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RESUMO

Este trabalho tem como objetivo analisar a importância e os métodos de


impermeabilização na Engenharia Civil, através de levantamentos bibliográficos
e comparações de metodologias propostas por autores e normas técnicas. O
problema da impermeabilização mal executada é um dos mais perceptíveis em
uma obra, causando incômodo e danos estruturais. Atualmente, existem diversos
métodos de eficiência comprovada, adaptados para as mais diversas situações e
particularidades que possam surgir em um projeto. Ao longo do texto, muitos
desses métodos serão apresentados, bem como suas vantagens e desvantagens,
fazendo uma análise comparativa destacando fatores como a adequação ao local,
custo e tempo de aplicação de cada sistema.

Palavras-chave: Impermeabilização, Sistemas, Construção Civil.

INTRODUÇÃO

A impermeabilização tem como principal objetivo a proteção das edificações, que


sofrem efeitos negativos causados pelas infiltrações, vazamentos etc., sendo
conceituada pela NBR 12190/01 da Associação Brasileira de Normas Técnicas –
ABNT (2001) – como a proteção das construções contra a passagem de fluidos.

Segundo Dinis (1997) os sistemas de impermeabilização que hoje existem


trazem um hall de diferentes concepções e princípios de funcionamento,
passando pelos materiais utilizados e pelas técnicas de aplicação. Esta
diversidade gera várias possibilidades de classificações que ajudam no melhor
entendimento e possibilitam de forma geral comparar os diferentes tipos de
sistemas existentes no mercado nacional.

O objetivo dessa pesquisa é promover um estudo analítico, crítico e descritivo


acerca dos sistemas de impermeabilização. Através de uma revisão bibliográfica
sólida, conceituar criticamente e comparativamente as principais classificações
dos sistemas de impermeabilização, identificar os principais problemas
associados à impermeabilização, propondo soluções.
1. METODOLOGIA

Inicialmente, recorrer-se-á à pesquisa bibliográfica, de modo a efetuar uma


revisão do entendimento da literatura especializada acerca do tema. Serão
pesquisados, referenciados e citados não apenas livros como também artigos
publicados em periódicos especializados, teses e dissertações.

Na pesquisa documental, serão colhidas informações regulamentais da


Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT – e, quando cabível,
informações legais pertinentes à construção civil.

2.1 IMPERMEABILIZAÇÃO

A impermeabilização é um sistema com a função de selar, vedar os materiais


porosos e suas falhas, causadas, por deficiências técnicas de preparo e de
execução. Está técnica era empregada anos atrás pelos os romanos e os incas
através de (clara de ovo, sangue, óleos, etc.) com objetivos de impermeabilizar
saunas e aquedutos.

Inicialmente, é preciso esclarecer a subdivisão da impermeabilização conforme


Schlaepfer e Cunha (op. cit.) e como consta também na NBR 9575:2003. Há,
conforme este entendimento, dois tipos fundamentais de impermeabilização:
rígido e flexível. No que se refere à impermeabilização do tipo rígido, trata-se
de uma série de materiais que podem ser aplicados na construção e que não
estão sujeitos a fissurações. No que se refere à impermeabilização do tipo
flexível, passível de fissuração, existem as membranas e as mantas.

Para as impermeabilizações de tipo rígido, é possível que sejam compostas de


um dos seguintes (NBR 9575:2003, p. 5): argamassa impermeável com aditivo
hidrófugo; argamassa modificada com polímero; argamassa polimérica; cimento
cristalizante para pressão negativa; cimento modificado com polímero e
membrana epoxídica. Quanto às impermeabilizações de tipo flexível, podem ser
compostas de um dos seguintes (loc. cit.): membrana de asfalto modificado sem
adição de polímero; membrana de asfalto modificado com adição de polímero
elastomérico; membrana de emulsão asfáltica; membrana de asfalto
elastomérico em solução; membrana elastomérica de policloropreno e polietileno
clorossulfonado; membrana elastomérica de poliisobutileno isopreno (I.I.R), em
solução; membrana elastomérica de estireno-butadieno-estireno (S.B.S.);
membrana de poliuretano; membrana de poliuréia; membrana de poliuretano
modificado com asfalto; membrana de polimero modificado com cimento;
membrana acrílica; manta asfáltica; manta de acetato de etilvinila (E.V.A.);
manta de policloreto de vinila (P.V.C.); manta de polietileno de alta densidade
(P.E.A.D.); manta elastomérica de etilenopropilenodieno-monômero (E.P.D.M.)
e manta elastomérica de poliisobutileno isopreno (I.I.R).

2.1.1 IMPERMEABILIZAÇÃO DO TIPO RÍGIDO:

Pode-se dizer que este tipo de impermeabilização se dá com a aplicação da


camada estanque na base sem outras camadas presentes e complementares.
Pode ser feita com diversos tipos de materiais, entre eles os aditivos hidrófugos,
que consistem em materiais que reagem com o cimento conforme ocorre a
hidratação.

Segundo dados da Denver Impermeabilizantes (2014), sua composição é de


silicatos e sais metálicos. Conforme dados do grupo Sika, tais aditivos
inviabilizam a absorção capilar, preenchendo espaços nos capilares, conferindo
assim a impermeabilidade necessária ao concreto e argamassa. Deve-se aplicar
o aditivo hidrófugo a argamassas de revestimento usados em componentes não
passíveis de movimentação estrutural, o que acabaria por gerar fissuração,
conforme Cunha e Neumann (1979). Tal técnica é benéfica por sua aplicabilidade
prática, rápida e fácil, embora apresente como obstáculo a necessidade de ser
aplicada simultaneamente a outro sistema, para que se tenha a estanqueidade
devida.

Existem também os cristalizantes, cimentos especiais com aditivos minerais com


capacidade de penetrar na estrutura, gerando então uma substância gelatinosa
cristalizante, fazendo incorporar ao substrato insolúveis compostos de cálcio. Há
dois subtipos de compostos cristalizantes: cimentos cristalizantes, que têm como
função selar os poros do concreto; e cristalizantes líquidos formados por silicatos
e resinas, que impedem a ação da umidade a partir do preenchimento de espaços
vazios em alvenarias.

As argamassas poliméricas, segundo Silveira (2001), consistem em materiais


formados por cimentos especiais e látex de polímeros cuja aplicação se dá de
maneira similar ao processo de pintura, gerando assim uma camada
impermeável, com uma grande capacidade de aderência, garantindo proteção
contra as pressões d’água.

2.1.2 IMPERMEABILIZAÇÃO FLEXÍVEL:

A impermeabilização flexível é compreendida como o conjunto de materiais ou


produtos aplicados nas partes da construção que são sujeitas a fissuras, podendo
ser de dois tipos: as membranas, que são moldadas no próprio local, e as mantas,
que podem ou não ser estruturadas, ou pré-fabricadas.

A principal vantagem das membranas em relação às mantas é que as membranas


não apresentam emendas. Segundo Cichinelli (2004) as membranas exigem um
rígido controle da espessura e, consequentemente, da quantidade de produto
aplicado por metro quadrado.

2.1.2.1. MEMBRANA DE POLÍMERO MODIFICADO COM


CIMENTO:

Um exemplo de impermeabilizante flexível é a membrana de polímero modificado


com cimento, cuja principal indicação é na impermeabilização de torres de água
e reservatórios de água potável elevados ou apoiados em estruturas de concreto
armado. O sistema é composto por resinas termoplásticas e cimento aditivado,
o que resulta em uma membrana de polímero que a modificada com cimento,
como por exemplo, o VIAPOL (2008.) Uma de suas principais características é a
resistência a pressões hidrostáticas positivas. É facilmente aplicável, não altera
a potabilidade da água, é atóxica, não tem cheiro e acompanha as
movimentações estruturais e fissuras, de acordo com o previsto nas normas
brasileiras (Denver, 2008).

2.1.2.2 MEMBRANAS ASFÁLTICAS:

As membranas asfálticas são materiais impermeabilizantes à base de CAP


(Cimento Asfáltico de Petróleo). De acordo com Sabbatini (2006) essas
membranas podem ser divididas em relação ao tipo de asfalto utilizado:
 Emulsão Asfáltica: proveniente da dispersão de asfalto em
água, com a adição de agentes emulsificantes. É um material
barato, de fácil aplicação e destina-se, principalmente, a
estruturas sujeitas a movimentação, onde não ocorre retenção
de água. Sua aplicação é feita a frio, quase sempre sem
acréscimo de estruturantes.
 Asfalto Modificado com Adição de Polímero Elastomérico: obtido
pelo acréscimo de polímeros elastoméricos ao cimento asfáltico
de petróleo, em temperatura adequada. Pode ser aplicado a
quente ou a frio, e sua execução é devidamente estruturada.
 Asfalto Oxidado: um produto onde o cimento asfáltico de
petróleo tem suas características modificadas pela passagem de
ar através de sua massa em temperaturas muito elevadas,
sendo gradualmente fundido pelo calor, até que se obtenham
determinadas características físico-químicas. Sua aplicação é a
quente e sua execução é estruturada.

2.1.2.3. MEMBRANA ACRÍLICA:

É um impermeabilizante à base de resinas acrílicas dispersas, indicado para a


proteção de áreas expostas, como lajes de cobertura, marquises, telhados, pré-
fabricados e outros (Denver, 2008). Uma das vantagens desse sistema é que ele
não demanda uma camada de proteção mecânica (contrapiso) sobre a
membrana. Isso somente se fará necessário se houver trânsito muito intenso de
pessoas sobre a laje, ou se ela for destinada a tráfego de automóveis. Em
contrapartida, a ausência da proteção mecânica exigirá a reaplicação periódica
do produto.

2.1.2.4. MANTAS ASFÁLTICAS:

São produzidas a partir de asfaltos modificados com polímeros e armados com


estruturantes especiais e seu desempenho depende da composição desses dois
componentes. O agente responsável pela impermeabilização é o asfalto
modificado presente em sua composição.

Figura: 1 Impermeabilização com manta asfáltica.


Fonte: https://5sdedetizadora.com.br/servicos/impermeabilizacao/impermeabilizacao-
cobertura-predio/
De acordo com a ABNT NBR 9952/2007 de 09 de abril de 2007, os tipos de asfalto
a serem utilizados na composição das mantas são os seguintes: elastométicas,
que sofrem a adição de elastômeros em sua massa. Normalmente é usado o SBS
(Estireno – Butadieno – Estireno); plastoméricas, mantas com adição de
plastômeros à sua massa, geralmente o APP (Polipropileno Atático); oxidado:
mantas de asfalto oxidado, policondensado, ou com a adição de uma mistura
genérica de polímeros.

Ainda de acordo com a classificação da mesma norma, em relação ao


estruturante interno, as mantas asfálticas podem ser dos seguintes tipos: filme
de polietileno, véu de fibra de vidro, não tecido de poliéster e tela de poliéster.
As mantas podem ter de 3 a 5 mm, e quanto maior a espessura melhor é o seu
desempenho. O acabamento aplicado às mantas pode ser classificado em:
granular, metálico e antiaderente.

De acordo com as observações de Mello (2005), as principais vantagens no uso


das mantas asfálticas são: espessura constante; fácil controle e fiscalização;
aplicação em uma única vez; menor tempo de aplicação, pois não é necessário
aguardar a secagem.

Quando se efetua a impermeabilização com mantas asfálticas, as emendas são


os principais pontos críticos. Pereira (1995) conclui em sua pesquisa sobre
emendas de mantas asfálticas que, ao utilizar como adesivo um elastômero
especial de poliuretano, o mesmo atende perfeitamente a colagem entre as
mantas asfálticas, eliminando de vez a colagem de mantas com asfalto quente
ou maçarico. Sendo assim, os problemas que ocorrem com o superaquecimento
da manta são reduzidos, impedindo a alteração química do polímero incorporado
na massa ou a destruição do estruturante interno, e com isso reduzindo a
capacidade da manta de absorver as fissuras do substrato.

2.1.2.5. AS MANTAS DE PVC:

São compostas, de acordo com Cimino (2002), por duas lâminas de PVC, com
espessura final de 1,2 a 1,5 mm, e por uma tela trançada de poliéster. São
indicadas principalmente para a impermeabilização de piscinas, reservatórios de
água, cisternas, e caixas d’água de qualquer formato ou tipo, bem como para
coberturas, planas ou curvas.

As emendas são tratadas por termofusão, com equipamentos apropriados e que


controlam a temperatura e a velocidade de deslocamento. As soldas são duplas,
paralelas e com um espaço vazio entre elas, permitindo a realização de um teste
de pressão, ou vácuo, ainda durante a instalação, para que se verifique a
estanqueidade. As mantas de PVC devem ser fixadas com parafusos e arruelas
especiais, após o que, outra camada de manta é superposta, usando-se os
equipamentos de termofusão. (Silva e Oliveira, 2006.) Já nos casos de
impermeabilização de reservatórios ou estruturas enterradas, a manta é
instalada diretamente sobre uma manta geotêxtil de 3,5 mm de
espessura, conforme Cimino (2002).

Figura 2. Aplicação da manta de PVC.

fonte:
http://techne17.pini.com.br/engenharia-civil/144/impermeabilizacao-com-mantas-de-
pvc-veja-a-execucao-de-285757-1.aspx
Há diversas vantagens no seu uso: a não aderência ao substrato, eliminando o
risco de rompimentos face às movimentações da estrutura; o amplo
conhecimento que se possui sobre o comportamento do PVC, sua execução em
uma única camada que não requer proteção mecânica devido à dureza
superficial; a possibilidade de aplicação sobre pisos já existentes; resistência aos
raios ultravioleta; a não propagação de chamas e a rapidez e limpeza na
aplicação.

No entanto, também existem desvantagens: a dificuldade de detecção de


possíveis infiltrações, por não ser um sistema aderido, e a necessidade de mão
de obra especializada para sua colocação (Arantes, 2007). Outro ponto frágil
desse sistema são os flanges que precisam ser executados nas tubulações
quando se tratar da vedação de reservatórios, o que deve ser feito com extremo
cuidado.

3. INFLUÊNCIA DA ÁGUA NAS EDIFICAÇÕES

A principal causa das inúmeras patologias encontradas nas edificações é a água,


de forma direta ou indireta, em estado líquido, sólido ou gasoso. Nesses
ambientes ela precisa ser vista como agente de degradação ou veículo para a
instalação de outros agentes (Queruz, 2007). De acordo com as observações de
Lersch (2003), os tipos de umidade encontrados nas construções são: umidade
de infiltração; umidade ascensional; umidade por condensação; umidade da obra
e umidade acidental.

3.1. UMIDADE DE INFILTRAÇÃO

Esse problema ocorre quando a umidade passa das áreas externas para as
internas, através de pequenas trincas, pela capacidade de absorção de umidade
do ar apresentada pelos materiais utilizados na construção, ou mesmo por falhas
de interface entre os elementos construtivos. Normalmente é causada pela água
da chuva, que, se combinada com a ação do vento, pode agravar a infiltração
através do aumento da pressão de infiltração.

3.2 UMIDADE ASCENSIONAL

Figura 3. Umidade Ascensional


fonte:
http://www.polideck.com.br/umidade_ascendente_polideck_impermeabilizacao.html
Esse tipo de umidade se caracteriza pela presença de água originada do solo,
tanto em virtude de fenômenos sazonais, quanto devido à presença permanente
da umidade de lençóis freáticos superficiais. É percebida principalmente em
paredes e pisos, e de acordo com Verçoza (1991 apud Souza, 2008), não
ultrapassa a marca de 0,8 m de altura.

3.3. UMIDADE POR CONDENSAÇÃO

A umidade por condensação ocorre devido à presença de elevada umidade no ar


e à existência de superfícies que estejam com temperatura abaixo do ponto de
orvalho. Quando a umidade é resfriada, reduz-se a capacidade de sua absorção
pelo ar, ocorrendo o fenômeno conhecido como precipitação, na interface de uma
parede. Quanto mais densos os materiais da parede, maior é o ataque da
condensação. Klüppel e Santana (2006 apud Queruz, 2007) concluem que esse
tipo de agente não penetra muito profundamente nos elementos.

3.4. UMIDADE DE OBRA


Ainda de acordo com Queruz (2007), a umidade de obra é caracterizada como a
umidade que ficou interna aos materiais por ocasião de sua execução e que acaba
por se exteriorizar em decorrência do equilíbrio que se estabelece entre material
e ambiente. Um exemplo desse tipo de situação é a umidade contida nas
argamassas de reboco, que transferem o excesso de umidade para a parte
interna das alvenarias, exigindo um prazo maior do que o da cura do próprio
reboco para entrar em equilíbrio com o ambiente interno.

3.5. UMIDADE ACIDENTAL

Esse tipo de umidade é causado principalmente por falhas nos sistemas de


tubulações de águas pluviais, esgoto e água potável. Essas falhas geram
infiltrações de grande importância e que podem trazer, inclusive, danos à
segurança das edificações e à saúde das pessoas que ali vivem. Aparece com
mais frequência em construções mais antigas e é comum que se encontrem
materiais com o tempo de vida excedido e não incluídos nos planos de
manutenção predial.

CONCLUSÃO

A construção civil é o setor que mais cresce, busca-se melhorias e técnicas


inovadoras que possibilitem o melhor resultado de aplicação e produtos que
melhore a vida útil da construção, amenizando ou eliminando agente prejudiciais
a estrutura.

Baseado nas pesquisas o referido trabalho mostrou que o sistema de


impermeabilização, ainda é pouco empregado, é visto como um segundo plano
na hora de se construir, esquecendo que a não aplicação gera grandes
consequências acarretam muitos prejuízos. Torna-se essencial que a
impermeabilização faça parte desde a concepção do projeto momento o qual é
planejado todas as técnicas e evitando posteriormente degradação da estrutura.

São empregados diversas técnicas impermeabilizantes para redução ou


eliminação dessas patologias, como mostrado no texto, maioria dos problemas é
causados por infiltração da água na edificação.
Portando é primordial que a impermeabilização seja executada por profissionais
qualificados e competentes, aplicação deste método é viável que seja feito em
todas as edificações visando prevenir possíveis patologia ou interferência na vida
útil do imóvel.

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[1]
Graduanda em Engenharia Civil. Centro Universitário do Norte.

Enviado: Novembro, 2018

Aprovado: Dezembro, 2018

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