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AUTOPSICOGRAFIA AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor. O poeta é um fingidor.


Finge tão completamente Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve, E os que lêem o que escreve,


Na dor lida sentem bem, Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve, Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm. Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda E assim nas calhas da roda


Gira, a entreter a razão, Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda Esse comboio de corda
Que se chama o coração. Que se chama o coração.
Fernando Pessoa Fernando Pessoa

AUTOPSICOGRAFIA AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor. O poeta é um fingidor.


Finge tão completamente Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve, E os que lêem o que escreve,


Na dor lida sentem bem, Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve, Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm. Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda E assim nas calhas da roda


Gira, a entreter a razão, Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda Esse comboio de corda
Que se chama o coração. Que se chama o coração.
Fernando Pessoa Fernando Pessoa

AUTOPSICOGRAFIA AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor. O poeta é um fingidor.


Finge tão completamente Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve, E os que lêem o que escreve,


Na dor lida sentem bem, Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve, Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm. Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda E assim nas calhas da roda


Gira, a entreter a razão, Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda Esse comboio de corda
Que se chama o coração. Que se chama o coração.
Fernando Pessoa Fernando Pessoa
Põe quanto És no Mínimo que Fazes Põe quanto És no Mínimo que Fazes

Para ser grande, sê inteiro: nada Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui. Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes. No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis, in "Odes" Ricardo Reis, in "Odes"


Heterónimo de Fernando Pes Heterónimo de Fernando Pessoa

soa

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