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©2016 Editora AMAR


LIBERTANDO-SE DE PRISÕES ESPIRITUAIS Texto original:
Neuza Itioka
Todos os direitos reservados.
1ª Edição: Abril de 2009
2ª Edição, nova e atualizada: Junho de 2009 Nesta edição foram
inseridos quatro capítulos: (2) “O Evangelho a Mensagem de
Redenção” (3) “Jesus a Chave para a Libertação” (7) “O Reino de
Deus e a Libertação”
(9) “A Cura Física e o Poder de Cristo”

Editor responsável e Produção Textual: Thiago Baeta Corrêa


Revisão: Lucas Pontes Nogueira e Ana Ribeiro
Capa e Projeto Gráfico: AgnelloVieira.ART.br
Serviços editoriais: Ingrid Vanessa Sanches e Lael Romanini

O texto desta edição acha-se de acordo com o Acordo Ortográfico


da Língua Portuguesa, de 1990 - em vigor desde 2009. As citações
bíblicas estão conforme a versão Almeida, Revista e Atualizada no
Brasil, 2ª Edição (RA), da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), a
menos de indicação em contrário:
RC – Almeida, Revista e Corrigida, SBB.
ACF – Almeida, Edição Revista e Revisada, Fiel ao Texto Original,
da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.
NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje, SBB
NVI – Nova Versão Internacional, Editora Vida.

Data do fechamento da edição: Junho de 2016


A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei n.
9.610/98 e punido pelo art. 184 do Código Penal. Nenhuma parte
desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou
forma sem a prévia autorização da Editora AMAR.

Para informações, entre em contato com: Editora AMAR


editora@agapereconciliacao.com.br São Paulo, São Paulo, Brasil
CNPJ 04.995.571/0001-64

ISBN 978-85-60796-44-1

2ª EDIçãO 2016
ÍNDICE
INTRODUÇÃO
O chamado para o ministério
........................................................ 06

Parte 1 O MINISTÉRIO DE JESUS


Cap 1 – O Ministério de Jesus
....................................................... 14
Cap 2 – O Evangelho, e a Mensagem de Redenção
....................... 28
Cap 3 – Jesus, a Chave para a Libertação
..................................... 38

Parte 2 CONTEXTO BÍBLICO


Cap 4 – A Bíblia e o Aprisionamento Espiritual
............................ 48
Cap 5 – Funções do Espírito
.......................................................... 60
Cap 6 – O Espírito
Adormecido..................................................... 74
Cap 7 – O Reino de Deus e a Libertação
....................................... 88
Cap 8 – O Novo e o Velho Homem – regeneração
em Cristo ........ 94
Cap 9 – Cura física e o poder de Cristo
......................................... 98

Parte 3 A REALIDADE SOBRE PRISÕES


ESPIRITUAIS
Cap 10 - Histórias de Aprisionamento
........................................ 106
Cap 11 – Confirmação por outros
Ministérios............................ 118

Parte 4 JESUS O LIBERTADOR:


TESTEMUNHOS REAIS SOBRE
LIBERTAÇÃO
Testemunho – aprisionamento por espírito de morte
................. 130 Testemunho – aprisionamento pela
feitiçaria ............................. 148 Testemunho –
aprisionamento por traumas ...............................
160 Testemunho – aprisionamento por abuso sexual
........................ 176 Testemunho – aprisionamento
pela música rock ........................ 186 Testemunho
– aprisionamento pelo esoterismo ..........................
196 Testemunho – aprisionamento pela imaginação
......................... 210 Testemunho – aprisionamento
por satanismo e jogos de RPG ... 218 Testemunho –
aprisionamento em calabouços ...........................
236 Testemunho – aprisionamento pela religiosidade
....................... 248 Testemunho - aprisionamento
por falta de perdão: Cura Física ... 262

Parte 5 TIPOS DE APRISIONAMENTO


ESPIRITUAL
Cap 12 – Como as Pessoas se
Aprisionam................................... 268
Cap 13 – Cidades e Nações Aprisionadas
.................................... 276
Cap 14 – Lugares de Aprisionamento
......................................... 288

Parte 6 ESTILO DE MINISTRAÇÃO


Cap 15 – Como sair da Prisão
..................................................... 298
Final: Uma palavra final aos colaboradores
................................. 310
O Chamado para Abrir
Prisões Espirituais
Em minhas leituras e pesquisas, li dois livros de John
e Paula Sandford, que se acham entre os mais
completos e abrangentes livros sobre a
transformação do homem interior: “A
Transformação do Homem Interior” (The
Transformation of Inner Man) e “A Cura do Espírito
Ferido” (The Healing of Wounded Spirit).

Num dos capítulos desse segundo livro, deparei-me


com uma abordagem sobre prisão espiritual. À
medida que ia lendo, eu me impressionava com tudo
que era apresentado naquele capítulo, e, em meu
espírito tudo se confirmava. Mas eu ainda não sabia
o que fazer com as informações que estava
adquirindo com aquela leitura sobre prisão espiritual.

Deus, porém, é fiel! Intrigada com os fatos


apresentados, eu perguntava a mim mesma como
aplicar, no ministério de libertação, aquilo que o
Espírito estava me revelando sobre prisão espiritual.
Fui então tocada por duas circunstâncias, ocorridas
quase que simultaneamente, que reforçaram ainda
mais as novas percepções que eu estava tendo.

Uma delas foi o relato de uma colega da SEPAL.


Ela me disse:

“Neuza, ontem eu tive uma experiência muito


interessante. Ministrei uma pessoa que estava
aprisionada espiritualmente num calabouço. Não
sabia o que fazer, e assim pedi que Jesus me
ajudasse. Ele veio e simplesmente a tirou daquela
prisão.”

Quando ouvi isto, concluí que essa história era


semelhante a um caso que John Sandford descreveu
no capítulo sobre prisão espiritual daquele livro que
eu havia lido.

A outra ocorrência nesse sentido foi o que me disse


Lílian La Torraca, uma pastora do nosso Ministério:

– Ontem recebi, em nossa reunião de oração, uma


chave do Senhor. É uma chave que se usa para tirar
espiritualmente as pessoas de prisões, igrejas
aprisionadas, e até cidades aprisionadas...

Sem nem mesmo parar para pensar, eu disse a ela:


– Ore por mim, para que eu também receba essa
chave!

Esse grupo de oração, que se reúne com a pastora


Lílian, é um grupo muito sério, que leva com muita
responsabilidade aquilo que Deus pede. Eles oraram
e me responderam que eu já tinha recebido aquela
chave, mas que ela estava um tanto “enferrujada”,
pois não estava sendo usada.

Com efeito, eu já possuía, havia um bom tempo,


informações sobre prisão espiritual, mas nada tinha
feito a respeito. E aquele capítulo do livro dos
Sandford já havia sido lido e relido por mim várias
vezes. Cheguei a marcá-lo e riscá-lo de diversas
cores, pois tudo aquilo fazia sentido, mas eu não
sabia como aplicar, na prática, no ministério de
libertação, as informações de que agora eu
dispunha.
Crendo, então, que Deus me havia dado uma chave
espiritual, minha decisão foi a de utilizá-la. Assim,
começaram minhas experiências de tirar pessoas que
se achavam em prisões espirituais, e libertar os
algemados.

Depois de confiar nessa palavra, eu comecei a ver os


testemunhos do poder de Deus, de pessoas que
foram tiradas de “prisões espirituais”.

Liberta de uma gaiola na praia

Quando assumi que tinha recebido uma chave para


abrir as prisões dos aprisionados, pedi perdão a
Deus pela minha falta de compreensão e
entendimento espiritual. Então o Senhor
proporcionou-me uma experiência nesse sentido.

No Seminário de nosso Ministério, realizado num


fim de semana, houve o caso de uma jovem que
ficou endemoninhada. O demônio que então se
manifestou foi identificado como espírito das águas,
em algumas culturas conhecida como “Yemanjá”.
Isso aconteceu num momento em que todos estavam
fazendo uma oração de confissão de pecados e de
renúncia. Nessa oração, todos renunciam o
envolvimento que tiveram antes de se converter,
com as religiões que praticaram no passado,
quebrando os pactos espirituais realizados com as
trevas.

Resolvi então ministrar a moça que manifestou esse


espírito. Vou chamá-la de Janaína. E, assim, como
Deus faz as coisas bem completas, Ele providenciou,
para estar comigo na ministração, um intercessor
que tinha visão espiritual aberta.

Durante a ministração, o intercessor teve uma visão


espiritual da situação, e me disse que a moça estava
aprisionada numa gaiola constituída de tacapes, ou
lanças, fincados na areia da praia. Havia ainda um
bando de índios que dançavam e cantavam, dizendo:

“Não vão conseguir! Não vão conseguir!”


Então eu disse:

“O Senhor me deu todo tipo de chave. Assim, eu


amarro esses demônios, que estão travestidos de
índios e que são guardiães do inferno, que a estão
prendendo nessa gaiola.”

Eu os amarrei e os coloquei de lado, tomei


autoridade em nome de Jesus, e, abrindo aquela
prisão, a tirei para fora. Depois de tirá-la, coloquei
os demônios guardiães dentro da gaiola e os enviei
para onde o Senhor Jesus determinasse.

Um dos colegas da missão em que eu trabalhava era


alguém que tinha ministrado Janaína algumas vezes,
expulsando os demônios que haviam invadido a vida
dela. Ele pertencia à mesma igreja dela. Depois que
Janaína foi liberta da prisão espiritual em que se
encontrava, aquele meu colega me questionou:

– Neuza, o que vocês fizeram com ela? Ela está


totalmente diferente. Pois nós expulsávamos os
demônios diversas vezes, mas eles sempre voltavam.
Mas agora ela está bem.

Ele quis dizer que, depois que ela saiu da prisão, não
ocorreu mais nenhuma manifestação violenta de
demônios. Eu lhe expliquei sobre o caso dela, falei
da prisão espiritual em que ela estava, e lhe disse
que, realmente, estávamos tendo novas experiências,
através das quais Deus nos estava ensinando acerca
de prisões espirituais.

Presa na escola

Cláudia me disse que não sabia por que gritava à


noite. Todas as noites o fenômeno se repetia. Esse
grito acontecia enquanto dormia. E perturbava toda
a família. Cláudia contou-me ainda que, numa fase
de sua vida, ela brincava com o avô, apesar de que
ele já tinha morrido e tinha sido enterrado havia
muito tempo.

Quem vinha se divertir com ela, na realidade, era


um espírito que dizia ser seu avô. Enquanto brincava
com o “avô”, aparentemente estava tudo bem com
ela. Um dia, porém, ela resolveu parar de brincar
com o “avô”, e então começou a gritar à noite. Isso
passou a acontecer repetidamente. O espírito que
dizia ser de seu avô, a perturbava noite após noite.

Quando a recebi para ser ministrada, primeiramente


quebramos qualquer pacto espiritual que pudesse
estar dando direito àquele demônio, e desligamos
qualquer conexão de alma ainda existente entre a
Cláudia e o seu avô.

Demônios foram então repreendidos. Alianças


foram quebradas. E Lilith, um espírito que atua
como perturbador do sono, conhecido como “Terror
Noturno”, foi repreendido e expulso.

Depois disto tudo, porém, ela disse que sentia-se


como se ainda estivesse presa. E contou-me que,
quando bem pequena, teve uma doença no cérebro,
e o médico disse que ela não ia ter condições de ler
e escrever.

A menina deixou de ir à escola e só começou a ter


aulas aos 12 anos, numa escola para crianças
especiais. Seus colegas de classe eram excepcionais,
num nível muito profundo. Havia crianças com
corpo deformado, sem nenhum controle sobre o
corpo, e alguns deles até babavam.

Quando Cláudia foi brincar com as meninas da sua


turma, ela se sentiu desajustada, pois estava fora da
idade da turma, e ela já era grande demais para
brincar com aquelas meninas menores do que ela.
Assim, ficava sozinha, sempre sozinha em algum
canto para brincar e até para comer. Sentia uma
tremenda solidão.

A escola tinha uma grade que separava as crianças


normais das especiais. Cláudia não podia passar
daquele ponto, pois era considerada especial. Mas
tinha um desejo enorme de passar por aquela porta!
Quando tentava ultrapassar era severamente
castigada. As lembranças daquela época eram muito
doloridas.

Eu lhe disse:
– Vamos tirá-la da escola onde você está presa.
Veja-se naquela escola. Você consegue se ver lá?

Ela viu-se na escola. Então Jesus veio, a tomou pela


mão e começou a andar com ela. O portão que a
separava dos alunos normais abriuse com Jesus. Ela
foi para o pátio. Ele permaneceu junto dela e andou
por toda a escola, e ficou passeando com ela,
mostrando que ela estava livre. Cláudia saiu da
prisão espiritual daquela escola, onde se achava
aprisionada.
parte 1
O Ministério de Jesus
capítulo 1
O Ministério de Jesus, a
Profecia de Isaías
“E guiarei os cegos pelo caminho que nunca
conheceram, fá-los-ei caminhar pelas veredas que
não conheceram; tornarei as trevas em luz perante
eles, e as coisas tortas farei direitas. Estas coisas
lhes farei, e nunca os desampararei”. (Is 42.16)

O Profeta Isaías

Isaías era conhecido como o profeta do juízo e da


graça de Deus. Filho de Amós, Isaías foi
contemporâneo de quatro reis de Judá: Uzias, Jotão,
Acaz e Ezequias.

A família do profeta era uma das mais influentes em


Jerusalém. Isaías era um homem culto que tinha o
dom da escrita poética. Por sua nobre conduta, ele
era familiarizado com a realeza, e, por isto,
aconselhava os reis no que se referia à política
externa de Judá. Isaías era casado com uma
profetiza e tinha dois filhos.

Quando morreu o rei Uzias, no ano 740 antes de


Cristo, Isaías foi chamado para o ministério
profético em meio a uma experiência sobrenatural
com Deus.

“No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também


ao Senhor assentado sobre um alto e sublime
trono; e a cauda do seu manto enchia o templo.
Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis
asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas
cobriam os seus pés, e com duas voavam. E
clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo,
Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está
cheia da sua glória. E os umbrais das portas se
mo-veram à voz do que clamava, e a casa se en-
cheu de fumaça. Então disse eu: Ai de mim! Pois
estou perdido; porque sou um homem de lábios
impuros, e habito no meio de um povo de impuros
lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos
Exércitos. Porém um dos sera-fins voou para mim,
trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do
altar com uma tenaz; e com a brasa tocou a minha
boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a
tua iniquidade foi tirada, e expiado o teu pecado.
Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A
quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então
disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Então disse
ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não
entendeis, e vedes, em verdade, mas não
percebeis.” (Is 6:1-9)

Isaías exerceu o oficio profético por


aproximadamente 40 anos. O seu livro é o primeiro
e o maior dos cinco profetas maiores, denominado
também como “a Bíblia em miniatura”, pois, é o
livro do Antigo Testamento que mais se refere a
Jesus, chamado também de “o quinto Evangelho”; a
palavra “salvação” aparece 27 vezes no livro de
Isaías e apenas dez vezes em todos os demais livros
proféticos.

Isaías escreve tanto sobre o supremo juízo de Deus


como também relata a sua graça em favor dos
homens. O profeta desfrutou de maior influência
durante o reinado de Ezequias.
A Profecia sobre O Emanuel

“Portanto o mesmo Senhor vos dará um si-nal: Eis


que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e
chamará o seu nome Emanuel. Man-teiga e mel
comerá, quando ele souber rejeitar o mal e
escolher o bem. Na verdade, antes que este menino
saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, de
que te enfadas, será desampa-rada dos seus dois
reis.” (Is 7:14-16)

Aqui o profeta Isaías diz como Jesus seria chamado,


“Emanuel”, que significa “Deus conosco”. Também
relata como Ele seria concebido, e que agiria na
escolha do bem, rejeitando o mal. O cumprimento
dessa profecia teve seu início com o anúncio à
virgem e jovem Maria (Mt 1:18,25), ela conceberia
por meio da virtude do Espírito Santo, e não através
da relação com José (Mt 1:16,23).

O profeta Isaías profetizou sobre o advento e o


poder libertador do Messias. Onde o povo que
andava em trevas viria para uma maravilhosa luz; e
essa luz resplandeceria sobre os que habitavam na
terra de profunda escuridão. Jesus, como
Libertador, quebraria o jugo da carga que o opressor
colocava (Is 9:4).

Com a vinda de Cristo, não precisaríamos mais


guerrear com a nossa própria força, o sangue não
seria mais derramado. Jesus quebrou o jugo da
escravidão e da carga pesada, que era o cetro do
opressor sobre nós. Tudo isto porque Jesus nasceria.
O Filho de Deus viria ao mundo para nos salvar,
acabar com a escravidão e jugo do diabo sobre nós!

Jesus é a revelação da Pessoa que Isaías profetiza:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos


deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se
chamará o seu nome: Maravilho-so, Conselheiro,
Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Do aumento deste principado e da paz não haverá
fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o
firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde
agora e para sem-pre; o zelo do Senhor dos
Exércitos fará isto.” (Is 9:6-7)
A Profecia sobre o Ministério do Messias

Foi em uma sinagoga em Nazaré, onde Jesus foi


criado, que Ele entrou num dia de sábado, segundo
o seu costume, e dentro da sinagoga levantou-se
para ler o Antigo Testamento, no livro do profeta
Isaías que escreveu essa profecia há 700 anos a.C:

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim;


porque o SENHOR, me ungiu para pregar boas
novas aos mansos; enviou-me a restaurar os
contritos de coração, a proclamar liberdade aos
cativos, e a abertura de prisão aos presos; a
apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da
vingança do nosso Deus.” (Is 61:1-2a - ACF)

Jesus ousadamente disse: “Hoje se cumpriu esta


escritura.” (Lc 4:21).
Naquele momento, o que o Senhor Jesus fez foi
definir o seu ministério, dizendo que teria três
aspectos:
Em primeiro lugar, seria um ministério profético,
carac-terizado por pregar boas novas aos
quebrantados, aos pobres, àqueles que
reconheciam sua necessidade de Deus.
O segundo aspecto é que o seu ministério seria
sacerdotal, no sentido de curar os quebrantados de
coração, curar e restaurar as pes-soas, sanando
tanto as feridas de alma como trazendo-lhes a cura
física.

O terceiro aspecto é que seria um ministério de rei,


de-cretando a libertação aos cativos de Satanás,
pois havia chegado uma nova ordem, com um novo
estatuto e novas leis, inaugurando uma nova época
em que Ele passaria a reinar.

Assim, o antigo déspota estava sendo deposto,


juntamente com todos os seus demônios. E,
consequentemente, seus cativos ficariam livres. As
portas das prisões seriam abertas, dando liberdade
aos que se encontravam algemados, aos que estavam
aprisionados.

E, desse modo, como Isaías havia profetizado, Jesus


confirmou que Ele estaria apregoando o ano
aceitável do Senhor.
Em outras palavras, uma nova época, a era da graça
de Deus, a era do perdão do Senhor, estava sendo
inaugurada. Esta época seria a era do perdão, do
jubileu, que se caracterizaria pela remissão das
dívidas. Assim, em Jesus, esse novo tempo poderia
ser referido como a era da graça, do perdão, da
remissão – e seria, de fato, o dia da vingança contra
Satanás.

O perdão de Deus, o perdão incondicional dos


pecados, é certamente a maior vingança de Deus ao
acusador dos homens, aquele que condena sem
piedade, aquele cujo propósito sempre foi matar,
roubar e destruir.

Isaías, em sua profecia, anunciou que naquele dia


chegaria o consolo aos que choram, aos que estão
em desespero e que não têm esperança:

“(...) a consolar todos os tristes; a ordenar acerca


dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de
cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de
louvor em vez de espírito angustiado, a fim de que
se chamem árvores de justiça, plantações do
Senhor, para que ELE seja glorificado.” (Is 61:2b-
3).

Jesus e o Shemitah

“Plantem e colham em sua terra durante seis anos,


mas no sétimo deixem-na descansar sem cultivá-la.
Assim os pobres do povo pode-rão comer o que
crescer por si, e o que restar fi-cará para os
animais do campo. Façam o mes-mo com as suas
vinhas e com os seus olivais. ‘Em seis dias façam
os seus trabalhos, mas no sétimo não trabalhem,
para que o seu boi e o seu jumento possam
descansar, e o seu escravo e o estrangeiro renovem
as forças. “Tenham o cuidado de fazer tudo o que
lhes ordenei’.” (Ex 23:10-13)

Nas Escrituras, podemos ler que durante o ano em


que a nação de Israel não trabalhava, ela mostrava
em quem estava a sua dependência, em Deus! Além
de demonstrar obediência a uma ordenança do
Senhor, a razão de os homens não trabalharem um
ano, representava sua total confiança em Deus. O
descanso aponta uma entrega total de nossa vida ao
Senhor.

A palavra “Shamat” significa descansar, soltar,


deixar, derrubar ou cair. A cada ciclo, Deus age
dentro da terra. De Gênesis a Apocalipse, quando
estudamos literalmente, podemos observar que Deus
leva o seu povo para o descanso, solta as ataduras da
escravidão, derruba os conselhos das nações que se
levantam contra os seus princípios, e a soberba de
cada homem faz cair.

O Shemitah fala de descanso, e dos casos de


maldição que a terra entrou, pois continua em
desobediência contra as ordens de Deus. A
consequência do pecado vem. Shemitah também diz
respeito à suspensão das cobranças de tributos,
remissão, perdão da dívida. O perdão é o ato
principal do Shemitah, é o sinal para o próximo
estágio.

Jesus, e a Redenção

“Ao fim dos sete anos farás remissão. Este, pois, é


o modo da remissão: todo o credor re-mitirá o que
emprestou ao seu próximo; não o exigirá do seu
próximo ou do seu irmão, pois a remissão do
Senhor é apregoada.” (Dt 15:1-2)

Remissão entra no significado de Shemitah. O


Jubileu também entra no ciclo do Shemitah.

Foi na cruz que Deus revelou todo o seu amor e


trouxe a verdadeira remissão. Os sacrifícios de
animais não são suficientes para a redenção. Nem
todos os animais da terra seriam suficientes para
trazer a remissão do homem.

Em Cristo, não precisamos mais tomar emprestado


para pagar a nossa dívida de ofensa contra Deus. Ele
já nos perdoou na cruz. O ministério de Jesus
também foi o de redimir:

“Para dar ao seu povo conhecimento da salvação,


na remissão dos seus pecados”. (Lc 1:77)

“Em quem temos a redenção pelo seu san-gue, à


remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua
graça”. (Ef 1:7)
“Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo
testamento, que é derramado por mui-tos, para
remissão dos pecados.” (Mt 26:28)

“Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no


seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela
remissão dos pecados dantes co-metidos, sob a
paciência de Deus.” (Rm 3:25)

“E quase todas as coisas, segundo a lei, se


purificam com sangue; e sem derramamento de
sangue não há remissão.” (Hb 9:22)

Em Cristo fomos perdoados e remidos pelo seu


sangue. As nossas ofensas foram perdoadas.

“E não foi assim o dom como a ofensa, por um só


que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa,
na verdade, para condenação, mas o dom gratuito
veio de muitas ofensas para justificação.” (Rm
5.16)

“Veio, porém, a lei para que a ofensa abun-dasse;


mas, onde o pecado abundou, supera-bundou a
graça.” (Rm 5:20)

Jesus e a libertação

“Também contarás sete semanas de anos, sete


vezes sete anos; de maneira que os dias das sete
semanas de anos te serão quarenta e nove anos.
Então no mês sétimo, aos dez do mês, fa-rás
passar a trombeta do jubileu; no dia da ex-piação
fareis passar a trombeta por toda a vos-sa terra, e
santificareis o ano quinquagésimo, e apregoareis
liberdade na terra a todos os seus moradores; ano
de jubileu vos será, e tornareis, cada um à sua
possessão, e cada um à sua família. O ano
quinquagésimo vos será jubileu; não semeareis
nem colhereis o que nele nascer de si mesmo, nem
nele vindimareis as uvas das separações. Porque
jubileu é, santo será para vós; a novidade do
campo comereis. Neste ano do jubileu tornareis
cada um à sua possessão.” (Lv 25:8-13, negrito da
autora)

Esse ciclo determinado por quarenta e nove anos


representa a entrada do Jubileu, o quadragésimo
nono ano é de extrema relevância para a nação de
Israel, porque antecede o Jubileu, o quinquagésimo
ano de um ciclo. Uma das coisas mais interessantes
que acontece no Jubileu, é que os escravos deveriam
ser soltos, as dívidas perdoadas e os pobres
poderiam entrar nas propriedades para tomar as
sobras para si.

“O espírito do Senhor DEUS está sobre mim;


porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas
novas aos mansos; enviou-me a restaurar os
contritos de coração, a proclamar liberdade aos
cativos, e a abertura de prisão aos presos; a
apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da
vingança do nosso Deus; a consolar todos os
tristes; a ordenar acerca dos tristes de Sião que se
lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez
de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito
angustiado; a fim de que se chamem árvores de
justiça, plantações do Senhor, para que ele seja
glorificado. E edificarão os lugares antigamente
assolados, e restaurarão os ante-riormente
destruídos, e renovarão as cidades assoladas,
destruídas de geração em geração. E haverá
estrangeiros, que apascentarão os vos-sos
rebanhos; e estranhos serão os vossos lavra-dores
e os vossos vinhateiros. Porém vós sereis
chamados sacerdotes do Senhor, e vos chama-rão
ministros de nosso Deus; comereis a riqueza dos
gentios, e na sua glória vos gloriareis. Em lugar da
vossa vergonha tereis dupla honra; e em lugar da
afronta exultareis na vossa parte; por isso na sua
terra possuirão o dobro, e terão perpétua alegria.
Porque eu, o Senhor, amo o juízo, odeio o que foi
roubado oferecido em ho-locausto; portanto,
firmarei em verdade a sua obra; e farei uma
aliança eterna com eles. E a sua posteridade será
conhecida entre os gentios, e os seus descendentes
no meio dos povos; to-dos quantos os virem os
conhecerão, como des-cendência bendita do
Senhor. Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha
alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu
de roupas de salvação, cobriu-me com o manto de
justiça, como um noivo se adorna com turbante
sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com as
suas joias. Porque, como a terra produz os seus
renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se
semeia, assim o Senhor DEUS fará brotar a justiça
e o louvor para todas as nações.” (Is 61:1-11)

Nós já vimos claramente o ministério de Jesus


Cristo, o Messias prometido. Jesus é o cumprimento
dessa profecia redentora. Quando entramos em seu
descanso, encontramos a verdadeira libertação para
o nosso ser. Ele nos tira de todas as prisões que
podemos nos encontrar:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e


oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o
meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e
humilde de coração; e encontrareis descanso para
as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o
meu fardo é leve.” (Mt 11:28-30)

Jesus nos trouxe a verdadeira libertação em todos os


sentidos. Ele realizou a obra completa na cruz. Ele
dividiu os seus despojos com cada um de nós, a sua
vitória na cruz quebrou todos os ciclos de maldição
em nossa vida. O que devemos levar em
consideração é que a escolha é nossa. Não adianta
andarmos na prática do pecado e declarar que não
vamos colher as consequências deste. Porém, em
Cristo, nós somos uma nova criatura. Ele nos ama!

Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará


satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o
justo, justificará a muitos; porque as iniquidades
deles levará sobre si. Por isso lhe darei a parte de
muitos, e com os podero-sos repartirá ele o
despojo; porquanto derra-mou a sua alma na
morte, e foi contado com os transgressores; mas
ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu
pelos transgressores. (Is 53:11-12).

Vimos que Isaías profetizou, também, que o povo


que andava em trevas veria a luz. Que, assentados
em lugares de morte, enxergariam o sol. A alegria da
festa e da celebração voltaria à existência. O abuso
dos opressores e a crueldade dos tiranos acabariam!
Novamente, os despojos seriam repartidos por causa
da boa colheita!

Deus nos amou de verdade. Nós somos o alvo do


seu amor. Por isto, Ele enviou o seu Filho à Terra,
para nos trazer as boas novas, o seu ano aceitável, o
ciclo celestial do Shemitah. Vamos ler as Escrituras
com o coração, a mente e o intelecto voltados para
Cristo, para que a revelação da sua glória possa nos
encher por completo. Que possamos desfrutar das
suas bênçãos, mas, principalmente, do que Ele
conquistou na cruz, a nossa libertação de uma
cultura decaída e morta! Que os pensamentos do
Espírito Santo possam encher as nossas mentes, e
voltarmos a pensar em santidade! Que o ano
aceitável, o jubileu do Senhor, seja completo em
nós, em Cristo Jesus!

Jesus nos tira de todas as prisões espirituais, o


evangelho nos aponta o Único e Verdadeiro
Salvador.

capítulo 2
O Evangelho, a
Mensagem de Redenção
“Mas este é um povo roubado e saqueado; todos
estão enlaçados em cavernas, e escondidos em
cárceres; são postos por presa, e ninguém há que
os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui!”. (Is
42:22)

O ministério de libertação não é uma nova teologia,


nem tão pouco agride a veracidade do evangelho
que nasceu em Cristo.

Por falta de conhecimento, muitos ministérios têm


considerado suas práticas como experiências
bíblicas, porém, a Palavra de Deus é Única. E, se
não estamos de acordo com o chamado de
discípulos de Cristo, então não podemos considerar
que a libertação por si é verdadeira.

Não é através das orações ou experiências que as


pessoas poderão ser libertas, mas, através do
Senhorio Absoluto de Cristo. Os testemunhos
servem para que a nossa fé seja edificada. Porém,
somente a Palavra é a Verdade que Liberta (Jo
8:32).

O Evangelho e a Mensagem da Libertação


Física e Espiritual

A Palavra de Deus é a base sólida e única, inspirada


pelo Espírito Santo, para um cristianismo sadio e
puro. Através da fé, podemos ver a ação de Deus na
vida do homem e da sua história, nos levando à
salvação por meio de Jesus Cristo. Não há libertação
sem a graça de Deus; na verdade, ela é fruto da sua
graça sobre nós. Somente Jesus pode abrir as nossas
prisões, Ele é o mediador entre Deus e o homem
pecador. Jesus morreu para nos libertar do pecado e
da sua origem maligna, que nos prende e nos arrasta
para um nível de vida marginal. E, por fim, somente
a revelação da Glória de Deus poderá nos revelar a
largura e extensão do seu amor que nos liberta!

Um cristianismo sem o Evangelho, que é a


mensagem redentora da cruz, torna-se místico e
irrelevante. A palavra grega “evanggelion” é
traduzida como “evangelho” nas versões em
português (referente a Mateus, Marcos, Lucas e
João). Essa palavra, juntamente com suas outras
interpretações: “novas de alegria”, “boas novas” e
“pregar o evangelho”, ocorre por volta de 108 vezes
no Novo Testamento. O que significa em sua
integridade é “Redenção Consumada”, em Cristo.
Tem como base Is 61:1-3, que vimos como
ministério central de Cristo, anunciar o ano aceitável
do Senhor, o dia da sua Salvação, abrir as cadeias e
libertar os presos.

Não podemos fugir das Escrituras nem do poder do


Evangelho de Cristo, que é a atuação do seu poder
(Rm 1:16).

Evangelho de Mateus

O Evangelho de Mateus foi escrito diretamente para


os judeus. Mateus era um dos discípulos de Jesus
Cristo de Nazaré. Ele fez questão de comprovar que
Jesus era o Messias esperado. Mateus deixa claro
que Israel, em sua maioria, rejeitou a Jesus e ao seu
reino, e a crer que Ele era o Filho de Deus, pois,
Jesus se manifestou como homem, porém, o seu
reino messiânico foi espiritual, e não político.

Esse Evangelho é o mais judaico dos quatros outros,


e acima de tudo contém a exposição mais sistemática
dos ensinos de Jesus e do seu ministério de cura e
libertação; o que ajudou a igreja, no século II, a usá-
lo integralmente no ensino aos novos convertidos.

O Evangelho relata o poder de Jesus, sendo 100%


homem e 100% divino. O discípulo de Jesus mostra
a operação no reino de Deus e a soberania de Jesus
sobre o pecado, a doença, os espíritos imundos e a
morte.

Mateus nos relata a boa nova sobre a cura de dois


cegos e um mudo, onde Jesus liberta esses homens.

“E, partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos,


clamando, e dizendo: Tem compaixão de nós, filho
de Davi. E, quando chegou à casa, os cegos se
aproximaram dele; e Jesus disselhes: Credes vós
que eu possa fazer isto? Disseram-lhe eles: Sim,
Senhor. Tocou então os olhos deles, dizendo: Seja-
vos feito segundo a vossa fé. E os olhos se lhes
abriram. E Je-sus ameaçou-os, dizendo: Olhai que
ninguém o saiba. Mas, tendo eles saído,
divulgaram a sua fama por toda aquela terra. E,
havendo-se eles retirado, trouxeram-lhe um homem
mudo e endemoninhado. E, expulso o demônio,
falou o mudo; e a multidão se maravilhou,
dizendo: Nunca tal se viu em Israel.” (Mt 9:27-33)

Aqui, Jesus recupera a visão de dois cegos, Ele


cumpre a profecia de Isaías: “Para abrir os olhos
dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do
cárcere os que jazem em trevas.” (Is 42:7). E, Jesus
cura um homem endemoninhado, que estava
debaixo do domínio de um espírito maligno mudo.

Evangelho de Marcos

Vamos analisar como Jesus libertava as pessoas de


suas prisões. Esse relato sobre o gadareno e Jesus,
escrito por João Marcos, é o mais detalhado. O
Evangelho de Marcos enfatiza mais aquilo que Jesus
fez, do que suas palavras. Marcos nos registra
dezoito milagres de Jesus. O escritor nos mostra
Jesus como Filho de Deus e o Messias.

O livro de Marcos foi escrito para os crentes de


Roma, na década 60-70 d.C. Sua intenção era
fortalecer as bases dos crentes romanos, e, se fosse
necessário, inspirá-los a sofrer fielmente em prol do
evangelho de Cristo.

O Evangelho de Marcos procura focar em primeiro


plano os milagres de Jesus e a sua total autoridade
sobre doenças e demônios, como sinal de que o
reino de Deus está próximo e entre nós.

“E chegaram ao outro lado do mar, à província


dos gadarenos. E, saindo ele do barco, lhe saiu
logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem
com espírito imundo. O qual tinha a sua morada
nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia
alguém prender. Porque, tendo sido muitas vezes
preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por
ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e
ninguém o podia amansar. E andava sempre, de
dia e de noi-te, clamando pelos montes, e pelos
sepulcros, e ferindo-se com pedras. E, quando viu
Jesus ao longe, correu e adorou-o. E, clamando
com grande voz, disse: Que tenho eu contigo,
Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por
Deus que não me atormentes. (Porque lhe dizia:
Sai deste homem, espírito imundo.) E perguntou-
lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo:
Legião é o meu nome, porque somos muitos. E
rogava-lhe muito que os não envias-se para fora
daquela província. E andava ali pastando no monte
uma grande manada de porcos. E todos aqueles
demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para
aqueles porcos, para que entremos neles. E Jesus
logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos
imundos, entraram nos porcos; e a manada se
precipitou por um despenhadeiro no mar (eram
quase dois mil), e afogaram-se no mar. E os que
apascentavam os porcos fugiram, e o anunciaram
na cidade e nos campos; e saíram muitos a ver o
que era aquilo que tinha acontecido”.(Mc 5:1-14)

Veja como Jesus cumpriu integralmente o seu


chamado messiânico: proclamou a liberdade aos
cativos e a abertura de prisão aos presos (Is 61:1b).
Jesus tirou o gadareno dos sepulcros (Mc 5:2-3).
Nem as algemas, grilhões e cadeias podiam prender
a força demoníaca do gadareno (Mc 5:3-4).
Somente Jesus, e o poder que lhe foi entregue,
conseguiu libertar espiritualmente aquele homem
que estava preso por uma legião de demônios (Mc
5:6-14).

A obra de Jesus na vida daquele homem foi


completa, manifestando o Reino de Deus, abrindo
as prisões espirituais e trazendo de volta a razão
àquele homem: “E foram ter com Jesus, e viram o
endemoninhado, o que tivera a legião, assentado,
vestido e em perfeito juízo, e temeram.” (Mc 5.15).

Evangelho de Lucas

O evangelho escrito por Lucas foi destinado aos


gentios. Ele era médico, e um leal cooperador do
ministério apostólico. Lucas é o único autor não
judeu de um livro da Bíblia. Ele ressalta o ministério
de Jesus em sua solicitude para com os pobres e os
socialmente marginalizados, necessitados, mulheres
e crianças. Revelando, assim, a ação messiânica de
Jesus de Nazaré.

Lucas nos relata uma situação em que Jesus abre


uma prisão espiritual de uma mulher paralítica.

“E ensinava no sábado, numa das sinagogas. E eis


que estava ali uma mulher que tinha um espírito de
enfermidade, havia já dezoito anos; e andava
curvada, e não podia de modo algum endireitar-se.
E, vendo-a Jesus, chamou -a a si, e disselhe:
Mulher, estás livre da tua enfermidade. E pôs as
mãos sobre ela, e logo se endireitou, e glorificava a
Deus.” (Lc 13:10-13)

Ao realizar essa libertação, Jesus foi questionado por


um príncipe da sinagoga, que ficou indignado
porque o Mestre havia curado essa mulher presa por
Satanás em um dia de sábado. Porém, Jesus
respondeu:

“Hipócrita, no sábado não desprende da


manjedoura cada um de vós o seu boi, ou ju-mento,
e não o leva a beber? E não convinha soltar desta
prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a
qual há dezoito anos Satanás tinha presa? E,
dizendo ele isto, todos os seus adver-sários ficaram
envergonhados, e todo o povo se alegrava por
todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele.”
(Lc 13:15-17)

Jesus veio para abrir a prisão aos presos. Jesus nos


mostra, nessa história, que algumas enfermidades
são efeitos direto da ação ou opressão demoníaca. A
prisão dessa mulher era a paralisia.

Não importa o tempo que estamos presos, pois


quando nos achegamos a Jesus, e fielmente nos
rendemos à sua unção messiânica, Ele nos liberta.

Quando uma pessoa é liberta espiritualmente de suas


prisões, ela poderá entender a chave do Evangelho
de Cristo, e ser conduzida para uma vida cheia da
plenitude do Espírito Santo. Pois onde abundou o
pecado, superabundou a graça (Rm 5:20).

Evangelho de João

O Evangelho de João nos revela a natureza de Jesus


Cristo, como homem-Deus. João escreveu esta
carta, pois, alguns presbíteros da igreja da Ásia
Menor solicitaram ao apóstolo que escrevesse este
Evangelho Espiritual, para rebater as perigosas
heresias apresentadas sobre a natureza de Jesus. Este
Evangelho é o próprio Cristo encarnado.

Como cristãos, precisamos crer nas quatro


declarações sobre a imagem completamente bíblica
da segunda Pessoa da Trindade, Jesus Cristo, o
Filho de Deus: Jesus Cristo é plena e completamente
divino; Jesus de Nazaré é plena e completamente
humano, as naturezas divina e humana de Jesus são
distintas, as naturezas divina e humana de Jesus
estão completamente unidas em uma pessoa.

Com base nessas declarações de fé em Cristo, temos


a profecia de Isaías:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos


deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu
nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte,
Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Is 9:6)

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio


de graça e de verdade, e vimos a sua gló-ria,
glória como do unigênito do Pai.” (Jo 1:14)

Este quarto Evangelho nos revela evidências


completas e cuidadosas sobre a origem de Jesus
como o Messias de Israel e Redentor da
humanidade.

Em seu livro, João nos conta sobre uma das boas


novas que Jesus operou: a ressureição de Lázaro.

“Disselhe Jesus: Não te hei dito que, se creres,


verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra de
onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos
para cima, disse: Pai, graças te dou, por me
haveres ouvido. Eu bem sei que sempre me ouves,
mas eu disse isto por causa da multidão que está
em redor, para que creiam que tu me enviaste. E,
tendo dito isto, clamou com grande voz: ‘Lázaro,
sai para fora’. E o defunto saiu, ten-do as mãos e
os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto
num lenço. Disselhes Jesus: ‘Desli-gai-o, e deixai-
o ir’. Muitos, pois, dentre os judeus que tinham
vindo a Maria, e que tinham visto o que Jesus
fizera, creram nele.” (Jo 11:40-45)

Jesus disse que todo aquele que crê nele, não verá a
morte, e, ainda que esteja morto, viverá. Ele veio
para abrir as prisões da morte, e nos conduzir à vida.
Não há prisão que Jesus não possa abrir. Ele tem a
chave das cadeias, dos cadeados, das algemas, do
hades, e dos lugares mais escuros que não
imaginamos, mas que estão nos lugares tenebrosos e
celestiais (Ef 6:12).

O Papel dos Discípulos de Cristo

Pregar o Evangelho de Cristo é anunciar a libertação


aos presos espiritualmente no engano. É anunciar a
plenitude de Jesus, para os pobres e humildes, e
também para os aflitos. Curar espiritualmente e
fisicamente os doentes e quebrantados. Com
autoridade, romper os grilhões do mal e proclamar a
libertação do pecado que está ligado ao domínio
demoníaco. Através da Palavra, abrir os olhos
espirituais dos perdidos para verem a luz do
evangelho e serem salvos.
A Palavra de Deus nos liberta, quando a
reconhecemos e aplicamos suas verdades em nossa
vida. Jesus nos ordenou a pregar o Evangelho a
todas as pessoas.

E disselhes: “Vão pelo mundo todo e preguem o


evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for
batizado será salvo, mas quem não crer será
condenado. Estes sinais acompanharão os que
crerem: em meu nome expulsarão demônios; fa-
larão novas línguas.” (Mc 16:15-17)

Como verdadeiros discípulos de Cristo, nós


devemos estar sob disciplina da sua Palavra, e
cumprir o seu mandato: anunciar o Reino de Deus.

Nós podemos até chamá-lo de Senhor, e, mesmo


assim, não fazermos o que Ele nos manda (Lc 6:46).
Ser discípulo é caminhar debaixo da orientação do
seu Mestre. Durante os três anos do ministério
público de Jesus, doze foram seus discípulos antes
de serem apóstolos, e, como discípulos, eles estavam
sob a instrução de seu Mestre e Senhor.

Sendo assim, da mesma forma que Jesus libertava


os oprimidos, tirando as algemas físicas e espirituais,
como fieis discípulos do Senhor, precisamos
continuar a anunciar o seu Evangelho, também
através da libertação e cura!

Libertar espiritualmente uma pessoa é conduzi-la


para um rio pleno de graça. É revelar pela ação do
Espírito Santo, uma nova vida sem prisões e dores.
É anunciar a obra completa da cruz, fazendo parte
do mandato de Cristo: Anunciar o Reino do Senhor!

Fomos chamados para pregar as boas novas de


Cristo, a mensagem da Redenção. Assim, os sinais e
prodígios nos seguirão.
capítulo 3
Jesus, a Chave para a
Libertação
“E porei a chave da casa de Davi sobre o seu
ombro, e abrirá, e ninguém fechará; e fechará, e
ninguém abrirá.” (Is 22:22)

“E ao anjo da igreja que está em Filadélfia


escreve: Isto diz o que é santo, o que é verda-deiro,
o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém
fecha; e fecha, e ninguém abre.” (Ap 3:7)

Até agora, nós já vimos sobre o ministério de Jesus


e a libertação, o relato verídico dos Evangelhos em
anunciar a abertura de prisão aos presos; e o Reino
de Deus.

Jesus é a chave que abre todas as prisões, tanto no


âmbito físico quanto no âmbito espiritual. A sua
plenitude lhe permite essa obra. Não importa em
qual esfera estejamos presos, Jesus é
Suficientemente Poderoso para nos libertar.

“Porque nele foram criadas todas as coisas que há


nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam
tronos, sejam dominações, sejam principados,
sejam potestades. Tudo foi cria-do por ele e para
ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as
coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do
corpo, da igreja; é o prin-cípio e o primogênito
dentre os mortos, para que em tudo tenha a
preeminência. Porque foi do agrado do Pai que
toda a plenitude nele habitasse, E que, havendo por
ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio
dele recon-ciliasse consigo mesmo todas as coisas,
tanto as que estão na terra, como as que estão nos
céus. A vós também, que noutro tempo éreis
estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas
obras más, agora contudo vos reconci-liou No
corpo da sua carne, pela morte, para perante ele
vos apresentar santos, e irrepreen-síveis, e
inculpáveis.” (Cl 1.16-22).

Estudamos que o ministério de Jesus teve três


aspectos:
· Profético: pregar as boas novas aos quebrantados,
aos pobres, àqueles que reconheciam a sua
necessidade de Deus;

· Sacerdotal: no sentido de curar os quebrantados


de coração, curar e restaurar as pessoas, sanando
tanto as feridas de alma como trazendo para eles a
cura física. Intercedendo diante de Deus pelos
homens. Oferecendo-se como sacrifício vivo e
aceitável, como Cordeiro que tira o pecado;

· Ministério de Rei: decretando a libertação aos


cativos de Satanás, pois havia chegado uma nova
ordem, com um novo estatuto e novas leis,
inaugurando uma nova época em que Ele passaria a
reinar.

Jesus, como ministério messiânico, expulsou com


autoridade o velho opressor e ditador “Satanás” (1
Jo 3.8). E, Jesus abriu as portas das prisões, dando
liberdade aos que se encontravam algemados e
presos nos lugares mais remotos das trevas e da
morte.

“E o que vivo e fui morto, mas eis aqui es-tou vivo


para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da
morte e do inferno.” (Ap 1.18)

Jesus morreu, Ele foi até o inferno e nos tirou da


prisão eterna. Através da sua completa obra de
morte e de cruz, Jesus nos libertou de todas as
prisões! Agora, precisamos tomar a decisão de
aceitar sair das prisões, pois, a porta já foi aberta!

Chave tem diversos significados. No dicionário


Aulete digital, chave significa: utensílio de metal que
aciona a lingueta de fechaduras e permite abrir e
fechar portas, gavetas, cadeados etc... Aquilo que
permite o acesso a algo, condição, lugar, Ideia,
pensamento ou conceito que conduz à compreensão
de algo, à solução de um problema.

Literalmente, Jesus é a Chave de Deus, Ele abriu as


nossas prisões, e foi a solução dos nossos
problemas, do pecado (Jo 3.16).

Na Bíblia, chave significa autoridade. No livro de


Isaías, podemos ler sobre a história de Sebna e
Eliaquim. Sebna foi um mordomo, um oficial
corrupto do governo. Ele se exaltou, querendo usar
as chaves de autoridade de forma errada. Porém,
Deus viu a intenção desse mordomo e o destituiu do
cargo. Assim, o Senhor levantou Eliaquim:

“E será naquele dia que chamarei a meu servo


Eliaquim, filho de Hilquias. E vesti-lo-ei da tua
túnica, e cingi-lo-ei com o teu cinto, e entregarei
nas suas mãos o teu domínio, e será como pai para
os moradores de Jerusa-lém, e para a casa de
Judá. E porei a chave da casa de Davi sobre o seu
ombro, e abrirá, e ninguém fechará; e fechará, e
ninguém abri-rá.” (Is 22.20-22)

Eliaquim era a sombra profética do reino messiânico


de Jesus, onde Ele teria autoridade de governo. A
chave de Davi simbolizava o reino de Deus sobre a
Terra. Abrindo as prisões e liberando a céus abertos
o Reino de Deus. Exercendo um domínio em
plenitude de paz, revelando a paternidade de Deus
(Jo 14.6).

A Chave É Palavra

A chave para a libertação é a Palavra de Deus. E,


Jesus é o Verbo que se fez carne e habitou entre
nós; onde a sua glória foi vista, como o Unigênito
do Pai, cheio de graça e verdade (Jo 1.14).

A chave para a libertação é anunciar a graça e a


verdade de Cristo, através do poder do Espírito
Santo.
Paulo nos exorta sobre essa chave:

“E não vos embriagueis com vinho, em que há


contenda, mas enchei-vos do Espírito”. (Ef 5.18)

“A palavra de Cristo habite em vós abun-


dantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e
admoestando-vos uns aos outros, com salmos,
hinos e cânticos espirituais, cantan-do ao Senhor
com graça em vosso coração. E, quanto fizerdes
por palavras ou por obras, fa-zei tudo em nome do
Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”.
(Colossenses 3.16,17)

Ser cheio do Espírito Santo, de forma consciente, e


ter em abundancia a Palavra de Cristo em nós, nos
leva para um nível profético sadio. As nossas obras
devem refletir o poder de Deus, que nos é revelado
em sua Palavra.

A espiritualidade que não está alicerçada na Palavra


de Deus é uma falsa chave para a libertação, pois
vira um misticismo, e engano das trevas. A Palavra
que não é regada pela Presença do Espírito Santo,
não tem eficácia viva. Precisamos andar à luz da
Palavra, que nos levará a um Evangelho Vivo, em
Cristo, que abrirá as prisões.

Assim, como Jesus trouxe à razão humana


novamente ao gadareno, da mesma forma devemos
saber que, quando, através do nome de Jesus,
abrimos as prisões, o resultado será fazer com que a
pessoa seja mais parecida em sua moral, em seus
pensamentos e em sua conduta de vida com Cristo,
que é a imagem e semelhança de Deus.

“E foram ter com Jesus, e viram o endemo-


ninhado, o que tivera a legião, assentado, ves-tido
e em perfeito juízo, e temeram.” (Mc 5.15).
Conteúdo Bíblico:

A Bíblia nos apresenta algumas palavras chaves para


as questões de Prisão Espiritual. Jesus é a Chave que
nos liberta de todos esses lugares. Muitos são
relatados no livro de salmos, o que nos levará ao
entendimento que a súplica a Deus libertou esses
presos. Por isso, uma oração caprichada a Deus,
através do nome de Jesus, poderá nos auxiliar nessa
missão!

· “O inimigo persegue a minha alma, abate-me até o


chão; faz-me habitar na escuridão, como aqueles
que morreram há muito.” ( Sl 143:3)

· “Tira a minha alma da prisão, para que eu louve o


teu nome.” (Sl 142:7)

· “Os que se assentaram nas trevas e nas sombras da


morte, presos em aflição e em ferros, por se terem
rebelado contra a palavra de Deus e haverem
desprezado o conselho do Altíssimo.” (Sl 107:10)

· “Tirou-os das trevas e das sombras da morte e


lhes despedaçou as cadeias.” (Sl 107:14)
· “Pois quebrou as portas de bronze e despedaçou
os ferrolhos de ferro.” (Sl 107:16)

· “Assim diz o Senhor: No tempo aceitável te ouvi e


no dia da salvação te ajudei, e te guardarei, e te darei
por aliança do povo, para restaurares a terra, e dar-
lhes em herança as herdades assoladas; para dizeres
aos presos: Saí; e aos que estão em trevas:
Aparecei. Eles pastarão nos caminhos, e em todos os
lugares altos haverá o seu pasto”. (Is 49:8-9).

· “Mas este é um povo roubado e saqueado; todos


estão enlaçados em cavernas, e escondidos em
cárceres; são postos por presa, e ninguém há que
os livres; por despojo, e ninguém diz: Restitui”. (Is
42:22).

· “Para ouvir o gemido dos presos, para soltar os


sentenciados à morte”. (Sl 102:20)

“Venha perante a tua face o gemido dos presos;


segundo ·
a grandeza do teu braço preserva aqueles que estão
sentenciados à morte”. (Sl 79:11).

parte 2
Contexto Bíblico
capítulo 4
A Bíblia e o
Aprisionamento
Espiritual
“Tu vês muitas coisas, mas não as observas; ainda
que tens os ouvidos abertos, nada ouves. Foi do
agrado do SENHOR, por amor da sua própria
justiça, engrandecer a lei e fazê-la gloriosa. Não
obstante, é um povo roubado e saqueado; todos
estão enlaçados em cavernas e escondidos em
cárceres; são postos como presa, e ninguém há que

os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui.” (Is


42:20-22)

O Que a Bíblia diz sobre a Prisão


Espiritual?

Como vimos no texto de Isaías 61, onde o profeta


diz que o Messias seria ungido pelo Espírito do
Senhor para proclamar “a libertação aos cativos”, ele
acrescenta: “e a abertura de prisão aos presos”.

Numa rápida leitura do texto, sem pararmos para


meditar mais profundamente, pode até parecer que
estas duas expressões são equivalentes, que querem
dizer a mesma coisa: a libertação da escravidão de
Satanás.

A palavra “cativo”, porém, exprime a condição da


pessoa estar apenas sob a ação do inimigo, e “preso”
indica que há barreiras que o impede de sair da
prisão. Isto implica em considerarmos que alguns
podem não estar cativos, mas mesmo assim estarem
presos.

O profeta, ao mencionar essas duas condições, disse


que as pessoas seriam libertas tanto da condição de
cativas, como na condição de presas. Podemos
dizer, em outras palavras, que os prisioneiros seriam
libertos e os aprisionados ficariam livres.

Diversas traduções dessa Escritura nos trazem o


entendimento de que há, de fato, duas condições nas
quais ocorrem a libertação (Is 61:1):

“... liberdade aos cativos, e a abertura de prisão


aos presos” (ARC).
“... liberdade aos cativos e libertação das trevas
aos prisioneiros” (NVI).
“... libertação aos cativos e a pôr em liberdade os
algemados” (RA).
“... libertação aos escravos e a liberdade para os
que estão na prisão (NTLH).
“... liberdade aos cativos, a libertação aos que
estão presos” (BJ).

Dentro do contexto do ministério de libertação,


quando Isaías diz proclamar a libertação daquele que
está cativo, entendemos que se trata da libertação de
uma vida que está sob a ação do inimigo, num
cativeiro, sob a escravidão de Satanás, e que está
debaixo de opressão, sendo afligida pela presença de
espíritos. Entendemos, assim, que de alguma forma
esses espíritos opressores devem ser expulsos da
vida da pessoa, através do nome de Jesus, para que
ela fique liberta.
Em muitos casos, nós estaremos lidando com o
espírito da pessoa que, no caso, poderá estar
contaminado com a presença de espíritos malignos.

A operação de expulsar os demônios acontece no


mundo espiritual, mas é uma ação acompanhada,
muitas vezes, de efeitos perfeitamente perceptíveis
no mundo natural. Por exemplo, a pessoa oprimida
pode ter uma manifestação visível de demônios, que
tomam a sua mente, e falam com uma voz diferente
da própria pessoa. Declaram coisas absurdas, falam
e dão mensagens de morte e destruição, e assim por
diante.

Quando, porém, a legalidade dos demônios é


quebrada, pelo arrependimento e pela fé, e pelo
comando para eles saírem, através do nome de
Jesus, ocorre uma mudança extraordinária na
pessoa, porque os espíritos, de fato, deixam a
pessoa.

A expulsão acontece no mundo espiritual, mas


podemos constatar visivelmente no mundo físico
que houve uma mudança total. Até a expressão
facial da pessoa se altera! Já a condição de
“libertação aos que estão presos” implica em retirar
as pessoas de prisões espirituais em que o inimigo as
colocou.

“E foram ter com Jesus, e viram o endemo-


ninhado, o que tivera a legião, assentado, ves-tido
e em perfeito juízo, e temeram”. (Mc 5:15)

Não se trata propriamente de expulsar demônios,


mas retirar as pessoas de dentro de prisões.

Abertura de Prisão

“(...) a proclamar liberdade aos cativos, e a


abertura de prisão aos presos.” (Is 61:1)

Aqui o sentido é abrir uma prisão, é deixar a pessoa


livre de impedimentos que não a permitiam ser
abençoada por Deus. Trata-se de uma prisão
espiritual. A pessoa estava presa espiritualmente em
algum lugar, ou numa situação, por alguma razão.

Mas, o que isto significa?

A pessoa pode ter tido uma experiência clara da


salvação, ter se arrependido, ter tido uma
experiência de novo nascimento (o que significa que
ela foi legalmente liberta do cativeiro), mas ainda
não consegue experimentar a plenitude da vida
abundante em Cristo Jesus, por estar espiritualmente
aprisionada numa situação que lhe tinha sido
imposta no passado.

O Evangelho de Cristo, que é a sua Palavra, é


suficientemente poderoso para nos tirar de qualquer
prisão. Porém, devemos desfrutar conscientemente
dessa plenitude viva. E o fato de algum trauma ter
nos paralisado e nos aprisionado, pode ser uma linha
tênue a nos impedir esse desfrute; uma oração de
súplica ao nosso Senhor e Redentor nos ajudará.

É muito comum, por exemplo, uma pessoa ficar


aprisionada no lugar onde ocorreu um abuso sexual.
O abuso é um dos pontos mais sensíveis e terríveis
que pode acontecer. Muitas vezes afeta o
comportamento futuro de quem foi abusado,
trazendo-lhe uma propensão à prostituição, à
homossexualidade, ao lesbianismo, a diversos vícios
sexuais ou à frigidez sexual.
Na prisão espiritual a pessoa não consegue viver
uma vida plena, ela enfrenta muitas limitações. Isto
significa que a pessoa pode estar trabalhando,
dormindo, desfrutando de lazer, aparentemente
vivendo uma vida normal, mas ainda há
impedimentos internos em sua vida que a deixa
presa.

Essa situação não se resolve automaticamente na


hora da conversão, assim como uma pessoa, em
muitos casos, não fica imediatamente curada de uma
enfermidade física, pelo fato de receber Jesus como
Salvador. Mas, depois de ter nascido de novo, é
claro que pode apropriarse de todas as bênçãos
conquistadas por Cristo na cruz, inclusive a cura
física e a libertação de prisões.

“Ora, àquele que é poderoso para fazer infi-


nitamente mais do que tudo quanto pedimos ou
pensamos, segundo o poder que opera em nós”.
(Ef 3:20)

Sim, Jesus declarou que a unção real de um novo


soberano, que venceu a guerra e subjugou o
inimigo, está presente, anunciando a libertação aos
cativos do antigo soberano Satanás:

“Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino


no nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já
o acusador de nossos irmãos é der-rubado...” (Ap
12:10 - ACF)

Agora, o novo soberano, Jesus Cristo, anunciou


uma nova época em que mudou o jogo, em que os
cativos e aprisionados serão libertos da escravidão,
pois tanto serão afastados os que os oprimiam como
eles terão ainda as portas de sua prisão abertas, e
ficarão livres de tudo que os impedia de serem
abençoados.

O Clamor por Libertação

Deus em toda a Bíblia se mostra disponível para


libertar o seu povo de cativeiros, tanto no âmbito
social e político, como no âmbito espiritual. A
opressão está presente em nosso mundo.

Tais opressões e prisões são claramente expressas


nas Escrituras. Por exemplo, o salmista clama ao
Senhor:

“A ti eu clamo, Senhor; minha rocha; não fiques


indiferente para comigo. Se permanece-res calado,
serei como os que descem à cova.” (Sl 28.1 - NVI)

Aqui o salmista está apresentando o desespero de


alguém que, apesar de conhecer o Senhor e ter
experiências com Deus, está dizendo que passa por
sensações semelhantes às de quem morre, e por isto
está suplicando a intervenção do Senhor.

Na escritura a seguir, o salmista diz que foi o Senhor


que o retirou de uma prisão espiritual:

“Esperei confiantemente pelo Senhor, ele se


inclinou para mim e me ouviu quando clamei por
socorro. Tirou-me de um poço de perdição, dum
tremedal de lama; colocou-me os pés so-bre uma
rocha e me firmou os passos. E me pôs nos lábios
um novo cântico, um hino de louvor ao nosso
Deus; muitos verão essas coisas, te-merão e
confiarão no Senhor.” (Sl 40:1-3)

Davi reconheceu a necessidade do socorro de Deus


e clamou, pois algo muito errado ocorria consigo.
Ele se achava aprisionado num poço de perdição,
num tremedal de lama. O resultado, depois de
liberto, foi louvar ao Senhor!

Em outra ocasião, Davi disse que gostaria de louvar


a Deus livremente, mas para isto teria de sair de uma
prisão. Havia algo que o impedia; ele não conseguia
louvar ao Senhor:

“Liberta-me da prisão, e renderei graças ao teu


nome.” (Sl 142:7a – NVI – ênfase da autora)

Em outra versão, este mesmo verso diz:

“Tira a minha alma da prisão, para que louve o


teu nome.” (Sl 142:7a - ACF)

Isso nos mostra que a prisão espiritual muitas vezes


atua no sentido de impedir a pessoa de agir e,
principalmente, de louvar ao Senhor. Sua vontade
está presa, vale dizer, sua alma está presa.
Você já viu pessoas abatidas, sem ânimo, com uma
tristeza que até parecem que já morreram? Isso pode
ser decorrente de uma prisão espiritual. Veja a
Escritura:

“O inimigo persegue a minha alma, aba-te-me até


o chão; faz-me habitar na escuridão, como
aqueles que morreram há muito.” (Sl 143:3 – EC –
ênfase da autora)

A razão dessa pessoa sentir-se aprisionada na


escuridão, identificando-se com o estado dos
mortos, é também decorrente de uma ação do
inimigo em sua alma, onde ela está dentro de um
quadro de prisão.

E a causa disso as Escrituras também nos revela:

“Alguns se assentaram nas trevas e nas sombras


da morte, presos da morte, presos de aflição e em
ferro, por se haverem rebela-do contra as palavras
de Deus, e desprezado o conselho do Altíssimo.”
(Sl 107:10 – EC – ênfase da autora)

A causa da prisão espiritual é revelada, de maneira


clara, como, em alguns casos, a rebelião contra as
palavras de Deus e o desprezo ao conselho do
Altíssimo.
Mas o Senhor pode nos libertar. Somente Ele nos
liberta:

“Tirou-os das trevas e das sombras da mor-te e


quebrou as suas cadeias.” (Sl 107:14 - EC)

“Pois [o Senhor] quebra as portas de bronze e


despedaça os ferrolhos de ferro.” (Sl 107:16 - EC)

E, aqui, mais uma vez as Escrituras nos dizem de


forma bem clara que é Deus quem nos tira das
trevas, das sombras da morte, que é Ele quem
quebra as cadeias e as portas de bronze,
despedaçando os ferrolhos de ferro que nos
prendiam espiritualmente.

No Salmo 88 o salmista descreve a sua angústia.


Suas palavras são tão fortes que alguns de nós
poderiam chegar a pensar que este salmo não se
aplica a um cristão, tamanha a angústia e o
desespero expresso nos versos:
Ó Senhor , Deus da minha salvação, dia e noite
clamo dian-te de ti. Chegue à tua presença a minha
oração, inclina os ouvidos ao meu clamor. Pois a
minha alma está farta de males, e a minha vida já
se abeira da morte. Sou contado com os que
baixam à cova; sou como um homem sem força,
atirado entre os mortos; como os feridos de morte
que jazem na sepultura, dos quais já não te
lembras; são desamparados de tuas mãos.
Puseste-me na mais profunda cova, nos lugares
tenebrosos, nos abismos. Sobre mim pesa a tua
ira; tu me aba-tes com todas as tuas ondas.
Apartaste de mim os meus conhecidos e me fizeste
objeto de abominação para com eles; estou preso e
não vejo como sair. Os meus olhos desfalecem de
aflição; dia após dia, venho clamando a ti, Senhor,
e te levanto as minhas mãos. Mostrarás tu prodí-
gios aos mortos ou os finados se levantarão para
te louvar? “Será refe-rida a tua bondade na
sepultura? A tua fidelidade, nos abismos? Acaso,
nas trevas se manifestam as tuas maravilhas? E a
tua justiça, na terra do esquecimento? Mas eu,
Senhor, clamo a ti por socorro, e antemanhã já se
antecipa diante de ti a minha oração. Por que
rejeitas, Senhor, a minha alma e ocultas de mim o
rosto? Ando aflito e prestes a expirar desde moço;
sob o peso dos teus terrores, estou desorientado.
Por sobre mim passaram as tuas iras, os teus
terrores deram cabo de mim. Eles me rodeiam
como água, de contínuo; a um tempo me
circundam. Para longe de mim afastaste amigo e
companheiro; os meus conhecidos são trevas.
(ênfase da autora)

As palavras: “farta de males, cova, sepultura, peso,


terrores, aflição, trevas, indignação, terra do
esquecimento, profundeza, abismo, trevas”, e as
expressões “desamparados de tuas mãos, prestes a
expirar, estou preso e não vejo como sair”...
Somam-se em situações negativas neste salmo, e
assim podemos precipitadamente concluir que a
pessoa que passa por uma situação como essa
certamente não conhece o Senhor.

Mas isso não é verdade, pois o versículo 1 declara


ser Ele o Deus da sua salvação. O versículo 18, na
versão ARC, indica com mais clareza uma condição
ainda mais terrível:
“Afastaste longe de mim amigos e companheiros; os
meus íntimos amigos agora são trevas.” (ênfase da
autora).

Esses versículos expressam um estado profundo de


desespero e aflição. A pessoa, apesar de conhecer o
Senhor, está vivendo uma angústia tão grande que
clama, grita e berra diante de Deus, esperando ser
salvo daquela situação, quando tudo parece vir
contra si, quando vê o cerco apertado e não vê
saída.

O profeta Ezequiel, ao profetizar sobre o vale dos


ossos secos, no capítulo 37 do seu livro, diz algo
muito significativo. Ele afirma que todo o povo de
Israel está dentro de uma sepultura. Ele declara que
uma nação toda está aprisionada:

“Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abrirei os


vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas
sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de
Israel. E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu
abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das
vossas sepulturas, ó povo meu.” (Ez 37:12-13 -
ACF)

Toda Palavra de Deus foi escrita para nossa


edificação. De fato, os Salmos foram compostos
com a utilização de uma linguagem poética,
composta por figuras de linguagem, tais como
metáforas, metonímias, símiles e outras, que servem
para nos ajudar a compreender o estado real das
coisas. Portanto, quando tratamos de libertação,
precisamos estar com nossos ouvidos espirituais
atentos ao que o Espírito Santo está dizendo, muitas
vezes por meio de figuras de linguagem, para
podermos entender as realidades espirituais.

Assim, diante de tudo isso que a Bíblia nos revela,


temos de entender que certas circunstâncias,
mediante a ação do inimigo, podem nos ter colocado
numa prisão espiritual, o que passa a limitar o nosso
crescimento espiritual e pode anestesiar a nossa
experiência com Deus.

Esse estado de prisão espiritual e emocional pode,


também, impedir que a Palavra de Deus nos fale,
pode nos dar sensações negativas de sentimentos de
morte, medo e tristeza, pode impossibilitar de
vivermos a Palavra de Deus e os princípios bíblicos,
roubando de nós uma vida abundante e mais
profunda com Deus.

Nossa alma é atingida, e não conseguimos fazer


certas coisas que deveríamos fazer. Nesse caso,
sentimo-nos (e estamos!) presos espiritualmente.
São barreiras espirituais que nos foram impostas, e
que precisam ser rompidas.

Não se trata de expulsar demônios, mas sim de


libertar-nos de prisões espirituais, cadeias do
invisível que nos prendem na esfera física e visível.

capítulo 5
Funções do Espírito
“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o
vosso espírito, alma e corpo sejam conservados
íntegros e irrepreensíveis na vin-da de nosso
Senhor Jesus Cristo.” (1Ts 5:23)

No versículo em destaque, o apóstolo Paulo narra


com clareza que somos constituídos de três partes,
afirmando que, além do corpo, temos uma alma e
um espírito.

Alma e espírito são, de fato, duas partes distintas em


nosso ser. Creio que é muito importante sabermos
como funciona o espírito do homem, pois muitos
são os crentes cujo espírito não está atuando com a
plena capacidade que tem, que lhe foi dada por
Deus.

Em outras palavras, podemos dizer que muitos que


têm a vida eterna em Cristo não vivem a dimensão
espiritual que Deus lhes concedeu. Será que
podemos afirmar que, para certas pessoas, a vida
espiritual é até mesmo quase inexistente?

É com o seu espírito que o homem comunica-se


com Deus, em adoração e oração. Também é no
espírito do homem que os demônios se comunicam
com ele. Assim como o homem relaciona-se com o
mundo físico através do corpo, o seu espírito é a
parte que lhe permite relacionarse e ter comunhão
com o mundo espiritual.

O ser humano foi formado a partir do pó da terra,


como descreve a narrativa de Gênesis. E Deus
soprou em suas narinas o fôlego da vida: “rûah!” – e
o homem tornou-se alma vivente:

“Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da


terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o
homem passou a ser alma vivente.” (Gn 2:7)

Nas Escrituras, os animais criados também são


chamados de almas viventes (Gn 1:24; 2;19), e,
portanto, possuem alma.

O homem, porém, recebeu o sopro de Deus, e é por


isto que ele possui um espírito, o local em que o
Espírito (sopro) de Deus nele passou a habitar. E,
tendo o Criador feito o homem à sua semelhança,
ele recebeu a capacidade de pensar, raciocinar,
emocionar-se, decidir, escolher, etc.

Alma e Espírito

Assim, conforme as Escrituras nos mostram, por


receber o sopro (espírito) de Deus, o homem é a
única criatura que possui, além da alma, um espírito.
E Jó nos diz que é através do espírito humano que a
inspiração de Deus lhe dá entendimento:

“Na verdade, há um espírito no homem, e a


inspiração do Todo-Poderoso o faz entendido.” (Jó
32.8 - ACF)

Isso significa que o espírito do homem se comunica


com o Espírito de Deus.

Vejamos agora o que nos ensina Jesus quando


estava conversando com a mulher samaritana,
aquela com quem se encontrou no poço de Sicar.
O assunto era a adoração. Aparentemente aquela
mulher sabia o que a religiosidade samaritana exigia
com respeito à adoração. Ela, contudo, assustou-se,
tanto pelo fato de Jesus, sendo judeu, dialogar com
ela, como pelo que Ele lhe dizia - algo bem diferente
do que ela estava acostumada a ouvir.

Jesus lhe disse que o local de adoração não é


importante. O que importa é a quem adorar e como
adorar. Sendo Deus Espírito, disse Ele, é necessário
adorá-lo em espírito e em verdade:

“Mas vem a hora, e agora é, em que os


verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito
e em verdade; porque o Pai procura a tais que
assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os
que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”
(Jo 4:23-24 - ACF)

A adoração é para ser feita em espírito, ou seja,


através do espírito, pois é no espírito (e não na
alma) que o ser humano comunica-se com Deus. E,
assim, para se ter comunhão com Deus, é necessário
que o Espírito de Deus esteja habitando no espírito
do homem.

Em outras palavras, isso somente ocorre naquele


que é nascido de novo, que possui o Espírito Santo.
Somente este pode realmente ter comunhão com
Deus.

Funções do Espírito do Homem

As três principais funções do espírito são: Intuição,


Discernimento e Comunhão. Vamos analisá-las com
respeito ao espírito do novo homem, nascido de
Deus, pois nesse novo estado, essas funções
ocorrem sob a ação do Espírito Santo, que no
homem habita.

Nosso interesse é analisar como Deus opera no


espírito do novo homem, dando-lhe o que
denominamos “dons espirituais”. É claro que, no
crente, no espírito do velho homem, e também no
espírito dos incrédulos, essas mesmas funções
ocorrem, mas de forma corrompida, ou seja,
mediante a ação de espíritos impuros (demônios).
Veja o que Paulo nos ensina:

“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e


pecados. Em que noutro tempo andastes segundo o
curso deste mundo, segundo o príncipe das
potestades do ar, do espírito que agora opera nos
filhos da desobediência. Entre os quais todos nós
também antes andávamos nos desejos da nossa
carne, fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira,
como os outros também. Mas Deus, que é
riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor
com que nos amou, estando nós ainda mortos em
nossas ofensas, nos vivificou juntamente com
Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou
juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares
celestiais, em Cristo Jesus”. (Ef 2:1-6)

Assim como temos os cinco sentidos no corpo


físico, temos também, no espírito, cinco sentidos
espirituais:
· Visão espiritual (de imagens, fatos, símbolos,
anjos, demônios),
· Audição espiritual (ouvimos a voz de Deus e dos
demônios),
· Olfato espiritual (que nos dá o discernimento do
que “cheira mal” espiritualmente),

· Tato espiritual (opressão ou paz em nosso espírito)


e o gozo espiritual (o que nos é agradável
espiritualmente, e que nos satisfaz – correspondente
ao paladar, no corpo).

Os dois primeiros fazem parte da intuição; os outros


três, do discernimento.

Intuição

Intuição significa: Faculdade ou ato de perceber,


discernir ou pressentir coisas, independentemente
de raciocínio ou de análise. Forma de
conhecimento direta, clara e imediata, capaz de
investigar objetos pertencentes ao âmbito
intelectual, a uma dimensão metafísica ou à
realidade concreta.

A intuição é o órgão sensitivo do espírito na área da


comunicação. É conhecida como o sexto sentido.
Ela age independentemente de qualquer influência
externa. Ela é definida como aquele conhecimento
que vem intuitivamente, isto é, vem a nós não
através de nossos sentidos físicos, e ainda sem
qualquer ajuda da mente, da emoção ou da vontade.

Ela nos mostra aquilo que “sabemos” sem conhecer


a sua origem, sem que ninguém nos tenha dito. A
nossa mente meramente nos ajuda a “entender” o
que a intuição nos revela. As revelações de Deus e
todo o movimento do Santo Espírito podem ser
conhecidos pelos crentes através da intuição. Um
exemplo bíblico dessa verdade vemos no seguinte
versículo:

“O próprio Espírito testifica com o nosso espírito


de que somos filhos de Deus.” (Rm 8:16)

Da intuição fazem parte a visão e a audição


espiritual: por meio dessas funções é que Deus se
comunica com o homem. Trata-se de um
conhecimento subjetivo. Por meio delas é que
temos, também, os dons proféticos que nos
capacitam a ver o mundo espiritual. Portanto,
podemos destacar que:
· Deus pode ser conhecido pelo homem através da
intuição.
· Deus revela a sua vontade ao homem através da
Palavra escrita, porém Ele pode falar à nossa
intuição.

· Ele se faz conhecido por habitar em nosso espírito,


onde Ele pode usar as nossas faculdades intelectuais
para trazer o conhecimento da sua existência
absoluta.

Quando, pela intuição, recebemos revelações


espirituais, estas são levadas à nossa razão, que,
então, tem condições de analisa-las utilizando a
nossa mente. E, no momento em que o Espírito
Santo nos mostra alguma coisa em nosso espírito
(visão espiritual), Ele ainda nos faz lembrar o que as
Escrituras (Palavra de Deus) dizem a respeito do
ponto em questão, e tudo é levado à razão, à
consciência, e para o nosso livre-arbítrio, nos
permitindo tomar a decisão correta.

Mediante a visão espiritual (que vê aquilo que ainda


não existe fisicamente), a nossa fé é edificada em
nossas crenças.
Assim como o corpo capta, do mundo físico,
situações que, levadas à nossa alma, despertam
nossas emoções, e também reações (sentimos,
dizemos ou fazemos alguma coisa em razão do que
vimos ou ouvimos), semelhantemente o espírito
pode receber intuições que são levadas à alma e que
também geram emoções e outras reações, inclusive a
fé, que vem pelo ouvir a Palavra.

Jesus e a Intuição

Cristo, que é inteiramente Deus e plenamente


homem, viveu uma vida sem pecado. Jesus é o
nosso modelo para ser seguindo, Ele é a imagem de
Deus incorruptível, onde usou todas as suas
faculdades para manifestar o reino de Deus, e para
discernir o ambiente que Ele andava.

Os seguintes exemplos nos mostram situações em


que a intuição revelou algo a Jesus (em seu espírito),
e Ele, na sua razão e consciência, tomou a decisão
de fazer alguma coisa:

“E Jesus, conhecendo logo em seu espírito que


assim arrazoavam entre si, lhes disse: ‘Por que
arrazoais sobre estas coisas em vos-so coração?’”
(Mc 2:8 - ACF)

“E, suspirando profundamente em seu espírito,


disse: ‘Por que pede esta geração um sinal?’” (Mc
8:12 - ACF)

“Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que


a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-
se. E perguntou: ‘Onde o sepultastes?’” (Jo 11:33-
34a)

Paulo, tendo sido alertado no espírito, isso afetou


sua alma, trazendo-lhe alguma preocupação: “Não
tive ... tranquilidade no meu espírito.” (2Co 2:13)

Discernimento

O discernimento é a função de distinguir o puro do


impuro, o benigno do maligno, o verdadeiro do
falso, no mundo espiritual. É diferente da
consciência, pois esta analisa as mesmas condições
com base na razão, e no registro dos princípios e
absolutos que nela estão gravados.

O discernimento pode atuar com base em três


sentidos espirituais, conforme já foi mencionado:
olfato, tato e gozo espirituais. O que nos é revelado
através dos sentidos espirituais é confrontado com a
sensibilidade espiritual que o nosso espírito possui,
pela ação do Espírito Santo.

Se na razão a nossa consciência julga alguma coisa


com base nos conhecimentos que possuímos, o
nosso discernimento julga com base no que o
Espírito Santo nos revela. O discernimento atua de
forma direta e independente; não se dobra a
qualquer influência externa, nem à nossa razão
humana; mas pode ser comprovada na Palavra de
Deus.

É através dessa parte do espírito que exercemos o


dom espiritual de discernimento. E sempre quem
atua é o Espírito Santo.

“A cada um, porém, é dada a manifestação do


Espírito, visando ao bem comum. Pelo Espírito, a
um é dada a palavra de sabedoria; a outro, a
palavra de conhecimento, pelo mesmo Espírito, a
outro, fé, pelo mesmo Espírito; a ou-tro, dons de
cura, pelo único Espírito; a outro, poder para
operar milagres; a outro, profecia; a outro,
discernimento de espíritos; a outro, variedade de
línguas; e ainda a outro, interpre-tação de línguas.
Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo
mesmo e único Espírito, e ele as distribui
individualmente, a cada um, conforme quer”. (1Co
12:7-11 – ênfase da autora)

Quando o discernimento nos aponta para algo que


não condiz com o que é reto, puro, pio, essa
informação é levada à nossa alma, que assim reage
em conformidade com a situação, despertando
emoções, pensamentos e reações que se expressam
também através do corpo físico.

Assim, por exemplo, o que o nosso “faro” espiritual


nos revela pode ser algo que nos seja de um odor
agradável ou que, pelo contrário, seja algo
abominável em nosso espírito. No mundo espiritual
o cheiro é agradável quando o nosso espírito
percebe a presença do que é puro, santo, perfeito.
Quando não é agradável, o odor espiritual é algo que
nosso espírito abomina. E por que ele abomina?
Porque nele habita o Espírito Santo, que
imediatamente detecta aquele odor desagradável.

Quando o tato espiritual nos revela a presença de


um espírito imundo ao nosso redor, ficamos com
um sentimento de opressão, que é oposto ao
sentimento de paz que temos quando não há
espíritos malignos ao nosso redor. Esse sentimento
também é levado à nossa razão, que pode agir ou
reagir, de acordo com nossa decisão. Por exemplo,
numa das viagens de Paulo, o seguinte episódio nos
é narrado:

“E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao


encontro uma jovem, que tinha espírito de
adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande
lucro aos seus senhores.” (At 16:16 - ACF)

Como foi que Lucas e Paulo descobriram que a


jovem tinha um espírito de adivinhação? Isso lhes
foi mostrado no espírito, pois aparentemente ela
somente falava o que era verdade: “Estes homens,
que nos anunciam o caminho da salvação, são
servos do Deus Altíssimo.” (At 16:17 - ACF)

Mas, diz o texto, que Paulo ficou “perturbado,


indignado” com aquilo.

“Ela continuou fazendo isso por muitos dias.


Finalmente, Paulo ficou indignado, vol-tou-se e
disse ao espírito: ‘Em nome de Jesus Cristo eu lhe
ordeno que saia dela!’ No mesmo instante o
espírito a deixou.” (At 16:18)

Ele deveria perturbar-se se ela o acusasse de


impostor, de falso... Seu espírito, porém, perturbou-
se com aquela presença, e ele discerniu que se
tratava de uma jovem com um espírito maligno. Isso
lhe foi mostrado em seu espírito, através de seus
sentidos espirituais.

Outro exemplo temos quando Jesus detectou, em


seu espírito, que um dos discípulos estava com a
intenção de traí-lo e que se achava sob a ação de um
espírito maligno:

“Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito


e afirmou: ‘Em verdade, em verdade vos digo que
um dentre vós me trairá’.” (Jo 13:21 - ACF)

Seu espírito angustiou-se, pois Ele teve o


discernimento, dado pelo seu olfato espiritual, que
Judas estava contaminado espiritualmente. A
extrema tristeza, caracterizada pela ausência do gozo
espiritual e pela opressão, foi o que causou aquele
sentimento em Jesus.

De igual forma, quando o discernimento nos revela


algo que nos traz gozo espiritual, esse gozo reflete-
se em nossa alma, que nos faz alegrar e move até os
músculos do nosso corpo que nos fazem sorrir.
Maria sentiu alegria em seu espírito e assim
declarou:

“E o meu espírito se alegra em Deus meu


Salvador.” (Lc 1:47 - ACF)

Comunhão

A comunhão é a capacidade de adorar a Deus e ter


com Ele um relacionamento íntimo. Também, todo
relacionamento com os espíritos malignos se dá no
espírito do homem. Assim, o relacionamento com o
mundo espiritual é feito através do espírito. A
adoração, portanto, é feita no espírito:

“Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em


espírito e verdade.” (Jo 4:23). Pois, “Deus é
Espírito” (Jo 4:24)

A nossa adoração a Deus e a sua comunicação


conosco acontecem diretamente em nosso espírito.
A nossa alma pode louvar a Deus, mas, essa função
é específica do nosso espírito. Somente um espírito
livre, e uma alma redimida podem louvar e adorar a
Deus.

Deus não pode ser compreendido pelos nossos


pensamentos humanos, sentimentos ou intenções;
porque Ele só pode ser conhecido e acessado
diretamente pelo nosso espírito, que fala à nossa
razão sobre a Presença de Deus.

“Pois os meus pensamentos não são os


pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são
os meus caminhos”, declara o Senhor. “Assim
como os céus são mais altos do que a terra, tam-
bém os meus caminhos são mais altos do que os
seus caminhos e os meus pensamentos mais altos
do que os seus pensamentos”. (Is 55:8-9)

Nós só podemos ter uma comunhão plena com


Deus, se o adorarmos em espírito e verdade. É
através do espírito que temos a consciência de
servirmos a Deus.

“Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito...”


(Rm 1:9)

Quando oramos em línguas, diz Paulo, é o nosso


espírito que está se comunicando diretamente com
Deus:

“Porque, se eu orar em outra língua, o meu


espírito ora de fato.” (1Co 14:2)

A intuição, o discernimento e a comunhão são


profundamente inter-relacionados entre si e
funcionam coordenadamente em nosso espírito, e de
forma integrada com todo o nosso ser.

Os Homens Não Regenerados

Os homens não regenerados, isto é, que não


nasceram de novo, não têm vida espiritual com
Deus, pois não são habitados pelo Espírito Santo.
Antes da regeneração, o espírito está morto. A morte
espiritual é caracterizada precisamente pela ausência
do Espírito de Deus no espírito do homem.

“Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal


não é dele.” (Rm 8:9b)

Somente depois da regeneração, o espírito recebe a


vida verdadeira, pois o Espírito Santo passa a morar
na pessoa, no novo homem.

Já o incrédulo, que não nasceu de novo, recebe em


seu espírito, em seu estado de ignorância por
práticas erradas, apenas a habitação de espíritos
malignos, ou seja, de demônios. A pessoa está morta
espiritualmente; não tem a vida eterna. Sua adoração
é aos maus espíritos; alguns manifestam ainda “dons
espirituais”, dados pelos demônios, que são
contrafações dos dons espirituais dados pelo
Espírito. A pessoa pode ter intuição, discernimento,
mas os agentes desses dons são espíritos impuros. E
sua comunhão é com eles.

Atente para a seguinte palavra de Jesus:

“E, quando o espírito imundo tem saído do


homem, anda por lugares áridos, bus-cando
repouso, e não o encontra. Então diz: Voltarei para
a minha casa, de onde saí.” (Mt 12:43-44a - ACF)

Jesus disse que o demônio tinha uma “casa” no


homem de quem saiu. Obviamente isso significa que
ele habitava no homem, vale dizer, no seu espírito.

Com respeito aos incrédulos, uns são mais


contaminados do que outros, dependendo do grau
de envolvimento que tenham tido com as trevas.

capítulo 6
O Espírito Adormecido
“Então o reino dos céus será semelhante a dez
virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao
encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes,
e cinco loucas. As loucas, tomando as suas
lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as
prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as
suas lâmpadas.” (Mt 25:1-4)

Quando nasce o homem espiritual, isto é, o novo


homem – a pessoa passa a ter a presença do Espírito
Santo, que vai lhe transmitindo uma nova natureza,
sujeita a Deus.

Paulo afirma que o “novo homem” é “criado


segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da
verdade” (Ef 4:24). Ele está “em Cristo”, e é uma
“nova criação de Deus” (2Co 5:17). Ele poderá
desfrutar de bênçãos e do descanso do Senhor. Ele
tem a unção (o óleo) do Espírito.
Muitos crentes, porém, sabem muito pouco sobre
esta situação e, devido a longos anos de escravidão
nas mãos de Satanás, (no tempo anterior à
conversão), não têm uma vida espiritual abundante,
com Deus.

Precisamos agora cultivar o temor e tremor diante de


Deus (Fp 2:12). Temos de aprender o que é
espiritual de Deus e o que provém da carne.

Assim, é necessário exercer o discernimento, para


não sermos mais contaminados, e para buscarmos a
constante direção do Espírito em nossa vida. A
presença do Espírito Santo no crente passa a dar-lhe
todo o entendimento, e lhe ensinará todas as coisas:

“Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai


enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as
coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho
dito.” (Jo 14.26)

Muitos crentes, porém, têm se deixado adormecer


espiritualmente. Têm o Espírito, mas não permitem
que Ele opere. E, como Ele é cavalheiro, gentil,
nada lhes impõe. Jesus nos contou uma parábola
que descreve precisamente esta situação: há virgens
que não são prudentes, que não levam o azeite
consigo (não deixam o Espírito atuar em sua vida).

Vou apresentar agora alguns dos pontos


considerados fundamentais para a vida do nascido
de novo, segundo John Sandford, cujo pensamento
vou reproduzir a seguir.1

Vamos ver como não ficarmos adormecidos


espiritualmente, sem a unção do Espírito Santo. Em
outras palavras, veremos quais são as características
daquele que é prudente, cujo espírito não está
adormecido.

Desfrutar a Adoração em Conjunto com os


Irmãos

Na adoração, aquele que está desperto


espiritualmente sente a Presença, a unção do
Espírito Santo. É tocado por Ele e é renovado. O
seu espírito sente alegria, amor, e a sua alma canta
louvores a Deus. E tem a capacidade de permanecer
na presença de Deus em grande alegria e cheio de
glória:

“...o qual [Cristo], não o havendo visto, amais; no


qual, não o vendo agora, mas cren-do, vos alegrais
com gozo inefável e glorioso.” (1Pe 1:8)

O espírito do novo homem não somente é carregado


por Deus na adoração, mas discerne e sente o
palpitar do espírito e do coração dos outros. Torna-
se fusionado não apenas com o amor de Deus, mas
também com o amor de todos os demais crentes.
Verdadeira adoração une os corações, porque são
mediados apenas por um só fogo de amor.

Pessoas não nascidas de novo, que não têm a vida


do Espírito Santo em seu espírito, muitas vezes
dizem: “Não sei do que eles estão falando. Eu nunca
senti a presença de Deus”.

Aquele cujo espírito não foi vivificado pela presença


do Espírito Santo, quando se encontra numa reunião
de oração em que todos estão levantando as mãos e
louvando a Deus, não sente a presença de Deus e,
assim, não experimenta a plenitude da adoração. Ele
não tem a capacidade de senti-la.
Os que já nasceram de novo, mas estão adormecidos
espiritualmente, podem sentir toques momentâneos
da presença de Deus, mas esses toques não
permanecem.

Tais pessoas não sabem como banhar no rio de


Deus o seu espírito, que está em necessidade –
sendo que a Palavra de Deus diz: “Há um rio cujas
correntes alegram a cidade de Deus” (Sl 46:4). De
fato, assim nos exorta o apóstolo Paulo: “Enchei-vos
do Espírito.” (Ef 5:18)

Desfrutar um Tempo de Meditação Pessoal

Aquele que está com o espírito vivificado e desperto


pode entrar na presença de Deus e aquecer-se em
seu amor, consegue “voar alto”, espiritualmente
falando. Ele “sobe com asas nas alturas” (Is
40:31). A Palavra adquire para ele um significado
especial, pois ele recebe, em seu espírito, a
inspiração da Bíblia. E imagens e pensamentos não
solicitados jorram de sua mente, pelo poder do
Espírito Santo.
Aqueles que estão com o espírito morto (não
renascidos) dizem: “Procuro ter as minhas devoções,
mas são sempre áridas. Não sinto nada.” Até a
leitura bíblica disciplinada pode tornar-se um
deserto. Leitura repetida não traz nenhuma
revelação. Jó diz que é o espírito do homem que lhe
dá o entendimento (Jó 32:8).

Já no espírito do novo homem, nascido de novo, o


Espírito Santo nele opera, move-se e nele toca para
dar o entendimento que é necessário para aplicar a
Palavra de Deus na situação particular em que se
encontra. Descobertas surpreendentes surgem para
ele nas páginas da Bíblia.

Para os que têm o espírito morto, o seu espírito não


responde ao Espírito Santo. Se suas devoções
continuam, é meramente por dever.

Estamos acostumados a pensar que, quando o


Espírito Santo vem, a pessoa imediatamente
compreende as coisas do Espírito. Mas não há
mágica; a unção é apenas para aqueles que têm
ouvidos para ouvir, e olhos para ver.
Assim diz a escritura com respeito ao homem
natural, não nascido de Deus:

“Ora, o homem natural não aceita as coi-sas do


Espírito de Deus, porque lhe são lou-cura; e não
pode entendê-las porque elas se discernem
espiritualmente. Porém o homem espiritual julga
todas as coisas, mas ele mes-mo não é julgado por
ninguém.” (1Co 2:14-15)

Compreendamos que este texto aplica-se também a


nós, nascidos de novo. Pois, mesmo sendo um novo
homem, ainda temos o velho homem, o homem
natural, nascido da semente de Adão, em nós. E
muitos crentes têm procurado entender a Bíblia
fazendo uso apenas do seu homem natural.

Um fato importante é que muitos são os crentes que,


tendo o Espírito Santo, o deixam “adormecido”. As
Escrituras somente podem ser corretamente
compreendidas no novo homem, nascido da
semente de Deus, tendo a revelação do Espírito em
seu espírito. Há os que nasceram no espírito, mas
que não desenvolveram a capacidade de se
comunicar, simplesmente porque não a cultivaram.
E há aqueles que, por alguma razão, deixaram-se
ficar aprisionados em alguma circunstância.

Desse modo, entendimento espiritual não é questão


de brilhantismo intelectual. São milhares os homens
e mulheres que, sendo brilhantes intelectualmente,
ainda têm o espírito adormecido. Não conseguem
entender as coisas simples do Espírito, apesar de
terem o Espírito Santo. Ele é colocado de lado. E,
Ele não força a situação. Simplesmente deixa de
atuar.

Ouvir a Voz de Deus

Deus fala de diversas formas. Ele usa sonhos


proféticos, visões, impressões no espírito,
percepções, odores espirituais. Deus pode também
usar sintomas no corpo físico para comunicar
alguma coisa. Deus usa histórias do passado para
nos falar. Deus usa a Palavra e a aplica em
circunstâncias específicas pelas quais passamos. É
interessante como Deus se vale de tantas formas
para comunicar-se conosco!
Assim diz o Senhor:

“Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há


profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele, me faço
conhecer ou falo com ele em sonhos. Não é assim
com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a
minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente
e não por enigmas; pois ele vê a forma do
SENHOR; como, pois, não temestes falar contra ...
Moisés?” (Nm 12:6-8)

Os nascidos de novo, cujo espírito não está


adormecido, têm em seu espírito, no novo homem,
pressentimentos intuitivos – pelo poder do Espírito
Santo. Recebem revelações e têm prazer em andar,
passo a passo, mão a mão, com Deus, pela direção
que Ele dá.

Deus nos fala com visões, sonhos e muitas outras


maneiras. Ele fala ao nosso homem espiritual. Ele
pode nos dar impressões e devemos ser sensíveis a
elas, para não abafarmos a sua voz. Não somente
ouvir, mas devemos obedecer à voz de Deus. E o
homem espiritual tem grande alegria em seguir o que
Deus lhe diz e lhe mostra.

Os crentes que têm o espírito adormecido, porém,


dizem: “Não entendo... As pessoas dizem que
ouvem Deus falando, mas isto nunca acontece
comigo”. Deus tem comunhão com o nosso homem
espiritual. Ele fala, além da nossa mente renovada
em Cristo, cheia da sua Palavra e verdade, aos
ouvidos do nosso homem espiritual, em nosso
espírito.

O Poder da Inspiração

A inspiração do Espírito Santo traz criatividade. As


ideias florescem. A pessoa, nascida de novo,
descobre novas maneiras de fazer a mesma coisa.
Em tudo o que faz há vida. Se ela escreve uma
poesia, a poesia faz sentido e apresenta vida. Se
escreve uma peça, ela é inspirada; o mesmo se dá ao
escrever artigos e livros.

No entanto, aquele que, sendo crente, tem o espírito


adormecido, ao tocar um instrumento musical
produz uma música que pode ser tecnicamente
perfeita, mas não possui vida.

Já a pessoa com o espírito desperto toca junto com


o seu corpo. Seu espírito também canta e entoa a
música. Uma ilustração disso, tirada do mundo
físico, é a sensível diferença entre engenheiros
criativos, que atuam com criatividade e ousadia, em
relação a outros que apenas cumprem a sua
obrigação e fazem o que lhe é pedido.

Relacionar-se Bem com os Outros

A capacidade de se comunicar e manter comunhão


com os outros é uma evidência de que a pessoa tem
o espírito vivo e desperto. Ela consegue encontrar-se
com os outros através do seu espírito. É sensível às
necessidades dos outros e pode identificar-se com
eles. Nós nos ligamos uns com os outros através da
empatia. Nosso espírito sente o que o outro sente.

Muitos de nós nos encontramos pela primeira vez


com uma pessoa crente e sentimos como se já a
conhecêssemos há muito tempo. Com essa pessoa
descobrimos que existe uma correspondência
espiritual, pois há eco e ressonância no que falamos
(nosso “tato” espiritual está funcionando, dando esse
discernimento). Dificilmente terminamos uma
sentença porque o que ela diz é exatamente o que
estamos pensando, ou estamos para dizer. A
conversa torna-se viva e interessante, rápida e
divertida. Saímos renovados e queremos encontrar
essa pessoa de novo.

Por outro lado, há pessoas com quem trabalhamos


há anos e chegamos à conclusão de que nada
conhecemos delas. A conversa nunca decola e é
cansativo estar em sua presença, em sua companhia.
Não conseguimos desenvolver uma amizade.
Pessoas com o espírito adormecido não conseguem
suportar um relacionamento duradouro.

Conviver com uma pessoa com espírito adormecido


não somente é solitário, mas irritante. No nosso
relacionamento de família, ou no casamento,
devemos estar sensíveis para verificar onde e como
o espírito da outra pessoa está.

O marido e a mulher devem ser perceptíveis para


saber como o cônjuge se sente emocionalmente;
precisam ter a percepção quanto a se ele necessita de
uma atenção especial, de um abraço, de uma palavra
de amor, de ânimo. É necessário saber parar uma
conversa animada, quando se percebe a tristeza ou o
aborrecimento do outro. E, ainda, não entrar num
casulo nem fugir, quando a outra pessoa necessita
compartilhar alguma coisa.

No casamento, viver com uma pessoa que tenta ser


boa, mas que não se relaciona sensivelmente com o
cônjuge, pode tornar-se um relacionamento doloroso
e solitário, e até aflitivo.

John Sandford diz ter visto muitos lares destruídos,


produzindo pessoas mais e mais quebradas,
fraturadas, cujo espírito nunca foi nutrido para a
vida. Muitas delas não estão suficientemente
preparadas para viver um casamento. Assim, esses
infelizes procuram ter encontros impessoais e
temporários, por não serem capazes de entrar no
santuário da santidade que há entre os espíritos de
um casal.

Transcender o Tempo
As pessoas de espírito desperto, embora possam
estar passando por um momento muito difícil,
lembramse dos momentos bons e felizes. No caso de
um casal, ainda que estejam em crise, os dois
lembramse de coisas positivas, alegres e divertidas
do passado, e tentam sobrepujar a presente situação,
projetando um futuro melhor. Eles se nutrem das
coisas do passado e têm esperança para o futuro.

Quem tem o espírito adormecido, porém, só pensa


no aqui e agora, e não consegue pensar ou
considerar o futuro. Não consegue lembrarse do
passado e não projeta nada para o futuro. A única
coisa que pode fazer é pensar e curtir a dor do
presente. É uma pessoa que não consegue
disciplinarse nos gastos; é alguém totalmente absorto
pelo presente, que compra o que deseja sem
considerar o que possa acontecer no futuro. E,
quando o credor vem cobrar, não entende por que
tem que pagar todo o dinheiro que deve.

É alguém que, ainda que na igreja chegue a ouvir


uma mensagem poderosa sobre o pecado e o seu
juízo, sai do culto e vai diretamente dormir com a
namorada num motel.

Os que têm o espírito adormecido recebem apenas


na mente, mas não conseguem receber nada no
espírito. Ouvem e ouvem, mas facilmente se
esquecem, sem ter entendimento da mensagem,
porque o seu espírito não é capaz de receber a
mensagem e transmiti-la para que seja gravada na
alma, em sua memória.

Proteger-se de Enfermidades

O espírito vivo protege-nos da doença e nos dá a


alegria de viver – e assim nos desfazemos dela
rapidamente sempre que com ela nos deparamos.

Conheço pessoas que raramente ficam doentes e


que, quando acometidas por uma enfermidade,
suportam tudo muito bem. Enfermidades não têm
poder sobre essas pessoas, que delas logo se
desvencilham. Ao enfrentarem uma condição
terminal, mesmo assim permanecem brilhantes e
vibrantes. O espírito delas tudo suporta e é vitorioso.
E nunca ficam por baixo das circunstâncias.
Há, porém, pessoas escravizadas pelo espírito de
enfermidade, que estão sempre doentes. Ou estão
presas numa prisão de enfermidade. Nunca estão
bem.

Uma Consciência Atuante e Boa

O homem espiritual tem uma boa consciência que,


tendo o auxílio do discernimento, opera antes das
coisas acontecerem; isso o protege dos problemas,
pois ele deixa de fazer o que seria errado.

Já isso não ocorre com aquele que não se vale do


discernimento, pois o seu espírito está adormecido.
Para ele, a consciência atua meramente depois do
evento, quando então consegue discernir que pecou.
Já no caso do não crente, o discernimento que
possui é fruto da ação de espíritos de engano, o que
fatalmente lhe fará cair em erro.

A lei não nos impede de pecar (de transgredir). Mas


o amor ao Senhor nos constrange a não pecarmos.
Contudo, ainda assim pecamos.

Pela ação do Espírito Santo em nosso espírito, é este


que nos alerta, muitas vezes, de que estamos para
fazer alguma coisa errada e entristecer o Espírito (Ef
4:30). ELE ainda nos causa dores quando vamos
atingir outras pessoas.

Tudo isso é passado à nossa consciência, e dela para


o nosso livre-arbítrio. Este é quem toma a decisão
final.

Quando, porém, pecamos, mesmo tendo sido


alertados pela nossa consciência, ela continua
falando conosco, apontando-nos para o fato de que
pecamos. Uma nova decisão precisa então ser
tomada pelo nosso livre-arbítrio, dentre três
alternativas.

A primeira é não nos arrependermos, e ignorarmos


que pecamos. Naquele que é nascido de novo, isso
pode ocorrer durante algum tempo, mas o Espírito
continua apontando à sua consciência, e ela não se
dará por satisfeita até o dia em que a pessoa
realmente se arrepender.

A segunda alternativa é o remorso, que é diferente


do arrependimento verdadeiro (que é a terceira
alternativa), face a um pecado cometido. A diferença
entre essas duas possibilidades é muito bem ilustrada
quando comparamos as atitudes de Judas Iscariotes
e Pedro. O primeiro teve remorso e enforcou-se.
Mas Pedro arrependeu-se e expressou isso chorando
amargamente (Lc 22:62).

O remorso ocorre naqueles que não nasceram de


novo e nas pessoas que têm o espírito adormecido.
Porque tal pessoa caminha pela lei, pela mente, pelas
recordações e pelas emoções. O remorso é
egocêntrico. Ele nos faz apenas conscientes de que
falhamos em relação ao que deveríamos ser.

O verdadeiro arrependimento, que é a terceira


alternativa, é resultado do dom do amor. Se eu amo
alguém e o meu espírito está desperto e vivo, ele vai
me checar antes de praticar aquilo que
potencialmente possa ferir alguém. Se tal pessoa me
é estranha, o Senhor em mim a ama, e me previne,
no meu espírito, que aquilo poderá ferir e entristecer
o Espírito Santo e também o meu próximo. Veja que
isso é mais do que o simples alertar da consciência,
com base no conceito de certo e errado que ela
possui.

Se o espírito de uma pessoa está em estupor, não


pode preveni-la. Se a possibilidade de ferir alguém
começa aparecer na consciência, os desejos e a
ganância podem bloquear a sua voz. Mas o espírito
desperto grita até não poder mais, pois abomina o
pecado. Conhecendo Jesus, o amor é desperto de tal
forma que a pessoa não suporta causar injúria em
ninguém. Aquele que peca, porém, naquela área o
seu espírito não conhece nem permanece em Jesus.

“Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o


pecado, porque a semente de Deus permanece
nele; ele não pode estar no pecado, porque é
nascido de Deus.” (1Jo 3:9 - NVI)

Esse texto claramente nos diz que o novo homem, o


homem espiritual (aquele que é nascido de Deus) de
fato não peca. Quando pecamos, foi o nosso velho
homem, ainda corrompido, que pecou. E, quando o
nosso velho homem peca, o novo homem, que não
se contamina e que permanece em Cristo, clama
dentro de nós!Assim, mesmo depois de renascido, o
espírito do homem natural tem de ser vivificado
efetivamente, pois há nele partes ainda
contaminadas, mortas, onde o Espírito Santo não
habita. Devemos desenvolver a nossa regeneração,
que vem através da salvação (Fp 2:12).

O crente tem o seu espírito adormecido nas áreas


em que o seu espírito não recebeu a purificação e
ainda está contaminado. Seu espírito precisa
purificar-se completamente, para poder encher-se
totalmente do Espírito, ter a plenitude do Espírito
Santo. Paulo nos exorta: “Enchei-vos do Espírito.”
(Ef 5:18).

Se o novo homem não peca (Ef 4:24; 1Jo 5:18), o


homem natural peca, pois está contaminado (Ef
4:22; 1Jo 1:8), e precisa, conforme já foi dito, ser
despojado de nós. Temos de fazer morrer a nossa
natureza terrena! (Cl 3:5 - RA). Sim, o homem
natural comete erros, e ainda deixa de fazer coisas
que deveriam ser feitas e pode ser invadido por
pensamentos ruins, sentimentos negativos e até por
espíritos impuros (1Ts 5:19).

Por isso Paulo nos exorta a purificarmos tanto a


nossa carne (a parte da alma que está contaminada)
como também o nosso espírito (2Co 7;1; 1Ts 5:23).

O novo homem, a parte do nosso ser que nasceu de


Deus, este nunca escolherá pecar. Aliás, diz a
Escritura, ele não peca porque o maligno não
consegue nem mesmo tocar nele, pois ele é santo!
Isso está em 1 Jo 5:18:

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus


não peca; mas o que de Deus é gera-do conserva-
se a si mesmo, e o maligno não lhe toca..” (1 Jo
5:18, ACF)

Mas se o velho homem falha – e fica longe da


disciplina, da adoração, da Palavra, do dar sacrificial
aos outros – o seu espírito natural, nessas áreas, está
morto e contaminado. E até mesmo espíritos
malignos podem alojar-se nessas partes
contaminadas. As promessas de Deus são
condicionais; elas dependem da nossa estada ou
permanência na posição de recebê-las.

A Glória da União Sexual Marital


O apóstolo Paulo nos ensina que aquele que se une
com o Senhor é um só espírito com Ele, e quem se
une a uma meretriz torna-se uma só carne com ela
(1Co 6:16-18). Paulo estava apontando para a
realidade da união que ocorre tanto no casamento
como em nossa união com Cristo.

No casamento, quando o sexo marital é


compartilhado corretamente, há um íntimo e
precioso conhecimento, um encontro que preenche
e acaricia todo o ser, um ao outro. Esse encontro
depende de o espírito de cada cônjuge sentir a
presença e a comunhão do espírito do outro. A
unidade não ocorre simplesmente na união dos
corpos, mas estabelece-se na alma e no espírito.
Quando o homem e a mulher descobrem a glória do
dom que Deus deu aos cônjuges – que ninguém
mais pode ter, a não ser eles – descobrem a
verdadeira proteção da tentação sexual.

A glória marital acontece pelo fato de que o Espírito


Santo canta a canção do amor da criação, através do
espírito do marido para a mulher e da esposa para o
marido.
Aqueles que não têm o espírito adormecido, e que
foram consagrados um ao outro na cerimônia do
casamento cristão, podem descobrir, na sua união, a
glória especialmente designada pelo Senhor para ser
desfrutada na sua vida sexual. Na verdadeira união,
os espíritos do casal fluem, de um para o outro,
através do corpo, alegrando e abençoando-os
reciprocamente, e por isso a Bíblia diz: “Adão
conheceu a Eva” (Gn 4:1 - ARC).

Há uma glória no casamento entre dois nascidos de


novo. Esta glória não ocorre, absolutamente, em
uniões extraconjugais. Quando o adultério ocorre
entre crentes, a maior causa desse pecado, em minha
opinião, é o fato de vidas estarem ainda com o
espírito aprisionado, contaminado e adormecido.

Poder para Discernir ou Julgar

Sobre o discernimento, vimos como essa função do


espírito é importante no crente, nascido de novo.
Vimos que ela somente pode ser exercida pela
presença do Espírito Santo em nosso espírito. Se,
porém, a pessoa está com o espírito adormecido,
isto é, há muitas áreas em que o Espírito Santo não
está atuando, como poderá discernir corretamente?

Em muitas situações, a pessoa é enganada. Ela


discerne que “Deus me disse isso, e aquilo...”, mas
na realidade quem falou não foi o Espírito Santo.
Foi um espírito enganador. Somente aquele que está
totalmente liberto, livre de toda ação de espíritos
malignos, ou seja, somente quem não está com o
espírito adormecido é que poderá discernir
corretamente em seu espírito.

Lembremo-nos de que todo engano não passa pelo


crivo da Palavra de Deus, e por isso ela é muito
importante para analisarmos qualquer discernimento
que venhamos a ter.

E o segundo critério é a paz de Cristo em nosso


coração (Cl 3:15). O terceiro, é o julgamento feito
pelos irmãos (1Co 14:29). Somente o espírito
vivificado poderá discernir espiritualmente.

Paulo diz que as coisas espirituais “se discernem


espiritualmente” (1Co 2:14-15), e que esta não é
uma função do homem natural, e sim do homem
espiritual. Aos que estão com o espírito adormecido,
a seguinte Escritura aplica-se direitinho:

“Desperta, tu que dormes, levanta-te den-tre os


mortos [deixa-te ser revificado, em teu espírito], e
Cristo te esclarecerá [não serás mais
enganado!].” (Ef 5:14)
1. SANDFORD, John; SANDFORD, Paula. The healing of the
wounded spirit. Plainfield (NJ, USA), 1984.

capítulo 7
O Reino de Deus e a
Libertação
“E, depois que João foi entregue à prisão, veio
Jesus para a Galileia, pregando o evangelho do
reino de Deus. E dizendo: ‘O tempo está cumprido,
e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e
crede no evangelho’.” (Mc 1:14-15)

Jesus ministrava sobre o Reino de Deus e o seu


mover sobre a terra. O objetivo central do ministério
de Jesus Cristo era fazer notório o poder do Pai, Ele
não fazia nada por si, mas repetia tudo o que via o
Pai fazer, trabalhar a favor dos homens, criados à
imagem e semelhança de Deus.

O ministério de libertação e curar interior envolve a


batalha espiritual, todavia, o centro dessa guerra não
é exaltar as trevas, pelo contrário, é mostrar que o
Reino de Deus está entre nós.
“Mas se é pelo Espírito de Deus que eu ex-pulso
demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus”.
(Mt 12:28)

É pelo poder do Espírito Santo que expulsamos os


espíritos malignos, por meio do nome Jesus Cristo, a
maior autoridade.

“Porque nele foram criadas todas as coisas que há


nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam
tronos, sejam dominações, sejam principados,
sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para
ele. E ele é antes de todas as coi-sas, e todas as
coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do
corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito
dentre os mortos, para que em tudo tenha a
preeminência”. (Cl 1:16-18 ACR).

Satanás e seus demônios nunca foram uma ameaça


para a expansão do Reino de Deus na terra. Deus é
o Soberano Criador, e satanás e suas hostes são
apenas criaturas, que pelo livre-arbítrio decidiram se
rebelar contra Deus. O nosso adversário é limitado,
mesmo possuindo suas habilidades para destruir,
roubar e matar, tudo está debaixo da ordenança de
Deus.

[ O Reino de Deus e a Libertação ]

Deus escolheu derrotar o mal, por meio de Jesus


Cristo na cruz, e expor as suas fraquezas através dos
cristãos, que reconhecem ser a imagem e
semelhança de Deus, em Cristo Jesus.

Dentro do Reino de Deus, nós podemos guerrear


acima do mal, somente com palavras de comando,
como fazia Jesus. Nós estamos assentados com o
Senhor, nas regiões celestiais, diante de nós, o
Senhor prepara uma mesa à frente dos nossos
inimigos!

Nós nos movemos pelo Espírito Santo, e


manifestamos a glória de Jesus, e o seu triunfo! A
igreja de Cristo é conhecida também como “Corpo
de Cristo”, pois é a extensão da presença do Filho
de Deus ressurreto na terra, e embaixadores do
Reino de Deus. Ela existe para dar continuidade à
obra que Ele iniciou antes e depois da sua
ressurreição.
Jesus foi o único que conseguiu, por sua obediência
a Deus, despir satanás e seus principados e
potestades, subjugando-os na cruz! Após tê-los
vencido, esmagado o seu poder, Ele entrou na
presença de Deus e dos anjos, levando cativos todos
que governam o império das trevas.

Jesus triunfantemente estabeleceu o governo do


Reino de Deus sobre a terra; e pela paz que rege o
seu Reino, nós devemos prosseguir ministrando a
libertação, a cura física e interior, expulsando os
demônios, pregando e batizando em nome do Pai,
Filho e Espírito Santo.

Os princípios

Nós devemos levar em consideração alguns


princípios sobre a batalha espiritual.

“Quanto à vossa obediência, é ela conhecida de


todos. Comprazo-me, pois, em vós; e quero que
sejais sábios no bem, mas simples no mal. E o
Deus de paz esmagará em bre-ve Satanás debaixo
dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus
Cristo seja convosco. Amém.” (Rm 16:19-20)

· Obediência a Deus e à sua vontade;


· Sermos conhecidos por obedecermos ao seu
mandamento;
· Sábios para executarmos o bem;
· Rejeitar o mal;
· Batalha debaixo do governo de Paz;
· Ter a convicção de que o Senhor já garantiu a
vitória;
· Deus usará as nossas vidas para esmagar a satanás
e os seus;
· Vivermos no pleno conhecimento da graça de
Jesus Cristo.

capítulo 8
O Novo e o Velho
homem, a Regeneração
em Cristo
Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do
velho homem, que se corrompe pelas
concupiscências do engano; (Ef 4.22)

O crente diferencia-se do não crente, ainda, num


outro aspecto.

É que, pelo novo nascimento, a pessoa passa a ter


uma nova natureza, que é referida pelo apóstolo
Paulo como “novo homem”, “homem espiritual” ou
ainda “homem interior”, em oposição à velha
natureza, chamada de “velho homem”, “homem
natural”, “homem carnal” ou ainda “homem
exterior”.

A ordem dada para nós, nascidos de novo, com


respeito ao velho homem, é no sentido de despojá-lo
da nossa vida (Efésios 4.22). Isto significa que,
mesmo depois do novo nascimento, ele ainda está
em nós, e precisa ser despojado.

O fato é que há em nós uma contínua luta entre as


duas naturezas, a velha e a nova.

Despojar o velho homem é um processo permanente


em nossa vida. É o processo da nossa santificação.
Pois quando ele é despojado, nós nos revestimos do
novo homem (Efésios 4.24).

O velho homem é composto do corpo atual (este


corpo que é nascido segundo a carne, conforme a
natureza de Adão), de toda parte ainda contaminada
da alma (que Paulo chama de “carne”), e da parte
ainda impura no espírito (com a presença de
impurezas – espíritos impuros).

Paulo deixa claro que despojar o velho homem


significa remover, tanto as impurezas da nossa alma
(da “carne”), como as impurezas do espírito:

“Tendo pois, ó amados, tais promessas,


purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne
como do espírito, aperfeiçoando a nos-sa santidade
no temor de Deus.” (2Co 7.1)

[ O Novo e o Velho homem, a Regeneração em


Cristo ]

O seguinte quadro demonstra o velho homem (que


ainda faz parte da nossa constituição):
O VELHO HOMEM
CORPOALMA ESPÍRITO ATUAL (NAS PARTES
CONTAMINADAS(NA PARTE AINDA IMPURA)=
CARNE)

Esta figura representa o homem natural do crente,


que nasceu da carne (e representa também o
incrédulo, pois este só possui o velho homem, uma
vez que não nasceu do Espírito).

O corpo físico do crente ainda pertence ao velho


homem; também dele fazem parte as partes
contaminadas na alma e no espírito.
Já o novo homem (que nós, nascidos de novo,
também somos) pode ser comparado com o templo
de Deus no Antigo Testamento. E, como o Espírito
Santo habita no espírito, podemos dizer que o
espírito do novo homem é o Santo dos Santos.

O quadro que descreve o novo homem (somente


existente naquele que foi regenerado, nascido de
novo) é o seguinte:
O HOMEM ESPIRITUAL (NOVO HOMEM)
ÁTRIO SANTO LUGAR CORPO ALMA
(glorificado) (na parte pura)

SANTO DOS SANTOS ESPÍRITO


(onde habita o espírito santo)

À medida que nos santificando, isto é, despojando o


velho homem, nos revestindo do novo, num
processo permanente em nossa vida.
capítulo 9
Cura Física e o Poder
de Cristo
Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas
enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e
nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e
oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas
transgressões, e moído por causa das nossas

iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava


sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
(Is 53.4-5)

Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do


mundo. Como já lemos, o pecado nos leva às
prisões espirituais, que poderão resultar por falta de
entendimento em prisões físicas, como por exemplo,
enfermidades.

É absoluto que Jesus já levou tudo na cruz, porém,


temos a opção de não aceitar viver essa verdade.
Quando nos aproximamos da verdade de Cristo, a
nossa consciência é vivificada, e somos
confrontados a confessar os nossos pecados, pelo
conhecimento da verdade. “E conhe-cereis a
verdade, e a verdade vos libertará”. (João 8.32)

O Ministério de Cura faz parte do Reino de Deus. A


cura vem para encorajar e animar a alma temerosa e
doente. A cura põe em ordem o plano original de
Deus para o homem, em torná-lo à sua imagem e
semelhança (Gn 1:26). A cura divina repara o mal,
aponta para o Caminho, a Verdade e traz Vida (Jo
14:6). Jesus manifestou o poder sobrenatural de
Deus, e através do Espírito Santo, Ele conseguiu
curar os cegos, abrir a audição dos surdos,
desenrolar a língua do mudo, e fazer o coxo andar.
Esse poder sobrenatural está no DNA da sua Igreja.

Jesus é o mais preocupado em nos tirar das prisões


físicas também. O seu ministério estava intrínseco
com a manifestação sobrenatural de Deus na cura
física.

O Ministério de Jesus
“Jesus foi por toda a Galiléia, ensinando nas
sinagogas deles, pregando as boas novas do Reino
e curando todas as enfermidades e doenças entre o
povo.” (Mt 4:23)

O Ministério de Jesus também está ligado com a


cura física (Is 61; Mt 8:17). Nós recebemos a ordem
para fazermos obras maiores que aquelas feitas por
Jesus Cristo. Precisamos orar pelos enfermos, e crer
que Jesus é o Rei da Cura, e o Cordeiro que levou
as nossas enfermidades (Is 53).

Nós, como cristãos, devemos entender que a Cura


Divina está relacionada à libertação, uma vez que a
maioria das enfermidades está ligada de uma forma
intrínseca com o pecado e o resultado da queda do
homem.

Alguns médicos e a Ciência apresentam tratamentos


psiquiátricos e psicológicos para alguns pacientes
sem alcançarem cura; sabemos que em boa parte
dos casos há uma relação entre a enfermidade e os
demônios e pecados.

Muitas vezes o pecado é a causa das enfermidades


(Jo 5:5-14). Jesus sabia que a causa da enfermidade
daquele homem paralítico estava relacionada ao
pecado. O Senhor o advertiu alertando que a
repetição ou permanência no pecado poderia levá-lo
a coisa pior, até mesmo à morte. Vemos que o
pecado pode afetar a constituição física, emocional e
espiritual do homem. Quando confessamos os
nossos pecados somos curados (Tg 5:14-15).

A saúde pode ser atacada também pelo agir de


satanás. Um exemplo é o caso da mulher que viveu
por dezoito anos presa por satanás, com
enfermidade, andando encurvada (Lc 13:10-16).

Os demônios podem deixar a pessoa muda e surda


(Mc 9:25). Aqui observamos o poder de Jesus e sua
autoridade contra os espíritos malignos (Mc 9:19-
28).

Vemos que Jesus ensinava a Palavra de Deus (Mt


5:1-12), pregava o arrependimento (Mt 4:17),
curava as moléstias, doenças e enfermidades entre o
povo (Mt 4:23-24). E tudo que Ele fazia era com
amor e compaixão.
A Cura é Iniciada pela Compaixão

A ministração deve ser feita com compaixão e amor,


para que Jesus possa operar:

Então Jesus, movido de íntima compaixão, tocou-


lhes nos olhos, e logo seus olhos viram; e eles o
seguiram. (Mt 20.34)

E, partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos,


clamando, e dizendo: Tem compaixão de nós, filho
de Davi. (Mt 9.27)

E, Jesus, saindo, viu uma grande multi-dão, e


possuído de íntima compaixão para com ela, curou
os seus enfermos. (Mt 14.14)

A Cura é o Resultado da Fé
Temos que orar com fé, e não sermos uma geração
incrédula. A Libertação é pela fé, Jesus perguntava o
que a pessoa queria, então Ele agia conforme a fé
daquela pessoa:
E eis que uma mulher que havia já doze anos
padecia de um fluxo de sangue, chegando por
detrás dele, tocou a orla de sua roupa; porque
dizia consigo: Se eu tão-somente tocar a sua
roupa, ficarei sã. E Jesus, voltando-se, e vendo -a,
disse: Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou. E
imediatamente a mulher ficou sã. (Mt 9.20-22)

Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mu-lher,


grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como
tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou
sã. (Mt 15.28)

E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te


faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha
vista. E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E
logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho. (Mc
10.51-52)

Jesus Manifestava o Poder de Maravilhas:

Jesus cura os leprosos (Mt 8:1-4; Mc 1:40-45; Lc


5:12-14) Jesus proclama que dá saúde (Mt 8:7).
Jesus cura o filho do centurião (Mt 8:5-6,13)
Jesus cura a febre (Mt 8:14)
Jesus expulsa os demônios e cura os enfermos (Mt
8:16) Jesus cura os paralíticos (Mt 9:1-8; Mc 2:3-
12; Lc 5:18-36)

Jesus cura a mulher com fluxo de sangue (Mt 9:18-


26; Mc 5:22-43; Lc 8:40-56)

Jesus cura os cegos e mudos (Mt 9:27-30)


Jesus tira o jugo (Mt 11:29-30)

Jesus cura o homem da mão mirrada (Mt 12:10-13;


Mc 3:1-6; Lc 6:6-11)
Jesus cura para revelar a glória de Deus (Jo 9:1-7)
Os anjos podem ministrar curar, pelo comando de
Deus (Jo 5:4)

O Dom de Cura

Deus nos deu vários dons, entre eles temos o dom


da cura física (1Co 12:28-30).
Na Bíblia o dom de maravilhas também pode ser o
de cura; porém esse dom de cura física é especifico.
Quando Jesus enviou os seus setenta discípulos para
o campo missionário (Lc 10), Ele ordenou que
curassem os enfermos:

“Curem os doentes que ali houver e di-gam-lhes:


‘O Reino de Deus está próximo de vocês’.” (Lc
10:9)

Nós devemos orar pela cura dos enfermos, é uma


ordenança de Jesus Cristo, para a manifestação do
Reino de Deus aqui na Terra.

Quando nós oramos “Venha o teu Reino. Seja feita


a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mt
6:10), estamos chamando à existência o Reino de
Paz, onde não há enfermidade. Invocamos a
Teocracia, um governo dirigido por Deus, cujas leis
estão para a vida abundante, e não para morte.

Curar é dirigir a nossa fé para o Criador do


Universo. Paulo nos aconselha a procurarmos com
zelo os melhores dons (1Co 12:31), e certamente o
dom de cura é um dos melhores.

Quando acontece o milagre de cura física, a alma e


o espírito da pessoa também são tocados pelo
Senhor. Muitos se convertem após serem curados
sobrenaturalmente.
parte 3 A Realidade
sobre Prisões
Espirituais
capítulo 10
Histórias de
Aprisionamento
“Os que se assentaram nas trevas e nas sombras
da morte, presos em aflição e em ferros, por se te-
rem rebelado contra a palavra de Deus e haverem
desprezado o conselho do Altíssimo, de modo que

lhes abateu com trabalhos o coração - caíram, e


não houve quem os socorresse. Então, na sua
angústia, clamaram ao SENHOR, e ele os livrou
das suas tribulações. Tirou-os das trevas e das
sombras da morte lhes despedaçou as cadeias.” (Sl
107:10-14)
Dentre as histórias de aprisionamento que li, ouvi, e
delas participei como ministradora de cura e
libertação, não posso deixar de relatar uma que se
acha entre as mais impressionantes sobre este tema.
É um caso que John

Sandford compartilha no seu livro “A Cura do


Espírito Ferido”. Vamos ler a seguir um resumo do
que ele escreveu.

Algo estava Errado em sua Vida

Marli era esposa de um coronel do exército e era


obrigada a estar sempre hospedando pessoas e
organizando festas. Ela era obrigada a desempenhar
o papel social de entreter as pessoas. Mas sentia-se
fora do seu lugar. Ela não conseguia identificar-se
com os sentimentos dos outros. Era muito difícil
sentir o que os outros sentiam. Ela não desfrutava da
plenitude da vida.

Marli era crente, cheia do Espírito Santo, mas


apresentava os sintomas de alguém presa
espiritualmente. Sua devoção particular era árida. Os
cultos na igreja para ela eram muito monótonos,
embora os outros se sentissem bem. Era terrível,
mas ela não conseguia sentir a presença de Deus.
“Entrar na sala do trono?... Nunca!” – pensava ela.

Marli era um constante embaraço para o seu marido.


Ela não imaginava o quanto ele a amava e a
admirava. Mas, para ela, a vida sexual era um peso.
Seria melhor se não a tivesse. Se o marido fosse um
pouco mais rude, poderia ter uma desculpa para
fugir dele, para abandoná-lo. Mas ele era alguém tão
gentil e carinhoso que Marli se enchia de desgosto e
remorso quando tinha aqueles pensamentos.

Marli era uma mulher linda e bastante saudável.


Raramente tinha uma dor de cabeça. Ela perguntava
a si mesma o que poderia estar bloqueando a sua
vida espiritual, social e sexual. Uma coisa que
lembrou foi que havia tido uma carência de afeto
muito grande de seus pais, especialmente do pai.
Ela, também, havia sido molestada sexualmente, na
infância, fato já quase suprimido em sua memória.
Ao ser ministrada, diversas vezes, por John
Sandford, ela sempre dizia: “Não estou bem, não
melhorou. Não sinto nada.”

Ele resolveu então ministrá-la mais uma vez. O fato


é que já tinham feito de tudo, e já haviam analisado
a situação sob diversos ângulos. Não restava nada a
fazer, que já não tivesse sido tentado. Ele, John, era
dotado com o dom da empatia, a capacidade de
sentir o que os outros sentem. Assim, ele se
identificava com Marli e sentia o que ela sentia por
dentro, e, desse modo, tentava encontrar a chave
para a solução do problema.

Por um momento, John sentira como se fosse ela.

Como ele conhecia grande parte das experiências


pelas quais ela havia passado, John pediu permissão
para identificar-se inteiramente com ela. Assim, foi-
lhe possível sentir as dores, as alegrias e outros
sentimentos que ela teve no passado, através do
Espírito Santo, obtendo uma forte impressão do
caráter e da personalidade de Marli.

Ao ter licença para fazer isso, foi como se tivesse


entrado espiritualmente nela. John Sandford nunca
tivera uma experiência semelhante. Ele sentiu-se
totalmente sozinho, pois ninguém estava em casa.
Era como se tivesse entrado dentro de um prédio
vazio. Ele disse: “Senti o vazio de um grande prédio.
Eu estava só. O espírito dela não estava lá.”

Lembremo-nos de que os dois estavam, fisicamente,


numa mesma sala, acompanhados de algumas
pessoas, que participavam da ministração, como
intercessores.

– Marli, onde você está? –, perguntou John.

– Diga-me você onde estou. É você que é o


conselheiro – respondeu ela.
E assim, ele foi forçado a pedir que Jesus o
ajudasse.

Jesus veio. John viu Jesus andando, descendo por


um túnel escuro, e não carregava nada - nem luz,
nem uma tocha. Jesus era a própria luz. E tudo ia
sendo iluminado, tudo que antes estava no escuro.
Jesus foi andando e John o seguia. Ao chegarem
diante de um grande calabouço, com uma porta
enferrujada, trancada, a porta abriu-se,
automaticamente, diante de Jesus:

“Tenho as chaves da morte e do inferno ... O


santo, o verdadei-ro, aquele que tem a chave de
Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e
ninguém abre ... Toda a autoridade me foi dada
nos céus e na terra.” Jesus é a própria chave. “As
portas do inferno não prevalecerão contra ela.”1
John e Jesus estavam entrando num calabouço do
inferno. Conforme Jesus caminhava, diante da sua
presença saíam figuras fantasmagóricas do inferno,
surgindo do chão sujo. Marli estava lá. Foi
encontrada numa esquina, encurvada numa posição
fetal. Ela era pequena, estava azulada e faminta.
Jesus a tomou e a colocou no colo. “Como pastor
apas-centará o seu rebanho; entre os seus braços
recolherá os cordeirinhos, e os levará no seio; as
que amamentam ele guiará mansamente.” (Is
40:11)

O Senhor a tomou para levar para fora daquele


lugar. Marly disse ao ministrador, mais tarde, que
teve momentos de alegria indescritível, antevendo o
que estava para acontecer. Jesus soprava o fôlego de
vida nela. Ela começou a andar com ELE.

E ela crescia; e, conforme andava, ia se


transformando numa linda mulher. Por duas vezes,
ela voltou a cair no aprisionamento, mas foi
chamada de volta. E, finalmente, saiu daquela
prisão.
John Sandford afirma que a Igreja precisa avançar e
atacar o inimigo, tirando as pessoas do cativeiro em
que estão, invadindo os portais do inferno e
libertando os aprisionados.2

O Rapaz Aprisionado num Buraco

Por que José não conseguia libertar-se de certos


procedimentos que tanto odiava? Como é que, por
vezes, via-se andando atrás de uma prostituta?
“Afinal” – pensava ele – “o que de errado tenho eu?
Sou líder numa igreja evangélica... Como posso ser
levado a fazer isso?”

Quando o ministrei, constatei que ele estava


aprisionado num buraco, que ele mesmo havia
cavado. Aconteceu que, um dia, por volta de seus
10 anos de idade, ele foi levado ao quarto de um
amigo, um lugar todo forrado de fotos
pornográficas. José ficou chocado com o que viu, e
isso foi o suficiente para ser invadido por espíritos
estranhos. Naquele dia, o amigo tentou abusá-lo
sexualmente, e pediu-lhe que o masturbasse.
Com os seus 12 ou 13 anos, José começou a
masturbar-se. Aos 15, já estava viciado e não
conseguia libertar-se. Ele estava preso numa
masturbação compulsiva. Crescendo, não se
contentava mais apenas com a masturbação, e
começou a procurar prostitutas.

Um dia José se converteu. Mesmo assim,


continuava procurando-as. Depois de se casar,
também não conseguia libertar-se. Sua vida era
miserável porque ficava com vergonha de si mesmo
toda vez que caía no pecado da prostituição. Sempre
pedia perdão a Deus, mas ele estava amarrado,
preso àquela prática, e voltava a repetir o pecado.

Ao ser ministrado, quando José começou a


renunciar os demônios (espíritos de prostituição),
começaram a se manifestar, trazendolhe um acesso
de riso, de gargalhadas. Algo o sufocava e ele ficou
vermelho. E não conseguia controlar os movimentos
do seu corpo.

Naquele momento, um dos intercessores teve uma


visão; viu José ainda menino, cavando um buraco e
divertindo-se, achando muita graça em estar dentro
daquele buraco. José ria muito. Mais tarde, porém,
o intercessor o viu como adulto, mas ele estava
aprisionado numa gaiola de ferro, bem no fundo
daquele buraco. E José não conseguia sair de lá.

O meu entendimento dessa visão é que ele cavou o


buraco da sua prisão quando era jovem (através da
masturbação constante, e vendo revistas e filmes
pornográficos). Conforme ele praticava a perversão
sexual, formou-se ao seu redor uma prisão de ferro
batido: uma jaula, semelhante ao que o intercessor
viu. E José ficou aprisionado, engaiolado naquela
prisão.

Ele precisava ser retirado de lá. Amarramos os


demônios, e Jesus foi convidado a entrar ali, tendo
em sua mão a chave que abre qualquer porta ou
qualquer prisão. Um anjo veio para ajudá-lo e,
finalmente, José pôde sair, e assim foi liberto
daqueles problemas que tanto o afligiam.

O Rapaz no Castelo de Música

Quando eu vi Luís na igreja, no meio de um


Seminário de Libertação, ele parecia alguém
totalmente frio e indiferente. Enquanto a multidão,
com alegria, louvava e adorava a Deus, o rosto de
Luís permanecia totalmente indiferente e passivo.
Ele não mexia um músculo sequer do seu rosto.
Parecia uma pedra.

Por ter Luís despertado a minha atenção, mais tarde


examinei a sua ficha (formulário que ele havia
preenchido para ser ministrado), e verifiquei que
estava quase limpa, isto é, havia bem poucos itens
assinalados (que indicavam compromissos feitos no
passado com as trevas, com o pecado). Nada de
diferente ou significativo nela havia. Mas, mesmo
assim, eu o escolhi para ser ministrado. O que eu
não sabia era que os demônios vinham se
manifestando nele todas as noites, já por dois anos,
conforme fui informada depois.

Quando recebi Luís para ser ministrado e fomos


orar por ele, Deus colocou em nós uma comoção e
um amor muito grande por aquele rapaz. Ele estava
preso, e o intercessor o viu dividido em três
pedaços.
O primeiro pedaço referia-se à sua vida intrauterina;
no segundo pedaço ele se apresentava como
totalmente amarrado com as cordas da guitarra; e o
terceiro pedaço referia-se à sua masculinidade. Luís
contou-nos posteriormente que, quando estava para
nascer, a bolsa d’água arrebentou-se e ele
permaneceu sete dias, quieto, sem nenhuma água.
Quando nasceu, os médicos ficaram surpresos,
porque normalmente ele não sobreviveria. Mas Deus
o conservou com vida, lá dentro, durante todo
aquele tempo.

A princípio, pensei que se tratasse de um caso de


sentimentos congelados (uma condição em que a
pessoa não demonstra nenhum sentimento, em razão
de haver feridas de alma). Mas, na ministração,
constatei que Luís era alguém de fato convertido,
que tentava ser direito e queria sinceramente servir a
Deus, mas não conseguia.

A música era algo de suprema importância em sua


vida. Luís me disse ainda que não se sentia bem
cantando da forma como o pessoal da igreja
cantava, porque ele se recusava a vulgarizar a
música para Deus. Em sua ministração, logo
descobri que ele era idólatra da música. Luís
idolatrava James Dean, Elvis Presley e John
Lennon.

As filosofias ou ideias que o norteavam eram, de um


lado, tranquilidade, autoimagem positiva,
autoconfiança; de outro lado, tristeza, medos
ocultos, solidão, isolamento, depressão, “baixo
astral”.

Com John Lennon ele aprendeu o desespero, que


não existe futuro, a negação de tudo, que existo
porque existo, que nada faz sentido, o deboche, e a
filosofia do engano. Luís lia, cantava e estudava as
músicas e as letras de John Lennon, de um modo
desvairado.

Ninguém sabia do seu mundo interior. Só ele sabia


e, pela primeira vez, ele estava se expondo.

E assim Deus foi me mostrando que ele estava preso


num castelo que ele mesmo havia construído para
esconder-se. A filosofia daquelas músicas foi o
material que ele utilizou para construir esse castelo.
Nele, Luís encontrou um senhor bem vestido, que o
levou a conhecer várias salas. Cada sala representava
algum tipo de música: rock, pop, jaz, neoclássico,
etc. Quem o conduzia tinha um controle de
computador e o controlava.

Luís confessou os seus pecados e mostrou-se


arrependido.

Quando começou a renunciar os espíritos malignos,


teve dificuldade para respirar. Era o espírito de
morte que não queria largá-lo. Um dos intercessores
colocou-se então no lugar dele para renunciar e orar.
E, assim, com certa dificuldade, prosseguimos na
sua ministração.

Ele enfrentava muito assédio sexual com os olhos


das pessoas, especialmente das mulheres. Ele se
comunicava com os olhos. Os homens eram mais
terríveis na tentação. Ele era usado para ser exibido.

Na vida do dia a dia ele se refugiava na guitarra:


quando estava triste, desabafava seus sentimentos no
instrumento. Por vezes tocava até machucar os
dedos. Aliás, ele me disse que tocava até sangrar.
Era um pacto inconsciente realizado com as trevas,
selado com aquele sangue. Seus dedos foram então
desligados dos poderes malignos, mediante unção
com o óleo. Depois disso ele ficou espantado, pois
seus dedos agora estavam livres.

Nessa hora, os demônios começaram a manifestar-


se, assustados, porque fios espirituais que antes
estavam ligados nos dedos tinham sido
desconectados.

Os demônios lançavam sobre ele palavras de


acusação e de mau agouro:

“Você não vai ser nada!” “Se você for por este
caminho, vai se dar mal!” “Você não deve sair de
onde está, em hipótese alguma!” “Você nunca vai
fazer bem à sua família!” “Tudo que você quer é
errado!” “Tudo que você gosta é certo!”

Aqueles espíritos estavam gritando, pois sabiam que


estavam prestes a perdê-lo e tinham sido obrigados a
devolver tudo o que eles haviam roubado do rapaz.

Chegou então o momento em que Luís teria de ser


tirado daquele castelo. Antes, porém, ungi com óleo
a sua mente.

Com a unção, os demônios reagiram com violência.


Um deles apareceu e pediu um cigarro e, mais tarde,
quis também uma bebida. Esse demônio disse que
Luís tinha um chamado para fundar uma nova
religião, que seria denominada Véu Nascente, e que
atingiria toda a humanidade. Ela nasceria na terra
para defender a filosofia de vida adotada por James
Dean.

O direito legal que Luís havia dado ao diabo e aos


demônios tinha sido a idolatria a James Dean. O
demônio havia entrado na vida dele através de uma
sentença dada por um pai de santo muito famoso:
“A paz como a essência da vida”.

O inimigo sempre distorce a realidade da paz


verdadeira. Ele dizia trazer a paz. Eu, Neuza, lhe
disse que não existe nenhuma paz fora do Príncipe
da Paz, Jesus Cristo de Nazaré. Então ele foi
batendo com a língua nos dentes, dizendo que trazia
um falso bem-estar, uma maldade em forma de
bondade, cigarro na forma de pena, alcoolismo na
forma prazerosa, e a vida com um demônio
chamado Belótos. E este apresentava-se muito
amável.

Prosseguimos em tirar Luís do castelo. Era um lugar


muito frio. JESUS e eu nos dirigimos então ao
castelo. Amarrei todos os espíritos que se
apresentavam como guardiães: James Dean, Elvis
Presley e John Lennon. Abri o castelo e pedi que
Luís saísse, segurando as mãos de JESUS.

Luís saiu arrastado e um pouco assustado, então


ficou em pé. Viu anjos sorrindo para ele. Quando
viu as mãos que o seguravam, identificou-as como
sendo as mãos de JESUS, por causa dos sinais.
Eram as cicatrizes dos cravos, da crucificação.

Naquele momento Luís começou a chorar, pois não


podia acreditar no que estava vendo. Ele não
poderia estar segurando a mão do Salvador... mas
dizia:

- Senhor, eu não mereço, eu não mereço o que


estou vendo. Não mereço o que está acontecendo
comigo!
Saindo do castelo, Luís conseguiu completar todas
as renúncias das filosofias daqueles ídolos de
música.
Interessante foi o que aconteceu alguns dias depois:
Um irmão de Luís enviou-me um e-mail, dizendo:
“Neuza, o que você fez com o meu irmão? Pois ele
está completamente diferente!”

Depois de um mês, voltei a ministrá-lo, pois queria


tratá-lo também com a cura interior. Ele veio
acompanhado daquele seu irmão. Eu não tinha me
surpreendido quando o ouvi dizer que Luís estava
totalmente diferente, pois é muito comum receber
esse tipo de testemunho. Portanto, eu não tinha
dado muita atenção a isso. Mas, no dia da cura
interior, o seu irmão fez o seguinte comentário:

- Neuza, a minha cama fica do lado da dele. E sei do


que estou falando. Os demônios manifestavam-se
em meu irmão todos os dias. Nesses últimos dois
anos, eu não conseguia dormir, até que fossem
expulsos os demônios que nele estavam. Somente lá
por volta de 1 hora é que eu conseguia pegar no
sono. Isso aconteceu todos os dias, durante dois
anos! Mas depois que ele foi ministrado e liberto,
nunca mais os demônios voltaram!

No momento em que Luís foi curado, Jesus o pôs


no colo, sendo Luís ainda bebê.

Conforme íamos ministrando o rapaz através do


Salmo 23, ele se viu andando, com Jesus, pelos
campos verdejantes. Foi divertir-se nas águas
tranquilas. Passou pelo vale da Sombra da Morte e o
Senhor o levou para a mesa de banquete, e lá ele
comeu e tomou tudo de que gostava. Finalmente,
tomou o cálice da coragem, que transbordou.

Luís chorou várias vezes, dizendo que não merecia


o que estava vendo. Sua transformação foi visível,
maravilhosa. Em seus dedos, que antes estavam
machucados de tanto tocar, e que até mesmo
vertiam sangue, finalmente foi colocada uma pele
nova, e as marcas digitais foram refeitas.

Por algumas vezes ele voltou a ser aprisionado.

Na terceira ministração perguntei-lhe quanto ao rock


pesado, e ele me contou vários episódios. Luís me
respondeu, esclarecendo o tipo de música com que
se envolvera, mencionando os pactos satânicos, as
invocações e os rituais de consagração.

Nessas horas de confronto, Luís ficava oprimido e


sentia um peso terrível no corpo. Eram momentos
de muita luta e guerra intensa. E ele ficava indignado
com a situação. Na hora da renúncia, vários
demônios manifestavam-se. Luís cansava-se de tanto
resistir, mas ele queria mesmo libertar-se.

Houve três momentos maravilhosos na ministração:


o primeiro foi na saída dos demônios. Eles diziam
ter muita raiva dele, porque Deus iria usá-lo.

O segundo momento foi quando Jesus lhe foi ao


encontro, no tempo em que ele ainda era bebê. Luís
foi tirado seco do ventre materno, pois a bolsa havia
rompido e ele estava tendo muita dificuldade para
respirar.

Quando estava sendo carregado por Jesus, viu


demônios tentando atacá-lo, mas eles não
conseguiam atingi-lo. Havia uma redoma invisível
protegendo-o, e isso impedia as entidades malignas
de o alcançarem. Luís ria e divertia-se observando
os demônios batendo naquela redoma, pois caíam
com violência, ao chocarem-se na redoma de
proteção.

O terceiro momento foi a saída dele da sepultura.


Luís estava na cova, e Jesus veio tirá-lo de lá. O
próprio Luís foi quem disse: “Tira esta pedra de
cima de mim!”

E, respirando fundo, saiu de lá, muito feliz.


Quando renovamos o batismo do Espírito Santo, ele
falou em novas línguas e trouxe profecias aos
intercessores.

1 Ap 1:18; 3:7; Mt 28:18; 16;18b. 2 Veja referência em nota, no


cap.6.
capítulo 11
Confirmação por outros
Ministérios
“Eu, o Senhor, te chamei em justiça, tomar-te-ei
pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da
aliança com o povo e luz para os gentios; para
abrires os olhos aos cegos, para tirares da prisão
o cativo e do

cárcere, os que jazem em trevas.” (Is 42:6-7)


Quando Deus começou a usar-me para tirar pessoas
de prisões espirituais, me levou ao encontro de
outros irmãos, que também estavam ministrando
aprisionados espirituais, tirando-os do cativeiro. E
assim tive a confirmação, através de pessoas de
outros ministérios, de tudo que o Espírito Santo
estava me mostrando. Também uma irmã, que teve
uma visão de Deus, me trouxe confirmação de que,
de fato, muitos precisam ser libertos de prisões
espirituais.
Vou relatar com mais detalhes como Deus usou
diferentes pessoas para confirmar esta verdade.

Nos Estados Unidos

Em maio de 1999 estive numa conferência chamada


“Treinamento de Leões”, na cidade de Colorado
Springs, no estado de Colorado, Estados Unidos. O
evento aconteceu no Centro Mundial de Oração,
dirigido pelo Dr. Peter Wagner.

Para lá foram guerreiros espirituais de diversos


países, convocados para fazer um ato profético no
dia 11 de agosto, por ocasião de um eclipse solar.
No Treinamento de Leões, tive a oportunidade de
ouvir uma pastora compartilhar uma experiência
inédita. Ela havia enfrentado uma situação muito
difícil.

Sua irmã gêmea estava enferma, com câncer, e não


reagia a nenhuma campanha de oração, nem a
jejuns. Essa pastora orava, perguntando a Deus o
que acontecia com a irmã. Apesar de sua irmã ser
evangelista, ao passar um dia por uma dor
insuportável, ela havia ficado presa espiritualmente.
O que tinha acontecido?

Foi então que o apóstolo Chuck Pierce trouxe a


palavra de que ela precisaria encontrar uma chave
para tirar sua irmã de onde estava. Quando ela
começou a orar para que Deus lhe mostrasse onde
estava essa chave, Deus lhe respondeu. Dois anjos
apareceram diante dela e a conduziram a um lugar
totalmente desconhecido. Ela e os anjos andaram
por um longo tempo e foram parar num lugar que
parecia uma enorme prisão; era um calabouço cheio
de quartos.

A pastora passou diante de vários deles e finalmente


encontrou sua irmã num daqueles quartos. Ela
estava amarrada. A pastora a tirou de lá e a trouxe
de volta. Mas, logo em seguida, sua irmã ficou com
pneumonia. E ela viu então a Rainha dos Céus
assentada sobre o peito da irmã. A pastora precisava
libertá-la das mãos dessa entidade. Pediu perdão
pela idolatria da família.

Ao ser retirada das mãos da Rainha, sua irmã tossiu


no quarto onde dormia. A partir daquele momento,
ela começou a ficar boa e foi curada completamente.

Para mim e para a pastora Lílian La Torraca o


testemunho dessa pastora foi algo maravilhoso e
incentivador. Pois era uma confirmação de tudo que
estávamos fazendo e ministrando no Brasil, em
nosso ministério de libertação, em obediência a
Deus.

A Moça que Viajou ao Centro da Terra

Um dia, quando eu estava ministrando uma aula no


nosso Curso de Libertadores, ao comentar sobre o
capítulo 61 de Isaías, que se refere à prisão
espiritual, uma aluna me disse que havia sido
aprisionada no centro da terra, e que alguém a tinha
tirado daquele lugar. Era a nossa aluna Mércia. Eu
lhe pedi que escrevesse a sua experiência. Assim, ela
escreveu:

Há cerca de dois anos o Senhor começou a dizer


que eu me preparasse. Ele falou através de
profetas.
Tive muitos sonhos. Sonhei diversas vezes que eu
estava saindo da minha cidade, cada vez usando
um meio de transporte diferente: um trem, um
barco, um navio, um avião, e até um submarino.

Amigos e irmãos em Cristo também sonharam a


meu res-peito. Uma irmã sonhou que entrou na
igreja procurando-me. Quando me encontrou,
disse: “Mércia, o que você está fazendo aí? O Rei
está chamando! Já está tudo assinado; o
Embaixador a está esperando! Vá!”

Outra irmã estava orando por mim, quando o


Senhor inter-rompeu a sua oração e lhe disse: “Ela
tem pouco tempo aqui. Na cidade, ore pela sua
vida. Ela vai para tal cidade.” E essa irmã orou:
“Senhor, Mércia não gosta de lá. E o Senhor
respondeu: “Ela vai e ficará lá por algum tempo.”

Todos que oravam comigo diziam a mesma coisa:


“Prepare a sua mala, já é hora.”

No início daquele ano o Senhor falou sério comigo,


tão sério que decidi ir para aquela cidade, mas
isso aconteceu só no final do ano.

Em junho, minha irmã, que mora naquela cidade,


teve um problema no coração. Então minha mãe e
eu fomos para lá. Depois da operação, minha
irmã, sabendo do meu chamado, disse que eu não
vol-taria para a minha cidade e que eu precisava
obedecer ao Senhor.

Então pedi em minha igreja a carta para a minha


transfe-rência para a igreja da cidade de minha
irmã.

O Senhor orientou-me a morar na casa da minha


irmã. Comecei a sentir muita opressão, tristeza;
não conseguia orar, nem ler a Palavra. Sentia dor
no coração, dor física, um aperto no peito,
saudades da minha casa, dos amigos, da igreja da
minha cidade; doía muito. Eu chorava muito, e não
conseguia dizer a Deus e a ninguém o que estava
sentindo. Essa nova cidade era horrível para mim,
e eu achava as pessoas muito feias.

Na igreja que lá frequentava, o culto não me dizia


nada, a palavra não me agradava, o louvor, muito
menos; tudo era horrível. Minha vontade era ir
embora, mas eu não me esquecia de que tinha sido
o Senhor quem me havia mandado para lá – e eu
sou obediente.

Um dia eu já estava quase desistindo; estava muito


mal, e consegui voltar à minha cidade. Chorei a
viagem toda. Cheguei à noite.

Então uma amiga, a Dora, ligou-me sem saber que


eu esta-va lá, e me disse que o Senhor lhe havia
mandado procurar-me, dizendo que eu não estava
bem, e que ela deveria orar comigo.

Encontramo-nos no dia seguinte e então contei o


que estava acontecendo comigo. Enquanto eu
falava, o Senhor lembrou a ela de um fato ocorrido
há dois anos atrás, num Seminário da ADHONEP,
em que na ministração final da palavra de um
pastor da África, ela foi à frente orar e receber
unção. Ela estava de olhos fechados e o Senhor
mandou que ela abrisse os olhos e ela viu, saindo
do chão, raízes como se fossem braços que
prendiam as pernas das pessoas.

Então o Senhor disse que eram demônios que


vivem sob o solo, dentro da terra, que prendem as
pessoas para que elas não cumpram o “IDE” do
Senhor e que, naquele momento, Ele disse ainda,
que eu seria a primeira pessoa por quem ela iria
orar. Dora é minha amiga há muito tempo. Tinha
sido católica carismática. Um ano depois da minha
conver-são ela aceitou Jesus, vendo a minha
transformação e ouvindo a Palavra.

Então começamos a orar. Dora orou dizendo que


era teste-munha dos meus propósitos em servir a
Deus e obedecê-lo. E disse que só o Senhor
poderia revelar a raiz do problema. E aí o Senhor
me lembrou que um dia eu tinha feito uma viagem
astral, induzida, num grupo que eu frequentava.

Era um grupo esotérico. Fazíamos relaxamento e,


depois, a dirigente nos orientava a irmos em
viagem para algum lugar. Um dia ela nos disse
para irmos a um monte bem alto e, dali, teríamos
que voar pas-sando por cidades, rios, florestas,
mares, até chegar ao Egito – na Esfinge.

E ela disse: “Há uma porta, procure.”


Eu procurei e achei a porta entre os pés da
Esfinge.

Entrei por um longo corredor, claro, cheio de


desenhos e letras nas paredes. Ela falou
novamente: “Procure outra porta.” Achei a porta,
e então entrei num salão grande, dourado, com as
paredes tam-bém cheias de hieróglifos.

A mulher novamente mandou que procurássemos


outra por-ta. Entrei e fui sair num lugar que
parecia uma floresta. Havia caminhos. Segui por
ali; era meio escuro. As árvores tinham cipós
caindo; o local era bem lúgubre e, no final do
caminho, havia um trono onde um ser estava
sentado. Era um ser meio árvore, meio-gente. Ele
falou comigo e eu respondi, mas não me lembro do
que ele disse, mas entreguei a ele o meu coração.
Depois fomos orientados pela dirigente a voltar
pelo mesmo caminho.
Demorou bastante tempo para o corpo voltar ao
normal; parecia que eu estava anestesiada.

Contei isto a Dora e ela me disse que nesse lugar


eu ficara presa espiritualmente. Pedi perdão a
Deus por ter feito isso e disse a Ele que eu queria
sair de lá.

Dora orou, e eu vi duas mãos enormes. Eu sabia


que eram as mãos de Jesus, e vi naquelas mãos um
coração sendo retirado de lá. Doía muito dentro do
meu peito. Parecia que eu ia morrer. Dora minis-
trou arrancando aquela dor e colocando-a nas
mãos de Jesus.

Voltei para a cidade de minha irmã completamente


curada. Essa cidade não é feia, nem as pessoas são
horríveis. Não é mais um sacrifício morar lá,
apesar de que eu ainda prefira a minha cidade.

História de Barra Mansa

O pastor Cláudio Kelly atendeu a uma menina, de


nome Carla, numa situação de endemoninhamento
que ele concluiu ter sido um caso de
aprisionamento. Ele relatou a sua experiência,
escrevendo o seguinte:

Carla estava endemoninhada e não conseguia


libertar-se. Ao recobrar a consciência, ainda
prostrada no chão, disse:
– Pastor, estou num lugar escuro e não consigo me
mover. A escuridão é densa; não consigo enxergar
nada.

Na realidade ela estava caída no chão, na mesma


sala em que o pastor estava. Depois de muito lutar
contra os demônios, o pastor lhe disse:
– Olhe ao seu redor; dá para ver alguma luz agora?

– Sim, pastor, vejo um filete de luz, lá longe.


– Então, por favor, vá em direção a essa luz. Você
está conseguindo andar?

– Estou sim.
– Enquanto caminha até lá, diga o que você está
vendo.

– Pastor, a luz está ficando cada vez mais forte;


agora eu vejo uma escada.
– Suba a escada, menina. Ao subir e chegar ao fim
da escada, Carla saiu do seu estado letárgico e
voltou ao normal.
O pastor confirmou-me que ela estava aprisionada
espiritualmente, mas havia saído daquela prisão.

Um Pastor Aprisionado num Calabouço

Quando os nossos amigos Luci e Mário, que são


obreiros em sua igreja, me ouviram relatar casos de
pessoas que foram libertas de prisões espirituais, um
deles me fez o seguinte comentário:

Interessante... agora é que estou entendendo o que


vi. Quando eu estava orando pelo pastor Augusto,
tive uma visão com ele. Esse pastor, já há bastante
tempo, está tentando abrir um ministério através do
rádio, mas nunca consegue.

Na visão, eu o vi preso num calabouço. Ele estava


desesperado, pois queria sair de lá. Ele ia até a
janela, mas ela estava hermeticamente fechada.
Corria e batia numa porta, mas ela estava trancada.
Ele não conseguia sair.

Naquela hora eu não entendi nada. Mas, diante da


explanação sobre prisões espirituais, esta visão
passou a fazer sentido.

Aprisionada por Palavras de Condenação

Este é o testemunho de uma libertadora que, através


de um sonho, saiu de uma prisão em que se achava
presa.
Ela mesma relatou-me o seguinte:

Por algum tempo havia em mim uma coisa muito


estranha. Era um sentimento muito forte de morte.
Um certo dia foi terrível para mim: foi caracterizado
por muita dor, muita angústia e ainda sentimentos de
condenação.

Antes de dormir, fiquei orando durante um longo


tempo. Então adormeci e sonhei que estava
pregando. Era num lugar em que havia muitas
pessoas, mas, dentro de mim eu dizia: “Eu não
quero! Que estou fazendo aqui?”
A dor de nada dar certo, de não progredir, de nada
definir na minha vida era muito forte.
Meu sonho prosseguiu. Uma mulher aproximou-se e
me disse:
– Deus está dizendo que lhe dará um sinal; com ele,
você saberá que chegou a hora.

Eu sabia qual era o sinal que Ele me daria, e eu


respondi a ela:
– Está bem.

Depois eu me achei num outro lugar, pregando


também, porém com aquele mesmo sentimento.
Uma mulher aproximou-se e disse a mesma coisa,
que Deus me daria um sinal. Mas agora eu via o
sinal materializado em minha mão. Fui então me
sentindo sem forças, e o que estava em minha mão
foi diminuindo, diminuindo, até desaparecer. À
medida que isso acontecia, eu ficava cada vez mais
fraca; pensei até que ia cair.

A mulher voltou e me disse de novo:


– Deus manda lhe dizer que você terá uma
experiência de arrebatamento. Mas, estou lhe
avisando, ainda não chegou a hora.
O cenário no sonho mudou, e eu já não me via mais
onde estava. Agora eu me via no sofá da minha
casa, deitada de barriga para cima, exatamente como
eu me achava, dormindo.
Eu podia ver toda a sala, e a mulher que me trouxe a
mensagem estava sentada na ponta do sofá. Olhando
para mim, ela disse:

– Esta palavra é realmente de Deus. Só que tem


uma coisa...
– Quando ela disse isso, eu já sabia o que era.

Ela continuou, dizendo:


– ... você está aprisionada num caixão!
Então eu lhe disse:

– Eu sei. Sabe por que eu estou num caixão? Foram


palavras de pastores que me aprisionaram
espiritualmente...
Essa mulher, que era pastora, só via o caixão do
meu aprisionamento e não sabia a razão. Eu
continuei dizendo:

– Mas, me dê a sua mão, eu quero sair desse caixão.


Ela ficou um pouco assustada, e então eu lhe disse:
– Não precisa ter medo. Você tem autoridade para
me tirar daqui.
– Eu não posso – disse a pastora.

– Você pode me ajudar, sim, e pode me tirar daqui!


– foi minha imediata resposta.
Como aquela pastora já havia feito o Curso de
Libertadores, eu lhe disse ainda:
– Você se lembra do estudo em que a Neuza fala de
prisões espirituais? Dê-me a sua mão.

Ela, porém, continuou com receio. De repente,


surgiu uma mão, não sei de onde. Eu me agarrei
nessa mão e saí do caixão, então comecei a andar.
Tudo isso ainda era no sonho. Quando acordei, isto
é, quando abri os olhos, eu estava andando pela sala,
dizendo: “Para esse caixão eu não volto, nunca
mais!”

Foi então que percebi que, na verdade, eu estava


andando pela sala. Eram 2h30 da madrugada. Senti
um grande alívio e fui comer, pois estava com fome.
A partir daquele dia tenho sentido muita diferença.
Entendi que foram as palavras de condenação,
julgamento e a crítica de líderes da igreja que me
haviam aprisionado.

Debaixo de uma Árvore, ao Meditar na


Palavra

Depois da palestra sobre prisões espirituais,


geralmente oramos por todo o grupo, tirando as
pessoas dos locais onde estão aprisionadas, e
amarrando os espíritos guardiães que montam
guarda sobre elas. Em seguida, convidamos para
darem o seu testemunho.

Um dia, quando ouvíamos os testemunhos, um


deles, em particular, me chamou a atenção. Foi de
uma irmã que, tendo lido o livro “Celebração da
Disciplina”, de Richard Foster, foi desafiada pelo
autor a meditar na Palavra. Naquele dia ela separou
um pouco de tempo para ficar na presença do
Senhor, lendo e meditando na Palavra. Era um lugar
ao ar livre, debaixo da sombra de uma árvore.
Sentada ali, ela abriu a Bíblia.

Naquele momento, porém, ela caiu num buraco,


espiritualmente. Ela nem percebeu que estava tendo
uma visão, ou um arrebatamento espiritual. E foi
parar numa área debaixo da terra. O lugar era
imenso. Havia milhares de quartos; parecia uma
prisão. Ela viu ali muitas pessoas aprisionadas, em
desespero.

– Senhor, o que é isto? – questionou ela.


Num segundo momento, a visão mudou e ela se viu
diante de uma grande multidão: crianças, adultos,
homens e mulheres.

Era um número muito grande de pessoas.


O Senhor perguntou a ela:
– Sabe quem são estes?
– Não, Senhor, não sei quem são.

– Estes são aqueles que você vai tirar da prisão –


respondeu o Senhor.
Ela não tinha entendido nada, naquele dia. Mas,
naquela noite, ela deu o seu testemunho, dizendo:

“Hoje, depois de ouvir a palestra sobre a libertação


de aprisionamentos, eu comecei a entender o
significado daquela visão. Deus vai me usar para
abrir portas de prisões, para tirar as pessoas que se
acham presas.”

parte 4
Jesus O Libertador:
Testemunhos Reais
sobre Libertação
TESTEMUNHO 1
Aprisionamento pelo
Espírito de Morte
“Sou contado com os que baixam à cova; sou
como um homem sem força, atirado entre os
mortos; como os feridos de morte que jazem na
sepultura, dos quais já não te lembras; são
desamparados de tuas mãos.” (Sl 88:4-5)
O propósito de Deus para o homem é viver e
usufruir a vida. Ele é Deus dos vivos. Em Cristo
temos vida, e vida em abundância. A morte é
sempre contrária ao que Deus tem reservado para
nós, e está ligada aos poderes

das trevas.

Muitas pessoas que enfrentam o falecimento de seus


queridos, amados, dos que são próximos ao seu
coração, não sabem como lidar com a morte, porque
nunca se prepararam para enfrentá-la. E, assim,
passam por uma dor imensa e quase insuperável,
quando ela aparece.

O que pode acontecer com os que enfrentam tais


momentos de trauma, separação e perda? Para
muitos, o sofrimento que passam lhes traz, como
consequência, um estado de aprisionamento
espiritual. Ficam aprisionados espiritualmente.

O ser humano, em geral, não sabe como lidar com a


morte. Muitas pessoas, que se dizem esotéricas,
pretendem resolver a questão da morte, e fazem de
tudo para tentar superar o medo da morte; afinal, ela
é o último inimigo a ser enfrentado. Mas só a
Palavra de Deus tem a resposta. Assim expressou-se
Isaías:

“Porquanto dizeis: Fizemos aliança com a morte e


com o além fizemos acordo; quando passar o
dilúvio do açoite, não chegará a nós, porque, por
nosso refúgio, temos a mentira e debaixo da
falsidade nós temos escondido. Portanto, assim diz
o Senhor Deus: Eis que eu as-sentei em Sião uma
pedra, pedra já provada, pedra preciosa, angular,
solidamente assenta-da; aquele que crer não foge.
Farei do juízo a régua e da justiça, o prumo; a
saraiva varre-rá o refúgio da mentira, e as águas
arrastarão o esconderijo. A vossa aliança com a
morte será anulada, e o vosso acordo com o além
não subsistirá...” (Is 28:15-18)

O Rapaz que estava Preso num Caixão

Num seminário, quando previamente examinei a


ficha de ministração de um rapaz que seria atendido
por mim – ao ver que pouca coisa estava assinalada
– eu reagi, dizendo: “Este caso deve ser bem
simples. Creio que não terá muito o que fazer.”

A ministração, porém, não foi bem assim. Conforme


fui fazendo as perguntas da entrevista inicial que
sempre fazemos para conhecer a pessoa, para
entender a situação e a razão pela qual veio procurar
libertação, observei que a vida daquele rapaz, de
fato, estava paralisada. Para ele, o tempo tinha
parado e nada acontecia.

Ele era realmente convertido. Antes de sua


conversão, porém, havia sido empresário de
prostitutas e diretor de vários shows de “striptease”,
e viajava por todo o Brasil, dirigindo essa categoria
de espetáculos. Mas foi salvo por Jesus. Ele havia
tido, de forma bem clara, a experiência de nascer de
novo. Ele era filho de Deus, sabia do perdão de
Deus, entendia o que é a graça de Deus. Mas a sua
vida estava paralisada. Nada acontecia.

Nenhuma porta se abria. E estava desempregado.


Não se sentia realizado.

Foi então que um detalhe de sua ficha de


ministração me chamou a atenção. Ele havia
assinalado o autor Paulo Coelho, um conhecido
bruxo, que tem escrito vários livros.

Eu lhe perguntei:
– Você foi admirador desse autor?

Ele me disse que havia lido um de seus livros e que


chegou a fazer um exercício ali recomendado. Pedi-
lhe então que me descrevesse esse exercício. Assim
ele explicou:

– Esse exercício supostamente ajudaria a cada um


de nós confrontar o medo de morrer. Ele nos
ajudaria a perder esse medo. Assim eu tinha de fazer
o seguinte:

“Primeiro eu me imaginava morto, sendo posto num


caixão. Então, me via sendo enfeitado com muitas
flores. A tampa do meu caixão era fechada. Em
seguida, tinha que imaginar sentindo-me sufocado, e
o ar tornando-se rarefeito. E, depois, devia sentir o
meu caixão descendo para a cova, e a terra sendo
jogada por cima. A minha imaginação teria de ser
minuciosa e, aos poucos, era para sentir a morte, e
imaginar a minha carne apodrecendo e os meus
ossos secando-se.”

“Ah, sim, aqui está o seu problema...” –, assim


pensei eu. E lhe disse:

– Você está aprisionado nesse caixão de defunto que


foi criado em sua mente através desse exercício de
imaginação.

Através da imaginação daquele rapaz, criou-se algo


real no mundo espiritual: uma prisão que o
aprisionou espiritualmente. Ele estava preso lá,
naquele caixão em que se colocou, mentalmente, e
no qual foi espiritualmente enterrado.

Naquela tarde eu o trouxe para fora do caixão,


abrindo a porta daquela prisão espiritual, usando a
chave de Jesus que me tinha sido dada.

Se bem que mais à frente vamos tratar disto mais


extensivamente, quero desde já dizer que o processo
para tirar alguém de uma prisão pode ser feito
seguindo os seguintes passos:

· Primeiro: A pessoa aprisionada reconhece o


Senhor como aquele que abre a prisão dos
aprisionados (Is 61:1);

· Segundo: Os guardiães demoníacos, que estão


vigiando a prisão, devem ser amarrados. Geralmente
são aqueles que estão ligados ao problema da
pessoa, que exercem a guarda sobre ela e não a
permitem escapar. No caso citado, foram os
espíritos de medo, morte, mentira, culpa, destruição
e paralisação. (Depois de os amarrar, eu os deixo de
lado, pois logo eles serão encaminhados para um
lugar de perdição, sendo enviados por Jesus Cristo);
· No terceiro passo, usamos a chave que nos foi
dada para abrir prisões e convidamos a pessoa a sair.
Outro jeito de se fazer a libertação é pedir a Jesus
para entrar na prisão e tomar a mão da pessoa
aprisionada, saindo de lá com ela. Por fim,
mandamos os demônios guardiães para o lugar que
Jesus reservou para eles.

No caso que acabei de descrever, o rapaz sentiu um


grande alívio. Isso foi apenas um primeiro sintoma
da saída da prisão espiritual em que ele estava.

Ela Visitava o Irmão no Cemitério

Justamente numa noite em que eu ia dar uma aula


sobre aprisionamento espiritual, em nosso Curso de
Libertadores, uma de nossas alunas, Ana, veio falar
comigo. E me confidenciou:

– Pastora, estou casada há 4 anos, mas não sinto


nada no relacionamento íntimo com o meu marido.

Minha reação foi perguntar a mim mesma: “vou ter


de cuidar disso, agora?” Pedi-lhe então que ouvisse
primeiro a mensagem, e depois conversaríamos
sobre o assunto.

Naquela noite, enquanto Ana me ouvia falar sobre


aprisionamento espiritual, sentiu-se muito mal e
vomitou muitas vezes. Agradeço a Deus por ter
enviado um membro da nossa Equipe para me
ajudar, pois ele a atendeu, enquanto eu continuava
falando. Posteriormente, ela me explicou:

“Neuza, a nossa família era composta de quatro


pessoas: meus pais, meu irmão e eu. Com a morte
do meu irmão, fomos reduzidos a três. Aconteceu
que nós, literalmente, nos enterramos com ele. A
vida não tinha mais sentido para nós. Mesmo assim
eu cheguei a me casar. Mas meu irmão, depois da
sua morte, me aparecia todas as noites e me dizia:
‘Aninha, estou tão sozinho, por favor, não me
abandone!’ ”

Assim, à noite, enquanto o marido estava deitado a


seu lado, Ana, em sua imaginação, ia visitar o irmão.

Na sua mente ela ia até o cemitério e passava longas


horas lá, batendo um bom papo com ele, como se
ele ainda estivesse vivo. Isso repetiu-se até o dia da
sua ministração.

Na realidade, ela havia se aprisionado naquele


túmulo, por ocasião da morte do irmão. E estava
sendo enganada, recebendo a visita de um demônio,
noite após noite.

Pela misericórdia de Deus, porém, ela entendeu que


estava aprisionada e saiu da prisão. Deus retirou os
sintomas do aprisionamento espiritual, e ela passou a
ter prazer no relacionamento com o marido.

Algum tempo depois de liberta da prisão, Ana ficou


grávida. Então ela veio ver-me, feliz da vida,
expressando gratidão a Deus por estar livre daquela
prisão espiritual.

Trinta e Cinco Anos Preso num Cemitério

Este é o relato de um irmão que me explicou que


havia aguardado com muita ansiedade a realização
do Seminário de Libertação e Cura Interior em sua
cidade. Mas, já no Seminário, no sábado pela
manhã, subitamente recebeu um recado de seus
pais, dizendo que estavam vindo visitá-lo. Ele foi
obrigado a sair do Seminário para recebê-los no
aeroporto.

Por causa disso ele não pôde ser ministrado naquele


Seminário, porque um dos requisitos para ser
atendido individualmente é o da pessoa não perder
nenhuma palestra, e ele havia faltado no sábado pela
manhã.

Ele ficou triste, decepcionado e com muita mágoa,


pois vinha esperando a oportunidade de ser
ministrado já por alguns anos. Algum tempo depois,
porém, ele pôde ser ministrado pessoalmente, para
sua alegria. Veja como ele mesmo relata como tudo
aconteceu:

Em certa ocasião a Dra. Neuza Itioka, com sua


equipe de ministradores, realizou em Palmas, onde
resido, um Seminário de Libertação e Cura Interior.
Eu e minha esposa participávamos desse seminário,
e queríamos passar pelas ministrações individuais.

Num dos dias, porém, tivemos de buscar meus pais


no Aeroporto de Palmas e, devido ao atraso da
chegada do voo e a distância do aeroporto,
perdemos toda a parte da manhã naquele dia, e
assim fomos vetados de participar da ministração
pessoal.

Muito me indignei, porque sabia que precisava de


libertação, logo agora que estava diante de uma
equipe realmente habilitada para tal. Por causa disto
fui me distanciando das coisas de Deus e da igreja
onde congregava. Aconteceu ainda que tive um
“atrito tolo” com o meu pastor, e então saímos (eu e
minha esposa) daquela igreja, e passamos a
frequentar outra.

Já estávamos nessa outra igreja há aproximadamente


sete meses, quando fiquei sabendo que a apóstola
Neuza Itioka estaria novamente em Palmas, pois o
seu nome estava entre os preletores de uma
Conferência Profética que se realizaria em nossa
cidade.

Nasceu em mim, então, o desejo de participar dessa


Conferência, porque eu queria uma oportunidade
para pedir perdão à apóstola. Comecei então a orar,
rogando a Deus que me proporcionasse uma
oportunidade de pedir perdão a ela por ter ficado
magoado com ela, por ter sido vetado da ministração
de libertação, dois anos antes.

Procuramos então o presidente da nossa igreja, para


obter autorização para participarmos da Conferência
com a Neuza Itioka. Tentei por duas vezes falar com
ele, mas não consegui. Então eu e minha esposa
fomos ao vice-presidente e expusemos o nosso
desejo de participar do evento. Ele nos informou
que não estavam permitindo a participação.
Cobramos dele, então, qual seria o motivo de
estarem vetando a participação. Isso não havia sido
anunciado à igreja; pensavam que, pelo fato de não
colocarem cartazes, ninguém se interessaria pelo
evento.

Após alguns momentos de conversa, ele nos


declarou o motivo: “Um dos ministrantes do evento
está pregando heresia.” Quis saber que heresia seria
essa, e a resposta foi que tal pessoa não amava mais
a Israel, porque havia queimado a sua bandeira.

Dissemos então a ele que algumas pessoas da igreja


já tinham feito inscrição para a Conferência, e que
não havia nenhuma informação de que não
deveríamos participar. Disse-nos ele então que, no
culto à noite, o presidente falaria sobre o assunto.

Entretanto, nada foi dito no culto a esse respeito.


Como não havia uma confirmação legal do veto, eu
e minha esposa inscrevemo-nos para o evento. Logo
após, porém, Deus mudou o rumo dos
acontecimentos.

Minha filha pediu-me para levá-la à casa de uma de


suas amigas da igreja, e assim fiz. Depois de deixá-la
na casa da amiga, senti vontade de visitar um dos
irmãos da igreja a qual eu antes pertencia – e aí
aconteceu algo que muito me alegrou e também me
preocupou.

Disse-me ele: “Eu o convido, juntamente com sua


esposa, para participarem conosco do café da manhã
e oração, com a presença da apóstola Neuza Itioka,
que acontecerá na manhã do início da Conferência.
Lá estarão reunidas as lideranças de todas as igrejas
que estão trabalhando para a realização desse
evento.”

Ainda perguntei: “Mas nós realmente poderemos


participar?” E ele foi afirmativo.

Contei isso à minha esposa e, no dia marcado, lá


estávamos. Então a concretização do que eu
pretendia (pedir perdão à apóstola) ficou mais fácil
do que eu imaginava: após a ministração da apóstola
Neuza Itioka, pude abraçá-la e lhe pedir perdão por
ter ficado magoado com ela.

A apóstola naquele momento não entendeu, mas


logo interveio minha esposa e então ela pôde
lembrar-se de que realmente o meu caso carecia de
uma libertação, e que eu não fui ministrado por não
ter participado de todo o Seminário.

Eu já estava de alma lavada, e o que eu queria que


acontecesse na Conferência já havia acontecido!
Deus, porém, não parou a obra por ali. Naquela
mesma manhã, quando ainda participávamos
daquele café, a apóstola pediu o meu telefone e
então passei a ela o número do meu celular e o da
minha esposa.
No outro dia, precisamente às 5:05 horas da manhã,
a apóstola acordou minha esposa e disse: “Avise o
seu marido para estar na igreja hoje, às 15:00 horas,
que estarei ministrando a sua libertação”. Ela disse,
ainda, que não tinha vindo à Conferência para
ministrar libertação, mas Deus lhe fez abrir uma
exceção.

Sabedor da responsabilidade da apóstola com as


coisas de Deus, eu e minha esposa chegamos ao
local antes do horário marcado; e, exatamente às
14:57 horas, a apóstola chegou à igreja.

Desse modo, para sua alegria, ele foi ministrado


naquele dia. Na sua ministração, ouvi então a
história da sua vida. O que ele me relatou foi o
seguinte:

Eu, meus pais e meus irmãos nos amávamos muito:


éramos na verdade uma família muito feliz (e
sabíamos disto). Até a idade de 15 anos, eu pouco
havia ouvido falar em morte, em especial de meus
familiares.

Até então nunca tinha enfrentado a situação de


morte de nenhum de meus familiares. Em 1964, a
morte de John Kennedy, presidente dos Estados
Unidos, deixou-me muito abalado – afinal, a
propaganda dos Estados Unidos no Brasil era
maciça, naquele tempo. E, em 1970, quando eu
tinha 15 anos de idade, um acontecimento trágico
nos sobreveio. Meu irmão Jorge – a quem eu muito
amava – veio a falecer.

Ele tinha 17 anos, e estava treinando Karatê com o


seu professor, quando este lhe desferiu um golpe na
veia aorta, o que provocou uma hemorragia interna
e o levou à morte.

Eu morava em Rondonópolis - MT, e ele, Jorge, e


meu outro irmão, Sérgio, estudavam em Goiânia,
precisamente no colégio Ateneu Dom Bosco. O
corpo foi trasladado de avião de Goiânia para
Rondonópolis para ser velado em nossa residência.
E ele foi enterrado no cemitério de Rondonópolis.
Eu fiquei excessivamente chocado pelo que
acontecera.

Eu não conseguia entender por que Deus teria


deixado isso acontecer. Pois, como disse, eu amava
muito meu irmão.

Aconteceu que, depois da sua morte, comecei a


sonhar todas as noites com ele. Literalmente, no
sonho, eu ia ao cemitério e o desenterrava – e então
ele ficava vivo por um dia (aquelas horas de sonho
pareciam ser, na realidade, um dia). Vivíamos como
se ele não tivesse morrido. Minha tristeza vinha pela
manhã, quando eu acordava e verificava que Jorge
não estava em casa, e descobria novamente que ele
havia morrido. Então eu chorava e questionava a
Deus:

“Por que o Senhor deixou isso acontecer? Por que


não levou a mim? (É claro que, embora eu gostasse
muito de mim mesmo e me achasse muito feliz e
importante, eu admirava muito meu irmão e julgava
que ele, por ser exímio em tudo que fazia, deveria
ter ficado e eu ter ido, caso fosse realmente
necessário ir algum de nós).

Eu não conseguia me conformar e, assim, todas as


noites, em sonho eu ia ao cemitério, desenterrava-o,
e ele ficava vivo e saíamos dali e íamos para a
cidade – e era como se ele ainda estivesse realmente
vivo...

Após os meus 18 anos, parece que consegui sair


dessa situação, adicionando em minha vida a
prostituição, as bebedeiras e também tristezas e
decepções.

Eu era muito estudioso, mas não dava mais a devida


atenção aos estudos. Passei a levar a vida de
qualquer jeito, embora sabendo qual deveria ser o
procedimento de um jovem para buscar a felicidade.

Contudo, não me satisfazia o modo como eu levava


a vida. Tinha poucos picos de felicidade; meus
maiores momentos eram de tristeza e introspecção.
Gostava de isolar-me.

Naquele tempo o meu desejo era ter bastante


dinheiro para poder ter congelado meu irmão.
(Naquela época já se falava em congelamento de
corpos, para guardá-los até que a ciência se
desenvolvesse para trazer a pessoa de volta à vida).

Naqueles dias ninguém da minha casa servia ao


Deus verdadeiro. Éramos todos católicos e eu fui
coroinha desde os 10 anos de idade, e levava em
procissão estátuas de santos. Tinha um desejo
ardente de conhecer a Deus, mas não sabia como
nem onde encontrá-lo.

Eu costumava dizer que a minha infância, até os 15


anos, durou uns 50 anos porque o tempo não
passava, ou seja, passava lentamente. As horas eram
preciosas, dava tempo para tudo e eu e minha
família éramos literalmente felizes.
Eu, porém, fazia muitas coisas erradas – como
fumar escondido e jogar baralho – mas eu tinha uma
mente brilhante e sentia uma forte admiração por
mim mesmo.

Tudo que queria aprender eu aprendia e não


necessitava de professor – bastava que me dessem
um livro.

Minha libertação foi extraordinária. Nas coisas


simples eu pude ver a manifestação do Todo
Poderoso: na minha ficha de declaração de pecados
e envolvimentos com ocultismos, seitas, drogas, etc.,
escrevi que havia desenterrado meu irmão por três
anos seguidos.

Este assunto, na verdade, já havia sido esquecido,


porque aconteceu de meus 15 aos 18 anos e, no
momento da ministração, eu estava com 50 anos.

Mas o ponto central da minha libertação foi a


descoberta de que por 35 anos estivera enterrado
naquele cemitério – eu era um morto vivo, e não
sabia.

Quando a apóstola, ao final da ministração de


libertação, pediu-me para fechar os olhos e lembrar
como era o cemitério, eu me lembrei, e com todos
os detalhes! Logo após ela perguntou se eu poderia
sair e eu disse que sim.

Indo até o grande portão do cemitério, para dele


sair, olhei para fora e disse: “Posso sair, mas não
vejo nada que possa fazer lá fora”. Ela ministrou
então a minha libertação, e uma força incrível
parecia me puxar para trás, para não sair do
cemitério em que eu estava preso. Mas fui liberto
por Jesus Cristo de Nazaré!

Dois dias após a libertação, uma de nossas amigas


olhou para mim e perguntou: “O que você fez, que
não tem mais olheiras?”
Eu estava preso, e, portanto, não podia deslanchar
na obra de Deus. Agora estou livre para fazer a sua
obra, com todo o zelo e destreza para o amado
Mestre, meu Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele
toda honra e toda glória! Amém.

Aprisionado na Posição de Morto

Transcrevo agora outro caso, de um jovem pastor,


que me foi relatado por escrito. É mais uma história
de alguém que, sem saber o que estava fazendo,
envolveu-se com espíritos de morte:

Sou pastor, tenho 27 anos, e há três anos, mais ou


menos, estou envolvido no ministério de libertação,
o qual amo. Entretanto, percebo que ainda há áreas
em minha vida que não foram tratadas. Ouvindo a
sua palestra de ontem sobre prisões espirituais,
durante todo o tempo fui inquietado em meu
espírito, com a convicção de que eu também havia
sido aprisionado espiritualmente.

Comuniquei isso à minha esposa e lhe disse: “Estou


convencido de que fui aprisionado em algum lugar”.
Orei, então, pedindo ao Senhor que me mostrasse
qualquer área do meu passado que ainda não havia
sido tratada por Deus, e, em especial, se eu havia
sido aprisionado espiritualmente, ou não.

Deus, porém, pela sua misericórdia, despertou-me


nessa madrugada, e o primeiro pensamento que me
veio à mente foi: “Fui aprisionado como morto”.

Vou dar os detalhes:

Desde adolescente eu sempre me fingi de morto. Às


vezes eu deitava sutilmente na cama ou em cima de
algum banco de madeira, até mesmo no chão, e
ficava com as mãos juntas, postas sobre o peito, de
olhos fechados, corpo reto, sem me mexer, com os
pés juntos, e me fazia parecer um morto. Eu tentava
até parar a respiração, para parecer morto de fato, a
fim de assustar as pessoas.

Lembro-me também de muitas vezes ter imitado


alguém morrendo de algum ataque fulminante. Eu
caía gritando, geralmente com as mãos na garganta
ou no coração, e ali ficava no chão por algum
tempo.
Às vezes, eu me deitava, fingindo-me de morto,
apenas para relaxar e descansar a mente. Acontece
que sempre senti muita dificuldade de concentrar-me
nos estudos, principalmente da Palavra de Deus.

Sempre senti a mente presa, como se algo de bronze


a estivesse prendendo. Sou muito passivo e sofro
por causa disto. Não tenho conseguido tomar
iniciativas e tenho muita dificuldade para dizer não.
Creio plenamente na Palavra, mas para mim é difícil
acreditar que se cumprirá em minha vida o que ela
diz.

Na vida ministerial, às vezes me sinto abandonado,


sozinho, desprezado, incapaz, e muitas vezes
frustrado. Sinto inveja de meus colegas pastores, e
de suas igrejas, quando as vejo crescendo e
prosperando, pois a igreja onde sou pastor não tem
experimentado crescimento nem prosperidade.

Eu vivia sentindo dores nas costas, ficando com


vontade de ficar deitado, sempre que possível. Até
para realizar uma leitura, para ler, eu me deitava...

Esse pastor, cujo relato termina nesse ponto, foi


ministrado e, graças a Deus, foi liberto. Na hora da
sua ministração, ele saiu sozinho. Disse-lhe que ele
havia experimentado o poder de Deus, pois Jesus
realmente é a ressurreição e a vida. Jesus venceu a
morte. Ele é a própria chave, para abrir qualquer
prisão.

Aprisionada no Sepulcro, pela Certidão


Trocada

Nem sempre levamos a sério os documentos legais


que recebemos do governo, ou do cartório.
Julgamos que tais documentos são apenas papel,
sem muita importância.

No mundo espiritual, porém, um documento é


importante, porque legaliza a pessoa, identifica-a.
Assim, uma certidão de casamento legaliza uma
união, e Deus honra esse documento, que dá
validade ao casamento também no mundo espiritual.

Vou relatar agora o que me testemunhou uma


mulher, a quem vou chamar de Maria, com respeito
ao que aconteceu em sua vida, envolvendo a sua
certidão de nascimento. Foi um caso em que os pais,
para resolver uma questão legal de identidade,
emprestaram a certidão de nascimento para uma
criança que não a possuía. O caso ocorreu assim:

Quando Maria nasceu, em fevereiro de 1971,


aconteceu de nascer uma prima dela, no mesmo dia.
Maria nasceu com apenas 2 quilos e 700 gramas;
sua prima, porém, veio com 4 quilos, uma diferença
grande. As pessoas não acreditavam que Maria
sobrevivesse.

No entanto, a prima, que aparentemente tinha mais


saúde, quando estava com três meses, ficou muito
doente e teve que ser levada ao médico.

Ela não havia sido ainda registrada, e, assim, os tios,


desesperados, pois o atendimento dela dependia de
darem a certidão de nascimento (que ela não tinha),
pediram emprestado a certidão de Maria, para que a
filha deles pudesse ser atendida.

O que ninguém esperava, porém, aconteceu: a prima


veio a falecer e foi enterrada, tendo o médico
obviamente feito o atestado de óbito com o nome da
Maria.

Desse modo, a menina Maria ficou sem certidão de


nascimento, pois oficialmente tinha morrido. E,
então, naquele ano, Maria teve que tirar outra
certidão de nascimento.

O bebê que foi enterrado levou o nome que era de


Maria. Espiritualmente, foi como se a verdadeira
Maria tivesse sido enterrada. Para o mundo físico,
foi apenas um papel que virou uma certidão de
óbito, e um outro papel veio a ser a sua nova
certidão. Mas, no mundo espiritual, Maria não
existia.

Sua alma estava enterrada e o inimigo achava que


podia tomar posse da sua vida, pois ela estava lá,
enterrada, sob suas garras, uma vez que tudo aquilo
havia sido feito com base numa mentira.

Durante todos esses anos, Maria vinha tendo


grandes decepções; nada dava certo. Ouviu muitas
palavras torpes que machucavam o seu espírito, o
que veio abalar a sua vida profissional e também
espiritual.
Sempre na busca de uma resposta para a solução de
seus problemas, principalmente nas áreas
sentimental e profissional, Maria acabou
envolvendose com o espiritismo e a umbanda. E foi
envolvendose cada vez mais profundamente nessas
práticas, deixando o demônio ser dono da sua vida.

Um dia, descobriu que a dona do centro de


umbanda – que dizia ser sua melhor amiga e que
conhecia os seus sonhos e desejos
– queria vê-la morta, e queria contratar um bandido
para pelo menos deixá-la entre a vida e a morte,
num hospital. Mas Deus nunca deixou de cuidar
dela, pois o bandido não aceitou fazer esse trabalho
sujo. Na verdade, o que ele queria era roubar, não
matar. Então, Maria decidiu sair do centro, ao tomar
conhecimento desse fato.

O demônio não a deixava em paz. Lançou nela uma


enfermidade, um início de glaucoma, e dores de
cabeça constantes e terríveis que quase a
enlouqueciam. Foram feitos vários exames médicos,
sem que chegassem a uma conclusão. E a dor de
cabeça continuava, 24 horas por dia, trinta dias por
mês. Isso ocorreu durante um ano e meio.

Em 2001, uma irmã de Maria, que é evangélica,


querendo ajudá-la, levou à sua casa uma missionária
e seu marido, que era pastor, para que orassem por
ela. E aquela oração fez diferença, trazendo-lhe um
grande alívio. A dor de cabeça desapareceu, como
se fosse retirada com as mãos. Um mês depois da
visita dos pastores, Maria estava decidindo-se por
Jesus, sem dor de cabeça e sem glaucoma.

Os anos de 2002 e 2003 foram os melhores da sua


vida. Mas, mesmo frequentando a igreja, e firmada
no caminho do Senhor, fazendo a sua obra, o
demônio não queria largá-la. Os demônios
manifestavam-se nela, e ela ficava calada. Foi então
que Maria fez o seminário de Libertação e cura
interior. Ela foi ministrada coletiva e
individualmente, e foi liberta em muitas áreas de sua
vida.

Mas não houve, porém, uma libertação total, pois


Maria não havia mencionado nada do que havia
acontecido com a sua certidão de nascimento. Veja o
que aconteceu a partir daí, conforme me relatou a
própria Maria:

Algo ainda me perturbava. Ninguém sabia nada


sobre a minha certidão, e o diabo a tinha em suas
mãos, como legalidade sobre a minha vida. Um dia
contei o fato da minha certidão para uma irmã do
Ministério de Libertação e ela me informou que
nisso estava a causa de todos os problemas que eu
enfrentava.

E, assim, quando combinei uma nova ministração


pessoal, a semana que antecedeu à minha
ministração foi uma das piores semanas por que
passei. Eu estava sob forte ataque do inimigo. Entrei
numa depressão tal que nem eu mesma me
suportava.
Mas, nesta ministração, relatei minuciosamente
todos os dados e fatos acontecidos na minha
infância com a minha certidão de nascimento.
Quando começamos a fazer a cura, foi aberta a
prisão onde eu estava aprisionada, no túmulo, como
morta, pois fui enterrada juntamente com a minha
prima. Senti então que estava respirando um novo
ar, tendo o fôlego da vida e o ar que Deus nos deu.
Era como se eu estivesse nascendo de novo. Senti
que finalmente eu estava sendo colocada naquele
caminho que Deus havia planejado para mim, sem
Satanás me atrapalhar.

Minha libertação daquela prisão foi um dos maiores


presentes de aniversário que recebi. Seis dias antes
do meu aniversário de 33 anos, fui ressuscitada e
liberta de um sepulcro espiritual.

TESTEMUNHO 2
Aprisionamento pela
Feitiçaria
“É este o que fazia tremer a terra e estremecer os
reinos? É este o que transformava o mundo num
deserto, arrasava as suas cidades, e recusava
libertar os seus prisioneiros?”
(Is 14:16b-17– SBP)

Aprisionado Debaixo D’água

Quando ministrei numa igreja localizada perto do


Grande Rio, fui procurada, logo no início, por um
irmão chamado Rui, que me perguntou: “Por que eu
sonho sempre com águas?”

Normalmente, a primeira coisa que se pensa num


caso assim é que a pessoa deve ter tido algum
envolvimento ou pacto com a rainha das águas, em
algumas culturas, ela é conhecida como Yemanjá, no
Brasil, ela atua como o espírito das águas. Tendo
isso em mente, eu lhe assegurei que lhe daria uma
atenção muito especial.

O irmão insistiu várias vezes, repetindo a mesma


pergunta: “Por que eu sonho sempre com águas?”
Ele procurou mais uma irmã, para repetir o seu
pedido de ajuda.

Quando examinei a ficha de ministração do Rui,


verifiquei que, em sua vida, no passado, ele não
havia tido muitas brechas que pudessem explicar os
problemas espirituais que vinha enfrentando. Havia
na ficha apenas uma observação que me chamou a
atenção. Ele tinha anotado o fato de ter ouvido dizer
que o “boto” era o seu guia espiritual, e que
provavelmente tinha sido consagrado a ele, quando
criança, para que posteriormente, quando crescesse,
fosse seu médium.

Então eu o procurei para entender melhor a


situação.

Ele me respondeu que não tinha certeza de nada;


não sabia nem mesmo se de fato havia sido
consagrado ao boto, ou não. Depois de muitas
perguntas, Rui me falou de um de seus problemas.
Contou-me que havia tido, no passado, muito
envolvimento na área sexual, com lascívia e
impureza.

Antes de sua conversão, ele havia frequentado


muitos lugares de prostituição. E ele ainda lutava
contra a masturbação e contra pensamentos
impuros, que eram frequentes em sua mente.

Procurei então informar-me, e tomei conhecimento


de que o boto é um tipo de golfinho, de
aproximadamente um metro e meio de
comprimento, cujo habitat é nos rios da Amazônia.
A lenda regional que o envolve diz que ele aparece
como homem a uma mulher, e a um homem ele
vem como mulher. Toda a lenda está ligada com
sensualidade e sexo. Algumas vezes, ele aparece
como virgem, e, outras vezes, como mulher casada.
De qualquer forma, o boto simboliza a sensualidade,
a lascívia e o sexo ilícito.

Os problemas que Rui enfrentava pareciam ter duas


causas principais: uma sensualidade insuportável e
prisão espiritual.
Estávamos num Curso Intensivo de Libertadores,
onde trato de assuntos que, normalmente, num
seminário de batalha espiritual, não apresento. As
palestras dadas no Curso Intensivo são outras, pois
objetivam dar treinamento àqueles que querem
aprofundar-se no ministério de libertação. Assim,
quando dei a palestra sobre prisões espirituais, e falei
sobre funções do espírito, nosso irmão Rui, que
havia me procurado de novo, disse-me:

– Pastora, eu tenho todos os sintomas de uma


pessoa aprisionada, conforme a senhora descreveu.

Finalmente, no dia em que Rui foi ministrado, tive


de fazer perguntas e mais perguntas sobre a sua
pessoa. A sensualidade e as perversões sexuais
apresentaram-se como problemas evidentes e claros,
e pude relacionar um ao outro.

Com todos esses dados, a minha suspeita de que ele


poderia estar preso no fundo da água foi se
confirmando. Assim, Rui foi retirado de uma prisão
sexual e depois ele saiu de debaixo das águas. A
prisão na área sexual se desfez conforme ele
confessava os pecados da sua sensualidade, o
pecado de prostituição e de todas as outras
perversões, tendo ele feito o desligamento de alma
com as ex-parceiras sexuais. Rui acabou
renunciando esses espíritos e expulsou inúmeros
demônios ligados à sensualidade e à imoralidade.

Então eu lhe disse:


– Rui, tenho a impressão de que você ainda está
aprisionado em baixo da água. Vamos orar.

Na hora de ministrar a abertura dessa prisão, quando


fechei os olhos, eu o vi cor-de-rosa, preso dentro de
um castelo, dentro da água. Não era um castelo
sofisticado, mas sim um castelo em forma de
concha. Rui apresentava-se em trajes sumários. E,
na realidade, ele havia sido consagrado ao boto,
ainda quando bebê, para tornar-se médium dele.

Na minha visão espiritual, eu o vi dentro de um


castelo no fundo das águas. As sereias eram os
demônios guardiães. Amarrei todas elas e pedi que
Jesus enviasse esses demônios guardiães para o lugar
que Ele determinasse. Com a chave que abre prisões
espirituais, eu abri a prisão em que ele estava e pedi
que Jesus alcançasse o rapaz, onde quer que ele
estivesse. E disse ao Rui que se segurasse nas mãos
de Jesus, porque o Senhor estava ali para tirá-lo
daquele cativeiro.

Quando assim começamos a fazer, ele começou a


orar em línguas. Foi lindo ver como aconteceu.
Enquanto saía da prisão, Rui fungava o tempo todo,
conduzido por Jesus (um dos intercessores pegou
suas mãos), e por fim expressou um grande alívio.

Chorando, ele disse:


– Sabe, eu tive a sensação de que nadei, nadei e
nadei, e finalmente cheguei a uma praia...

Depois, na cura interior, pretendíamos que ele fosse


espiritualmente apresentado a seu pai, que havia
sofrido uma paralisia física quando Rui tinha 14
anos, e que morreu quando Rui chegou à idade de
17.

Havia entre os intercessores presentes dois homens


maduros que poderiam representar o seu falecido
pai, no ato simbólico e espiritual a ser feito com o
Rui. Eu debatia dentro de mim:
“Quem será a melhor pessoa para representar o pai?
Senhor, quem é? É o da direita ou o da esquerda?”

Entendi que era a pessoa da esquerda. E, assim,


procurei o irmão que estava à minha esquerda, e
perguntei-lhe se ele poderia representar o pai do
rapaz.

Aquele irmão havia acabado de ver pessoas sendo


curadas por um abraço de pai, e imediatamente se
prontificou a isso.

Quando lhe disse: “Rui, abrace seu pai”, ele deu um


grito, chorou, e agarrou-se numa das pernas daquele
que representava seu pai e disse:

– Pai, senti muito a sua falta. As pessoas me


maltrataram porque o senhor não estava mais lá; eu
não tinha a sua proteção, como os outros meninos!

Mais tarde Rui me disse:


– Pastora, aquele que fez o papel de meu pai era a
cara do meu pai verdadeiro...
Algum tempo depois, “o ex-futuro médium do boto”
escreveu-me, dizendo:
“Dra. Neuza, eu sou o Rui, aquele que estava preso
debaixo das águas pelo boto. Estou muitíssimo bem.
Continuo ainda com a alegria que senti quando fui
tirado de dentro das águas. Eu sempre ouvia dizer
que há uma grande alegria quando aceitamos Jesus
como Senhor e Salvador, mas eu não conseguia
senti-la. E, agora, esta alegria tão procurada está
comigo, e alcancei grandes vitórias em minha vida.”

Aprisionado numa Carpa

Na cultura japonesa há vários símbolos, rituais e


cerimônias. Tudo é muito ligado ao Xintoísmo, uma
versão de Budismo. As meninas têm o festival de
flores, em 3 de março. Esse dia é separado para
comemorar o dia das meninas; é o festival das
princesas. A família levanta um altar para as
princesas – quase deusas (de tão lindas que se
vestem e se adornam). As famílias, especialmente as
mães, também expõem, naquele altar, bonecas
guardadas de geração em geração, colocando-as ali
com desejos e preces de que elas sejam meninas
felizes. Nesse dia, todos vestem as melhores roupas,
as mais coloridas, e vão adorar os antepassados nos
templos budistas e xintoístas do Japão. Tudo é muito
lindo e muito delicado.

Os meninos também têm o seu dia de festa. Um


deles é 5 de maio. Nesse dia, as famílias que têm um
ou mais meninos compram ou confeccionam uma
carpa – um peixe feito de pano ou de qualquer
material leve, que possa ficar ao léu do vento – e a
colocam num mastro da casa, pedindo que os
antepassados tornem os meninos tão fortes como
uma carpa.

A carpa é símbolo de destemor, de coragem, de


superação de obstáculos, de força, de vencedor, de
valentia...

Um dia, quando fui ao Japão para ministrar naquele


país, atendi um rapaz que era filho mestiço de uma
brasileira, de linhagem japonesa, com um brasileiro
baiano. Na sua ministração, ele contou que, quando
jovem, ainda no Brasil, foi levado para um bairro
longe da sua casa, para uma casa de rituais orientais,
onde teve de submeter-se a um cerimonial. E, como
parte do ritual, ele foi benzido e teve de tomar
sangue de uma carpa. E o peixe foi levado para a
sua casa, onde foi preparado e comido por toda a
família.

Na ministração daquele rapaz, a intercessora o viu


saindo de uma carpa. Não sabíamos o significado
mais profundo do ritual a que ele tinha se
submetido, mas o cerimonial – que incluía tomar o
sangue de carpa e comer o peixe – certamente o
havia aprisionado.

Pactos com o diabo e com vários demônios

Carolina havia feito um pacto de sangue com o


diabo, na porta da sala da sua casa. Foi um pacto de
morte com Lúcifer.

Ela lhe tinha dado a sua alma, o seu corpo e o seu


espírito, selando isso com um corte no pulso,
deixando o sangue pingar sobre o chão. Naquele
dia, à meia-noite, ela estava vestida com um vestido
preto, e lá na entrada da sala de sua casa fez uma
reza invocando três vezes o bode preto.

E, depois, reforçou esse pacto com velas pretas,


acesas para o diabo. Foi um forte compromisso no
mundo espiritual.

Carolina usava pó de osso de pessoas e pó de pemba


para matar, destruir, roubar ou para arrumar brigas
num casal. Desse modo ela causava sérias brigas e
confusões.

Ela sempre se sentiu rejeitada por seus pais. Sabia


que seu pai não gostava dela, mas quando ele ficou
doente, com câncer, foi ela, a filha Carolina, que
cuidou dele, e assim passou a conhecer, de verdade,
o seu pai. Ele sempre lhe dizia que a odiava, que ela
nunca seria nada e que queria vê-la morta.

Na realidade, porém, quem ela odiava mesmo era a


mãe. Sua mãe sempre declarava, nas discussões, que
Carolina era uma desgraçada. E Carolina desejava
que ela morresse. Ferida por pesadas palavras de
desprezo e ódio, Carolina vingava-se, desejando
intensamente a morte da mãe. Porque, na realidade,
ela gostava de Coló, a sua mãe de santo.

Carolina queria sair de casa para ficar com Coló.


Queria morar com ela, mas como ainda era menor,
não podia satisfazer esse seu desejo. A mãe real e
biológica ainda mandava nela.

Mais tarde, depois de Carolina abandonar o


espiritismo e sair do centro, sua mãe morreu, vítima
de várias enfermidades. Vestida de branco, Carolina
tinha sido batizada no mar por Yemanjá, com flores
brancas, perfumes e champanhe. Yemanjá passou a
ser a dona da sua vida, além do próprio Exu do
Lodo.

Carolina fez também trabalhos para Oxum Maré,


para tentar resolver uma deficiência física. Mas
Yemanjá era sua mãe de cabeça. Carolina recebia
benzimentos que eram feitos, muitas vezes, usando
o rosário que pertencia à Vó Cambina, que é uma
das manifestações da Preta Velha. O rosário era
passado em todo o seu corpo, amarrando-a e
aprisionando-a.

Ela chegou a matar pessoas, através da feitiçaria. As


mortes eram feitas por exus, sob o comando dela.
Em menos de dois dias, ela ficava sabendo como a
morte havia acontecido. Carolina teve intimidade
com as pombagiras: bebia e cantava para elas, e lhes
dava oferendas. Por vezes era incorporada por elas
e, assim, dava passes, fazia adivinhações,
apresentava pedidos de clientes, jogava cartas e lia
mãos.

Vários exus também se incorporavam nela: Exu do


Lodo, Exu Mirim, Veludo, Gira Mundo, Caveira, Zé
Pilintra, Zé do Coco, Martin Pescador, Vagamundo,
Pinga Fogo, Tiriri, Lona, Marabô, Lúcifer, Sete
Encruzilhadas, Cobra Coral, dentre outros. Ela fez
trabalhos de feitiçaria junto com eles, bebeu, ajudou
a matar animais, foi ao cemitério, cantou e dançou
com eles e para eles.

E, dos caboclos, recebeu passes, bateu cabeça,


acendeu velas, fez oferendas, incorporou, cantou e
dançou com eles, deu penachos de presente, deu
perfumes, ofereceu frutas, pombas brancas, fez altar
para eles, limpou imagens e comprou pembas para
eles.

Carolina trabalhava na Tenda de Umbanda Caboclo


Sete Demandas, que apresentava apenas uma
fachada de bondade. À meia noite, os filhos de
santo trocavam a roupa branca para a preta, e,
então, começava o lado tenebroso dos rituais da
magia negra. Carolina fazia trabalhos com fetos,
junto com esse caboclo, provocando abortos.

A incorporação iniciava-se com o Marinheiro,


depois vinham os exus e as entidades, entre as quais
Yemanjá, caboclos, pombagiras, crianças. Os
trabalhos eram para prejudicar e paralisar vidas
(para que a pessoa não pudesse andar mais, ou não
mais mexer as mãos). Também provocavam
acidentes de carro, atropelamentos e queimaduras.
Carolina usava saias coloridas, guias no pescoço, e
fumava cigarros de maconha.

Ela tinha de beber sangue, comer coração de boi


com mel, doces e acarajé. Fazia trabalhos com casca
de alho e um pó branco. Os trabalhos eram
realizados, principalmente, no corredor da sua casa.
Eram feitos cruzeiros de velas no quintal pelo Exu
do Lodo e pelo Exu Veludo, com muita bebida
alcoólica e cigarros. Pó de pemba também era
assoprado nos cantos da casa.

Quando Carolina, tendo um encontro com Jesus


Cristo, converteu-se, e decidiu sair do domínio das
entidades a que vinha servindo, abandonando o
espiritismo, o Exu do Lodo disse que ia matá-la. Ela
o desafiou, e passou os piores momentos da sua
vida, mas ele não conseguiu o seu intento.

Seus companheiros de feitiçaria e os seus mentores


faziam um esforço muito grande para retê-la no
espiritismo. Um dos pais de santo jurou que ela não
ficaria na igreja e que, através dela, toda a família
voltaria para o espiritismo.

Coló, a sua ex-mãe de santo, fez magias e rituais,


usando um coco da Bahia, que foi jogado no quintal
da casa de Carolina. Dentro do coco estava o nome
dela, amarrado com fita vermelha e preta, e
pulverizado com pólvora.

O Exu do Lodo, por quem ela fora apaixonada, e


com quem, na realidade, havia se casado
espiritualmente, constantemente a ameaçava. Um
dia, ela chegou a discutir com ele por quase quatro
horas. Ele dizia que ela nunca poderia sair de lá,
porque ele não permitiria isso, pois ela estava
amarrada lá. No decorrer da discussão, o demônio
voltou a dizer que, se ela saísse do espiritismo e o
abandonasse, ele nunca a deixaria em paz, até matá-
la. Carolina, no início, chegou a duvidar de tais
ameaças, mas depois entrou em depressão e
começou a ter manifestações, tentando matar-se.

Carolina também permitiu a realização de curas no


seu corpo. Essas curas eram feitas através de sinais
de cruz, feitos com um punhal ou uma lâmina
cortante, para tirar o sangue, como sinal do pacto.
Ela deixou que fossem feitas marcas no braço, no
peito, na nuca, no centro da cabeça, no pulso, nos
pés e no tornozelo.

Através desses pactos, realizados com sangue em


todo o seu corpo, o que isso acarretou foi que ela foi
amarrada e aprisionada mais ainda, espiritualmente,
pelo diabo.

Além de todo esse envolvimento com o baixo


espiritismo, em sua vida, Carolina teve ainda as
seguintes participações:

Ela fez relaxamento mental e envolveu-se com a


parapsicologia através de um médium parapsicólogo,
que lhe ensinava sobre o poder da mente, e que
tinha poder para hipnotizar pessoas. Ela fez também
yoga, principalmente quando se sentia agitada. E
tinha a sensação de um relaxamento corporal e
mental. Fez regressão, leu livros sobre regressão, e
seguiu o que eles prescreviam. Aplicou para si e
também nas suas clientes.

Em sua ministração, pude constatar que um dos


pontos mais sérios da sua vida era não conseguir
perdoar-se. Na realidade, ela não se perdoava. Deus
também me mostrou que ela estava presa num
departamento do inferno. Ela havia se colocado
dentro de um caixão de morte, por ela mesma
arquitetado e desenhado.

Aquele caixão tornou-se um lugar de prisão, mas


dentro do caixão ela sentia-se segura, e gostava
muito de estar lá. Havia se tornado um lugar de
muita comodidade. A cada dia ela sentia-se mais
confortável dentro dele. De acordo com a revelação
que recebemos, ela estava presa também numa
pedra de ônix.

No processo de sua libertação, Carolina foi sendo


tirada de cada um dos lugares em que estava presa.
Não foi nada fácil. Foi com muita luta e dificuldade
que ela saiu de cada uma daquelas prisões. Para que
ela pudesse sair foi necessário quebrar todos os
pactos que tinham sido feitos com o diabo.

Na ministração, de início nós (eu e os intercessores)


nos colocamos no lugar dela, pois várias vezes ela
entrava no estado catatônico, e com frequência
também desmaiava.

Assim, tivemos de fazer confissões por


identificação, no início, mas depois ela mesma
arrependeu-se da grande lista de seus pecados,
enumerando-os, um por um, renunciando-os, e
amarrando e expulsando os demônios.

Quando ela voltou a si, depois de ter saído das


prisões, nós a conduzimos para fazer todo esse
processo.

O pastor Marcos, um dos pastores da igreja que


Carolina frequentava, finalizou a ministração,
orando com muita autoridade, acabando de vez com
qualquer manifestação.

Foi feita ainda a sua cura interior. Jesus andou com


ela e lhe deu o cálice da paz.

TESTEMUNHO 3
Aprisionamento por
Traumas
“Tira de sobre mim o teu flagelo; pelo golpe de tua
mão, estou consumido. Quando castigas o homem
com repreensões, por causa da iniquidade, destróis
nele, como traça, o que tem de precioso. Com
efeito, todo homem é pura vaidade.”

(Sl 39:10-11)
Traumas são feridas de alma e, portanto, constituem
problemas espirituais, não físicos. Pessoas
traumatizadas precisam de cura. E os traumas são a
causa de muitos aprisionamentos espirituais.

Aprisionada num carro

Recebi o seguinte relato de uma mulher que


ministrei:

Andar de carro tinha se tornado um problema na


minha infância. Eu sentia um verdadeiro pavor.
Perdi viagens e passeios de férias por não suportar
entrar num automóvel. A hora de ir para a escola era
sempre um pavor para mim, era assustadora.
Recordo-me de que as outras crianças brincavam
todo o percurso e eu passava todo o trajeto orando,
pedindo ao Senhor que livrasse o carro de qualquer
acidente. As outras crianças zombavam de mim e o
motorista dizia que eu era boba e medrosa. Quase
sempre chegava à escola com o estômago
queimando e com ânsia de vômito.

Esse trauma acompanhou-me também na vida


adulta. Na tentativa de resolver o problema, aprendi
a dirigir muito cedo, com apenas 14 anos. O
problema persistia; estar ao volante era sempre um
momento de tensão.

Quando entrava num carro e uma outra pessoa


estava dirigindo, eu sentia um grande pavor. Sempre
procurava alertar o motorista sobre possíveis
perigos, fazendo interrupções como “pare aqui”,
“olhe o carro ali”, “não chegue muito perto do carro
da frente”. Isso causava grande irritação ao
motorista.

Com meu marido a situação era ainda pior. Sempre


discutíamos por causa do excessivo controle que eu
tentava exercer para que ele não corresse ou
cometesse alguma manobra que parecesse
imprudente.

Todo esse trauma começou quando eu tinha nove


anos. Dois anos antes, meu pai havia falecido e,
como minha mãe não sabia dirigir, eu ficava sob a
responsabilidade do motorista da empresa. Um dia,
quando ele estava me levando para casa, o carro
perdeu o freio e, para não bater na traseira de um
ônibus, ele jogou o carro para a pista ao lado e
acabamos batendo levemente numa Kombi.

O choque causou apenas a quebra de um farol, o


bastante para que nascesse em mim um grande
medo. Eu fiquei traumatizada com aquele acidente.
Minha mãe dizia que tudo aquilo ia passar, que era
apenas uma questão de tempo. Mas, poucos meses
depois do acidente, um outro problema fez com que
o trauma se agravasse.
Num domingo, quando toda a família estava reunida
em casa, logo após o almoço, eles decidiram fazer
um passeio juntos. A distância era pequena, mas eu
não queria ir, pois andar de carro era um problema
para mim.

Como eu me recusava a entrar no carro e ninguém


queria perder o passeio, um de meus irmãos me
pegou à força. Para piorar a situação, eu fui
colocada no espaço embaixo do para-brisa traseiro.
O tempo a ser percorrido era de apenas 15 minutos,
mas aquele passeio tornou-se uma eternidade.
Foram minutos de pavor! Eu gritava e esperneava
durante todo o percurso, e, então, comecei a ter
alucinações. Todos os carros que eu via estavam
vindo na direção do nosso, e tive a nítida impressão
de que eu ia morrer naquela hora, de acidente.

Aquelas alucinações me acompanharam por toda a


infância. Eu sempre dizia à minha mãe que o meu
“destino” era morrer num acidente de carro. Ao
longo dos anos, os sintomas desse trauma foram
amenizados, mas nunca desapareceram.

Apesar de já ter sido ministrada e ter passado por


um intenso trabalho de libertação, nos últimos três
anos, o Espírito Santo insistia em me dizer que ainda
faltava algo.

Então fui participar de um Curso Intensivo de


Libertadores, dado pelo Ministério Ágape
Reconciliação. Foi então que, pela primeira vez,
ouvi falar de aprisionamento espiritual. Durante a
palestra sobre esse tema, quando a Dra. Neuza
Itioka ministrava a libertação de prisões, o Espírito
Santo levou-me novamente para dentro daquele
carro. Pude então ver-me lá, debatendo-me contra o
vidro traseiro do carro, aos gritos. Pude ver que o
meu rosto estava tomado pelo desespero. Mas, de
relance, os carros que vinham em minha direção,
causando-me um grande pavor, foram ofuscados
por uma intensa luz.

Era uma luz forte, mas que não me impedia de ver.


De dentro dela eu vi sair o meu Mestre, Jesus. O
olhar dele inspirou-me calma. Ele sorria e, com um
gesto leve, estendeu-me a mão. Pude contemplar o
meu semblante de pavor transformar-se num sorriso,
e lhe estendi a mão. Ele me levantou e, percebendo
o meu cansaço, carregou-me no colo e tiroume de
lá.

Aprisionada num apartamento

A mesma irmã continua relatando:

Mas meu encontro com Jesus, naquela tarde, no


Curso de Libertadores, não havia terminado. Depois
fui levada pelo Espírito Santo ao apartamento onde
morei durante o período em que cursei a
Universidade. Foi um período muito difícil da minha
vida.

Logo no primeiro ano, cursando jornalismo e


publicidade, acabei deixando o intelectualismo e o
sofisma tomarem conta de minha mente, e acabei
afastando-me dos caminhos do Senhor. Eu
frequentava festas, onde bebia e também cheguei a
usar drogas (algumas pesadas) mas, mesmo estando
afastada, a misericórdia do Senhor me assistiu e não
permitiu que eu me viciasse.

Minha desobediência levou-me a um outro erro.


Hoje entendo que foi mais um plano do inimigo
para tentar matar-me. É que namorei um rapaz não
crente. Esse rapaz ficou obcecado por mim. Eu
terminei o namoro, mas ele não aceitava o término.
Assim, esse moço passou a me perseguir.

Foram muitas idas e vindas por causa da insistência


dele. Eu também tive a minha parcela de culpa, mas
não é importante contar agora. A perseguição foi de
tal monta, que eu já não mais podia sair de casa.
Para onde eu fosse, ele me perseguia. Quando eu
saía, ele vinha atrás. Ele dormia na porta do prédio,
para ver quem entrava e quem saía do meu
apartamento. Seguia todos os meus passos, me
perseguia de carro e ainda exercia grande pressão
psicológica sobre mim através de ligações
telefônicas, quando eu estava em casa. Passei a não
atender ao telefone. Muitas noites, nem eu nem
minhas colegas de apartamento conseguíamos
dormir.

Passei então a sair de casa apenas para trabalhar e ir


à universidade, mas sempre acompanhada. Nesse
meio tempo, comecei a namorar outro rapaz. O
namoro durou até ele descobrir. Um dia ele
desconfiou que o rapaz estivesse no meu
apartamento, depois de tocar o interfone sem parar e
não ser atendido. Gritando, ele acordou todos os
vizinhos, e disse que queria entrar. Como ele não ia
embora, tive que abrir a porta – e foi uma confusão.

Ele entrou e começou a discutir comigo; portou-se


tão mal que precisou ser retirado de lá, à força.

Depois desse dia a perseguição diminuiu, mas não


terminou. E eu comecei a ficar doente; tive uma
profunda depressão e síndrome do pânico. Eu não
podia mais ouvir o telefone tocar. As crises de
insônia aumentaram.

Já não conseguia dormir; eu passava a noite olhando


pelas janelas e por baixo da porta do apartamento,
pois tinha a nítida impressão de que havia alguém
entrando no prédio para matar-me. Andava sempre
olhando para os lados com a impressão de que
alguém estava me seguindo.

Para acabar com a perseguição do rapaz, decidi


reatar o namoro. Eu tinha medo dele.
A cura para a depressão e para a síndrome de pânico
veio, em parte, com um tratamento psicológico.
Depois que me reconciliei com o Senhor Jesus, só
então tive forças para terminar, de vez com aquele
namoro.

Algum tempo depois, o Senhor permitiu-me


conhecer aquele que Ele havia preparado para mim.
Eu me casei de uma forma maravilhosa, numa
cerimônia linda, digna de filha do Rei. Afinal, tudo
foi providenciado por Ele. O Senhor é tão bom que
me preparou um servo de Deus, comprometido com
a obra do Senhor, e que exerce a mesma profissão
que eu.

No meu dia a dia, porém, tornei-me solitária.


Comecei a ter problemas de comunicação. Não
conseguia entrosar-me nos grupos que eu
frequentava (igreja, trabalho, etc.). Muitas vezes,
não conseguia nem mesmo comunicar-me com o
meu marido, e, assim, a comunhão com Deus foi
sendo afetada. Não conseguia orar e nem ler a
Palavra, como deveria. Minha mente vagueava
durante a leitura da Bíblia e nos momentos de
oração; por fim, eu adormecia sobre ela. Isso me
trazia muita tristeza e inconstância emocional.

Também eu brigava muito com o meu marido,


porque eu não sabia dizer a ele o que estava
querendo e sentindo. A mesma coisa acontecia na
igreja; eu me fechava para que ninguém chegasse
perto de mim. Às vezes não queria ir aos cultos para
não ter de cumprimentar alguém. Não queria
conversar. Afinal, não conseguia comunicar-me. Isso
se repetia, na maioria dos lugares aos quais eu ia. Eu
vivia um paradoxo: eu era uma profissional da
comunicação que não conseguia comunicar-se.

Naquele tempo, o meu grande aliado foi o Espírito


Santo. Eu me ajoelhava para orar e não conseguia.
Então eu tomava posse da Palavra e pedia que o
Espírito falasse por mim, e eu chorava enquanto Ele
assim fazia.

Foi então que, naquela mesma tarde – depois da


libertação da prisão no carro –, assim como Jesus
me tirou daquele carro, Ele me tirou daquele
apartamento. Com o mesmo olhar, doce e meigo.
Desta vez, Ele não me pegou no colo, apenas desceu
as escadas daquele prédio segurando na minha mão.
Mas, eu pude sentir a firmeza da destra fiel do meu
Mestre.

Aprisionada dentro da igreja

Veja agora, mais um testemunho de uma mulher que


assistiu à minha palestra sobre aprisionamento
espiritual. Assim ela me escreveu:

Ontem, quando a senhora estava ministrando sobre


prisões espirituais, eu me vi aprisionada num lugar.
Após a palestra, depois de explanar como e por que
nós nos aprisionamos, a senhora mandou que se
levantassem os que se sentiam presos
espiritualmente.

Eu, porém, não me levantei, porque não me


lembrava de nada que me pudesse ter aprisionado.
Notei, porém, que havia algo um tanto anormal em
mim. Minhas mãos e meus pés estavam inchados.
Mas nem desconfiei que isso pudesse estar
relacionado a um aprisionamento espiritual.

Logo em seguida à ministração, várias pessoas


estavam compartilhando e testemunhando, dizendo
que haviam saído de diferentes aprisionamentos. Eu,
porém, até então, nada tinha percebido sobre a
minha situação.

Depois dessa aula, participei do momento de


adoração. Foi nessa hora que Deus começou a
mostrar-me que eu estava aprisionada dentro de uma
igreja.

Eu estava presa na igreja que tinha frequentado em


minha infância e adolescência. De repente, em
minha mente, vi passar o filme da minha história.
Deus me revelou que eu estava presa lá no prédio da
igreja. Eu me via correndo de um lado para o outro.
Mexia nas portas, mas não conseguia sair, pois elas
estavam trancadas.

Comecei a sentir muito medo. Minha mãe me levava


para a Igreja, mas, quando chegávamos lá, eu me
sentava no banco e dormia durante o culto todo.

Senti, então, de Deus, dizer à minha pastora que eu


estava presa lá e, assim, juntamente com outras
pessoas, sob a ajuda do Senhor, ela me tirou daquela
prisão.

Agora entendo por que eu não conseguia


concentrar--me no louvor, por que não sentia a
presença do Espírito em minha vida. Eu não
entendia. Mas hoje entendo.

Aprisionada numa garrafa de bebida

Numa ministração de aprisionamento espiritual, uma


jovem, de nome Cíntia, viu-se espiritualmente
dentro de uma garrafa. Mesmo com o comando
para sair dessa prisão, ela não conseguia sair.

Cíntia caiu no chão, no meio de duzentos e


cinquenta pessoas que estavam sendo ministradas. A
pastora que estava ministrando disse-lhe:

– Saia desse lugar! Onde você está?


– Pastora, estou dentro de uma garrafa de cerveja.
Não consigo sair.

A pastora foi até ela para ajudá-la a sair daquela


prisão, e começou a pensar: “Como isso pôde
acontecer?... Como será que ela entrou nessa?...
Meu Deus, como isso aconteceu? Que devo fazer
para tirá-la?”

Então, sob o comando da pastora, finalmente Cíntia


conseguiu sair daquela prisão espiritual, depois de
entregar a Deus todas as possíveis causas que levam
as pessoas à prisão: a idolatria, a feitiçaria, muito
sofrimento, uma dor terrível, rejeição, medo
apavorante, etc. Cíntia tomou as mãos de um anjo
que veio buscá-la, após ter sido aberta a porta
daquela prisão, mediante o comando dado pela
ministrante.

Posteriormente a jovem contou-nos a sua história:

Sua mãe era alcoólatra. Cíntia lembrava-se da mãe


bebendo e bebendo, só indo dormir quando se
achava bêbada. Mas, ao acordar, depois do sono
provocado pela bebida, acontecia um terror
insuportável. Cíntia tinha de suportar o humor negro
da mãe, com gritos e berros, e com todo tipo de
palavra de destruição e de humilhação, junto com
uma demonstração de violência.

Havia ainda uma coisa que Cíntia detestava fazer,


mas era obrigada a isso quase que diariamente: ela
era incumbida de comprar a bebida para a sua mãe.
Para isso tinha de atravessar toda a vila, indo até o
armazém, e trazer a bebida para a mãe. O povo da
redondeza sabia de tudo o que se passava em sua
casa.

Esse ritual de comprar e levar a bebida para a mãe


beber, todas as noites, machucava-a profundamente
e a deixava totalmente constrangida. Cíntia sabia
ainda que algo muito mais terrível poderia acontecer
contra si, pois, quando a mãe ficava bêbada,
ninguém conseguia domá-la. Quando a mãe dormia,
Cíntia precisava ficar quietinha num cantinho do
quarto, onde ficavam as garrafas. Ela tinha que
tomar muito cuidado; não podia fazer nenhum
barulho. E ficava tensa, nervosa, e fazia de tudo
para permanecer quieta, calada, quase que imóvel,
no meio das garrafas de bebida, pois a mãe não
podia acordar.

Ah..., se ela acordasse, ela se levantaria totalmente


transtornada e começaria a quebrar tudo. Era um
terror! Esse pesadelo continuou por anos. Foi desse
modo que Cíntia se aprisionou espiritualmente numa
garrafa de cerveja, até o dia em que foi liberta.

Amarrada em cordas de Ódio e Rejeição

“Eu era muito agressiva...” – assim começou Célia a


contar a sua história.

Apesar de ser uma crente que sempre frequentava a


igreja e era muito interessada na transformação da
sua cidade, ela tinha um ressentimento terrível.
Ansiedade, tristeza, choro, isolamento, vergonha,
tormento, medo e depressão faziam parte da lista de
sentimentos do seu dia a dia. Além disso, o desejo
de morrer, a preocupação, o nervosismo, e também
pressentimentos malignos, irritação e pensamentos
de morte produziram nela uma doença chamada
fibromialgia.

Para piorar, Célia tinha ainda insônia, peso na


coluna, dores na coluna, pontadas e dormência no
corpo, queimação nas pernas, alteração de visão,
falta de ar, dores de estômago, dores no ovário, nos
rins, zumbido no ouvido, impressão de inchaços na
cabeça e no corpo, além de depressão e de estar
obesa.

Ela havia tido uma infância sofrida. Sua mãe a usava


para agradar as vizinhas, deixando-a nas casas delas
como se fosse uma empregada. E elas a tratavam
como escrava. Dos sete aos nove anos, Célia ficou
como empregada das vizinhas, quando suas colegas
da escola e seus amigos da vizinhança, que tinham a
sua idade, brincavam e curtiam a infância.

Algumas das vizinhas, para quem ela era obrigada a


trabalhar, chegavam a maltratá-la. Essa situação
deixou muitas marcas em sua vida. Célia esclareceu
ainda que, na sua juventude, irritava-se
profundamente com a mãe, por tudo o que ela fazia.
Em especial, Célia costumava sentir-se mal, e ficava
nervosa, quando sua mãe tentava demonstrar algum
carinho, passando a mão na cabeça dela.

A raiz do seu problema estava no profundo


ressentimento para com a mãe. Célia rejeitava a mãe
pela grande amargura que havia cultivado contra ela,
pois sua mãe tinha usado e abusado dela, quando a
fez de empregada. Célia estava aprisionada naquelas
casas em que havia trabalhado, em sua infância,
como empregada.

Um outro lugar de prisão, para ela, foi a escola. A


professora humilhava e batia nas crianças. Dentre
muitas, Célia também foi vítima dos maus-tratos da
mestra, pois não conseguia acompanhar a lição, já
que não tinha tempo para estudar – e sempre estava
cansada pelo trabalho que tinha de fazer, como
empregada.

Seu casamento também havia sido um desastre.


Célia odiava o marido. Ele era alcoólatra.
Trabalhava o dia todo e, quando voltava para casa,
nada fazia a não ser ficar diante da TV, todas as
noites. E bebia cerveja até embebedar-se.

O que deixava Célia muito irritada era o ruído de


abrir as latinhas de cerveja. Quando a ministrei, ela
já estava casada havia 25 anos, e confessou que o
seu casamento estava insustentável.

Ela também não tinha nenhum desejo sexual. Ela me


disse: “Meu marido é alcoólatra, não me acompanha
na igreja, não cumpre com os seus compromissos
financeiros... tudo isso me deixa nervosa”.

E disse também: “Ele é um pai ausente”.

Como Célia não era, de forma alguma, valorizada


pelo marido, ela sentia-se totalmente rejeitada. Com
os dois filhos, meninos, o seu relacionamento era
normal. Ela conseguia demonstrar alegria e prazer
em estar com eles, e deles cuidar. Entretanto, com a
filha, disse ela, “era terrível”. Célia não conseguia
demonstrar amor para com ela, não conseguia amá-
la, e dizia não gostar dela.

Por mais que se esforçasse, era-lhe muito difícil


demonstrar amor e carinho para a filha. O hospital
onde ela foi ter o primeiro bebê também se tornou
um lugar de aprisionamento. Célia havia se casado
grávida. Ela não queria saber de sexo com o
namorado, apesar de sempre ser assediada por ele.
E, um dia, na brincadeira, encostaram-se e ela
engravidou, tendo de se casar.

Naqueles momentos tão importantes para a mulher,


quando Célia estava para dar à luz o primeiro filho,
ela teve de enfrentar tudo sozinha. Ninguém veio
ficar com ela no hospital. Não houve ninguém que a
acompanhasse; não recebeu ajuda de ninguém. Seus
familiares haviam se esquecido dela. Seu parto foi
horroroso – foi o que ela comentou. Teve dores
terríveis. Célia realmente pensou que ia morrer. As
atendentes, bem indiferentes e relapsas, disseram
que era assim mesmo.

Ela sentiu-se abandonada, pois ficou o dia inteiro, e


a noite toda, na expectativa de um bom
atendimento, mas ninguém apareceu, nem mesmo
para consolá-la e confortá-la. Ela gritava e berrava
pela dor e pelo mal-estar, mas permaneceu sozinha,
sem a ajuda de ninguém. Aquele hospital tornou-se
um lugar de terror. Para ela, o hospital parecia estar
cheio de teias de aranha, e o sentimento
predominante nela foi o de terror. Ela teve de sair de
lá, teve de sair espiritualmente daquela prisão.

Seu marido é considerado um homem bom. Célia


disse que ele trabalha muito, mas o seu defeito é ser
muito passivo e depressivo. O pior é que, já há
algum tempo, havia passado a beber. Ele é um bom
pai, mas ausente. Ela tinha de fazer tudo.
Ela carregava o fardo da casa toda. E a situação foi
piorando e agravou-se ainda mais, quando se
mudaram. Por algum tempo, moraram num
apartamento cuja dona era viúva. Célia começou a
observar que era assolada com pensamentos de
separação, de isolamento, de tristeza e de uma
grande vontade de morrer.

Foi nessa ocasião que ela teve de enfrentar a


situação de seu marido estar tendo um caso com
uma mulher de nome Mafalda. Naturalmente, Célia
não sabia que os espíritos que acompanhavam
Mafalda a estavam perturbando, para destruí-la e
matá-la, como costumam fazer.

Quando Célia foi ministrada, além de ser retirada


desses inúmeros lugares em que ela se achava presa,
dei-lhe uma palavra sobre o perdão à mãe, ao
marido e à filha. De fato, todo ressentimento e
mágoa, que ela tinha contra a mãe, haviam sido
inconscientemente transferidos ao marido e à filha,
acrescidos ainda de ódio e rejeição.

Pela fé e com a sua libertação da prisão, porém, foi


criada uma nova realidade. Pedi a um pastor, que se
achava presente na ministração, que orasse pelo
marido de Célia, pedindo que Deus enviasse uma
legião de anjos para libertá-lo, tirando as vendas dos
olhos dele, eliminando dele a vontade de beber,
anulando a passividade e a sua indiferença à vida
espiritual. E ainda pedimos que Deus viesse eliminar
toda tristeza, todo sentimento de morte, e toda
depressão. E assim Deus fez.

Célia nos disse que perdoar era muito difícil. Mas


ela conseguiu declarar perdão à mãe, ao marido e à
filha, renunciando os espíritos de tristeza, de
acusação, de mágoa, de rejeição, de morte, de culpa
e de humilhação, entre outros.

No dia seguinte, o que ela nos relatou foi que o


marido não estava mais diante da TV, abrindo latas
de cerveja e bebendo.

Ela estranhou, e nem mesmo podia acreditar que a


sua atitude e o seu sentimento haviam mudado em
relação ao marido e em relação à filha. Célia
começava a ver os resultados de ter saído de suas
prisões espirituais.
Aprisionada num colchão malcheiroso de
urina

O caso de libertação a seguir passou-se com uma de


nossas alunas do Curso de Libertadores, uma juíza,
cujo nome é Cristina.

Desde muito pequena, Cristina não podia contar


com a mãe, pois esta estava sempre drogada e
bêbada, e não podia ajudá-la. Até mesmo durante à
noite, Cristina não podia contar com ela, nem
mesmo para levá-la ao banheiro. Cristina acordava,
mas sua mãe continuava dormindo. Desse modo,
não tendo como ir ao banheiro, Cristina resolvia o
seu problema de maneira muito simples: urinando na
cama.

Como ela dormia num colchão de crina, ela urinava


nos quatro cantos do colchão. Seu problema de
todas as noites era, desse modo, resolvido, mas ela
enfrentava ainda um outro problema bem mais
vergonhoso, durante o dia. Ela tinha de levar para
fora aquele colchão malcheiroso de urina, para fazê-
lo secar ao sol. Além da vergonha, ela sentia-se
incomodada, perturbada pelo cheiro daquela urina
que impregnava o quintal.

Cristina casou-se com um homem misericordioso,


realmente escolhido por Deus. Jesus veio ao seu
encontro através desse homem que seria o seu
marido. Tiveram um casamento maravilhoso e havia
muito amor e respeito entre eles.

Um problema, porém, Cristina enfrentava – e isso


ocorria já por muitos anos: ao despertar de manhã,
ela não conseguia receber o abraço do marido, pois
ela acordava sentindo um cheiro de urina saindo de
seu próprio corpo. Ela tinha que correr para o
banheiro e tomar um banho. Só depois de lavar-se e
perfumar-se é que ela tinha condições de abraçar o
marido.

Em sua ministração, Cristina tomou consciência de


que o cheiro da urina que sentia, ao acordar, não era
real. Aquilo estava nela, e ela percebia o ar
impregnado de cheiro de urina porque estava
aprisionada naquele colchão malcheiroso da sua
infância.
Cristina então orou, colocando diante do Senhor
tudo que lhe acontecera no passado: a mãe que se
drogava e não cuidava dela, e o seu medo das
aranhas caranguejeiras. Pediu também perdão a
Deus por todas as vezes que urinou nos cantos do
colchão.

Apresentou a Deus a vergonha de ter de arrastar


diariamente o colchão para fora, a fim de secá-lo.
Então ela amarrou e expulsou os espíritos de medo,
de descuido, de vício, de desleixo e de vergonha, e
pediu que Jesus a tirasse espiritualmente daquele
colchão malcheiroso. E Jesus a tirou daquele
colchão. No dia seguinte, naquela manhã, ela
acordou dizendo:

“Não sinto mais aquele cheiro, eu me libertei


daquele colchão, depois de cinquenta e tantos anos
de prisão!”

Aprisionado sob um pano

Cláudio era o filho primogênito de uma amante do


seu pai. Era um filho bastardo. Ao nascer, foi
amaldiçoado pela esposa de seu pai, que era bruxa;
esta, fez contra ele todo tipo de feitiçaria, para
destruí-lo. Logo depois do seu nascimento, ninguém
sabe como, desceu do telhado sobre ele o que havia
sido usado na feitiçaria contra ele: um animal morto,
sangue, velas e outros apetrechos.

Cláudio também pertencia a uma família de


linhagem de bruxos. Uma de suas avós era bruxa.
Sua infância foi bastante tumultuada. Como
costuma acontecer, Cláudio foi escolhido para ser o
herdeiro espiritual dos poderes sobrenaturais que
estavam em sua linhagem familiar.

Sua vida era cheia de aflições. Apesar de seus


poderes, ele nunca tinha sucesso em nada, por mais
que se esforçasse. Na realidade, os demônios que,
pela bruxaria, tinham legalidade em sua vida,
perseguiam-no dia e noite: na escola, não o
deixavam em paz; no namoro, os demônios
intrometiam-se; no trabalho eles roubavam, e
Cláudio perdia todas as oportunidades.

Muitas vezes, enquanto caminhava numa rua, perto


de um muro, enormes demônios apareciam para
encurralá-lo, e o deixavam apavorado.

Resumindo a sua história, Cláudio converteu-se a


Jesus, e um dia buscou a sua libertação. Ele foi
atendido por uma de nossas ministradoras, a
missionária Zilá Palombo. Sua ministração foi longa,
e o que se segue é apenas um pequeno trecho.

Um dos intercessores presentes, numa visão


espiritual, viu um rosto coberto por um pano. E, de
repente, Cláudio lembrou-se duma história que lhe
haviam contado:

Quando nasceu, ele era muito parecido com o pai.


Era bastante moreno, mas sua mãe era bem clara.
Ela tinha vergonha do filho. Sua mãe tinha um forte
preconceito racial. O problema de sua mãe chegava
ao ponto de que ela tinha necessidade de esconder o
filho das amigas. Ela colocava um pano sobre o
rosto dele para que as outras pessoas não chegassem
a ver seu filho, e isso aconteceu por um bom tempo.
Ele, porém, foi crescendo, e passou a ser visto por
todos.

Durante a ministração, Cláudio disse que a sua vida


era muito amarrada. Tinha dificuldade para alcançar
seus objetivos e projetos na vida. Apesar de todo o
seu esforço e empenho, ele nunca tinha sucesso no
trabalho, em suas realizações ou na família.

O que Deus mostrou, então, foi que havia um pano


que o escondia. As pessoas continuavam não
percebendo quem ele era, de fato. Ninguém via nele
a capacidade e a inteligência que ele realmente tinha.
Assim, o Espírito de Deus começou a trazer luz ao
que nos era oculto. O pano espiritual que o cobria
(que havia sido colocado por sua mãe em sua
infância) foi então tirado.

O intercessor viu, em seguida, um rosto de bebê


brilhando. O próprio Cláudio disse que tudo havia
ficado bem mais claro. Ele havia saído de uma
prisão espiritual.

TESTEMUNHO 4
Aprisionamento por
Abuso Sexual
“Não fareis segundo as obras da terra do Egito,
em que habitastes, nem fareis segundo as obras da
terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem
andareis nos seus estatutos. Fareis segundo os
meus juízos e os meus estatutos guardareis, para
andardes neles. Eu sou o Senhor, vosso Deus.
Portanto, os meus estatutos e os meus juízos
guardareis; cumprindo-os, o homem viverá por
eles. Eu sou o Senhor.” (Lv 18:3-5)
Qualquer tipo de abuso pode ser considerado uma
causa de aprisionamento espiritual. O abuso sexual,
porém, é um dos eventos que mais prendem

e aprisionam as pessoas, com consequências sérias e


duradouras.

Aprisionada no quarto onde aconteceu o


abuso

Recebi de uma irmã, de nome Eliane, uma carta em


que ela relata o seu testemunho de libertação de uma
prisão espiritual, causada por um abuso. Ela
escreveu o seguinte:

Nossa família morava no interior do estado do


Espírito Santo. Quando eu tinha uns quatro anos,
minha mãe precisou levar meu irmão caçula ao
médico em Vitória. Sei a idade aproximada que eu
tinha, pois sou três anos mais velha que ele, e tinha
entre 6 e 8 meses; estava envolto numa manta de lã
com franjinhas brancas. Eu fui junto com eles.

Ao chegarmos em Vitória, minha mãe foi a uma


farmácia e começou a conversar com várias pessoas,
e me apresentou a elas. De repente, porém, ela já
não estava mais comigo, e eu comecei a chorar.

Lembro que chorei tanto, tanto, que mal conseguia


respirar. Passei o dia todo chorando. Chegou a noite
e minha mãe não voltava, e eu continuava chorando.
Levaram-me então para uma casa, para comer e
dormir.
O que comi foi regado com lágrimas. Depois
adormeci, cansada de tanto chorar. No dia seguinte,
quando acordei, a mulher da casa me deu café da
manhã e me disse que minha mãe já estava
chegando. Essa mulher tinha um filho adolescente,
que começou a brincar comigo e ganhou a minha
confiança. De repente, o rapaz sumiu. E eu comecei
a procurá-lo e o achei no seu quarto. Estava escuro,
pois a janela era de madeira e não tinha vidraça.
Quando o descobri, deitado na sua cama, eu
também me deitei ao seu lado. Ele brincava comigo,
mas de repente ele tomou a minha mão e a pôs
sobre o seu órgão genital, e queria que eu o
masturbasse. Um grande pavor veio sobre mim,
querendo me sufocar, debaixo daquele cobertor, e
eu comecei a reclamar. Ele me mandava falar
baixinho, ficar quieta, caso contrário, me ameaçou
dizendo que me jogaria numa cisterna que havia no
quintal. E eu murmurava baixinho e ele dizia:
“Pssiiiu! Fique quietinha, nós só estamos
brincando”.

A mãe dele estava em casa, e parece ter percebido


alguma coisa. Então ela começou a chamá-lo, entrou
no quarto e me mandou sair. E falou brava com ele,
e o mandou sair também. Logo depois, a minha mãe
chegou, mas eu nada disse a ela.

Muito tempo depois, já adulta, eu fui curada do


trauma da agressão, mas eu sempre me via (como
uma criança pequena) dentro daquele quarto escuro,
não debaixo do cobertor, mas, sim, em pé, no meio
do quarto, e impossibilitada de sair. Quando assisti à
sua ministração acerca de prisões espirituais, além de
o Espírito Santo me mostrar que eu estava
aprisionada naquele quarto escuro, o próprio Senhor
Jesus, que estava atrás da parede daquele quarto,
chamou-me, dizendo: “Vem para fora”!

Eu comecei a sair, mas, quando olhei para baixo, o


chão se movia como uma esteira, e isso me
paralisava e não me permitia sair do lugar.

Foi então que o Senhor Jesus derrubou a parede que


estava entre nós e tomou-me pela mão, tirando-me
de lá. Ele me levou para um lugar espaçoso e sorriu
para mim. Não era, porém, a Eliane adulta que
estava segurando a mão do Senhor, era uma menina
bem pequena.
Quando abri os olhos, vi que estava na sala da
ministração, e eu tinha saído do meu lugar, entre os
bancos, e tinha ido para um outro lugar, bem
espaçoso.
Jesus é maravilhoso, pois este é o seu nome!

Que a senhora possa usar esse meu testemunho em


suas palestras, para libertação e cura de muitas
pessoas.

Aprisionada num berço

Alina nasceu numa família de uma seita muçulmana:


os drusos, que odeiam Israel. Dizem que os judeus
são sanguinários, ladrões de terras; “são um lixo”. E
ainda perguntam: “Por que Deus escolheu Israel?
Afinal, que Deus é esse que escolheu Israel?”

Desde criança, Alina aprendeu a odiar os judeus e a


Israel.

Em sua casa, em seu lar, o que prevalecia era o


ódio. Aparentemente, naquele lar ninguém amava
ninguém. Não havia amor, nem demonstração de
afeto e carinho.
Alina tinha apenas cinco anos quando viu o pai e
mãe tendo uma relação sexual. Isso foi muito forte
para uma menina dessa idade. Foi uma experiência
traumatizante, pois, para ela, seu pai estava
maltratando sua mãe. O choque foi tão grande que
Alina ficou paralisada e presa naquele berço, onde
estava. Ela lembrava-se muito bem da cena.

Quando sua mãe ficou grávida dela, o pai não


aceitou a gravidez de forma alguma. Ele era um
homem violento e chutava a barriga em gestação. E
a mãe, por sua vez, cedeu e tentou abortá-la. Assim,
o espírito de morte acompanhava Alina desde a sua
infância.

Desde que tomou consciência de sua existência, ela


só desejava a morte: não queria viver, queria morrer.
Durante todo o tempo desejava a sua morte. Tentou
suicídio. Disse diversas vezes para si mesma que, se
a vida não mudasse, ela ia morrer.

Mesmo com todo esse passado macabro, um dia ela


conheceu Jesus e foi salva por Ele. Entretanto, ainda
depois da conversão, Alina chegou a fazer um voto
estranho: se não conseguisse dois mil reais, até uma
determinada data, que Deus tirasse a sua vida.

Sofrendo ainda muitos sintomas malignos, ela


buscou ajuda, e foi ministrada. Na ministração, foi
difícil para ela convencer-se de que deveria viver.
Ela tinha vivido até então (estava com cerca de vinte
anos) sem amor e sem carinho. Era muita rejeição, o
sofrimento havia sido muito grande. Por isto mesmo
que, no passado, chegou a tentar várias vezes o
suicídio.

Em seu histórico anterior à conversão, um outro


ponto por ela ressaltado foi ter entrado na vida de
prostituição, porque queria vingar-se do pai. Queria
machucá-lo. Era um desejo que sempre tinha tido,
um forte desejo, o de fazer um escândalo e ferir seu
pai. Os homens escolhidos eram sempre casados ou
separados, com 12 ou 15 anos a mais do que ela.
Assim, Alina vingava–se do pai, que a tinha
rejeitado. Ao mesmo tempo, porém, ela procurava o
abraço do pai, porque ela queria ser aceita. Com a
vida de prostituição, Alina ficou grávida, e, assim,
não viu outra saída, a não ser praticar o aborto.

Alina demonstrou também ter um profundo ódio a


Israel. Era um ódio milenar. Era um ódio herdado e
aprendido no seio familiar, pela religião de seus pais.
A maldição de antissemitismo estava presente em
sua vida.

Durante a ministração, em determinado momento,


um dos intercessores passou-me um bilhete, dizendo
que o problema dela era a raiz de rejeição. De fato,
a base do seu problema era uma profunda rejeição.

Logo no início da ministração eu me identifiquei


com os pecados de Alina, e orei pedindo perdão por
ela ter provocado a maldição de antissemitismo.
Também pedimos perdão pela confusão entre os
dois filhos de Abraão, entre Isaque e Ismael, que
permaneceu entre os seus descendentes.

Em seguida, Alina começou, dirigida por mim, a


pedir perdão por seus pecados, em arrependimento.
Isso não foi nada fácil, e foi feito muito devagar, a
muito custo. Mas ela pediu perdão a Deus pelos
pecados que havia acabado de confessar: a
prostituição e a vontade de vingar-se do pai. Ela
dizia: “Senhor, eu desejei vingança, quis vingar,
vingar, desejei vingar-me de meu pai. Mas, por que
eu nasci? Eu não pedi para nascer”.

Alina culpou Deus, muitas vezes, pela sua


infelicidade, pela sua dor e pelo seu sofrimento.
Num dado momento, para resolver a questão da
rejeição, alguém – representando os judeus – pediu-
lhe perdão, como Abraão. Também foi pedido
perdão por Sara ter desprezado e abandonado Agar.

Alina também disse: “Não entendo por que Ismael


foi abandonado, se era o primogênito, e por que
Isaque teve todas as regalias, por ser o filho da
promessa”. Ela chorou, e, assim, começou um
quebrantamento. Alina estava presa em seu berço.
Ela disse que estava paralisada e presa ali, e não
conseguia caminhar nem mover-se. Ela estava presa
lá, onde ela tinha visto os pais numa relação sexual.
A cena era demasiadamente forte para uma menina
de cinco anos. Essa é uma forma de abuso sexual!

Pedimos para que Jesus viesse e entrasse naquele


cenário. Ele veio, e ela logo se colocou nos braços
dele. Sorriu gostoso. Mas a cena da relação sexual
acontecia, e então ela chorou e disse: “Papai não vai
machucar o nenê? Não vai machucar?” Ela sofria
naquele momento. Ela via o pai como um grande
causador de dor e tinha medo dele. Passamos o
sangue de Jesus e a cena desapareceu.

Em seguida, foi feita a cura com base no Salmo 23,


aplicando a Palavra para aquela criança, que estava
no colo de Jesus. Sim, ela foi passear com o bom
pastor. Ficou o tempo todo no colo de Jesus. Ela
não andou nas relvas, nas campinas verdes, porque
não queria descer do colo de Jesus.

Quando viu as águas cristalinas, ela quis entrar, mas


não queria largar de Jesus, e assim entrou na água
com Jesus, e Ele a lavou naquela água de refrigério;
depois andou pelas veredas da justiça e pelo vale da
sombra da morte, sempre no colo de Jesus.

Então ela viu uma mesa cheia de chocolates e outras


iguarias. Era uma mesa lindamente posta, com
muitas taças. Jesus a servia e lhe dava a comida na
boca… e Ele a tomou para dançar. Depois Jesus a
levou para uma sala, onde estava o pai dela.

Alina ficou apavorada. O que poderia acontecer


com ela, quando se encontrasse com seu pai? Ela
começou a ficar com muito medo, e abaixou a
cabeça, como se não quisesse ver o pai. Naquele
momento, um dos pastores que estava conosco na
ministração foi chamado para fazer o papel do pai.
Ele a abraçou e ficou um bom tempo falando com
ela, pedindo-lhe perdão. Levou bastante tempo para
ela aceitar o abraço do pai.

Finalmente, Alina o abraçou e lhe pediu perdão. E


ela ainda acrescentou: “Dá-me um beijo, papai”.
Uma das intercessoras disse então que a amava
como filha. E fez uma linda e longa oração de
agradecimento e de bênção sobre a vida dela.

A mulher aprisionada no sofá

Ester tinha sido uma menina muito mimada. Sua


mãe nunca a deixava sozinha. Tinha um zelo
especial para com a filha, e nunca a deixava a sós,
em nenhum lugar. Nem mesmo com alguém ela
poderia ficar. Será que sua mãe tinha medo de que
algum mal pudesse acontecer com a filha?

Ester foi crescendo, cercada de todo cuidado por


parte de sua mãezinha querida. Quando jovem,
porém, a mãe, por compromissos que assumiu, teve
de, sistematicamente, ausentar-se de casa num
determinado dia da semana, e Ester foi obrigada a
ficar sozinha, naquele dia, semana após semana.

Aconteceu que um primo descobriu que Ester ficava


sozinha, em casa, num determinado dia da semana,
e, assim, começou a visitar a prima, todas as
semanas, naquele dia.

Então teve início um longo processo de abuso


sexual. O abuso caracterizava-se pela sedução,
aproximação e violência sexual, com ameaças para
que Ester não contasse a ninguém o que ele, seu
primo, estava lhe fazendo.

Com o passar do tempo e os sucessivos abusos


semanais, Ester foi desenvolvendo uma passividade
em seu espírito. Na verdade, ela sentiuse escravizada
e aprisionada. Mas ela passou a gostar da situação,
pois o seu corpo começou a descobrir o prazer
sexual. Por outro lado, ela também odiava tudo
aquilo e achava que algo horrível estava
acontecendo.
Ester, porém, não conseguia livrar-se do primo.

O sofá da sala era o local do abuso. Mesmo com


pavor, ódio e nojo, o abuso foi acontecendo, e Ester
desenvolveu um sentimento de ambivalência: tendo
ódio e, ao mesmo tempo, gostando de ser abusada,
pois o seu corpo tinha sido despertado por
sentimentos e emoções que ela não poderia ignorar;
além disto, ela não tinha forças para controlar a
situação.

Desse modo, semana após semana, Ester foi sendo


atacada por sentimentos de culpa, morte, medo,
vergonha, sensação de sujeira e inferioridade. Todas
as semanas, isso se repetia no sofá da sala, e ela se
condenava pelo que acontecia. Sua autoestima foi
sendo anulada, paulatinamente. Ela sentia-se culpada
de tudo, sentia-se suja e inferior, e, no seu conceito,
era incapaz e burra.

Um dia, Ester libertou-se do seu primo e


posteriormente veio a se casar. Seu marido era um
rapaz formoso; era um homem de Deus,
consagrado. Eles, porém, tiveram problemas
conjugais e sempre viviam se desentendendo.
Chegaram a ficar assustados por terem tantos
problemas em seu casamento!

E um dia Ester caiu em adultério, traindo o marido.

Foi nessa situação que ela nos procurou para ser


ministrada. Analisamos juntos toda a sua história e
oramos, buscando a causa, o que a tinha feito ser
infiel a seu marido.

Ela então descobriu que o abuso tinha sido uma


prisão espiritual, que a havia levado àquele pecado.

Essa prisão a fez convencer-se de que ela era suja e


não merecia um marido tão formoso, tão perfeito.
Ela quis provar para si e para todos, em seu
subconsciente, que ela era tão suja quanto uma
prostituta, e assim envolveu-se num adultério.

Ester estava aprisionada naquele sofá onde


ocorreram os abusos perpetrados por seu primo. Foi
necessário tirá-la daquela prisão. Ela saiu, e isso foi
uma parte muito importante da sua libertação.

TESTEMUNHO 5
Aprisionamento pela
Música Rock
“Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra
preciosa era a tua cobertura: a sardônia, o
topázio, o diamante, a turquesa, o ônix, o jaspe, a
safira, o carbúnculo, a esmeralda e o ouro; a obra
dos teus tambores e dos teus pífaros estava em ti;
no dia em que foste criado, foram preparados. Tu
eras querubim ungido para proteger, e te
estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no
meio das pedras afogueadas andavas.”
(Ez 28:13-14 – ARC)
Há uma guerra de deuses, uma guerra de altares,
disse Ronny Chaves, apóstolo de Jesus para as
nações.1 De fato, há uma grande guerra que se
desenvolve entre os adoradores do Senhor Jesus e
os adoradores dos poderes das trevas.

Aprendemos na Palavra de Deus que Lúcifer dirigia


a adoração no monte santo do Senhor. É o que os
versículos acima nos mostram. Assim, podemos
entender que os tambores, os pífaros e outros
instrumentos musicais estavam com Lúcifer, o
portador de luz, que tinha a responsabilidade de
conduzir a orquestra e a adoração celestial.

Nos dias de hoje há festivais e concertos,


especialmente de rock, para onde concorrem
milhares de jovens, alucinados por esse tipo de
música. Muitos desses compositores, instrumentistas
e cantores estão debaixo da inspiração daquele
querubim da guarda, que antes conduzia a música
no céu.

A queda de Lúcifer, transformando-o em Satanás,


levou-o a apresentar não mais a verdadeira adoração
ao Criador, mas sim a sua contrafação. Hoje,
Satanás passa a exigir da multidão de seus
seguidores a adoração à sua pessoa e não a Deus.

Vejamos agora o testemunho de alguém que vivia


nessa adoração aos poderes das trevas:

Aprisionado pelo Eddie do Iron Maiden


O seguinte testemunho me foi enviado por Edivaldo,
que teve um forte envolvimento com o rock:

Passo a contar como Deus me libertou de prisões


espirituais, que me foram criadas por causa do meu
envolvimento, na área da música, com o rock
pesado. Meus pais conheceram a Jesus quando eu
tinha 7 anos. Fiquei na igreja até os 13 anos, quando
me desviei e comecei a envolver-me com o rock
progressivo, suas vertentes e seus modismos. Aos 15
anos, eu estava totalmente fascinado com o universo
da “música pesada”, e já me vestia, falava, pensava e
agia como se fosse membro de uma gangue,
daquelas que vemos em filmes e clipes musicais.

Apeguei-me a vários grupos, bandas e cantores, tais


como Raul Seixas, Plebe Rude, Ira, Capital Inicial,
Legião Urbana, Sex Pistols, Ratos do Porão, Black
Sabbath, entre outros. Mas o meu xodó era a banda
IRON MAIDEN.

Essa banda possui um mascote chamado EDDIE,


que é um esqueleto com vida própria, criado por um
dos integrantes da banda. No início Eddie era um
esqueleto podre sem muita expressão, mas hoje se
apresenta na forma de um robô de quase 6 metros
de altura, todo estilizado e cheio de recursos
tecnológicos.

O meu nome, Edivaldo, tem suas iniciais


pronunciadas exatamente como se pronuncia o
nome do mascote. Aos 16 anos eu passei a não mais
apresentar-me com o meu nome verdadeiro e nem
mesmo a escrever o meu nome verdadeiro, mas
apenas “Edi”. Naquela época eu cursava a 8ª Série
do 1º grau num colégio público e um curso técnico
de eletricista, na Escola SENAI. Por conta do curso,
fazia estágio numa grande metalúrgica, minha vida
era relativamente comum à de tantos outros jovens.

Mas, dentro de mim, podia sentir no fluir de minhas


palavras, pensamentos e atitudes, muito ódio, raiva,
violência, irritação, sarcasmo, entre outros
sentimentos. Com o tempo, me tornei viciado em
vinho, além de inalação de tíner e benzina. Fiz parte
de uma gangue de rua, tornei-me vândalo,
encrenqueiro, e tinha um forte desejo de viver
sozinho, isolado, como os lobos nas montanhas.

Naquele período, conheci aquela que hoje é a minha


esposa. Ela se converteu ao Evangelho, e por isto eu
tive de voltar para a igreja, pois gostava muito da
garota. Tornei-me pastor e, mesmo assim, sentia-me
atraído por rock, pelo Iron Maiden, e especialmente
por Eddie.

Após diversos acontecimentos conturbados, que não


é necessário citar, conheci o Ministério Ágape
Reconciliação, por intermédio dos líderes da igreja.
Em 2001, participei do Seminário de Batalha
Espiritual e foi terrível: eu me desligava, e não
conseguia ficar acordado durante as palestras. Tive
fortes dores de cabeça, náuseas, e uma irritação
incomum.

Preenchi a ficha de ministração, para ser ministrado


individualmente, e fui chamado no domingo, mas
não fui ministrado. A pastora Lílian, que me
atendeu, apenas correu os olhos na ficha e só depois
de uns 5 meses é que fui ministrado pela primeira
vez na sede do Ministério Ágape. Deixo os detalhes
para o livro que tenho um desejo enorme de
escrever.

Depois de ser ministrado, fiz inscrição para o Curso


de Formação de Libertadores.20 Numa das aulas em
que a Dra. Neuza Itioka ensinava sobre
aprisionamento espiritual, eu me senti muito mal, e
quase fui embora.

Mas fiquei e, no final da aula, houve uma


ministração aos alunos, para que saíssem de
qualquer prisão espiritual em que porventura ainda
estivessem presos.

No momento em que orávamos, pedindo ao Senhor


que nos tirasse de toda e qualquer prisão espiritual,
eu “travei” fisicamente. Não conseguia mexer-me,
nem falar, nem sequer pensar direito. Eu teria de sair
daquela prisão espiritual (através de um ato
simbólico de sair do lugar em que estava e
caminhando fisicamente para outro), mas não
conseguia.

Então a Dra. Neuza pediu para que os irmãos


presentes, que estavam bem, ajudassem os que
estavam com dificuldades. Recebi ajuda, e naquele
momento, o Senhor permitiu que eu tivesse a visão
da minha libertação. Enquanto eu era literalmente
carregado por dois ou três irmãos, o Senhor me
dizia com voz firme e suave: “olhe para o lado”.

Olhei e me vi trancado no meu quarto de solteiro,


quando ainda morava na casa de meus pais. Eu
estava usando um fone de ouvido, ouvindo Iron
Maiden. E chacoalhava a cabeça, sentindo a
presença gigantesca da caveira.

Ao mesmo tempo, podia ouvir bem ao longe a voz


da Dra. Neuza, em comando, dizendo para que
clamássemos ao Senhor e afirmássemos que
estávamos saindo das prisões. Com muita
dificuldade, quase sem forças e sem fôlego, clamei e
pedi para o Senhor tirar-me dali.

Então, ouvi novamente a voz firme e suave do


Senhor: “Agora, olhe para trás.”

Olhei e vi algo maravilhoso. Bem diferente do dia da


primeira ministração, quando ela, a caveira, berrou
com voz gutural e cheia de força, dizendo em
francês que eu era dela, agora ela, a caveira Eddie,
estava caída no chão, toda esfarrapada, sangrando e
gemendo.
Com dificuldade – era apenas um suspiro de voz –
eu tentava dizer em francês que eu era dela, mas o
Senhor me disse, com voz firme e suave:

“Você não é dela! Você é meu! E hoje você está livre


dessa prisão!”

Então me senti restaurado e consegui firmar os pés


no chão. Comecei a andar e glorificar a Deus.
Sentia-me envergonhado, pois muitos ali sabiam que
eu já era pastor, e os meus líderes estavam
presentes, mas o Senhor me disse: “Não se
preocupe, Eu, o Senhor, o resgatei hoje, para que
Eu seja glorificado”.

Houve ainda, depois desse episódio, outros


momentos de libertação, que espero poder relatar
num livro. Obrigado, irmã Neuza, por ter permitido
que eu compartilhasse esse glorioso livramento que
o Senhor me concedeu. Espero que sirva de ajuda
para muitos irmãos que precisem ser libertos de
prisões espirituais.

Oito anos de escravidão


Foi através da música que Elisa envolveu-se com o
satanismo. Ela fazia parte de bandas e tocava o rock
leve: Led Zeppelin, Pink Floyd, Guns n’ Roses, The
Doors, Janis Joplin, Jimi Hendrix, e também o rock
pesado: Transmetal, Iron Maiden, Black Sabbath;
Kiss, Nirvana, Anthrax, Destruction, Angra,
Ramones, Ozzy Osbourne, Death Metals, Venon,
Slayer, Metallica, Helloween, Canibals, Ratos de
Porão, Devil, Alice Cooper.

Elisa confessou-me que conhecia Satanás desde


criança, mas não conhecia Deus. Ela só conhecia o
inimigo. Ela o tinha como alguém que poderia
resolver os seus problemas, e para quem podia pedir
favores. E ela fez um pacto com Lúcifer, o diabo,
mesmo sabendo que isso não era bom, que não era
certo fazer isto. O pacto foi feito tirando um pouco
de seu sangue e oferecendo-o a Lúcifer, como
expressão de compromisso com ele.

Desde criança ela tinha sensibilidade para saber o


que acontecia ao redor. Seu pai era ausente e nunca
estava em casa. Um dia, viu que sua mãe conheceu
um homem, com quem ela conversava. Elisa
percebeu que aquele homem tinha algo de errado.
Como seu pai desaparecia viajando sempre para o
exterior, a trabalho, Elisa manteve pouco contato
come ele, e não chegou a conhecê-lo muito bem.

Muito tempo depois, seu pai deixou de viajar,


permanecendo em casa. Porém, não foi capaz de ser
um bom marido e um bom pai, pois entregou-se ao
alcoolismo, distanciando-o da família, até que por
fim foi embora de casa. Desde então, Eliza não teve
mais nenhum contato com ele.

Sua mãe foi morar com outro homem, e mesmo


Elisa não tendo gostado dele, fora obrigada a morar
com seu novo padrasto.

Uma noite, na casa daquele homem, quando a mãe


estava dormindo, Elisa, também já deitada, percebeu
que ele se aproximava. E ela sentiu nos poros que
algo terrível estava para acontecer. O homem,
percebendo que ela estava acordada, saiu de
mansinho do seu quarto. Mas ela não conseguiu
mais dormir naquela noite.

Elisa contou à sua mãe o que havia acontecido. Sua


mãe ficou profundamente ofendida e muito
preocupada com o que poderia ocorrer. Então Elisa
notou que o relacionamento de sua mãe com tal
homem, que havia se tornado seu padrasto, não era
mais o mesmo. Depois de algum tempo aquele
homem se matou.

Elisa não sabe o que o levou a suicidar-se. Para ela


não ficou claro o motivo, e considerou até mesmo a
possibilidade de o suicídio ter sido causado pelo fato
de que ela o tinha denunciado como um possível
abusador sexual.

Depois da morte daquele homem, sua mãe vivia


prostituindo-se. Uma vez ficava com um homem,
outra vez com outro. Ela não tinha relacionamento
estável com ninguém, poderia ficar com um homem
durante um ano, três meses ou poucas semanas.
Além disto, em alguns períodos sua mãe tinha
múltiplos parceiros.

Elisa precisava de ajuda, mas ainda não conhecia


Deus. Satanás, ela conhecia; mas, de Deus, ela
nunca havia ouvido falar. Jesus era-lhe também um
ilustre desconhecido. Um dia, porém, ela teve um
encontro com o Senhor. Depois de conhecê-lo e
começar a seguir os seus ensinamentos, ela teve
muitas dificuldades para viver os valores do
evangelho.

Elisa abriu os olhos e viu que tudo estava amarrado


em sua vida, ela não progredia em nada. A sua vida
profissional parecia estar amarrada. Os projetos não
destravavam.

Havia sempre impedimentos e dificuldades para


entender o plano de Deus, e para ler a Palavra. E ela
nunca conseguia sentir a presença de Deus.

Um dia, Elisa descobriu que a causa do seu


aprisionamento estava nas músicas de rock, que ela
tocava e cantava, e então pediu desesperadamente
ajuda para ser liberta.

Elisa cantava músicas em inglês, que aparentemente


faziam sucesso em sua plateia, mas o trágico é que
ela não sabia o que estava cantando, não entendia as
letras, apenas reproduzia as palavras e frases
decoradas.
As letras daquelas músicas, na realidade, elogiavam
Lúcifer, fazendo de Elisa sua adoradora, grata pelas
supostas melhorias na vida e aparentes conquistas.
Ela nunca poderia imaginar que através daquelas
músicas, ela estava invocando os demônios e
renovando os pactos de fidelidade a eles.

Como ela vivia cercada pelos espíritos, não era


novidade conviver com eles e invocá-los, para o seu
entretenimento e para atender às suas necessidades
pessoais e familiares. Ela não sabia que tudo aquilo
estava, dia após dia, conduzindo-a à sua
autodestruição.

Felizmente, Elisa foi liberta do seu estilo de vida,


caracterizado pelo canto e pela curtição do rock
pesado. Na verdade, ela passava para uma realidade
em outra dimensão, onde a morte rondava a sua
vida.

Elisa estava aprisionada num emaranhado de


músicas de invocação. Ela teve de confessar sua
idolatria pela música, pois havia feito dela um meio
de fuga à triste realidade da ausência e rejeição de
seu pai, e da consequente prostituição de sua mãe. A
fuga dessa situação foi através da curtição do rock
pesado. Elisa sentia algum consolo e segurança, pois
constantemente invocava, consciente ou
inconscientemente, os demônios do rock, e ela
sentia-se segura e protegida, por eles.

Na sua conversão, Jesus entrou em sua vida e ela


nasceu de novo. Mas o pacto com Lúcifer tinha de
ser quebrado. E ela precisava sair da prisão da
música de adoração a Lúcifer e da invocação de
seus demônios.

Ela não tinha ideia de como era a sua prisão, quando


um dia teve uma visão. Elisa viu-se debaixo d’água,
e numa caverna, e num deserto desolado, e no meio
de um vale de destruição.

Ela saiu da sua prisão e os demônios guardiães, que


sempre a acompanhavam, tiveram de deixá-la. Eram
muitos: destruição, abandono, roubo, morte,
rejeição, engano, mentira, sensualidade, prostituição,
raiva, ódio, acusação, traição, entre outros.

Elisa desligou-se espiritualmente de todas as bandas,


dos autores das músicas, dos seus pactos, das suas
letras, dos seus acordes e dos seus encantamentos,
bem como dos empresários promotores dessas
músicas, e quebrou, pacto por pacto, o que todos
eles haviam feito com o diabo.
1 CHAVES, Rony. Guerra de Deuses. São Paulo: Ed. Cultura do
Reino. cap. VII.
TESTEMUNHO 6
Aprisionamento pelo
Esoterismo
“Louvem ao Senhor pela sua bondade e pelas suas
maravilhas para com os filhos dos homens! Pois
quebrou as portas de bronze e despedaçou os ferro-
lhos de ferro. Os loucos, por causa do seu caminho
de transgressão e por causa das suas iniquidades,
são afligidos. A sua alma aborreceu toda comida, e
chegaram até às portas da morte.” (Sl 107:15-18 –
ARC)
A espiritualidade que se busca no esoterismo, no
ocultismo e através de práticas da Nova Era, abre
portas na mente e no espírito, e pode levar ao
aprisionamento espiritual. Alguns exemplos disso
são apresentados nas narrativas a seguir.

Num túnel do infinito

Soraia apresentava uma aparência de profundo


sofrimento e transmitia muita insegurança. Sua vida
estava amarrada pelas entidades espirituais, com
quem ela havia feito pactos. Soraia havia se deixado
dominar por elas, a tal ponto que não tinha mais
condições de decidir absolutamente nada sobre a sua
própria vida.

Quando ela foi ministrada – confirmando essa


condição espiritual –, foram vistos, em seus pés,
duas rodas que a levavam por direções diversas, de
acordo com o bel-prazer das entidades que a
dominavam.

Em sua busca espiritual, Soraia havia de fato tido


um grande envolvimento com as trevas. Ela
peregrinou pela Índia e pelo Nepal. Ela ainda adotou
um guru, por aproximadamente sete anos, e até
viajou com ele para países do oriente, realizando
visitas a todas religiões que conseguiu encontrar na
Ásia.

Soraia recebeu também pessoalmente uma unção de


Dalai
-lama, e submeteu-se a vários rituais dirigidos por
ele. Ela foi, por mais ou menos seis anos,
sacerdotisa da seita desse guru, que invocava
Maitreya.

Além de abrir os “chacras”,1 Soraia passou a


desenvolvê-los através de mantras,2 e com
invocações a deuses orientais.

Ela fazia tratamento espiritual semanal com esse


guru. Fazia parte também de uma fraternidade
baseada numa filosofia materialista. Soraia ficou sete
anos nessa fraternidade; teve envolvimentos com a
Nova Era; e, ainda, uma pequena passagem pelo
espiritismo. Com essas práticas, ela vinha trocando o
dia pela noite, havia 20 anos.

Lilith3 aparecia-lhe sempre para atormentar com


insônia. Ela ouvia vozes, e não raro tinha visões de
coisas horríveis. Era como se tivesse um “chip” do
lado da cabeça. Ela sentia que quem a ameaçava era
o próprio “chip”. A cada pensamento, ele
apresentava o pensamento oposto. Mas as vozes
chegavam a ter o atrevimento de, até mesmo,
ameaçá-la. Por exemplo, uma voz dizia a ela que
alguém por perto estava com uma doença muito
grave e que a usaria para vingar-se dela; a voz fazia
de tudo para que ela viesse a sofrer bastante. Sua
situação chegou bem próxima à loucura. Soraia
quase não conseguia falar, nem se expressar; não
conseguia fazer coisa alguma. Nesses momentos,
sentia-se abandonada, como se Deus estivesse muito
distante, de acordo com o que afirmava a filosofia
materialista.

Soraia também tinha feito parte da Fraternidade dos


Amigos, com a filosofia materialista de George I.
Gurdjieff, autor de um livro que apresenta cartas de
Belzebu a seu neto. Esse autor e professor era
venerado profundamente por ela.

Ela ainda se envolveu com Raja Ioga, ou ioga da


mente, com pretensão à Magia Branca chamada
Fraternidade ou Ordem de Arica. Soraia passou pela
iniciação, o que durou um dia todo, e onde houve
invocações de vários anjos, de várias cores, plantas e
animais, para cada uma das sete partes energéticas
do corpo. A sua mente era usada para mentalizar,
usando a força da imaginação, para situações
desejadas, e ela fazia exercícios físicos também.

Pelo grau do seu envolvimento com essas práticas


esotéricas, quando foi ministrada, ela confessou que,
embora estivesse há quase sete anos na Igreja de
Jesus Cristo, ela vivia cheia de dúvidas e continuava
debaixo de muita opressão.

Soraia estava aprisionada num túnel do infinito.


Através do exercício de esvaziamento da mente e do
uso de mantras, ela invocava os demônios. Ela não
sabia que esses exercícios a aprisionavam e a
levavam para o espaço do nada. Ela passou por
rituais para ser sacerdotisa dos esotéricos, os quais
apresentavam uma mistura de vários tipos de
esoterismo.

Os deuses da Atlântida também tinham sido


invocados. Uma das invocações foi de Maitreya, o
anticristo, apresentado como o salvador da
humanidade. Invocou também a deusa Ganesh (com
cara de elefante e corpo de mulher, e com seis
braços), que ainda é venerada no meio dos que
idolatram o dinheiro e que agora está sendo
exportada para o ocidente.

Quando ela fez iniciação com o sacrifício de


animais, disseram a ela que, com cada sacrifício,
nasceria um ser humano, em algum lugar. Essa pré-
iniciação incluía o exercício da imaginação e, através
dela, Soraia entrou em diferentes dimensões
espirituais. Conforme Soraia foi convivendo com o
seu guru, descobriu muitas mentiras na vida desse
seu mentor espiritual. Ele era prestidigitador. A linha
do guru era considerada Magia Branca. Dizia ser
mago branco do Templo da Ordem do Limão
Branco. Nesses rituais, todos os participantes
ficavam sem roupa; era permitido portar apenas um
manto com ocre. O ritual era feito com 16 pessoas.
A reunião, que era realizada uma vez por mês,
deveria ser preparada com requinte. Todos deveriam
sentar-se junto a uma mesa baixa.

Na Índia, Soraia visitou o templo dos macacos; o


templo dos órgãos genitais femininos e masculinos;
o templo deusa Káli; e, no Nepal, foi ver o aborto
sendo oferecido para Kashimir e à Deusa Káli.

Ela viu também o moinho de oração que acionava


para Buda; visitou o templo tântrico, um lugar de
sacrilégio, e viu a representação de atos sexuais de
animais, de homens e da deusa Shiva com Vishnu.
Foi ao mausoléu de Gandhi, onde teve como que
um choque elétrico. O culto no templo consistia de
magia sexual. Na cerimônia era usado o vinho, que
era colocado no meio das pernas. Por meio dos
mantras, era feito o despertamento de Kundaline,
fazendo surgir sua “energia”.

De repente, Soraia tomou consciência de que ela


havia desenvolvido uma dependência profunda e
quase total do guru. E, no meio de muita decepção e
mágoa, ela constatou ainda ser dependente dele,
tanto emocional como espiritualmente. Mas o guru a
tinha abandonado, deixando-a sozinha, perdida.

Sua conversão foi o início de uma nova busca, e


Soraia teve que arrepender-se de todo esse turbilhão
de práticas com as quais ela havia se envolvido.
Então, finalmente, em sua ministração, ela saiu do
túnel do infinito. Pois ela havia se perdido ali, não
sabendo para onde ir e dirigir-se.

Bruno: iniciado na Nova Era

O relato que transcrevo a seguir, recebi de um irmão


que ainda se encontrava no processo de sua
libertação. Vamos nos referir a ele com o nome de
Bruno. Ele me escreveu:

Devido ao envolvimento de minha tia com alguns


grupos espiritualistas, e à minha própria curiosidade
por assuntos sobre o ocultismo, com 13 e 14 anos
eu já fazia uso, regularmente, de pirâmides, cristais,
meditação e astrologia. Tudo isso era muito
interessante para mim. E, o que foi mais incrível, é
que eu aprendia tudo com muita facilidade!

As pessoas não me tratavam de modo diferente,


mesmo eu sendo uma criança; aliás, geralmente elas
confiavam muito na minha intuição. Isso ocorria
porque eu já tinha desenvolvido um bom grau de
vidência e clarividência, e regularmente tinha visões
do mundo espiritual e expressava sensações
acertadas sobre as pessoas e sua vida.

Um dia, eu e minha tia nos inscrevemos num


seminário esotérico de fim de semana, em Nova
Friburgo (RJ). Lá existia um grupo de esotéricos que
moravam num condomínio chamado Cidade das
Pirâmides, e os líderes desse grupo diziam-se
encarnações de Ísis e Osíris. Numa determinada
parte do curso, fomos instruídos a fazer um
exercício de relaxamento e visualizações.

Para mim aquilo era fantástico; em minutos eu já


estava totalmente relaxado, e imagens muito claras
vinham à minha frente.

Nesse momento, aconteceu algo diferente: durante


as instruções de visualização, fui sendo levado em
direção ao Egito. Na minha mente, fiquei parado em
frente à Esfinge e comecei a conversar com ela. Já
não me lembro o assunto, mas acho que ela se
impressionou comigo, pois uma porta abriu-se bem
no peito da estátua e eu fui convidado a entrar. E
entrei.

Passei por um corredor iluminado por tochas e


sentia que estava entrando por algum túnel secreto
debaixo da esfinge e da pirâmide de Quéops. Esse
corredor terminava numa sala ampla de mais ou
menos 20 metros de largura por uns 30 metros de
comprimento. O teto estava a uns 10 metros do
chão. E não havia chão! O lugar era cheio de água e
havia apenas uma passarela estreita que, após uns 20
metros, dividia-se em três passarelas que
terminavam em três salas diferentes. Escolhi o
caminho da esquerda e entrei numa sala pequena
onde havia um trono antigo.

Senti que deveria sentar-me nesse trono e, quando


sentei, vi que havia uma armadura para vestir. Após
vestir a armadura, as botas de ferro, e escolher uma
das espadas da parede, fui puxado para fora daquela
sala em direção sul, e pude ver a pirâmide
afastando-se e o deserto passando e, de repente, eu
sabia que estava em algum lugar da África, no alto
de um grande vulcão extinto. Dentro desse vulcão
havia uma cratera, e nessa cratera um lago. Senti
que deveria tocar naquela água, e bem de perto vi os
pingos caindo de minha mão.

(Mais tarde, soube que realmente existe um vulcão


onde eu imaginava que estava, bem no centro da
África, num país chamado Chade.)

Eu caí dentro do lago. Acordei dentro de uma sala


escura, que se transformou numa caverna circular.
Não havia saída ou portas, apenas uma poça de água
bem no centro. E ele apareceu para mim pela
primeira vez, um ser que era parecido conosco, mas
tinha orelhas pontudas, era careca e muito magro e
alto. Vestia-se com algo parecido com couro preto e
no peito havia uma espécie de símbolo. Sempre que
me lembro disso, esse símbolo me parece com o do
super-homem, só que era feito de prata e em relevo.
Nós conversamos, mas não me lembro sobre o quê.

Acordei do transe e descobri que só eu tinha tido


aquela experiência. Explicaram-me, mais tarde, que
tinha passado por uma experiência de iniciação e
que havia conhecido o meu mestre superior, ou guia
espiritual. Depois dessa experiência, a tela mental
que eu utilizava para a clarividência ficou mais forte
e nítida, e todos que tentavam ler a minha sorte ou
ler as minhas mãos não conseguiam fazê-lo.
Falavam-me que, por alguma razão, meu futuro
estava bloqueado. As pessoas me explicavam que o
ser que me apareceu era um mestre extraterrestre e
que eu era uma alma jovem, ou seja, eu havia
encarnado no planeta Terra há pouco tempo, e tinha
vindo com uma missão específica a cumprir. Por
muito tempo fiquei com a sensação de ser um
estranho entre as pessoas e com a sensação de que
não pertencia a este mundo.

Alguns anos depois, aceitei Jesus como meu Senhor


e Salvador, mas o processo para abandonar os
costumes e os sentimentos que herdara da Nova Era
durou mais tempo. Hoje, estou com 29 anos e o que
relato a seguir aconteceu recentemente.

Nos seminários de libertação, participei de todo o


processo para ser liberto de pecados passados, fiz as
renúncias e a quebra dos pactos. Além dos
seminários do ministério Ágape Reconciliação, eu já
tinha sido ministrado coletivamente por outros
ministérios, mas a sensação de opressão emocional e
espiritual não havia desaparecido.

Algum tempo depois, surgiu a oportunidade de fazer


uma ministração individual e repassar algumas
renúncias que eu não havia realizado. Foi quando
me lembrei e comentei com a pastora Neuza sobre a
iniciação que tive logo no início dos meus estudos
da Nova Era. E a luzinha vermelha acendeu! O sinal
de alarme tocou! Imediatamente, começamos a orar
e a pedir a orientação do Espírito Santo para saber o
que fazer. Renunciei aos poderes e dons que eu
havia recebido e aos mestres a quem eu havia
servido.

Pedimos então a Deus que me levasse de novo


àquela caverna, e lá fui eu de novo, à pirâmide, à
sala e ao vulcão. Foi nesse momento que me lembrei
da continuação dessa viagem e me lembrei de ter
caído no lago. O fundo desse lago era exatamente a
caverna em que fui parar. Na verdade, a caverna
estava invertida, ou seja, o teto da caverna era onde
eu estava pisando e a poça de água era um buraco
no fundo do lago. E eu o vi novamente. O mestre
extraterrestre estava lá, sorrindo, mas não como da
primeira vez.

Minha visão foi aberta e eu o vi como ele era


realmente. A primeira coisa que notei foi a sua
altura. Era um ser de cerca de 2 metros de altura, e
não era nada humano! Era algo como uma planta
negra e peluda, havia uma leve forma humana;
conseguia ver uma cabeça, braços e pernas, mas
nada mais. Não havia olhos, boca nem nada que
desse uma ideia de corpo humano. E percebi que ele
havia me mantido preso naquela caverna todos esses
anos...

Começamos a orar e a pedir a Deus que me


libertasse daquele cativeiro, e o Senhor enviou seus
anjos. Os anjos mergulharam no lago e entraram na
caverna através da poça d’água que havia à minha
frente. Seguraram aquele monstro guardião e me
tiraram de lá. E aí o Fogo de Deus entrou e queimou
aquelas paredes e aquele ser que me manteve preso
por 15 anos. Um anjo carregou-me e levou-me de
volta àquela sala no subsolo da Esfinge, e lá eu me
desfiz da armadura que eu havia adquirido deles, das
botas de ferro, e da espada.

Então a pastora Neuza Itioka pediu a Deus que um


anjo me levasse para fora daquele lugar. E nós
saímos calmamente dali, percorrendo todo o
caminho de volta. O que me espantou mais foi que a
minha escolta não era apenas de um anjo. Eram seis
pares de anjos, que iam lado a lado, à minha frente,
e outros seis pares iam atrás de mim. Estes, à
medida que saíamos, apagavam as tochas que
iluminavam o corredor e, junto com eles, eu saí da
Esfinge. Então, um anjo me trouxe, voando, de
volta ao Brasil, e eu abri os olhos. Estava na saleta
da Igreja novamente, onde estava sendo ministrado.

Após essa ministração, senti que a minha vida


espiritual passou a fluir com mais facilidade, embora
eu ainda não esteja muito satisfeito comigo mesmo,
pois há muito o que corrigir na minha vida.

Espero em Deus que, se houver algo mais a fazer,


Ele mesmo me revele e me ajude a encerrar esta
dura etapa da minha vida e começar uma nova fase
ao lado daquele que me libertou, Jesus Cristo.
Bendito és Tu Senhor, nosso Deus, Rei do universo,
que nos deu vida, nos sustentou e nos fez chegar até
a presente época!

Enterrada através de viagens astrais

Este é o testemunho de uma senhora que foi


ministrada em nosso Ministério. Diz ela:

Nasci num berço evangélico, e fui consagrada ao


Senhor desde o ventre. Infelizmente, afastei-me do
evangelho com doze anos de idade. Cresci sempre
em busca de algo, mas não sabia, de fato, o que
buscava. Eu sentia um vazio dentro de mim, e assim
procurava o que poderia preencher esse vazio. Os
livros tornaram-se um meio que usei para tentar
preenchê-lo. O assunto do esoterismo me fascinava,
tornando-me leitora de Kardec, de Shirley
MacLaine, e de livros sobre o poder da mente, entre
outros.

Voltei para Jesus aos 38 anos, numa experiência


extraordinária com Deus. O meu casamento foi
totalmente restaurado. Estou nos caminhos do
Senhor, há seis anos.

Mas, quando comecei a servir a Jesus, as coisas


começaram a complicar-se. Decidi cursar o
Seminário Teológico, para melhor preparar-me para
o serviço do Senhor, pois eu teria de contar a
mensagem de salvação a todos, custasse o que
custasse. Assim, a opressão piorou ainda mais, em
minha vida, pois os demônios vinham cobrar as
legalidades que eu lhes havia dado, no passado.

Meu pastor chegou a ministrar-me algumas vezes,


com muita paciência, e acompanhava-me com
carinho. Entretanto, eu não contava toda a verdade a
ele nem aos líderes da igreja; eu dizia que tudo
estava bem. Eu não aguentava mais, pois havia um
aspecto da minha vida que eu não conseguia
controlar. Eu vivia fazendo viagens astrais, sendo
retirada por demônios, sem nenhum controle ou
comando de minha parte.

Aquilo me trazia angústia e tirava a minha paz. Uma


coisa eu sabia: aquilo não era de Deus.

Um dia, decidi fazer o seminário de libertação. A


semana que o antecedeu foi a pior semana da minha
vida! Na manhã do dia em que o seminário se
iniciaria, eu estava sendo levada, pelos demônios, a
realizar mais uma viagem astral.

Havia algum tempo, eu tinha fascínio pela minha


cama, como acontecia com Shirley MacLaine. Eu
me deitava, cobria-me e era levada por demônios.
Era irresistível. A minha mente ficava totalmente
tomada, não conseguia mais lembrar-me de nada,
era como se fosse uma amnésia.

Naquela manhã, eu estava sentada na minha cama e


me vi deitada como sempre costumava dormir.
Naquela hora lutei intensamente com os demônios.

Quando participei do seminário, verifiquei que eu


estava numa dimensão espiritual e via o que ocorria
ali.

Na minha ministração pessoal, quando estava


renunciando e cortando todo contato com a
Ufologia, lembrei-me de viagens astrais em que tive
contato com discos voadores, no Pico do Jaraguá,
em São Paulo.

Lembrei-me, também, de quando fui levada ao


Egito. Fui levada e entrei como se fosse embaixo da
terra, e eu via figuras egípcias nas paredes.
Levaram-me para tumbas de faraós, para que eu
adorasse aqueles deuses mortos; e entrei nas
pirâmides, nos túmulos.

Depois me levaram um pouco mais para baixo de


uma terra mexida, como que se algo tivesse sido
enterrado. Na luta para retornar, eu pedia para que
Jesus me guardasse, pois eu o amava e também eu
não vivia pecando e o maligno não podia me tocar.
Então imediatamente voltei.
No dia seguinte fui levada novamente, quando
estava deitada em minha cama, para embaixo da
minha casa. Não havia carpete, era somente terra.
Fui levada para debaixo da terra e, no meu esforço
para voltar, via muito bem a terra remexida como se
algo tivesse sido enterrado.

Contei então ao meu marido o que tinha visto, pois


queria explicações, e eu não tinha paz. Fiquei
surpresa quando ele me disse que havia sonhado que
algo estava enterrado debaixo da nossa casa e que
ele não sabia o que era. Oramos para que Deus nos
revelasse o que era, mas não tivemos entendimento.

No seminário de libertação, no meio da ministração,


de repente eu descobri que quem estava enterrada
em baixo da minha casa, era eu mesma. Os
demônios haviam me enterrado lá. Assim, desmaiei
e ouvi a intercessora gritando: “eu a quero aqui de
volta, traga-a de volta”! E a pastora Lílian, que me
ministrava, ordenava aos demônios guardiães que
me soltassem, e que fossem para o lugar que Jesus
determinasse. A pastora orou para que Jesus me
trouxesse de volta.
No dia seguinte, em minha casa, quando fui ao
quintal, era como se eu estivesse olhando para
aquele lugar pela primeira vez. Era imenso, lindo,
com muitas árvores. Eu pensei comigo mesma:
“como antes não percebi algo tão lindo”?

Após seis meses, os demônios tentaram voltar a me


assolar, mas foram derrotados pelo nome de Jesus
de Nazaré, e pela Palavra de Deus. Continuo até
hoje enchendo-me da Palavra, orando e louvando a
Deus.

Aprisionado pelos rituais da Maçonaria

Foi na África do Sul que me encontrei com uma


mulher, intercessora, que estava à procura de uma
resposta para a condição espiritual do seu marido.

Naquela ocasião, depois de ouvir a sua história, e


tendo analisado os sintomas que ela ainda
apresentava em relação a problemas de ordem
espiritual, tive o discernimento de que ela estava
ainda sob o efeito de maldições hereditárias.

Assim, tive a oportunidade de apresentar a ela a


verdade de que as iniquidades de nossos
antepassados têm ainda efeito sobre a nossa vida,4 e
que precisamos nos apropriar da quebra dessas
maldições feita por Jesus na cruz. Pude ainda orar
com ela, de forma a libertá-la dessas maldições.

Ela, porém, não apenas ficou satisfeita com a sua


ministração individual, mas quis levar a bênção de
libertação também para o seu marido. A seguir
transcrevo a carta que dela recebi, depois de algum
tempo:

Tenho muito o que compartilhar com você; são


coisas lindas, grandes maravilhas de Deus! Estou
dançando como um pássaro, em louvor ao Senhor,
porque Ele libertou tanto a mim como ao meu
marido John, completamente.

Para ser exata, foi no dia 8 de janeiro, às 4h30 da


tarde. Tem sido uma longa jornada para mim, com
meus 21 anos. Mas o Senhor faz tudo no tempo
certo, e nos revelou o que acontecia conosco no
mundo espiritual das trevas.

Lembra-se de que eu lhe perguntei que principado


estava governando espiritualmente a Escócia? Eu
tentei coletar os fatos, as datas, e o que encontrei
foram os principados: da Maçonaria da Ordem de
Orange, e do Arco Púrpura Real, que têm atuado na
Igreja Protestante de Tradição Reformada da
Escócia e da Irlanda. Esses espíritos de alta
hierarquia aprisionavam a família do meu marido.
Apesar deles terem sido bons cristãos, descobri que,
mesmo assim, havia uma maldição do lado do pai
dele, vinda de uma longa linhagem.

Neuza, no seu livro, “Cristo Nos Resgata de Toda


Maldição”, e ainda num outro livro sobre o assunto,
que “casualmente” caiu em minhas mãos, encontrei
toda a informação de que eu necessitava, e que
estava procurando, para a libertação do meu marido
e também para completar a nossa libertação, como
casal.

John, meu marido, nunca se sentiu tão livre, como


agora, em toda sua vida! E é incrível, mas, com a
libertação dele, eu também fui abençoada e liberta.
Pois os casais são um, e assim o que atinge um,
atinge o outro.
Antigamente o meu marido não conseguia ter
intimidade com o Pai Celestial (e até mesmo com o
seu próprio pai carnal). Sua família sofre de um mal
que se caracteriza por uma mente dupla.

John sentia uma constante dor de cabeça, tinha


confusão mental, sofria com o esquecimento, tinha
tensão nervosa, ansiedade, medo, preocupações e
também tinha certos atributos que são típicos dos
que se envolvem com a Maçonaria. Ele tem uma
mente brilhante, e assim o intelectualismo era um
dos valentes que ainda continuava amarrando a sua
vida.

O resultado disso tudo foi uma incapacidade para


submeterse incondicionalmente à Palavra de Deus.
John não conseguia reconhecer que poderia existir
alguém acima dele.

Mas Deus nos respondeu, cumprindo com a suas


promessas tão fielmente! Eu fui conduzida por Deus
para acordar às 4h30 da manhã, naquele dia 8 de
janeiro. Eu não sabia o que estava para acontecer,
embora nós estivéssemos jejuando e orando por
algum tempo para uma completa libertação.
Então fui guiada pelo Espírito Santo para louvar ao
Senhor, expressando um ato profético que
anunciava uma grandiosa obra de Deus, que logo
iria acontecer. Eu estava totalmente convencida de
que deveria fazer aquilo.

Mais ou menos ao meio-dia, Deus me dirigiu para ir


ao escritório do meu marido e amarrar e esmagar o
homem forte do intelectualismo, simbolizado pelo
seu computador, sua mesa e sua cadeira. Ungi tudo,
e anunciei ao homem forte que ele estava amarrado
e que suas garras estavam quebradas. Então, fui
levada a fazer o mesmo com o homem forte da
rebelião, que tinha vindo através do intelecto.

Ungi também todo o chão. Então fui ao depósito, e


lá eu me arrependi, por identificação, por todas as
famílias da minha mãe e do meu pai; e, da mesma
forma, pelas famílias do pai e da mãe do meu
marido. E pedi que Deus me desse alguma
confirmação. Citei geração por geração, em minha
oração. Quando cheguei à quarta geração, começou
a chover, sob um céu totalmente claro e brilhante.
Eu estava maravilhada. Eu sabia que Deus havia
recebido as minhas orações de arrependimento e me
respondia com aquela confirmação.

Naquele dia, às 16h30, o pastor Pascoal, que já


vinha jejuando e orando por nós, veio para realizar
uma Santa Ceia Profética, com toda família.
Sentimos uma presença maravilhosa do Senhor, que
falou através do pastor: “Fale ao meu servo, que tem
visões da Irlanda, que a maldição foi quebrada”.

Foi tremendo! Foi um momento solene entre nós.


Todos nós soubemos que alguma coisa havia
acontecido nos lugares celestiais. E o meu marido
saiu da prisão da Maçonaria.
1 “Chacras” são aberturas espirituais feitas no corpo espiritual da
pessoa, que se transformam em portais espirituais para a entrada e
saída de demônios ou “energias espirituais”.
2 Um “mantra” é a repetição de um mesmo som, ou de palavras,
seguidamente, por um longo tempo. Seu efeito é invocar espíritos
malignos que pretensamente ajudariam a pessoa em alguma
situação.
3 Lilith é um demônio referido como “Terror Noturno” no Salmo
91:5 (RA). Outras culturas a chamam de “Feiticeira da Noite”. É
ligada à insônia e com perturbações noturnas. A Bíblia a menciona
em Is 34:14.
4 Conforme Ex 20:5, dentre outras escrituras. Sobre esse tema,
veja meu livro “Cristo Nos Resgata de Toda Maldição”.

TESTEMUNHO 7
Aprisionamento pela
Imaginação
“Que o Senhor, do alto do seu santuário, desde os
céus, baixou vistas à terra, para ouvir o gemido
dos
cativos e libertar os condenados à morte, a fim de
que seja anunciado em Sião o nome do Senhor.”
(Sl 102:19-20 – ARC)

Aprisionado num cubo de chumbo

Eu estava conversando com Lincoln durante um


Curso Intensivo de Libertadores, num dos intervalos
das palestras. Lincoln era uma pessoa a quem eu
havia ministrado algumas vezes. Deus estava
fazendo algo muito belo em sua vida, para uma
restauração total. Eu estava alegre, pois Lincoln
parecia estar bem, demonstrando os frutos de uma
vida liberta de opressões e caminhando para a
santificação.
De uma situação de bastardia, rejeição, perversão
sexual, e outras condições malignas, Deus estava lhe
devolvendo a autoestima e uma identidade
verdadeira. Era sempre muito especial encontrá-lo,
pois eu sentia uma grande alegria em ver a obra, a
fidelidade, e a misericórdia do Senhor na vida dele.

Naquela hora, porém, ele me disse: “Neuza, sabe


que eu não sinto nada no culto? Eu sei, pela fé em
Deus, pela sua Palavra e promessa, que Ele está lá,
mas eu não sinto nada, não sinto a sua presença”.
Minha reação foi de grande susto, e lhe disse:

-- Lincoln, meu irmão, não me diga que você está


aprisionado em algum lugar! Hoje estarei falando
sobre prisões espirituais. Preste bastante atenção,
Deus pode resolver esse seu problema.

Um dos sintomas de quem está preso


espiritualmente é a incapacidade de sentir a presença
de Deus. Por isto associei sua condição a uma prisão
espiritual.

À noite, depois de ter falado sobre aprisionamentos


espirituais, fiz a ministração prática, para que todos
os presentes fossem libertos de qualquer prisão.
Disse-lhes:

-- Enquanto eu apresentava o estudo sobre prisões


espirituais, creio que o Espírito Santo deve ter
mostrado a muitos de vocês onde vocês estão
aprisionados. Vamos então orar:

Senhor, pedimos-te perdão pelos pecados de nossos


pais e antepassados, que nos aprisionaram; pedimos
perdão pelas consagrações da nossa vida aos santos,
aos deuses e às entidades espirituais; pedimos
perdão pelos pactos com espíritos, entidades e
demônios que outros fizeram por nós. Pedimos
perdão também pela idolatria, pela feitiçaria, pelos
pactos com a Rainha dos Céus, com o diabo, com
os deuses. Pedimos perdão a ti pela nossa maneira
de tentar resolver os problemas de abandono, de
esquecimento, de rejeição; pedimos perdão pelas
tentativas de fugir da realidade.

Amarramos, então, todos os espíritos liberados por


esses pecados e ordenamos que os demônios
saíssem dos locais das prisões, pois eles estariam
naqueles lugares na condição de espíritos guardiães.
Em seguida, tomamos a chave que Jesus nos havia
dado para abrir prisões e declaramos que iríamos
abrir as prisões de cada irmão com a chave de Jesus.
Sim, podemos agir deste modo, porque Jesus disse:
“Tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 1:18).
“Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que
tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e
que fecha, e ninguém abrirá” (Ap 3:7). “Toda a
autoridade me foi dada no céu e na terra.” (Mt
27:18)

Jesus é a própria chave, “As portas do inferno não


prevalecerão contra ela [a igreja]” (Mt 16:18b). E,
assim, tendo declarado a abertura das prisões,
ordenamos que todos os que estavam presos saíssem
da prisão em que estavam. Então eu lhes disse:

-- Agora, em nome de Jesus, saiam de onde vocês


estão; comecem a andar pelo salão. Não fiquem
parados, vocês estão saindo. E, digam: “Senhor,
estou saindo desta prisão, Tu vieste para libertar os
cativos”. Muitos saíram, mas alguns não
conseguiram. Entre eles, estava o nosso amigo
Lincoln, que não conseguia sair.
Ele chorava, ali onde estava, no banco em que
estava sentado, e não conseguia mover-se. Um
pastor foi até ele e o ajudou a sair. Lincoln, mais
tarde, relatou-me que havia construído em sua
mente um quarto, ou um cubo de chumbo,
hermeticamente fechado, onde ele se refugiava com
o seu computador, para escrever. Ele tem um dom
muito especial para escrever. Sempre desejou ser
jornalista.

E, assim, ele se refugiava nesse esconderijo, que a


sua mente havia construído, para escrever. Era ali,
livre de todos e de tudo, que ele ficava escrevendo.
Ele não sabia que tais imaginações pudessem
aprisioná
-lo. Mas, naquela ministração, ele saiu daquela
prisão, e ficou livre.

Aprisionada na personagem de um livro

Mônica viveu sua vida, desde o início, com muita


rejeição. Ela foi abandonada quando nasceu. A
família que a adotou não lhe deu um lar em que ela
pudesse sentir-se aceita. Ela foi rejeitada também
pela mãe adotiva, e todos da casa, da nova família,
de igual forma a rejeitaram. Assim, um dos meios
para se refugiar da tristeza da rejeição, da
insuportável solidão, foi a leitura.

Numa de suas leituras, Mônica deparou-se com a


história de um casal ideal, ajustado, que amava a
filha deles. E assim ela identificouse com aquela
menina tão bem cuidada pelos pais. Foi o meio que
ela encontrou para anestesiar a sua tristeza e o
terrível sentimento de rejeição. Ela se fez filha
daquele casal. Desse modo, em sua imaginação, ela
começou a fazer de conta que vivia daquela
maneira, sendo alvo de grande amor e carinho.

Ao ouvir a palestra sobre aprisionamento espiritual,


Mônica prontamente identificouse como aprisionada
naquela personagem feliz, aquela filha feliz que
tinha pais amorosos e que a amavam.

Chorando, ela veio à frente para explicar que antes


estava aprisionada naquela personagem, e que a sua
vida de imaginação era uma fantasia. Mas agora
estava liberta.
Aprisionada na Argentina do “tango”

Carmem queria conhecer o tango. Queria dançar


tango. O momento preferido para curtir seus
sonhos, através da imaginação, era a hora de deitar-
se em sua cama. Desde jovem, ao deitar-se, ela
acostumouse a deixar a mente voar, e assim viajava
rapidamente ao lugar de seus sonhos. Esse lugar era
a Argentina.

Carmem imaginava-se chegando à cidade e saía pelo


centro e pelos bairros de Buenos Aires. Na sua
imaginação, ela andava por avenidas, praças, ruas e
entrava nas salas de dança e lá ela se via dançando o
tango.

Alguns anos depois, ao se casar, escolheu a cidade


de seus sonhos, Buenos Aires, para viajar em lua de
mel.

Quando viajou para a capital argentina, qual não foi


a sua surpresa: ela identificou tudo o que tinha visto
na sua imaginação. Tudo era tal qual ela havia
imaginado. Carmem tinha detalhes das avenidas, das
casas, dos hotéis, das esquinas, das praças. E assim,
chegou à conclusão de que ela havia feito viagens
astrais, através da sua imaginação, àquela cidade.

O Espírito Santo ensinou-a a cortar o cordão dos


demônios aparadores, que a amparavam e a levavam
espiritualmente para os lugares da sua imaginação.
Além de cortar os cordões de ligação dos demônios
aparadores, ela procurou colocar a sua mente em
ordem, através de jejum e oração.

Nesse período de jejum e busca intensa por sua


libertação, um profeta teve uma visão de um livro
preto descendo do espaço, relacionado com a vida
dela. Era um livro de esoterismo que representava a
prisão da sua mente, relacionada com as iniquidades
da família de seus antepassados. Seu pai havia sido
presidente do Círculo Esotérico da Comunhão do
Pensamento.

Carmem foi sendo liberta aos poucos, conforme ela


foi se desligando de suas viagens astrais.

Numa casa criada nos ares

Esta história foi compartilhada por uma pastora que


tem ministrado muitas libertações e tem visto
grandes resultados de mudança na vida das pessoas,
após serem tiradas de prisões espirituais. Assim ela
me escreveu:

Quando eu estava ministrando uma senhora, a quem


chamarei de Júlia, aparentemente nada acontecia.
Ela não conseguia concentrar-se em nada. Parecia
estar longe do lugar, ausente. Ela repetia as orações,
mas não víamos nenhum efeito. Enquanto
falávamos com ela, eu orava pedindo uma direção
para aquela ministração. E comecei a perguntar à
Júlia quais foram as situações dolorosas que ela
tinha vivido e que foram muito importantes em sua
vida.

Ela me respondeu que a coisa mais forte que ela


havia experimentado foi a morte do filho. Depois da
morte dele, ela entrou numa profunda depressão.
Então ela foi convidada por uma amiga para ir a um
centro espírita, onde poderia falar com o seu filho
falecido.

Júlia participou de várias sessões. Num dia, um


espírito apareceu dizendo ser seu filho e informou a
ela que ele estava numa casa, nos ares. Nesse
encontro, aconteceu um diálogo impressionante. O
espírito com quem ela dialogou era, supostamente, o
espírito do filho. Júlia lhe disse que sentia muita falta
dele e a resposta do espírito foi que, todas as vezes
que ela estivesse se sentindo triste, solitária, com
problemas, ela poderia ir para a casa nos ares onde o
seu filho estava – e assim ela poderia sentir-se
protegida.

Então, conscientemente, ela entrou naquela casa,


fazendo uso de sua imaginação. A partir daquele
momento, Júlia, aparentemente, ficou aprisionada
naquele lugar.

Toda a sua vida ficou então paralisada: perdeu o


emprego, não conseguiu mais nenhuma atividade,
sua vida social desapareceu. E sua vida intelectual
não mais se desenvolveu. Enganada por aquele
espírito, a procura daquela casa nos ares foi se
tornando mais frequente.

Pois cada situação difícil a fazia voltar à casa nos


ares, e lá ela se sentia melhor. A volta àquela casa
repetiu-se tantas vezes que um dia ela decidiu
permanecer sempre naquela casa.

A decisão de permanecer para sempre na casa dos


ares fez com que tudo ficasse paralisado em sua
vida. Seus sentimentos ficaram congelados, e ela já
não mais saía até mesmo da sua casa física.

Entendendo essa situação, ao ministrá-la, perguntei-


lhe onde estava naquele momento. Sua resposta foi
que ela estava dentro daquela casa nos ares, ali com
o seu filho. Pedi então para ela ordenar, em nome de
Jesus, que seu filho revelasse quem ele era de
verdade. Quando ela assim o fez, o suposto filho
transformou-se num monstro, e ela ficou
desesperada. Então, eu também entrei naquela casa,
nos ares, usando a chave que o Senhor me deu para
abrir aquela porta.

Na verdade, quando o seu falso filho foi


desmascarado, a casa nos ares começou a partir-se
em pedaços e a se autodestruir. Foi nessa hora que
entrei lá para retirá-la. Eu, como ministradora,
quando entrei onde ela estava, vi que Júlia
encontrava-se totalmente amarrada numa cadeira, e
que ela estava sendo torturada por demônios. A sala
da casa, que tinha um só cômodo, estava infestada
de demônios. Esses demônios são os guardiães que
ficam junto dos aprisionados, para impedirem a
libertação da pessoa. Todos eles foram então
amarrados. Júlia foi desamarrada da cadeira e,
segurando em sua mão, tirei-a daquela casa antes
que desmoronasse. Com uma rapidez incrível
saímos daquele lugar. Júlia se quebrantou e
começou a chorar. Ela estava agora livre. Aquela
casa queimou-se toda, desmoronou totalmente, e
agora Júlia podia viver livre.

Um ano depois eu a encontrei em outro seminário, e


Júlia correu para me abraçar. Ela estava livre. Sua
aparência estava transformada. Estava linda, com o
rosto todo iluminado. Ela já estava trabalhando, e
me disse:

“Sou uma das intercessoras deste seminário; minha


vida mudou”. Aleluia!
TESTEMUNHO 8
Aprisionamento por
Satanismo e Jogos de
RPG
“Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se
inclinou para mim e me ouviu quando clamei por
socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um
tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma
rocha e me firmou os passos.”

(Sl 40:1-2)
Todos que se envolvem com o Satanismo ficam
presos espiritualmente, de alguma forma, em razão
do comprometimento feito com o próprio Lúcifer e
com os demônios.

O Satanismo é uma religião muito bem organizada,


na qual se cultua o príncipe das trevas, que exige de
seus seguidores uma fidelidade total e cabal. A
filosofia satanista realmente é baseada na exploração
do egoísmo, do hedonismo, da busca sem fim ao
prazer da carne, das mais baixas paixões
pecaminosas... e pode ser definido como o culto ao
“eu”.

A pessoa que se envolve com o Satanismo nem


sempre está consciente dos danos que lhe são
causados pelo reino de Lúcifer e das suas ameaças.
E, normalmente, também nada sabe da destruição,
da morte e do aprisionamento espiritual que esse
envolvimento por certo lhe ocasionará.

Um dos modos de envolvimento com o Satanismo é


também através dos jogos de RPG (Role Playing
Game) que envolvem atos de violência, morte,
destruição e uso de poderes mágicos.

Góticos: satanistas amadores

Alguns anos atrás, um jovem recém-convertido


participou de um de nossos seminários, e foi
aconselhado por uma das ministras da nossa Equipe.

Sua história de problemas e perturbações começou


quando ele tinha 11 anos de idade. Na época, ele e
mais dois amigos de classe resolveram formar uma
banda de rock. Mais alguns colegas ajuntaram-se a
eles e assim, passo a passo – fazendo tudo
direitinho, no conceito deles –, cuidaram de todo o
processo de como compor a sua banda.

Quem compartilhou a sua história foi um dos que


tinham disputado a vaga de vocalista da banda.
Havia dois candidatos para essa posição. Para
decidir quem seria o vocalista, o grupo pensou numa
forma bem diferente, criativa e original. Depois de
muitas sugestões e considerações a respeito, um
deles sugeriu que a escolha fosse decidida da
seguinte forma:

Cada um dos dois teria que apresentar um quadro


que fosse o mais tenebroso e cheio de suspense e
horror possível. Aquele que alcançasse o maior grau
de tenebrosidade em sua apresentação seria eleito o
vocalista. Esta ideia foi inspirada na banda KISS -
Knights of International Satanic Society (Cavaleiros
da Sociedade Internacional Satânica). Essa banda
matava no palco, diante do público em delírio,
dezenas de pintinhos, pisando-os com suas botas.
Um dos dois candidatos apresentou então o seguinte
quadro: no seu quarto, segurou um gato preto contra
a parede e pregou ali a cabeça do gato, deixando
que o sangue escorresse pela parede. Isso foi
contado por ele, enquanto estava sendo ministrado.

O segundo menino, ao ver a façanha do amigo,


convidou os colegas (era uma sexta-feira) para irem
ao cemitério, à meia noite. Para entrarem tiveram
que pular o muro. Ele escolheu uma sepultura que
tinha uma cruz bem grande e pesada. Subiu em
cima e começou a invocar Lúcifer e oferecer-se a
ele, blasfemando contra Deus, o verdadeiro Deus.
Ele gritava, gritava, repetindo sempre as mesmas
blasfêmias, e exaltando Satanás.

De repente, ele foi tomado por uma estranha força e


assim arrancou a cruz do túmulo e tornou-se
extremamente violento, com uma força sobrenatural
e extraordinária, e começou a bater no túmulo com
aquela pesada cruz.

Vendo aquela cena e a transformação do colega, os


meninos que o acompanhavam ficaram
aterrorizados, e saíram correndo, sem olhar para
trás.
Esse rapaz, que blasfemou o nome de Deus e
invocou Lúcifer, posteriormente caiu em depressão,
não conseguiu terminar os estudos e passou a ter
uma vida vegetativa nesses últimos 20 anos. Não
consegue trabalhar, nem estudar; está paralisado,
sem nenhuma perspectiva na vida.

Aquele primeiro, que havia sacrificado o gato,


acabou ficando muito oprimido e teve dias muito
atribulados; também não teve nenhum sucesso na
vida. Até aquele momento em que estava sendo
ministrado, a sua vida tinha sido uma sucessão de
transtornos e conturbações. Ele estava aprisionado
naqueles rituais satânicos. Mas, pela graça de Deus,
ele saiu da sua prisão, através da ministração
individual.

Espero que ele seja usado por Deus para levar Jesus
aos outros que participaram dessa sua história.

Jogos de RPG: uma pré-iniciação ao


Satanismo
Os jogos desse tipo, que se caracterizam por atos de
matar, destruir, cenas de violência e uso de poderes
mágicos constituem um dos processos mais
perversos e satânicos de aprisionar vidas.

Alguns exemplos de casos reais que a seguir passo a


relatar deixarão isso bem claro.

Um rapaz que praticava o jogo “Doom”

Certa vez estava ministrando um rapaz que tinha se


envolvido com o Satanismo. Em determinado
momento perguntei-lhe se ele havia praticado jogos
de RPG, e sua resposta foi que sim, que havia
jogado alguns deles. Eu prossegui a entrevista,
perguntando:

– Você chegou a jogar Doom?


Recebi uma resposta positiva. Então lhe disse:

– Você deve estar aprisionado em alguns dos lugares


que visitou através dos jogos; por exemplo, você
deve ter visitado o lago de fogo, labirintos, capelas
horripilantes e fantasmagóricas, não é verdade?
Então decidi tirá-lo do lago de fogo, porque eu tinha
certeza de que, espiritualmente, ele ainda
permanecia lá. Pedi-lhe que fechasse os olhos. Mal
acabou de fechar os olhos, ele começou a gritar:

– Ai! Ai !Aii! Me tira daqui, estão me queimando!

Ele ainda estava aprisionado naquele lugar de fogo e


tormento. Tirei o rapaz daquele lugar, pedindo a
Deus perdão por ele ter se deixado levar ao lago de
fogo.

Também tive de tirá-lo de labirintos, de diversas


capelas terríveis e de outros lugares (um deles foi o
vale da sombra da morte). Esse seu aprisionamento
era a causa do que ele sentia diariamente em sua
vida: dores, tormentos e perturbações.

Esses jogos de RPG, que se caracterizam pela


violência, e por entrar em mundos de ficção, lutando
contra seres malignos, com armas de magia, têm de
fato o objetivo satânico de enlaçar os desavisados,
aprisionando-os e levando-os a lugares tenebrosos
do inferno.
Preso no jogo Dungeons & Dragons

Ministrei também um jovem de 19 anos, que havia


se tornado um “especialista” em jogos eletrônicos, e
chegou a ter até mesmo alguns sintomas de
convulsão, de tanto estar viciado nesses jogos.

Ele estava aprisionado em diversos lugares dos


jogos, e teve de ser retirado de cada situação. Antes,
porém, ele renunciou todos os personagens com os
quais se envolveu; retirou as roupas dos personagens
e jogou fora cada uma das armas. Depois da sua
libertação, ele escreveu o seu testemunho:

Eu sempre achei que o RPG (jogo eletrônico de


computador) era algo legal; sempre fui fascinado
pela época medieval – por castelos, guerras,
armaduras, etc. – e, desde pequeno, familiarizei-me
com o RPG por causa do desenho “Caverna do
Dragão”, onde os personagens principais são seis
jovens que, ao entrarem numa montanha-russa, o
trem descarrilha, e eles vão parar numa outra
dimensão.
O desenho é todo baseado em um jogo de RPG que
esses mesmos jovens na vida real jogavam, e o jogo
ficou com uma história tão boa que decidiram fazer
a série. Ouvi boatos de que o motivo pelo qual o
último capítulo nunca foi exibido, foi que os jovens
descobriram que na montanha russa eles haviam
morrido e estavam em um tipo de inferno, e, assim,
não poderiam mais sair de lá. Também o chifrudo
(Satanás) lá contou a verdade dizendo ele mesmo
ser o “Mestre dos Magos”, um dos principais
personagens desse jogo. Ou seja, Satanás estava
brincando com eles. Imagine como esses jovens não
ficaram amarrados na vida real devido ao nível de
envolvimento com essas entidades!

Alguns anos atrás, alguns alunos do meu colégio, em


torno de seis pessoas, começaram a se encontrar na
biblioteca no horário do intervalo para jogar RPG.
Poucos meses depois, houve o “Olimpet”, tipo de
olimpíadas do colégio. Então o líder da turma do
RPG conseguiu um campeonato de RPG. Como
sempre estive interessado, entrei nessa.

O “mestre”, como é chamado quem narra a história


e decide o destino, nos dividiu em times que tinham
como objetivo obter a “pedra do dragão”, que estava
num monte, em certo lugar. Ao chegar ao monte,
todos os times deparam-se com o “Senhor das
Trevas”, representado pelo mestre do jogo. Sendo
cristão, sabendo o que estava fazendo, pequei em
continuar jogando.

Naqueles dias pude ver claramente a entidade


manifestandose no mestre do jogo e fazendo o que
eles gostam e chamam de “incorporação do
personagem”, como num teatro, mas aqui a coisa é
séria. No final, ninguém conseguiu pegar a maldita
pedra, e todos tiveram que se unir para fugir.

Um outro personagem (NPC – non player character:


personagem não jogador) também representado pelo
mestre, se fez de “salvador”, e teve que utilizar toda
a sua força para gerar um portal dimensional, tendo
assim de morrer.

O RPG foi introduzido no “Olimpet” com a mesma


desculpa que os grupos norte-americanos usam para
introduzi-lo nas suas universidades, “desenvolver a
criatividade dos jovens”.
Com certeza o jogador tem de utilizar a sua
capacidade imaginativa para visualizar as cenas do
jogo: cenas de luta, de labirintos, de florestas e
principalmente entre personagens. Quem tem
sabedoria e conhecimento do mundo espiritual sabe,
porém, o que acarreta esse tipo de imaginação: a
pessoa acaba tendo compromissos no mundo
espiritual.

Portanto, esses jovens não estavam apenas


visualizando, mas estavam também participando do
mundo espiritual, “brincando” com as entidades
(demônios), que eram convidados do inferno,
especificamente, para “jogar” RPG.

Depois de algumas vezes jogando, o jogador se vê


com a necessidade de comprar livros e mais livros
para descobrir como jogar melhor, quais as
capacidades de seu personagem, como atacar certos
tipos de oponentes, e assim sucessivamente.

Em pouco tempo, o jogador na teoria já é um mago


em potencial, um bruxo (ou uma bruxa),
conhecedor das magias e truques de toda sorte.
Espiritualmente, o jovem também se desenvolve na
magia.

Alguns grupos de jogo ainda estão acostumados a


usar a prática de “sair do corpo” para jogarem RPG
no mundo espiritual com os demônios.

Alguns desses já se conscientizaram do grau de


profundidade com que estão envolvidos no RPG,
mas acham que não tem volta. Mas tem volta sim; a
obra que Jesus, o Cristo, realizou na cruz é
totalmente capaz de salvar esses jovens.

Outros jovens, por sua vez, nem têm ideia alguma


sobre em que estão metidos, achando que é tudo
fruto da imaginação. Mais tarde, quando tiverem a
oportunidade de trabalhar para denominações
satanistas, eles já estarão aptos para invocar
demônios e fazer todo tipo de serviço para Lúcifer.
Portanto, é preciso estar preparado e coberto em
oração, pois o RPG é uma das maiores estratégias
de Satanás para atrair os jovens para o seu mundo
de engano e poder maligno.

Quando um jogador começa a preencher a ficha de


seu personagem, ele nem tem ideia de que está
sendo induzido a esse mundo de engano. Já ouvi
relatos de jovens que tinham medo de aceitarem a
Cristo porque sua entidade os ameaçava, dizendo
que os mataria se eles assim fizessem, mas Jesus
Cristo é muito mais poderoso do que todo o inferno
junto.
Esses jogos são na verdade laços e armadilhas para
fragmentar a alma e o espírito dos jovens jogadores,
contaminando-os e aprisionando-os para sempre, se
eles não forem libertos e não saírem das prisões. Os
lugares virtualmente visitados podem, de fato,
transformar-se em lugares de prisão.

Alguns jogos de RPG satânicos

Raphael Catossi, a quem ministrei libertação,


descreveu vários desses jogos, alertando a respeito
dos seus perigos. Escolhi alguns deles para ajudar
quem possa estar cativo por ter com eles se
envolvido:

DOOM I (A Queda)
Nesse jogo, o jogador é um soldado que,
inicialmente, luta contra soldados zumbis. Mais
tarde, são encontrados:

· Bestas com o corpo em forma de P, onde a boca é


do tamanho do tronco; demônios com espinhos nas
costas, que atiram bolas de fogo.

· Crânios em chamas que voam e explodem ao tocar


o jogador.

· Observadores (Beholders) em formas de


almôndegas gigantes vermelhas que flutuam e têm
um só olho e cospem bolas azuis de energia; há uma
variação de cor marrom desse observador, que
cospe crânios flamejantes.

· Minotauros chifrudos, sem pelo, de cor rosa, e


outro marrom mais forte – ambos atiram bolas
verdes de energia com as mãos.

· Aranhas, que têm as pernas como partes


mecânicas. e o miolo do corpo é um cérebro; atiram
plasma verde.
· Aranhas iguais às anteriores, mas em tamanho
gigante.
· Minotauro (A Besta) – gigante que, no lugar de
uma das mãos, tem um lança-míssil (o mesmo da
capa do jogo), e nas suas entranhas pode-se ver uma
mistura de órgãos com fios eletrônicos.

Armas: Soco, pistola, rifle, rifle duplo, metralhadora


giratória, lança-mísseis, e arma de plasma.
DOOM II (O Inferno Na Terra)

É idêntico ao primeiro. Em uma fase secreta do


jogo, o jogador encontra uma sala onde há quatro
crianças enforcadas. É necessário então atirar nelas,
despedaçando-as, abrindo assim a passagem para a
saída da fase.

No último nível, o desafio é descer alguns paredões


e chegar até o térreo de uma sala gigantesca, onde
os demônios não cessam de aparecer, e sangue
escorre pela parede.

O objetivo do jogador é subir num elevador que,


enquanto sobe, tem-se que lançar um míssil e
acertar uma fenda na parede. Utilizando-se um
comando, pode-se atravessar paredes, indo até essa
fenda, quando se encontra a cabeça de um cara
cabeludo, fincada em uma estaca. Até hoje não
imagino quem seja, mas, quando se atira na cabeça,
o rapaz abre a boca como se estivesse agonizando.

Tanto no primeiro como no segundo Doom, os


cenários são caracterizados por uma mistura de
tecnologia com um ambiente rústico-medieval.

No Doom II há uma super arma de plasma, que com


muita munição, elimina todos os inimigos do
ambiente.

Em alguns lugares, nas paredes, há rostos em


movimento, corpos em relevo, pentagramas (tanto
nas paredes como no formato de alguns cenários),
corpos crucificados, imagens da face de Cristo com
a coroa de espinho e órgãos humanos.

E ainda há os comandos para invencibilidade, para


apossar-se de todas as armas e chaves, para
recuperar energia, para selecionar a fase e o modo
fantasma (atravessar as paredes e portas): IDDQD,
IDBEHOLD, e assim por diante...

Ênfase dos DOOM’s: fazer o jogador achar que


pode combater o inferno com armas; mas, na
verdade, está só aprendendo a “brincar” com os
demônios.

O jogador corre o perigo de ficar preso no inferno.


DUKE-NUKEN

Nesse jogo, o jogador torna-se um galã de cinema


que, com sua pistola, inicia uma caçada aos
alienígenas (aliens) que invadiram o planeta terra.
Nos cenários que se seguem no jogo, encontram-se:
Mulheres fazendo striptease (que podem ser
assassinadas, transformando-se numa poça de
sangue e em notas de dinheiro voando).

· TVs sintonizadas em programas pornográficos.

· Na primeira fase, um cinema com uma mulher


semi-nua dançando e, mais tarde, mulheres nuas
como que envolvidas por um casulo verde que
podem ser destroçadas.

· Os primeiros inimigos, e mais fracos, são com cara


de tigre.
· Javalis com rifles.
· Um inimigo com cérebro grande e com tentáculos
pendurados, que flutua e emite rajadas de som com
forma de energia de plasma.

· Amebas que saem de ovos alienígenas e que


grudam na cara do jogador.
· Um gordo que atira mísseis e que, no lugar das
pernas, tem uma plataforma que o permite flutuar.
· Naves com formato de tubarão, que voam em
direção ao jogador para explodirem nele.

· Há um outro tipo de alienígena (alien) mais


parecido com um lagarto, que se abaixa e pula,
metralhando, em cima do jogador.

· O chefe “sapo”, ao ser derrotado, tem a sua cabeça


decapitada, e o herói do jogo abaixa as calças, senta
no buraco onde antes estava a cabeça, e lê um
jornal.

· O último chefão tem um olho só e solta muitos


mísseis; a batalha é travada em um campo de futebol
americano. Ao ser derrotado e estando caído no
chão, Duke chuta o traseiro dele, fazendo com que
o olho do bicho saia voando e faça “gol” nas traves.
Armas: Chute básico, pistola, escopeta,
metralhadora, arma de gelo que congela os inimigos,
arma de encolhimento que encolhe os alienígenas
(aliens) permitindo que possam ser pisados,
granadas, granadas de sensor a laser, lança-mísseis
que atira vários pequenos mísseis, e uma bazuca,
chamada RPG, que faz um certo “estrago”. Como
acessórios há: jet pack para voar, máscara de
mergulho, esteróides para ficar com um chute
descomunal (já que pode atirar e chutar ao mesmo
tempo) e para poder correr feito louco.

Ênfase: ser malandrão, o dono do pedaço, que gosta


de pornografia e sangue.
CARMAGEDDOM

É um jogo de carro, onde o jogador tem que


disputar corridas em meio a cidades e estradas de
campo. O objetivo é chegar no final “vivo” ou então
eliminar todos os oponentes, indo de encontro ao
carro oponente e batendo nele, até que pegue fogo.
O ponto crítico é o atropelamento.

O jogador pode simplesmente sair da rua com o seu


carro e ir pelas calçadas, atropelando homens,
mulheres, velhinhas, cachorros e vacas nas estradas
e nos campos. Ao atropelar, sangue voa no vidro do
carro do jogador.

Há como fazer com que o carro emita raios elétricos


que façam explodir todos os seres vivos que
passarem por perto, num raio de 100 metros;
também o jogo permite fazer com que os alvos
(pedestres e vacas) fiquem enormes, três vezes
maiores que o carro; e também há um recurso para
paralisá-los.

Na primeira fase do jogo (uma cidade), pode-se ir


até o estádio de futebol e atropelar os jogadores que
se preparavam, em fila, para começar o jogo
(futebol americano). A torcida vibra!

Em certos lugares, pode-se achar uma rampa de


acesso ao topo de arranha-céus. O jogador vai com
seu carro pulando de edifício a edifício e, se cair,
não há problema, no meio da queda basta pressionar
o “recover” que o carro volta à posição de um
pouco de tempo antes e, se ficar todo amassado,
pressiona-se o “repair”, que arruma tudo, com o
dinheiro que se ganha de atropelar pessoas e bater
em carros. Ao eliminar-se um oponente que o
desafia, o jogador fica com o carro do mesmo.

Raphael Catossi, que escreveu essas linhas, inclui


ainda o seguinte testemunho pessoal:

Certa vez, eu estava andando de carro com a minha


família. Quando meu pai parou para esperar
algumas pessoas atravessarem a rua, na minha
mente eu já tinha decidido atropelá-las, e então vi o
quanto influenciado por aquele jogo eu estava. Eu
simplesmente tinha me apaixonado pela “realidade”
do jogo, pois a programação do mesmo era perfeita
– aceleração, amortecimento, impacto, etc.

A segunda versão de Carmageddom apresenta


personagens em 3D ou seja, não são figuras que
explodem, mas objetos que têm seus membros
separados do corpo e arrastados pelo cenário, e é
necessário um choque muito maior para eliminá-los
de primeiro impacto; tudo ficou muito mais real.

Nessa versão, porém, a produtora colocou, no lugar


de pessoas reais, zumbis de sangue verde. Até os
cachorros são zumbis. Algo que encanta nessa
versão é a transparência da água e dos vidros que
podem ser quebrados, o carro que vai se amassando
aos poucos, e seus pedaços vão caindo pela pista e
até mesmo as portas se abrem para atingir os
pedestres.

Ênfase: Desobedecer ao maior número possível de


leis. DIABLO

É Satanismo puro! Ao começar, você escolhe entre


ser guerreiro, ladrão, mago ou monge, e inicia a
aventura numa cidade na época medieval. Você vai
conversando com os moradores da cidade e vai
descobrindo mais sobre o que está acontecendo. O
que me fascinou muito nesse jogo, além de serem
gráficos tridimensionais, foi a aleatoriedade dos
fatos, ou seja, toda vez que se inicia um novo jogo
há etapas diferentes para serem realizadas.

A história é mais ou menos assim: demônios


apareceram no subterrâneo de uma capela e
invadiram o vilarejo. O jogador então decide
aventurar-se pelos labirintos até chegar ao inferno e
matar o diablo. Mas, antes de entrar, ele encontra
uma pessoa quase morta e jura vingança aos seus
companheiros. Assim, essa pessoa morre, confiando
no juramento do jogador. O Jogador então entra na
capela (que tem um cemitério ao seu redor) e então
começa a matança. Esse jogo é jogado com o
mouse. Um botão é usado para atacar/pegar/usar e o
outro para utilizar a magia.

Eu usei todas as armas, armaduras, amuletos, itens e


personagens, pois havia baixado um programa da
internet que me capacitava a mudar essas coisas a
qualquer instante. Então fui testando, um por um,
para ver o que era melhor. Equipado e preparado,
escolhi o guerreiro e fui até o fim. No final, para
minha decepção, ao matar o diablo, que tem uma
pedra na testa (o que lhe dá poder), o personagem
retira dele esta pedra e a encrava em sua própria
testa. Eu fiquei indignado! O pior de tudo é que, na
tela do computador, o que ela mostra é o próprio
jogador encravando a pedra em sua testa!

Bem, esse jogo também é cheio de pentagramas,


locais de rezas (capelas) e, à medida que o jogador
vai descendo, vai encontrando pessoas fincadas em
estacas, etc.
Em alguns lugares há prateleiras de livros onde o
jogador acha um livro. Lendo-o, o jogador aprende
uma magia nova e, se já sabe a mesma, pode
aprimorá-la, desde que tenha o nível de magia
necessário. Algumas armas e armaduras também
necessitam de um certo nível de destreza ou força.

Ênfase: Combater o mal com a sua própria força e,


no final, ceder à tentação de ser o próprio Diablo.
Os locais virtuais podem transformar-se em portais
para ir ao Sheol, Inferno, Abadom e Abismo.

Jogos de RPG: Um faz-de-conta


sofisticado... Ou uma aventura perigosa?

Vou agora reproduzir um artigo sueco,1 que foi


colocado na revista Magazinet, com o título acima.

O suicídio é apenas um dos frutos amargos dos


jogos de representar, entre os quais se acha
“Dungeons & Dragons” (Calabouços e Dragões),
conhecidos como jogos de RPG. Homicídios
bestiais, assaltos sexuais e bilhetes de entrada ao
satanismo e ao ocultismo são outros frutos. Jornais
americanos têm relatado casos e mais casos de
jovens que pareciam saudáveis, mas que passaram a
viver no mundo oculto de calabouços e dragões,
acabando por tirar a própria vida ou a de outros. A
fantasia, no caso, torna-se realidade para esses
jovens.

Um dos especialistas sobre satanismo e ocultismo, o


criminalista e delegado Thomas Wedge, diz que,
durante os 15 anos em que trabalha com casos
criminais ligados ao ocultismo, tem encontrado
jovens que permitiram a fantasia tomar conta do seu
comportamento por causa dos jogos de representar
(RPG). Mas, Wedge não é o único a advertir contra
os jogos de RPG.

Um grande número de psicólogos e especialistas que


trabalham com jovens envolvidos com a
criminalidade nota um paralelo entre o jogo de
representar – onde os ingredientes principais são
controle absoluto, medo e violência planejada – e o
comportamento criminoso dos jovens.

DEBATES
Debates sobre os jogos de representar surgiram após
uma série de suicídios e assassinatos cometidos por
jovens envolvidos nesses jogos durante a segunda
metade dos anos 80 e que fizeram as manchetes dos
jornais.

Não se tratava de alguns poucos casos, mas de


muitos. Na época, haviam sido registrados setenta
ocorrências pela NCTV (Liga de Coalizão contra
Violência na Televisão). Não foi por falta de provas,
pois os jovens deixaram cartas e desenhos
explicando a razão pela qual davam um ponto final à
sua vida.

Outros, que praticaram assassinatos bestiais,


seguiram minuciosamente o que está escrito na
literatura do jogo de representar. INÍCIO

O jogo de representar (RPG) apareceu nos Estados


Unidos com o vendedor Gary Gygax em Wisconsin,
no início dos anos 70. A princípio era um jogo para
adultos. No final da década, sua popularidade
cresceu especialmente entre os jovens. Em 1985,
haviam vendido no mínimo 8 milhões de cópias só
nos Estados Unidos. Posteriormente surgiram os
desenhos animados de RPG, além de jogos de
computador, seminários e exibições.

Tudo corria bem até que, em 1982, o jovem Irving


Lee, de 16 anos, deu um tiro no coração. Irving
havia recebido uma maldição pronunciada por um
companheiro de jogo um pouco antes desse trágico
episódio. Irving, como tantos outros jovens, vivia no
mundo do jogo e a fantasia tornou-se mais forte do
que a realidade, acabando com a sua vida.

O TIRO

Esse tiro mortal tornou-se o tiro inicial na luta contra


“Calabouços e Dragões”. A mãe de Irving, Patrícia
Pulling, fundou a organização BADD, sigla de
“Bothered About Dungeons & Dragons” (Afligidos
por Calabouços e Dragões) a fim de alertar quanto
ao perigo dos jogos RPG. Ela culpa esse jogo pelo
destino de seu filho.

Nos arquivos do BADD há documentos que provam


os suicídios e assassinatos. Há pilhas de telegramas e
recortes de jornais de casos relacionados com os
jogos de representar. Em Arlington, Texas, James A.
Stalley, de 17 anos, atirou em si mesmo na frente
dos seus colegas de escola. Stalley era um jovem
intelectual que havia se envolvido grandemente com
o RPG.

O jogador de RPG, Jeffrey Jacklovich, em Topeka,


Kansas, tirou sua vida puxando o gatilho de um
revólver, aos 14 anos. Ele deixou uma carta aos pais
dizendo que resolveu viajar pelo mundo do jogo de
representar que ele conhecia tão bem e ir-se deste
mundo de conflitos.

Numa cela do corredor da morte de um presídio, na


cidade de McAlister, Oklahoma, está o jovem Sean
Sellers, de 20 anos. Ele matou a sua mãe a tiros em
1985. Segundo ele, isso foi feito a pedido de
demônios. Numa entrevista de TV, Sean contou que
o jogo de representar “Calabouços e Dragões”
levou-o ao satanismo e ao ocultismo.

Armando Sino, de Angleton, Texas, um psicólogo


de presídio, é culpado de haver estuprado uma moça
de 15 anos, quando ele estava com a idade de 33
anos. Eles estavam jogando, e Armando, como
“mestre do calabouço”, castigou-a dessa forma. Isto
ocorreu após o primeiro seminário de RPG.

OBSESSÃO

Não são todos os jogadores do RPG que deixam a


fantasia tomar o lugar da realidade, mas são muitos
os que ficam obcecados por esse jogo. A psicóloga
Diane Pizzirusso, de Annapolis, Maryland, diz que o
jogo de representar trata de violência, vingança e
roubo.

Ela explica:

“As notas escolares pioram e o único assunto é o


jogo de representar. Geralmente são as crianças mais
sensíveis, tímidas e com menos sucesso em outras
áreas que se envolvem no jogo. Elas conquistam
sentimentos de poder e controle, mas ao mesmo
tempo tornam-se mais perniciosas no falar.”

O Dr. Thomas Rasecki, um psiquiatra da


Universidade de Medicina de Illinois, não vacila
quanto aos frutos amargos do RPG. Ele comenta:

“As provas nesses casos são nítidas. Não tenho


dúvida de que criar jogos de fantasia levam os
jovens a suicídios e assassinatos. Os jogos tratam de
guerras e de violência sem trégua. Através de
entrevistas com jogadores, e com o material de jogo
como base, estou convencido de que este tipo de
jogo deixa os jogadores insensíveis à violência,
tornando-os agressivos no comportamento.”
1 De Knut-Einar Norberg.
TESTEMUNHO 9
Aprisionamento em
Calabouços
“Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se
inclinou para mim e me ouviu quando clamei por
socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um
tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma
rocha e me firmou os passos.”

(Sl 40:1-2)

“Não sinto a presença de Deus”

Alberto foi um irmão em Cristo que veio em busca


de ajuda. Somente o ministrei porque o Espírito
Santo insistiu muito, pois, como você vai ver, a
situação dele era de fato muito difícil. Ele vivia
reclamando que não sentia a presença do Senhor,
apesar de Deus já ter atuado em várias áreas de sua
vida.
O problema de ter sido rejeitado por seu pai
biológico, e a situação de ter tido um padrasto, por
exemplo, já tinham sido resolvidos. Também tinha
sido liberto de uma série de vícios.

Sim, Alberto ainda enfrentava problemas.


Intelectualmente ele sabia que era filho de Deus,
pois havia entregue a sua vida a Ele, e tinha feito um
compromisso com Jesus. No entanto, nunca
acontecia algo impactante em sua vida espiritual.
Alberto não sentia a presença de Deus, não o sentia
nem mesmo quando lia a Bíblia. Ele apresentava
sintomas característicos de alguém aprisionado
espiritualmente.

Diante dessa situação, um dia ele abandonou a


igreja, o culto, o ministério em que estava envolvido,
todos os projetos que pessoalmente estava
desenvolvendo. Não disse nada ao pastor.

Simplesmente desapareceu, e voltou para aquelas


práticas que ele havia rejeitado no passado, e dizia
que agora tudo estava bem. Assim, quando ele se
apresentou e lhe pedi para que falasse comigo, eu
quis saber exatamente o que havia acontecido com
ele.

Ele havia ficado quase dois anos afastado do


Senhor, vivendo uma vida sem rumo espiritual. Foi
então que ele me confessou que, durante todo o
tempo de sua vida cristã, ele, na verdade, pretendia
ser crente, mas nunca tinha tido um encontro
verdadeiro com o Senhor.

Que tragédia! Isso me esclareceu totalmente a razão


de ter ele abandonado a fé e a comunhão com os
irmãos na igreja. Como Alberto é muito inteligente,
ele racionalizou a fé; intelectualizou o que não
podia, e reduziu a sua compreensão da vida
verdadeira com Deus a uma postura apenas
intelectual. Assim, ele viveu uma vida fingida e
confusa.

Todo o esforço dessa sua pretensão nunca poderia


satisfazê
-lo, pois não era algo genuíno. Por isso mesmo foi
que Jesus nunca aparecia para ele, para confirmar o
que ele fazia. E desse modo ele acabou
abandonando tudo o que ele achava ser fé.
Nessa situação, não precisando viver um
cristianismo fingido, ele concluiu que agora nem
tudo estava bom, mas era melhor do que a vida que
ele tinha antes.

Minha resposta para ele foi:


– Claro que agora você ficou melhor, pois você
parou de fingir ser aquilo que você não era.

É certo que pelo menos agora Alberto estava


enfrentando a verdade! Não a mentira, nem a
falsidade. Ele havia deixado de fingir, de representar.
Agora, pelo menos, estava sendo verdadeiro, ainda
que um tanto revoltado com o Senhor e com a
igreja.

Deus passou a ser, para ele, alguém que estava num


lugar longínquo, não o ajudando nos momentos em
que precisava. Deus não estava com ele em sua
necessidade; Deus não respondia ao seu clamor.

Deixei então que ele apresentasse todos os seus


argumentos, todas as suas queixas, todos os motivos
que o levaram à situação em que se encontrava. E
ele foi dizendo:
– O que fizeram de mim? Fui abusado
sexualmente, e car-reguei um sentimento de culpa.
Roubaram-me! Roubaram o meu pai, a minha mãe,
roubaram a paternidade, a equidade, pois fui
tratado com injustiça. Veja quem eu sou hoje. Estou
cheio de trejeitos. Tenho raiva e ódio do que
fizeram comigo, quando me abusaram
sexualmente. Fui abusado por um grupo de
rapazes. O primeiro ficou não sei quanto tempo...
Foram anos, comigo. Também fui abandonado por
meu pai; fui maltratado por minha mãe; fui
perseguido por um líder da igreja que se recusava
ser sombreado por mim. Quem sou eu hoje? Uma
sombra, uma caricatura?

Fazendo uma pausa, ele ainda desabafou:


– Neuza, eu processei o meu pai biológico... Não
vou ficar em casa... Que vou fazer da minha vida?

Enquanto eu o ouvia, comecei perguntar a mim


mesma, e ao Senhor, onde Alberto estaria preso,
onde esse filho estaria preso. A rejeição profunda,
no ventre da mãe, pode resultar em muita confusão
e senso de abandono. Então percebi que,
possivelmente, ele estaria num calabouço, por ter
sido rejeitado,1 alvo de grandes conflitos no ventre
materno. Creio que provavelmente ele não queria
sair do ventre, na hora de nascer, pois os
comentários que ele ouvia, quando ainda no ventre,
o desanimavam de sair e enfrentar a vida.

Comecei então a falar-lhe sobre a possibilidade de


ele estar preso espiritualmente, num calabouço. Foi
então que ele me disse algo que veio confirmar a
minha hipótese:

– Neuza, num dia em que fui a um acampamento de


treinamento da igreja, quando me esforçava para ser
crente, afastei-me para ficar sozinho num lugar, para
orar. Mas uma jovem irmã, considerada intercessora
por todos, passou por mim chorando.

Então eu lhe perguntei: “O que foi?” Ela me


respondeu: “Eu estava orando por você, pedindo
para que Deus o tirasse do calabouço”.

Eu não entendi nada, e ela continuou o seu trajeto;


não pude conversar com ela, e ficou por isso
mesmo. Mas, agora, você me diz que eu estou num
calabouço!

Alberto se dispôs a acabar totalmente com o seu


cristianismo de fachada. Ele entendeu que somente
entregando de fato sua vida, sem reservas, ao
Senhor, ele seria abençoado.

Então prosseguimos com a sua ministração.


Foi feita uma oração pedindo perdão pelos pecados
que ele havia praticado (especificando cada um
deles), e também pelos pecados de seus pais. Os
guardiães que o prendiam foram amarrados, ou seja,
os espíritos de rejeição, de engano, de falsidade, de
morte, de abandono, de esquecimento, de culpa, de
medo, de bastardia, de falta de propósito na vida...

Ele saiu daquele calabouço sendo levado por mim,


e, quando saía da prisão, ele foi dizendo:

– Estou saindo do calabouço, desta prisão onde fui


colocado. Jesus, tu és a própria chave que abre
todas as prisões. Obrigado, porque tu abristes as
portas da minha prisão.

Quando saiu, ele disse:


– Estou tonto e confuso...

É que sua mente estava sendo tratada. Sua


programação mental, seu raciocínio, estava sendo
purificado, tornando-se uma mente sadia, livre de
contaminações. Toda a sua mente estava sendo
restaurada por Deus, naquela hora. Assim, Deus
estava intervindo.

Então eu lhe disse:


– Isso faz parte do processo da sua libertação!

Ele começou a rir. Agora era um riso de mudança de


mente, era uma “metanoia”. E, assim, ele disse:

– De repente, meus pensamentos começaram a ser


postos em ordem. Gente, que coisa! Eu sou
responsável por tudo que fiz. O que fiz foi minha
escolha. Eu não sou vítima não. Eu escolhi o que
quis e fiz, porque assim quis.

E, na hora da oração, ele disse:

– Pai, perdoa-me, porque coloquei o meu pai


encurralado, forçando-o a me abençoar; mas eu
estava rejeitando e encurralando a ti. Eu te rejeitei,
eu te amaldiçoei e atribuí a ti tudo que era negativo.
Senhor, perdoa-me!

Dois instantes de arrependimento

O caso de Beatriz é outro exemplo de alguém que


foi preso num calabouço. Ela era uma de nossas
alunas. Assim que a recebi para ser ministrada,
observei que ela era uma jovem muito linda e
simpática. Com facilidade ela foi se abrindo e
falando acerca do seu problema, e foi fácil
diagnosticar que ela estava aprisionada num lugar
muito especial, num calabouço.

– Sou filha de uma prostituta – disse-me ela. –,


quando me juntei ao meu atual marido, por algum
tempo vivi bem. Na realidade, vivemos bem durante
o tempo em que não estávamos casados, e sim
amasiados. Mas, depois de nos casarmos,
oficializando o nosso relacionamento, passei a não
sentir mais nada em relação a ele; não consigo
receber amor. Nem mesmo consigo ser natural, ao
abraçar meus filhos! E, do meu marido, não consigo
receber o seu carinho e o seu amor.

Beatriz tinha sido mais uma das vítimas do abuso


sexual na infância. Assim que este ponto foi trazido
à luz, tive então que tratar dessa área de sua vida,
curando suas feridas, seus sentimentos de culpa, de
inferioridade, de medo, de sujeira, de feiura, de
burrice...

O ponto, porém, que para ela foi mais dolorido e


triste, foi a rejeição que ela sentiu quando ainda
estava para nascer. Ela ouvia sua mãe dizendo: “O
que vou fazer com esta criança, com este bebê?
Onde vou enfiar este bebê?!”

Então, ficou para mim muito claro que Beatriz


estava aprisionada num calabouço. Ouvindo o que
sua mãe dizia, ela certamente revoltou-se e recusou-
se nascer. E, assim, ela ficou aprisionada
espiritualmente naquele lugar.

Então eu lhe compartilhei a impressão que havia


tido, da parte do Espírito Santo, de que ela estava
aprisionada num calabouço. E lhe perguntei se ela
queria sair daquela prisão. Ela me respondeu:
– Eu quero sair, sim.

Então, pedimos perdão pelas circunstâncias da sua


concepção, amarrando os espíritos de sensualidade,
de lascívia, de desonra aos pais, de desobediência às
leis de Deus, de rebelião, de rejeição, de abandono e
de prostituição. Amordaçamos cada um deles e
ordenamos que saíssem e fossem enviados para o
lugar que Jesus determinasse.

Também, declaramos que tínhamos a chave para


abrir o calabouço, e retiramos Beatriz daquele lugar.
E, prosseguindo, eu disse:
– Você se vê no calabouço?
Ela disse que sim, e que estava muito frio. Beatriz
começou tremer, dizendo:
– Estou envolvida por gelo. Veja como estou gelada!
Com as mãos e os pés gelados, ela tremia de frio, e
naquela hora ouvia sua mãe dizer exatamente o que
tinha dito:

– Onde vou enfiar o meu bebê? O que vou fazer


com ele? Beatriz começou a chorar.

Então eu lhe disse que estávamos abrindo a porta


daquele calabouço e que ela iria sair. Ela tomou as
minhas mãos e começou a andar, dizendo:

– Este não é o lugar que Jesus planejou para me


colocar. Eu não fui destinada a ficar aqui. Este frio
não é para mim. Estou saindo desta prisão!

Chorando e tremendo, ela deixou-se segurar pelos


anjos, e saiu daquele calabouço. Beatriz recebeu
ainda um abraço de sua mãe, que lhe pediu perdão
pela rejeição.

Quem foi rejeitado no ventre, geralmente se


aprisiona num calabouço, sem saída, a não ser
através de Jesus.

Sou a décima segunda filha

Quando comecei ministrar Jane, num de nossos


seminários de libertação, na realidade tudo estava
muito confuso. Ela mesma não conseguia identificar
o problema que enfrentava. Jane sabia que algo
estava muito errado consigo mesma, mas não sabia
o que poderia ser. Essa irmã perguntou-me se eu
havia recebido uma cartinha sua. Sim, eu a tinha
recebido.
Nessa carta ela escreveu:

Sou uma jovem de 27 anos e estou na igreja desde


os meus 12 anos. Sempre fui muito envolvida com
as atividades da igreja. Já fui líder de jovens, líder de
célula, e auxiliar da pastora. Organizei vários eventos
chamados “encontros com Deus”. Sempre estou à
frente na organização de retiros, reuniões, e sou uma
pessoa de confiança da pastora; muitos na igreja me
têm como referência.

Pertenço a uma família mais ou menos estruturada,


mas não como a dos meus sonhos. Sei que a igreja,
da qual sou membro, me ama demais. E tenho um
namorado maravilhoso. Aos meus olhos, ele é um
grande homem de Deus. Tenho certeza de que Deus
tem um propósito para a nossa vida. No entanto,
tenho muitos conflitos e não sei por que não me
sinto uma pessoa completamente livre.

Sinto que há muitas cadeias em minha vida, em meu


ser, e quero ser livre, mas não consigo. Há certos
sentimentos em mim que eu não gostaria de sentir.
Essa situação me entristece, me traz amargura, e até
mesmo sinto que isto põe em jogo a minha salvação.
Vou relatar alguns de meus problemas:

Não consigo amar a minha família. Sinto-me fora do


lugar, sinto-me perdida no meio deles. É como se
eles não fossem a minha família. Não sinto
pertencer a ela.

Entre meus irmãos sempre houve comentários e


brincadeiras de que eu era filha adotiva. Minha
mente está muito confusa.

· Tenho dificuldade de amar as pessoas. Desejo ter


bons relacionamentos, mas não consigo. Facilmente
sinto antipatia pelas pessoas. Sou agressiva e
grosseira; quando tomo consciência, eu já disse o
que não deveria dizer.

· Tenho medo de demônios, e isso me aflige. Como


eu, que sou cristã, poderia ter medo de demônios?
Não consigo expulsá-los, embora saiba que Jesus é
maior.

· Quando fiquei sabendo que a minha mãe estava


doente, o seu diagnóstico deixou-me apavorada.
Pois ela sempre tratou de gastrite e, de repente,
aquilo virou câncer. Desde então, me persegue a
ideia de que eu também vou ser acometida de
câncer, pois, de igual modo faço tratamento contra a
gastrite. Tenho medo de que isso aconteça comigo.
Oro e rejeito esses sentimentos, mas não consigo
vencer. E isso me atormenta continuamente.

· Namoro um rapaz que é de Deus. Sinto que ele


realmente me ama, mas sou perseguida pelo
sentimento de que, no futuro, serei abandonada por
ele.

· Perdi meu pai muito cedo. Sinto carência, sinto


falta de proteção. Já procurei encontrar um pai em
Deus, mas tenho dificuldades. Não consigo chamar
Deus de Pai. Não consigo orar usando a palavra
“Pai”. Isso é terrível. Gostaria de sentir a
paternidade de Deus, mas ainda não descobri como.
Por favor, me ajude!

Quando analisei as circunstâncias em que Jane foi


concebida, pude constatar que, certamente, sua mãe
já estava cansada quando viu que ia ter mais uma
criança. Era a décima segunda filha! Ser mãe de
doze filhos é realmente um ato de muita coragem e
heroísmo. Então, perguntei a Jane se ela teria sido
rejeitada no ventre materno; afinal, não seria nada
fácil, para a sua mãe, encarar mais uma gravidez, na
idade avançada em que estava.

Sua mãe, mesmo jamais admitindo que tivesse


rejeitado a sua filhinha caçula, pode
inconscientemente ter abrigado esse sentimento. Por
certo, também passou em sua mente, como seria
essa nova gravidez, uma vez que ela já se
encontrava numa idade não tão propícia.

A mãe de Jane, possivelmente, teve dúvidas e


incertezas com respeito à sua gravidez,
considerando, pelo menos, que certamente não era
uma boa hora para ficar grávida. Então perguntei a
mim mesma: será que sua mãe pensou em abortá-la?

Será que isso aconteceu? Uma coisa sabemos: com


certeza foi muito difícil para aquela senhora, já
cansada, com tantos filhos, aceitar a chegada de
mais um bebê. Temos de considerar ainda que,
naquele tempo, sua mãe não tinha meios mais
seguros para evitar filhos, nem muitos recursos para
enfrentar aquela situação.
Jane me disse, ainda, que não estava trabalhando
nem estudando. Nada estava definido em sua vida,
tanto no trabalho, como nos estudos, nem em sua
vida sentimental. Ela não se sentia realizada nos
estudos, não se sentia parte da família, enfrentava
todos esses problemas que relatou – enfim, ela vivia
grandes conflitos.

A situação era ainda pior na área sentimental. Como


ela mesma relatou, Jane já beirava os trinta anos,
mas a sua atitude para com o namorado tinha todas
as características de uma criança que não sabe o que
quer. Ela estava em constante briga com ele. Seu
namorado, porém, com muita paciência a amava e
fazia de tudo para conquistá-la. Mas ela o
maltratava. E ela dizia:

“Não sei como ele me aguenta, pois nunca estou


contente e satisfeita com ele. Reclamo todo o tempo,
por tudo. Se ele está bem, se ele me cerca de
carinho ou tenta me abraçar, rejeito o seu abraço,
reclamo e o critico. Se ele atrasa um pouco nos
nossos encontros, eu reclamo, critico, e chego até a
xingar... Certamente é muito difícil para ele. Se ele
me ajuda, eu exijo mais; se ele não me dá atenção,
aí sim é que eu critico, brigo, falo tantas coisas, faço
escândalos. Realmente não é nada fácil para ele; ele
é bom demais para mim.”

Quanto mais eu analisava a sua história, suas


experiências e sentimentos, mais eu me convencia de
que Jane poderia estar presa num calabouço, pela
rejeição no ventre materno. Assim, decidi tirá-la de
lá. Pedimos perdão pelas circunstâncias da sua
concepção: a atitude dos pais, o conflito da mãe.

Fomos identificando os demônios guardiães que


poderiam estar acompanhando a vida dela, a fim de
impedirem que ela escapasse da prisão em que se
encontrava. Amarramos então os espíritos de
confusão, conflito, indefinição, rejeição, baixa
autoestima, esquecimento, abandono, insatisfação,
perseguição, medo da morte, frieza. Ordenamos que
todos fossem para aquele lugar determinado por
Jesus Cristo, pois ela iria sair daquele calabouço.

Eu tinha a chave para abrir aquela prisão. Eu a tirei,


agradecendo a Deus por aquele momento, pois o
anjo do Senhor a levaria para fora. Naquela hora,
Jane disse estar si vendo num lugar de muita
escuridão. Na hora de sair, viu paredes escuras, e
parecia estar saindo de um corredor estreito, pelo
qual ela tinha de passar.

Quando finalmente Jane saiu, era visível a mudança


no seu semblante: demonstrava luz, alegria. E, como
costuma acontecer, ela ficou linda! Ela parecia ter
ressuscitado. Jane realmente saiu daquela prisão, e
depois foi muito fácil prosseguir na sua ministração.
E ela teve de sair de algumas outras prisões também.

Um dos pontos cruciais do seu problema foi a


ausência do seu pai. Ela teve que passar pela cura
dessa ferida, causada pela perda do pai quando era
bem pequena. Ela não havia recebido o carinho de
um pai. Pedi que um dos intercessores, fazendo o
papel de pai dela, a abraçasse, para que ela fosse
curada.

Aquele abraço que ela jamais recebera


anteriormente, a fez sentir-se muito amada.
Jane foi abençoada por Jesus, que a libertou e a
curou.
1 Tal como no exemplo bíblico de José, que foi rejeitado por seus
irmãos, e foi parar no fundo de um poço, figura de um calabouço
(Gn 37:24).

TESTEMUNHO 10
Aprisionamento pela
Religiosidade
“Tira a minha alma da prisão, para que louve o
teu nome; os justos me rodearão, pois me fizeste
bem.” (Sl 142:7)
Em contato com milhares de pessoas, dentro e fora
do país, fico muitas

vezes surpresa com quem o Senhor nos envia para


ministrarmos.

Um mal que atinge muitos filhos de Deus é a


religiosidade. É isso que tenho constatado. A
religiosidade é uma grande inimiga da nossa fé. Eis
aqui uma história de como a religiosidade pode
aprisionar uma pessoa e até conduzi-la para o
inferno.

Sempre me simpatizei com certa denominação,


embora não a conhecesse muito bem, e a achasse
um tanto sectária.1 Parece que, de fato, para muitos
dessa denominação, não há nenhum lugar no céu
para as ovelhas de outro aprisco.

Entretanto, como cheguei a ter experiências


agradáveis com algumas de suas congregações, e
como também havia conhecido pessoas dessa
denominação realmente convertidas e que tinham
uma vida com Deus, eu sempre a considerei como
sendo de Cristo Jesus, relegando os seus exageros a
um segundo plano.

Todavia, o testemunho de uma irmã que ministrei,


num de nossos seminários de Batalha Espiritual,
surpreendeu-me. Ela escreveu sobre essa
denominação, e falou da real situação em que se
encontrava. Ela me escreveu o seguinte:

Como lhe prometi, estou lhe enviando meu


testemunho, tal como tudo aconteceu. Por 27 anos
percorri os caminhos dessa denominação. Já li livros
que falam de suas doutrinas heréticas e de seus
costumes farisaicos. Mas a revelação que obtive é
muito mais profunda do que tudo que se tem
publicado.
Conheço cada detalhe da cartilha dos anciãos, de
suas manobras perversas e de suas práticas
sugestivas para obterem o controle e o domínio
mental dos agregados. Minha mente também esteve
cativa, mas o amor que sempre senti pelo meu
Senhor estava livre e Deus honrou o desejo do meu
coração; não me deixou frustrada. Casei-me,
constituí família, tive um casal de filhos, enviuvei-
me, e casei de novo com um homem temente a
Deus, naquela denominação. Eu era organista, assim
como a minha filha, e o meu filho era violinista,
desde os seus 9 anos.

Ninguém pode imaginar as atrocidades que se


cometem em nome de Deus dentro da nave daquela
denominação e em seus interiores. Investiguei a
denominação, e descobri, através de irmãos
delegados e policiais, que os líderes, os dominadores
dessa denominação, em sua maioria são maçons, e
muitos são homossexuais. Toda sorte de prostituição
é cometida dentro da Instituição. E o povo,
enganado, julga serem “santos zelosos e de boas
obras”. Tenho muito material para trabalhar contra
esse engano de Satanás, mas Deus ainda não me
disse nada a esse respeito. Depois que saí dela, fui
amaldiçoada a ver a obra de Deus na minha família
destruída; perseguiram-me e me proibiram, sob pena
de morte, de até mesmo passar perto do prédio da
igreja.

Minha história foi assim:

No ano de 2001, em certo dia, por volta da meia-


noite, comecei a sentir-me mal, por causa de
hiperglicemia. Meus familiares levaramme para a
emergência de um hospital a outro, pois nada parava
em meu estômago; a vida parecia querer fugir de
mim.

Depois de doze dias assim, dia e noite de um lugar


para outro, sem esperanças de ser socorrida,
finalmente minha mãe encontrou um hospital que
me abriu as portas. Uma médica falou com minha
mãe que iria me dar uma injeção para que eu fosse
para casa melhor.

Ela aplicou glicose na veia, e a diabete no meu


sangue subiu de 600 para 850%, e continuava a
subir. Houve uma acelerada hiperglicemia, e não
havia como retirar o sangue das minhas veias. Antes
mesmo de chegar ao laboratório ele coagulava,
ficando imprestável para qualquer exame.

Minhas pernas estavam frias, eu não tinha mais veia,


por onde receber soro. Não havia muito que fazer
comigo, não havia leitos nem na emergência, muito
menos na UTI. Era o meu fim!

Meu irmão (um juiz federal) importunou as


autoridades e o diretor do hospital em que eu estava,
exigindo socorro; ameaçou até processá-los e fechar
aquela unidade hospitalar, caso acontecesse alguma
coisa pior comigo. Imediatamente, o diretor do
hospital mandou que arrumassem um leito no 3º
andar da UTI e me colocassem lá de qualquer
maneira. Assim, fui medicada.

Fizeram todos os exames e fui levada para onde


havia muitos aparelhos estranhos nos quais
poderiam ler a minha frequência cardíaca e avaliar o
estrago que aquela hiperglicemia me causara.

Nem sei bem, mas dizem que sofri duas paradas


cardíacas e uma respiratória. Lembro-me de
colocarem um cateter em meu pescoço, depois de
muito me furarem, pois não havia mais veias
disponíveis em meu corpo.

Mesmo assim, conseguiram achar, e aquele cateter


dava saída a quatro tubos de soro (não glicosado ou
glicosado a 5%). Levaramme então para a UTI, às
pressas; foi um corre-corre naquele hospital.
Colocaram em mim uma sonda, vários fios
monitorando o meu coração e um balão de oxigênio,
pois eu não conseguia respirar com facilidade. Eu
estava ainda recebendo quatro soros através daquele
cateter no meu pescoço.

Eu estava toda furada, debilitada e cheia de


hematomas por causa das agulhadas que levei.
Estava tão cheia de agulhas, fios e tubos pelo corpo,
que as pessoas mal podiam me reconhecer, como eu
também mal podia me mexer ou falar.

Durante três dias fizeram de tudo para salvar a


minha vida. Mas, no último dia, sem que eu
soubesse que seria o último, aconteceu comigo um
fato inusitado, que foi “estarrecedor” e, ao mesmo
tempo, maravilhoso.

É difícil explicar, mas eu estava com medo da


morte! Eu tinha medo de morrer sem salvação! Não
sei como aconteceu, mas, num determinado
momento, eu me vi fora de meu corpo num
ambiente totalmente modificado.

Ainda era aquele quarto da UTI, mas estava


transformado e diferente; estava escuro, nebuloso e
sombrio.

Compreendi, então, que eu estava numa outra


dimensão, numa dimensão espiritual, quando, de
repente, olhei para o lado e vi o meu corpo inerte,
sem respiração ou movimento. Fiquei atônita!

Como pode?! Eu, ali em pé, diante de mim? Diante


do meu corpo? O que era aquilo? Como pode ter
acontecido? Não havia explicação; a razão não
explica, a medicina não explica, é ilógico! Eu estava
confusa e apavorada. Demorei olhando o meu
próprio corpo, sem vida – não havia fala, não havia
respiração...
Então comecei a gritar, a me bater, a chamar pelo
meu próprio nome, queria voltar à vida, queria
entrar de volta no meu corpo. Mas não havia
resposta! Muitas vezes eu me chamei e gritei o meu
nome, quantas vezes ordenei que eu abrisse os olhos
e voltasse ao meu corpo... mas nada acontecia.

Era tudo inútil, encontrava-me totalmente lúcida,


ciente de todas as minhas emoções e sentidos. Sem
que eu esperasse, senti então uma opressão maligna
sobre mim e à minha volta.

Era algo terrível: um frio intenso invadiu-me. Era


um frio mórbido, gelado; eu não podia nem
imaginar o que seria aquilo. Quando olhei para trás,
vi figuras deformadas, simplesmente irreconhecíveis.

Se você já assistiu ao filme “resident evil”, então


você pode saber do que estou falando, se bem que a
deformidade daqueles seres era pior.

O impacto que tive naquele momento foi de terror e


horror. Eu me batia e tentava fazer com que eu
acordasse, e aquele quadro não passasse de um
pesadelo. Eu me achava realmente consciente,
possuía os meus sentidos bem aguçados. Aquelas
terríveis criaturas achegavam-se a mim, davam
terríveis gargalhadas, como eu nunca havia ouvido
em toda a minha vida.

Sem compreender o que se passava, comecei a gritar


por Jesus; sim, por Jesus, o Filho de Deus! Durante
toda a minha vida eu tinha sido religiosa; sempre
procurava ser boazinha, não roubar, não matar;
sempre procurava fazer o bem; não fumava, não
jogava, não tinha vícios, não fazia nada dessas
coisas que todos fazem. E eu me justificava
achando-me santa e sem pecado, digna e
merecedora da salvação e das dádivas divinas.

Como estava enganada! Aqueles monstros


horrendos, debochando de mim, mandavam que eu
gritasse ainda mais alto por Jesus. Eu estava muito
traumatizada, mas consegui reunir forças para
perguntar seus nomes e quem eram eles e por que
eu estava ali, já que eu tivera uma religião cuja
doutrina era bem severa.

Eles me responderam, sempre às gargalhadas,


escarnecendome o tempo todo, dizendo que o nome
deles era Legião, porque eram muitos. Cada um
identificou-se mostrando suas habilidades e suas
obrigações quanto ao ser humano. Um deles
aproximou-se, dizendo ser o cabeça, uma espécie de
líder, que tinha a voz de comando para ser mais bem
entendido.

Lembro-me bem de um deles, que tinha um dos


olhos dependurados, como se tivesse sido espancado
na cabeça, pois não tinha o tampão do osso, e a
massa cefálica estava, em parte, para fora, destruída.

O todo estraçalhado veio a mim, dizendo que não


adiantava gritar por Jesus porque eu pertencia a eles
agora. Batiam-me, com toda a raiva e ódio que
sentiam por mim. Lembro-me bem de um deles que
havia sido atropelado, ou seja, era o orientador e
causador de atropelamentos. Era o que me batia
com um de seus braços. Doía muito, mas meu
desespero era maior ainda que a dor. Eu não
entendia a situação, pois sempre tinha sido bondosa,
sempre acreditei em Deus e em Jesus, o que deu
errado?

Havia alguma coisa errada nisso tudo. Os monstros


começaram a apresentar-se, um a um, e diziam que
eram os responsáveis por enviar as pessoas para os
hospitais, às emergências e aos prontos-socorros, e,
de lá, muitos já tinham o destino traçado: “o
cemitério”. Mas somente para o corpo, pois o
espírito e a alma tinham um outro endereço certo: “o
inferno”, e, de lá, não mais voltariam.

Uns deles eram responsáveis pelos atropelamentos,


outros pelos acidentes automobilísticos. Outros,
ainda, apresentaram-se dizendo que eram donos das
encruzilhadas, principalmente quando havia pedidos
e despachos para eles, através de trabalhos e
oferendas; outros diziam-se ilustres no manuseio de
armas. Eram verdadeiros franco-atiradores; outro
gabava-se de ser exímio na arte de facas e facões,
em tudo que fosse cortante. Outro era o responsável
pelo “Departamento de Suicídio”, e assim por
diante. É terrível trazer novamente à lembrança
cenas tão terríveis e escabrosas assim. O
entendimento que tive, pelo que me disseram, é que
o exército de Satanás existe. Vários demônios, cujo
pelotão, pode-se assim dizer, é chamado de legião, e
têm funções diferenciadas.
Bem, na UTI, quando falei com eles, o cabeça,
chamado Legião, disse-me que eram muitos. Eu
pude entender que era um regimento de soldados
demoníacos que obedecia à voz de um comando
principal.

Eles eram divididos e subdivididos em vários


“pelotões”, cada um com uma especialidade no
manuseio de certas ferramentas e em como exercer
seus comandos.

Assim era feito, de modo a não falharem na tarefa


de destruição de suas vítimas – cristãos e não
cristãos.

Uma coisa ficou bem clara e viva em minha mente


até agora. Hospital não é lugar para crente ir. Caso
não haja outro recurso, que esteja acompanhado de
orações intercessórias. Que crentes fiéis estejam
cobrindo essas vidas com suas orações e estejam
realmente na “brecha” por elas.

Os demônios deixavam uma marca no físico, no


espírito e na alma de cada pessoa internada naquele
hospital, nos que eram deixados para viver. Assim,
pelo que entendi, um deles era o cabeça e a voz de
comando sobre todo o regimento, composto de
divisões. Cada divisão tinha um líder, e esse líder
subdividia os demônios subalternos, que eram os
executantes das tarefas planejadas por seus
superiores.

Na verdade, o pico de destruições é realmente ao


meio-dia (a mortandade que destrói ao meio-dia).2 O
terror noturno caracteriza-se pelas visitas dos
demônios, como se fossem médicos de plantão. Nas
visitas noturnas, eles preparam as vítimas para as
despacharem pela tarde. Eu mesma, após ter tido
todo esse arrebatamento, estava aos frangalhos,
totalmente debilitada e presa no leito, um pouco
antes do meio-dia. Sei que o anjo de Deus estava ali
comigo, ajudando-me, senão eu não teria forças
para sair do leito.

O demônio que era o cabeça e o encarregado de


despachar as vítimas é um tal de “Keteb”. Posso
estar trocando as letras, mas este é o principal que
dá o direcionamento para as mortes; é como se ele
fosse “o golpe de misericórdia”. Bem, ao mesmo
tempo em que me batiam, eles cuspiam em mim,
amaldiçoavam-me e xingavam-me. Eu gritava por
Jesus, mas não havia respostas; eu sentia que estava
chegando o meu fim!

Então entendi que eu havia morrido sem salvação!


Ali estava eu, perdida para toda a eternidade!
Alguma coisa eu havia feito de errado e perdera a
salvação da minha alma! Meu Deus! E agora?
Naquele momento eu senti todo o terror da
perdição: “E ali haverá choro e ranger de dentes”.3
Entretanto, mesmo assim, eu gritava por Jesus e lhe
dizia que tinha sido lavada em seu sangue.

De repente, abriu-se ao longe um portão, e de lá


avistei monstros piores, de fisionomias mais
tenebrosas do que aqueles que comigo estavam, e
entendi que os que estavam ali me atormentando
mostraramse do jeito em que cumpriam suas ordens,
para que eu entendesse tudo na minha linguagem.

Aqueles que vinham agora a meu encontro, para


buscar-me e levar-me embora, eram de uma outra
patente, de uma ordem superior. Entendi que, no
reino de Satanás, há hierarquia, e aqueles de
fisionomia literalmente demoníaca pertenciam a um
grau mais elevado no mundo das trevas. Nesse
momento eu já estava caída no chão, sem força
alguma; até a minha voz já se achava fraca. Eu
estava perdendo a esperança; ninguém poderia agora
me socorrer.

Nessa hora, gritei ao Senhor Jesus, de novo, pela


última vez, e me arrependi de todo o meu pecado,
de todo o mal que eu havia cometido; me arrependi
da minha falta de amor e misericórdia, dos anos que
passei confessando um falso cristianismo, das graves
mentiras, da religiosidade farisaica em que tinha
vivido por mais de 25 anos.

Eu me arrependi, amargamente, de me ter julgado


religiosa, a ponto de desprezar as pessoas e julgar a
todos os homens e mulheres como miseráveis e
insignificantes. Eu havia desprezado meus parentes
porque eles tinham uma crença enganosa. Desprezei
os meus vizinhos e conhecidos; e desprezei até
mesmo a minha mãe, que tanto lutou e sofreu por
mim.

Eu conhecia a “verdade”, somente a minha


denominação religiosa era o caminho certo, que
levava a Deus e eu era uma crente escolhida para
herdar os céus. Quanto orgulho e soberba por
julgar-me pertencer a um povo escolhido por Deus!
Como o meu orgulho havia me enganado! Eu já
estava sob o juízo de Deus e não sabia. Com todo o
meu ser e alma, naquele momento eu me arrependi,
verdadeiramente, de ter sido infiel ao meu Criador e
ao meu Cristo.

Achei que não havia mais perdão de Deus para mim


e era inútil suplicar-lhe a sua misericórdia, mas,
mesmo assim, confessei os meus pecados e as
minhas maldades não encobri. Chorei. Chorei
amargamente, por ter sido tão orgulhosa, religiosa e
incrédula, pois não cria em Deus pelo que Ele é,
mas sim pelo que ouvia dele ou pelo que Ele me
proporcionava.

Eu buscava a bênção, não o abençoador. Diante do


império das trevas eu estava sendo massacrada e
ofendida com o mais baixo palavreado, e não me
importava com o que fosse me acontecer; o que eu
queria era arrepender-me.
Aqueles outros seres, de aspecto mais estarrecedor,
aproximaram-se. Foi nesse momento que dei mais
um grito e clamei ao meu Senhor Jesus, e não me
rendi à condição de perdida e não abaixei a cabeça
num sinal de entrega, mas gritei mais ainda, pedindo
misericórdia a Deus, que Ele me salvasse.

Lembro-me de que, quanto mais eu clamava


naquela hora por Jesus, mais os demônios ficavam
furiosos e odiosos, me maltratavam e diziam: “Não
adianta chamar por Jesus, você já é nossa”. De
repente, porém, antes que lançassem mão sobre
mim e me arrastassem para o inferno, aconteceu
algo com aqueles seres estarrecedores, que se
aproximavam de mim. Eles pararam e olharam para
o alto.

O pavor que havia em mim mudou de lado; agora


eram eles que estavam estarrecidos. Quando
também olhei para o alto, vi uma escada descendo
como um tapete, desenrolando-se até chegar a mim.
Olhei para os demônios e eles se afastaram, soltando
urros de medo e de raiva. Eu estava no chão, toda
suja, babada, cuspida e ensanguentada.
Meus cabelos eram só gosmas, pois eles me cuspiam
o tempo todo. Então olhei para cima e surgiu um
varão, todo de branco, descendo aquela escada,
degrau por degrau, até o último, onde eu me achava,
jogada no chão. Ele era de uma beleza tão excelente
e o resplendor era tão intenso que não há palavras
que possam expressar aquela visão tão bela!

Ao aproximar-se de mim, Ele estendeu-me a mão e


disse-me: “Vem!” Eu imediatamente estendi-lhe a
mão e levantei-me. Sua voz era muito suave. Não
me lembro se eu me levantei pelas minhas forças,
pois eu já não as tinha, ou se foi aquele maravilhoso
varão que me levantou. O que pude comprovar, ao
olhar para trás, é que não mais havia escuridão,
medo, pavor, frio, ou sombras de terror; não havia
mais nada que pudesse me fazer mal... Havia apenas
uma paz tão maravilhosa e inexplicável!

Eu subia, olhando em seu rosto. Sabia que estava


protegida e amparada. Eu só queria entender quem
Ele era, e por que estava ali comigo.

Também achei interessante que, enquanto subíamos,


Ele se apresentava de terno; em outra hora, de
vestes e túnicas longas e brancas. Continuamos a
subir e chegamos a um lindo jardim. Posso dizer,
com clareza, que aquele lugar era de uma paz tão
profunda que, tenho certeza, o homem natural
jamais conheceu.

No meio do jardim, havia uma fonte de águas


cristalinas; parecia cristal, mas, ao balançarmos com
as mãos, elas se moviam. Sentamos num banco e
observei que havia um portão que separava aquele
jardim de uma cidade lá ao longe, e esse rio
atravessava aquele portão e passava pelo meio
daquela cidade, e brilhava como ouro.

O anjo de Deus explicou-me que eu não podia


passar pelo portão, pois ainda não era chegado o
tempo, e ninguém podia entrar naquela cidade. Ela
estava vazia, só aguardando o dia e a hora de
receber seus habitantes reais.

Depois de uma longa conversa, o anjo de Deus me


disse que era chegada a hora de partir. Eu retruquei
e disse que não queria voltar; ali havia tanta paz!

Havia bondade, havia amor! O ar era repleto de paz;


tudo era tão maravilhoso e sublime, tão puro e tão
reluzente! Mas o varão que estava comigo disse-me
que eu não podia permanecer ali porque ainda não
havia chegado a minha hora, e eu ainda tinha uma
missão a cumprir.

Ele mandou que eu descesse, e eu disse: “Senhor, lá


embaixo só há tristeza e dor; o diabo está levando
milhões para o inferno, destruindo vidas, matando e
roubando almas; o teu povo está sendo combatido.
Eu não quero voltar, deixe-me ficar”.

Mas Ele me disse:


“Seja fiel até a morte, e você terá a coroa da vida, a
sua coroa a espera, vá, e seja fiel.”4

Antes mesmo que eu soltasse uma palavra, eu me vi


voltando ao meu leito no hospital, numa agonia
respiratória, tentando respirar para viver. Voltei a
respirar e o oxigênio entrou novamente em meus
pulmões.

Da minha cama, olhei para a janela e pude avistar


que o dia estava nascendo, e eu precisava sair dali.
Era chegado um novo dia! Um novo tempo em
minha vida!

Oh... glórias a Deus, encontrei o meu Senhor! Deus


me salvou da morte e me deu graça na UTI daquele
hospital.

Deus virou uma página da minha vida e escreveu


uma outra história, um outro futuro com letras de
sangue, o sangue de Jesus Cristo, seu Filho.

Entendi que, naquela cruz, no Calvário de dor, onde


Jesus derramou a sua vida, Ele escreveu a minha
história de perdão. Hoje, em minhas veias, o que
corre é o sangue de Jesus; não sou eu mais quem
vivo, mas Cristo vive em mim.5

Saiba que somos um espírito, temos uma alma


(nossa mente, intelecto e vontade) e vivemos num
corpo. O nosso espírito é eterno, ele veio de Deus e
para Ele deveria voltar, mas o homem tem escolhido
o seu próprio caminho, e a sua escolha tem sido os
prazeres do mundo, a falsa religiosidade, a falsa
piedade, e o pecado.

Durante 25 anos fui religiosa, mas não cristã.


Aqueles seres tenebrosos eram demônios que me
lançaram em rosto toda a minha religiosidade e
incredulidade. Então entendi que o Cristianismo não
tem nada a ver com dogmas, nem com costumes,
nem com roupas, nem com protocolos, nem com o
modo de falar ou de vestir-se.
Não!... É muito mais do que isso!

O Cristianismo é vida abundante com Cristo, é


liberdade, é amar, é doar-se, é entregar-se, é ter uma
palavra de conforto, de compaixão, é uma tábua de
socorro em tempos de tempestade, é dizer para o
próximo: Eu te amo!

Eu sofri a pior tortura que um ser humano pode


sofrer: sentir que está perdido, sem salvação, que
tudo acabou, e que só lhe resta o inferno para viver
a eternidade, tendo a sua consciência e o seu juízo
perfeitos; sim, o corpo voltará ao pó, mas a nossa
alma e o nosso espírito irão passar a eternidade no
céu ou no lago de fogo – você é quem escolhe. Você
terá todo o domínio sobre a sua consciência, e
saberá que você está ali porque a escolha foi sua!
Escolha o melhor! A escolha é sua! Em vida é que
decidimos para onde queremos ir após a morte.

Não se engane! Quando saí daquele hospital, tive


uma nova compreensão do que é ser cristão! E não
queira, você, passar por uma experiência como a
minha, para confirmar que é verdade, pois poderá
acontecer o pior, pode ser que você não volte; por
isso, faça a sua escolha enquanto você está vivo!
Deixe Cristo cuidar da sua vida, da sua casa, da sua
família, dar-lhe carinho, amor, tudo que o mundo
lhe negou; deixe-o cuidar das suas feridas e dores,
deixe que Ele seja Senhor de toda a sua vida.

Entregue a Ele o seu caminho, e peça que Ele seja o


seu Senhor e Salvador pessoal. Só mesmo quem
passa por uma experiência assim, tal como eu passei,
é que poderá entender e avaliar o quanto nos custará
uma vida cheia de enganos e pecados.

E quando lhe pedirem a sua alma? O que você terá


em depósito? Qual será a sua justificativa? Não há
reencarnação. Está destinado ao homem morrer uma
única vez, vindo, depois disto, o juízo.6 Não existe
purgatório; velas e preces não irão purificar nem
iluminar a alma de ninguém, o que fizermos aqui,
em vida, de bem ou de mal, irá nos acompanhar por
toda a eternidade.

Somente encontraremos perdão em Jesus Cristo,


pois em nenhum outro há salvação.7 Somente Jesus
poderá apagar todo o nosso pecado, restaurar a
nossa vida e nos dar a vida eterna em glória, no céu.

“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a


verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por
mim.” (João 14:6)
1 Religião sectária é aquela que se diz ser a única que leva as
pessoas a Deus.
2 Salmo 91:6; “Keteb” é “mortandade, destruição”, no hebraico.
(N.E.)
3 Lc 13:28.
4 Ap 2:10.
5 Gl 2:19.
6 Hb 9:27.
7 At 4:12.

TESTEMUNHO 11
Aprisionamento por
Falta de Perdão: Cur a
Física
“Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu leito, e
anda”. (Jo 5.8)

Foi em um de nossos seminários de libertação e cura


interior, que este testemunho ocorreu. Em quase
todos os seminários, quando estou presente, eu
ministro a palestra com o tema “Libertando-se de
prisões espirituais”, onde conto os casos sobre
aprisionamento espiritual.

Antes de subir para o palco, eu avistei de longe um


senhor com andador, e disse em meu coração:
“Deus, o Senhor irá curar este homem, não vai”? E,
dei início a minha palestra.

Depois de alguns dias, eu recebi um e-mail, sobre o


testemunho daquele senhor, e como Jesus o curou
fisicamente!
Ap. Neuza Itioka!

Meu nome é Alexandre Mesquita Furtado, tenho 51


anos, sou pastor batista, consagrado através da
Convenção Batista Nacional (renovada), professor,
casado, pai de uma jovem de 22 anos, congrego
hoje na Igreja Apostólica e Profética Casa do Pai,
em Cabo Frio, cujo Apóstolo é Gesié Azevedo.

Meu objetivo em lhe escrever é, primeiramente,


testemunhar com mais detalhes o que a senhora
presenciou no Seminário de Batalha Espiritual,
ministrado aqui em Cabo Frio no último fim de se-
mana, onde fui agraciado por Deus com cura do
corpo e da alma.

Em 27 de fevereiro deste ano, por ocasião do meu


aniver-sário, jantava com meus pais, minha esposa
e minha filha em um res-taurante, quando sofri o
segundo AVC. O primeiro ocorreu há seis anos, em
sala de aula, enquanto me aborrecia com um
aluno. Este me deixou uma sequela na perna e
exacerbou um problema congênito no meu pé
esquerdo, uma anomalia.

Agora o segundo, fui levado mau ao hospital onde


estive em U.T.I. por cinco dias. Passei quase seis
meses em cadeira de rodas a

[ T11 – Aprisionamento por Falta de Perdão: Cura


Física ]

princípio com todo o lado esquerdo paralisado; e


dois meses com andador. Há muito o que contar,
mas não vou me alongar.

Quando neste seminário fui curado, creio que


primeiro da alma, com o perdão liberado a quem
me fez muito mal. Em seguida do corpo. Ouvi o
Senhor falar a Sua Palavra que está em Mc 2.11
“levanta, pega tua cama e anda”. Falei com minha
esposa que perguntou: “Você tem certeza?” Disse
sim e andei, e quando foi dada a oportunidade a
testemunhar a frente, fui, como a senhora sabe.

O que não sabe é que no dia seguinte, estava


agendada mi-nha perícia no DETRAN, na Gávea,
Rio de Janeiro, onde seria atestada minha
deficiência física, sendo alterada assim minha
carteira de habi-litação, e também dado entrada no
processo que se estenderá à Receita Federal, para
que eu possa comprar uma carro automático (que
é o que eu posso dirigir por falha na perna
esquerda). Neste caso, há isenção total de impostos
que reduz o valor que varia entre 35 a 38% de
descon-to na compra. E agora? Eu e minha esposa
falamos com Deus. Tomei a seguinte decisão: Deus
me tirou deste andador, não vou voltar para ele!
Vou à perícia, levarei ele juntamente com exames e
laudos e direi que até o dia anterior o usei, mas
agora poderia andar, e se os médicos pe-ritos
achassem que ainda assim receberia tal benefício,
bem, caso não, andaria em meu carro velho, que
minha esposa dirige para mim, mas desceria dele
andando, agora plenamente. E foi o que aconteceu.
Fui e recebi este benefício!
Deus me levou do uso da bengala à cadeira de
rodas, para me por de pé sem ajuda de nenhum
apoio! Ando normalmente para honra e para a
glória do Senhor!

parte 5
Tipos de
Aprisionamento
Espiritual
capítulo 12
Como as Pessoas se
Aprisionam?
“Todo aquele que não observar a lei do teu Deus e
a lei do rei, seja condenado ou à morte, ou ao
desterro, ou à confiscação de bens, ou à prisão.”
(Ed 7.26)
Como as pessoas se aprisionam? É a pergunta que
fazemos quando, numa ministração de libertação,
deparo-me com um caso de possível aprisionamento
espiritual. As causas do aprisionamento podem ser
muitas. A escritura acima nos mostra que a quebra
da lei de Deus leva ao aprisionamento.

Ao longo deste livro, creio que muitas dessas causas


foram claramente expostas – os envolvimentos com
o pecado, as feridas de alma, os pactos realizados, e
, creio, o leitor deve ter constatado muitas e muitas
causas que levam uma pessoa a ficar aprisionada
espiritualmente. Como você pôde constatar, muitas
delas podem estar ligadas a traumas terríveis, que
marcaram a vida da pessoa.

Se, por exemplo, a pessoa declarou: “Nunca mais


vou chorar, não vou demonstrar que estou
sofrendo...”, ela pode ter cauterizado o seu
sentimento, mas, mesmo assim, pode estar presa em
algum lugar, onde ocorreu o trauma pelo qual
passou. O trauma pode ter sido causado por abusos
sexuais, por molestação sexual contínua; pode ter
ocorrido abuso e violência; e pode ter sido também
por presenciar a morte de alguém...

Outras causas de aprisionamento ocorrem ainda pela


idolatria ao casamento (a pessoa fica amarrada no
casamento); e também por experiências
paranormais, como viagens astrais. Além dessas,
também são causas a consagração a ídolos do
catolicismo (como foi o caso daquele irmão
consagrado a São Sebastião), e, por certo, também
os pactos com as entidades demoníacas da feitiçaria.
Muitas pessoas até mesmo “se refugiam na prisão”
em que estão, como é o caso que vou apresentar a
seguir.
Sofrimento e Dor no Ventre Materno

Os sofrimentos e traumas, que aprisionam


espiritualmente, podem ter origem já no ventre
materno. De minha experiência, sei de casos de
pessoas que não queriam nascer, porque, quando
estavam ainda no ventre, houve comentários
dizendo que elas não eram bem-vindas. O bebê
“ouviu” tudo que os irmãos, os familiares e os
amigos da família disseram:

“Este bebê chegou na hora errada.”


“Este bebê não tem pai.”
“Ninguém sabe quem é o pai.”
“O pai não quer reconhecê-lo.”
“Ele não deveria vir.”

A pessoa nasce e aparentemente vive uma vida


normal, mas fica espiritualmente presa no ventre
materno. Há casos difíceis de serem libertos dessa
prisão. O bebê recusa-se a nascer na hora de vir à
luz, pois quer ficar no ventre materno, no local de
aconchego e de segurança – sabendo que fora dele
encontrará pessoas que não o querem. O bebê, que
percebe a rejeição e vive esse sentimento, dá as
costas à vida, e procura fugir dela, escondendo-se e
recusando-se a nascer. Ele não quer arriscarse a
nascer. Assim, aquele ser não tem uma vida plena. A
pessoa não vive, vegeta: enterra todos os seus
talentos, nada rompe em sua vida, nada sente, não
consegue se comunicar-se.1

“O ladrão vem somente para roubar, ma-tar e


destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham
em abundância.” (João 10.10)

Quando a mãe se revolta contra Deus por ter


engravidado, abre a maior porta para Satanás, e,
assim, o diabo tem direito legal para roubar a pessoa
que foi gerada, aprisionando-a espiritualmente. Se o
bebê é rejeitado, acontece algo terrível: ele é
adotado por um espírito. Pode ser um espírito que
atua no meio esotérico, ou no baixo espiritismo, ou
qualquer entidade espiritual. Este assunto será
abordado mais extensivamente nos capítulos
seguintes.

Muitos ficam como que enterrados, por não


suportarem a dor da realidade. Como vimos, quando
enfrentamos a morte dos queridos, muitos de nós
desejamos nos enterrar com a pessoa amada, porque
a separação é demasiadamente dolorosa. E este
desejo intenso transforma-se numa realidade, e
assim a vida para a pessoa torna-se paralisada.

Ela pode “vegetar” no sentido de comer, dormir –


mas não se realiza como profissional, nem como
marido ou esposa, nem como filho ou filha. Para
fugir da realidade, que lhe é tão cruel e insuportável,
a pessoa deseja morrer.

Palavras podem aprisionar vidas. Observações,


afirmações, palavras de julgamento e de condenação
podem aprisionar – quer provenham dos pais, dos
avós e até de outras pessoas. É o que aconteceu no
caso que passo a narrar agora.

Filho da Dificuldade

Carlos era um irmão em Cristo muito dedicado e


disposto a seguir a Deus. Era alguém muito sério em
tudo o que fazia. Um dia, porém, constatou que a
sua vida era cheia de dificuldades: no emprego, nos
relacionamentos, em assuntos de pouca e de muita
importância.

Por exemplo, quando ele comprou um carro, era


problema atrás de problema. Mês após mês o carro
apresentava algum defeito. Ele tinha que gastar uma
boa nota pelos consertos, e sempre surgia algum
reparo a fazer, uma peça a trocar, um vazamento, e
assim por diante.

Um dia, seu carro parou, mais uma vez, em pleno


trânsito. Ele foi para o acostamento e ficou ali,
parado, sem saber o que fazer. Então, Carlos
lembrou-se de que havia trazido consigo uma carta
que recebera de sua mãe, que ele não tinha tido
tempo para ler.

Ali parado, sem saber o que fazer, ele pegou aquela


carta e a abriu. E viu que era uma carta em que ela o
cumprimentava pelo seu aniversário. Além de outras
palavras, até mesmo cheias de carinho, sua mãe lhe
escreveu:

“Meu filho, você foi o filho da minha dificuldade,


mas eu o amo muito.”

Naquele momento, a frase “você foi o filho da


minha dificuldade” chamou a sua atenção. Sua mãe
quis dizer que foi com muita dificuldade, numa
circunstância difícil, que o teve.

Mas Carlos, ali no carro, declarou para si e para


Deus: “Eu não sou filho da dificuldade, de jeito
nenhum. Quebro o poder destas palavras; não aceito
ser filho da dificuldade!”.

Surpreendentemente, ditas essas palavras, o carro


começou a funcionar. E, naquela semana, ele
encontrou o emprego que estava procurando, tendo
que escolher um dentre três propostas de empresas
diferentes que o queriam contratar. E ficou bastante
tempo com aquele trabalho. As dificuldades
costumeiras desapareceram.

Carlos havia ficado preso naquela frase de sua mãe,


que possivelmente havia sido declarada por ela
desde quando ele nasceu.

Um Momento e um Lugar
Toda prisão espiritual caracteriza-se por relacionar-
se com um determinado momento e um certo lugar.
Para identificá-los, temos de ter a direção do
Espírito de Deus.

Além disso, John Sandford2 sugere que façamos


algumas perguntas chaves, que podem nos ajudar a
detectar se estamos presos, e o momento e lugar de
nossa prisão espiritual. Vou transcrevê-las a seguir,
com leves adaptações.

· Você já se sentiu vazio, como se algo estivesse


faltando?
· Você já se sentiu profundamente solitário, sozinho,
não sabendo onde estava, mesmo no meio de uma
multidão?
· Você se sente perseguido, atormentado, afligido,
quando aparentemente nada o está afligindo?
· Você já percebeu que há talentos, poderes e
energias que você não consegue usar?

· Você sente haver um bloqueio, deixando as coisas


longe de você?
· Você já se sentiu interiormente perdido e inútil,
quando, na aparência, tudo estava indo bem? Você
já sentiu que há problemas e perigos ao seu redor,
quando tudo parece estar bem e seguro?

· Você tem uma ira incontrolável (ou quase) dentro


de você?

· Você se torna furioso com alguma coisa? (A pessoa


fica furiosa contra as correntes que o aprisionam.)
Você tem dificuldade em permanecer acordado e
acompanhar um culto ungido e vivo?

· Você já sentiu tontura no culto?


· Você tem dislexia?3
1 Sanford John, The Healing the Wounded Spirit; p. 152.
2 Sandford John, Healing the Wounded Spirit; Victory House,
1985, p. 152.
3 Distúrbio na capacidade de leitura e no aprendizado.

capítulo 13
Cidades e nações
aprisionadas
“Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são
toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos
ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança;

estamos de todo exterminados. Portanto, profetiza


e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que
abrirei
a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo
meu, e vos trarei à terra de Israel. Sabereis que eu
sou o Senhor, quando eu abrir a vossa sepultura e
vos fizer sair dela, ó povo meu. Porei em vós o meu
Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa
própria erra. Então, sabereis que eu, o Senhor,
disse isto e o fiz, diz o Senhor...”
(Ezequiel 37.11-14)
Cidades e nações também podem ser aprisionadas.
Da mesma forma como as pessoas podem ser
aprisionadas e paralisadas na sua vida espiritual,
também cidades, vilas e nações podem estar presas
espiritualmente.

O aprisionamento, neste caso, é decorrente dos


pecados de seus descobridores, colonizadores,
nativos, governadores e habitantes, e pode ter
origem ainda na consagração feita para as entidades
espirituais, nos pactos que os governadores tenham
feito com determinados ídolos, no poder da
feitiçaria, em traumas de guerra e de conquista, e no
derramamento de sangue.

Há cidades que se aprisionaram por uma palavra de


maldição que foi lançada por autoridades espirituais,
religiosas. Este foi o caso de uma cidade do estado
de São Paulo. Quando essa cidade foi abandonada
por um pároco, um sacerdote romano, ele saiu dela
amaldiçoando-a, declarando que ela nunca
prosperaria. A cidade ficou aprisionada por aquela
palavra e passou a apresentar evidências de uma
cidade paralisada, pobre, e, na realidade, ainda hoje,
nem o comércio, nem os negócios, nem a educação
prosperam.

A Palavra de Deus atesta que nações são


aprisionadas:

“Afundam-se as nações na cova que fizeram, no


laço que esconderam, prendeu-se-lhes o pé. Faz-se
conhecido o Senhor, pelo juízo que executa;
enlaçado está o ímpio nas obras de suas próprias
mãos. Os perversos serão lançados no inferno, e
todas as nações que se esquecem de Deus. Pois o
necessitado não será para sempre esquecido, e a
esperança dos aflitos não se há de frustrar
perpetuamente.” (Sl 9.15-18)

O Aprisionamento de Israel

Israel teve o seu aprisionamento através do exílio.


Bem antes de tornar-se um país, Deus já dizia ao
povo nômade, que andava pelo deserto conduzido
por Moisés, que o Senhor estava fazendo um pacto
com eles, e eles seriam abençoados, pois o Senhor
os amaria, os honraria e lhes daria do bom e do
melhor. Ele faria a guerra por eles e não haveria
enfermidades nem doenças em seu meio. No
entanto, se eles persistissem em cometer pecados,
seriam julgados e levados ao cativeiro, para uma
terra estrangeira.

Assim lhes havia dito o Senhor:

“Se atentamente ouvires a voz do Senhor, teu Deus,


tendo cuidado de guardar todos os seus
mandamentos que hoje te ordeno, o Senhor, teu
Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra. Se
ouvires a voz do Senhor, teu Deus, virão sobre ti e
te alcançarão todas estas bênçãos: Bendito serás tu
na cidade e bendito serás no campo. Bendito o fruto
do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos
teus animais, e as crias das tuas vacas e das tuas
ovelhas. Bendito o teu cesto e a tua amassadeira.
Bendito serás ao entrares e bendito, ao saíres. O
Senhor fará que sejam derrotados na tua presença os
inimigos que se levantarem contra ti; por um
caminho, sairão contra ti, mas, por sete caminhos,
fugirão da tua presença. O Senhor determinará que
a bênção esteja nos teus celeiros e em tudo o que
colocares a mão; e te abençoará na terra que te dá o
Senhor, teu Deus. O Senhor te constituirá para si em
povo santo, como te tem jurado, quando guardares
os mandamentos do Senhor, teu Deus, e andares
nos seus caminhos. E todos os povos da terra verão
que és chamado pelo nome do Senhor e terão medo
de ti.

O Senhor te dará abundância de bens no fruto do


teu ventre, no fruto dos teus animais e no fruto do
teu solo, na terra que o Senhor, sob juramento a
teus pais, prometeu dar-te. O Senhor te abrirá o seu
bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no
seu tempo e para abençoar toda obra das tuas mãos;
emprestarás a muitas gentes, porém tu não tomarás
emprestado.

O Senhor te porá por cabeça e não por cauda; e só


estarás em cima e não debaixo, se obedeceres aos
mandamentos do Senhor, teu Deus, que hoje te
ordeno, para os guardar e cumprir. Não te desviarás
de todas as palavras que hoje te ordeno, nem para a
direita nem para a esquerda, seguindo outros deuses,
para os servires.” (Dt 28.1-14)

A advertência de Deus ao seu povo foi que, se o


povo persistisse no pecado, na desobediência,
certamente Deus tomaria uma providência: o povo
seria levado ao cativeiro. O Senhor deu total
liberdade para eles escolherem: ou obedeceriam e
seriam abençoados, ou desobedeceriam e seriam
amaldiçoados:

“Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a


maldição: a bênção, quando cumprirdes os
mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos
ordeno; a maldição, se não cumprirdes os
mandamentos do Senhor, vosso Deus, mas vos
desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para
seguirdes outros deuses que não conhecestes.” (Dt
11.26-28)

Assim, dentro do contexto dos castigos aos


desobedientes, conforme Deus havia alertado
aqueles que não levassem a sério suas palavras, Ele
declara:

“O Senhor te levará e o teu rei que tiveres


constituído sobre ti a uma gente que não conheceste,
nem tu, nem teus pais; e ali servirás a outros deuses,
feitos de madeira e de pedra. Virás a ser pasmo,
provérbio e motejo entre todos os povos a que o
Senhor te levará.” (Dt 28.36 -37)
Essa advertência foi feita dentro do contexto das
promessas que Deus apresentou ao seu povo, pouco
antes da travessia do rio Jordão, antes de entrarem
na terra prometida. O povo de Israel havia recebido
de Deus a promessa de que ele seria um povo
peculiar: reino de sacerdotes, e ainda, como povo
escolhido, era o povo da aliança.

O Senhor prometeu amá-lo, honrá-lo, dar-lhe do


bom e do melhor da terra. Deus tomaria como
sendo dele as guerras de Israel, e cuidaria dos seus
inimigos, isto é, Ele faria a guerra por seu povo e
traria a vitória.1 O Senhor abençoaria a nação de
forma que tudo o que ela fosse realizar seria bem
sucedido. Havia, porém, uma condição, a fidelidade
em ouvir a Deus e cumprir os seus mandamentos.

O Senhor apresentou também a seu povo a


possibilidade de escolha entre a vida e a morte; pela
obediência, o povo alcançaria a vida, mas, pela
desobediência, seria alcançado pela morte. Neste
caso, destruição e muito sofrimento acompanhariam
a nação. E um dos castigos a que o povo estaria
sujeito era o exílio. O povo rebelde seria levado
prisioneiro, para outras terras, para ser humilhado.

O cativeiro foi precedido pela invasão dos inimigos,


que, vencendo o povo de Deus, os levaram cativos e
escravizados. A nação foi obrigada a viver
literalmente aprisionada, numa situação de
escravidão.

A história de Israel é a história da contínua libertação


e conquista do povo judeu, por Deus, libertando-o
dos seus dominadores e dos seus inimigos. Sua
história começa com Moisés, libertando o povo da
escravidão de Faraó. O povo viveu dias difíceis, de
opressão pelo governo egípcio. Era um
aprisionamento numa terra de trabalho escravo,
forçado, sem dignidade, sem ser reconhecido como
o povo escolhido por Deus, o povo da promessa.

Por isso, a história do êxodo é a história da


libertação de um povo. Os 400 anos de vida no
Egito fizeram de Israel um povo aprisionado,
debaixo da mão de ferro de seus governantes. Ele
foi condicionado a subjugar-se, a trabalhar forçado,
sem poder rebelar-se ou sonhar em ser
independente. Seu espírito foi treinado para ter uma
mente passiva e uma atitude escrava. O espírito
murmurador, insatisfeito, que desconfia sempre do
seu líder era a marca de Israel.

Por isso, apesar de saírem do Egito, o espírito de


escravidão os acompanhou, ao longo da sua jornada,
na travessia do deserto, durante todo o tempo. Deus
permaneceu seguindo povo, descendentes de Israel,
passo a passo. O espírito de murmuração, porém,
manifestava-se no murmúrio, no inconformismo, na
saudade das cebolas e pepinos egípcios e nas
rebeliões e acusações ao líder.

Deus fez com que o povo ficasse 40 anos andando


pelo deserto para libertá-lo desse espírito de
escravidão. O deserto foi um período de teste, de
provação. Deus quis que o próprio povo se
conhecesse, e assim o fez, durante a travessia das
terras áridas do deserto. E lhes disse:

“Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o


Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes
quarenta anos, para te humilhar, para te provar,
para saber o que estava no teu coração, se
guardarias ou não os seus mandamentos. Ele te
humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com
o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o
conheciam, para te dar a entender que não só de
pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da
boca do Senhor viverá o homem. Nunca envelheceu
a tua ves-te sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes
quarenta anos. Sabe, pois, no teu coração, que,
como um homem disciplina a seu filho, assim te
disciplina o Senhor, teu Deus.” (Dt 8.1-4)

Aparentemente, o povo não entendeu a promessa,


nem nela creu. Pior de tudo, não levou a sério a
advertência da possibilidade do cativeiro, do exílio,
se continuasse a desobedecer. Deus, na sua infinita
bondade e longanimidade, diversas vezes enviou
profetas para advertir o povo de Israel. Profetas
como Ezequiel, Isaías, Sofonias e Jeremias o
exortaram repetidamente, profetizando e
apresentando uma palavra de juízo. Mas o povo de
dura cerviz escolheu não ouvir os enviados de Deus.

O Aprisionamento do Brasil
Num momento de intercessão, Deus nos mostrou
que esta nação, o Brasil, encontrava-se
espiritualmente aprisionada. Este país aprisionou-se
pela idolatria, pela feitiçaria e pelas ofensas e
abominações cometidas contra o próprio Criador.
Foram inúmeros os pecados, houve muito
derramamento de sangue e muitos pactos foram
feitos com entidades diabólicas. Os colonizadores,
que vieram de Portugal, entregaram esta nação à
idolatria da Rainha dos Céus. Bem antes disso, a
feitiçaria feita pelas tribos indígenas, os primeiros
habitantes desta terra, também havia aprisionado a
nação.
A feitiçaria caseira e popular que se mesclou com o
Catolicismo, a feitiçaria do Kardecismo e sua
mistura com os orixás africanos, e a corrupção
desavergonhada que acontece desde os primeiros
anos da nossa história, foram fatores que
acarretaram o aprisionamento do Brasil. A
corrupção, em especial, remonta aos primeiros
comerciantes de madeira, de ouro, de pedras
preciosas. A coroa portuguesa recebia somente 35%
do que era explorado; o resto, ou seja, a maior
parte, era roubada por atravessadores.
Assim, Deus nos revelou que era necessário fazer
um ato profético para tirar, ou para começar a tirar,
o Brasil de sua prisão espiritual. A visão que o
Senhor nos deu foi que nosso país parecia estar
fechado num caixão, como se estivesse numa urna
funerária. Assim, em concordância com os
dirigentes de um Congresso de Guerra Espiritual,
resolvemos realizar um ato profético para tirar a
nossa nação deste aprisionamento: para retirar o
Brasil de sua sepultura espiritual.

Isso aconteceu no ginásio do Palmeiras, em São


Paulo, no ano de 2005, no XII Congresso de Guerra
Espiritual, que reuniu cerca de 4000 pessoas. Numa
das noites do evento, dois pastores seguraram uma
caixa preta, onde simbolicamente o Brasil estava
enterrado. A caixa era feita de papelão e continha
um mapa do Brasil, representando o fato de que a
nossa nação estava espiritualmente aprisionada ali.

Os dois pastores que seguraram a urna que mantinha


a nossa nação aprisionada tiveram uma experiência
marcante. Posteriormente eles disseram que a “urna”
começou a pesar tanto e tanto que os dois não
aguentavam suportar o seu peso. E comentaram:

“Aquele peso sobrenatural só poderia estar


revelando o enorme peso espiritual do Brasil!” Para
iniciar o ato profético, foi feita uma oração de
pedido de proteção a todas as 4000 pessoas
presentes, bem como a todas as famílias, ministérios
e igrejas ali representados, proibindo qualquer
retaliação contra qualquer dos participantes daquele
ato. Algo muito extraordinário estava sendo
realizado, que não podemos nem avaliar, como
comentou um profeta e apóstolo:

“Um ato profético realizado, sob orientação de


Deus, é uma bomba no mundo espiritual.”No
momento do ato profético, também uma pastora,
que tem o dom de profecia, disse ter tido uma das
visões mais sérias da sua vida. Assim ela
compartilhou:

“Durante o ato profético, tirando o Brasil do


aprisionamento, Deus me deu uma visão muito
séria. Verifiquei que existe uma caverna enorme de
aprisionamento, embaixo do nosso país. Toda a
Igreja estava dentro dessa caverna. Existia um
desânimo geral no meio desse povo aprisionado, e
pouco se vê de transformação legítima. Enquanto o
apóstolo Hudson estava orando, pedindo perdão
pelos pecados do Brasil, eu me tornei uma águia e
voava. Então fui para dentro da caverna e avisei a
todos que haveria livramento e, assim, começou a
surgir no coração de várias pessoas a esperança de
livramento e de vida abundante.”

Multidões resolveram sair de sua apatia espiritual e


começaram a trocar suas roupas antigas por roupas
limpas e, aos poucos, saíram dos túneis escuros e
foram para os grandes salões que há nas grutas.
Conforme se foi anunciando a libertação da prisão, a
multidão de pessoas aumentava e elas vinham de
todos os cantos mais escondidos e absurdos da
caverna; saíam e chegavam bem perto das aberturas
de sua saída.

O povo, porém, ainda não conseguia sair da


caverna, mas, ainda assim, dentro dela, eles
mudaram de roupa e começaram a preparar-se,
limpando-se de toda sujeira. Depois tirei as cadeias
de negros que estavam com as mãos sobre a pedra,
amarrados com correntes; retirei os índios de lugares
escuros, arranquei e tirei as suas cadeias. Todos
podiam sair da caverna. Havia muito movimento em
toda a caverna subterrânea.

Deus continuou a me dar a visão. Eu saí daquele


lugar e fiquei em cima do país, ele tinha mais ou
menos o tamanho de um campo de futebol e eu era
bem grande. Enquanto o apóstolo Hudson ainda
orava, comecei a trabalhar em cima do país,
retirando a sujeira que estava sob o solo de todo a
nação. À medida em que eu mexia no solo, descobri
que, logo abaixo da terra, havia uma enorme “rede”,
escondendo toda a sujeira debaixo do solo brasileiro.

O apóstolo Hudson ainda orava, com a


concordância de todo povo presente naquele
congresso. Enquanto isso, eu estava, com muita
força, retirando a rede do solo. Hoje entendo que a
rede apareceu como consequência dos pecados dos
líderes: os apóstolos e pastores que, sendo aqueles
que têm autoridade espiritual, aprisionaram à Igreja.

Em toda a terra havia sujeira, e comecei a limpar


com uma grande pá. E, quando a usava para retirar
os dejetos, percebi que o meu instrumento de
limpeza chocou-se com uma rede que estava a um
metro de profundidade.

Peguei a rede e comecei a retirá-la; puxava e fazia


muita força para retirá-la, entendi que essa rede
atingia todo o país; houve muito movimento em toda
a terra. Foi muito difícil retirá-la. Consegui arrancar
a rede e os anjos a levaram embora. Assustei-me
porque, debaixo da rede, havia muito mais lixo do
que na parte que ficava em cima da rede.

Havia lixo de toda espécie, lagartos por todos os


lados, sangue escorrendo, muitos ossos, imagens
quebradas. A sujeira era de grande profundidade e
tudo estava escondido pela rede. Era muito mais do
que se imaginava, e tudo estava ligado aos pecados
da nação. Conforme iam sendo retiradas as camadas
de sujeira, através da confissão, apareciam outras
sujeiras escondidas, que também foram retiradas.
Retiramos uma grande quantidade de lixo, pois era
muito, mesmo. Havia restos de mortos e muitas
outras coisas, e os anjos auxiliavam a levar tudo
embora.
Depois, com uma grande pá, tiramos a terra dura, e
assim uma terra nova foi preparada. Esta era uma
terra fértil. Descobrimos que, debaixo do solo,
existia muita riqueza escondida e que agora seria
encontrada.

Em todo o Brasil, o solo estava sendo preparado


para que agora viessem as sementes. Eu recebi uma
parte delas, em minhas mãos, e comecei jogá-las
sobre todo o Brasil, e, aos poucos, elas começaram
a brotar. A terra do Brasil, preparada, começou
brotar. Jardins estavam se formando: gramados
apareceram, árvores foram se formando e iam
crescendo.

Foi então que a terra se moveu e o solo partiu-se;


abriramse portas no chão, e escadas apareceram;
toda a Igreja aprisionada começou a aparecer sobre
a terra que estava preparada para receber o povo e
para aconchegá-lo. Foi maravilhoso ver que todas as
pessoas, que viviam sobre a terra, podiam viver
felizes, prósperas e dignas. Tudo era mais colorido e
feliz. Em tudo havia uma luz de várias cores e havia
um calor enorme e perfeito nesse lugar. Então o
Brasil entrava no processo de transformação.

Termino este ponto citando uma escritura, que bem


pode aplicar-se ao Brasil, e ao ato profético que foi
realizado no XII Congresso de Batalha Espiritual.

O texto é o seguinte:

“Não obstante, é um povo roubado e sa-queado;


todos estão enlaçados em cavernas e escondidos
em cárceres; são postos como pre-sa, e ninguém há
que os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui.
Quem há entre vós que ouça isto? Que atenda e
ouça o que há de ser depois? Quem entregou Jacó
por despojo e Is-rael, aos roubadores? Acaso, não
foi o Senhor, aquele contra quem pecaram e nos
caminhos do qual não queriam andar, não dando
ouvi-dos à sua lei? Pelo que derramou sobre eles o
furor da sua ira e a violência da guerra; isto lhes
ateou fogo ao redor, mas nisso não aten-taram; e
os queimou, mas não puseram nisso o coração.”
(Is 42.22-25)
1 Ver Deuteronômio 20.1-4.
capítulo 14
Lugares de
Aprisionamento
“E não convinha soltar desta prisão, no dia de
sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito
anos Satanás mantinha presa?”
(Lc 13.16)
Conforme fui ministrando e tirando pessoas de
prisões espirituais, depareime com situações bem
diferentes... Sim, quem está preso pode estar num
caixão, debaixo da terra, debaixo d’água,
aprisionado numa garrafa de pinga... as
circunstâncias são diferentes. Jesus mesmo, no texto
acima, tirou

aquela mulher de uma prisão de enfermidade. As


situações são inúmeras.

Diferentes Lugares de Aprisionamento

No decorrer da leitura deste livro, tive a


oportunidade de citar inúmeros casos reais de vidas
que foram libertas de prisões espirituais. Vamos
voltar a alguns dos casos já citados, para assim
compararmos os diferentes lugares de
aprisionamento.

A Pessoa pode estar Presa num Calabouço

Lembra-se da história que citei, relatada por John


Sandford, sobre Marli? Ela estava aprisionada num
calabouço e só Jesus poderia levar espiritualmente o
ministrador àquele lugar, para tirá-la de lá. Também
foram presos num calabouço, conforme já relatei:

· O pastor Augusto, cuja história encontra-se no


capítulo 6.

· Um irmão, ao qual chamei de Alberto – aquele que


não sentia a presença de Deus, e tinha sido rejeitado
–, cuja história acha-se no Testemunho 9.

· Também no Testemunho 9 há os casos de Beatriz


(filha de uma prostituta) e de Jane, ambas rejeitadas
quando estavam no ventre de sua respectiva mãe.
Casos semelhantes a estes me têm sido relatados
com grande frequência.

A pessoa pode estar aprisionada debaixo da terra.


Este foi o caso de Mércia, aquela moça que ficou
presa numa floresta de raízes, debaixo da terra,
através de uma viagem astral. Sua história acha-se
no Capítulo 11. O portal através do qual ela entrou
foi a Esfinge, no Egito, viajando espiritualmente. É
interessante esse tipo de prisão, mas ela claramente
se viu debaixo da terra. E foi de lá que ela foi
retirada.

A Pessoa pode estar Aprisionada numa


Caverna

A experiência de Bruno foi narrada no Testemunho


6. Ele tinha se envolvido com a Nova Era,
desenvolveu a capacidade de viajar espiritualmente,
e acabou indo parar numa caverna. Lá ele ficou
aprisionado, imobilizado. Ficou preso dentro de uma
caverna do submundo, ao pé da Esfinge.

Onde seria exatamente o local de sua prisão? Ainda


que não identifiquemos o local exato daquela prisão,
Bruno certamente ficou numa região de trevas:
Sheol, Abadom, ou Abismo.

Por certo não foi numa caverna do mundo natural.


Aquele lugar era espiritual; era mais uma prisão
utilizada pelo diabo para prender eternamente as
suas vítimas. O mais importante é que Bruno já saiu
de sua prisão.

Algumas pessoas são aprisionadas em


diversos lugares, e não em um só

Muitas vezes, me perguntam se podemos ficar


aprisionados em diferentes lugares. É porque, no
mundo físico, não podemos ficar em mais de um
lugar ao mesmo tempo. Mas os lugares em que
alguém fica aprisionado espiritualmente não são
lugares físicos, são situações espirituais.

Portanto, a resposta a esta pergunta é “sim”. Muitas


pessoas ficam realmente aprisionadas em várias
situações, em vários “lugares” espirituais. E, quanto
maiores forem os envolvimentos e as experiências de
traumas e de dor, o número de prisões pode
aumentar.

Para ilustrar a possibilidade de aprisionamento em


diversos lugares, além dos vários casos anteriores,
em que vimos isso acontecer (como no caso de
Carolina, narrado no Testemunho 8), vou tomar
como exemplo a vida de um rapaz, a quem
ministrei, de nome Márcio. Ele foi alguém que se
envolveu profundamente em diferentes áreas das
trevas, mas que, um dia, converteu-se a Jesus Cristo
e foi ministrado.

O caso de Márcio

Quando Márcio tinha dois anos de idade, seu pai foi


para o norte do país, e levou-o a um centro espírita.
A entidade espiritual, que lá se manifestou, declarou
categoricamente que Márcio teria uma enfermidade
nos olhos e que “ele perderia uma de suas vistas”.

Assim, a médium passou uma garrafada para que ele


se banhasse com o líquido por ela preparado. Ele
não sabia ao certo se seu pai o tinha entregado às
entidades espíritas, ou não, naquela ocasião.

Aos cinco anos, porém, uma vizinha evangélica o


consagrou a Jesus. Márcio sentiu-se tão bem e
gostou tanto dessa experiência, que começou
participar das reuniões de uma igreja evangélica,
com aquela senhora. Ele se impressionou, ainda,
com o ambiente de paz e alegria que havia entre os
crentes, e ainda sentiu-se muito amado. Ele gostava
de cantar para Jesus e confessou que aquele período
da sua vida foi muito bom, alegre e feliz.

Seu pai, como gostava de beber e de ter casos com


mulheres, frequentava boates para divertir-se.
Acontece que, um dia, começou a levar também o
filho Márcio, que assim começou a imitar o pai e
acabou bebendo bebidas alcoólicas e prostituindo-se,
muito precocemente. E desviou-se totalmente da
igreja.

O aprisionamento de Márcio no ritual da


feitiçaria

Mais tarde, Márcio começou a frequentar o


espiritismo, e o pai de santo lhe disse que ele deveria
desenvolver a sua espiritualidade e tornar-se
médium. Isso ele procurou fazer, mas como não
chegava ao estágio que o pai de santo desejava, foi-
lhe dito que ele precisava fazer um “trabalho”
espiritual.

Para a realização desse “trabalho”, os demônios


pediram velas pretas e vermelhas, pólvora, uma
garrafa de pinga, e uma galinha caipira para ser
morta. Ele teria que preparar uma farofa e levar ao
terreiro, numa sexta-feira, às três horas da manhã, o
sangue de uma galinha, dentro de uma garrafa.

O “trabalho” foi feito, tal como queria o pai de


santo. Márcio pôde ver que a entidade Preto Velho e
a cabocla Janaína apareceram para receber o que
estava sendo feito. Quando terminou o ritual,
deramlhe três pedras. Disseram-lhe que falasse uma
palavra-chave, três vezes. Foi-lhe recomendado
ainda que, quando ele estivesse saindo do terreiro,
jogasse as pedras para trás, mas não podia olhar
para trás.

Márcio fez exatamente como lhe foi orientado. Ele


nem sabia por que estava fazendo tudo aquilo, e não
tinha consciência de que o ritual era, de fato, um
pacto muito sério com o poder das trevas. Ali,
naquele lugar do ritual, ele ficou aprisionado.

Depois disso, a sua vida mudou, e para pior. Márcio


não era mais o mesmo. Começou a usar drogas. Foi
tomado por desejos muito estranhos, como comer
carne de defunto, fazer sexo com cadáver.

Ele começou, ainda, a sentir uma grande atração por


vampiros e passou a ter um desejo sexual por eles e
por outros espíritos. Márcio não conseguia namorar
moça alguma, uma vez que o espírito de Janaína o
dominava e o forçava fazer sexo apenas com ela. A
cabocla Janaína pegava-o pelo braço e lhe dava de
mamar como uma mãe amamenta um filho.

O Aprisionamento de Márcio num


Cemitério

Márcio foi também se deixando dominar totalmente


pelas drogas. Perdendo o controle sobre si, ele
ficava vagueando, à noite, caminhando sem saber
para onde ir. Sua dependência das drogas foi
crescendo, de tal forma, que ele não se satisfazia
mais com qualquer uma. Começou a consumir doses
mais fortes de cocaína, craque, e não estava bem. A
cada dia Márcio tornava-se mais e mais insaciável.

Ele vagueava por diversos lugares e ia muitas vezes


a um cemitério, onde ficava dando as suas voltas. O
cemitério tornou-se o seu lugar de curtição. Pois ele
amava aquele lugar de solidão.

Márcio achava que a solidão lhe fazia bem, e,


naquele cemitério, ele sentia-se em paz.

Havia um encantamento naquele lugar. Pois era ali


que ele podia fumar, drogar-se e descansar. O
cemitério para ele havia se tornado um lugar de
escape, em que ele podia fugir dos aborrecimentos,
da disciplina, da gritaria dos pais, da rejeição da
família e da sua própria vergonha. Desse modo, o
cemitério tornou-se um lugar em que ele ficou
aprisionado, pelo tempo que nele passou.

Quando Márcio foi ministrado, foi necessário tirá-lo


daquele cemitério. Nesse ponto da ministração, ele
começou a gritar e a dizer que não conseguia sair.
Então, ele viu duas mãos negras que saíam da terra
do cemitério, e seguravam os seus pés. Elas
puxavam o corpo do Márcio de volta ao cemitério.
Nesse processo, ele via todo o cenário do cemitério.
Eram os demônios que haviam se assenhoreado da
vida dele, e sentiam-se no direito de tê-lo como seu
escravo.

Aqueles demônios queriam mesmo levá-lo para


baixo da terra e continuar a aprisioná-lo na cova.
Revoltados com o que estávamos fazendo, eles não
queriam abrir mão da vida do seu prisioneiro;
queriam levá-lo de volta para a prisão, de qualquer
jeito. Entretanto, quando invocamos Jesus – aquele
que tem a chave da morte e do inferno –, Ele veio
com a sua chave para nos ajudar. Então, amarramos
os demônios guardiães, pedindo perdão por todos os
pecados que lhes haviam dado o direito sobre a vida
de Márcio.
Mediante o comando que foi dado, eles é que
ficaram enterrados naquela cova. E Márcio libertou-
se daquela prisão. Ele, porém, não estava somente
aprisionado no cemitério, ele havia se aprisionado
também num motel.

O Aprisionamento de Márcio num Motel

Quando Márcio percebeu que não tinha como


sustentar o seu vício, começou a namorar uma
traficante. Claro, ele sentia-se péssimo, e assim caiu
em depressão.

Foi então que sua família o abandonou, não queria


mais saber dele. Márcio perdeu tudo e todos, e
desejava morrer.

Todo dia ele ia para um motel, de madrugada, onde


dormia. Mas, na realidade, ele ia dopar-se. Quando
ele relatou essa etapa de sua vida, ele usou a frase:
“eu me estourava”. Seu nariz já não suportava a
quantidade de drogas que ele inalava, e chegava a
verter sangue.

Quando Márcio ficava desesperado, ouvia uma voz


que dizia: “Pule da janela, morra, porque para você
não tem mais jeito. Você está fazendo a sua mulher
sofrer”.
Ele tentava obedecer àquela voz e colocava a cabeça
para fora da janela, para se jogar. Alguma coisa,
porém, o segurava pelas pernas e ele não conseguia
atirar-se e praticar o suicídio.

No motel, quando ia dormir, sentia um espírito


vindo sobre si, sentando-se sobre a sua barriga para
forçá-lo a fazer sexo. Marcio não sabia o que fazer.
Ficava paralisado, pois a força que o atingia era mais
forte, e ele não conseguia resisti-la. Procurando
proteger-se e fugir dessa força espiritual, Márcio
começou a trocar o dia pela noite. Assim, passava a
noite na rua. De manhã ia para casa dormir, mas o
espírito o perseguia, e Márcio não conseguia livrar-
se dele.

Mesmo depois de convertido, às vezes, ele ficava


vagando, em certos lugares, sem saber o que fazer,
como se ele não estivesse em si. Nos momentos de
oração, era invadido por pensamentos estranhos,
que não tinham nenhuma relação com o assunto da
oração. Os espíritos ainda vinham e puxavam
conversa com ele.
Foi somente depois de ser ministrado que ele teve a
felicidade de poder deitar, dormir e descansar de
verdade. Contudo, houve ainda outro lugar em que
Márcio tinha se aprisionado espiritualmente.

Márcio foi Aprisionado num Carro

Quando Márcio tinha doze anos, um dia, estava no


carro com seu pai e sua mãe, que brigavam aos
berros, discutindo e acusando-se um ao outro. A
questão era com respeito aos casos que seu pai vivia
tendo com prostitutas e amantes.

Márcio, que então era um menino, ficou assustado e


não quis ouvir nem participar daquela briga. Doía
muito, para ele, ouvir aquelas acusações. Ele queria
fugir dali, pois não suportava ouvir os dois
discutirem daquela forma. Mas o carro ia com
grande velocidade, e ele não podia sair. As brigas de
seus pais eram constantes.

Quando ele se lembrava das brigas entre seus pais,


sua mente sempre o levava àquele carro – pois a
briga que ocorreu naquele dia no carro o havia
marcado sobremaneira. Desse modo, as gritarias, as
acusações vinham-lhe como se ele estivesse, naquela
hora, junto deles, naquele carro.

Márcio sentia-se totalmente acuado num canto do


carro, suando frio, desesperado, pois queria sair e
fugir daquele lugar.

Na ministração, ordenamos que o carro parasse.


Com o veículo parado, Márcio pôde sair daquele
lugar e assim livrou-se daquela prisão, caracterizada
pelas terríveis lembranças das brigas entre seus pais.

Em toda a sua ministração, toda vez que Márcio ia


tomar uma atitude correta e significativa – como
arrependimento, confissão e renúncia – havia uma
grande reação por parte dos demônios, que faziam
de tudo para impedir. Ele, porém, alcançou a
libertação e a cura interior.
Todas essas experiências, e ainda muitas e muitas outras, que não
cheguei a citar, simplesmente confirmam o que tem sido mostrado
neste livro: há diferentes prisões espirituais que prendem muitos
dos filhos de Deus, e que delas eles precisam ser libertos.

parte 6
Estilo de Ministração
capítulo 15
Como Sair da Prisão?
“Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro... O
nosso Deus é o Deus libertador; com Deus, o
Senhor, está o escaparmos da morte.” (Is
68.18a,20)
Ao longo das páginas deste livro, tenho
compartilhado o que fazemos para tirar pessoas de
prisões espirituais. É importante, porém, explanar
claramente o que é feito na prática, porque
precisamos entender exatamente o que acontece,
nessas horas. A libertação de prisões é feita pela fé.
Nem todos que ministram a libertação de prisões
têm dons de visão espiritual;

nem todos são levados, espiritualmente, para os


lugares do cativeiro.

Tirando Pessoas de uma Prisão

Em nosso ministério, normalmente, a retirada de


alguém de uma prisão espiritual acontece no
contexto de uma ministração de libertação e cura. E,
para que a pessoa seja ministrada, ela tem de ser
seguidora de Jesus e precisa querer, de fato, libertar-
se e sair das prisões.

Um versículo, que já citei anteriormente, revela a


missão básica daquele que viria, o Messias: “Eu, o
Senhor, te chamei em justiça ... para abrires os olhos
aos cegos, para tirares da prisão o cativo e do
cárcere, os que jazem em trevas” (Is 42.1a,2).

Fica claro, mais uma vez, que um dos ministérios


outorgados a nós por Jesus é abrir a prisão espiritual
e tirar da prisão os cativos e libertar os que jazem
nas trevas.

Todos os libertadores têm de tomar posse da chave


para abrir as prisões; os libertadores, aqueles
especialmente chamados por Deus para este
ministério, têm de assumir a posse da chave das
prisões. E, no dizer de John Sandford, Jesus é a
chave que abre as prisões (Ap 3.7).

Assim, podemos comandar a abertura de prisões,


ou, então, convidamos Jesus e lhe dizemos: “Tu és a
chave que abre todas as prisões, vá à frente e abra!”

Quando vamos tirar alguém de uma prisão, é preciso


que, anteriormente, a pessoa já tenha feito uma
confissão realmente profunda e caprichada, na
presença de Deus, de todos os seus envolvimentos
relacionados com os locais onde se acha aprisionada,
pedindo perdão, e apresentando um espírito de
quebrantamento e arrependimento, diante do Pai, do
filho e do Espírito Santo.

E, é claro, pela direção do Espírito, tendo em conta


os fatos e os sintomas apresentados pela pessoa,
podemos ter o discernimento dos locais de sua
prisão.

Conforme vimos anteriormente, os seguintes


aspectos merecem nossa análise e especial atenção:
rejeição profunda (especialmente no ventre
materno), vítima da tentativa de aborto, abandono,
bastardia, abuso físico, emocional e sexual, estupro,
sofrimento causado por perdas (morte, separação,
bens), por terror e pavor, doenças prolongadas;
palavras de condenação, de acusação, de maldição
(pelos pais e por líderes eclesiásticos).
A pessoa pode apresentar os sintomas descritos nos
diversos casos relatados neste livro, entre os quais a
incapacidade de sentir Deus, sentir-se sempre fora
do lugar, não pertencer a ninguém, não sentir o que
os outros sentem, não ter prazer sexual (sendo
casada), não se realizar em nada.

Então, apresentamos perante Deus a situação em


que a pessoa se encontra, e o provável local de sua
prisão, pedindo que Deus venha confirmar.

Normalmente, somos direcionados nessa hora a


pedir que a pessoa feche os olhos. Deus pode operar
de tal forma a nos dar visão ou percepção
sobrenatural, ou mostrar à própria pessoa onde ela
está aprisionada.

Identificamos, então, os espíritos que ficam no lugar


da prisão (os guardiães), que estão atuando na vida
da pessoa: amarrando, impedindo, ameaçando,
provocando rejeição, sentimento de abandono,
esquecimento, autodepreciação, inferioridade,
oportunidades perdidas, portas fechadas, acusação,
julgamento, lascívia, impureza e prostituição, vício,
raiva, ódio, violência, agressividade, ira, e assim por
diante.

Uma vez que a legalidade dos guardiães tenha sido


quebrada, com o pedido de perdão a Deus e
arrependimento, chega o momento de amarrarmos e
imobilizarmos todos esses demônios, mandando-os
embora.

Declaramos que Jesus é a chave, e que nós, como


ministradores, temos a autoridade de usá-la, e,
assim, abrimos a prisão e pedimos a Deus que o
anjo do Senhor tome a mão da pessoa e saia com ela
daquele lugar; ou pedimos isso ao próprio Senhor
Jesus.

Num ato simbólico do que está acontecendo, o


ministrante ou um dos intercessores presente pega a
mão da pessoa e vai andando com ela, que tendo
essa oração como exemplo:

“Senhor, não é teu propósito para a minha vida que


eu permaneça neste lugar de prisão. Estou saindo da
prisão do vício do alcoolismo, da lascívia e da
sensualidade, da violência e da ira, da inveja, do
inferno, da morte, da região da sombra a morte.”
E, assim, a pessoa sai da prisão espiritual em que se
encontrava. Algumas vezes, imediatamente ocorre
um alívio, e a pessoa chega a sentir uma grande
alegria. Sempre, porém, o resultado é uma
transformação real, que a pessoa vai sentindo
conforme os dias vão passando. Tenho constatado
isso, vez após vez. Um dia, eu estava ministrando
num Curso Intensivo de Libertadores, organizado
por uma irmã, de nome Kátia. Quando a encontrei,
que surpresa! Ela estava totalmente diferente de
quando eu a ministrara, um ano antes. Lembrei-me
que ela então convivia com o espírito de morte, e
estava aprisionada no caixão da morte do seu avô,
tendo sido liberta naquela ministração. Sua vida
tinha sofrido, nesse último ano, uma guinada de 180
graus!

Depois de tirar a pessoa da prisão, podemos orar


reconhecendo que a pessoa está assentada nos
lugares celestiais, que é o colo de Abba Pai,
conforme afirmou o apóstolo Norman Vincent.1

“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa


do grande amor com que nos amou, e estando nós
mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente
com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente
com ele, nos ressus-citou, e nos fez assentar nos
lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar,
nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua
graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus.
Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto
não vem de vós; é dom de Deus; não de obras,
para que ninguém se glorie. Pois so-mos feitura
dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as
quais Deus de antemão prepa-rou para que
andássemos nelas.” (Ef 2.4-10)

Assim, confirmamos a transferência da alma (mente,


vontade e emoções) e do espírito para os lugares
celestiais: “Senhor transfiro meu corpo, alma e
espírito para os lugares celestiais.

Não permito que nenhuma parte da minha alma e do


meu espírito fique aprisionada.” Transfiro a minha
intuição, o meu discernimento, e a minha
capacidade de comungar com Deus para os lugares
celestiais.
Para dar um exemplo, um dia eu estava ministrando
uma moça que estava aprisionada numa gaiola,
numa praia. Então, amarrei os demônios guardiães,
que estavam travestidos de índios, e que tomavam
conta dela, para que não escapasse daquela gaiola.
(Este caso foi narrado no início; refere-se à jovem
de nome Janaína). Eu os imobilizei, os coloquei de
lado, e, tomando a autoridade em nome de Jesus
Cristo, abri aquela prisão e tirei a jovem para fora.
Depois de tirá-la, coloquei, por sua vez, todos os
demônios guardiães dentro da gaiola e os deixei sob
as ordens de Jesus Cristo.

Outro caso que já compartilhei foi o de Luís, no


capítulo 10. É aquele rapaz que estava aprisionado
num castelo de música, que ele mesmo havia criado
pela idolatria à música e aos cantores musicais da
época. Conforme já relatei, perguntei-lhe se fazia
sentido o fato de que ele poderia estar aprisionado
num castelo virtual, e, então, prosseguimos em tirar
o rapaz do seu cativeiro. O castelo era um lugar
muito frio. Nós nos dirigimos ao castelo, Jesus e eu.
Amarramos todos os espíritos que se apresentavam
como guardiães da música, através dos artistas
consagrados (pois eram os que até então o
acompanhavam). Abrimos a porta do castelo e
ordenei que ele saísse, segurando as mãos de Jesus.
Luís saiu meio arrastado e assustado, e ficou de pé.
Viu anjos sorrindo para ele. Mas, quando viu a mão
que o segurava, identificou que eram as mãos de
Jesus, vendo os sinais dos cravos, da sua
crucificação.

Ele fez uma cara assustada, pois não cria no que via,
e gritava: “Como pode? Eu não mereço estar
segurando a mão de Jesus”! Começou a chorar,
pois, não podia acreditar no que estava vendo. Ele
achava que não poderia estar segurando a mão do
Salvador, e dizia: “Senhor, eu não mereço, não
mereço o que eu estou vendo. Não mereço o que
está acontecendo comigo!”

Em resumo, depois que a pessoa passou por


momentos de arrependimento, tendo identificado a
razão do seu aprisionamento, os seguintes passos
podem ser dados:

1. Reconhecer o Senhor como aquele que abre a


prisão dos aprisionados (Is 61.1).
2. Amarrar os guardiães demoníacos, que estão
vigiando a prisão. Geralmente, são aqueles que estão
ligados com o problema da pessoa. No caso deste
último exemplo, foram os espíritos de medo, morte,
mentira, culpa, destruição, paralisação. Esses
demônios tentam guardar os aprisionados,
impedindo-os de escapar.

3. Depois de amarrá-los, eu os deixo de lado, pois


logo eles serão encaminhados para um lugar de
perdição, sendo enviados por Jesus Cristo.

4. Assim, usando a chave que me foi dada para abrir


as prisões, eu abro a porta e convido a pessoa a sair.
Um outro jeito de fazer é convidar Jesus a entrar na
prisão para tomar a mão da pessoa aprisionada para
sair.

5. Depois disso, mandamos os guardiães para o


lugar reservado para eles.

6. Último passo: Recolocar a pessoa


conscientemente nos lugares celestiais: as parte que
foram fragmentadas e contaminadas por sofrimento,
injustiça, dor, e pactos com o diabo e com
demônios.

Exemplo de uma Libertação

Veja o caso desta mulher que foi ministrada pelo


Espírito Santo, enquanto eu ministrava um grupo de
pessoas numa aula do Curso de Libertadores. Foi
em minha aula sobre prisões espirituais.

Depois de ser liberta, e de ter dado verbalmente o


seu testemunho naquela hora, ela me enviou tudo
por escrito. Do seu testemunho você poderá
verificar como os passos acima mencionados têm
efeito na vida de quem está sendo ministrado.

Assim ela escreveu:

Enquanto eu ouvia a palestra sobre aprisionamento


espiritual, fui me identificando com as várias
situações relacionadas com o meu problema: prisão
espiritual. O interessante é que não era apenas uma
ou outra situação, mas eram várias. Quase todas as
reações e os consequentes sintomas explanados pela
pastora Neuza Itioka estavam presentes na minha
vida.
Eu vinha enfrentando as seguintes situações, que
muito me marcaram:

1. Quando meu pai faleceu, eu quis morrer junto


dele; quase me joguei sobre o caixão dele no dia do
enterro, obrigando as pessoas a me segurarem.
Sempre desejei morrer. Muitas vezes, cheguei a ficar
imaginando como seria se eu morresse: como
ficariam meus pais e amigos, quem sentiria a minha
falta, quem choraria por mim e iria ao meu enterro,
o que fariam com as minhas coisas. Em minha
imaginação, eu ia ao meu próprio enterro para ficar
observando quem realmente gostava de mim.
Cheguei até a fazer um tipo de testamento.
2. Também imaginei que ficaria viúva cedo.

3. Eu tinha tendência ao isolamento, inclusive passei


a minha infância sozinha.

4. Sempre me senti fora de lugar, não pertencendo a


nenhum grupo; não conseguia sentir o que os outros
sentiam, nem integrar-me com o grupo; não
conseguia viver na plenitude das coisas. Realmente,
eu não sentia prazer na vida, nada me alegrava. Eu
apenas deixava os dias passarem, um após o outro.
5. Para mim, a Bíblia não fazia sentido, e eu
também não conseguia sentir Deus.
6. Acontecia de me rebelar contra Deus, ofendendo-
o com descrença e dúvidas.
7. Havia ainda um aprisionamento em minha
memória, de fatos e de pessoas que facilmente eu
esquecia. 8. Sendo solteira, idolatrava o casamento,
achando que só seria feliz quando me casasse. Tinha
grande insatisfação sexual. 9. A vida não progredia,
apesar de me considerar inteligente. 10. Eu sempre
estava aflita, sentindo-me perseguida e com medos
inexplicáveis.

Naquela hora da ministração coletiva sobre prisões


espirituais, pensei ainda, comigo mesma: “Meu
Deus! É muita coisa! Como vou me livrar de tudo
isso?” E, para não esquecer nada, comecei a anotar.
Surgiram em minha mente até mesmo coisas
esquecidas, situações que eu nem lembrava que
haviam acontecido, e ainda fatos que antes eu não
havia compreendido e que se revelavam como
sintomas de aprisionamento. Chegou um momento
em que a ministrante disse que ia orar para que
todos saíssem da prisão. Então pensei:
“Já passei por diversas ministrações e orações de
libertação em diversas igrejas; acho impossível que
numa ministração coletiva, como esta, eu seja
liberta. Sou muito fraca espiritualmente e não vou
conseguir libertar-me de nada. Ainda bem que fiz
essas anotações, pois vou poder conversar com o
pastor posteriormente. Mas vou orar mesmo assim,
quem sabe?...”

Logo que abaixei a cabeça e comecei a orar, tive a


visão de uma cena que eu já tinha visto,
anteriormente, numa ministração de libertação.
Naquela ocasião, o pastor, apesar de muita oração,
não conseguiu livrar-me da minha prisão.

Tive a seguinte visão: Eu estava num quarto


subterrâneo, totalmente escuro, onde havia um
caldeirão grande, fervendo, cheio de dejetos (fezes).
Esse lugar tinha piso de chão batido e estava cheio
de demônios, que pulavam ao meu redor e me
cutucavam com lanças pontiagudas. Eu sentia as
pontadas no meu próprio corpo e me encolhia toda
na cadeira, tremendo de medo.

Eu estava totalmente presa, imobilizada, com os


braços para cima, pendurados. Havia grilhões,
algemas, de ferro, como as dos escravos, por todo o
meu corpo, literalmente por todo o corpo. Havia
grilhões grossos nos pulsos, por onde eu estava
pendurada, e na garganta, nos tornozelos presos ao
chão, e até nas pontas dos dedos havia cones de
ferro, como garras pontiagudas. Na cabeça eu tinha
um capacete de ferro e uma máscara de ferro que
cobria todo o meu rosto. Todo o resto do meu corpo
estava coberto por uma armadura de ferro! Até
mesmo nos órgãos sexuais havia algemas, cadeados.
Também internamente, nos órgãos, algumas coisas
me prendiam. Só sei que eu estava totalmente
imobilizada e numa situação horrível.

Quando a pastora disse para deixar Jesus entrar, eu


pensei: “Duvido que Jesus entre aqui para me tirar.”
Eis que, de repente, não é que eu vi Jesus entrando
naquele quarto escuro e vindo em minha direção?

A palavra da pastora, que nos orientava em oração,


continuou, e então ela disse que Jesus estava nos
libertando. Eu me lembrei de quando ela mencionou
que Jesus era a chave que abria todas as portas para
a salvação. E eu vi Jesus ali comigo, com uma chave
nas mãos, abrindo cadeado por cadeado, algema por
algema, grilhão por grilhão. Não consegui ver tudo,
pois o tempo era curto.

Ele estava tirando aquela armadura que estava sobre


o meu corpo, tirando o capacete que fechava a
minha mente e a minha percepção, libertando os
meus braços e pernas, e finalmente tirando a
máscara que estava sobre o meu rosto.

Quando Jesus tirou a máscara de ferro, o meu rosto


estava em carne viva, cheio de feridas. Eu parecia
um monstro horroroso! Eu me assustei e disse, em
desespero: “Não, Jesus! Eu não posso ficar assim!”
Imediatamente, Jesus recolocou a máscara sobre o
meu rosto. Então olhei para Jesus e Ele retirou
novamente a máscara, e qual não foi a minha
maravilhosa surpresa, quando vi meu rosto lindo,
muito lindo, brilhando e sorrindo feliz,
resplandecente! Aleluia, Jesus!

A pastora Neuza, nesta ministração coletiva, então


ordenou que pegássemos nas mãos de Jesus, e eu
dei a minha mão direita para Ele.
O estranho é que eu estava tão acostumada a estar
naquele lugar que, quando a pastora Neuza disse
para sair e seguir a Jesus, eu não conseguia me
mexer. Sair do lugar? Eu não acreditava que
realmente conseguiria sair de lá; tinha medo de me
mexer, de pisar no chão, de andar.

Naquela hora, verifiquei que várias pessoas também


estavam com dificuldades para sair de suas prisões.
A pastora Neuza insistiu para que saíssemos daquele
lugar, e eu resolvi acreditar e dei o primeiro passo.

Mas o chão estava cheio dos grilhões caídos e de


demônios, e eu tinha muito medo; não queria pisar
no chão. Naquele instante, me veio à mente um
poema chamado “Pegadas na Areia”, que nos diz
que, nos momentos mais difíceis, Jesus nos carrega
no colo. Então pedi a Jesus que me carregasse, pois
eu estava com medo e não conseguia andar. Senti,
não sei como, que Jesus me olhou e respondeu, com
muito carinho: “Não, minha filha, você precisa
andar sozinha, com seus próprios pés.”

Então criei coragem e entreguei a minha outra mão a


Jesus e, como uma criancinha aprendendo a
caminhar, fui andando devagar, sendo segurada por
Jesus.

O interessante é que os meus pés não tocavam o


chão; eu andava a alguns centímetros do solo e não
pisava em nada; eu “levitava”...

A pastora Neuza foi apressando a saída, e mais


rapidamente eu fui saindo daquele quarto escuro,
entrando numa escada estreita, não tão escura.
Num determinado momento, vi um demônio
querendo subir ao meu lado, mas logo ele sumiu e
foi substituído por um anjo, com asas brancas.

Jesus ia subindo comigo, com um braço ao meu


redor, amparando-me. Eu sentia um imenso carinho
de Jesus por mim.

Finalmente chegamos ao fim da escada onde havia


uma porta, que foi aberta. Da abertura surgiu uma
enorme luminosidade, imensa; eu não conseguia
enxergar nada. Só sabia que estava no céu, e Jesus
continuava abraçado a mim. Caminhamos um pouco
e não vi nada, só luz e Jesus. Naquele momento
acabou a oração.
Uma alegria e uma paz indescritíveis nasceram
dentro de mim. Chorando de emoção, pensei: “Eu
estou com Jesus! Meu Deus, eu estou realmente
com Jesus! E Jesus me ama! Jesus me ama, de
verdade!”

Quando fui contar o meu testemunho, todo o meu


corpo tremia; minhas mãos formigavam, e eu estava
leve, leve como nunca tinha me sentido, em toda a
minha vida. E com uma paz, uma certeza, uma
tranquilidade também nunca sentidas antes!

Louvo a Jesus pela minha salvação! Aleluia!

1Norman Vincent é um apóstolo inglês, que vive nos EUA, e


desenvolve um ministério internacional. Essa declaração foi
afirmada por ele numa palestra.
Uma Palavra Final aos
Colaboradores:
Este livro teve o apoio e colaboração de muitos
irmãos que estão ligados ao Ministério Ágape
Reconciliação. Alguns dedicam suas vidas para
aconselharem e ministrarem outras pessoas, viajando
comigo para outras cidades e estados do Brasil, bem
como para o exterior.

In memoriam, gostaria de agradecer em especial ao


mestre Milton Azevedo Andrade, que foi pioneiro
comigo na Editora Ágape Reconciliação, atualmente
nomeada AMAR. Milton foi o editor da primeira
edição deste livro e colaborou com o estudo sobre
“O novo e velho homem, a regeneração em Cristo”.

À pastora Lilian La Torroca, pelo tempo que liderou


a intercessão em nosso Ministério, e pela sua
dedicação em estar desde o início nessa jornada.
Lilian compartilhou alguns testemunhos de seus
aconselhamentos e ministrações, para que
pudéssemos analisar mais afundo, a respeito da
prisão espiritual. Podemos ler sobre o depoimento
compartilhado no testemunho 7, Aprisionamento
pela imaginação, com o tema “Aprisionada na
Argentina do “tango”.

Agradecer à missionária Zilá Palombo, que faz parte


da nossa equipe, e pode nos ajudar a colher outros
depoimentos reais, sobre como Jesus pode nos tirar
de todas as prisões, o seu relato está no testemunho
8, Aprisionamento por satanismo e jogos de RPG,
com o tema “Gótico: satanistas amadores”.

Ainda expressar a minha gratidão à pastora Geísa


Faleiro Schulze, que tem acompanhado e ministrado
diversas pessoas, que relatam que estavam presas
espiritualmente. Ela compartilha dos depoimentos no
testemunho 7, Aprisionamento pela imaginação,
com o tema “Numa casa criada nos ares” e no
capítulo 13 “Cidades e nações aprisionadas”.

E, por fim, mas não menos importante, a equipe


editorial, coordenada pelo jornalista e editor, Thiago
Baeta Corrêa, que me ajudou em novos estudos
para a realização dessa nova edição. Sem eles, não
seria possível cumprir esse chamado para escrever
os testemunhos vivos, de que Jesus é o nosso
Redentor.

www.AgapeReconciliacao.com.br

Principais Enfoques Ministério Ágape


Reconciliação

Tema principal: IGREJA CURADA, NAÇÃO


TRANSFORMADA.

Há mais de 25 anos, o Ministério trabalha com a


missão de ministrar vidas para a Cura da Igreja
como corpo de Cristo e transformar a sociedade,
além de ter por objetivo formar e treinar líderes para
atuarem na libertação, cura interior e guerra
espiritual estratégica.

O Ministério Ágape Reconciliação tem como valores


a honra a Deus na dependência total do Espírito
Santo, a Palavra como medida irrevogável da nossa
fé e conduta, honrar os líderes e a não negociação
com o pecado.

Transmitimos a importância de zelar pela prática da


Palavra de Deus, ser a extensão do Ministério de
Jesus, e Refleti-lo em: honestidade, verdade,
humildade e responsabilidade. Ser assíduo nas
convocações e ter dedicação total, unidade e
intercessão constante.

Acreditamos que pontualidade, ordem, limpeza,


trabalho concluído e cortesia, fazem parte do
trabalho do cristão.
O mandamento “Amar ao próximo” é estendido
com uma vida de amor e compaixão, cultivando a
alegria, a fé e muita esperança, promovendo a
reconciliação.
Pioneiro no Brasil como Ministério de Libertação,
mais de 3000 congregações (igrejas) foram
ministradas de forma coletiva e mais de 100.000
pessoas individualmente.

O Ministério Ágape Reconciliação já viajou por


quase todo o território brasileiro, exceto Sergipe.
Visitou países como Paraguai, Estados Unidos,
Peru, Guatemala, Costa Rica, Portugal, Japão, Hong
Kong, Inglaterra, Itália, Alemanha e Moçambique.

Principais atividades do Ministério

1. SEMINÁRIOS AMAR
Seminários realizados em finais de semana.
São realizados em igrejas locais, a convite do pastor.
Começam na sexta-feira à noite, continuam no
sábado (o dia todo) e encerram-se no domingo à
tarde.
São Compostos por palestras e ministrações
individuais e/ou coletivas, dentro de seus respectivos
temas:

1.1 SEMINÁRIO DE LIBERTAÇÃO E CURA


INTERIOR
O objetivo do Seminário de Libertação e Cura
Interior é despertar a Igreja de Cristo para a
realidade da batalha espiritual que ela enfrenta e, por
intermédio de ministrações coletivas e individuais,
trazer libertação e cura interior, para que a mudança
possa dar-se de dentro para fora, a ponto de Deus
extrair o melhor de cada um de nós, e nos permitir
desenvolver uma verdadeira maturidade cristã.
Duração: Sexta-feira à noite || Sábado: manhã |
tarde (aconselhamento individual) | noite. Domingo:
manhã | tarde (aconselhamento individual)

O Seminário é realizado em nossa Sede AMAR


(Rua Júlio de Castilhos, 1033
- Belenzinho SP)em um final de semana por mês. E,
também, a convite de pastores e lideranças das
igrejas de diversas localidades.

1.2 SEMINÁRIO DE CONQUISTA DAS


CIDADES
Pode ser realizado com a participação de várias
igrejas da localidade, com o enfoque de aplicar os
princípios de batalha espiritual para que a cidade
seja alcançada.

Duração: Sexta-feira à noite || Sábado: manhã |


tarde (aconselhamento individual) | noite. Domingo:
manhã | tarde (aconselhamento individual) O
Seminário é realizado a convite do pastor e
liderança de uma igreja local.

1.3 SEMINÁRIO DE CURA DA IGREJA


Seu enfoque é na cura da Igreja como corporação,
promovendo reconciliações e trazendo cura para os
crentes locais.

Duração: Sexta-feira à noite || Sábado: manhã |


tarde (aconselhamento individual) | noite. Domingo:
manhã | tarde (aconselhamento individual) O
Seminário é realizado a convite do pastor e
liderança de uma igreja local.

1.4 SEMINÁRIO DE INTERCESSÃO


O foco é treinar intercessores e prepará-los para
uma melhor atuação no ministério de intercessão da
igreja local.

Duração: Sexta-feira à noite || Sábado: manhã |


tarde (aconselhamento individual) | noite. Domingo:
manhã | tarde (aconselhamento individual) O
Seminário é realizado a convite do pastor e
liderança de uma igreja local.

1.5 SEMINÁRIO PARA FILHOS DE


PASTORES
Esse Seminário é especial para filhos de pastores.
Deus está levantado uma nova geração para
continuar manifestando o seu poder. Sempre existirá
remanescentes que levarão a mensagem de Deus,
uma voz profética que declarará Suas maravilhas de
geração a geração. Um povo que não morrerá, mas
andará em novidade de vida.

Duração: Sexta-feira à noite || Sábado: manhã |


tarde (aconselhamento individual) | noite. Domingo:
manhã | tarde (aconselhamento individual) O
Seminário é realizado em nossa sede, ou a convite
de igrejas locais.

1.6 Curso Intensivo de Libertadores (Especial)


Ministrado para pessoas que tenham um chamado
para atuar na área de libertação e cura interior.

É ministrado para grupos de 150 a 250 cursistas,


com aulas teóricas e práticas. Duração: Inicio Sexta-
feira à noite, término Terça-feira.
O Seminário é realizado em nossa sede, ou a
convite de igrejas locais

2. CENTRO DE TREINAMENTO
Esses cursos são ministrados no período de cinco
meses, exceto o Curso de Conhecimento Bíblico, o
qual se estende por dois anos e meio.

Nós, como cristãos fomos chamados para algo além


do que pensamos a respeito do nosso Ministério!
Não devemos ficar nas quatro paredes, mas
precisamos nos equipar para anunciar o Evangelho e
tudo aquilo que Deus tem realizado em nós, e por
meio de nós!

Com a visão de ensinar e treinar a Igreja, para novos


desafios dentro da era da globalização, o Ministério
Ágape Reconciliação, o convida para participar do
Centro de Treinamento para Líderes.

Os cursos oferecidos são:

2.1 CFL - CURSO FORMAÇÃO DE


LIBERTADORES
O curso (CFL) tem como objetivo levar o cristão a
viver uma vida de liberdade, e manifestar o poder do
Reino de Deus, em todas as esferas de sua vida. E
através do conhecimento adquirido, proclamar a
libertação aos cativos e anunciar, pela capacitação
do Espírito Santo, as boas novas.

O Curso é ministrado de forma teórica e prática,


onde os alunos poderão ver e testemunhar a
importância da libertação e cura interior.

2.2 CCI - CURSO CURA INTERIOR


O curso (CCI) ensinará o aluno a entender os níveis
que estruturam o ser humano: espírito, alma e
corpo. E como tratar à luz da Palavra e direção do
Espírito Santo os traumas que bloqueiam a nossa
vida.

A cura interior é o processo de purificação da alma,


diferente da cura física, que é o processo de
purificação do corpo, e da libertação, que é a
purificação do espírito.

O curso ensinará as partes da alma, que precisam de


cura, através da obra redentora que Cristo fez por
nós na cruz.

2.3 CFI - CURSO FORMAÇÃO DE


INTERCESSORES
O curso (CFI) auxilia a pessoa que tem o chamado à
intercessão a desenvolver a sua vocação, por meio
de aulas e ministrações práticas.

São ensinos bíblicos e profundos que servirão de


apoio à igreja local, bem como para o desenvolvido
do aluno nas questões de oração e intercessão.

2.4 CFP - CURSO FORMAÇÃO PROFéTICA


O curso (CFP) tem como objetivo equipar o Corpo
de Cristo, para discernir o tempo profético.

Todos nós fomos chamados para profetizar. O curso


mostrará como o cristão pode viver de forma
espiritual e mover-se no que está no coração e na
mente de Deus. Todas as Escrituras estão inseridas
no nível profético.

Depois do derramamento do Espírito Santo, a Igreja


começou a caminhar no sobrenatural. Através do
CFP, as pessoas poderão entender o passo a passo,
sobre o profético e também a função e o ofício do
profeta, desmistificando esse dom e ministério que
Deus, com tanto amor, deu ao Corpo de Cristo.

2.5 CLI - CURSO LIBERTAÇÃO INFANTIL


O Principal esforço das trevas atualmente é destruir
a família. E uma grande área do ataque de Satanás
são as crianças. O inimigo está atacando a mente dos
nossos pequeninos, por meio da tecnologia
avançada: TV, jogos, filmes, músicas, e ensinos não
fundamentados na verdade.

Investir em crianças é investimento eterno. Ministrar


e libertar crianças é compreender o Reino de Deus,
e ativar a nova geração.

2.6 CAP - CURSO ATIvAÇÃO PROFéTICA


Além do CFP (Curso de Formação Profética), o
Centro de Treinamento para Líderes AMAR leciona
o CAP, que tem por objetivo ativar o Corpo de
Cristo em níveis do dom profético, levando os
alunos a vivenciarem o poder do Espírito Santo na
vida de cada um e em seus ministérios.

2.7 CFA - CURSO FORMAÇÃO DE


ADORADORES
O objetivo do curso (CFA) é ministrar cada filho e
adorador, ensinando os níveis de louvor e adoração
dentro do corpo de Cristo (Igreja), bem como de
forma individual.
O CFA prepara uma liderança de adoradores que
tome a posição de levar as gerações a se unirem e,
juntas como Igreja, adorarem a Deus,
corajosamente, entrando na sala do trono.

2.8 CCB - CURSO CONHECIMENTO


BíBLICO
O Conhecimento da Palavra de Deus é fundamental
para todo o cristão, pois ela é a sua arma de guerra,
sua fonte de autoridade e poder. Nas mãos do
Espírito Santo, a Palavra torna-se poderosa para
destruir fortalezas.

O curso (CCB) propõe dar as ferramentas básicas


para quem deseja conhecer e entender a Bíblia,
numa visão de Batalha Espiritual. Como interpretá-
la, como estudá-la. Mostrar porque ela é necessária
e como utilizá-la faz parte do curso, que apresenta
uma visão panorâmica de todos os seus livros que
compõem a Bíblia.

2.9 CDI - CURSO CURA DA IGREJA


Para que a Igreja possa alcançar os de fora, ela
precisa estar curada! Muitas igrejas deveriam estar
bem, atuando na sociedade como luz do mundo, no
entanto, algumas estão enfermas e com problemas, a
ponto de não poderem transmitir vida. Por conta
dessa verdade, determinadas igrejas acabam até
mesmo fechando as portas!
Não fechemos os olhos. Antes, tenhamos
discernimento e estejamos com o coração
sintonizado com Deus. Não com um espirito critico,
acusando-nos uns aos outros, mas estejamos
verdadeiramente dispostos a receber a orientação do
Pai para essa tarefa.

Vamos aprender os mandamentos de Cristo!

2.10 CIE - CURSO DE INTERCESSÃO


ESTRATéGICA
O módulo de Intercessão Estratégica da Escola
Brasil de Joelhos tem como objetivo formar pessoas
que possam integrar equipes proféticas que
assumam a responsabilidade de cuidar de uma
determinada área, em qualquer parte do país
(cidades, estados ou nações), no sentido de mapeá-la
e integrá-la à Rede Brasileira de Oração, Intercessão
e Jejum - foco Intercessão Estratégica.

Esse módulo inicial terá a duração de 60 horas, em


cinco meses, já computadas as atividades
complementares, extra-classe, que serão realizadas
pelos alunos.

Sobre a Editora AMAR

Há mais de 30 anos, a Dra. Neuza Itioka atua no


campo de batalha espiritual. Como ferramenta de
libertação, ela escreveu algumas obras, e, por meio,
dos títulos publicados pela fundadora do Ministério
Ágape Reconciliação, nasceu a Editora AMAR,
tendo como tema “A Verdadeira Libertação
começa pelo Conhecimento”, e, como um ramo da
Editora, surgiu a ideia de termos o espaço físico a
Livraria AMAR, que tem como missão levar a
palavra de Deus e atingir todas as esferas da
sociedade com o verdadeiro conhecimento: A
Palavra.

www.lojaAMAR.com.br
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/AgapeReconciliacao /EditoraAMAR
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Livros Editora AMAR:

: A Cruz e a Batalha Espiritual - Neuza Itioka;


: A Igreja e a Batalha Espiritual - Neuza Itioka;
: A Noiva Restaurada - Neuza Itioka
: Cristo nos resgata de toda maldição - Neuza
Itioka;
: Deuses da Umbanda - Neuza Itioka;
: Deus Quer a Sua Cidade - Neuza Itioka;
: Libertando-se de Prisões Espirituais - Neuza
Itioka;
: Restauração Sexual - Neuza Itioka;
: Sublime Redenção - Milton A. Andrade;
: Santidade e Poder - Milton A. Andrade;
: Plena Paz - Milton A. Andrade;
: vida em Abundância - Milton A. Andrade;
: Fontes para o Equilíbrio Emocional - Ana
Ribeiro
: Proteção Espiritual Para Criança - Eber C.
Mendes
: Saindo da Idolatria (Livros 1 e 2) - Renata
Figueiredo
: A Sexta viagem – da Maçonaria ao Primeiro
Amor - Eliel G. Leal : Jovens Guerreiros e
Adoradores - Renata Figueiredo
: Quebrando o Jugo - J. S. Eurípedes
: Justiça de Deus - Walter Nather Jr.
: Manual Prático de Direito Eclesiástico - Taís
Amorim de Andrade Piccinini : Quando a Cruz se
transformou em espada - Merrill Bolender : De
onde você veio? - Almir Passoni
: Espírito Maligno, Qual é o teu nome? - Almir
Passoni