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Crimes Ambientais no Espírito Santo

MPF/ES denuncia industrial por crime ambiental


O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF/ES) denunciou por crime ambiental e crime
de usurpação de matéria-prima pertencente à União o industrial Adenes Ferrari. O denunciado
fez extrações de argila no município de Boa Esperança, região norte do Espírito Santo, sem
autorização do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), e sem licença ambiental,
expedida pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Em depoimento, o denunciado afirmou que havia ingressado com os pedidos de títulos


minerários e licença ambiental para a extração de argila em 2005, mas que deu início à extração
antes de obter resposta aos seus requerimentos.

De acordo com o artigo 7º do Decreto-Lei nº 227/67, "o aproveitamento das jazidas depende de
alvará de autorização de pesquisa, do diretor-geral do DNPM, e de concessão de lavra,
outorgada pelo Ministro de Minas e Energia". Como não havia concessão de lavra, a extração de
argila, cuja propriedade é da União, configura o crime de usurpação de matéria-prima
pertencente à União. Por não ter licença ambiental para a extração de recursos minerais, o
denunciado também responderá por crime ambiental.

A pena para quem pratica o crime de usurpação de bens da União é de detenção de um a cinco
anos e multa. Já para a prática de crime ambiental a pena é de detenção, de seis meses a um
ano, e multa.

Diretores de empresa são denunciados pelo MP-ES por crime ambiental após
vazamento no Rio Castelo
Diretores da companhia de alimentos Uniaves foram denunciados pelo Ministério Público do
Estado do Espírito Santo (MP-ES) por crime ambiental, pela poluição do Rio Castelo. Segundo o
órgão, um vazamento causou a morte de peixes e destruição significativa da flora local.

Houve o rompimento da tubulação de um tanque que armazenava uma substância química


chamada cloreto férrico. A caixa de contenção, que deveria conter o produto químico em caso
de vazamento, estava interligada à rede de drenagem, o que permitiu que cerca de 15 mil litros
da substância fossem lançados diretamente no rio.

O Ministério Público também explicou que o dano se estendeu do distrito de Aracuí, em Castelo,
onde está sediada a empresa, até o distrito de Conduru, em Cachoeiro de Itapemirim, município
vizinho.

Os peixes começaram a aparecer mortos no Rio Castelo no dia 29 de outubro de 2017. No dia
seguinte, fiscais do Instituto Estadual de Meio Ambiente (IEMA) descobriram a contaminação
por cloreto férrico e a procedência. Na época, toda a captação de água foi suspensa na região
de Conduru.

A Uniaves fez uma limpeza no rio durante dois dias, determinada pelo IEMA. Uma multa também
foi determinada. A empresa também plantou árvores nativas às margens do rio, em áreas onde
máquinas precisaram passar para fazer a limpeza.
Casos de crimes com decretação de prisão em flagrante no momento das autuações
no município da Serra de 2006 a 2015

Polícia Ambiental flagra obras irregulares em Área de Preservação Permanente da


praia de Barra Nova
Policiais militares da 3ª Companhia do Batalhão de Polícia Militar Ambiental, receberam uma
denúncia via telefone 181 sobre a construção de quiosques de forma irregular em Área de
Preservação Permanente, na Praia de Barra Nova Norte, São Mateus.

Chegando ao local, os policiais verificaram que havia duas barracas construídas com madeira,
lona, tecidos, palhas de coco e corda, em um local com características de duna, na faixa de areia
da praia, às margens da foz artificial do Rio Mariricu. As edificações foram levantadas em um
local onde a vegetação de restinga, que tem a função fixadora de dunas, está praticamente
extinta em razão, sobretudo, do pisoteamento humano.
As barracas estavam sendo utilizadas como quiosques de comercialização de comidas, bebidas
e fornecimento de sombra para os frequentadores da praia. Os responsáveis foram indagados
sobre a licença ambiental para edificação em Área de Preservação Permanente e disseram não
possuir.

Como tal conduta é prevista como crime, conforme o artigo 60 da Lei de Crimes Ambientais,
ambos os abordados deverão comparecer ao Juizado Especial Criminal de São Mateus para
prestar esclarecimentos, e poderão ser processados. Caso condenados, estarão sujeitos à multa
e/ou detenção de seis meses a um ano. Os militares determinaram ainda a desmontagem das
barracas e retirada de todos os materiais que estavam suprimindo a vegetação de restinga,
providência que foi imediatamente iniciada pelos abordados.

Segundo o capitão Fabrício Pereira Rocha, comandante da 3ª Companhia do Batalhão de Polícia


Militar Ambiental, a Praia de Barra Nova possui locais com características geomorfológicas de
dunas, como prevê o artigo 2º, inciso X da Resolução CONAMA 303/2002. A vegetação de
restinga ali presente tem a função fixadora, de tal forma que a sua supressão pode gerar danos
irreparáveis ao meio ambiente. Não foi à toa que o legislador reservou lugar especial para este
tipo de local e os definiu como Áreas de Preservação Permanente, de forma que qualquer
intervenção deve ser devidamente autorizada pelos órgãos ambientais competentes, sob pena
de incorrer em crime ambiental.

Polícia Ambiental flagra captações hídricas irregulares no norte do ES


Nesta segunda-feira o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) intensificou as fiscalizações
nos rios da região norte do Estado. Nos municípios de São Mateus e Jaguaré foi identificada
captação irregular de água com utilização de bombas hidráulicas.

Em atendimento a denúncias para garantir o abastecimento hídrico no local, uma equipe do


BPMA prosseguiu à zona rural de São Mateus, na localidade de Córrego do Chiado onde foi
identificada uma barragem no leito do córrego, possuindo área alagada de 5.000 m², com
instalação de uma bomba de captação hídrica e um poço semi-artesiano, ambos sem os devidos
documentos licenciadores.

Já em Jaguaré, os policiais fiscalizaram propriedades rurais ao longo do Rio Barra Seca, córrego
Devens e córrego Sucupira. Foram flagradas cinco bombas de água instaladas, a construção de
um poço semi-artesiano e poços escavados de forma irregular, danificando área considerada de
preservação permanente.

Por se tratar de crime realizar obra potencialmente poluidora sem autorização do órgão
competente, os proprietários assinaram termo circunstanciado e serão intimados pela Justiça.
Sendo a pena de um a seis meses de prisão, além de multa.
Poços artesianos e uma barragem são identificados no Rio Bananal
Sete poços artesianos foram identificados no Córrego Araújo, zona rural de Rio Bananal. Além
de uma barragem cobrindo uma parte do rio. As atividades eram realizadas sem autorização
ambiental.

O Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) recebeu uma denúncia sobre a construção de
poços artesianos e captação de água para irrigação de lavoura, uma equipe foi ao local e
verificou os fatos.

No local, um funcionário do proprietário acompanhou a fiscalização. Foram constatados sete


poços artesianos recentes, fora de área de preservação permanente.

Seis poços estavam inativos e não estavam acoplados a bombas hidráulicas, porém, um poço
estava com uma bomba hidráulica submersa com o encanamento direcionado a caixa d’água de
uma residência. Também foi identificada uma barragem no mesmo terreno com fins de
irrigação.

O infrator informou possuir a outorga para o uso da água, porém como esta não foi apresentada,
foi orientado a retirar o encanamento que leva água do poço artesiano até a barragem.

O proprietário cometeu crime de construir serviços potencialmente poluidores sem licença


ambiental. A detenção prevista é de um a seis meses, além de multa. O termo de compromisso
foi assinado.

Vale é multada em R$ 6 milhões pelo Instituto de Meio Ambiente do ES


A Vale foi multada em R$ 6 milhões pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos
Hídricos (Iema) por deixar cair carvão, minério de ferro e fertilizante no meio ambiente, durante
operação nos píeres destinados aos produtos, localizados no Complexo de Tubarão, em Vitória.

A poluição foi constatada durante vistoria realizada no local. O Iema tem o poder de multar
porque é órgão licienciador do empreendimento e fiscalizador.

Segundo informações do Iema, técnicos ambientais realizaram uma vistoria nos píeres no dia 1º
de fevereiro. Durante a fiscalização, constataram o derramamento dos produtos. Em
decorrência disso, a mineradora foi multada no dia 5.

A empresa tem 15 dias para apresentar uma defesa, que vai ser analisada pelo Iema. Os
terminais ainda não foram interditados desta vez.

A Vale também foi intimada pelo Iema “a remover todo o resíduo de minério, a manter todo o
local limpo e a intensificar as medidas de limpeza”. Deve ainda aumentar o número de pessoas
e máquinas, para que os píeres fiquem limpos.

Recorrência
O derramamento de minério de ferro e carvão foi o que motivou a interdição das atividades do
Complexo de Tubarão – administrado pela Vale –, pela Polícia Federal, no dia 21 do mês passado.
O motivo foi crime ambiental decorrente da poluição.
Neste caso, a decisão partiu da Justiça Federal Criminal em Vitória, assinada pelo juiz Marcus
Vinicius Figueiredo de Oliveira Costa. Ele aceitou uma representação feita pelo delegado federal
de crimes ambientais, Décio Ferreira Neto.

Em novembro do ano do ano passado, o delegado realizou vistoria no complexo e constatou o


derramamento dos produtos no mar. “Foi quando filmamos a chuva de minério que caía em
cima de nossa lancha”, relatou.

A interdição foi suspensa no dia 25 de janeiro, por decisão do magistrado Vigdor Teitel, do
Tribunal Regional Federal da 2ª região (TRF2), no Rio de Janeiro. Mas ele determinou que a
empresa adote um conjunto de medidas de controle da poluição, e estabeleceu prazo de 60
dias. A mineradora recorreu contra a decisão.

Prazos
A Vale também foi multada pela Secretaria de Meio Ambiente de Vitória em mais de R$ 34
milhões. E pediu prorrogação para os prazos de recursos para o próximo dia 23.

O benefício foi concedido pela Prefeitura de Vitória a ela e também à ArcelorMittal, multada no
mesmo valor, que agora terá até o dia 14 para recorrer.

Dezenove multas que não foram pagas


Um levantamento realizado pelo jornal A Gazeta revelou que a Vale possui pelo menos 19
multas aplicadas pelos municípios de Vitória, da Serra e pelo Instituto Estadual de Meio
Ambiente (Iema) ao longo dos últimos 15 anos e não pagas pela mineradora. Todas estão
relacionadas de alguma forma a danos ao meio ambiente.

O cálculo não inclui as cinco multas dadas à empresa pela Prefeitura de Vitória e que somam
mais de R$ 34 milhões, mas que ainda estão dentro do prazo de recurso.

Antes dessas multas, a mais alta veio do município da Serra, onde a Vale também não pagou a
multa de R$ 4.602.300,00 aplicada pelo município. A sanção foi por causa de vazamento de óleo
na lagoa Pau-Brasil, localizada entre os bairros Hélio Ferraz e Manoel Plaza.

Já a Prefeitura de Vitória informou que a mineradora tem em seu histórico 13 autos de infrações,
todos de 2001, e igualmente judicializados. Segundo a prefeitura, a maioria das infrações estão
relacionadas a descumprimento de condicionantes ambientais.

O Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) aplicou cinco multas à Vale nos últimos três anos.
Nenhuma das multas foi paga e estão em fase de recurso, segundo a própria Vale. A maior é de
2011, com valor de R$ 3,36 milhões. A mineradora recorreu da decisão em outubro do mesmo
ano.

Em 2015, a Vale foi multada em R$ 220 mil e recorreu em agosto. O motivo foi o lançamento de
minério de ferro no mar.