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Divisor universal

O divisor universal, também conhecido como cabeçote divisor, é um dos principais acessórios da fresadora.
A sua finalidade é a de dividir uma circunferência em n partes iguais.
Assim sendo pode executar-se peças com secções na forma de polígonos regulares quadrados, hexágonos,
executar sulcos regularmente espaçados, canais de lubrificação, dentes de engrenagem, cavidades circulares,
etc.
O cabeçote divisor é composto, (para alem de varias peças), por uma roda de coroa de 40 ou 60 dentes e um
sem-fim de uma entrada.

Roda de coroa

Árvore do divisor Bucha

Punho da manivela

Fig,1

Parafuso sem fim

Prato divisor
Pernas do compasso

Fig,2 Divisor universal


montado na fresadora

1
Os modos de divisão são três: divisão directa (ou simples), divisão indirecta e divisão diferencial.

A divisão directa é feita da seguinte forma:


Com o prato que se encontra solidário com a árvore principal como mostra a fig.3 as divisões são
conseguidas considerando o cociente do número de furos do disco pelo número de divisões a abrir.
Este sistema é muito limitado devido ao pequeno número de furos que normalmente estão contidos no
disco, e por este estar montado na árvore do divisor.
O número de divisões a formar é igual ao número de furos do disco (nº de furos 36) ou por ele divisíveis.

= (número de furos a utilizar)

Disco com 36
orifícios

Fig.3

Exemplo:
Executar um polígono com 6 lados a partir de material redondo desta forma para fazer-se cada
lado do hexágono teríamos que deslocar 6 orifícios.

Executar um polígono com 3 lados a partir de material redondo desta forma para fazer-se cada
lado do triângulo teríamos que deslocar 12 orifícios.

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Divisão indirecta:

Na divisão indirecta é utilizada a relação de redução entre a rotação da manivela e a rotação da peça
permitindo um número de divisões muito mais elevado daquele que se pode obter com a divisão directa.
O mecanismo que permite esta redução encontra-se representado na fig.1

Assim sendo primeiramente tem que se saber a constante do divisor, que poderá ser ou

A constante considera-se como sendo o número de dentes que tem a roda de coroa que é mandada pelo sem-
fim.

Supondo que se tem um aparelho cuja constante é e o numero de divisões a fazer é submúltiplo de 40,

o cálculo das voltas a dar à manivela é relativamente fácil.


Se n é o numero de divisões a fazer, uma vez que uma volta completa da manivela corresponde a um
deslocamento de da peça, para obter n. divisões é necessário girar a manivela vezes e se n é

submúltiplo de 40 a manivela girará um número inteiro de voltas.

Exemplo:
Se quisermos dividir uma peça com 10 divisões, quantas voltas a manivela teremos de dar?

desta forma teremos que dar 4 voltas por divisão.

Neste exemplo observa-se que depois de fazer girar a manivela 10 x 40 = 40 voltas a peça efetuou uma volta
completa.

Para obter um número determinado de divisões, dividiremos a constante do divisor


pelo número de divisões desejado.

Exemplo:
Desejamos obter 33 divisões = 1

Logo teremos de introduzir a agulha no círculo de 33 orifícios e girar a manivela 1 volta mais 7 espaços.

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Em caos muito mais frequentes em que n não seja um submúltiplo de 40 devem-se efetuar na mesma estes
cálculos, considerando que voltas completas na manivela correspondem a frações na rotação da peça.

Assim se a fração é própria, em que n é maior que 40 encontra-se diretamente a fração de


volta que deve efetuar a manivela.

Exemplo:

= dez espaços no disco 19 orifícios.

OUTROS EXEMPLOS DE DIVISÃO INDIRECTA

Executar uma roda dentada cujo nº de dentes é Z = 34

Exemplo: 1

Devia dar-se uma volta completa na manivela e mais de volta, como neste caso não

existe disco com 34 furos é necessário reduzir a fração: = assim como já

temos um disco com 17 furos a resolução será: 1volta, 3 espaços, no disco de 17 furos.

Exemplo: 2

4
Executar uma roda dentada cujo nº de dentes é Z = 22

Devia dar-se uma volta completa na manivela e mais de volta, como neste caso

também não existe disco com 22 furos é necessário reduzir a fração: =

assim como já temos um disco com 33 furos a resolução será: 1volta, 27 espaços, no disco de 33 furos.

Exemplo: 3

Executar uma roda dentada cujo nº de dentes é Z = 66

Neste caso também não existe disco com 66 furos, é necessário reduzir a fração até se obter um

denominador correspondente a uma das fiadas de furos dos discos que possuímos = =

assim temos: 20 espaços no disco 33

Exemplo: 4

Executar uma roda dentada cujo nº de dentes é Z = 68

Neste caso também não existe disco com 68 furos, é necessário reduzir a fração até se obter um

denominador correspondente a uma das fiadas de furos dos discos que possuímos = =

assim temos: 10 espaços no disco 17

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Exemplo: 5

Executar uma roda dentada cujo nº de dentes é Z = 80

Neste caso também não existe disco com 80 furos, é necessário reduzir a fração até se obter um

denominador correspondente a uma das fiadas de furos dos discos que possuímos = = = =

assim temos: 12 espaços no disco 24.

Exemplo: 6

Executar uma roda dentada cujo nº de dentes é Z = 120

Neste caso também não existe disco com 120 furos, é necessário reduzir a fracção até se obter um

denominador correspondente a uma das fiadas de furos dos discos que possuímos = = = =

assim temos: 9 espaços no disco 27.

DIVISÃO DIFERENCIAL

Os métodos anteriormente usados, permitem efectuar um grande número de divisões, mas mesmo assim é
limitado.
Como tal temos que recorrer a divisão diferencial.
A divisão diferencial é utilizada quando se deseja fazer divisões de números primos e maiores que o numero
49, pois não é possível realizar divisões de números primos maiores que 51 através da divisão indirecta.

A divisão diferencial consiste em, se desejarmos obter N divisões, elegemos outro número de divisões N',
com a condição de que este seja possível obter por divisão simples, e depois para compensar calcularmos a
relação R de engrenagens.

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(Em primeiro lugar obtemos a divisão simples, só depois achamos a relação de engrenagens de
compensação).

R = 40 se N’ for menor que N

R = 40 se N’ for maior que N

Exemplo: 1
Executar uma roda dentada cujo nº de dentes é Z = 51

O número de dentes fictícios que vamos eleger será: N’50

= = = =

R = 40 R = 40 R = 40 =

= =

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Exemplo: 2
Executar uma roda dentada cujo nº de dentes é Z = 197

O número de dentes fictícios que vamos eleger será: N’200

= =

R = 40 R = 40 R = 40 =

R= R = = = = =

Aplica-se a roda A de 24 dentes no veio de prolongamento da árvore do divisor, e a roda D de 40 dentes no


veio que move o prato divisor. Fig.4

Para ligar as duas rodas montam-se rodas intermedias na lira.


Monta-se uma roda intermedia quando (N) for superior a e duas se (N) for inferior a (NꞋ).

Se do cálculo resultar um conjunto de 4 rodas. Montaremos uma roda intermedia (NꞋ) for menor que (N) e
nenhuma se (NꞋ) for maior que (N).

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Fig.4

Veio de prolongamento da árvore

Roda A

Manivela
Lira

Disco para divisão


Roda intermedia
indirecta

Roda D Veio que move o prato

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Nomenclatura do cabeçote divisor universal

O divisor está munido com um disco, que tem várias fiadas de furos nos lados A e B, para as diferentes
divisões.
Disco lado A: 15 – 18 – 20 – 23 – 27 – 31 – 37 – 41 – 47
Disco lado B: 17 – 19 – 21 – 24 – 29 – 33 – 39 – 43 – 49

Prato divisor

Também com o divisor, e para alem de vários acessórios tem um conjunto de rodas dentadas para a divisão
diferencial e para a execução de rodas helicoidais.

Rodas dentadas: 24 – 24 – 28 – 32 – 40 – 44 – 48 – 56 – 64 – 72 – 86 – 100

Rodas de muda

Compasso Placa porta agulha


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