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Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar,

impetrado por Mauri Sérgio Martins de Souza em favor de LUIZ


FERNANDO SCHIAVON, contra decisão do Superior Tribunal de Justiça
(HC 55.784), assim ementada:

“HABEAS CORPUS . PROCESSUAL PENAL. SENTENÇA


CONDENATÓRIA. APELAÇÃO JULGADA. EMBARGOS REJEITADOS.
EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA. EXPEDIÇÃO IMEDIATA DE
MANDADO DE PRISÃO. POSSIBILIDADE. RECURSOS ESPECIAL E
EXTRAORDINÁRIO. AUSÊNCIA DE EFEITO SUSPENSIVO.
1. A execução provisória do julgado constitui
mero efeito da condenação, não se cogitando de qualquer
violação ao princípio constitucional do estado
presumido de inocência.
2. Não há qualquer ilegalidade no
superveniente acórdão do Tribunal a quo que, mantendo a
sentença condenatória de 1º grau, e tendo sido
rejeitados os embargos declaratórios opostos, determina
a prisão do Paciente, dando início à execução
provisória da pena. A custódia atacada constitui-se
mero efeito da condenação, já que os recursos
eventualmente interpostos, quais sejam, o recurso
extraordinário e o especial, não têm efeito suspensivo,
não se cogitando, por conseguinte, de reformatio in
pejus. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça.
3. Ordem denegada e, por conseguinte, cassada
a liminar anteriormente deferida, para que seja
expedido o mandado de prisão em desfavor do ora
Paciente”.

O impetrante narra, em síntese, que o paciente foi


processado e condenado pela prática do delito contido no art. 1º,
I, do Decreto-Lei 201/67, à pena de 4 anos de reclusão, a ser
cumprido em regime semi-aberto. Nessa ocasião, o juiz monocrático
concedeu-lhe o direito de recorrer em liberdade.

Afirma, ainda, que, em sede de apelação, a reprimenda


foi mantida, determinando, contudo, a expedição de “mandados de
prisão clausulados” (fl. 75). Contra o acórdão, opôs embargos de
declaração, improvido. Interpôs, dessa feita, recuso especial,
admitido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Concomitantemente,
manejou habeas corpus perante o Superior Tribunal de Justiça,
buscando suspender a execução da pena; a ordem foi denegada.
Sustenta, então, que não se deu o trânsito em julgado
da sanção penal a ele aplicada e, portanto, não pode a execução da
pena ser iniciada, pois afrontaria a garantia constitucional da
presunção de inocência.

Requer, assim, a concessão de medida liminar para que o


paciente possa aguardar o trânsito em julgado do processo em
liberdade.

É o relatório. Decido.

O Supremo Tribunal Federal tem firmado a posição de que


as prisões cautelares devem ser impostas com estrita observância
do art. 312 do Código de Processo Penal, sendo certo que a
custódia decorrente de sentença condenatória tem tal natureza.

Colho dos autos que, em juízo perfunctório, a decisão


do Tribunal de Justiça limitou-se a determinar a expedição de
mandado de prisão, sem explicitar quaisquer dos requisitos do art.
312 do CPP.

Ante o exposto, defiro o pedido de liminar para


suspender o mandado de prisão, até o julgamento do presente writ.

Solicitem-se informações à autoridade apontada como


coatora. Após, ouça-se o Procurador-Geral da República.

Publique-se.

Brasília, 9 de outubro de 2007

Ministro RICARDO LEWANDOWSKI


- Relator -