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Módulo 5:

Operacionalização da
formação: do Plano à Ação
Sub-Módulo 5.1:
Competências e Objetivos Operacionais
Objetivos do módulo:
No final do módulo, os formandos deverão ser capazes de, participando nas atividades
e obtendo mais de 50% para ser aprovado:
• Distinguir finalidades, metas, competências, objetivos gerais e objetivos
específicos;
• Redigir objetivos pedagógicos em termos operacionais;
• Hierarquizar objetivos segundo os domínios do saber;
• Planificar momentos de ensino-aprendizagem;
• Identificar os princípios orientadores para a conceção e elaboração de planos de
unidades de formação;
• Preencher fichas de planificação da formação (plano de ação de formação/
módulo/ sessão).
Definição de objetivos em formação

A ação de formação

• Assenta em objetivos claramente definidos e previamente fixados

Objetivos Pedagógicos

• Enunciado claro e explícito dos resultados que se esperam alcançar com uma
dada ação de formação (saber, fazer, ser).
Objetivos da formação e da aprendizagem

• Um objetivo de aprendizagem é uma declaração sobre o que o formando vai saber,


compreender, ou será capaz de fazer após a sua participação numa atividade de
aprendizagem.

• Objetivos de aprendizagem bem definidos são fundamentais para o


desenvolvimento dos materiais de formação.
Objetivos em formação

• Toda a ação de formação deve ter objetivos claramente definidos e previamente fixados.

• As razões que justificam esta posição são variadas e estão diretamente relacionadas com as
vantagens que daí advêm para a aprendizagem em geral, e ainda para todos os
intervenientes no processo de formação:

• formandos,

• formadores,

• instituições e

• futuros empregadores.
Vantagens e Funções dos Objetivos

• Fatores de clarificação da formação;

• Constituem um meio de comunicação;

• Instrumento de orientação da ação do formador;

• Guia e orientação para o formando;

• Fator de maior objetividade nas avaliações;

• Instrumento de rentabilização da formação.


Fatores de clarificação da formação

“Só sabendo para onde se vai se tomará o caminho certo para lá chegar”

• Determinando-se com precisão as capacidades a adquirir ou a desenvolver,


assegura-se maior objetividade de procedimentos.
Constituem um meio de comunicação

“O formador sabe o que pedir aos formandos, e estes sabem o que


se espera deles…”

• As interpretações de formandos e formadores são idênticas.


Instrumento de orientação da ação do
formador e do formando

“Proporcionam uma diretriz para as atividades de planeamento da


aprendizagem, condução das sessões e avaliação dos resultados”

• Os objetivos são um guia para o formando, que lhe permitem


direcionar a sua atividade e organizar os seus esforços.
Fator de objetividade nas avaliações

“ não se mudam as regras a meio do jogo”

• Imprime correção e justiça à aprendizagem;

• Reduz a subjetividade da avaliação.


Instrumento de rentabilização da formação

“ O tempo é dinheiro…”

• Vem equiparar a atividade formativa à atividade produtiva;

• Evita desvios prejudiciais.


Níveis de definição de objetivos

• Os diferentes graus de generalização ou de especificação com que os


objetivos são definidos dão lugar à existência de uma multiplicidade de
designações ou de classificações.

• Consideramos 4 níveis de generalidade na formulação dos propósitos ou


intenções da formação, e 4 níveis relativamente ao papel que desempenham.
Níveis de definição de Objetivos
• Os 4 níveis de generalidade:

Finalidades

Metas

Obj. Geral

Obj.
Especifico
Níveis de definição de objetivos

Finalidades:
• Constituem os grandes objetivos da formação;

• Expressam intenções gerais, fornecendo uma linha condutora a toda a formação;

• São tomadas de decisão ao mais alto nível definidas pela entidade


formadora.
Exemplo: A formação deverá estimular nos futuros formadores o desejo de atualização
e auto formação permanente.
Metas
• Os resultados desejados pela formação;
• Formulados em termos de capacidades a adquirir, tarefas a desenvolver
pelos formandos;
• São os perfis de saída da formação;
• Formulados pelos gestores da formação.
Exemplo: Os futuros formadores deverão ser capazes de desempenhar
tarefas de programação e monitoragem.
Objetivos Gerais
• Resultados realmente esperados no termo das ações;

• Capacidades a adquirir que correspondem a competências amplas, globais ou


complexas;

• Definidos pelos formadores.

Exemplo: Os futuros formadores deverão ser capazes de definir corretamente os


objetivos de formação.
Objetivos específicos
• Comportamentos esperados no termo da ação de formação;
• Resultam da decomposição dos objetivos gerais em aspetos mais
restritos e correspondem a capacidades mais elementares;
• Formulados pelos formadores.
Exemplo: Dada uma lista de características, os futuros formandos
deverão indicar se elas correspondem a um objetivo operacional,
sem erros.
Objetivos específicos ou operacionais

• Diz-se que um objetivo é operacional quando indica claramente e em termos de


comportamento diretamente observável e mensurável, o que o formando deverá ser
capaz de fazer no final da formação, em que condições o fará e por que critérios será
avaliado.
Objetivos Específicos ou Operacionais
Comportamentos
Observáveis
Traduzem :
• Comportamentos observáveis (Verbos de ação); Condições de
realização
• sem ambiguidades

• Condições de realização;
Critérios de
• O tempo de alcance dos resultados – “No final da formação...” êxito

• Critérios de êxito
Objetivos Específicos

• No final da formação, o formando deverá ser capaz de dactilografar uma folha de


texto corrido (comportamento esperado)

• …num programa informático já seu conhecido (condições de realização)

• …atingindo a velocidade de 20 palavras por minuto e sem errar mais de quatro


gralhas (critérios de êxito)
Comportamento Esperado

• O sujeito que é quem pratica a ação (será sempre o formando);


• O verbo operatório que designa qual a ação observável a ser praticada;
• E o produto que designa qual o resultado da ação observável.
Condições de Realização

• As circunstâncias várias que deverão verificar-se aquando do comportamento


esperado:
• equipamentos,
• meios,
• locais, etc.
Critérios de Êxito

• As exigências de qualidade que serão impostas ao formando para que se possa


garantir que a competência foi adquirida;

• Permite verificar se os objetivos foram ou não alcançados – decidir o ÊXITO da

aprendizagem.
• Critérios de qualidade: características observáveis mas não mensuráveis; padrões
qualitativos;

Exemplo: O formando deverá substituir as partes deterioradas de um papel de


parede, com recurso a uma espátula, sem destruir as partes boas e acertando
os respetivos desenhos.
• Critérios de quantidade: padrões facilmente mensuráveis e cuja avaliação se faz
sobretudo numericamente;

Exemplo: Dada uma lista de termos comerciais em inglês, o formando


deverá indicar de cor a tradução de pelo menos 80% deles.
No final da formação, o formando deverá ser capaz de:
• Utilizando cores primárias (comportamento esperado)

• Pintar um sapato violeta (condições de realização)

• Sem cometer mais de um erro (critérios de êxito)


No final da formação, o formando deverá ser capaz de:
• Dar um pontapé (comportamento esperado)

• Numa bola de ping-pong (condições de realização)

• Acertando numa baliza de hóquei (condições de realização)

• Não falhando mais do que 2 vezes em 5 oportunidades (critérios de êxito)


Um Objetivo bem formulado deve ter:

• O que o formando deverá ser capaz de fazer (comportamento


esperado)

• Em que condições deverá ser capaz de fazer (condições de realização)

• Até que ponto deverá ser capaz de fazer (critérios de êxito)


No final da formação, o formando deverá ser capaz de:
• Identificar as funções dos objetivos (comportamento esperado)

• Numa questão de V/F (condições de realização)

• Não errando mais do que 2 funções (critérios de êxito)


Um objetivo operacional consiste em articular sempre os três componentes:

O formando deverá ser capaz de:

No programa Microsoft No tempo máximo de


Digitar um texto Word 20 minutos
Comportamento Critérios de
Condições de
esperado êxito
realização
Objetivos Específicos - Classificação
• As capacidades/ resultados pretendidos podem ser de tipo muito diverso:
• desde conhecimentos simples e limitados,
• à realização de gestos profissionais complexos, etc.

• Esta diversidade é geralmente classificada em 3 DOMÍNIOS principais:


• Domínio Cognitivo
• Domínio Afetivo
• Domínio Psicomotor
Domínio Cognitivo
• Domínio da atividade intelectual ou mental;

• Envolve conhecimentos e aptidões intelectuais;

• É o domínio do conhecimento e do pensamento.

Exemplo: Conhecer os sinais de trânsito; refletir sobre a melhoria


das regras de trânsito.
Domínio Afetivo

• Domínio dos fenómenos de sensibilidade e emoções;

• Envolve interesses, atitudes, valores, enfim atividades ou


comportamentos que apresentam uma conotação de agrado ou
desagrado, de adesão ou rejeição.

Exemplo: Obedecer às regras de trânsito; interessar-se por


participar em trabalhos de grupo.
Domínio Psicomotor

• Domínio das atividades motoras ou manipulativas;

• É o domínio por excelência da ação.

Exemplo: Andar de bicicleta; mudar a roda a um automóvel.


Um mesmo verbo operatório pode pertencer a
vários domínios diferentes:
• Selecionar a afirmação correta de cinco opções fornecidas
Cognitivo
oralmente, sem ajuda dos colegas, e sem erros;

• Selecionar um paragrafo, com o teclado, em dois minutos;Psicomotor

• Selecionar a atitude mais correta, a partir da discussão em grupo,


em dez minutos; Afetivo

Em suma, o que permite definir um objetivo no seu respetivo


domínio, é a maneira como é elaborado e descrito.
Das competências aos objetivos

• Competência é o substantivo feminino com origem no termo em latim


competere que significa uma aptidão para cumprir alguma tarefa ou
função;

• Competência é o saber em ação;

• Os objetivos formativos são competências, ou seja devem ser redigidos


em termos de competências. Assim sendo ao atingirmos um objetivo
estamos a conquistar mais uma competência.
Resumindo…
Cognitivo
Objetivo Psicomotor
pedagógico
Afetivo

Objetivos de Objetivo
formação Operacional

Finalidades
Comportamento Condições de
esperado Critérios de êxito
Realização
Metas

Objetivos Gerais

Objetivos Específicos
Sub-Módulo 5.2:
Desenho do processo de formação-Aprendizagem
Curso
Módulo

Sessão
Curso
• Métodos e técnicas de organização e planeamento da formação.

• Presencial; E-learning; B-learning

• Técnicas e estratégias de caraterização do grupo de formação.

• Perfil de entrada

• Diagnóstico:

- Nível de competências dos formandos

- Necessidades, expectativas e motivações

• Tipos de conteúdos programáticos.

• Teóricos; práticos ou teórico-práticos


• Critérios de seleção e sequenciação de conteúdos segundo uma estrutura modular.

• Cada módulo deverá ser visto como a parte integrante de um todo.

• Técnicas e critérios para calcular a distribuição do tempo de formação.

• Modalidade de formação (presencial ou à distancia);

• Importância dos conteúdos;

• Volume dos conteúdos;

• Grau de dificuldade dos conteúdos;

• Perfil dos futuros formandos.


Organização e Planeamento da formação

Quer a formação se verifique:


• à distância (e-learning; b-learning),

• ou seja realizada em presença,

os métodos e técnicas para a sua organização são basicamente as


mesmas.
• Os formadores têm de responder a uma diversidade de exigências e
desempenhar outras funções para além da animação da formação, como sejam:

a) conceber e produzir programas e materiais pedagógicos;

b) coordenar e acompanhar ações de formação em diversos contextos


formativos e dirigidas a públicos muito diversificados.
São vários momentos a ter em consideração para a organização e planeamento da
formação:

• Início da formação – Organizar trabalho colaborativo;

• Estruturação de tarefas;

• Monitorização e intervenção;

• Utilização de suportes pedagógicos;

• Orientações a observar no decurso da formação;

• Acompanhamento dos formandos;

• Avaliação das aprendizagens.


Identificação das necessidades

O diagnóstico de necessidades de formação (DNF) consiste no conhecimento das


carências que podem ser superadas através de uma ação de formação.

• Em qualquer processo de DNF devem considerar-se três fatores fundamentais:

a) A organização – resultados a obter;

b) O trabalho – natureza das tarefas;

c) O indivíduo - competências que o titular detém nesse momento.


Há diversas técnicas para o diagnóstico das necessidades de formação. Entre elas,
destacam-se:
• a observação participante,
• análise de funções,
• entrevistas,
• questionários de pesquisa,
• testes e exames,
• Análise Documental (planos estratégicos e operacionais, relatórios de
produção, avaliação de desempenho),
• Dinâmicas de Grupo.
Como construir um módulo de formação
A definição da estrutura de formação passa por responder a 6 questões:

• Para quê? – porque se realiza a formação

• Para quem? – Quem é o público-alvo

• Quando? – Quando se realiza

• O quê? – Quais os conteúdos programáticos a ministrar

• Como? – partindo dos objetivos, que métodos e técnicas vamos usar

• Onde? – o local onde se vai realizar e quais as condições que têm, face ao que
necessitamos.
Plano da Formação

Documento elaborado pelo responsável pela formação, que contempla:

• Resultados esperados da formação (perfil de saída);

• O que fazer para os atingir (atividades pedagógicas/meios);

• Como avaliar (técnicas e instrumentos de avaliação).


O Plano de formação deve conter:
Plano de Sessão Sessão

Deve conter todas as informações teóricas e práticas, que o formador


considere indispensável à sua própria orientação.
• Resumo ordenado dos tópicos a trabalhar para se atingir o objetivo de uma
unidade específica de formação;

• Indica o tema a ser tratado, as técnicas e auxiliares a usar, a ordem de utilização e


o tempo de duração previsto.
Plano de Sessão – Vantagens:

• Permite uma apresentação ordenada dos conteúdos da sessão;


• Inspira confiança ao formador;
• Indica os objetivos da sessão;
• Ajuda o formador a organizar-se;
• Indica os auxiliares a utilizar, quando e por que ordem;
• Estabelece um fio condutor;
• Ajuda a manter o rumo face aos objetivos e permite ajustar desvios;
• Facilita a avaliação dos formandos;
• Aumenta a eficácia do formador.
Plano de Sessão:
Aspetos a Contemplar
• Número da ação – identificar cada ação com um numero para facilitar o
acesso;
• Número da sessão - identificar cada sessão dentro do módulo;
• Tema – um título com a matéria a trabalhar;
• População-alvo – destinatários;
• Pré-requisitos – conhecimentos que os formandos devem já possuir antes de
começar a formação;
• Objetivos da sessão (gerais e específicos);
• Conteúdos – sempre de acordo com os objetivos;
• Tempo previsto – duração de cada etapa na sessão;

• Estratégia pedagógica (métodos e técnicas) – selecionar os ideais para facilitar a


aprendizagem;

• Recursos didáticos (materiais, equipamentos, documentos);

• Atividades – lista das atividades que os formandos vão realizar;

• Local;

• Critérios e formas de avaliação dos formandos e da sessão (instrumentos de


avaliação).
Plano de Sessão – Preparação/ Elaboração

Preparação Antes

Introdução Depois
• Comunicação dos objetivos da sessão
• Controlo dos pré-requisitos
• Motivação para o tema
Plano de Sessão Preparação/ Elaboração

Desenvolvimento
• Expor os conteúdos de forma clara e atrativa
• Sínteses parciais

Conclusão
• Síntese final
• Análise dos resultados (avaliação)
• Da satisfação dos formandos
• Da aprendizagem
• Do formador
Atividade
Obrigada pela atenção

Isabel Abreu
isabelcarneiroabreu@gmail.com