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Peers Inc.

: a nova estrutura da relação de consumo na


economia do compartilhamento

PEERS INC.: A NOVA ESTRUTURA DA RELAÇÃO DE CONSUMO NA


ECONOMIA DO COMPARTILHAMENTO
Peers. Inc.: the new structure of the consumption relation in the sharing economy
Revista de Direito do Consumidor | vol. 118/2018 | p. 77 - 126 | Jul - Ago / 2018
DTR\2018\19464

Guilherme Mucelin
Mestrando em Direito do Consumidor e Concorrencial pela UFRGS. Especialista em
Direito Comparado Francês e Europeu dos Contratos e do Consumo pela Université de
Savoie Mont Blanc/França. Especialista em Direito do Consumidor e Direitos
Fundamentais e em Direito Internacional Público e Privado pela UFRGS. Membro dos
grupos de pesquisa CNPq Direito Privado e Acesso ao Mercado e Mercosul, Direito do
Consumidor e Globalização. Coordenador Acadêmico do Grupo de Estudos em Direito do
Consumidor e Globalização – NUDECON-UFRGS. Bolsista CAPES. mucelin27@gmail.com.

Área do Direito: Civil; Consumidor


Resumo: A sharing economy está oportunizando a ascensão de uma nova maneira de
consumir: o consumo compartilhado. Os novos arranjos de consumo, baseados na
tecnologia da internet e na lógica de compartilhamento, modificam a maneira como os
consumidores e os fornecedores se relacionam entre si e uns com os outros, dando azo
ao nascimento de uma nova relação de consumo e a uma nova dinâmica para a
distribuição de ativos no mercado. Objetiva-se, portanto, demonstrar a expansão do
consumo compartilhado, seus princípios e os novos agentes que surgiram e que
desempenham papéis fluidos não mais antagônicos e petrificados em um polo da
relação. Conclui-se, por essa análise, pelo reconhecimento de uma nova relação jurídica
de consumo que, mais que permitir uma adequada proteção aos vulneráveis envolvidos,
possibilita a visualização de um possível novo paradigma para o direito do consumidor
para os desafios que hão de vir.

Palavras-chave: Economia do compartilhamento – Novos papéis dos consumidores –


Novos papéis dos fornecedores – Nova estrutura da relação de consumo
Abstract: The sharing economy is giving rise to a new way of consuming: shared
consumption. The new consumer arrangements, based on internet technology and the
logic of sharing, modify the way consumers and suppliers relate to each other, giving
birth to a new consumption relation and a new dynamic for the distribution of assets in
the market. The objective is, therefore, to demonstrate the expansion of shared
consumption, its principles and the new agents that have emerged and who play fluid
roles, no longer antagonistic and petrified at one pole of the relationship. It is concluded,
through this analysis, the recognition of a new consumer legal relationship that, rather
than allowing adequate protection to the vulnerable involved, allows the visualization of
a possible new paradigm for the consumer law to the challenges that will come.

Keywords: Sharing economy – New consumer roles – New supplier roles – New
consumption relationship structure
Loucos são apenas os significados não compartilhados.

A loucura não é loucura quando compartilhada.


1
(Bauman)
Sumário:

1 Introdução - 2 Expansão do consumo compartilhado - 3 Sistemas do consumo


compartilhado e seus princípios estruturantes e práticos - 4 Peers Inc.: noções dos
agentes da relação de consumo compartilhado - 5 A nova estrutura da relação de
consumo compartilhado - 6 Considerações finais - 7 Referências

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Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

1 Introdução

Presenciamos na era digital uma nova etapa do processo de desenvolvimento jurídico,


social e econômico, marcada pela superação gradativa da lógica de hiperconsumo, que
era pautada pela prevalência da propriedade e pelo acúmulo de bens. Essas atitudes
saturaram o meio ambiente e o mercado em uma sociedade pós-moderna, complexa e
conexa, com crises financeiras e esgotamento ambiental.

Necessitou-se, então, repensar a economia, bem como estabelecer parâmetros


sustentáveis e saudáveis ao capitalismo, cujo fundamento está se transformando,
paulatinamente, do senso de propriedade para o senso do uso e do acesso, ainda mais
quando impulsionado pelo uso da internet e da lógica das redes sociais, que conectaram
e conectam milhares de pessoas – o que antes se tinha como impensável.
Instalaram-se, assim, as condições necessárias para a criação de um consumo baseado
na rede e que se dá, primordialmente, entre pares: o consumo compartilhado, o qual fez
nascer uma linha pontilhada entre o que é meu, o que é seu e o que é nosso.

Com o redescobrimento das formas tradicionais de acesso a bens e serviços, através de


plataformas que asseguram a confiança nas negociações, o compartilhamento no cerne
do consumo se apresenta como uma alternativa para a experimentação das coisas e de
experiências, não se limitando à posse ou à propriedade de ativos, trazendo, também,
novos conceitos, atores e os elementos da pós-modernidade, que acabam por culminar
em uma reviravolta na relação de consumo como a tradicionalmente conhecemos.

Nesse sentido, este artigo se propõe a analisar o funcionamento do consumo em status


de compartilhamento e seus principais agentes, bem como a verificar seus princípios
estruturantes e práticos para, depois, analisar o possível surgimento de uma
(re)nova(da) relação jurídica de consumo, de modo que se torne possível visualizar uma
nova possibilidade de paradigma para o direito do consumidor.

Para tanto, iniciamos com uma reflexão a respeito da relevância da temática para a
economia e a sua expansão, bem como as delimitações conceituais de consumo
compartilhado. Em um segundo momento, analisamos o funcionamento e os princípios
que envolvem esse modelo de consumo sui generis, para que possamos compreender as
interações entre os consumidores, os fornecedores e os demais agentes que estão
inseridos na relação. Por fim, analisaremos os elementos da pós-modernidade e sua
interação com a mudança estrutural que está ocorrendo na própria relação de consumo
por meio dos arranjos compartilhados, de forma a identificar uma nova maneira
elucidativa de categorizar a cadeia de fornecimento.

2 Expansão do consumo compartilhado


2
Vivemos em uma nova era, pós-moderna , em que o alvo das relações comerciais
passou a ser a última esfera independente remanescente da atividade humana: a cultura
3
. Ritos culturais, eventos comunitários, reuniões sociais, artes, esportes, jogos, laços
afetivos e o lazer estão sendo ocupados pela área comercial e monetizados, tornando a
própria cultura o “recurso comercial mais importante, o tempo e a atenção se tornam a
4
posse mais valiosa e a própria vida de cada indivíduo se torna o melhor mercado” .

São tempos de consumerização de valores culturais, como a cooperação e o


5
compartilhamento , de valorização do indivíduo enquanto consumidor, não mais nos
6
moldes do individualismo exacerbado , tampouco na transformação de seres humanos
7
em mercadorias , mas, sim, no empoderamento do consumidor enquanto agente ativo
no mercado de consumo capaz de pôr seu individualismo a serviço de uma nova etapa
da forma de consumir por meio da tecnologia da internet: o consumo compartilhado.

O conceito de consumo compartilhado comporta aspectos multissemânticos, de forma


que, na tentativa de definição, sempre haverá privilégio de um ou outro aspecto de
8
acordo com a ciência a qual analisa este fenômeno . Sua própria nomenclatura sofre
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economia do compartilhamento

diversas alterações de acordo com determinado ponto de vista, existindo, atualmente,


mais de 17 termos que denominam, com maior ou menor intensidade, o fenômeno do
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compartilhamento no mercado de consumo .

Como o enfoque principal é o consumo propriamente dito, prefere-se utilizar neste


trabalho o termo consumo compartilhado em detrimento da famigerada expressão
“economia do compartilhamento”, já que esta abrange não só o consumo juridicamente
reconhecido, mas diversas outras áreas econômicas e sociais que escapam à análise da
nova estrutura da relação de consumo.

Igualmente, cabe frisar que o consumo compartilhado comporta dois modelos: o


relacional, cuja característica principal é a colaboração e a cooperação pura, isto é, sem
que haja fornecedores profissionalmente organizados e sem que as partes envolvidas
almejem lucro; e o comercial, este sim com verdadeiros elementos de uma relação de
consumo, inserida no grande business market global e conectado, na qual haverá um
fornecedor (ou múltiplos), mesmo que escondido, e que será alvo de melhor análise.

O modelo comercial de consumo compartilhado foi definido por Claudia Lima Marques
como “um sistema ‘negocial’ de consumo (collaborative consumption), no qual as
pessoas alugam, usam, trocam, doam, emprestam e compartilham bens, serviços,
recursos ou commodities, de propriedade sua, geralmente com a ajuda de aplicativos e
10
tecnologia online” , de forma que se materializam como “relações de confiança,
geralmente contratuais, a maioria onerosa [...], sendo gratuito o uso do aplicativo, mas
11
paga uma porcentagem do ‘contratado’ ao guardião da tecnologia online” .

Bruno Miragem conceitua o termo como sendo “novos modelos de negócio não mais
concentrados na aquisição da propriedade de bens e na formação de patrimônio
individual, mas no uso em comum – por várias pessoas interessadas – das utilidades
oferecidas por um mesmo bem”, que dá conta “de uma redução de custos e otimização
dos recursos em razão do compartilhamento”, comportando também uma interpretação
cultural, já que “se identifica neste novo modelo favorecido pela Internet uma genuína
12
inspiração de reação ao consumismo e adesão ao consumo sustentável” .

Aglutinando esses conceitos, podemos então definir consumo compartilhado como as


formas tradicionais de troca, empréstimo, doação, venda, compartilhamento e aluguel,
todas redefinidas por meio da tecnologia da informação, da comunicação e da internet,
sendo o canal de comunicação com os consumidores aplicativos e sites, impulsionados
pela mobilidade de smartphones e tablets, envolvendo remuneração direta ou indireta,
de forma que o acesso é prioritário à propriedade. Seus fundamentos são a confiança
entre estranhos e o reconhecimento de capacidade excedente de ativos pessoais dos
consumidores.

Fala-se nesse renovado consumir como redefinido pela internet porque o consumo
compartilhado, em verdade, não é novo. Sustenta-se, inclusive, que esse tipo de
movimento cultural é a gênese do comércio e do consumo primitivo. Já em 1978, o
fenômeno começou a ganhar atenção por Felson e Paeth, que analisavam eventos de
consumo em pequena escala, delimitados espaço-temporalmente, tendo a colaboração
13
como cerne de uma relação entre pessoas próximas . Para esses autores, quando
pessoas vendiam seus itens em garagens ou vizinhos dividiam uma cerveja, por
exemplo, já havia o que denominaram, pela primeira vez na literatura, consumo
colaborativo.

O que é novo e o que oxigena o consumo compartilhado é justamente a conectividade


14
da rede mundial pela formação de redes sociais e de sua escala vertiginosamente
15
crescente , que possibilitaram o deslocamento do compartilhamento e da colaboração
do setor cultural ao setor econômico e que está mudando não só o que consumimos,
mas como consumimos e o modo como nos relacionamos, fazendo nascer uma linha
pontilhada entre o que é meu, o que é seu e o que é nosso.

O motor propulsor do consumo compartilhado foi a crise econômica mundial de 2008,


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economia do compartilhamento

cuja origem remonta aos Estados Unidos, após o colapso da bolha especulativa no
mercado imobiliário devido à falência do banco doméstico de investimentos Lehman
Brothers. A quebra da instituição foi o primeiro passo para que a crise tomasse
16
proporções internacionais, já que a arquitetura financeira internacional é
extremamente interligada e interdependente, com reflexos quase que na totalidade dos
17
países do globo, ocasionando uma “evaporação do crédito” , afetando principalmente o
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mercado de consumo .

Com a retração do consumo generalizada, a população começou a levar em consideração


que a economia e a natureza não mais suportariam o modelo tradicional de consumo
19
baseado no “compra-uso-descarte” . É nesse sentido que Botsman e Rogers afirmam
que as preocupações ambientais e a conscientização dos altos custos do consumismo
20
gradativamente afastam a sociedade do hiperconsumo (baseado na propriedade
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individual e no acumulo intensivo de bens) , fazendo com que ela se torne propensa ao
22
compartilhamento, à agregação, à abertura e à cooperação .

Apesar da visão otimista de que o consumo compartilhado é um estilo de vida e de


consumo sustentável, baseado em valores sociais e culturais, não se pode esquecer de
23
que a motivação primária para a sua perenização é a redução de gastos econômicos ,
sendo certo, contudo, que as consequências indiretas serão necessariamente uma maior
preservação do meio ambiente e a diminuição do consumismo.

Lamberton critica essa renovada forma de consumir, afirmando que ela, em verdade,
não existe, porque, da maneira como se apresenta hoje no mercado de consumo, é
24
somente mais um tipo de produto comercializado . Até mesmo chega a depreciar esse
fenômeno ao estabelecer que é apenas uma moda, uma fase pós-crise, que desacelerará
e desaparecerá, voltando, mais uma vez, o capitalismo feroz e os arranjos tradicionais
25
de consumo a ser dominantes .

Não se pode, contudo, menosprezar os impactos e a proporção que o consumo


compartilhado está tomando (cada vez mais) na sociedade e na economia, já que está
afetando diversos setores do mercado, como o transporte de pessoas, a locação de
automóveis, o compartilhamento de veículos, a hotelaria e até mesmo a indústria
26 27
alimentícia , sem falar no design dos produtos e as consequências jurídicas daí
28
advindas . Com a propensão de franca expansão, tratar o consumo compartilhado como
tendência passageira de nicho é, no mínimo, ignorar milhões de usuários no mundo todo
e, de certa forma, menosprezar os direitos dos consumidores que aderem a essa
relação.

Uma pesquisa realizada pela European Consumer Organization contou com 2.420
pessoas entrevistadas, em quatro países, e apurou que 85% dos entrevistados na
Bélgica estão familiarizadas ou já se utilizaram do consumo compartilhado; em Portugal
e na Espanha, o índice foi de 74%; e, na Itália, 62% das pessoas aderiram a esse
29
modelo de consumo . Nos Estados Unidos, a PricewaterhouseCoopers fez o mesmo
levantamento, apontando que 44% da população utiliza habitualmente o consumo
30
compartilhado .

No Brasil, a Market Analysis, em 2015, entrevistou 905 consumidores de todas as


regiões do País e demonstrou que 1 em cada 5 brasileiros está familiarizado ou já fez
uso do consumo compartilhado, subindo a porcentagem para 42% na classe A, sendo a
forma de trocas ou vendas de produtos usados e os serviços de transporte os mais
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utilizados pelos entrevistados .

Na outra ponta dessa relação, os fornecedores e as organizações tradicionais já estão


adaptando sua linha de produção e de fornecimento à convergência do
32 33
compartilhamento . Na indústria automobilística , por exemplo, os carros já estão
sendo projetados para o uso comum de vários consumidores; até mesmo o setor
imobiliário está se adaptando a essa nova filosofia de consumo, por meio de projetos
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específicos para o cohousing . Na área do comércio, está se tornando comum a prática
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do store in store , que é literalmente uma loja dentro de uma loja, de forma a
compartilhar os custos de manutenção.

Não se fala somente em adaptação de linhas de produção ou de personalização de


serviços tradicionalmente estabelecidos, mas também, e principalmente, da criação de
novos negócios por meio de startups especializadas em tecnologia da informação que
organizam uma nova rede de serviços – até então inexistente – para o propósito do
compartilhamento, disponibilizados por uma plataforma digital, a exemplo da Uber, do
Airbnb e da Zipcar, sendo todas elas intrinsecamente ligadas ao comércio eletrônico.

De acordo com um levantamento feito pela Mesh Directory, no ano de 2014 existiam
mais de 9.000 plataformas colaborativas, e seu valor era aproximadamente US$ 15
bilhões; em 2015, as plataformas valiam US$ 29 bilhões, e estima-se que, para o ano de
36
2025, o montante chegue a US$ 335 bilhões . Esses dados apresentados demonstram
que o consumo compartilhado não é irrelevante aos cenários econômico, social e
jurídico, tampouco se trata apenas de um estilo de vida irrelevante.

Muito embora a forma capitalista de consumismo, pautada no crédito, na publicidade, na


contratação em massa e no acúmulo de propriedade privada ainda prevaleça sobre as
formas de consumo partilhado, é importante destacar que o compartilhamento traz
grande significado prático e econômico ao consumidor, ao meio ambiente e à
comunidade, no sentido de que é muito mais eficiente o esforço em colaboração para
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que interesses tenham convergência e, assim, favorecendo o bem-estar do próprio
consumidor e da sociedade, ao oportunizar o acesso a bens e serviços de custo
naturalmente mais elevados.

3 Sistemas do consumo compartilhado e seus princípios estruturantes e práticos

Para que se compreenda a nova relação jurídica de consumo compartilhado, bem como
se fundamente a crítica à denominação “cadeia de fornecimento”, sem que se configure
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em mera retórica , neste capítulo serão analisados os sistemas do consumo
compartilhado e os princípios que sustentam essa dinâmica, para, então, analisar os
integrantes desse renovado consumir.

Os negócios de consumo compartilhado variam em termos de escala, maturidade e


finalidade, inclusive quanto à obtenção de lucro, sendo possível identificar três modelos
de negócio: o sistema de serviços de produtos, o mercado de redistribuição e os estilos
de vida colaborativos.

O sistema de serviços de produtos é o serviço através do produto, na medida em que se


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baseia na “mentalidade do uso” , cuja característica principal é o pagamento do
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benefício de um produto sem ter de adquirir sua propriedade definitivamente . Logo,
são definidos como “um conjunto comercial de produtos e serviços capazes de atender
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conjuntamente as necessidades do usuário” , envolvendo o aluguel como retribuição
financeira. Fala-se em comercial, na definição proposta, porque os produtos que circulam
nesse tipo de sistema podem ser tanto de propriedade de uma empresa, que põe seus
ativos à disposição dos consumidores para compartilhamento (como a Zipcar), ou de
propriedade privada individual, que são também postos em circulação no mercado de
42
consumo por meio da ingerência das plataformas comercialmente organizadas (a
exemplo da Uber).

Já os mercados de redistribuição diferenciam-se do sistema de produtos porque há,


nesse caso, a transferência da propriedade da coisa, e não necessariamente haverá
contraprestação pecuniária, porque poderá se basear em trocas ou doações, além de ser
43
possível a concretização do negócio envolvendo pontos de fidelização , a exemplo do
que acontece com o site Barterquest. Importante referir que esse tipo de modelo de
negócio tem forte apelo à redistribuição de produtos já usados que não são mais úteis ao
proprietário, como o aplicativo OLX, o que, inclusive, em longo prazo, estima-se que
poderá ter reflexos ambientais e no desenvolvimento do consumo sustentável por
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combater a obsolescência programada .
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Por último, os estilos de vida colaborativos são marcados pela troca ou partilha de ativos
intangíveis, como tempo, espaço, habilidades e dinheiro, incluindo aqui os conceitos de
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crowdsourcing , crowdfunding , crowdlearning , couchsurfing e coworking .

É possível, contudo, identificar em suas diversificadas bases quatro princípios


50 51
estruturantes e três princípios práticos que se correlacionam mutuamente para o
correto funcionamento de determinado sistema do consumo compartilhado, já que,
embora todos sempre presentes, apresentam graus de relevância diferenciados, de
acordo com cada modelo de sistema.

O primeiro princípio, a massa crítica, é um termo advindo da sociologia que é utilizado


para descrever a existência de um impulso suficientemente forte em um sistema para
52
torná-lo autossustentável . “Este conceito é aplicado a diversos campos para explicar
desde reações nucleares em cadeia ao fato de alguns livros tornarem-se campeões de
53
vendas à adoção em larga escala de tecnologias.” Em outras palavras, massa crítica é
a mentalidade de determinado grupo com relação à qualidade e quantidade de
determinada prática, que é suficiente para permitir, propiciar ou sustentar uma ação ou
54
comportamento . Aplicando-se especificamente ao consumo compartilhado, refere-se à
quantidade mínima de mentalidade social que garanta a sua existência.

É vital a massa crítica para esse consumir em dois pontos: primeiro, no que diz respeito
à escolha e, segundo, no que toca à atração de novos usuários. O ato de consumir está
fortemente relacionado com o ato de fazer compras e escolher entre uma enorme
variedade de produtos e serviços. Para que o consumo compartilhado possa competir
com os modelos tradicionais de consumo, deve haver tantas ou mais opções de escolha
55
e de preços para que o consumidor se sinta satisfeito e, assim, repita sua ação . Não
existe um ponto preciso que defina quando determinadas ações atingirão a massa
crítica, já que vai depender do contexto, das necessidades e das expectativas dos
consumidores, de forma que o sistema só será bem-sucedido se as pessoas tiverem
efeitos satisfatórios com suas escolhas, sob pena de insucesso.

A segunda razão da importância da massa crítica é a perenidade de consumidores fiéis e


a atração de outros novos. Fala-se então em sua “prova social”, no sentido de que
outros consumidores serão atraídos a experimentar. “Isso permite que as pessoas, não
apenas os primeiros adeptos, cruzem a barreira psicológica que muitas vezes existe em
56
torno de novos comportamentos.” Cialdini enxerga a prova social como “o
reconhecimento da sobrevivência: estas são as pessoas mais parecidas comigo – nós
compartilhamos as mesmas circunstâncias”, avaliando “menos como pressão dos pares e
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mais como informação dos pares” .
58
O segundo princípio diz respeito à capacidade ociosa ou excedente , muito valiosa em
59
tempos de hiperabundância e, paradoxalmente, de escassez, e é um dos pilares
fundamentais do consumo compartilhado. Entende-se por capacidade ociosa ou
excedente toda aquela potencialidade de determinado ativo que não é utilizada. Dois
exemplos elucidam didaticamente o sentido desse princípio: uma furadeira, comprada
por consumidores sem fins específicos de trabalho, será utilizada somente durante, no
máximo, 13 minutos no período de toda a sua vida útil e, ainda assim, supostamente
60
metade dos domicílios americanos comprou sua própria furadeira . Todo o resto de sua
potencialidade não usada é chamada de capacidade ociosa ou excedente – o que levou o
designer Victor Papanek à elaboração da máxima “quero o buraco na parede, não a
furadeira”. O mesmo acontece com automóveis: ficam parados, em média, 22 horas por
61
dia . Traduz-se, nessa linha de raciocínio, o pensamento de que, cada vez mais,
queremos a utilidade do bem ou do serviço, e não mais a coisa em si. Dito de outra
maneira, queremos a música, e não o CD; queremos nos locomover, e não o automóvel;
queremos o filme, e não o DVD – é a prevalência do acesso em detrimento da
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propriedade .

Esse princípio é facilmente observado em produtos físicos, mas a eles não se restringe.
Ativos menos tangíveis também possuem capacidade excedente, como tempo,
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habilidades, espaço, dinheiro e até mesmo commodities, como a eletricidade . Por si só,
contudo, a capacidade excedente não passa de um valor latente, pois o valor real resulta
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de sua utilização . E é por isso que as plataformas desenvolvidas ganham tamanha
relevância: além de conectar os pares, elas identificam e disponibilizam essa capacidade
excedente de forma aberta (todos têm acesso) ou de forma fechada (alguns têm
acesso), sendo a maneira de tratá-la – a capacidade excedente – essencial ao
funcionamento do sistema.

O terceiro princípio pertine à crença nos bens comuns, que é um “termo aplicado a
recursos que pertencem a todos nós, remonta aos romanos, que definiram determinadas
65
coisas como res publica (que significa “coisas reservadas para o uso público”) , como
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parques, estradas e prédios públicos” , e também “res communis (que significa “coisas
comuns a todos”), como o ar, a água e a vida selvagem, assim como a cultura, os
67
idiomas e o conhecimento público” .

A despeito do que acontece na “Tragédia dos Comuns”, em que a privatização de


espaços comuns era justificada pela lógica de que os recursos compartilhados eram
sujeitos ao uso excessivo e indevido pelos indivíduos, que sempre agirão
individualisticamente em curto prazo, a internet implantou uma nova mentalidade de
comunidade e de alerta a problemas sociais, culturais, econômicos e ambientais, entre
68
outros , demonstrando que a noção de bens comuns são úteis na busca de soluções
para tais problemas, de forma que os consumidores conseguiriam autogovernar e cuidar
de recursos com os quais se importam. Assim, os bens comuns – um conceito nebuloso
para várias pessoas – são o novo paradigma para criar valor e organizar uma
69
comunidade de interesses compartilhados , de forma a gerar um efeito de rede, em que
todos os que aderem ou usam o consumo compartilhado criam valor para outras pessoas
70
.

O último princípio estruturante é a confiança. As plataformas entre pares propiciam a


criação de comunidades descentralizadas e transparentes, de forma a desenvolver essa
confiança. A maioria das formas de consumo compartilhado exige que se confie em
alguém que não se conhece: no compartilhamento de jardins, por exemplo, deve-se
confiar na pessoa para que entre em seu quintal; nos sistemas de caronas ou de
locomoção privada, deve-se confiar não só na habilidade do motorista, mas também na
sua correção de conduta. Para Botsman e Rogers:

No mundo do hiperconsumo, intermediários sempre funcionaram como o ator entre dois


outros atores, preenchendo a lacuna entre a produção e o consumo. Não tínhamos que
confiar uns nos outros porque, de assistentes de vendas a comerciantes, de gerentes a
corretores, de negociadores a mediadores, de agentes a distribuidores, geralmente havia
agentes confiáveis no meio para lidar com as transações e controlá-las. Havia regras
definidas em vigor. Mas o consumo colaborativo elimina a necessidade destes tipos de
intermediários. Com um mercado infinito para trocas diretas entre pares, o papel do
71
intermediário não é mais fiscalizar o comércio.

Como se verá adiante, um dos papéis principais das plataformas – que, adianta-se, não
são meros intermediários – é criar ferramentas e um ambiente propício para que se
desenvolva familiaridade e confiança, tanto no que diz respeito à prestação em si quanto
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no tocante aos deveres de lealdade, boa-fé e proteção das expectativas legítimas . Para
as relações de consumo compartilhado, confiança ganha um renovado preenchimento de
conteúdo semântico e de dinâmica, já que ultrapassa a desconfiança normalmente posta
no comércio eletrônico tradicionalmente conhecido, continuando, contudo, a conquista
73
da confiança sendo a chave do sucesso para esse novo comércio eletrônico
pós-moderno.

Os princípios práticos, por sua vez, são a acessibilidade, a conectividade e a


investibilidade.

A acessibilidade diz respeito à contraposição entre os ativos abertos acessíveis e os


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ativos fechados . Esse princípio está relacionado à maneira de utilização da capacidade
excedente por parte das plataformas, que, de certa forma, organizam essa utilidade em
potencial para comercializá-la. Assim, as plataformas poderão dar três tratamentos
distintos aos ativos (aqui entendidos bens tangíveis, intangíveis e commodities) não
usados na totalidade de sua potencialidade: decomposição, agregação e abertura.

A decomposição é uma expressão que designa o fatiamento de determinado ativo em


parcelas menores, de forma que o consumidor pagará somente pelo tempo utilizado,
como, a Zipcar, que, em vez de a pessoa comprar ou alugar um veículo por, no mínimo,
um dia, ela tem a opção de fazê-lo pelo período correspondente a sua necessidade,
75
mesmo que signifique minutos de uso .

Já a agregação diz respeito à junção de “ativos que individualmente eram pequenos


demais e transformam essa capacidade em algo confiável e uniforme, criando, assim,
76
valor suficiente para valer a pena alavancar esses recursos” . O maior exemplo de
agregação da capacidade excedente é o Airbnb, que permite que as pessoas aluguem
uma casa inteira ou parte dela, isto é, aglutina diversos pequenos ativos individualmente
irrelevantes e os tornam em ativos rentáveis. Assim, “possibilitam aos usuários obter
mais valor de um ativo usando-o de uma maneira mais prática e barata do que seria
77
possível antes” .

A abertura significa disponibilizar esses ativos aos usuários de forma geral. A plataforma
aberta não só oferece a eficiência dos portais de acesso, mas também possibilita a
criação de um novo valor com base nos ativos preexistentes, portanto, são ditas
78
gerativas . Sua estrutura é extremamente minimalista e frugal, devendo haver somente
79
o suficiente para organizar o ativo e nada mais. Na era da informação , é muito comum
que as plataformas abertas sejam também plataformas de dados, a exemplo do Waze ou
do Google Maps, que abrem sua base de dados para colaboração e compartilhamento
entre pares. Assim, “quanto menos rígida e estruturada a plataforma, maior é a
80
inovação. Mais estrutura produz menos variação” .

Em outras palavras, “os ativos abertos proporcionam mais valor do que os ativos
fechados por serem utilizados com mais eficiência e por nos permitirem descobrir
81
continuamente novas e valiosas utilizações” . De tal modo, quanto mais abertos forem
os ativos, assim determinados pela estrutura da plataforma, maior é a acessibilidade e a
possibilidade de criação de novos e melhores produtos e serviços aos consumidores.

O segundo princípio prático, conectividade, diz respeito à sociedade marcada pela


cyberespacialização das relações humanas, em que um quinto da população mundial
82
está migrando para o ambiente virtual diversos setores de sua vida , como as formas
de relacionamentos, de lazer, de consumo, de aprendizado e de comunicação. A
internet, dessa maneira, possibilita divulgação de informações, de conhecimento e
permite a interação entre um impensável número de pessoas, mesmo que se encontrem
geograficamente distantes, por meio das mais distintas formas de redes sociais.

Com a democratização do acesso à internet e o crescimento da interação dos indivíduos,


a noção de consciência coletiva aumentou, tornando o consumo um processo
83
colaborativo e aberto ao longo do tempo, em vez de um processo autônomo fechado ,
de forma que os meios de consumo compartilhado têm ganhado força, justamente
porque os modelos de mercados alternativos estão se popularizando e se impulsionando
por intermédio da web, pela formação de uma verdadeira rede capaz de avaliar as
84
vantagens e desvantagens do sistema .

Nesse sentido, a “Internet inverteu a balança cultural. Os amadores – somando dois


bilhões de pessoas – agora estão no topo, redirecionando a narrativa social das elites
85
profissionais para as massas” . Significa dizer que esse princípio prático se traduz na
ideia de que “um número maior de pessoas é mais inteligente que um número menor de
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pessoas, mas só quando elas estão conectadas em uma rede” .

A investibilidade, como terceiro princípio prático, relaciona-se diretamente com os modos


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pelos quais as plataformas disponibilizam seus ativos, ao entender que os retornos do


investimento inicial individual são mais vantajosos do que o que foi propriamente
investido, seja economicamente, socialmente, ambientalmente, seja até mesmo na
variedade de oportunidades de escolha. Traz um sentimento ao consumidor de
recompensa e reciprocidade, impulsionando-o ainda mais a perenizar o consumo
compartilhado. Isto é, “individualmente, cada pessoa que contribui com ativos a uma
87
plataforma necessariamente recebe mais do que dá” .

Note-se que a interação entre consumidores e fornecedores está presente em todos os


princípios, de ordem fundamental ou de ordem prática, de forma que a análise desses
sujeitos que compõem essa relação de consumo pós-moderna é indispensável para que,
então, se verifique seus impactos na conformação de uma nova estrutura jurídica de
consumo.

4 Peers Inc.: noções dos agentes da relação de consumo compartilhado

A economia do compartilhamento vai de encontro aos conceitos tradicionais e


antagônicos de consumidor e de fornecedor, de modo, contudo, que não lhes retira
significado, mas os renova. É nesse sentido que se conforma o novo (viabilização digital,
modelo de consumo P2P, prevalência do acesso) com o velho (contratos clássicos,
propriedade privada, individualismo), emergindo essa revigorada economia como um
novo desafio ao direito do consumidor por apresentar uma nova estrutura da relação de
consumo, que se estabelece mais complexa, conexa e fluida.

A expressão Peers Inc. denomina justamente essa arquitetura da relação de consumo


diferente da tradicional (com consumidor e fornecedor em polos bem definidos), já que
combina pontos fortes industriais e individuais, antes separados e explorados pelo
mercado. Dessa forma, a Peers Inc. “encontra abundância onde antes existia escassez” e
apresenta um enorme “potencial de criar mudanças em velocidade, escala e qualidade
até então considerados impossíveis. E está encabeçando a transição do capitalismo
88
industrial à economia colaborativa” .

De um lado do consumo colaborativo estão os Peers, que trazem os pontos fortes


individuais, considerados os consumidores e pequenas empresas que entram no
mercado de consumo com seus próprios bens, suas habilidades e demais ativos que
fazem esse renovado consumir crescer e se espalhar. No outro lado, os Inc., existem
pontos fortes industriais, com maior grau de organização profissional, representados por
fornecedores e instituições diversas que alocam recursos, talentos e dinheiro a fim de
promover e padronizar a sharing economy, fazendo emergir economias de escala e
89
criando mercados globais conectados .

A economia do compartilhamento é um novo paradigma que transforma não só a


maneira como consumimos, mas principalmente a interação que se estabelece entre
consumidores e fornecedores. Claudia Lima Marques afirma, inclusive, que esse
renovado consumir não deixa de representar uma crise dos papéis de consumidor e de
90
fornecedor . Indo mais além, a crise não fica adstrita aos papéis somente, mas incide
91
principalmente na própria relação de consumo , de modo a lhe definir uma nova
estrutura.

4.1 A parte Peers: os novos papéis dos consumidores

As dinâmicas do consumo compartilhado mudaram a economia e as posições jurídica e


social do consumidor, o que levou ao questionamento sobre a atualidade de seu próprio
conceito, já que prevalentes as negociações no modelo mercadológico P2P, e não mais
92
B2C somente.

Apesar de não haver uma definição rígida de consumo compartilhado, podendo ser
93
definido por vários parâmetros , como a prioridade do acesso, a viabilização por
plataformas digitais, o sentimento de altruísmo, a aderência ao consumo sustentável e a
aversão ao capitalismo, a depender da área do conhecimento humano, importa observar
Página 9
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

que, nessa relação, o consumidor sempre exercerá dois papéis, que são também
provenientes de uma virada da visão econômica sobre o consumo.

A era digital e a expansão das redes sociais impactaram diretamente nas definições
econômicas de consumidor, por enxergá-lo de forma diferente. Antes, o consumidor era
visto como um elemento passivo do mercado de consumo, de forma que a oferta era
baseada na tentativa de criar e adivinhar os desejos dos indivíduos, “empurrando” o
94
escoamento de bens e serviços, o que se denomina de push-economy .

Agora, por meio do modelo P2P, firma-se a pull-economy ou economia da atração, em


que o protagonista central passa a ser o próprio consumidor, com papel fortemente ativo
e empoderado, já que, através de sua interferência ativa na nova estrutura da relação
de consumo, o mercado entende e incorpora suas necessidades, de forma a, juntos,
organizarem-se para aperfeiçoar e conciliar o fornecimento de produtos e serviços com
95
interesses individuais e, assim, integrando valor aos processos de criação .

A teoria das economias híbridas de Scaraboto bem visualiza esse fenômeno, ao


estabelecer que, nas relações de consumo compartilhado, o consumidor tem capacidade
de trocar papéis, engajar-se em empreendedorismo e colaborar para produzir e acessar
96
recursos . Nesse cenário, as empresas estão mais focadas na esfera privada do
consumidor, isto é, em seus bens, suas habilidades, e em todos os demais ativos com
capacidade excedente que podem ser comercializados na economia do compartilhamento
com o claro intuito de lucro; assim, o consumidor, por vezes, obtém determinado
produto ou serviço e os provém, por outras, não raro desempenhando ambos os papéis
ao mesmo tempo.

A partir dessa permutação fluida de posições que os consumidores podem desempenhar


em determinada relação de consumo, três novos conceitos despontam ao direito do
consumidor: consumidor-usuário, consumidor-provedor e prossumidor, e que também
servirão como critério de diferenciação entre o consumo compartilhado e o consumo
tradicional.

O consumidor-usuário, também chamado na doutrina estrangeira de


97
consumidor-obtenedor , é o indivíduo inserido na sharing economy que procura obter
um recurso ou um serviço fornecido por outro consumidor (o consumidor-provedor)
98
viabilizado por uma plataforma digital ligada à internet que atua profissionalmente . Por
obter implica compra de produtos de segunda mão, usados, recondicionados, doados,
trocados, serviços e produtos em forma de acesso, remunerados diretamente ou
indiretamente, e, em menor extensão, o consumo de produtos reciclados, eco-friendlys,
naturais e veganos.

Já o consumidor-provedor seria o “fornecedor” de um recurso específico, consistindo em


revenda, doação, troca e acesso, por meio igualmente de uma plataforma colaborativa.
Claudia Lima Marques, para designar esse agente do consumo compartilhado, criou a
expressão “fornecedor aparente”, já que faria as vezes de um fornecedor profissional e
99
tradicionalmente estabelecido .

Existem determinados casos em que o consumidor desempenha tanto o papel de usuário


quanto de provedor, agregando ambas funções e definindo o novo conceito de
prossumer, ou, em português, prossumidor.

O termo foi criado por Alvin Tofler, em 1980, na sua obra A terceira onda, quando
100
analisava as separações e interações entre consumo e produção , denominando casa
fase de onda. A primeira diz respeito a um período anterior à industrialização, quando
consumo e produção não eram rigidamente separados, embora já existissem contornos
característicos de cada um. A segunda onda se deu com a separação diametral dessas
funções em sociedades já industrializadas, fazendo nascer as noções antagônicas, mas
complementares, de consumidor e de fornecedor que imperam, embora com menor
força, ainda hoje. Na visão do autor, a sociedade contemporânea não conta como forma
principal de economia nem a produção nem o consumo, mas, sim, o prossumo, que
Página 10
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

101
simboliza a fundição desses conceitos, de forma a caracterizar a terceira onda .

As impressoras tridimensionais contribuirão de forma significativa para que o prossumo


se estabeleça nas próximas décadas. Atualmente, começa a ser observada a utilização
crescente dessa tecnologia no comércio tradicional, com o fornecimento desde próteses
ortopédicas, peças de avião e até mesmo casas. Com a popularização e democratização
102
dessa tecnologia, Rifkin afirma que os custos marginais de produção serão cada vez
mais próximos a zero, com redução de desperdício de matéria-prima, sendo que
praticamente todas as pessoas no mundo poderão se tornar prossumidores, fabricando
produtos para uso próprio ou para colocá-los ao compartilhamento, ao empregar
softwares abertos nessa produção. Portanto, define como prossumidor elucidativamente
103
aquele indivíduo que é ao mesmo tempo consumidor e seu próprio fornecedor .
Igualmente, prossumidor pode ser considerado todo aquele consumidor que, de uma
forma ou de outra, tem algum tipo de ingerência no processo de criação, produção,
perfectibilização ou aprimoramento de determinado bem ou serviço.

O consumo clássico contrasta com esse panorama porque se caracteriza por ser uma
cadeia de fornecimento de recursos unidirecional que envolve consumidores passivos
(consumidores-usuários somente), aos quais não é possível ter alguma ingerência no
fornecimento (portanto nunca consumidores-provedores), tampouco de produzir seus
bens (jamais prossumidores), limitando o papel de consumidor à aquisição de produtos e
serviços baseado em uma lógica de consumidor-comprador-destruidor.

Na economia do compartilhamento, é dada a oportunidade, mais do que nunca, de o


consumidor exercer papéis importantes no fornecimento dos recursos perseguidos, seja
aprimorando e movimentando os ativos comercializados/comercializáveis, seja
colaborando com a parte Inc. ou fornecendo seus próprios ativos nos negócios de
consumo compartilhado e até mesmo produzindo seus bens.

4.2 A parte Inc.: os novos fornecedores e instrumentos de confiança

Para que a sharing economy de escala se estabelecesse e, com isso, ganhasse espaço na
economia mundial, foi preciso uma força motriz que alavancasse e identificasse os ativos
não utilizados em sua potencialidade e garantisse, de alguma forma, a confiança entre
estranhos. Para tanto, são necessários consideráveis investimentos de tempo, talento e
dinheiro – atributos e ativos-chave de grandes entidades organizadas, empresas e
104
instituições que constituem a parte Inc .

A questão central é a concretização do elo entre os consumidores-provedores e os


105
consumidores-usuários ; em outras palavras, o consumo compartilhado só poderá
ocorrer se houver um local de encontro entre os consumidores. “As pessoas (Peers)
escolhem participar de uma plataforma porque uma entidade maior (Inc.) investira
muito tempo e dinheiro transformando algo complexo e dispendioso em algo simples e
106
barato” , sendo seu papel “fazer o que os Peers não tem como fazer ou, em outras
palavras, criar plataformas de colaboração e colocar os ativos da grande empresa,
107
instituição ou governo nas mãos dos Peers participantes, menores e autônomos” .

Tais plataformas tratam aqui justamente dos gatekeepers, que são o locus onde a
economia do compartilhamento acontece, sem o qual não haveria nenhuma relação de
108
consumo – por essa razão, prefere-se referir-lhes como viabilizadores de determinado
modelo de negócio, e não como intermediadores, já que o uso da segunda expressão
109
poderia passar a errônea ideia de que a plataforma seria um mero anúncio ou terceiro
, não fazendo parte dessa relação jurídica, o que não condiz com essa nova dinâmica.

As relações de consumo compartilhado pela internet sempre se utilizam da plataforma


digital que é mantida pelos Inc., que dispõem do espaço e de instrumentos de controle
de oferta e de demanda por intermédio de sites ou aplicativos. Não é apenas um
facilitador, mas sua função é estruturar todo o modelo mercadológico, tendo, na maioria
dos casos, ingerência direta nas obrigações assumidas pelas partes, porque impõe
contratos, aplica penalidades por mau comportamento ou mau uso da ferramenta e
Página 11
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

110
estabelece um ambiente de confiança entre os pares . Dessa maneira, as plataformas
exercem controle razoável sobre o que os participantes podem fazer ou não e
geralmente impõem muitas exigências aos Peers para que possam começar a fazer uso
de do serviço oferecido pelo portal, como o preenchimento de cadastros, apresentação
de atestados de antecedentes criminais e apresentação de fotos de acomodações, por
111
exemplo .

Claudia Lima Marques assegura que nas situações da economia do compartilhamento


está presente um profissional, no exercício habitual de sua atividade, que objetiva lucro,
112
viabilizando o consumo e que constrói o local de encontro dos dois civis . Esse
fornecedor, que nem sempre é de fácil identificação pelos consumidores, foi chamado
pela doutrinadora de “fornecedor-escondido”, já que fica em um subestimado segundo
plano na relação de consumo.

Por esses motivos, o gatekeeper não é aquele que somente intermedeia um negócio,
mas, sim, quem o torna possível e estruturado, de forma a fazer com que mais pares
adiram a esse modelo de consumo. Isso tem implicação direta na qualificação da relação
como sendo de consumo e, assim, atrai a incidência do Código de Defesa do Consumidor
a uma relação que, a priori, seria puramente civil, já que se baseia entre dois “iguais”,
isto é, dois consumidores, (aparentemente) sem a presença de um fornecedor
organizado profissionalmente.

Em outras palavras, estas relações que são de consumo, apesar de poderem estar sendo
realizadas entre duas pessoas leigas e não em forma profissional, deixam-se contaminar
por este outro fornecedor, o fornecedor principal da economia do compartilhamento, que
é organizada e remunerada: o guardião do acesso, o gatekeeper. Isto é, eu só posso
contactar esta pessoa que vai me alugar sua casa ou sofá por uma semana, se usar
aquele famoso aplicativo ou site, só posso conseguir rapidamente um transporte
executivo, se tiver aquele outro aplicativo em meu celular etc. O guardião do acesso
realmente é aquele que abre a porta do negócio de consumo, que muitas vezes ele não
realiza, mas intermedeia e por vezes coordena mesmo o pagamento (paypal, e
eventualmente, os seguros etc.), como incentivos de confiança para ambos os leigos
113
envolvidos no negócio.

O artigo 3º do Código de Defesa do Consumidor estabelece que fornecedor é:

toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os
entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação,
construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de
114
produtos ou prestação de serviços .
115 116
Do mesmo modo, o artigo 5º , combinado com o artigo 15 , ambos da Lei
12.965/2014 (LGL\2014\3339), o Marco Civil da Internet, coloca que tais plataformas se
enquadram indistintamente como provedores de aplicação de internet, exigindo que se
constituam na forma de pessoa jurídica, exerçam atividade de forma organizada,
117
profissionalmente e com fins econômicos .

Desse modo, não restam dúvidas de que o fornecedor-escondido da economia do


compartilhamento, em verdade, é o fornecedor principal que coordena todo o modelo de
negócio e que, assim, atrai para si todos os deveres provenientes da boa-fé e da
118
proteção da confiança e todos os demais deveres relacionados à proteção do
119
vulnerável .

Por esses motivos, mesmo que o consumo compartilhado possa se dar entre pares
off-line, esses sujeitos têm preferência por utilizar as plataformas, que informam,
viabilizam e regulam a relação a que vão aderir, já que o gatekeeper “assume o dever,
ao oferecer o serviço de intermediação ou aproximação, de garantir a segurança do
modelo do negócio, despertando a confiança geral ao torná-lo disponível pela Internet”
120
.

Página 12
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

A característica essencial para o sucesso da sharing economy e, consequentemente, para


121 122
o correto funcionamento e expansão das plataformas colaborativas é a confiança - ,
123
base dos comportamentos sociais ou jurídicos individuais , havendo nesses
comportamentos a crença de uma conduta que seja correta por parte dos demais.

Para Claudia Lima Marques, “as condutas na sociedade e no mercado de consumo, sejam
atos, dados ou omissões, fazem nascer expectativas (agora) legítimas naqueles em
124
quem despertamos a confiança, os receptores de nossas informações ou dados” ,
sendo a confiança “o paradigma novo necessário para realizar este passo adiante, de
125
adaptar nosso atual Direito do Consumidor a este novo modo de comércio” . Na
hipótese de violação, ou na falta de confiança, deverão ser aplicadas sanções e demais
126
consequências .

Especialmente às relações de consumo, a proteção da confiança é tida como fundamento


127
da lógica protecionista conferida ao consumidor e à sua vulnerabilidade , já que,
128
justamente por ser vulnerável, é que o consumidor precisa confiar . Bruno Miragem
ensina que “a proteção da confiança é antes de tudo uma resposta à massificação das
129
contratações e das práticas negociais de mercado” , necessidade esta decorrente da
130
crescente conexidade contratual da sociedade de consumo pós-moderna, que se alia à
despersonalização, desterritorialização e desmaterialização dos contratos de consumo na
131
internet , culminando em uma crise de confiança.

É nesse cenário que emerge a importância das plataformas colaborativas no que pertine
ao desenvolvimento de uma robusta confiabilidade nesse novo comércio eletrônico,
principalmente por meio dos sistemas reputacionais e outros instrumentos que garantam
a segurança no meio de pagamento e no ambiente virtual em geral, inclusive com
sanções aos usuários que desobedecerem às regras de determinado portal. Por esses
motivos, repise-se, mesmo que o consumo compartilhado possa se dar nos moldes
132 133
antigos , os consumidores-pares preferem utilizar a plataforma .

Essa confiança, requalificada para o e-commerce da pós-modernidade, funciona em dois


níveis diferentes: em uma primeira camada, existe a confiança externa, que é aquela
depositada entre os usuários diretamente na plataforma ligada à internet, isto é, os
consumidores confiam no site ou aplicativo colaborativo; em uma segunda camada,
existe a confiança interna, já não mais depositada na plataforma em si, mas na relação
com o outro consumidor-par, já que necessita, na maioria das vezes, para a
concretização do negócio, uma transposição do mundo on-line para o off-line.
Observa-se, contudo, que essas duas camadas de confiança não são desconectadas: ao
contrário, elas formam um sistema circular que vai do consumidor-usuário à plataforma
e da plataforma ao consumidor-provedor, completando seu círculo na confiança
depositada entre consumidor-provedor e consumidor-usuário.

Obviamente, essas camadas de confiança são controladas e estimuladas pela tecnologia


134 135
da informação da qual a plataforma é proprietária , bem como por algoritmos que
analisam todos os dados fornecidos ou disponíveis e conectados na rede para um
resultado muito próximo à realidade. Fala-se aqui dos sistemas reputacionais ou dos
sistemas de ranqueamento e avaliações que são linkados diretamente a um determinado
perfil de usuário e a um produto ou serviço disponível na plataforma colaborativa e
oferecido, de modo geral, ao mercado de consumo.

Em outras palavras, podemos dizer que aderimos a determinado modelo de negócio da


sharing economy quando sabemos que eles são confiáveis, por serem bem avaliados ou
136
por possuírem reviews positivos . No aplicativo Uber, por exemplo, temos o score do
motorista de uma a cinco estrelas, indicando o quanto se pode confiar naquele serviço
137
prestado por determinado motorista-“parceiro” . Contudo, para que essa confiança
seja promovida, é necessário que esses reviews e rankings fornecidos pela plataforma
sejam fidedignos, livres de preconceitos e de manipulações, seja por parte dos usuários,
138
seja por parte da plataforma .

Página 13
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

Avaliando a importância da confiança e dos sistemas de avaliação e reputação para a


sharing economy, Busch afirma que tais sistemas são, em verdade, o coração de
algumas (senão todas) plataformas e, assim, a economia colaborativa deveria também
139
ser chamada de “economia reputacional” . Esses sistemas possuem diversos tipos de
funcionamento, variando de acordo com cada plataforma visitada, e tem como intuito
específico fornecer e disseminar informações sobre o comportamento dos
consumidores-pares e a confiabilidade da plataforma ou qualidade de determinado
produto ou serviço em uma pluralidade de transações realizadas no aplicativo ou no site.
140
Como consequência direta, a assimetria de informações , muito presente nas
dinâmicas do consumo compartilhado, é diminuída, seja com relação ao produto, ao
serviço ou ao consumidor, de modo que, se existirem muitas avaliações negativas, o
perfil portador desse ranking poderá ser punido de alguma forma ou até mesmo excluído
141
do portal , tudo de acordo com as regras de funcionamento de cada plataforma.
Estudos empíricos comprovam que uma avaliação favorável reflete diretamente no
142
sucesso de venda do produto ou do serviço , ou seja, significa dizer que reviews
positivos ou negativos geralmente se traduzem em altas ou baixas taxas de
concretização de negócios on-line, respectivamente.

Visto de outra forma, os sistemas reputacionais também dizem respeito a um sistema de


controle social e de política pública por meio de transmissão de informações, de forma a
143
incentivar as boas práticas no mercado de consumo por parte de todos . Com esse
panorama, é possível identificar que a própria configuração da confiança também se
modificou em razão dos agentes que compõem o consumo pelo status do
compartilhamento, inclusive modificando a arquitetura da relação de consumo como a
tradicionalmente conhecemos: de polarizada e unidirecional, para pluralista e
polidirecional.

5 A nova estrutura da relação de consumo compartilhado

O meio da era tecnológica está remodelando e reestruturando os padrões de


interdependência social, os aspectos da vida pessoal e, principalmente, a forma como
144
nos relacionamos com “os outros”, claramente aludindo a uma liquidez de vínculos,
conceitos e comportamentos, o que leva à necessidade de reconsiderar e reavaliar cada
145
conceito ou definição tidos como sólidos .

Essa “visão do outro” não é mais do outro como um terceiro, mas como parte de um
projeto conectado global, que facilita a formação de verdadeiras redes, o que faz cultivar
uma “nova estrutura social [...] composta das redes de produção, poder e experiência,
que constrói uma cultura da virtualidade nos fluxos globais que transcende o tempo e o
espaço”, cuja lógica “gradualmente transcende e subjuga formais sociais preexistentes”
146
.
147
O consumo, como prática cultural e social , não está imune a essas mudanças trazidas
pela tecnologia e pela internet: inserção de novos e renovados agentes, servicização de
148 149
produtos , internet das coisas , inteligência artificial, dinâmicas diferenciadas da
confiança e a própria virtualização das relações – tudo determina uma estrutura também
juridicamente diferente à relação de consumo.

É nesse sentido que a definição de comércio eletrônico, como “uma das modalidades de
contratação não presencial à distância para a aquisição de produtos e serviços através
150
de meio eletrônico ou via eletrônica” , qualificado como todas as atividades que
tenham por fim o intercâmbio, por meios virtuais, de bens físicos e digitais ou imateriais
151 152
, estabelecendo-se primordialmente entre fornecedores e consumidores , evidencia
uma visão limitada sobre o fenômeno da sharing economy.

Partindo da análise dos elementos da pós-modernidade no direito, conforme proposto


153
por Erik Jayme , pode-se verificar no comércio eletrônico compartilhado que a
154
exatidão dos conceitos e das posições não é mais estratificada , sendo hoje fluidas,
Página 14
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

complexas e até mesmo confusas.

O primeiro dos elementos é o pluralismo, que se manifesta na multiplicidade de fontes


legislativas a regular o mesmo fato, no pluralismo de sujeitos a proteger (muitas vezes
difusos, como os próprios consumidores) e na pluralidade de agentes ativos de uma
155
mesma relação, como os fornecedores . Existe, no consumo compartilhado, ainda mais
enfaticamente do que nas relações de consumo tradicionais, essa noção de pluralismo:
basta observarmos os gatekeepers, os consumidores-usuários, os
consumidores-provedores, os prossumidores, os administradores de redes sociais, as
156
companhias seguradoras e os garantidores de crédito.

Visto sob outra ótica, esse renovado consumir estrutura-se no modelo mercadológico
157
P2P, ou seja, de consumidor a consumidor , e, para tanto, é imprescindível também
uma multiplicidade de vínculos e de contratos entre os fornecedores, o que se traduz no
158
fenômeno da conexidade contratual . Claudia Lima Marques define a conexidade
contratual como

o fenômeno operacional econômico de multiplicidade de vínculos, contratos, pessoas e


operações para atingir um fim econômico unitário e nasce da especialização das tarefas
produtivas, da formação redes de fornecedores no mercado e, eventualmente, da
159
vontade das partes .

A conexidade exsurge de uma causa econômica que faz com que uma série de vínculos
160
individuais funcione como um sistema . Nos ensinamentos de Claudia Lima Marques,

A visão da conexidade contratual das operações econômicas intermediárias e anexas ao


consumo complexo de produtos e serviços dos dias hoje é uma necessidade. Os
contratos conexos são aqueles cuja finalidade é justamente facilitar ou realizar o
consumo. O aplicador do CDC deve estar atento para o fenômeno da conexidade, pois a
uma visão real e socialmente útil da multiplicidade e complexidade das relações
contratuais pós-modernas pode-se apor uma visão formalista e reduzida, a impedir a
realização da função social dos contratos. Mister, portanto, ao analisar as relações
cativas e de longa duração, analisar também os chamados ‘atos de consumo por
conexidade’ ou relações de consumo acessórias, que também podem durar no tempo e
161
ser instrumentos de fática catividade dos consumidores, apesar de pontuais.

Embora a conexidade já fosse visualizada pelos artigos 34 e 52, ambos do CDC


(LGL\1990\40), deve-se destacar que o Projeto de Lei 3515/2015, em tramitação na
Câmara, embora focado no superendividamento e no crédito, traz uma norma a respeito
162
dessa conexão contratual em seu artigo 54-F , o qual estabelece que são conexos,
coligados, interdependentes, entre outros, o contrato principal de fornecimento de
produto ou serviço e os contratos acessórios de crédito que lhe garantam o
financiamento.

Portanto, é mais que nítida a visualização do elemento da pluralidade no que tange ao


consumo compartilhado, tanto de atores quanto de contratos, vínculos e normas
aplicáveis, inclusive já sendo alvo de preocupações legislativas ao redor do mundo.

O segundo elemento é a comunicação, considerado como o valor máximo da


pós-modernidade, já que, associada à valorização extrema do tempo e do direito como
163
instrumento de comunicação e de informação, legitima o direito e a justiça . A
comunicação

manifestar-se-ia na valorização do passar do tempo nas relações humanas, na


valorização do eterno e do transitório, da necessidade de fixar/congelar momentos e
ações para garantir a proteção dos mais fracos e dos grupos que a lei quer privilegiar” e
164
na “internacionalidade das relações jurídicas .

Para Klee, uma das consequências mais visíveis da comunicação é a integração


econômica oportunizada pela internet (através de computador, tablet ou smartphone),
Página 15
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

que permitiu ao consumidor atuar em diferentes mercados em diferentes regiões e com


diferentes pessoas e não só fornecedores. “Dessa atuação global surge a dúvida de como
será protegido, resguardado em sua saúde, em sua segurança, em sua dignidade, o
consumidor que se relaciona com seus fornecedores de produtos e serviços através da
165
rede” . Inclusive, a comunicação favoreceu uma interação cultural sem precedentes, já
que ela não se refere somente às formas de progresso técnico e tecnológico e à
velocidade de transmissão de informações, mas também à comum vontade de se
comunicar.

Percebe-se intrínseca relação entre pluralismo e comunicação, já que a necessidade


(bem pós-moderna) de trocar experiências e conhecimentos entre os diversos agentes
da sociedade de consumo fomenta a comunicação, a fim de formar uma grande e única
rede de sociedade sem limitações ou fronteiras. E é justamente nesse contexto que a
interatividade e a conectividade aparecem como elementos caracterizadores do consumo
compartilhado entre pares, que são aproximados em um locus específico de encontro.

Klee já previa uma nova interação da comunicação com o mercado de consumo no


século XXI: “a Internet vem desempenhando o papel de aproximadora, uma vez que
166
representa um novo meio de estabelecer vínculos entre consumidores e fornecedores”
. Talvez não tenha sido proposital, mas a análise gramatical da sentença colocada
revelou uma futurologia que se concretizou: ao se utilizar dos termos consumidores e
fornecedores no plural, permite-se uma interpretação correta do consumo
compartilhado, já que se dá, evidentemente, entre consumidores e fornecedores (todos
no plural, evidenciando o pluralismo).

O aspecto de valorização temporal também ganha relevância na análise do elemento da


comunicação à sharing economy. A velocidade do mundo digital, baseada em sentidos –
167
imagens, ícones, vídeos, músicas, efeitos sonoros – não comporta processos lentos e
demorados, sendo que a própria contratação eletrônica tem que ser intuitiva, por mouse
168 169
, por click .

O elemento da narração origina-se na comunicação e é consequência do impulso ao


contato e à informação que permeia a ciência do direito e as próprias normas do
ordenamento jurídico. Assim, há um novo método de elaborar normas jurídicas: não
serão apenas reguladoras de condutas, mas, sim, que verdadeiramente tornem claros
seus objetivos, isto é, as normas narram seus princípios, suas finalidades e positivam os
objetivos do legislador, auxiliando na interpretação teleológica e no efeito útil dessas
normas.

O método tradicional de elaboração legislativa, impositivo de condutas, está sendo,


dessa maneira, superado, já que não é capaz de assegurar com efetividade que os
objetivos propostos pela norma sejam alcançados. “Assim o legislador passa a esclarecer
seu próprio objetivo (ratio legis), ajudando e fixando a interpretação da norma no
futuro, como normas narrativas, que iluminam a interpretação, mesmo que não
170
cogentes” .

Nesse sentido, Bruno Miragem questiona-se se há necessidade de regulação específica


171
do consumo compartilhado (que poderia trazer como efeito severos empecilhos e
barreiras às inovações tecnológicas e, principalmente, ao bem-estar do consumidor) ou
172
se o método do diálogo das fontes entre as normas narrativas do Código de Defesa do
173
Consumidor , o Marco Civil da Internet e demais normas pertinentes ao tema seriam
suficientes para proteger o vulnerável na relação de consumo.

Veja-se, por exemplo, a recente aprovada Lei 13.640, de 26 de março de 2018


(LGL\2018\2400), que altera a Lei 12.587, com o propósito de regulamentar o
transporte remunerado privado individual de passageiros. A lei define os serviços de
transporte privado individual como um serviço remunerado de transporte de
passageiros, “não aberto ao público, para a realização de viagens individualizadas ou
compartilhadas solicitadas exclusivamente por usuários previamente cadastrados em
Página 16
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

174
aplicativos ou outras plataformas de comunicação em rede” .

Para além da conceituação proposta, a norma estabelece competência exclusiva dos


municípios e do Distrito Federal para regulamentar e para fiscalizar esse serviço,
devendo esses entes seguirem como diretrizes a eficiência, a segurança e a efetividade
da prestação de serviço. Deverão as municipalidades, nesse sentido, cobrar tributos,
exigir a contratação de seguro de Acidentes Pessoais de Passageiros, de Seguro
Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres,
bem como a inscrição do motorista como contribuinte individual do Instituto Nacional do
Seguro Social. Ainda, deverá constar da carteira de habilitação do motorista a
informação de que exerce atividade remunerada (o que, adianta-se, é um problema,
haja vista que existe grande rotatividade dos motoristas, ou seja, a maioria não encara
como uma profissão); também, deverá ser apresentada certidão negativa de
antecedentes criminais, entre outros. A falta de qualquer desses atributos configurará a
175
atividade como transporte ilegal de passageiros, com as cominações legais impostas .

Na prática, aumentará a burocracia, ao passo que milhares de motoristas parceiros e


suas famílias perderão sua fonte de renda e o consumidor ficará sem o direito de
escolher o que é melhor para si, perante a cobrança de tributos que, certamente,
acarretará aumento de preço na prestação do serviço. Há evidente contraste com o
elemento da narração, haja vista que as normas não mais prescrevem condutas, mas
orientam o sentido de proteção.

O quarto elemento, retorno aos sentimentos, é a volta de certa emocionalidade no


discurso jurídico, de um lado, e o imponderável, no outro, já que existe uma constante
procura de novos elementos sociais, ideológicos e/ou de fora do sistema que possam
176
influenciar o direito . O consumo compartilhado, nesse sentido, traz à tona à ciência
jurídica tais elementos sociais e econômicos que ensejam uma mudança na percepção
do direito do consumidor em si, com a dinamização da confiança, o sentimento renovado
177
de consciência coletiva, a valorização do acesso e o retorno ao tribal-global . Todos
esses fatores que são, a priori, externos ao direito, integram-se à ordem legal, fazendo
com se internalizem na racionalidade jurídica por meio de sua linguagem.

Por fim, Erik Jayme considera que os direitos humanos são os novos e únicos valores
seguros para se utilizar nesse caos legislativo e desregulador, de múltiplas codificações e
microssistemas, de leis especiais privilegiadoras e de leis gerais ultrapassadas. Os
direitos humanos são, então, considerados valores-guia, normas fundamentais,
consubstanciadas no direito pátrio pelo Constituição Federal (LGL\1988\3), com um
178
papel pro homine , especialmente na proteção do consumidor, seja ele do comércio
tradicional, seja ele componente da economia do compartilhamento.

Todos os elementos, relacionados a esse novo consumir, criaram as condições


necessárias para o surgimento de um comércio eletrônico pós-moderno: o we-commerce
179
, caracterizado por se utilizar da arquitetura do comércio eletrônico tradicional, mas
com a nova roupagem da colaboração e conexão entre pares, configurando uma relação
de consumo mais dinâmica, descentralizada, com novos e diversificados atores, que
modificam a estrutura da relação de consumo.

O consumo compartilhado, nesse cenário, forma relações que são, no mínimo,


triangulares, haja vista a presença dos consumidores-usuários,
consumidores-provedores e dos gatekeepers, quando não raro estarem presentes
180
também instituições garantidoras de crédito (como o PayPal e o PagSeguro) e
seguradoras. Note-se aqui que a conformação da cadeia de fornecimento já não é a mais
adequada para explicar e visualizar a conexidade contratual existente entre todos,
tampouco para enxergar o fluxo circular de confiança existente nas relações de consumo
compartilhado, já que a expressão apresenta uma ideia fechada, linear e unidirecional,
no sentido de que o produto ou serviço, uma vez consumidor, desaparece do mercado
de consumo.

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Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

Claudia Lima Marques defende a ideia de que seja o conjunto de fornecimento


denominado de rede ou teia de fornecimento, no sentido de dar visibilidade a todos os
agentes da nova relação de consumo, o que não acontece com frequência na ideia de
181
cadeia . Contudo, o movimento que a confiança necessariamente tem de realizar para
o funcionamento da economia do compartilhamento, bem como o movimento dos
recursos e dos próprios atores, não parece estar em consonância com rede ou teia,
porque, como visto, a confiança é circular entre todos os agentes, e não conexa entre
um e outro agente da relação de consumo.

Circular também é o emprego dos ativos na economia do compartilhamento. Uma vez


postos à disposição nas dinâmicas do consumo compartilhado, os recursos transacionam
pelo mercado de consumo novamente, sempre em uma relação cíclica, até que se esgote
sua vida útil, passando necessariamente por consumidores-usuários,
consumidores-provedores, plataformas e os demais agentes, inclusive fomentando a
182
responsabilidade dos consumidores na logística reversa .

Assim, a estrutura da relação de consumo compartilhado apresenta-se de forma não


mais retilínea, em cadeia, mas, sim, circular, de modo que a sua arquitetura justifica a
nomenclatura “sistemas de circulação e consumo de recursos” para designar a relação
de consumo em relação à cadeia/teia/rede de fornecimento – expressão abrangente que
contempla os aspectos “espaciais” e dinâmicos tanto da disposição dos agentes quanto
da movimentação dos ativos nessa estrutura, bem como a dinamicidade e o fluxo que a
confiança adquire.

Mas não só: a visualização dessa nova estrutura da relação de consumo compartilhado
permitirá a evolução da lógica na qual o direito do consumidor foi erigido, da
patrimonialidade, de polos opostos e da perenidade estática dos papéis dos agentes, que
não se mostra mais suficiente para tutelar os consumidores pós-modernos como se
mostrara no passado recente.

6 Considerações finais

O consumo compartilhado, como se apresenta hoje, não é uma mera tendência de nicho
ou uma reação do pós-crise: é uma forma renovada de consumo redefinida pela internet
e que conecta diretamente consumidores, muitos dos quais se tornam ainda mais
vulneráveis pela ambiência virtual e pelo exercício do controle da plataformas sobre a
relação jurídica, as negociações, as condições contratuais, eventuais punições e também
sobre os sistemas de reputação, rankings e avaliações.

Independentemente da denominação que se dê aos consumidores desse modo de


consumo, mesmo que se estabeleça entre pares, importa reconhecer que são sujeitos de
direitos, vulneráveis, dignos de tutela e de proteção do direito do consumidor, ainda
mais porque existem fornecedores escondidos que organizam toda a trama de
fornecimento, garantem a segurança das transações, aplicam sanções, organizam a
oferta e a demanda e servem, ainda, de locus para que esse consumo possa acontecer –
o que continua deixando a relação de consumo desigual e assimétrica. É que, com o
avanço acelerado dos métodos de consumo compartilhados, faz-se necessário o
reconhecimento e a manutenção da proteção dispensada aos agentes, em especial aos
consumidores.

O consumo compartilhado, entranhado aos elementos da pós-modernidade, modificou


também a maneira como os consumidores e os fornecedores se relacionam uns com os
outros e entre si, modificando também a relação de consumo tradicional. Revigorou-se,
dessa maneira, a importância e a dinâmica da confiança nas negociações, do mesmo
modo que se oportunizou o nascimento de um novo comércio eletrônico – o
we-commerce –, baseado no sentido de comunidade, de conectividade e de
comunicação, o que alterou os esquemas de fornecimento não mais chamados de
cadeia, mas, sim, de “sistemas de circulação e consumo de recursos”, por passarem uma
ideia circular e de movimento, seja dos ativos, seja do fluxo de confiança depositada
Página 18
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

nessas relações plúrimas.

É nesse sentido que o paradigma de antagonismo e de estaticidade, baseado na noção


de propriedade, estabelecido na relação entre consumidor e fornecedor sob o qual o
direito do consumidor foi construído precisa ser repensado para, no futuro, termos um
paradigma dinâmico, fluido, baseado no acesso, fundamentado não só em propriedade,
mas também nos interesses existenciais dos sujeitos envolvidos e que atenda às
complexidades cada vez maiores presentes no mercado.

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4 RIFKIN, Jeremy. A era do acesso: a transição de mercados convencionais para


networks e o nascimento de uma nova economia. Makron Books, 2001. p. 9.

5 “Remunera-se aquilo que antes era “uma carona”, “uma hospedagem de final de
semana de parentes dos amigos”, uma cortesia (usar a furadeira do vizinho, a vaga
extra da garagem, a churrasqueira do amigo em dia de aniversário), transformando em
economia o que era realmente gratuito” (MARQUES, Claudia Lima. A nova noção de
fornecedor no consumo compartilhado: um estudo sobre as correlações do pluralismo
contratual e o acesso ao consumo. Revista de Direito do Consumidor, São Paulo, v. 111,
maio-jun. 2017. p. 253).

6 GHERSI, Carlos Alberto. La posmodernidad jurídica: una discusión abierta. Ediciones


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7 Veja: BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em


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9 LAMBERTON, Cait. Colaborative consumption: a goal-based framework. Current


Opinion in Psychology, s.l., v. 10, 2015. p. 147-151.

10 MARQUES, Claudia Lima. A nova noção de fornecedor no consumo compartilhado: um


Página 24
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

estudo sobre as correlações do pluralismo contratual e o acesso ao consumo. Revista de


Direito do Consumidor, São Paulo, v. 111, maio-jun. 2017. p. 249.

11 MARQUES, Claudia Lima. A nova noção de fornecedor no consumo compartilhado: um


estudo sobre as correlações do pluralismo contratual e o acesso ao consumo. Revista de
Direito do Consumidor, São Paulo, v. 111, maio-jun. 2017. p. 249.

12 MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 6. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2016. p. 561.

13 FELSON, Marcus; SPAETH, Joe L. Community structure and collaborative


consumption: a routine activity approach. American Behavioral Scientist, Illinois, v. 21,
n. 4, 1978. p. 618.

14 COGO, Denise; BRIGNOL, Liliane Dutra. Redes sociais e o estudo de recepção da


Internet. MATRIZes, São Paulo, v. 4, n. 2, jan.-jun. 2011. p. 85.

15 Para se ter uma ideia do rápido crescimento do consumo compartilhado, o aplicativo


Uber completou 1 bilhão de viagens no mundo inteiro em 24 de dezembro de 2015.
Apenas seis meses depois, em junho de 2016, atingiu a marca de 2 bilhões de corridas
(UBER Newsroom. Fatos e dados sobre a Uber. Disponível em:
[https://newsroom.uber.com/brazil/fatos-e-dados-sobre-a-uber/]. Acesso em:
29.09.2017).

16 Chama-se, na literatura especializada, “efeito de contágio” a possibilidade de que


todo o sistema financeiro acabe se “contaminando” por uma falha que pode ser
individualmente originada, tudo em razão do grau de conectividade e interdependência
que existe hoje entre as instituições financeiras (CRANSTON, Ross. Principles of banking
law. Oxford: Oxford University, 2002. p. 66).

17 GABRIEL, Luciano Ferreira; OREIRO, José Luís da Costa. Fluxos de capitais,


fragilidade externa e regimes cambiais: uma revisão teórica. Revista de Economia
Política, v. 28, n. 2, 2008. p. 345.

18 SILBER, Simão Davi. A economia mundial após a crise financeira de 2007 e 2008.
Revista USP, n. 85, 2010. p. 91.

19 “Quando a grande recessão chegou em 2008, alguns especialistas e economistas


anunciaram o fim do consumismo, enquanto alguns sugeriram que os consumidores
precisavam ser estimulados a comprar novamente. De qualquer maneira, eles
supuseram que o modelo tradicional de consumismo, aquele em que compramos
produtos, os utilizamos, os jogamos fora e depois compramos mais, continuaria
existindo, ainda que em menor escala. Embora a solução ‘gastar mais, consumir mais’
funcione no curto prazo, ela não é nem sustentável nem saudável” (BOTSMAN, Rachel;
ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo vai mudar o nosso
mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p. xvii).

20 “Hiperconsumo: um consumo que absorve e integra parcelas cada vez maiores da


vida social; que funciona cada vez menos Segundo o modelo de confrontações
simbólicas caro a Bourdieu; e que, pelo contrário, se dispõe em função de fins e de
critérios individuais e segundo uma lógica emotiva e hedonista que faz que cada um
consuma antes de tudo para sentir prazer, mais que para rivalizar com outrem”
(LIPOVETSKY, Gilles; CHARLES, Sébastien. Os tempos hipermodernos. São Paulo:
Barcarolla, 2004. p. 25-26).

21 MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 6. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2016. p. 38.

Página 25
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

22 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
xviii.

23 MARQUES, Claudia Lima. A nova noção de fornecedor no consumo compartilhado: um


estudo sobre as correlações do pluralismo contratual e o acesso ao consumo. Revista de
Direito do Consumidor, São Paulo, v. 111, maio-jun. 2017. p. 253.

24 LAMBERTON, Cait. Consumer sharing: collaborative consumption, from theorical roots


to new opportunities. Cambridge handbook of consumer psychology, Cambridge, s.p.,
2015.

25 LAMBERTON, Cait. Consumer sharing: collaborative consumption, from theorical roots


to new opportunities. Cambridge handbook of consumer psychology, Cambridge, s.p.,
2015.

26 MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 6. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2016. p. 561.

27 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
155-165.

28 MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo


regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. p. 217.

29 BEUC – THE EUROPEAN CONSUMER ORGANIZATION. Collaborative economy: BEUC


position, 2016. Disponível em:
[www.beuc.eu/publications/beuc-x-2016-030_gbe_collaborative_economy_beuc_position.pdf].
Acesso em: 27.04.2017.

30 PRICEWATERHOUSECOOPERS. The sharing economy – Consumer intelligence series,


2015. Disponível em:
[www.pwc.com/us/en/technology/publications/assets/pwc-consumerintelligence-series-the-sharing-econ
Acesso em: 12.06.2017.

31 As cidades nas quais foi realizada a pesquisa foram São Paulo, Rio de Janeiro, Belo
Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Goiânia, Belém e Manaus
(MARKET ANALYSIS. O consumo colaborativo e o consumidor brasileiro, 2015. Disponível
em:
[http://marketanalysis.com.br/wp-content/uploads/2017/04/2015-Market-Analysis-O-consumo-
olaborativo-e-o-consumidor-rasileiro.pdf]. Acesso em: 05.06.2017).

32 Algumas montadoras de automóveis, como a BMW, já começaram a ajustar sua linha


de produção para atender aos anseios do consumo compartilhado. Em 2010, na
Alemanha, a marca lançou o “BMW on demand”, que permite o aluguel temporário de
um veículo (BMW. BMW on demand. Disponível em:
[www.bmw-welt.com/en/bmw_on_demand/]. Acesso em: 19.09.2016).

33 Sobre o tema, Jeremy Rifkin se utiliza de interessante indagação: “Que feições teria o
mundo de hoje se Henry Ford houvesse concebido o automóvel como um serviço – e os
tivesse “alugado”, ao invés de vendê-los como produtos? O automóvel assumiu o
significado do principal indicador de medida do êxito pessoal na sociedade moderna.
Para uma grande maioria, o automóvel representa o batismo de sua introdução no
mundo adulto da era da propriedade. Uma forma de demarcar uma identidade e seu
lugar na sociedade (especialmente para os jovens). Um ícone. Um rito de passagem” e
prossegue afirmando que “as empresas estão revolucionando designs de produto para
refletir a nova ênfase nos serviços” (RIFKIN, Jeremy. A era do acesso: a transição de
Página 26
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

mercados convencionais para networks e o nascimento de uma nova economia. Makron


Books, 2001. p. 71 e ss.).

34 Cohousing significa criar um ambiente colaborativo para morar, isto é, as pessoas


têm sua privacidade, mas dividem áreas sociais comuns para maior e melhor interação
entre os indivíduos (WILLIAMS, Jo. Designing neighborhoods for social interaction: the
case of cohousing. Journal of Urban Design, Londres, v. 10, n. 2, 2005. p. 198).

35 TERRA. Conheça os riscos e benefícios do modelo "store in store", 2012. Disponível


em:
[www.terra.com.br/economia/conheca-os-riscos-e-beneficios-do-modelo-store-in-tore,1a382502d176b3
Acesso em: 25.07.2017.

36 MESH DIRECTORY. Interview with Lisa Gansky by Andrew Keen, Sharing Economy,
2014. Disponível em: [http://meshing.it/works]. Acesso em: 30.04.2017.

37 BARNETT, Clive; CLOKE, Paul; CLARKE, Nick; MALPASS, Alice. Consuming ethics:
articulating the subjects and spaces of ethical consumption. Antipode, Reino Unido, v.
37, jan. 2005. p. 39.

38 STEMLER, Abbey. The myth of the sharing economy and its implications for regulating
innovation. emory university school of law, Atlanta. Disponível em:
[http://law.emory.edu/elj/content/volume-67/issue-2/articles/myth-sharing-economy-regulating-innova
Acesso em: 26.06.2017.

39 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
61.

40 Na pós-modernidade, o lema “você é o que você possui” se transforma em uma nova


máxima: “você é o que você compartilha”, indicando uma nova era na economia, o que
Russel Belk chama de pós-propriedade (BELK, Russel. You are what you can access:
sharing and collaborative consumption online. Journal of Business Research, Reino
Unido, v. 67, ago. 2014. p. 1599).

41 MONT, Oksana. Clarifying the concept of product-service system. Journal of Cleaner


Production, Suíça, v. 10, jul. 2002. p. 239.

42 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
61.

43 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
61.

44 “A obsolescência programada, para os que ainda não estão familiarizados com o


conceito, é uma estratégia da indústria para “encurtar” o ciclo de vida dos produtos,
visando a sua substituição por novos e, assim, fazendo girar a roda da sociedade de
consumo. Poderíamos dizer que há uma lógica da descartabilidade” programada desde a
concepção dos produtos. Em outras palavras, as coisas já são feitas para durarem
pouco” (SILVA, Maria Beatriz Beatriz Oliveira da. Obsolescência programada e teoria do
decrescimento versus direito ao desenvolvimento e ao consumo (sustentáveis). Veredas
do Direito: direito ambiental e desenvolvimento sustentável, Belo Horizonte, v. 9, n. 17,
2012. p. 183).

45 É um modelo de negócio baseado na Internet, que utiliza soluções criativas, através


de uma rede de indivíduos que atuam espontaneamente, ou, em outras palavras, é uma
Página 27
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

ferramenta de criação conjunta (cocriação) a partir de participação online de usuários


(SAXTON, Gregory D.; OH, Onook; KISHORE, Rajiv. Rules of crowdsourcing: models,
issues, and systems of control. Information Systems Management, Londres, v. 30, n. 1,
2013. p. 10 e ss.)

46 Crowdfunding é um financiamento coletivo que se dá através de redes de pessoas,


pela internet ou fora dela, para projetos criativos. Nesses casos, inúmeras pessoas
contribuem com pequenas quantias, de maneira colaborativa, para viabilizar um projeto,
uma ideia, negócios ou estudos (MOLLICK, Ethan. The dynamics of crowdfunding: an
exploratory study. Journal of Business Venturing, Pennsylvania, v. 29, n. 1, 2014. p. 8).

47 Significa um aprendizado colaborativo, no qual as pessoas compartilham seus


conhecimentos prévios com quem tem interesse em aprender, sendo retribuído de forma
igualmente educativa ou não (ROCHA NETO, Ivan. Gestão do conhecimento e
complexidade. Gestão e Projetos: GeP, Rio de Janeiro, v. 3, n. 1, 2012. p. 97).

48 É uma rede social em escala global para fazer conexões entre viajantes e as
comunidades locais que visitam, fornecendo hospedagem na casa dos moradores do
lugar de destino (ROSEN, Devan; LAFONTAINE, Pascale Roy; HENDRICKSON, Blake.
CouchSurfing: belonging and trust in a globally cooperative online social network. New
Media & Society, Manoa, v. 13, n. 6, 2011. p. 985).

49 Compartilhamento de espaço e recursos de escritórios, em um ambiente de trabalho


coletivo, tendo ou não a mesma atividade negocial, independentemente de ser pessoas
jurídicas diferentes (SPINUZZI, Clay. Working alone together coworking as emergent
collaborative activity. Journal of Business and Technical Communication, Austin, v. 26, n.
4, 2012. p. 419).

50 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
64.

51 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 289.

52 Veja, por todos: BALL, Philip. Critical mass: how one thing leads to another.
Macmillan, 2004.

53 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
64.

54 WIKIPEDIA. Massa crítica. Disponível em:


[https://pt.wikipedia.org/wiki/Massa_cr%C3%ADtica]. Acesso em: 06.09.2017.

55 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
64.

56 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
69.

57 CIALDINI, apud TSUI, Bonnie. Greening with envy. The Atlantic, s.l., jul.-ago. 2009.
Disponível em:
[www.theatlantic.com/magazine/archive/2009/07/greening-with-envy/307498/]. Acesso
em: 15.10.2017.

Página 28
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

58 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
70; no mesmo sentido: CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e
plataformas da Peers Inc. estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p.
35.

59 MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo


regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. p. 205.

60 Veja, sobre o tema: STEFFEN, Alex. Use community: smaller footprints, cooler stuff
and more cash. Web, v. 30, ago. 2007. Disponível em:
[www.worldchanging.com/archives/006082.html]. Acesso em: 17.11.2017.

61 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
70.

62 Fala-se em prevalência do acesso sobre a propriedade, porque existem modelos de


consumo compartilhado que há a transferência da coisa.

63 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
73.

64 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 33.

65 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
74.

66 Art. 99: São bens públicos:


I – os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;

II – os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos a serviço ou estabelecimento da


Administração Federal, Estadual, Territorial ou Municipal, inclusive os de suas
autarquias; (BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Planalto. Disponível em:
[www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm]. Acesso em: 01.07.2017.

67 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
74.

68 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
76.

69 Veja em: BOLLIER, David. Viral spiral: build a digital how the commoners republic of
their own. Nova Iorque: New Press, 2008.

70 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
76.

71 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
77.
Página 29
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

72 MARQUES, Claudia Lima; MIRAGEM, Bruno. Economia do compartilhamento deve


respeitar os direitos do consumidor. 2015. Disponível em:
[www.conjur.com.br/2015-dez-23/garantias-consumo-economia-compartilhamento-respeitar-direitos-co
Acesso em: 09.06.2017.

73 MARQUES, Claudia Lima. Confiança no comércio eletrônico e a proteção do


consumidor: um estudo dos negócios jurídicos de consumo no comércio eletrônico. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 50.

74 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 289.

75 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 38.

76 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 39.

77 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 38.

78 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 39.

79 ASCENSÃO, José de Oliveira. O direito do autor no ciberespaço. Revista Ajuris, Porto


Alegre, ano 32, n. 100, dez. 2005. p. 21.

80 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 46.

81 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 289.

82 RIFKIN, Jeremy. A era do acesso: a transição de mercados convencionais para


networks e o nascimento de uma nova economia. Makron Books, 2001. p. 11.

83 RIFKIN, Jeremy. Sociedade com custo marginal zero: a internet das coisas, os bens
comuns colaborativos e o eclipse do capitalismo. São Paulo: M. Books do Brasil, 2016. p.
210.

84 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 289.

85 RIFKIN, Jeremy. Sociedade com custo marginal zero: a internet das coisas, os bens
comuns colaborativos e o eclipse do capitalismo. São Paulo: M. Books do Brasil, 2016. p.
208.

86 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 289.

87 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 289.

88 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 16.

89 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.


Página 30
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 15.

90 MARQUES, Claudia Lima. A nova noção de fornecedor no consumo compartilhado: um


estudo sobre as correlações do pluralismo contratual e o acesso ao consumo. Revista de
Direito do Consumidor, São Paulo, v. 111, maio-jun. 2017. p. 259.

91 Veja: MUCELIN, Guilherme. Sharing economy and the crisis of consumption relation:
a socio-juridical analysis of collaborative consumption. In: MARQUES, Claudia Lima;
PEARSON, Gail; RAMOS, Fabiana D’Andrea (Ed.). Consumer protection: current
challenges and perspectives. Porto Alegre: Orquestra, 2017. p. 702-725.

92 Sobre o tema: MELLER-HANICH, Caroline. Economia compartilhada e proteção do


consumidor. Trad. Ardyllis Soares. Revista de Direito do Consumidor, São Paulo, v. 105,
maio-jun. 2016.

93 LAMBERTON, Cait. Colaborative consumption: a goal-based framework. Current


Opinion in Psychology, s.l., v. 10, 2015. p. 147-151.

94 ABRAMOVAY, Ricardo. A economia híbrida do século XXI. In: COSTA, Eliane;


AGUSTINI, Gabriela (Org.) De baixo para cima. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2014. p. 105.

95 ABRAMOVAY, Ricardo. A economia híbrida do século XXI. In: COSTA, Eliane;


AGUSTINI, Gabriela (Org.) De baixo para cima. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2014. p. 106.

96 SCARABOTO, Daiane. Selling, sharing, and everything in between: the hybrid


economies of collaborative networks. Journal of Consumer Research, v. 42, n. 1, 2015.
p. 168.

97 ERTZ, Myriam; DURIF, Fabien; ARCAND, Manon. Collaborative consumption:


conceptual snapshot at a buzzword. 2016. Disponível em:
[https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2799884]. Acesso em:
22.06.2017.

98 MARQUES, Claudia Lima; MIRAGEM, Bruno. Economia do compartilhamento deve


respeitar os direitos do consumidor. 2015. Disponível em:
[www.conjur.com.br/2015-dez-23/garantias-consumo-economia-compartilhamento-respeitar-direitos-co
Acesso em: 09.06.2017.

99 MARQUES, Claudia Lima. A nova noção de fornecedor no consumo compartilhado: um


estudo sobre as correlações do pluralismo contratual e o acesso ao consumo. Revista de
Direito do Consumidor, São Paulo, v. 111, maio-jun. 2017. p. 255.

100 Sobre as mudanças no (aparente) dualismo produção-consumo que culminaram no


prossumo, leia: RITZER, George; JURGENSON, Nathan. Production, consumption,
prosumption the nature of capitalism in the age of the digital ‘prosumer’. Journal of
consumer culture, v. 10, n. 1, p. 13-36, 2010.

101 Veja: TOFFLER, Alvin. A terceira onda: a morte do industrialismo e o nascimento de


uma nova civilização. Rio de Janeiro: Record, 1980, em especial, p. 265 e ss.

102 Sobre as inovações e possibilidades que as impressoras 3D estão trazendo e trarão


à vida dos consumidores, leia o capítulo provocativamente intitulado “Impressão 3D: da
produção em massa à produção pelas massas”. In: RIFKIN, Jeremy. Sociedade com
custo marginal zero: a internet das coisas, os bens comuns colaborativos e o eclipse do
capitalismo. São Paulo: M. Books do Brasil, 2016. p. 111-133.

103 RIFKIN, Jeremy. Sociedade com custo marginal zero: a internet das coisas, os bens
comuns colaborativos e o eclipse do capitalismo. São Paulo: M. Books do Brasil, 2016. p.
Página 31
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

114.

104 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.
estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 35.

105 A questão reside na ligação entre as pessoas que necessitam de acesso a um


recurso e as pessoas que dispõem desses recursos, que estão subutilizados e podem ser
emprestados, oferecidos, trocados, alugados etc. Essa relação baseia-se num sentimento
de comunidade, de partilha e de participação entre os utilizadores, em que a confiança é
o elo que permite estabelecer as ligações, desenvolver um consumo alternativo e manter
em longo prazo as relações estabelecidas, tudo isso necessariamente num contexto de
transparência, em especial de caráter financeiro e de responsabilidade das plataformas
que impulsionam o consumo colaborativo (UNIÃO EUROPEIA. Parecer do Comité
Económico e Social Europeu sobre Consumo colaborativo ou participativo: um modelo de
desenvolvimento sustentável para o século XXI (parecer de iniciativa). Jornal Oficial da
União Europeia, Bruxelas, jun. 2013. Disponível em:
[http://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=CELEX:52013IE2788&from=PT].
Acesso em: 21.03.2017).

106 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.
estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 37.

107 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.
estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 37.

108 MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo


regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016 (e-book).

109 MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo


regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016 (e-book).
Em especial, quando trata da “morte dos terceiros”.

110 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.
estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 36.

111 CHASE, Robin. Economia compartilhada: como pessoas e plataformas da Peers Inc.
estão reinventando o capitalismo. São Paulo: HSM, 2015. p. 45-46.

112 MARQUES, Claudia Lima. A nova noção de fornecedor no consumo compartilhado:


um estudo sobre as correlações do pluralismo contratual e o acesso ao consumo. Revista
de Direito do Consumidor, São Paulo, v. 111, maio-jun. 2017. p. 249.

113 MARQUES, Claudia Lima. A nova noção de fornecedor no consumo compartilhado:


um estudo sobre as correlações do pluralismo contratual e o acesso ao consumo. Revista
de Direito do Consumidor, São Paulo, v. 111, maio-jun. 2017. p. 251.

114 Art. 3º: Fornecedor é toda a pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional
ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de
produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação,
distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços (BRASIL. Lei 8.078,
de 11 de setembro de 1990. Planalto. Disponível em:
[www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.htm]. Acesso em: 12.06.2017).

115 Art. 5º. Para os efeitos desta Lei, considera-se: [...]


VII – aplicações de internet: o conjunto de funcionalidades que podem ser acessadas por
meio de um terminal conectado à internet (BRASIL. Lei 12.965, de 23 de abril de 2014.
Planalto. Disponível em:
Página 32
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

[www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm]. Acesso em:


12.06.2017).

116 Art. 15. O provedor de aplicações de internet constituído na forma de pessoa


jurídica e que exerça essa atividade de forma organizada, profissionalmente e com fins
econômicos deverá manter os respectivos registros de acesso a aplicações de internet,
sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de 6 (seis) meses, nos
termos do regulamento.
§ 1º Ordem judicial poderá obrigar, por tempo certo, os provedores de aplicações de
internet que não estão sujeitos ao disposto no caput a guardarem registros de acesso a
aplicações de internet, desde que se trate de registros relativos a fatos específicos em
período determinado.

§ 2º A autoridade policial ou administrativa ou o Ministério Público poderão requerer


cautelarmente a qualquer provedor de aplicações de internet que os registros de acesso
a aplicações de internet sejam guardados, inclusive por prazo superior ao previsto no
caput, observado o disposto nos §§ 3o e 4o do art. 13.

§ 3º Em qualquer hipótese, a disponibilização ao requerente dos registros de que trata


este artigo deverá ser precedida de autorização judicial, conforme disposto na Seção IV
deste Capítulo.

§ 4º Na aplicação de sanções pelo descumprimento ao disposto neste artigo, serão


considerados a natureza e a gravidade da infração, os danos dela resultantes, eventual
vantagem auferida pelo infrator, as circunstâncias agravantes, os antecedentes do
infrator e a reincidência (BRASIL. Lei 12.965, de 23 de abril de 2014. Planalto.
Disponível em: [www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm].
Acesso em: 12.06.2017).

117 A Lei Federal 12.965/14, que instituiu o Marco Civil da Internet no Brasil, em seus
artigos 5º e 15, define que esse tipo de plataforma, sejam sites, sejam aplicativos, são
provedores de aplicações de internet, devendo se constituir na forma de pessoas
jurídicas e exercerem suas atividades de forma profissional e com fins econômicos.
Naturalmente, as plataformas digitais que sustentam o consumo compartilhado têm
caráter econômico, pois são constituídas de forma organizada: são sofisticadas, prestam
informações e possuem sistemas integrados de pagamento próprios ou de terceiros,
sendo remuneradas de maneira direta ou indireta, e, assim, enquadram-se no conceito
de fornecedor, a teor do que dispõe a legislação de proteção ao consumidor.

118 MARQUES, Claudia Lima. A nova noção de fornecedor no consumo compartilhado:


um estudo sobre as correlações do pluralismo contratual e o acesso ao consumo. Revista
de Direito do Consumidor, São Paulo, v. 111, maio-jun. 2017. p. 266.

119 Interessante observar todos os novos deveres e obrigações dos fornecedores no


Projeto de Lei da Câmara 3514/2015, a exemplo dos artigos 6º, XI e XII; 45-A; 45-C;
45-D; 45-E; 45-G e 49, principalmente no que toca a transparência, confiança, boa-fé,
lealdade e direito de arrependimento.

120 MARQUES, Claudia Lima; MIRAGEM, Bruno. Economia do compartilhamento deve


respeitar os direitos do consumidor. 2015. Disponível em:
[www.conjur.com.br/2015-dez-23/garantias-consumo-economia-compartilhamento-respeitar-direitos-co
Acesso em: 09.06.2017.

121 BOTSMAN, Rachel; ROGERS, Roo. O que é meu é seu: como o consumo colaborativo
vai mudar o nosso mundo. Trad. Rodrigo Sardenberg. Porto Alegre: Bookman, 2011. p.
80.

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Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

122 “Trust is also the ‘social glue’ that facilitates collaborative consumption and the
functioning of collaborative economy platforms. Wihtout the development of trust among
the users of a multi-sided platform, people would not be willing to ler strangers stay in
their apartments or take them along for a ride” (BUSCH, Cristoph. Crowdsourcing
consumer confidence: how to regulate rating and review systems in the collaborative
economy. European Contract Law and the Digital Single Market, Cambridge, jun. 2016..
p. 226).

123 MENEZES CORDEIRO, Antônio Manuel da Rocha e. Da boa-fé no direito civil.


Coimbra: Almedina, 2001. p. 1234.

124 MARQUES, Claudia Lima. Confiança no comércio eletrônico e a proteção do


consumidor: um estudo dos negócios jurídicos de consumo no comércio eletrônico. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 32.

125 MARQUES, Claudia Lima. Confiança no comércio eletrônico e a proteção do


consumidor: um estudo dos negócios jurídicos de consumo no comércio eletrônico. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 35.

126 MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 6. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2016. p. 254.

127 Nas palavras de Dal Pai Moraes, vulnerabilidade é a qualidade ou condição daquele
sujeito mais fraco da relação de consumo, tendo em vista a possibilidade de que venham
ser ofendidos ou feridos, na incolumidade física ou psíquica, bem como no âmbito
econômico, por parte do sujeito mais potente da relação (MORAES, Paulo Valério Dal Pai.
Código de Defesa do Consumidor – O princípio da vulnerabilidade: no contrato, na
publicidade, nas demais práticas comerciais. Porto Alegre: Síntese, 1999. p. 96).

128 BAGGIO, Andreza Cristina. O direito do consumidor brasileiro e a teoria da confiança


. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012. p. 125-126.

129 MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 6. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2016. p. 254.

130 Sobre o tema, leia: BERGSTEIN, Laís Gomes. conexidade contratual, redes de
contratos e contratos coligados. Revista de Direito do Consumidor, São Paulo, v. 109, p.
159-183, jan.-fev. 2017.

131 Confiança essa que, nas palavras de Schmidt Neto, deve ser reforçada “diante da
despersonalização, desterritorialização, desmaterialização, atemporalidade, entre tantos
outros obstáculos decorrentes desse comércio realizado em um ambiente tão inseguro e
hostil ao consumidor aventureiro que ignora os riscos e enfrenta problemas como a
dificuldade de identificação do ofertante, a forma de pagamento eletrônico, a proteção à
privacidade dos dados pessoais, entre outros (SCHMIDT NETO, André Perin. Contratos
na sociedade de consumo: vontade e confiança. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016.
p. 214.). Assim também MARQUES, Claudia Lima. Confiança no comércio eletrônico e a
proteção do consumidor: um estudo dos negócios jurídicos de consumo no comércio
eletrônico. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 32.

132 Veja, por todos: HERRMANN, Gretchen M. Garage sales make good neighbors:
building community through neighborhood sales. Human organization, s.l., v. 65, n. 2, p.
181-191, 2006.

133 BARDHI, Fleura; ECKHARDT, Giana. Access-based consumption: the case of car
sharing. Journal of Consumer Research, Reino Unido, v. 39, dez. 2012. p. 884.

134 UNIÃO EUROPEIA. Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho,


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Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

ao Comitê Económico e Social Europeu e ao Comitê das Regiões: uma agenda europeia
para a economia colaborativa. Jornal Oficial da União Europeia, Bruxelas, jun. 2016. p.
12.

135 EINAV, Liran; FARRONATO, Chiara; LEVIN, Jonathan. Peer-to-peer markets. Annual
Review of Economics, s.l., v. 8, 2016, em especial, p. 620 e 630.

136 BUSCH, Cristoph. Crowdsourcing consumer confidence: how to regulate rating and
review systems in the collaborative economy. European Contract Law and the Digital
Single Market, Cambridge, jun. 2016. p. 226.

137 CALO, Ryan; ROSENBLAT, Alex. The taking economy: Uber, information, and power.
2017. Disponível em:
[https://poseidon01.ssrn.com/delivery.php?ID=27116006007097079076010069100085
027&EXT=pdf]. Acesso em: 10.09.2017.

138 Sobre fraudes em avaliações, veja por todos: HU, Nan; LIU, Ling; SAMBAMURTHY,
Vallabh. Fraud detection in online consumer reviews. Decision Support Systems, s.l., v.
50, n. 3, p. 614-626, 2011.

139 BUSCH, Cristoph. Crowdsourcing consumer confidence: how to regulate rating and
review systems in the collaborative economy. European Contract Law and the Digital
Single Market, Cambridge, jun. 2016. p. 223.

140 KOOPMAN, Christopher; MITCHELL, Matthew; THIERER, Adam. The sharing


economy and consumer protection regulation: The case for policy change. The Journal of
Business, Entrepreneurship and the Law, Malibu, v. 8, 2014. p. 540.

141 O aplicativo Uber, por exemplo, pode descredenciar de seu portal tanto o motorista
quanto o usuário, quando se tratar de maus comportamentos ou más avaliações.
Disponível em: [https://
www.uber.com/legal/community-guidelines/br-pt/]. Acesso em: 19.06.2017.

142 LUCA, Michael. Reviews, reputation, and revenue: the case of Yelp. com. Working
Paper of Harvard Business School, 2016. Disponível em:
[www.hbs.edu/faculty/Publication%20Files/12-016_a7e4a5a2-03f9-490d-b093-8f951238dba2.pdf].
Acesso em: 25.05.2017.

143 LEE, Julia Y. Trust and social commerce. University of Pittsburgh Law Review,
Pittsburgh, v. 77, Winter 2015. p. 179.

144 Sobre o tema, leia, entre outros: BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. São
Paulo: Zahar, 2014.

145 McLUHAN, Marshal; FIORE, Quentin. O meio é a massagem: um inventário de


efeitos. ARGEL, Jerome (Coord.). Trad. e notas de Julio Silveira. Rio de Janeiro: Ímã,
2011. p. 8.

146 CASTELLS, Manuel. Information age: information, culture economy – End of


Millenium. Oxford: Blackwell, 1998. v. 3. p. 370.

147 NOVA, Luiz Henrique Sá da. Da cultura como mercadoria, ao consumo como prática
cultural. Revista do Centro de Artes, Humanidades e Letras, v. 1, n. 1, 2007. p. 58.

148 GHERSI, Carlos Alberto. La posmodernidad jurídica: una discusión abierta. Ediciones
Gowa Profesionales, 2000. p. 53 e ss.
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Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

149 A expressão Internet das Coisas (IdC) significa uma rede dinâmica global com
capacidades de autoconfiguração, em que as “coisas” físicas e virtuais têm identidades,
atributos físicos e personalidades virtuais com interfaces inteligentes, estando
completamente integrados a uma rede de informação digital. Através da IdC, os bens
físicos tornam-se participantes ativos dos negócios e dos processos informacionais e
sociais com os quais interagem, tudo através de interfaces de serviços (CERP IoT –
Internet of Things European Research Cluster. Internet of things: strategic reserach
roadmap, 2009. Disponível em: [www.internet-of-things
research.eu/pdf/IoT_Cluster_Strategic_Research_Agenda_ 2009.pdf>]. Acesso em:
05.01.2017).

150 MARQUES, Claudia Lima. Confiança no comércio eletrônico e a proteção do


consumidor: um estudo dos negócios jurídicos de consumo no comércio eletrônico. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 38-39.

151 LORENZETTI, Ricardo Luis. Comercio electrónico. Buenos Aires: Abeledo Perrot,
2001. p. 53.

152 KLEE, Antonia Espíndola Longoni. Comércio eletrônico. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2014. p. 73.

153 Na doutrina de Jayme, a cultura pós-moderna conta com quatro elementos: (a) o
pluralismo de formas e de estilos, segundo o qual cada pessoa escolhe seu próprio estilo
de vida, marcando o direito à diferença; (b) a comunicação sem fronteiras, impulsionada
não só pela tecnologia, mas também pela vontade e pelo desejo de se comunicar,
emergindo de um valor comum; (c) a narração, na medida em que comunicar também é
descrever, contar e narrar; e (d) retorno aos sentimentos, isto é, em relação à
identidade cultural, a defesa da identidade cultural, religião e outras expressões do
individualismo (JAYME, Erik. Direito internacional privado e cultura pós-moderna.
Cadernos de Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul – PPGD/UFRGS, Porto Alegre, v. 1, n. 1, p. 105-114, mar. 2003).

154 Para Terry Eagleton, a pós-modernidade é uma linha de pensamento que tenta
questionar as noções clássicas de verdade, razão, identidade, objetividade, e a própria
ideia de progresso ou emancipação universal, criticando, inclusive, os sistemas únicos,
as grandes narrativas ou os fundamentos estáticos e definitivos de explicação
(EAGLETON, Terry. As ilusões do pós-modernismo. Rio de Janeiro, Zahar, 1998. p. 7).

155 MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo


regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. p. 169.

156 Sobre o novo papel das seguradoras na economia do compartilhamento, veja:


FRANCIS, Agil; YAMIJALA, Ramprasad; THANGUDU, Jeevan Kumar. The sharing
economy: implications for property & casualty insurers. Cognizant keep challenging, s.l.,
abr. 2016. p. 1-19.

157 Contratos celebrados pelo modelo de negócio P2P “são aqueles concluídos entre
sujeitos de mesmo grau” (BALLARINO, Tito. A internet e a conclusão dos contratos. In:
POSENATO, Naiara (Org.). Contratos internacionais: tendências e perspectivas. Estudos
de direito internacional privado e direito comparado. Ijuí: Unijuí, 2006. p. 203.), ou, em
outras palavras, “entre pessoas não profissionais” (MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do
consumidor. 6. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. p. 561).

158 Marques assevera que, com a conexidade contratual com sua multiplicidade de
vínculos e a complexidade que envolvem a economia do compartilhamento, a noção de
cadeia de fornecimento parece ser inadequada, devendo atualmente ser considerada
como uma rede de fornecimento (MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de
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Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

Defesa do Consumidor: o novo regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2016 (e-book)).

159 MARQUES, Claudia Lima. Proposta de uma teoria geral dos serviços com base no
novo Código de Defesa do Consumidor: a evolução das obrigações envolvendo serviços
remunerados direta ou indiretamente. Revista da Faculdade de Direito da UFRGS, Porto
Alegre, v. 18, jan. 2000. p. 63.

160 BERGSTEIN, Laís Gomes. conexidade contratual, redes de contratos e contratos


coligados. Revista de Direito do Consumidor, São Paulo, v. 109, jan.-fev. 2017. p. 175.

161 MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo


regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016 (e-book).

162 Art. 54-F. São conexos, coligados ou interdependentes, entre outros, o contrato
principal de fornecimento de produto ou serviço e os contratos acessórios de crédito que
lhe garantam o financiamento, quando o fornecedor de crédito:
I – recorre aos serviços do fornecedor de produto ou serviço para a preparação ou a
conclusão do contrato de crédito;

II – oferece o crédito no local da atividade empresarial do fornecedor de produto ou


serviço financiado ou onde o contrato principal é celebrado.

§ 1º O exercício do direito de arrependimento nas hipóteses previstas neste Código, seja


no contrato principal, seja no de crédito, implica a resolução de pleno direito do contrato
que lhe seja conexo.

§ 2º Nos casos dos incisos I e II do caput, havendo inexecução de qualquer das


obrigações e deveres do fornecedor de produto ou serviço, o consumidor poderá
requerer a rescisão do contrato não cumprido contra o fornecedor do crédito.

§ 3º O direito previsto no § 2º deste artigo caberá igualmente ao consumidor:

I – contra o portador de cheque pós-datado, emitido para aquisição de produto ou


serviço a prazo;

II – contra o administrador ou emitente do cartão de crédito ou similar quando o cartão


de crédito ou similar e o produto ou serviço forem fornecidos pelo mesmo fornecedor ou
por entidades pertencentes a um mesmo grupo econômico.

§ 4º A invalidade ou a ineficácia do contrato principal implicará, de pleno direito, a do


contrato de crédito que lhe seja conexo, nos termos do caput deste artigo, ressalvado ao
fornecedor do crédito o direito de obter do fornecedor do produto ou serviço a devolução
dos valores entregues, inclusive relativamente a tributos. (BRASIL. Projeto de Lei
3.515/2015. Câmara dos Deputados. Disponível em:
[www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2052490].
Acesso em: 15.062017.

163 MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo


regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. p. 170.

164 MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo


regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. p. 170.

165 KLEE, Antonia Espíndola Longoni. O diálogo das fontes nos contratos pela internet:
do vínculo contratual ao conceito de estabelecimento empresarial virtual e a proteção do
consumidor. In: MARQUES, Claudia Lima (Coord.). Diálogo das fontes: do conflito à
coordenação de normas do direito brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012. p.
420-421.
Página 37
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

166 KLEE, Antonia Espíndola Longoni. O diálogo das fontes nos contratos pela internet:
do vínculo contratual ao conceito de estabelecimento empresarial virtual e a proteção do
consumidor. In: MARQUES, Claudia Lima (Coord.). Diálogo das fontes: do conflito à
coordenação de normas do direito brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012. p.
420.

167 MARQUES, Claudia Lima. Confiança no comércio eletrônico e a proteção do


consumidor: um estudo dos negócios jurídicos de consumo no comércio eletrônico. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 47.

168 MOTTA, Fernando Previdi; GUELMANN, Karine Rose; CASTILHO, William Moreira.
Reflexões sobre o direito do consumidor e a internet. In: CAPAVERDE, Aldaci do Carmo;
CONRADO, Marcelo (Org.). Repensando o direito do consumidor – 15 anos do CDC:
1990-2005. Curitiba: OAB, 2005. p. 246.

169 MARQUES, Claudia Lima. Introdução ao direito do consumidor. In: MARQUES,


Claudia Lima; BENJAMIN, Antonio Herman V.; BESSA, Leonardo Roscoe. Manual de
direito do consumidor. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014. p. 38.

170 MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo


regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. p. 170.

171 MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 6. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2016. p. 563.

172 Diálogo das fontes que, no direito brasileiro, significa a aplicação simultânea,
coerente e coordenada das plúrimas fontes legislativas, leis especiais (como o Código de
Defesa do Consumidor e a lei de planos de saúde) e leis gerais (como o Código Civil de
2002), de origem internacional (como a Convenção de Varsóvia e Montreal) e nacional
(como o Código aeronáutico e as mudanças do Código de Defesa do Consumidor), que,
como afirma o mestre de Heidelberg (aqui a se autora refere ao Prof. Erik Jayme), tem
campos de aplicação convergentes, mas não mais totalmente coincidentes ou iguais
(MARQUES, Claudia Lima. O “diálogo das fontes” como método da nova teoria geral do
direito: um tributo a Erik Jayme. In: MARQUES, Claudia Lima (Coord.). Diálogo das
fontes: do conflito à coordenação de normas do direito brasileiro. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2012. p. 20).

173 “Note-se que o art. 4º do CDC é um dos artigos mais citados deste Código,
justamente porque resume todos os direitos do consumidor e sua principiologia em um
só artigo valorativo e que traz os objetivos do CDC. As ‘normas narrativas’, como o art.
4º, são usadas para interpretar e guiar, melhor dizendo, ‘iluminar’ todas as outras
normas do microssistema” (MARQUES, Claudia Lima. A Lei 8.078/1990 e os direitos
básicos do consumidor. In: MARQUES, Claudia Lima; BENJAMIN, Antonio Herman V.;
BESSA, Leonardo Roscoe. Manual de direito do consumidor. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2014. p. 73).

174 BRASIL. Lei Federal 13.640, de 26 de março de 2018. Altera a Lei 12.587, de 03 de
janeiro de 2012, para regulamentar o transporte remunerado privado individual de
passageiros, Brasília/DF, mar. 2018. Disponível em:
[http://legis.senado.leg.br/legislacao/ListaTextoSigen.action?norma=26382098&id=26382118&idBinario
Acesso em: 12.06.2018.

175 BRASIL. Lei Federal 13.640, de 26 de março de 2018. Altera a Lei 12.587, de 03 de
janeiro de 2012, para regulamentar o transporte remunerado privado individual de
passageiros, Brasília/DF, mar. 2018. Disponível em:
[http://legis.senado.leg.br/legislacao/ListaTextoSigen.action?norma=26382098&id=26382118&idBinario
Acesso em: 12.06.2018.
Página 38
Peers Inc.: a nova estrutura da relação de consumo na
economia do compartilhamento

176 MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo


regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. p. 171.

177 Sobre o termo, leia: McLUHAN, Herbert Marshall. The Gutenberg galaxy: the making
of typographic man. Toronto: University of Toronto Press, 1962.

178 MARQUES, Claudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo


regime das relações contratuais. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. p. 171.

179 KLEIN, Andreas; BHAGAT, Parimal. We-Commerce: evidence on a new virtual


commerce platform. Global Journal of Business Research, v. 4, n. 4, 2010. p. 110.

180 MARQUES, Claudia Lima. A nova noção de fornecedor no consumo compartilhado:


um estudo sobre as correlações do pluralismo contratual e o acesso ao consumo. Revista
de Direito do Consumidor, São Paulo, v. 111, maio-jun. 2017. p. 255.

181 MARQUES, Claudia Lima. A nova noção de fornecedor no consumo compartilhado:


um estudo sobre as correlações do pluralismo contratual e o acesso ao consumo. Revista
de Direito do Consumidor, São Paulo, v. 111, maio-jun. 2017. p. 264.

182 Veja: BARBIERI, José Carlos; DIAS, Marcio. Logística reversa como instrumento de
programas de produção e consumo sustentáveis. Revista Tecnologística, São Paulo, ano
VI, n. 77, s.p., 2002.

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