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Manual do Formando

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UFCD 3519
Prestação de cuidados
básicos de saúde

Formadora: Sofia Maria Neves Gonçalves

IndiceMáximo – Educação, Formação Profissional e Consultoria I Av. Dr. Alexandre Alves, Loja Nº 33, 3500-632 Viseu I
www.indicemaximo.pt I geral@indicemaximo.pt I Tef: 232 083 342 I Tlm. 914 514 818 | 936 786 441
Índice

Introdução.................................................................................................3

Objetivos...................................................................................................4

Conteúdos..................................................................................................5

1 - Cuidados básicos de saúde - sinais vitais....................................................................6

1.1 – Importância da avaliação dos sinais vitais e como atuar em caso de alterações....................6

1.1.1 - Temperatura................................................................................................ 6

1.1.2 - Frequência respiratória...................................................................................9

1.1.3 - Pulso/frequência cardíaca ..............................................................................11

1.1.4 - Pressão/tensão arterial .................................................................................13

1.1.5 – Dor......................................................................................................... 16

2 - Cuidados básicos de saúde – medicação....................................................................20

Medicamentos em casa ........................................................................................... 20

Precauções ......................................................................................................... 20

Conservação ....................................................................................................... 20

Utilização .......................................................................................................... 21

3.Cuidados básicos de saúde - casos de urgência.............................................................22

3.1 - Ferida sangrante.............................................................................................22

3.2 - Queimadura da pele........................................................................................23

3.3 - Intoxicação ou envenenamento...........................................................................23

3.4 – Engasgamento................................................................................................24

3.5 - Traumatismos cranianos....................................................................................27

3.6 - Picadas de insetos...........................................................................................28

3.7 - Mordeduras .................................................................................................. 29

3.8 - Paragem cardiorrespiratória ..............................................................................30

Bibliografia...............................................................................................33

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Introdução

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de


formação 3519 – Prestação de cuidados básicos de saúde, de acordo com o Catálogo
Nacional de Qualificações.
Pretende-se ainda que este manual sirva de apoio aos formandos tanto durante o
decorrer do módulo como na sua vida pessoal.

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Objetivos

 Identificar e interpretar os sinais vitais;


 Atuar quando estes estão alterados;
 Preparar e administrar medicação a pessoas dependentes e semi-dependentes;
 Atuar em diferentes situações de urgência.

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Conteúdos

1 - Cuidados básicos de saúde - sinais vitais


1.1 – Importância da avaliação dos sinais vitais e como atuar em caso de alterações
1.1.1 - Temperatura
1.1.2 - Frequência respiratória
1.1.3 - Pulso/frequência cardíaca
1.1.4 - Pressão/tensão arterial
1.1.5 - Dor
2 - Cuidados básicos de saúde – medicação
Medicamentos em casa
2.3 - Precauções
2.4 - Conservação
2.5 - Utilização
3.Cuidados básicos de saúde - casos de urgência
3.1 - Ferida sangrante
3.2 - Queimadura da pele
3.3 - Intoxicação ou envenenamento
3.4 - Engasgamento
3.5 - Traumatismos cranianos
3.6 - Picadas de insetos
3.7 - Mordeduras
3.8 - Paragem cardio-respiratória

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1 - Cuidados básicos de saúde - sinais vitais

1.1 – Importância da avaliação dos sinais vitais e como atuar em caso de


alterações

Sinais vitais são medidas de vários parâmetros que permitem avaliar as funções corporais básicas do
ser humano.
Existem 4 sinais básicos:
 Temperatura
 Frequência respiratória
 Pressão/tensão arterial
 Pulsação/frequência cardíaca
Os 4 sinais vitais anteriores são essenciais para a avaliação médica, sendo atualmente considerada a
dor como o 5º sinal vital.
Nos doentes oncológicos o sofrimento é considerado o 6º sinal vital.
Por serem os mesmos relacionados com a própria existência da vida, recebem o nome de sinais
vitais.
É essencial ter conhecimento dos valores que indicam os sinais de vida de um ser humano, de
acordo com a faixa etária e sexo do paciente.
A verificação de sinais vitais é muito importante, para que através de sua averiguação possamos
correlacionar os dados para realizar a promoção da saúde.

1.1.1 - Temperatura

A temperatura corporal é o equilíbrio entre a produção e a perda de calor do organismo, mediado


pelo centro termorregulador que se encontra no cérebro.
A temperatura normal corporal situa-se entre os 35,5 ֯ C – 37 ֯ C.
Existem vários fatores que influenciam a temperatura corporal:
 Meio ambiente
 Exercício físico
 Infeções
 Doenças/ traumatismo no sistema nervoso central
 Medo
 Ansiedade

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A temperatura do corpo é registada em graus celsius (centígrados).
O termómetro é o aparelho utilizado para medir a temperatura corporal.
A temperatura pode ser avaliada nas regiões axilar, timpânica, oral, inguinal ou rectal.
A mais
utilizada é a axilar e timpânica.

Exemplos de aparelhos para medir a temperatura:

Termologia Básica:

Febre ou pirexia - aumento patológico da temperatura corporal.


Hipertermia ou hiperpirexia - elevação da temperatura do corpo ou de uma parte do corpo acima
do valor normal.
Hipotermia ou hipopirexia - redução da temperatura do corpo ou de uma parte do corpo abaixo do
valor normal.

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Elevação da temperatura corporal – hipertermia/febre
 Sinais da hipertermia
× temperatura timpânica ≥ 37,8 ֯ C e 37,6 ֯ C se for axilar;

× calafrios

× tremores

× suores

× dores de cabeça

× dores musculares

× perda de apetite

× mau estar geral

Em casos de febre alta esta pode provocar alucinações, confusão, desidratação e convulsões.

Como atuar em casos de elevação da temperatura:


 Manter

a temperatura ambiente entre ao 20-22֯C;

 Adequa

r a atividade à capacidade da pessoa com febre;

 Adequa

r roupa (mais roupa se tiver frio e menos roupa se tiver calor);

 Oferec

er água ou outros líquidos (exceto bebidas alcoólicas);

 Por

rotina não baixar a temperatura com banhos de água fria, exceto se for uma hipertermia;

 Admini

strar antipiréticos caso a temperatura provoque desconforto (geralmente causam desconforto a

partir dos 38,5֯C), se previamente indicado por um médico;

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 Os

principais antipiréticos são:

– Parace

tamol

– Ibuprof

eno

Caso a temperatura não ceda a estas medidas ou se mantenha durante alguns dias, deverá dirigir a
pessoa a uma instituição de saúde.

Diminuição da temperatura – Hipotermia

× Sinais de hipotermia:

× Temperatura abaixo de 35 ֯ C

× Tremores

× Exaustão

× Confusão mental

× Sonolência

× Fala lenta/baralhada/confusa

Como atuar

 Dar bebidas quentes (exceto álcool);


 Aquecer o ambiente;
 Oferecer roupas quentes;
 Manter a temperatura.

1.1.2 - Frequência respiratória

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A respiração é a troca de gases realizada pelos pulmões, que retiram oxigénio do ar e devolvem
dióxido de carbono.
Na ventilação ocorre a entrada de ar rico em oxigénio para os pulmões ( inspiração) e a eliminação
de ar rico em dióxido de carbono para o meio ambiente (expiração). A estes dois movimentos chama-se
ciclo respiratório.

O caminho do ar até aos pulmões


Cavidade nasal
Faringe
Laringe
Traqueia
Pulmões: Brônquios, bronquíolos e alvéolos

A frequência respiratória é o número de ciclos respiratórios (inspiração/expiração) por minuto.


Pode ser influenciada por:
× Doença,

× Stress,

× Idade,

× Sexo,

× Exercício, etc.

A avaliação da respiração inclui:


 Frequência respiratória (movimentos respiratórios por minuto – mrpm);
 Carácter (superficial e profunda);
 Ritmo (regular e irregular).

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Deve ser avaliada sem que a vítima perceba, preferencialmente enquanto se palpa o pulso radial,
para evitar que a vítima tente conscientemente controlar a respiração.

Padrão de frequência respiratória

Deve ainda ser avaliada a frequência respiratória tendo em vista os sinais e sintomas de
comprometimento respiratório:
× Cianose (é um sinal marcado pela coloração azul-arroxeada da pele visível no nariz, lábios e
extremidades);

× Inquietação (falta de sossego);

× Dispneia (dificuldade respiratória);

× Ruídos respiratórios anormais (pieira, farfalheira,…).

A dispneia por si só não é uma doença, geralmente está associado a:


× Doenças respiratórias – Ex.: pneumonia, tuberculose e doenças pulmonares obstrutiva
crónica (DPOC) – asma, bronquite, enfisema pulmonar,
× Doenças cardíacas – Ex.: Enfartes, insuficiência cardíaca;

× Anemia,

× Reações alérgicas (Edema da glote – EMERGÊNCIA)

× Ansiedade e crises de pânico.

Como atuar em caso de dificuldade respiratória:


 Mostrar tranquilidade perante uma pessoa com dispneia;

 Pedir que inspire calmamente pelo nariz e expire pela boca;

 Avaliar a frequência respiratória bem como a suas características e sinais de alerta;

 Num doente crónico é provável que tenha medicação para fazer nas crises;

 Caso surja cianose ou esta, agrave, deve encaminhar a pessoa para uma instituição de saúde.

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1.1.3 - Pulso/Frequência cardíaca

Define-se como o número de batimentos cardíacos por minuto.


Pode ser influenciada por:
× Doença (febre, alterações cardíacas, hemorragia)

× Idade

× Exercício

× Ansiedade

× Dor

× Ingestão de drogas

× Tabaco e álcool

Como avaliar
 Manualmente:
– Podemos medir a frequência cardíaca, pressionando uma artéria superficial com o dedo
médio e o indicador. Não se deve utilizar o polegar por ter pulsação forte;
– Num pulso rítmico podem contar-se os batimentos durante 15 seg. e multiplicar por 4;

 Com recurso a aparelhos médicos

Além da frequência cardíaca (número de


batimentos cardíacos por minuto), os pulsos também
devem ser avaliados em relação:
 ritmo (regularidade dos intervalos - regular ou
irregular)
 volume (intensidade com que o sangue bate nas
paredes arteriais - forte e cheio ou fraco e fino).

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Os locais de verificação mais frequentes
As artérias temporal
Carótida
Radial
Femoral
Popliteia (atrás do joelho)
Pediosa (dorso do pé)
Pulso apical
(diretamente na área
Cardíaca)

Terminologia Básica:

× Taquicardia: FC > 100 batimentos/minuto

× Bradicardia: FC < 60 batimentos/minuto

× Pulso arrítmico: os intervalos entre os batimentos são desiguais

Como atuar numa alteração da frequência cardíaca

 Por si só a alteração da frequência cardíaca pode não ser considerado sinal de alarme, pode
estar associada a outros fatores atrás mencionados;
 Ter em especial atenção pessoas com alterações do pulso (quer no n.º de batimentos quer no
ritmo), assintomáticas, em várias avaliações de frequência cardíaca;
 Pessoas com bradicardia ou taquicardia com pulso arrítmico devem ser encaminhadas para uma
instituição de saúde.

1.1.4 - Pressão/tensão arterial

 A pressão arterial (PA) é a pressão que o sangue exerce sobre a parede das artérias durante a
sua circulação.
 Quando se avalia a pressão arterial num aparelho “doméstico” surgem 3 valores:

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– A pressão arterial sistólica, vulgarmente chamada máxima – ocorre quando o coração
manda o sangue para todo o corpo;
– A pressão arterial diastólica, vulgarmente chamada mínima – ocorre quando o coração
relaxa;
– Frequência cardíaca.

Fatores que influenciam a pressão arterial


× Doença (doenças renais alterações cardíacas, hemorragia)

× Idade

× Peso

× Alimentação (sal, café, chá)

× Medicação

× Exercício

× Ansiedade

× Dor

× Ingestão de drogas

× Tabaco e álcool

Como avaliar

– Efetuada em ambiente acolhedor e sem pressa;

– Com a pessoa sentada e relaxada, pelo menos, durante 5 minutos;

– Com a bexiga vazia;

– Não ter fumado nem ingerido estimulantes (café por exemplo) na hora anterior;

– Com o membro superior desnudado;

– Usar braçadeira de tamanho adequado;

– Medição sistemática no membro superior em que foram detetados valores mais elevados da PA

na primeira consulta;

– Avaliar 3 vezes, em cada ocasião, deixando passar 3 minutos entre cada medição. A 2ª e a 3ª

são as mais válidas.

Valores de referência

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Aparelhos utilizados para avaliar a tensão arterial

Como atuar em casos de alteração da PA – hipertensão

– Os casos mais frequentes de alteração da PA é a hipertensão arterial (HTA);


– A HTA ocorre quando a pressão se encontra elevada de forma crónica;

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– Recorra preferencialmente ao seu médico se a sua PA sistólica for superior a 180 mmHg e/ou a
PA diastólica superior a 100 mmHg;
– Recorrer a um serviço de urgência em caso de:
× Dor de cabeça muito intensa e repentina

× Vertigens

× Visão desfocada

× Dor no peito

× Sensação de falta de ar.

Hipotensão arterial é a situação médica na qual existe uma diminuição dos valores da pressão
arterial, acompanhada de sintomas decorrentes desta queda. Entre os sintomas podem:
× tonturas,

× desmaios,

× confusão mental

× alterações visuais

– O desmaio ou lipotimia é uma perda de consciência. Habitualmente dura pouco tempo,


segundos ou poucos minutos. Acontece quando chega pouco sangue ao cérebro.
– Evite ou altere as situações que tem notado que podem provocar uma sensação de desmaio
ou o desmaio. Por exemplo, se desmaiou ao colher sangue ou depois de receber injeções,
comente com o pessoal de enfermagem para que possa tomar precauções.
– Evite estar muito tempo de pé, sobretudo se faz calor.
– Beba muitos líquidos e com frequência, de preferência sumos.
– Consuma mais sal.
– Tenha cuidado no verão.
– Evite a exposição da cabeça ao sol.
– Habitue-se a levantar-se devagar, tanto da cama como de uma cadeira ou de um banco.
– Ao acordar, sente-se um pouco na cama antes de se pôr de pé.
– Evite o álcool
– Em caso de desmaio, elevar as pernas acima do nível da cabeça, de modo que o sangue flua
para o cérebro mais facilmente.

Deve dirigir-se à urgência nos seguintes casos:

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× Se nunca teve antes um desmaio.

× Quando ocorrem depois de fazer exercício físico.

× Quando duram vários minutos.

× Se fica confuso depois de recuperar a consciência.

× Em caso de convulsões.

× Se morde a língua ou se urina.

× Se desmaia depois de sentir palpitações ou depois de ter dor de cabeça.

× Quando vê a dobrar ou tem vertigens.

× Também se falar sem nexo.

× Se tem familiares que tenham falecido de forma súbita.

× Se desmaia depois de tomar alguma medicação.

1.1.5 – Dor

Segundo a Direção Geral de Saúde (DGS):


“a dor define-se como uma experiência multidimensional desagradável, que envolve não só a
componente sensorial como uma componente emocional da pessoa que a sofre.” “Todos os tipos de
dor induzem sofrimento evitável, frequentemente intolerável, refletindo-se negativamente na
qualidade de vida dos doentes.”

“Importa, assim, que a Dor e os efeitos da sua terapêutica sejam valorizados e sistematicamente
diagnosticados, avaliados e registados pelos profissionais de saúde, como norma de boa prática e como
rotina, altamente humanizante, na abordagem das pessoas, de todas as idades, que sofram de Dor
Aguda ou Dor Crónica, qualquer que seja a sua origem, elevando o registo da sua intensidade à
categoria equiparada de sinal vital.”

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Como avaliar a dor

– A
intensidade da Dor é medida através de uma das seguintes escalas validadas
internacionalmente:
 Escala
Numérica
 Escala
Visual Analógica (convertida em escala numérica para efeitos de registo)
 Escala
Qualitativa
 Escala
de Faces
– A avaliação da intensidade da Dor pode efectuar-se com recurso a qualquer das escalas propostas.
– A intensidade da Dor é sempre a referida pelo doente.
– À semelhança dos sinais vitais, a intensidade da Dor registada refere-se ao momento da sua
colheita.
– As escalas propostas aplicam-se a doentes conscientes e colaborantes, com idade superior a 3 anos.
Existem, contudo, outros métodos de avaliação específicos, não incluídos na presente Circular,
para doentes que não preencham estes critérios.
– A escala utilizada, para um determinado doente, deve ser sempre a mesma.
– Para uma correta avaliação da intensidade da Dor é necessária a utilização de uma linguagem
comum entre o profissional de saúde e o doente, que se traduz por uma padronização da escala a
utilizar e pelo ensino prévio à sua utilização.
– É fundamental que o profissional de saúde assegure que o doente compreenda, corretamente, o
significado e utilização da escala utilizada.

Escalas da dor
 A Escala Visual Analógica consiste numa linha horizontal, ou vertical, com 10 centímetros de
comprimento, que tem assinalada numa extremidade a classificação “Sem Dor” e, na outra, a
classificação “Dor Máxima”.
O doente terá que fazer uma cruz, ou um traço perpendicular à linha, no ponto que representa a
intensidade da sua Dor.

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 A Escala Numérica consiste numa régua dividida em onze partes iguais, numeradas sucessivamente
de 0 a 10.

 Na Escala Qualitativa solicita-se ao doente que classifique a intensidade da sua Dor de acordo com
os seguintes adjetivos: “Sem Dor”, “Dor Ligeira”, “Dor Moderada”, “Dor Intensa” ou “Dor Máxima”.
Estes adjetivos devem ser registados na folha de registo.

 Na Escala de Faces é solicitado ao doente que classifique a intensidade da sua Dor de acordo com a
mímica representada em cada face desenhada, sendo que à expressão de felicidade corresponde a
classificação “Sem Dor” e à expressão de máxima tristeza corresponde a classificação “Dor
Máxima”.

Exemplo de folha de registo de sinais vitais

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Como atuar em caso de dor

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Estratégias farmacológicas
Objetivos: controlo da dor, melhoria da capacidade funcional e da qualidade de vida.
 Deve ter em atenção a relação benefício/risco.
 A medicação deve ser adequada à intensidade da dor (aumentar de forma progressiva).
 Conhecer os efeitos terapêuticos e secundários da medicação.
 Avaliar, de forma sistemática, a dor.
 Comunicar a eficácia do esquema terapêutico ao médico assistente.

Estratégias não farmacológicas


 Físicas
– Térmicas (calor/frio)
– Estimulação elétrica transcutânea
– Exercícios
– Massagem
 Cognitivas – comportamentais (autocontrolo dor)
– Distração/imaginação/estratégias de conforto (ambiente)
– Mudança de atitude perante o fator desencadeante/técnicas de relaxamento
 Suporte emocional
– Promoção do apoio/segurança (relação de ajuda)
– Promoção do relaxamento
– Redução da ansiedade e de outros sintomas que provoquem desconforto.

2 - Cuidados básicos de saúde - medicação

Medicamentos em casa
 Precauções
 Conservação
 Utilização

Conservação/utilização dos medicamentos

 Os medicamentos devem ser mantidos ao abrigo da:


– Luz,
– Humidade
– Temperaturas elevadas.

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 Os medicamentos devem ser guardados:
– Num local fresco e seco,
– Num armário, inacessível às crianças, de preferência alto e fechado à chave.
– Evitar a exposição direta à luz solar (não colocar no parapeito das janelas).
 Deve evitar colocá-los na cozinha e na casa de banho.
 Alguns medicamentos necessitam de cuidados especiais de conservação, devendo ser
guardados no frigorífico (insulina, vacinas e alguns antibióticos).
 Verifique as condições de conservação na embalagem.

Temperatura ambiente ou temperatura inferior Conservar nos locais habituais (armário


a 25/30º C de farmácia, gaveta, etc.) à temperatura
ambiente.

Temperatura entre 2 a 8º C Guardar no frigorífico, sem congelar. Retirar


do frigorífico só para serem utilizados. Não
colocar na porta do frigorífico.

 Conserve os medicamentos na sua embalagem original incluindo o folheto informativo, pois


a embalagem permite identificá-los e protegê-los.
 Verifique sempre o prazo de validade. Nunca utilize um medicamento após terminar o
prazo de validade.
 Existem medicamentos (ex. colírios, xaropes) que têm prazo de conservação depois de
aberto (mais curto que o prazo de validade); verifique a informação que consta na caixa do
medicamento e no folheto e registe a data de abertura da embalagem, para evitar
esquecimentos.
 Não deite os medicamentos para o lixo ou para a sanita. Depois de finalizar o tratamento
entregue os medicamentos que sobraram na sua farmácia.
 Não dê os seus medicamentos a outras pessoas. Os medicamentos que lhe foram receitados
podem não ser os indicados para outros, ainda que apresentem os mesmos sintomas.
 Não dê às crianças medicamentos para adultos, salvo por indicação.
 Separe os medicamentos que se destinam às crianças, de forma a diminuir a possibilidade
de confusão.

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Precauções com os medicamentos

 Os medicamentos que devem ser conservados entre 2 a 8ºC, devem ser transportados em
embalagem isotérmica refrigerada (sem provocar a congelação).
 Os medicamentos que devem ser conservados à temperatura ambiente, não devem ser
expostos a temperaturas elevadas (por ex. veículos ao sol). É aconselhável transportá-los
numa embalagem isotérmica não refrigerada.
 Antes de tomar qualquer medicamento, verifique:
– se é o certo para a pessoa certa;
– na quantidade certa;
– no horário certo;
– na forma certa (engolir, mastigar, aplicar na pele)
 Tome os medicamentos conforme foram prescritos.
 Nunca interrompa o tratamento sem indicação médica. Não consuma bebidas alcoólicas sem
confirmar com o seu médico ou farmacêutico.
 Procure aconselhamento se tiver dúvidas, efeitos adversos ou se se tiver esquecido de tomar o
medicamento.

3.Cuidados básicos de saúde - casos de urgência

3.1 - Ferida sangrante

× O principal risco imediato das feridas é a perda de sangue. Se esta perda for abundante
requer uma atuação urgente.
× Nas feridas abertas existe também o risco de infeção, que em algumas situações pode
estender-se pelo organismo e causar uma doença grave.

O que fazer perante uma ferida sangrante – hemorragia pequena

× As escoriações e lacerações são, muitas vezes, feridas sujas.

× Se a hemorragia não for muito alarmante, pode:


– Lavar-se primeiro com água fria sob pressão, ou soro fisiológico;

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– Não é preciso cobrir a ferida com compressas a menos que esta seja extensa ou
localizada numa área que se possa sujar ou magoar.
– Caso seja necessário cobrir aplicar uma compressa ou creme gordo e só depois cobrir
com compressa esterilizada.

O que fazer perante uma ferida sangrante


 Vigiar sinais inflamatórios (dor, calor, tumor, rubor) e a presença de pus.
 Perante um corte atue como nas restantes feridas. Dependendo do tamanho e da
profundidade pode ser necessário suturar ou aplicar adesivo.
 A causa da lesão (ex: faca, prego com ferrugem, lata, utensílio agrícola) pode influenciar a
evolução da cicatrização.
 Em todos os casos deve ser verificado se os feridos estão devidamente vacinados contra o
tétano.
 Para controlar a hemorragia aplique pressão direta sobre a zona que sangra. Coloque
compressas ou pano limpo sobre a zona que sangra e pressione durante vários minutos até
que deixe de sangrar.
 Não tente retirar as compressas quando crê que a hemorragia parou, porque pode retirar o
coágulo e a ferida volta a sangrar.
 No caso de feridas em pernas ou braços, deve elevar o membro acima do nível do coração
da vítima.
 Em casos extremos, com hemorragia maciça (perda de grande quantidade de sengue em
pouco tempo), e/ou pulsátil como por exemplo numa amputação traumática, numa fratura
exposta, pode fazer um garrote (consiste em cortar a circulação, amarrando com força uma
faixa ou cinto acima da lesão para impedir a hemorragia) para evitar a perda sanguínea,
enquanto o ferido não puder ser tratado por profissionais médicos.
 Se notar que o ferido se torna pálido ou azul e com a pele fria ou perde a consciência, avise
o serviço de urgência se ainda o não fez. Agasalhe a vítima e não tente dar-lhe de comer ou
de beber. Permaneça com ela até à chegada da ajuda médica. Não mobilize a vítima a
menos que haja fogo ou perigo de explosão

3.2 - Queimadura da pele

 As queimaduras são feridas/lesões na pele produzidas pelo efeito direto:


– Calor (fogo, líquidos e objetos quentes),
– Por produtos químicos,
– Pela eletricidade.
– São uma das principais causas de morte acidental na infância.

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– Pela sua gravidade, podem ser de primeiro, segundo, ou terceiro grau, sendo estas
últimas as mais graves.
Queimaduras de primeiro grau
O que são e como atuar
Aparece vermelhidão da pele e dor. É a típica queimadura provocada pela exposição excessiva ao
sol.
Como atuar:

 Aplique compressas de água fria ou introduza a parte afetada em água fria limpa até aliviar a dor.
Cubra a queimadura com uma compressa estéril não adesiva ou com uma toalha limpa.
 Se não aparecerem bolhas, aplique loções ou óleos hidratantes várias vezes ao dia.

Queimadura de primeiro grau.


Aparece vermelhidão da pele e dor. É a típica queimadura provocada pela exposição excessiva ao sol.
Aplique compressas de água fria ou introduza a parte afetada em água fria limpa até aliviar a dor. Cubra a
queimadura com uma compressa estéril não adesiva ou com uma toalha limpa. Se não aparecerem bolhas,
aplique loções ou óleos hidratantes várias vezes ao dia.
Queimaduras de segundo grau
Produzem bolhas que podem romper-se, forte vermelhidão da pele e dor. Aplique água fria ou
compressas molhadas até a dor aliviar. Não introduza em água fria zonas extensas do corpo queimadas.
Seque a zona com uma toalha limpa e cubra com gaze estéril. Não rompa ou fure as bolhas, nem aplique
pomadas. Eleve a perna ou o braço queimado para reduzir o inchaço. Procure ajuda médica ou um serviço
de urgência.
Queimaduras de terceiro grau
Esta queimadura penetra toda a espessura da pele destruindo-a. Habitualmente a lesão não dói. A pele
fica seca com aparência de couro, pode ficar chamuscada ou com manchas brancas ou negras. Tire a roupa
da área queimada exceto se estiver pegada à pele. Cubra a queimadura suavemente com uma gaze estéril
ou uma toalha limpa. Não aplique pomadas. Eleve a perna ou o braço queimado para reduzir o inchaço. Se
se sentir enjoado, encoste-se e eleve os pés. Recorra ao centro de saúde ou ao hospital.
Queimadura por produtos químicos
Deve lavá-la com grandes quantidades de água repetidas vezes.
Evite o sol até um ano após a cura das lesões.

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3.3 - Intoxicação ou envenenamento

Os acidentes domésticos por intoxicação são bastantes frequentes durante a infância. Os acidentes
mais comuns são causados por:
 Produtos de limpeza: detergentes, amaciadores, produtos de limpeza geral,
abrilhantadores, produtos de limpeza de sanitários. São especialmente perigosos a
lixívia e o amoníaco.
 Medicamentos: aspirina, paracetamol, ou sedativos, entre outros.

 Ambientadores, inseticidas, raticidas.


 Cosméticos: lacas, desodorizantes, cremes, loções, dentífricos.
 Solventes, tintas, lacas e vernizes.

A forma de intoxicação mais frequente é a ingestão de tóxicos. Podem surgir vómitos, dores de
estômago, enjoo.
Se o produto entra em contacto com a pele ou com os olhos pode produzir ardor ou irritação.
Em caso de inalação dos vapores produzidos por alguns tóxicos, pode aparecer sensação de
falta de ar e tosse.

O que deve fazer?

Se a pessoa intoxicada vomita ou está inconsciente, deve colocá-la de lado. Assim evitará que se
engasgue com o vómito.
Se o tóxico foi ingerido, não deve provocar o vómito, já que pode ser perigoso. Sobretudo nunca deve
fazê-lo se o doente estiver inconsciente, sonolento, sofrer de convulsões ou tiver ingerido lixívia.
Ligue 112 ou contacte o Centro de Informação Anti-Venenos (808 250 143).
Eles lhe dirão como deve atuar. De modo a facilitar-lhes o trabalho é importante que guarde os
produtos na embalagem original.
Se o tóxico tiver entrado em contacto com a pele: coloque umas luvas para proteção, tire a roupa e o
calçado da vítima, caso estejam manchados, lave os olhos ou a zona da pele afetada abundantemente com
água durante 10 a 15 minutos. Não esfregue excessivamente. Lave o cabelo da vítima caso necessário.
Ventile a zona convenientemente.
Se inalou vapores tóxicos, retire-se rapidamente para um ambiente com ar fresco.
Se a pessoa intoxicada deixar de respirar peça ajuda imediatamente, avise os serviços de urgência e
inicie as manobras de reanimação cardiopulmonar (respiração boca a boca e massagem cardíaca).

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Você pode evitar intoxicações em casa. Não diga aos seus filhos que um medicamento é doce ou é um
caramelo. Guarde os produtos de limpeza e os medicamentos em locais fechados e fora do alcance das
crianças.

3.4- Engasgamento

O engasgamento é frequente em crianças com menos de 5 anos. Podem engasgar-se com botões,
moedas, uvas, caramelos, frutos secos, gomas, peças ou brinquedos pequenos, etc.
O adulto também pode engasgar-se com pedaços grandes de comida mal mastigados (por exemplo, de
carne).

É mais frequente ocorrer em pessoas idosas com dificuldades na mastigação por incapacidade, doença,
ou caso usem dentadura postiça.
Quando uma pessoa se engasga, o ar não chega aos pulmões, não consegue tossir, nem se consegue
fazer entender, fica bastante nervosa, gesticula muito e pode perder o conhecimento.

O que deve fazer?


Tente provocar a tosse. Se isto não resultar, aplique 5 palmadas nas costas e observe se cospe o objeto
ou se respira.
Inspecione a boca. Se consegue alcançar com o dedo o objeto, tente retirá-lo. Se não conseguir não
insista, pois poderia introduzi-lo mais e piorar a obstrução.

Se a pessoa continua com dificuldades em respirar, abrace-a por trás, cruze as mãos sobre o estômago
da vítima e comprima com força contra si e para cima várias vezes, com movimentos rápidos - Manobra de
Heimlich.

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Caso não tenha sucesso volte a iniciar a sequência: tosse - palmadas nas costas - compressões.

Se a pessoa for muito obesa ou estiver grávida, faça as compressões no terço inferior do tórax.
Caso a pessoa esteja no chão, ponha-a de boca virada para cima, coloque-se de cócoras sobre ela e
comprima com força no mesmo ponto com as palmas das mãos entrelaçadas.

…SE A PESSOA PERDER O CONHECIMENTO…


Coloque-a no chão e aplique 5 palmadas nas costas. Inspecione a boca tal como descrito atrás.
Se não respira, tem que fazer a respiração boca a boca:
– Coloque-a com a boca virada para cima e com a cabeça para trás.
– Com uma mão mantenha a boca aberta. Com a outra tape o nariz. Depois engula uma
golfada de ar, ponha a sua boca sobre a dela e sopre o ar como se soprasse um balão (é o
que se chama ventilar). Espere 3 ou 4 segundos antes da segunda ventilação.
– Após as duas primeiras ventilações observe se a pessoa respira, tosse, engole ou se move.
– Caso isso não aconteça, deve iniciar a massagem cardíaca.
 Ajoelhe-se junto a ela, estenda os braços e apoie as mãos cruzadas sobre o seu
peito entre os mamilos.
 Aproveitando o seu próprio peso e com os braços estendidos, pressione o peito e
comprove que se afunda um pouco (4-5 cm). 5.
 A cada 30 compressões (com uma frequência de 100 por minuto), faça 2 ventilações
e volte a comprovar se tem algum objeto na boca que possa extrair.

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 Perante um engasgamento, o melhor será que você atue de imediato. Ao mesmo tempo envie
alguém para pedir ajuda médica. Caso esteja sozinho, primeiro há que seguir as instruções acima
mencionadas e, após as duas primeiras ventilações, pedir ajuda.

3.5- Traumatismos cranianos


Os traumatismos cranianos (pancadas na cabeça) são frequentes em quedas casuais e acidentes de
viação ou desportivos.
Apesar da maioria das pessoas recuperar sem problemas, em algumas situações as consequências
podem ser graves (hematomas cerebrais, fraturas cranianas), sobretudo se a vítima for idosa ou se o
ferimento na cabeça tiver sido por um acidente grave.
Depois duma pancada na cabeça pode acontecer:
– um traumatismo simples,
– haver perda de conhecimento,
– dor de cabeça,
– perda de memória,
– enjoos, zumbidos nos ouvidos,
– náuseas e vómitos,
– dificuldade de concentração e cansaço.
Alguns destes sintomas podem persistir durante semanas.

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O que deve fazer?
 Permaneça em repouso uns instantes; é normal que esteja enjoado ou atordoado. Se o ferimento
foi muito forte ou se se continua a queixar depois de umas horas, recorra ao centro de saúde mais
próximo.
 Se a vítima não se pode mexer ou está inconsciente, peça ajuda médica urgente pelo telefone 112.
 Se pode mexer-se, coloque-se ou coloque a vítima num lugar seguro, se se tratar de um acidente de
viação:
– Não tente retirar o capacete, se se tratar de um motociclista ou dum ciclista
acidentado
– Procure não mexer o pescoço, já que pode agravar uma eventual lesão na coluna.
– Se a vítima vomitar, deve deitá-lo sobre o seu lado direito com cuidado para não
mexer o pescoço.
– Se houver uma ferida sangrante, deve pressionar com uma toalha ou um pano limpo
durante 5 minutos.

 Se a pessoa deixar de respirar, deverá iniciar medidas de reanimação cardiopulmonar (respiração


boca-a-boca e massagem cardíaca). Não se esqueça que não pode mexer o pescoço. Para abrir a
boca puxe a mandíbula na sua direção.
 Se tiver alta do centro de saúde e o traumatismo tiver sido violento, siga estas instruções durante
as primeiras 24 horas:
– Permaneça no seu domicílio, vigiado por uma pessoa, faça repouso e evite ruídos e
luzes intensas.
– Se tiver dor de cabeça, pode tomar paracetamol (500-1000 mg cada 6-8 horas).
– Coma alimentos leves, de preferência líquidos, e não se esforce a comer se não tiver
apetite.
– É preferível não ingerir álcool durante este período.
– Pode dormir, mas deve ser acordado a cada 3 horas.

Quando consultar o seu médico de família?

 Quer tenha ido ou não ao médico, deve consultar o seu médico ou recorrer ao hospital se
apresentar algum dos seguintes sintomas:
– Perda de conhecimento.
– Sonolência exagerada ou dificuldade em despertar.
– Dor de cabeça persistente ou dor e rigidez do pescoço.
– Vómitos súbitos repetidos.

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– Irritabilidade ou alteração do comportamento.
– Dificuldade a falar ou exprimir-se.
– Alterações da visão ou tamanho das pupilas claramente diferente.
– Perda de força em algum membro.
– Convulsões.
– Andar de forma estranha ou desequilíbrio
– Outro sintoma que o preocupe.

3.6 - Picadas de insetos

 As vespas e abelhas são insetos que, ao picarem, introduzem veneno através do seu ferrão, que produz
dor, vermelhidão e inchaço na zona afetada.
 Algumas pessoas são alérgicas e podem apresentar:
– Reações graves, dificuldade respiratória, comichão;
– Perda de consciência;
– Em alguns casos excecionais pode inclusive ocorrer risco de morte.
 Os mosquitos e moscardos picam e sugam o sangue. A sua saliva é irritante e produz na pele
pequenas babas que causam comichão.
 As aranhas só introduzem o veneno ao morder, se bem que em quantidades mínimas. As espécies
existentes no nosso país não são perigosas e apenas provocam inchaço, dor e vermelhidão na pele.
 As carraças não causam comichão nem dor ao início, no entanto podem transmitir algumas doenças.
Encontram-se nos relvados e em áreas arborizadas e nos animais como os cães.

O que deve fazer perante uma picada?


• Se o inseto permanecer na pele, retire-o. No caso das carraças, tem de extrai-las inteiras com
pinças, suavemente, de modo a evitar que rebentem.
• As abelhas, ao picar, podem deixar o ferrão na pele. Deve retirá-lo raspando suavemente a pele até
este sair. Não tente retirá-lo com pinça, nem retorcendo-o ou espremendo a pele.
• Limpe a picada com água e sabão.
• Aplicação de gelo ou de compressas com água fria sobre a picada reduz a dor.
• Pode tomar um medicamento para alívio da dor se for necessário (por exemplo: 500 - 1000 mg de
paracetamol cada 6-8 horas)
• Se o inchaço for intenso, repouse o braço ou perna durante algumas horas.
• Tente não coçar, pois pode piorar a lesão e aumentar o risco de infeção. Além disso a comichão
aumenta com o coçar.
• Não use por iniciativa própria pomadas com anti-histamínicos.

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3.7 - Mordeduras

 As feridas produzidas na sequência de mordeduras são bastante frequentes, especialmente em


crianças e adolescentes.
 As mordeduras por cães são as mais frequentes, seguidas pelas mordeduras de gatos e humanas.
 Outras mordeduras (serpentes, roedores, etc.) são mais raras.
 As mordeduras na cabeça, cara, pescoço, mãos e pés são especialmente perigosas. A ferida pode
afetar apenas a pele ou afetar músculo, tendão e osso, inclusive.
 As mordeduras podem causar uma infeção da pele, sobretudo as causadas por gatos e humanos.

O que deve fazer?


 Procure manter a calma e afastar-se do animal.
 Em primeiro lugar, há que parar a hemorragia, se houver. Para isso deve aplicar pressão sobre a
ferida com um pano limpo durante 10 minutos.
 Limpe a ferida com soro ou água sob pressão. Termine a limpeza com sabão, água e uma esponja
suave. Isto previne a infeção.
 Se a mordedura foi num braço ou numa perna, tente mantê-lo imóvel e elevado para evitar que
inche. Aplique gelo local durante vários minutos.

Mordeduras de serpentes
 No nosso país podem ser cobras e víboras. A cobra não é venenosa e ao morder deixa uma marca na
forma de «U». A víbora é venenosa e as suas presas deixam duas marcas perfuradas. A sua
mordedura provoca adormecimento, dor e inchaço local.
 A mordedura de serpente é uma emergência médica. Peça ajuda.
 Tente chegar ao hospital mais próximo o mais rapidamente possível.
 Inicialmente, pode fazer como explicado acima (exceto aplicar gelo).
 Nunca se deve cortar o local onde foi mordido para tentar sugar o veneno.

Quando consultar o seu médico de família?


 Se for mordido por uma serpente.
 Se houver sinais de infeção na ferida (inflamação, rubor, dor, pus, ou febre), «gânglios», ou mal-
estar geral.
 Se for diabético ou sofrer de alguma doença que afecte as suas defesas (sistema imunitário).
 Perante qualquer ferida que trespasse a pele, pode ser necessário um tratamento inicial adequado
que pode incluir antibióticos ou vacinas contra o tétano ou contra a raiva.

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3.8 - Paragem cardio-respiratória

• Uma paragem cardíaca ou cardio-respiratória é a interrupção súbita e inesperada da respiração e


dos batimentos cardíacos.
• Não inclui a morte natural por envelhecimento nem a morte por uma doença crónica e irreversível.
• Em caso de paragem cardio-respiratória, devemos tentar evitar a morte através de medidas de
reanimação.
• Em alguns países é habitual ver pessoas sem formação médica tentar reanimar pessoas que tenham
sofrido paragem.
Você também pode fazê-lo.

Siga os seguintes passos se alguém a seu redor perder o conhecimento:


1. Grite e sacuda-o para comprovar se responde. Se não responder, peça ajuda e inicie a reanimação.
2. Coloque a vítima no chão, incline a cabeça para trás e comprove se respira (se expira ar ou se
notam movimentos respiratórios no peito ou na barriga).
3. Se não respira, abra-lhe a boca e com o dedo tire tudo aquilo que o pode impedir de respirar:
comida, dentadura se estiver deslocada, etc. Não retire a dentadura se esta estiver bem colocada.
4. Pratique a respiração boca-a-boca. Com uma mão mantenha a boca aberta afastando o queixo. Com
a outra tape o nariz. Depois inspire, sele a sua boca à da vítima e expire ar como se estivesse a
encher um balão (chama-se ventilar). Espere 3 ou 4 segundos antes da segunda ventilação.

5. Após as duas primeiras ventilações, observe se a vítima respira, tosse, engole ou se mexe. Se não
acontecer nada, deve começar a massagem cardíaca.

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6. Ajoelhe-se junto à vítima, estenda os braços e apoie as suas mãos cruzadas sobre o peito da vítima
entre os 2 mamilos. Aproveitando o seu próprio peso, pressione com as mãos o peito do doente e
veja como este se afunda um pouco (4-5 cm). Para dar massagem cardíaca adequada é útil contar
da seguinte forma: «e um, e dois, e três, etc.», a uma frequência de 100 por minuto.

7. Se se tratar de um bebé, a massagem faz-se com a ponta de dois dedos. Nas crianças com menos de
8 anos, com uma mão apenas.
8. Por cada 30 compressões deve dar 2 ventilações, e assim sucessivamente até que a vítima respire
ou se mexa, ou até que passem 20-30 minutos de reanimação sem nenhum resultado ou você esteja
exausto e lhe seja impossível continuar reanimando.
9. Se em algum momento a pessoa respira, se mexe ou tosse, deve deitá-la sobre o seu lado direito.
10. Se são duas pessoas a reanimar, devem colocar-se cada uma de seu lado da vítima. Uma se
encarregará da ventilação e a outra da massagem cardíaca. Nunca se fazem as duas coisas ao
mesmo tempo e devem seguir a cadência de 30 compressões por cada 2 ventilações.
11. Devem trocar de função regularmente, para não ficarem exaustas.

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Bibliografia

 Dor como 5.º Sinal Vital Registo sistemático da intensidade da Dor


 D I R E Ç Ã O - G E R A L D A S A Ú D E Comissão Nacional de Controlo da Dor - L I S B O A
 GUIA PRÁTICO DE SAÚDE - Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
 Direcção-Geral da Saúde Circular Normativa nº 9/DGCG de 14/6/2003
 Norma nº 020 /2011 de 28/09/2011, atualizada a 19/03/2013
 Orientações técnicas sobre o controlo da dor crónica na pessoa idosa – Orientação da
direção-geral de saúde.

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