para identificação e previsão do comportamento mecâ-
nico do solo, apesar de sua simples determinação.
No volume total do solo pode-se considerar que existe a fase sólida, líquida e gasosa. A parte
sólida é ocupada por partículas sólidas de solo; os espaços entre as partículas sólidas são chamados
de vazios. Os vazios estão normalmente preenchidos por água e/ou ar. Um solo que apresenta seus
vazios totalmente preenchidos por água é chamado de solo saturado, Figura 3.5.

Água

Ar

Solo

Solo no Solo separado


estado natural em volumes

Figura 3.5 - Fases do solo.

Os principais índices utilizados para indicar o estado do solo são: peso específico, massa espe-
cífica ou densidade, umidade, índice de vazios, porosidade e grau de saturação.
Para iniciar o estudo dos índices físicos, admita-se a abstração apresentada na Figura 3.6, em
que as três fases: sólida, líquida e gasosa possam permanecer isoladas com seus devidos volumes.

Água Vw
Vt - Volume total.
Vv Vv - Volume de vazios.
Ar Va Vw - Volume de água.
Vt
Va - Volume de ar.
Vs - Volume de sólidos.
Solo Vs

Figura 3.6 - Volumes das fases do solo.

3.3.1 Massa específica ou densidade


A massa específica também denominada densidade é a relação de massa total pelo volume
total. A unidade do sistema internacional é kg/m3, entretanto a unidade mais usada é t/m3, que
numericamente é igual a g/cm3.

m t [kg]
ρ= =
Vt [m3 ]

32 Análise dos Solos


Massa específica dos sólidos
A massa específica dos solos é massa da fase sólida por unidade de volume, excluído o peso da
água. Sendo a relação de massa do solo seco (ms) pelo volume total.

ms [kg]
ρs = =
Vt [m3 ]

Densidade relativa
A densidade relativa é a relação entre a densidade do solo e a densidade da água, ou seja, a rela-
ção de massa específica do solo seco dividido pela massa específica da água (ρ água = 1.000kg/m3). A
densidade relativa é uma grandeza adimensional, e, portanto, não possui unidade. A massa específica
da água em g/cm3 é 1.
ρ
d=
ρágua

Fique de olho!

Calcular a massa específica de uma amostra de solo num recipiente 4 cm x 4 cm x 4 cm com massa 100 g. Qual a
massa específica dos sólidos, sabendo que a massa de solo seco é 96 g? Qual a densidade específica?
Volume da amostra (Vt) Vt = 4 × 4 × 4 = 64 cm3

mt 100
10 0g
Massa específica (ρ
(ρ) ρ= = = 1, 562
562
625 m3
5 g /ccm
Vt 64 cm3

ms 96 g
Massa específica dos sólidos (ρ
(ρs) ρs = = m3
= 1, 5 g / ccm
Vt 64 cm3

ρ 1, 5
562
625
5
Densidade relativa (d) d= = = 1, 5
562
625
5
ρágua 1

3.3.2 Peso específico


O peso específico é a relação entre o peso total (W) e o volume total da amostra (V). Sendo
uma relação de força por volume, a unidade usada no SI é o N/m3 e seus múltiplos e submúltiplos,

Wt [N]
γ= =
Vt [m3 ]

Em que o peso é o resultado da massa vezes a aceleração da gravidade:

W = m × g = [kg] × [m/s2] = N

Características Físicas e de Identificação dos Solos 33


Considerando:

g = 10 m/s2

Logo:

γ = ρ  10

Fique de olho!

Calcular o peso específico da amostra do solo, sabendo que a massa específica ρ é 1,5625 g/cm3.

Transformação de g/cm3 em kg/m3

ρ = 1, 562
562
6255g /cm3 = 1
1..56
5622, 5 kg / m3

Peso específico (γ
(γ)

γ = 1562, 5 × 10 = 15.6 25 N / m3 = 15, 62


625 6255 kN / m3

3.3.3 Umidade
Umidade é a relação do teor de água contida no solo em função do peso dos sólidos, ou o peso
da água contida no solo expressa em porcentagem.
Em geral, os solos brasileiros apresentam umidade natural abaixo de 50%. Entretanto, os solos
orgânicos podem apresentar umidade muito elevada, acima de 100%.
O método para determinação da umidade consiste em pesar o recipiente do solo, denominado
peso da tara (mtara), depois pesa-se o solo em estado natural, ou seja, solo + recipiente, denominado
massa total (mt). Após a pesagem, secar a amostra em estufa entre 105 °C e 110 °C por 24 horas ou
até que o peso fique constante, e pesar novamente, massa de solo seco (ms). No Brasil, a determina-
ção da umidade do solo é padronizada pela ABNT/NBR 6.457/86b. Com o valor de todos os pesos,
calcula-se a umidade:

m t − ms
w= ×100
ms − m tara

Fique de olho!

Calcular a umidade de uma amostra de solo, massa da tara mtara = 10 g, com massa total de 120 g, sabendo que a
massa de solo seco é 106 g.

110 − 106
w= × 100 = 14
14,, 6%
106 − 10

34 Análise dos Solos


3.3.4 Índice de vazios
O índice de vazios é a relação entre o volume de vazios e o volume de sólidos. Embora possa
variar, teoricamente, de 0 a 20, o menor valor encontrado em campo para o índice de vazios é de
0.25 (areia muito compacta com solos finos), e o maior de 15 (para uma argila altamente compressí-
vel). O índice de vazios é uma grandeza adimensional, portanto, não possui unidade.
Os poros dos solos, que apesar de também serem chamados de volume de vazios, podem estar
preenchidos com água (quando o solo está saturado), com ar (quando o solo está totalmente seco)
ou com ambos, que é a forma mais comum encontrada na natureza.

VV
e=
Vt

Para calcular o volume de vazios é pesada a amostra de solo saturada. Depois da secagem do
solo na estufa, pesa-se a amostra de solo seco. Com a diferença entre o solo saturado e o solo seco
obtém-se o peso da água. A partir da densidade da água, obtém-se o volume de água. O volume de
água no solo saturado é equivalente ao volume de vazios.

Fique de olho!

Calcular o índice de vazios do solo, dada a massa da amostra de solo saturado de 160 g, massa da tara mtara = 10 g, e a
massa de solo seco é 106 g. O volume total da amostra é 64 cm3.

Cálculo do volume de vazio (Vv), onde densidade da água em g/cm3 = 1

mWsaturado = 160 − 106 = 54 g


m
d=
V
54
VV = = 54 ccm

1

Volume de sólidos (Vs)

VS = 64 − 54 = 10

Índice de vazios (e)

54
e= = 0, 844
64

3.3.5 Grau de saturação


O grau de saturação é a relação entre o volume de água e o volume de vazios de um solo,
expressa em porcentagem. Varia de 0% para solo seco a 100% para solo saturado.

Características Físicas e de Identificação dos Solos 35


Para calcular o volume de água deve ser pesada a amostra de solo in natura, e após a secagem
na estufa pesar a amostra de solo seco. Utilizando a densidade da água é possível calcular o volume
de água.

VW
S= ×100
VV

Fique de olho!

Calcular o grau de saturação do solo. A massa da amostra de solo saturado é 160 g, massa da tara mtara = 10g, a massa
in natura é 120 g, e a massa de solo seco é 106 g. O volume total da amostra é 64 cm3.

Conforme o cálculo do volume de vazio (Vv), onde densidade da água em g/cm3=1

54
VV = = 54 ccm

1

Volume de água (Vw)

mW = 120 − 106 = 14 g
14
VW = = 14 ccm

1

Grau de saturação (S)

14
S= × 100 = 25
25,, 9%
54

3.3.6 Porosidade
Porosidade é a relação entre o volume de vazios e o volume total da amostra, expressa em por-
centagem. Em geologia, porosidade é a característica do solo de armazenar fluidos em seus espaços
interiores, chamados poros. Isso quer dizer que existem espaços (poros) entre as partículas que for-
mam qualquer tipo de matéria. Esses espaços podem ser maiores ou menores, tornando a matéria
mais ou menos densa.
A porosidade do solo é  inversamente relacionada  à  sua densidade. Quanto mais espaço de
poros de um solo, menor o valor de sua densidade.

VV
n= ×100
VT

36 Análise dos Solos


Fique de olho!

Calcular a porosidade do solo, dada a massa da amostra de solo saturado de 160 g, massa da tara mtara = 10 g, e a
massa de solo seco de 106 g. O volume total da amostra é 64 cm3.

Conforme o cálculo do Volume de vazio (Vv), onde densidade da água em g/cm3 = 1

54
VV = = 54 ccm

1

Porosidade (n)

54
n= = 84
84,, 4%
64

3.4 Granulometria
De forma geral, a parte sólida dos solos é composta por grande número de partículas que pos-
suem diferentes dimensões. A granulometria ou análise granulométrica dos solos (Figura 3.7) é o
processo que visa a definir, para determinadas faixas preestabelecidas de tamanho de grãos, a por-
centagem de peso que cada fração possui em relação à massa total da amostra em análise.

Wikimedia_Commons/Carlos Rogério Santana

Figura 3.7 - Ensaio granulométrico.

Características Físicas e de Identificação dos Solos 37


A análise granulométrica, segundo a ABNT/NBR 7.181/84b pode ser realizada:
»» por peneiramento, quando temos solos granulares, areias e pedregulhos;
»» por sedimentação, no caso de solos finos, como os argilosos;
»» pela combinação de ambos os processos;
»» por difração de laser.
No Brasil, segundo a ABNT/NBR 6.502/95, temos a seguinte classificação dos solos de acordo
com sua granulometria:

Classificação Diâmetro dos Grãos

Argila menor de 0,002 mm

Silte entre 0,06 e 0,002 mm

Areia entre 2,0 e 0,06 mm

Seixo/pedregulho maior de 2,0 mm

Com o ensaio de granulometria pode-se obter a curva granulométrica da amostra, Figura 3.8.

Curva granulométrica

100 0

90 10

80 20

70 30
Percentagem que passa

Percentagem retida
60 40

50 50

40 60

30 70

20 80

10 90

0 100
0,001 0,01 0,1 1 10 100
Diâmetro das partículas (mm)

Figura 3.8 - Curva granulométrica.

A partir do ensaio granulométrico é possível dizer se o solo é homogêneo ou heterogêneo, bem


como se a granulometria é contínua ou não, conforme Figura 3.9.

38 Análise dos Solos




000 #4 # 10 #4 2/0” 3/4

0,1 1 10

Figura 3.9 - Curvas granulométricas.

Em que:
1) granulometria contínua: solo heterogêneo;
2) granulometria descontínua: solo heterogêneo;
3) granulometria contínua: solo homogêneo.

3.5 Estados de consistência


O comportamento físico dos solos de granulometria fina (argilas e siltes), em relação às pro-
priedades tais como: compressibilidade, plasticidade, resistência ao cisalhamento e permeabilidade,
está relacionado ao grau de umidade da amostra e à sua consistência.
O termo consistência refere-se ao grau de resistência e plasticidade do solo, que dependem
das ligações internas entre as partículas. Define-se plasticidade como a propriedade dos solos finos,
que consiste na maior ou menor capacidade de serem moldados sob certas condições de umidade.
Segundo a ABNT/NBR 7.250/92, a plasticidade é a propriedade de solos finos, entre largos limites
de umidade, de se submeterem a grandes deformações permanentes, sem sofrer ruptura, fissura-
mento ou variação de volume apreciável. A influência do teor de umidade nos solos finos pode ser
facilmente avaliada pela análise da estrutura desses tipos de solo. Quanto maior o teor de umidade
menor será a resistência.
As partículas que apresentam plasticidade são, principalmente, os argilosos-minerais. Os
minerais como o quartzo e o feldspato não desenvolvem misturas plásticas, mesmo que suas partícu-
las tenham diâmetros menores do que 0,002 mm.

Características Físicas e de Identificação dos Solos 39


Os solos ditos coesivos possuem consistência plástica entre certos teores e limites de umi-
dade. Abaixo desses teores eles apresentam consistência sólida, e acima consistência líquida. Pode-se,
ainda, distinguir entre os estados de consistência plástica e sólida, uma consistência semissólida.
No início do século XX, o químico sueco Albert Atterberg realizou pesquisas sobre as proprie-
dades dos solos finos (consistência). Segundo ele, os solos finos apresentam variações de estado de
consistência em função do teor de umidade. Isto é, os solos apresentam características de consistên-
cia diferentes conforme os teores de umidade que possuem. Há teores de umidade-limite que foram
definidos como limites de consistência ou limites de Atterberg.
Atterberg definiu quatro estados de consistência do solo, segundo a variação crescente do teor
de umidade da amostra. A percepção da consistência de um solo varia de acordo com o grau de
umidade traduzido em forma de limites de consistência e/ou índices de consistência. Os estados de
consistência do solo são:
»» Sólido: não apresenta retração ao secamento, ou seja, durante a secagem do solo não há
variação de volume.
»» Semissólido: tem a aparência de um sólido, entretanto ainda apresenta retração ao seca-
mento, ou seja, com a secagem ocorre variação de volume.
»» Plástico: o material possui comportamento plástico, deformável, sem sofrer ruptura.
»» Líquido: não possui forma definida. A resistência ao cisalhamento é nula. O solo tem apa-
rência fluida ou de lama.
Foram definidos três teores de umidade: o Limite de Contração (LC), o Limite de Plastici-
dade (LP), e o Limite de Liquidez (LL). Esses limites são teores de umidade do solo na mudança de
estado, determinados sob condições padronizadas de ensaio, e fornecem uma base excelente para a
classificação e a identificação de solos de granulometria fina. Os ensaios para determinação dos limi-
tes de consistência são:
»» Limite de Liquidez (LL): define o limite entre os estados plástico e líquido.
»» Limite de Plasticidade (LP): define o limite entre os estados semissólido e plástico.
»» Limite de Contração (LC): define o limite entre os estados sólido e semissólido.

3.5.1 Ensaios de determinação dos limites de Atterberg


Os limites de Atterberg são obtidos por meio de ensaios bastante simples, e também são
conhecidos como limites de consistência.

Limite de liquidez (LL)


O limite de liquidez de um solo é o teor de umidade que separa o estado de consistência
líquida do plástico e para o qual o solo apresenta pequena resistência ao cisalhamento. É possível
determinar o limite de liquidez de um solo por dois dispositivos: a concha de Casagrande e o pene-
trômetro de cone.
O mais utilizado é o de Casagrande, Figura 3.10, em que tanto o equipamento quanto o proce-
dimento são normalizados pela ABNT/NBR 6.459/84d.

40 Análise dos Solos


Wikimedia_Commons/Carlos Rogério Santana
Figura 3.10 - Equipamento para o ensaio de Casagrande.

No ensaio de Casagrande, de limite de liquidez, mede-se, indiretamente, a resistência ao cisa-


lhamento do solo para um dado teor de umidade, pelo número de golpes necessários ao desliza-
mento dos taludes da amostra; para um teor de umidade igual ao limite de liquidez foram encon-
trados valores iguais a 2,5 kPa, valores estes muito baixos, que indicam a proximidade do estado
líquido, sendo a maior parte dessa resistência devida às forças atrativas entre as partículas que, por
sua vez, estão relacionadas à atividade superficial dos argilosos-minerais.
Com uma amostra de solo determina-se o teor de umidade, obtendo-se assim valores, “teor de
umidade  número de golpes”, que definirá um ponto no gráfico de fluência. A repetição deste pro-
cedimento para teores de umidade diversos permitirá a elaboração do gráfico. Convencionou-se que,
no ensaio de Casagrande, o teor de umidade correspondente a 25 golpes, necessários para fechar a
ranhura, é o limite de liquidez.

Amplie seus conhecimentos

Realizado o ensaio de Casagrande e a determinação da umidade, foi elaborada a Tabela 3.1:

Tabela 3.2 - Resultado do Ensaio de Casagrande


Número de golpes Umidade

48 26,30%

37 27,80%

29 28,30%

26 28,75%

19 29,60%

Características Físicas e de Identificação dos Solos 41


Amplie seus conhecimentos

Com base nos valores da tabela, foi construído o Gráfico 3.1.

Limite de liquidez
100
Número de golpes

25

10
25 26 27 28 29 30 31
Umidade (%)

Gráfico 3.1 - Teor de umidade x número de golpes.

O limite de liquidez, a partir do ensaio de Casagrande, é dado pelo teor de umidade correspondente a 25 golpes, logo,
temos: LL = 29%.

Limite de plasticidade (LP)


O limite de plasticidade é o extremo inferior do intervalo de variação do teor de umidade no
qual o solo apresenta comportamento plástico.
O equipamento necessário para a realização do ensaio é muito simples. Apenas uma placa de
vidro com uma face esmerilhada e um cilindro padrão com 3 milímetros de diâmetro. Para o ensaio,
Figura 3.11, deve-se começar rolando − sobre a face esmerilhada da placa −, uma amostra de solo
com teor de umidade inicial próximo do limite de liquidez, até que duas condições sejam simulta-
neamente alcançadas: o rolinho tenha diâmetro igual ao do cilindro padrão, Figura 3.12, e o apare-
cimento de fissuras (início da fragmentação). O teor de umidade do rolinho, nessa condição, repre-
senta o limite de plasticidade do solo. O ensaio é normalizado pela ABNT/NBR 7.180/84c.

42 Análise dos Solos


Mão

Rolo de solo

Vidro fosco

Figura 3.11 - Ensaio de plasticidade.

Wikimedia_Commons/Carlos Rogério Santana

Figura 3.12 - Cilindro padrão com 3 milímetros de diâmetro.

Índice de plasticidade
O índice de plasticidade do solo relaciona os limites de liquidez e de plasticidade. Fisicamente
representaria a quantidade de água que seria necessário acrescentar a um solo para que ele passasse
do estado plástico ao líquido. Sendo definido como a diferença entre o limite de liquidez e o limite
de plasticidade, portanto:

LL LP LC

Estado Estado Estado Estado


líquido plástico semi- sólido
sólido

IP = LL – LP

Características Físicas e de Identificação dos Solos 43


Em que:
LL = Limite de Liquidez.
LP = Limite de Plasticidade.
Esse índice determina o caráter de plasticidade de um solo. Quanto maior o “IP”, tanto mais
plástico será o solo. Segundo Jenkins, (Caputo, 1998), a classificação do índice de plasticidade é:

Classificação Índice de plasticidade (IP)

Fracamente plástico 1 < IP ≤ 7

Medianamente plástico 7 < IP ≤ 15

Altamente plástico IP > 15

Limite de contração (LC)


O limite de contração é o teor de umidade que separa o estado semissólido do sólido. Uma
argila, inicialmente saturada e com teor de umidade próximo do limite de liquidez, ao perder água
sofrerá diminuição do seu volume, igual ao volume de água evaporada, até atingir um teor de umi-
dade igual ao limite de contração. A partir desse valor a amostra secará a volume constante. Definido
pela norma ABNT/NBR 7.183/82.
O limite de contração é igual a:

LC = Ww/Ws

Quando se conhece o peso específico dos sólidos, o peso da água poderá ser calculado por:

Ww = (Vf – Ws/gs) . γw

Resultando:

LC = gw . (Vf/Ws – 1/gs)

Se o peso específico dos sólidos não for conhecido, o limite de contração poderá ser determi-
nado pela expressão:

LC = w0 – gw . (V0 – Vf)/Ws

Em que w0 é o teor de umidade de moldagem do corpo de prova.


Inicialmente deverá ser preparada uma pasta, com teor de umidade próximo do limite de
liquidez, que será colocada em recipiente próprio e extraído o ar contido na amostra. A seguir, esta é
deixada secar, no início ao ar e depois em estufa.
O volume da pastilha seca é obtido imergindo-a em mercúrio e determinando o peso do mer-
cúrio extravasado:

Vf = Whg/γhg

44 Análise dos Solos


LC = w0 – γw . (V0 – Vf)/Ws

Em que:
w0 = Teor de umidade de moldagem do corpo de prova.
γw = Peso específico do solo.
V0 = Volume inicial.
Vf = Volume final.
Ws = Peso do solo.

Índice de consistência (IC)


Segundo a norma ABNT/NBR 6.502/95, quanto à consistência os solos finos podem ser subdi-
vididos em muito moles (vazas), moles, médias, rijas e duras. O índice de consistência é uma forma
de medir a consistência do solo no estado em que se encontra em campo, situando o teor de umi-
dade do solo no intervalo de interesse para a utilização na prática, ou seja, entre o limite de liquidez
e o de plasticidade, a relação entre a diferença do limite de liquidez para umidade natural e o índice
de plasticidade.

IC = (LL – w)/IP

Em que:
w = Umidade natural.
LL = Limite de Liquidez.
LP = Limite de Plasticidade.

Classificação Índice de consistência (IC)

Muito moles IC < 0

Moles 0 < IC < 0,50

Médias 0,50 < IC < 0,75

Rijas 0,75 < IC < 1,00

Duras IC > 1,00

Qualitativamente, cada um dos tipos pode ser identificado do seguinte modo:


»» muito moles: as argilas que escorrem com facilidade entre os dedos, se apertadas nas
mãos;
»» moles: as que são facilmente moldadas pelos dedos;
»» médias: as que podem ser moldadas pelos dedos;
»» rijas: as que requerem grande esforço para serem moldadas pelos dedos;

Características Físicas e de Identificação dos Solos 45


»» duras: as que não podem ser moldadas pelos dedos e que, ao serem submetidas a grande
esforço, desagregam-se ou perdem sua estrutura original.

Índice de liquidez (IL)


Esse índice é unitário para solos com teor de umidade natural igual ao limite de liquidez, e
zero para solos que têm umidade natural igual ao limite de plasticidade.
O índice de liquidez é indicativo das tensões vividas pelo solo ao longo de sua história geoló-
gica. Argilas normalmente adensadas têm índices de liquidez próximos da unidade, ao passo que
argilas pré-adensadas têm índices próximos de zero. Com frequência, são encontrados valores inter-
mediários para o índice de liquidez. Excepcionalmente, pode exceder a unidade, como no caso das
argilas extrassensíveis, ou pode ser negativo, nas argilas excessivamente pré-adensadas.
O índice de liquidez de um solo (IL) é expresso por:

IL = (w – LP) / (LL – LP)

Em que:
w = Umidade natural.
LL = Limite de Liquidez.
LP = Limite de Plasticidade.

Grau de contração (C)


O grau de contração é a razão da diferença entre os volumes inicial (Vo) e final (Vf) após a
secagem da amostra, para o volume inicial (Vo), expressa em porcentagem:

C = (Vo – Vf)/ Vo

Em que:
V0 = Volume inicial.
Vf = Volume final.
Segundo Scheidig (Almeida, 2005), a compressibilidade de um solo cresce com o grau de con-
tração. Tem-se:

Classificação Grau de contração (C)

Solos bons C < 5%

Solos regulares 5% < C < 10%

Solos sofríveis 10% < C < 15%

Solos péssimos C > 15%

46 Análise dos Solos


A partir do gráfico de plasticidade, obtêm-se indicações de algumas características dos solos
conforme suas características, pela razão de variação dos limites de Atterberg e o gráfico de plastici-
dade de Casagrande, Figura 3.13.

70

LL = 30

LL = 50
60

Argilas inorgânicas
de alta plasticidade

50
Índice de plasticidade – IP %

Argilas inorgânicas Argilas inorgânicas


40
de baixa plasticidade de mediana
plasticidade Linha “A”
IP = 0,73 (LL – 20)
30

Siltes inorgânicos de
20 alta compressibilidade
e argilas orgânicas

10
Solos sem
coesão

0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Siltes inorgânicos de Siltes inorgânicos de Limite de liquidez – LL %


baixa compressibilidade mediana compressibilidade
e siltes orgânicos

Figura 3.13 - Características dos solos pela razão de variação dos limites de Atterberg .

Resultados de pesquisas realizadas por Arthur Casagrande permitiram a elaboração de um


gráfico, que serve para a classificação de um solo segundo suas propriedades plásticas.
Os limites de Atterberg e os índices associados são empregados na identificação e classificação
dos solos. Com frequência, os limites são utilizados para métodos semiempíricos de projeto.

LL = constante
Características IP = crescente Diâmetro dos Grãos

Compressibilidade aproximadamente nula cresce

Permeabilidade decresce cresce

Plasticidade cresce decresce

Resistência cresce decresce

Características Físicas e de Identificação dos Solos 47


Vamos recapitular?

Este capítulo mostrou que, em geotecnia, na caracterização do solo, um grupo de ensaios sim-
ples que visam a obter algumas características básicas tais como: peso específico, porosidade, resistência,
plasticidade e granulometria.
Também foram vistos: a sondagem ou o ensaio de penetração dinâmica (SPT), em que é possível
medir a resistência do solo, conhecer o tipo de solo a cada metro, e localizar as posições dos níveis de
água no solo.

Agora é com você!

1) Como o solo pode ser denominado a partir do resultado do ensaio SPT?


2) Como é calculada a densidade?
3) Descreva o ensaio de determinação da umidade do solo.
4) O que significa densidade relativa?
5) Como pode ser realizado o ensaio de granulometria?
6) Quais os estados de consistência do solo?
7) Descreva os limites de Atterberg.
8) Classifique o solo, sabendo que LL é 72% e LP 29%.

48 Análise dos Solos


4
Classificação
dos Solos

Para começar

O objetivo do Capítulo 4 é apresentar as classificações do solo mais utilizadas no Brasil: classifica-


ção granulométrica, sistema rodoviário de classificação, sistema unificado de classificação de solos e classificação
tátil-visual.

4.1 Conceitos
Levando em conta a grande variedade de tipos e comportamentos apresentados pelos solos, e
suas diversas aplicações na engenharia, tornou-se inevitável dividir em conjuntos. Esse agrupamento
tem como objetivo, do ponto de vista prático, separar, a partir de suas características comuns, pre-
vendo um provável comportamento do solo.
Entretanto, não existe consenso sobre um sistema único de classificação de solos, mesmo
sendo imprescindível a existência de uma classificação para que possamos passar o conhecimento e
realizar um estudo geotécnico. Sendo assim, as classificações dos solos mais utilizadas no Brasil são:
» Classificação granulométrica: os solos são agrupados por frações preponderantes dos
diversos diâmetros de partículas que os compõem.
» Sistema rodoviário de classificação: os solos são agrupados com base na granulometria e
nos limites de consistência do material.

49
»» Sistema unificado de classificação de solos: os solos são agrupados em conjuntos de duas
letras. A primeira letra indica o tipo principal, e a segunda a descrição complementar.
»» Classificação tátil-visual: os solos são agrupados com base no tato e na visão, por isso,
para sua realização, é necessário um técnico experiente e bem treinado, que tenha prática
nesse procedimento.

4.2 Classificação granulométrica


Em função dos agentes de intemperismo e transporte vistos, os depósitos de solos podem ser
constituídos de partículas dos mais diversos tamanhos. Para discutir o tamanho das partículas é
usual citar a sua dimensão ou fazer uso de nomes conferidos arbitrariamente a certa faixa de varia-
ção de tamanhos.
Solos cuja maior porcentagem esteja constituída por partículas visíveis a olho nu (>0,074 mm
ou # 200) são chamados de solos granulares (solos grossos). Os solos grossos (granulares) são subdi-
vididos em pedregulhos e areias.
A forma característica do solo de granulação fina (<0,074 mm) é a laminar, Figura 4.1. Um
exemplo são as argilas (granulação muito fina), que possuem a forma das partículas minerais e mais
se aproximam de uma lâmina. Solos de granulação fina são subdivididos em silte e argila.

Figura 4.1 - Peneira #200 (diâmetro 0,074 mm).

Nesse sentido, existem escalas que apresentam os nomes dos solos com a dimensão que repre-
sentam. Na Figura 4.2 encontra-se um gráfico granulométrico. Como vimos no Capítulo 3, no Brasil
a ABNT NBR 6.502/95 normatiza a classificação dos solos de acordo com sua granulometria:

Classificação Diâmetro dos Grãos

Argila menor que 0,002 mm

Silte entre 0,06 e 0,002 mm

Areia entre 2,0 e 0,06 mm

Seixo/pedregulho maior que 2,0 mm

50 Análise dos Solos


Peneiras (ASTM)
270 200 110 100 60 40 20 10 4
100 0

90 10

80 20

70 30
Porcentagem que passa

60 40

Porcentagem retida
50 50
Composição:
40 Pedregulho 0% 60
Areia grossa 2%
30 Areia média 9% 70
Areia fina 49 %
20 Silte 18 % 80
Argila 22 %
Sedimentação Peneiramento 90
10

0 100
5 67 89 2 3 4 5 5 78 9 2 3 4 5 6 7 89 2 3 4 5 6 7 89 2 3 4 5 6 7 89 2 3 4 5
0,001 0,01 0,1 1 10
Diâmetro dos grãos (mm)
Class. Areia
ABNT Argila Silte Areia fina Areia média grossa Pedregulho

Figura 4.2 - Gráfico granulométrico.

»» Pedregulhos: são acumulações incoerentes de fragmentos de rocha. Normalmente são


encontrados em grandes expansões, nas margens dos rios e depressões preenchidos por
materiais transportados pelos rios.

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Figura 4.3 - Pedregulhos.

»» Areias: têm origem semelhante à dos pedregulhos. São ásperas ao tato e, estando isentas
de solos finos, não se contraem ao secar, não apresentam plasticidade e compreendem-se,
quase instantaneamente, ao serem carregadas. São formadas, principalmente, por cristais
de quartzo e minerais primários, Figura 4.4.

Classificação dos Solos 51


Johannes Komelius/Shutterstock.com
Figura 4.4 - Areias.

»» Siltes: solos de granulação fina, que apresentam pouca ou nenhuma plasticidade. Os siltes
não se agregam como as argilas, Figura 4.5, e, ao mesmo tempo, suas partículas são muito
pequenas e leves, por isso, quando secos, podem ser desfeitos com bastante facilidade. O
silte é produzido pelo esmigalhamento mecânico das rochas, por isso também é denomi-
nado “poeira da pedra”.

NeliGal/Shutterstock.com

Figura 4.5 - Siltes.

52 Análise dos Solos


»» Argilas: granulações muito finas, que apresentam características marcantes de plasticidade
e elevada resistência. Somente quando secas constituem a fração mais ativa dos solos. As
argilas, Figura 4.6, quando secas e desagregadas, dão uma sensação de farinha ao tato,
e quando úmidas, são lisas e muito plásticas. Em geral, são menos permeáveis, embora
alguns solos brasileiros muito argilosos apresentem grande permeabilidade − graças aos
poros de origem biológica. Sua composição é de boa quantidade de óxidos de alumínio
(gibsita) e de ferro (goethita e hematita).

Korionov/Shutterstock.com
Figura 4.6 - Argila.

A classificação granulométrica é base para as demais classificações, pois agrupam os solos


segundo os tamanhos predominantes de seus grãos.

4.3 Sistema rodoviário de classificação


Na década de 1920, nos Estados Unidos, foi criado o sistema de classificação de solos, que,
após a Segunda Guerra Mundial, sofreu alterações e foi normatizada pela American Association of
State Highway Officials (AASHTO). É um sistema de classificação de solos de aplicação rodoviária,
baseado nos limites de consistência − limites de Atterberg e na granulometria denominado Sistema
Rodoviário de Classificação. É bastante empregado em todo o mundo pela engenharia na construção
de rodovias.
Os solos no Sistema Rodoviário de Classificação recebem a letra A, e um número de 1 a 7. São
agrupados, primeiramente, pela granulometria, tendo como base a peneira #200. Os solos granula-
res, menos de 35%, passam pela peneira #200 e são denominados A1, A2 ou A3, ou seja, apresentam
no máximo de 35% de material retido na peneira #200 (0,075 mm de abertura). Os solos de granulo-
metria fina, mais de 35%, passam pela peneira #200 e são denominados A4, A5, A6 e A7.

Classificação dos Solos 53


Depois, são analisados os limites de consistência. Conforme a Figura 4.7:

Peneira 200 Peneira 10 #200


Classificação IP
#200 (0,075 mm) #10 (2 mm) (0,075 mm)

A-1a 15%
<6
A-1b <50% 25%
A-3 10% Nulo

IP
<35%
A-2-6 A-2-7
A-2
10
A-2-4 A-2-5

40 LL

IP
A-7-6

>35% A-6
10 A-7-5

A-4 A-5

40 LL

Figura 4.7 - Sistema rodoviário de classificação.

Com base na Figura 4.7 podemos concluir que:


A-1: Solos granulares, pedra britada, pedregulho e areias com menos de 50% passando pela
peneira #10 (2 mm), menos de 10% passando pela peneira #40 (0,42 mm). Limitados em 15% e 25%
passando pela peneira #200 (0,075 mm) para os grupos A-1a e A-1b respectivamente. O índice de
plasticidade é no máximo de 6%, o que representa baixa plasticidade.
A-2: Areias, que possuem características secundárias devido aos finos. São subdivididos em
A2-4, A2-5, A2-6 e A2-7, a partir dos limites de Atterberg IP e LL conforme Figura 4.8.

IP

A-2-6 A-2-7
10

A-2-4 A-2-5

40 LL

Figura 4.8 - Gráfico do solo A2.

54 Análise dos Solos


A-3: Areia fina, com mais de 50% passando pela peneira #40 (0,42 mm) e menos de 10% pas-
sando pela peneira #200 (0,075 mm). Com IP nulo.
A-4, A-5, A-6 e A7: Solos finos, argilas e siltes para a classificação são considerados também
tanto o Índice de Plasticidade (IP) como o Limite de Liquidez (LL). O solo A-4, A-5 e A-7-5 tem
baixa plasticidade e os solos A-6 e A-7-6 plasticidade maior.

4.4 Sistema de classificação unificado


O Sistema de Classificação Unificado foi criado pelo engenheiro Arthur Casagrande para apli-
cação em obras de aeroportos, contudo seu emprego foi generalizado, sendo muito utilizado atual-
mente pelos engenheiros geotécnicos.

Fique de olho!

A principal utilização do Sistema de Classificação Unificado é em grandes obras de terra, como barragens.

Segundo Cruz (1996), a maior barragem de terra do Brasil é a de Tucuruí, com um volume total de solo e rocha da ordem
de 50 milhões de metros cúbicos.

No sistema unificado os tipos de  solos  são representados pelo conjunto de duas letras con-
forme tabela a seguir. A primeira letra indica o tipo principal, e a segunda descrição complementar.

Código Descrição

G Pedregulho

S Areia

M Silte

C Argila

O Solo orgânico

W Bem graduado

P Mal graduado

H Alta compressibilidade

L Baixa compressibilidade

Pt Turfas

Em linhas gerais, os solos classificam-se em:


» Solos grossos: Aqueles cujo diâmetro da maioria absoluta dos grãos é maior que 0,074
mm (mais que 50% em peso dos seus grãos é retido na peneira 200). Os solos grossos
são: pedregulhos e areias. Os solos granulares podem ser “bem graduados (W)” ou “mal
graduados (P)”. A expressão “bem graduado” expressa o fato de que a existência de grãos
com diversos diâmetros conferem ao solo heterogêneo, em geral, melhor comportamento

Classificação dos Solos 55


sob o ponto de vista de engenharia. Nos solos mal graduados há predominância de partí-
culas com certo diâmetro, homogêneo.
»» Pedregulho (G): Solo formado por minerais ou partículas de rocha, com comporta-
mento dominante devido à fração pedregulho, cujas partículas têm diâmetros (Φ)
compreendidos entre 2,0 mm e 60 mm. Quando arredondadas ou semiarredonda-
das, são denominadas seixos rolados. Caracterizam-se por sua textura.
»» Areia (S): Solo não coesivo e não plástico, com comportamento predominantemente
devido à fração areia, constituída por minerais ou partículas de rochas com diâme-
tros (Φ) compreendidos entre 0,06 mm e 2 mm. É caracterizado por sua textura,
compacidade (estado de maior ou menor concentração de grãos ou partículas de um
solo não coesivo em determinado volume) e na forma dos grãos.
Coesão é a resistência que a fração argilosa de solo apresenta, pela qual ele se torna capaz de se
manter forma de torrões ou blocos, podendo ser cortado ou moldado em formas diversas e manter
sua forma. A coesão é definida por Milton Vargas como a maior ou menor resistência que um torrão
de argila apresenta ao tentar deformá-lo. Solos não coesivos, como areias e pedregulhos, soltam-se
facilmente ao serem cortados ou escavados. A NBR 6.502/95 define coesão como: “parcela de resis-
tência ao cisalhamento de um solo, independentemente da tensão efetiva normal atuante, provocada
pela atração físico-química entre partículas ou pela cimentação destas”.
»» Solos finos: Aqueles cujo diâmetro da maioria absoluta dos grãos é menor que 0,074 mm
(peneira #200). Os solos finos são: siltes e argilas. A compressibilidade de um solo (fino) é
função do volume de vazios que ele apresenta, que, por uma pressão ativa exercida sobre
ele (compactação) pode ser reduzido por aproximação dos grãos. Tanto argilas quanto
areias, pedregulhos e até massas de blocos de rocha podem ter diminuído o volume de
vazios, com a finalidade de aumentar sua estabilidade e resistência ao cisalhamento. Nos
solos coesivos isso é conseguido por compressão e amassamento. Nos granulares, por
vibração. No Sistema de Classificação Unificado temos a Baixa Compressibilidade (L) e a
Alta Compressibilidade (H).
»» Siltes (M): Solos de granulação fina constituídos principalmente por partículas com
dimensões entre 0,074 mm e 0,002 mm, que apresentam baixa plasticidade ou nula, e
também baixa resistência.
»» Argilas (C): Solos de granulação fina, constituídos principalmente por partículas
com dimensões menores que 0,002 mm, apresentando coesão e plasticidade (facili-
dade em ser moldada). Sua textura é analisada no ensaio de granulometria, na fase
de sedimentação. Quanto à consistência, podem ser quantitativamente definidas de
acordo com o Índice de Consistência.
»» Solo orgânico (O): Composto de materiais orgânicos (restos de organismos mortos e em
decomposição), além da areia e da argila. Esse solo é o que mais favorece o desenvolvi-
mento de vida das plantas, porém solos orgânicos tropicais como os do Brasil, por exem-
plo, possuem baixa fertilidade.
»» Turfas (Pt): Solo com grande porcentagem de partículas fibrosas e matéria orgânica, com
coloração marrom-escuro e preto. É um material mole, altamente compressível, não plás-
tico, combustível, e com cheiro característico.

56 Análise dos Solos


4.5 Classificação tátil-visual
A classificação tátil-visual é bastante empregada pelos engenheiros de fundações  que se
baseiam nos modelos clássicos, mas também se utilizam do conhecimento prático do comporta-
mento do solo de sua região. De modo geral, para as obras de engenharia, os aspectos que abordam
o comportamento do solo têm mais relevância sobre aqueles que denotam sua constituição, por isso
deverão ser priorizados em qualquer sistema de classificação.
É um sistema baseado no tato e na visão, por isso, para sua realização, é necessário um técnico
experiente e bem treinado, que tenha prática nesse procedimento. É desejável que tenha, também,
um bom conhecimento do solo da região analisada. Os testes realizados são:
»» Tátil: esfrega-se o solo na mão para sentir sua aspereza. Areias são mais ásperas que argilas.
»» Plasticidade: tenta-se moldar pequenos cilindros de solo úmido. Argilas são moldáveis, já
siltes e areias não.
»» Resistência do  solo  seco: Avalia a coesão do solo, os torrões de  argilas  são resistentes,
de silte pouco resistentes, e areias nem formam torrões.
»» Dispersão em água: Argilas, por terem a menor partícula, sedimentam mais lentamente
que siltes, e bem mais que areias quando dispersas em água.

Vamos recapitular?

Este capítulo mostrou os principais sistemas de classificação do solo. A classificação granulomé-


trica é a base de todas as outras classificações e se baseia no tamanho das partículas do solo.
No sistema Rodoviário, empregado principalmente em todo o mundo na construção de rodovias,
os solos são agrupados com base na granulometria e nos limites de consistência do material. No Sistema
Unificado de Classificação de Solos os solos são agrupados pelo conjunto de duas letras. A primeira letra
indica o tipo principal (pedregulho, areia, argila, silte e orgânico), e a segunda letra a descrição comple-
mentar. Na classificação Tátil-visual é necessário um técnico experiente e bem treinado, para agrupar o
solo baseado no tato e na visão, por meio de testes simples.

Classificação dos Solos 57


Agora é com você!

1) Analisando a curva granulométrica e os dados de consistência, classifique o solo de


acordo com o Sistema de Classificação Rodoviário.

100%

80%

60%

40%

20%

0%
0

500 µm

1000 µm

1500 µm

2000 µm

2500 µm

3000 µm

3500 µm

4000 µm

4500 µm

5000 µm

5500 µm

6000 µm

6500 µm

7000 µm

7500 µm

8000 µm

8500 µm

9000 µm

9500 µm

1000 µm
IP = 5%, LL = 1%
2) Baseado na Classificação Unificada, qual solo corresponde ao solo CL?
3) Comente dois ensaios da classificação dos solos tátil-visual.

58 Análise dos Solos


5
Compactação:
Massa Específica

Para começar

O objetivo do Capítulo 5 é apresentar a compactação do solo, suas características e sua importân-


cia na construção civil.
Também serão apresentados os principais ensaios de compactação: Proctor e CBR. E, para finali-
zar o capítulo serão apresentados os tipos de compactação no campo, a partir dos ensaios de compacta-
ção e da classificação do solo.

5.1 Conceitos
Compactação de solo é definida como o método para aumentar mecanicamente a densidade
do solo, ou seja, é um processo mecânico pelo qual se impõe ao solo uma redução do índice de
vazios. Ver Figura 5.1. Seu objetivo é melhorar as características mecânicas e hidráulicas do solo,
proporcionando acréscimo de resistência e redução da compressibilidade e permeabilidade.

Figura 5.1 - Esquema de compactação.

59
Na construção civil, a compactação é uma parte importante do processo de edificação. É uma
das etapas das construções que, se executada indevidamente, pode dar margem a uma acomodação
do solo e causar custos de manutenção desnecessários ou mesmo a perda da estrutura. As principais
razões para se compactar o solo são:
»» Aumentar a sua capacidade de resistência à carga, resistência ao cisalhamento.
»» Evitar recalque do solo e dano por congelamento.
»» Dar estabilidade.
»» Reduzir a infiltração de água, dilatação e contração, ou seja, reduzir a permeabilidade.
Em resumo, com a compactação de um solo é possível maior aproximação e entrosamento das
partículas, ocasionando aumento da coesão e do atrito interno e, consequentemente, da resistência
ao cisalhamento. Assim, é possível obter maior capacidade de suporte, com redução do índice de
vazios, capacidade de absorção de água, e a possibilidade de haver percolação diminui, tornando-se
mais estável. Quase todos os tipos de locais de obras de edificação e projetos de construção utilizam
técnicas mecânicas de compactação. Há quatro tipos de esforço de compactação para o solo:
»» Vibração.
»» Impacto.
»» Amassamento.
»» Pressão.
Em mecânica dos solos a coesão, no caso das argilas, é resultante de forças internas de natureza
elétrica, geradas entre as partículas, de modo que a sua aproximação, ou seja, quanto menor o índice
de vazios, maior as forças internas. Por outro lado, os espaços vazios diminuem com o aumento do
teor de umidade, que, por sua vez, pela maior presença de água nos interstícios, tende a diminuir as
forças de natureza elétrica.
Já o aumento do atrito interno dependerá do atrito gerado entre as partículas e do seu entrosa-
mento, de forma que é fácil entender que a aproximação dos grãos e o seu melhor arranjo são resul-
tantes de baixo índice de vazios e de teor de umidade adequado, que não cause o distanciamento
entre elas. Por isso, os diferentes tipos de esforço de compactação são encontrados nos dois tipos
principais de força de compactação: estático e vibratório.
A impermeabilização do solo do aterro, dependendo do seu coeficiente de permeabilidade,
diminui indiretamente com o índice de vazios, isto é, quanto maior a redução deste, menor a perme-
abilidade.
Denomina-se compactação de solo os processos manuais ou mecânicos que visem principal-
mente à redução do índice de vazios. Resulta daí o aumento da resistência à ruptura, pela elevação
do atrito interno entre as partículas e a diminuição das variações de volume, com melhor entrosa-
mento entre elas.
Em 1933, o engenheiro americano Ralph Proctor estabeleceu a correlação entre os parâme-
tros que influem decisivamente na relação de índice de vazios. Pela primeira vez foram apresentados
estudos demonstrando um dos mais importantes princípios da Mecânica dos Solos: a densidade com
que um solo é compactado sob determinada energia de compactação depende da umidade do solo

60 Análise dos Solos


no momento da compactação. Proctor percebeu que a densidade do solo aumenta com o teor de
umidade até um valor máximo, a partir do qual passa a decrescer. Com isso, ele concluiu que para
cada solo existe uma umidade ótima que irá proporcionar a compactação máxima.

Figura 5.2 - Curva de massa específica aparente seca x teor de umidade.

Proctor verificou que na mistura de solo com maiores quantidades de água, quando compac-
tada, o peso específico aparente da mistura aumentava, porque a água de certa forma funciona como
lubrificante, aproximando as partículas, permitindo melhor entrosamento e, por fim, ocasionando
a redução do volume de vazios. Num determinado ponto, atingia-se um peso específico máximo, a
partir do qual, ainda que se adicionasse mais água, o volume de vazios passava a aumentar. A expli-
cação desse fato reside em que quantidades adicionais de água, após o ponto citado, ao invés de faci-
litarem a aproximação dos grãos, fazem com que estes se afastem, aumentem novamente o volume
de vazios e causem o decréscimo dos pesos específicos correspondentes.
As variações de volume possíveis, isto é, expansões ou contrações, dependem diretamente do
teor de umidade inicial. Se executarmos o aterro com material úmido, haverá mais tarde a possibi-
lidade de grande perda de água por evaporação, favorecendo a contração que se manifesta em trin-
cas, fissuras etc. Ao contrário, se executarmos com solo muito seco, haverá grande probabilidade de
absorção de água e consequente inchamento.
Com tais considerações, fica claro que dois fatores são fundamentais na compactação: o teor
de umidade do solo e a energia empregada na aproximação dos grãos, que se denomina energia de
compactação.
Por intermédio do ensaio de compactação é possível obter a correlação entre o teor de umi-
dade e o peso específico seco de um solo quando compactado com determinada energia. Os princi-
pais ensaios são: o de Proctor e o CBR.
O ensaio de compactação desenvolvido por Proctor foi normatizado pela American Associa-
tion of State Highway Officials (AASHO) e é conhecido como ensaio de Proctor Normal ou como

Compactação: Massa Específica 61


AASHO Standard. No Brasil foi normatizado pela ABNT/NBR 7.182/86. O ensaio de Proctor (Nor-
mal, Intermediário ou Modificado) é realizado por sucessivos impactos de um soquete padronizado
na amostra.
O ensaio CBR (California Bearing Ratio) ou Índice de Suporte Califórnia (ISC) tem como
objetivo estimar a resistência de um solo compactado para sua utilização em bases, sub-bases e sub-
-leitos de pavimentos.

5.2 Ensaio de Proctor


O ensaio de compactação Proctor  é um dos mais importantes procedimentos de estudo
e controle de  qualidade  de  aterros  de  solo compactado. Por meio dele é possível obter a  densi-
dade máxima  do maciço terroso, condição que otimiza o empreendimento com relação ao custo
e ao desempenho  estrutural  e  hidráulico. Consiste em compactar uma porção de solo em um  cilin-
dro  com  volume  conhecido, fazendo variar a umidade de forma a obter o ponto de compactação
máxima no qual se obtém a umidade ótima de compactação. O ensaio pode ser realizado em três níveis
de energia de compactação, conforme as especificações da obra: normal, intermediária e modificada.
O ensaio determina a densidade máxima de um solo necessária para uma obra específica. O
teste determina primeiramente a densidade máxima possível a ser alcançada para os materiais e usa
esta posição como referência. Em seguida, testa os efeitos da umidade na densidade do solo. O valor
de referência do solo é expresso em um porcentual da densidade. Esses valores são determinados
antes de se executar qualquer compactação para se definir as especificações da compactação. Os
valores do Proctor modificados são mais altos porque levam em conta densidades mais altas, neces-
sárias para certos tipos de projetos de construção. Os métodos de teste são semelhantes para ambos.
O ensaio normal de compactação utiliza um cilindro metálico de
volume igual a 1.000 cm3, onde compacta-se uma amostra de solo em três
camadas, cada uma delas por meio de 26 golpes de um soquete com peso de
2,5 quilos, caindo de uma altura de 30,5 centímetros, Figura 5.3. As espessu-
ras finais das camadas compactadas devem ser aproximadamente iguais, e a
energia de compactação deverá ser uniformemente distribuída, de tal forma,
a resultar um plano superior quase horizontal. A curva de compactação será
traçada a partir dos pares de valores, peso específico aparente seco, teor de
Figura 5.3 - Ensaio de umidade, distribuídos de modo que, no mínimo, dois pontos se encontrem à
Proctor - normal. esquerda da umidade ótima e dois à direita.
A energia de compactação é dada pela equação: 

n∗N∗P∗H
E=
V

Em que:
E - energia a ser aplicada na amostra de solo.
n - número de camadas a serem compactadas no cilindro de moldagem.

62 Análise dos Solos


N: número de golpes aplicados por camada.
P: peso do soquete.
H: altura de queda do soquete.
V: volume do cilindro.
A natureza do solo influencia os valores de peso específico aparente, seco, máximo, e o teor de
umidade ótima. Ao tentar compactar um solo, o esforço de compactação será mais ou menos efe-
tivo conforme a granulometria e a plasticidade. Em geral, para o mesmo esforço de compactação (E)
atinge-se nos solos arenosos (ou materiais granulares bem graduados) maiores valores de peso espe-
cífico aparente, seco, máximo, sob menores teores de umidade ótima, do que solos argilosos finos
(uniformes).
O secamento de um solo argiloso, dependendo do argilo-mineral que o compõe, poderá
alterar de forma irreversível as suas características e refletir nos valores das coordenadas do ponto
máximo da curva de compactação. Assim como o secamento, também a forma de realizar o ensaio,
com o uso de uma única amostra de solo (com reuso) para todos os pontos ou uma amostra nova
(sem reuso) para cada ponto, apresentará valores diferentes para as coordenadas do pico da curva.
Por isso, a recomendação é a de que os solos argilosos não sejam secos diretamente ao sol ou em
estufa, e que o ensaio seja realizado com amostras secas à sombra, sempre que necessário.
A partir do ensaio de Proctor é determinada a densidade máxima e a umidade máxima, assim
como a curva de Massa Específica Aparente Seca x Teor de Umidade apresentada na Figura 5.2.

5.3 Ensaio CBR (California Bearing Ratio)


O Índice de Suporte Califórnia (ISC ou CBR) foi concebido pelo Departamento de Estradas
de Rodagem da Califórnia (USA) para avaliar a resistência dos solos. O índice CBR é a relação, em
porcentagem, entre a pressão exercida por um pistão de diâmetro padronizado necessária à penetra-
ção no solo até determinado ponto (0,1 pol e 0,2 pol) e a pressão necessária para que o mesmo pistão
penetre a mesma quantidade em solo-padrão de brita graduada. No Brasil, o ensaio do Índice de
Suporte Califórnia foi padronizado pela ABNT/ NBR 9.895/87.
Por meio do ensaio de CBR é possível conhecer qual será a expansão de um solo sob um pavi-
mento quando este estiver saturado, e fornece indicações da perda de resistência do solo com a satu-
ração. Apesar de ter caráter empírico, o ensaio de CBR é mundialmente difundido e serve de base
para o dimensionamento de pavimentos flexíveis. O objetivo é determinar o Índice de Suporte Cali-
fórnia e a expansão do solo ensaiado. O ensaio compreende quatro fases:
1) Preparação da amostra
»» A amostra de solo é seca ao ar e homogeneizada.
»» O material é passado na peneira de ¾ pol (19,1 mm) onde se separa 6 kgf para o caso
de solos argilosos ou siltosos e 7 kgf para o caso de solos arenosos ou pedregulhosos.
»» Determina-se a umidade.

Compactação: Massa Específica 63


2) Moldagem do corpo de prova

A moldagem deve ser feita exatamente na umidade ótima, determinada previamente por
ensaio de compactação. Adiciona-se, então, a quantidade de água necessária para que a
umidade do solo atinja a ótima. A amostra com a água deve ser homogeneizada e proce-
der-se à compactação do solo dentro do molde.

O solo é compactado em cinco camadas aproximadamente iguais, utilizando-se o soquete


de 4,53 kg, caindo de uma altura de 45,72 cm e aplicando-se o número de golpes em cada
camada, calculado a partir da energia de compactação desejada. A energia de compactação
deve ser a mesma daquela utilizada no ensaio de compactação referido no item anterior.
Após a moldagem deve-se determinar a umidade de moldagem observando-se a variação
máxima de ± 0,5 ponto porcentual da ótima.

3) Expansão

Uma das vantagens deste ensaio é a possibilidade de determinação da expansão do solo


compactado quando submetido a um acréscimo de umidade. Para isso, a amostra com-
pactada deverá ser imersa por um período de tempo suficiente para que seja atingida a
saturação quase completa. Essa fase é também preparatória para a fase seguinte, em que
efetivamente será determinado o valor da capacidade de suporte do solo.

A expansão varia com a natureza do solo. Por exemplo, os solos argilosos (do Sistema
Rodoviário de Classificação como A-6, A-7, A-8) podem sofrer expansões superiores a
10% e não podem ser utilizados como subleito na pavimentação.

Existem especificações para o uso dos solos em construções de estradas e aeroportos


tomando como base o índice de expansão E:

Tabela 5.1- Índice de expansão


Aplicação Expansão - E (%)

Base e sub-base Máxima 1

Subleito Máxima 3

4) Penetração

Após a fase de imersão submete-se o solo compactado, confinado pela sobrecarga, a um


esforço de penetração aplicado por um pistão de 4,96 cm de diâmetro aplicado a uma
velocidade constante de 0,05 pol/min.

A penetração do pistão provoca uma ruptura localizada na superfície da amostra e as ten-


sões de penetração são lidas. Essas leituras de tensão são feitas para valores predefinidos
de penetração do pistão no solo. Para controlar as deformações de penetração utiliza-se
um segundo extensômetro apoiado sobre a borda do molde com a amostra compactada.

64 Análise dos Solos


O CBR mede a resistência do solo sob condições controladas de umidade e densidade. O
ensaio leva a um número de capacidade de suporte (CBR), que não é uma constante para o solo, pois
aplica-se a uma condição bem definida de moldagem do material.
O índice CBR consiste na determinação da relação entre a pressão necessária para produzir
uma penetração de um pistão num corpo de prova de solo, e a pressão necessária para produzir a
mesma penetração numa mistura padrão de brita estabilizada granulometricamente. Essa relação é
expressa em porcentagem.

CBR = [(Pressão encontrada) / (Pressão padrão)] ⋅ 100%

A Tabela 5.2 a seguir apresenta os valores de CBR exigidos para especificação de pavimentos
rodoviários.

Tabela 5.2 - Classificação a partir dos valores CBR

Classificação
CBR (%) Qualidade do Solo Aplicação
Sistema Unificado Sistema Rodoviário

0-3 Muito pobre Subgrade OH, CH, MH, OL A-5, A-6, A-7

3-7 Pobre/regular Subgrade OH, CH, MH, OL A-4, A-5, A-6, A-7

7 - 20 Regular Subgrade OL, CL, ML, SC,SM, SP A-2, A-4, A-6, A-7

20 - 50 Bom Base/Subgrade GM, GC, SW, SM, SP, GP A-1b, A-2-5, A-2-6, A-3

> 50 Muito bom Base GW, GM A-1a, A-2-4, A-3

5.4 Tipos de compactação no campo


Os princípios que estabelecem a compactação dos solos no campo são essencialmente os mes-
mos para os ensaios em laboratórios. Logo, os valores de peso específico seco máximo e a umidade
ótima obtidos são fundamentais para que, em função do tipo do solo, definir a quantidade de água
utilizada e da energia aplicada pelo equipamento que será utilizado.
A energia de compactação no campo pode ser aplicada, como em laboratório, de quatro
maneiras diferentes, por meio de esforços de pressão, impacto, vibração, amassamento ou por uma
combinação destes.
A compressão consiste na aplicação de uma força (pressão) vertical, oriunda do elevado peso
próprio do equipamento, obtendo-se a compactação pelos esforços de compressão gerados na massa
superficial do solo.
O amassamento é o processo que combina a força vertical com uma componente horizontal,
oriunda de efeitos dinâmicos de movimento do equipamento ou eixos oscilantes. A resultante das
duas forças conjugadas provoca compactação mais rápida, com menor número de passadas.
A vibração consiste de uma força vertical aplicada de maneira repetida, com frequências eleva-
das, superiores a 500 golpes por minuto. Isso significa que à força vertical se soma uma aceleração pro-

Compactação: Massa Específica 65


duzida por uma massa excêntrica que gira com determinada frequência. O impacto resulta de uma
ação semelhante à da vibração, diferenciando-se, apenas, pela baixa frequência da aplicação dos golpes.
Os equipamentos de compactação são divididos em categorias, e esses diferentes tipos de
esforço são encontrados nos dois tipos principais de força de compactação: estático e vibratório.
»» Estático: o peso próprio da máquina aplicando força para baixo sobre a superfície do solo,
comprimindo as partículas do solo. A única maneira de modificar a força efetiva de com-
pactação é pela adição ou subtração do peso da máquina. Compactação estática é restrita
a camadas superiores do solo e é limitada a determinada profundidade. Amassamento e
pressão são dois exemplos de compactação estática.
»» Vibratório: usa um mecanismo, normalmente motorizado, para criar uma força descen-
dente em acréscimo ao peso estático da máquina. O mecanismo vibratório é normal-
mente um peso excêntrico giratório ou combinação de pistão/mola (em compactadores).
Os compactadores produzem uma sucessão rápida de pancadas (impactos) na superfície,
afetando assim as camadas superficiais, bem como as camadas mais profundas. A vibra-
ção se transmite pelo material, colocando as partículas em movimento e aproximando-as
ao máximo para a densidade mais alta possível. Com base nos materiais que são compac-
tados, certa quantidade de força deve ser usada para superar a força de coesão natural de
certas partículas.
A cada processo correspondem equipamentos apropriados à compactação. A escolha do equi-
pamento para determinado serviço de compactação é problema bastante complexo, pois, além da
diversidade disponível, há a que se considerar, ainda, a diversidade dos tipos de solos existentes,
bem como as características próprias do comportamento de cada um. Todavia, é possível estabelecer
alguns princípios básicos que regem a escolha, levando-se em conta os tipos predominantes de solos.
A Tabela 5.3 a seguir apresenta um resumo da aplicação mais apropriada por meios de esforços e
tipo de solo que ocorrem frequentemente nos trabalhos de terraplenagem.

Tabela 5.3 - Aplicação da compactação para os diferentes tipos de solo

Amassamento
  Impacto Pressão Vibração (Compactador de
(Compactador) (Pé-de-carneiro estático) (Rolo vibratório) rolo emborrachado)

Solos granulares
Pobre Pobre Bom Muito bom
(pedregulhos/ cascalho)

Areia Pobre Pobre Muito bom Bom

Silte Bom Bom Pobre Muito Bom

Argila Muito bom Muito bom Péssimo Bom

66 Análise dos Solos


stieberszabolcs/Shutterstock.com
Figura 5.4 - Compactador.

Para a maioria dos solos, nos quais encontramos materiais coesivos e granulares misturados
em proporções as mais diversas, é recomendado que busque com os fabricantes de equipamentos,
pois eles têm procurado oferecer máquinas de compactação que se adaptem à maioria dos solos exis-
tentes, tornando mais ampla a sua faixa de aplicação. Logo, em razão da extrema diversidade dos
solos e da variedade de equipamentos disponíveis, a compactação é operação em que não se pode
predeterminar com segurança a forma mais rápida e econômica de executá-la. Será, então, necessá-
rio o conhecimento dos parâmetros que influem no processo, a fim de ajustá-los de modo a se con-
seguir maior eficiência e melhores resultados na compactação.

Fique de olho!

Durante a compactação, quando o material solto do solo, devido ao afundamento, oferece resistência elevada ao rola-
mento do equipamento, deve-se empregar a primeira marcha do trator rebocador, que tem maior esforço para realizar a
compactação. Além disso, como as patas do rolo pé-de-carneiro penetram a certa profundidade na camada solta, a movi-
mentação em velocidade baixa permite a aplicação de maiores esforços de compactação.

Com a compactação do solo, as patas vão penetrando cada vez menos e a resistência ao rolamento diminui, permitindo o
uso de marchas mais velozes e de menor força de tração.

O mesmo procedimento pode ser adotado para o caso dos rolos pneumáticos. Para os rolos vibratórios deve-se adotar
uma velocidade constante, embora maior, entre outros.

Compactação: Massa Específica 67


Vadim Ratnikov/Shutterstock.com
Figura 5.5 - Cilindro de pé-de-carneiro.

Vamos recapitular?

Este capítulo mostrou que a compactação de solo é um processo mecânico, com o qual se impõe
ao solo uma redução do índice de vazios, cujo objetivo é melhorar suas características, o que torna a
compactação importante no processo de edificação e, a partir do estudo do solo, definir qual técnica de
compactação utilizar.
Também foram vistos os principais ensaios: Proctor e CBR. No ensaio de Proctor é possível obter
a densidade máxima do maciço terroso e a umidade ótima. No de CBR (CBR - California Bearing Ratio)
ou Índice de Suporte Califórnia é possível conhecer qual será a expansão de um solo sob um pavimento
quando este estiver saturado, e avaliar a resistência dos solos.

Agora é com você!

1) Quais são as principais razões para se compactar o solo?


2) O que é umidade ótima?
3) Comente as quatro fases que compreendem o ensaio CBR.

68 Análise dos Solos


6
Tensões no Solo

Para começar

O objetivo do Capítulo 6 é apresentar as tensões no solo, devido ao peso próprio e à tensão efetiva.
Também será estudada a tensão quanto à carga concentrada e distribuída.

6.1 Conceitos
Os solos são compõem-se de partículas e de forças aplicadas a eles, transmitidas de partícula a
partícula, e também de água nos vazios. Nos solos ocorrem tensões devidas ao peso próprio e às car-
gas aplicadas.
Para o estudo das tensões no solo são aplicados os conceitos da Mecânica dos sólidos defor-
máveis, a partir do conceito de tensões. Considera-se que o solo é constituído de um sistema de par-
tículas, e que forças aplicadas a ele são transmitidas de partícula a partícula, de forma complexa,
dependendo do tipo de mineral, como também são suportadas pela água dos vazios.
No caso de partículas maiores, em que as três dimensões ortogonais são praticamente iguais,
como os grãos de silte e de areia, a transmissão de forças se faz pelo contato direto, mineral a mine-
ral. Em partículas de mineral argila, em número muito grande, as forças em cada contato são muito
pequenas e a transmissão pode ocorrer pela água quimicamente adsorvida. Em qualquer caso, entre-
tanto, a transmissão se faz por contatos e, portanto, em áreas muito reduzidas em relação à área total
envolvida.

69
O conhecimento das tensões atuantes em um maciço de terra, sejam elas devidas ao peso pró-
prio ou em decorrência de carregamentos em superfície ou, ainda, pelo alívio de cargas provocado
por escavações, é de vital importância o entendimento do comportamento de praticamente todas
as obras de engenharia geotécnica. Há uma necessidade de se conhecer a distribuição das tensões
(pressões) nas várias profundidades abaixo do terreno para a solução de problemas de recalques,
empuxo de terra, capacidade de carga no solo, entre outros.

6.2 Pressões verticais devidas ao peso próprio dos solos


As tensões verticais devidas ao peso próprio têm valores consideráveis, e não podem ser des-
consideradas no estudo dos solos. Logo, é importante determinar as pressões atuantes na massa de
solo, nas diversas profundidades de um maciço, quando consideramos somente o peso próprio, isto
é, apenas sujeito à ação da gravidade, sem cargas exteriores atuantes. Essas pressões são denomina-
das pressões geostáticas.
Quando a superfície do terreno é horizontal considera-se que a tensão atuante no plano hori-
zontal a determinada profundidade seja normal a este plano.
A tensão normal ou tensão vertical é a somatória das forças normais ao plano, dividida pela
área total que abrange as partículas em que esses contatos ocorrem:

σV =
∑F
∑ área
E a tensão cisalhante é a somatória das forças tangenciais, dividida pela área.

τ=
∑T
∑ área
Consideramos a massa de solo como constituída de solo homogêneo no espaço semi-infinito
visualizado para a análise de pressão vertical total. Considera-se que as componentes das forças tan-
genciais ocorrentes em cada contato tendem a se contrapor, anulando a resultante.
No caso de terrapleno com a superfície superior coincidente com a horizontal, considerando o
espaço semi-infinito de solo homogêneo teremos:

γ V γ área . z
σV = = = γ. z
área área
Em que:
σ → a tensão vertical ou tensão normal. [kPa]
z → espessura da camada de solo [m]
γ → peso específico do solo [kN/m3]

70 Análise dos Solos


A partir da forma, teremos o diagrama representativo de toda a distribuição na espessura Z,
como mostra a Figura 6.1:

Figura 6.1 - Tensão vertical no solo homogêneo no espaço.

Quando o solo é constituído de camadas aproximadamente horizontais, a tensão vertical


resulta da somatória do efeito das diversas camadas.
0
σV = γ1 .z1 + γ 2 .z 2 + γ 3 .z 3 + ... + γ n .z n = ∑ γ n .z n
n

No caso de uma sequência de camadas de solos homogêneos diferentes, considerando somente


terrapleno horizontal, teremos o diagrama representado na Figura 6.2:

Figura 6.2 - Tensão vertical no solo de camadas homogêneas.

Tensões no Solo 71
Logo, a tensão vertical no ponto C da Figura 6.2 é:

σVC = γ1 ⋅ z1 + γ 2 ⋅ z 2 + γ 3 ⋅ z 3

Considerando cada camada homogênea, com espessura correspondente, podemos verificar


que podem ocorrer diferentes situações nas camadas, por exemplo, a coexistência de partículas sóli-
das e água. Por isso, é necessário analisar as possibilidades:
1) Só partículas de solo = solo seco.
2) Partículas com todos os vazios cheios de água, S = 100%.
a) Solo saturado: quando a água dos vazios não está sujeita à ação da gravidade (par-
tículas envolvidas pela água). Ocorrência típica de solo impermeável (vazios não se
comunicam).
b) Solo submerso: quando a água dos vazios está sujeita à ação da gravidade, assim, as
partículas sólidas estão imersas na água, portanto, estão sujeitas ao empuxo que atua
sobre as mesmas. Ocorrência típica de solo permeável (vazios se comunicam).

6.2.1 Tensões efetivas


A tensão efetiva é a outra parcela da tensão vertical total que se desenvolve no esqueleto estru-
tural dos solos pelo contato grão a grão.
A água no interior dos vazios do solo, abaixo do nível d’água, estará sob uma pressão que inde-
pende da porosidade do solo, depende apenas de sua profundidade em relação ao nível freático.
Considerando a pressão da água será dada por:

u = gàgua zcoluna de água

Em que:
u → poropressão
gágua → peso específico da água
zColuna de água → espessura de água
De maneira genérica, a expressão da pressão vertical total é indicada como:

σ = σ’ + u

ou

σ’ = σ – u

Em que:
σ → pressão vertical total devido ao peso próprio dos solos.

72 Análise dos Solos


σ’ → pressão efetiva ou pressão grão a grão: parcela da pressão total que se desenvolve no
esqueleto granular.
u → pressão neutra ou poropressão.
A poropressão só ocorre quando a água que enche todos os vazios está sob a ação da gravidade
(ocorrência de água livre - solos submersos) ou a água está com uma pressão externa que pode ser
pressão de adensamento ou pressão de percolação. Entende-se por adensamento de solo a diminui-
ção dos seus vazios com o tempo, pela saída da água do seu interior.
Considerando-se agora a situação de todos os vazios estarem cheios de água, mas as partículas
estarem simplesmente envolvidas pela água (espessura da franja capilar), isto é, na faixa de ocorrência
de água capilar onde a água não está sujeita à ação da gravidade (e nem está submetida às cargas exte-
riores), portanto, o solo está saturado, a pressão vertical total devida ao peso próprio dos solos será:

σ = σ’

Pois:

u=0

6.3 Tensões devidas a cargas aplicadas


As cargas aplicadas na superfície de um terreno induzem tensões, com consequentes deforma-
ções no interior de uma massa de solo. Embora as relações entre tensões induzidas e as deformações
resultantes sejam essencialmente não lineares, soluções baseadas na teoria da elasticidade são comu-
mente adotadas em aplicações práticas, respeitando-se as equações de equilíbrio e compatibilidade.
As tensões produzidas por cargas aplicadas na superfície de um maciço terroso são calcula-
das, ou melhor, avaliadas, na hipótese de um “maciço semi-infinito, elástico, isótropo e homogêneo”;
conceitos que, a rigor, podem não ser verificados.
As cargas transmitidas pelas estruturas se propagam para o interior dos maciços e se distri-
buem nas diferentes profundidades, podendo se verificar experimentalmente na Figura 6.3.
Os carregamentos externos aplicados na superfície de um terreno (fundações, pavimentos,
escavações, aterros etc.) induzem tensões que se propagam no interior da massa de solo. Os carrega-
mentos podem ser:
»» Carga concentrada: estaca.
»» Carga distribuída ao longo de uma linha: viga de fundação.
»» Carga uniformemente distribuída numa faixa, placa retangular: sapata corrida.
»» Carregamento triangular: aterros e barragens.
Denominam-se isóbaras as curvas ou superfícies obtidas que ligam os pontos de uma mesma
pressão vertical. Esse conjunto de superfícies isóbaras forma o que se chama bulbo de tensões, como
indicado na Figura 6.4 e para uma carga concentrada.

Tensões no Solo 73
Figura 6.3 - Representação da distribuição de tensões.

Figura 6.4 - Bulbo de tensões.

Amplie seus conhecimentos

Voltando a falar dos prédio de Santos, especialistas explicam que, mesmo sem sofrer rupturas, a primeira camada de areia
comprime a argila, provocando a inclinação das estruturas. O maior problema, então, não é o afundamento do prédio em
alguns milímetros, mas o recalque diferencial, causado pela concentração de cargas em um dos pontos do edifício.

Quando um prédio é construído fora dos padrões exigidos, e ergue-se um edifício vizinho, este, por sua vez, acaba
influenciando o outro a ponto de forçá-lo a entortar. É que os chamados bulbos de pressão, que se formam em cada pré-
dio, juntam-se aumentando a carga, e a tendência é a aproximação desses edifícios.

74 Análise dos Solos


A teoria da elasticidade tem sido empregada para a estimativa das tensões atuantes no inte-
rior da massa de solo em virtude de carregamentos na superfície, e mesmo no interior do terreno
(Pinto, 2006). Entretanto, o comportamento dos solos não satisfaz os requisitos de material elástico,
ou seja, após as deformações de aplicação de tensões, o solo não volta ao estado natural. Quando
ocorrem somente acréscimos de tensão, justifica-se a aplicação da teoria. Por outro lado, até deter-
minado nível de tensões, existe certa proporcionalidade entre as tensões e as deformações, de forma
que se considera um Módulo de Elasticidade constante como representativo do material. Mas a Teo-
ria de Elasticidade ainda apresenta uma avaliação satisfatória das tensões atuantes no solo, na análise
de comportamento de obras.

Vamos recapitular?

Este capítulo mostrou as tensões devidas ao peso próprio, sem cargas exteriores atuantes, deno-
minadas tensão normal ou tensão vertical, que é a somatória das forças normais ao plano, dividida pela
área. Tensão efetiva é a outra parcela da tensão vertical total, que se desenvolve no esqueleto estrutural
dos solos pelo contato grão a grão.
Também foi visto que os carregamentos externos aplicados na superfície de um terreno (fun-
dações, pavimentos, escavações, aterros etc.) induzem tensões que se propagam no interior da
massa de solo.

Tensões no Solo 75
Agora é com você!

1) O que são os bulbos de tensão?


2) O que significa poropressão?
3) Calcule as tensões verticais, a poropressão, e a tensão efetiva do perfil de solo a
seguir:

76 Análise dos Solos


7
Fluxo de Água nos
Solos: Percolação

Para começar

O objetivo do Capítulo 7 é apresentar o fluxo de água nos solos, pois para compreender o compor-
tamento do solo é importante entender a percolação.

7.1 Conceitos
Em geotécnica o fenômeno do deslocamento da água no interior do solo é chamado de perco-
lação da água. Conhecer como se dá o fluxo da água no solo é muito importante, pois ele é responsá-
vel por grande número de problemas práticos de engenharia, tais como: a vazão da água pelos maci-
ços terrosos, drenos ou filtros, e o recalque nas fundações das obras.
A percolação traduz o movimento subterrâneo da água no solo, especialmente nos solos satu-
rados ou próximos da saturação. Para o estudo da percolação é fundamental que seja conhecido o
coeficiente de permeabilidade do solo.
A água ocupa a maior parte dos vazios do solo. Quando é submetida à diferença de potenciais,
ela se desloca no seu interior. As leis que regem os fenômenos de fluxo de água no solo são aplicadas
nas mais diversas situações tais como: cálculo de vazão, análise de recalque, estabilidade, infiltração e
erosão.
A energia potencial total que faz mover o fluido (água) em meio poroso (solo) é constituída
pela soma dos potenciais de:

77
»» Gravidade: A água fluirá das cotas mais elevadas para as mais baixas.
»» Pressão: Do ponto de maior pressão para o de menor pressão.
»» Térmico: Ponto de maior temperatura para o de menor temperatura.
»» Química: Diferença de concentração de sais, do maior para o menor.
Quase sempre a água na terra se move lentamente embaixo de um gradiente hidráulico sem
parar, como uma série de filetes. Os filetes não se movem sempre em linhas retas. Movem-se mais
rápida ou mais lentamente, dependendo do espaçamento entre as partículas de solo. Também,
devido à fricção, as partículas perto das paredes das aberturas movem-se mais rapidamente.
Linha de fluxo (ou de corrente): linha que define a trajetória ao longo da qual se desloca uma
partícula de água em meio poroso.
Linha equipotencial: (perpendicular às linhas de fluxo), que une pontos com igual carga
hidráulica (energia).

7.2 Fluxo unidimensional


Darcy, em 1850, executou uma experiência clássica para estudar o fluxo de água nos solos.
Com um permeâmetro, Figura 7.1, com variação no comprimento de solo, a pressão de água no
topo e no fundo da amostra, Darcy mediu a vazão que atravessava a amostra:

Figura 7.1 - Permeâmetro.


Em que:
∆h → carga hidráulica (diferença ente NA1 e NA2)
L → espessura de solo [m]
Q → vazão [m/s²]
k → coeficiente de permeabilidade do solo
A → área

∆h
σV = k A
L

78 Análise dos Solos


Na prática, siltes, areias e argilas, em geral, satisfazem a lei de Darcy. As características da fase
sólida que interferem na permeabilidade são:
»» Tamanho da partícula.
»» Índice de vazios.
»» Composição mineralógica.
»» Estrutura.
»» Grau de saturação.
O coeficiente de permeabilidade ou condutividade hidráulica (k), é uma propriedade que
indica maior ou menor facilidade de a água percolar no solo. Pode ser visto como equivalente à velo-
cidade de fluxo sob gradiente unitário.

Tabela 7.1 - Relação entre o coeficiente de permeabilidade e a permeabilidade do solo


k (cm/s) Permeabilidade do solo

k < 10–7 Praticamente impermeável

10–7 < k < 10–5 Muito baixo

10–5 < k < 5 × 10–3 Baixo


–3
10 <k< 10–1 Médio

k > 10–1 Alto

Na Tabela 7.2 a seguir apresenta os valores típicos do coeficiente de permeabilidade (k) dos
principais tipos de solo:

Tabela 7.2 - Coeficiente de permeabilidade dos principais tipos de solo


Tipo de solo k (cm/s)

Rocha maciça <10–9

Argila sedimentar 10–7 a 10-8

Solos compactados 10–6 a 10–7

Siltes 10–6

Areia fina 10–3

Areia grossa > 10–2

Brita > 10–1

Quando o fluxo de água ocorre sempre na mesma direção, como no caso dos permeâmetros,
diz-se que o fluxo é unidimensional. Sendo uniforme, na areia, a direção do fluxo e o gradiente são
constantes em qualquer ponto.

Fluxo de Água nos Solos: Percolação 79


Nos fluxos unidirecionais (vertical ou horizontal), para calcular a vazão de percolação em um
solo aplica-se diretamente a lei de Darcy:

Q = v ×A = k × i × A

Em que:
Q → vazão [m3/s]
v → velocidade [m/s]
A → área [m2]
k → coeficiente de permeabilidade do solo [m/s]
i → gradiente

7.3 Fluxo bidimensional


Quando as partículas de água seguem caminhos curvos, mas contidos em planos paralelos, o
fluxo é bidimensional (caso da percolação pelas fundações de uma barragem). Em geral, o fluxo de
água no solo é tridimensional. Consideremos um “elemento” de solo no plano, cujo fluxo através
dele seja bidimensional, os planos X e Z. No caso de fluxos bidimensionais, as redes de fluxo devem
ser traçadas mantendo-se os princípios: canais de igual vazão e zonas de igual perda de potencial.
Considerando o fluido incompressível, água pura, sem variação de temperatura nem concen-
tração iônica. Para o fluxo em regime permanente por um meio incompressível, o fluxo que entra
em um prisma é igual ao que sai. A continuidade do campo num espaço fechado ocorre quando não
há contribuição alguma à água do fluxo no interior do solo.
Diferentemente do fluxo unidimensional, com as equações das velocidades de Darcy, o fluxo
bidimensional satisfaz a equação geral do fluxo ou equação de Laplace, em que:

∂2h ∂2h
+ =0
∂x 2 ∂y 2

A solução da equação de Laplace é representada por um retículo ortogonal, que se chama rede
de escoamento ou rede de fluxo. A rede é constituída por linhas de escoamento ou de fluxo, que são
trajetórias das partículas do líquido, e por linhas equipotenciais ou linhas de igual carga piezomé-
trica. A perda de carga entre duas linhas equipotenciais adjacentes denomina-se queda de potencial.
A solução da equação de Laplace é representada por duas famílias de curvas (linhas equipoten-
ciais e linhas de fluxo), que se interceptam ortogonalmente e formam a chamada Rede de Fluxo.
»» Rede de fluxo: representação gráfica dos caminhos percorridos pela água. É constituída
por linhas de fluxo (trajetórias das partículas) e por linhas equipotenciais (linhas de igual
carga total).
»» Canal de fluxo: região entre duas linhas de fluxo “ƒ”.

80 Análise dos Solos


»» Perda de carga: na rede de fluxo, a perda de carga entre duas linhas equipotenciais é igual
a certa quantidade “∆h” da perda de carga total “h”.
Para a determinação das linhas de igual carga piezométrica é aplicável o teorema de Bernoulli,
Figura 7.2, no qual, ao regime permanente dos fluidos para um ponto qualquer de um filete líquido,
a altura acima de um plano horizontal fixo (carga altimétrica), mais a altura representativa da pressão
(carga hidráulica ou piezométrica) e mais a altura correspondente à velocidade nesse ponto (carga ciné-
tica) são constantes. Distinguem-se, assim, três formas de energia: devida à altura, à pressão e à veloci-
dade. Nos solos em que a velocidade assume valores muito pequenos, ela é desprezada da fórmula.

Figura 7.2 - Teorema de Bernoulli

Considere um tubo de escoamento definido por duas linhas de corrente, situadas no mesmo
plano, paralelo ao escoamento a uma distância “d”. A água entre as linhas se comporta como que
circulando por um canal. Diminuindo-se a seção, aumenta-se a velocidade. A razão dos lados dos
“retângulos” de uma rede de fluxo constantes. Se um retângulo da rede é aproximadamente um qua-
drado, todos os demais também o serão. Essa circunstância permitirá traçar a rede de escoamento
com mais facilidade.
Esse método foi proposto pelo físico alemão Forchheimer. Consiste no traçado, à mão livre, de
diversas possíveis linhas de escoamento e equipotenciais, respeitando-se a condição de que elas se
interceptem ortogonalmente e formem figuras “quadradas”.

Figura 7.3 - Rede de fluxo.

Fluxo de Água nos Solos: Percolação 81


As linhas de fluxo e equipotenciais são traçadas por tentativa e erro, e devem obedecer às
seguintes condições (Arthur Casagrande):
1) São normais entre si.
2) As malhas são quadrangulares (é possível inscrever um círculo tangenciando os quatro
lados da malha).
3) Todas as superfícies de entrada e saída d’água são equipotenciais.
4) Toda superfície impermeável é uma linha de fluxo.
5) As linhas freáticas (superfícies livres em contato com a pressão atmosférica) terão, em
cada ponto, o potencial determinado pela própria cota do ponto.

Fique de olho!

O Brasil é um dos países que mais desenvolveu tecnologias para o projeto, a construção e o controle de barragens de
terra. A barragem de terra apresenta inúmeras vantagens em relação à barragem de concreto. O principal motivo é o
custo. Outro motivo é a segurança.

Cálculo da percolação na rede de fluxo:


O gradiente é dado por:

h
∆h Nd
i= =
∆l b

Em que:
Nd → número de quedas de potencial no meio.
h → perda de carga total no sistema.
b → largura entre duas linhas equipotenciais.
Assim, a carga total por unidade de profundidade é:

Nf
Q = k·h·
Nd

Em que:
Nf → número total de canais de fluxo.
k → coeficiente de permeabilidade.

82 Análise dos Solos


Fique de olho!

Calcular a vazão para o esquema a seguir. Dados: solo argiloso (k = 10-7 cm/s)NA1 = 7 m, NA2 = 1 m e b = 1 m

Conforme a figura: Nf = 3
Nd = 8

Logo:

K = 10-9 m/s
H = 7-1 = 6 m
Nf 3
Q = k ⋅h⋅ = 10−9 ⋅ 6 ⋅ = 3 ⋅ 10−9 m3 /s
Nd 6

Vamos recapitular?

Este capítulo mostrou que a percolação  da água é o fenômeno do deslocamento da água no inte-
rior do solo. Conhecer como se dá o fluxo da água no solo é muito importante, pois ele é responsável por
grande número de problemas práticos de engenharia, como a vazão da água em maciços terrosos.

Fluxo de Água nos Solos: Percolação 83


Agora é com você!

1) Quais são as características da fase sólida que interferem na permeabilidade?


2) Pesquise a lei de Darcy.
3) Explique como traçar as linhas de fluxo e equipotenciais, de acordo com Casagrande.
4) Calcular a vazão. Dados: k = 10-6 cm/s.

84 Análise dos Solos


8
Adensamento

Para começar

O objetivo do Capítulo 8 é apresentar a compressibilidade, o adensamento e o recalque no solo.


Para melhor entendimento da teoria de adensamento de Terzarghi, será visto o ensaio de adensamento
unidimensional.

8.1 Conceitos
Compressibilidade é uma característica de todos os materiais de se deformarem quando sub-
metidos a forças externas (carregamentos). Todos os materiais sofrem deformação quando sujeitos a
uma mudança de esforço. O que difere o solo dos outros materiais é que ele é um material natural,
com estrutura interna que pode ser alterada pelo carregamento, com deslocamento e/ou ruptura de
partículas.
A estrutura multifásica característica dos solos permite um comportamento próprio, tensão-
deformação, o qual normalmente depende do tempo. Portanto, devido à estrutura própria do solo
(multifásica), possuindo uma fase sólida (grãos), uma fase fluída (água) e uma fase gasosa (ar) lhe
conferem um comportamento próprio, tensão-deformação, o qual pode depender do tempo.
Para compreender o comportamento dos solos é importante definir alguns conceitos:
» Compressão: É o processo pelo qual uma massa de solo, sob a ação de cargas, varia de
volume (“deforma”) mantendo sua forma. Os processos de compressão podem ocorrer

85
por compactação (redução de volume devido ao ar contido nos vazios do solo) e pelo
adensamento (redução do volume de água contido nos vazios do solo).
»» Adensamento: Processo dependente do tempo de variação de volume (deformação) do
solo em razão da drenagem da água dos poros.
Logo, entende-se por adensamento de solo a diminuição dos seus vazios com o tempo, pela
saída da água do seu interior. Esse processo pode ocorrer por um acréscimo de solicitação sobre o
solo, seja pela edificação de uma estrutura, construção de um aterro, rebaixamento do nível de água
do lençol freático ou drenagem do solo, entre outros. Dada sua heterogeneidade, seu grau de satu-
ração, umidade, fração mineral predominante, o solo apresenta vários tipos de deformação quando
solicitado, e cada tipo exige uma metodologia própria para a sua avaliação.
As cargas de determinada estrutura são transmitidas ao solo e geram uma redistribuição dos
estados de tensão em cada ponto do maciço (acréscimos de tensão), que irão provocar deformações
de maior ou menor intensidade, em toda a área nas proximidades do carregamento que, por sua vez,
resultarão em recalques superficiais.
A deformação dos solos, principalmente dos solos finos, não é instantânea, isto é, não ocorre
imediatamente após a aplicação da solicitação, mas sim com o tempo. As deformações, geralmente
não uniformes, podem não ser prejudiciais ao solo, mas comprometem as estruturas que se assentam
sobre ele.
Um dos aspectos mais importantes em projetos e obras associados à geotecnia é a determina-
ção das deformações (recalques) por carregamentos verticais aplicados na superfície do terreno ou
em camadas próximas à superfície.
No projeto geotécnico de fundações faz-se necessário avaliar se a resistência do solo é sufi-
ciente para suportar os esforços induzidos pela estrutura e, principalmente, se as deformações (recal-
ques) estarão dentro dos limites admissíveis. Recalques diferenciais ou de magnitude elevada podem
causar trincas na estrutura ou inviabilizar sua utilização.
Os recalques diferenciais provocam nas estruturas esforços adicionais que comprometem a sua
própria estabilidade. No projeto de uma construção deve-se prever os recalques a que esta estará
sujeita, para daí decidir o tipo de fundação, e até mesmo o sistema estrutural a ser adotado. Para esti-
mativa da ordem de grandeza dos recalques por adensamento, além do reconhecimento do subsolo
(espessura, posição, natureza das camadas, nível da água), deve-se conhecer, ainda, a distribuição
das pressões produzidas em cada um dos pontos do terreno pela carga da obra, e as propriedades
dos solos.

8.2 Recalque por adensamento


O recalque é a principal causa de trincas e rachaduras em edificações, principalmente quando
ocorre o recalque diferencial, ou seja, uma parte da obra rebaixa mais que outra e gera esforços
estruturais não previstos, que podem, até, levar a obra à ruína.
Por isso, sempre, no projeto de uma estrutura sobre solos compressíveis (deformáveis) é fun-
damental prever as deformações (recalques) e sua evolução no tempo, a fim de avaliar sua repercus-

86 Análise dos Solos


são sobre a estrutura e decidir com acerto sobre o tipo de fundação a ser adotado. Muitas vezes, as
condições de fundação são tão desfavoráveis que resultam na necessidade de emprego de soluções de
custo mais elevado, por exemplo, fundações profundas.
Para a estimativa da ordem de grandeza dessas deformações, o engenheiro precisa, após o
reconhecimento do subsolo, realizar:
» O estudo da distribuição de pressões no solo.
» O estudo das propriedades do solo em ensaios de laboratório.
Para carregamentos finitos, inicialmente ocorrem recalques provocados por deslocamentos
horizontais do solo da fundação (recalques iniciais) e, numa segunda fase, tais recalques só ocor-
rerão se houver a expulsão de água. A esse recalque dá-se o nome de recalque por adensamento ou
primário. Em geral, esses dois tipos ocorrem simultaneamente, preponderando em determinadas
condições um ou outro.

Amplie seus conhecimentos

Palácio de Belas Artes, Cidade do México, Figura 8.1, construído entre o período de 1932 e 1934, é um caso clássico de
recalques de fundação. Após a sua construção, sob camada de solos argilosos altamente compressíveis, foram observa-
dos recalques diferenciais da ordem de 2 metros entre a rua e a área construída, o que acarretou adaptações no acesso à
edificação.

ChameleonsEye/Shutterstock.com

Figura 8.1 - Palácio de Belas Artes.

Adensamento 87
8.3 Ensaio de adensamento unidimensional
A ABNT/NBR 6.122/2010 define o Ensaio de adensamento:
“Ensaio que consiste em colocar um corpo de prova de solo totalmente confinado dentro de
um anel rígido e em submetê-lo à compressão vertical pela aplicação de tensões em estágios, per-
mitindo a drenagem completa na direção vertical, através de placas porosas colocadas na base e no
topo do corpo de prova. Visa à determinação direta das propriedades de compressibilidade do solo.”
Existem outros tipos de ensaio de adensamento realizados por compressão triaxial, por carre-
gamentos contínuos etc. A ABNT/NBR 12.007/1990 regula o ensaio de adensamento unidimensio-
nal de solo.
O ensaio de adensamento ou de compressão unidirecional confinada pretende determinar
diretamente os parâmetros do solo, necessários para o cálculo de recalques. A realização do ensaio
consiste basicamente em instalar dentro de um anel rígido uma amostra de solo de pequena espes-
sura (geralmente 2,5 cm). O corpo de prova é drenado pelas faces superior e inferior, com o auxílio
de pedras porosas, como mostra a Figura 8.2.

Wikimedia Commons/Carlos Rogério Santana

Figura 8.2 - Equipamento do ensaio de adensamento.

O anel é levado a uma prensa, na qual são aplicadas tensões verticais ao corpo de prova, em
vários estágios de carregamento. Cada estágio permanece atuando até que cessem as deformações
originadas pelo carregamento (normalmente, 24 horas).

88 Análise dos Solos


Em seguida, aumenta-se o carregamento (em geral, aplica-se o dobro do carregamento que
estava atuando anteriormente). As medidas que são utilizadas usualmente são as de deformação do
corpo de prova, pela variação de altura, ao longo do tempo, nos estágios de carregamento.
Também pode-se determinar o coeficiente de permeabilidade do solo diretamente, fazendo a
percolação da água através do corpo de prova.
O resultado do ensaio, normalmente, é apresentado num gráfico semilogarítmico, Figura 8.3,
em que nas ordenadas se têm as variações de volume (representadas pelos índices de vazios finais em
cada estágio de carregamento) e nas abscissas, em escala logarítmica, as tensões aplicadas.
Podem-se distinguir três fases distintas no gráfico:

Figura 8.3 - Gráfico do ensaio de adensamento.

»» A primeira fase: quase horizontal, representa o valor característico de tensão, correspon-


dente à máxima tensão que o solo já sofreu na natureza; de fato, ao retirar a amostra de
solo, para ensaiar em laboratório, são eliminadas as tensões graças ao solo sobrejacente, o
que permite à amostra um alívio de tensões e, consequentemente, uma ligeira expansão.
Esse valor da tensão do solo é normalmente denominado de tensão de pré-adensamento,
e representa, conceitualmente, o maior valor de tensão já sofrido pelo solo em campo.
»» A segunda fase: uma reta. Ultrapassado o valor característico de tensão, o corpo de prova
começa a comprimir-se, sujeito às tensões superiores, às tensões máximas por ele já
suportadas na natureza. Assim, as deformações são bem pronunciadas e o trecho reto do
gráfico que as representa é chamado de reta virgem de adensamento. Tal reta apresenta
um coeficiente angular denominado índice de compressão (Cc):
e1 − e2 ∆e
Cc = . =
log σ2 − σ1 σ
log 2
σ1

O índice de compressão é muito útil para o cálculo de recalque em solos que se estejam
comprimindo ao longo da reta virgem. O recalque total (ΔH), de variação do índice de
vazios (Δe), numa camada de espessura H, é dado por:
∆e
∆H = H
1 + e1 camada

Adensamento 89
Em que:
∆e = Cc.log σ2 − σ1

Logo:
Cc.log σ2 − σ1
∆H = Hcamada
1 + e1

»» A terceira fase: ligeiramente curva, corresponde à parte final do ensaio, quando o corpo
de prova é descarregado gradativamente, e pode experimentar ligeiras expansões.

8.4 Teoria do adensamento


O estudo teórico do adensamento permite obter uma avaliação da dissipação das tensões das
pressões hidrostáticas (variação de volume), ao longo do tempo, em que um elemento de solo estará
sujeito, dentro de uma camada compressível. A partir dos princípios da hidráulica, Karl Terzaghi ela-
borou a sua teoria, sendo necessárias algumas simplificações.
Karl von Terzaghi foi um engenheiro austríaco reconhecido como o pai da Mecânica dos Solos
e da Engenharia Geotécnica. Desde o começo de sua carreira dedicou todos os seus esforços visando
a buscar um método racional que resolvesse os problemas relacionados à engenharia de solos e fun-
dações. A coroação de seus esforços se deu em 1925 com a publicação de Erdbaumechanik, conside-
rada hoje o ponto de partida da mecânica dos solos como novo ramo da ciência na engenharia.
Para iniciar o estudo da teoria de Terzaghi é necessário fixar as condições básicas:
a) solo homogêneo e completamente saturado;
b) partículas sólidas e água intersticial incompressível;
c) adensamento unidirecional;
d) o escoamento da água obedece à lei de Darcy:
A velocidade de percolação é diretamente proporcional ao gradiente hidráulico:

v=k×i

Em que:
v = velocidade;
k = coeficiente de permeabilidade;
i = gradiente hidráulico.
O estudo de compressibilidade dos solos é normalmente efetuado utilizando-se o oedômetro,
que foi desenvolvido por Terzaghi para o estudo das características de compressibilidade e da taxa
de compressão do solo com o tempo. O solo é representado por uma mola cuja deformação é pro-
porcional à carga sobre ela aplicada. O solo saturado pode, então, ser imaginado como uma mola
dentro de um cilindro cheio de água. O cilindro tem um pequeno furo no seu êmbolo, por onde a

90 Análise dos Solos


água pode sair lentamente, representando assim a sua baixa permeabilidade. A Figura 8.4 apresenta
o ensaio de compressão confinado:

Figura 8.4 - Ensaio de compressão confinado (oedômetro).

O modelo mecânico de Terzaghi, representado na Figura 8.4, tem seu funcionamento con-
forme descrito a seguir:
1) O cilindro cheio de água, e com a mola dentro, estão em equilíbrio e representam o solo
saturado.
2) É aplicado um carregamento sobre o pistão. Nesse momento, a água sustenta toda a carga,
pois é ela que pode ser considerada incompressível.
3) À medida que a água é drenada pelo orifício, parte do carregamento passa a ser suportado
pela mola, que vai encolhendo e aumentando sua resistência. O solo está adensando.
4) O sistema volta ao equilíbrio, pois a pressão da água foi toda dissipada, e a mola, que
representa a estrutura sólida do solo, suporta a carga sozinha. É o fim do adensamento.
O ensaio de compressão oedométrico, também referido como ensaio de compressão confinado, é
o mais antigo e mais conhecido para a determinação de parâmetros de compressibilidade do solo.

Vamos recapitular?

Este capítulo mostrou que a compressibilidade é uma característica de todos os materiais se defor-
marem quando submetidos a forças externas (carregamentos), e adensamento é o processo dependente
do tempo de variação de volume (deformação) do solo por causa da drenagem da água dos poros. Um
dos aspectos mais importantes em projetos e obras associados à geotecnia é a determinação das defor-
mações (recalques) por carregamentos verticais aplicados na superfície do terreno ou em camadas próxi-
mas à superfície, pois o recalque é a principal causa de trincas e rachaduras em edificações.
Também foi visto o ensaio de adensamento unidimensional, que visa à determinação direta das
propriedades de compressibilidade do solo. E a teoria do adensamento de Terzaghi, que permite obter
uma avaliação da dissipação das pressões hidrostáticas (variação de volume), ao longo do tempo, a que
um elemento de solo estará sujeito, dentro de uma camada compressível.

Adensamento 91
Agora é com você!

1) Para a estimativa da ordem de grandeza das deformações, após o reconhecimento do


subsolo, o que é importante conhecer?
2) Descreva as três fases distintas do gráfico do ensaio de adensamento.
3) Quais as condições para a teoria de Terzaghi?

92 Análise dos Solos


9
Estado Plano de
Tensão no Solo

Para começar

O objetivo do Capítulo 9 é apresentar o estado plano de tensões no solo e sua representação grá-
fica: círculo de Mohr.

9.1 Conceito
Os solos, como vários outros materiais, resistem bem às tensões de compressão, mas possuem
resistência limitada à tração e ao cisalhamento.
A ruptura caracterizada por deslocamentos relativos entre as partículas recebe o nome de cisa-
lhamento. Desprezadas as deformações das partículas e dos fluidos dos vazios no solo, a resistência
do solo equivale à resistência ao cisalhamento. A ruptura de um solo, representada de maneira ideal,
se produz por cisalhamento ao longo de uma superfície de ruptura. Ocorre o deslizamento de uma
parte do maciço sobre uma zona de apoio que permanece fixa. A lei de cisalhamento é a relação que
une, no momento da ruptura e ao longo da superfície de ruptura, a tensão normal ou tensão de com-
pressão (σ) e a tensão tangencial ou tensão de cisalhamento (τ).
Planos cujas tensões cisalhantes superam a resistência ao cisalhamento são denominados pla-
nos de ruptura, Figura 9.1. A resistência ao cisalhamento é uma das propriedades fundamentais do
comportamento do solo no estudo de suporte para soluções práticas da engenharia. Em qualquer
ponto no interior de uma massa de solo, esforços de peso próprios associados a carregamentos exter-
nos aplicados geram tensões em pontos no interior do maciço.

93
Wikimedia Commons/Sanpaz
Figura 9.1 - Estado plano de tensão num espaço contínuo.

Os componentes de tensões são:


»» Tensões normais (σ): tensões na direção perpendicular ao plano (positivo = tracionando)
»» Tensões cisalhantes (τ): tensões na direção paralela ao plano (positivo = sentido anti-
-horário)
Em qualquer ponto da massa do solo existem três planos ortogonais onde as tensões cisalhan-
tes são nulas. Esses planos são chamados “planos principais de tensões”. Portanto, as tensões normais
recebem o nome de tensões principais. A maior das tensões atuantes é chamada tensão principal
maior (σ1); a menor é chamada tensão principal menor (σ3), e a terceira é chamada tensão princi-
pal intermediária (σ2).
A análise do estado de tensões pode ser simplificada com o uso de um domínio bidimensional,
mas o tensor de estado plano de tensão para cada ponto deve ser complementado com os termos de
flexão.

9.2 Estado plano de tensões


Muito usado em resistência dos materiais, o estado plano de tensões também tem grande aplica-
ção em mecânica dos solos. Ocorre quando duas faces do elemento cúbico estão livres de tensões, ou
seja, o estado plano de tensões é definido por:

σz = 0

τxz = τyz = 0

94 Análise dos Solos


No estado plano de tensões são conhecidos os planos e as tensões principais em um ponto,
e pode-se determinar as tensões normais e de cisalhamento em qualquer plano, passando por este
ponto (σθ e τθ).

y’
x’

 

1 
ds

3

A partir desse princípio, aplicamos as equações de equilíbrio:


∑ Fx ’ = 0

−σθ ⋅ d s + σ1 ⋅ cos θ ⋅ d s ⋅ cos θ + σ3 ⋅ senθ ⋅ d s ⋅ senθ = 0


σθ = σ1 ⋅ cos θ ⋅ cos θ + σ3 ⋅ senθ ⋅ senθ
σ1 + σ3 σ1 + σ3
σθ = + cos 2θ
2 2

∑ Fy ’ = 0

τθ ⋅ d s + σ1 ⋅ senθ ⋅ d s ⋅ cos θ + σ3 ⋅ cos θ ⋅ d s ⋅ senθ = 0


τθ = σ1 ⋅ cos θ ⋅ senθ + σ3 ⋅ cos⋅ senθ
σ − σ3
τθ = 1 sen2θ
2

Estado Plano de Tensão no Solo 95


9.3 Círculo de Mohr
O círculo de Mohr é uma forma gráfica de resolver um estado de tensão.  Um método simples
desenvolvido por Christian Otto Mohr, que permite a representação do estado de tensões num ponto.

Amplie seus conhecimentos

Christian Otto Mohr, natural de Wesselburen, Alemanha, (8/10/1835 – 2/10/1918), engenheiro alemão que iniciou o
estudo de engenharia com 16 anos de idade, na Universidade de Hannover. Em 1855 foi auxiliar de engenheiro, e depois
engenheiro das Reais Estradas de Ferro (Königlich Hannöverschen Staatseisenbahnen - HSEB) em Lüneburg, Alemanha.
Em 1860, Mohr publicou um trabalho sobre vigas, embora sua produção científica mais conhecida tenha sido o método
gráfico simples para determinação das tensões principais denominado círculo de Mohr.

Para que seja possível o uso do círculo de Mohr, é necessário que cada plano esteja represen-
tado por um ponto em um sistema de coordenadas (σ;τ).

Os planos das tensões principais são representados por pontos que se encontram no eixo, já
que neles a tensão de cisalhamento é igual a zero.
As tensões de cisalhamento, máxima e mínima, são representadas por pontos que simétricos em
relação ao eixo, e possuem módulo equivalente ao raio do círculo de Mohr. Nesses planos ocorre a mesma
tensão normal, em que as tensões de cisalhamento são iguais, e de sinais opostos. A tensão normal, que
atua nos planos das tensões de cisalhamento, máxima e mínima, é igual à média aritmética das tensões
principais. A figura geométrica que satisfaz a todas essas condições simultaneamente é um círculo.

96 Análise dos Solos


A este círculo se dá o nome de círculo de Mohr.

De acordo com o exposto, é possível traçar o círculo do Mohr para qualquer estado duplo.
Para tal, deve-se observar:
1) Planos perpendiculares entre si são representados por pontos diametralmente opostos.
2) O centro do círculo de Mohr se encontra no eixo.
3) A tensão principal 1 (σ1) é determinada intersecção entre o eixo e o lado direito do círculo.
4) A tensão principal 2 (σ2) é determinada intersecção entre o eixo e o lado esquerdo do círculo.
5) As tensões de cisalhamento, máxima e mínima, são determinadas pelas tangentes hori-
zontais ao círculo.
6) Conhecidas as tensões em dois planos perpendiculares entre si, o centro do círculo de
Mohr se encontra na média entre as tensões normais que atuam nesses planos. Isso pode
ser observado na figura anterior.
7) Conhecidas as tensões em dois planos perpendiculares entre si, o raio do círculo de Mohr
pode ser determinado pela hipotenusa do triângulo hachurado na figura a seguir:

8) A tensão principal máxima pode ser determinada pela soma entre o raio do círculo e a
tensão normal média dos planos perpendiculares entre si.
9) A tensão principal mínima pode ser determinada pela diferença entre o raio do círculo e a
tensão normal média dos planos perpendiculares entre si.

Estado Plano de Tensão no Solo 97


10) O ângulo entre um plano do estado duplo e o plano onde atua 1 pode ser determinado por:

Portanto, para o estado plano de tensões:

A partir das deduções do círculo de Mohr, temos:

2
σx + σy  σx − σy 
σmed = τmáx =R= 
  + τxy 2
2  2 
σmáx = σ1 = σmed + R σmin = σ3 = σmed − R

2τxy  σx − σy 
tg 2θp = tg 2θc = −  
σx − σy  2τxy 
 

Aplicadas as equações de equilíbrio temos:

σx + σy  σx − σy 
σx ’ = +  cos 2θ + τxy sen2θ
2  2
 

σx + σy  σx − σy 
σy ’ = −  cos 2θ − τxy sen2θ
2  2
 

 σx − σy 
τx ’ y ’ = −   cos 2θ + τxy sen2θ
 2
 

98 Análise dos Solos


Fique de olho!

Para o plano de tensões dado:

a) as tensões principais e o plano principal:

2
 70 − 25  2 70 + 25
R=   + (−55) = 59, 42 M
MPa
Pa σme
medd = = 47, 5 MP
MPaa
 2  2

σmá
máxx = 47, 5 + 59, 4
422 = 106, 92 MP
MPaa

σmi
minn = 47, 5 − 59, 42 = −11, 92 MPa
MPa

2(−5
555)
tg 2θp = = −2, 4
444 → θp = 3
388, 8 75°
875
70 − 25

b) a tensão cisalhante máxima e o plano cisalhante:

τma
maxx = R = 59, 42MPa

 70 − 25 
tg 2θc = −   = 0, 4 09 → θc = 11,12
409 1255°
 2(−55) 

c) as tensões correspondentes ao ângulo de rotação θ = 25°:

70 + 25  70 − 25 
σx ' = + coss 50° + (−55) se
 co senn 50° = 19, 83 M
MPa
Pa
2  2 

70 + 25  70 − 25 
σy ' = − coss 50° − (−55) sen 50° = 75,17
 co ,17 MP
MPaa
2  2 

 70 − 25 
τx ' y ' = −  coss 50° + (−55) se
 co senn50° = −18,12 M
MPa
Pa
 2 

Vamos recapitular?

Este capítulo mostrou que o estado plano de tensões e o modelo gráfico simplificado, o círculo de
Mohr, permitem a representação do estado de tensões num ponto, facilitando o cálculo de tensões.

Estado Plano de Tensão no Solo 99


Agora é com você!

1) Quais são as componentes de tensão no solo?


2) No círculo de Mohr, que elemento corresponde à tensão de cisalhamento máxima?
3) Para o estado de tensões apresentado, calcular:

a) As tensões principais e o plano principal.


b) A tensão cisalhante máxima e o plano cisalhante.
c) As tensões correspondentes ao ângulo de rotação θ = 25°.

100 Análise dos Solos


10
Fundações

Para começar

O objetivo do Capítulo 10 é apresentar os principais tipos de fundações: rasa e profunda, assim


como sua execução.
Também será apresentado o cálculo de carga baseado em Terzarghi.

10.1 Conceitos
A construção de uma edificação começa pela sondagem do terreno sobre o qual ela será
erguida. A sondagem identifica as camadas do solo e sua resistência, além de detectar a presença
do lençol freático (água), informações fundamentais para que o calculista projete adequadamente as
fundações.
A fundação é um termo utilizado em engenharia para designar as estruturas responsáveis por
transmitir as solicitações das construções ao solo, ou seja, é o elemento estrutural com função de
propagar as cargas da construção ao terreno onde ela se apoia. Assim, as fundações devem ter resis-
tência adequada para suportar as tensões causadas pelos esforços solicitantes. Além disso, o solo
necessita de resistência e rigidez apropriadas para não sofrer ruptura e não apresentar deformações
exageradas ou diferenciais.
Para escolher a fundação mais adequada, é importante conhecer os esforços atuantes sobre a
edificação, as características do solo e dos elementos estruturais que as formam. Assim, analisa-se a

101
possibilidade de utilizar os vários tipos de fundação, em ordem crescente de complexidade e custos
(Wolle, 1996). Fundações bem projetadas correspondem entre 3% e 10% do custo total do edifício.
A escolha do tipo de fundação é feita com a análise dos perfis das sondagens e cortes longi-
tudinais do subsolo que passam pelos pontos sondados. A pressão admissível a ser transmitida por
uma fundação direta ao solo depende da importância da obra e também da experiência acumulada
na região, podendo ser estabelecida pelo índice correlacionado com a consistência ou compacidade
das diversas camadas do subsolo.  Também é importante conhecer o comportamento esperado ao
receber as cargas. No entanto, para escolher o melhor tipo de fundação é preciso saber:
»» Quais são os tipos de solo que estão sob a obra, e a que profundidade. 
»» Qual é a altura do lençol freático. 
»» Qual é a capacidade de carga do subsolo e suas características.
»» Como o solo se comporta ao receber carga. 
Existem dois grandes grupos de fundação: rasas ou diretas e profundas. A Tabela 10.1 a seguir
apresenta as principais fundações utilizadas:

Tabela 10.1 - Fundações diretas e profundas


Blocos

Corrida
Sapatas
Fundações rasas ou diretas Isolada

Radier

Baldrame

Brocas

Madeira

Aço

Pré-moldada

Estacas Strauss
Fundações profundas
Franki
Concreto
Raiz

Barrete/Estacão

Céu aberto
Tubulões
Ar comprimido

10.2 Fundações rasas ou diretas


Tecnicamente, as fundações rasas, diretas ou superficiais são aquelas em que a profundidade
de escavação é inferior a 3 metros, sendo mais empregadas em casos de cargas leves, como residên-
cias, ou em solo firme.

102 Análise dos Solos


O baldrame é o tipo mais comum de fundação dentre as fundações rasas, Figura 10.1. Consti-
tui-se de uma viga, que pode ser de alvenaria, de concreto simples ou de concreto armado constru-
ída diretamente no solo, dentro de uma pequena vala.

Christian Delbert/Shutterstock.com
Figura 10.1 - Baldrame.

Outro tipo de fundação rasa é a sapata, que pode ser de duas formas:
»» Sapata isolada: recomendada para casas com qualquer número de pavimentos, como
mostra a Figura 10.2. Suporta o peso concentrado de pilares. O elo entre ela e as paredes é
a viga baldrame.
Para construção de uma sapata isolada são executadas as etapas:
1) Fôrma para o rodapé, com folga de 5 cm para execução do concreto magro. É um concre-
to simples, com reduzido teor de cimento, sem função estrutural.
2) Posicionamento das fôrmas, de acordo com a marcação executada no gabarito de locação.
3) Preparo da superfície de apoio. Compreende a limpeza do fundo da vala.
4) Colocação da armadura.
5) Posicionamento do pilar em relação à caixa com as armações.
6) Colocação das guias de arame, para acompanhamento da declividade das superfícies do
concreto.
7) Concretagem: a base poderá ser vibrada normalmente, porém para o concreto inclinado
deverá ser feita uma vibração manual, isto é, sem o uso do vibrador.

Fundações 103
Figura 10.2 - Sapata isolada.

»» Sapata corrida: acompanha as paredes da casa, e é indicada para solos resistentes e cons-
truções com paredes estruturais, que dispensam pilares e vigas. A carga é distribuída uni-
formemente ao longo das paredes, como mostra a Figura 10.3.

Figura 10.3 - Sapata corrida.

Para a construção de uma sapata corrida, com paredes em alvenaria, são executadas as seguin-
tes etapas:
1) Escavação.
2) Colocação de um lastro de concreto magro de 5 a 10 cm de espessura.

104 Análise dos Solos


3) Posicionamento das fôrmas, quando o solo assim o exigir.
4) Colocação das armaduras.
5) Concretagem.
6) Cinta de concreto armado: sua finalidade é a maior distribuição das cargas, evitando tam-
bém deslocamentos indesejáveis pelo travamento que confere à fundação; muitas vezes, é
usado o próprio tijolo como fôrma lateral.
7) Camada impermeabilizante: sua função é evitar a subida da umidade por capilarida-
de para a alvenaria de elevação; sua execução deve evitar descontinuidades que poderão
comprometer seu funcionamento e nunca devem ser feitas nos cantos ou nas junções das
paredes; essa camada deverá ser executada com argamassa, com adição de impermeabi-
lizante, e deverá se estender pelo menos 10 cm para revestimento da alvenaria, evitando
retrações prejudiciais.
O bloco é outro tipo de fundação rasa, parecido com a sapata, só que não possui armadura.
O processo de execução de um bloco consiste em:
1) Executar a abertura da vala.
2) Promover a compactação da camada do solo resistente.
3) Colocação de um lastro de concreto magro (90 kgf/cm2) de 5 a 10 cm de espessura.
4) Execução do embasamento, que pode ser de concreto, alvenaria ou pedra.
5) Construir uma cinta de amarração que tem a finalidade de absorver esforços não previstos,
suportar pequenos recalques, distribuir o carregamento e combater esforços horizontais.
6) Fazer a impermeabilização para evitar a percolação capilar, utilizando uma argamassa
“impermeável” (com aditivo) ou, ainda, uma chapa de cobre, de alumínio ou ardósia.
O radier é outra fundação. Pode-se dizer que é o mais raso de todos, pois se trata de uma
“laje”, que fica diretamente no chão, muito usada em casas de pequeno porte, Figura 10.4. A rigor,
essa laje, com cerca de 1,5 m de espessura, só é utilizada em grandes obras. Porém, é comum cha-
mar de radier uma laje mais fina, com mais ou menos 12 cm, colocada imediatamente abaixo da
superfície de solos firmes, ou uma fundação usada em solos pouco resistentes, como argilas orgâ-
nicas ou areias fofas. Retira-se o solo e faz-se uma caixa oca de 2 m de espessura de concreto
armado, onde se apoia a casa. Este é executado em concreto armado, uma vez que, além de esfor-
ços de compressão, devem resistir a momentos provenientes dos pilares diferencialmente carre-
gados, e ocasionalmente a pressões do lençol freático (necessidade de armadura negativa). O fato
de o radier ser uma peça inteiriça pode lhe conferir alta rigidez, o que muitas vezes evita grandes
recalques diferenciais.
A utilização de sapatas corridas é adequada economicamente enquanto sua área em relação à
da edificação não ultrapasse 50%. Caso contrário, é mais vantajoso reunir todas as sapatas num só
elemento de fundação, o radier.

Fundações 105
Radier

Figura 10.4 - Radier.

10.3 Fundações profundas


As fundações mais profundas são mais utilizadas em casos de edifícios altos, em que os esfor-
ços do vento se tornam consideráveis, e/ou nos casos em que o solo só atinge a resistência dese-
jada em grandes profundidades. Os tipos mais comuns de fundação profunda são as estacas, embora
exista grande variedade de fundações profundas.
Os tubulões são elementos estruturais da fundação que transmitem a carga ao solo resistente
por compressão, por meio de escavação de um fuste cilíndrico e uma base alargada tronco-cônica a
uma profundidade igual ou maior a três vezes o seu diâmetro.
De acordo com o método de escavação, os tubulões se classificam em:
»» Tubulões a céu aberto: Consiste de um poço aberto manual ou mecanicamente em solos
coesivos, como na Figura 10.5, de modo que não haja desmoronamento durante a escava-
ção, e acima do nível d’água. Quando há tendência de desmoronamento, reveste-se o furo
com alvenaria de tijolo, tubo de concreto ou tubo de aço. O fuste é escavado até a cota
desejada, a base é alargada e posteriormente concretada.

Figura 10.5 - Tubulões a céu aberto.

106 Análise dos Solos


O processo de execução da fundação deve obedecer às seguintes etapas:

1) A
 partir do gabarito, faz-se a marcação do eixo da peça utilizando um piquete de madeira.
Depois, com um arame e um prego, marca-se no terreno a circunferência que delimita o
tubulão, cujo diâmetro mínimo é de 70 cm.

2) Inicia-se a escavação do poço até a cota especificada em projeto. No caso de escavação


manual usa-se uma vanga, um balde e um sarilho para a retirada de terra. Nas obras com
perfuração mecânica o aparelho rotativo acoplado a um caminhão retira a terra.

3) Na fase de escavação pode ocorrer a presença de água. Neste caso, a execução da perfura-
ção manual se fará com um bombeamento simultâneo da água acumulada no poço.

4) Poderá ocorrer, ainda, que alguma camada do solo não resista à perfuração e desmorone (no
caso de solos arenosos). Então, será necessário encamisar a peça ao longo dessas camadas.

5) Faz-se o alargamento da base de acordo com as dimensões do projeto.

6) Verificação das dimensões do poço, tais como: profundidade, alargamento da base, e ain-
da o tipo de solo na base. Certificar-se, também, de que os poços estejam limpos.

7) Colocação da armadura.

8) A concretagem é feita lançando-se o concreto da superfície (diretamente do caminhão


betoneira, em caso de utilização do concreto usinado) usando-se um funil (tremonha),
com o comprimento da ordem de cinco vezes seu diâmetro, de modo a evitar que o con-
creto bata nas paredes do tubulão e se misture com a terra, prejudicando a concretagem.

O concreto se espalhará pela base pelo próprio impacto de sua descarga, porém, durante a
concretagem, é conveniente que se façam algumas interrupções para espalhá-lo, de modo a evitar
que fiquem vazios na massa de concreto.

»» Tubulões com ar comprimido: Esse tipo de fundação é utilizado quando existe água, em
grandes profundidades, e há o perigo de desmoronamento das paredes. Neste caso, a inje-
ção de ar comprimido nos tubulões impede a entrada de água, pois a pressão interna é
maior que a pressão da água, sendo a pressão empregada no máximo de 3 atm, limitando
a profundidade em 30 metros abaixo do nível de água. Isso permite que seja executado
normalmente o trabalho de escavação e concretagem.
O equipamento utilizado, conforme a Figura 10.6, compõe-se de uma câmara de equilí-
brio e de um compressor. Durante a compressão, o sangue dos homens (trabalhadores)
absorve mais gases do que na pressão normal. Se a descompressão for feita muito rapi-
damente, o gás absorvido em excesso no sangue poderá formar bolhas que, por sua vez,
poderão provocar dores e até morte por embolia. Para evitar esse problema, antes de pas-
sar à pressão normal, os trabalhadores devem sofrer um processo de descompressão lenta
(nunca inferior a 15 minutos) numa câmara de emergência.

Fundações 107
Campânula de aço

Viga Cilindro de aço

Estacas prancha

Tubulação de concreto armado

Tacos embutidos
Escada

Argila

Faca
Alargamento da base

Areia

Figura 10.6 - Tubulões com ar comprimido.

As estacas de madeira são troncos de árvores cravados com bate-estacas de pequenas dimen-
sões e martelos leves. Antes da difusão da utilização do concreto, elas eram empregadas quando a
camada de apoio às fundações se encontrava em grandes profundidades. Para sua utilização, é neces-
sário que elas fiquem totalmente abaixo d’água; o nível d’água não pode variar ao longo de sua vida
útil. Atualmente utilizam-se estacas de madeira para execução de obras provisórias, principalmente
em pontes e obras marítimas. Os tipos de madeira mais usados são eucalipto, aroeira, ipê e guarantã.
As estacas metálicas podem ser perfis laminados, perfis soldados, trilhos soldados ou estacas
tubulares. Podem ser cravadas em quase todos os tipos de terreno; possuem facilidade de corte e
emenda; podem atingir grande capacidade de carga; trabalham bem à flexão; e, se utilizadas em ser-
viços provisórios, podem ser reaproveitadas várias vezes. Seu emprego necessita de cuidados sobre
a corrosão do material metálico. Sua maior desvantagem é o custo maior em relação às estacas pré-
-moldadas de concreto, Strauss e Franki.
As estacas pré-moldadas de concreto podem ser de concreto armado ou protendido e, como
decorrência do problema de transporte e equipamento, têm limitações de comprimento, sendo fabri-
cadas em segmentos, o que leva em geral à necessidade de grandes estoques e requerem armaduras
especiais para içamento e transporte. Costumam ser pré-fabricadas por firmas especializadas, com suas
responsabilidades bem definidas, ou no próprio canteiro, sempre num processo sob controle rigoroso.

108 Análise dos Solos


O comprimento de cravação real às vezes difere do previsto pela sondagem, levando a duas
situações: a necessidade de emendas ou de corte. No caso de emendas, geralmente constitui-se num
ponto crítico, dependendo do tipo de emenda: luvas de simples encaixe, luvas soldadas ou emenda
com cola epóxi em cinta metálica e pinos para encaixe, este último tipo mais eficiente.
Quando o comprimento torna-se muito grande, há um limite para o qual não há comprometi-
mento da linearidade da estaca, o que exige certo controle. Por outro lado, quando há sobra, o corte
ou arrasamento deve ser feito de maneira adequada para evitar danos à estaca. Apresentam-se em
várias seções (versatilidade): quadradas, circulares, circulares centrifugadas (SCAC), duplo “T” etc.
As vazadas podem permitir inspeção após a cravação.
O processo de cravação mais utilizado é o de cravação dinâmica, e o bate-estacas utilizado é o
de gravidade. Esse tipo de cravação promove elevado nível de vibração, que pode causar problemas a
edificações próximas do local. O processo prossegue até que a estaca que esteja sendo cravada pene-
tre no terreno, sob a ação de certo número de golpes, num comprimento pré-fixado em projeto.
O processo executivo de cravação emprega como equipamentos um dos três tipos de bate-estacas:
»» Bate-estacas por gravidade: consta, basicamente, de um peso que é levantado por um
guincho e que cai orientado por guias laterais. A frequência das pancadas é da ordem de
dez por minuto, e o peso do martelo varia entre 1,0 a 3,5 ton.
»» Bate-estacas a vapor: o levantamento do peso é feito sob pressão de vapor obtido por uma
caldeira, e a queda é por gravidade. São muito mais rápidos que os de gravidade, com
cerca de quarenta pancadas por minuto, e o peso do martelo de 4,0 ton. Como variante
desse tipo, temos o chamado bate-estacas de duplo efeito, em que a pressão do vapor ace-
lera a descida do macaco, aumentando assim o número de pancadas para cerca de 250 por
minuto.
»» Bate-estacas a explosão: o levantamento do peso é feito por explosão de gases (tipo die-
sel). Esse tipo de bate-estacas está hoje sofrendo grande evolução.
As brocas são estacas executadas in loco, sem molde, por perfuração no terreno com o auxílio
de um trado (15 a 30 cm), sendo o furo posteriormente preenchido com concreto.
Porém, várias restrições podem ser feitas às brocas:
»» baixa capacidade de carga, geralmente entre 4 e 5 tf;
»» há perigo de introdução de solo no concreto, quando do enchimento;
»» há perigo, também, de estrangulamento do fuste;
»» não existe garantia da verticalidade;
»» só pode ser executada acima do lençol freático;
»» comprimento máximo de aproximadamente 6,0 m (normalmente entre 3,0 e 4,0 m);
»» trabalha apenas por compressão, sendo que às vezes é utilizada uma armadura apenas
para fazer a ligação com os outros elementos da construção.
Assim, a broca, à vista de suas características, é usada somente para casos limitados e sua exe-
cução é feita normalmente pelo pessoal da própria obra.

Fundações 109
A estaca Strauss é uma fundação em concreto (simples ou armado), moldada in loco, execu-
tada com revestimento metálico recuperável.
Para sua execução, são empregados os seguintes equipamentos:
» tripé de madeira ou de aço;
» guincho acoplado a motor a explosão ou elétrico;
» sonda de percussão, com válvula para retirada de terra na sua extremidade inferior;
» soquete de 300 kg, aproximadamente;
» tubos de aço com 2,0 a 3,0 m de comprimento, rosqueáveis entre si;
» guincho manual para retirada da tubulação;
» roldanas, cabos e ferramentas.
O processo executivo se inicia com a abertura de um furo no terreno, utilizando o
soquete, até 1,0 a 2,0 m de profundidade, para colocação do primeiro tubo dentado na extre-
midade inferior, chamado “coroa”. Em seguida, aprofunda-se o furo com golpes sucessivos da
sonda de percussão, retirando-se o solo abaixo da coroa. De acordo com a descida do tubo
metálico, quando necessário, é rosqueado o tubo seguinte, e prossegue-se à escavação até a pro-
fundidade determinada.
A estaca Strauss pode ser empregada em locais confinados ou em terrenos acidentados pela
simplicidade do equipamento utilizado. Sua execução não causa vibrações e evita problemas com
edificações vizinhas. Porém, em geral, possui capacidade de carga menor que as estacas Franki e pré-
-moldadas de concreto, e possui limitação por causa do nível do lençol freático.

Amplie seus conhecimentos

Obra em área domiciliar também é motivo de transtorno por vários motivos, entre eles o barulho, entulhos, e sujeira provo-
cada. Entretanto o pior problema, que não é raro, são trincas, fissuras, fendas ou rachaduras nas vizinhanças. Construções
de novos prédios na vizinhança, obras de infraestrutura de porte, como galerias de águas pluviais e de metrô, são geradores
de vibrações, trepidações e modificações no lençol freático. Isso, normalmente, afeta as edificações já existentes.

Algumas trincas podem passar despercebidas por quem utiliza o imóvel; outras, não. Mas a questão é: quando elas preci-
sam ser tratadas como patologias estruturais, e necessitam do acompanhamento de um engenheiro civil? E quando estão
mais relacionadas à manutenção da edificação por causar apenas desconforto estético?

As fissuras são graves quando superam aberturas entre 0,3 mm e 0,4 mm (milímetros).

Do ponto de vista prático do usuário, grave é qualquer fissura que cause infiltrações, desconforto estético ou psicológico.
Do ponto de vista estrutural, 99% das fissuras não causam qualquer redução da capacidade resistente das estruturas, ou
seja, poderiam ser desprezadas. No entanto, se não tratadas, no longo prazo podem dar origem à corrosão do aço das
armaduras e essa corrosão pode vir a reduzir a capacidade resistente da estrutura (Altair Santos, 2013).

As estacas Franki apresentam grande capacidade de carga e podem ser executadas a grandes
profundidades, não sendo limitadas pelo nível do lençol freático. Seus maiores inconvenientes dizem
respeito à vibração do solo durante a execução. Sua execução é sempre feita por firma especializada.
Em situações especiais, sobretudo em zonas urbanas, pode-se atravessar camadas resistentes
em que as vibrações poderiam causar problemas com construções vizinhas, por meio de perfuração

110 Análise dos Solos


prévia ou cravando-se numa primeira etapa o tubo com a ponta aberta e desagregando-se o material
com a utilização de uma ferramenta apropriada e água.
No caso de existir uma camada espessa de argila orgânica mole saturada, a concretagem pode
ser feita de duas maneiras:
»» Crava-se o tubo até terreno firme, enche-se o mesmo com areia, arranca-se o tubo e
torna-se a cravá-lo no mesmo lugar. Deste modo, forma-se uma camada de areia que
aumentará a resistência da argila mole e protegerá o concreto fresco contra o efeito de
estrangulamento.
»» Após a cravação do tubo, execução da base e colocação da armação, enche-se inteira-
mente o mesmo com concreto plástico (slump teste de 8 a 12 cm) e, em seguida, o mesmo
é retirado de uma só vez, com o auxílio de um equipamento vibrador acoplado ao tubo.
A execução desse tipo de estaca segue o seguinte procedimento:
1) Crava-se no solo um tubo de aço, cuja ponta é obturada por uma bucha de concreto seco,
areia e brita, estanque e fortemente comprimida sobre as paredes do tubo. Ao bater com o
pilão na bucha, este arrasta o tubo, impedindo a entrada de solo ou água.
2) Atingida a camada desejada, o tubo é preso e a bucha é expulsa por golpes de pilão e for-
temente socada contra o terreno, de maneira a formar uma base alargada.
3) Uma vez executada a base e colocada a armadura, inicia-se a concretagem, em camadas
fortemente socadas, extraindo-se o tubo à medida da concretagem, tendo-se o cuidado de
deixar no mesmo uma quantidade suficiente de concreto para impedir a entrada de água e
de solo.
A estaca raiz tem pequeno diâmetro concretada in loco, cuja perfuração é realizada por rota-
ção ou rotopercussão, em direção vertical ou inclinada. Essa perfuração se processa com um tubo de
revestimento e o material escavado é eliminado continuamente por uma corrente fluida (água, lama
bentonítica ou ar), que introduzida pelo tubo reflui pelo espaço entre o tubo e o terreno.
Completada a perfuração, coloca-se a armadura ao longo da estaca, concretando à medida que
o tubo de perfuração é retirado. A argamassa é constituída de areia peneirada e cimento, acrescida
de aditivos adequados para cada caso.
A concretagem é feita por um tubo introduzido até o fundo da estaca, por onde é injetada a
argamassa, dosada com 500 a 600 kg de cimento por metro cúbico de areia peneirada, com relação
água/cimento de 0,4 a 0,6. Durante o processo de concretagem o furo permanece revestido. Quando
o tubo de perfuração está preenchido é montado um tampão em sua extremidade superior e se
extrai a coluna de perfuração aplicando-se, ao mesmo tempo, ar comprimido.
A estaca raiz pode ser utilizada nos seguintes casos:
»» em áreas de dimensões reduzidas;
»» em locais de difícil acesso;
»» em solos com presença de matacões, rocha ou concreto;

Fundações 111
»» em solos onde existem “cavernas” ou “vazios”;
»» em reforços de fundações;
»» para contenção lateral de escavações;
»» em locais onde haja necessidade de ausência de ruídos ou de vibrações;
»» quando são expressivos os esforços horizontais transmitidos pela estrutura às estacas de
fundação (muros de arrimo, pontes, carga de vento etc.);
»» quando existe esforço de tração a solicitar o topo das estacas (ancoragem de lajes de sub-
pressão, pontes rolantes, torres de linha de transmissão,etc.).
»» Estacão é a fundação com seção circular, executada por escavação mecânica, com equipa-
mento rotativo, utilizando lama bentonítica e concretada com o uso de tremonha.
A estaca barrete possui seção retangular, executada por escavação, com guindaste acoplado
com “clamshell”, mostrado na Figura10.7, e também utiliza lama bentonítica.
A lama bentonítica é constituída de água e bentonita, sendo esta última uma rocha vulcânica,
cujo mineral predominante é a montimorilonita. No Brasil, existem jazidas de bentonita no Nor-
deste (Bahia e Rio Grande do Norte). Trata-se de material tixotrópico que, em dispersão, muda seu
estado físico por efeito da agitação (em repouso é gelatinosa com ação anti-infiltrante; agitada flui-
difica-se). Seu efeito estabilizante é eficaz quando a pressão hidrostática da lama no interior da esca-
vação é superior à exercida externamente pelo lençol, e a granulometria do terreno é tal que possa
impedir a dispersão da lama.
A coluna de lama exerce sobre as paredes da vala uma pressão que impede o desmoronamento,
formando uma película impermeável denominada “cake”, a qual dispensa o uso de revestimentos.
Ra
ng
len
/Sh
u
tte
rst
oc
k.c
om


Figura 10.7 - Clamshell.

112 Análise dos Solos


A lama bentonítica é preparada em uma instalação especial denominada central de lama, onde
se faz a mistura da bentonita (transportada em pó, normalmente embalada em sacos de 50 kg) com
água pura, em misturadores de alta turbulência, com concentração que varia de 25 a 70 kg de bento-
nita por metro cúbico de água, de acordo com a viscosidade e a densidade que se pretende obter. Na
central há um laboratório para controle de qualidade (parâmetros exigidos pela Norma Brasileira de
Projeto e Execução de Fundações ABNT/NBR 6.122/96).
As estacas barretes possuem as seguintes características vantajosas:
»» rápida execução; capacidade de suportar cargas elevadas;
»» o solo fica livre de deformações, inclusive nas vizinhanças da obra, pois não há vibração;
não é capaz de afetar estruturas vizinhas;
»» o comprimento das estacas é grande e pode ser muito variável (até 45 m, com cargas até
10.000 kN usualmente), além de prontamente alterado conforme conveniência, de furo
para furo do terreno;
»» o solo, à medida que se escava, pode ser inspecionado e comparado com dados de investi-
gação do local, dando um feedback (retroalimentação) para o projeto de fundações;
»» a armadura não depende do transporte ou das condições de cravação;
»» importante quando há solo de grande dureza, que seria capaz de danificar estacas que fos-
sem cravadas ou quando o volume de trabalho é menor e não compensa montagem de
aparelhagem mais complexa (bate-estaca).
Para o barrete, pode-se acrescentar vantagens que sua seção não circular (escavada com “cla-
mshell”) pode representar no layout do edifício. Os pilares que saem do barrete podem ser alargados
em uma direção, se encaixando melhor nos pavimentos de garagem, quando o espaço é restrito. Por
outro lado, possuem as seguintes desvantagens:
»» Os métodos de escavação podem afofar solos arenosos ou pedregulhos, ou transformar
rochas moles em lama, como o calcário mole ou marga.
»» Necessidade de local nas proximidades para deposição de solo escavado.
»» Suscetíveis a estrangulamento da seção em caso de solos compressíveis.
»» Dificuldade na concretagem submersa, pois há impossibilidade de verificar e inspecio-
nar posteriormente o concreto; falta de confiança que oferece o concreto fabricado in situ
(quando for o caso); depois de pronta a estaca, nunca se sabe como estão os materiais que
nela se encontram.
»» Entrada de água pode causar danos ao concreto, caso não tenha ainda ocorrido a pega; a
água subterrânea pode lavar o concreto ou pode reduzir a capacidade de carga da estaca
por alteração do solo circundante; quando a estaca fica abaixo do lençol freático e a veda-
ção inferior da estaca depender apenas do concreto, este deve ser compacto e imperme-
ável (concretos com baixa relação água/cimento); também deve-se tomar cuidado com
possíveis ataques de agentes químicos da água e do solo sobre o concreto.

Fundações 113
10.4 Capacidade de carga
Com a adaptação das principais ideias das Teorias de Plasticidade Clássica desenvolvidas para
solos por Coulomb (1773) e Rankine (1853), e para metais, por Prandtl (1920), Terzaghi (1943)
desenvolveu uma teoria que considera o solo como um material rígido, perfeitamente plástico. As
hipóteses adotadas nessas soluções referem-se ao caso de uma fundação flexível contínua, de base
horizontal, submetida à carga vertical centrada, apoiada em um meio semi-infinito homogêneo e
sem qualquer inclinação do terreno superficial.
A Figura 10.8 mostra o mecanismo de ruptura considerado por Terzaghi para a determinação
da capacidade de carga última do solo (ruptura geral por cisalhamento) no caso de uma sapata cor-
rida rugosa a uma profundidade Df, medida a partir da superfície do terreno. A cunha do solo ABJ
(Zona I) é uma zona elástica. As linhas AJ e BJ formam o ângulo f’ com a horizontal. As Zonas II
são as zonas de cisalhamento radial, e as Zonas III são as zonas passivas de Rankine. As linhas de
ruptura JD e JE são arcos aproximados por uma espiral logarítmica, e DF e EG, linhas retas, AE, BD,
EG e DF formam ângulos de 45° - f’/2 graus com a horizontal. Caso a carga por unidade de área
“qu” seja aplicada à sapata, e a ruptura geral por cisalhamento ocorra, o empuxo passivo Pp atua em
cada face da cunha de solo ABJ. O empuxo passivo deve ter um ângulo de inclinação d’ (ângulo de
atrito das consideradas paredes AJ e BJ, que empurram as cunhas de solo AJEG e BJDF). Nesse caso,
d’ deve ser igual ao ângulo de atrito do solo, f’. AJ e BJ têm o mesmo ângulo de inclinação f’ em
relação à horizontal, sendo vertical a direção do empuxo passivo.

Figura 10.8 - Mecanismo de ruptura considerado por Terzaghi.

114 Análise dos Solos


O empuxo passivo é a soma das contribuições do peso do solo g, da coesão c’, e da sobrecarga
q, sendo Kg, Kc e Kq coeficientes de empuxo de terra, funções do ângulo de atrito f’. Segundo Das,
o cálculo dos coeficientes de empuxo é um processo tedioso e, por essa razão, Terzaghi empregou
um método aproximado para determinar a capacidade de carga última “qu”. Os princípios dessa
aproximação são os seguintes:
1) Se c’ = 0 e a sobrecarga (q) = 0, então qu = qg = 1/2gBNg;
2) Se g = 0 (isto é, solo sem peso) e (q) = 0, então qu = qc = c’Nc;
3) Se g = 0 (isto é, solo sem peso) e c’ = 0, então qu = qq = qNq.
Por meio do método da superposição, ao se considerar os efeitos do peso específico do solo, da
coesão e da sobrecarga, tem-se a equação:

1
qu = q c + q q + q γ = c ’ ⋅ Nc + q ⋅ Nq + γ ⋅ B ⋅ N γ
2

Em resumo, Terzaghi chegou a essas equações fazendo a seguinte consideração: a capacidade


de carga última (qu ou srup) depende do tipo e resistência do solo, da geometria da fundação e da
profundidade de apoio no perfil do subsolo.
Para os solos em que a ruptura pode se aproximar da ruptura local, a equação é modificada, para:

1
qu = c ’ ⋅ N ’c ⋅ Sc + q ⋅ N ’q Sq + γ ⋅ B ⋅ N ’γ S γ
2

Tabela 10.2 - Ruptura geral e local

  Ruptura geral Ruptura local

φ Nc Nq Nϒ N’c N’q N’ϒ

0 5,7 1 0 5,7 1 0

5 7,3 1,6 0,5 6,7 1,4 0,2

10 9,6 2,7 1,2 8 1,9 0,5

15 12,9 4,4 2,5 9,7 2,7 0,9

20 17,7 7,4 5 11,8 3,9 1,7

25 25,1 12,7 9,7 14,8 5,6 3,2

30 37,2 22,5 19,7 19 8,3 5,7

35 57,8 41,4 42,4 25,2 12,6 10,1

40 95,7 81,3 100,4 34,9 20,5 18,8

Fundações 115
Tabela 10.3 - Fatores de forma de sapata
Fatores de Forma
Sapata
Sc Sq Sϒ

Corrida 1 1 1

Quadrada 1,3 1 0,8

Circular 1,3 1 0,6

Vamos recapitular?

Este capítulo mostrou que as fundações devem apresentar resistência adequada para suportar as
tensões causadas pelos esforços solicitantes, assim como o solo necessita de resistência e rigidez apro-
priadas para não sofrer ruptura e não apresentar deformações exageradas ou diferenciais. Os principais
tipos de fundação: rasas (blocos, sapatas, radier e baldrames) e profundas (brocas, estacas e tubulões).
Também foi visto o cálculo da capacidade de carga.

Agora é com você!

1) Quais os tipos de fundações rasas? Comente.


2) Descreva os diferentes tipos de estacas.
3) Comente os processos de execução dos tubulões.

116 Análise dos Solos


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