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1.

NEGRO E EDUCAÇÃO DO BRASIL


1.1 HISTORIA DO NEGRO NA EDUCAÇÃO

O negro enquanto sujeito histórico é bastante amplo, considerando-se que as


análises sobre esse objeto de estudo consistem no entendimento dos fatores históricos
que dão sentidos para as ações dos negros na sociedade brasileira.
O acesso ao negro na educação parte de uma grande analise na vertente histórica do
individuo negro na sociedade brasileira. O ponto de partida para tal analise diz respeito
a Lei do ventre livre, lei de 1871, a qual as crianças nascidas de mulheres escravas
passavam a ter uma condição de “livre”. A partir de uma pequena analise desse feito
encontraremos o inicio das experiências relacionadas a introdução dos negros na
educação no pais.
A partir dessas discussões a ideia de que a liberação das crianças nascidas escravas,
a educação e emancipação eram parte da preparação dessas crianças para a liberdade,
poderiam ser submetidas aos mesmos padrões de educação que existiam nesse período,
caso ficassem ainda sob a posse dos senhores de suas mães, ou fossem entregues ao
Estado. O que importava era que essas crianças deveriam ser preparadas para a vida de
seres livre, mas para isso deveriam entender a diferença entre ser criadas e ser educadas.
O fato de a educação não ter atingido de forma significativa os ingênuos não retira a
importância da questão educacional, tal como foi formulada na época. Trata-se de um
período em que se manifesta uma consciência acerca da importância de se modificar as
práticas educativas que durante séculos caracterizaram o escravismo. Em outras
palavras, o reconhecimento da necessidade de generalizar as práticas educacionais com
características modernas para os negros, isto é, submetê-los a uma educação com
características escolares, como também em espaços familiares, nas oficinas e locais de
trabalho, nas praças e lugares públicos, nas festas, nos jogos, nos atos de culto e sob
uma ação pedagógica, ora mais, ora menos organizada e formal.
A educação, quase sempre, contribui para construir e perpetuar
uma ideologia de que o negro chegou ao Brasil como um objeto,
um escravo e não como um ser humano com um passado e uma
cultura, e que tivesse participado de outras relações sociais fora
da escravidão. A África é apresentada como um continente
atrasado e primitivo, pouco civilizado. Nesse sentido, a escola
contribui para sustentar uma ideologia de dominação racial e de
inferioridade da população negra (OLIVA, 2003).
A educação escolar tem fundamental importância no processo de transformação social,
pois ela tem ao seu lado o poder institucional e, possui o respeito da sociedade. A
mesma foi um dos elementos muito importante no processo de abolição do trabalho
escravo. Arroyo ainda destaca:
o sistema escolar tem sido uma das instituições mais reguladoras
da sociedade. Regula os tempos de pesquisa e os conhecimentos
que considera como legítimos, regula os valores, culturas,
memórias, identidades a partir de padrões universalistas ou
generalistas construídos sem um diálogo com a alteridade e a
diversidade. (2017, p. 119)

É de fundamental importância a inserção da história e da cultura afro-brasileira


no contexto escolar, já que sua desenvoltura em sala de aula possibilita à criança um
autoconhecimento, além de respeito mútuo, fazendo cumprir um papel na difusão e
socialização tanto de informação quanto de conquistas da sensibilidade e da consciência
humana, de forma a estimular atitudes que valorizem e respeitem as diferenças entre ela
e os demais sujeitos. O Conselho Nacional de Educação enfatiza vários princípios
relativos à questão racial e educacional e destaca várias áreas do conhecimento em que
devem ser inseridos conteúdos a respeito da questão racial.

a demanda por reparações visa a que o Estado e a sociedade


tomem medidas para ressarcir, os descendentes de africanos
negros, dos danos psicológicos, materiais, sociais, políticos e
educacionais sofridos sob o regime escravista, bem como em
virtude das políticas explícitas ou tácitas de branqueamento da
população, de manutenção de privilégios exclusivos para grupos
com poder de governar e de influir na formulação de políticas,
no pós-abolição. (BRASIL, 2004)

Faz-se necessário que a sociedade junto com o Estado analisem a respeito da


historia em relação aos negros, e possam notoriamente dar rumos positivos a
implementação de ações por ambas as partes reparando esses danos negativos que estão
sendo repassados desde o inicio da historia brasileira. Atualmente ainda encontramos
uma sociedade que se fragmenta através de valores, resultado da grande diversidade
cultural existente, composta principalmente pela cultura indígena, europeia e africana.
A valorização dessas identidades esta presente na resolução das Diretrizes
Curriculares Nacionais destacando aqui o foco da pesquisa, a Educação das Relações
Étnico-Raciais e para o Ensino de Historia e Cultura Afro-brasileira e Africana.
Destacando a Resolução 01/04, em seu Artigo 3º, que dispõe o seguinte.
§1° A Educação das Relações Étnico-Raciais tem por objetivo a
divulgação e produção de conhecimentos, bem como de
atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos quanto ao seu
pertencimento étnico-racial - descendentes de africanos, povos
indígenas, descendentes de europeus, de asiáticos – capazes de
interagir e de negociar objetivos comuns que garantam, a todos,
ter igualmente respeitados seus direitos, valorizada sua
identidade e assim participem da consolidação da democracia
brasileira.

§2º O Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana,


meio privilegiado para a educação das relações étnico-raciais,
tem por objetivo o reconhecimento da história e cultura dos
afro-brasileiros, garantia de seus direitos de cidadãos, da nação
brasileira, ao lado das indígenas, europeias, asiáticas. (BRASIL,
2004ªgrifos dele verificar)

É necessário pensar essa diversidade cultural como perspectiva fundamental da


construção da nossa identidade, foi a partir dessa diversidade que se formou o povo
brasileiro. A partir disso é necessário, a introdução de todas essas concepções no
currículo das escolas brasileiras. Colocar esses grupos étnicos/sociais que são
discriminados historicamente, frente a frente a outros grupos em condições de
igualdade. Para que haja a igualdade, pois ainda é bastante relevante a desigualdade
entre negros e brancos no Brasil, segundo dados educacionais organizados pelo
movimento Todos pela Educação. Os brancos concentram os melhores indicadores e é a
população que mais vai à escola, conclui o estudo. São também os que se saem melhor
nas avaliações nacionais. Para o movimento, a falta de oferta de uma educação de
qualidade é o que aumenta essa desigualdade. Os negros, soma daqueles que se
declaram pretos e pardos, pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), são maioria da população brasileira, 52,9%.
A partir dessas Estatísticas, vimos que mesmo com as Leis e Diretrizes Curriculares
estando orientando para uma perspectiva de construção e promoção de uma educação
com o contexto de uma pluralidade étnico-racial, ainda observamos a dificuldade de
aplicar na pratica dessas Leis e Diretrizes na orientação do individuo através da
educação a buscar o reconhecimento da participação de todos na construção da nossa
historia.
A educação é essencial para um bom desenvolvimento e a inclusão social. S omo
um país onde o fato da escravidão no inicio da colonização tenha gerado ate os dias
atuas consequências marcadas nas formas de se lhe dar com os negros. Esses que são
maioria da popilação brasileira, segundo pesquisas do IBGE, o acesso desses a educação
não vai reparar os anos de descriminação, mas garante a participação deles na vida
social.
2. A análise de pesquisas sobre a educação brasileira mostra que o sistema de ensino
discrimina a população negra e que são observados mecanismos que influenciam
negativamente nos índices de permanência e sucesso na escolarização de alunos
afrodescendentes. Uma dessas formas de discriminação e preconceito na escola, é o
uso de livros didáticos que naturalizam o branqueamento de seu público.
3. O sistema escolar não tem propiciado aos indivíduos afrodescendentes informações
que possibilitem formar uma autoimagem ou uma autorrepresentação positiva, que
sirva de contra partida às investidas deterioradas feitas à identidade desse grupo.
4. A História e Cultura Africana e Afro-brasileira ainda está pouco presente nos currículos
escolares devido a vários fatores. Portanto, se faz urgente aprofundar esses
conhecimentos para compreendê-los no contexto geral da humanidade. É preciso
conhecer para desconstruir mitos e reconstruir a verdadeira história. Existe o
reconhecimento das desigualdades étnico-raciais e o desejo de transformá-las. Diante
desta constatação, aponta-se para a necessidade de uma política de formação mais
intensa, que alcance a todos os educadores e também faz-se necessário um
acompanhamento sistemático dos Projetos Políticos Pedagógicos e Propostas
Curriculares das instituições de ensino, para que desenvolvam trabalhos significativos,
para que se concretizem as ações afirmativas nas políticas educacionais que
promovam a superação das desigualdades entre as diversas áreas do conhecimento e
que estejam voltadas à superação do conceito eurocêntrico como única verdade,
deixando de exaltar um saber em detrimento do outro.
5. A CONTRIBUIÇÃO DA LEI 11.645/08 NO PRJETO PEDAGOGICO DO
CURSO DE ARTES VISUAIS E SUAS RELAÇÕES COM O ENSINO DA
EDUCAÇÃO ARTISTICA
A educação tem papel fundamental no processo de transformação social, pois ela
tem o poder institucional como aliado e, acima de tudo, possui o respeito da sociedade.
A universidade tem o papel de refletir a sociedade, captando informações e as
transformando em bases sólidas, nas quais a própria sociedade possa continuar
mudando e evoluindo, tendo a educação não somente como instrumento, mas como
parceira de mudanças e reflexões.
A partir disso partimos para a analise da Lei 11.645/08 que institui a
obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena. A
mesma trouxe também politicas inclusivas, que são voltadas a redução das
desigualdades sociais, combatendo as discriminações que impedem o acesso aos direitos
sociais. A lei nos descreve em suas linhas: […] “a cultura negra e indígena brasileira e o
negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas
áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.” (BRASIL, 2008 p.
1). Destaca assim, a importância de ensinar a diversidade cultural em sala de aula,
mostrando as diferenças étnicas que contribuíram para a formação cultural da sociedade
brasileira, para que se possa oferecer aos alunos uma nova visão sobre o que é diferente
culturalmente aos seus olhos.
O Projeto Pedagógico relacionado a lei 11.645 diz que :
“...Com essa nova exigência legal, é de competência das
universidades ajustar a atual estrutura de seus cursos de
formação de recursos humanos para as áreas de arte, que
incluem cursos de bacharelado e de licenciatura. Buscando
condições para o estudo, para a pesquisa, a produção artística,
em termos de igualdade com outras formas de conhecimento,
bem como o estudo da fundamentação e investigação da prática
pedagógica tanto na escola como na comunidade.”( verificar
como se faz a citação do pcc)

A inclusão da questão racial no projeto pedagógico do curso de Artes visuais


vem relacionar o sentido histórico produzido na sociedade sobre a população negra e
indígena e sua inclusão na educação. Ampliando assim, a área de conhecimento
proporcionado pelo curso, incluindo o acesso dessas culturas nas artes visuais.
A cultura afro-brasileira possui legislação vigente para sua apresentação em sala
de aula, como já se observou no texto anterior. E para isso o curso de Artes Visuais da
Universidade Federal do Amazonas também entrou nos parâmetros curriculares,
adequando seus projetos pedagógicos as novas realidades.
No que tange a Lei 11.645/08 na inquestionável formação cultural do nosso país.
O curso de Artes tem a seguinte proposta curricular com ênfase nas seguintes
disciplinas grifo meu:
“Língua Portuguesa, Cultura Popular, Sociologia, Educação Especial, História
da Arte na Amazônia, História da Arte I, II e III, Oficinas Pedagógicas I e II, Pesquisa,
Estrutura e Funcionamento do Ensino Básico, Introdução a Fotografia. Além da
abordagem curricular que diz respeito os aportes culturais, artísticos e civilizatórios das
matrizes negro-indígenas, o curso oferecerá uma disciplina específica denominada Artes
Visuais e as Tradições Negro-Indígenas.” Apesar de toda essa grade o discurso do
Projeto pedagógico do curso de artes visuais não contempla as principais propostas
relativas a educação superior relacionada a lei 11.645/08 nos termos da legislação
educacional.
A inclusão da historia e da cultura afro-brasileira no currículo do curso de artes
visuais através de noções da diversidade cultural brasileira, é de suma importância
para a formação dos acadêmicos. Pois o mesmo a partir do acesso a sala de aula como
educador, com acesso a essa temática pode, através do ensino da arte influenciar
moralmente os seus educandos, promovendo respeito consciência da importância da
atuação de cada um no contexto em que se vive.
Um dos princípios que devem orientar os temas, os projetos e as
atividades pedagógicas em relação à questão do negro na escola
é a desconstrução do preconceito racial e a reafirmação de uma
auto-estima positiva da população negra e mestiça. Ensinar e
aprender sobre e na diversidade, propor situações de
aprendizagem que sejam desafiadoras e que tragam novos
conhecimentos são cuidados que se deve ter quando o que se
estuda vem carregado de imagens e crenças baseadas no
preconceito e na discriminação. (MEC, 1996, p.01)

As disciplinas que estão previstas para ensino dos conteúdos referentes a estes
grupos étnicos são as áreas de educação artística, literatura e história brasileira. Voltado
para esse viés, o Projeto pedagógico do curso de Artes visuais frisa o paragrafo 2º. do
Art. 26: “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos
níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos
alunos.” Diz respeito a necessidade de uma matriz curricular que comtemple a
necessidade de se adequar as novas vias de ensino, nesse momento a respeito da
incentivação do conhecimento sobre a pluralidade étnico-racial, levando os indivíduos à
capacidade de reflexão sobre o diálogo e a interação com culturas diferentes.
Inserindo dentro das Artes Visuais como proposta pedagógica a ser aplicada na
educação artística dentro do ensino de artes. Começamos pelo viés destacado no Projeto
pedagógico do curso que diz respeito ao “... O ensino de artes na Lei nº. 5.692/71 recebeu
o título de Educação Artística podendo oferecer o grau em nível de Licenciatura Curta
e Licenciatura Plena, com opções para uma das seguintes habilitações: Música,
Desenho, Artes Cênicas e Artes Plásticas.” Para se entender melhor a importância da
disciplina de Educação Artística nas escolas e a capacitação do docente na universidade,
a partir da inclusão da questão racial nos projetos pedagógicos do curso de arte visuais,
através da pratica discursiva. Partindo da inclusão da Lei 11.645, que apesar de
fundamental, ainda há muito que se trabalhar sobre o discurso da questão étnico- racial
na educação.
Segundo Santos 1987 :
É importante considerar a diversidade cultural interna à nossa
sociedade; isso é de fato essencial para compreendermos melhor
o país em que vivemos. Mesmo porque essa diversidade não é
só feita de idéias; ela está também relacionada com as maneiras
de atuar na vida social, é um elemento que faz parte das relações
sociais no país. A diversidade também se constitui de maneiras
diferentes de viver, cujas razões podem ser estudadas,
contribuindo dessa forma para eliminar preconceitos e
perseguições de que são vítimas grupos e categorias de pessoas.
p. 16)

De acordo com documentos do Ministério da Educação e Cultura (MEC)

A lei deixa nítida a obrigatoriedade do ensino de conteúdos


sobre a matriz negra africana na constituição da nossa sociedade
no âmbito de todo o currículo escolar, e sugere as áreas de
História, Literatura e Educação Artística como áreas especiais
para o tratamento desse conteúdo, tanto no Ensino Fundamental
como no Ensino Médio, e no ensino superior. (MEC, 1996,
p.01; grifo meu)

Desse modo, observamos a importância do curso de artes visuais em também


atualizar o seu currículo, trabalhando com a atualização do projeto pedagógico do curso
segundo a lei 11,645/08.
O presente texto se insere dentro das artes visuais como proposta pedagógica a
ser aplicada na educação dentro do ensino das artes, tanto na educação básica quanto no
ensino superior. A priore levando a conscientização de que trabalhar com essa temática
leva a fomentação da inclusão do negro na sociedade. A arte é uma das maneiras de se
difundir essa temática, podendo assim facilitar o interesse e entendimento.
Assim, diz o parágrafo 4º do artigo 26 da nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB):
“o ensino de história do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e
etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana
e europeia” (BRASIL, 1996).
A partir dessa perspectiva, observamos que a LDB obriga o ensino a voltar-se
para as diferentes culturas, mas observamos que, no Projeto Político isso nem sempre é
contemplado, e se comtemplado ele não é colocado em pratica. O Brasil em si é um país
multicultural, e desta forma se evidencia a necessidade de se trabalhar todas as culturas
que contribuíram para a formação cultural do povo brasileiro. Por essa grandiosidade
cultural, faz necessário trabalhar essa temática no curso de artes visuais, especialmente
por se tratar de uma licenciatura, logo deveríamos nos voltar a aprender e assim no ato
como docentes, participarmos dessa difusão de saberes históricos, e usarmos a Arte
como reflexão e resgate da importância da diversidade cultural da sociedade brasileira e
a contribuição do negro na construção social, econômica e cultural do país.

A relevância do estudo de temas decorrentes da história e


cultura afro-brasileira e africana não se restringe à população
negra, ao contrário dizem respeito a todos os brasileiros, uma
vez que devem educar-se enquanto cidadãos atuantes no seio de
uma sociedade multicultural e pluriétnica, capazes de construir
uma nação democrática. (BRASIL, 2004)

Existem diversas formas de trazer a cultura afro-brasileira para o curso. E sem


duvidas a Arte é uma delas. Através de varias vertentes artísticas podemos oferecer a
comunidade estudantil e a comunidade social uma gama de conhecimentos e percepções
que serão transmitidas através das artes visuais.
A importância do estudo dessas perspectivas culturais e históricas, nos levam a
abordar a temática da cultura afro-brasileira, sem os estereotipar os personagens que os
representam, sem criar uma referencia negativa.
A reflexão sobre o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana
baseou-se num estudo sobre a importância da diversidade cultural, do conhecimento de
várias culturas para um melhor reconhecimento dos povos que trabalharam muito para a
formação social e econômica do nosso país, em especial o negro, bem como a inserção
dos conteúdos referentes a estes nos currículos escolares e do ensino superior.

Faz-se necessário destacar que os professores não devem


abordar estes conteúdos de forma passiva, os alunos precisam
ser motivados e interessados a conhecer outras culturas e outros
povos que tiveram grande contribuição na formação da
sociedade brasileira. É preciso propor situações onde,
conhecendo a história e a cultura do povo negro e mestiço,
possamos re-aprender seus costumes e passamos então a vê-lo
de forma diferente em nossa sociedade. BRASIL. Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96. Brasilia,
MEC, 1996

Além de proporcionar e estimular a construção de


conhecimentos relacionados à história da formação do povo brasileiro e as culturas que
aqui circulam. A arte é muito importante para a formação das crianças. Nas aulas o
professor deve, através dela, levar em conta o cotidiano dos alunos para que a
aprendizagem seja significativa o educador expõe para os seus alunos seus
conhecimentos culturais, e estes por sua vez também expõem os seus para o professor e
colegas, podendo assim a escola se tornar um palco de aceitação de cada um, tornando
assim cidadãos que respeitam as diversidades encontradas na sociedade.
Algumas soluções para diminuir barreiras para a implementação da Lei
11.645/08 de forma mais eficiente nas escolas pode ser o esclarecimento junto aos pais
ou responsáveis quanto aos objetivos e a importância dos projetos que contemplam os
estudos sobre a história e a cultura africana e afro-brasileira para as crianças por meio
do dialogo com professores e dirigentes das escolas. É papel fundamental da educação,
capacitar os indivíduos para compreender a si e aos outros, consequentemente
respeitando a diversidades, sendo esta a condição necessária para a cidadania. Outro
recurso são cursos para aperfeiçoamento que ofereçam aos docentes e gestores ideias
práticas relacionadas à temática. Em fim, é satisfatório ver que mesmo a passos lentos a
inserção da Lei está sendo cumprida no âmbito escolar das crianças brasileiras, mesmo
tendo ainda um longo caminho a percorrer e obstáculos a serem superados.
Diante dessa analise, se vê a necessidade de uma politica de formação mais
intensa, que alcance a base da educação, que são os educadores. Para isso é necessário o
acompanhamento dos Projetos pedagógicos e os currículos das instituições de ensino,
para que essas politicas não sejam feitas apenas de palavras, mas, de atos e
desenvolvimento, para que no futuro promovam trabalhos significativos, em relação a
historia reproduzida em cima de pré-conceitos e discriminações voltadas a esse povo, a
essas culturas. E somos a base, para levarmos adiante através do ensino da arte,
reprodução positiva da historia e cultura Africana e Afro-brasileira.
Devemos ficar atentos para trazer as artes de forma que os educandos possam
reconhecer a cultura africana como uma das culturas mais antigas e percussora de outras
culturas, contribuindo especialmente para a nossa formação cultural. Entre as
modalidades encontram-se o teatro, as artes visuais, a música e a dança.
O fato é que a Lei 11.645/08, ainda não é aplicada efetivamente no currículo do curso,
de maneira que aponte para a visibilidade de uma imagem de identidade social do
negro, afrodescendente, o contexto histórico. A partir dessa analise podemos usar esses
indivíduos para servir de referencias de identidades desse grupo étnico, para que alunos
do curso que se identificam como negro ou afrodescendente, possam se reconhecer e se
orgulhar dessas relações. Superando assim a negação feita em relação a historia,
edificando um sistema educacional que promova a integração entre culturas e etnias
presentes na sociedade brasileira.
CONTRIBUIÇÃO DO NEGRO NA ARTES PLASTICAS
BRASILEIRA
A História e Cultura Africana e Afro-brasileira ainda está pouco trabalhado no
currículo devido a vários fatores, é necessário aprofundar nesse assunto, para podermos
entender o contexto dessas culturas.
[...] Não se pode dizer que a vigorosa contribuição do negro à
formação de uma cultura legitimamente brasileira não tenha
interessado aos nossos estudiosos. Essas pesquisas, todavia, têm
praticamente se limitado à escravidão propriamente dita e à
herança negra encontrada no sincretismo, na música, no idioma,
na literatura e nos costumes. As artes plásticas sempre foram
relegadas a plano secundário, limitando-se praticamente a
trabalhos isolados e incompletos [...] (ARAÚJO, 1988, p.9)

É preciso conhecer afundo, para que não venhamos criar mais estereótipos sobre
a cultura africana e afro-brasileira. Temos a consciência que existe ainda as
desigualdades étnicos-raciais, e que devemos muda-las, e nada melhor que
conhecimento e educação para mudar esse quadro.
A problemática do texto é o fato de quê por mais que o curso de artes visuais
tenha introduzido em seu Projeto Pedagógico a lei 11.645/08, ainda não é diretamente
aplicada nas aulas. Eu enquanto individuo afrodescendente não vi no curso informações
que me fizeram criar uma autoimagem positiva relacionada a arte e a identidade negra.
Se fala muito na arte e pouco nos artistas, nos indivíduos que as produziram, na
historia deles. Isso faz com que aconteça uma deficiência enquanto eu individuo
afrodescendente ter referencias artísticas de negros, isso em nenhum aspecto. Se
observa que essa procura vem aumentando, a partir da crescente integração dos negros
nas universidades, mas o acesso ao conteúdo e espaço pós-formação ainda continua
majoritariamente “branco”. A introdução da Lei 11.645 no curso foi muito importante
para trazer consciência, nos coloca a reflexão sobre as relações entre a arte e a raça,
tomando essa categoria de arte afro-brasileira.
Quando falamos da contribuição negra para a construção da historia brasileira,
de longe é pensado ou citado indivíduos relacionados a arte, partimos logo para a
historia da escravidão. A partir de uma analise documental de varias vertentes artísticas,
bem vasta por sinal, foi notado a grande presença de artistas negros em vertentes
diferentes nas arte, com vasta contribuição na cultura brasileira. Muitos, porém são
conhecidos pelas suas obras, poucos conhecidos por serem artistas negros. Devemos
fazer um resgate dos padrões das produções artísticas do negro, enfatizando a identidade
do artista e suas obras.
A arte apresenta-se de diversas expressões e formas como, destacaremos aqui
alguns artistas relacionado a musica, teatro. Existem várias outras que servem para
descrever diferentes manifestações de arte. Desde a educação básica aprendemos um
pouco sobre a cultura negra, sendo que como já vimos, os negros e pardos são a maioria
da população brasileira. A Arte acompanha o desenvolvimento da história da
humanidade, se relacionando com a cultura dos mais variados povos existentes no
mundo, buscando compreender as manifestações que foram e estão sendo realizadas até
hoje.
A partir da análise documental e bibliográfica relacionada a temática, foi no
período histórico da arte barroca que um contingente grande de negros foi destacado na
arte, criando de certo modo uma elite na arte brasileira. Os maiores artistas da época do
Barroco brasileiro, tão pleno de singularidades, eram afrodescendentes, como
Aleijadinho e Mestre Valentim. No período colonial a maior parte de nossos tesouros
artísticos foi de autoria de negros.
“O barroco brasileiro, com seu epicentro situado em Minas
Gerais (mas com núcleos importantes em Pernambuco, Bahia e
Rio de Janeiro), beneficiou-se economicamente do chamado
“ciclo do ouro” das décadas de 1729 a 1750. Do fecundo
período barroco, resultaram os mais belos monumentos
religiosos do Brasil, no dizer de Fernando Azevedo, que
acrescenta terem sido os anos Setecentos o “século do
Aleijadinho”, o gênio mulato que deu aos “centros urbanos de
Minas Gerais algumas das igrejas rococós mais belas do
mundo”. É natural, portanto, que muitos críticos considerem
que, de fato, a história das artes no Brasil se iniciou com o estilo
barroco.” (ver como referenciar pesquisa de net)
Referencias
http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/temas/afro_brasileira.html

Para isso iremos fazer uma breve abordagem sobre os artistas negros
afrodescendentes, que tem contribuição na música e no teatro.
Artistas afrodescendentes, agentes na contribuição de uma cultura legítima onde ocorra
o diálogo da construção de elementos possíveis de caracterizar ou apontar caminhos
para o encontro de uma poética negra, sendo contextualizada a partir das linguagens
artísticas.
Muitas são as expressões artísticas do negro que compõe a formação da cultura
brasileira, a influência na música é uma delas. Muitos artistas relacionados a essa
temática diz respeito a grande representação do negro na cultura brasileira, dentre os
nomes mais conhecidos estão aqueles que de fato representam a cultura afro-brasileira,
como samba, carnaval etc. De acordo com Silva, 2016:

“ na música, por exemplo, quase não dá pra falar de um só ritmo


brasileiro que não tenha influência africana (mesmo a música
erudita, pense por exemplo nessaa influência depositada nos
principais compositores eruditos como Carlos Gomes, Villa-
lobos, Guerra Peixe, Camargo Guarnieri, Alberto Nepomuceno,
Francisco Mignone, Radamés Gnatali e Osvaldo Lacerda – antes
desses, só havia um realmente importante e ele próprio um
negro, José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), mas nunca
ninguém pensou em chamar sua música de "afro-brasileira",
mesmo que alguns estudantes queiram hoje encontrar elementos
"afros" em sua música). Portanto, eu arriscaria dizer que a
música brasileira é por si só "afro-brasileira", a ponto de ser
redundante dizer "música afro-brasileira". p 313

Algo semelhante pode ser dito do teatro, onde tivemos apenas


alguns exemplos amadores na Bahia e no Rio de Janeiro e apenas
um profissional em São Paulo, o Teatro Experimental do Negro
(TEN), que foi bastante revolucionário, mas durou tão pouco (12
anos apenas) quanto foi pequena sua penetração na sociedade
brasileira (para ser sincero).

mas aí aparece outro problema que de alguma forma vai além da arte que é o seu uso
sociológico, quero dizer, a ênfase não é mais na arte, mas na necessidade de inclusão de
grupos descriminados.
REFERENCIAS
ARAÚJO, Emanuel (org.). A mão afro-brasileira : significado da contribuição artística e histórica. São
Paulo : Tenenge, 1988

SILVA, Renato Araújo da. Escritos Afro-Brasileiros. São Paulo: Ferreavox, 2016. Disponível
em: [citar fonte online]
BRASIL, Leis, decretos, etc. Lei n. 11645/08: Lei de diretrizes e bases da educação nacional,
LDB. Brasília, 2008

Referencia
ARROYO, M.G. A pedagogia multirracial popular e o sistema escolar. Em:
GOMES,
N.L. (Org.). Um olhar além das fronteiras: educação e relações étnico-raciais.
Belo
Horizonte: Autêntica, 2007. p. 11-130.

BRASIL. Decreto-Lei No. º 9.295 de 27 de maio de 1946 [Cria o Conselho


Federal de
Contabilidade, define as atribuições do Contador e do Guarda-livros e dá outras
providências]. Disponível em: http://www.portalcfc.org.br/wordpress/wpcontent/
uploads/2013/01/lei1249.pdf ; acesso em 30 out. 2016.
_____. Lei No. 9.394 de 20 de dezembro de 1996 [Estabelece as diretrizes e
bases da
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm; acesso em 30 out. 2016.
_____. Decreto Nº 4.886, de 20 de novembro de 2003 [Institui a Política
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4886.htm; acesso em 30
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_____. Parecer No. CNE/CP 003/2004 do Conselho Nacional de Educação.
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_____. Resolução no. CNE 001/2004a de 17 de julho de 2004 do Conselho
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Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/res012004.pdf; acesso
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_____. Conselho Nacional de Educação do MEC. Resolução nº 10, de 16 de
dezembro
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Graduação em
Ciências Contábeis, bacharelado, e dá outras providências]. Disponível em:
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REFERENCIA
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BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96. Brasilia, MEC,


1996.