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Ética e Educação – Tema 1

Análise de Documento

Material a analisar

“Escola e Familia uma relação necessariamente conflitual” in Costa Emília – Gestão de


conflitos, Uab.

Tema

Análise das dinâmicas relacionais comuns ao microssistemas familia e escola através da


prespectivas sistémica e ecológica

Problemática

Como se desenvolve o diálogo conflitual escola e família

Argumentos em que se baseia

Familia primeiro contexto de desenvolvimento do sujeito psicológico cuja dinâmica é


necessário conhecer para a compreensão do mesmo.
Funções da familia:
• Assegurar a continuidade do ser humano, como contexto priviligiado de
transmissão de vida, afectos, cultura, referências étivas e desenvolvimento;
• Promover as aprendizagens mais estruturantes e estruturadoras no processos de
individuação e socialização.
A familia pode ser analisada segundo uma epistemologia causalista ou sistémica,
aceitando o autor , para a sua análise a prespectiva sistémica de familia. Nesta
prespectiva é necessário analisar a famila na sua interacção entre os seus membros bem
como os processos individuais/sociais e a forma como estes contribuem para a
interacção.
A familia é uma rede complexa de relações e emoções entre os seus membros, cujos
laços mantêm a sua unidade. Este sistema de relações está organizado em torno de
objectivos comuns que apenas poderá atingir como um todo e não individualmente, esyas
metas são atingidas de uma forma dinâmica durante a constante mutação a que as
relações intrafamiliares estão sujeitas.
Por outro lado a familia está inserida numa comunidade e cultura, interagindo com estes
sistemas exteriores.Esta interacção com sistema exteriores interfere no desenvolvimento
individual que implica uma transformação e remodulação constatntes da familia. Esta
interação com o sistema deverá ser autoregulada para que a familia mantenha a sua
identidade e autonomia, havendo uma definição clara de limites e fronteiras com os
outros sistemas, premitindo transmição de saberes mas não intrusões na dinâmica
familiar.
As transições normativas e não normativas a que a familia se encontra sujeita são um
desafio à sua capacidade de reorganização podendo levar a um novo equilibrio ou à
ruptura, dependendo da capacidade de autoregulação da mesma. Uma transição
normativa que leva a grandes reajuste é a entrada dos filhos na escola, com consequente
refurmulação de papeis e criação de novos papeis, bem como a “invasão”da familia por
um novo sistema , a escola, e novos subsistemas que derivam da interacção da criança
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com os pares e seus subsistemas familiares.

Caracterização dos contornos conflituais da relação escola família


Esta relação exige:
• Criatividade
• Flexibilidade
• Tolerância
• Cooperação
• Questionamento e oportunidades de partilha
• Diálogo formativo
• Negociações e cedências múltiplas
A administração central , nomeadamente após a provação da Lei de Bases do Sistema
Educativo (1986), criou condições para a emergência da participação parental , através de
legislação que incentiva ao diálogo. Esta preocupação revela-se através da participação
nas Associações de Pais, Conselho Pedagógico; Assembleia de Escola e Conselho de
Turma. Mas muitos são os observdores que reduzem esta relação a uma mera retóriac de
escola de massas.
Negociação como estratégia
A negociação faz apelo a que os intervenientes saibam:
• Compreender o ponto de vista do outro
• Integrá-lo tendo em conta o seu ponto de vista
• Reconhecer que o outro também tem um contributo importante para a resolução
do problema
• Ceder articulando pontos de vista.
No dominio da Psicologia este dominio denomina-se estratégias de negociação
interpessoal (ENI) , focalizando-se nos processs cognitivo/emocional de planificação e
organizaºção da acção interpessoal- saber as “coisas” que se podem fazer.
A negociação não é a solução para todos os males :
1º - existem situações inegociáveis, aquelas que têm a ver com valores e crenças
estruturantes do ser humano .
2º a negociação pode ser manipulável : os negociadores podem apresentar proposta
aparentemente limitadas ou podem mascarar os dados dos problemas bem como as suas
intenções.
Relação escola /família
O modelo tradicional de familia deu lugar a novas formas de organização e estrutura
familiar (pág 118), o que levou a escola a ssumir competências que cabem à familias, sem
que para isso tenham meios.
Por outro lado a nova sociedade de informação/tecnologia molda os alunos que detêm
inúmera informação sem que a consigam organizar ou mesmo compreender. Informação
obtida na ausência de relações interpessoais.
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A escola está em crise : professores defraudados no seu exercício profissional; existe a


opinião generalizada da baixa qualidade de ensino da escola pública; dificuldade de
transmitir numa escoola de massas algum saber significativo. Isto leva a uma relação de
mutua atribuição de culpa a cad um dos intervenientes.
Missão pessoaç e social da escola consagrada na Lei de Bases do Sistema Educativo:
• Promoção do desenvolvimento integral do aluno, valorizando tanto as vertentes
socioculturl e científico – técnicas como atitudes, os comportamentos e os valores
morais
• Formação do carácter de cidadania, preparando cada educando para uma reflexão
consciente sobre os valores espirituais, estéticos, morais e cívicos e para
integração social
• Preparação dos alunos para a ocupação de um justo lugar na vida activa,
permitindo a cada um contribuir para o progresso da sociedade, em consonância
com os seus interesses , capacidades e vocação
• Desenvolver o espírito e a práctica democrática, fomentando a participação activa
dos cidadãos

Teorias em confronto

Epistemologia causalista: Epistemologia sistémica:


• O processo de socialização foca-se • O processo de socialização incere-se
na influência da família nos filhos num contexto mais lato numa rede
imbrincada de relações (Benoit, 1988)
• Prespectiva unidireccional
• Prespectiva pluridireccional: a familia é
• Preconizada por prespectivas como:
afectada pelo contexto social mais
psicodinâmica; comportamental e
alargado; índividuose subsistemas que
cognitivista
a constituem – sistema aberto
• Baseada na prespectiva
• Baseada numa prespectivasistémica
intrapsiquica centrada no individuo-
relacional, centrada na ecologia social
sistema fechado
da familia e redes complexas em que
interage
• Parte da teoria geral dos sistemas
(Bateson, 1977); teoria da comunicação
(watzlawick, Beavin e Jackson, 1967);
aplica conceitos da ciência da natureza

Termo(s) / Conceito(s)

Homeostase sistémica – capacidade do sistema manter o equilibrio


Transições normativas – acontecimentos previsiveis na história da família (entrada dos
filhos para a escola...)
Transições não normativas – acontecimentos imprevisiveis que podem surgir ao longo
da história da família: divórcios, desemprego...
Conflito – processo tansversal responsável pela mudança em todos os níveis da vida
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social.sendo conceptuaçizado como uma precepção divergente de interesses, crenças,


valores, expectativas e objectivos entre dois interlocutores.
Assimilação – incorporação de novas informações e experiências do meio envolvente
Processo de integração/acomodação – incorporação de informação e experiências que
o sujeto foi acedendo.
Negociação: processo de resolução de uma situação conflitual entre dois intervenientes
ou grupos opostos até ambas as partes aceitarem um compromisso viável para todos.
Negociação formal: existe espontaneamente nas relações que se estabelecem no
quotidiano.
Negociação informal: sofisticada e intencionalizada, surgindo em contextos intitucionais e
organizacionais onde existem conflitos explicitos de interesses e poderes.
Idiossincrasia: caracteristica comportamental ou etritural peculiar a um individuo ou grupo
Competências transversais: conjunto integrado e estruturado de saberes a que o sujeito
terá que recorrer e mobilizar para a resolução de várias tarefas com que é confrontado,
assumindo uma consciência crítica das suas potencialidades.

Teorias subjacentes

Prespectiva ecológica de Bronfenbrenner (1979):


A perpectiva ecológica salienta a relevância das intracções entre o índividuo e os vários
contextos de vida onde participa directa ou indirectamente.
O desenvolvimento humano desenrola-se em cinco sistemas , hierarquicamente
interrelacionados:
1ª – microssistema: refere-se a contextos imediatos em que pelo menos uma das partes
seja o sujeito em desenvolvimento, em que este pode desempenhar determinados papeis
desenvolvendo relações interpessoais.
Alguns microssistemas:
- família
- escola
2ª mesossistema: compreende as inter – relações entre dois ou mais dos principais
microssistemas, como a relação entre a família e a escola.
3º exossistema: sistema conctituido por um ou mais contextos que não implicam a
participação activa do sujeito em desenvolvimento mas que por eles é afectado, como por
exemplo o estatuto sócio-cultural dos pais.
4º Macrossistema: é o conjunto de valores, crenças culturais, acontecimentos históricos e
os legados difusos que constituem o cimento da sociedade e que directa ou indirectamente
influênciam o sujeto.
5º cronossistema: momentos temporais mais decisivos para o desenvolvimento do
sujeito.

O desenvolvimento do sujeito está para além da sua dimensão intrapessoal/intrapsíquica


potenciando-se numa rede complexa de inter –relações dos vários contextos de vida, mais
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próximos ou mais alargados, pelo que o desenvolvimento das potencialidades que cada
sujeito é portador está intimamente dependente dos seus recursos pessoais bem como da
qualidade psicossocial dos contextos com os quais o sujeito se interelaciona.

Análise psicológica de conflito segundo Piaget:


Conflito é um processo decisivo e imprescindível para que o desenvolvimento ocorra. O
desenvolvimento vai ocorrendo numa sequência invariante e conflitual em níveis
crescentes de complexidade que se manifesta na forma de compreender e agir sobre a
realidade para a transformar e transformar-se. O desiquilibrio criado pelo conflito
proporciona novas condições para uma reorganização mais complexa do sistema pessoal.

Argumentos do autor

Problema: o que pode estar por base à confluitualidade entre escola e familia

Famílias:
• Novas formas de organização e estrutura familiar que vão condicionar as
competências sociais e inter-relacionais dos alunos. A socialização primária é assumida
pela escola , sem que esta tenha meios ou capacidade para tal. Por outro lado, os
alunos assimilam informação (muita informação) fora de um contexto de relação intra –
pessoal faz com que estes se transformem em analfabetos funcionais, incapazes de
integrar esta informação.
• Função de suplência que a família imputa à escola delegação por parte da familia
da maioria das responsabiliaddes educativas das futuras gerações para a escola.,
devido à falta de tempo real disponível para os filhos.
• Idiossincracia de culturas que frequentam a escola que leva a um gerar de conflitos
inter –culturais entre cultura familiar e cultura escolar, o que pode levar ao insucesso
escolar; absentismos e exclusão escolar antes de conclusão da escolariade obrigatória.

Escola:
• Funções de desenvolvimento pessoal e social bem como competências básicas e
transversais generalizáveis estas são as novas funções que lhe são pedidas e para
as quais não está preparada nem tem meios para tal.
• Objectivos incomportáveis propostos à escola pelo legislador que ficam aquém na
sua realização defraudando as espectativas dos pais e da comunidade social que
esperam que a escola equipe os sujeitos em desenvolvimento com competências para
as quais não se encotram preparada.
• Cultura escolar monocultural caracterizada por uma cultura urbana, academicista,
teórica, abstracta de classe média, católica, adulta e androcêntrica, previligiando as
familias de culturas congéneres e desfavorecendo e desrespeitando as familias de
contextos de origem mais periféricos
• Valoriza a cultura socialmente dominante previliginado e legitimando a cultura da
qual é portadora contribuindo para a manutenção de desigualdades
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Solução proposta para o problema: a escola deverá demarcar-se progressivamente de


uma escola monocultural para uma escola que desenvolva o diálogo entre várias culturas,
assumindo clara e inequivocamente, não só no discurso social explicito, mas também no
ímplicito e na práctica , um projecto educativo e social de combate às desiguladades
sociais pela promoção da justiça e cosntrução de uma cidadania para todos.

Problema: porque se verifica a falta de diálogo entre escola e familia?

Escolas:
• Continuam a ser em parte um feudo dos professores e vão resistindo e adiando o
diálogo cooperativo com os pais limitando-se ao indespensável e ao legalmente
prescrito para não abdicar do seu poder.
• É à escola que compete tomar a iniciativa no diálogo de cooperação porque também
não pode chamar a si a responsabilidade integral de dar respostas ás crescentes
solicitações das famílias e da sociedade em geral.
• Inseguros nos seus poderes sentem-se ameaçados pelos pais questionando quais
são os limites da sua colaboração. Como conciliar os direitos e deveres dos pais sem
haver invasão em cada uma das identidades sistémicas?
• Noção como refere Nóvoa (1992) que as escolas pertencem à corporação docente.

Famílias:

• Continuam a ter a noção de que não faz parte da tradição portuguesa porque
normalmente a família delegava totalmente na escola as tarefas da educação.
• Os pais sentem um certo sentimento de rejeição não se sentindo respeitados e
compreendidos nos seus pontos de vista e na sua forma de estar e ler a realidade.
• Estão distantes da cultura da escola e vêm de contextos socio-culturais
desfavorecidos ou minorias étnicas.
• Os seus horários são desajustados aos horários de atendimento dos professores e
directores de turma.
• Dificuldades de acesso à informação e descodificação da mesma.
• Dificuldades de comunicação verbal e sentem-se inibidos de expressar o que sentem
já que as informações que lhes são transmitidas são quase sempre negativas e
problemáticas e despidas de afecto.
• Sentem-se responsabilizados pelo insucesso dos filhos.

Solução do problema:
• A escola deve esbater as distâncias e barreiras que ela própria construiu
ultrapassando os medos de serem invadidos e desautorizados.
• Devem promover estratérgias que permitam ás famílias sentirem-se respeitados no
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seu papel de educadores e reconhecidos como uma mais- valia no sucesso dos filhos.
• Em vez de convocar os pais apenas para situações de faltas injustificadas ou mau
comportamento dos seus educandos devem tanbém convocá-los para acções de
cooperação e formação como festas e convívios que podem facilitar a construção de
vínculos.
• É urgente que os órgãos de gestão da escola definam uma política global de
envolvimento das famílias quer através da asssociação de pais quer através do
projecto educativo da escola.
• É fundamental trabalhar estas questões na formação inicial e contínua dos
professores.
• Na elaboração conjunta do projecto educativo desenvolvimento de acções de
formação para pais com o objectivi de esbater desconfanças mútuas.
• Participação dos pais nos vários ateliers de actividades de complemento curricular
como oportunidade de partilha de alguns saberes especializados que possam ser
portadores.
• Promoção de iniciativas de participação de panéis formativos temáticos quer para os
pais quer para alunos como por exemplo a realização de um painel diversificado de
profissionais sobre o seu dia a dia profissional e sobre os seus trajectos profissionais
com o objectivo de apoiar os alunos na exploração e construção de projectos
vocacionais.
• Só nesta valorização e abertura a todos os agentes educativos e na articulação com a
comunidade envolvente poderá realizar a sua missão de aprendizagem da democracia
na promoção da igualdade e de oportunidades para todos.
• As escolas e famílias deverão empreender projectos comuns por mais complexos e
conflituais que possam parecer e deverão assumir decisões concertadas e inteligentes
que envolverá uma conjugação de esforços que se pretende conjunto eliminando a
atribuição sucessiva de responsabilidades ao outro.

Assuntos a reflectir

• E os pais que, inceridos numa mesma cultura de classe média urbana, detentores
de mais conhecimentos questionam falhas nos sistemas, que as há, por vezes sem
o total conhecimento de conceitos ou com base em conceitos mal apreendidos
tornando as reclamações infundadas?
• crescente assoberbamento de funções dos professores: orientação sexual,
ecológica, ética, de trânsito são algumas das tarefas que se somaram ao currículo,
sem uma contrapartida de incremento de tempo e infra-estrutura que possibilitem
um trabalho docente eficiente ?
• as quetões estruturais tanto da sociedade como da escola que são um impedimento
ao diálogo?