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REFERENCIAL DO CURSO: Rua Dr.

Francisco Sá

UFCD-3532- Acompanhamento Carneiro, n.º 635


4990 – 024 Ponte de Lima
Tel/Fax: +351258941289
PREVIFORM – Laboratório, personalizado no Apoio à E-mail:
previform.lda@gmail.com
Comunidade
Formação, Higiene e Segurança do
Trabalho, Lda.

Formadora : Sandra Campos

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ACÇÃO DE FORMAÇÃO................................................................................................. 3
Introdução ......................................................................................................................... 6
Objetivos gerais .............................................................................................................. 7
Objetivos específicos .................................................................................................... 7
CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS DOS GRUPOS ETÁRIOS .................. 10
Psicologia do desenvolvimento. Etapas do crescimento ............................ 10
Características psicológicas do idoso .................................................................. 18
Relação cliente/utilizador e família/comunidade ........................................... 21
ACOMPANHAMENTO DE CLIENTES/UTILIZADORES .................................... 22
ACOMPANHAMENTO .................................................................................................... 22
PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS FÍSICAS .................................................... 23
TOXICODEPENDENTES ...................................................................................... 23
ALCOÓLICOS .......................................................................................................... 24
MORTE ....................................................................................................................... 26
AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO CLÍNICA ................................................... 27
ACOMPANHAMENTO NO EXTERIOR ..................................................................... 33
Nessa dimensão distinguem-se dois grandes planos ................................ 33
Notário ...................................................................................................................... 34
Advogado ................................................................................................................. 35
Instituições bancárias ........................................................................................ 36
Serviços públicos .................................................................................................. 36
SITUAÇÕES IMPREVISÍVEIS ................................................................................... 36
FOGO - PREVENÇÃO DE ACIDENTES GERAIS ........................................ 36
INUNDAÇÃO............................................................................................................ 39
RELAÇÕES INTERPESSOAIS .................................................................................... 42
RELAÇÕES FAMILIARES ............................................................................................ 45

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ACÇÃO DE FORMAÇÃO

CURSO Assistente Familiar e de Apoio à Comunidade

Módulo: UFCD 3532 – Atendimento personalizado

Formador: Sandra Cristina Andrade Campos

Objetivos:

 Habilitar o participante a estruturar e a desenvolver os subsistemas


de benefícios e de gestão social em organizações de solidariedade e
empresariais, a partir de uma visão estratégica.
 Possibilitar uma revisão de valores das políticas de bem-estar social e
de satisfação dos trabalhadores nas instituições de carácter sociais
ou empresariais.
 Aumentar em termos qualitativos a prestação de serviços.
 Sensibilizar os formandos para as responsabilidades e dotá-los com
conhecimentos teóricos e práticos necessários para o exercício das
suas funções.
 Com este manual pretende-se dar instrumentos de apoio ao
Assistente Familiar e de Apoio à Comunidade para que este possa
executar de molde independente, ou sob a orientação de um técnico
especializado, cuidados necessários em contexto institucional ou nos
domicílios, proporcionando o atendimento personalizado merecido
por cada utente/utilizador.
 Não podemos esquecer que os níveis de habilitação académica e de
qualificação dos portugueses são significativamente menores do que
os que se verificam entre os trabalhadores da União Europeia.

Módulo:

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 Características psicológicas dos grupos etários

Psicologia do desenvolvimento. Etapas do crescimento.

Conteúdos Características psicológicas do idoso.

Teórico/Práticos: Relação cliente/utilizador e família/comunidade.

 Acompanhamento de clientes/utilizadores

Situações especiais

Pessoas com deficiências físicas

Pessoas com deficiência

Toxicodependentes

Alcoólicos

Sinais particulares da vida

Nascimento

Morte

Agravamento da situação

Acompanhamento no exterior

- Notário

- Advogado

- Instituições bancárias

- Serviços públicos

Situações imprevisíveis

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- Fogo

-Inundações

Relações interpessoais

Relações familiares

Família nuclear

Família extensa

Relações de vizinhança e proximidade

Relações socioprofissionais

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Introdução

Atualmente, uma crescente preocupação com a qualidade de vida dos


cidadãos e muitas das alterações nos actuais modos de vida fazem emergir
novas necessidades e um aumento de procura dos serviços pessoais,
colectivos e sociais de proximidade. Estes serviços surgem também muitos
associados à necessidade de criação de estruturas de apoio à família, que
facilitem a conciliação entre trabalho e família, uma exigência acrescida face
a uma taxa de actividade feminina tão elevada como a da população
portuguesa. Este é um sector em forte expansão, quer em número de
entidades, quer em número de trabalhadores.

A abordagem a este sector tem passado por uma associação entre o


emprego nos serviços de proximidade e a criação de emprego para
desempregados ou outros grupos desfavorecidos. Esta associação não tem
favorecido a requalificação e a imagem social destes empregos, sendo esta
uma área de actividade que apresenta, ainda, intervenções pouco
estruturadas e de natureza informal, em alguns casos com situações de
elevada fragilidade técnica e precariedade laboral.

Esta orientação é hoje muito debatida, num quadro de crescentes


exigências de qualidade destes serviços. De facto, as actividades dos
serviços de proximidade exigem competências que algumas das populações
desfavorecidas não possuem à partida, competências técnicas específicas,
mas também competências pessoais e sociais fundamentais neste tipo de
serviços onde a proximidade e a componente relacional são elementos
essenciais. Independentemente dos seus destinatários, a formação nesta
área apresenta cada vez mais níveis crescentes de exigência.

Neste contexto, revela-se fundamental uma oferta de formação profissional


específica que permita aumentar as competências e criar condições para
uma inserção profissional estável dos trabalhadores que exercem de forma
qualificada a sua actividade profissional, reforçando a relação entre
qualidade do emprego, profissionalização e qualidade dos serviços. Tal facto

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assume maior premência numa área de actividade na qual o grau de
escolaridade e de qualificação dos seus trabalhadores é, ainda e em geral,
bastante reduzido.

(Fonte: IQF (2005) O Sector dos Serviços de Proximidade: serviços de


acção social. Lisboa: Instituto para a Qualidade na Formação).

Objetivos gerais

Sensibilizar os formandos para as responsabilidades e atividades inerentes


aos objetivos do Atendimento Personalizado:

 Distinguir as características psicológicas mais comuns de cada grupo


etário.
 Acompanhar clientes/utilizadores em situações que exigem cuidados
especiais.
 Distinguir as principais relações interpessoais.

Objetivos específicos

 Psicologia do desenvolvimento. Etapas do crescimento.


 Características psicológicas do idoso.
 Relação cliente/utilizador e família/comunidade.
 Situações especiais

- Pessoas com deficiências físicas

- Pessoas com deficiências mentais

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- Toxicodependentes

- Alcoólicos

 Sinais particulares da vida

- Nascimento

- Morte

- Agravamento da situação clínica

 Acompanhamento no exterior

- Notário

- Advogado

- Instituições bancárias

- Serviços públicos

 Situações imprevisíveis

- Fogo

- Inundação

 Relações familiares

- Família nuclear

- Família extensa

 Relações de vizinhança e proximidade


 Relações socioprofissionais

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Bibliografia

ANA CARDOSO, ANA PAULA SILVA, ELSA FIGUEIREDO -


Atendimento/Acompanhamento Social

FORMA-TE Portal dos Formadores www.forma-


te.com/mediateca/download-document/3407-psicologia-do-
desenvolvimento.html -

HELENA MARCHAND – Psicologia do adulto e do idoso.

INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICAS – http://www.ine.pt/

MARIA DO CARMO WHITAKER – Consultora e Professora de Ética


Empresarial

PORTAL DA SAÚDE – Enciclopédia da saúde


http://www.portaldasaude.pt/

PROTECÇÃO CIVIL - http://www.proteccaocivil.pt/

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CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS DOS GRUPOS ETÁRIOS

Psicologia do desenvolvimento. Etapas do crescimento

Três pilares do século XXI:

 Sociedade de risco (incentivo do gosto pelo desconhecido)


 Sociedade cativa (apelos à intervenção de cada cidadão)
 Sociedade educativa (valorização da capacitação cultural e social do
indivíduo)

Psicologia do Desenvolvimento – Ao ramo da Psicologia que estuda os


processos de desenvolvimento, denomina-se “Psicologia do
Desenvolvimento” que se preocupa com a descrição e explicação das
mudanças intra-individuais ao longo da vida.

Desenvolvimento – É o conjunto de transformações qualitativas (como as


alterações psicológicas e o modo como nos relacionamos com os outros e
com os acontecimentos) e quantitativas (como o número de competências e
habilidades dum indivíduo, sobretudo no plano físico) que marcam a vida do
indivíduo desde a sua conceção até à sua morte.

(Em termos psicológicos): Neste processo contínuo de organização ou


desorganização das estruturas internas estão envolvidos múltiplos fatores
(cognitivos, afetivos, sociais, biológicos, motores, morais, linguísticos, …)
tendo em vista uma progressiva diferenciação e complexificação.

Psicologia do Desenvolvimento Co extensivo à Duração da Vida:

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 Perspetiva contextual (contexto histórico, social e geográfico – é
diferente crescermos na Europa ou na África)
 Perspetiva abrangente (cobre todo o ciclo de vida)
 Perspetiva multifacetada (admite-se que temos vários conceitos
acerca do que é o desenvolvimento)

Relógio Social

 Acontecimentos normativos: acontecimentos que ocorrem de acordo


com aquilo que é norma o relógio social;
 Acontecimentos não normativos são acontecimentos que não ocorrem
de acordo com aquilo que é norma (ganhar a lotaria)
 Acontecimentos idiossincráticos: algo que acontece fora do seu
tempo

Exemplo: ser mãe aos 45 anos/ voltar a estudar aos 45 anos.

Factor que contribuem para o desenvolvimento:

- Contexto cultural

 A nível macro: nascer antes da queda do “muro de Berlim” é


diferente do que nascer depois da queda do “muro de Berlim”
 A nível micro: nascer num contexto urbano é diferente de nascer
num contexto rural.

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- Biológico

 Se eu possuo qualquer deficiência, vou deparar-me com muitos


obstáculos ao longo do desenvolvimento.

- Psico-emocional

 Forma como eu encaro as situações com as quais me deparo;


 Por exemplo, nos gémeos monozigóticos (proveniente de um único
óvulo fertilizado), apesar de terem nascido no mesmo contexto e
terem o mesmo património genético, nesta dimensão são diferentes,
pois interpretam os sinais que recebem de maneira diferente em
alturas diferentes;
 Cada um de nós interpreta os sinais de maneira diferente e nesse
sentido, podemos interpretar esses mesmos sinais de maneiras
diferentes em alturas diferentes.

Bowlby (1959) Autor que expressou, pela primeira vez, a ideia do que era
a vinculação.

Vinculação: ligação que o bebé estabelece com o seu prestador de


cuidados (pessoa que transmite ao bebé a segurança que ele
necessita e que pode ou não ser a mãe) durante o primeiro ano de
vida. As relações de vinculação afetam todo o curso de
desenvolvimento, nomeadamente ao nível da organização da
experiência emocional, da identidade psicossocial e, sobretudo, o
desenvolvimento de uma organização da personalidade, mais ou
menos funcional.

Vinculação – Suporte social

Suporte social: é a perceção que eu tenho de que existe um grupo de


pessoas com as quais eu posso contar. Este grupo pode ser mais ou menos
vasto. Este suporte social deve prolongar-se ao longo de toda a vida, no

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entanto, este suporte não necessita estar junto de nós, por vezes, basta o
envio de uma simples mensagem, para que sintamos esse suporte social.

Fatores de Proteção

Segundo Canavarro (1999) de onde surgem conclusões importantes acerca


das relações afetivas e da saúde mental. Entre ele destacamos:

 O suporte social proporcionado pelos pais durante a infância e a


adolescência pode ser um fator de proteção de perturbações
emocionais na idade adulta;
 Ter recebido menor suporte emocional durante a infância e
adolescência parece ser fator de risco para o desenvolvimento de
proteções depressivas na idade adulta.
 Ter recebido menor suporte social e ser rejeitado durante a infância
(principalmente pela mãe) pode ser um fator de risco para
perturbações de ansiedade na idade adulta;
 Na idade adulta, os indivíduos perturbados (com perturbações
depressivas ou ansiosas), quando comparados com outros indivíduos
sem perturbações emocionais, apresentam um maior índice padrões
de vinculação inseguro;
 Na idade adulta, pode ser fator de proteção para as perturbações
emocionais, apresentar índices de vinculação elevados.

Famílias Autoritárias:

 Os pais são rígidos e controladores;


 São a favor de medidas punitivas e violentas para impor o respeito e
autoridade;
 Tentam ensinar aos filhos padrões perfeitos/ideais de
comportamento;
 A ênfase é colocada na prevenção do comportamento inaceitável das
crianças, tal como os pais definem este conceito;
 O ambiente emocional da família é, muitas vezes, frio e distante.

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Implicações:

 As crianças revelam-se, normalmente, mais submissas, dependentes,


pouco responsáveis e sem objetivos definidos;
 Quando adolescentes, as suas opiniões, sentimentos e atitudes são
controladas, forçadas e menosprezadas pelos pais.

Famílias Permissivas:

 Os pais fazem poucas exigências aos filhos;


 Têm tendência para ser a favor da razão e da persuasão nas suas
interações com as crianças;
 Raramente utilizam a força ou o poder para alcançarem os seus
objetivos a nível educacional;
 O ambiente emocional da família é, aparentemente, caloroso, embora
marcado por uma certa indiferença e desinteresse entre os seus
membros.

Implicações:

 As crianças revelam-se menos responsáveis em termos sociais e


menos orientados para a realização e concretização de objetos e
regras;
 Quando adolescentes, os pais mostram uma certa indiferença ou
desinteresse pelas decisões, valores e padrões de comportamento
dos filhos:

Famílias Autorizadas/Democráticas:

 Os pais possuem limites e expectativas firmes no que diz respeito ao


comportamento dos filhos;
 Esforçam-se por oferecer-lhes orientação através do uso da razão e
das regras;
 Utilizam de um modo sensato recompensas e punições claramente
relacionadas com o comportamento das crianças;

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 Os pais têm a consciência da sua responsabilidade enquanto figuras
de autoridade, mas são sensíveis às necessidades e interesses dos
filhos;
 O ambiente emocional da família é, geralmente, caloroso e de
aceitação.

Implicações:

 As crianças apresentam maior autoconfiança, curiosidade e


satisfação;
 Quando adolescentes os pais encorajam a comunicação e o debate
dos diferentes valores e atitudes, embora a decisão final seja sempre
tomada ou aprovada pelo/a pai/mãe. Ou seja, os pais ensinam e
explicam, ao mesmo tempo que respeitam o adolescente.

Desenvolvimento psicossocial de Erickson

Erik Homburger Erickson (Frankfurt, 15 de Junho de 1902 — Harwich, 12


de Maio de 1994) foi um psiquiatra responsável pelo desenvolvimento da
Teoria do Desenvolvimento Psicossocial na Psicologia e um dos teóricos da
Psicologia do desenvolvimento.

Começou a sua vida como artista plástico. Em 1927, depois de estudar arte
e viajar pela Europa, passou a lecionar em Viena a convite de Anna Freud,
filha de Sigmund Freud. Sob orientação dela, submeteu-se à psicanálise e
tornou-se, ele próprio, psicanalista, embora tenha tecido criticas
à psicanálise por esta não ter em conta as interações entre o indivíduo e o
meio, assim como por privilegiar os aspetos patológicos e defensivos da
personalidade. No início da carreira, o interesse de Erickson esteve voltado
para o tratamento de crianças e as suas conceções de desenvolvimento e
de identidade influenciaram as pesquisas posteriores, nomeadamente sobre
a adolescência. A Erickson se deve a expressão "crise da adolescência".

AS 8 IDADES DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL

Idade I – Bebé (do nascimento aos 18 meses)

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Idade II – Criança de tenra idade (18 meses aos 3 anos)

Idade III – Criança em idade pré-escolar (3 aos 6 anos)

Idade IV – Criança em idade escolar (6 aos 12 anos)

Idade V – Adolescente (12 aos 20 anos)

Idade VI – Jovem adulto (20 aos 35 anos)

Idade VII – Adulto (35 aos 65 anos)

Idade VIII – Idoso (a partir dos 65 anos).

IDADE I – BEBÉ

 Corresponde ao estádio oral de Freud;


 Apresenta como conflito típico a desconfiança versus confiança;
 Existe uma grande importância do relacionamento do bebé com a
mãe;
 A virtude desenvolvida é a Esperança.

IDADE II – Criança de tenra idade (18 meses aos 3 anos)

 Aproxima-se do estádio anal de Freud;


 Apresenta como conflito típico a autonomia versus vergonha e
dúvida;
 Tem uma grande importância o desenvolvimento das capacidades
motoras (Ex.: correr, saltar, jogar, etc.);
 Desenvolve a virtude da Força de Vontade, do Querer.

IDADE III – Criança em idade pré-escolar (3 aos 6 anos)

 Aproxima-se do estádio fálico de Freud;


 Tem como conflito típico a iniciativa versus a culpa;
 Dá importância ao estímulo e reforço da iniciativa;

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 Surge a virtude da Tenacidade, da Determinação.

IDADE IV – Criança em idade escolar (6 aos 12 anos)

 Aproxima-se ao estádio de Latência de Freud;


 Surge como conflito típico a diligência versus sentimento de
inferioridade;
 Revela-se a importância do sucesso em relação aos outros;
 Tem como virtude a Competência ou a Perícia;

IDADE V – Adolescente (12 aos 20 anos)

 Aproxima-se ao estádio genital de Freud;


 Apresenta como conflito típico a identidade versus confusão;
 Dá importância ao sucesso das fases anteriores;
 Revela a virtude da Autoconfiança.

IDADE VI – Jovem adulto (20 aos 35 anos)

 Surge como conflito típico a intimidade, versus isolamento;


 Foca a importância nos relacionamentos;
 Surge como virtude o Amor e a Afiliação1

IDADE VII – Adulto (35 aos 65 anos)

 O conflito típico é o de gerar versus estagnar;


 Dá grande importância à procriação e à produtividade;
 Tem como virtude a Produção e Ajudar as outras pessoas.

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IDADE VIII – Idoso (a partir dos 65 anos)

 Apresenta o conflito típico da integridade, versus o desespero;


 Foca a importância de ter um balanço positivo na vida;
 A sua virtude é a Sabedoria.

Conceito de adolescência

A adolescência é o processo dinâmico entre a Infância e a Idade


Adulta que se inicia com a puberdade e termina com a aquisição da
identidade, Autonomia, da elaboração de projetos de vida e da integração
na sociedade.

Os limites temporais variam segundo critérios psicológicos, sociais e


culturais, entre outros. No entanto, no geral abrange o período dos 12/13
anos aos 18 anos, existindo uma diferença entre os sexos, isto é, as
raparigas atingem a adolescência e termina mais rapidamente que os
rapazes. É um período de inquietação devido a sentimentos contrários,
como a autonomia e a dependência.

Características psicológicas do idoso

CONCEITO DE IDOSO – De acordo com a OMS o Idoso é uma pessoas com


mais de 65, independentemente do sexo ou do estado de saúde.

EXPERIÊNCIA DO IDOSO – A conceção que a sociedade criou sobre os


idosos variou ao longo do tempo. Nas sociedades antigas, as pessoas mais
velhas eram vistas com respeito e detinham uma influência decisiva nos
assuntos da comunidade. A sociedade olhava para o idoso como o Ancião
depositário de muitas experiências, de muito saber, de muito conhecimento.

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Já nas sociedades industrializadas e mais modernas os idosos perdem quase
toda a autoridade, tanto à volta da família que o rodeia, como na sociedade
em geral.

Especula-se um fenómeno de marginalização e afastamento dos idosos,


mas parece haver (nota-se) um retrocesso nestes procedimentos,
felizmente.

Portanto, quanto maior for o capital cultural ou económico que um idoso


possa transmitir à sua família, maiores são as hipóteses de solidificar a
solidariedade no seio familiar e a sua dependência ser positiva, sem terem a
sensação de constituírem uma "carga".

TEORIA PSICOLÓGICA

Para além das teorias biológicas que nos dão uma ajuda a perceber o
processo de envelhecimento, muitas outras teorias tentam também
encontrar explicações para o mesmo. Neste sentido, a psicologia tem-se
preocupado com a descrição das diferentes maneiras de envelhecer
relacionando com a inteligência, memória, personalidade, motivação,
habilidades, pois segundo Constança Paúl (1991), tudo isto, quando
exercitado, contribui para a preservação da capacidade funcional e bem-
estar dos idosos. Porém esta mesma autora refere que no caso dos idosos
considerados mais pobres, com baixa escolaridade e baixas expectativas,
dado que a sua experiência de vida lhes ensinou que elas não seriam
preenchidas ou acessíveis, as aspirações dos idosos são baixas e
desadaptadas com o meio. (Paúl, 1991: 265).

Por outro lado, as pessoas idosas vão-se deparando com perdas ou


sucessivas privações, nomeadamente, na saúde, na atividade profissional,
perda do cônjuge, dos amigos, entre outros. Tais situações criam no idoso
fragilidades psicoafectivas e sentimentos de intensa vulnerabilidade.

A sua adaptação a um processo de mudança com perdas e limitações


caracteriza o envelhecimento como “ o luto que a pessoa de idade vai ter de

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fazer de uma certa imagem de si própria, como pessoa, como ser social,
como membro de uma comunidade”. (Cordeiro, 1987: 236).

Teoria Biológica

O envelhecimento como fenómeno biológico tem sido interpretado em


ligação com teorias que explicam as causas do envelhecimento celular e do
aparecimento de perturbações de saúde. Neste sentido, tais teorias
defendem que todo o organismo multicelular dispõe de um tempo limite de
vida, em que as probabilidades de sobreviver vão sendo cada vez menores
à medida que se avança na idade (Lellouch 1992).

A causa do envelhecimento advém das alterações moleculares e celulares


que acaba por resultar em perdas funcionais progressivas dos órgãos e do
organismo.

Por outro lado, segundo Gyll, este também defende que quanto mais se
utilizar uma aptidão intelectual mais ela será protegida do envelhecimento
(1980).

A prática do exercício físico levou a melhores resultados a nível do


raciocínio, memória e do tempo de reação, tal como foi testado por
Clarkson – Smith e Hartley (1989).

Verifica-se ainda no idoso, uma perda da autoestima o que pode levar ao


isolamento. Neste sentido, e porque o envelhecimento é a contrapartida do
desenvolvimento (Birren e Cunningham, 1985), a forma como se vive com
o envelhecimento, resulta da forma como o indivíduo antes se desenvolveu,
ou seja, resulta do comportamento dos indivíduos e dos fatores ambientais.

Aposentação

A Aposentação traduz-se, essencialmente, numa pressão para a


desistência de escolhas, num decréscimo de exigências sociais específicas,
numa desvalorização e perda de utilidade para alguns indivíduos. A forma
como se vive a aposentação está muito relacionada com as vivências que

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cada um tem ao longo da vida. Para uns, sentido como algo positivo (mais
tempo livre para fazer o que não se pôde até então), para outros como
obrigação, frustração.

Relação cliente/utilizador e família/comunidade

A necessidade de uma existência de intervenções integradas que


mobilizem diversos organismos e que possibilitem uma maior eficácia ao
nível da inserção social e profissional dos públicos mais vulneráveis aos
processos de exclusão.

Deve-se, pois, fomentar as condições para a qualidade dos/nos serviços e


para o surgimento de respostas integradas, indispensáveis ao
desenvolvimento de um trabalho
no domínio da inserção social e profissional de públicos desfavorecidos.

Numa breve síntese esperamos poder contribuir para uma reflexão contínua
em torno destas questões e para uma orientação prática do ato de
atendimento e acompanhamento social.

PRINCIPAIS OBJECTIVOS DA RELAÇÃO DE AJUDA

As necessidades do Ser Humano constituem a principal finalidade dos


cuidados. A relação de ajuda é um processo que se desenvolve à medida
que as intenções se estabelecem numa atmosfera de confiança, sendo para
isso fundamental que o Assistente Familiar e de Apoio à Comunidade,
e os idosos se apliquem verdadeiramente.

Na relação de ajuda em gerontologia os principais objetivos no modo de


lidar com os idosos são:

- Aumentar a sua auto-estima e o sentimento de segurança e levá-lo a


desenvolver atitudes positivas face às suas necessidades;

- Diminuir a sua ansiedade ao máximo;

- Fazê-lo viver uma experiência positiva e gratificante;

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- Ajudá-lo a melhorar as suas capacidades de comunicação e a entrar em
relação com os outros;

- Proporcionar-lhe ocasião para crescer no plano pessoal;

- Ajudá-lo a encontrar um sentido para a sua vida;

- Manter um ambiente estimulante no que se refere aos planos biológico,


mental, emocional e social;

- Compilar os dados necessários à realização de um processo exaustivo que


permita prestar cuidados personalizados; EASYcare – Padrão europeu de
avaliação das necessidades da pessoa idosa. (Sistema de Avaliação de
Idosos).

ACOMPANHAMENTO DE CLIENTES/UTILIZADORES

ACOMPANHAMENTO

O envelhecimento normal corresponde à aceitação do mesmo e


representa uma reorganização eficaz das defesas da personalidade, ao
passo que a Depressão corresponde ao fracasso dessas defesas, pela
impossibilidade de exteriorizar a vivência depressiva desencadeada pelo
envelhecimento e por uma incapacidade de manifestar os seus medos e as
suas angústias.

RELAÇÃO DE AJUDA

o Para ajudar a pessoa idosa, tem que se conquistar a sua


confiança, saber e acreditar que possui os recursos básicos e a
capacidade de mudança, para dar solução aos seus problemas
ou adaptar-se a eles.
o Estabelecer uma relação deste tipo com alguém não representa
necessariamente arranjar soluções para os seus problemas
mas sim ajudá-lo a desenvolver capacidades para enfrentá-los.

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o Devemos ajudá-los a descobrir as suas potencialidades, os
seus recursos, dando-lhes a oportunidade de eles os utilizarem
como escolherem.
o Para os idosos a necessidade de contacto é primordial, pois
não podem sobreviver física ou emotivamente a um abandono
ou à ausência do mesmo.

PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS FÍSICAS

DEFICIÊNCIA é o termo usado pela OMS para definir a ausência ou


a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatómica.

Em âmbitos legais, esta expressão é utilizada de uma forma mais limitada


referindo-se apenas a pessoas que estão sob a assistência de uma
determinada legislação.

A palavra deficiente tem sido considerada inadequada, por parte de


algumas ONG’s e cientistas sociais, para denominar pessoas com
imperfeição. O termo tem consigo uma carga negativa, depreciativa das
pessoas, pelo que tem sido rejeitado pelos especialistas da área e pelos
próprios portadores.

Contudo, muitas pessoas consideram que esta tendência tende a levar os


portadores a uma negação da sua própria situação, podendo conduzir,
nalgumas situações, a que a sociedade não sinta respeito pela diferença.

A deficiência física é o nome dado aos problemas que ocorrem a nível


cerebral ou do sistema locomotor, e levam a um mau funcionamento ou
paralisia dos membros superiores ou inferiores.

TOXICODEPENDENTES

A toxicodependência é o estado da dependência física e psicológica


de qualquer tipo de substância. A dependência é uma apetência anormal e
prolongada que certos indivíduos manifestam pelas drogas, das quais,

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acidentalmente ou voluntariamente procuram um efeito analgésico, de
euforia ou estimulante, apetência esta que, rapidamente, se transforma
num hábito, que pejorativamente se designa por vício.

A droga é toda a substância natural ou sintética que introduzida num


organismo vivo, pode alterar uma ou mais das suas funções. Em 1982, a
OMS acrescentou que drogas são entidades que podem ser definidas como
substâncias psicoativas de uso não médico e suscetíveis de serem
autoadministradas.

Foram observadas três Fases do Toxicodependente:

1ª Etapa – É caracterizada pela perceção de efeitos positivos das drogas e


pela ausência quase total de efeitos negativos;

2ª Etapa – Pode estar associada a dependência psicológica;

3ª Etapa – Pode estar associada à dependência física.

As drogas produzem vários efeitos, entre os quais:

- Ampliação do estado emocional;

- Menor eficácia no desempenho das atividades do dia-a-dia;

- Perturbação no controlo motor;

- Possível risco de overdose;

- Problemas de integração na sociedade;

- Problemas familiares;

- Redução da capacidade de atenção;

- Redução do tempo de reação;

ALCOÓLICOS

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O alcoolismo é geralmente definido como o consumo consistente e
excessivo e/ou a preocupação com bebidas alcoólicas ao ponto que este
comportamento interfira com a vida pessoal, familiar, social ou profissional
da pessoa.

O alcoolismo pode potencialmente resultar em doenças psicológicas e


fisiológicas, assim como levar à morte. O alcoolismo é um dos problemas
mundiais quem mais custo traz.

Apesar do abuso do álcool ser um pré-requisito para o que é definido como


alcoolismo, o mecanismo biológico do alcoolismo ainda é incerto. Para a
maioria das pessoas, o consumo de álcool gera pouco ou nenhum risco de
se tornar um vício.

Outros fatores geralmente contribuem para que o uso de álcool se torne em


alcoolismo. Esses fatores podem incluir o ambiente sócia em que a pessoa
vive, a saúde emocional e a predisposição genética.

O álcool tem efeitos no ser humano, sendo possível indicá-los consoante o


nível de álcool no sangue, aproximadamente, como se mostra em seguida,
tendo em conta que os valores variam ligeiramente consoante o sexo e o
peso da pessoa:

- 0,1 a 0,5 SOBRIEDADE Nenhuma influência aparente;

- 0,3 a 1,2 EUFORIA Perda de eficiência, diminuição da atenção, julgamento


e controlo;

- 0,9 a 2,5 EXCITAÇÃO Instabilidade das emoções, descoordenação


muscular. Menor inibição. Perda de julgamento crítico;

- 1,8 a 3,0 CONFUSÃO Vertigens, desequilíbrio, dificuldade na fala e


distúrbios da sensação;

- 2,7 a 4,0 APATIA e inércia geral. Vómitos, incontinência urinária e fezes;

- 3,5 a 5,0 COMA Inconsciência, anestesia. Morte;

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- Acima de 4,5 MORTE Paragem respiratória;

MORTE

Um século atrás, quase todas as pessoas que sofriam lesões


traumáticas ou contraíam infeções graves morriam logo em seguida.
Aquelas que apresentavam uma cardiopatia ou câncer apresentavam uma
pequena expectativa de uma vida longa após a doença ter sido
diagnosticada. A morte era uma experiência familiar e quase todas as
pessoas esperavam pouco mais do que um tratamento de apoio por parte
de seus médicos. Hoje é comum, em muitas partes do mundo, a morte ser
considerada um evento que pode ser retardado indefinidamente e não uma
parte intrínseca da vida.

As principais causas de morte entre as pessoas com mais de 65 anos são as


doenças cardíacas, o câncer, o acidente vascular cerebral, a doença
pulmonar obstrutiva crónica, as pneumonias e a demência. Os
procedimentos médicos geralmente prolongam a vida dos portadores dessas
doenças, possibilitando-lhes muitos anos mais, nos quais a qualidade de
vida e as funções vitais são bem satisfatórias. Outras vezes, os
procedimentos prolongam a vida, mas com declínio das funções e da
qualidade de vida.

Após o Falecimento

A morte deve ser declarada por uma pessoa investida da autoridade


para fazê-lo – normalmente um médico – e a causa e as circunstâncias da
morte devem ser atestadas oficialmente. O atendimento dessas exigências
varia substancialmente de país para país ou mesmo de uma região a outra.
Se o paciente planejar morrer em casa, a família deve saber previamente o
que esperar e quais providências tomar.

Quando um indivíduo se encontra hospitalizado, o enfermeiro responsável


geralmente explica todos esses detalhes. Se houver necessidade de chamar
a polícia ou outras autoridades, elas devem ser notificadas com
antecedência que a pessoa está morrendo em casa e que sua morte

UFCD 3532 -Atendimento personalizado Página 26


está sendo aguardada. Frequentemente, as instituições para pacientes
terminais e os programas de home care têm rotinas para notificar as
autoridades, poupando assim a família dessas situações desconfortáveis.

Efeitos Sobre a Família

A família e os amigos íntimos são companheiros de viagem do


paciente terminal e também sofrem. Durante o processo de agonia do
paciente, a família deve ser informada sobre o que está ocorrendo e sobre o
que provavelmente irá ocorrer.

A família também deve procurar se inteirar sobre os custos da morte de um


membro da família. Parentes próximos, em geral mulheres de meia-idade
ou mais idosas, cuidam voluntariamente do enfermo em seus dias finais.
Eles devem investigar como os profissionais da saúde podem auxiliá-los
para tornar essa carga suportável.

Existem os custos do afastamento do emprego, assim como as despesas


com medicamentos, o tratamento domiciliar e os deslocamentos. Um estudo
demonstrou que um terço das famílias despende a maior parte de suas
economias ao tratar de um parente moribundo.

AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO CLÍNICA

Tomada de Decisões

Para a melhor qualidade de vida possível durante uma doença fatal,


é fundamental a comunicação aberta e honesta entre o paciente e seu
médico sobre as preferências relativas ao tratamento no final da vida.

O médico deve apresentar ao paciente um quadro realista no que diz


respeito às possibilidades de recuperação e de incapacitação durante e após
várias opções de tratamento e o paciente informará ao médico e a sua
família o que ele deseja ou não enfrentar.

O paciente deve definir suas preferências de tratamento e também seus


desejos em relação ao local onde ele quer morrer e o que ele espera que

UFCD 3532 -Atendimento personalizado Página 27


seja feito quando a morte chegar. Ao escolher um médico, o paciente deve
questionar sobre os cuidados que receberá ao final da vida:

Procuração Permanente para Assuntos de Saúde

O paciente deve nomear uma pessoa de confiança como procurador


ou representante por meio de um documento legal denominado Procuração
Permanente para Assuntos de Saúde. O procurador fica autorizado a tomar
decisões concernentes à saúde do paciente no caso de ele tornar-se incapaz
de fazê-lo. Se o paciente não nomear um procurador, o parente mais
próximo habitualmente tomará essas decisões.

No entanto, em algumas jurisdições e para algumas decisões, o parente


mais próximo deve ser autorizado juridicamente. A existência de um
procurador nomeado evita os gastos e a demora judiciais, sendo
especialmente importante quando o parente mais próximo não é a melhor
escolha como procurador ou quando a relação com o procurador não é
legalmente reconhecida.

Orientações Antecipadas e Testamento em Vida

O paciente pode estabelecer orientações em relação aos tipos de


tratamentos que deseja antes de necessitá-los. Essas orientações médicas
antecipadas são importantes para o caso do paciente tornar-se incapaz de
tomar decisões. As orientações podem ser declarações gerais de objetivos e
filosóficas, as quais devem tornar-se mais específicas à medida que a
doença avança. As orientações antecipadas podem ser documentadas como
testamentos em vida. No entanto, é suficiente uma carta escrita pelo
paciente ou a documentação das orientações do paciente no prontuário
médico.

Ao tomar decisões sobre orientações antecipadas, o paciente deve entender


completamente suas circunstâncias e escolhas. É essencial ter uma
conversa com o médico para que tais orientações sejam específicas e úteis.

UFCD 3532 -Atendimento personalizado Página 28


Além disso, as orientações devem ser passadas aos profissionais envolvidos
em todas as fases do tratamento.

Decisões ponderadas para uma instituição de pacientes terminais são


irrelevantes se médicos e enfermeiros locais nada souberem acerca delas. A
pessoa que deseja morrer na própria casa e não quer ser submetida a
procedimentos de ressuscitação deve pedir ao médico para emitir uma
ordem aos outros profissionais envolvidos para não executarem a sua
transferência para o hospital e para não tentarem a sua ressuscitação.

Serviços que Devemos Conhecer

Home care é o tratamento supervisionado por um médico e ministrado na


casa do paciente por profissionais da saúde, os quais podem ajudar
administrando medicamentos, avaliando o estado do indivíduo e prestando
serviços pessoais, como dar banho.

Cuidados para o paciente terminal são os cuidados ministrados no fim


da vida do paciente, enfatizando o alívio dos sintomas, e que proporcionam
apoio psicológico e social para o doente terminal e sua família. O local pode
ser a casa do paciente, uma instituição para doentes terminais ou um
hospital. Em geral, para ter acesso a esses cuidados, o paciente deve ter
um prognóstico de menos de seis meses de vida.

Cuidados domiciliares de enfermagem é o tratamento realizado por


uma instituição autorizada, com enfermeiras e pessoal de apoio.

Cuidados temporários que consistem em cuidados prestados em casa ou


numa instituição de pacientes crónicos ou de pacientes terminais,
permitindo que os membros da família do paciente ou profissionais da
saúde viajem, repousem ou dêem atenção a outros assuntos. Esses
cuidados podem se prolongar por dias ou semanas, dependendo das
normas do sistema de tratamento e do plano de saúde. Organizações
voluntárias fornecem uma série de serviços de suporte financeiro e de
auxílio a pessoas enfermas e às suas famílias. Comummente, essas
organizações ocupam-se de indivíduos portadores de uma determinada
doença.

UFCD 3532 -Atendimento personalizado Página 29


Suicídio

Muitos pacientes terminais e suas famílias chegam a considerar a


possibilidade do suicídio, sobretudo atualmente, em razão do aumento do
debate público sobre essa questão. As pessoas que defendem o suicídio são
em grande parte motivadas pela solidão, pela sensação de inutilidade ou
por sintomas incontroláveis. Uma discussão sobre o assunto com o médico
poderá ser útil; o profissional pode aumentar os esforços para controlar a
dor, assegurar ao paciente e à família o afeto necessário e ajudá-los na
busca de um significado. Apesar disso, alguns pacientes e suas famílias
optam pelo suicídio, seja em busca de alívio para uma situação intolerável,
seja como um exercício de autonomia determinando precisamente quando e
como eles desejam morrer. Em geral, os pacientes recusam tratamentos
que podem prolongar a vida, como a alimentação via parental e a
respiração artificial. Esse tipo de decisão não é considerado suicídio.

Aceitação da Morte

É comuns os indivíduos apresentarem uma reação de negação ao


serem informados que eles provavelmente morrerão em decorrência de sua
doença. Eles podem tornar-se confusos, perturbados, irritados ou tristes e
podem se isolar. Quando essas reações amenizam, os indivíduos iniciam o
processo de aceitação da morte – o que, com frequência, significa terminar
o trabalho de toda uma vida, colocar em ordem os assuntos com os
familiares e os amigos e aceitar o inevitável. Os aspetos espirituais e
religiosos são importantes para alguns pacientes e suas famílias.

Sintomas Durante uma Doença Fatal

Muitas doenças fatais produzem sintomas semelhantes como, por


exemplo, dor, dificuldade respiratória, problemas gastrointestinais, úlceras
de decúbito e fadiga. Também é comum a ocorrência de depressão,
ansiedade, confusão mental, delírio, inconsciência e invalidez.

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Dor

A maioria das pessoas teme a dor ao se defrontarem com a morte.


No entanto, ela pode ser controlada, permitindo que o indivíduo permaneça
consciente, sinta-se integrado no mundo e confortável. A radiação pode
controlar certos tipos de dor produzidos pelo câncer. A fisioterapia ou
analgésicos, como o acetaminofen e a aspirina, são utilizados para controlar
a dor leve. Para algumas pessoas, a hipnose ou o biofeedback – métodos
que não produzem efeitos adversos importantes – aliviam a dor de modo
eficaz.

Dificuldade Respiratória

A dificuldade respiratória é uma das piores formas de se viver ou de


morrer e também pode ser evitada. Vários métodos podem facilitar a
respiração como, por exemplo, a diminuição da produção de secreção, a
mudança da posição do paciente, a administração de oxigénio suplementar
ou a diminuição do volume de um tumor que esteja obstruindo as vias
respiratórias decorrentes da radiação ou de corticosteroides.

Depressão e Ansiedade

A sensação de tristeza ao contemplar o fim da vida é uma resposta


natural, mas esse sentimento não deve ser confundido com a depressão. O
indivíduo deprimido perde o interesse pelo que ocorre à sua volta, enxerga
apenas o lado triste da vida ou não sente emoções. O paciente e sua família
devem conversar com o médico sobre esses sentimentos para que a
depressão seja diagnosticada e tratada. Com frequência, o tratamento – o
qual combina medicamentos e aconselhamento – é eficaz, mesmo nas
últimas semanas de vida, e melhora a qualidade de vida durante o tempo
que resta ao paciente.

A ansiedade é caracterizada por uma preocupação excessiva e ela ocorre


quando a preocupação e o temor são tão grandes que passam a interferir
nas atividades quotidianas. A sensação de não estar sendo devidamente

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informado ou de estar sendo sobrepujado pode causar ansiedade. Essa
situação pode ser aliviada quando o paciente solicita informações mais
precisas ou ajuda às pessoas responsáveis pelo seu tratamento.

Confusão Mental, Delírio e Inconsciência

Os pacientes gravemente doentes frequentemente apresentam


confusão mental. Esse estado pode ser desencadeado por um medicamento,
uma infeção pouco importante ou mesmo pela alteração do ritmo de vida.
Algumas vezes, a tranquilização e a reorientação podem aliviar a confusão
mental, mas o médico sempre deve ser informado sobre o sintoma para que
sejam aventadas as possíveis causas tratáveis. O paciente muito confuso
pode exigir atenção constante ou apenas uma sedação leve. O indivíduo no
estado terminal que apresenta delírio ou incapacidade mental não percebe a
eminência da morte.

No entanto, nos momentos finais da vida, ele pode apresentar períodos de


lucidez surpreendente. Esses episódios podem ser muito significativos para
os membros da família, mas também podem ser equivocadamente
interpretados como uma melhora do quadro.

Invalidez

Frequentemente, a incapacidade progressiva acompanha as doenças


fatais. As pessoas afetadas tornam-se gradualmente incapazes de
administrar o lar, preparar a comida, tratar dos assuntos financeiros, andar
ou realizar os cuidados pessoais. Quase todas as pessoas que estão
morrendo precisam de ajuda nas últimas semanas.

Essa invalidez deve ser prevista e devem ser implementadas medidas como,
por exemplo, a escolha de uma moradia com acesso a cadeira de rodas e
próxima da moradia dos familiares que cuidam do paciente. Serviços como
o de terapia ocupacional, de fisioterapia e de atendimento domiciliar de
enfermagem ajudam a pessoa a permanecer em seu domicílio, mesmo se a
invalidez progredir. Algumas pessoas preferem permanecer em casa mesmo
sabendo que a segurança é menor, preferindo uma morte mais precoce do
que ao internamento.

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ACOMPANHAMENTO NO EXTERIOR

Desenvolvimento do clima ético em organizações que se dedica aos


idosos.

Os líderes empresariais, entre outras coisas, descobriram que a ética


passou a ser um fator que agrega valor à imagem da empresa, no caso, dos
hospitais, casas de saúde, asilos, locais de atendimento a idosos.

Eis a razão da crescente preocupação, entre os empresários, com a adoção


de padrões éticos para suas organizações. Sem dúvida, os empregados
dessas entidades serão analisados através do comportamento e das ações
por eles praticadas, tendo como base um conjunto de princípios e valores.

Da mesma forma que o indivíduo é analisado pelos seus atos, as empresas


(que são formadas por indivíduos) passaram a ter sua conduta mais
controlada e analisada, sobretudo após a edição de leis que visam a defesa
de interesses coletivos.

A credibilidade de uma instituição é o reflexo da prática efetiva de valores


como a integridade, honestidade, transparência, qualidade do produto,
eficiência do serviço, respeito ao consumidor, entre outros. No caso de uma
empresa voltada para o trabalho com idosos, impõe-se um respeito muito
grande aos princípios e valores que ajudem a pessoa de mais idade, a
atingir a sua plenitude como ser humano, dentro das limitações inerentes
ao outono da vida.

Nessa dimensão distinguem-se dois grandes planos de ação que são


propostos como desafio às organizações:

- De um lado, em termos de projeção de seus valores para o


exterior, fala-se em empresa modelo; no sentido de respeito ao
meio ambiente, no incentivo ao trabalho voluntário, na realização
de algum benefício para a comunidade e na responsabilidade social,
etc.

UFCD 3532 -Atendimento personalizado Página 33


- De outro lado, sob a perspetiva de seu público mais próximo, como
executivos, clientes, colaboradores, profissionais especializados,
fornecedores, acionistas, fazem-se esforços para a criação de um
sistema que assegure um modo ético de operar, sempre respeitando
os princípios gerais da organização e do direito.

Os familiares das pessoas idosas a quem se dirigem os serviços


prestados, aguardam, muitas vezes com ansiedade, um
acompanhamento mais próximo e um atendimento mais
personalizado, indicativo de que se trata cada pessoa como se fosse
a única.

Conclusão

Naturalmente que é necessário um bom acompanhamento dos


idosos quando estes necessitam de se deslocar a qualquer repartição
pública.

Evidentemente que acompanhar um idoso ao notário, levá-lo até junto de


um advogado, deslocar-se com ele a uma instituição bancária ou
compartilhar a sua companhia a qualquer serviço público, tem de ser uma
pessoa eticamente bem formada, que inspire confiança ao idoso. Que saiba
guardar sigilo de tudo o que foi feito, ser honrado, sério e respeitador.

Por essa razão muitas empresas de respeito, na área de saúde e bem-estar,


especializada em idosos empreendem um esforço organizado, a fim de
encorajar a conduta ética entre seus empregados. Para tanto, elegem
princípios e valores que são erigidos como baluartes da organização. Sob a
égide desses postulados, implantam códigos de ética, idealizam programas
de treinamento para seus executivos e empregados, criam comissões de
ética, capacitam líderes que percorrem os estabelecimentos da organização
incentivando o desenvolvimento de um clima ético, além de outras ações.

Notário

Os serviços de notariado podem ser dos seguintes tipos:

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Registo civil

 Nascimento
 Casamento
 Óbito
 Divórcio
 Certidões

Identificação civil

 Pedido de bilhete de identidade ou Cartão de Cidadão para cidadão


nacional;
 Em caso de retenção do bilhete de identidade;

Registo de veículos

 Registo de propriedade do veículo

Registo predial

Registos Centrais – Nacionalidade

Outros

 Compra, venda e permuta de bens imóveis;


 Testamentos;
 Protocolos

Advogado

Consulta e apoio jurídico em casos de:

 Divórcio
 Violência familiar e doméstica
 Regulação do Poder Paternal;
 Legalização, no caso de cidadãos estrangeiros;
 Contratos de trabalho;
 Problemas laborais;

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 Organização de pagamento de dívidas
 Etc. etc.

Instituições bancárias

Serviços prestados por instituições bancárias:

 Levantamentos e depósitos;
 Créditos (habitação, consumo, automóvel, férias, etc.)
 Seguros de saúde;
 Planos de Poupança e reforma;
 Certificados de Aforro;
 Livros de cheques;
 Atualização de cadernetas.

Serviços públicos

Serviços públicos são todos os serviços que um cidadão pode recorrer, em


caso de necessidade, contando-se
entre os mais importantes:

 Centro de Saúde;
 Hospitais;
 Segurança Social (abonos, subsídios, etc)
 Finanças (entrega de declarações de impostos)
 Polícia de Segurança Pública
 Guarda Nacional Republicana;
 Câmara Municipal;
 Junta de Freguesia

SITUAÇÕES IMPREVISÍVEIS

FOGO - PREVENÇÃO DE ACIDENTES GERAIS

Nunca deixe crianças trancadas ao sair de casa. Em caso de incêndio, ou


outra emergência, elas não terão como fugir.

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Não soltar fogos de artifícios, podem explodir acidentalmente na mão do
usuário, mutilando-o ou queimando-o.

Grande quantidade de papéis, papelões e outros materiais de fácil


combustão não devem ser guardadas em locais abertos, próximo a áreas de
circulação de pessoas, mas sim guardados em recintos fechados.

Após utilizar uma fogueira na mata, camping, etc., lançar água na mesma e
cobrir com areia.

Ter cuidado com balões de gás para crianças, muitas vezes enchidos com
hidrogénio. Não fumar perto deles, o que pode causar explosões e várias
queimaduras.

Não fumar na cama, pois o fumador pode adormecer e o cigarro provocar


um incêndio.

Não lançar produtos inflamáveis, gasolina, álcool, etc., nos ralos, pois,
podem causar acumulação de gases provocando explosões.

Não avivar chamas de churrasqueiras e braseiros lançando álcool ou outros


produtos inflamáveis em cima deles - Poder-se-á queimar seriamente.

COMO AGIR?

 Se notar indícios de incêndio (fumo, cheiro a queimado, estalidos,


etc.), aproxime-se a uma distância segura para ver o que está
queimando e a extensão do fogo.
 Dê o alarme pelo meio disponível aos responsáveis pela
administração do prédio e/ou telefone aos Bombeiros - Telefone 112.
 Se não souber combater o fogo, ou não puder dominá-lo, saia do
local, fechando todas as portas e janelas atrás de si, mas sem trancá-
las, desligando a eletricidade e alertando os demais ocupantes do
andar.
 Não perca tempo tentando salvar objetos, salve a sua vida.
 Mantenha-se vestido, pois a roupa protege o corpo contra o calor e a
desidratação.

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 Procure alcançar o andar térreo usando a escada sem correr, jamais
use o elevador, pois a energia é normalmente cortada, e poderá ficar
parado, sem contar que existe o risco dele abrir justamente no andar
em chamas.
 Procure ter sempre a mão o telefone dos Bombeiros.
 Evite abrir qualquer porta em que esteja saindo fumo pelas frestas
e/ou a maçaneta se encontre quente;
 Ao ser surpreendido pelo fumo procure uma saída mantendo-se baixo
sob o fumo e com um lenço sobre as vias respiratórias;
 Se presenciar alguém com as roupas em chamas, derrube-a e role-a,
se possível abafando-a com um cobertor;

IMPORTANTE:

 Se localizar alguém no meio do fumo arraste para um local ventilado


e procure reanimá-lo por meio de ventilação ou respiração boca-a-
boca.
 Num incêndio em edifício evite subir, procure sempre descer;
 Num incêndio em edifício não vá pelos elevadores, desça pela escada
- sempre pelo lado direito;
 Caso não consiga sair do local tente ir para a janela chamar a
atenção para o resgate;
 Lembre-se que nos cantos extremos inferiores das salas há ainda
quantidades residuais de ar no caso de um incêndio;
 Se tiver que atravessar pequenas extensões de fogo, molhe
totalmente as suas roupas ou proteja-se com um cobertor molhado;
 Se tiver um saco plástico transparente de tamanho de 50 cm a 1
metro, obtenha ar fresco não contaminado pelo fumo e tente escapar
agachado, pois terá uma reserva de ar satisfatória durante alguns
minutos;
 Procure evitar a propagação do incêndio, evitando abrir janelas
desnecessariamente;
 No trânsito dê passagem ao socorro do Corpo de Bombeiros;

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 Informe aos bombeiros a existência de outras vítimas e a sua
localização, especialmente se forem portadoras de deficiências físicas.

INUNDAÇÃO

Prevenção de inundações

Para prevenir este tipo de acidentes é importante ter em atenção as


regras de segurança dos edifícios em caso de incêndio, mas também
certificar-se, através de uma inspeção regular, que as canalizações estão
em bom estado.

Também é importante garantir que o isolamento não impede que o


escoamento da casa possa ser feito.

Assim, certifique-se que os ralos das varandas ou marquises estão vedados


permanentemente.

O QUE FAZER DURANTE A INUNDAÇÃO:

-Avise os seus vizinhos pois poderão prevenir as infiltrações ou mesmo


auxiliá-lo a escoar a água;
-Desligue a torneira principal da água e procure parar a inundação,
determinando a sua origem, mas utilizando a maior cautela – se não
conseguir parar a corrente de água, telefone para os bombeiros
imediatamente;

-Verifique a extensão da inundação, identificando quais as partes da casa


afetadas e a quantidade de água de modo a determinar como a retirar;

-Quando examinar a casa para determinar os estragos utilize uma lâmpada


a pilhas e não acenda as luzes devido aos riscos de curto-circuito;

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-Verifique a solidez da casa procurando os sulcos (fendas ou rachadelas),
pedaços de estuque caídos ou outros estragos que possam indicar uma
queda iminente;

-Procure sinais de risco de fogo como canos de gás partidos, circuitos


elétricos e eletrodomésticos molhados ou quaisquer materiais inflamáveis
ou explosivos;

-Contacte a empresa seguradora para que um agente venha verificar os


estragos atempadamente para que possa começar as reparações quanto
Acidentes com idosos

Os acidentes com idosos sucedem-se também em alojamentos coletivos


(casas de repouso, lares e outras instituições de acolhimento), no ambiente
circundante ou por escorregamento na rua.

Alguns conselhos para prevenir acidentes:

 Pratique exercício físico com regularidade, de modo a melhorar a sua


forma física. Faça uma alimentação equilibrada.
 Seja cuidadoso, de modo a não cometer erros na dosagem dos
medicamentos que está a tomar.
 Não beba álcool em excesso.
 Use sapatos bem ajustados, com solas antiderrapantes (de
preferência com ranhuras). Evite usar solas de cabedal e protectores
de metal. Os sapatos devem ter saltos largos, calcanhares reforçados
e presilhas ou atacadores, de modo a evitar que os pés se
movimentem dentro dos sapatos. Evite usar chinelos.
 Não use camisas de noite ou roupões compridos.
 Disponha os móveis da casa de maneira sensata. Deixe espaço para
poder andar de um lado para o outro sem encontrar obstáculos. Não
ande sobre pavimentos escorregadios (molhados ou encerados); os
tapetes devem cobrir todo o chão de uma parede à outra ou
possuírem forro antiderrapante. A mobília não deve ter rodas e a
cama e as cadeiras não devem ser demasiado baixas ou altas.
Coloque barras de apoio na banheira, no chuveiro e ao lado da

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sanita. Utilize tapetes de borracha antiderrapantes no chuveiro e na
banheira.
 Ilumine convenientemente toda a casa - quarto, corredor, sala,
cozinha e casa de banho.
 As escadas devem ter boa iluminação, corrimãos seguros e degraus
antiderrapantes.
 Utilize a visão que tem, nas melhores condições. Se precisar de
óculos, use-os.
 Não coloque no chão pequenos tapetes. Não deixe gavetas abertas.
 Não deixe fios elétricos ou do telefone no chão. Fixe-os às paredes.
 Mantenha todos os utensílios elétricos em boas condições de
funcionamento e a salvo de salpicos de água. Nunca os utilize quando
estiver a mexer em água.
 O aquecimento deve ter boa ventilação e devem ser usadas redes de
proteção nas lareiras.
 O relvado, o jardim, o pátio, locais de passagem para carros e
passeios devem estar desimpedidos, sem buracos, fendas ou outras
irregularidades.
 Procure não estar sozinho. Não se isole, pois isso pode atrasar a
chegada de ajuda do exterior no caso de acidente.
 Esteja atento a movimentos inesperados de animais, crianças e
bicicletas.
 Traga consigo uma lanterna e utilize-a para que possa ver e ser visto
na escuridão.
 Não tenha vergonha de pedir ajuda para atravessar a rua.
 Use bengala, se o seu médico concordar.
 Tenha uma campainha perto de si, sempre que possível.

Se acontecer um acidente:

 Se cair, procure levantar-se de forma correta - dobre-se sobre o


estômago, ponha-se de gatas e gatinhe até à peça de mobília que se
encontra mais próxima de si. Coloque as mãos sobre ela e ponha um
dos pés à frente, bem assente no chão. Levante-se e, em seguida,
sente-se, até se encontrar recuperado.

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 Se não conseguir levantar-se, tente pedir ajuda - a colocação de uma
campainha no chão do quarto, debaixo de uma cadeira, ou de um
telefone, juntamente com os números de emergência num banco
baixo, constitui precaução sensata a tomar. O Serviço Tele-Alarme
pode ser muito útil.
 Tente manter-se quente até chegar alguém para o ajudar. Puxe os
tapetes próximos para cima de si, por exemplo, casacos ou os
lençóis, o que estiver à mão.
 Se sofrer um corte ou queimadura, procure a ajuda de um médico ou
enfermeiro.
 Se sofrer um acidente, não o considere um acontecimento de mau
presságio e não limite as suas atividades. Pelo contrário, não se
esqueça de que a atividade física o ajuda a manter-se mais saudável.

RELAÇÕES INTERPESSOAIS

Entende-se por relações interpessoais o conjunto de procedimentos


que, facilitando a comunicação e a linguagem, estabelece laços sólidos nas
relações humanas. É uma linha de ação que visa, sobre bases emocionais e
psico-pedagógicas, criar um clima favorável à empresa (escola) e garantir,
por uma visão sistémica e integração de todo pessoal, uma colaboração
confiante e pertinente. Cada pessoa é, e sempre será, um verdadeiro
universo de individualidade; as suas ações, os seus motivos, os seus
sentimentos constituem paradigma único. Se não bastasse essa extrema
singularidade ser modelada por uma fantástica constelação de neurónios
que jamais se duplica de forma inteiramente igual em pessoas diferentes,
cada um é portador de um código biológico, uma história particular de vida
e um volume imenso de circunstâncias que evoluíram e evoluem de forma
dinâmica, tornando-o absolutamente incomparável. Mesmo que um
determinado vocábulo possa, por exemplo, possuir o mesmo sentido para
duas pessoas diferentes, a intensidade com que cada um o acolhe jamais
será absolutamente igual. Ninguém pode jamais sentir a saudade que
sentimos, experimentar a felicidade que vivemos, sofrer a angústia da
perda que sofremos e porque assim somos, constituímos uma figura ímpar,

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um ser singular no imenso espaço que emoldura a nossa passagem pelo
tempo. Esta originalidade de cada um dificulta a comunicação interpessoal e
com ela todo o esquema de relações humanas que envolve o segredo do
“conviver”. Essa manifesta singularidade humana está presente em
qualquer família, num escritório, na risonha mesa de um bar, na escolha de
companheiros ou nos partidos políticos. O estudo das relações interpessoais
busca examinar os fatores condicionantes das relações humanas e face aos
mesmos sugerir procedimentos que amenizam a angústia da singularidade
de cada um e dinamiza a solidariedade entre todos que buscam conviver
com harmonia. Essa formação abre espaço também para que descubra
meios de transformar contactos em convívios, colegas em companheiros,
que segundo o sentido etimológico dessa palavra, ao viverem juntos
necessitam sempre aprender maneiras de “dividirem o pão”. Para isso é
importante o domínio de alguns procedimentos que podem facilitar as
relações humanas.

Mas, mesmo considerando a importância das mesmas para uso eventual em


circunstâncias imprevisíveis e inimagináveis, é essencial que o profissional
encarregado de fazê-lo se mostre extremamente preparado e com aguda
sensibilidade para perceber o oportunismo do momento e para domínio das
estratégias de execução.

PAPÉIS

- Ao relacionarmo-nos com os outros, adquirimos novos comportamentos,


dividindo-os em tarefas e adotando diferentes papéis;

- Os papéis vão evoluindo em função da interação.

CONTEÚDO DA RELAÇÃO

- Implica o que os participantes fazem juntos, incluindo comportamentos


cooperativos (como ajudar alguém) e comportamentos como lutar,
competir, etc.

INTERVENIENTES DA RELAÇÃO

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- Cada pessoa que interage connosco tem um significado e nós agimos
conforme esse significado;

- As pessoas unem-se para alcançar objetivos e satisfazerem necessidades


que sozinhas não são capazes;

CONTEXTO DA RELAÇÃO

- O contexto social marca as relações interpessoais, influenciando os nossos


comportamentos;

- As pessoas são influenciadas pelas experiências vivenciadas pelos grupos


em que cresceram, influenciando o modo como se relacionam com os
outros.

Podem-se observar nas relações interpessoais, várias formas de


sociabilização. Assim, existem relações:

- Formais (Ex: um cidadão numa repartição das finanças);

- Informais (Ex: um grupo de amigos);

- Íntimas (Ex: relações familiares);

- Públicas (Ex: Ida a um concerto);

- Ocasionais (Ex: pedido de informação a uma pessoa desconhecida);

- Sistemáticas (Ex: relações de trabalho);

Quanto aos tipos de relações interpessoais, podem-se considerar as:

- Relações afetivas;

- Relações amizade;

- Relações familiares;

- Relações socioprofissionais;

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- Relações vizinhança; e comunidade;

RELAÇÕES FAMILIARES

Conceito de família

A família define-se como o conjunto de indivíduos que residem no mesmo


alojamento e que têm relações de parentesco (de direito ou de facto) entre
si, podendo ocupar a totalidade ou parte do alojamento.

A Família é um dos apoios de base dos indivíduos em todas as sociedades.


Isto significa que todos nós pertencemos a uma família, independentemente
do tipo de sociedade em que vivemos, pois esta é a célula base de qualquer
sociedade, donde todas as sociedades se desenvolvem.

São observadas diversas diferenças culturais na forma como se define e se


considera o conceito de Família. A representação social de Família, na
sociedade em que vivemos, resulta do nosso passado da organização da
nossa sociedade, do processo de socialização, das nossas convicções e
valores (por exemplo: uma família portuguesa e uma família muçulmana).

Os dez mandamentos das relações humanas

1º - FALE com as pessoas. Nada há tão agradável e animado quanto uma


palavra de saudação, particularmente hoje em dia quando precisamos mais
de sorrisos amáveis.

2º - SORRIA para as pessoas. Não custa nada. Lembre-se que acionámos


72 músculos para franzir a testa e apenas 14 para sorrir.

3º - CHAME as pessoas pelo nome. A música mais suave para muitos ainda
é ouvir o seu próprio nome.

4º - Seja AMIGO e prestativo. Se você quiser ter amigos, seja amigo.

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5º - Seja CORDIAL. Fale e aja com toda a sinceridade. Tudo o que fizer,
faça-o com todo o prazer.

6º - INTERESSE-SE sinceramente pelos outros. Lembre-se que você sabe o


que sabe, porém você não sabe o que os outros sabem. Seja sinceramente
interessado pelos outros.

7º - Seja GENEROSO em elogiar, CAUTELOSO em criticar. Os líderes


elogiam. Sabem encorajar e dar confiança aos outros.

8º - SAIBA considerar os sentimentos dos outros. Existem três lados numa


controvérsia: o seu, o do outro e o lado de quem está certo.

9º - PREOCUPE-SE com a opinião dos outros. Existem três comportamentos


de um verdadeiro líder: oiça, aprenda e saiba elogiar

10º - PROCURE apresentar um excelente serviço. O que realmente vale na


nossa vida é o que fazemos pelos outros.

O CURRICULUM VITÆ (C.V.)

O curriculum vitæ é um documento de tipo histórico que relata o que


se fez no passado, mas deve, ao mesmo tempo, ser orientado para o
futuro, quer dizer: indicando o que se pode fazer, o tipo de serviços a que
se pode propor a um empregador e o que sabe fazer.

O curriculum vitæ deve conter:

- A história profissional e a sua progressão, apresentada de uma forma


simples e explícita.

- As competências que estão contidas nos parágrafos que relatam a


atividade profissional.

- Os interesses profissionais/pessoais que sobressaem das etapas da


carreira profissional e/ou das atividades extraprofissionais e dos
passatempos.

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Um bom C. V. deve ser:

- Fácil de compreender e ler; não deve conter demasiada informação nem


fornecer dados em excesso. Um C.V. longo pode ser enfadonho,
especialmente em períodos de recrutamento, em que se tem de ler um
grande número deles; torna-se pois uma maneira simples de fazer seleção
que é colocar de lado o C.V. do candidato.

- O relato exato das realizações; O C.V. deve referir-se a factos precisos,


realizações concretas, fornecendo números ou apresentando provas
tangíveis.

Como fazer um C.V.

- A apresentação deve ser dactilografada corretamente e não fotocopiada.

- Devem utilizar-se verbos de ação tais como elabora, produzir, fazer dirigir,
executar, etc.

- As palavras utilizadas devem ser simples e concretas.

- Evitar a adjetivação no superlativo. Por exemplo em vez de escrever


“Tenho bastante (ou muita) experiência nesse domínio”, é aconselhável
utilizar “Tenho uma experiência de 5 anos nesse domínio”.

- Substituir os adjetivos por algarismos; por exemplo “uma dada taxa” por
“uma taxa de 50%”, ou em vez de “numerosos clientes” optar por dizer
“150 clientes”.

- As frases devem ser curtas, claras e concisas. Utilizar um único verbo de


ação em cada frase.

- Os parágrafos devem ter 5 linhas no máximo e uma única ideia por


parágrafo.

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Os números devem ser escritos por algarismos em vez de palavras. Por
exemplo escrever 13 e não treze.

- No caso de se utilizar uma sigla ou uma inicial deve escrever-se, entre


parêntesis, o significado das siglas. Por exemplo: P. R. (Presidente da
República).

- As datas apresentam-se sempre da mesma forma. Por exemplo se escreve


25 de Abril de 1974 não se deve escrever a seguir 25/04/1974.

- Atualmente há um C. V. a nível europeu, cujo conteúdo pode ser copiado


facilmente pela internet. O Europass - Curriculum Vitae está disponível em
diversas línguas entre as quais o português.

Partes que constituem um C.V.

- Identificação pessoal

Nome, filiação, BI, naturalidade, idade, estado civil, situação militar,


residência completa, telefone, telemóvel, fax, carta de condução, e-mail.

- Habilitações Literárias

Nível de escolaridade, ano de conclusão, média do curso e Instituição.

- Formação Profissional

Cursos e Certificados adquiridos em escolas profissionais, em empresas ou


outras.

- Experiência profissional

Locais em que já trabalhou, funções e cargos que desempenharam e


respetivo período de tempo em cada atividade.

Para além da formação, esta é a parte mais importante do C.V., a que mais
conta para a entidade empregadora. Deve poder compreender-se, através
das atividades profissionais, as capacidades e aptidões dos candidatos.

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- Outras informações relevantes

Terá também o seu interesse na influência na decisão da escolha do


candidato o facto de saber línguas, ter feito cursos de formação, participado
em atividades culturais, desportivas ou comunitárias, em ações de
voluntariado, etc.

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