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CENTRO EDUCACIONAL E TEOLÓGICO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS

Novo Testamento II – Atos e Romanos


Álef Augusto Pereira Correia

A IMPORTÂNCIA DA JUSTIFICAÇÃO PARA A VIDA CRISTÃ

FEIRA DE SANTANA – BAHIA


2017
Álef Augusto Pereira Correia

A IMPORTÂNCIA DA JUSTIFICAÇÃO PARA A VIDA CRISTÃ

Pesquisa solicitada pela professora Neuza na disciplina


Novo Testamento II do curso de Teologia no Centro
Educacional e Teológico das Assembleias de Deus em
Feira de Santana 3º Semestre.

FEIRA DE SANTANA – BAHIA


2017
A IMPORTÂNCIA DA JUSTIFICAÇÃO PARA A VIDA CRISTÃ

Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da


lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus mediante a fé em
Jesus Cristo para todos os que creem. Não há distinção, pois todos pecaram e
estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua
graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus.
(Romanos 3:21-24)

Por: Álef Augusto Pereira Correia1

Estudar o processo de justificação é de suma importância para entender


a vida cristã. Desde que Adão caiu, toda a humanidade caiu com ele. Outrossim,
fomos postos em uma situação de total depravação2. Desta forma, o homem
possui uma condição que hebraico é chamado de Yetzer hará, a nossa
inclinação para o mal (Rm. 3.10-18).

Para solucionar este problema, Deus utilizou um método onde sua


justiça não seria maculada, nem tampouco o homem estaria eternamente
condenado. Este processo é chamado de justificação.

Não obstante, para compreendermos a ideia de justificação, é


necessário, a priori, compreender a ideia de justiça. Uma das primeiras ideias de
justiça foi atribuída a Simônides de Ceos, poeta grego. Para o poeta, justiça é
“dar a cada um o que é seu” (MEIRELES, 2002). Este brocardo fora difundido e
tornou-se mais conhecido com o jusfilósofo Ulpiano, trazendo em sua expressão
latina: suum cuique tribuere.

Jesus se posicionou desta forma quando confrontado pelos judeus


acerca do pagamento de impostos:

1
Estudante de Teologia pelo Centro Educacional e Teológico das Assembleias de Deus (CETAD).
2
Sobre a Depravação Total do homem Armínio explica: Mas em seu estado de descuido e pecado, o
homem não é capaz de pensar, nem querer, ou fazer, por si mesmo, o que é realmente bom; pois é
necessário que ele seja regenerado e renovado em seu intelecto, afeições e desejos, e em todos seus
poderes, por Deus, em Cristo, por intermédio do Santo Espírito, para que possa ser corretamente
qualificado para entender, estimar, considerar, desejar e fazer aquilo que realmente seja bom. ARMÍNIO,
Jacó. As obras de Armínio, vol. 1. Rio de Janeiro; CPAD, 2015. p. 284/285.
“É certo pagar imposto a César ou não?" Ele percebeu a astúcia deles
e lhes disse: "Mostrem-me um denário. De quem é a imagem e a
inscrição que há nele? " "De César", responderam eles. Ele lhes disse:
"Portanto, dêem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus".
(Lucas 20:22-25)

Neste diapasão, ser justo é agir com o outro da forma que ele merece
ser tratado. Trazendo isto ao nosso contexto, se o homem é mau, Deus, para
ser justo, deveria condenar o homem mau. Entretanto, ele age de maneira
graciosa e absorve o homem mau.

Através da justificação3, nós que transgredimos a lei somos absolvidos


pelo justo juiz.

Explanado o assunto, Osiel Gomes entende desta mesma forma:

Se alguém que é inocente se apresenta diante de um juiz, o juiz,


evidentemente, o declarará inocente. Todavia, o caso mostrado por
Paulo aqui é diferente. A pessoa que se apresenta diante de Deus é
totalmente culpada, merecendo a punição do seu erro, porém, o justo
Juiz, em uma demonstração de sua graça infinita, considera-o como se
fosse inocente. (GOMES, Osiel. Maravilhosa Graça. Rio de Janeiro;
CPAD, 2016. P.33)

A questão é: como isso funciona? Em nosso ordenamento jurídico,


algumas penas podem ser mitigadas através do pagamento de multa.
Entretanto, nós fomos justificados pela graça, a preço de sangue. Paulo afirma:
“... sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há
em Cristo Jesus.” (Rm. 3.24). Como a justificação é pela graça, ela só pode ser
alcançada por meio da fé. (WYCLIFFE, 2007).

Martinho Lutero também se posiciona desta forma:

O argumento paulino, entretanto, é que nem mesmo as boas obras nos


tornam aceitáveis diante de Deus. Elas merecem somente sua ira,
jamais a seu favor. Em Romanos 4.4,5; Paulo contrasta a pessoa “que
trabalha” com aquela que “não trabalha”. A justificação, que equivale a

3
Neste sentido, Agostinho de Hipona expõe: “E assim como a luz que ilumina difere da luz refletida, a
sabedoria criada difere da sabedoria incriada; e a justiça justificante difere da justiça nascida da
justificação.” AGOSTINHO. As Confissões.
aceitação diante de Deus, não é atribuída “ao que trabalha”, mas
àquele que “não trabalha”, mas crê no Senhor. Não há posição
intermediária. (LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. São José dos
Campos, SP; Fiel, 2ª Edição, 2007. P. 30)

Essa ideia é ratificada quando Saulo escreve aos Gálatas:

Digo porém que, enquanto o herdeiro é menor de idade, em nada difere


de um escravo, embora seja dono de tudo. No entanto, ele está sujeito
a guardiães e administradores até o tempo determinado por seu pai.
Assim também nós, quando éramos menores, estávamos
escravizados aos princípios elementares do mundo. Mas, quando
chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de
mulher, nascido debaixo da lei, a fim de redimir os que estavam sob a
lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vocês são
filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho aos seus corações, o qual
clama: "Aba, Pai". Assim, você já não é mais escravo, mas filho; e, por
ser filho, Deus também o tornou herdeiro. (Gálatas 4:1-7)

Por derradeiro, é necessário entender as implicações de uma


justificação. Quando nós somos justificados, passamos para o processo de
santificação, por último a glorificação nas mansões celestiais.

Assim disserta o escritor aos Romanos:

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso
Senhor Jesus Cristo, por meio de quem obtivemos acesso pela fé a
esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na
esperança da glória de Deus. (Romanos 5:1-2)

Paulo não se sentia justificado pelas suas obras, pois a justificação é


dom de Deus. Não podemos ter certeza se fomos regenerados pelas nossas
obras. O grego anakrinõ4 (julgado) significa autoexame5. Devemos examinar
nossas obras para saber se estamos na fé, mas este exame não
necessariamente é verossímil. Laudicéia achava-se rica, mas Jesus via que ela
era pobre. Esmirna era pobre, mas aos olhos de Deus era rica. O rico insensato
achava-se sábio, mas Jesus o diagnosticava como louco. O homem pode achar

4
Segundo a concordância exaustiva Strong: anakrino 1) examinar ou julgar 1.1) investigar, examinar,
verificar, analisar cuidadosamente, questionar 1.1.1) especificamente num sentido forense no qual um
juiz conduz uma investigação 1.1.2) interrogar, examinar o acusado ou testemunha 1.2) julgar de,
estimar, determinar ( a excelência ou defeitos de alguma pessoa ou coisa.
5
BÍBLIA KING JAMES ATUALIZADA(KJA). São Paulo, Abba Press, 2012.
que está no caminho correto, mas este caminho o leva a morte. A salvação é
dom de Deus. E somente Ele pode nos dar o diagnóstico se somos
verdadeiramente regenerados ou não.
REFERÊNCIAS

AGOSTINHO. As Confissões.

ARMÍNIO, Jacó. As obras de Armínio, vol. 1. Rio de Janeiro; CPAD, 2015.

BÍBLIA KING JAMES ATUALIZADA(KJA). São Paulo, Abba Press, 2012.

GOMES, Osiel. Maravilhosa Graça. Rio de Janeiro; CPAD, 2016.

LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. São José dos Campos, SP; Fiel, 2ª
Edição, 2007.

MEIRELES, Raimundo Gomes. Direito e Filosofia. Revista Espaço Acadêmico


– Ano II – Nº 17, 2002.

STRONG. Concordância Bíblica Strong. Barueri, SP; Sociedade Bíblica do


Brasil, 2002.

WYCLIFFE. Dicionário Bíblico. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.