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Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Centro de Ciências Humanas, Letra e Artes - CCHLA

Departamento de Psicologia

Psicopatologia I Neuroses

Alyne Christine Cruz Rezende

Edlayne Ribeiro da Silva

Lissandra Justo Aníbal de Sousa

Maria do Socorro Gonzaga de Lima

Mateus Osório da Silva

NEUROSE E CASOS CLÍNICOS

João Pessoa

Setembro, 2018
Introdução

Percebemos que o próprio termo psicopatologia é carregado de ambiguidades.


Trata-se de uma terminologia fortemente associada às raízes psiquiátricas. Tal termo
evoca uma disciplina que trata da natureza da doença mental, suas causas, mudanças
estruturais e funcionais ligadas a ela e suas formas de manifestação. Em uma acepção
bastante genérica, a psicopatologia pode ser considerada como um conjunto de
conhecimentos acerca do adoecimento mental do ser humano.
Tanto na psicologia quanto na psicopatologia talvez não se possa afirmar nada ou
quase nada que não seja, de alguma maneira, contestado. Por isso, se alguém pretende
estabelecer a razão de suas afirmações e descobertas e elevá-las acima da onda de
intuições psicológicas diárias, terá também de empreender reflexões metodológicas
(JARPERS, 1979).
Diante do impasse constituinte da própria psicopatologia, o projeto empírico-
pragmático do DSM reclama para si o qualificativo de neokrapeliniano, no sentido da
delimitação precisa das entidades clínicas psiquiátricas (PEREIRA,1998).
Existem diferenças marcantes entre a proposta do DSM e o projeto kraepeliano.
Enquanto Kraepelin pensava as entidades psicopatológicas como equivalentes às doenças
orgânicas, a perspectiva do DSM, inspirada num pragmatismo radical, abandona a noção
de "doença mental" para fundamentar seus processos. O termo doença desaparece das
categorias do DSM, substituído por disorder (transtorno), que nos remete à ideia de algo
que está em desacordo com uma ordem operacionalmente estabelecida.

Desenvolvimento

O DSM explicitamente não possui a pretensão de ser uma psicopatologia. Ele


procura se constituir num sistema classificatório fidedigno dos padecimentos psíquicos.
Sua racionalidade está organizada em torno da busca de categorias confiáveis, provisórias
e operacionais, ateóricas e sem indiferenças quanto à etiologia, que permitam a superação
de mal-entendidos terminológicos no terreno da psicopatologia. Seu critério de objetivo
está alicerçado na descrição formal do plano empírico dos fatos clínicos.

O DSM-5 diz que entre as definições do transtorno de ansiedade é possível ser


relacionada a fenômenos fisiopatológicos, porém mesmo com os avanços não é possível
identificar exatamente em categorias nosológicas (BARNHILL,2015).
Embora, exista a Organização Mundial da Saúde, CID, e o da Associação
Americana de Psiquiatria, DSM é importante sempre os revisa-los quando possível,
questionando sua estrutura em relação a classificação. Entende-se que toda vez que ocorre
uma revisão desse tipo novas categorias são acrescentadas, causando assim um problema
com o grande número de categorias, visto que são acrescentadas, mas não removidas,
deste modo pode ser levantado outro questionamento devido à dificuldade que é saber,
lembrar, estudar todas essa categoria (DAVID GOLDBERG, 2011).

Esse sistema vem se modificado desde a versão revisada do DSM-III que foi
revisada para o DSM-IV (1994), onde a sabedoria convencional é o foco principal em
fazer vários diagnósticos categóricos. O sistema DSM é organizado em dezesseis
capítulos, já o CID, em dez, com a similaridade de sintomas sendo o principal critério de
cada capítulo. Categorias separadas usam a justificativa diferentes como a de etiologias
aparentes ou diferentes graus de cronicidade. Ambas são classificações validas e ficam
maiores a cada revisão (DAVID GOLDBERG, 2011).
Transtornos emocionais têm fortes semelhanças em termos de antecedentes
temperamentais como o neuroticismo ou sentimento negativo, e existe uma variabilidade
de sintomas comuns. Como no caso dos genes para ansiedade generalizada e transtorno
depressivo que são iguais, e se sobrepõem aos transtornos do medo. Devido a isso existe
também a semelhanças na resposta ao tratamento (DAVID GOLDBERG, 2011).
A pessoa que é neurótica sofre de uma expectativa muito grande, causada pela
angústia ou ansiedade, e este tem uma sensação ruim. É um medo sem causa, indefinível,
mas que toma o indivíduo completamente esse pode ser estados gradualmente mais leves
ou uma angustia terrível como pacientes que sofrem com paralisias, cegueira, convulsões,
dores e outros.
Há alguns tipos de neuroses à exemplo da neurose de ansiedade que é
caracterizado pelo paciente que apresenta taquicardia; palpitações; sudorese; mal-estar;
tremor; síncope. A neurose fóbica caracterizada pelo medo intenso, injustificado,
recorrente e irracional. O paciente tem consciência de que seu medo é irreal, porém,
sente-se impulsionado a evitar contato com o objeto de seu pavor, caso contrário é
invadido por manifestações físicas: sudorese, taquicardia, entre outros sintomas. Há
também a neurose obsessivo compulsivo onde os sintomas são divididos em dois grupos:
Ideias obsessivas e atos compulsivos.
Um outro tipo de neurose é a depressiva, um distúrbio afetivo que acompanha a
humanidade ao longo de sua história. No sentido patológico, há presença de tristeza,
pessimismo, baixa autoestima, que aparecem com frequência e podem combinar-se entre
si. O depressivo é uma pessoa negativista frente a si mesma e ao mundo e sempre muito
dependente dos outros. A neurose hipocondríaca caracteriza-se pela crença do paciente
de estar sofrendo de alguma doença física sem qualquer comprovação; uma exagerada
preocupação com a saúde.
O CID-10 traz algo mais dimensional com graus de cada situação como no caso
do episódio depressivo variando, já o DSM tem uma abordagem diferente, ou você está
deprimido ou não. Este não leva em conta a importância dos sintomas de ansiedade que
tradicionalmente andam junto aos sintomas depressivos, e deve-se incluir outros
complexos sintomas comuns, como preocupação excessiva com as funções corporais,
sintomas de pânico e obsessivo (DAVID GOLDBERG, 2011).
Existe uma variabilidade de transtornos de ansiedade, mas esses podem ser
diferenciados com facilidade, então quando existe a queixa da ansiedade sem o
diagnóstico é o começo de algo que abrange todo o DSM-5. Quando se tem uma fobia
em especifico é normal desenvolver outros transtornos de ansiedade, como transtornos
depressivos por uso de substancias, de personalidade e somático. Quando a pessoa tem
alguma fobia especifica ela fica com mais medo do objeto problema do que o momento
em si (BARNHILL, 2015).
Dentre os transtornos de ansiedade estudamos o caso clínico intitulado medo de
voar no qual conta a história de Olaf Hendricks, um empresário de 51 anos com queixa
de incapacidade de viajar de avião, ele apresenta uma ansiedade de voar tão intensa que
não entra em aviões mesmo quando fortemente motivado. Portanto, ele satisfaz os
critérios diagnósticos para fobias específicas. O DSM-5 também inclui especificadores
para descrever a fobia. No caso do senhor Hendricks, o estímulo fóbico de voar de avião,
o que pode ser codificado como especificador “situacional”.
A maioria das pessoas com fobia específica teme mais de um objeto ou situação,
do ponto de vista clínico revelar essas fobias é importante, porque a esquiva pode não
apenas causar um sofrimento e disfunção óbvios como também levar a decisões de vida
que podem não ser totalmente conscientes
A fobia específica é frequentemente comórbida com outros transtornos de
ansiedade, bem como os transtornos depressivos por usos de substâncias, de sintomas
somáticos e da personalidade. O Sr. Hendricks tem fobia específica razoavelmente
clássica.
O segundo caso clínico refere-se é intitulado sempre nervosa na qual conta o caso
da Peggy Isaac era uma auxiliar administrativa de 41 anos encaminhada para uma
avaliação ambulatorial por seu clínico geral com a seguinte queixa principal: “Estou
sempre nervosa”. Ela vivia sozinha e nunca havia casado nem tido filhos e era a primeira
vez que se consultava com um psiquiatra.
A senhora Isaac estava vivendo com seu namorado, com o qual estava há muitos
anos, até oito meses antes quando ele interrompeu o relacionamento repentinamente para
ficar com uma mulher mais jovem, em seguida começou a ficar angustiada com as tarefas
cotidianas. Tinha dificuldade de se concentrar. Também começou a se preocupar
excessivamente com dinheiro, parecia que ninguém conseguia ajudá-la, de modo que ela
temia ser um “fardo”.
Durante grande parte de sua permanência no jardim de infância, chorava
descontroladamente quando sua mãe tentava deixa-la na escola. Acrescentou que nunca
gostou de ficar sozinha e tinha namorados constantemente (ás vezes mais de um ao
mesmo tempo). Era bem-sucedida no emprego, corria todos os dias, mantinha uma sólida
rede de amizades e não tinha “queixas de verdade”. Ela descreveu ansiedade significativa,
no entanto com 28 pontos no inventário de ansiedade de Beck, o que indica ansiedade
grave. A senhora Isaac satisfaz os critérios do DSM-5 para transtorno de ansiedade
generalizada (TAG). Os sintomas também sugerem que ela pode satisfazer os critérios do
DSM-5 para Agorafobia o qual exige temores e esquiva, de pelo menos duas situações
diferentes. Porém tais sintomas só persistiram por dois meses o que é menos do que os
seis meses exigidos pelo DSM-5.
Embora não seja possível ter certeza do porquê de alguém desenvolver um
transtorno do humor ou de ansiedade, considerar os fatores psicossociais que sejam
coincidentes com o inicio dos sintomas pode ajudar na formulação, estabelecimento de
objetivos e tratamento. Neste caso a Sr. Isaac desenvolveu sintomas agudos de ansiedade
depois do rompimento com o namorado e da mudança para outro apartamento. A
ansiedade desencadeada por separação pode sugerir problemas de apego e acredita-se que
estilos adultos de apego estejam ligados aos primeiros relacionamentos do indivíduo.
Por essa linha de raciocínio pode se estabelecer a hipótese de que a Sr. Isaac
tornou-se sintomática devido a um estilo de apego inseguro ligado ao relacionamento
inicial que tinha com a mãe. Tais padrões provavelmente sejam recapitulados durante o
relacionamento terapêutico, onde eles podem se tornar o foco do tratamento.

Conclusão

Neurose não é sinônimo de loucura, assim como também, a pessoa neurótica


não apresenta nenhum comprometimento de sua inteligência, nem de contato com a
realidade. Seus sentimentos também são normais. Eles amam, sentem alegria, tristeza,
raiva etc., como qualquer pessoa. A neurose é um conjunto de fatores. A diferença entre
uma pessoa neurótica e uma normal é em relação à quantidade de emoções e sentimentos
e não quanto à qualidade deles.
Na neurose os sintomas são egodistônicos (o paciente tem noção da realidade e
tende a atribuir seus males ao mundo externo. Os neuróticos ficam mais ansiosos, mais
angustiados, mais deprimidos, mais sugestionáveis, mais teatrais, mais impressionados,
mais preocupados, com mais medo, enfim, eles têm as mesmas emoções que todos nós,
porém em excesso.
Os dois casos clínicos apresentados nesse estudo fazem parte das novas
terminologias dos transtornos que atendem os critérios diagnósticos do DSM-5 para
fobias específicas e para transtorno de ansiedade generalizada (TAG).
Referências

BARNHILL, J. W. Casos clínicos do DSM-5. Porto Alegre Artmed, 2015.

DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto


Alegre: Artmed, 2008.

GOLBERG, D. A classificação de transtornos mentais: um sistema mais simples


para o DSM-V e o CID-11. Disponível em:
<http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&edicao=64&id=805>.
Acesso em: 06 set. 2018.

JASPERS, K. Psicopatologia geral. Psicologia compreensiva, explicativa,


fenomenológica. Rio de Janeiro: Atheneu, 1987.

PEREIRA, M. E. C. O DSM IV e o objeto da psicopatologia ou psicopatologia para


que?. Disponível em: <https://www.estadosgerais.org/historia/98-dsm-.shtml>. Acesso
em: 16 out. 2018.