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Índice

módulo 4

A Europa dos séculos XVII e XVIII – sociedade,


poder e dinâmicas coloniais................................................................................. 4

1. População da Europa nos séculos XVII e XVIII: crises e


crescimento............................................................................................................................................... 4
2. A Europa dos Estados absolutos e a Europa dos Parlamentos......... 6
3. Triunfo dos Estados e dinâmicas económicas nos
séculos XVII e XVIII............................................................................................................................ 21
4. Construção da modernidade europeia.................................................................. 31

Módulo 5

O Liberalismo – ideologia e revolução, modelos


e práticas nos séculos XVIII e XIX ......................................................... 40

1. A revolução americana – uma revolução fundadora............................ 40


2. A Revolução Francesa [1789] – paradigma das revoluções
liberais e burguesas ....................................................................................................................... 42
3. A geografia dos movimentos revolucionários na primeira metade
do século XIX; as vagas revolucionárias liberais e nacionais.............. 52
4. A implantação do Liberalismo em Portugal..................................................... 53
5. O legado do Liberalismo na primeira metade do século XIX.... 63

Módulo 6

A civilização industrial – economia e sociedade;


nacionalismos e choques imperialistas.................................... 71

1. As transformações económicas na Europa e no Mundo.................. 71


2. A sociedade industrial e urbana...................................................................................... 79
3. Evolução democrática, nacionalismo e imperialismo......................... 91
4. Portugal: uma sociedade capitalista dependente................................... 97
5. Os caminhos da cultura.............................................................................................................. 106

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Módulo 4

A Europa dos séculos XVII e XVIII –


sociedade, poder e dinâmicas coloniais

1. População da Europa nos séculos XVII e XVIII: crises e


crescimento
Na Europa dos séculos XVII e XVIII, o número de homens flutua, acompanhando os ciclos económicos.

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Em épocas de prosperidade, a população cresce; em períodos de recessão, estagna ou diminui. No
século XVII, século atravessado por uma profunda crise económica, vivida a par de uma enorme turbu-
lência política e social, sucedem-se as crises demográficas. Em meados do século XVIII, este ciclo reces-
sivo termina, dando lugar a um período de crescimento. Um novo modelo demográfico se inicia.

A. Economia e população
Economia pré-
-industrial:
 Evolução demográfica da época moderna: crescimento no século XVI; abranda-
Sistema económico mento [ou retrocesso] no XVII; expansão a partir de meados do XVIII (c. 1740).
caracterizado pela  Esta alternância de ciclos demográficos [ainda mais percetível a nível conjuntural]
preponderância do
setor agrícola bem foi uma constante na história da Europa no período anterior à Revolução Industrial.
como por uma enorme  Como explicar este fenómeno? Através do sistema económico que vigorou na
debilidade tecnológica
(utensílios rudimentares e
Europa até finais do século XVIII – a economia pré-industrial .
ausência de fertilizantes o  A expansão demográfica estava assim limitada por uma insuficiência alimentar
que condicionava a crónica, mas sobretudo pelo sempre frágil equilíbrio entre os recursos disponí-
produção, impedia o
aumento de recursos veis e a população existente. Quando esse equilíbrio se rompia, a consequência
alimentares e impunha eram os chamados picos súbitos de mortalidade, fenómeno característico do
um limite máximo ao
número de homens).
modelo demográfico do Antigo Regime.

B. Modelo demográfico antigo


Crises
demográficas:  Elevada natalidade: 40‰; elevada mortalidade: 35‰; baixa esperança
Quebras populacionais média de vida: 25-30 anos (era frequente a morte antes de completado o pri-
cíclicas, geralmente
bruscas e de curta duração, meiro ano de vida; só 1/3 dos recém-nascidos atingia a idade adulta); taxa de
originadas pelo aumento substituição vizinha da unidade.
rápido da mortalidade e
pelo recuo da natalidade e
 Este frágil equilíbrio rompia-se, por vezes, brusca e violentamente. No espaço
correspondendo a de meses ou de um/dois anos, os ganhos populacionais reduziam-se a nada
situações de fome ou pelos efeitos de uma fome ou de uma epidemia. Eram as crises demográficas .
epidemia, de efeitos
catastróficos.

C. Século XVII – fatores de recessão demográfica


As crises demográficas, neste século, foram muito frequentes. Fatores:
  Fomes – Arrefecimento climático: invernos “podres” – chuvosos –, más colheitas,
aumento do preço dos cereais, crises alimentares [subalimentação/fome], crises de
subsistência cíclicas.
  Doenças – Corpos debilitados com menor resistência às infeções – contágio
rápido de epidemias (difteria, cólera, tifo, varíola, tosse convulsa, tuberculose,
malária, sífilis, pneumonia), que, ao contrário da fome, atingiam todos os gru-
pos; regresso da peste bubónica (entre 1590 e 1670).

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1. População da Europa nos séculos XVII e XVIII: crises e crescimento

  Guerras – Religiosas (ex: Guerra dos 30 anos, 1618-48); entre Estados; civis;
sublevações – com enormes perdas demográficas (muitas vezes por conse-
quência indireta: razias dos exércitos, paralisação da economia, aumento de
impostos, carestia).
 Duras condições de vida material – longas jornadas de trabalho, insalubri-
dade e promiscuidade das habitações, pobreza e exiguidade do vestuário, falta
de higiene.
Em áreas onde estes fatores mais se fizeram sentir, foram necessários cerca de
100 anos para recuperar os contingentes populacionais dos séculos anteriores.

D. Século XVIII – fatores de progressão demográfica


 A conjuntura depressiva do século XVII prolonga-se ainda pelas primeiras
décadas do século XVIII. Mas a partir de 1740 a situação altera-se. Um novo
período de crescimento demográfico se inicia.
 Qual a razão? O aparecimento de um novo modelo demográfico, no qual se
destaca a brusca diminuição da mortalidade – em consequência do recuo
das crises demográficas –, a par da manutenção de uma alta natalidade.
 Fatores explicativos deste recuo da mortalidade:
  Inovações agrícolas (novas culturas: milho, batata; maior produtividade);
  Progressos técnicos (Revolução Agrícola e consequente aumento da produção);
  Desenvolvimento dos transportes (melhor distribuição alimentar);
  Fortalecimento fisiológico das populações;
  Progressos médico-sanitários (ex.: quarentena [e recuo da peste]; vacina-
1. Um bom exemplo do ção; obstetrícia);1
entusiasmo geral com
que a opinião pública
  Melhoria climática (bons anos agrícolas, fim das fomes e epidemias);
aderiu a estas práticas foi   Nova mentalidade em relação à saúde e à educação da criança;
o facto de tanto reis  Alguns destes fatores foram mais evidentes nas zonas de maior dinamismo
como nobres mandarem
vacinar publicamente os económico da Europa. Nas regiões mais desfavorecidas (Itália, Portugal, Espa-
seus filhos. nha, Leste europeu), eles não se chegaram a verificar. Contudo, também aqui,
a mortalidade diminuiu.
  Consequências:
  Expansão demográfica;
  Melhoria geral das condições de vida;
  Rejuvenescimento da população europeia (no final do século XVIII, mais de
35% dos europeus tinha menos de 20 anos);
  Aumento da esperança de vida (de 30 anos em 1750, para 40 em 1800).
 Este crescimento demográfico, contudo, foi tão inesperado para a época que
impressionou vivamente muitos contemporâneos, habituados às tradicionais
roturas de subsistências, e levou ao aparecimento de uma visão apocalíptica
sobre o futuro da humanidade. Exemplo deste olhar pessimista em direção
ao futuro foi o de Thomas Malthus (1766-1834), que chamou a atenção para
a inevitabilidade de uma tragédia, caso o crescimento populacional não fosse
travado. De forma a evitar uma catástrofe alimentar, propôs a redução volun-
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tária da natalidade (com o celibato, a abstinência e o casamento tardio). Temia


que este crescimento criasse novos desequilíbrios em relação aos recursos ali-
mentares, já que estes cresciam a um ritmo inferior (progressão aritmética) ao
ritmo de crescimento da população (progressão geométrica).

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