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Maria Paz Fuenzalida

Julia Dalla Costa

Mara Palhares

PERFIL DOS TRABALHADORES


DA CULTURA DO DF
2014-2015

1ª edição

Brasília

ATHALAIA GRÁFICA E EDITORA LTDA

2016
F954 Fuenzalida, Maria Paz.
Perfil dos trabalhadores da cultura do DF : 2014-2015 / Maria Paz
Fuenzalida, Julia Dalla Costa, Mara Palhares. – Brasília : Athalaia, 2016.
92 p.

ISBN 978-85-62539-38-1

1. Mercado de trabalho, Distrito Federal (Brasil). 2. Cultura, Distrito Federal


(Brasil). I. Dalla Costa, Julia. II. Palhares, Mara. III. Título.

CDD 331.12098174
FICHA TÉCNICA

Equipe de Pesquisa

Albergue Criativo

Bernardo Chacur

Cleide Vilela

Gabriel Gontijo

Julia Dalla Costa

Mara Palhares

Maria Paz Fuenzalida

Revisão

Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva

Edição/Diagramação

Albergue Criativo
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Para Lia.
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

AGRADECIMENTOS
A pesquisa Perfil dos Trabalhadores da Cultura no Distrito Federal 2014-2015
não seria possível sem o financiamento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e o
apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal (SECULT).

Agradecemos a Lia Josetti, Júlio César Campos, Catarina Prazeres e Tayná


Wolff em nome dos pesquisadores das equipes de campo pelo empenho, pois,
mesmo com o tempo prolongado, não perderam o foco e a dedicação. Ainda,
à parceria profícua com o Albergue Criativo, que permitiu que conseguíssemos
superar as dificuldades encontradas e finalizar a pesquisa com sucesso, com
ênfase na idealização gráfica de Eduardo Damasceno.

Cabe ainda destacar a atuação de colaboradores que viabilizaram a pesquisa,


como Bernardo Chacur, responsável pela pesquisa e análise de documentos do
Arquivo da Secretaria de Cultura; Cleide Vilela, compôs a equipe que elaborou
o projeto submetido ao edital do FAC, auxilou no desenho inicial da pesquisa
e participou das discussões acerca do instrumento de coleta de dados; Gabriel
Gontijo, no excepcional trabalho estatístico e consolidação dos dados coletados;
Gislene Barral pela revisão; e Stella Vaz, por seu serviço catalográfico. Também,
agradecemos a revisão e crítica dos amigos Júnia Lima, Tiago de Aragão e
Danilo Vieira.

Por fim, registramos que essa publicação é resultado do trabalho de coleta,


organização e análise de dados, consolidação, relatoria, escrita do texto final
e revisão das pesquisadoras Maria Paz Fuenzalida, Julia Dalla Costa e Mara
Palhares.
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

SUMÁRIO

Apresentação 13

1. Introdução 15

2. Considerações teóricas 19

3. Metodologia de pesquisa 23

3.1 Campo da pesquisa 26

4. Resultados da pesquisa 27

4.1 Perfil socioeconômico 27

4.2 Formação artística 35

4.3 Perfil Profissional Básico 41

4.4 Perfil Profissional Não Artístico 42

4.5 Perfil Profissional Artístico 50

4.5.1 Remuneração da atividade artística 59

4.5.2 Percepção de reconhecimento do trabalho artístico-cultural 62

4.5.3 Inclusão digital 65

4.5.4 Consumo de produtos da cultura local 69

4.6 Acesso a financiamento 71

4.7 Cadeia produtiva 76

5. Conclusões 83

Bibliografia 87

Lista de Siglas 90

Lista de Tabelas 91

Lista de Gráficos 92
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

APRESENTAÇÃO
A realização desta pesquisa tornou-se possível graças ao financiamento do
Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, por
meio do Edital 05/2013 – Indicadores, informações e qualificações.

Mesmo com os estudos e discussões recentes, percebemos a existência de


lacuna com relação a dados do setor cultural no Distrito Federal. Assim encontra-
mos, por meio desse edital do FAC, a oportunidade de elaborar uma pesquisa
cujo objetivo seja contribuir com informações e reflexões acerca da cultura no DF,
especificamente dos trabalhadores desse segmento.

A Fato Consultoria e Pesquisa Social surgiu do interesse em investigar a reali-


dade social, trazendo contribuições das Ciências Sociais e áreas afins. Dessa for-
ma, buscamos agregar a esta pesquisa o conceitual teórico ao prático, a fim de
traçarmos um panorama geral da situação dos trabalhadores da cultura do DF.

Assim, esta pesquisa tem a intenção de trazer novos elementos para colaborar
com o grupo dos trabalhadores da cultura, acadêmicos e os setores público e pri-
vado em debates, novos estudos, elaboração e adaptação de políticas públicas,
entre outros.

Julia Dalla Costa e Maria Paz Fuenzalida


Sócias fundadoras

Fato Consultoria e Pesquisa Social

Apresentação 13
14
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

1. INTRODUÇÃO

A consolidação de informações estatísticas referentes ao setor cultural no Bra-


sil ainda é recente e suas configurações atuais refletem os esforços dos trabalhos
de instituições como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministé-
rio da Cultura (MinC) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Na década de 1990 pode-se destacar a pesquisa Diagnóstico dos investi-


mentos em cultura no Brasil, realizada pela Fundação João Pinheiro (FJP) por
encomenda do MinC. Esse estudo analisou os gastos em cultura do setor público
(esfera federal, estadual e capitais), das maiores empresas públicas e privadas,
bem como a participação do setor cultural no Produto Interno Bruto (PIB), através
de dados do IBGE (Censos Econômicos de 1981 e 1985, Censo Demográfico
de 1991, Estatísticas Econômicas da Administração Pública) e do Ministério do
Trabalho e Emprego (Relação Anual de Informações Sociais – RAIS).

Nesse momento já se discutia a necessidade de produzir informações sistemá-


ticas e periódicas sobre a área cultural. O Plano Plurianual (PPA 1996-1999) no
capítulo Cultura, Justiça, Segurança e Cidadania já definia como meta a “oferta
de um sistema integrado de informações culturais, de modo a apoiar a gestão

Introdução 15
cultural e socializar o acervo de conhecimentos, dados e indicadores disponíveis
no setor” (BRASIL, 1996). Apesar disso, durante esse período, os esforços para
consolidar tais informações não tiveram grande êxito.

A partir dos anos 2000, novas ações começam a delinear os rumos da con-
solidação das estatísticas culturais para os dias atuais. A princípio, IBGE, MinC
e IPEA firmaram parcerias para sistematizar informações relacionadas ao campo
da cultura, tendo como base as estatísticas já regularmente produzidas pelo IBGE
sobre a oferta de bens e serviços culturais, seu consumo e as características da
mão de obra ocupada desse setor.

Complementarmente, a partir de 2001, o IBGE1 incorporou à Pesquisa de


Informações Básicas Municipais (MUNIC) um bloco com questões sobre cultura,
buscando aferir dados sobre equipamentos culturais e existência de Conselhos
de Cultura nos municípios. Em seguida, a partir das informações produzidas pela
MUNIC de 2006, o instituto publicou suplemento especial com análise destes da-
dos e, em sua edição de 2015, já incorporou os dados da Pesquisa de Informa-
ções Básicas Estaduais (ESTADIC), para a apresentação do suplemento cultural.

A atual conjuntura das informações sobre o setor cultural se consolidou após


a aprovação do Plano Nacional de Cultura (2010), que criou o Sistema de Na-
cional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC). Ainda em fase de conso-
lidação, o SNIIC visa sistematizar dados de bens, serviços, infraestrutura, inves-
timentos, produção, acesso, consumo, agentes, programas, instituições e gestão
cultural, entre outros. Os entes da federação (municípios, estados e DF) devem ser
os principais parceiros do MinC na alimentação de informações desse sistema.
Um dos objetivos é trabalhar com dados abertos que possam ser alimentados, de
forma colaborativa, pelos entes federados e sociedade civil.

Além dos esforços do Governo Federal em consolidar informações estatísticas


sobre a área cultural, os entes da federação, bem como outras instituições, tam-
bém se dedicaram a incluir a temática da cultura em estudos específicos. Neste
recente período, destacam-se as pesquisas Cadeia produtiva da música em Belo
Horizonte (2010), realizada pela Fundação João Pinheiro, encomendada pelo
Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (SEBRAE-MG);
Além da diversão e arte, o pão: o mercado de trabalho da cultura na Região Metro-
politana de Belo Horizonte, realizado pelo Centro de Estudos Históricos e Culturais
da FJP.

1.  As fontes utilizadas foram Cadastro Central de Empresas, Pesquisa Industrial Anual – Empresa, Pesquisa Anual
de Comércio, Pesquisa Anual de Serviços, Pesquisa de Orçamentos Familiares, Estatísticas Econômicas das Adminis-
trações Públicas e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

16 Introdução
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

No Distrito Federal, registram-se estudos como: DF Criativa – Pesquisa de perfil


do consumidor cultural do DF Cinema e Música, sobre o consumo cultural, reali-
zada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal
(SEBRAE-DF); Bússola Cultural – Diagnóstico da atividade exercida por músicos do
Distrito Federal; Cartografia da Cultura Candanga, que mapeou expressões artís-
ticas e culturais do DF, os dois últimos executados por terceiros, apoiados com
recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC). Além disso, a
Pesquisa Distrital de Amostra Domiciliar (PDAD), executada pela Companhia de
Planejamento do Distrito Federal (CODEPLAN), também vem incluindo em seu
formulário itens para descrever consumo cultural, acesso a equipamentos culturais
pela população e seu uso.

Dessa maneira, percebe-se que mesmo com o crescente esforço em consubs-


tanciar esse tipo de informação, ainda não existem dados aprofundados sobre o
perfil socioeconômico dos trabalhadores da cultura no Distrito Federal.

Assim sendo, este projeto pretende caracterizar esse segmento, descrevendo


as características socioeconômicas dos artistas e produtores cadastrados no Ca-
dastro de Ente e Agente Cultural (CEAC), tais como formação, nível de formali-
dade, produção e consumo de bens e serviços, fontes de financiamento, média
salarial, carga horária, entre outros.

Mediante as informações coletadas, foi possível gerar dados que poderão


auxiliar a Secretaria de Cultura do DF a aperfeiçoar os procedimentos e políticas
públicas voltadas para o desenvolvimento do setor cultural no Distrito Federal,
bem como poderão compor a base de dados do Sistema Nacional de Informa-
ções e Indicadores Culturais (SNIIC), ainda em consolidação.

Vale ressaltar que este é o primeiro retrato da cultura do Distrito Federal, um


marco inicial para futuras pesquisas que possam descrever áreas específicas,
bem como a constituição de séries temporais, a partir dos parâmetros aqui es-
tabelecidos. Neste aspecto, nos preocupamos em utilizar categorias definidas
pelo Framework for Cultural Statistics da Organização das Nações Unidas para
a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)2 para que também seja possível
comparar estes dados com os de outras localidades.

2. O Framework for Cultural Statistics (FCS) é um marco que foi elaborado e disseminado nos anos de 1986 e
2001, que propõe parâmetros para a elaboração de pesquisas e padronização de dados estatísticos culturais. O
documento apresenta categorias e sugestões de elementos a serem quantificados. Exemplo: Categoria – Patrimônio
Cultural e Natural, Subcategoria – Monumentos Históricos, elementos a serem quantificados: censo dos monumentos
existentes, frequência de uso, despesas públicas, número de associações ligadas ao monumento. Além disso, o FCS
fornece base conceitual sobre a produção, difusão e uso da cultura, destacando-se a proposição de ciclo cultural,
que concebe a cultura com um produto de um conjunto de processos interconectados. Tal noção será aprofundada
no item 4.7, sobre cadeia produtiva.

Introdução 17
18
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

2. CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS

Ao nos propormos a descrever as atividades dos trabalhadores da cultura no


Distrito Federal, de princípio já esbarramos em categorias que, embora consoli-
dadas e amplamente conhecidas, exigem discussão e delimitação.

Conforme argumenta Stuart Hall (1997), durante o século XX, o conceito de


cultura tomou grande centralidade como categoria analítica e elemento expli-
cativo da sociedade. O autor afirma que durante o período, houve uma virada
cultural que expressou uma mudança de paradigma nas ciências humanas e
sociais, quando o conceito passou a ser considerado como elemento constitutivo
primordial da vida social e não mais como simples variável dependente de outros
fenômenos, tais como economia, política ou religião. Essa virada cultural teria se
iniciado com transformações na compreensão do fenômeno da linguagem, não
visto mais como mero conjunto de signos e discursos, mas como elemento privi-
legiado na circulação e produção de significados e sistemas de classificação.
Dessa feita, a cultura surge como “a soma de diferentes sistemas de classificação
e diferentes formações discursivas aos quais a língua recorre a fim de dar signifi-
cado às coisas” (HALL, 1997, p. 10).

Considerações teóricas 19
Com isso, fica o entendimento de que toda prática social depende de um
significado e, portanto, possui uma dimensão cultural. No entanto, podemos de-
preender disso que tudo é cultura? Somos todos trabalhadores da cultura?

De fato, esse sentido antropológico da palavra cultura é abrangente, pois


a entende como tudo aquilo que é fruto da interação social: os modos de agir,
sentir, pensar, as identidades, os produtos materiais e intelectuais, a religião, a
política, ou seja, o corpo social como um todo. Porém, para o que se pretende
alcançar nesta pesquisa, este conceito abrangente de cultura torna-se inviável,
pois, seguindo esta lógica, seríamos todos agentes de produção cultural e, por-
tanto, trabalhadores da cultura.

Com o intuito de delimitar o objeto da pesquisa, bem como seu campo analí-
tico, optou-se por trazer um entendimento mais específico de cultura, juntamente
com a noção de circuito cultural, para então definir o espaço em que se insere o
trabalhador cultural.

O conceito de cultura aqui utilizado associa-se ao que Isaura Botelho (2001)


define como a dimensão sociológica da cultura, que diz respeito à “produção ela-
borada com a intenção explícita de construir determinados sentidos e de alcançar
algum tipo de público através de meios específicos de expressão” (BOTELHO,
2001, p. 74). Sendo assim, nesta pesquisa, o entendimento de cultura se volta
para as atividades que envolvem a expressão artística, sejam elas em caráter
profissional ou amador.

Da mesma maneira, entenderemos a cultura inserida dentro de circuitos, deno-


minados circuitos culturais (BRUNNER, 1985), que compreendem uma “constela-
ção móvel e fluida de circuitos em que intervêm agentes diretos de produção sim-
bólica, meios, formas comunicativas, públicos e instâncias organizativas desses
circuitos”3 (BRUNNER, 1985, p. 1). Ou seja, a cultura como expressão artística
é composta por diversos circuitos culturais – circuito da música, do teatro, da
produção cultural, das artes circenses, do cinema, da cultura popular – e dentro
desses circuitos, que são estruturas fluidas e mutáveis, atuam diversos compo-
nentes, para além dos artistas em si, envolvendo os públicos, governos e demais
agentes culturais.

Brunner (1985) apresenta como componentes dos circuitos culturais os agen-


tes, que representam os artistas, produtores profissionais, empresas, instituições
públicas e outras associações; os meios, que são os elementos artísticos e simbóli-

3.  Tradução livre.

20 Considerações teóricas
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

cos com os quais os agentes interagem para gerar seus produtos culturais, “como
a música, a dança, o recital, a transformação de objetos e forças (...)”4 (BRUN-
NER, 1985, p. 9); as formas comunicativas, que são os canais de comunicação e
transmissão; os públicos, que para além do consumo, também são elementos de
recepção e (re)significação dos produtos culturais; e as instâncias organizativas,
que dinamizam o funcionamento desse conjunto de componentes e garantem seu
funcionamento, incluindo o mercado, a administração e as comunidades.

Assim sendo, pode-se notar a ampla relação do conceito de circuito cultural


proposto por Brunner com a definição de ciclo da cultura, descrito pelo Fra-
mework for Cultural Statistics da UNESCO5, que contempla etapas de criação;
produção; difusão; exibição/recepção/transmissão; e consumo/participação –
etapas essas que permeiam o funcionamento dos circuitos culturais.

Isto posto, temos que a noção de cultura delimitada para esta pesquisa envol-
ve esses circuitos culturais de produção artística e foca nos seus agentes individu-
ais (e não institucionais), ou seja, artistas e outros profissionais da cultura, aqui
denominados trabalhadores da cultura.

Além do mais, buscou-se, a partir desse segmento de trabalhadores da cultu-


ra, compreender dois ramos de atividades possivelmente desenvolvidas por eles:
uma não artística, com atividades econômicas que gerassem renda, mas que não
estivessem ligadas à área que o entrevistado identificasse como sua atividade
artístico-cultural; e a área artística em si, mas também considerando atividades
que o entrevistado descrevia como atividade artística, porém técnica, ou seja,
qualquer atividade artística que não envolva a criação, produção, execução de
material autoral de interesse artístico próprio.

Portanto, ao trazer a dimensão sociológica da cultura e os circuitos culturais,


este estudo descreve o perfil socioeconômico dos trabalhadores da cultura do DF
que possuem Cadastro de Entes e Agentes Culturais (CEAC)6 , ou seja, que já
tiveram algum tipo de relação com o poder público distrital.

4.  Tradução livre.


5.  A definição de ciclo cultural será aprofundada no item 4.7, na análise da Cadeia Produtiva.
6.  O CEAC é um cadastro de artistas, produtores e entidades culturais do DF, mantido pela Secretaria de Estado de
Cultura, que habilita os artistas e entidades a concorrer aos editais de apoio financeiro do Fundo de Apoio à Cul-
tura (FAC). Para inscrever-se no cadastro, o artista ou entidade deve comprovar experiência na área que pretende
candidatar-se, bem como ter residência de no mínimo dois anos no Distrito Federal. Para concorrer aos Editais do
FAC, o artista ou entidade deve ter CEAC ativo, ou seja, renovado há no máximo dois anos.

Considerações teóricas 21
22
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

3. METODOLOGIA DE PESQUISA

O maior desafio ao executar a pesquisa Perfil dos trabalhadores da cultura do


DF foi a escassez de dados sobre esse segmento profissional. Como discutido
anteriormente, as pesquisas com recorte de cultura são relativamente recentes
e os dados disponíveis ou são mais abrangentes, descrevendo as estruturas e
equipamentos culturais disponíveis nos municípios e estados, consumo cultural
do público geral, ou dedicam-se a descrever setores específicos, como dança,
música, audiovisual.

Assim, a intenção desta pesquisa foi levantar dados desse setor, tanto socio-
econômicos quanto artísticos e de atividades não artísticas que esse segmento
realiza.

De forma a viabilizar um recorte para a pesquisa, a ideia inicial foi buscar


uma amostra dentro do Cadastro de Entes e Agentes Culturais (CEAC) da Se-
cretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal (SECULT). Essa possibilidade
se mostrou pela grande quantidade de artistas, produtores e entidades culturais
possuírem esse cadastro para concorrerem aos editais de apoio financeiro do
Fundo de Apoio à Cultura (FAC). À época dos levantamentos preliminares para

Metodologia de pesquisa 23
o campo da pesquisa, estimou-se que havia cerca de 4.000 entes e agentes cul-
turais cadastrados no CEAC.

O FAC, criado em 1991, possui em seu arquivo todos os cadastros efetuados


desde então, ativos7 ou não. Assim, em acordo com a SECULT, a FATO, por meio
de levantamento junto ao arquivo do FAC, elaborou um banco de dados com os
contatos dos entes e agentes culturais que realizaram e/ou atualizaram o CEAC
entre 2004 e 2014.

Mesmo com a execução desse refinamento, notou-se que o banco de dados


do CEAC apresentava algumas lacunas. Decidiu-se, então, por traçar o universo
da pesquisa a partir da Pesquisa de Emprego e Desemprego no Distrito Federal
(PED-DF), resultado anual do mercado de trabalho no Distrito Federal em 2012,
divulgado em janeiro de 2013.Por essa se tratar de pesquisa acerca do Perfil dos
trabalhadores da cultura do DF, utilizamos como universo da pesquisa a popula-
ção economicamente ativa8 do Distrito Federal, qual seja 1.447.000 pessoas.
Com isso, mantendo-se a confiança da pesquisa em 95% e a margem de erro
em 5%, a amostra calculada foi de 385 indivíduos. Apesar disso, a aplicação
de questionários encerrou-se em 408 respostas de pessoas físicas e contou com
as informações do CEAC como forma de localizar os trabalhadores da cultura.

Para obter as informações aqui propostas, a pesquisa foi elaborada de forma


quantitativa e, assim, foi estabelecido que seria construído um questionário9 como
instrumento de coleta. Com tantas informações a serem levantadas, o questioná-
rio deveria apresentar o máximo de perguntas fechadas10 possível, com opções
de respostas que não inviabilizassem a compreensão do complexo campo dos
trabalhadores da cultura.

O questionário elaborado é composto por 8 páginas contendo 162 questões,


em sua maioria fechadas. As informações necessárias para poder traçar um perfil
inicial dos trabalhadores da cultura foram divididas em cinco blocos: 1) Perfil
Socioeconômico; 2) Perfil Educacional; 3) Perfil Profissional (Atividade Artística e

7.  A Secretaria de Cultura considera como CEAC ativo os cadastros que foram renovados nos últimos dois anos.
8.  População Economicamente Ativa (PEA) refere-se a pessoas de 10 a 65 anos de idade que foram classificadas
como ocupadas ou desocupadas na semana de referência da pesquisa. (IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, 2016).
9. Questionários cumprem pelo menos duas funções. A primeira delas é descrever as características de determinado
grupo, de modo a possibilitar caracterizá-lo; a segunda é a medição de determinadas características, exploradas
por meio de variáveis individuais ou grupais (RICHARDSON, 2010).
10.  A pergunta fechada é caracterizada por questionamentos ou afirmações apresentados já com categorias ou
alternativas de respostas pré-estabelecidas, entre as quais o entrevistado deve escolher a que melhor lhe representa
(RICHARDSON, 2010).

24 Metodologia de pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Atividade não Artística); 4) Acesso a Financiamento/Relação com Poder Público;


e 5) Cadeias Produtivas.

Dentre os elementos propostos para essa investigação, destacam-se: grau de


instrução; atividades culturais que realiza; produtos culturais que oferece; formali-
dade e informalidade no trabalho realizado; insumos e infraestrutura necessários
para o desempenho das atividades artísticas; formação relacionada às ativida-
des culturais; associativismo; tempo gasto para preparação e apresentação da
atividade cultural; mecanismos de financiamento; tempo de trabalho na área;
modo de ingresso no setor; entre outros.

Ressalta-se que o instrumento de pesquisa construído seguiu parâmetros do


Framework for Cultural Statistics da UNESCO (2009), especialmente no bloco
sobre Cadeia Produtiva e Ciclo da Cultura. Para traçar a classe econômica dos
entrevistados, utilizou-se o Critério de Classificação Econômica Brasil de 2014 da
Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). Ainda, foram utilizadas
categorias, como cor e raça11, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Nas questões de atividades profissionais, foi empregada a Classificação
Brasileira de Ocupações12 (CBO) para classificar as atividades dos entrevistados.

A aplicação do questionário foi orientada13 , tendo sido realizada presencial-


mente e, em alguns casos, via telefone. As questões apresentavam orientações
de preenchimento, tais como instruções para ler aos entrevistados, quando pular
questões, número permitido de alternativas, entre outras. Além disso, foram usa-
das listas de códigos14 para facilitar a tabulação dos dados. Algumas questões
trabalharam o período temporal de últimos 12 (doze) meses, que fez referência
ao ano de 2014, e últimos 5 (cinco) anos, que correspondeu a 2009-2014.

As informações geradas são base para a presente publicação, de caráter


analítico, cujo banco de dados foi entregue à Secretaria de Cultura. Além disso,
algumas tabelas e gráficos foram elaborados com base em séries estatísticas
devidamente referenciadas.

11.  Cor ou raça: característica declarada pelas pessoas de acordo com as seguintes opções: branca, preta, ama-
rela, parda ou indígena. Disponível em Indicadores Sociais Mínimos – conceitos (IBGE, Instituto Brasileiro de Geo-
grafia e Estatística, 2016).
12.  A Classificação Brasileira de Ocupações – CBO, instituída por portaria ministerial nº. 397, de 9 de outubro
de 2002 (Ministério do Trabalho e Emprego), tem por finalidade a identificação das ocupações no mercado de
trabalho, para fins classificatórios junto aos registros administrativos e domiciliares.
13.  Aplicação orientada: questionário é aplicado por um entrevistador, não é autoaplicável.
14.  Listas de códigos facilitam a tabulação, pois o questionário contém os números que serão digitados no progra-
ma de análise de dados.

Metodologia de pesquisa 25
3.1 Campo da pesquisa

O campo da pesquisa teve duração de dezessete meses, entre junho de 2014


e outubro de 2015. A partir dos números de telefones e e-mails listados no CEAC,
os aplicadores buscaram contato com os entrevistados para agendar um encontro
presencial. O contato por telefone era feito com a supervisão da coordenação de
campo, em local com infraestrutura de apoio para os aplicadores.

Identificou-se, na lista do CEAC, a alta ocorrência de cadastros com dados


desatualizados15, incorretos ou mesmo sem qualquer referência para contato.
Outra dificuldade apontada foi a falta de disponibilidade do público alvo em
atender os pesquisadores.

Em razão desse contexto, novas estratégias de acesso e aplicação foram em-


pregadas, por exemplo, aplicação via telefone. Tais redirecionamentos garan-
tiram maior acesso ao público alvo. Não foram suficientes, contudo, para dar
maior dinamismo e agilidade à pesquisa, o retorno de questionários aplicados
continuou lento. Em função do difícil acesso aos artistas, a pesquisa teve duração
superior ao previsto inicialmente.

15.  Muitos cadastros indicavam endereços inexistentes, locais onde a pessoa indicada já não residia mais, ou era
dada como desconhecida. Além disso, muitos contatos telefônicos igualmente estavam desatualizados.

26 Metodologia de pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

4. RESULTADOS DA PESQUISA
Este capítulo traz a sistematização das respostas obtidas pela pesquisa e
breve análise dos dados. Serão descritas todas as questões do questionário na
sequência dos Blocos Temáticos do formulário.

4.1 Perfil socioeconômico

Com população de 2.570.160 habitantes, sendo 48% de homens e 52%


de mulheres (PNUD, IPEA, Fundação João Pinheiro, 2013), o Distrito Federal
abrange 5.779,999 km2, divididos em 30 regiões administrativas. Para 2015,
a estimativa da população do DF é de 2.914.830.

As informações do Relatório Anual de 2015 da Pesquisa de Emprego e De-


semprego no Distrito Federal – PED-DF16 mostram que das 2.498 milhões de
pessoas de dez anos ou mais de idade (População em Idade Ativa), residentes

16.  Pesquisa realizada pela Secretaria de Estado do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial
e Direitos Humanos do Distrito Federal, CODEPLAN, DIEESE, em parceria com a Fundação SEADE.

Resultados da pesquisa 27
do Distrito Federal, 1.534 milhão de pessoas estavam no mercado de trabalho
como ocupadas ou desempregadas (População Economicamente Ativa), o que
representou uma taxa de participação de 61%.

Na pesquisa do Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF, os entrevistados res-


ponderam um bloco de perguntas possibilitando traçar um perfil socioeconômico
da categoria, cujos resultados serão apresentados a seguir.

Todos os entrevistados declararam sua Região Administrativa de moradia; e o


grupo que agregou o maior número de respostas (16%) foi da Região Administra-
tiva de Brasília (RA I), seguido de Ceilândia (11%) (RA IX) e Gama (8%) (RA II),
conforme gráfico a seguir.

28 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Gráfico 4.1 1 - Região Administrativa de domicílio (Q.2)

SCIA* 0%
Núcleo Bandeirante 1%
Park Way 1%
Itapoã 1%
Cruzeiro 1%
Varjão 1%
Candangolândia 1%
Riacho Fundo II 1%
Jardim Botânico 1%
Vicente Pires 1%
Brazlândia 2%
Santa Maria 2%
Lago Sul 2%
Riacho Fundo 2%
Lago Norte 2%
Águas Claras 3%
Sudoeste/Octogonal 3%
Samambaia 3%
Recanto das Emas 3%
Planaltina 5%
Guará 5%
Paranoá 5%
Sobradinho 6%
São Sebastião 6%
Taguatinga 7%
Gama 8%
Ceilândia 11%
Brasília 16%
0% 5% 10% 15% 20%

* Setor Complementar de Indústria e Abastecimento (Cidade Estrutural e Cidade do Automóvel)


Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Esses dados contrastam com a realidade do Distrito Federal. O gráfico seguin-


te mostra que 16% da população residem em Ceilândia, seguida de Samambaia
(8%), Taguatinga (8%) e Brasília (8%).

Resultados da pesquisa 29
Gráfico 4.1 2 – Distribuição da população do Distrito Federal

SCIA 0%
Fercal 0%
Varjão 1%
Candangolândia 1%
Park Way 1%
Núcleo Bandeirante 1%
Jardim Botânico 1%
Lago Sul 1%
Cruzeiro 1%
Lago Norte 1%
SCIA (1) 1%
Riacho Fundo 1%
Riacho Fundo II 1%
Paranoá 2%
Brazlândia 2%
Sudoeste/Octogonal 2%
Itapoã 2%
Sobradinho 2%
Vicente Pires 3%
Sobradinho II 3%
São Sebastião 4%
Águas Claras 4%
Guará 4%
Santa Maria 4%
Gama 5%
Recanto das Emas 5%
Planaltina 7%
Taguatinga 8%
Brasília 8%
Samambaia 8%
Ceilândia 16%
0% 5% 10% 15% 20%

Fonte: CODEPLAN – Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) e Fato Consultoria e Pesquisa
Social.

30 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

A pesquisa apurou que a maior parte dos artistas são homens (63%). O grupo
feminino representa 37% dessa categoria, o que se diferencia notavelmente dos
dados do Distrito Federal, onde as mulheres são maioria (52%) (CODEPLAN,
2014).

Gráfico 4.1 3 - Sexo (Q.5)

63% 37%
HOMENS MULHERES

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

A distribuição etária entre os artistas mostrou-se equilibrada, sendo que 30%


correspondem à faixa de 30 a 39 anos, conforme gráficos a seguir. Para a popu-
lação do DF, a faixa etária entre 30 e 39 anos corresponde a 18% dos residentes
(PNAD, 2014).

Gráfico 4.1 4 - Faixa etária* (em anos) (Q.4)

Mais de 50 anos 21%

40 - 49 anos 23%

30 - 39 anos 30%

20 - 29 anos 26%
0 5 10 15 20 25 30 35

*As idades variaram entre 20 e 96 anos.


Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Resultados da pesquisa 31
Nesta pesquisa foram empregadas categorias de cor ou raça utilizadas pelo
IBGE. A maioria dos entrevistados se declarou parda (41%), seguido de branca
(34%) e preta (22%)17 . Negros no DF representam cerca de 57% da população,
e brancos 41% (PNAD 2014, IBGE).

Gráfico 4.1 5 - Cor ou raça (Q.6)

3%

22%
Indígena ou amarela
41% Preta

Branca

Parda

34%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Por meio do levantamento foi possível verificar que metade dos entrevistados é
natural do Distrito Federal. Entre os demais estados de origem dos trabalhadores
da área cultural, destacam-se Minas Gerais (9%) e Rio de Janeiro (7%), Goiás
(6%) e São Paulo (5%).

Junto dos entrevistados que são naturais de outros estados, foi possível identifi-
car há quanto tempo residem no Distrito Federal. A maior parte caracteriza-se por
residentes antigos: há mais de 25 anos no DF (59%), entre 11 e 25 anos (30%),
de 6 a 10 anos (8%) e até 5 anos (3%).

17. As categorias cor ou raça adotadas nesta pesquisa foram extraídas das categorias utilizadas pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possibilitando comparação dos dados.

32 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Com relação ao grau de instrução, apenas 6% dos entrevistados declara-


ram ter o ensino fundamental completo (incluindo ensino médio incompleto). Esse
dado contrasta extremadamente com os dados do Censo 2010 (PNUD, IPEA,
Fundação João Pinheiro, 2013) relativos ao Distrito Federal, onde 45% da popu-
lação possuem ensino fundamental incompleto (incluindo ensino médio incomple-
to). Outra informação que se destaca é que 60% dos trabalhadores da cultura
afirmaram ter feito curso superior (superior completo e/ou pós-graduação), indi-
cando o alto nível de formação desse segmento, visto que, ainda segundo o últi-
mo Censo, apenas 24% da população do DF possuem ensino superior completo
(incluindo pós-graduação). Os comparativos podem ser visualizados no gráfico
que se segue.

Gráfico 4.1 6 - Escolaridade da população do Distrito Federal


e Trabalhadores da Cultura do Distrito Federal

60%
60

50 45%
40
31% 34%
30
24%
20

10 6%

0
Fundamental Médio Superior
Completo Completo Completo

Trabalhadores da Cultura do DF População do DF (Censo 2010/IBGE)

Fonte: (PNUD, IPEA, Fundação João Pinheiro, 2013) e Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF
2014/2015

Resultados da pesquisa 33
Com base nos parâmetros do Critério de Classificação Econômica Brasil de
2014 da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), foi possível
identificar as classes econômicas dos entrevistados, conforme demonstrado no
gráfico a seguir.

Gráfico 4.1 7 - Classes econômicas (Q. 14 a 25)

15%
34%

51%

A B C, D e E

* Classes D e E juntas representam menos de 5% dos casos


Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

De forma complementar, na questão 13 os entrevistados declararam sua ren-


da bruta familiar. Esta aponta que 27% dos entrevistados têm rendimento mensal
de até R$ 750,00, ou seja, até aproximadamente 1 (um) salário mínimo18. A
média da renda familiar entre os pesquisados foi de R$6.280,00. Ressalta-se que
36 pessoas recusaram-se a responder a questão, e os valores mínimo e máximo
registrados foram de R$500,00 e R$34.000,00 respectivamente.

Para melhor visualização da renda bruta familiar declarada, agruparam-se os


dados coletados em quatro faixas de renda, como visto no gráfico.

18.  No período da pesquisa tivemos dois valores de salário mínimo: R$724 até 31 de dezembro de 2014 e R$788
durante 2015.

34 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Gráfico 4.1 8 - Renda bruta familiar declarada (Q.13)

25% 27%
Mais de R$3200,00

R$1750,01 - R$3200,00

R$750,01 - R$1750,00

Até R$ 750,00

24% 24%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

4.2 Formação artística

A pesquisa também buscou compreender um pouco da formação artística dos


trabalhadores.

Primeiramente, os entrevistados responderam questões sobre quais foram as


atividades de atuação cultural realizadas entre os anos de 2009 e 2014 para
registrar a atuação ativa, pois se sabe da ampla gama de atuação de cada pro-
fissional dessa área. Muitos artistas iniciaram suas carreiras em um determinado
segmento, porém durante sua trajetória migram para outros. Há casos, ainda,
em que atuam em áreas artísticas correlatas à sua principal atividade. Em função
de tal cenário, os artistas puderam citar até três atividades nas quais atuam com
maior frequência.

A classificação das respostas dadas pelos respondentes foi feita com base na
Classificação Brasileira de Ocupações – CBO; e a principal atividade registrada
está no campo da música, incluindo Músicos, cantores, e compositores, conforme
tabela a seguir19.

19.  Registra-se que as atividades artísticas foram informadas espontaneamente, e categorizadas na tabela, para
melhor visualizar os dados.

Resultados da pesquisa 35
Tabela 4.2 1 - Atividade de atuação cultural nos últimos 5 anos (Q.32)

Ocupação Frequência Percentual


Músicos, cantores e compositores 103 25%
Ator/atriz 64 16%
Produtores artísticos e culturais 63 15%
Artista plástico/visual 34 8%
Escritor 32 8%
Cenotécnico (cinema, vídeo, televisão, teatro e espetáculos) 24 6%
Dançarino/a, bailarino/a 23 6%
Diretores de espetáculos e afins 9 2%
Fotógrafo 9 2%
Dançarinos tradicionais e populares 7 2%
Artistas de circo (circenses) 5 1%
Artesão (artista visual) 4 1%
Não respondeu 7 2%
Outros 24 6%
Total 408 100%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Mesmo com a possibilidade de listar até três áreas de atuação, 65% dos en-
trevistados citaram apenas uma área artística.

Outro intuito da investigação foi compreender como se deu a formação artís-


tica dos trabalhadores, abrangendo desde uma formação artística formal – em
instituições ou com professores – a uma formação artística não formal – auto-
aprendizagem, com família e/ou comunidade.

Os entrevistados estavam livres para marcar mais de uma opção e, diante


disso, os resultados mostram que é significativa a atribuição ao Autodidatismo
(26%) e Prática cotidiana (24%) como elementos para sua formação, obviamente
complementares a elementos de estudo formal, visto que o registro com maior
ocorrência foi o Com professores /Em cursos (29%), e no caso de se somarem as
ocorrências de formação em Institutos Técnicos e Formação Universitária de Gra-
duação e Pós-Graduação, alcançam-se 24% das respostas.

36 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Tabela 4.2 2 - Forma de aprendizado da principal atividade artística (Q.34)

Forma de Aprendizado Frequência Percentual


Com professores /Em cursos 117 29%
Autodidata 106 26%
Na prática cotidiana 98 24%
Com a família ou comunidade 81 20%
Estudos universitários até graduação
52 13%
(completa ou incompleta)
Estudos em institutos de formação técnica
33 8%
(completa ou incompleta)
Estudos universitários até pós-graduação
12 3%
(completa ou incompleta)

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Outro ponto que chama a atenção é que 20% dos entrevistados mencionaram
que aprenderam sua atividade com a família, fato que é respaldado pela influên-
cia familiar (41%) em relação a sua formação (Questão 33).

Quanto aos que haviam realizado estudos formais, 76% dos entrevistados
afirmaram que essa capacitação foi realizada na RA I, Brasília. Esse fator não
surpreende, uma vez que a maioria das instituições do DF que realizam formação
em áreas culturais se encontra nessa Região Administrativa.
Tabela 4.2 3 - Local (RA) onde a formação artística foi realizada (Q.35)

Região Administrativa Frequência Percentual


RA I Brasília 140 76%
RA III Taguatinga 11 6%
RA II Gama 7 4%
RA IX Ceilândia 5 2%
RA VI Planaltina 3 2%
RA XII Samambaia 3 2%
Outras Regiões Administrativas 14 8%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Resultados da pesquisa 37
Em relação a capacitações realizadas em outras localidades, cerca de 10%
dos artistas consultados tiveram formação fora do DF. Entre os locais citados, des-
tacam-se Rio de Janeiro e São Paulo. Vale ressaltar que estes dois estados são o
eixo central de fluxo cultural no país, concentrando centros de capacitação, sede
dos principais meios de comunicação, centros de teatros, etc.

Gráfico 4.2 1 - Local (UF) onde a capacitação foi realizada (Q.35)

11%
Rio Grande do Sul
11% 34% Minas Gerais

Bahia
10% Rio de Janeiro

São Paulo

34%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Alguns dos entrevistados realizaram sua formação fora do país; e os países


mencionados foram Alemanha, Argentina, Cuba, Espanha, Estados Unidos, Fran-
ça, Japão, México e Uruguai.

Questionados acerca da importância de cursos de capacitação e atualiza-


ção, 97% dos entrevistados afirmaram considerá-los como importante ou muito
importante.

Os entrevistados também foram estimulados a identificar as principais difi-


culdades em participar de capacitações em sua área artístico-cultural, podendo
mencionar mais de um motivo. Falta de financiamento público (35%) foi a razão
mais mencionada, fato que revela que grande parte deste segmento considera
essencial o apoio do poder público para sua formação e capacitação. Outros
motivos significativos foram Falta de oferta (31%), Falta de recursos próprios
(24%) e Falta de cursos de qualidade (22%).

38 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Gráfico 4.2 2 – Dificuldades para realizar capacitação artístico-cultural (Q.38)

Outros 8%
Falta de informação 13%
Localização 15%
Falta de tempo 16%
Falta de financiamento privado 16%
Falta de curso de qualidade 22%
Falta de recursos próprios 24%
Falta de oferta 31%
Falta de financiamento público 35%
0 5 10 15 20 25 30 35 40

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Ainda em relação à formação, os artistas foram questionados quanto a re-


alização de cursos de atualização e capacitação no período de 12 meses que
antecederam a entrevista.

Tabela 4.2 4 - Participação em cursos de atualização


ou capacitação nos últimos 12 meses (Q.39)

Resposta Frequência Porcentagem


Sim 178 45%
Não 220 55%
Total 398 100%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Mesmo que 80% dos entrevistados considerem muito importante se capacitar,


apenas 45% o fizeram no último ano.

Novamente, a RA mais mencionada como local de realização de capacitação


foi Brasília, com 76% das menções. Esse dado coincide com o de instituições
citadas para realização dos cursos, das quais se destacaram: Universidade de

Resultados da pesquisa 39
Brasília - UnB (17%), Escola de Música de Brasília (14%), Faculdade Dulcina de
Moraes (10%) e Instituto de Ensino Superior de Brasília - IESB (6%).

Tabela 4.2 5 – Nome da instituição onde a capacitação foi realizada (Q.36)

Instituição Frequência Porcentagem


UnB 30 17%
Escola de Música de Brasília 25 14%
Faculdade Dulcina de Moraes 18 10%
IESB 10 6%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Dentre os entrevistados que realizaram a capacitação ou atualização fora do


Distrito Federal, 43% mencionaram o estado de São Paulo e 30% o Rio de Janei-
ro como local de realização dessa capacitação.

Tabela 4.2 6 – Local de realização da capacitação fora do DF (Q.40)

Unidade da Federação Frequência Porcentagem


São Paulo 14 43%
Rio de Janeiro 10 30%
Goiás 6 18%
Bahia 2 6%
Paraná 1 3%
Total 33 100%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Outros entrevistados também mencionaram que a capacitação ou atualização


foi realizada fora do Brasil, em países como Argentina, Austrália, Chile, Estados
Unidos, França, Japão e Portugal.

Sobre a natureza das instituições que ofereceram a capacitação, registra-se


que 34% foram instituições públicas e 30% instituições privadas.

40 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Tabela 4.2 7 – Tipo de instituição que ofereceu essa capacitação (Q.41)



Tipo de instituição Frequência Porcentagem
Outras instituições públicas 57 34%
Outras instituições privadas 51 30%
Pessoa física 22 13%
Universidades 16 9%
Outros 16 9%
Institutos técnicos 9 5%
Total 168 100%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Dos entrevistados que realizaram capacitação, 49% registram tê-lo feito em


cursos gratuitos, e 31% utilizaram recursos próprios para realizar essa capacita-
ção. Outros 14% fizeram jus a programas do governo, como bolsas ou fundos.

Tabela 4.2 8 – A capacitação ou aperfeiçoamento foi financiado por: (Q.43)

Tipo de financiamento Frequência Porcentagem


Gratuito 85 49%
Recursos próprios 55 31%
Programas do governo
23 14%
(bolsas, fundos, entre outros)
Instituição ou estabelecimento onde trabalha 6 3%
Outros 6 3%
Total 175 100%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

4.3 Perfil Profissional Básico

Outra preocupação da investigação foi compreender a condição profissional


dos trabalhadores da área cultural, como sua situação previdenciária e acesso
a saúde.

Resultados da pesquisa 41
Sobre acesso à previdência social, registrou-se que 51% dos trabalhadores
contribuem com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mais de um terço
não possui seguro previdenciário e 18% pagam a previdência privada.

Tabela 4.3 1 – Acesso a seguro previdenciário* (Q.44)


Respostas Frequência Porcentagem


INSS 206 51%
Não possuo seguro
146 36%
previdenciário
Previdência privada 71 18%
Total 401
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

No que diz respeito ao acesso a serviços de saúde, mais da metade dos en-
trevistados depende de recursos próprios para manter o atendimento de saúde
básico (sendo que, entre esses, a maior parte paga planos de saúde).

Tabela 4.3 2 - Acesso à saúde* (Q.45)

Respostas Frequência Porcentagem


Plano de Saúde 187 47%
SUS 173 43%
Recursos Próprios 71 18%
Total 401
*Os dados das tabelas anteriores não totalizam 100%, visto que os entrevistados puderam mencionar
mais de uma resposta quando fosse necessário.
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

4.4 Perfil Profissional Não Artístico

Com o intuito de compreender a importância da atividade artística na com-


posição da renda familiar dos trabalhadores da cultura, os entrevistados foram
questionados a respeito do exercício ou não de atividades remuneradas não
artísticas nos últimos 5 anos, tendo como referência o ano de 2014.

42 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

No gráfico a seguir é possível ver que cerca de 6 em cada 10 artistas exer-


ceram alguma atividade remunerada não relacionada com seu campo artístico
entre 2009 e 2014. A partir desse resultado, levanta-se a discussão em torno da
possibilidade de dedicação exclusiva à atividade artística enquanto forma de
expressão cultural e, concomitantemente, fonte única de renda.

Gráfico 4.4 1 - Nos últimos 5 anos, você realizou atividades


remuneradas não artísticas? (Q.47)

59% 41%
Sim Não

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

A inserção dos entrevistados no mercado não artístico se dá majoritariamente


no setor de serviços. Ainda que a categoria com maior representatividade seja
a de servidores públicos, há grande dispersão entre uma variedade de outras
atividades.

Resultados da pesquisa 43
Gráfico 4.4 2 - Atividade não artística remunerada realizada (Q.48)

11% 26% 4% 4% 4% 47% 4%

Servidor(a)
Professor Jornalista
Público(a)
Não
Vendedor de respondeu
comércio ou Administrador Outras
varejista

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

A proeminência do setor de serviços na distribuição ocupacional em foco


converge com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pela Com-
panhia de Planejamento do Distrito Federal (CODEPLAN). De acordo com a PED
2015, 70,5% da população economicamente ativa do Distrito Federal, dos quais
14% dedicam-se ao serviço público. (CODEPLAN, 2015)

80% dos entrevistados que exercem de forma remunerada a atividade não


artística mantêm a realização dessas atividades. Esses dados indicam uma conti-
nuidade do envolvimento profissional em áreas não artísticas.

Para tentar compreender melhor a distribuição dessa categoria, cruzaram-se


as informações referentes à principal fonte de renda. O resultado pode ser visua-
lizado no gráfico a seguir.

44 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Gráfico 4.4 3 - Atividade não artística remunerada e


principal fonte de renda (questões 46 e 47)*

128
150
143
Não realizou
120 atividades remuneradas
não artísticas
90 83
Realizou atividades
remuneradas
60 não artísticas
32
30

0
Principal fonte de renda Principal fonte de renda
é ligada a atividade não é ligada a atividade
artístico cultural artístico cultural

*O dado do gráfico acima diz respeito apenas à realidade da pesquisa e não pode ser considerado
representativo da totalidade de trabalhadores da cultura do DF, devido à baixa representativadade alcan-
çada com o cruzamento de dados.
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Os dados indicam que a maior parte dos trabalhadores que possuem a ativi-
dade artística como principal fonte de renda não desempenhou atividades remu-
neradas não artísticas nos últimos 5 anos.

O cruzamento entre a centralidade da atividade para a composição da ren-


da familiar (questão 46) com a continuidade do desempenho de atividades não
artísticas (questão 49) reforça a hipótese de que essa relação de continuidade é
mais significativa entre os trabalhadores que não possuem na atividade artística
principal fonte de renda.

Resultados da pesquisa 45
Gráfico 4.4 4 - Realizar atividade não artística (Q.49)
e principal fonte de renda ser da atividade cultural (Q.46)

150
131 Principal fonte de renda
não é ligada a atividade
120 artístico cultural

90
Principal fonte de renda
é ligada a atividade
60 48 artístico cultural
30
30
14
0
Ainda realiza Não realiza mais
atividade não artística atividade não artística

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Os dados referentes à inserção ocupacional, vistos na tabela a seguir, refor-


çam o vínculo de longo prazo dos entrevistados com atividades não artísticas.
Mais de 50% destes trabalhadores possuem vínculo formal com seu trabalho não
artístico, seja no setor público, seja no setor privado (categoria “empregados”). É
significativo, ainda, o percentual de trabalhadores autônomos (22%).

46 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Tabela 4.4 1 - Situação ocupacional em relação


ao trabalho NÃO artístico (Q.53)20

Vínculo empregatício Percentual


Empregado - Setor público 32%
Empregado - Assalariado do setor privado (CLT) 22%
Autônomo 22%
Trabalhador doméstico com carteira assinada 8%
Microempreendedor individual21 5%
Estagiário 4%
Empresário 4%
Bolsista 1%
Trabalhador doméstico sem carteira assinada 0,5%
Trabalhador familiar sem remuneração salarial 0,5%
Aposentado 0,5%
Comissionado 0,5%
Total 100%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

O gráfico a seguir explora, ainda nessa linha, os regimes de contrato sob os


quais atuam os trabalhadores envolvidos com atividades produtivas não artísti-
cas.

20.  Microempreendedor individual (MEI) é um tipo de Pessoa Jurídica criada pela Lei Complementar nº 128, de
19/12/2008. Esse dispositivo criou condições especiais para o trabalhador conhecido como informal poder lega-
lizar-se; dentre elas, enquadrar-se no Simples Nacional e ficar isento dos tributos federais (Imposto de Renda, PIS,
Cofins, IPI e CSLL). Para ser um microempreendedor individual, é necessário faturar no máximo até R$ 60.000,00
por ano e não ter participação em outra empresa como sócio ou titular. O titular do MEI tem acesso a benefícios
como auxílio-maternidade, auxílio-doença, aposentadoria.

Resultados da pesquisa 47
Gráfico 4.4 5 - Tipo de contrato da atividade não artística (Q.54)

8% 3%
Outros
11% Produto
37% Sem contrato

Prazo fixo

15% Horas trabalhadas

Indeterminado

26%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

37% têm contrato/vínculo indeterminado com a atividade não artística, ou


seja, tipo de contratação que é mais característica de servidores públicos ou em-
pregados via CLT. Provavelmente essas atividades devem ser as suas principais e
a artística a complementar. Outros 26% têm vínculo contratual por horas traba-
lhadas, no formato de “prestação de serviços”, seguido de contrato por “prazo
fixo” (15%), que também pode ser um tipo de freelancer.

Então, pode-se inferir que a maioria das pessoas que possui vínculo de traba-
lho não artístico tem nessa atividade sua principal fonte de renda. Apenas 11%
não têm contrato de trabalho. A maioria dos trabalhadores da cultura que exerce
atividade não artística mantém um vínculo de trabalho formal sólido.

No que diz respeito à remuneração das atividades não artísticas, a maior


parte dos entrevistados afirmou receber valores superiores aos do salário mínimo
na época (ano referência 2014, aproximadamente R$750,00). Considerando a
distribuição das respostas entre as faixas salariais, a remuneração média de tais
trabalhadores é de R$4.431,5121 . No Distrito Federal, o salário médio apura-
do em 2013 pela CODEPLAN alcançou o valor de R$5.015,04, com maiores
valores de ocorrência nas regiões administrativas de Lago Sul e Park Way (CO-
DEPLAN, 2013).

21.  Fonte: Pesquisa Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF.

48 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

O gráfico a seguir traz a dispersão das respostas entre as faixas de renda.


Percebe-se que o quadrante de maior representatividade é o de maior renda.
Ainda que possua a maior concentração de respostas, tal categoria também
abrange uma amplitude maior de valores. Importante destacar que as respostas
foram informadas de maneira espontânea, e as categorias aqui apresentadas
foram formuladas a partir dos valores informados22.

Gráfico 4.4 6 - Rendimento bruto mensal declarado


da atividade não artística (Q.51)

35%
35
30
25 22% 22%
20
15 12%
9%
10
5
0
Até R$ 750,00 R$750,01 - R$1750,01 - Mais de Não respondeu
R$1750,00 R$3200,00 R$3200,00

FAIXA DE RENDA
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Ainda que a renda média tenha resultado em uma monta superior à média
do DF, e o quadrante de maior representatividade seja o de maior renda, ao se
aglutinarem os três intervalos mais baixos, chama atenção o fato de 56% dos
artistas ouvidos receberem, em seu trabalho não artístico, até R$3.200,00 (três
mil e duzentos reais).

À semelhança das demais questões referentes à renda, foi considerável (9%) a


ocorrência de entrevistados que se recusaram a responder a tal pergunta.

22.  Os valores variaram entre R$120,00 e R$20.000,00.

Resultados da pesquisa 49
Nesta questão, também, os entrevistados declararam a quantidade de horas
semanais dedicadas a atividade não artística, e os dados foram agrupados no
gráfico a seguir para melhor visualização.

Gráfico 4.4 7 - Horas semanais dedicadas à atividade não artística (Q.52)

12% 25%
Mais de 40 horas

20 - 40 horas

Até 20 horas

63%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

O tempo dedicado a essas atividades é coerente com as respostas obtidas


na questão referente ao vínculo empregatício: 63% dos artistas que exercem
atividade produtiva não artística empregam entre 20 e 40 horas semanais em
tais atividades.

Outro dado que chama a atenção é o percentual de trabalhadores que ex-


trapolam as 40 horas semanais em atividades não relacionadas a seu trabalho
artístico (12%).

Ainda que tenha sido verificada a considerável incidência de trabalhadores


que dedicam mais de 40 horas a essa categoria (12%), a média de horas dedi-
cadas a atividades não artísticas foi de 33 horas.

4.5 Perfil Profissional Artístico

Em complemento aos dois perfis anteriormente apresentados, a sequência de


questões a seguir teve o intuito de levantar dados acerca de questões como sazo-
nalidade de demanda por trabalho, principais turnos e dias de trabalho, ampli-

50 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

tude de circulação geográfica dos trabalhos artísticos, inclusão digital e formas


da utilização da internet, entre outras. Dessa forma, pretende-se tanto construir
uma visão geral da inserção de tal categoria profissional no mercado de trabalho
do Distrito Federal quanto levantar particularidades capazes de auxiliar o gestor
público na elaboração de políticas públicas setoriais.

A tabela a seguir traz a distribuição das principais atividades artísticas re-


alizadas pelos entrevistados. Como já mencionado, as atividades seguiram as
categorias definidas pela CBO23. Na questão 32 (bloco sobre Formação Artísti-
ca), os entrevistados puderam listar até 3 ocupações artísticas. Para esse bloco
de questões, eles indicaram sua principal atividade artística, que foi considerada
na análise.
Tabela 4.5 1 Principal atividade artística (Q55)

Ocupação Frequência Percentual


Músicos, cantores e compositores 107 26%
Produtores artísticos e culturais 65 16%
Ator/atriz 51 13%
Artista plástico/visual 35 9%
Escritor/a 31 8%
Cenotécnico (cinema, vídeo, televisão, teatro e espetáculos) 28 7%
Dançarino/a, bailarino/a 22 5%
Professor/a 10 2%
Fotógrafo/a 9 2%
Diretores de espetáculos e afins 9 2%
Outros 37 9%
Não respondeu 4 1%
Total 408 100%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Músicos, compositores e cantores são o grupo de maior participação percen-


tual na amostra em questão. Atores, atrizes e produtores culturais seguem como
grupos de importante participação. O grupo outros abriga artistas distribuídos de
forma não representativa em atividades como dançarinos tradicionais e popula-
res, artistas circenses, entre outros.

23.  Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), Ministério do Trabalho e Emprego.

Resultados da pesquisa 51
O gráfico a seguir traz a distribuição dos artistas tendo como referência o ano
de início do exercício profissional de sua atividade artística. Vê-se que 73% dos
entrevistados estão no mercado há mais de 10 anos, sendo que 34% há mais de
25 anos.

Gráfico 4.5 1 - Tempo de atividade artística (Q.56)

13%

Mais de 25 anos

34% 14%
11 - 25 anos

6 - 10 anos

Até 5 anos

39%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Os entrevistados também foram questionados acerca do desempenho ou não
de atividades técnicas. Foram consideradas atividades técnicas quaisquer ativida-
des artísticas que não envolvessem a criação, produção, execução de material
autoral ou de interesse artístico próprio. As atividades técnicas seriam desempe-
nhadas, nesse contexto, com o intuito de gerar renda, contribuir para o trabalho
de outros artistas, ampliar a rede de contatos.

Dos entrevistados, 63% afirmaram realizar atividades dessa natureza, e cita-


ram, nessa categoria, diversas atividades relacionadas ao ensino de arte: ofici-
nas, workshops, palestras, cursos técnicos, cursos profissionais, cursos universitá-
rios. Além destes, trabalhos em etapas da produção de trabalho de outros artistas
também foram citados (composição, elaboração de roteiro, direção, coreografia,
iluminação, entre outros).

A questão 59 deu aos artistas a oportunidade de apontar os meses do ano


nos quais possuem maior demanda por seus trabalhos. Os dados obtidos são
apresentados no gráfico a seguir.

52 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Gráfico 4.5 2 – Distribuição da demanda da principal


atividade artística por meses (Q.59)

Janeiro
35%
Dezembro Fevereiro
30%

25%
24%
20%
Novembro 31% Março
15%
8% 11%
10%
14%
5%

Outubro 30% 20% Abril

21%
23%
Setembro Maio
25% 26%
28%
Agosto Junho
Julho
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Os três primeiros meses do ano são apontados como de mercado mais desa-
quecido. Há, entre março e abril, início do aumento da demanda por atividades
artísticas, que atinge dois picos ao longo do ano: o primeiro nos meses de junho
e julho, o segundo em outubro e novembro.

Os dois gráficos seguintes trazem informações referentes aos dias da semana


e horários do dia de maior demanda para os profissionais da cadeia artística e
cultura no DF. Por serem complementares, serão analisados em conjunto.

Resultados da pesquisa 53
Gráfico 4.5 3 - Dias da semana de maior demanda da atividade artística (Q.60)

100%
76% 83%
80%
63%
60%
40%
40% 31% 33%
30%
20%
0% Domingo Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Gráfico 4.5 4 - Período do dia em que se realiza a atividade artística (Q.61)

77%
80%
70%
60% 50%
50%
40% 33%
30%
20% 16%
10%
0% Madrugada Manhã Tarde Noite
(00h00 às 06h00) (06h00 às 12h00) (12h00 às 18h00) (18h00 às 00h00)

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Os dois gráficos acima apontam finais de semana e o período noturno como


dias e horários fundamentais para o desempenho das atividades artísticas no DF.
Representam, portanto, os dias e horários em que se concentram apresentações
musicais, teatrais, performances artísticas, vernissages e exposições, que são pe-
ríodos da semana de maior demanda do público por atividades de lazer.

Nessa questão (62), os entrevistados informaram espontaneamente quantas


horas semanais se dedicam em média à sua atividade artístico-cultural principal.

54 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Gráfico 4.5 5 - Horas semanais dedicadas à atividade artística (Q.62)

21%

Mais de 40h

47% 20-40 horas

Até 20 horas

32%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

A maioria dos trabalhadores do setor (47%) afirmou empregar, semanalmen-


te, até 20 horas em sua atividade artística; e a média semanal calculada de
tempo dedicado a essa atividade foi de 31 horas.

Os dados acima, vistos após as análises tecidas no item anterior (4.4 – Perfil
não artístico), mostram um número maior de trabalhadores que dedicam mais
tempo a atividades não artísticas. A maioria de indivíduos com esse perfil não
possui, contudo, atividades artísticas como principal fonte de renda.

Os dois gráficos seguintes trazem dados acerca do local onde os entrevista-


dos realizam suas atividades artístico-culturais e serão analisados em conjunto.

Resultados da pesquisa 55
Gráfico 4.5 6 - Local em que realiza a
criação/produção da atividade artística (Q.63)

7% 4% Em casa

Na sede de grupo
9% artístico que participa

Espaço de uso
compartilhado

9% 50% Aparelho
Cultural Privado

Aparelho
Cultural Público

10% Outros

Ateliê Individual
11%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Gráfico 4.5 7 - Tipo de espaço utilizado (Q.64)

6%
8% Imóvel próprio

44% Alugado com


Recursos Próprios
10% Alugado com
Recursos Públicos
Alugado com Recursos
3% Privados de terceiros

2% Cedido pelo governo

Cedido por terceiros

Outros
27%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

56 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Os resultados acima apontam em direções díspares: ao mesmo tempo em que


parcela considerável dos trabalhadores da cultura trabalha em imóvel próprio,
o percentual de artistas que não possui estrutura profissional (estúdios, ateliês,
escritórios) e, pelo contrário, realiza sua atividade profissional em casa, indica
uma possível fragilidade do setor.

Pensando na lógica de distribuição geográfica da produção cultural no DF,


os gráficos seguintes apresentam, respectivamente, o local onde a criação e/ou
produção artísticas acontecem e as regiões administrativas onde são distribuídas.

No que tange à etapa de produção, houve grande dispersão de respostas en-


tre as regiões administrativas. Brasília concentra 28% do universo estudado, mas
outros 71% dos artistas distribuem-se pelas demais regiões do DF, em percentuais
de concentração inferiores a 10%. Destacaram-se, nesse grupo, Ceilândia (9%),
Gama (8%), Taguatinga (7%) e Sobradinho (7%).

Gráfico 4.5 8 - Local (RA) utilizado para


criação/produção da atividade artística (Q.65)

28% 9% 8% 7% 6% 4% 4% 3% 31%

RA I Brasília RAIX Ceilândia RA II Gama


RA III Taguatinga RA V Sobradinho RA XIV São Sebastião
RA XVIII Lago Norte RA VI Planaltina Outras Ras

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Na difusão, exibição e transmissão, a concentração em Brasília foi mais mar-


cante (59%), enquanto as demais regiões administrativas mantiveram-se com
representatividade de menor monta. Taguatinga representa 7% desse espaço,
Ceilândia 6%, Planaltina 5%, e São Sebastião 4%.

Resultados da pesquisa 57
Gráfico 4.5 9 - Locais (RA) onde realiza
difusão/exibição/transmissão da atividade artística (Q.66)

59% 7% 6% 5% 4% 19%

RA I Brasília RA III Taguatinga RAIX Ceilândia


RA VI Planaltina RA XIV São Sebastião Outras Ras

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

A Região Administrativa de Brasília (RA I) destacou-se em ambas as catego-


rias, e reforçou sua posição de centralidade na produção e na difusão artística
do DF. Ainda que haja dispersão da produção artística entre as demais localida-
des, essa é a RA de maior importância para a difusão de tal produção.

Gráfico 4.5 10 - Comparativo RA utilizada para criação/produção da atividade


artística (Q.65) x RA onde realiza difusão/exibição/transmissão da atividade
artística (Q.66)
27%
RA I Brasília 40%
9%
RA IX Ceilândia 4%
8%
RA II Gama 1%
7%
RA III Taguatinga 5%
5%
RA V Sobradinho 0%
4%
RA XIV São Sebastião 2%
4%
RA XVIII Lago Norte 0%
3%
RA VI Planaltina 3%
3%
RA VII Paranoá 1%
3%
RA X Guará 1%
3%
RA XV Recanto das Emas 2%
RA XII Samambaia 3%
1%
17%
Outros 6%
0 10% 20% 30% 40%

RA utilizado para criação/produção da atividade artística


RA onde realiza difusão/exibição/transmissão da atividade artística
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

58 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

O estado de Goiás (39%) aparece como importante polo de atração e mer-


cado de escoamento da produção artística do Distrito Federal. Além desse, São
Paulo (15%), Rio de Janeiro (11%) e Minas Gerais (7%) são outros estados onde
os artistas mais realizam a difusão, exibição e/ou transmissão de suas obras.

Apenas 10% dos entrevistados afirmaram realizar a difusão de seus trabalhos


fora das fronteiras do Brasil. Destes, metade tem a Europa como local de destino.
Portugal foi o país mais citado, seguido por Alemanha, Espanha, França e Bél-
gica. A América do Norte também é citada como destino de parcela importante
destes 10%, tendo Estados Unidos como principal referência.

4.5.1 Remuneração da atividade artística

Os dados dessa seção, ainda que referentes especificamente à remuneração


pela atividade artística e cultural, dialogam com os números apresentados no
perfil de remuneração de atividades não artísticas.

Ao serem questionados sobre a origem da principal fonte de renda, 54%


dos entrevistados afirmaram que obtêm maior parte de sua renda do trabalho
artístico.
Tabela 4.5 2 - Principal fonte de renda é relacionada
ao seu trabalho artístico-cultural (Q.46)

Resposta Frequência Porcentagem


Sim 215 54%
Não 182 46%
Total 397 100%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015


Chama a atenção, no gráfico a seguir, que apesar de realizarem a atividade
de forma profissional, 12% dos entrevistados não recebem remuneração por sua
produção. Menos da metade dos artistas ouvidos (44%) sempre é remunerada
por seu trabalho artístico, enquanto 37% afirmam receber remuneração ocasio-
nalmente.

Resultados da pesquisa 59
Gráfico 4.5 10 - Frequência de recebimento
de remuneraçãopela atividade artística (Q.67)

12%

7% Não

44% Quase Nunca

Ocasionalmente

Sempre

37%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015


Tais dados apontam para um cenário de vulnerabilidade quanto à renda ar-
tística, e dá luz ao fato de grande parte dos entrevistados desempenhar outras
atividades profissionais.

Em avaliação das remunerações recebidas, apenas 2% as avaliam como óti-


mas e 21% como boas. Isso resulta em uma avaliação negativa de 34% (péssima
e ruim) e com tendência negativa de 77% (péssima, ruim, razoável).

Gráfico 4.5 11 - Avaliação da remuneração


recebida pela atividade artística (Q.68)

50
43%
40
30
23% 21%
20
11%
10
2%
0
Péssima Ruim Razoável Boa Ótima

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

60 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Nesse cenário, o gráfico a seguir traz a distribuição das faixas mensais de


remuneração dos entrevistados que afirmaram recebê-la.

Gráfico 4.5 12 - Rendimento bruto mensal


declarado da atividade artística (Q.69)

29%
30 27% 27%
25
20 17%
15
10
5
0
Até R$ 750,00 R$750,01 - R$1.750,01 - Mais de
R$1.750,00 R$3.200,00 R$3.200,00
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Com relação ao rendimento mensal da atividade artística, percebe-se que a


maioria dos entrevistados ganha até R$ 3.200,00 mensais, sendo 29% até 1 sa-
lário mínimo ao mês.24 A média mensal de remunerações por trabalhos artísticos
foi de R$2.363,2825.

Com o intuito de explorar a configuração do mercado de trabalho na cultura,


são apresentados nas duas tabelas seguintes, dados acerca da situação ocupa-
cional dos trabalhadores da cultura no DF.

24.  No período da pesquisa, os valores de salário mínimo foram de R$724 até 31 de dezembro de 2014 e R$788
durante 2015.
25.  Fonte: Pesquisa Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF.

Resultados da pesquisa 61
Gráfico 4.5 13 - Situação ocupacional em relação ao trabalho artístico (Q.70)

61% 22% 8% 4% 3%2%

Autônomo Microempreendedor Empresário


Individual
Empregado - Empregado - Assalariado Outros
Setor Público do setor privado (CLT)

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Gráfico 4.5 14 - Tipo de contrato da atividade artística (Q.71)

41% 21% 12% 11% 8% 7%

Sem contrato Produto Indeterminado


Prazo fixo Horas trabalhadas Outros

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Os dados acima (Q.70) apontam para um mercado onde predomina o traba-


lho autônomo e empresarial de pequeno porte (Microempreendedor Individual –
MEI). Em complemento (Q.71), 41% desempenham suas atividades sem contrato
definido. Ainda que não tenha sido registrada a categoria de trabalho informal,
os tipos de contrato mais utilizados pela categoria legam aos artistas vulnerabili-
dade frente ao mercado de trabalho.

4.5.2 Percepção de reconhecimento do trabalho artístico-cultural

Questões que envolvem a mensuração de uma percepção trazem em si um


alto nível de avaliação subjetiva acerca dos assuntos abordados. Fornecem, con-
tudo, informações de relevância para a construção de uma análise mais aprofun-
dada e crítica, tanto do indivíduo quanto das instituições questionadas.

62 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

No item em análise, os entrevistados foram provocados a avaliar a impor-


tância de seu trabalho artístico para três instâncias: público geral, Governo do
Distrito Federal e Governo Federal.

O gráfico a seguir traz a distribuição das avaliações referentes à percepção


de valorização da arte por parte do Governo do Distrito Federal.

Gráfico 4.5 15 - Percepção do reconhecimento dado pelo GDF


à atividade artístico-cultural desempenhada (Q.74)

8% 19% 20% 35% 18%

Dispensável Pouco importante Indiferente


Importante Muito importante

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

A interpretação chama atenção pela segmentação de opiniões. À primeira


vista, as avaliações positivas se sobressaem, uma vez que superam a metade das
opiniões e somam 53%. Contudo, o conjunto de avaliações negativas e neutra
(indiferente) também é significativo. Cabe ressaltar que o Governo do DF possui
políticas públicas direcionadas a esse segmento, especialmente o FAC, que tra-
balha com editais para vários segmentos da área da cultura. A proximidade com
a Secretaria de Cultura, portanto, leva a crer que tal avaliação se refere mais à
própria SECULT do que ao GDF de modo geral.

A essas avaliações contrapõe-se a da percepção da importância da arte para


o público, dados vistos no gráfico a seguir.

Resultados da pesquisa 63
Gráfico 4.5 16 - Percepção do reconhecimento dado
à atividade artístico-cultural (questões 72 a 74)

50 47%

40 35%
38%

30%
30 27%

20% 19% 20%


20 18%
13%
10%
10 8% 7% 6%
2%
0
Dispensável Pouco Indiferente Importante Muito
imporante importante

Público Geral Governo Federal GDF

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Enquanto atividades artísticas são percebidas como importantes ou muito im-


portantes para 85% do público geral, o Governo Federal foi a instância com
menor avaliação positiva.

A atuação do GDF na esfera cultural pode ser vista como tendencialmente po-
sitiva. Mas, cabe ressaltar, os dados apontam para uma necessidade de atenção
na elaboração e implementação de políticas públicas, com o intuito de reforçar
estratégias que atendam às especificidades do campo cultural.

A tabela a seguir traz os dados referentes à participação ou não dos entre-


vistados em associações ou grupos artísticos de qualquer natureza. Ainda que a
categoria de maior representatividade seja a de indivíduos que não participam
de qualquer grupo (38%), a soma das demais alternativas mostra que 73% dos
artistas se associam a algum formato de instituição coletiva.

64 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Tabela 4.5 3 – Grupos e/ou associações dos quais faz parte (Q.75)*

Grupos ou associações Frequência Percentual


Não participo 143 38%
Grupo artístico ou cultural 92 24%
Associação de artistas 58 15%
Fórum de Cultura 43 11%
Outros 34 9%
Coletivo 19 5%
Sindicato 9 2%
Conselho de Cultura 7 2%
Observatório 6 2%
Rede de Cultura 7 2%
Câmara Setorial 3 1%
Total 381

*Os dados da tabela não totalizam 100%, visto que os entrevistados puderam citar mais de uma das
alternativas.
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Os dados também indicam a maior ocorrência de organizações destinadas à


criação artística coletiva, em detrimento de formatos representativos e de classe.

4.5.3 Inclusão digital

Esta seção da pesquisa tem o intuito de identificar a abrangência da inclusão


digital no meio artístico, bem como seu papel na circulação de informações e sua
importância para o fortalecimento das relações em rede.

Dos artistas entrevistados, 98% afirmam possuir acesso à internet. Computa-


dores pessoais foram listados como a principal forma de acesso, resultado que
vai ao encontro da informação de que 50% (questão 63) dos indivíduos dizem
ter a própria casa como sede de seu trabalho artístico.

Resultados da pesquisa 65
Gráfico 4.5 17 - Principais formas de acesso à internet (Q.78)26

100 93%
80

60 55%

40
35%

20
4% 4% 3% 1%
0
Computador pessoal Telefone/Smartphone

Local de trabalho Centro de Acesso Gratuito

Centro de Acesso Pago Domicílio de outras pessoas


(Lan house)
Outros

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

No que tange à periodicidade, dos 98% que afirmam utilizar a internet, 95%
o fazem diariamente. A internet é usada, de acordo com os entrevistados, para
promover atividades culturais, realizar pesquisas e manter contato com possíveis
parceiros. Os dados reforçam a centralidade dos formatos digitais no processo
de divulgação dos trabalhos artísticos.

26.  Nesta questão, os entrevistados puderam apontar até três respostas.

66 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Gráfico 4.5 18 - Finalidade do uso da internet (Q.80)

Promover atividade cultural


79%
80 76%
Pesquisa
70
63%
Manter contato com possíveis
60 parceiros para a realização
da atividade
50
Comercialização do
seu produto cultural
40 37%
Participar de discussões em
fórum/redes ou outras formas
30 de associação sobre sua
atividade cultural
21% 20%
20 Comprar matéria prima
para realizar sua atividade
9%
10
Outros
0

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

O site de relacionamentos Facebook foi citado como o mais utilizado para


desempenhar as atividades acima citadas. O gráfico a seguir traz a distribuição
percentual das redes sociais, sites e aplicativos listados pelos entrevistados como
importantes para o desempenho de seus trabalhos. A categoria “Outros” inclui si-
tes como Skype, Vimeo, Flickr, Tumblr, SoundCloud, Myspace, Yahoo grupos, Goo-
gle grupos e Google +.

Resultados da pesquisa 67
Gráfico 4.5 19 - Redes sociais, sites e aplicativos utilizados (Q.81)

100 93% Facebook

80 Whatsapp

Youtube
60
Blogs (Wordpress,
Blogspot, entre outros)

40
33%33% 36%
Instagram

20 15%15% Twitter
13%
Outros
0

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

É interessante notar que as plataformas digitais listadas não possuem relação


direta com a comercialização de trabalhos artísticos. Isso leva a crer na utiliza-
ção da internet como plataforma de divulgação e legitimação do trabalho, meio
de aproximação com o público e de ampliação de redes de relacionamento, seja
entre artistas, seja entre possíveis consumidores.

A acessibilidade constatada indica, ainda, um avanço no sentido de democra-


tização do meio cultural; e a circulação não monetária ressalta a versatilidade,
com surgimento de novos formatos de produtos artísticos. Dito isto, ainda que
Brasília se mostre como grande sede de produção e circulação cultural, há, nos
meios virtuais, espaços para a pluralidade e circulação de expressões não hege-
mônicas.

Reflexões acerca de questões como a possibilidade do meio virtual suprir


lacunas de distribuição de investimento, de sua capacidade de estimular maior li-
berdade de expressão, entre outras, extrapolam a presente pesquisa, mas podem
ser desencadeadas pelos dados apresentados.

68 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

4.5.4 Consumo de produtos da cultura local

No que diz respeito ao consumo de produtos culturais locais, pouco mais de


92% dos artistas ouvidos afirmaram consumir a arte produzida em Brasília.

Ainda que a absoluta maioria dos entrevistados afirme consumir com fre­
quência produtos culturais da cidade, o gráfico a seguir mostra que o maior
quartil não investe, em média, valores mensais superiores a R$50,00. O segundo
maior quartil representa o intervalo entre R$50 e R$100, também com parcela
significativa de respostas (31%). Juntos, representam 66% dos que afirmaram
consumir periodicamente produtos culturais.

Gráfico 4.5 20 - Faixas de gasto mensal em produtos da cultura local (Q.84)

14%

Mais de R$200,00
35%
De R$100,01 a R$200,00

20%
De R$50,01 a R$100,00

Até R$50,00

31%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Parte dessa tendência de baixos gastos em produtos culturais pode ser atribu-
ída à ocorrência de eventos patrocinados ou subsidiados, especialmente quando
se trata de eventos musicais e teatrais. Daí a confluência entre a alta incidência
de consumo e o baixo dispêndio em tais produtos. Pode-se afirmar também que
em geral, o público de artistas (entrevistados) ajuda a mover o mercado cultural
do DF, consumindo produtos de outros produtores locais.

Resultados da pesquisa 69
O gráfico a seguir traz a distribuição percentual dos produtos culturais mais
citados pelos entrevistados.

Gráfico 4.5 21 - Produtos consumidos da cultura local (DF)*

58%
60
50%
50
40
30 22%
20 14%
11%
8% 9%
10 3%
0
Artesanato Gastronomia Livros Shows

Teatro Exposições Outros CD’s, DVD’s

*Os dados da tabela não totalizam 100%, visto que os entrevistados puderam citar mais de uma das alternativas.
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Shows e apresentações musicais foram citados por 58% dos entrevistados,


seguidos por teatro (50%). No que diz respeito ao gasto mensal em produtos cul-
turais, 13% citaram apenas uma área artística, 29% mencionaram duas, 35% lis-
taram 3, e 24% citaram 4 ou mais produtos culturais consumidos com frequência.

Esses dados contrastam com o resultado da PDAD 2013 (CODEPLAN, 2013),


pesquisa que incluiu questões acerca do consumo de itens culturais a partir da
frequência a locais como cinema, biblioteca, teatro e museus. De acordo com tal
pesquisa, 97% dos moradores do DF não frequentam museus, 67% não frequen-
tam cinemas, 93% não frequentam teatro e 93% não fazem uso de bibliotecas.

70 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

4.6 Acesso a financiamento

O panorama atual de financiamento à cultura no Brasil tem como pilar funda-


mental a ação do poder público: seja por renúncia fiscal27 ou por financiamento
direto. O sistema de financiamento nacional tem como referência a Lei Rouanet,
que institui o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). Este programa
tem como mecanismos o Fundo Nacional de Cultura (FNC), Incentivos a Projetos
Culturais e o Fundo de Investimento Cultural e Artístico (FICART). Ainda compõem
esse sistema a Lei do Audiovisual – que segue a mesma lógica dos incentivos
fiscais, porém destinada a este setor específico; e o Fundo de Financiamento da
Indústria Cinematográfica Nacional (FUNCINES), que tem seu funcionamento nos
moldes do FICART28.

No Distrito Federal, o fomento à cultura se dá majoritariamente pelo Fundo


de Apoio à Cultura (FAC), criado em 1991, que conta com 0,3% da receita
líquida do Distrito Federal – em 2010, por exemplo, esse valor representou 35
milhões de reais. Apesar de esta ser a principal fonte de financiamento no DF,
vale registrar o apoio às atividades culturais através de emendas parlamentares
e, recentemente, a edição da Lei de Incentivo à Cultura Distrital29.

A tabela a seguir apresenta as respostas relacionadas à fonte de financiamen-


to utilizada e à importância dessa fonte na composição do seu financiamento. No
que diz respeito à Fonte utilizada, registraram-se apenas as frequências das fontes
elencadas. No segundo item, Importância no orçamento, o entrevistado distribuiu
valores percentuais (em até 100%) dentre as fontes que informou utilizar. Dessa
maneira, calculou-se a média do valor percentual atribuído à importância do item
no orçamento do artista.

27.  A renúncia fiscal acontece quando pessoas físicas ou jurídicas deduzem o valor total ou parcial de investimen-
tos que fazem em projetos culturais de impostos, a depender da esfera de financiamento: Imposto de Renda para
Federal, ICMS para esfera estadual e ISS para municipal.
28.  A legislação completa do Pronac e da Lei do Audiovisual pode ser encontrada no sítio do Ministério da Cultura.
29.  A legislação da Lei de Incentivo à Cultura do Distrito Federal pode ser consultada em http:// www.fac.df.gov.
br/?page_id=5454.

Resultados da pesquisa 71
Tabela 4.6 1 - Fontes de financiamento utilizadas (questões 85 a 94)

Fonte Importância
Fontes de Financiamento
utilizada no orçamento
Recursos próprios 62% 55%
Financiamento público (editais do governo) 56% 58%
Contratação direta 25% 69%
Patrocínio ou apoio de empresas, associações/Parce-
18% 30%
rias privadas
Bilheteria 14% 29%
Ajuda de amigos e/ou familiares 12% 25%
Patrocínio de particulares 10% 29%
Financiamento coletivo/crowdfunding (catarse, vaqui-
5% 19%
nha online, etc.)*
Fundos de organismos Internacionais* 1% 46%

*A amostra não é grande o suficiente para representar a população.


Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Na Pesquisa Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF, registrou-se que recur-


sos próprios (62%) e financiamento público (56%) foram as fontes mais mencio-
nadas para custear o trabalho artístico dos entrevistados. Apesar de estas serem
as formas mais citadas, quando indagados sobre a proporção de participação
de cada fonte no seu orçamento total, a contratação direta representou em média
69% da renda de custeio da atividade cultural dos entrevistados.

Ademais, no que diz respeito à participação em editais, buscou-se identificar


que tipo de instituições eram mais buscadas e se os inscritos eram contemplados.
77% dos entrevistados participaram de algum Edital do Governo do Distrito Fede-
ral e, desses, 73% afirmaram terem sido contemplados. Já em editais do Governo
Federal, apenas 44% dos entrevistados se inscreveram nos 5 anos prévios à pes-
quisa e desses, 50% foram contemplados.

Pode-se atribuir esses fatos à grande concentração que a Lei de Rouanet ge-
rou desde que foi criada. O estudo Mecenato Cultural no Brasil (2003 a 2008)
demonstrou que nesse período, 91% dos incentivos culturais foram destinados às
regiões Sul e Sudeste, sendo que a última concentrou, sozinha, 79% dos recursos
(ALVORADA BRASIL, 2014). Ou seja, vê-se que o público do DF é pouco atendi-
do pelo Governo Federal e instituições privadas.

72 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Tabela 4.6 2 – Inscrição em editais de financiamento


da atividade cultural (questões 95 a 104)*

Fonte Financiadora Inscritos Contemplados


Governo do Distrito Federal 77% 73%
Governo Federal 44% 50%
Instituições privadas 24% 57%
Organismos internacionais 8% 62%
Outros 10% 66%

*Os dados da tabela não somam 100%, visto que os entrevistados poderiam responder “sim” ou “não”
para cada categoria, ou seja, caso tenha se inscrito e caso tenha sido contemplado.
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Os dados acima ressaltam a importância do financiamento público para o


mercado de cultura do DF e, nesse contexto, a centralidade do GDF enquanto
fonte financiadora.

Os entrevistados também foram incentivados a registrar se, no período de


2009 a 2014, trabalharam em projetos financiados e de onde provinha a fonte
de financiamento. Cada entrevistado podia mencionar mais de uma fonte, inclu-
sive repetir o nome do Edital, caso tenha sido contemplado mais de uma vez no
período ou no mesmo ano.

A tabela a seguir mostra a grande prevalência do FAC como fonte de finan-


ciamento dos projetos em que os entrevistados trabalham, seguido de Funarte,
Minc e Pronac, reforçando a importância do Fundo para a atividade artística no
Distrito Federal.

Resultados da pesquisa 73
Tabela 4.6 3 - Editais mencionados como fonte de financiamento
da atividade artística (2009-2014) (Q. 107 a 116)

Editais Frequência
Fundo de Apoio à Cultura - DF 463
Funarte 36
MinC 36
PRONAC 33
Editais de apresentação em eventos específicos 21
Banco do Brasil 12
Outros editais do GDF 12
Sistema S - Sesi e Senac 11
Caixa Econômica Federal 9
Petrobras 9
Emendas Parlamentares 6
Organismos Internacionais 6
Correios 4
Prêmios estaduais 2
Financiamentos diversos 41
Total 701

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Dos entrevistados, 46% afirmaram que elaboram os projetos a serem aplica-


dos em conjunto com os grupos ou associações artísticas do qual fazem parte, e
36% escrevem o próprio projeto. O número de artistas que terceirizam a ativida-
de é de 16%.

74 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Tabela 4.6 4 - Elaboração de projetos de editais (Q.105)

Formas de elaboração Frequência Percentual


Elabora em conjunto com a associação, grupo ou
coletivo
162 46%
Escreve o próprio projeto 126 36%
Terceiriza o serviço de elaboração do projeto 60 16%
Outros 9 2%
Total 350 100%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Os artistas, além de submeterem seus próprios projetos, também trabalham


em projetos financiados por outros artistas da área; segmento esse que represen-
ta 65% dos entrevistados.

Tabela 4.6 5 - Projetos financiados e de outros artistas (Q.106)


Respostas Frequência Percentual
Sim 254 65%
Não 140 35%
Total 394 100%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Retomando o conceito apresentado de circuitos culturais, os dados acima con-


fluem com a quantidade e diversidade de produtos culturais consumidos por esse
público, bem como com o alto percentual de adesão a grupos, coletivos, associa-
ções e demais formatos de organizações setoriais, levando a crer na existência
de um amplo circuito cultural no DF. Outrossim, fundamenta referências à dificul-
dade relatada por alguns de passar a integrar tal circuito.

Ademais, esses dados sugerem o intenso relacionamento entre os trabalhado-


res da área cultural do DF e a existência de redes de retroalimentação desse cir-
cuito cultural. Os financiamentos obtidos por alguns artistas têm uma abrangência
mais ampla, proporcionando o envolvimento de outros trabalhadores da cultura.

Resultados da pesquisa 75
4.7 Cadeia produtiva

Nesse bloco do questionário buscou-se investigar o Ciclo da Cultura dos tra-


balhadores da cultura. O ciclo cultural abarca as diferentes etapas de criação,
produção e difusão da cultura. Dessa forma, a cultura pode ser visualizada como
produto de um conjunto de processos afins.

Para esta análise, foi utilizado o Ciclo da Cultura apresentado no Framework


for Cultural Statistics da UNESCO (2009), referência de outros estudos realizados
na área da cultura.

Esse ciclo é composto por 5 etapas: 1) Criação; 2) Produção; 3) Difusão; 4)


Exibição/Recepção/Transmissão; 5) Consumo/Participação.

A primeira etapa, Criação, concentra a concepção de ideias, conteúdos e


produtos originais. Por exemplo: trabalho de escritores, artesãos, artistas plásti-
cos, empresas de design.

A segunda etapa, Produção, abarca a infraestrutura, processos e ferramentas


usados na reprodução das formas culturais. Por exemplo: fabricação de instru-
mentos musicais, impressão de livros e jornais, produção de shows e espetáculos.

A terceira etapa, Difusão, é a fase que coloca ao alcance do público os pro-


dutos culturais de massa. Com a distribuição digital, alguns bens e serviços vão
diretamente do criador para o consumidor. Por exemplo: comercialização de
música, jogos de computador, filmes.

A quarta etapa, Exibição, Recepção e Transmissão, pode ser compreendida


desmembrando-a em duas: a) Exibição/Recepção, que está ligada à apresen-
tação das atividades culturais em shows, espetáculos, exposições, bem como
aos espaços onde essas apresentações são realizadas, como museus, cinemas,
teatros, espaços culturais; e b) Transmissão, que envolve a disseminação de co-
nhecimentos e habilidades que podem ou não envolver transações comerciais; e
muitas vezes ocorre em ambientes informais. Por exemplo: transmissão de conhe-
cimentos tradicionais, a realização de cursos e oficinas.

A quinta etapa, Consumo e Participação, refere-se à promoção da prática de


atividades culturais pelo público ou participantes. Por exemplo: ler livros, dançar,
escutar música, visitar museu.

Essa explanação foi realizada na aplicação de todos os questionários, per-

76 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

mitindo que os entrevistados pudessem relacionar as fases que correspondem à


prática de sua atividade cultural, bem como identificar os principais insumos e
serviços utilizados (questões 118 a 137, referentes a insumos e sua origem; ques-
tões 138 a 157, referentes aos serviços e sua origem).

Considerando as especificidades de cada área de atuação no setor cultural,


os entrevistados foram instados a listar em quais etapas do ciclo da cultura tra-
balhavam, com liberdade para marcar uma ou mais etapas30. Nesse contexto,
38% deles afirmaram executar atividades em todas elas e 18% concentram suas
atividades em apenas uma etapa. Esses dados apontam para a necessidade de
uma atuação altamente diversificada, uma vez que mais de 80% dos entrevista-
dos dedicam-se a atividades de mais de uma das etapas da cadeia da cultura.

No que diz respeito às etapas nas quais trabalham, a tabela abaixo traz a
relação de categorias, juntamente com suas ocorrências absolutas e percentuais.

Tabela 4.7 1 - Etapa do Ciclo da Cultura* (Q.117)

Etapa Frequência Percentual


Criação 303 78%
Produção 299 77%
Difusão 222 57%
Exibição/Recepção/Transmissão 259 67%
Consumo/Participação 209 54%

*Os dados da tabela não somam 100%, visto que os entrevistados poderiam marcar todas as etapas do
ciclo da cultura que trabalham.
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Nesse contexto polivalente, as etapas de criação e produção concentram a


atuação dos artistas da cultura, seguidas por exibição, recepção e transmissão.

Nas questões 118 a 137, os entrevistados informaram os principais insumos


utilizados em sua principal atividade artístico-cultural, além de sua origem. Para a
presente análise, agruparam-se os insumos em categorias, apresentadas a tabela
a seguir:

30.  O percentual, portanto, foi obtido a partir da frequência absoluta de citação de cada uma das etapas, compa-
rada com o total de entrevistados que responderam a essa questão.

Resultados da pesquisa 77
Tabela 4.7 2 - Insumos das atividades artísticas (declarados) [Q.118 a 137]

Insumos Percentual
Figurino/Vestuário/Maquiagem 14%
Instrumentos musicais 12%
Matérias primas diversas 10%
Outros insumos 10%
Material de papelaria/gráfica 9%
Artigos de pintura 8%
Equipamentos de som 8%
Computador/aparelhos eletrônicos 8%
Espaço (local) 6%
Iluminação/Equipamentos de luz 5%
Cenário/Cenografia 4%
Câmera/Equipamentos de foto e vídeo 3%
Serviços 3%
Total 100%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015
Com relação a sua origem, os insumos, em sua maioria, são adquiridos den-
tro do Distrito Federal. Mas em alguns casos, são adquiridos em outras unidades
federativas ou até mesmo em outros países (EUA e China, principalmente).

Tabela 4.7 3 - Insumos adquiridos no DF

Região Administrativa Percentual


RA I Brasília 55%
RA III Taguatinga 12%
RA IX Ceilândia 6%
RA VI Planaltina 5%
RA XIV São Sebastião 5%
Outras Regiões Administrativas 17%
Total 100%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Além dos principais insumos, os entrevistados informaram os principais servi-


ços utilizados para suas atividades artístico-culturais (questões 138 a 157). Aqui

78 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

também foram categorizadas as informações dos questionários para análise.

Tabela 4.7 4 - Serviços das atividades artísticas (declarados) [Q.138 a 157]

Serviços Percentual
Técnico de som 13%
Serviços de logística, segurança 12%
Atores, cenógrafos, diretores teatrais 11%
Divulgação 9%
Iluminação 9%
Outros 8%
Músicos 7%
Produção 6%
Serviços profissionais diversos 6%
Serviços de escritório 4%
Espaço para produção e/ou execução 4%
Filmagem e edição 4%
Revisão de textos, editoração 3%
Fotografia, molduras 2%
Dançarinos, coreógrafos 2%
Total 100%

Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Os principais serviços utilizados são do Distrito Federal e, da mesma maneira


que os insumos, da RA I, Brasília.

Resultados da pesquisa 79
Tabela 4.7 5 - Serviços utilizados do DF

Região Administrativa Frequência Percentual


RA I Brasília 308 50%
RA IX Ceilândia 83 13%
RA VI Planaltina 50 8%
RA III Taguatinga 47 7%
Outras Regiões Administrativas 134 22%
Total 622 100%
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Os serviços originários de outras unidades federativas são principalmente de


São Paulo e Rio de Janeiro.

Com relação às dificuldades para adquirir instrumentos e serviços para o tra-


balho artístico realizado no Distrito Federal, os entrevistados citaram o alto preço
e a falta de recursos como as principais.

Tabela 4.7 6 – Principais dificuldades para


aquisição de instrumentos/ferramentas/serviços (Q.158)*

Dificuldades Frequência Percentual


Preço superior 148 42%
Falta de recursos 135 38%
Produto não produzido no DF 83 23%
Impostos 75 21%
Escassez de oferta 66 19%
Outros 55 16%
Baixa qualidade do produto 37 10%
Demora na entrega 10 3%
Não têm dificuldades 4 1%
Total 354
*Os dados da tabela não totalizam 100%, visto que os entrevistados puderam citar mais de uma das
alternativas.
Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015
A respeito da comercialização do produto das atividades culturais realizadas,
59% dos pesquisados informaram haver entraves.

80 Resultados da pesquisa
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

Gráfico 4.7 1 – Entraves para comercialização do produto cultural

15%

Não se aplica

Não
59%
26% Sim

* Não se aplica: caso não comercialize.


Fonte: Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF 2014/2015

Foi inquirido aos entrevistados qual seria o principal entrave para comercia-
lizar seu produto, permitindo que informassem o que quisessem. Para auxiliar
nossa análise, as respostas foram agrupadas em categorias macro, quais sejam:
a) Governo/SECULT; b) Fiscalização; c) Burocracia; d) Recursos/ Recursos finan-
ceiros; e) Público; f) Concorrência; g) Reconhecimento/ Valorização; h) Distri-
buição; i) Divulgação; j) Espaço/Infraestrutura; k) Incentivo/ Financiamento; l)
Mercado; e m) Outros.

Importante frisar que essas categorias foram estabelecidas como forma de


facilitar a visualização dessa grande quantidade de respostas dadas e organizá-
-las de forma que pudessem ser compreendidas dentro de um contexto. Algumas
respostas podem ser encaixadas em mais de uma categoria.

Os entrevistados foram questionados quanto aos direitos autorais. Regula-


mentado pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98), o direito autoral reúne
prerrogativas de cunho moral e patrimonial para os criadores de obra intelectual,
resultantes da exploração de suas criações. 42% dos entrevistados afirmaram ser
necessário pagamento de direitos autorais para a realização de suas atividades
culturais. 14% informaram que recebem pagamento de direitos autorais.

Resultados da pesquisa 81
82
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

5. CONCLUSÕES

A partir da análise dos dados levantados nos blocos temáticos estabelecidos


nesta pesquisa, foi possível traçar um perfil geral dos trabalhadores da cultura.
Destaca-se que surgiram informações que abrem possibilidades futuras de outras
investigações.

De modo geral, a maioria dos entrevistados é do sexo masculino (63%), com


faixa etária entre 30 e 39 anos (30%), natural de Brasília (51%) e residente na
RA I, Brasília (16%). 41% declararam-se pardos e, por meio do Critério de Classi-
ficação Econômica Brasil de 2014, verificou-se que 51% enquadram-se na classe
econômica B.

Grande parte dos trabalhadores (60%) possui ensino superior completo, mas
não necessariamente em sua área artística. Com relação à formação artística e
capacitação, os entrevistados informaram que há ausência de cursos especiali-
zados, não acadêmicos, para o setor. E, como observado nos dados coletados,
há concentração de demanda por cursos gratuitos, oferecidos por instituições
públicas ou financiados pelo governo.

Conclusões 83
80% consideram muito importante realizar cursos de atualização para sua
atividade, mas 55% não o fizeram nos últimos 5 anos, por falta de financiamento
público (35%). Dentre a parcela que declarou ter realizado esse tipo de curso,
17% frequentaram a Universidade de Brasília e 14% a Escola de Música de Bra-
sília, tendo sido a maior parte dos cursos gratuitos (49%) e, também, financiados
com recursos próprios (31%).

Para responder as perguntas sobre a atuação artístico-cultural, os entrevista-


dos declararam sua atividade principal desse setor (questão 55), e 26% são mú-
sicos, cantores e compositores, seguidos de produtores artísticos e culturais (16%) e
atores e atrizes (13%). Nesse aspecto, importante ressaltar que a maioria (54%)
dos trabalhadores da cultura informou que seu trabalho artístico é a principal fon-
te de renda. Entre os entrevistados, 34% são artistas há mais de 25 anos e 39%
entre 11 e 24 anos; e 47% dedicam até 20h semanais a sua atividade artística.

Ainda, 59% dos entrevistados realizaram atividades remuneradas não artísti-


cas e, desses, 80% ainda mantêm esse vínculo. Esses profissionais atuam majori-
tariamente no setor de serviços, sendo 26% no funcionalismo público. Esse perfil
dedica a essa atividade não artística entre 20 e 40 horas semanais.

No que tange a seguridade social, 36% não possuem seguro previdenciário,


dado indicativo de precariedade dos vínculos empregatícios do setor.

Outro elemento que ressalta vulnerabilidades do setor diz respeito à dinâmi-


ca de remuneração dos trabalhadores: 37% dos artistas recebem remuneração
apenas ocasionalmente, enquanto outros 7% afirmaram receber quase nunca e
12% nunca são remunerados. Ao avaliarem os valores recebidos, 21% os clas-
sificaram como bons, 2% ótimos. Razoável, ruim e péssimo somam 77%. Com re-
lação ao vínculo de trabalho, 61% são autônomos e 41% sem contrato. A renda
declarada de suas atividades aponta que 29% recebem até aproximadamente 1
(um) salário mínimo.

Quanto aos dados referentes aos locais onde desempenham as etapas de


criação e produção, 50% trabalham em sua própria casa, 44% em imóvel pró-
prio. Esses dados indicam a ausência de locais específicos ao desempenho da
atividade artística. Essas etapas (criação e produção), bem como as de difusão,
exibição e transmissão têm realização concentrada na RA I, Brasília (criação/pro-
dução: 28% e difusão: 59%). Tais informações são interessantes e poderiam ser
aprofundadas para se compreender em que medida esse ambiente de trabalho
compromete o desenvolvimento e a profissionalização do segmento.

84 Conclusões
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

No que diz respeito à distribuição sazonal do trabalho, há notável concentra-


ção de demanda por serviços artísticos no segundo semestre do ano. Além disso,
de sexta a domingo e período noturno são períodos de maior importância para
os artistas inseridos no mercado do Distrito Federal.

Esses dados indicam a centralidade da vida noturna para a movimentação do


mercado cultural no Distrito Federal. Chegam em um período de intensa discus-
são em torno da aplicação da Lei do Silêncio e o fechamento de espaços destina-
dos a apresentações musicais, cênicas, saraus literários, entre outros.

Ainda, os trabalhadores da cultura responderam questões acerca de como


percebem a valorização de suas atividades pelo público, Governo Federal e do
Distrito Federal. 87% atribuem ao público o reconhecimento de suas atividades
como importante e muito importante. 35% dos entrevistados declaram que o GDF
considera seu trabalho artístico importante. Nesse sentido, o Fundo de Acesso à
Cultura (FAC) pode ser um dos fatores que influenciou positivamente essa percep-
ção, especialmente se comparados os resultados entre GDF e Governo Federal.

No tocante ao associativismo, ainda que o maior número de trabalhadores da


cultura tenha ligação com algum grupo ou associação artístico-cultural, é notável
o percentual de artistas que não fazem parte de grupos de qualquer natureza
(38%). Complementarmente, verificou-se que as redes sociais são os principais
meios utilizados para a promoção de atividades artísticas, pesquisa e contato
com possíveis parceiros.

O quarto bloco do questionário, Acesso a Financiamento, mapeou a compo-


sição do orçamento destinado à produção artística e participação em editais de
diversas esferas. 62% dos entrevistados afirmaram empregar recursos próprios
na composição do financiamento de sua atividade artística e, complementarmen-
te, 56% informaram empregar financiamento público. Não obstante, os trabalha-
dores da cultura informaram que a contratação direta representa 69% da renda
obtida de sua atividade cultural.

O GDF desempenha papel central na composição do financiamento público


usado pelos entrevistados. 77% deles já se inscreveram em editais do Governo
do Distrito Federal e, destes, 73% foram contemplados. Quando solicitados a
informar os editais em que atuaram, 463 projetos financiados pelo FAC foram
listados. Além disso, entre 2009 e 2014, 65% dos entrevistados trabalharam em
projetos financiados pelo poder público e pleiteados por outros artistas.

Conclusões 85
A respeito da Cadeia Produtiva, a maior parte dos entrevistados afirmou par-
ticipar de todas as etapas do Ciclo da Cultura, com destaque para criação e pro-
dução (78% e 77%, respectivamente). Foram declarados, espontaneamente, os
insumos e serviços utilizados para realização das atividades artísticas e culturais.
Da mesma maneira, as principais dificuldades para adquirir os insumos neces-
sários foram informadas, quais sejam preço superior (42%) e falta de recursos
(38%).

Com relação à comercialização dos produtos de suas atividades artísticas,


59% citaram haver entraves, tendo sido citados elementos que remetem ao go-
verno ou a competências governamentais (Governo/Secult, Fiscalização, Buro-
cracia, entre outros).

Ainda que os dados apresentados não abarquem características e informa-


ções totalizantes desse segmento, espera-se que este trabalho contribua para uma
maior compreensão das dinâmicas, fragilidades e particularidades dos trabalha-
dores da cultura no Distrito Federal.

86 Conclusões
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

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Critério Brasil Critério de Classificação Econômica Brasil
CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
DF Distrito Federal
DIEESE Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
ESTADIC Pesquisa de Informações Básicas Estaduais
FAC Fundo de Apoio à Cultura
FATO Fato Consultoria e Pesquisa Social
FCS Framework for Cultural Statistics
FICART Fundo de Investimento Cultural e Artístico
FJP Fundação João Pinheiro
FNC Fundo Nacional de Cultura
FUNCINES Fundo de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional
Fundação SEADE Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados
GDF Governo do Distrito Federal
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICMS Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
IESB Instituto de Educação Superior de Brasília
INSS Instituto Nacional do Seguro Social
IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
IPI Imposto sobre produtos industrializados
ISS Imposto sobre serviços de qualquer natureza
MEI Microempreendedor Individual
MinC Ministério da Cultura
MUNIC Pesquisa de Informações Básicas Municipais
PDAD Pesquisa Distrital de Amostra Domiciliar
PEA População Economicamente Ativa
PED-DF Pesquisa de Emprego e Desemprego no Distrito Federal
PIB Produto Interno Bruto
PIS Programa de Integração Social
PNAD Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar
PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
Pronac Programa Nacional de Apoio à Cultura
RA Região Administrativa
RAIS Relação Anual de Informações Sociais
Setor Complementar de Indústria e Abastecimento
SCIA
(Cidade Estrutural e Cidade do Automóvel)
SEBRAE Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SECULT Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal
SNIIC Sistema de Nacional de Informações e Indicadores Culturais
SUS Sistema Único de Saúde
UnB Universidade de Brasília
UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura

90 Lista de Siglas
Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF

LISTA DE TABELAS
Tabela 4.2 1 - Atividade de atuação cultural nos últimos 5 anos (Q.32) 36
Tabela 4.2 2 - Forma de aprendizado da principal atividade artística (Q.34) 37
Tabela 4.2 3 - Local (RA) onde a formação artística foi realizada (Q.35) 37
Tabela 4.2 4 - Participação em cursos de atualização ou capacitação nos últimos 12 meses (Q.39) 39
Tabela 4.2 5 – Nome da instituição onde a capacitação foi realizada (Q.36) 40
Tabela 4.2 6 – Local de realização da capacitação fora do DF (Q.40) 40
Tabela 4.2 7 – Tipo de instituição que ofereceu essa capacitação (Q.41) 41
Tabela 4.2 8 – A capacitação ou aperfeiçoamento foi financiado por: (Q.43) 41
Tabela 4.3 1 – Acesso a seguro previdenciário* (Q.44) 42
Tabela 4.3 2 - Acesso à saúde* (Q.45) 42
Tabela 4.4 1 - Situação ocupacional em relação ao trabalho NÃO artístico (Q.53) 47
Tabela 4.5 1 Principal atividade artística (Q55) 51
Tabela 4.5 2 - Principal fonte de renda é relacionada ao seu trabalho artístico-cultural (Q.46) 59
Tabela 4.5 3 – Grupos e/ou associações dos quais faz parte (Q.75)* 65
Tabela 4.6 1 - Fontes de financiamento utilizadas (questões 85 a 94) 72
Tabela 4.6 2 – Inscrição em editais de financiamento da atividade cultural (questões 95 a 104)* 73
Tabela 4.6 3 - Editais mencionados como fonte de financiamento da atividade artística (2009-2014) (Q. 107 a 116) 74
Tabela 4.6 4 - Elaboração de projetos de editais (Q.105) 75
Tabela 4.7 1 - Etapa do Ciclo da Cultura* (Q.117) 77
Tabela 4.7 2 - Insumos das atividades artísticas (declarados) [Q.118 a 137] 78
Tabela 4.7 3 - Insumos adquiridos no DF 78
Tabela 4.7 4 - Serviços das atividades artísticas (declarados) [Q.138 a 157] 79
Tabela 4.7 5 - Serviços utilizados do DF 80
Tabela 4.7 6 – Principais dificuldades para aquisição de instrumentos/ferramentas/serviços (Q.158)* 80

LIsta de Tabelas 91
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 4.1 1 - Região Administrativa de domicílio (Q.2) 29


Gráfico 4.1 2 – Distribuição da população do Distrito Federal 30
Gráfico 4.1 3 - Sexo (Q.5) 31
Gráfico 4.1 4 - Faixa etária* (em anos) (Q.4) 31
Gráfico 4.1 5 - Cor ou raça (Q.6) 32
Gráfico 4.1 6 - Escolaridade da população do Distrito Federal e Trabalhadores da Cultura do Distrito Federal 33
Gráfico 4.1 7 - Classes econômicas (Q. 14 a 25) 34
Gráfico 4.1 8 - Renda bruta familiar declarada (Q.13) 35
Gráfico 4.2 1 - Local (UF) onde a capacitação foi realizada (Q.35) 38
Gráfico 4.2 2 – Dificuldades para realizar capacitação artístico-cultural (Q.38) 39
Gráfico 4.4 1 - Nos últimos 5 anos, você realizou atividades remuneradas não artísticas? (Q.47) 43
Gráfico 4.4 2 - Atividade não artística remunerada realizada (Q.48) 44
Gráfico 4.4 3 - Atividade não artística remunerada e principal fonte de renda (questões 46 e 47)* 45
Gráfico 4.4 4 - Realizar atividade não artística (Q.49)
46
e principal fonte de renda ser da atividade cultural (Q.46)
Gráfico 4.4 5 - Tipo de contrato da atividade não artística (Q.54) 48
Gráfico 4.4 6 - Rendimento bruto mensal declarado da atividade não artística (Q.51) 49
Gráfico 4.4 7 - Horas semanais dedicadas à atividade não artística (Q.52) 50
Gráfico 4.5 1 - Tempo de atividade artística (Q.56) 52
Gráfico 4.5 2 – Distribuição da demanda da principal atividade artística por meses (Q.59) 53
Gráfico 4.5 3 - Dias da semana de maior demanda da atividade artística (Q.60) 54
Gráfico 4.5 4 - Período do dia em que se realiza a atividade artística (Q.61) 54
Gráfico 4.5 5 - Horas semanais dedicadas à atividade artística (Q.62) 55
Gráfico 4.5 6 - Local em que realiza a criação/produção da atividade artística (Q.63) 56
Gráfico 4.5 7 - Tipo de espaço utilizado (Q.64) 56
Gráfico 4.5 8 - Local (RA) utilizado para criação/produção da atividade artística (Q.65) 57
Gráfico 4.5 9 - Locais (RA) onde realiza difusão/exibição/transmissão da atividade artística (Q.66) 58
Gráfico 4.5 10 - Comparativo RA utilizada para criação/produção da atividade artística (Q.65) x
58
RA onde realiza difusão/exibição/transmissão da atividade artística (Q.66)
Gráfico 4.5 10 - Frequência de recebimento de remuneraçãopela atividade artística (Q.67) 60
Gráfico 4.5 11 - Avaliação da remuneração recebida pela atividade artística (Q.68) 60
Gráfico 4.5 12 - Rendimento bruto mensal declarado da atividade artística (Q.69) 61
Gráfico 4.5 13 - Situação ocupacional em relação ao trabalho artístico (Q.70) 62
Gráfico 4.5 14 - Tipo de contrato da atividade artística (Q.71) 62
Gráfico 4.5 15 - Percepção do reconhecimento dado pelo GDF à atividade artístico-cultural desempenhada (Q.74) 63
Gráfico 4.5 16 - Percepção do reconhecimento dado à atividade artístico-cultural (questões 72 a 74) 64
Gráfico 4.5 17 - Principais formas de acesso à internet (Q.78) 66
Gráfico 4.5 18 - Finalidade do uso da internet (Q.80) 67
Gráfico 4.5 19 - Redes sociais, sites e aplicativos utilizados (Q.81) 68
Gráfico 4.5 20 - Faixas de gasto mensal em produtos da cultura local (Q.84) 69
Gráfico 4.5 21 - Produtos consumidos da cultura local (DF)* 70
Gráfico 4.7 1 – Entraves para comercialização do produto cultural 81

92 Lista de Gráficos
A pesquisa Perfil dos Trabalhadores da Cultura do DF
objetiva contribuir com informações e reflexões acerca
da cultura no DF, especificamente dos trabalhadores
desse segmento. A realização desta pesquisa
tornou-se possível devido ao financiamento do Fundo
de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura do
Distrito Federal, por meio do Edital 05/2013 –
Indicadores, informações e qualificações. Assim, esta
pesquisa tem a intenção de trazer novos elementos
para colaborar com os grupos dos trabalhadores da
cultura, acadêmicos e os setores público e privado em
debates, novos estudos, elaboração e adaptação de
políticas públicas, entre outros.

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