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A DESILGUALDADE DE RENDA COMO FORÇA REACIONÁRIA NO COMBATE


DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA E
ADOLESCENTE.

Thomaz Hilgert de Aguiar


Bacharel em Teologia,
Acadêmico em Direito

1. MÁ DISTRIBUIÇÃO DE RENDA E SERVIÇOS BÁSICOS COMO


FOMENTADORES PARA A DESILGUADADE DE ACESSO A DIREITOS DA
CRIANÇA E DO ADOLESCENTE.
Não é de hoje que pode se observar que má distribuição de renda entre
as famílias brasileiras são indicadores de desigualdade social. Quando nos
direcionamos então para a faixa etária denominada criança e adolescente este
estigma acentua se negativamente. Esta desigualdade social e monetária entre a
população brasileira acresce a vulnerabilidade dos que desde 1990 tem o direito de
proteção regido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e desde então é
a legislação vigente que assegura o acesso a Direitos Humanos Universais da
Criança e do Adolescente. (COSTA G 2009).
Observe se só no Brasil, cerca de 55% das crianças com até 6 anos
estão abaixo da linha de pobreza e entre 7 a 14 anos o percentual é de 50 % e o mais
preocupante é que é que as estáticas é que o spercentuais indicam que as crianças e
adolescente estão acima do que os percentuais dos adultos que hoje é de 25%. O que
indica Enide Rocha , pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica aplicada
(Ipea)¹, é que as crianças são mais pobres do que os adultos, e que para cada adulto
pobre há cerca de duas a três criança e adolescente mais pobre. O que considera isto
(costa G 2009), que a infância já um fator de vulnerabilidade do indivíduo,com a
pobreza esta se revela com fatores mais agressivo. Mário Volpi, Coordenador do
programa de Cidadania dos adolescentes do Fundo das Nações Unidas para o
Desenvolvimento da Infância, destaca que a desigualdade social como um obstáculo.
nas políticas e programas que promovem os direitos de crianças e adolescentes.
O cenário fica mais latente quando esta desigualdade social também é
causador pela má administração e investimentos do estado, proporcionando
agravamento para estes fatores que interditam os programas de promoção dos
direitos humanos. Observamos que segundo estudos do Instituto Trata Brasil da
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP)², que menores salário
refletem é regiões onde não há nenhum serviço de coleta de lixo tratamento de
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esgoto e água potável. E que 55 % destes vivem com uma renda mensal menor do
que um salário mínimo.
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¹ O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação pública federal vinculada ao Ministério da
Economia. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a
formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros. Os trabalhos
do Ipea são disponibilizados para a sociedade por meio de inúmeras e regulares publicações eletrônicas, impressas,
e eventos.

Edison Carlos, engenheiro Quimico e presidente da trata brasil, fala que:


"Quando a pessoa morou e mora numa área sem saneamento, a tendência é que
ela se desenvolva menos, tanto na escola quanto na formação profissional. Ela
tende a faltar mais à escola, faltar mais ao trabalho... Tem impacto na formação
profissional".

O comportamento é definido entre a interação do organismo e o ambiente. Ou seja, o


ambiente em que uma criança ou adolescente esta inserido dirá muito na formação
de comportamento, aspirações e desejos (TODOROV JC 2012). Em outras palavras
a desigualdade de renda a falta de condições mínimas de bem estar social do povo
estatal são variáveis de um ambiente onde traçará um padrão de comportamento
que perpetuará esta desigualdade.
A desigualdade de renda é o resultado de uma vida sanitária ruim, e
a população ganha menos somente por que residem em um lugar com condições de
saneamento básico precário e o que automaticamente condiciona suas condições a
esta realidade duradoura (COSTA E 2019). Neste paradigma observamos que a falta
de condições mínimas e a desigualdade de rendas são variáveis condizentes para a
quebra de direitos humanos da criança e do adolescente.
O Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) traça uma
realidade um tanto surreal para o que a constituição federal prevê. Segundo o IBGE,
o grupo dos 20% mais ricos somente 7,5% estão fora da pré-escola, já nos 20% dos
mais pobres 29% estão fora deste ensino. Entretanto mediante o Pnad ( Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios) em 2012, mostra nos que apenas 20% das
crianças mais pobres apenas 21,9% estava nas creches, quanto este numero sobre
muito entre as 20% mais ricas que chega em 63%.
Daniel Cara, Coordenador Geral da Campanha Nacional de Direito a
Educação (CNDE), confere que a desigualdade, começa já bem cedo na vida das
crianças, pois nos lugares onde as pessoas tem renda menor a um salário mínimo
não há vagas de creches o que agrava a situação desta classe social.
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A desigualdade de renda tem sido sim uma arma letal no combate do
direito constituído de politicas que promovem e fomentam o bem estar de nossas
crianças e adolescentes.

2 O DEVER DO ESTADO DEMOCRATICO DE DIREITO EM PROMOVER


CONDIÇÕES PARA AS PROMOÇÕES DE POLÍTICAS PÚBLICA NO DIREITO DA
CRIANÇA E DO ADOLESCENTE.

Como Estado Democrático de Direito, entendemos que, o direito é o


órgão fiscalizador do governo e promulgador de politicas que venham garantir a
igualdade a todos os seus cidadãos, bem como promover a intervenção estatal no
que condiz o bem estar social de todos seus cidadãos (MORAIS J.L.B , STRECCK L
2003). Na teoria política Neo-liberal em que os conceitos de individualidade e
propriedade privada são defendidos, o conceito de Welfare state ( Estado de Bem
Estar Social), ganha valores intrínsecos em nossa constituição.
O Walfare State, ganha conceito contemporâneos em que devolvem os
direitos sociais como status legais e práticos, visto que a promoção da cidadania é a
é uma responsabilidade do estado. Onde a cidadania passa ser o cuidado com as
demandas que as diversas classes sociais exigem para que todos tenham o mínimo
de dignidade (BOTTOMORE T., MARSCHALL T. H.1950)
Este conceito de Estado, ganha força com a Grande Depressão em
1929, pondo um fim a muitos regimes políticos totalitários. Com esta
conceitualização de regime político amplia-se o conceito de cidadania e direitos
sociais são implementando a todo e intrínseco a todo cidadão. Neste modelo de
Estado todos tem o direito durante sua existência (nascimento a morte), a políticas
de bens e serviços promovidas pelo estado ou indiretamente por regulamentação do
estado na sociedade civil. Inclui se nestes direitos sociais acesso igualitário a saúde,
educação, assitêncial a moradia dentre outros(BONAVIDES P 2003).
O artigo 227, da Constituição Federal de 1988, diz que:

È dever da família, da sociedade e do Estado


assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta
prioridade, o direito à vida, à s aúde, à alimentação, à
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade,
ao respeito, à liberdade.

Seguindo este principio constitucional, vemos juridicamente que o estado


tem como prioridade o dever de manter estes direitos humanos, que se tornaram
fundamentais, a partir.da assinatura do Brasil na Declaração universal dos Direitos
Humanos em 10 de Dezembro de 1948.
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Para isso um documento a partir da Lei 8.069 de 13 de Julho de 1990,
foi criado visando assegurar a criança e ao adolescente foi então criado o Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA), que passa a ser uma regulamentação mais
ampla do artigos supra citado de nossa constituição federal. A institucionalização
deste instrumento de jurisdição que garantem os direitos fundamentais da criança e
do adolescente é um marco na afirmação de nossas raízes democrática, visto que o
conceito de cidadania é muito mais amplo que o de responsabilidade jurídicas dentro
do estado e sim o povo e a população que deste desfruta.
Segundo o Art. 53 do ECA, diz que a criança e o adolescente tem direito
à educação, visando o pleno desenvolvimento e preparo para o exercício da
cidadania e qualificação para o mercado de trabalho. Este amparo legal traz evoca
que o direito não é só para quem exerce a cidadania, mas sim, propiciar o pleno
desenvolvimento daqueles que futuramente irão exercer a cidadania jurídica.
O inciso I do Art. 53, fala nos do direito de igualdade de condições para o
acesso e permanência na escola. È dever de o estado promulgar mecanismos que
tragam a igualdade de acesso e permanência de todas as classes sociais. A
diferença entre a classe mais rica para mais pobre é de 45 %, no que condiz acesso
a escola e o que consta é que a falta de investimento estatal para adequação e
geração de vagas em áreas onde a população amis pobre reside são fatores que
agravam e confirmam estes números. Edison Carlos Engenheiro Químico e
presidente da Instituição Trata Brasil destaca os dados do Censo Escola 2017, e diz
que, mais de 10 mil escolas não tem investimentos em esgoto, água tratada e
energia elétrica. E o destaque vai para regiões onde a renda perca pita está abaixo
da linha da pobreza. Fatores de descaso com a escola estes é que concedem ao
Brasil segundo o relatório das Organização das Nações Unidas (ONU), o de o 5º país
mais desigual.(CARLOS E 2018).
O ART. 54 do ECA, fala que é dever do ESTADO assegurar a criança e
o adolescente. Inciso I atendimento em creche e pré escola ás crianças de 0 a 6
anos,o que traz a jurisdição o entendimento que o estado deve promover de forma
igual o acesso a essa faixa etária. A desigualdade de acesso a educação no brasil
começa bem cedo. A diferença de crianças de 2 a 4 que estão matriculadas em
creches é de 42 % entre a população mais pobre para os mais ricos. O Art. 208
inciso I da Constituição federal prevê que o estado deve efetivar a garantia da
obrigatoriedade e gratuidade da educação básica de crianças de 0 a 17 anos, e
daquela que não tiver a idade própria. Mas os dados do IBGE divulgados pelo
Ministério Público do Paraná mostra que segundo o PNAD, a diferença de crianças
matriculadas nas creches era de 57 % entre a população mais pobre para a mais
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rica. E o acesso desigual era devido os baixos investimentos nas escolas públicas.
Exemplo: apenas 51 % das escolas públicas tinham como opção de lazer parquinho
quanto nas particulares este numero era de 85,7%, e para banheiro adequados e
diferença era de 56% para 78,9% respectivamente.(HOLANDA T 2013).
Estes dados infelizmente tem ferido princípios constitucionais previstos,
que ferem a soberania de nosso estado, visto que este conceito representa o poder
do estado de promover a ordem social tanto em âmbito interno e externo, esta
soberania no que condiz republica do latim “coisa do povo”, tem como dever alcançar
ao povo os seus interesses. Desde a antiga Grécia ou Grécia Clássica, nas suas
organizações de polis², onde os governos do então estados ainda que na
nomenclatura já citada, debatiam os interesses da população e como promover
políticas sociais. Torna-se deste modo necessário uma maior intervenção estatal no
que condiz a garantia destes direitos sociais já previamente adotados pelo Brasil no
Pacto das Nações Unidas de 1966 e assegurados pela constituição de 1988.
A lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996, no seu art 2º e paragrafo
único assegura que a educação é dever da família e do Estado e inspira princípios
de liberdade e solidariedade humana e sua teleologia é desenvolver o educando
para o exercícios da cidadania e mercado de trabalho. No art. 3 desta mesma lei fala
que a igualdade de acesso e condições de permanência na escola. Desta forma a
geração de uma logística que o fins é a igualdade de crianças e adolescentes de
acesso a educação e suporte para permanecia desta na escola independem da sua
classe social e local de residência, pois isto lhe é um direito assegurado pela
constituição federal.
O que observamos é que os investimentos em crianças e adolescentes é
de longo prazo, a demanda de políticas que efetivam esses direitos, são gozadas em
mandatos políticos, ocasionando certo desinteresse de dar uma maior atenção para
esta classe do estado (crianças e adolescentes).O que nossos parlamentares tem
objetivado são pleitos que lhe trazem um certo retorno mais imediato, para a
consolidação de sua carreira parlamentar e consequentemente uma futura reeleição.
Pleitos de suma importância estão acima de interesse políticos pessoais, a garantia
da longetividade de nosso estado e do direito garantindo e assegurado são baluarte
de um Estado Democrático de Direito.

² polis. Palavra de origem grega, denominada para cidade. Organização grega de sociedade,
agregação e pessoas vivendo sobre ideiais, onde o método de governo era entregue a uma aristocracia
que respondia pelos interesses sociais do população componente daquela sociedade.
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O RESGATE DAS AXIOLOGIAS CONSTITUCIONAIS QUE GARATEM OS
DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, PARA UMA MUDANÇA DE
ESTIGMA SOCIAL.

Como anteriomente dito que, seguindo os conceitos da psicologia


comportamental (teoria da psicologia que estuda os traços dos
comportamentos humano)o comportamento é a interação do organismo com o
ambiente (TODOROV J. C 2012). Partindo desta premissa, entende se que
condiciona se a ação de um grupo de pessoas ao que lhe é apresentado como
ambiente para que esta venha interagir, com isso é possível então
compreender que, a perpetuação de certos comportamentos e classificação
social está atrelada a sua situação financeira e etnica.
Vejamos do seguinte ponto, se apenas 7,5% das crianças entre os 20%
mais pobres estão matriculados na escola, quando estes numeros sobem para
29% para os 20% mais ricos (IBGE). Seguindo o conceito de comportamento
de TODOROV, entederemos que, está situação se perpetuará ocasionando um
estigma social em nossa nação. Tendo em vista que, a falta de promoção de
políticas que fomentem uma mudança de estátiscas, o ambiente para a
interação destes organismos(crianças e adolescente), será o mesmo
condicionando mais uma vez que a condição social e a renda são parametros
para acesso a educação e permanência na escola de crianças e adolescentes.
Direitos sociais, que agora são fundamentais foram efetivado em estado
como o a nossa Federação, a partir de muita batalha e luta e estes vizavam
justamente mudar estigmas sociais de quem era desfavorecido pelos privilégios
do capitalismo e o advento da Revolução Industrial. Tornaram se valor
axiologico intrisecos de uma Estado Democrático de Direitos, juridicamente
ganharam vozes e a valorização do ser um humano e não do ter material,
passaram a ser direitos garantidos e assegurados constitucionalmente. Para
isso foi dado o sistema Freios e Contra pesos, para assegurar que a
governabilidade não seja apenas voltada para uma classe ou uma intituição
apenas, mas para o povo independente de classe e renda percapita.
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CONCLUSÃO

REFERÊNCIAS

FUNDABRINQ. O Cenário da Infância e Adolecencia. Disponível em


https://cenariocrianca.fadc.org.br/ . Acesso em 05 de Julho de 2019

HOLANDA T. EDUCAÇÃO - Pesquisa do IBGE revela desigualdade no acesso a


creches e pré-escolas. Disponível em: http://www.crianca.mppr.mp.br/2013/12/11671,37/.
Acesso em 05 de Junho de 2019

MORENO A.C. Um terço das crianças de 0 a 3 anos mais pobres do Brasil está
fora da creche por falta de vaga, diz IBGE. Disponível em:
https://g1.globo.com/educacao/noticia/um-terco-das-criancas-de-0-a-3-anos-mais-
pobres-do-brasil-estao-fora-da-creche-por-falta-de-vaga-diz-ibge.ghtml. Acesso em 10
de Junho de 2019

MURARO C. Falta de Saneamento Básico resulta em baixa renda. Disponível em


https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/04/23/falta-de-acesso-a-saneamento-
basico-resulta-em-baixa-renda-e-gasto-com-internacoes-diz-estudo.ghtml. Acesso em
05 de Junho de 2019

SKINNER B.F. HOLLAND J.G. A análise do Comportamento. 1º Ed, Editora E.P.W


1975

STRECK L. L. MORAIS J. L. B Ciência Política e Teoria Geral do Estado. 8º Ed


Livraria do Advogado 2014.

TODOROV J.C 2012. Perspectivas em análise do comportamento. Perspectivas vol 3 São


Paulo 2012