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refácio
No trabalho realizado com crianças e suas famílias surgem muitos desafios.
Duando aspiramos a maximizar o potencial educativo da família e dos professores
com os quais convivem as crianças vulneráveis a diferentes riscos ou as crianças
consideradas especiais, uma questão instigante está na seleção e no emprego de
instrumentos que atendam a múltiplas finalidades. Necessitamos de ferramentas
que permitam, ao mesmo tempo, realizar a avaliação contínua do repertório das cri-
anças, orientar os pais ou familiares para oferecerem uma estimulação compatível
com as necessidades da sua criança e capacitar o profissional que executará a ava-
liação das crianças e a orientação dos pais. Temos encontrado respostas bem suce-
didas ao desafio que enfrentamos ao empregarmos a operacionalização do Inven-
tário Portage apresentada por Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams e por Ana
Lúcia Rossito Aiello.
Às qualidades de permitir a avaliação sistemática das crianças, de servir de
guia no planejamento e execução de atividades e de instrumento de capacitação de
pais e profissionais, somam-se algumas outras relacionadas aos pressupostos ado-
tados na elaboração do Inventário Portage, parte do Sistema Portage.
Nas atividades propostas para as crianças que apresentam desenvolvimento
peculiar, muitos de nós observa que cada criança parece crescer à sua própria ma-
neira: são diferentes no domínio que têm sobre o mundo que as cerca e no ritmo em
que ganham diversos níveis de autonomia. Uma análise cuidadosa nos indica, entre-
tanto, que a despeito das diferenças observadas no desenvolvimento das crianças há
"The fami/y and its socioculturaJ and economic context
circunstâncias comuns a todas elas, a começar do fato de que crescem e se desen-
is the crucible in which forces for good and iII are transformed volvem na convivência com outras pessoas, principalmente com a família e os pro-
fessores. Um outro aspecto relevante é o fato do desenvolvimento de todas elas
into developmental patterns for high risk and handicapped
acontecer globalmente, por mais que se fale sobre áreas a serem estimuladas. Final-
children in lhe first years of fife. The evidence from a whole mente, mas não menos importante, está o peso que é dado ao sucesso de cada cri-
ança nas habilidades que tem e nas que adquire, pois esse sucesso é o elemento cha-
generation of research demonstrates that the quality of
ve das decisões, o ponto de partida para o planejamento e realização do trabalho.
parents' behavior as caregivers and as teachers makes a A consistência e a coerência entre o que pensamos sobre o desenvolvimento
. das crianças e a estimulação pretendida requerem a apreensão do que cada crian-
difference in the development of infanfs and young chi/dren."
ça faz; em que circunstância o faz e quais as condições necessárias para otimizar a
apresentação ou a aquisição de uma determinada habilidade. A operacionalização
do Inventário Portage acrescentou ao conhecido Sistema Portage a qualidade de re-
a coerência entre os pressupostos Que a orientaram e as ações concretas da- e põe à disposição lodo o suporte adaptado ou elaborado pelas autoras à pes-
queles Que procedem à aplicação do inventário, tanto ao colher as informações so- quisa e para o treino domiciliar e o treino dos professores.
bre a criança como ao propor a análise do conjunto de informações para o planeja- Gostaria, de público, de fazer um comentário da minha experiência pessoal e
mento do trabalho. de apresentar o meu agradecimento às autoras pela contribuição que, sem saber,
Aqueles que empregam o Inventário Portage encontram, na operacionalização elas têm dado às atividades realizadas em creches. No trabalho cotidiano com as
ora apresentada, os indicadores objetivos a respeito do desempenho esperado da crianças de risco e com os adultos que as rodeiam recorro, com freqüência, ao texto
criança em um determinado período do desenvolvimento e podem pautar suas que todos têm a oportunidade de consultar com esta publicação. Nele encontro res-
ações pela descrição cuidadosa das condições que devem ser oferecidas à criança, postas para as mais diferentes situações e dele derivo questões que só um traba-
pelo observador, para que ela realize alguma atividade, incluindo-se nesta descri-
lho completo, como este, pode suscitar.
ção os critérios de sucesso do desempenho da criança. Dispondo das informações
objetivas sobre o que observar e em quais condições, contamos com a possibilida-
de de uniformizar os procedimentos de coleta de informações sobre o desempenho Maria Slella C. de Alcântara Gil
da criança quanto à linguagem, cognição, socialização, habilidades motoras e auto' Universidade Federal de São Carlos
cuidados. Dispomos, ainda, da vantagem de obter informações organizadas em pro-
tocolos que facilitam a análise do desenvolvimento da criança.
A proposta de análise das informações descrita na operacionalização fornece,
assim, indicações detalhadas para o planejamento das atividades e o acompanha-
mento dos progressos da criança em cada uma das áreas e a apreensão do desen-
volvimento global. A realização de análises e de sínteses do desempenho observa-
do são igualmente possíveis, em qualquer momento da estimulação realizada, dada
a possibilidade de transformar os resultados em uma reta de regressão que propor'
ciona a visualização do desenvolvimento integral da criança.
Ao relatarem a pesquisa sobre o Sistema Portage, seus objetivos, procedimen-
tos e resultados, as autoras abriram um rico espectro de possibilidades para os pro-
fissionais e estudantes. Situaram a operacionalização do Inventário Portage no con-
texto original de elaboração e emprego do Sistema Portage, corrigindo distorções na
compreensão do objetivo e função do Inventário e infórmando sobre a literatura re-
levante para aqueles que desejarem se aprofundar no conhecimento do Sistema. Ofe-
receram a descrição Objetiva e clara dos procedimentos que geraram a operaciona-
lização e, ao fazê-lo, simultaneamente apresentaram um modelo para o treinamento
de pais e de professores; submetem, assim, o trabalho ao questionamento da comu-
nidade especializada, favorecendo com isso o surgimento de novas investigações.
Otrabalho realizado por Lúcia e Ana oferece instrumentos para a intervenção
com famílias de crianças especiais e de risco, aperfeiçoados por minuciosa investi-
gação sobre os resultados do seu emprego; apresenta um modelo de intervenção
com famílias nos seus domicílios; torna acessível um modelo de investigação na
Reconhecimento y;O;JumarlO
, .
PARTE I 1
Muitas pessoas nos ajudaram a tornar possível este livro, e gostaríamos de 1. oque é o Guia Portage de Educação Pré-Escolar e por que operacionalizá-lo 2
agradecê-Ias: à Dr a Maria Amélia Matos, pela dedicação com que orientou o traba- A) Procedimento de treino domiciliar 2
lho de tese da primeira autora e por todas as ocasiões em que nos ensinou aspec- B) Planejamento curricular 4
tos do complexo repertório envolvido no pesquisar; ao Dr. Sidney Bijou, cuja postu- C) Programa Portage de avaliação e treinamento de pais 8
ra defendendo o papel dos pais na prevenção de atraso no desenvolvimento infan- . D) Por que operacionalizá-lo? 13
til inspirou este trabalho e pela gentileza em ceder às autoras material não publi- .2. Por que resolvemos publicar a Operacionalização do Inventário Portage 14
cado; à equipe do Projeto Portage e, em particular, ao Sr. George Jensien, pela pres-
teza em tornar acessível a literatura sobre o projeto; à Dr a Margarida Windholz, pe- PARTE 11 19
las sugestões relativas à operacionalização do Inventário Portage e, principalmen- 1.Sobre a relevância do envolvimento da família nos programas
te, pelo seu modelo de atuação em Educação Especial; à Guido Gonçalves Cavalcanti de intervenção precoce 20
de Albuquerque, pai da primeira autora, pela valiosa ajuda com a análise dos dados 4.Pesquisa sobre o Sistema Portage no Brasil 25
(foi dele a idéia de calcular a reta de regressão), e por ter sido um pai capaz de pro- A) Objetivos do estudo 25
piciar tantas habilidades úteis ao pesquisar; à Dr a Maria Stella Coutinho de Alcân- . . : B) Participantes 26
tara Gil, por compartilhar suas dúvidas e sugestões ao utilizar o Inventário Portage C) Procedimento 29
Operacionalizado, transformando-as em comentários oportunos durante o preparo a) Treino das Professoras 29
deste livro; ao Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da Universidade 1) Treinamento inicial 32
Federal de São Carlos e a todos os alunos desta Universidade que atuaram no Pro- 2) Supervisão 34
jeto "Famílias" e no Projeto "Treinamento Domiciliar de Familiares de Indivíduos Es- b) Supervisão da Programação de Treinos das Professoras 36
peciais"; à Ariane Agnes Corradi, Lisandréa Rodrigues Menegasso, Maria Camila Ma- c) Supervisão do desempenho das professoras ao realizarem treino domiciliar 40
sel/i e Paulo Gilberto Bertoni, alunos do Curso de Graduação em Psicologia da D) Delineamento Experimental 40
UFSCar, pela gentileza em nos ceder o caso ilustrativo de Tiago; a Antonio de Pádua a) Treino das Mediadoras 42
Blanco e Sueli Provinciali Vali, pela disposição em digitar n05SO trabalho; a todas as b) Delineamento experimental: comportamento das crianças 50
pessoas que utilizaram o Inventário Portage Operacionalizado e nos encorajaram a 1) Linha-de-base Múltipla entre Grupos de Sujeitos 50
esta publicação e, finalmente, 2) Procedimento de Múltiplas Sondagens 52
c) Duração e término do estudo 54
E) Instrumentos de Medida 54
a) Desempenho da criança 54
às pessoas centrais de nossos estudos:
pais e crianças com quem trabalhamos! 1) Desempenho quadrimestral do Inventário Operacionalizado
do Guia Portage de Educação Pré-Escolar 54
2) Desempenho semanal em relação a comportamentos prescritos
para treino 56
3) Desempenho quadrimestral em testes normativos 56
b) Desempenho da mediadora 58
1) Desempenho da mediadora no Inventário Comportamental de Pais 58 d) Duração das sessões de observação 144
2) Registro diário do desempenho da criança 58 e) Como organizar previamente uma sessão 144
3) Entrevista com a mediadora 60 f) Procedimento de observação propriamente dito 145
c) Desempenho da professora 60 C) Registro 145
1) Desempenho semanal quanto a elaboração de instruções para D) Informações finais 154
a mediadora 60 E) fidedignidade das observações 154
2) Observação do desempenho da professora ao realizar treinos domiciliares 62 7. Operacionalização da área de Estimulação Infantil do Inventário Portage 158
• Observação da utilização da seqüência de passos do 8. Operacionalização da área de Socialização do Inventário Portage 167
procedimento de treino domiciliar 62 9. Operacionalização da área de Cognição do Inventário Portage 184
• Observação do desempenho da professora ao dar instruções orais 66 1O.0peracionalização da área de Linguagem do Inventário Portage 206
3) Entrevista com as professoras 68 11.0peracionalização da área de Autocuidados do Inventário Portage 225
F) Resultados e discussão 68 12.0peracionalização da área de Desenvolvimento Motor do Inventário Portage 243
a) Benefícios do Projeto para as Crianças 68 13.1dentificação de categorias e classes de respostas contidas no Inventário Portage 261
1) Comportamentos ensinados às crianças 68 • A) Estimulação Infantil 261
2) Aceleração do desenvolvimento das crianças 90 B) Socialização 262
3) Desempenho das crianças em testes normativos 90 C) Cognição 263
b) Benefícios do Projeto para os Familiares 94 D) linguagem 264
1) Comportamentos ensinados às mediadoras 94 E) Autocuidados 265
2) Desempenho das mediadoras enquanto observadoras 98 iF) Desenvolvimento Motor 266
. 3) Opinião das mediadoras sobre o projeto 102
4) Participação dos pais no Projeto e Evasão 106 "ARTE IV
269
c) Benefícios do Projeto para as Professoras 110 iilMstudo de caso utilizando o Inventário Portage OperaCionalizado 270
1) Programação das instruções escritas . 110 t;I1.S.Aceleração do desenvolvimento de crianças: utilizando a reta de regressão 275
2) Desempenho da Professora ao dar instruções orais 112 :;i;\UComo interpretar dados utilizando a reta de regressão 285
3) Apresentação da seqüência de passos do procedimento de finais 287
treino domiciliar 120 Bibliografia consultada para Operacionalização do Inventário Portage 291
4) Opinião das professoras sobre o projeto 124 Referências Bibliográficas 293
G) Algumas Considerações 126
5. Alertas para o uso adequado do Inventário Portage 133
PARTE 111 141
6. Operacionalização do Inventário Portage 142
A) Como procedemos para realizar esta operacionalização 142
B) Procedimento de observação 143
a) Que áreas observar 143
b) Que faixa etária começar a avaliar 143
c) Onde encerrar a avaliação 144
. o que é o Guia Portage c) coleta dados de linha-de-base dos comportamentos a serem treinados;
. demonstra ao pai como ensinar tais comportamentos;
de Educação Pré-Escolar e e) observa o pai trabalhar com a criança, dando "feedback" corretivo sobre
por que operacionalizá-lo " c

atuação.
No decorrer da semana, o pai:
f) treina e registra o desempenho da criança diariamente.
o Guia Portage de Educação Pré-Escolar ("Portage Guide to Early Education" Transcorrida uma semana, o professor:
de Bluma, Shearer, Frohman e Hilliard, 1976) faz parte de um sistema amplo de trei- . g) coleta dados de pós-linha-de-base das atividades treinadas; e
namento de pais e educação pré-escolar denominado "Projeto Portage". Tal proje- . h) se necessário, altera as atividades, reformulando procedimentos e/ou pres-
to teve início, em 1969, em Portage, Wisconsin (LU.A.). visando desenvolver e imple- crevendo novos treinos.
mentar um programa modelo que atendesse crianças, habitantes da zona rural, em Odiagrama a seguir ilustra, segundo Shearer e Shearer (1976), o modelo Por-
fase pré-escolar com problemas de desenvolvimento. ensino:
Embora os autores do Portage refiram-se a ele pelo termo "projeto" ou "mo-
delo", preferimos utilizar o termo "sistema", por ser mais abrangente, uma vez que Identificação e Triagem
o Portage é composto por três elementos complexos e distintos: 1) uma proposta de
procedimento de treino domiciliar; 2) um currículo para avaliação e ensino de cri-
Avaliação
anças especiais ("Guia Portage de Educação Pré-Escolar", Bluma, Shearer, Frohman
e Hilliard, 1976) e, 3) um "Inventário Comportamental de Pais" (Boyd, Stauber e Slu- Pai relata
ma, 1977). Segue uma descrição breve dos três elementos do sistema. Planejamento Curricular o ocorrido
A) Procedimento de Treino Domiciliar
Ao iniciar o programa, o professor faz uma avaliação do repertório da criança com Pai trabalha com
base no "Inventário Portage", aser descrito mais adiante. Em seguida, tem início o pro- Procedimento a criança durante
de treino a semana
cedimento de treino domiciliar semanal, que é composto pelos seguintes passos: domiciliar e registra
a) o professor seleciona, juntamente com os pais, comportamentos a serem
ensinados à criança, com base no mesmo inventário: Inicialmente, prescrevem-se
um a dois objetivos curriculares por semana, sendo que a meta final consiste em se
treinar semanalmente de três a quatro objetivos (Shearer e Shearer, 1972).
b) o professor programa atividades para o treino de tais comportamentos, dei- Oprocedimento de treino domiciliar utilizado pelo Portage foi elaborado com
xando instruções escritas de como ensinar e registrar. Ao planejar tais atividades, no que Lindsley (196B) denominou de "ensino com precisão". Através de tal
o professor tenta utilizar materiais disponíveis no próprio ambiente natural da cri- !!:;'Ludo, lindsley ensinou pais a alterarem o comportamento de seus filhos, pres-
ança, podendo também ensinar a família a confeccionar ou adaptar em casa um de- :fevendo cerca de três objetivos comporta mentais por semana. A escolha do com-
terminado material. Eventualmente, entretanto, o professor poderá levar à casa da !'Ortamento a ser ensinado era feita de forma que a criança obtivesse sucesso
família um objeto específico para o treino, se assim for conveniente. transcorrida uma semana de treinamento. Antes de se prescreverem os objetivos,
Em seguida, o professor: realizada uma linha-de-base dos comportamentos.
I
Os pais ficavam responsáveis pelo treino propriamente dito, reforçando com- no desenvolvimento dos 580 itens do Inventário Portage foram: a Escala de
portamentos desejáveis e reduzindo ou extinguindo os indesejáveis. Após a sema- Social de 0011 (Dali, 1948), Tarefas de Desenvolvimento de Havighurst
na, era registrada a pós-linha-de-base, sendo então avaliado o sucesso ou não do Ivighu rst, 1953) e a Escala de Desenvolvimento de Gesell (Gesell e Amatruda, 1941).
treinamento. ',Em 1974, após dois anos da edição experimental do Guia Portage, os autores
Além do método de "ensino com precisão", identificam-se, no procedimento fizeram uma "sondagem", levantando informações com cerca de 500 indivíduos que
de treino domiciliar do Portage, os seguintes componentes: instruções orais e escri- ói'utilizavam e constatou-se que:
tas, discussão, uso de modelo por parte do professor, "feedback'" à atuação do pai '1} cerca de 60 por cento dos usuários utilizavam o Guia Portage para planejar
e uso da técnica de registro pelo mesmo. atividades em salas-de-aula;
2) o Guia portage era utilizado com crianças que apresentavam diversos tipos
8) Planejamento Curricular problemas, sendo que o local de treino de tais crianças era diversificado (lar, es-
instituição);
As decisões sobre o que ensinar às crianças e como proceder para tal são feitas com 3) o guia era utilizado tanto por profissionais quanto por para profissionais: psicó-
base no "Guia Portage de Educação Pré-Escolar" (Bluma et aI., 1976), composto por: professores, médicos, enfermeiros, auxiliares de professores, atendentes e pais.
a) um inventário' comporta mental ("Portage Checklist") que lista 580 compor- Muitos desses usuários encaminharam sugestões de como aperfeiçoar o guia
tamentos distribuídos em cinco áreas (desenvolvimento motor, cognição, lingua- dessas sugestões, surgiu em 1976 sua edição revisada.
gem, socialização e autocuidados) por faixa etária de zero a seis anos e uma sexta sua forma final, o Guia Portage apresenta as seguintes áreas de desenvol-
área - estimulação infantil - específica para bebês;
b) um conjunto de cartões ou fichário contendo sugestões de como treinar ca- "i"·i'., Estimulação infantil· específica para bebês de zero a quatro meses ou para
da um dos itens do inventário, e com tal nível de funcionamento. As demais áreas são específicas para cri-
c) um manual contendo instruções de como utilizar tanto o inventário quanto de zero a seis anos de idade:
os cartões com itens curriculares, bem como demais informações sobre o treina- •Socialização • habilidades relevantes na interação com as pessoas;
mento a ser desenvolvido. • Linguagem· comportamento verbal expressivo;
Ao desenvolver tal guia, a equipe do Projeto Portage preocupou-se em elabo- • Autocuidados - independência para o alimentar-se, vestir-se, banhar-se etc.;
rar um programa que: • Cognição· linguagem receptiva e o estabelecimento de relações de seme-
1. enfatizasse o ensino de habilidades em crianças, desde o nascimento até os e diferenças e,
seis anos, com base em seu desenvolvimento; ; Desenvolvimento Motor· movimentos coordenados por pequenos e grandes
2. abrangesse as múltiplas áreas de desenvolvimento (socialização, lingua- los (Bluma et ai., 1978).
gem, cognição etc.); Os autores do Guia Portage fazem uma observação importante em seu manual:
3. proporcionasse um método de treinamento e um sistema de registro para tal; para o fato de que, ao ser elaborado, embora o guia tenha se apoiado em
4. oferecesse sugestões para o ensino de novas habilidades; e normais de desenvolvimento, é provável que nenhuma criança "normal" si-
5. pudesse ser utilizado por diversas pessoas interessadas, tanto profiSSionais exatidão a seqüência proposta.
quanto não profissionais (Bluma, Shearer, Frohman e Hilliard, 1978). Segundo Bluma et aI. (1978), determinadas crianças poderão omitir alguns
OGuia Portage foi desenvolvido nos três anos iniciais do projeto, sendo em 1972 apresentar outros fora da seqüência ou, ainda, requerer objetivos inter mediá-
editada sua edição experimental. Segundo 8ijou (1977), os principais instrumentos uti- adicionais a fim de aprender um item específico do inventário. Neste sentido,
'Durante o texto quando as autoras se referirem ao termo "Inventário Portage" o leitor deverá lembrar que se ao usuário do guia alterar sua seqüência e seus objetivos para atender às ne-
trata desta lista de 580 comportamentos. !SSidades específicas de cada criança.
Uma segunda observação interessante, contida no manual, diz respeito às cin- rnntém de três a seis sugestões de atividades que poderiam servir de base pa-
co áreas de desenvolvimento do Guia Portage (estimulação infantil não é propria- de cada criança (Jensien, 1981). As atividades são descritas de modo não
mente considerada como sendo uma sexta área já que é composta por itens das res- . de acordo com o repertório de um leigo. Além de exemplos de atividades que
tantes). Os autores chamam atenção ao fato de tais áreas não serem isoladas, ha- poderia desenvolver, o fichário também contém sugestões do material que
vendo uma sobreposição entre elas, uma vez que o processo de desenvolvimento é .. ' ser utilizado para tais atividades, bem como sugestões de como deverá o
cumulativo. Nesse sentido, os autores propõem um trabalho curricular global, proceder para treiná-Ias (uso de modelo, ajuda física, como dar instruções e
abrangendo todas as áreas. Oque os autores poderiam ter acrescentado, a favor I apresentar conseqüências adequadas ao comportamento). Algumas fichas con-
deste aspecto "global" do desenvolvimento, é que a divisão de áreas é muito pos- sugestões de encadeamento, havendo exemplos de atividades que poderiam
sivelmente arbitrária, ou seja, o fato de existir uma área de linguagem, outra de so- objetivos intermediários, com base em uma análise de tarefas. (Isto ocor-
cialização, cognição etc. é, possivelmente, muito mais um recurso para facilitar o freqüência nas áreas de autocuidados e desenvolvimento motor).
trabalho prático do que uma postura teórica sobre desenvolvimento infantil. Dentro . função do fichário do Guia Portage é, segundo os autores, muito mais um
desse raciocínio, foi talvez por conveniência que os autores incluíram linguagem re- 'inpolim" para ajuda no desenvolvimento de idéias de treino do que uma propos-
ceptiva sob o rótulo de cognição, muito mais do que por uma posição teórica que procedimentos detalhados. Quanto a isso, Jensien (1981) tem o cuidado de avi-
levaria à exclusão de tais habilidades da área de linguagem. que o Guia Portage não pretende ser um "livro de receitas", mas sim um
Segundo Bluma et aI. (1978). o Inventário Portage serve apenas como método de apoio ao professor, para ajudá-lo de forma organizada a descobrir: o que
de avaliação não padronizado e informal, devendo ser usado em combinação a esca- já aprendeu, apresentar alternativas do que ensinar a seguir e sugerir ma-
las de desenvolvimento padronizadas. Édevido a essa ausência de "padronização" diferentes de se ensinarem as habilidades escolhidas.
que a equipe do sistema Portage propõe a utilização do Perfil de Desenvolvimento manual de treinamento do Guia Porlage de Educação Pré-Escolar, além de
do Alpern 8011 para avaliação inicial da criança. Mais do que a ausência de padroni- o inventário e o fichário, possui informações adicionais de como utilizá-los
zação, essa é possivelmente a maior deficiência do Inventário Portage tal como pro- treino. 81uma et aI. (1978) chamam atenção ao fato de que os itens do in-
posto: não existem definições precisas de cada um dos itens, não havendo, conse- não estão redigidos sob a forma de Objetivos comportamentais completos.
qüentemente, critérios objetivos para uma avaliação sistemática. Cabe ressaltar Identificam o comportamento a ser observado, mas não especificam as condi-
que essa crítica se aplica não só ao Inventário Portage, mas praticamente a todos 'Vi! critérios empregados para se considerar uma resposta correta. Caberia ao
os inventários comporta mentais disponíveis. Esta é a razão principal de termos ela- ao estabelecer os objetivos para o treino, propor condições e critérios
borado a presente operacionaJização: para que o Inventário Portage Operacionali- no repertório de cada criança, alterando-os à medida que essa evolui. Sen-
zado (ver capítulo Operacionalização do Inventário Portage para mais detalhes) um objetivo comportamental completo precisaria especificar, no entender
possa ser usado doravante como um instrumento de avaliação sistemática. quem, fará o quê, sob que circunstâncias, e com que grau de êxito. Os
A título de exemplo, tomemos o item nO 1de linguagem: "Repete sons emiti- dão exemplos de objetivos comportamentais bem e mal formulados e suge-
dos por outras pessoas". Oavaliador não possui informações suficientes sobre: que I seguinte critério para o professor: cem por cento de acerto para respostas
resposta considerar aceitável por "repetir sons", qual o número de vezes que tais I.êínicas e noventa por cento de acerto para respostas motoras das crianças.
sons deverão ser repetidos, ou ainda, que condições oferecer à criança para que es- informações contidas no manual referem-se a exemplos de como reali-
ta "repita sons". Como decorrência, o avaliador poderá atribuir resultados diferen- de tarefas, ilustração de tipo de ajuda para aumentar as respostas corre-
tes para cada avaliação com a mesma criança, dependendo de interpretações dife- física, verbal e visual); explicações de técnicas específicas de procedimen-
rentes. Com a operacionalização o avaliador poderá aumentar a fidedignidade das '" treino (esvanecimento, modelagem, encadeamento e reforçamento); informa-
suas avaliações. sobre pré-requisitos para o treino (atenção, imitação e ausência de comporta-
Cada uma das quinhentas e oitenta fichas do Guia Portage de Educação Pré-Es- inadequados) e informações sobre como corrigir a criança quando esta errar.
C) Programa Portage de Avaliação e Treinamento de Pais conseqüentes do treino - como reforçar respostas corretas, como corrigir
.Apostas erradas e como favorecer a generalização de respostas;
As decisões sobre o que ensinar aos pais são feitas com base no Programa Por- :Lh '4) relacionamento com a criança - uso eficaz de reforçamento e punição ao in-
tage de Pais ("Portage Parent Program", Boyd et aI., 1977) composto pelo: com a criança, tanto em situações de treino como em situações rotineiras; e
a) Inventário Comportamental de Pais; e por planejamento do treino - como elaborar objetivos comportamentais, reali-
b) um manual para o professor contendo sugestões de como utilizar o inventário, e .'ranálise de tarefas, planejar e registrar.
c) um livro de leituras para os pais (Boyd e Bluma, 1977). OManual do Professor ("Portage Parent Program: Instructor's Manual") defen-
Oobjetivo do Programa Portage de Pais é, segundo Boyd (1979), tornar cada utilidade do inventário no sentido de:
pai ou familiar tão funcionalmente independente do professor quanto for possível, a) avaliar o repertório d.e entrada dos pais no programa;
ensinando-o a planejar e realizar de modo eficaz o treino de seu filho, bem como li- . b) base para colocação de objetivos realistas; e
dar com os diversos comportamentos da criança no dia a dia. forma de se avaliar se as estratégias usadas na intervenção são ou não ade-
Portanto, se apenas utilizando o Guia Portage de Educação Pré-Escolar, o pro- . na medida em que se pode acompanhar o progresso dos pais.
fessor atribui ao pai a tarefa de mediador do treino dos filhos (no sentido proposto grande falha do Inventário de Pais, assim como no Inventário da Criança
por Tharp e Wetzel, 1969), dentro da perspectiva do Programa Portage de Pais, o pai Checklist é que não existe uma operacionalização dos comportamen-
U
)
deixa de ser um mediador para adquirir a auto-suficiência do treino de seu filho. observados e instalados. As próprias informações de como observar e
Trata-se, portanto, de um programa individualizado de intervenção direta a ser rea- o comportamento dos pais são vagas, não havendo um procedimento deta-
lizado no ambiente natural, para esvanecer a presença do professor, atribuindo ao como fazê-lo.
pai responsabilidades cada vez maiores no treino do filho. autores sugerem que, durante as primeiras visitas à família, os professores
Os autores comentam, entretanto, que talvez nem todos os pais possam se coletar uma linha de base dos comportamentos dos pais, através de obser-
adequar ao Programa Portage de Pais, mas não entram em detalhes sobre critérios informais. Em relação às atividades de treino, o professor deve solicitar que
ou repertórios que fariam com que um determinado pai estivesse apto a deixar ou r"nsine algo à criança (fornecendo-lhes materiais apropriados) e, em seguida,
não de ser mediador. Os autores afirmam, ainda, que o Guia Portage .de Educação . o desempenho dos pais em termos percentuais. Os próprios autores reco-
Pré-Escolar pode ou não ser utilizado concomitantemente ao Programa de Pais. Su- no final da década de 70 que o programa estava em fase "experimental"
gerem, entretanto, aos pais que sejam novos ao Sistema Portage, primeiro se fami- sentido, não havia dados sobre quaiS seriam as porcentagens ideais de
liarizarem com o Guia Portage e o procedimento de treino domiciliar, para então rfan,ia para os diferentes comportamentos. Os autores sugerem, ainda, que se
prosseguirem com o Programa de Pais. simultaneamente o comportamento da criança e do pai, como por exemplo:
Talvez por ter sido criado após o guia em 1977, o Programa Portage de Pais, não a freqüência de respostas corretas da criança, simultaneamente à fre-
é um componente formal do sistema. do pai reforçar respostas corretas.
OInventário Comportamental de Pais foi elaborado apartir de uma análise das con- para os casos em que os pais se sintam apreensivos pelo fato de
tingências de reforçamento na interação dos pais com a criança. Oinventário é compos- í[comportamento estar sendo observado, Boyd, Stauber e Bluma (1977) colocam
to por oitenta e dois itens que parecem ser relevantes para o ensino de crianças. op.stratégia fazer com que o próprio pai registre o comportamento do profes-
Os cinco aspectos distintos do Inventário de Pais constituem em sua totalida- lidar com a criança.
de uma contribuição significativa à área de treinamento de pais: procedimento de ensino, quando o alvo do treino é o pai, segundo o manual,
1) comportamentos antecedentes ao treino - como obter a atenção da criança, semelhante ao procedimento de treino quando o alvo é a criança. Envol-
como dar instruções, como dar modelo etc.; nnrbnfn a identificação de objetivos comporta mentais para o pai. Tais objeti-
2) material - seleção e apresentação de recursos para o treino; ser de comum acordo com o pai, ou seja, este deve participar do proces-
so de escolha de objetivos. Estabelecido o objetivo, o professor deverá dar instru-
Oprojeto Portage nitidamente atinge tais requisitos".
ções, dar modelo, fazer o pai exercitar o comportamento em questão, registrar o
ainda:
comportamento e dar "feedback". Oque o manual não fornece é uma descrição de- vários modelos de programas de treinamento de pais. Alguns são muito
talhada de como seria a visita domiciliar quando o Programa de Pais estiver em an- estruturados e ineficazes... O modelo mais promissor consiste em alguma
damento. Ou seja, o professor deverá adotar como alvo de treino em primeiro lugar
Igªptação do sistema Portage, programa de ensino planejado para ser um substitu-
o pai, a criança, ou ambos concomitantemente?
pré-escola especiaL." (Bijou, 1977).
Levando-se em conta que o procedimento de treino domiciliar é complexo, en-
Efinalmente, no Simpósio Internacional sobre Treinamento de Pessoal para atuar
volvendo vários passos, o professor corre o risco de se perder, se não houver uma
WIII LlC".'.""" Mentais, realizado em Tóquio, Japão, em 1980, Bijou disse o seguinte:
previsão de tudo o que deva ser feito e qual a melhor seqüência para fazê-lo. ,';i}Jj "; .. Oual a abordagem mais promissora para pais de crianças excepcionais? Não
Além do procedimento de treino, o manual do professor contém ainda uma lmendamos nenhum dos manuais atuais de treinamento de pais ou mesmo os
análise de como esse deve encaminhar perguntas aos pais de forma a favorecer res- de treinamento com recursos áudio-visuais. Recomendamos, entretanto, um
postas apropriadas, bem como ilustração de estratégias para favorecer a manuten- de treinamento de pais que objetiva levá-los a realizar treinos individuais,
ção e generalização de habilidades treinadas. este que se mostrou eficaz no sentido de ajudar um grande número de
Olivro de leitura dos pais ("portage Parent program: Parent's Readings", Boyd
deficientes e suas famnias: é conhecido por Projeto Portage" (Bijou, 1980).
e Bluma, 1977) tem como função informar o pai acerca dos procedimentos e princí- outras razões, fora as apontadas por Bijou, seriam responsáveis pelo su-
pios envolvidos no sistema Portage, além de ser uma estratégia para gerar discus- pela grande aceitabilidade do sistema Portage?
sões relevantes no processo de treinamento de pais. Em primeiro lugar, trata-se de um agrupamento de variáveis que se encon-
Segundo Boyd (1979), o nível de dificuldade de leitura do manual de pais é para divulgação, isto é, já existem disponíveis livros, manuais de treina-
equivalente à 7a a ga séries do colegial norte-americano ("High School"), de acor- inventários e guias curriculares para o professor, pai ou criança. Osistema
do com o sistema de avaliação de dificuldades de leitura proposto por Fry (1968). lnsiderado por Baker (1976) o mais antigo e mais bem sistematizado programa
Omanual de pais contém um glossário dos principais termos técnicos emprega-
';, domiciliares para pais de crianças com problemas no desenvolvimento,
dos e vinte diferentes capítulos envolvendo temas que vão desde a explicação do sis-
Tjossem (1978) também partilha opinião semelhante. Além disso, os con-
tema de ensino do Portage, até procedimentos e princípios da análise do comporta-
. do Inventário Portage, tanto relativos a treino de pais quanto ao de crian-
mento envolvidos no treino a crianças (reforçamento, modelagem etc.). Aleitura con-
onstituem as melhores opções disponíveis na literatura em termos de ampli-
tém ilustrações do tipo "estória em quadrinhos" (BiI Keane, "The family Circus") que,
classes-de-respostas envolvidas.
além de facilitar a visualização dos aspectos mencionados, acrescentam um toque de
sistema de treino permite a individualização podendo atender às neces-
humor e leveza ao texto, o que possivelmente é um aspecto motivacional importante. impostas por cada caso. Omaior exemplo disto consiste no fato de o siste-
Os autores do livro enfatizam que ele não deve ser lido por conta própria, e ter obtido sucesso tanto com famílias britânicas de classe média, como
sim que sua leitura deva ser sempre acompanhada por discussões com o professor.
rammas de zona rural de Wisconsin, populações indígenas peruanas etc.
Um dos fatores Que auxiliou na grande divulgação do sistema Portage consis- I Trata-se de um sistema razoavelmente econômico, tanto por ser desenvolvi-
te no fato de o professor Sidney Bijou ser um grande defensor do mesmo. Por exem- quanto porque, ao invés de utilizar uma equipe grande e altamente especia-
plo, em um congresso sobre prevenção de deficiência mental, realizado em Madi- planejado de forma a utilizar os recursos disponíveis da comunidade. Cada
son, Wisconsin, em 1978, Bijou fez a seguinte afirmação: do projeto trabalha em média com 15 famílias (Shearer e Shearer, 1974) e,
"Um programa de pais, preventivo, precisaria estabelecer objetivos específi- sendo, cada criança custa ao projeto 622 dólares por ano (Shearer e Shearer,
cos em termos observáveis, usar procedimentos explícitos para atingir os objetivos' comparação, outros programas de educação especial que não trabalham no
paralelamente à utilização de sistema de registro, um plano explícito de modifica- natural da criança gastam por ano 2600 dólares por aluno (Hoyt, 1976).
4) Ofato de o programa ser desenvolvido no ambiente natural de cada crian-
que operacionalizá-lo?
ça, além das vantagens econômicas traz vantagens adicionais, como por exemplo:
a) não há necessidade de a família transportar-se a um determinado local de
nresente trabalho é um esforço em operacionalizar cada um dos itens do In-
atendimento, minimizando o custo para a família e, principalmente, minimizando o Portage, propondo'lhes definições, critérios, especificação das condições
problema de faltas, razoavelmente freqüente no trabalho com pais; vãliação e descrição do material a ser utilizado. Acreditamos que tal operacio-
b) possibilidade de acesso constante e direto a comportamentos tal como ocor- possa ser útil a projetos de intervenção e pesquisa que queiram empre-
rem naturalmente. Isto favorece a individualização e uma maior adequação da pro- Portage como um instrumento de avaliação sistemática. A neces-
gramação curricular, podendo-se respeitar mais os valores culturais de cada família; de tal operacionalizaçãosurgiu de nossa experiência trabalhando no Projeto
. c) a manutenção dos comportamentos aprendidos é, possivelmente, facilitada,
não havendo o problema de transferência da escola ou clínica para o lar;
'Tás, projeto desenvolvido pela primeira autora junto ao Programa de Pós-Gra-
""'iciem Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos que esteve em
d) é provável que haja maior oportunidade de generalização, como por exem-
•.• de 1979 a 1984. Os alunos da pós'graduação tinham oportunidades de fa-
plo pelo fato de outros membros da família (irmãos etc.) participarem do treino.
Jervenções com famílias de crianças de Oa 6 anos com atrasos de desenvol-
s) Utilização de um modelo dinâmico de atendimento ou modelo triádico
ensinando'as a trabalhar com seus filhos utilizando o Projeto Portage, de
(Tharp e Wetzel, 1969): "O resultado da interação triádica entre o pai. a criança e o acelerar o desenvolvimento da criança. Em tal projeto, optamos por utilizar
professor consiste no fato de todos aprenderem uns com os outros. Aaprendizagem Inventário Portage como roteiro para observação comportamental da cri-
ocorre constantemente, em todas as combinações da tríade e em todas as direções. forma a obtermos medidas globais de seu desempenho, em sua entrada e
Não se trata, com certeza, da simples transmissão unidirecional de conhecimentos
programa.
e habilidades do professor para o aluno. Todos nós somos aprendizes" (Boyd, Stau- o de proceder nos pareceu vantajoso e preferível à utilização de ins-
ber e Bluma, 1977). adicionais de avaliação (isto é, testes de inteligência), que já foram
6) Finalmente, o sistema é planejado de forma a garantir sua manutenção após
fstivamente criticados pela literatura'.
seu término. Oprojeto tem por objetivo inicial fazer do familiar um mediador,através nossa experiência com o Inventário Portage no Projeto Famílias, notamos
de uma tática de visitas semanais do professor. Alcançado isso, o sistema pretende â'fidedignidade das observações era prejUdicada pela ausência de definições
capacitar o pai a ser independente do professor, tornando as visitas do último cada de o quê e como observar, e foi assim que surgiu a necessidade da presen-
vez menos freqüentes. Neste sentido, trata-se de um sistema que não subestima o pai,
Após sua utilização no projeto, notamos que os índices de
o que não deixa de ser raro dentre os projetos de treinamento de pais existentes. jçorclância entre observadores permaneciam sempre na faixa de 90 a 1000/0. No
Concluindo, trata-se de um sistema de treinamento de pais complexo, cuja viabi- insistimos em lembrar que este trabalho, bem como o inventário original
lidade já foi evidenciada por replicações em inúmeros lcicais e países diferentes. Além (inglês/espanhol, permanece sendo apenas um roteiro de observação, útil no es-
disso, o Inventário Portage constitui um instrumento útil para nortear as prioridades de (elecimento de prioridades de treino de crianças com problemas de desenvolvi-
treino à crianças com atrasos de desenvolvimento. Tal como proposto por seus auto- Isto não faz com que tal instrumento se transforme em uma escala de de-
res, constitui um método de avaliação bastante informal, no qual a maior parte das lvolvimento ou em um instrumento de triagem ou diagnóstico de problemas (tal
informações sobre as habilidades da criança são fornecidas por meio de relatos dos um "screening test"), pois projetos de pesquisa específicos nesta direção
pais. Nesse sentido, a equipe do Projeto Portage utiliza-se de outros instrumentos pa- o Inventário Portage precisariam ser desenvolvidos.
dronizados (testes de inteligência, escalas de desenvolvimento) para avaliar o progres'
so das crianças que participam do seu programa. Ele não pretende ser uma escala de
desenvolvimento, na medida em que não possui a padronização necessária para tal, ," exemplo: Pessoti. R.C. (1981). Uma avaliação critica de avaliações psicológicas do deficiente mental:
'foposições de um roteiro de avaliação de habilidades de autocuidados a partir de critérios de execução.
nem pretende atribuir um coeficiente que resuma o desenvolvimento da criança. li""to"," de Mestrado não publicada. Universidade federal de São Carlos. São Carlos. São Paulo. Brasil.
2. Por que resolvemos em deficiência mental da Universidade Estadual de londrina, no perío-
a 1997 (Almeida e Marquezine, 1997), foi possível localizar pelo menos
publicar a Operacionalização càestudos que utilizaram o Inventário Portage.
do Inventário Portage ,,",Os exemplos acima indicam que esta operacionalízação é de grande aplicabili-
e que a sua utilização permite avaliar mudanças significativas no desenvolvi-
"ito de crianças com necessidades educativas especiais em situações tão dife-
Diversos motivos nos levaram a publicar este trabalho realizado na década de quanto a clínica, a creche, a sala de aula e a casa da criança. Cabe ressaltar
oitenta. Otrabalho foi parte da tese de doutorado da primeira autora, não tendo '" a despeito de todos os trabalhos citados acima mencionarem o Portage (ou
sido publicado anteriormente pois esta ausentou-se do país por mais de uma déca- i,iaPortage, Sistema Portage, Programa Portage, Inventário Portage, Guia Portage
da. Durante estes anos constatamos entretanto que, apesar de o material não ter Pré-Escolar), eles, de fato, se referem ao uso desta operacionalização.
sido publicado, muitos profissionais com diferentes formações (fisioterapeutas, psi- portanto, que a publicação da operacionalização do Inventário
cólogos, professores de educação especial, terapeutas ocupacionais, entre outros) destacando aspectos importantes a serem preservados, possibilitaria uma
utilizam-no em diferentes situações de ensino. talvez ainda mais abrangente e inovadora do que as já existentes.
Temos conhecimento de que este material tem sido utilizado para: segunda razão para a publicação desta operacionalização está na aparen-
1. monitorar as aquisições de desempenhos de crianças em classe especial dEi de materiais desta natureza (inventários comportamentais) ou pelo menos
estimulação precoce de APAEs (por exemplo: Mendes, 1997); limitada divulgação, desvalorizando seu potencial e impossibilitando muitas
2. estimular bebês instilucionalizados com atraso no desenvolvimento (Almei- que profissionais e pais tenham acesso a uma ferramenta poderosa para ava-
da, Gil, Siebert e Piccinato, 199B); e educar indivíduos em áreas tão diversas como auto-ajuda, linguagem,
3. formar alunos de graduação em Psicologia, favorecendo a criação de mate- ª6l1idades acadêmicas, sociais e de vida diária. Em relação a este inventário, sua
rial instrucional para orientar a interação de pais e berçaristas com bebê institucio- permitiria a pais e não profissionais da área terem uma listagem de di-
nalizado (Piccinato, Siebert, Gil e Almeida, 1997); áreas do desenvolvimento de uma criança.
4. compor um conjunto de recursos pedagógicos a serem utilizados nas discipli- inventários comportamentais e, especialmente, o Inventário Portage, pos-
nas de Psicologia do Desenvolvimento oferecidas a cursos de graduação da UFSCar _, ___ vantagens:
(Almeida, Gil, Piccinato e Siebert, 1997); , são relativamente fáceis de serem aplicados;
5. formar alunos de graduação em Psicologia quando orientam pais a realiza- permitem avaliar os desempenhos do educando e, com base nos resultados
rem ensino domiciliar de indivíduos com necessidades educativas especiais (Aiello, avaliação, facilitam a programação de atividades de ensino individualizado;
1996-1997; Kinouch, Martins e Aiello, 1997; Enumo, 1996; Enumo, Santiago e Medei- 3. fornecem uma visão global do desenvolvimento da criança, o que vem a ser
ros, 1999), e ainda, "'tanto a familiares quanto ao profissional da área de educação especial e,
6. treinar mães de crianças com síndrome de Down em situação de clínica 4. talvez, a vantagem a ser mais destacada, é que tais inventários, por não se-
(Rossit, 1997) ou treinar mães de bebês de alto risco, em situação domiciliar, após , de uso restrito aos profissionais, podem capacitar os pais a terem uma função
alta hospitalar (Braz, 1999). importância na aceleração do desenvolvimento de seus filhos, sejam eles
, Um curso específico sobre esta operacionalização foi ministrado no primeiro com necessidades educativas especiais ou crianças normais. Pais de indi-
congresso das APAEs do Estado de São Paulo, por solicitação da direção da APAE de com necessidades especiais, cientes do conteúdo de um inventário compor-
Batatais, onde se observou que várias das APAEs utilizam-no como forma de avali- amental, podem deixar de assumir um papel passivo em relação ao programa de in-
ar e treinar mães e/ou crianças com diferentes deficiências (Aiello, 1997). Além dis- tervenção de seu filho, passando a ser um membro da equipe de profissionais que
so, em uma publicação contendo os resumos da produção científica do curso de es- sobre o futuro da criança, opinando sobre habilidades mais adequadas para
'treino e avaliando os efeitos de uma intervenção. Pais de crianças normais também e King, 1992) compararam serviços utilizando o sistema Portage na ín-
se beneficiar de inventários comportamentais seja para monitorar etapas de paquistão, Jamaica e Grã-Bretanha. Finalmente, Cameron (1997), analisando os
desenvolvimento dos filhos ou para identificar outras atividades, adequadas à ida- Üliados de duas décadas de uso do sistema Portage na Grã-Bretanha, apresenta
de, a fim de estimular todo o potencial de seu filho. sugestões para futuros projetos de pesquisa: questões sobre controle
Pareceu-nos, também, Que publicar esta operacionalização permitiria futuras a dimensão multicultural do Portage, colaboração entre diversas
avaliações sobre os comportamentos, materiais e procedimentos instrucionais en-
lenClas, necessidade de treinamento profissional e a influência política relaciona-
volvidos, ou comparações com outros instrumentos (demonstrando sua eficácia e
suas limitações) ou, ainda, sua aplicabilidade a casos severos de excepcionalidade. ' 'ce' afamília.
C,;" Analisando-se o conjunto de estudos recentes na área de intervenção precoce
Ou seja, poderia ser um gerador de pesquisa. do Norte, observamos que houve uma mudança de paradigma na manei-
Surpreendeu-nos o fato de que na literatura norte-americana sobre Interven- atuar na área. Se antes a ênfase se dava na deficiência da criança ou na ace-
ção Precoce, ainda hoje existam citações sobre o uso, a utilidade e abrangência do de seu desenvolvimento, atualmente a ênfase do trabalho parece ser no
Sistema Portage, sistema esse desenvolvido na década de 70. OPortage é utilizado da família com a criança (ver capítulo "Sobre a relevância do envol-
em diferentes continentes com as mais diversas populações. Assim, o Projeto Por- da família nos programas de intervenção precoce"). Pareceu-nos que publi-
tage é citado como um dentre três programas que contribuíram para desenvolver,
trabalho seria uma maneira de alertar o leitor para esta mudança de para-
implementar, avaliar e replicar modelos de intervenção precoce para crianças com oPortage pode ser uma estratégia para colocar o profissional na casa da ta-
deficiências (Fewell, 1995). A mesma autora menciona o Portage como sendo um desta forma, torná-lo consciente de suas inúmeras necessidades. Uma aná-
exemplo de programa curricular que combina modelo apoiado em teorias do desen- "tuidadosa destas necessidades poderá levar o profissional a oferecer condições
volvimento combinado a técnicas da análise do comportamento aplicado. Johnson ;;C',nrimnror o relacionamento da família com a criança.
e Beauchamp (19B7) ao realizarem um levantamento de 105 programas pré-escola-
res para crianças com deficiências em 34 estados americanos, com o objetivo de
descobrir os instrumentos usados para se desenvolverem currículos e estratégias
de Intervenção Precoce, apontam o Guia Portage de Educação Pré-Escolar entre os
instrumentos mais utilizados. Muth e Jones (1995) usam-no ao descrever e avaliar
os serviços de intervenção precoce no Alaska. Bryant e Maxwell (1997), ao analisa-
rem estudos de intervenção precoce para crianças economicamente carentes nos
anos 90, citam o trabalho de Oakland e Ghazaleh (l?96) realizado no Estreito de
Gaza. Estes últimos autores demonstraram que crianças (em alto risco para atrasos
de desenvolvimento por viverem em ambientes economicamente desfavoráveis e
politicamente instáveis) de famílias treinadas via projeto Portage apresentaram
desempenhos mais elevados em avaliações formais de desenvolvimento do que
crianças do grupo controle.
O'Toole (1988) demonstrou que o desempenho no pré e pós-teste do Inventário
Portage de 53 crianças deficientes em fase pré-escolar, habitantes da zona rural da
Guiana, melhorou como resultado de um programa de intervenção; além disso notou
mudanças significativas das atitudes dos pais para com as crianças, com a comuni-
dade e para consigo mesmo. Outros pesquisadores (sturmey, Thorburn, Brown,
3. Sobre a relevância do dentes. Éa família que é responsável pela solução de problemas diários que
. . durante as várias etapas do desenvolvimento de seus filhos"(p. 171). Por
envolvimento da família nos as famílias podem aprender a tornarem"se confiantes e competentes para
programas de intervenção precoce decisões e aperfeiçoarem suas habilidades em obter apoios formais e in-
junto a indivíduos, grupos ou instituições, melhorando, conseqüentemente,
de vida.
Nos últimos anos temos observado, na literatura estrangeira sobre interven- . "Finalmente, surgiu um novo modelo de relacionamento pai-profissional que
ção, uma ênfase cada vez maior em relação à importância do envolvimento da famí- numa verdadeira parceria com ambas as partes trabalhando para satisfa-
lia. Para citar alguns exemplos: necessidades das famílias e crianças"(p. 177).
1. o volume 62, número 3, de dezembro/janeiro de 1996 da revista Exceptional 'Notou-se a evolução de uma nova visão do envolvimento da família, uma visão
Children é todo voltado para as famílias de crianças e adolescentes com necessida- ir1fatiza o papel da família em determinar prioridades para seus filhos e em de-
des educativas especiais e, serviços devem ser oferecidos e como devem ser oferecidos. Atualmente
2. Guralnick (1997) editou um livro que, além de ressaltar a importância da in- serviços em que os pais apenas assistam o terapeuta a trabalhar com seus
tervenção precoce, coloca o envolvimento da família como sendo fundamental neste o que é pior, e infelizmente o mais freqüente na realidade brasileira, pais
processo. Atualmente os profissionais estão enfatizando que a intervenção precoce esperando nas ante"salas de clínicas, desconhecendo o que é feito com
deve ser, antes de mais nada, centrada na família com o objetivo de apoiá-Ia, tornan- na sala de atendimento. Nesta nova visão, a família muda de posição: de
do-a independente para desenvolver sua própria rede de apoio, que deve ser basea- efviência a profissionais para um papel decisivo na tomada de decisões, pas-
da não só em termos de recursos comunitários, como também pelo auxílio da parte a assumir maior participação no planejamento do atendimento oferecido a
de parentes e amigos. Vários termos têm sido usados para descrever este movimen-
to de apoio familiar: "parent empowerment", "family-focused intervention" e literatura atualmente dá ênfase a uma concepção eco-sislêmica da família
"family-centered care" (Bailey, Buysse, Edmondson e Smith, 1992). Na ausência de 1974; Bronfenbrenner, 1979 e 1986; Garbarino, 1998; Turnbull e Turnbull,
termos equivalentes em português, profissionais têm traduzido tais expressões res- Nesta abordagem, a família é encarada como um ambiente "menor" dentro
pectivamente por "empoderamento" e "intervenção centrada na família". "maior". Analisam-se os múltiplos papéis que a famma desempenha dentro
Para Guralnick (1991), a área de intervenção precoce vem redefinindo o papel da sistemas que formam a ecologia da família mais ampla e como estes sis-
família em relação ao desenvolvimento de seus filhos com deficiência. Tal processo lS podem melhor servir às próprias famílias. A abordagem centrada na família
de mudança tem sido caracterizado ao longo de três dimensões inter-relacionadas: havendo paralelamente um conjunto de princípios que ajudam a desen"
1. "Atualmente acredita-se que a intervenção precoce seja mais eficaz se for políticas e programas para tal (Pell e Cohen, 1995).
dirigida principalmente para fortalecer o relacionamento natural entre pai-criança Enquanto a literatura norte americana é farta em pesquisas envolvendo pro-
ao invés de encorajar os pais a assumirem papéiS educacionais ou terapêuticos - pa- de intervenção centrados na família, o mesmo não ocorre no Brasil. As pes-
péis esses que freqüentemente requerem atividades didáticas similares às utiliza- existentes, poucas em número envolvendo pais e, na maioria, relacionadas a
das por profissionais"(p. 177). Menciona o trabalho de Affleck, McGrade, McOueeney sertações e teses não publicadas, em geral limitam a participação dos pais em
e Allen (1982) para defender sua afirmação, mas o leitor pode se reportar também informações ou levantar suas expectativas e opiniões sobre assuntos espe"
aos trabalhos de Turnbull e Turnbull (1990) e Allen e Hudd (1987). ,."'7--' caracterizando-se como estudos de levantamento ou mapeamento e, pou-
2. Esta abordagem que prioriza o relacionamento pai-criança contrastando vezes, de produção de conhecimento novo na área de intervenção. Raramente
com a abordagem tradicional que enfatizava a deficiência da criança "tende a foro. é visto como um parceiro atuando nas tomadas de decisão e engajado na reso"
talecer e apoiar as famílias propriamente ditas, tornando"as mais e in- de problemas da área e, poucas vezes, outros membros da família, como os
irmãos por exemplo. são ouvidos ou incluídos no estudo. da cidadania consciente. despertando os alunos e seus familiares
Há uma ausência de projetos dessa natureza como se pode verificar. por exem- de marginalidade em que se encontram e o abismo que os separam
plo. no levantamento realizado por Amaral (1993) em que a autora faz uma análise . (p. 106).
bibliográfica de dissertações e teses defendidas no Instituto de Psicologia da USP . Política Nacional de Educação Especial (Brasil. 1994) registram-se conquis"
de 1969 a 1992. Neste levantamento de 106 dissertações ou teses. observou que 19 t"i!Í1portantes nestas duas últimas décadas na área de Educação Especial no Bra-
delas (aproximadamente 18%) envolviam direta ou indiretamente a família e apenas NIl entanto, apesar disso, destacam"se ainda diversas dificuldades, algumas de-
três (2.83%) eram estudos sobre intervenção com as famílias. incluindo a tese da . da sociedade brasileira e outras específicas da educação de porta-
primeira autora. necessidades especiaiS. Entre estas dificuldades está a "carência de pro"
. Omote (1996) analisou 25 dissertações e teses visando sistematizar os conhe- adequados para a orientação da família do alunado atendido na educação
cimentos sobre a família do deficiente. Seu relato mostra que a deficiência mental (p.32).
tem sido a condição mais estudada. "Na grande maioria dos estudos (22). uma única política Nacional de Educação Especial também aponta. entre seus cinqüen-
deficiência foi estudada. sugerindo aparentemente que. para os autores dessas in- específicos. dois diretamente relacionados à família. São eles:
vestigações. cada deficiência constitui uma condição específica que determina mo- ,,"vnlver as famílias e a comunidade no processo de desenvolvimento da per-
dos próprios de funcionamento familiar. Os sentimentos e reações em geral de fami-
do educando, e
liares. principalmente de mães. foram os aspectos mais estudados. Apessoa entre- 'implantar e implementar orientações a pais e irmãos de alunos de educação
vistada quase sempre foi a mãe. mesmo quando eram obtidas informações acerca
dos sentimentos e reações de pais. Somente em duas dissertações os pais foram !C:Oeve-se destacar, no entanto. que os objetivos específicos propostos pela Polí-
entrevistados" (p. 517). .mca)na sua maioria, são gerais e parecem ser objetivos centrados no sujeito (ou mais
A posição de que a família é muito pouco considerada como uma parceira nos lecificamente. no problema ou problemas do sujeito), pouco vendo a famOia como
programas brasileiros de educação especial também é apontada por outros pesqui- de apoio mais próximo das necessidades da criança com deficiência e,
sadores. Glat (1996) afirma que "Em nosso país. existe. é certo. um número razoá- sentido. menosprezando aparentemente o papel da família no que se refere a
vel de pesquisas e trabalhos sobre famílias de deficientes. porém. a maioria deles implementar, avaliar e lutar politicamente pelos direitos de seus filhos.
se concentra na analise das falas das mães.... nos efeitos da comunicação do diag- Omote (1994) "as abordagens centradas na pessoa deficiente ignoram o
nóstico ...; ou em análise de problemáticas. expectativas e distúrbios familiares ..... político do problema das deficiências e podem obscurecer ou camuflar
(p. 111). Mais adiante a autora conclui que "a família. quando não ignorada. é consi- de possíveis problemas no interior de um grupo ou organização (equipes pro-
derada parte da clientela. e vista também sob a luz da patologia" (p. 112). , famílias, escolas, instituições especializadas etc.), invertendo até areia-
Não chega a ser surpreendente o contraste entre a abundância de programas causa e efeito. na medida em que localizam no indivíduo a deficiência e. mui-
de intervenção precoce na literatura estrangeira que tem como alvo central o envol- . ____ , também, a sua causa" (p. 67).
vimento da família e a escassez de tais programas na literatura brasileira. Ela está Ainda no sentido de alertar o leitor sobre as lacunas de pesquisas existentes
possivelmente associada à carência de recursos. à pobreza de nossa população. à de treinamento de pais de crianças com necessidades especiais. devemos
falta de visão dos dirigentes educacionais e à marginalização do indivíduo que pas- para o número restrito de estudos com ênfase na prevenção de deficiên-
sa a ser incapaz de exercer seu papel de cidadania. A universidade brasileira não na falta de estudos que tornem os pais parceiros na luta por seus direitos, por
deixa de ter sua parcela de culpa na medida em que tende a enfatizar um conheci- ;Q:rganizações políticas e por uma política municipal de atendimento de necessida-
mento bastante desligado das necessidades sociais do país e. quando produz tal co- kZ.-- educacionais; na falta de estudos que envolvam a participação e o atendimen"
nhecimento. não se preocupa em divulgá'lo com a abrangência necessária. Como das necessidades dos pais (o homem, e não apenas a mãe), irmãos e parentes
afirma Paula (1996). "a educação especial deve cumprir o seu papel de preparar "Próximos bem como a conscientização e participação da comunidade.
Cabe destacar ainda que, segundo o relato de muitos pais, o que caracteriza a
busca de serviços para o atendimento das necessidades de seu filho deficiente, no uisa sobre o
Brasil, é a peregrinação por diversos serviços, na maioria das vezes, desestrutura- ,
dos, insuficientes (em tipo e número) e disponíveis apenas em grandes cidades. Ro .. ". . Portage no Brasil
sa (1998), ao analisar os relatos dos pais de indivíduos portadores de autismo, con-
firma esta longa e difícil peregrinação dos pais por serviços e diagnósticos. Dito de
outra forma, os serviços quando existem são escassos, desarticulados e fragmen- '\ primeira autora avaliou o Sistema Portage em sua tese de doutorado (WiI-
tados e pouco incorporam os resultados das pesquisas. Tais fatos também apontam 1983), sendo que a segunda autora atuou como assistente de pesquisa duran-
para a necessidade de pesquisas que integrem o conhecimento produzido no aten- . ;'ôIferentes etapas do projeto.
dimento às famílias.
Oprojeto do Sistema Portage, exemplificado no presente manual, foi proposto Objetivos do estudo
dentro de uma visão de intervenção precoce que focaliza a intervenção no repertó-
rio comportamental ainda não adquirido pela criança, com o objetivo de fortalecer Drincipal objetivo do projeto de pesquisa foi o de demonstrar que pais ou fa-
as etapas de desenvolvimento, via treino do mediador. Foi um dos trabalhos pionei- de baixo-poder aquisitivo eram capazes de ensinar seus filhos de forma a
ros tanto em relação à defesa da importância do envolvimento dos pais no treino ou acelerar o seu desenvolvimento. Para tanto era preciso demonstrar
quanto em colocar o profissional dentro da casa da criança. Do nosso ponto de vis- ganhOS nos repertórios das crianças deveriam ser superioreno progresso
ta, o Sistema Portage não só é compatível com uma visão sistêmica ou ecológica da íílturalmente ocorreria apenas com a passagem do tempo. A precariedade de
família, como pode ser um facilitador para que tal visão se concretize. Pareceu-nos ' existentes no Brasil nas áreas de educação e saúde na época, o número
que sua pUblicação e utilização, mais do que uma volta ao passado, possibilitaria de pré-eSCOlas e a carência de atendimento especial para crianças porta-
uma forma de entrada na família para futuras intervenções, inclusive as centradas deficiências justificavam o objetivo do estudo. Associada à carência de
na família. Otrabalho com famílias é fundamental como medida de redução do es- espeCializado à criança deficiente em fase pré-escolar, existia tam-
tresse associado à constatação da excepcionalidade da criança. Warfield (1995) su- ausência de projetos de pesquisa que analisassem o envolvimento da fa-
gere que a redução do referido estresse está associada a três aspectos: primeiro se desenvolvimento de seu filho com necessidades especiais. Até então, não
a família contar com a prestação de serviços domiciliares, segundo se a família só artigo publicado no Brasil que relatasse esforços sistemáticos de ensi-
encontrar apoio em serviços de grupo e, por último, a idade em que a criança de forma a prevenir atraso no desenvolvimento do filho.
entrar em um programa de intervenção, isto é, quanto mais cedo melhor. " , segundo objetivo consistiu em contribuir para uma avaliação do Sistema Por-
'tentando eliminar algumas falhas metodológicas que haviam caracterizado, até
; a pesquisa envolvendo tal sistema. Os projetos de pesquisa com o Portage
por: a) descrições vagas dos professores, pais ou crianças do estudo,
de preocupação com a fidedignidade das observações, c) ausência de se-
("follow-up") adequados como medida de manutenção e generalização das
ilidades instaladas, d) ausência de descrições detalhadas sobre o procedimento de
utilizado com os professores e, ainda, e) ausência de variáveis dependentes sig-
ficativas que possibilitassem observações adequadas, bem como ausência de obten-
de medidas múltiplas do desempenho da tríade professor-pai-criança. (Em Willi-
1983, há um capítulo com uma revisão crítica detalhada do Sistema Portage).
Finalmente, um terceiro objetivo do projeto de pesquisa consistia em fazer
análise de algumas habilidades envolvidas no treino do professor apto a traba-
lhar com os pais_ de que membro da família seria o mediador foi tomada pela própria
uma visita domiciliar na qual foram dadas instruções gerais sobre o cará-
B) Participantes do projeto e obtido o consentimento para participar do mesmo.
Tabela 1a seguir descreve as principais características dos mediadores do
Para a condução do projeto de pesquisa, além da segunda autora que atuava além de resumir alguns dos dados das crianças.
como assistente, três estudantes da graduação foram contratadas' para atuarem
como professoras. A escolha de professoras foi feita com base no interesse em par- t Características das famílias participantes do projeto
ticipar de um projeto de pesquisa remunerado envolvendo 12 horas de trabalho se-
manais. Cada professora ficaria encarregada de dar orientação a duas famílias; no Idade Diagnóstico ' Relação Idad, Escolaridade Profissão Profissão I REnda I Renda
(mÊ!.) coma do
entanto, após as três semanas iniciais de treino com as famílias, uma das professo- criança cõníuç
ras desistiu de participar do projeto, tendo em vista um novo emprego melhor re- 16 !. Primário Oona Pedreiro I 1,5 0,8
complelo de casa
munerado. Sendo assim, a professora A incumbiu-se das famílias I, 2 e 6 e a profes-
sora B, das famílias 3, 4 e 5. A professora A tinha 25 anos e cursava o terceiro ano 53 I te.!. apresentando
distúrbios
A'/Ó 55 Nenhuma Dana
de casa
I(aposentado)
Motorista I 6.1 0,8
de Terapia Ocupacional. A professora B, com 24 anos, cursava o terceiro ano de Pe- comporlamentais
dagogia. Nenhuma das professoras tinha experiência prévia em educação especial. 18 I E.C.I. .
Mã, 31 Primlrio Dona I Molorista 1.1 0,4
incomplel. decôsa
Em relação às famílias, uma das preocupações centrais do estudo consistiu em
trabalhar com famílias de baixo poder aquisitivo pois, dadas as características e ne- 51 I [C.lA apr""laodo Primário Dona Motorista 1,7 0,4
distúrbios incomplela de casa
cessidades da realidade brasileira, parecia insuficiente demonstrar que pais com ramportamentaís
um alto nível instrucional conseguiam aprender de forma sistemática a ser profes- 39 P.CJf.P. h,miplegia Mãe 43 Nenhuma Dona E1etrecista 4,0 1,0
direita de casa
sores do filho. Sendo assim, foram selecionadas seis famílias dentre uma lista de
45 Surdez hilatefllJ Mãe 12 Primério Dona Instrutor 2,3 DA
nomes encaminhados ao "Projeto famílias", com base nos seguintes critérios: 1) ter
uma criança com cinco anos incompletos, 2) apresentar renda familiar inferior a cin-
completo de casa
H.!.: ti1celalopalia Crônica !nlanlil- f.; EIIII!p;;a' P.(: ParaliSia
de tênis -
rp: Fdlillll1d •
--
Sal.na l1tllimD
co salários mínimos e pelo menos um dos membros da família deveria exercer tra-
balho assalariado, e 3) nunca ter participado de um projeto de pais ou de qualquer
outro projeto de pesquisa com tal objetivo. Das oito inicialmente seleciona- kJUua5 as mediadoras eram do sexo feminino e mães das crianças, a não ser no
das e entrevistadas, duas não puderam participar do projeto, pois, em um dos casos, i da mediadora 2 que era a avó da criança, pois a mãe trabalhava como operá-
a criança iria começar a receber atendimento de um outro projeto e, em outro caso, ..... uma indústria durante o período diurno. Aidade das mediadoras variou de 26
a família iria mudar de cidade durante a intervenção. e o grau de instrução variou entre nenhuma escolaridade e primário com-
Os mediadores' do programa (pessoa da família responsável pelo treino) foram " . Todas as mediadoras eram donas-de-casa de baixo poder aquisitivo. Convém
selecionados com base no número de horas disponíveis para trabalhar com a crian- que a família 2 cuja renda familiar excedeu a cinco salários mínimos, con-
por apresentar vários membros, teve uma renda per capita de 0,8 salários,
'A fAPESP e o CNPq possibilitaram ajuda financeira para custear parte dos gastos do projeto iÍlfigurando-se como sendo de baixo poder aquisitivo.
(processos n081/1012/0 e ,,040.0213/81).
'O termo mediador será usado doravante para referir-se ao familiar responsável pelo treino, embora seja um Das seis crianças que participaram do estudo, quatro eram do sexo masculino
termo relativo, pois. para os autores as pessoas responsáveis pelo treino dos pais (professores) seriam seus do feminino. A idade das crianças ao iniciarem o projeto variou de 16 a 54
mediadores. No entanto, a terminologia proposta por Tilarp e Wetzel (1969), será aqui empregada para evitar
confusões entre o professor e o familiar. Odiagnóstico das crianças foi fornecido por um neuropediatra que foi soli-
pelo projeto a examinar as crianças das famílias selecionadas. Embora duran-
... .
,' -
te a seleção das famnias tenha se procurado dar preferência a crianças com atraso
não recebia atendimento específico no início do projeto, sendo encami-
global no desenvolvimento ou com um diagnóstico de múltiplos problemas, isso nem
. fonoaudiologia no decorrer do mesmo, passando a freqüentar tal serviço
sempre foi possível de se concretizar. Sendo assim, a criança 6 (C6) foi a única a
apresentar uma etiologia específica, sendo portadora de deficiência auditiva. Oua-
tro crianças apresentavam diagnóstico de encefalopatia crônica infantil (Cl, C2, C3
Procedimento
e C4) e C5 apresentava diagnóstico de paralisia cerebral, sendo também portadora
de fissura no palato.
TREINO DAS PROFESSORAS
Por solicitação do projeto, algumas das crianças foram encaminhadas a especi-
alistas. A saber, C2 foi encaminhada a um oftalmologista que constatou boa acuidade
das professoras foi planejado de forma a levá-Ias a atingir os seguin-
visual, a uma testagem audiométrica cujos resultados se mostraram infrutíferos e a
uma eletrococleografia que constatou audição normal. C3 foi encaminhada para um
Avaliar o repertório da criança, com base no Guia Portage de Educação Pré-
exame oftalmológico que indicou estrabismo no olho esquerdo. C4 também participou
(Bluma ·et aI., 1976); versão traduzida internamente do inglês e/ou espanhol,
de um exame oftalmológico que constatou diminuição da acuidade visual. Finalmente,
ligeiras modificações). Para isso cada professora recebeu um manual contendo
C6 teve duas testagens audiométricas que confirmaram perda auditiva severa bilate-
do inventário com as definições operacionais para todos os
ral. Em seguida, ela foi encaminhada a um otorrinolaringologista que prescreveu pró-
inrtamentos a serem observados, descrevendo o procedimento de coleta e re-
tese para amplificação sonora. A criança começou autilizar a prótese somente no últi-
dados e descrevendo como tratar tais dados, semelhante ao que será
mo mês do estudo, em decorrência do intervalo de tempo envolvido nas idas a São
. no capítulo "Operacionalização do Inventário Portage" a seguir.
Paulo para testagem audiométrica, exame médico e compra do aparelho. Cabe desta-
Avaliar o repertório da mediadora, com base no Inventário Comportamental
car que as tentativas de ter um diagnóstico médico da criança e encaminhá-Ia a dife-
(Boyd et aI., 1977; versão traduzida internamente do inglês).
rentes especialistas conforme suas necessidades faziam parte de uma estratégia para
Analisar os dados coletados de forma a propor prioridades para o treino. A
dar amplo apoio à família, atendendo suas necessidades. Ainda dentro desta perspec-
de dados era feita com base tanto nos dados coletados pela professora
tiva de oferecer apoio à família, elas foram acompanhadas em todas as visitas aos es-
nas expectativas da mediadora bem como possíveis sugestões de outros
pecialistas pela assistente do projeto como forma de garantir entendimento das expli-
sionais que tivessem contato com a criança. Para levantar as expectativas da
cações dadas pelos médicos e posteriores tratamentos.
a professora realizou uma entrevista em que foram levantadas priorida-
Ouanto aos atendimentos fornecidos por outros profissionais da área, Cl rece-
treino sob a ótica da família. Ver na página 31 um exemplar do questionário
bia tratamento ambulatorial de fisioterapia (duas vezes por semana) e de terapia
í!!lhante ao questionário usado pela professora para coletar tais dados.
ocupacional (uma vez por semana) em uma clínica vinc'ulada à Universidade Federal
disso, a professora recebeu a orientação de realizar entrevistas com to-
de São Carlos. C2 não recebia outro atendimento, sendo que após cinco meses de
profissionais que lidavam com a criança. Tais entrevistas não tinham um ro-
participação no projeto a criança foi encaminhada à APAE, onde passou a freqüen-
pré-fixado, mas constituíam basicamente em perguntar ao profissional qual o
tar a pré-escola durante o período da manhã. C3 tampouco recebia outros atendi-
r8tamento que estava sendo dado à criança, pedindo dados sobre seu desempenho.
mentos e no decorrer do estudo foi encaminhada à fisioterapia (entretanto, a famí-
a professora descrevia o trabalho a ser realizado com a família pedin-
lia interrompeu o tratamento alegando motivos diversos: distância, problemas de
1';sugestões de comportamentos que deveriam ser trabalhados na criança. Tendo
transportes e insatisfação com atendimento recebido). C4 recebia atendimento de
as entrevistas necessárias, a professora recebia um roteiro a ser preen-
terapia ocupacional (três vezes por semana) e foi encaminhada à APAE após cinco
de forma a sistematizar todos os dados coletados, estabelecendo as priorida-
meses do estudo; tal como C2. C5 recebia atendimento de fisioterapia e terapia ocu-
de treino. Na página 45, encontra-se um exemplar de tal questionário.
pacional (duas vezes por semana) e de fonoaudiologia (uma vez por semana). Final-
Além de levar em conta os dados selecionados, a análise para o estabeleci-
mento de prioridades apoiava-se tanto na probabilidade de que um dado comporta- QUESTIONÁRIO PRELIMINAR
mento apresentasse mudanças rápidas, quanto na medida em que o referido com-
portamento (ou a classe de respostas a que pertencia) favorecia o aparecimento de _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ Sexo:
outras habilidades mais complexas. Cor: ----
_ _ _ _ _ Natural de: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
D) Fazer um plano de intervenção com base na análise realizada, estabelecen- _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ fone: _ _ _ _ _ __
do metas para serem atingidas a longo, médio e curto prazo, tanto para o compor- ,__.,..--_ _ _ _ _ Cidade: Estado:
tamento da mediadora quanto para o da criança.
E) Elaborar instruções escritas a serem dadas semanalmente à mediadora. Pa-
ra tanto a professora poderia obter sugestões de procedimento no Guia Portage de e: Cor: _ _ _ _ __
Educação Pré-Escolar. (Essas instruções serão detalhadas mais adiante), Veja na I ,de nascimento: -1-1_'_ Natural de: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
instrução: Profissão: _ _ _ _ _ _ _ _ __
página 49 um exemplo de folha de instruções utilizada para treino da criança, sendo
que ela é semelhante à folha sugerida pelo sistema Portage_ _ _ _ _ _ Estado civil: Religião: _______
Há um exemplo de fOlha-de-registro a ser preenchida pelo mediador na página
51. A estratégia de ter a assinatura da professora e mediadora na parte inferior da
folha foi incorporada como uma tentativa de formalização (semelhante a um "con- "".. Cor: _______
trato comportamental") para evitar ocorrências de extravios de folhas de instrução. !l,âtlé,nascimento: -1-1_ Natural de: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
de instrução: Profissão: __________
F) Coletar semanalmente dados de linha-de-base comportamentos a se-
rem ensinados. "', Estado civil: Religião: _______
G) Demonstrar à mediadora como ensinar os comportamentos selecionados
para treino.
Tal demonstração incluía: " Cor: _ _ _ _ __
1) Explicação oral das instruções previamente elaboradas; dfnascimento:-1--.1._ Natural de: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
instrução: _ _-,-_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
2) Fornecimento de modelo à mediadora; em que a professora demonstrava o
parentesco com a criança: ____________________
procedimento a ser utilizado com a criança;
3) Supervisão do treino executado pela mediadora, dando "feedback" para as
correções e incorporações do procedimento adotado.
H) Coletar dados de pós Iinha-de-base, transcorrida uma semana de treino. "U,.'_"_'_ Nome: Idade:
i) Sistematizar os dados coleta dos em gráficos ou tabelas (veja na página 57 Nome: Idade:
um exemplar de tabela utilizada pela professora para sistematizar os dados coleta- Nome: Idade: _ __
que vivem na mesma casa: __--'-_____________
dos, acompanhando sistematicamente os progressos da criança). que trabalham: _ _ _ _-,.._ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _'--_
J) Analisar, semanalmente, os dados coletados de forma a:
que estudam: Escola Pública (
1) Prescrever novos treinos, quando fossem atingidos objetivos conforme cri- Particular (
térios previamente especificados.
2) Reformular procedimentos em caso do não atingi menta do objetivo após
uma semana de treino.
contribui para a renda familiar: __________________
3) Interromper o treino após duas semanas consecutivas sem melhora de de-
sempenho, tendo já sido feitas as mudanças de procedimento necessárias e consul.
ta à coordenação do projeto. ) alugada ) cedida
K) Avaliar os resultados globais do programa tendo em vista: ) alugado ) cedido
1) Seu próprio desempenho enquanto professora. ) alugado ) cedido
2) Desempenho da mediadora.
( ) madeira ( ) chão batido ) piso revestido
3) Desempenho da criança.
L) Planejar maneiras de garantir a manutenção, ao longo do tempo, das mu· ) concreto ) zinco ) tábua
danças apresentadas, após o término do programa. de dependências:
Otreinamento dado às professoras de forma a que atingissem os objetivos aci' ( ) sala ) cozinha ) banheiro
ma foi dividido em duas partes: treinamento inicial (caracterizado pelo início da atua· lencanada ( ) poço
'llulTlinação: ( ) elétrica ( ) outro: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
ção da professora no projeto, até que estivesse apta a iniciar visitas domiciliares de
i';;'holrn' ( ) patente ( ) outro: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
treino à mediadora) e treinamento durante o desenrolar do projeto, ou supervisão.
( ) dentro ( ) fora da casa
de conservação da casa:
1) Treinamento inicial ( ) boa ) regular )péssima
Otreinamento inicial teve aproximadamente um mês e meio de duração e en· IllIIzação do quintal:
volveu atividades teóricas e práticas. As atividades de tal treino foram desenvolvi' ( ) jardim ( ) lixo
das pela segunda autora (na época pós-graduanda do Programa de Pós-Graduação üi!Uidades domésticas:
( ) geladeira ( ) televisão ) vídeo
em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos, com um ano de expe' ) rádio
( ) liqüidificador ( ) chuveiro
riência de trabalho no "Projeto Famílias"), por meio de encontros de cerca de três de som () enceradeira ( ) automóvel ) freezer
horas de duração, três vezes por semana. de costura ( )forno de microondas ) microcomputador
As atividades teóricas foram realizadas em uma das salas da UFSCar e envol'
veram as seguintes atividades:
a) Três aulas expositivas sobre o Sistema Portage, tendo cada uma cerca de na. mensal gasta com alimentação: _________________
mais consumido:-,...____________________
duas horas de duração, ministradas pela assistente do projeto.
b) Leitura e discussão de textos sobre os seguintes tópicos: aplicações da Aná-
lise do Comportamento à educação de crianças excepcionais (Bijou, 19B6; Bijou, foi planejada? Houve acompanhamento pré-natal? ______
1975), informações sobre o Sistema Portage, problemas associados ao uso de inven' descrição do parto: (local, complicações, nasceu de termo, peso, amamentou) _ _ __
tários comportamenlais (May e Schortinghuis, 1980), manuais de instrução (Bluma
et ai., 1978; Boyd e Bluma, 1977; Boyd et aI., 1977), manual de higiene e nutrição (Ri'
famma faz quando a criança fica doente: ______________
boty, 1979), elaboração de objetivos com porta mentais precisos (Weber e Frohman,
1975); informações sobre a criança paralítica cerebral (Finnie, 1980) e deficiente au- membros na famnia portadores de deficiência? _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
ditiva (Lowe, 1982; Costa e Freire, 1981). qualotlpo? _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
c) Palestras realizadas por profissionais especialistas sobre temas sugeridos ença persiste aonde leva:
pelas prOfessoras (distúrbios da linguagem, deficiência auditiva, condicionamento médico particular ( ) convênio. Dual?: _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
clássico e operante), com cerca de duas horas de duração cada. posto de saúde ( ) farmácia () outros: _ _ _ _ _ _ __
médicos leva: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
As atividades práticas envolveram:
a) Observação e análise dos dados de pelo menos duas crianças "normais" em a criança recebe atualmente:
seu ambiente natural, com base no Inventário Portage Operacionalizado. Aassisten- .JC-;."--'----------- Dosagem: horário: ____
te do projeto atuava como co-observadora, de forma a poder avaliar os índices de Dosagem: horário: _ _ __
:.: Dosagem: horário: ____
fidedignidade das professoras. Além disso, foram providenciadas para a professora
. Dosagem: horário: ____
B algumas sessões de observação de crianças especiais, em uma creche, por solici-
tação da própria professora, já que ela nunca havia entrado em contato com crian-
ças especiais.
b) Observação de pelo menos uma sessão de treino domiciliar, conduzida por trabalham fora do lar: pai: mãe: filhos: ____
uma. professora experiente do "Projeto Famílias", sendo tal professora aluna do costuma fazer em dias de folga: _______________
,
Programa de Pós-Graduação em Educação Especial. Nessa ocasião, a professora ob-
da famma estão presentes? _______________
servava todo o procedimento de treino, registrava dúvidas e, posteriormente, as es-
clarecia com a assistente do projeto.
em relação a descanso, diversão, tempo para você ou tempo para você
juntos? ______________________
2) Supervisão
Tão logo a professora iniciou o treino com as respectivas famílias passou are· rttinidades de ir a festas, reuniões, passeios ou de estar com amigos? ______
ceber orientação da coordenação do projeto' do seguinte modo:
Reuniões semanais com assistente: essas reuniões tinham três horas de dura-
pertencem a criança e famma (ex.: Associação de Bairro, Movimento Negro, etc.):
ção, sendo cada hora dedicada às seguintes atividades: a) esclarecimento de dúvi·
das sobre planejamento de futuros treinos; b) organização e sistematização de da'
dos coleta dos; c) aprofundamento de temas em que as professoras estivessem
apresentando dificuldades, por meio de leituras de textos, discussões e exercícios ''':.. ., ...... da criança
escritos. Os exercícios da página 59 e seguintes são exemplos de exercícios seme' treinamento:
Ihantes aos que foram usados. da criança: ____________________
Reuniões semanais com toda a equipe: essas reuniões duravam cerca de duas pontos forles da criança: ________-,...________
horas e delas participavam as professoras e a coordenação do projeto. Além disso,
uma fonoaudióloga (aluna do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial,
com experiência prévia de treinamento de pais no "Projeto Famílias") era ocasio'
nalmente convidada a participar dessa reunião, para esclarecimentos específicos às percebeu que a criança tinha problemas: ____________
professoras. Oobjetivo da reunião geral era duplo: 1) as professoras relatavam as
tinha a criança: ___"-_________________
experiências de treino da semana e o grupo discutia os prOblemas enfrentados, pro-
foram feitas ao se identificar o problema: _____________
pondo soluções; 2) a coordenação dava "feedback" sobre a atuação das professo'
ras tanto em termos de sua elaboração de instruções à família de forma adequada, famfiia responde aos outros (vizinhos, etc.) a respeito do problema da criança:
quanto em termos de atuação das mesmas durante treinos domiciliares.
,- '......." encara oprOblema da crlança: _____"-_________
'A coordenação do projeto era composta tanto pela assistente quanlo pela autora domesmo. sendo que
doravante a primeira aulora será referida pela coordenadora. tem ajudado a famma a enfrentar estas dificuldades (técnicas de enfrentamento):
b) SUPERVISÃO DA PROGRAMAÇÃO DE TREINOS DAS PROFESSORAS a famOia pode contar como apoio emocional quando as coisas não vão bem:
A programação dos treinos, segundo o Sistema Portage, envolvia redação de
descreveria os aspectos positivos de sua famnia: ___ _ _-:-____
uma folha de instruções pela professora (tal como a folha de instruções apresenta-
da anteriormente) para cada um dos comportamentos treinados pela família. A su-
pervisão da programação de treinos foi conduzida pela assistente do projeto por seus sentimentos em relação a apoio, afeto e calor humano para você e outros
meio de avaliações semanais de cada uma das instruções elaboradas para todos os família: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
comportamentos. No sentido de quantificar a avaliação, foi elaborado um instru-
mento (veja sessão relativa a instrumentos) em que eram atribuídos pontos para que listar três prinCipais necessidades para a sua famWa atualmente,
"acertos" na elaboração de instruções. elas?
pessoas com o mesmo problema de sua a criança na família: _______
As fases de supervisão à professora quanto à elaboração de instruções foram
as seguintes: pessoas com problemas de saúde na família: (epilepsia, retardo mental, alcoolismo):
la fase: linha de Base: as instruções eram entregues para correção após ter ( ) não
ocorrido o treino domiciliar e eram apenas feitos comentários orais e genéricos so· qUal: Grau de parentesco: _ _ _ _ _ _ __
bre a correção ou incorreção das mesmas. As instruções eram, no entanto, avalia'
ou teve convulsão: com Que idade: ________
das quantitativa mente, sendo 50 o número máximo de pontos obtidos para uma ins'
sinais de Que terá convulsão: _____________..:....._ __
trução sem incorreções. Oresultado era arquivado, não sendo mostrado às profes-
soras. As professoras, contudo, eram instruídas no sentido de elaborar as instru- teve problemas sérios de saúde: ________________
ções previamente ao treino domiciliar.
2a fase: Avaliação detalhada pós-treino: as professoras entregavam, sofreu algum acidente: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
após o treino, as instruções para serem avaliadas e recebiam, em seguida,
uma folha de registro contendo especificações detalhadas das correções, freqüentou ou freqüenta alguma escola, creche OU instituição?: _ _ _ _ __
incorreções ou lacunas de cada instrução, bem como um resultado quantita- professora: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _-'-_ _ _ _ _ __
tivo referente ao número de pontos obtidos. Assim, embora as professoras é o desempenho da criança neste local? _____________
devessem elaborar as instruções antes do treinamento da mediadora, na prá-
tica só entregavam as instruções para serem avaliadas após terem executa'
do o treino. está na escola, ela tem tarefas? _____-'-______- '_ __
3a fase: Reversão à linha-de-base: fase semelhante à linha-de-base, ten-
do as professoras sido informadas que suas instruções não seriam avaliadas
por um determinado período. Esta fase diferiu da linha-de-base apenas no foi o dia de seu filho ontem ou hoje? "-_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
tocante à correção das folhas de instrução. Ao invés de se avaliarem todas as
instruções elaboradas pelas professoras, a título de se agilizarem os trabalhos
de correção, teve início um procedimento de correção por amostragem, sendo o Que ele faz normalmente? __________________
aleatoriamente selecionada para avaliação apenas uma instrução redigida e como o seu filho brinca normalmente: _______________
para cada mediadora por semana. No restante, o procedimento foi idêntico ao
de linha-de-base no sentido de que não eram mostrados às professoras os
r.ndllma. brincar:
resultados quantificados das avaliações realizadas. A correção por amost brincadeira que mais gosta: ________________
gem visava, além de dar uma informação sobre como se desenrolava o tra ele tem: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
lho das professoras, fornecer elementos para a assistente elaborar os comen.
tários orais e genéricos. Novamente, pedia-se que as professoras elaborassem
as instruções previamente ao treino domiciliar, porém as mesmas só eram re.
colhidas após o treino.
4a fase: Avaliação detalhada pré-treino: fase semelhante à segunda,
com as seguintes modificações: as correções das instruções continuaram a
ser feitas por amostragem; porém, as professoras foram informadas que ape. consideram prioritário de ser ensinado a seu filho: __________
nas uma entre n instruções seria avaliada em detalhe. Uma outra diferença
consistiu em solicitar às professoras que entregassem suas instruções para
avaliação com o prazo de uma semana antes da visita domiciliar, ao invés de seu filho fácil de criar? _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
após as mesmas. As instruções selecionadas para avaliação eram corrigidas
em detalhe e quantificadas, sendo os resultados entregues para as professo.
ras que podiam ou não reformular as instruções antes da próxima visita à dificuldades em ensinar seu filho: ______________
família.
Não havia nenhuma contingência específica para instruções não entregues
com uma semana de antecedência do treino, sendo as mesmas corrigidas ou não,
espera desse programa: ___________________
segundo a amostragem. Por exemplo: supondo'se uma situação em que, na semana
1, a professora A tivesse que entregar com antecedência suas instruções para cor'
reção, mas não o fez, e que, na semana 3, a professora tenha entregue as instruo
ções relativas à semana 1, após ter realizado o treino com a família. Nesse caso, era adicionais a criança recebe atualmente:
selecionada para avaliação uma instrução da semana 1redigida a cada mediadora, . local: terapeuta: _ _ _ _ _ _ __
sendo entregue o resultado à professora, independente de terem sido entregues local: terapeuta: _ _ _ _ _ _ __
com atraso. ocupacional local: terapeuta: _ _ _ _ _ _ __
I,
I sa fase: Avaliação detalhada pré-treino com contingência para não
!!!
entrega: essa fase foi idêntica à anterior, com a exc'eção de que as professoras precisaria de outros atendimentos? _-'-_____________
I:
(I
foram informadas que doravante só receberiam correções daquelas instruções quais? ________-'-_______________
li entregues com antecedência ao treino. Nesse sentido, todas as avaliações en-
(, tregues com antecedência foram avaliadas e devolvidas para as professoras. Em
i: loasemanal da criança (anotar a atividade e nome da pessoa da família que está presente
contrapartida, se, em uma determinada semana, uma professora não elaborasse
a criança):
il
1\
previamente suas instruções para uma determinada família, uma de suas instruo
:!! ções era selecionada para correção após o treino, sendo tal instrução avaliada e
,I
"I'
"
arquivada.
u A duração das fases acima variou tanto de professora para professora, quanto
de mediadora para mediadora.
II
c) SUPERVISÃO DO DESEMPENHO DAS PROFESSORAS AO REALIZAR TREINO em cada categoria. a criança gosta e Quais não gosta:
DOMICILIAR
GOSTA NÃO GOSTA
Ouando uma professora verbalizava que estava apresentando sérias dificulda-
des no sentido de instruir a mediadora a realizar um determinado treino com a cri-
salgados
ança, a assistente ou a coordenadora do projeto acompanhava tal professora na vi-
sita domiciliar subseqüente_ Nessas situações, eram feitas observações do desem-
penho tanto da professora como da mediadora e da criança, no sentido de se ter
subsídios para auxiliar a análise da professora sobre possíveis entraves.
Os resultados das observações eram comentados com as professoras, sem lhes
mostrar as folhas de registros, sendo que essas eram estimuladas a melhorar seu
desempenho. Além disso, quaisquer outros comportamentos da professora dignos de
nota (que não apenas o de dar instrução oral) eram observados pela coordenação e,
posteriormente, comentados com as mesmas ou imediatamente após a visita domi-
ciliar ou na reunião de supervisão subseqüente. Para que esse tipo de "feedback"
não ficasse extremamente aversivo às professoras, alguns cuidados foram tomados.
A coordenação sempre apontava primeiramente as positivas, referen-
tes ao desempenho da professora, enfatizando-as. Além disso, procurava-se manter
o "feedback" negativo em um grau mínimo, ou seja, não mais que duas incorreções
eram mencionadas. Por exemplo, se a professora tivesse apresentado cinco "falhas"
na visita domiciliar, essas falhas eram hierarquizadas e apenas as duas mais "gra-
ves" eram mencionadas. Sempre que necessário, era relembrado com as professoras
o procedimento de treino domiciliar, retomando um fluxograma contendo os passos
de tal procedimento, no sentido de lembrá-Ias de que estavam esquecendo de apre-
sentar um dos passos. (Veja procedimento de treino da mediadora)_
adicionais
Dl Delineamento Experimental ou perguntas adicionais da família: ______________
Foi utilizado um delineamento de linha-de-base múltipla entre comportamen-
tos em relação à programação de instruções escritas pela professora. Sendo assim,
postulou'se que o comportamento da professora de redigir instruções para uma ;servações adicionais dos entrevistadores: (por exemplo, quanto a hábitos de higiene. espaço
determinada mediadora era diferente e independente do comportamento de redigir conforto e organização. clima de interação. etc.):
instruções para uma outra mediadora e assim por diante. Nesse sentido, aplicou-se
cada uma das fases do procedimento em diferentes momentos para três comporta-
mentos da professora A (o comportamento de redigir instruções para MI, M2 e M6\
e três comportamentos da professora B(redigir instruções para M3, M4 e M5).
A) TREINO DAS MEDIADORAS
dos recursos da comunidade e do bairro (observar e perguntar se no bairro há
Otreino da mediadora ocorria semanalmente durante a visita domiciliar reali. para lazer e treino da criança e famma, por exemplo praça, campo de futebol,
zada pela professora_ Tendo recebido as informações da professora, a mediadora bancos. crianças na vizinhança, etc):
executava o treino da criança durante os demais dias da semana, aguardando nOva
visita. Na visita subseqüente, a professora avaliava os resultados dos treinos con' "
duzidos diariamente pela mediadora, prescrevendo novas tarefas e assim por dian.
te. Dessa forma, o procedimento de treino domiciliar era composto de duas partes:
em primeiro lugar, revia-se o treinamento feito com a criança, avaliando seus resul.
tados; e em segundo lugar, havia uma sessão de treino propriamente dito, em que
a mediadora aprendia a instalar novas habilidades na criança. (A Figura 1na página
44 contém um fluxograma dos passos dessas duas partes do treino domiciliar). álbUps de fotografias (ou vídeos) da família (observar nas fotos por exemplo se a
. necessidades educativas especiais aparece, se são poses ou fotos "naturais", se
Ao chegar à casa da família, a professora conversava sobre fatos rotineiros,
6rediferentes reuniões. se a criança está em contato com diferentes membros da famma
sendo que esse contato inicial finalizava com uma pergunta sobre se a mediadora primos. amigos· ou apenas no colo da mãe, se as fotos/videos são só da criança com
havia realizado os treinos durante a semana (passo 1do fluxograma). educativas especiais e nenhuma dos irmãos)
Se a mediadora não havia treinado os comportamentos, as razões para tal
eram analisadas em conjunto, a professora coletava uma nova linha-de-base e refor-
mulava-se o treino, ou este era mantido após a professora rever as instruções. Se
os comportamentos prescritos haviam sido treinados pela mediadora, a professora
passava a observar uma sessão de treino mediador-criança para coletar dados de
pós linha-de-base do comportamento da criança e da interação mediador-criança
(passo 2). De posse desses dados, a professora elaborava um gráfico, que permitia
uma melhor visualização, por parte da mediadora, do progresso alcançado pela cri- tarefas escolares ou dos "trabalhinhos" da criança (observar por exemplo que
ança (passo 3). Tal gráfico era elaborado na extremidade superior, à direita da folha estão sendo desenvolvidas pela professora, qualidade das respostas da criança,
de instruções, em um espaço especialmente reservado para isso. (Veja Folha de Ins- de treino em habilidades pré-requisitos etc.):
trução na página 51).
." •• _de de
Figura 1. Fluxograma descrevendo o procedimento do treino domiciliar
eiro para Sistematizar Prioridades de Treino
_ _ _ _ Criança: _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
p= comportamento do professor
M= comportamento do mediador
PM= comportamento de ambos
irbalizaçôes e atitude geral do mediador Quanto ao fato da criança ser excepcional.
(PM)
Instruções (P)
, sponibilidade de tempo do 'mediador em relação à criança: __________
(PI (PM) (PM)
o treino
2 semanas
atividades Que o mediador desenvolve com a criança:
geral da interação mediador-criança e criança-mediador:
lÍoressão sobre modo do mediador cuidar da criança em termos de higiene e aspecto físico:
tprnentários sobre o ambiente físico da famnia. (Casa arejada ou não, espaçosa, iluminação
local de recreação, condições Ideais de treino etc.):
do mediador com demais familiares (e vice-versa):
Após elaborar o gráfico, a professora e a mediadora analisavam os resultados il:lonamento de demais familiares com a criança (e vice-versa):
obtidos em termos de se a criança atingira ou não o critério de desempenho propos'
to (passo 4), Essa análise apresentava três tipos de possibilidades. Em primeiro lu,
gar, aquela em que a criança não havia atingido o critério proposto, ou seja, não
apresentava qualquer alteração no comportamento, em relação à Iinha-de-base. Nes,
se caso, a professora reformulava o procedimento, alterando a folha de instrução. No expectativas do mediador em relação ào projeto:
caso de duas semanas consecutivas de treino, sem qualquer progresso em relação
aos dados de Iinha-de-base, o treino daquele comportamento era interrompido, subs'
tituindo'o por outro objetivo. Em segundo lugar, se houvesse. uma aproximação ao ,
critério, ou seja, se o comportamento havia melhorado em relação à Iinha-de-base, colelados com outros profissionais qUI! trabalham com criança/mediador:
embora não tivesse atingido o critério, analisava'se o porquê disso e reformulava-se
ou mantinha-se o mesmo treino. Finalmente, em terceiro lugar, se o critério propos'
to havia sido atingido, esse comportamento era deixado, no mínimo, por mais uma
semana, para ser treinado informalmente (sem registro), a título de manutenção ou
,ugestões de outros profiSSionais com relação a prioridades para o treinamento da famma:
solicitado que a mãe incorporasse os itens aprendidos nas atividades do dia-a-dia ..
Após analisar os resultados, a professora recolhia as folhas de instrução dos
comportamentos previamente treinados (passo 5) e com isso estava completada a
primeira parte da sessão, que era composta por uma análise dos resultados dos
treinos realizados durante a semana. das prioridades de treino para o mediador: (em termos genéricos ou seja, áreas de atuação).
A segunda parte do procedimento de treino domiciliar envolvia a demonstra'
ção de como ensinar novos comportamentos. Aprofessora coletava dados de Iinha-
de-base dos próximos comportamentos a serem treinados, sendo que, para isto, so-
licitava-se à mediadora que apresentasse a nova tarefa à criança para que fosse ob-
das prioridades de treino para a criança: (em termos genéricos. ou áreas de atuação).
servado seu desempenho (passo 6). Em seguida, a professora dava instruções orais
de como treinar a nova habilidade (passo 7), sendo que, para tal, a professora recor-
ria à folha de instruções previamente elaborada.
Após dar instruções orais, a professora demonstrava à mediadora como deveria
ser realizado o treino com a criança, sendo nessa ocasião o único momento do proce- liOperacionalização das prioridades de treino para o mediador: _ _ _ _ _ _ _ __
dimento que envolvia uma interação direta da professora com a criança (passo 8). O
passo subseqüente consistia na solicitação, por parte da professora, para que a media-
dora exercitasse os novos treinos (passo 9) e, enquanto a mediadora estivesse exerci-
tando, a professora fornecia "feedback" sobre sua atuação (passo 10). Oprocedimen- lS;Operacionalização das prioridades de treino para a criança: __________
to finalizava com uma análise por parte da professora e da mediadora de futuras alter-
nativas para comportamentos a serem treinados, de tal forma que a professora pudes-
se retornar, no futuro, com instruções específicas para tais treinos (passo 11).
A seqüência descrita na Figura 1consiste, basicamente, nos passos sugeridos
pelo Sistema Portage. As alterações acrescentadas referiram-se ao fato de que, no Folha de Instrução para Treino da Criança
procedimento original do Portage, a professora interage diretamente com a crian. do Sistema Portage*
ça, para obter a linha-de-base, ao passo que, no procedimento utilizado, a profes·
sora registrava a linha-de-base da interação mediadora-criança, solicitando à me· .'
diadora que realizasse tal tarefa com a criança. Além disso, o Sistema Portage, tal
qual originalmente era usado, não previa um critério especifico para interrupção do nO __ data ___
treino com repetição do insucesso.
A seqüência descrita na Figura 1 enfatizava mudanças no comportamento da
criança e esteve em andamento desde o início e por toda a duração do estudo. Após III
os três meses iniciais do estudo, foi acrescentado um procedimento que enfatizava
2
mudanças no comportamento do mediador, baseado no Programa Portage de Pais
(Boyd et aI., 1977). Tal procedimento envolvia a seleção pela professora (em comum
acordo com a mediadora) de comportamentos a serem instalados na própria media·
dora, com base no Inventário Comportamental de Pais (Boyd et aI., 1977).
dias da semana
OInventário de Pais pode ser subdividido em dois grandes aspectos: habilidades ++,--'-__ nO: _ _ __
que dizem respeito à execução do treino e habilidades referentes a seu planejamen'
to. Nesse estudo, optou-se por instalar, em primeiro lugar, as habilidades de execução
do treino, para posteriormente lidar com as de planejamento. Sendo assim, após ter
selecionado um comportamento, a professora programava o treino da mediadora do
seguinte modo: redigia instruções específicas de forma semelhante às instruções ela'
boradas para treino da criança. Um exemplar de folha de instruções e registro propos-
to pelo Sistema Portage para treino da mediadora encontra-se na página 71.
Otreino era composto de estratégias diversificadas tais como: a) uma peque'
na exposição oral pela professora, a respeito da habilidade a ser ensinada, sendo Assinatura da família:
acompanhada de leitura ou (no caso das mães que não eram alfabetizadas) por uma
apresentação oral de um determinado capítulo do Manual de Leituras para Pais no
Programa Portage de Pais (Boyd e Bluma, 1977) pertinente à habilidade a ser ensi-
nada; b) além disso, a professora poderia dar modelo da habilidade a ser treinada,
demonstrando à mediadora como trabalhar com a criança. Por exemplo, no caso de
estar sendo ensinada a habilidade de a mediadora "elogiar ou reforçar socialmente
respostas da criança", a professora registrava na semana prévia a freqüência de
tentativas em que a mediadora havia elogiado respostas corretas da criança, obten-
do uma linha-de-base. Na semana seguinte, a professora discorria sobre a importân'
cia de se reforçar socialmente acertos da criança; lia ou discutia com a mediadora
o capítulo do manual referente a reforçadores sociais, dava modelo de como elogiar
e, em seguida, registrava a freqüência de elogios da mediadora. Este registro podia de Shearer e Shearer. 1972.
Folha de Re is
tão. Tal treino era repetido porn semanas até que o desempenhada mediadora atin-
gisse um critério previamente estipulado (exemplo: elogiar acertos da criança ern .
90 por cento das tentativas corretas).
Ao se trabalharem habilidades relativas ao comportamento de elogiar a crian·
ça, procurou-se tomar o cuidado de não impor às mediadoras padrões verbais típi-
cos das professoras. Nesse sentido, observou-se o desempenho verbal da mediado-
ra, tentando-se levantar quais os elogios utilizados para, a partir de tais padrões, au-
mentá-Ias em freqüência. Por exemplo, no caso da mediadora 5 que não apresenta-
va em seu repertório elogios "típicos" ("isto", "muito bom", "certo" etc.), sendo ex-
tremamente lacônica ao conseqüenciar o comportamento da criança, optou-se por
aumentar a freqüência de verbalizações de "tá" após respostas corretas da criança.
Além do procedimento descrito, foram dadas às mediadoras, no decorrer do
estudo, informações gerais sobre nutrição, higiene e saúde, por solicitação das pro-
fessoras. Tais informações foram propostas, uma vez que as professoras notaram al-
gumas inadequações nas práticas nutricionais das mediadoras, tais como excesso
de carbohidrato na alimentação das crianças, de informações
úteis como reaproveitamento da água de fervura de legumes etc. Nesse sentido, as
professoras elaboraram um manual de nutrição, higiene e saúde, sistematizando in-
formações com base no manual elaborado em decorrência da aplicação do Projeto
Portage no Peru (Riboty, 1979) e de um outro texto específico para a realidade bra-
sileira, elaborado para um curso de auxiliar de enfermagem (Nogueiril, 1980). Tais
informações eram lidas para as mediadoras e-discutidas oralmente. Além disso, as
mediadoras receberam um manual para ser usado como consulta, contendo infor-
mações sobre valor nutricional dos alimentos. Este manual de nutrição, higiene e
saúde adaptado pelas professoras encontra-se na página 73.
,
B) DELINEAMENTO EXPERIMENTAL: COMPORTAMENTO DAS CRIANÇAS
Em relação ao comportamento da criança, dois delineamentos diferentes fo-
ram utilizados: um procedimento de linha-de-base múltipla entre grupos de sujeitos
(ou grupo controle de "espera") e um procedimento de múltiplas sondagens.
1) Linha-de-base múltipla entre grupos de sujeitos:
As seis crianças do programa foram divididas em dois grupos (grupo A: Cl, C2 e
C3 e grupo B: C4, C5 e C6). Todas as crianças foram avaliadas, sendo imediatamente
J :50 Inventário Portage 51
"',- Portage Operacionalizado
-
·-- -- ,. -r- ". "r-- aproxi- . fictfcio de folha de Instrlíçõesdevidarnente
madamente dez semanas de treinamento para o grupo A, todas as crianças foram rea-
valiadas, tendo início o treino ao grupo B (o grupo A continuou com o treinamento).
Desse modo, as diferenças entre a primeira e a segunda avaliação encontradas no de Instrução do Sistema Portage para Treino da Criança
grupo B serviriam de controle para a passagem do tempo e como comparação entre criança: PCllJlinho
as diferenças nas duas avaliações do grupo A, relativas ao efeito do treinamento.
____________
4 o •
de treino nO ..Q!... data oWlosm /' //
2) Procedimento de múltiplas sondagens:
0/ ./'
Este procedimento foi proposto por Horner e Baer (1978) como uma variação 3
J///
da técnica de linha-de-base múltipla. Consiste em uma sondagem inicial de cada um J5 li/'
dos passos envolvidos em uma seqüência de comportamentos, uma sondagem adi- 2 /p
,,/ /
cionai de cada passo após o critério ter sido estabelecido e um série de sessões de '"
."
o 0/ /
linha-de-base conduzidos imediatamente antes da introdução da variável indepen- com
C
//\', I
dente para cada passo do treinamento. De acordo com Horner e Baer (1978), a téc- 01./ ", / ó
nica de sondagens intermitentes é uma alternativa a medidas contínuas de linha- ti veze.s cothSlIc.esso 2 3 4 5 6 7
dias da semana
de-base quando tais medidas se mostrarem reativas, não se mostrarem práticas ou,
Infantil nO: . . :;:13__
ainda, quando existir um forte pressuposto" a prior!" de estabilidade. No caso do
presente estudo, optou-se por tal delineamento, uma vez que, dado o grande núme- I..sentar Pa"Unho no beb/!,conforto na sala.
ro de comportamentos treinados por criança, não seria prática a obtenção de medi-
das contínuas de linha-de-base. Além disso, os dados relativos à literatura do de-
senvolvimento de crianças excepcionais e as características das crianças-sujeito do
estudo permitiram o estabelecimento do pressuposto" aprior!" de que a maioria de
tais comportamentos não seria alterada com a simples passagem do tempo.
Sendo assim, foram realizadas cinco sondagens ou avaliações diferentes para
os comportamentos treinados em cada criança ao longo do estudo, em intervalos
de cerca de quatro meses cada uma. Tais sondagens serão detalhadas mais adiante
na descrição dos instrumentos de medida utilizados para avaliar o desempenho da
criança. Além das sondagens, a professora realizava observações de linha-de-base, do professor: Assinatura da famma:
imediatamente antes da introdução de cada treino para todos os comportamentos. JClcintCl
Na semana subseqüente ao treino, a professora realizava observações de pós-linha-
de-base para os comportamentos treinados e fazia observações de linha-de-base
para os novos comportamentos. Supõe-se que, se o procedimento utilizado fosse
eficaz, apenas os comportamentos selecionados para treino sofreriam mudanças.
Não houve um delineamento experimental específico para os comportamentos
das mediadoras. Inicialmente, havia sido planejado um delineamento de linha-de-.
base múltipla entre comportamentos em que cada comportamento selecionado pa-
['52 Inventário Portage
@!fitário Portage Operacionalizado 53
.' _"_',: __': ,,_ ,
,'ra treino seriairitroduzido em momentos diferentes para cadà No entan- Folha os Pais
to, as professoras apresentaram dificuldades em termos de falta de disponibilidade
de tempo para, à medida em que treinavam um determinado comportamento na
mediadora, obter linha-de-base dos próximos comportamentos a serem instalados.
Nesse sentido, seria conveniente que, no futuro, outros estudos se preocupassem
com o devido controle experimental do desempenho das mediadoras.
C) DURAÇÃO E TÉRMINO DO ESTUDO
oestudo teve aproximadamente um ano e meio de duração (72 semanas). Nas
primeiras 52 semanas, as visitas das professoras eram semanais; a partir de então,
começaram a ocorrer a cada quinze dias. Na 56 a semana, as professoras deram por
concluídos os trabalhos com as famílias, deixando uma lista de comportamentos que
deveriam ser treinados na ausência das professoras e dando instruções gerais de
como treinar tais comportamentos. Por volta da 6S a semana, as professoras retor-
naram às casas das famílias, para realizar observações de seguimento. Após o
seguimento, Cl, C2, C4 e C6 foram re-encaminhados, no sentido de continuarem a
ser atendidos pelO projeto "Famílias". Sendo assim, tais famílias passaram a ser
atendidas por alunos do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial, como
parte do estágio da disciplina "Treinamento de Pais de Excepcionais". C5 recebeu
"alta" do projeto, e a família de C3 optou por encerrar sua participação.
E) Instrumentos de medida
Foram coletadas múltiplas medidas avaliativas de todos os participantes do
estudo, a saber:
a) DESEMPENHO DA CRIANÇA
Foram utilizadas três medidas do comportamento da criança:
1) Desempenho quadrimestral no Inventário Operacionalizado do Guia Por-
tage de Educação Pré-Escolar
Esta coleta de dados foi realizada pela professora por meio de: a) observação
direta dos comportamentos da criança no ambiente natural e b) observação indire'
ta, em entrevista com o mediador, para comportamentos da criança em que a obser-
'54 Inventário Portage . Portage Operacionalizado 55
de AcolTlpa
te). Em ambos os casos a professora recebeu o Manual de Operacionalização do In-
de Treino Pree
ventário Portage, desenvolvido especialmente para as finalidades desta pesquisa.
Ao todo foram realizadas quatro observações quadrimestrais do desempenho --c-----'--'-'- Data de início:
de cada criança no Inventário Portage, e uma quinta avaliação a título de seguimen- Data de término:
to ("follow-up") três meses após o término do treino, para todas as crianças, eXce.
to C3, cuja família não se encontrava disponível para a última avaliação. Tais avalia-
ções quadrimestrais serviram como "sondagens" para efeito do delineamento de
múltipla sondagem previamente mencionado.
Foram feitas avaliações por um segundo observador (segunda autora) a título de
se calcular o grau de concordância das observações das professoras. Tais avaliações
cobriam apenas alguma parcela dos comportamentos observados por criança em cada
avaliação Quadrimestral. Foram avaliados em média 17,5% do total dos comportamen-
tos observados em cada avaliação, sendo que tal porcentagem variou de um mínimo
de 6,0% a um máximo de 38,3%. Oíndice de concordância obtido para todas as ava-
liações foi, em média, de 97,5%, sendo que este valor variou entre 87,4% e 100%.
2) Desempenho semanal em relação a comportamentos prescritos para treino
Utilizando observação direta, a professora anotava em uma folha-de-registro
o fato de a criança apresentar ou não o comportamento conforme definição prévia.
Isto era feito antes de se prescrever o treino para cada um dos comportamentos da
criança (medidas de linha-de-base) e após o treino (medidas de pós-linha-de-base)
a cada semana de treino. Sempre que a professora era acompanhada pela assisten-
te ou coordenadora do projeto, em suas visitas domiciliares, eram feitas observa-
ções para se estimar o grau de concordância entre observadores. Em relação aos
comportamentos prescritos para treino, a concordância verificada em todas as oca-
siões testadas foi igual a100%.
3. Desempenho quadrimestral em testes normativos
Odesempenho da criança foi avaliado em testes de inteligência e escalas de
desenvolvimento. Um aplicador independente, que desconhecia os objetivos do es-
tudo, e especialista na utilização de tais instrumentos (pSiCÓloga clínica) ficou en-
carregada de tal avaliação. Os instrumentos utilizados na testagem foram: Escala repertódo d.l criança rio !n't'enIArio C6diqo:
Bayley de Desenvolvimento Infantil (Bayley, 1969), Escala de Desenvolvimento de do reperlórlo da no ImenláríD Púrtage
S=
U,.
o (ompor!!menlo conforme li
apresenta 11 compcrlamenl0 a deflniçfuJ
Gesefl (Gesell e Amatruda, 1966), Teste de Inteligência de Stanford-Binet forma L-M A",lIlrmr.la
conforme definição
il:! LO, Embora lenha alil\9ido cri\1!ria
(Terman e Merril, 1975) e a Escala de Maturidade Mental Columbia (Burgemeister,
de Shearer e Shearer, 1972.
;5/) Inventário Portage Operacionalizado
Portage Operacionalizado 57
::{Blum e lorge, 1967). As avaliações da criança em tais testes foráiTI'conduzidas em realizados· no
uma clínica psicológica particular.
1: Alguns exemplos de comportamentos inadequados do professor'
b) DESEMPENHO DA MEDIADORA exemplos abaixo: por Que são ou não comportamentos inadequados? Qual sua opinião e
em relação aos exemplos?
foram utilizados três instrumentos para avaliar o desempenho da mediadora. fornar'se mais reforçador à criança do que o próprio mediador.
Interromper o treino do mediador (punindo·o) quando este estiver apresentando dificuldades,
.. a trabalhar com a criança.
1) Desempenho da mediadora no Inventário Comportamental de Pais (Boyd,
às atividades previamente planejadas e não aproveitar o que acontece no dia a dia para
5tauber e B/uma, 1977) :Heedback". J
foi observado pela professora, em três diferentes momentos do estudo: início, reforçadores tomestfveis e utilizá·los para trabalhar com a criança.
meio e fim.' respostas do mediador que dão "dicas" no sentido de que ele não está entendendo o pro-
A ausência de operacionalização introduziu grande variabilidade nos dados, de apenas materiais de treino "artificiais", ou seja, trazidos de fora.
modo que não foram realizadas observações independentes para se avaliar a fide· Prossl1guír trabalhando com a criança até que esta se torne muito cansada.
dignidade das observações. Desse modo, o Inventário de Pais foi útil apenas como Prescrever objetivos muito fáceis à criança.
ponto-de-partida para seleção de comportamentos da mediadora que deveriam ser discutir os assuntos com os mediadores em profundidade, subestimando-os.
instalados ou aperfeiçoados. 2: Táticas de Manutenção e Generalização das Habilidades Treinadas'
No decorrer do treino, o desempenho da mediadora foi observado como segue. táticas abaixo: Oque você entende por elas? Ouais você já empregou ou poderia empre-
Com base em uma análise prévia, a professora selecionava (muitas vezes com ajuda futuro?
da própria mediadora) comportamentos da mediadora para treino. Tais comporta· exemplos.
o local e as circunstâncias do treino.
mentos eram subseqüentemente definidos, sendo-lhes atribuído um critério final de mediador a ensinar outras pessoas (marido, parentes elc.), invertendo o papel de media-
desempenho. A professora observava a ocorrência ou não de tais comportamentos .. o de professor.
em cada tentativa, registrando o desempenho da mediadora. Em algumas ocasiões, outros membros da famnia como mediadores.
o comportamento da criança era simultaneamente registrado; por exemplo, com- Reforcar respostas de generalização e manutenção.
criar uma comunidade de reforçadores naturais.
portamento da mediadora: "elogiar a criança a cada tentativa de treino", e compor-
o mediador a dar "dicas" para seu próprio comportamento.
tamento da criança: "emitir respostas corretas a cada tentativa de treino". Ftnsmar a auto-observação.
gradualmente o grau de estruturação do treino para o mediador: mudar seu papel de pro-
2) Registro diário do desempenho da criança !Msor.para o de assessor.
gradualmente visitas.
Odesempenho da mediadora, como observadora, também podia ser avaliado,
as próximas visitas de assessoria contingentes à: I) descrição do problema em termos
fazendo-se uma análise do registro executado nas sessões diárias de treino da me- §nlpOrtamentais; 2) registrar dados de linha-de· base; 3) ter alguma noção de eventos anteceden-
diadora com a criança. Assim, esses registros foram posteriormente comparados
com os dados coletados semanalmente pela professora, para ver se apresentavam
3: Perguntas face ao fracasso de um treino"
a mesma tendência.
Tais atividades de registro variaram de acordo com a habilidade a ser treina- e responda a questão abaixo:
dados mostrarem que a criança está progredindo, você sorri e continua com o treino: se
da, número de tentativas previstas para treino, critérios e definições de respostas
'Embora tenha sido lraduzido para o português, este Inventário não foi operacionalizado tal como o da criança, R.D., Stauber. K.A. e Bruma, S. (19n) portaMiílrent lnstruc!or's Manual. Porlage. Wisconsin: Cooperative
ainda Que se reconheça Que esta teria sido urna medida útil. Servi" Agency 12. Ip_ 27-29).
(J9n) Pradical implications of an interadional model of chiJd development. 1971, 44. 6-14,
58 Inventário Portage OperacionaliZado 59
Portage Operacionalizado
uma a criança você franze a testa e diz:
portamento a ser treinado com a criança. nrab/ema". Mas, você franze a testa apenas por alguns segundos, porque este tipo de sólu-
problema é um dos desafios mais criativos do ensino. Tal desafio envolve pesquisar
de se estruturar algum ou alguns dos comportamentos do ensino...; ou seja, a
3) Entrevista com a mediadora
do material (tarefa apresentada), a resposta eXigida, o método de facilitação das respos-
Foi realizada uma entrevista com cada uma das mediadoras para auxiliar a es- " 'C()nseqüências dessas respostas.
tabelecer a validação social do estudo. As entrevistas foram realizadas no decorrer
do projeto, transcorridos cerca de oito meses de treino para MI, M2 e M3 e quatro Íl relação à tarefa a ser aprendida, deve-se perguntar: "Orientei a criança para a tarefa
meses de treino para M4, MS e M6. fáceis de serem entendidas"? "Será que eu mal interpretei os resultados da avalia-
As entrevistas foram feitas nas casas das famílias, sendo que a professora A e comecei por um nível muito difícil ou muito fácil?"
relação à resposta exigida pela tarefa, pode-se perguntar: "Será que eu exigi um grau
entrevistou as mediadoras atuando sob supervisão da professora B e vice-versa. que a criança ainda não tenha desenvolvido? Será que levei em consideração as forças
Veja a seguir um exemplar do roteiro utilizado para tais entrevistas na página 91. 'cômportamentos competitivos de fuga e esquiva? Exigi comportamentos motores e/ou verbais
As entrevistas eram constituídas por questões abertas e fechadas. A cada ainda não apresentasse em seu repertório? Será que devo trabalhar alguns desses
questão aberta, era solicitado à mediadora que assinalasse a alternativa que me- !poftarnentos antes de prosseguir com quaisquer outras habilidades curriculares?
lhor expressasse aquilo que ela havia acabado de dizer. relação ao método de facilitação de respostas, as questões podem ser: "Será que dei
Pretendia-se realizar uma segunda entrevista com todas as famílias, quatro ajuda suficientes à criança? Avaliei adequadamente as forças da aprendizagem antes de
Prossegui muito rapidamente?
meses após o estudo, como seguimento; mas, por questões operacionais, isso só foi
relação às conseqüências da resposta, poderia ser perguntado: "Os reforçadores eram
possível para uma das mediadoras (MS). ifiCativos à criança? Foram aplicados apropriadamente? Será que dei poucos reforçadores dema-
tarde, ou muitos reforçadores por um período muito longo? Será que eu emparelhei re-
c) DESEMPENHO DA PROFESSORA que deveriam ser desenvolvidos com reforçadores significativos".
pode atribuir falhas do programa, segundo esse ponto de vista, a traços hipotéticos
Em relação ao desempenho da professora, foram também utilizadas três medi- teimoso que prefere me arreliar do que aprender"). Tampouco pode'se atribuir o fracas-
das diferentes. torograma a limites hipotéticos da taxa de aprendizagem. Ou seja, não se pode citar escores de
. inteligência como indicadores de futuros limites de progresso ou de taxas de aprendiza-
1) Desempenho semanal quanto à elaboração de instruções para a mediadora acordo com o raciocínio de Bijou, procure levantar o maior número possível de questões
A professora redigia uma folha-de-instruções para cada comportamento a ser Irem/eitas ante o fracasso de uma determinada programação. Lembre-se de que a sua situação
ensinado pela mediadora, contendo explicações o que e como ensinar. Foi ela- é muito mais complexa, poiS você não trabalha diretamente com a criança, mas sim com
borado um instrumento para avaliar tais instruções, contendo 25 itens para exami-
nar como eram seus objetivos, procedimentos e aspectos gerais.
Em relação ao objetivo contido em cada instrução, procurava-se avaliar se sua
escolha era relevante, se era adequado ao repertório da criança e se sua redação
estava adequada. Quanto ao último item, tentava-se verificar se a redação do obje-
tivo identificava adequadamente o sujeito da ação, se especificava um comporta-
mento observável. se identificava as condições e o critério de desempenho e, final-
mente, se evitava apresentar palavras desnecessárias.
Quanto à descrição do procedimento de instrução, procurava-se avaliar se ha-
viam sido identificados tanto o local do treino quanto o material a ser utilizado e a
.I
6Q Inventário Portage Operacionalizado
Portage Operacionalizado 61
INSTRUÇÕES PAIU DOMICILIARES'
contingências, tanto para os acertos da criança (selecionando reforçadores apropri-
ados e variados) quanto para os erros (tendo que para isso verificar se haviam sido instruções" (modelo de folha de instrução em anexo)
selecionados técnica de ensino apropriada, grau de ajuda física bem como proposta
de evanecimento adequados). Finalmente, quanto ao registro, verificava-se se havia do treino: descreve o desempenho que se está ensinando ao aluno. Deve estar descrito
de comportamento observável, expressar a resposta de quem aprende, as condições ole-
sido proposta uma forma adequada e simples e se os dados coletados, tanto pela pro-
critério de aprendizagem. Uma forma de escrever objetivos é: QUEM? FARÁ OQUE? EM
fessora quanto pela mediadora, haviam sido sistematizados em gráficos. (Esses dois PCONDlÇÕES? COM QUE GRAU DE ACERTO?
últimos itens só poderiam ser observados após a visita domiciliar).
Com relação aos aspectos gerais da instrução, era observado se: apresentava ÊM:'nome da criança que realizará a atividade.
informações suficientes e coerentes para o treino, evitava informações desneces- assinala a resposta oli o desempenho que se espera que a criança faça. Tais respostas
sariamente longas, apresentava vocabulário adequado ao nível instrucional da me- são ações, como por exemplo: correr, saltar, dizer, mostrar, nomear, recortar etc.
o uso de termos imprecisos e vagos, por exemplo, aprender, saber, cooperar e outros.
diadora, apresentava linguagem informal e não "fria" ou distante e se sua apresen-
á enfiar uma conta em um cordão ...
tação geral era adequada e completa. A partir da página 95 encontra-se um exem- "ôlJE'CONDIÇÕES: indica o tipo e a quantidade de ajuda ou as circunstâncias sob as quais a crian-
plar do roteiro de avaliação das instruções, definições operacionais de cada um dos a resposta. Trata-se de instruções ou ajuda que o adulto dará à criança para que esta rea-
itens contidos no instrumento bem como modelo fictício de instrução "bem elabo- "âatividade. Exemplos de condições para se realizar uma tarefa pode ser: imitando o adulto, sem
rada" fornecido às professoras. com ajuda f(sica parcial etc. Aqui devem se especificar as condições nas quais
A cada item do instrumento, poderiam ser atribuídoS,três valores: zero (para realizará o desempenho ao final do períOdO de ensino. Estas condições não devem ser con-
a ajuda dada durante o treino, ou seja, com o procedimento de correção.
quando determinado item se encontrava ausente), 1,0 (quando se encontrava pre-
enfiar uma conta em um cordão sem ajuda ...
sente mas de forma inadequada) e 2,0 (para itens adequadOS presentes). Ouando, . .. GRAU DE ACERTO: descreve o número de vezes que a criança deve realizar o desempenho
por qualquer razão, um determinado item não dizia respeito a uma dada instrução, 'étamente ou o tempo que deve permanecer na tarefa. Dito de outra forma, trata-se de assegu-
era assinalada a categoria N.A. (não se aplica). Portanto, o máximo de pontos que com que a criança deve realizar a tarefa para alcançar o critério. Ao estabelecer o crité-
a professora poderia obter neste instrumento era igual a 50. Avaliações das instru- ".é.lmportante usar de bom senso. Por exemplo, critério para aprendizagem de atravessar a rua é
ções escritas da professora foram feitas no decorrer de todo o estudo, pela assis- do critério de contar itens. Deve-se assegurar, via critério, que o aluno aprendeu o desem-
um critério de 50% de acerto em uma atividade pode não garantir aprendizagem. Há uma
tente do projeto (segunda autora). Uma amostra das instruções elaboradas (uma
o entre o estabelecimento de condições e de critérios: é melhor colocar maior ajuda nas con-
para cada mediadora por fase de estudo) foi reavaliada pela coordenadora do estu- .. ter critérios mais rígidos.
do para fins de análise de concordância inter-observadores, sendo o índice médio deverá enfiar uma conta em um cordão sem ajUda acertando 3 de 4 tentativas.
igual a 94,6% (variando de 89,7% a 100%). '
DE OBJETIVOS CLARAMENTE DEFINIDOS:
Z) Observação do desempenho da professora ao realizar treinos domiciliares deverá apontar o objeto vermelho ou o azul, quando lhe for solicitado, acertando 5 de 5 ten-
- Observação da utilização da seqüência de passos do procedimento de trei- para cada cor,
deverá beber de uma xícara sem engasgar ou projetar a língua, /O vezes em 10 tentativas,
no domiciliar
um adulto estiver segurando a xfcara.
Ouando a professora começou a apresentar um desempenho estável quanto à
elaboração de instruções, a coordenação do projeto passou a realizar observações
ol.hn'ado por Ana Lúcia Rossito Aiello para uso interno da disciplina: 'Treinamento domiciliar de familiares
de seu desempenho durante as visitas domiciliares a cada família (isto ocorreu por especiais" do curso de graduação em Psicologia da UFSCar. junho de 1996.
volta do quarto mês de trabalho). Cada observação durava cerca de uma hora, ou elaboradas tendo como base o texto "Como planear las metas dei programa de .studios" de Bluma,
seja, a duração de uma visita de treino. As famílias foram avisadas que o observa- "",>"earer, M.S.; Frohman. A.H, & Hilliard. J.M. (1976) Guia Portaoe de Educación Preescolar: manual. V/iscosin:
opera tive Educational Service Agency 12, p. 31·50.
.I t62 Inventário Portage OperacionillizâdCl 63
Portage Operacionalizado
no processo de treino, atuando de forma passiva. Oobjetivo de tais observações era
constatar em que medida a professora seguia a seqüência de passos descrita na Fi- empilhará 5 blocos imitando um adulto e acertando 5 de 6 tentativas.
gura 1e qual o grau de adequação com que tais etapas eram realizadas. Apresenta- deverá aboloar botões grandes depois que um adulto encaixar 1/4 deste bolão na casa,
tortas as tentativas.
mos um exemplar da folha-de-registro utilizada como roteiro de observação para
tais fins bem como as definições operacionais para os comportamentos da profes- para praticar! Escreva nas linhas abaixo alguns objetivos e em seguida verifique se estão
sora ao realizar a visita a partir da página 109. as especificações descritas acima.
A folha de registro prevê 20 possíveis itens a serem observados que constitu-
em, basicamente, os passos anteriormente descritos na Figura 1. Nesse sentido, era
observado como havia sido o contato inicial da professora com a famnia, como a
professora havia introduzido a questão dos treinos, se havia analisado as razões pe-
las quais determinados treinos não haviam sido feitos, se havia coletado dados de
pós-linha-de-base (da criança e mediadora), se havia elaborado gráficos, analisado
os resultados, feito as reformulações necessárias nos treinos não bem sucedidos, DE OBJETIVOS INCORRETAMENTE DEFINIDOS:
recolhido as folhas de instruções, dado instruções orais para novos treinos, coleta- identificar o objeto vermelho dado um modelo inicial e acertando 5 de 5 tentativas. A
do Iinha-de-base dos próximos comportamentos a serem treinados, fornecido mo- identificar é ambígua. Para torná-lo um objetivo mais preciso a palavra identificar deveria
delo de como treinar as habilidades novas na criança, solicitado à mediadora a exer- por "assinalar" ou "nomear".
instruções, quando lhe forem dadas, imediatamente ou mais tarde acertando em
citar o treino, fornecido" feedbac/(' sobre a atuação da mediadora e decidido, em Imediatamente ou mais tarde são expressões que não especificam as condições.
conjunto com a mediadora, que comportamentos prescrever para as semanas sub- ......... / . de 10 segundos" ou "até a segunda vez que se solicita" especifica um critério pa-
seqüentes. 'comDortamento desejado e torna fácil comprovar se Maria atingiu ou não o objetivo.
Eram atribuídos pontos, para posterior "feedbac/(' à professora, de maneira 1,50 msem ajuda em 5 de 10 tentativas. Cinco em 10 tentativas é um critério muito
semelhante à atribuição de pontos relativa às instruções. Assim sendo, o valor zero deacerto)_ Para que o objetivo seja mais adequado deve-se modificar a distância para
era atribuído quando a professora não apresentava um dos passos do treino, 1.0 re- 1.20 m(condições) e o critério para 9 de 10 tentativas.
feria-se à apresentação de um dos passos, porém com incorreções, e 2.0, à apre-
praticar! Identifique, nos objetivos abaixo, quais estão incorretos e por que. Reescreva
sentação adequada do passo. Ouando o item não dizia respeito (por exemplo, não ;Ôpjetivos incorretos de forma a torná-los corretos.
foi preciso analisar a razão pela qual determinados treinos não foram feitos, uma ficar sentado na cadeira sem reclamar por meia hora.
vez que a mediadora havia conseguido realizar todos os treinos) era assinalado N.A.
Foram realizadas, ao todo, 33 sessões diferentes de observação da atuação da
professora realizando treino domiciliar, sendo 20 sessões relativas à atuação da
Professora A (seis sessões na casa de M1 e M6 e oito na casa de M2) e 13 sessões deverá saber o que dizer toda vez que encontrar sua avó sem precisar mandar.
relativas à atuação da Professora B (três sessões para M3 e M4 e sete sessões pa-
ra MS). Tais sessões de observação ocorreram no 60 , 7°, 12° e 13° mês do projeto.
Em cinco das 33 sessões (15,1%) foram realizadas observações adicionais para contará de memória de 1a50 quando solicitado e acertando 3 de 4 tentativas.
se estimar a concordância entre observadores, sendo realizada uma observação em
casa de cada família, exceto para a família 3. Oíndice médio de concordância obti-
do foi de 71,42% (variando entre 60,0% e 85,0%).
, 64
. Inventário Portage Operacionalizado Portage Operacionalizado 65
-Observação do desempenho descrição
Durante as sessões de observação nas casas das fammas, notou-se que as pro- !serárealizado o desempenho,'oÍl1aiériill aser utilizado, a posição emque a criança esta"
fessoras ocasionalmente davam instruções orais às mediadoras, sendo que certos ,rucões que a mãe dará e o que ela (mãe) deverá fazer se a criança realizar o desempenho
aspectos importantes da programação estavam sendo omitidos_ Em função disso, positivo) e o que ela deverá fazer se a criança errar ou se recusar a fazer o desem-
procedimento de correção normalmente envolvendo níveis de ajuda). Neste tópico deverá es-
procurou-se estabelecer um sistema de observação do desempenho da professora
a. forma de registro das respostas corretas e incorretas.
ao transmitir instruções orais às mediadoras. Elaborou-se, para tal fim, uma folha- re.propor instruções simples que sejam lembretes de como agir.
de-registro (ver página 117), na qual a assistente ou a coordenadora do projeto ano- .. devem refletir um ensino positivo e, portanto, evitar o uso de "não" e procedimentos
tava à medida em que a professora dava instruções orais, se um determinado item
da programação havia ou não sido verbalizado pela professora (por exemplo, se a i'ôdirllmento de correção para a resposta errada deve-se ajudar a criança a encontrar a respos-
professora fez ou não referência a qual seria o critério de aprendizagem envolvido). fornecê-Ia de imediato após o erro.
Afolha de registro em questão envolvia 14 diferentes itens relativos à apresen- recomendações: deve-se reforçar ou corrigir logo após a emissão da resposta da crian-
dar tempo suficiente para que a criança responda (um procedimento para isto
tação das instruções envolvendo: a) se a professora se utilizou ou não da instrução . . voz baixa até o número de segundos desejados. Por exemplo, se o tempo de espera pela
escrita ao dar instruções orais; b) se ao descrever o objetivo do treino a professo- ·'rde 10 segundos pode-se contar 1000. 2000, 3000, 4000... 10000. Esta contagem se
ra fazia menção ao comportamento com respectivas condições e critérios de de- de 10 segundos).
sempenho, bem como se relacionava o desempenho da criança em linha-de-base
com o critério final esperado; c) se ao descrever o procedimento identificava local,
material, freqüência de sessões, contingências para acertos e erros e forma de re-
criticou intervenções comportamentais com famílias de crianças com deficiências,
gistro; e d) quanto a aspectos gerais, se o vocabulário apresentado era adequado à
"'.'. "WW tais métodos podem ser insensíveis à quantidade de estresse colocado na famOia ou
mediadora, se foram apresentadas informações suficientes para o treino e, final- .. Em outras palavras, pode-se estar impondo mais tarefas a pais já sobrecarregados com os
mente, se a professora havia se certificado de que a mediadora entendera as ins- do dia a dia, quando se solicita a eles que realizem treinos de habilidades com seus filhos
truções. Tais itens não precisaram ser operacionalizados, uma vez que eram bastan- Entretanto, o terapeuta deve ter bom senso sobre as eXigências que faz junto aos pais,
te semelhantes aos apresentados no instrumento relativo à elaboração de instru- de estresse este ou aquele tipo de envolvimento dos pais acarretará a eles e per-
ções escritas. Como nos instrumentos anteriormente usados com as professoras, "I"'
.4"" escolham o Quanto e de que forma desejam participar da intervenção. Convém lem-
eram atribuídos a tais itens zero, 1.0 ou 2.0 pontos, referentes respectivamente ao que, independente da severidade da deficiência, esta será para toda a vida da criança
pais sejam capazes de produzir formas adequadas de manejo, nenhuma intervenção
fato de a professora não ter feito menção ao item, tê-lo feito de modo inadequado
ou adequado. Sendo assim, o total máximo de pontos que a professora poderia ob- (1987)' realizaram um estudo com pais de crianças com deficiências para avaliar
ter, caso todos os itens fossem mencionados adequadamente, era igual a 28 pontos. pércepções sobre o treinamento domiciliar. Muitos pais apresentaram opiniões favoráveis ao
Um episódio de observação era constituído por aquela etapa do treino domici- de treino domiciliar, mas apontaram que apenas o treino não era suficiente; o treino de-
liar, em que a professora relatava oralmente à mediadora que comportamento seria de ajudas práticas efetivas no sentidode avaliar os problemas. Os pais rela-
instalado na criança e por meio de qual procedimento, sendo que cada episódio de as visitas dos psicólogos eram bem vindas e não as sentiram como invasivas. Os resul-
muitos pais podem avaliar os programas de intervenção domiciliar como intrusivos e
observação era equivalente a uma instrução escrita para um determinado compor-
termos de tarefas parece estar relacionado com alguns cuidados Que se deve consi-
tamento, tendo sido tal instrução previamente elaborada pela professora. emoreoar estes tipos de treinamento. Para estes pais o treino domiciliar foi menos intru-
Com base neste procedimento, foram observados 28 episódios de instruções
orais da Professora A (PA), sendo 12 episódios para M2 (também em três semanas
diferentes) e cinco episódios para M6 (em duas sessões distintas). Em relação à Pro· (1979) Pallerns of parlnership belween parenls and professionals. Teaching and-.Im[!lÍ[!Q. 17, 111-116.
fessora B (PB), foram observados oito episódios, sendo três a M3 (em apenas uma &Rutter, M. (1987). Parenls' view on lhe Irealmenl programme, Em Trealmenl of autistic cj1i1dren. Capo
.. Toronlo: Jofln Wiley &Sons.
66. Inventário Portage Operacionalizado Portage Operacionalizado 67
iemanas dife- gastaram breves períôdosilÍ!.tempÓpôÍ'diàem interação intensiva
rentes). Não foi possível realizar observações de instrução oral de PB à M4, pois, o dia todo;
nas respectivas visitas do observador, a criança ou a mediadora encontravam-se ·;;íérvenção começou concentrando nos problemas de maior interesse para os pais;
doentes, e as sessões não foram realizadas. ";ngramas foram montados com a participação dos pais e estavam integrados na rotina da
Foram realizadas observações conjuntas por dois dos pesquisadores (assis- programas também não impuseram restrições à vida familiar;
tente e coordenadora), para se estimar o grau de concordância inter-observadores não se concentravam só nos problemas da criança, mas também reconheciam as
da famOla como um todo;
para uma sessão de treino da Professora Ba M2, em que foram observados três di-
ajudavam a resolver problemas apresentados na escola, orientavam quanto a
ferentes episódios de instrução. Oíndice médio de concordância alcançado foi de babv·sitlers e outros, arranjavam períodos de "folga" para a mãe e os familiares, enco-
90,1% (havendo uma variação de 87,0% a 95,0%). a gastar tempo com a criança não deficiente e propunham atividades recreacionais
;benefício da famnia.
3) Entrevistas com as professoras ttooclusões do estudo de Howlin e Rutler indicam Que intervenção domiciliar foi aceita pelos
Foram realizadas duas entrevistas com as professoras, no decorrer do estudo, eles não a acharam intrusiva ou cansativa e eles apreciaram os apoios específicos sobre
para avaliar suas opiniões e impressões sobre o projeto. A primeira entrevista foi comportamento. Entretanto, ficou claro que os efeitos da intervenção não foram tão ex-
duradouros como se supunham. Alguns pais do programa de intervenção não generali-
realizada no término da primeira metade do projeto (transcorridos cerca de sete técnicas aprendidas para novos problemas, mostrando Que, se generalização é um resulta-
meses de treino), sendo a segunda realizada no seu final. A primeira entrevista foi !soerado, ela deve ser treinada.
conduzida por um pesquisador não participante do projeto e foi gravada. A segun-
da entrevista foi conduzida sem gravador pela assistente do projeto e, neste senti-
do, as próprias professoras redigiram as respostas, sumarizando suas opiniões. O
roteiro de entrevista era composto por dez questões abertas (ver página 119). domiciliar fornece opor/unidade para avaliar a extensão e tipo de problemas que a famí-
1.'enf(imta e suas formas de lidar e se relacionar com a criança. Propicia também a formação de
F) Resultados e Discussão
ia aliança inicial com a famma. Freqüentemente a informaçãoobtida na famma difere qualitativa-
da informação obtida na escola ou na c/fnica. Por exemplo, a famma rela/a problemas mais
e mais conflitos do 'que o observador pode de fato avaliar. Por outro lado, freqüentemen-
a) BENEFíCIOS DO PROJETO PARA AS CRIANÇAS desenvolve alguns métodos eficazes de trabalho com a criança que podem ser aprendi-
observadores. A visita domiciliar também é um momento para se determinar que proble-
1) Comportamentos ensinados às crianças :particulares a famma apresenta e que não estão relacionados aos cuidados da criança. {impor-
comparações entre comportamentos da criança em casa e na escola. Parece ser mais
Ilustraremos os dados do treino com as crianças na Tabela 2, na página 72.
a ajuda dos familiares nos programas da criança e demonstrar gradualmente quan-
Para dinamizar a leitura, mostraremos apenas os dados de uma criança como exem- irnnfrole eles possuem sobre os comportamentos da criança. Ouando for possível discutir dife-
plo. Informações completas e detalhadas sobre o desempenho de todas as crianças entre o comportamento da criança em casa e na escola, é útil focalizar nas habilidades ób·
podem ser encontradas em Williams (1983). Lê-se a Tabela 2 da seguinte maneira: da criança para discriminar as contingências que ocorrem em cada ambiente e a flexibilidade
o código existente na coluna referente a comportamentos diz respeito à identifica- repertório comportamental.
ção destes pelo Inventário Portage Operacionalizado. Sendo assim, como pOde ser observar interações da criança com os pais e os irmãos na casa, é útil colocar alguma es/ru-
visto na Tabela 2, EI-20 significa o 20 0 comportamento listado em estimulação in- os familiares. A estrutura ambiental será útil em reduzir interferência de eventos incom-
tais como TV, telefone, refeições, visitas e assegurar que se obtenha uma amostra confiá-
fantil, e2, o segundo comportamento da área de cognição, DM1, o primeiro compor-
da interação. {muito comum a {amma representar ou apresentar os melhores comportamentos
tamento de desenvolvimento motor, e assim por diante. Quando um determinado _. demonstrar os processos t(picos de interação. A estrutura mais freqüente é limitar a famí-
comportamento não for seguido por um código numerado, significa que não foi reti- dois cômodos, restringir interferências de eventos competitivos, manter a criança sob super-
rado do Inventário Portage Operacionalizado. Nesses casos, procurou-se identificar (e não no seu quarto) e ter questões especfficas à mão para que a famfiia responda individual-
:,68 ' Inventário Portage Operacionalizado
i'êritário Portage Operacionalizado 69
-_ ...•.. _--, como porêxemplo sugestoes
fisioterapeuta para o comportamento 37 da Tabela 2_ observações de a entrevista. As vezes é útil
. visita domiciliar a fim de obtú inâis informações: por exemplo, enquanto uma pessoa
Lêem-se os resultados da Tabela 2 da seguinte maneira: 51 refere-se à primei- faml1ia a outra pode observar as interações. Posteriormente as observações podem
ra sondagem (ou avaliação Quadrimestral), realizada antes de o treino ter início. Na Ílpilradas, complementadas e, portanto, enriquecidas.
primeira semana de treino, a professora coletou dados de Iinha-de-base dos três terceira ou quarta semana, o experimentador começa a intervenção selecionan-
primeiros comportamentos (El-20, C2 e DM!), constatando que a criança não os tomportamentos-alvo. fies determinam que procedimentos serão eficazes para certos com-
apresentava em seu repertório (N)_ Convém lembrar que o procedimento envolvia a e testa os efeitos de vários reforçadores, incluindo elogio, comida, interações táteis e
obtenção de um dado Quantitativo por parte da professora em termos de um deter- efeitos de eventos negativos também devem ser testados Incluindo repreensão verbal,
minado número de tentativas corretas, de acordo com um critério preViamente es- atenção e perda de objetos e comida. São coletados dados em cada intervenção e incluí-
,;. ,,,laMrio de avaliação da
tabelecido. No entanto, como foram treinados diversos comportamentos por crian-
ça, optou-se, para uma melhor visualização, utilizar na Tabela 2 o sistema de ano- \formação aos pais
tação de N. A e 5, ao invés da quantificação de tais dados: Nsignifica que a criança
não apresentou o comportamento conforme definição, A significa Que a criança lié crianças com deficiências, independente do grau de severidade da deficiência, recebem
apresentou progressos em relação à Iinha-de-base, embora não tenha atingido cri- quantidade de informações de diferentes profissionais, muitas vezes incorretas, confusas
tério conforme definição, e 5, que a criança apresentou o comportamento confor- âôhtraditórias. Eles também são expostos a uma grande quantidade de informações e nomes técni-
me definição. raramente lhe são explicados levando à incompreensão dos mesmos. Eles podem ter vivido
embaraçosas ta,is como terem sido solicitados a se retirarem de restaurante devido aos
Sendo assim, a professora ensinou a mediadora a treinar os três primeiros Iportamentos inadequados de seu filho. Estas situações podem ter efeitos desastrosos e impedir,
comportamentos e, transcorrida uma semana, ao retornar, a professora constatou ;exelTlplo que os pais tenham atividades de lazer fora da famflia. Os pais também podem ter sido
que houve progressos ou uma aproximação (A) em relação ao objetivo terminal a crenças popUlares tais como as que os responsabilizam pelos prOblemas da criança (por
quanto aos três comportamentos, embora não tivessem atingido os critérios de de que o filho é autista porque a mãe o rejeitou e manteve um relacionamento "frio", de não
aprendizagem previamente estipulados. Na terceira semana, a professora constatou íilrllvimento com a criança durante os primeiros meses de vida) ou que os responsabilizam pelos
tamentos inadequados ou ausentes de seu filho. Eles podem atribuir os fracassos de seu filho
Que os três comportamentos haviam sido aprendidos (5). Além disso, coletou dados
próprios comportamentos e se desmotivar a treiná-lO em adquirir habilidades.
acerca dos comportamentos 4, 5 e 6 (respectivamente, EI-22, EH2 e E1-19) e, tendo , interações durante as visitas domiciliares devem propiciar condições para que tais situações
verificado que a criança não os apresentava (N), prescreveu-os para treino. Esse ncolocadas pelos pais e discutidas, analisadas e, se possível, elucidadas. Oprofissional deve
procedimento foi repetido nas semanas subseqüentes. informações simples, em linguagem acessível e com exemplos da própria criança que aju-
Sempre que assim desejasse, a professora certificava-se de que os comporta- pais a compreender a questão discutida. Informações sobre o desenvolvimento da criança,
mentos treinados haviam se mantido, o que ocorreu ria oitava semana. Esta verifi- Jashabilidades e a discussão sobre apropriados níveis de expectativas por parte dos pais em rela-
criança e de pesquisas recentes na área são fundamentais de se considerar. Também de fun-
cação era feita informalmente, durante as próprias sessões de treino, e era diferen-
importância para a Qualidade da interação pais/profissionais é o respeito destes para com
te de uma sondagem (tal como S2 ocorrida entre a 11 a e 12a semanas de treino), em íS: famflias e sua habilidade para comunicar-se com elas.
que os treinos eram suspensos e a criança era avaliada em relação a todos os itens Hanson e Lynch" (1989) os seguintes aspectos devem ser considerados ao se trabalhar com
do Inventário Portage Operacionalizado. As demais sondagens ocorreram entre a a fim de se garantir um bom relacionamento:
a a
24 e 25 semana de treino (53), ao final dos treinos (S4) e três meses após o tér- Ver os pais como pais e não como pais de crianças com deficiências; vê-los como pais que pos-
mino dos treinos (S5). Atabela permite, portanto, visualizar o procedimento de múl-
tiplas sondagens, utilizado como delineamento experimental do estudo. Verifique P. (1991). Behavior assessmenl procedures for lhe evalvation 01 children with autismo Em G. Groden &M.G.
os locais sombreados na Tabela 2: referem-se aos resultados do treino logo após a Autism: slralegies for change. Acomprehensive approach lo lhe education and Ireatmenl 01 children
linha-de-base. ,'Wlln aUllsm and relaled disorders. New York. Gardner Press. capo 2. p.36-37.
'-.. lson. M.J. & lynch. E.W. (1989). Strategies for working with families. Em: Early infervenfion: Implementinq c/Jild
fami/y services for infanfs and foddlers who are al'risk or disablcrl. Texas: Pro-Ed. capo 8. p. 258-260.
70
Inventário Portage Operacioflªlizª<Ícf ii:>nfario Portage Operacionalizado 71
:ll1eSmOS interesses, de. outros
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
52
12 13 14 15 16 l7 18 19 20 21 22 23 24 Especificação e
e respeitar os estilosdiferelÍtesde vida, cultura, necessidades interesses:
S4 55
Seguir objeto cl o ouça o que a famOia tem a dizer_ Não rotule_ Procure entender e tolerar.
Proturar objeto re ,ortunidades para a famma se inserir em todos os aspectos do programa de intervenção.
Alcançar objeto à
frente (I) sempre que a famflia é um sistema em interação constante. Alterações em uma relação
4 [1-22 Seguir luz com [) Olhar
Olhar em direção a
afetam as outras relações.
5 EH2
6 EJ-19 Movimentar braças para acomodar as mudanças de necessidades da famma_
7 Er-23 Seguir som vírando
os pais a se sentirem competentes na educação de seus filhos
cabeça
a OM5 Colocar objeto na um ambiente aberto à discussão_
9 C1 Remover parlO do
10 EI-8 Movimentar cabeça
quando em prano
11 OM1 Alcançar objetos (2)
12 0'15 Colocar objetos na boca!2)
13 cr Remover pano do rosto!?)
14 DM2 Apanhílr objeto (1)
15 C6 Balançar um biinQuedo
16 EHI Virar cabeça para a
colher
11 E1-I5 Responder â voz de
adulto
18 OM-8 Tocar/explorar objelos
com a boca {l)
19 Er-40 Abrir boca ao ver
colher de comida
20 EH3 Olhar para pessoa
fala ou se movimenta
21 [I-li Sorrir
22 fi-3D Erguer il cabeça em
prono (I)
23 DMi5 Virar a cabeça Quando o
corpo estiver apoiado (I)
24 [1-34 Emitir sons quturais
satisfei]o
qUil(l(]O
25 11-37 Segurar Objeto (J)
26 OMIO Virar quandO em prano (1)
27 s-r5 Apresel'Jar contato
visual
28 S-17 VocaJízar para obter
29 l-5 Interromper atividade
ao ouvir não
30 S-7 Sorrir e vocalizar
frente ao espelho
3r 01.110 Virar Quando em
prono (2)
32 S-14 Drineür sozInho
33 EH6 Manter cabeça erguida
no colo
34 0'114 Tentar scnlar seguriludo
dedos de adultos (i)
35 l-I Repetir "a (1)
H
36 mo Manter a cabeça erguida
Quando em prono {2l
37 FI510 Pãssar mão aberta
sobre brinquedos (1l
38 F1SIO Sentar como buda
Cód\l)O: S ;: aprmn[olJ o o comportamento conforme d definição: A" apresentou
progressos em rela;ão Unha-df-base, embora não tenha conforme deflfliçao; I treino interrompido
In Inventário Portage Operacionaliiadtl. (Venfário Portage OperaCionalizado 73
seria passível verificar que foram prescritos 92 comportamentos para o treino de
C1, ao longo do estudo.
Ao se estabelecer, no início do estudo, as prioridades de treino para a criança
1, constatou-se que a criança apresentava uma grande defasagem em todas as
áreas. Sendo assim, optou-se por dar prioridade, inicialmente, à área de estimula.
ção infantil, uma vez que, por apresentar comportamentos de um bebê de quatro
Professor: Criança: __=======
meses, era pré-requisito às demais áreas.
Analisando-se os dados contidos na Tabela 2, verifica-se que a maior porcenta-
gem de comportamentos prescritos para C1 estava na área de estimulação infantil
(29,3%). Vinte e três por cento dos comportamentos treinados não foram deriva-
dos do Inventário Portage Operacionalizado, sendo em sua grande maioria sugeri-
dos por um fiSioterapeuta (envolvendo, portanto, área motora), que deu assessoria
ao trabalho (procedimentos retirados de Finnie, 1980). Em seguida, 21,7% dos com- + · + - + - + -I+
I
-
--
portamentos eram de desenvolvimento motor, 9,7% de cognição, 8,6% de sociali- + - + - + - + -i + -
zação, 6,5% de linguagem e apenas 1,0% de autocuidados.
-
+ · + - + - + -I + .
Acriança 1aprendeu 94,5% dos comportamentos prescritos para treino, sendo que + - + - + - + -1+ -
..
um pouco mais da metade desses comportamentos (54,4%) foi aprendida no prazo de
aproximada do registro: _ _ __ + · + - + - + -I + -
uma semana, tal como prescrito pelo Sistema Portage. Os demais comportamentos
derespostas apropriadas: ______
foram aprendidos dentro de duas ou três semanas. Apenas 5,4% dos comportamentos
não foram aprendidos, sendo o treino interrompido. Amaioria dos comportamentos não
aprendidos era da área de linguagem. Quatro dos comportamentos prescritos não pre-
cisaram ser treinados, pois a criança já os apresentava em linha-de-base.
Ofato de haver uma alteração sistemática no desempenho da criança após ca-
da intervenção (cada semana de treino) parece ser um forte indício de que o siste-
ma de treinamento utilizado foi bastante eficaz para CI.
Uma forma diferente de visualizar os dados das seis crianças encontra-se na
Figura 2, que representa as curvas de aquisição das crianças em termos da porcen-
tagem acumulada de comportamentos prescritos, que foram aprendidos ao longo
das 56 semanas de treino do programa (agrupadas em blocos de quatro semanas).
Convém lembrar que Cl, C2 e C3 iniciaram o treino cerca de 16 semanas antes de C4,
C5 e C6. A Figura 2apresenta os dados de C2 somente a partir da 12 B semana pois,
até então, a Mediadora 2 estava recebendo orientação da Professora C, que deixou
de participar do estudo.
A Figura 2 ilustra que C1, e2, C5 e C6 tiveram uma aquisição constante no pro-
grama, tendo por volta de 100% de acertos por semana. Além disso, C5 e C6 con-
'74
Inventário Portage
Portage Operacionalizado 75
belecido de uma semana, já que as curvas caminharam paralelamente e muito pró-
ximas. Em contrapartida, C3 e C4 tiveram um desempenho bastante irregular (em
algumas semanas mais acelerado, em outras menos), mas no total, abaixo de 100% Que se dá a uma enfermidade, mais freqüente em crianças e caracterizando'se por
e líquidas com maior freqüência que o normal.
de comportamentos adquiridos entre os prescritos. Nota-se que a Professora Ateve
causadores: geralmente tem duas causas:
uma certa dificuldade em prescrever treinos viáveis de aquisição em uma semana, de higiene, alimentos estragados e mal preparados e água contaminada.
haja vista o desempenho de el e ez em termos de objetivos prescritos que foram itinicróbios, parasitas intestinais e vírus.
aprendidos em uma semana (curva pontilhada). Nota-se, em relação a el, que a A criança tem uma perda de suas atividades normais, perda de apetite, olheira, perda
Professora A, nas primeiras semanas do programa, quase não conseguiu ensinar a com rapidez, a respiração e batidas do coração são mais rápidas, urina com menos freqüên'
mediadora a obter sucesso dentro do prazo de uma semana; contudo, a partir da o faz é em pouca quantidade, podendo apresentar febre e vômito.
zoa semana, este prazo começou a ser atingido. A dificuldade enfrentada pela pro- Fonte. de infecção: falta de higiene no preparo de alimentos, lixos amontoados, pois o seu acú'
moscas, ratos, fezes que são eliminadas ao ar livre atraem as moscas que se encarregam
fessora, muito possivelmente, dizia respeito a problemas intrínsecos ao repertório
distribuir os micróbios por onde passam (alimentos, vasilhas e roupas).
de uma criança com atraso motor profundo (tal como el), uma vez que, com C6, a mamadeiras, tomar cuidado no seu preparo, pois elas devem ser bem lavadas e fervidas;
professora apresentou facilidade em prescrever treinos na medida cerla. \.ichupetas devem ser lavadas antes de dar para a criança;
as mãos antes de preparar os alimentos;
a água.
,Complicações que afetam a criança:
<rri.nca perde água e sais minerais.
de peso brusco.
'. Ressecamento da pele e da boca.
sendo tratada, a diarréia pode levar a uma desidratação e conseqüentemente até à morte.
". SlInrimir os alimentos sólidos e apimentados.
bastante líquido com soro caseiro, em pequena quantidade e com bastante freqüência para
• criança não vomite.
Beber um litro de soro por dia e a sobra do soro deve ser jogada fora. Osoro deve estar em
limpo e bem tampado, longe das moscas.
{.,Levar, no início da diarréia, a criança a um médico ou posto de saúde para ser tratada.
Ouando a criança estiver melhorando (a freqüênCia de fezes tiver diminufdo), dar papinha de
banana, maçã, caldo e leite, inicialmente diluído em água fervida, até voltar à alimentação
Preparação do soro caseiro:
Colocar uma panela grande 4 xícaras de água, 3 colheres (de sopa) de arroz, 2 cenouras picadas,
de sal e 1colher (de café) de açúcar. Deixar ferver por 45 minutos, coar o soro e acrescentar,
mais 4 xícaras de água fervida. Dá um litro de soro caseiro. Dar para a criança com mama dei'
ou com colher, em pequenas doses.
Riboly, S.R. (1979) Manual de Alimentación . nutrición e higiene para el proyeclo "Validación dei Modelo
';""'.". Cooperative Educational Service Agency 12, Portage, Wisconsin.
ML (1980) Infecdosas. ApostHa para ocurso de Auxliar de Enfermagem! Santa Casa, São Carlos.
:76 Inventário Portage {mvéntáfio Portage Operacionalizado 7'r
--'. .
0--------0 comportamentos prescritos aprendidos em uma semana
as moscas em sua casa.
Professora A Professora B acumulem lixo em casa.
13001 Cl criar animais domésticos em sua casa.
IC2 água antes de tomá'la e guarde-a em local com tampa.
1100 durma com seus filhos e não permita que estejam em sua cama.
900 i
-- ,o
tomem água diretamente com as mãos, usem xícaras ou copos limpos.
['prôteja os alimentos das moscas.
.- •
,O ,o
700 -1 .o-O ,a 'r[avem com sabão seus utensílios.de cozinha e guarde-os em locais fechados.
500 -1
,0 ,a suas mãos com água e sabão antes de tomar e de preparar seus alimentos e de seus filhos.
D D seu bebê estiver com diarréia persistente, dê soro caseiro e leve ao Posto de Saúde para
:g 300
,aO íJ !;o_ u!édico o examine.
::= d O·á
'O
<=
-OD ,o-O'
100
1300 C3 C4 YAtoqueluche ou tosse comprida é uma enfermidade aguda, contagiosa e epidêmica que ataca a
o
e os brônquios e se caracteriza por uma tosse especial.
1100
E '2'Agentes causadores:
15"'
Co
900 .... Ocontágio é geralmente direto e se faz especialmente por meio de partículas da secreção que
E ';JÍrojetam com a tosse. Às vezes pode ser por modo indireto por meio de roupas, brinquedos e
B 700 infectados.
'"
'O
enfermidade é muito contagiosa no período catarral do infcio (1 ou 2 semanas). quando fal'
.g: 500
"'
:;
- O os acessos característicos da tosse e permitem o diagnóstico clínico. Nas semanas seguin-
0.0-
§ 300 IS·(3 •• 4 a e 5a). o contágio segue de forma decrescente e deixa de ser perigoso na 6a semana.
u .0-00-0.0-
0. 0
!li"' 100 O Começa com um resfriádo, com ligeiro mal estar, febre moderada que pode não se apresentar.
'" 1300 C5 I C6 Coriza (nariz escorrendo).
'"
u
1100
bronquite.
'.Nas primeiras duas semanas é caracterizada por tosse irritante, tornando'se mais freqüente e
900 . noite.
.3 asemana aparece uma tosse especial, ou seja. que se caracteriza por uma série de breves
700 no infcio espaçada e depois sucessiva.
500 A criança procura apoio, seu rosto se congestiona, a língua se projeta entre as arcadas dentá-
as veias do pescoço se tornam salientes.
300 Logo sobrevém outra série de tosses e, depois de 4 a 6 séries semelhantes, se produz uma ins'
estridente, profunda, sibilante.
100 - Depois esse quadro volta a se repetir.
'-.-,
8 16 - No final do acesso, expulsam-se mucosas espessas.
24 32 40 48 56 8 16 24 32 40 48 56
Semanas do Programa - Oataque pode provocar vômitos.
- A criança escarra o que é característico.
Figura 2. Porcentagem acumulada de comportamentos prescritos para treino que foram aprendidos no
total e que foram aprendidos em apenas uma semana para as crianças I. 2 e 6 (Professora A) e 3. 4 e 5
Complicações:
(Professora 8) - Devido à tosse, pode aparecer hérnia, principalmente a umbelical.
• Hemorragias pelo nariz.
'tà Inventário Portage Operacion<ilizado. íiíiriUrin Portage Operacionalizado 79
_ _ ___ , (por-
centagem acumulada de objetivos prescritos aprendidos em uniasemana) é inicial-
mente superior à curva sólida (objetivos prescritos aprendidos). Isto significa que, - ao médico.
no início de sua participação no programa, C4 não estava aprendendo todos os com- 'Repóuso durante o per[odo febril.
portamentos prescritos. Entretanto, os comportamentos que estavam sendo apren- as famOias que entraram em contato com a criança enferma.
didos ocorriam todos em prazo de uma semana. Por exemplo, nas quatro primeiras a criança das outras crianças da casa.
a criança da escola e de lugares públicos.
semanas C4 aprendeu apenas 50,0% dos comportamentos prescritos; porém 100%
a casa bem arejada.
dos comportamentos aprendidos ocorreram dentro de uma semana. Na recuperação da criança, levá-Ia para tomar ar puro.
O desempenho de C4, que de início se mostrava constante, apresentou uma J,,"" sair com a criança em dias instáveis.
queda após a 36 asemana, quando a mediadora interrompeu temporariamente a rea. roupa adequada, sem excesso de agasalho.
lização dos treinos na 40 a semana, que voltaram a ocorrer na 56 a semana. A pouca acessos de tosse, colocar a mão à frente e a outra no abdômen, de tal maneira que a cabe-
disposição de M4 para realizar os treinos a partir da 36 a semana do estudo e a que' inclinada para frente e para baixo.
da subseqüente no desempenho da criança coincidem com o fato de M4 ter consta- "Alimentação deve ser fácil de digerir, evitando alimentos secos e ásperos que podem provocar tosse.
YCómidas em pequenas quantidades e várias vezes ao dia.
tado que estava grávida, sendo a gravidez indesejada. A partir de então, a não ocor-
Se vomitar, alimentar a criança novamente.
rência de treinos tornou-se freqüente, embora a mediadora admitisse que tais trei- :f'Medidas com as pessoas não afetadas:
nos eram importantes e verbalizasse querer continuar a participar do projeto. .. os não doentes, para evitar o contágiO e aplicar vacina de imediato.
A curva de aquisição de C3 sempre foi, desde o início, mais lenta do que a das ser aplicada 3 meses depois da enfermidade.
demais crianças. Por volta da 16ae zoa semanas, houve uma aceleração em seu de-
sempenho; mas, na Z4 a semana, a família interrompeu a participação no projeto
uma moléstia infecciosa, altamente contagiosa, caracterizada por manifestações catarrais,
pois mudou-se para uma outra cidade. Por volta da 2S a semana, tendo regressado
5, aparecendo erupção na pele e mucosas, que termina descamando.
a São Carlos, a família demonstrou desejo de continuar os treinos com C3. Nas se- ntes- causadores.
manas subseqüentes, o desempenho de C3 começou a melhorar. No entanto, na 36 a Jcausado por vírus. Tem um período de incubação que varia de 8 a 13 dias. Pode ocorrer seu con-
semana M3 interrompeu os trabalhos, o que ocorreu novamente na 44 a semana. por via direta (contato direto com pessoas infectadas ou pelo ar, graças às gotículas oriundas
Após a 4S a semana, a família decidiu interromper os treinos definitivamente. As in- i.,nirros e tosses) ou por via indireta (o contato indireto é menos freqüente, pois o v[rus é rapi-
terrupções de M3 no trabalho coIl1 a criança após a 36 a semana coincidem, tal co' destruído quando fora do organismo humano).
mo no caso de M4, com o fato de M3 ter ficado grávida, passando a apresentar quei-
xas freqüentes em relação a seu estado de saúde. '
A Tabela 3 pretende resumir os resultados discutidos até agora. Em primeiro
lugar, pode-se concluir que todas as crianças aprenderam a maioria dos comporta-
mentos prescritos. Esta aprendizagem apresentou índices acima de 90% para todas
as crianças (C5 96,6%; C2 96,5%; Cl 94,5%; C6 93,7% e C4 91,3%), a não ser para
C3, cujo percentual de comportamentos aprendidos foi igual a 70,7%. ___ de garganta.
Dor de cabeça.
- Aceleração do pulso.
Complicações:
- Podem aparecer conjuntivites, dor de ouvido.
Também complicações respiratórias como: laringite, bronquite, bronco-pneumonia.
- No aparelho digestivo pode surgir gastrite.
:SO Inventário Portage
Portage Operacionalizado 81
crianças I comportamentos semanas Edndicado pelo médico.
aprendidos ilprefldidos em I dI! treino
para treino uma sellland deve ficar em quarto arejâdo, livre de correntes de ar.
banho duas vezes ao dia, com água quente e sabão neutro.
(I.)
higiene da boca. para evitar mau hálito e herpes labial.
criança deve receber líquidos em abundância (chás, sucos, água).
com dieta líquida ou pastosa, por ser de fácil digestão.
'Prevenção: Avacinação deve iniciar a partir dos noves meses de idade.
FEBRE TIFÓIDE
aguda, caracterizada por febre prolongada, aumento do tamanho do baço.
abdominal. Apresenta-se durante todo o ano, mas principalmente no verão e outono.
causador:
por um bacilo que se encontra na corrente sangüínea durante a primeira semana da
Uma segunda conclusão possível refere-se ao fato de que a maioria da apren- 'ermidade e logo nas fezes, que é a principal fonte de contágiO.
dizagem se deu de modo rápidO ocorrendo no prazo de uma semana para todas as !sêticontágio pode ser direto ou indireto.
crianças, a não ser para Cl cujo percentual de comportamentos aprendidos em uma é muito raro e ocorre nas pessoas Que cuidam do enfermo e não tomam as precauções devidas.
semana foi menor do que as demais crianças (54,5%)_ ,indireto: a água contaminada é a principal fonte de contágio; alimentos regados com água suja,
As Crianças 3 e 4 tiveram um desempenho inferior às demais crianças, o que frutas e verduras contaminadas.
fica patente nas respectivas curvas de aquisição da Figura 2 e, principalmente, co-
de apetite.
mo mostra a Tabela 3, por apresentarem uma taxa de comportamentos aprendidos de cabeça e em outras partes do corpo.
por semana inferior às crianças restantes. Enquanto Cl, C2, C5 e C6 aprenderam por
volta de dois comportamentos por semana, C4 aprendeu 1,7 comportamentos por de sono.
semana e C3 apenas 1.2. Coincidentemente, essas duas crianças foram as que tiver- de sangue pelo nariz.
am o treino mais afetado por interrupções das mediadoras que apresentaram uma abdominal e gases intestinais.
.;Aumento da temperatura.
série de dificuldades pessoais após terem engravidado.
Finalmente, é importante ressaltar que, conforme a Tabela 3, a porcentagem "Hemorragia intestinal.
de comportamentos previamente selecionados que não precisaram de treino foi mí- ',Perfura cão intestinal:
nima. Trata-se daqueles comportamentos que, durant'e a Iinha-de-base, a professo-
ra constatou que a criança já os emitia, e isto só ocorreu em 5,8% dos casos para
C6; 4,4% para C2; 4,3% para Cl; 3,2% para C5; 0,2% para C3; nunca ocorreu para
C4. Este dado apresenta força à afirmação de que o sistema de treino utilizado (e
ser tratada por um médico e o paciente deve cumprir suas indicações.
não outras variáveis) foi responsável pelas mudanças comportamentais sistemáti-
repouso.
cas apresentadas, o que foi replicado para todas as seis crianças pelo delineamento o colchão com plástico para não ser contaminado.
de múltiplas sondagens. higiene da boca e dos dentes pelo menos duas vezes ao dia.
Oprocedimento utilizado no presente estudo permitiu a obtenção de resulta- <'Manter a pele limpa, fazendo fricções constantes com álcool e talco.
dos superiores aos da replicação do Sistema Portage no País de Gales, por Revill e em lugar ventilado. sem corrente de ar.
Blunden (1979). Neste estudo as crianças aprenderam em média 92,3% dos compor- ,-Alimentação deve ser branda, com intervalos de duas a três horas. devendo tomar leite, comer
cozidos, frutas, pão tostado e líquidos.
82. Inventário Portage Operacionillizado Portage Operacionalizado 83
observamos que 72,4% dos comportamentos aprendidos em média o foram num
prazo de uma semana. O resultado obtido por Revill e Blunden foi igual a 67,3%.
Finalmente, a média de comportamentos prescritos para treino por semana, neste
trabalho, foi igual a 2,10, enquanto que para aqueles autores a média semanal foi é uma enfermidade infecciosa de caráter agudo. Caracteriza-se por irritação do sistema
igual a 1,08 comportamentos.
Analisando-se a porcentagem de comportamentos treinados nas crianças per-
Ê'causada por um vírus. Seu contágio ocorre por meio de animais raivosos que, ao morder outros
tencentes ou não ao Inventário Portage bem como as áreas do inventário mais fáceis << <e seres humanos, transmitem a enfermidade. Esse vírus tem afinidade com os tecidos nervosos.
de serem ensinadas, notou-se que a maioria dos comportamentos treinados em to- ómas:
das as crianças foi retirada do Inventário Portage. Comparando as crianças entre si, um período de incubação de dez dias; se o enfermo tiver sido mordido na cabeça, o perío-
verificou-se que C4 e Cl tiveram uma porcentagem mais elevada de comportamentos é mais curto, e a infecção, mais grave.
treinados que não eram do Portage (39,0% e 23,0%, respectivamente). Isto se deve i.Depressão mental.
l\;;'1nquietude que vai aumentando, para transformar-se em excitação e espasmos, contraindo os
ao fato de C1 e C4 serem as crianças que apresentavam um maior atraso no desen-
< < laringe e faringe, ocasionando dor e dificuldade para respirar e engolir.
volvimento e, portanto, precisaram de treino em habilidades anteriores às propostas 'CCI'mplicações:
pelo Inventário Portage Operacionalizado. No caso de C4, foi preciso enfatizar um <cuu., ••", o paciente à morte no prazo de três a cinco dias, por asfixia e paralisia geral.
treino pré-verbal (voltado para atenção e imitação motora), antes de se dedicar a
treinos envolvendo habilidades verbais propriamente ditas. Ouanto à Cl, dada a limpeza com água e sabão no local da mordida.
gravidade de seu comprometimento motor, foram necessárias tarefas no sentido de vez declarados os sintomas, não existe tratamento específiCO para a cura. O paciente é
em sedação constante.
desenvolver habilidades motoras específicas ao quadro de uma criança tetraplégica,
com espasticidade severa, sendo tais tarefas sugeridas pelo fisioterapeuta. vacinação anual de cães e gatos.
Em certas áreas do Inventário Portage Operacionalizado, os comportamentos fo- "Avisar centro assistencial do ocorrido.
ram geralmente aprendidos com maior facilidade do que em outras. Aporcentagem de o animal estiver com suspeita de raiva, deve-se fazer aplicação de vacina imediatamente.
comportamentos aprendidos foi maior na área de desenvolvimento motor seguida por vacina anti-rábica é aplicada com prescrição médica nas pessoas mordidas por animais raivosos.
cognição, socialização eautocuidados. Aárea que apresentou maiores dificuldades de
RCULOSE PULMONAR
aprendizagem foi a de linguagem que, coincidentemente, era a área cujos repertórios
comporta mentais se encontravam mais defasados. Talvez seja oportuno especular
,l aforma de tuberculose mais freqüente no homem, podendo invadir o parênquima pulmonar, os
e a pleura.
sobre possíveis razões para as dificuldades enfrentadas pelas crianças na área de lin- causador:
guagem. Assim como as demais áreas do Inventário, a área de linguagem foi elabora- Écausada pelo Bacilo de Koch.
da baseando-se em estudos sobre o desenvolvimento da linguagem em crianças nor- Pode ser por contágio direto ou indireto.
mais, apoiando-se, portanto, nas contribuições disponíveis da área de psicolingüísti- • - Obacilo pode entrar no organismo por inalação e por ingestão de leite e alimentos.
Sintomas:
ca. No entanto, talvez estes comportamentos não sejam suficientes para instalar
comportamentos de linguagem expressiva em crianças com repertório verbal muito
defasado e que não tenham tido um desenvolvimento "típico".
Talvez o programa de linguagem derivado do Portage não tenha a sistematici-
dade necessária ou mesmo os pré-requisitos para instalar fala em crianças com
atraso muito acentuado (tais como os programas de Guess, Sailor e Baer, 1974 e de
UlA Inventário Portage
Portage Operacionalizado 85
programas,
no Portage, há um treino pré-verbal, envolvendo a aquisição de habilidades pré-re- _ médica.
quisitos como, por exemplo, atenção e imitação motora. Além disso, por basear-se tratamento é longo, estendendo'se por um períodO de meses ou ano.
em dados normativos, o programa de linguagem do Portage não abre espaço para
formas de expressão menos típicas, como linguagem gestual ou linguagem de sím-
bolos Bliss (5honman e Williams, 1981). Por essas razões, não seria conveniente uti- 'êólilpso de todo ou parte do pulmão.
lizar apenas o Portage no caso de crianças com atrasos específicos na área de lin-
guagem (por exemplo, nos casos de deficiência auditiva). Previne-se com a vacina BCG para produzir imunidade.
. A Tabela 4 reagrupa os dados em relação à manutenção do desempenho das ser aplicada em recém-nascidos•
crianças nas diversas sondagens do programa.
Mais especificamente, a Tabela 4 inclui a porcentagem de comportamentos apren- NA
enfermidade contagiosa da pele. Apresenta-se em todas as idades, durante todo o ano,
didos derivados do Inventário Portage Operacionalizado que se mantiveram após os freqüente no inverno.
treinos nas diversas sondagens quadrimestrais. Calculou-se tal porcentagem somando- causador:
se o total de comportamentos do Inventário Portage Operacionalizado testados nas causada pelo ácaro Sarcópides scabiei.
diversas sondagens e descontando-se os comportamentos que não haviam sido treina- contágiO geralmente é direto, quando se faz contato com pessoas infestadas (aperto de
dos. Esta soma era, então, comparada com o total de comportamentos previamente comum de toalhas etc.).
treinados que atingiram critério. Cabe salientar que não existem dados de 52 para C4,
'AÍlarece prurido por todo o corpo.
C5 e C6 pois, por serem crianças do grupo B, não haviam recebido treino antes de 52. intensa.
Além disso, como já foi dito, não foi possível a obtenção de dados de 55 para C3. partes freqUentemente afetadas são braços, axilas, abdômen, plantas dos pés.
Tabela 4, Manutenção dos comportamentos aprendidos do Inventário Portage Operacionalizado toda a família.
durante as diversas sondagens. banho com água e sabão, friccionando a pele para destruir o ácaro.
roupa limpa para dormir e, pela manhã, vestir a criança com outra roupa.
Crianças Porcentagem de comportamentos aprendidos que se mantiveram após treino
S2 S3 54 S5 todo dia a roupa de cama, toalhas e esponjas que foram utilizadas no banho.
:(LlmpeZa do quarto, cama e colchão.
Cl 100.0 955 95.6 42.6 ?'Manter a higiene do ambiente e das roupas do enfermo.
C2 47.0 • 91.6 91.0 " 87.0, " prevenir a enfermidade:
C3 40.0 40.0 78.5 - usar roupas de outras pessoas nem toalhas.
C4 - ,
62.5 " 66.6 33.3 dormir na mesma cama da pessoa com sarna.
C5 - 285 95.2 71.4 diário em toda a famnia.
C6 - 88.0 91.0 93.0 - acariciar animais enfermos.
a roupa pessoal e a de cama do enfermo.
A título de análise, convém separar os dados de 52, 53 e 54 em relação a 55,
uma vez que apresentaram natureza bastante distinta: as primeiras sondagens fo-
ram realizadas durante o estudo, e a última ocorreu três meses após a sua inter,
rupção, como medida de seguimento ("follow-up").
(86 Inventário Portage Operacionalizado 81
Portage Operacionalizado
ma tabela para usar
la 4, que houve um aumento no percentual de comportamentos aprendidos que se
manteve em relação a todas as crianças, exceto Cl que, após apresentar em 52 a PORÇOES O[ÁR[AS ALIMENTOS QUE PERTECEM
AO GRUPO
manutenção de 100% dos comportamentos aprendidos, tal porcentagem, sofreu pe-
quena queda, estabilizando-se em torno de 95,0% em 53 e 54. Após a interrupção PARA CAOA IDADE Leite: fresco, Integral, desnatado, condensado,
UMA QUANTIDADE coalhada, iogurte.
dos trabalhos, houve queda na porcentagem de manutenção de comportamentos e I copo de [eite é [gual a uma Oueijos de todos os tipos: ricota, queijo fresco,
para todas as crianças, exceto C6 que, de 91,0% de manutenção' em 54, passou a porção. Criança com menos de queijo creme, prato, provolone e tantos outros.
93,0% em 55. Apesar da queda, duas crianças (C2 e C5) apresentaram percentuais 9 anos: 2 a 3 copos. Adultos: Atenção: a manteiga não pertence a este grupo.
2 ou mais copos. Crianças entre
de manutenção durante o seguimento acima de 70% (87,0% e 71,4%, respectiva- 9 e 12 anos: 3 copos ou mals.
mente). Finalmente, duas crianças apresentaram queda na manutenção dos com- Adolescentes: 4copos ou mais.
portamentos em 55 bastante acentuada, apresentando níveis abaixo de 50%: Cl Gestantes: 3 copos ou mais.
Mulheres que amamentam:
passou de 95,6% em 54 a 42,6% em 55, e C4, de 66,6% a 33,3%. Coincidente- 4 copos ou mais
mente, as duas crianças que apresentaram o menor percentual de manutenção fo-
2 OU MAIS PORÇÕES. Ovos: todos eles, inclusive de peixes (ovas)
ram aquelas que apresentavam um maior atraso no desenvolvimento (Cl e C4). No Uma porção é igual a 80 gramas Carnes (todas elas): de vaca, porco, lingüiça,
caso de Cl, fica patente Que a interrupção dos trabalhos interferiu negativamente de carne magra de qualquer tipo, presunto, mortadela, carneiro, coelho, rã,
ou peixe já pronto para servir, isto peixe etc.
na manutenção dos comportamentos aprendidos, uma vez que, durante todo o es- eQüivale mais ou menos a 1 bife, Mitídos: fígado, rim. miolo, coração, bucho,
tudo, esta porcentagem foi bastante alta e estável (respectivamente 100%, 95,5% 2 almôndegas ou 1 pedaço Grãos que dão em vagem: feijão de qualquer
e 95,6%). Na experiência das autoras e de outros profissionais consultados, a que- de frango ou 1peixe pequeno ou cor, ervilha, lentilha. grão de bico, soja,
2 ovos ou 1 xícara de chã de feijão, amendoim.
da na manutenção dos comportamentos de Cl em 55 é bastante semelhante à que- ervilha ou lentilha, já prontos
da observada em crianças com problemas motores graves após interrupção de trei- para servir.
no ou reabilitação com as férias escolares. Isto sugere que, dependendo da severi- 4 ou MAIS PORÇÕES. Hortaliças de folhas (verduras): agrião,
dade com que o repertório comporta mental da criança seja afetado, há que se pla- Uma porção é igual a1xícara de almeirão, alface, acelga, brócolis, couve,
nejar programas de intervenção a longo prazo. hortaliça crua ou meia (1/2) xfcara escarola, espinafre, repolho, rúcula etc.
de hortaliça cozida já pronta Hortaliças sem folhas (legumes):
Em relação a C4, apesar da queda na manutenção observada em 55, o proble- para servir. Ou ainda, uma porção abóbora (jerimum), abobrinha, alplm
ma parece não ser tão contundente quanto para Cl, por duas razões: em primeiro é igual a I banana ou I laranja, (macaxeira). beterraba, batata, batata doce,
I batata de tamanho médio. couve-flor, ervilha, torta. jlló, nabo,
lugar, a porcentagem de manutenção dos comportamentos em S2 e 53 não era tão mandioquinha, pimentão, quiabo. rabanete .tc.
alta quanto para Cl (respectivamente, 62,5% e 66,60/0). Além disso, a quinta sonda- Frutas: abacaxi, abacateo. banana, caqui, caju,
gem ocorreu quando a mãe de C4 havia acabado de dar à luz seu terceiro filho, sen- figo, goiaba, laranja, mamão, mexerica, uva etc.
do C4 o caçula da família até então. Em situações como esta, é natural esperar uma Uma porção é igual a meio Pão de todos os tipos: Integral, de centeio,
certa queda no desempenho de crianças em geral e, no caso de C4, este fato foi ob-
servado não só em relação ao projeto em questão, mas também pelos profissionais
:[Contribuição principal:
de carbono
I
pãozinho ou Zfatias de pão
de fôrma. Ou ainda, é igual a
1/2 xícara de chá de cereal em

de fUbá, de forma. pãezinhos salgados e


doces, roscas, broas, bolachas.
Macarrão: espaguete, talharim ou outros.
que a atendiam na classe especial da APAE. flocos o; 3/4 de xícara de chá de farinhas: d. trigo, de arroz, de milho,
afroz, polenta ou macarrão, fubá, araruta, polvilho.
De maneira resumida, podemos fazer as seguintes afirmações sobre a genera- já prontos para servir. Cereais: em flocos, aveia, arroz, canjica.
lidade temporal do estudo (quinta avaliação): infelizmente, o presente estudo não Atenção: procure usar grãos e
possui informações a respeito da manutenção dos comportamentos treinados que farinhas Integrais.
não foram derivados do Inventário Portage Operacionalizado. Em relação aos com-
Suplemento Feminino de "O Estado de São Paulo", 03.10.1982.
t88 . Inventário Portage
iêntário Portage Operacionalizado 89
_, _-_ ... _._ .. _____ ._ comporta-
mentos foi mantida para a maior parte das crianças (C2, C5 é C6). As duas crianças
que possuíam maior atraso no desenvolvimento (Cl e C4) apresentaram maiores
dificuldades em manter os comportamentos aprendidos. Para essas crianças, su-
gere-se um programa contínuo a longo prazo, pois tudo indica que o procedimento
de esvanecimento de tratamento, utilizado no estudo, não foi suficiente para obten-
ção de uma generalidade temporal adequada.
você achou deste projeto? _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
2) Aceleração do desenvolvimento das crianças
Os resultados apresentados até o momento permitem concluir que o sistema
foi: ótimo ( bom ( ) regular ( ruim
de treino utilizado foi capaz de ensinar às crianças a maioria dos comportamentos
selecionados. Além disso, no geral, a maioria dos comportamentos instalados man- 'ri "mi.to auxiliou na educação de sua criança? ________________
teve-se após a interrupção do treino, embora esta manutenção tenha sido inferior
para as crianças com maior atraso no desenvolvimento (Cl e C4). Entretanto, con-
vém perguntar se, uma vez tendo aprendido e mantido tais comportamentos, até
que ponto isso constitui efetiva aceleração do desenvolvimento das crianças. As
avaliações quadrimestrais do desempenho da criança no Inventário Portage Opera- à educação de sua criança, o projeto auxiliou:
cionalizado permitem uma análise de resultados diferente da apresentada até o mo- .) mais ou menos ( ) pouco ( não auxiliou ( )
mento, que será útil para responder à última questão. Esta análise será apresenta-
da mais adiante. sentiu dificuldades durante o projeto? _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
Que tipo (dê exemplos) _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
3) Desempenho das Crianças em Testes Normativos
As crianças também foram avaliadas no decorrer do estudo por testes norma-
tivos (Escala Bayley de Desenvolvimento Infantil, Escala de Desenvolvimento de Ge- o projeto, você sentiu: muita ( pouca ( ) nenhuma dificuldade ( )
se", Teste de Inteligência de Stanford-Binet forma l-M e a Escala de Maturidade que seus familiares acharam do projeto? ________________
Mental COlúmbia), sendo que os resultados obtidos na la e 4a avaliações se encon-
tram resumidos na Tabela 5. Em relação à Criança 3, 'os dados existentes referem-
a
se à 3 avaliação, uma vez que a família interrompeu o programa antes do tempo geral: gostaram ( não repararam ( não gostaram ( )
previsto.
Acriança lucrou com o projeto? ____-,-______________
Os dados da Tabela 5 serão aqui considerados apenas de forma ilustrativa, pois
não constituem o enfoque central do estudo. Odesempenho nos testes normativos
serviram para, de certa forma, validar a tendência geral dos resultados das crianças o que aprendeu, em que mudou? ____-'-'____________
no Inventário Portage Operacionalizado: o maior atraso de desenvolvimento foi da
Criança I, seguido pela Criança 3, Criança 4, Criança 2 e Criança 6, sendo que a Cri- por Que não? _ _ _-'_--'-_ _....:.._ _---,_ _ _ _ _ _ _-...,.._ _
ança 5, além de não apresentar atraso significativo de desenvolvimento, apresen-
Acriança lucrou: multo ( ) mais ou menos pouco ( não lucrou (
tou um resultado bastante acima do normal na testagem de 0.1. (No caso de C5, não
''c'Elaborado por Lúcia C. de A. Williams e Ana Lúcia R. Aiello
Inventário Portage Operac.io.·.nalizildÔ
. ,. .
,
Portage Operacionalizado 91
. máxima faixa etária testada; em relação à Escala de Gesell, obteve o escore máxi-
mo em todas as áreas, com exceção da área pessoal-social Que, no início do estu-
do, apresentava um atraso de oito meses em relação à sua faixa etária). notou o que? ______-'-_______________
Todas as crianças apresentaram ganhos na maioria das áreas testadas. Segue-
se uma lista das áreas em Que não se constatou haver ganhos: o índice de desen- notaram progressos ( ) não notaram nada de novo (
que a criança piorou ( )
volvimento psicomotor (Bayley) manteve-se igual para Cl e C6. A área adaptativa
(Gesell> mostrou-se igual para C6, o mesmo acontecendo com a área pessoal social lucrou como projeto? _____________________
(Gesell) para C3 e C6. Observou-se queda de desempenho na área adaptativa para
C3 e, na área pessoal-social, para C2 e C4.
Todas as demais áreas apresentaram ganhos. Em termos da Escala Bayley, o que aprendeu. em que mudou? __________________
ganho médio das crianças, em relação ao índice mental, foi de 6,3 meses e quanto _____________________________________________
ao índice de desenvolvimento motor, foi equivalente a 5,5 meses.
Quanto à Escala de Gesell, o ganho médio das crianças na área motora foi de lucrou: muito ( mais ou menos ( ) pouco ( ) não lucrou ( )
7,2 meses, na área de linguagem igual a 5,2 meses, na área adaptativa, equivalente
a 1,4 meses, não havendo ganhos para a área pessoal-social. relação ao professor - o que você achou de seu desempenho? (clareza de instruções, rele-
A criança 1 apresentou, no geral, nos testes normativps um progresso inferior das informações, etc.) _---'______-'-__________________________
ao apresentado na última avaliação do Inventário Portage Operacionalizado, onde
seu desempenho eqüivale ao de uma criança de 4 meses de idade. Todas as crianças
desempenho foi: ótimo ( ) bom ( ) regular ( ruim ( )
exceto a criança 5, apresentaram da la à última avaliação um aumento na área de
linguagem, o que também foi confirmado pelo resultado de seu desempenho no In- pretende continuar participando do projeto se for possível? ________________
ventário Portage Operacionalizado.
Tabela 5. Desempenho das crianças em testes normativos no início e final do estudo
Crianças 1 2 3 4 5 6
Avaliações l' 4' l' 4' l' 3' l' 4' l' 4' l' 4'
Idade em Meses 16 30 53 67 29 38 55 68 38 52 46 60 ou propostas de reformulação para um futuro projeto: _______.,-_ _
Bayley 10M 3 4 14 23 4 .. 10 6 13 n/a n/a '14 23
IDP 2 2 22 30 6 9 18 29 n/a n/a 30 30
Area motora 1 2 21 42 12 15 14 18 42' 42' 42' 42'
Gessell IArea adaptativa 1 3 24 30 13 11 11 12 42' 42' 24 24
linguagem 1 2 6 14 6 14 8 12 42' 42' 7 12 I
Área Pessoal/Social 1 2 36 18 14 14 14 10 30 42' 18 18 I
Stanford-Sinet Colúmbia J.!:./a n/a n/a 01=80 n/a n/a n/p n/p 01=13, 01=130 n/p 01=951
10M = fndice de Desenvolvimento Mental • = Ponto máximo da Escala
lOP '" (ndice de Desenvolvimento Mental n/a = Não se aplica nln = Não foi possível realizar a aplicação
do professor assinatura do mediador
'.92. Inventário Portage
Portage Operacionalizado 93
nstruções
no Registro p
do programa, quando lhes foi apresentado um teste não-verbal ,(Escala de MatUri· Elabora rofessores*
dade Mental Colúmbia - Burgemeister et ai., 1967), sendo o desempenho limítrofe li: Data: Professor: - - - - - - - - - - - -
em relação a C6 e levemente retardado para C2. Infelizmente, como não houve ten· Semana de treino nO __ Oata: ______
tativa de aplicar o Columbia na la avaliação, e sendo que estas crianças não res-
ponderam ao Stanford Binet, não há elementos de comparação.
De qualquer modo, a ausência de medidas de fidedignidade (em geral não pre-
vista na aplicação dos testes normativos) bem como limitações do instrumento utili· O 2 N.A.
da escolha 2 N.A.
zado (Columbia versus IVISC, instrumento da escala Wechster) não permitem con- ao repertório da criança O
,
clusões mais ousadas. Nesse sentido, os ganhos em termos de testes normativos no O 1 2 N.A.
adequadamente o sujeito da ação N.A.
presente estudo não são tão gritantes quanto aqueles reivindicados por outros pes- O 1 2
um comportamento observável 2 N.A.
quisadores. Por exemplo, Shearer e Shearer (1972), ao testarem inicialmente o Sis- O 1
as condições 1 Z N.A.
O
tema Portage, afirmaram que, em média, as crianças ganharam 13 meses em um pe- critério de desempenho 1 2 N.A.
O
ríodo de oito meses. Jensien, Aliaga e lIanos (1979), que validaram o Portage no Pe- desnecessárias
Sub-total
ru, constataram que as crianças do grupo experimental ganharam, em média, 12
meses (em um período de oilo), sendo o ganho médio do grupo conlrole igual a qua- O 2 N.A.
tro meses. No entanto, é preciSO lembrar que, em relação aos outros pesquisadores, local do treino 2 N.A.
O
o material aser utilizado 2 N.A.
não foram utilizados os mesmos testes normativos. Estes testes, por sua vez, não afreqüência de sessões de treino O
O 2 N.A.
foram aplicados por pesquisadores independentes que desconhecessem o objetivo contingências para acertos 2 N.A.
reforçadores apropriados O
e condições experimentais do estudo e, finalmente, a população de crianças por O 2 N.A.
eles utilizada não apresentava um atraso, no geral. tão acentuado como as crianças reforça dores variados 2 N.A.
O
contingências para correção 2 N.A.
do presente estudo. técnica de ensino apropriada O
O 2 N.A.
o grau de ajuda física apropriada 2 N.A.
O
b) BENEFíCIOS DO PROJETO PARA OS FAMILIARES esvanescimento adequado Sub-total
1) Comportamentos ensinados às mediadoras O Z NA
forma de registro adequada e simples 2 N.A.
O I
Os comportamentos ensinados pelas professoras às mediadoras, retirados do registro do professor em gráfiCO 2 N.A.
registro do mediador em gráfiCO O 1
Inventário Comportamental de Pais (Boyd, Stauber e Bluma, 1977). foram analisados Sub·total
em detalhes no estudo original (Williams. 1983). Segue um resumo das principais
constatações: Aspectos gerais 2 N.A.
Apresenta informações suficientes ecoerentes pl treino O
1) Dos 25 comportamentos trabalhados com as mediadoras, três apresentaram O Z N.A.
Evita informações desnecessariamente longas 2 N.A.
um desempenho acima do critério em linha-de-base, não precisando propriamente Apresenta vocabulário adequadO ao nível de instrução O
de treino. mediador N.A.
O 1 Z
2) Na maioria dos casos, os comportamentos foram ensinados com relativa ra- •Apresenta linguagem informal e não "fria" ou distante 2 N.A.
O 1
pidez, ou seja, dentro de duas ou menos semanas. Apresentação geral é adequada ecompleta
O• ausente; l-Insuficiente; 2 • adequadO; N.A. - não se aplica
No geral, os primeiros comportamentos a serem ensinados demoraram mais
C. de A. WilIfams Q Ana lúda.R. AleHo
'95
94 InventáriO portage OperacionaJizado ..
: íi1lnventai'io Portage Operacionalizado
para serem adquiridos do que os últimos, levando a crer qUEÇcollfa'prática, as pro-
fessoras apresentaram maior facilidade em ensinar as mediadoras. Uma outra va-
riável a ser considerada diz respeito à natureza da resposta a ser ensinada. Talvez
o treino dos comportamentos ensinados posteriormente tenha sido facilitado pelo
fato de muitos deles serem variações do comportamento nO 1("reforçar socialmen-
te acertos da criança"). Este é o caso dos comportamentos 3 ("reforçar com entu- Relevância da escolha
comportamento escolhido não é relevante: escolha não é produto de uma análise prévia
siasmo"), 4 ("reforçar intermitentemente"), 5 ("variar reforçadores sociais") e 7 i!orldades. Ex.: Maria é uma criança de quatro anos de idade, com atraso de linguagem. Sendo
("reforçar aproximações em relação ao objetivo terminal"). (segundo a tabela síntese do Inventário Portage Operacionalizado): linguagem, so-
, 3) No geral, as professoras optaram por um critério de aprendizagem flexível: e cognição. Aprincipal da famOia é que a criança aprenda a falar direito. "Ma-
75,0% de acertos foram usados como critério em 21 dos 25 comportamentos tra- amarrar os cordões em agasalho com capuz (AC - nO 104 - 5 a 6 anos).
balhados. comportamento útil à criança no sentido de se trabalharem aspectos globais de seu desen-
4) A decisão sobre o critério a ser adotado seria facilitada se as professoras embora não seja prioritário; Ex: "Maria deverá pedalar um triciclo, fazendo curvas" (DM
. 4 a 5 anos).
tivessem anotado, concomitantemente ao desempenho das mediadoras, as respos- . comportamento prioritário e indispensável coerente com a análise prévia. Esta análise
tas da criança em termos de acertos e erros. Sendo assim poder-se-ia estabelecer basear-se na consideração dos seguintes aspectos: a) dados coletados sobre o desem'
que, por exemplo, em relação ao comportamento 1, a criança de uma mãe que refor- (Inventário Portage Operacionalizado e quaisquer outras avaliações); b) expec!a'
ça apenas 50,0% das tentativas corretas possui um desempenho x que é diferente . famnia e c) sugestões de outros profissionais que possam ter trabalhado com a criança. Ex.:
daquela cuja mãe reforça 75,0% ou 100% dos acertos. Esta análise tem sido suge- 'Ia.deverá nomear quatro brinquedos" (L - nO 23 - 1a 2 anos).
rida por revisores da área de treinamento de pais (O'Del!, 1974).
5) AProfessora Bapresentou dificuldades em ensinar um número maior de com- Adequacidade ao repertório da criança
Inadequado ao repertório: muito difícil ou muito fácil à criança. Ex.: "Dar beijos ou abra-
portamentos à Mediadora 3, devido às interrupções existentes no trabalho com ela. mediador quando a criança não consegue sequer tocar no rosto do adulto; "Seguir com o
6) Os dados relativos às habilidades ensinadas às mediadoras devem ser inter- objeto", quando a criança já é capaz de seguir com o olhar o mediador, os movimentos de
pretados com cautela, uma vez que apresentam algumas falhas metodológicas pre- e outros objetos que não o especffico.
viamente criticadas pela literatura de treinamento de pais (O'Del!, 1974; Graziano, mComporlamento com pequena probabilidade de ser aprendido em uma semana, dado ore-
1977). Por exemplo, não foi possível a utilização de um delineamento experimental da criança. Precisaria ser subdividido em unidades menores. Ex.: "Escovar os dentes" para
(linha-de-base múltipla entre os comportamentos), uma vez que as professoras não que não consegue realizar nenhum dos comportamenlos desta cadeia.
(2) Comportamento com alta probabilidade de ser aprendido em uma semana, levando-se em
tiveram condições de obter medidas contínuas de linha-de-base para os vários com-
o repertório da criança. Uma boa garantia de que isso aconteça é ter feito uma análise de lare-
portamentos trabalhados nas mediadoras. ' seja, desdobrar o objetivo em passos menores. Ex.: Objetivo final: "Carlos deverá armar um
7) Nove dos dez comportamentos trabalhados nas mediadoras diziam respeito iêbfà-i:abeça de três peças". Objetivos intermediários: "Carlos deverá colocar as três peças do
a habilidades do Inventário Comportamental de Pais (Boyd, Stauber e Bluma, 1977) ebfa'cabeça quando o mediador guiar sua mão"; "Carlos colocará as três peças do quebra'cabe'
relativas à execução do treino. Apenas uma habilidade relativa ao planejamento do instruções verbais" e "Carlos colocará as três peças do quebra-cabeça sem ajuda". Objetivo
treino foi ensinada: o comportamento 10 (selecionar material apropriado para ativi- ,,: ''Jorge deverá saltar em um pé, sem ajuda, cinco vezes consecutivas, acertando nove de cada
Objetivos intermediários: "Dar um salto em um pé, no mesmo lugar, segurando-se
dades de treino a partir de materiais disponíveis em sua casa) ensinado à M4. As-
.. cinco vezes consecutivas: acertando nove em dez tentativas". "Dar um salto em um pé,
sim sendo, como poderia ser previsto, as mediadoras não mudaram sua função no lugar, segurando na mão do adulto, acertando nove em dez tentativas ......
decorrer do estudo, tal como originalmente proposto pelo Sistema Portage, perma'
necendo dependentes do planejamento das professoras. Resta a questão empírica
de se pesquisar a viabilidade de se instalarem todas as habilidades previstas pelo ,,",,,.,.""" por lúcia C, de A. Williams e Ana lúcia R, Aiello
L96, Inventário Portage Operacionalizado fi!iifiírfn Portage Operacionalizado 97
Programa
trucional tão reduzido como os do presente estudo. Identifica adequadamente osujeMda'ilção
sujeito não é a criança. Ex. "O,. Chica deverá esconder objetos debaixo do balde ou da
2) Desempenho das mediadoras enquanto observadoras <nlicitar que Joãozinho encontre" ou "Ensinar partes do corpo".
sujeito está vago, ou a redação dá margem a dúvidas ou dupla interpretação. Ex.: "Apre"
Conforme mencionado, as mediadoras observavam e registravam o desempe" perguntas do lipo "O que é isto?' respondendo pelo menos duas de forma correta.
nho das crianças durante as sessões diárias de treino. Este registro era realizado sujeito é a criança. Ex.: "Joãozinho removerá o balde deixando o patinho à vista, acer"
no verso da folha"de"instruções deixada pelas professoras, e era posteriormente vezes, dadas quatro oportunidades".
analisado por ambas durante a visita domiciliar. No caso das mediadoras alfabetiza" um comportamento observável
das, era também solicitado que anotassem na folha"de"registro quaisquer observa" comportamento não observável, redação vaga, comportamento muito amplo. Ex.: ·'Arman"
ções dignas de serem discutidas ou mencionadas com as professoras. conhecer a cor azul quando solicitado". "Pedro deverá conhecer seu lado direito".
comportamento observável indiretamente por meio de definições. Ex.: "Márcio deve expio"
A título de exemplo, em uma ocasião em que se pediu à Mediadora 3 (com pri"
lítinnente seu meio ambiente" (no procedimento o professor especifica que a resposta espera"
mário incompleto) que anotasse a freqüência de vezes com que a criança imitava a ..... olhar em direção a diferentes objetos situados na sala).
emissão do som "ma", fez anotações complementares para serem posteriormente Comportamento observável diretamente com alta probabilidade de haver concordância en"
comentadas com a professora: "trenei para amdar que num sestava and mais" (trei" . observadores. Ex.: "Renato deve copiar um cfrculo de um papel fazendo uma figura ovalada
nei para andar que não estava andando mais, referindo"se à dificuldade de carregar três vezes dadas quatro oportunidades" .
a criança no colo); "ficou de coque e levantau sozinha" (ficou de cócoras e levan" . Identifica as condições
Condições para ensinar ou avaliar a resposta estão ausentes. Ex.: "Maria deverá remover
tou sozinha); "pai a brinquedoma lasia 4 veze eu nun situ ensinada" (pôs o brinque"
.... . de uma prancha" (não especifica se é com ajuda, sem ajuda, se o mediador dará modelo
do na bacia 4 vezes e eu não havia ensinado). Tais anotações são muito ilustrativas,
i6iristrução verbal ou se serão dados o modelo e instrução).
pois são indícios de generalização de comportamentos, tanto da criança como da Condições incompletas ou vagas, ou ainda inadequadas. Ex.: "Katia deverá transferir um
mediadora. Ou seja, a criança conseguiu realizar uma habilidade previamente ensi" uma mão para outra sem modelo".
nada por conta própria (colocar objetos em recipiente), tendo isso ocorrido fora da Condições presentes, precisas e adequadas. Ex.: "Marcela dirá seu nome ou apelido quan"
situação formal de treino (a mãe não estava ensinando). Por sua vez, a mediadora ;s,{)licitada, acertando três vezes dadas as oportunidades". "Vavá deverá, Quando deitado, fazer
foi capaz de perceber que tal acontecimento era relevante e, portanto, merecia ser '';'ço para sentar"se, recebendo impulso da mãe".
d.ldentifica critério de desempenho
registrado.
Critério ausente. Ex.: "Alex deverá saltar em um pé só". "não deve retirar as argolas da estaca".
Os registros das freqüências de comportamento encontram"se disponíveis pa" Critério vago ou incorreto. As incorreções podem ser atribuídas ao número muito grande
ra todos os comportamentos que foram ensinados às crianças por todas as media" tentativas, de tal forma Que a criança se canse,ou a critério muito exigente (100% para a área
doras e foram analisados em Williams (1983). motor) ou pouco exigente (por ex.: 50% para a área de linguagem). Ex.: "Edu"
De forma resumida as constatações que podem ser feitas a respeito do regis· calçar os sapatos acertando duas vezes em três tentativas (não fica claro se calçar um pé
tro das mediadoras são as seguintes: será considerado uma tentativa). "Chutar uma bola, dada a ordem, acertando dez vezes
1) Todas as mediadoras realizaram a maioria dos registros de desempenho da idez tentativas". "Repetir o som 'ah' acertando quatro vezes em oito tentativas".
Critério presente e adequado. Ex.: "Empilhar três blocos dada uma ordem verbal, acertan-
criança solicitados durante as sessões diárias de treino. Aúnica mediadora que dei" vezes das quatro oportunidades".
xou de realizar registros foi M3, o que ocorreu em sete de 23 semanas de treino. Evita palavras desnecessárias
Estes dados confirmam a constatação de Shearer e Shearer (1972) de que, ao reali" Desnecessariamente longo. Ex.: "Isabel deve ser capaz de traçar uma linha horizontal de"
zarem a avaliação inicial do Sistema Portage, observaram uma alta freqüência de a senhora deu o modelo. Ela deve acertar, sem ajuda, três vezes em cinco vezes que a se"
pais que realizavam registros diários (92,0%). No presente estudo, a replicação doS deu modelo".
dados de Shearer e Shearer (1972) é encorajadora, pois mediadoras sem instruçãO Contendo até três palavras desnecessárias. Ex.: "Isabel deve ser capaz de traçar uma linha
dado o modelo, acertando três de cinco tentativas".
Inventário Portage OperacionaÜzado Portage Operacionalizado 99
com nivel instrucional bastante reduzido conseguiramreãliiãCregistros razoa- . Contendo apenas o o o o 00 •
velmente complexos, com relativa facilidade. acertando três de cinco
2) De modo geral, as mediadoras apresentaram uma tendência no sentido de
superestimar o desempenho da criança em relação ao desempenho anotado pelas • PROCEDIMENTO
professoras. Oprincipal indício disso encontra-se nos casos em que a criança não
Identifica local de treino
atinge o critério com a professora, após uma semana de treino (portanto, na pós-li· Ausência de qualquer especificação sobre local de treino. Ex.: "D. Janete mostre o bloco
nha-de-base), sendo que, no mesmo dia, durante a sessão com a mediadora, o de- para a Aninha e peça a ela para dizer de que cor é".
sempenho da criança atinge o critério. Local de treino implfcito. Ex,: "D. Cecilia, de frente para o espelho, dê a escova com pasta
3) Uma possível explicação para a tendência das mediadoras a superestimar o Marcelo escovar os dentes enquanto a senhora escova também". "D. Maria, leve o Carlinhos
desempenho da criança poderia residir no fato de que o treinamento do comporta- lugar calmo e tranqüilo da casa".
Local de treino explfcito: Ex.: sala, quarto, sofá, cama, mesa etc. "o. Cecília, leve o Marcelo
mento de registrar não tivesse sido suficiente para elas. Uma forte evidência disso
banheiro e, de frente para o espelho, lhe dê a escova com pasta"...
é encontrada em MS, cujo desempenho em registrar se encontrava ligeiramente
abaixo do critério estabelecido pela professora durante a linha-de-base; porém, Identifica o material a ser utilizado
após o treino, MS não conseguiu captar oscilações do desempenho da criança, atri- Ausência de qualquer especificação sobre o brinquedo ou material.
buindo 100% de acertos para todas as ocasiões. Nesse caso, um período mais pro- Material implícito. Ex.: "Brinquedo de que a criança goste", "alguma coisa que chame aten-
longado de treino quanto ao registrar seria conveniente, bem como obtenção de da criança", "objetos", "coisas lamiliar?s".
medidas de concordância ou fidedignidade entre os dados coleta dos pelas profes- m Material explícito. Está claro qual ou quais Objetos o mediador vai utilizar. Ex.: lápis, papel,
chocalho etc.
soras e mediadoras, durante as visitas domiciliares.
Além disso, não se pode excluir a hipótese de que o erro da criança era aver- 6. Idimtifica a freqüência de sessões de treino
sivo à mediadora. Ou ainda, poderia ser aversivo ter que mostrar à professora erros (O) Ausência de identificação.
da criança, uma vez que estes poderiam ser interpretados como erros da própria (1) Identificação vaga ou incompleta. Ex.: "Faça os exercícios nos horários livres da senhora",
mãe, ao aplicar o procedimento. Estes são aspectos que poderiam receber um apro- os exercícios na hora em que a senhora quiser".
fundamento maior em futuros estudos semelhantes. (2) Identificação precisa ou completa. Ex.: "Você deve ensiná-lo uma vez por dia, todos os dias
4) Independentemente de as mediadoras terem superestimado o desempenho "Faça os exercícios pela manhã e à tarde", "Faça o exercício nas refeições: café da ma-
e jantar".
da criança ou não, o fato é que elas foram capazes de ensinar a grande maioria dos
comportamentos propostos a seus filhos. Este aspecto sugere que a adequa cidade 7; Identifica contingências para acerto
do registro não parece ser um componente essencial para a obtenção de mudanças (O) Não Identifica.
comportamentais, o que já foi sugerido por Herbert e Baer (1972) em um estudo cu- (1) Identifica mas contingências são vagas, imprecisas. Ex.: "Elogie Beth sempre". "Agrade
o
jas mães não obtiveram um alto grau de concordância com o observador da freqüên- Quando ele está se comportando bem".
cia de atenção dada por si próprias a comportamentos adequados de seus filhos. (2) Identifica corretamente. Ex.: "Se a criança acertar, diga·lhe: 'Legal! Você acertou', ou pas-
Entretanto, segundo tais autores, pode haver um ponto limite em que um excesso mão na sua cabeça, ou dê uma bala".
a. Seleciona reforçadores apropriados
de discordância esteja associado a fracassos no treino da criança. Cabe, portanto, {Dl Não seleciona
ressaltar que a função do registro executado pelas mães é um aspecto que neces- (1) Seleção inadequada de reforçadores, ou seja, usar reforçadores materiais sem que estejam as-
sita ser investigado com maior detalhe pela área de intervenção com famílias. A com reforçadores verbais ou usar reforçadores caros, não disponíveis na famma (Ex.: danone).
literatura parece concordar que o registro é fundamental para o sucesso dos traba- (2) Seleção de reforçadores apropriados, baseado numa análise prévia com dados concretos
lhos. Entretanto, se este é útil como auto controle, auto-reforçamento ou apenas que a criança goste ou não. Ex.: "Toda vez que a Juliana disser 'ah' dê um sorriso e fale: Isso,
HiJhinh:J1 Muito bem".
ljoo Inventário Portage OperacionalizadQ
Portage Operacionalizado 101
Extremamente repetitivá'ila'estollia"4e'fefórçadores (reforçadores idênticos nas tiB,;l""
finslruções). Ex.: nas três últimasinslruções:"Diga muito bem quando Romeu acertar".
3) Opinião das Mediadoras sobre o Projeto (1) Varia os reforçadores mas não o necessário (em três instruções, pelo menos um reforça-
As opiniões das mediadoras sobre o projeto foram extremamente favoráveis, diferente). Ex.: em duas instruções diga: "Parabéns Alexandre, você acertou". Em uma instru-
quer sobre o projeto como um todo, para o qual as opiniões se dividiram entre o polegar, fazendo sinal de positivo toda vez que ele acertar".
ótimo (Ml, M3 e M4) e bom (M2, M5 e M6), quer sobre os seus benefícios para as Reforçador diferente para cada comportamento. Ex.: Diga: "Isto, você fez certinho"; "Que
bonito"; Sorria e jogue um beijo ao Paulinho, quando acertar".
crianças (todas foram unânimes em dizer que o projeto estava ajudando muito),
quer sobre benefícios para si próprias (também unanimidade no sentido de dizer 8. Identifica contingências para correção
que estavam lucrando muito) ou, ainda, quer sobre o desempenho das professoras (O) Não identifica .
(considerado ótimo por todas as mediadoras). Além disso, na entrevista realizada Identifica mas contingências são vagas ou imprecisas. Ex.: "Toda vez que Pedro errar, dê
.' (1)
no seguimento com M5, três meses após o término do programa, a mediadora con-
firmou suas opiniões favoráveis: achou o projeto bom, sendo que muito havia aju- Identifica corretamente e de forma explícita. Ex.: "Toda vez que errar segure a mão do
e faça o traçado com ele". "Se Júnior errar, faça um círculo pontilhado e peça para ele tra·
dado na educação da criança; ela pessoalmente havia lucrado muito com o projeto o modelo".
e o desempenho da professora havia sido ótimo. Esta unanimidade de opiniões favo- Seleciona técnica de ensino apropriada.
ráveis ao projeto é semelhante à encontrada por outros pesquisadores que utiliza- Não seleciona
ram o Sistema Portage (Peniston, 1972; May, 1980); na aplicação do Sistema Portage Seleção inadequada. Ex.: Sugerir ajuda ffsica para abotoar o casaco quando a criança, ape·
no Peru (Jensien, Aliaga e lia nos, 1979), 90% dos pais afirmaram que o programa instruções, o conseguiria.
trazia benefícios às crianças. Seleciona tipo de ajuda adequada, ou seja, sugere utilização de: ajuda ffsica, modelo, "di-
(instruções mais detalhadas), "dicas" visuais ou gestuais. Ex.: "Dar apenas instruções
Entre as justificativas encontradas para o fato de as mediadoras apreciarem o Verbais para abotoar o casaco".
projeto, algumas tiveram como enfoque mudanças no repertório da criança (M2: "a :Seleciona o grau de ajuda Hsica apropriadO.
criança já não faz tanta reinação"; M3: "a criança está desenvolvendo bem, de pri- seleciona.
meiro nem andava" e M5: "ele já melhorou bastante do braço"). Outras focalizaram Seleciona, mas o grau de ajuda está vago, impreciso ou inadequado. Ex.: "Dê ajuda". "Ajude
na melhora do seu próprio relacionamento com a criança (Ml: "o projeto me ensina quando necessário" ou segurar a criança pela cintura para andar (ajuda total), quando se-
como eu devo 'mexer' com a criança"; M6: "auxiliou na educação da criança"). 4ficiente apenas a mão.
A Mediadora 4, em contrapartida, chamou atenção para um benefício indireto Seleciona grau de ajuda apropriado. Ex.: "Toque o cotovelo de Cristina com um dedo e em-
o objeto ao invés de guiar a mão da criança até o objeto". "Dê forma aos lábios de Pa·
que o projeto lhe havia proporcionado - ter conseguido médico para examinar a cri- .ela dizer ma".
ança. Neste sentido, o benefício de ter acesso, por intermédio do projeto, a exames Propõe esvanecimento adequado.
médicos contribuiu, muito possivelmente, para manter a motivação de algumas das Não propõe.
mediadoras, que ver balizavam com freqüência terem gostado do atendimento médi- Propõe inadequadamente ou de forma vaga. Ex.: "Comece dando modelo e depois ajuda fí-
co recebido via o projeto. Principalmente porque tais famílias estavam habituadas poucos, vá dando menor ajuda".
a receber um atendimento médico muito rápido (via Serviço de Saúde Pública) em Propõe adequadamente. Ex.: "Retire aos poucos sua ajuda ffsica, passando a segurar o bra-
com menor número de dedos. até um simples roçar no braço".
que, via de regra, não eram dadas explicações detalhadas sobre o problema da cri-
ança. Embora o objetivo central do atendimento médico não tenha sido o de "agra- Registro
dar" as famílias, mas sim de ajudar a conhecer melhor a criança, para melhor inter· forma de registro adequada e simples.
ferir favoravelmente em seu desenvolvimento, este aspecto motivacional não deve 'JU}.Ausente, ou não propõe.
Forma de registro sofisticada, complexa ou insuficiente (muito ampla). Ex.: "Registre como
I1Q2 Inventário Portage Operacionalizado
Portage Operacionalizado 103
para escovar dentes",
venção com pais de crianças com necessidades especiais. forma de registro actequáda e slmplésnstodeve aparecêrcomo parte do procedimento;.
A maioria das mediadoras afirmou não ter apresentado grandes dificuldades na folha de instrução enão no. verso. Ex.: "Registre se Nelson acertou (c), errou (x)
em participar do projeto: Ml e M2 afirmaram não sentir nenhuma dificuldade, e M3, de ajuda (a) nas quatro tentativas diárias".
MS e M6 relataram sentir apenas um pouco de dificuldade no início. Apenas M4 rela- {Sistematizar registro do professor em gráfico.
redige gráfico ou faz gráfico a partir de dados inferidos, ou ainda gráfico em outra fo-
tou estar sentindo muita dificuldade, e sua justificativa envolvia a falta de colabo- a de instrução.
ração da criança em realizar os treinos. 'IÜSistematizar inadequadamente. Ex.: Gráfico com ordenadas incorretas.
Em relação às justificativas a respeito do que elas próprias estavam lucrando F(2)Sistematiza adequadamente, ou seja, ilustra o desempenho da criança em termos de sua
com o programa, a maioria das mediadoras identificou comportamentos importan- ide base e pós' linha de base.
tes da interação mãe-criança: "c.• Sistematiza registro do mediador em gráfico.
Não faz gráfico, ou faz gráfico a partir de dados inferidos.
·,·a1lSistematiza inadequadamente, ou seja, faz gráfico de modo errôneo, ou faz em local ina-
Ml: "Passei a conviver mais com ela. Pretendo continuar com o programa porque
tem muitas informações úteis para eu lidar com CI. O programa ajudou porque Sistematiza adequadamente, ou seja, faz gráfico corretamente com dados diários do de-
aprendi muita coisa: como fazer a criança sorrir, a olhar para brinquedos". da criança, colefados pelo medIador.
M2: "Aprendi a trabalhar com a criança, fazendo os exercícios. A criança aprendeu
a brincar com bastantes brinquedos e está mais calma". I. ASPECTOS GERAIS
M3: "Estou aprendendo muita coisa, aprendi a brincar criança. Eu acho que o
1.0. Apresenta Informações suficientes e coerentes para o treino
programa está ajudando, muita coisa ela não sabia: ajuda ela a andar, está mais de-
(O) Não espeCifica contingências para acerto e/ou erro, incoerência entre o objetivo e o pro-
senvolvida, alguma coisa ela já fala, está mais sabida, mais esperta".
M4: "Fica mais fácil entender ele (o filho), aprofessora explica. Ele está se comportan- Deixa de especificar, local, material e/ou registro.
do mais, dá mais atenção com a gente, antes a gente não sabia como lidar com ele". Especifica: objetivo, condições, critério, local, material, freqüência de sessões, contingên-
M5: "Aprendi a brincar com a criança. Está ajudando o problema do braço (C5 é he- acerto e para erro e registro; coerência entre objetivo e procedimento.
miplégico) e ele já conversa bem. Ele aprendeu a se vestir, jogar bola, pular".
M6: "Eu aprendi a conversar mais com a criança. A criança ficou mais desinibida. Con- .11. Evita Informações desnecessariamente longas
Extremamente discursiva, contendo informações irrelevantes.
segue balbuciar algumas palavras como pá". (Cabe lembrar que C6 apresenta surdez Forma discursiva, não contendo informações irrelevantes.
e, até o início do projeto, a mãe praticamente só usava gestos com a criança). (2) Informações suficientes e sucintas, sem precisar de uma nova folha, sem conter informa'
irrelevantes e sob forma de itens.
Em relação a sugestões para um melhor andamento do programa, a maioria re-
latou que o projeto estava bom, não precisando de mudanças. As únicas sugestões 12. Apresenta vocabulário adequado em relação ao grau de Instrução do
concretas partiram de Ml e M3 e são bastante contrastantes:
(O) Vocabulário muito complexo ou sofisticado para o repertório do mediador. Ex.: Uso de pala-
IStécnicas desconhecidas, como contingências, bola de tamanho "médio", linhas "sinuosas" etc.
Ml: "Não tenho novas sugestões, pois tenho a liberdade de escolher os treinos, só (1) Vocabulário contendo apenas uma palavra técnica OU "difícil".
que acho que uma vez por semana é muito pouco. Poderia ser duas vezes pois assim . (2) Vocabulário adequado para o repertório do mediador.
teria mais dicas".
M3: "Fica difícil para eu levar na fisioterapia, não tenho saúde para levar, não tenho 13. Apresenta linguagem informal e não "fria" ou distante
muita paciência para ensinar, eu preferia que a Professora Bensinasse ela sempre". (O) Linguagem impessoal, sem referir-se ao nome da criança e do mediador e redigido no im-
como se fossem ordens ao mediador e não sugestões para treino.
:).1)4 Inventário Portage Operacionalizi!do
Portage Operacionalizado 105'
(fiSenhora" lIMediador"'" "adúltri"\
t'
Há um certo consenso, na literatura, de que é "difícil" ser bem sucedido com
todos os pais, sendo freqüente o numero de desistências ou evasões por parte deles Mana.,;, pegue o Joãozinho...", "D. Bebé... coloque o Neguico
dos programas de treinamento. Por exemplo, Morris (1973) relata que, de 80 famí'
lias de crianças com atraso global de desenvolvimento convidadas a participar de
Apresentação geral é adequada e completa
um treinamento gratuito em grupo, 41 famílias (51,2%) concordaram com o convite.
folhas rasuradas, letra indecifrável, sem assinaturas ou vistos pelo mediador.
Desse numero, apenas 14 famílias compareceram à primeira aula (34,1%), sendo Apresentando uma rasura iJu sem assinaturas.
que, dessas, 11 completaram o programa (78,5%). Feita a ressalva de que, se o trei' Sem rasurar, letra legível e com assinaturas (ou visto do mediador).
namento fosse no ambiente natural, este pesquisador provavelmente encontraria
uma porcentagem menor de evasão no início do programa, seria interessante com-
parar tais dados com os do presente projeto. Neste, todas as oito famílias contata-
das concordaram em participar. Apenas seis preencheram os critérios de modo a
efetivamente participar do projeto (75,0%), das quais cinco completaram o progra-
ma (83,3%). Observou-se, portanto, uma porcentagem de adesões maior do que a
citada por Morris, e uma porcentagem de complementação ligeiramente superior,
descontando-se o fato de que a amostra utilizada por ele tenha sido muito maior. A
porcentagem de pais que completou este estudo (83,3%) é bastante semelhante à
encontrada por Jensien, Aliaga e Llanos (1979) na aplicação do Sistema Portage no
Peru, onde foi constatado que 85,0% dos pais afirmaram querer continuar no pro-
grama. (No presente estudo, apenas M3 não quis continuar com o programa, inter-
rompendo-o antes de seu término).
Em função de sua experiência de trabalho com pais, Miller (1975) agrupou-os
em quatro categorias, de acordo com o sucesso ou não do treinamento. Neste sen-
tido, 66,6% das mediadoras do presente estudo (Ml, M2, M5 e M6) estariam próxi-
mas do que Miller (1975) descreveu como "pais do tipo I" por terem apresentado
uma resposta rápida e bem sucedida ao programa de intervenção. Este resultado
não deixa de ser animador, uma vez que, segundo ó levantamento realizado por
O'Dell (1982), apenas 24,9% dos pais trabalhados por pesquisadores da área eram
do "tipo I".
Em contrapartida, M2 estaria mais próxima, na categorização de Miller, de um
"pai do tipo li" na medida em que o resultado final do treino foi, de certo, positivo
(mãe ensinou à criança 91,3% dos comportamentos selecionados para treino), mas
ocorreram problemas durante a intervenção (neste caso, os problemas estiveram
associados à gravidez de M2).
Finalmente, M3 iniciou o estudo com um desempenho de pai do "tipo I"; no en-
tanto, com o passar do tempo, seu desempenho começou a apresentar quedas, im-
J06 Inventário Portage Portage Operacionalizado 107
as habilidades de modo desigual, e
"tipo IV", na medida em que interrompeu o trabalho antes de seu término.
Uma forte razão para as mediadoras, no geral, terem realizado o programa de
;or: Avaliador: ____________
intervenção com tanta assiduidade parece ter sido o fato de os trabalhos terem sido .;;,.,.c-_________________ Data: _ _ _ _ _ __
realizados no ambiente natural. Tal aspecto parece ter sido relevante, uma vez Que
o número de semanas em que o treino domiciliar não pôde ser realizado (número de
"faltas") foi mínimo para a maioria das mediadoras e, além disso·, eram decorren-
tes de razões bastante significativas. Em um total de aproximadamente 56 sema-
nas, Ml apresentou apenas três "faltas" (5,3%), duas deco.rrentes do fato de a
criança estar dormindo durante a visita e uma em decorrência de doença da crian-
ça. M2 apresentou apenas quatro "faltas" (7,1%), duas decorrentes de luto pelo
falecimento de seu marido e duas por motivo de doença da criança. (Na ocasião da
morte do marido, a professora propôs à família que o treino fosse interrompido por
um tempo indeterminado, mas a própria mediadora sugeriu que a interrupção fosse
apenas de duas semanas, pois o trabalho com a criança ajudá-la-ia a enfrentar a
perda do marido).
A Mediadora 6 apresentou também apenas quatro "faltas" (7,1%), sendo que,
em duas ocasiões, não se encontrava em casa na ocasião da visita da professora e,
em outras duas ocasiões, encontrava-se na casa de sua mãe, por ter se desenten-
dido com o marido.
MS apresentou cinco "faltas" (8,9%), sendo que duas foram decorrentes de a
família não se encontrar em casa durante a visita da professora, duas em decorrên-
cia da doença de familiares, e uma vez porque a casa estava sendo pintada.
M4 apresentou sete "faltas" (12,5%), sendo seis decorrentes de enfermidades
da criança e/ou de si mesma, e uma "falta" pelo fato de a criança estar dormindo.
Finalmente, M3 deixou de realizar 22 semanas de treinos domiciliares
(39,2%), sendo Que os motivos foram: mudança para outra cidade (nove semanas);
não ter realizado treinos semanais (cinco semanas); criança enferma ou hospitali- prescrever
zada (cinco semanas) e mediadora não se encontrar em casa (três semanas).
Seria conveniente tecer alguns comentários sobre possíveis fatores que teri-
am dificultado a atuação de M3 no projeto, levando-a a interromper sua participa-
ção no final. Nos cinco primeiros meses do projeto, M3 teve uma participação ativa,
realizando os treinos assiduamente e chegando inclusive a ensinar sua filha a andar, O: não apresentou o passo N.A.: não se aplica
o que era sua principal expectativa. Logo após o treino de marcha, a família resol- 1.0: apresentou de forma inadequada . LB =linha de base
veu de forma bastante abrupta mudar-se de São Carlos. 2,0: apresentou adequadamente PLB = p6s linha'de'base
Dois meses após a referida mudança, a professora encontrou-se casualmente por Lúcia C. de A. Williams e Ana Lúcia R. Aiello
'108 Inventário Portage Operacionalizado Portage OperaCionalizado 109
',-'- '--,--' .
participar do programa. Os treinos foram retomados e, logo a seguir, M3 constatou " ReàlliarTft!lno Domiciliar*
que estava grávida, tendo sua atuação nos trabalhos com a criança oscilado deSde
essa época. V"ontato inicial: conversar com o mediador sobre temas corriqueiros que não o treino, a não
própria mediador inicie conversa sobre treino. Ou seja, depois de cumprimentar o media'
Nos últimos meses do projeto, ficou claro que os problemas de M3 precisariam pelo menos uma pergunta oU comentário sobre o tema não relacionado ao treino. Exemplo:
de uma ajuda psicológica que extrapolava as funções da professora. Apresentava melhorou da tosse? Maria, como foi de ida ao médico? Que bom que parou de chover!"
um nervosismo excessivo e muitos comportamentos hipocondríacos: tomava vários
remédios a despeito de estar grávida e afirmava freqüentemente que precisaria ser Introdução ao treino: após contato inicial, o professor deve começar a verbalizar sobre o
internada. M3 foi, conseqüentemente, encaminhada pelo projeto a uma clínica onde , realizado. Tal conversa deve ocorrer, no máximo, dentro dos dez minutos iniciais da visita do
receberia uma terapia psicológica gratuita. Entretanto, não chegou a comparecer a a não ser que o mediador traga um problema sério a ser discutido não relacionado com
qualquer das sessões. verbalização deve ser dirigida no sentido de verificar, de modo geral, se os treinos foram
realizados, se a criança aprendeu ou não, se houve algum incidente ocasional etc.
Com autorização de M3, foi feita uma visita a seu médico (neurologista) para
se discutirem os medicamentos que tomava. Omédico afirmou que ela apresentava Analisar razões pelas quais certos treinos não foram feitos: se houver algum problema
um diagnóstico de depressão bipolar, tendo sido internada por ele em hospital psi- à realização de um ou mais treinos (isto é, o mediador deixou de realizar treinos ou verbali-
quiátrico no passado. , " encontrado muita dificuldade para treinar um determinado objetivo), o professor deve anali'
rasrázões pelas quais isso ocorreu. Analisar as razões significa fazer perguntas ou observar a si-
Em relação a isso, Wiltz (1969) e Patterson (1965) excluíam em seus projetos
, de treino o suficiente para ter condições de propor uma solução ao problema em conjunto
de pesquisa pais que eram psicóticos. Entretanto, parece ser problemático excluir
mediador.
a priori pais do treinamento.
4a, Coletar dados de pós-Linha·de-Sase (PlB): o professor deve pedir para o mediador realizar
c) BENEFíCIOS DO PROJETO PARA AS PROFESSORAS os treinos deixados previamente (inclusive em relação aos objetivos que o mediador teve difi'
de treinar) e observar o desempenho da criança. Oprofessor deve anotar em qualquer papel
1) Programação de Instruções Escritas cada tentativa, a criança acertou ou não. Deverá fazer isso para cada um dos objetivos.
4b. Coletar dados de PLB do mediador: nos casos em que os comportamentos treinados no me-
Odesempenho das professoras quanto à elaboração de instruções escritas en-
forem diretamente relacionados ao treino da criança, o professor deverá observar o desem-
contra-se resumido a seguir.
do mediador ao realizar os itens 4 e 5. Caso contrário, ou seja, se 05 comportamentos treina-
1) No decorrer dos 14 meses de treino com as mediadoras, as professoras ela- mediador forem independentes do treino da criança, o professor deverá pedir para o media-
boraram sistematicamente instruções escritas para todas as mediadoras. drrealizar tais treinos e observar seu desempenho. Por exemplo, quando o mediador está sendo
2) As instruções das professoras eram, no gerai, bastante adequadas, desde a propor atividades a seus demais filhos (e não apenas à criança). Oprofessor deverá ano-
a linha-de-base do estudo. Dois fatos podem ser deduzidos dessa afirmação: a) o folha de registro para treino do mediador, se este apresentou (+) ou não (-) aquele determi'
comportamento, fazendo isto a cada tentativa e para cada objetivo trabalhado.
treinamento inicial fornecido para programar instruções foi razoavelmente ade-
quado, uma vez que, no passado, nenhuma das professoras tinha tido experiências 5a. Elaborar gráfico: o professor elabora gráfico na folha de instrução, com base nos dados do
semelhantes de programação escrita de, treinos. Além disso, o Sistema Portage da criança, dados esses coletados tanto a cada sessão de treino pelo mediador como
parece favorecer a programação de treinos, na medida em que fornece modelos ele próprio por ocasião da linha-de-base e PlB.
(embora não detalhados) de como programar treinos no fichário do Guia Curricular 5b. OProfessor deverá anotar o desempenho observado em um gráfico especificamente ela-
Portage (Bluma, Shearer, Frohman e Hilliard, 1976; Bluma, Shearer, Frohman e Hil- para aquele comportamento do mediador.
liard, 1978); b) Adicionalmente, não pode ser descartada a hipótese de que os cri-
térios propostos para a correção das instruções poderiam ter sido mais exigentes,
'([Iacorado por Lúcia C, de A. Williams e Ana Lúcia R. Aiello
no Inventário Portage Operacionalizado líll/j;nt/írin Portage Operacionalizado 111
um . _.... _ . c._,
linha-de-base. Entretanto. o fato de não existirem relatos ou dados de pesquisa critério (se houve umaàproximaçllo),O;rofessor deve procurar envolver omediadôr
sobre o treinamento dado ao professor pelo Portage dificulta tal tipo de análise. ao interpretar os resultados, procurandO fazer com que este estabeleça relações fun-
3) O procedimento de avaliações detalhadas das instruções (envolvendo o desempenho observado e variáveis de treino. Ex.: "Viu como foi só a senhora segu-
"feedback"quantitativo) parece ter sido responsável por uma melhora no desempe- dele para ele começar a levar a colher à boca?".
nho de ambas as professoras. apontando no gráfico, se o comportamento do mediador atingiu ou não o critério (ou
riroaressos em relação à Oltima sessão).
4) Tudo leva a crer que receber comentários detalhados e quantificados sobre
suas instruções parece ter sido algo de natureza reforçadora às professoras. Isso '1; Recolher as folhas de instruções: solicitar ao mediador as folhas de instruções que não mais
é importante de ser mencionado, porque a proposta de avaliação prévia das ins.
truções surgiu para evitar o problema que começou a aparecer no início do estu-
do, de a professora ter "esquecido" de elaborar instruções ou não ter tido tempo Dar instrução para novos treinos: ler ou contar, com base na folha de instrução previamen-
de fazê-Ias, passando a dizê-Ias oralmente, ou redigi-Ias na casa da família. À todas as informações relevantes ao treino: objetivo, local, material, contingências para
medida em que as prOfessoras passaram a receber comentários prévios às visitas erro e registro.
Mediador: contar ou ler, com base na folha de instrução. previamente elaborada, todas as
domiciliares, verbalizaram que se sentiam muito mais seguras para realizar os trei-
rmações relevantes ao treino: objetivo e procedimento.
nos com as famílias.
5) Seria importante pesquisar, em futuros projetos, maneiras de aperfeiçoar o ·9a •. Coletar dados de linha·de-base (lB) dos próximos comportamentos a serem treinados: o
sistema de "feedback" empregado nesse estudo_ Em termos de implicações práti- dá instruções ao mediador para testar os comportamentos a serem instalados na criança,
cas, seria relevante averiguar até que ponto o procedimento utilizado na fase 5 . o seu desempenho a cada tentativa para cada comportamento.
poderia ser empregado com sucesso desde o início. Assim que o desempenho de oprofessor dá instrução ao mediador para realizar o comportamento Que será trabalhado
Dependendo do comportamento a ser instalado, o desempenho do mediador pode ser
elaboração de instruções estivesse suficientemente alto, este poderia ser interrom- e registrado no item 10, relativo à criança, ou em uma outra situação especificamente ela-
pido, realizando-se apenas "sondagens" eventuais para constatar ou não sua manu- para tal.
tenção.
Dar modelo: professor realiza o treino com a criança. dando modelo ao mediador de como
2) Desempenho da Professora ao dar Instruções Orais ressaltando os aspectos importantes da instrução, se necessário.
Conforme previamente mencionado, durante certas sessões de observação nas
11. Instruir o mediador a praticar o treino: solicitar ao mediador Que realize com a criança os
casas das famílias, notou-se que as professoras estavam dando instruções orais às
demonstrados no item anterior pelo professor.
mediadoras, de forma um tanto apressada, sendo que certos aspectos importantes
da programação estavam sendo omitidos. Em função disso, estabeleceu-se um siste- 12. Dar "feedback" sobre a atuação do mediador: elogiar o mediador por ter realizado o trei-
ma de observação do desempenho da professora ao transmitir instruções orais às coletado dados, por ter se esforçado num determinado aspecto etc. Exemplo: "Cue bom. Do-
mediadoras, sendo que uma síntese dos dados observados se encontra na Tabela 6. °
a senhora fez os treinos!", "Muito bom este registro da senhora". professor deve elogi-
t;aspectos positivos e corrigir aspectos negativos que ocorrerem. propondo ao mediador formas ai-
einàtivas de superá-los. Oelogio deve ser de forma entusiástica, sem ser mecânico, e a correção
ser natural, sem ser aversiva.
13a. Decidir sobre Que comportamentos prescrever para daí a duas semanas: o professor apre-
ao mediador uma lista de comportamentos da criança e ambos decidem quais seriam relevan-
para serem ensinados. Oprofessor analisa, com o mediador, o porquê de certos treinos serem
112 Inventário Portage Operacionalizado
Portage Operacionalizado 113
as mediadoras durante sessões de treino domiciliar
quanto a Criança se distraia etc.).
Mediadoras in 13b. o professor apresenta ao mediadoralguma(s) opção(ões) de comportamentos dele pró,
Itens observados Ml M2 M6 M3 M5 'ió(mediador) que poderiam ser treinados •. Ambos decidem quais seriam prioritários para treino,
...
Total de episódios observados 12 11 5 3 5 '<'0 Que o professor deverá auxiliar a tomada de decisão, fornecendo explicações a respeito da
Total de episódios ocorridos 93 86 64 41 58
determinados comportamentos serem ou não relevantes para treino.
% de episódios observados em relação ao total 13,0 12.7 8,0 7,3 8,6
Utilizou instruções 100 45,4 20,0 66,6 63,6
Identificou comportamento .. . 100 100 100 100 63,6 Reformular treinos, se necessário: após ter analisado as razões pelas quais determinados
Objetivo Identificou critério de aprendizagem 58,3 54,5 60,0 100 63,6 não foram bem sucedidos (duas semanas consecutivas em que a criança não evoluiu), o pro-
... Identificou condições antecedentes· .. 16,6 O O 66,6 36,3 formas diferentes de conduzi-los.
Relacionou desempenho em linha-de-base com critério final O O O 33,3 36,3
Procedimento I Identificou contingências para acertos . ..... . 33,3 18,1 O 33,3 54,5 de Atribuição de Pontos
I Identificou contingências para erros 16,6 36,3 91.0 66,6 72.7 apresenta o comportamento.
Utilizou vocabulário adequado ao mediador .
91,6 100 60,0 100 91.0 if'Apresenta o comportamento, porém com inadequações com base na definição, ou apresenta o
Forneceu informações suficientes para treino 41,6 9,0 O 33,3 72,7 Importamento adequadamente, porém em uma seqüência diferente da proposta. a ponto de preju-
Certificou'se que a mediadora entendeu as instruções· . O O O O 54,5 ândamento da sessão.
2) Apresenta o comportamento adequadamente conforme a definição.
ATabela 6 ilustra o desempenho das professoras ao trªnsmitir instruções orais
em termos percentuais. Estes dados devem ser analisados com certa cautela, pois
apresentam duas restrições: a) a porcentagem de episódios observados foi bastan-
te baixa em relação ao total de instruções transmitidas, como pode ser visto na ter-
ceira linha da tabela (a porcentagem de episódios observados variou entre 7,3% a
13,0%); b) além do número reduzido de observações, todas foram realizadas na
mesma época (12 0 e 13 0 mês do programa, próximo, portanto, de seu fim e não ao
longo do estudo). Tendo sido questionada a representatividade da amostra, os da-
dos apresentados a seguir parecem servir mais como ponto de partida do que para
conclusões definitivas.
A Tabela 6 indica que, nas observações realizadas, nem sempre as professoras
utilizaram as instruções previamente elaboradas (não utilizar a instrução significa
ter relatado o treino a ser feito à mediadora, sem o auxílio da instrução escrita, ou
seja, "de memória"). Por exemplo, em todos os episódios observados de PA com
M1, a professora fez uso das instruções. Entretanto, em relação à interação de PA
com M2, foi feito uso da instrução em apenas 45,4% dos episódios observados, o
mesmo ocorrendo em apenas 20,0% dos episódios observados de PA com M6. Em
relação à Professora B, foram lidas as instruções em cerca de 60,0% dos episódios,
tanto para M3 quanto para M5. (Convém lembrar que não dispomos de dados das <
instruções dadas por PB a M4, uma vez que, nos dias em que o observador esteve
1114 Inventário Portage Operacionalizado Portage Operacionalizado 115
'Observaçã
ofato de as professoras nem sempre utilizarem ou lerem as instruções não TMtruções. Orais aó
parece ser um agravante, pois elas poderiam ter memorizado todos os seus prin- : _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _--'-Data: _ _ _ _ _ _ _ _ __
cipais aspectos. Nesse sentido, convém analisar quais aspectos das instruções : _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ Avaliador: _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
foram transmitidos às mediadoras na amostra de episódios observados, o que será
feito a seguir.
Em relação aos objetivos comporta mentais contidos nas instruções, nota-se,
nos episódios observados, que as professoras faziam sempre menção ao comporta-
mento a ser instalado pela mediadora na criança (isso não ocorreu em 37,4% dos
episódios de leitura de instrução de PB com M5). Além disso, as professoras identi-
ficaram, com relativa freqüência, o critério de aprendizagem envolvido no objetivo
comportamental, sendo que PB mencionou os critérios envolvidos com maior fre-
qüência do que PA. Em relação à identificação das condições antecedentes envolvi-
das nos objetivos, observou-se que a Professora A era bastante omissa, não tendo
identificado tais condições em nenhum dos episódios de instrução observados para
M6 e M2, enquanto isto ocorreu em apenas 16,6% das instruções observadas para
M1. Por sua vez, PB teve um melhor desempenho quanto a este item.
Nos episódios observados, o vocabulário utilizado pela professora era bastan-
te adequado ao nível instrucional das mediadoras. Em relação aos demais itens da
instrução houve, freqüentemente, omissões por parte das professoras. A Professora
A jamais relacionou para as mediadoras, nos episódios observados, o desempenho
da criança em linha-de-base com o critério final, talvez porque esta informação
estivesse já explícita quando era realizada a própria linha-de-base. Por sua vez, PB
relacionou o desempenho da criança em linha-de-base com o critério final em TOTAL
36,3% nas instruções observadas à M5.
Em relação à descrição do procedimento a ser utilizado, as professoras identi-
ficaram, com maior freqüência, contingências para erros do que para acertos. Ou por Lúcia C. de A. Williams e Ana Lúcia R. Aiello
seja, informavam com maior freqüência o que a mediadora deveria fazer quando a
criança errasse do que quando acertasse, talvez porque, a essa altura do projeto, já
estivesse implícito que a mediadora deveria sempre reforçar os acertos da criança.
Em relação à transmissão oral de informações gerais sobre o procedimento, PB te-
ve, no geral, melhor desempenho durante as observações do que PA. Além disso, a
Professora A quase nunca forneceu informações suficientes para treino (no caso
das instruções à M6, fica clara a relação entre pouca utilização da folha-de-instru-
ções e fornecimento insuficiente das informações, sendo o inverso também verda"
deiro: quanto maior controle do texto, maior o número de informações transmitidas,
Inventário Portage Operacionalizªdo Portage Operacionalizado 117
·tál Como ocorreUllárà M1>. Adicionalmente, PA nunca cerHfiCoif'se;seja por pergun-
tas ou comentários, de que a mediadora havia ou não entendido as instruções, sen- dO Professores*
do isso também verdadeiro para os episódios observados de PB à M3.
Partindo-se do pressuposto de que as observações ilustradas na Tabela 6 te- Data: _ __
nham alguma representatividade, surgem algumas perguntas: em primeiro lugar, in- opinião ou impressão sobre o projeto?
dependentemente das omissões apresentadas pelas professoras ao dar as instru-
ções, o fato é que, no geral, no decorrer de todo o estudo, ambas foram capazes de
ensinar às mediadoras a instalar inúmeros comportamentos nos filhos. Seriam tais eram suas expectativas antes de iniciar este projeto?
falhas no desempenho de dar instruções orais irrelevantes para o sucesso ou fra-
casso dos treinos? Ou, por outro lado, caso estas falhas não tivessem sido apresen-
'. Que, sua experiência no projeto confirmou ou não tais expectativas? E, por Que?
tadas, haveria um melhor desempenho por parte das mediadoras e conseqüente-
mente uma maior aceleração nos ganhos das crianças?
Uma hipótese a ser considerada é que todas as informações (ou pelo menos a sua opinião sobre:
sua maioria) contidas nas fOlhas-de-instruções eram imprescindíveis para o treino 1,Otreinamento inicial Que você recebeu:
e foram, no geral, transmitidas à mediadora em outros momentos que não durante
a "leitura" das instruções. Essa é uma hipótese plausível, uma vez que o procedi-
que você recebeu:
mento de treino domiciliar envolvia outras etapas que não apenas a transmissão de
instruções (por exemplo: modelo por parte da professora, "feedbac/(' à atuação do
mediador, enfim, procedimentos que envolvem comportamentos muito mais úteis trabalho com as famOias:
para a aprendizagem do que o comportamento passivo de "ouvir" instruções orais).
Dentro dessa linha de raciocínio, talvez tenha sido por essa razão que PA nunca te-
opinião, o projeto proporciona beneficios para os pais e crianças envolvidos? Se sim, dê
nha se preocupado em certificar-se de que a mediadora havia compreendido as ins-
se não, justifique.
truções, uma vez que, em passos posteriores do procedimento, haveria oportunida-
des concretas de constatação deste fato. (Por exemplo, a etapa em que a mediado-
ra praticava o novo treino diante da professora). Uma análise, portanto, do desem- uma análise de sua atuação no projeto: Em Que aspectos você sente mais dificuldade e por que:
penho da professora durante toda a seqüência de passos do procedimento domici-
liar seria conveniente, o que será feito mais adiante. '
Uma segunda hipótese diz respeito ao fato de que as professoras poderiam
omitir aspectos da instrução que poderiam estar falhos em seu próprio planejamen-
to. Ou seja, pode ser que as professoras não tenham tido condições para um bom é mais "gostoso" de fazer?
desempenho no que se refere à transmissão de um determinado item, uma vez que
não tenham conseguido elaborá-lo de forma conveniente. Neste sentido, procurou-
se analisar quais os tipos de erros, mais freqüentes, relativos à elaboração de ins- é mais difícil? Por Que?
truções e qual a relação entre estes erros e omissões durante sua transmissão oral.
Quanto a isso, não foi observada correlação entre instruções bem ou mal redigidas
e instruções transmitidas com maior clareza ou profundidade.
por Lúcia C. de A. Williams e Ana Lúcia R. Aíello
J18 Inventário Portage Operacionalizádo 119
liélltário Portage Operacionalizado
que
desempenho mais adequado do que a Professora A, em termos de transmissão de
instruções orais. Em relação ao repertório escrito, contudo, foi constatado o inver-
so: PA teve maior facilidade em redigir instruções do que PB. (Convém lembrar que o projeto pode ser
PA apresentou superioridade em relação à PB quanto ao nível operante de elabora-
ção de instruções e, além disso, apresentou em todas as fases média de acertos
ligeiramente superior à de PB). ou comentários
Uma última hipótese, porém mais remota, diz respeito ao fato de que as infor-
mações omitidas pela professora poderiam ser superadas pela leitura posterior de
folha-de-instruções pela própria mediadora, ou no caso de não saber ler, por parte de
algum familiar. Isso envolveria futuras observações e uma análise detalhada da fun-
ção e utilidade que tenha, ou possa vir a ter, a instrução escrita para toda a família.
3) Apresentação da Seqüência de Passos do Procedimento de Treino
Domiciliar
Conforme mencionado anteriormente, foram realizadas observações durante o
estudo, por parte dos pesquisadores, não apenas da transmissão de instruções
orais pelas professoras, mas de seu desempenho global, em termos da apresenta-
ção da seqüência de passos do procedimento de treino domiciliar.
Os dados apresentados a seguir complementam a análise iniciada na Tabela 6.
Entretanto, a interpretação destes dados deve ser cuidadosa, uma vez que as mes-
mas restrições feitas à Tabela 6 também estão presentes: a saber, foram observa-
das poucas sessões de treino que, por sua vez, estiveram distribuídas na metade
final do estudo.
As professoras apresentaram alta porcentagem (no geral, acima de 75%) nos
episódios observados: a) apresentar contato inicial adequado; b) coletar dados de
pós linha-de-base do desempenho da criança e, da mediadora; c) coletar dados de
linha-de-base dos comportamentos a serem treinados na criança; d) dar instruções
para o treino da criança.
Os passos a seguir foram apresentados pouco freqüentemente ou de maneira
bastante oscilante pelas professoras: a) elaborar gráfico do desempenho da crian-
ça e da mediadora (PA elaborou durante a visita, com maior freqüência, gráficos do
desempenho da criança do que da mediadora; o inverso foi observado em PB); b)
analisar os resultados, junto à mediadora, do treino realizado com a criança; c) dar
instruções para os treinos da mediadora; d) coletar linha-de-base dos comporta-,
mentos da mediadora; e) decidir, juntamente com a mediadora, que comportamen-
lZQ Inventário Portage Operacionalizªdo
!inventário Portage Operacionalizado 121
..
inha-de-base, uma vez que taJ'passo era sempre apresentado.
o passo "analisar os resultados do treino com a mediadora" foi apresentado (Finalmente, o passo "decidir coin a mediadora o que treinar a seguir" talvez
moderadamente por ambas as professoras. Finalmente, os passos a seguir foram sido pouco emitido, porque, na época do estudo em que as observações foram
apresentados de modo desigual pelas professoras: zadas, as prioridades de treino bem como sua respectiva programação já esta-
a) PB (descontando-se em relação à M3) dava, no geral, modelo à mediadora, bem estabelecidas, sendo desnecessário perguntar toda semana.
ao passo que PA o fazia com menos freqüência; b) PA, nas situações observadas, Nota-se que PB teve um desempenho em relação à M3 durante as observações
sempre proporcionava à mediadora ocasiões para que esta praticasse o treino (e, itidamente inferior a seu desempenho com M4 e M5: M3 não recebeu modelo, não
possivelmente, era neste momento que se certificava de que a mediadora havia condições de praticar o treino e não recebeu "feedback" durante a sessão.
compreendido as instruções), ao passo que, em relação à PB, isso ocorreu em todas falhas no procedimento, talvez, tenham contribuído para aumentar as dificul-
as observações com M4, poucas com M5 e nenhuma com M3; c) PA dava" feedbac/(' apresentadas no final do trabalho com M3, culminando com sua desistência.
à mediadora com maior freqüência do que PB que, durante as sessões observadas, Parece que, de modo geral, as professoras tenderam a ajustar o procedimento
jamais forneceu" feedback" à M3 e M4. para cada mediadora. Dentro dessa linha, seria conveniente que se analisas-
De modo geral, observou-se que as professoras realizaram com maior freqüên- os vários componentes do procedimento de treino domiciliar do Portage - ins-
cia os passos do procedimento relativos ao treino da criança, do que o treino da truções, modelos, "feedback" etc., inclusive avaliando-se a possibilidade de todos os
própria mediadora, com base no Inventário Comportamental de Pais (Boyd, Stauber 'componentes serem ou não indispensáveis para a obtenção de bons resultados.
e Bluma, 1917). Este último não foi realizado todas as semanas (por isso a pequena A média semanal de objetivos prescritos para treino por professora durante o
ocorrência de coleta de linha-de-base do comportamento da mediadora bem como foi a seguinte: Professora A, 2,1 comportamentos para Cl e C6, e 2,2 com-
de instruções para seu treino). As professoras alegavam diversos motivos para isso, :ilortamentos para C2; e Professora B, 1,7 comportamentos para C3, 1,0 para C4 e 2,2
principalmente o de falta de tempo. Porém, as próprias professoras chegaram a C5. Nota-se que a freqüênCia média de objetivos prescritos foi, no geral, bas-
admitir que achavam aversivo realizar o treino da mediadora proposto por Boyd et inferior à proposta pela Sistema Portage, de um mínimo de três objetivos por
aI. (1977). Em outras palavras, o treino da mãe enfatizando mudanças no comporta- 'semana. A não ser no caso de M4, que havia solicitado prescrição de apenas dois
mento da criança não era aversivo, mas o treino,da mãe enfatizando mudanças no ;.Objetivos semanais, alegando falta de tempopara realizar mais treinos, todas as ou-
próprio desempenho da mediadora o era. Parece que é u(ll fato socialmente bem mediadoras não costumavam reclamar do excesso de comportamentos a serem
aceito que a criança com necessidades especiais precise de ajuda para aprender, e (!reinados (pelo contrário, Ml, por exemplo, repetidamente reivindicava um maior
o fato de algumas mediadoras serem bem mais idosas do que as professoras prova- ,número de comportamentos para treino).
velmente serviu para aumentar a "aversividade" em questão: é muito mais freqüen- Oque muito possivelmente explica esta diferença de resultados observados em
te a criança ser encarada como aprendiz do que o adulto •. i !relação à proposta original é o fato de as professoras relatarem ser muito trabalho-
Muito possivelmente, a falta de tempo foi a principal razão que levou as pro- a programação e elaboração escrita dos comportamentos a serem treinados.
fessoras a elaborar poucos gráficos (seja do desempenho da mãe ou do da criança) Nesse sentido, talvez, se as exigências sobre as instruções escritas fossem menores,
durante as sessões de treino. Elas freqüentemente verbalizavam terem de simplifi- possivelmente haveria um aumento no número médio de prescrição de treinos e, tal-
car o procedimento para a visita não ser extremamente demorada. Sendo assim, vez, uma aceleração mais acentuada no desenvolvimento da criança. Por outro lado,
uma vez que os gráficos eram realizados após a visita domiciliar, a professora emi- pode ser que com menos exigências quanto à programação, os resultados, em ter-
tia este comportamento muito mais sob controle das exigências da coordenação do mos de ganhOS para a criança, não fossem tão positivos como os do presente estu-
que sob controle da utilidade dos gráficos para o trabalho das mediadoras. do. Além do mais, torna-se difícil entender como essa média poderia ser ampliada,
Da mesma forma, a análise dos resultados do desempenho da criança foi feita· pois as professoras relataram que o prazo de uma hora de duração sugerido para as
pouco freqüentemente, talvez por já estar implícita na própria coleta de dados de visitas domiciliares era, no geral, insuficiente para realizar todas as atividades pre-
í?2 Inventário Portage • -,.-,x-, Portage Operacionalizado 123
Tal filtose"agravâ;"ri'oYs;'sabê:se:âparÜrdas obser\laçõêS/domiciliares, que ponto de vista, da famnia com a criança
as professoras omitiam passos da seqüência do procedimento padrão e muitas vezes
I'élhorado, porque os familiares Ilassàtam a ter oportunidade de conhecer melhor
"liam" as instruções para a mediadora de forma bastante apressada.
i'rri'lOça, seus problemas, aprendendo, dessa forma, a lidar com ela de forma a pro-
No decorrer de 14 meses de trabalho, descontando-se os eventuais feriados ou
uma melhora em seu desenvolvimento.
semanas em que previamente se estipulava que não haveria sessões de treinos (e.g.
Ambas mencionaram que a mudança ocorrida não é unidirecional, no sentido
avaliação quadrimestral da criança), a Professora A faltou apenas a duas sessões
Pelo contrário, há uma troca ou intercâmbio mútuo de aprendi-
semanais de treinos e a Professora 8 apresentou um total de cinco faltas a sessões Witágem, uns aprendendo com os outros.
de treino. Essa assiduidade por parte das professoras, em relação às visitas domi- Em termos de treinamento inicial recebido (treino prévio ao início das visitas
ciliares, sem dúvida nenhuma, deve ter contribuído para a sistematicidade com que
domiciliares), ambas as professoras fizeram diversas críticas, achando-o "superfi-
as próprias mediadoras executaram os treinos.
cial" (PA) e mesmo "caótico" (PB). A professora 8 justificou suas críticas ao treino
De modo resumido, pode-se concluir que, no presente estudo, universitários
'inirial, dizendo que se sentiu insegura e ansiosa no início do trabalho, tendo adqui-
sem experiência prévia de trabalho com crianças excepcionais foram capazes de
maior segurança no decorrer do mesmo. A Professora A, por sua vez, comen-
aprender, sob supervisão específica, a atuar com familiares de excepcionais, de for- que o modelo de atuação da professora durante o treino domiciliar observado
ma a levá-los a acelerar o desenvolvimento de seus filhos. Este fato apresenta impli- elas, no início, não era adequado e fez sugestões para aprimoramento do trei-
cações práticas a nível da disseminação dos serviços prestados em Educação Espe- namento inicial: especificação melhor das funções do professor, ensaios préViOS
cial, na medida em que o repertório das professoras era semelhante ao repertório famílias não participantes do projeto, maior número de discussões e de expe-
de um paraprofissional, tal como na aplicação do Sistema PQrtage por Schortinghuis riências práticas desde o início. Por outro lado, PB sugeriu mais leituras e discus-
e Frohman (1974). Ao utilizar o paraprofissional no contato direto com a intervenção maior volume de informações no início.
da criança, o profissional ou especialista pode mudar de função, passando a dar as- Cabe acrescentar que, do ponto de vista dos pesquisadores, o treino inicial
sessoria ao paraprofissional, havendo com isto uma diluição nos custos dos progra- também foi bastante falho, sendo possivelmente válidas todas as críticas acima. O
mas. No caso específico de Educação Especial, este aspecto é vantajoso uma vez talvez não fique claro, a partir dos comentários das professoras, é que o trei-
que, por serem diversos os profissionais envolvidos (fonoaudióloga, fisioterapeuta, namento inicial não foi conduzido sob condições "normais". A primeira autora, que
psicólogo, terapeuta ocupacional, médico etc.), os programas de intervenção ade- era a coordenadora do projeto, teve que se ausentar exatamente no início do trei-
quados acabam por ser inacessíveis do ponto de vista econômico à grande maioria no por motivos de saúde. Foi diagnosticada uma gravidez de risco e precisou fazer
da população.
repouso nos dois últimos meses. Adicionalmente, por ordens médicas, transferiu-se
temporariamente para a capital de forma a ter sua filha em um hospital melhor
4) Opinião das Professoras sobre o Projeto equipado com recursos neonatais. No total, a primeira autora ficou ausente por qua-
Segue-se um apanhado geral sobre as impressões e comentários das professo- tro meses, o que dificultou o início do projeto, mas não impediu sua realização.
ras sobre o projeto: Ambas as professoras pareceram admitir que as falhas existentes no treino ini-
No geral, as impressões de ambas as professoras foram bastante favoráveis ao ciai foram sanadas no decorrer do trabalho. PA, entretanto, comenta que "de repen-
projeto, achando que constituiu uma experiência boa e interessante. te começou uma cobrança de um monte de coisas ... Estava tudo errado e incomple-
No decorrer de ambas as entrevistas, PB defendeu a utilização de pais ou fa- to", tendo ficado "chateada" com isto. Esta afirmação indica que, apesar de o
miliares como agentes de mudança de comportamento (pois são eles "quem conhe- "feedback" fornecido em reuniões de supervisão ter sido programado para não ser
cem a criança"), achando o trabalho com famnias importante, mas difícil. aversivo, parece que o acabou sendo, segundo a percepção dessa professora.
Ambas as professoras acharam que o projeto estava proporcionando benefí- Em termos de uma análise crítica de sua atuação no projeto, PA achou que seu
cios, tanto para as mediadoras quanto para as crianças. A Professora A justificou . desempenho poderia ter sido muito melhor, tendo sido prejudicado por falta de tem-
,124 Inventário Portage Operacionalizado 125
Portage Operacionalizado
__
. . no maioria das crianças. No cômpúto'ger,àl, três crianças apresentaram índices
turno). As maiores dificuldades apontadas por ambas as professoras foram quanto superiores a 70,0% (C2, C5e C6); para duas delas (C1 e C4) estes
à programação de treinos às famílias. Embora PB admitisse que tal dificuldade te- sofreram quedas acentuadas, chegando a níveis inferiores a 50,0%.
nha sido superada no decorrer dos trabalhos, PA interpretou tal dificuldade em fun- As crianças que apresentaram baixo desempenho em termos da manutenção
ção de "não gostar de escrever e não saber ser sucinta". Ambas verbalizaram qUe comportamentos aprendidos foram aquelas que possuíam maior atraso no de-
a atividade em que apresentavam maior facilidade envolvia a elaboração de gráfi- ii.,lIolvimento. Portanto, sugere-se que, pelo menos para estas crianças, os progra-
cos. Finalmente, ambas concordaram que a atividade mais agradável envolvia as de intervenção de natureza preventiva tenham longa duração e não sejam in-
visitas de treinos domiciliares às famílias, o que não deixa de ser uma boa consla- irrompidos de forma abrupta ..
tação, uma vez que essa era a principal atuação do professor no projeto. Uma segunda questão implícita neste estudo refere-se à possibilidade de mu-
comportamentais ocasionadas pelos familiares terem causado um impacto
G) Algumas considerações üficientemente grande no sentido de alterar a própria taxa ou ritmo de desenvol-
vimento da criança. Em outras palavras, até que ponto a família pode atuar, de for-
o principal objetivo desse projeto de pesquisa consistiu em demonstrar que a prevenir características de acentuação do atraso global de desenvolvimento?
pais ou familiares de crianças excepcionais em idade pré-escolar conseguem, quan- Odelineamento experimental de linha-de-base múltipla entre grupos auxiliou
do orientados de forma sistemática, interferir favoravelmente no desenvolvimento . obtenção de respostas à última pergunta, uma vez que seria importante mostrar
de seus filhos de forma a acelerá-lo, prevenindo um quadro de atraso de desenvol- os ganhos nos repertórios das crianças deveriam ser superiores ao progresso
vimento mais acentuado. naturalmente ocorreria apenas com a passagem do tempo. Os dados coletados
Os dados do estudo permitem afirmar que todos os familiares conseguiram in- analisados segundo uma adaptação da proposta metodológica de Sommers,
terferir favoravelmente no desenvolvimento das crianças, na medida em que foram 'Mrr.regor, Lesh e Reed (19BO), segundo a qual se estimou a reta de regressão pre-
capazes de ensinar a maioria dos comportamentos previstos durante o programa: pelo Inventário Portage para o desempenho de uma criança "normal", compa-
cinco das seis crianças do estudo apresentaram um índice de aprendizagem supe- tal reta com o desempenho obtido pelas crianças ao longo do programa.
rior a 90,0%. A comparação do desempenho global das crianças permitiu reconfirmar que
A aprendizagem das crianças não se deu por igual, como pOderia ser espera- ,interrupções durante o programa de intervenção prejudicaram o desempenho da
do. As Crianças 3 e 4 aprenderam um menor número de comportamentos (suas ta- triança, chegando a desacelerar seu desenvolvimento. Tais resultados, mais uma
xas de comportamentos aprendidos por semana foram 1,2 e 1,7, ao passo que as de- tendem a questionar programas de intervenção a curto prazo. Mais do que nun-
mais crianças apresentaram uma taxa de cerca de 2,0 comportamentos por sema- parece ser ideal a proposta de Bijou (19B1) como estratégia de prevenção de
na). Os treinos das Crianças 3 e 4 sofreram diversas i'nterrupções associadas a va- atraso de desenvolvimento. Tal estratégia envolve três componentes intimamente
riáveis externas ao estudo: nos dois casos as mães engravidaram no decorrer do integrados: 10) um programa dinâmico de treinamento de pais, que começaria desde
projeto, passando a apresentar dificuldades na condução sistemática dos treinos. o momento em que se diagnosticar a deficiência da criança, até que esta terminas-
Odelineamento experimental utilizado (delineamento de múltiplas sondagens) se o 10 grau; 20) uma pré-escola compensatória que fornecesse à criança múltiplas
permitiu assegurar que o sistema de treinamento fosse o principal responsável pe- oportunidades para um desenvolvimento "normal", preparando-a para uma partici-
las mudanças ocorridas na criança. pação bem sucedida no 10 grau; e, finalmente, 3°) um primeiro grau que a auxilias-
Em relação à generalidade temporal, observações conduzidas três meses após se a dominar habilidades acadêmicas e verbais.
) final da intervenção constataram que a maioria dos comportamentos instalados Tendo respondido à questão central do estudo, convém tecer alguns comentá-
las crianças, derivados do Inventário Portage, foi mantida. Observou-se, entretan- rios sobre o sistema de ensino que resultou numa interferência favorável, por parte
:0, após três meses, queda na taxa de manutenção dos comportamentos aprendi- dos familiares, nos repertórios das crianças. Ao testar o Sistema Portage, o presen-
126 Inventário Portage Portage Operacionalizado 127
para sua " Finalmente, uma outra Portage parece ser seu proposi-
tante do Portage apresentava problemas do ponto de vista de metodologia. de capacitar o membrodafamíliáresponsável pelos treinos, a ser indepen-
Mais especificamente, estes problemas metodológicos caracterizam-se por do professor, planejando suas próprias atividades com a criança e, assim, tor-
descrições insuficientes dos repertórios dos sujeitos participantes do estudo, com- as visitas do último cada vez menos freqüentes. Entretanto, se tal propósito
prometendo sua replicabilidade, ausência de preocupação com a fidedignidade das ser vantajoso a princípio, faltam dados de pesquisa sobre como este feito
observações, ausência de seguimentos ("follow-up") adequados, ausência de des- viabilizado.
crições detalhadas sobre o procedimento de treino dado aos professores e, final- No presente estudo, o Programa Portage de Pais (Boyd, Stauder e Bluma, 1977)
mente, falta de medidas avaliativas adequadas do desempenho dos participantes do
utilizado no que se refere aó ensino de habilidades de execução do treino, pois
estu.do. Além disso, alguns estudos avaliativos do Portage não possuíam delinea- aspecto pareceu prioritátio às habilidades de sua programação. Sendo assim,
mento experimental apropriado, havendo uma carência de delineamentos experi- trabalhados dez diferentes comportamentos do Programa Portage de Pais;
mentais tendo o próprio sujeito como controle, pois estes poderiam esclarecer os que, na maioria dos casos, a aprendizagem de tais comportamentos se deu
resultados além do seu significado estatístico. relativa rapidez, embora o critério utilizado tenha sido, no geral, relativamen-
Opresente projeto de pesquisa fez uma tentativa de sanar as falhas aponta- flexível (75,0%). Ocomportamento mais difícil de ser instalado, demorando mais
das, procurando obter múltiplas medidas avaliativas de todos os participantes do do que os demais, foi o comportamento de "reforçar socialmente respostas
projeto (crianças, mediadoras e professoras) dentro de uma abordagem de delinea- da criança".
mento de um só sujeito. Sendo assim, os resultados aqui obtidos foram, no geral, fa- Seria necessário que se pesquisassem formas de abreviar o procedimento de
voráveis ao Sistema Portage, levando a crer que parece ser um instrumento valio- domiciliar, uma vez que uma queixa comumente apresentada pelas professo-
so a ser empregado em projetos de treinamento de pais de crianças excepcionais, do estudo era de que, quando se justapõe o Programa Portage de Pais ao trei-
de natureza preventiva. Os resultados obtidos neste estudo foram inclusive superio- da criança, as sessões resultantes tornam-se demasiadamente longas. Quanto a
res à replicação do Sistema Portage no País de Gales (Revill e Blunden, 1979) em constatou-se nas observações realizadas que os passos mais freqüentemente
termos da porcentagem média de comportamentos aprendidos no total, daporcen- tomitidos pelas professoras ao executar o treino domiciliar eram relativos ao treino
tagem média de comportamentos aprendidos dentro do prazo de uma semana e da mediadora derivados do Programa Portage de Pais.
média de comportamentos prescritos para treino por semana. Embora o presente estudo tenha avaliado o procedimento de treino domiciliar
Em que aspectos o Portage parecer ser vantajoso como recurso de treinamen- ." um todo, há indícios de que este poderia ser abreviado de acordo com as ne-
to de pais de forma a acelerar o desenvolvimento de seus filhos? \!:essidades de cada família, sem possível perda nos resultados. Por exemplo, nas ob-
Conforme já dito, este sistema de treino permite a individualização indispen- servações do desempenho das professoras realizando treino domiciliar, constatou-
sável aos programas de educação especial. Isto faz com que o professor possa atuar se que a Professora A preferia gastar mais tempo da sessão realizando ensaio ou
de forma flexível, incorporando novas necessidades da criança (ou dos familiares) prática do treino com a mediadora e dando-lhe "feedback" do que detalhando-se
ao sistema utilizado. Por exemplo, no presente estudo, foram trabalhados diversos nàs instruções orais e fornecendo modelo. Em contrapartida, a Professora B dava
comportamentos das crianças, não diretamente ligados ao programa curricular do instruções mais detalhadas e fornecia modelo com maior freqüência do que propi-
Portage, sugerido por especialistas diversos tais como fisioterapeuta, fonoaudiólo- . dava ensaios e dava "feedback".
go e oftalmologista. Quanto ao desempenho das mediadoras como observadoras do comportamen-
Dentro dessa linha, o sistema acarreta uma nova vantagem à já listada: ao uti- to da criança, o estudo apresenta resultados encorajadores, uma vez que todas as
lizar o paraprofissional no contato direto com a família da criança excepcional, o mediadoras (inclusive aquelas analfabetas) conseguiram realizar registros sistemá-
trabalho torna-se menos oneroso, na medida em que o especialista passa a atuar de ticos durante todo o programa. Constatou-se, no geral, uma tendência, por parte
forma a multiplicar seu papel, ou seja, dando assessoria ao para profissional. das mediadoras, de superestimar o desempenho da criança. Assim sendo, embora
íZIl Inventário Portage OperaCionalizaM (,!ôventário Portage Operacionalizado 129
,,<,'
se tenha estimado o indice de concordancia dâ's"ôbsêlííações das por exemplo, pelo oftalmolOgista
com o das mediadoras,suspeita-se que tal índice não fosse alto. Quanto a isso, se- O procedimento utilizado (ávaliação detalhada das instruções com "feed-
ria, portanto, conveniente que se investigasse a funcionalidade do registro e das , "quantitativo) possibilitou uma melhora na qualidade das instruções elabora-
observações dos familiares dentre as tendências e recursos disponíveis para trei- por ambas as professoras. Além disso, o procedimento serviu para manter um
namento de pais. Seria o registro um componente indispensável do sistema de trei- bastante alto e estável de instruções para ambas as professoras durante todo
namento no sentido de garantir sua sistematicidade? Até que ponto este registro
precisaria ser fidedigno para garantir um bom desempenho da criança?
A maioria da aprendizagem observada nas crianças deu-se de modo rápidO
Opresente estudo reafirmou a preocupação de que é importante não só ana-
do prazo de uma semana), o que também é indicativo de que as professo-
lisar os progressos da criança de uma forma global como principalmente comparar conseguiram ser bastante, adequadas na proposição de objetivos viáveis para as
seu desempenho ao longo do programa nas áreas mais defasadas. Do ponto de vista
de seu desenvolvimento global, todas as seis crianças do estudo eram muito dife- A contingência para favorecer a entrega de instruções elaboradas com ante-
rentes quando comparadas umas às outras. Entretanto, tais crianças eram, no geral, - "feedback" quantitativo contingente a instruções entregues previamen-
muito semelhantes nas dificuldades apresentadas na área de linguagem e de cogni- ao treino domiciliar - parece ter contribuído na direção desejada. Ou seja, obser-
ção. Portanto, talvez fosse conveniente enfatizar que a proposta do Sistema Porta- \,noJ-Se aumento de elaboração antecipada de instruções e diminuição de episódios
ge de se trabalhar o desenvolvimento global não deveria ser exclusiva ao estabele- que "não havia tempo" para elaborar instruções com antecedência. Isto signifi-
cimento de áreas prioritárias de atuação para serem trabalhadas. que o "feedback" que acompanhava as instruções era de natureza reforçadora
Em relação a isto há uma dificuldade adicional quanto ao Portage. Sua área de as professoras, possivelmente auxiliando-as a apresentar um desempenho com
linguagem foi aquela em que as crianças apresentaram maiores dificuldades de segurança, durante o treino domiciliar.
aprendizagem. Seria, portanto, conveniente rever a área de linguagem do Portage Quanto às implicações práticas do estudo, sugere-se que a última fase do pro-
acrescentando um treino pré-verbal envolvendo habilidades que são pré-requisitos rorlimento (avaliação detalhada pré-treino com contingência para entrega anteci-
(como atenção, imitação motora etc.) e propondo exemplos alternativos para a divi-
seja utilizada desde o início em futuros projetos. Assim que o comportamen-
são dos objetivos de linguagem já existentes em unidades comportamentais meno-
. de elaborar instruções se apresentar em um nível adequado e estável, o proce-
res, de tal forma à criança obter um maior sucesso na programação. Sem uma revi- (dimento poderia ser retirado, sendo apenas realizadas algumas "sondagens" espo-
são da área de linguagem, dificilmente o Guia Curricular Portage (Bluma, Shearer, !r,íriicas para se observar a manutenção do comportamento.
Frohman e Hilliard, 1976) poderia ser útil, por si só, para programas de crianças com Uma segunda implicação decorrente dos resultados deste estudo é que não se
dificuldades específicas, tal como para a criança deficiente auditiva. •poaem enfatizar as habilidades de planejamento de treino por parte do professor
Uma preocupação final do estudo consistiu em analisar algumas das habilida- detrimento das habilidades de sua execução. Isto ficou patente quando se cons-
des envolvidas no treino do professor apto a treinar pais. Em relação ao desempe- que as professoras, apesar de redigirem instruções adequadamente, nem
nho das professoras quanto à programação de instruções a serem transmitidas às <omnre transmitiam tais instruções de modo adequado. Não se observou relação
mediadoras, observou-se um desempenho relativamente adequado desde o início instruções bem elaboradas e bem transmitidas. Atítulo de exemplo, a Profes-
do estudo, durante a fase de linha-de-base. Um aspecto do sistema que parece ter A, no geral, elaborava melhor suas instruções, e a Professora B as transmitia
contribuído neste sentido foi a utilização do Guia Curricular Portage (Bluma et aI., forma mais completa. Esta diferença entre o "falar" (no caso, um repertório ver-
1976), pois parece ter ajudado na proposta de procedimentos e atividades para o bal escrito) e o "fazer" já foi apontada diversas vezes na literatura (vide O'Del!,
treino da criança. Tal ponto de vista ficou ilustrado na medida em que as professo- 1974), mas parece ser constantemente esquecida, talvez devido ao excesso de aca-
ras apresentaram, no início, um desempenho melhor na programação de instruções demicismo dos pesquisadores da área. Seria importante, portanto, despender maio-
para treinos derivados do Portage, do que para os não derivados do Portage (suge- res esforços para modelar o comportamento do professor, seja redigindo instruções
13,0 Inventário Portage OperaCionalizado ;""ng'ln Portage OperaCionalizado 131
em seu
Uma contribuição final do estudo diz respeitôà constatação de qUe
orientar estudantes universitários, sem experiência prévia com a área de
da mental, a trabalhar de modo complexo e eficaz com famílias de crianças
cionais. Tal constatação tem implicações vantajosas para a realidade br'oõo.,'
carente em recursos nas áreas de Saúde e Educação Especial. Podemos
ma expansão do estudo envolvendo o treinamento de agentes comunitários
utilização do Sistema Portage em grande escala a bairros e municípios.
Opresente estudo apenas descortina algumas das possibilidades de um
ma dinâmico de atendimento ao indivíduo portador de necessidades especiais
base no modelo triádico de Tharp e Wetzel (1969), com características preventi
Como implementar o sistema em larga escala e por longa duração são desafios
recedores de uma análise subseqüente.
;132 Inventário Portage Operacionalizado