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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ

PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO


DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
COORDENAÇÃO DO CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS
PROFESSORA: ANA CRISTINA DE PAULA MAUES SOARES
DISCIPLINA: TÓPICOS DE ARTE, CULTURA, FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS I
DISCENTE: ÁGATA ABENASSIF SANTOS
Fichamento de pesquisa bibliográfica

Tipo: LIVRO
Assunto/Tema: Teoria do Contrato; dimensões preteridas do contrato social(contrato sexual).
Referência bibliográfica:
PATEMAN, Carole. Fazendo Contratos. In: PATEMAN, Carole. O Contrato Sexual. Rio
de Janeiro: Paz e Terra, 1993. cap. 1, p. 15-37.
Resumo/Conteúdo de interesse:
A teoria contratualista do Estado, encabeçada por teóricos iluministas clássicos
como Hobbes e Rousseau, diz respeito à saída do estado de “homem natural” para o homem
social, o contrato social é um acordo entre os homens em que cada indivíduo abre mão de
uma parcela de sua completa liberdade para um Estado que detém o poder sobre todos os
homens de ditar as regras relacionadas a ordem social. O contrato social é considerado o
primeiro instrumento cujo objeto é a garantia de direitos naturais do ser humano – a liberdade
e todo o necessário à sobrevivência do corpo – e pressupõe condições de igualdade em
direitos, plena liberdade e livre vontade para sua validade.
O que Carole Pateman, em seu livro O Contrato Sexual (1993) vai questionar é que
essas condições de igualdade não se aplicaram às mulheres, as quais foram condicionadas ao
status historicamente subordinado ao homem pelo contrato sexual. A autora defende que, na
história da sociedade, o contrato sexual nunca é mencionado – trata-se de uma dimensão
suprimida da teoria do contrato.
Citações: Página:
a) “Ouvimos muito sobre o contrato social, mas se mantém um silêncio 15
profundo sobre o contrato sexual.”
b) “A sociedade civil moderna não está estruturada no parentesco e no poder
dos pais; no mundo moderno, as mulheres são subordinadas aos homens 18
enquanto homens, ou enquanto fraternidade. O contrato original é feito
depois da derrota política do pai e cria o patriarcado fraternal moderno.”
c) “A história do contrato social é tratada como um relato da constituição da
esfera pública da liberdade civil. A outra esfera, a privada, não é encarada 18
como sendo politicamente relevante. O casamento e o contrato matrimonial
também são considerados, portanto politicamente irrelevantes. Ignorar o
contrato matrimonial é ignorar metade do contrato original.”
d) “As análises tradicionais das histórias clássicas do contrato original 20-21
geralmente não mencionam que as mulheres estão excluídas dele”.
e) “A diferença sexual é uma diferença política; a diferença sexual é a 21
diferença entre liberdade e sujeição.”
f) “A estrutura de nossa sociedade e de nossas vidas cotidianas incorpora a 22
concepção patriarcal de diferença sexual.”
g) “Contar a história do contrato sexual é mostrar como a diferença sexual, o
que é ser ‘homem’ ou ‘mulher’, e a construção da diferença sexual 34
enquanto diferença política são essenciais para a sociedade civil.”
Considerações:
O contrato sexual é um conceito idealizado por Carole Pateman que mostra, em uma
perspectiva política e histórica, como a constituição da sociedade se fundamentou na negação
da condição humana à mulher. Para Pateman, o contrato social pressupõe o contrato sexual,
ou seja, a liberdade dos homens para estabelecer os fundamentos normativos da sociedade só
se tornou possível às custas da submissão feminina à condição de propriedade ou de mero
objeto, negando-as o reconhecimento da condição de sujeitas de direito
A partir da teoria suscitada pela Carole Pateman, é possível afirmar que, em função
da estrutura patriarcal da sociedade, à mulher pode ser relegado o status não de sujeito, mas
de propriedade, cujo âmbito de liberdade não alcança as esferas públicas, onde as verdadeiras
liberdades civis são exercidas. Diariamente, tentam violar e explorar a vida, a força de
trabalho, o corpo, a sexualidade, a liberdade ou a autonomia das mulheres.
Uma das grandes contribuições da teoria do contrato sexual é que esta traz à tona
questões de poder que se fundamentam nas estruturas invisíveis do patriarcado e que ainda
subsistem nos dias atuais. Fica muito claro que, ao longo da história, construímos nossa
própria noção de humanidade com base na inferiorização e na negação de direitos às
mulheres. Essas estruturas, ainda que aparentemente invisíveis, perduram na educação, na
socialização, nas relações de trabalho, nas relações familiares, no imaginário social e,
inclusive, nas leis que precisam ser reformular.

Indicação da obra:
O “Contrato sexual” de Carole Pateman expõe aos leitores discussões clássicas da
política, tal como o contrato social, aprofundando-se na relevância e participação do papel
feminino nas histórias. Evidenciando as opressões e as omissões históricas, busca-se soluções
para as problemáticas, considerando ainda as lutas feministas no processo.
Indicado para estudantes de Ciências Sociais, Ciência Política, Sociologia e demais
áreas das ciências humanas as quais analisam e estudam o aspecto de formação
social/estrutural da sociedade especialmente ao que refere-se sobre o estudo de gênero.
Ademais, torna-se um livro de interesse a toda feminista que busca se aprofundar cada vez
mais nos temas acerca da enraização do patriarcado no contexto histórico-social.
Local:
https://drive.google.com/drive/mobile/folders/1-
BOAZce_Kh_U7nCC5UMpfxC3ZZ0TI4cF?usp=drive_open