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EA611 – Circuitos II – FEEC – UNICAMP – Aula 19

Esta aula:
 Componentes Simétricas - Aplicação

Desequilíbrio em sistemas trifásicos podem ser


causados por:
 Geradores não equilibrados,
 Cargas não equilibradas,
 Linhas de transmissão não equilibradas.

Qualquer que seja ao motivo do desequilíbrio


de um sistema, a análise por meio de
componentes simétricas requer que
representemos todos os elementos do circuito
por meio de seus equivalentes em componentes
simétricas.

A transformação empregando componentes


simétricas levará a um circuito onde as
sequências são desacopladas (como em um
circuito equilibrado, onde as fases são
desacopladas), permitindo a análise isolada de
cada sequência.

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Vamos estudar aqui como representar uma


carga equilibrada por meio de componentes
simétricas.

Antes, vamos estabelecer uma notação que


facilitará a manipulação das variáveis.

Na definição dos conceitos básicos de


componentes simétricas, escrevemos:

 VA  VA( 0 ) 
 V   T  V (1)  ,
 B  A 
VC  VA( 2) 
 

em que VA , VB e VC são os fasores no sistema


original, enquanto que V A( 0 ) , VA(1) e VA( 2) são os
fasores de referência de cada sequência (0, 1 e
2, respectivamente).

Chamaremos:

 VA  VA( 0) 
 
V ABC   VB  e V 012   VA(1)  .
 
VC  VA( 2) 
 

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Para uma carga qualquer, podemos escrever

V ABC  Z ABC I ABC ,

em que Z ABC é a matriz de impedância


(mostraremos mais adiante como determinar
uma matriz Z ABC ).

Sabemos que

V ABC  TV 012 e I ABC  TI 012

Portanto

TV 012  Z ABC TI 012

Pré-multiplicando ambos os lados por T 1 ,


temos

V 012  T 1 Z ABC TI 012 .



Z 012

Ou seja:

Z 012  T 1 Z ABC T

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Carga estrela equilibrada


Consideremos a carga equilibrada em estrela,
com uma impedância entre o neutro da carga e
o terra (g).
Ia
a
Vag
Van ZY
In
g
n
b ZY ZY Zn Vng
c
g

A tensão entre o ponto a e o terra, denotada por


Vag , vale

Vag  I a ZY  I n Z n

Sabendo que I n  I a  I b  I c , então

Vag  I a ZY  Z n   I b Z n  I c Z n

Usando o mesmo procedimento para as tensões


Vbg e Vcg , podemos escrever:

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Vag  ZY  Z n Zn Z n  I a 
  
 bg    Z n
V ZY  Z n Z n  I b 
 
 Vcg   Z n Zn ZY  Z n   I c 

Portanto, uma carga equilibrada em estrela, com


o neutro conectado ao terra, tem matriz de
impedância dada por

Z Y  Z n Zn Zn 
Z ABC   Zn ZY  Z n Zn 
 
 Z n Zn ZY  Z n 

Calculando Z 012 , usando Z 012  T 1 Z ABC T ,


chegamos a

ZY  3Z n 0 0
Z 012  0 ZY 0
 
 0 0 ZY 

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Portanto

VA( 0)  ZY  3Z n 0 0  I (A0) 


 (1)    
 VA    0 ZY 0   I (A1) 
 ( 2)
VA( 2 )   0 0 ZY  I A 
 

Ou

VA( 0)  Z Y  3Z n I (A0)
VA(1)  Z Y I (A1)
VA( 2)  ZY I (A2)

Vemos, então, que as três componentes são


desacopladas.

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Representado por meio de circuitos, temos:

I(0)
A ZY

VA(0) 3Z n

Z 0 = ZY + 3Z n

I(1)
A
ZY I(2)
A
ZY

VA(1) VA(2)

Z1 = ZY Z 2 = ZY

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A partir deste caso geral, podemos derivar casos


particulares:

Carga equilibrada em estrela, com


aterramento:

Z0 = ZY + 3Zn
Z1 = ZY
Z2 = ZY

Carga equilibrada em estrela, solidamente


aterrada ( Zn = 0):

Z0 = Z1 = Z2 = ZY

Carga equilibrada em estrela, com centro


isolado

Neste caso, temos Zn = ¥. Para determinarmos


os valores das impedâncias Z 0, Z1 e Z 2 de cada
sequência, vamos buscar relações na forma

VA(0) VA(1) VA(2)


Z0 = (0) , Z1 = (1) e Z2 = (2)
IA IA IA

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Consideremos novamente o circuito anterior,


agora usando Zn = ¥.
Ia
a
Vag
Van ZY
In = 0
g
n
b ZY ZY Vgn
c
g

As tensões de fase podem ser escritas como:

Van  Vag  Vgn 


 V    V   V 
 bn   bg   gn 
 Vcn   Vcg  Vgn 

Mas, sabemos que

Van  ZY 0 0  I a 
V    0 ZY 0  I b  .
 bn    
 Vcn   0 0 ZY  I c 

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Portanto

 ZY 0 0  I a  Vag  1
0  
ZY 0  I b    Vbg   Vgn 1
   
 0 0 ZY   I c   Vcg  1

Aplicando a transformação para componentes


simétricas, temos

ZY 0 0  I (A0)  VA( 0)  1


0    
ZY 0  T  I (A1)   T  VA(1)   Vgn 1
  
 0 0 ZY  I A 
( 2)
 VA 

( 2)
 1

Pré-multiplicando ambos os lados por T 1 ,


temos

 ZY 0 0  I (A0)  VA( 0)  1


0  (1)   (1) 
ZY 
0  I A    VA   Vgn 0
  ( 2)  
 0 0 ZY  I A  VA 
( 2)
0

ou, ainda

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I (A0)  VA( 0)  1 
   
ZY  I (A1)    VA(1)   Vgn 0
 
 I A   VA 
( 2) ( 2)
0
   

Note, no entanto, que

I a  1 1 1  I (A0) 
I   1  2    I (1) 
 b    A 
 I c  1   2  I (A2) 
 

T
ou
I (A0)  1 1 1  I a 
 (1)  1  2  
I
 A  3  1   Ib
  
I A 
( 2)
1     I c 
2
    
T 1

Note ainda que, como não há conexão entre o


neutro da carga e o terra (veja o circuito),
temos:
I a  Ib  Ic  0 .

Assim, da expressão matricial acima, temos


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I A  I a  I b  I c   0 .
( 0)
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Portanto
 0   VA  1 
(0)

 (1) 
 (1) 
ZY I A   VA   Vgn 0
 ( 2)   
I A  VA 
( 2)
0

ou
VA( 0)   0  Vgn 
 (1)   I (1)    0 
V
 A   Z Y A   
 VA 
( 2)
I A   0 
( 2)
 

e finalmente
Z1  Z 2  ZY

Por fim, para determinarmos o valor de Z 0 ,


vamos relembrar que
( 0)
V
I (A0)  A .
Z0
e, para que I (A0 )  0 , devemos ter

Z0  

Note que a tensão do neutro (ou seja, a tensão


entre o neutro da carga e o terra) é a tensão da
sequência zero.

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Exercício:

Considere o circuito abaixo, com carga


equilibrada, e gerador desequilibrado.
Ia
a
Van ZY
n
Vcn Vbn
b
Ib
c ZY ZY

Ic

A impedância da carga é ZY  8  j 6 . O
gerador trifásico tem conexão estrela, com o
neutro conectado ao terra. As tensões de fase do
gerador são

Vag  210 V , Vbg   j 210 V e Vcg  j 210 V

Determine as correntes de linha.

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Solução:

Linhas gerais da solução: Vamos determinar as


componentes simétricas das tensões do gerador
e as impedâncias das sequências. Aplicando a
lei de Ohm, determinamos as componentes
simétricas das correntes. Por fim, convertemos
de volta para as grandezas originais.

Note que a carga tem a forma estrela


equilibrada, com centro isolado.

Portanto, sabemos que as impedâncias das


sequências zero, positiva e negativa são:

Z0  
e
Z1  Z 2  ZY  8  j 6

As componentes simétricas das tensões são:

VA( 0)  1 1 1  Vag 
 (1)  1  2  
V
 A  3  1   V
 bg 

VA( 2)  
1  2
   Vcg 
    
T 1

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Ou

1 1 1   210   70 
1
1   2   j 210    191,24 
3    
1     j 210   51,24 
2
 

T 1
Portanto

 VA( 0 )   70 
 (1)   V
V
 A    191, 24

VA   51,24 
( 2)
 

As correntes valem, então:

VA( 0) 70
I (A0)   0
Z0 

VA(1) 191,24
I (A1)    19,12  36,9 o A
Z1 8  j6

VA( 2)  51,24
I (A2)    5,12143,13o A
Z1 8  j6

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Agora, usando

I a  1 1 1  I (A0) 
I   1  2    I (1) 
 b    A 
 I c  1   2  I (A2) 
 

T

chegamos a

I a  14  36,9 o A

I b  22,13  145,3o A

I c  22,1371,6 o A

Note que, como esperado,

I a  I b  I c  0,
e
I a Z  I b Z  Vbn  Van  0 .

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