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MOVIMENTO MANDIBULAR E SEU CONTROLE

SINOPSE

Os músculos mandibulares movimentam a mandíbula em um complexo movimento


tridimensional. Estão presentes três músculos para fechamento (masseter, temporal e
pterigoideo medial) e dois abridores (pterigoideo lateral e digástrico). A unidade funcional de
base do músculo, é a unidade motora. A arquitetura interna dos músculos mandibulares é
complexa. A qual o sistema nervoso é capaz de movimentar cada fibra separadamente em
direções específicas. Isso significa que cada músculo mandibular é capaz de gerar uma variedade
de vetores de força (magnitude e direção) requerido para cada tipo de movimento.

A ativação da unidade motora de um músculo qualquer é requerida pelo sistema


nervoso central para gerar o movimento desejado. Os movimentos são classificados em
voluntário, reflexo e rítmico. Várias partes do sistema nervoso central (SNC) participam na
geração dos movimentos mandibulares. O córtex motor é a via final do córtex cerebral para a
geração de movimentos voluntários. Os reflexos demonstram atalhos que ajudam no
refinamento do movimento e pode também ser usado como sinergista para geração de
movimentos mais complexos.

Mastigação é um movimento rítmico que é controlado por um gerador de padrão


central (GPC) no tronco cerebral. O GPC pode ser modificado pela informação sensorial do bolo
alimentar e voluntariamente pelos centros superiores. Movimentos mandibulares simples
também podem ser desenvolvidos como protrusão e movimentos de lateralidade. A qualquer
momento a mandíbula pode ser descrita por fazer rotação ao redor de um centro de rotação.

Muitos dispositivos têm sido construídos para descrever os movimentos mandibulares,


mas apenas dispositivos com 6 eixos podem descrever precisamente a complexidade do
movimento. O uso de dispositivos que fornecem traçados de ponto único (por exemplo,
Pantógrafos) pode fornecer informações enganosas se forem utilizados para fins de diagnóstico
ou na avaliação dos resultados do tratamento. Movimentos mastigatórios são complexos e
consistem em movimentos da mandíbula, face e da língua que são direcionados pelos
respectivos músculos. Mudanças na oclusão se mostram capazes de ter efeitos significantes na
atividade dos músculos mandibulares e na movimentação da mandíbula.

PONTOS CHAVE

 Os músculos da mandíbula movimentam a mesma de um modo tridimensional


complexo.
 Três músculos elevadores da mandíbula (masseter, temporal e pterigoideo medial) e
dois músculos abridores (pterigoideo lateral e digástrico.
 A unidade funcional do músculo é a unidade motora.
 A arquitetura interna dos músculos da mandíbula é altamente complexa.
 Músculos mandibulares geram vários vetores de força (magnitude e direção) requeridos
para um movimento mandibular distinto.
 O SNC ativa o córtex motor em qualquer unidade muscular para gerar o movimento
desejado.
 Movimentos são classificados em voluntário, reflexo rítmico.
 Muitas áreas do SNC participam na geração dos movimentos mandibulares.
 Reflexos mostram um atalho que pode ser usado pelo córtex motor para geração de
movimentos mais complexos.
 A mastigação é controlada por um gerador de padrão central no tronco cerebral.
 Em qualquer momento a mandíbula pode ser descrita por fazer rotação ao redor de um
centro de rotação.
 O uso de dispositivos que oferecem traços únicos (pantógrafos, por exemplo) pode
gerar informações erradas se usado com propósito de diagnóstico ou avaliação do
resultado de tratamentos.
 Mudanças na oclusão se mostram capazes de ter efeitos significantes na atividade dos
músculos e dos movimentos da mandíbula.

MÚSCULOS MANDIBULARES: OS MOTORES DO MOVIMENTO MANDIBULAR

Um entendimento do movimento mandibular é promovido previamente ao capítulo 8


nas desordens dos músculos da mastigação, que descreve mudanças nos padrões do movimento
mandibular.

 Três músculos elevadores da mandíbula (masseter, temporal e pterigoideo medial).


 Dois músculos abridores (pterigoideo lateral e digástrico.
 O elemento contrátil dos músculos é a unidade motora. Cada unidade motora consiste
em um neurônio motor alfa associado com todas as fibras musculares inervadas (ou
seja, conectado e ativado pelo mesmo) pelo neurônio motor. Neurônios motores estão
presentes no ramo motor do trigêmeo.
 Existem três tipos fisiológicos de unidades motoras que contribuem para a variação na
magnitude da força que diferentes unidades motoras geram. Unidade motora tipo S é
lenta, promove forças lentas e é resistente a fadiga. Unidade motora do tipo FF é rápida,
gera as maiores forças, porém fadiga rapidamente. Unidade motora tipo FR tem
velocidade, capacidade de geração de força e resistência a fadiga intermediárias.
Unidade motora do tipo S é recrutada primeiro em uma contração muscular. Com
maiores forças o tipo FR e FF são recrutadas.
 Posteriormente, a complexidade é adicionada devido ao fato de cada músculo da face,
língua ou mandíbula têm uma complexa arquitetura em termos de organização das
fibras musculares de cada músculo. O músculo masseter, por exemplo, possui fibras em
forma de pena. A figura 2.1 ilustra alguma das bainhas aponeuróticas dividindo o
masseter.


 Figura 2.1. Vista coronal através do músculo masseter, zigomático, arco e ramo da mandíbula.
Algumas dessas aponeuroses são divididas acima do masseter tem sido delineado e apresentado
expandida do lado esquerdo. O arranjo em forma de pena das fibras musculares é indicado pelas
linhas mais fortes. A seta sólida demonstra a direção de contração se as fibras musculares
desenhadas fossem seletivamente contraídas. A seta pontilhada indica a direção de contração se
as fibras musculares hipoteticamente passassem diretamente do arco zigomático para a mandíbula.

 Uma visão expandida da parte do músculo (esquerda da figura) mostra o arranjo penado
das fibras musculares (linhas fortes). Quando a unidade motora do lado da aponeurose
contrai, elas direcionam forças em um ângulo (um ângulo penado) em direção ao longo
eixo do músculo e gera um vetor de força (ou seja, magnitude e direção da força) em
um ângulo (seta sólida na Figura 2.1) para o vetor de força que seria gerado se as fibras
musculares passassem diretamente do arco zigomático ao ramo da mandíbula sem o
padrão de pena (seta pontilhada). Essas complexidades da arquitetura das fibras
musculares promovem uma grande variação de direções com cada força que pode ser
aplicada na mandíbula. O cérebro pode seletivamente ativar essas regiões, ou partes,
independentemente de outras regiões do músculo.
 Quando gerado um movimento em particular na mandíbula a região cortical motora que
definem os movimentos voluntários não são organizados em termos de músculos
específicos para ativação. Além disso, eles mandam um comando para o núcleo ativando
a unidade motora, em qualquer músculo que esteja disponível, que é
biomecânicamente melhor preparado para gerar o vetor de força requerido para um
movimento mandibular específico. Então, por exemplo, um movimento de trituração
da mandíbula para o lado direito com o dente junto pode ser melhor alcançado pela
ativação das unidades motoras na cabeça inferior da lateral esquerda do pterigoideo,
algumas unidades motoras na posterior direita do temporal evita o movimento anterior
do lado direito da mandíbula, e algumas unidades motoras à direita do masseter e parte
anterior do temporal ajudam a empurrar a mandíbula para o lado direito e manter os
dentes juntos enquanto fecham (Miller 1991). A ativação dessas unidades motoras irá
produzir uma força na mandíbula que a movimenta para o lado direito.

COMPONENTES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL NA GERAÇÃO E CONTROLE DOS


MOVIMENTOS MANDIBULARES

 Córtex motor e vias descendentes através do trato piramidal para neurônios motores alfa (coordena
unidades motoras).
 Cerebelo (refinamento e coordenação dos movimentos).
 Gânglio basal (seleciona e inicia programas motores).
 Área motor suplementar AMS, córtex pré motor (área 6) (contém programação para o
movimento).
 Gerador central de padrões para a mastigação e deglutição (programa para geração da mastigação
e deglutição).

 Figura 2.2. Algumas conexões importantes do sistema motor orofacial. Setas indicam alguns dos
complexos de ligação na sequência de liderança de um evento motor. Setas sólidas indicam a
direção dos potenciais de ação informados. Setas pontilhadas indicam o resultado de um evento.
 Neurônios motores alfa acompanham um núcleo motor do tronco encefálico.
 Unidades motoras acompanham os músculos.
 Sistema somatossensorial transmite e processa informação somatossensorial sober o movimento.

CLASSIFICAÇÃO DOS MOVIMENTOS MANDIBULARES

 Movimentos voluntários são orientados pelo córtex motor piramidal (denominado MI) e áreas
corticais motores maiores (área motora suplementar, córtex pré motor).
 Quando os pacientes são perguntados para movimentar a língua à frente e abrir a mandíbula (como
quando faz moldagem), uma configuração de programas é selecionada e ativada (via gânglio basal)
e esses programas mandam um sinal para o córtex motor, especificadamente para a região da face.
Eles contêm os detalhes das unidades motoras que devem ser ativadas, e a sequência de ativação,
para produzir um movimento específico. Os programas provavelmente residem na área motor
suplementar/regiões corticais pré motoras. O córtex motor é responsável por ativar as várias
unidades motoras para produzir um movimento requerido.
 O córtex motor da face consiste em zonas de saída específicas pelo córtex cerebral que manda
fibras no trato piramidal para sinapse direta ou indireta (via interneurônios) para neurônios
motores alfa. Cada zona de saída vinda do córtex motor da face ativa um elemento específico do
movimento; por exemplo, movimento da língua a frente ou movimento da língua para o lado, ou
elevação do canto da boca, ou abertura de mandíbula ou lateralidade. O mesmo movimento pode
ser produzido em um número de diferentes regiões ao longo do córtex motor facial.
 O córtex motor facial pode ser considerado sendo a chave de um piano que o centro motor maior
toca para permitir a geração do movimento voluntário requerido. Combinações de zonas de saída
permitem a geração de movimentos mais complexos (equivalente à geração de sons mais
complexos, como quando toca corda ou um piano).
 O cerebelo continuadamente coordena movimentos controlando os sensores de entrada das áreas
motoras.
 Correções para cada movimento podem também ocorrer via atalhos que envolvem menos
neurônios e muitos desses atalhos são localizados inteiramente em um nível cerebral. Esses atalhos
podem ser demonstrados clinicamente evocando reflexos.
MOVIMENTOS REFLEXOS

 Movimentos reflexos são largamente organizados no cordão espinal. Eles são movimentos
estereotipados que são involuntários e pouco modificados pela vontade voluntária.
 O reflexo clássico é o reflexo do joelho onde o martelo bate no joelho evocando a contração nos
músculos da coxa e breve levantamento da perna.
 Outros reflexos são de fechamento de mandíbula ou de reflexo de fechamento de mandíbula, e
reflexo de abertura de mandíbula.
 O reflexo de fechamento de mandíbula ocorre quando os músculos de fechamento são
repentinamente esticados por um rápido movimento de abaixamento no queixo. Esse movimento
causa estiramento de receptores sensoriais específicos chamados fusos musculares que são
sensíveis ao estiramento. Eles estão presentes em todos os músculos de fechamento. Quando os
fusos são estirados, explosão de potenciais de ação viajam ao longo da fibra eferente vinda das
terminações primárias dos fusos. A sinapse aferente primária direciona para e causa ativação dos
neurônios motores alfa do mesmo músculo fechador de mandíbula. Também um estiramento do
músculo fechador da mandíbula leva a uma rápida contração do mesmo músculo.
 Reflexos demonstram um atalho que pode ser usado pelos centros motores maiores para geração
de movimentos mais complexos. Eles também permitem rápido feedback que ajusta o movimento
para se tornar pequeno, irregularidades imprevisíveis no andamento do movimento e adicionando
suavidade ao movimento.
 O reflexo de abertura de mandíbula pode ser evocado pela variedade de tipos de nervos aferentes
orofaciais. As atividades nesses nervos, por exemplo, vinda de mecano-receptores da mucosa,
passam pelo nervo aferente primário para interneurônios inibitórios de contração que aí ocorre
sinapses nos neurônios motores alfa de fechamento de mandíbula. Os interneurônios inibitórios
reduzem a atividade dos neurônios motores de fechamento de mandíbula. Ao mesmo tempo,
aferentes primários ativam outros interneurônios que são excitatórios para os músculos abridores
da mandíbula, como o digástrico. Os efeitos gerais é uma abertura da mandíbula.

MOVIMENTOS RÍTMICOS

 Esses movimentos compartilham configurações de ambos movimentos: reflexo e voluntário. As


características reflexas de movimentos rítmicos se apresentam porque nós não temos que pensar
sobre esses movimentos para eles ocorrerem. Por exemplo, nós podemos mastigar, respirar,
engolir e andar sem pensar especificadamente sobre a tarefa; entretanto, nós podemos em qualquer
momento voluntariamente alterar a frequência e a magnitude desses movimentos.
 Movimentos rítmicos são gerados e controlados por coleções de neurônios no tronco cerebral ou
cordão espinal. Cada coleção é chamada de gerador de padrão central. O GPC para mastigação é
localizado na formação da ponte medular. A Figura 2.2. mostra algumas relações do GPC.
Deglutição não é um movimento rítmico mas é controlado pela GPC localizado no bulbo.
 O GPC é essencialmente equivalente à um programa de computador. Quando ativado o GPC para
a mastigação, por exemplo, envia apropriadamente em tempo impulsos de apropriada magnitude
aos vários neurônios motores musculares da face para que o movimento rítmico da mastigação
possa ocorrer. Nós não temos que pensar sobre quais músculos ativar e o tempo de ativação para
cuidar da mastigação. Isso é feito pelo GPC. Nós podemos, entretanto, voluntariamente começar,
parar e mudar a frequência, magnitude e forma dos movimentos da mastigação, e essas
modificações são feitas através de comandos descendentes através do GPC oriundo da região
cortical motora.


 Figura 2.4. O músculo demonstra fibras musculares extrafusais (linhas finas) e fibras musculares
intrafusais com um fuso muscular sob 3 condições. A) Condição de repouso, onde nesse músculo
hipotético tenha uma tensão de repouso do músculo que vem da inserção, por exemplo, o peso da
mandíbula na posição postural. O leve estiramento do músculo pelo peso da mandíbula resulta em
um leve estiramento do fuso muscular resultando em um contínuo do potencial de ação. B) Na
situação hipotética onde apenas neurônios motores alfa são disparados, fibras musculares
contraem e isso resulta em uma tensão reduzida no fuso muscular e além disso o fuso aferente
cessa pela duração da contração. Durante esse período o fuso é incapaz de promover informação
sobre mudanças inesperadas no comprimento muscular. C) Mostra neurônios motores alfa
ativados acompanhados por neurônios motores gama ativados (co-ativação alfa/gama – situação
usual em vários momentos) então os fusos intramusculares contraem na mesma frequência que os
extra musculares. Isso mantém a tensão nos terminais aferentes e então eles mantém os disparos e
são capazes de responder, e sinais de regularidades no movimento.

 A Figura 2.3.A. mostra eletromiografia EMG de um número de músculos mandibulares durante a


mastigação de uma goma no lado direito. O movimento associado do incisivo central é mostrado
na parte inferior. Note o padrão irregular de atividade de EMG que ocorre em associação com cada
ciclo de movimento. Note também na versão expandida da Figura 2.3.B. que o EMG da cabeça
inferior do pterigoideo lateral e do grupo de músculos submandibulares está em fora de fase com
os músculos da mandíbula. Esses músculos estão sendo controlados pelo GPC, e vários outros
músculos da face não mencionados aqui, começam ativando similarmente.
 O feedback sensorial é promovido por mecanoceptores localizados nos tecidos orofaciais: por
exemplo, periodontal (essa magnitude de sinal e direção do contato do dente), mucosal (sinal do
contato da comida com a mucosa), fuso muscular (o sinal do comprimento muscular e a frequência
de mudança do comprimento no fechamento mandibular), órgão tendíneo de Golgi (sinal das
forças geradas pelo músculo) e ATM (manda o sinal da posição mandibular).
 O fuso muscular é um sensor muito complicado. A sensibilidade do fuso muscular é utilizada pelo
comprimento do músculo. Durante uma contração muscular, ambos os neurônios alfa e beta são
ativados. Os neurônios alfa causa contração da principal fibra muscular e são responsáveis pela
força produzida pelos músculos (Figura 2.4.A,B). Os neurônios gama são ativados ao mesmo
tempo mas eles causam contração da fibra muscular intrafusal e do fuso muscular e ainda mantém
a sensibilidade dos fusos quando o músculo e os fusos encurtam. Figura 2.4.C. O fuso é sempre
capaz de detectar pequenas mudanças no comprimento do músculo independente do comprimento
do músculo.
 A informação sensorial desempenha uma função crucial na modificação da mastigação. Durante
a mastigação existe uma enorme barragem de informação sensorial que viaja para o SNC (Figura
2.5.A.). Algumas dessas informações viajam diretamente para córtex cerebral para a consciência
da sensação (Fig 2.2).
- Efeito do reflexo local que auxilia o processo de mastigação também ocorre. Por exemplo, quando a
comida é esmagada entre os dentes, mecanoreceptores periodontais são ativados, e essa atividade pode
causar um reflexo aumentando a atividade nos músculos de fechamento da mandíbula para auxiliar no
esmagamento da comida.

- Muito dos aferentes orofaciais que são ativados pelo contato da comida durante o fechamento da
mandíbula podem evocar o reflexo de abertura da mandíbula. Isso poderia ser não produtivo durante a fase
de fechamento da mastigação. Lund e Olsson (1983) mostraram que o GPC da mastigação deprecia os
responsáveis pelo reflexo de abertura de mandíbula durante a fase de fechamento do ciclo de mastigação.
O teste de resposta reflexa de baixo T (ou seja, o limite) mostrou na Figura 2.5.B na esquerda é o controle
da resposta reflexa de abertura de mandíbula, vendo no músculo digástrico a ativação dos aferentes
orofaciais quando não há mastigação. Durante a fase de fechamento do ciclo de mastigação o GPC deprecia
a habilidade de evocar a área de reflexo. Entretanto, na mastigação o atalho excitatório dos aferentes
orofaciais para neurônios motores de abertura de mandíbula é deprimido, e isso permite que a mandíbula
se feche sem obstáculos.

- Um efeito análogo acontece durante a fase de abertura no ciclo de mastigação. Durante essa fase, fusos
musculares em músculos de fechamento da mandíbula serão estirados e terão o efeito excitatório de
tonicidade na unidade motora de fechamento da mandíbula. Isso poderia resistir à abertura mandibular.
Entretanto, o GPC hiperpolariza os neurônios de fechamento da mandíbula durante a fase de abertura
durante o ciclo de mastigação (Fig 2.5.B). Essa hiperpolarização faz com que os neurônios de fechamento
fiquem mais difíceis de ativar em resposta excitatória vinda do fuso muscular.

MOVIMENTOS BÁSICOS DA MANDÍBULA

 A mandíbula pode ser visualizada como sendo suspendida do crânio por músculos, tendões,
ligamentos, vasos e nervos e é movida em espaço tridimensional, o qual os pontos de fixação são
os dentes e os côndilos em suas respectivas fossas.
 Movimentos mandibulares básicos são abertura, fechamento, lateralidade, protrusão e retrusão.
 Fatores que influenciam nos movimentos mandibulares:
- Guia condilar: a inclinação do caminho percorrido pelo côndilo durante a protrusão ou lateralidade; essas
duas inclinações são usualmente levemente diferente.
- Guia incisal: determinada pela relação dos dentes anteriores que é a magnitude da overbite e overjet entre
os dentes anteriores.
- Guia posterior: determinada pela relação dos dentes posteriores.
- Músculos e ligamentos.
Fig.2.5 Alguns dos padrões da atividade eferente somatossensorial e muscular da mandíbula durante os
movimentos mastigatórios. O movimento da mandíbula no incisivo centra está no topo. Os próximos dois
traços mostram a atividade EMG da abertura e fechamento de mandíbula. A atividade mecanoceptiva
periodontal e cutânea é mostrada a seguir. RA, rapidamente adaptado, ou seja, responde apenas à fase
dinâmica, nesse caso, há estímulos mecânicos (...)

 Movimentos para e oriundos da posição intercuspidal para interesse dos clínicos são:
- Função em grupo: define como uma oclusão na qual a carga oclusal em lateralidade é distribuída em ao
menos dois pares de dentes no lado de trabalho.
- Mutuamente protegida (-10% das dentições naturais) (ou guia canina): apenas em dentes anteriores (ou
canino) estão em contato em qualquer movimento excursivo da mandíbula.

 Mastigação não é simplesmente movimentos de abrir e fechar a mandíbula. Devido aos côndilos
que são capazes de fazer translação à frente como também rotação, existem mudanças constantes
de combinação de rotação ou translação durante a mastigação.
 Centros de rotação instantâneos da mandíbula. Em qualquer momento, a mandíbula pode ser
descrita como girando em torno de um centro de rotação. Este centro de rotação é constantemente
alterado por cauda da constante mudança das combinações de translação e rotação durante a
maioria dos movimentos mandibulares.

-Um movimento mandibular de protrusão deslizando os contatos consiste predominantemente em


um movimento de translação da mandíbula para frente, com uma leve translação para baixo. Com
uma guia incisal mais íngreme do que a condilar, a mandíbula irá também rotacionar abrindo
levemente. Os centros instantâneos de rotação recairão abaixo e posterior à mandíbula.

- Para um movimento mandibular com deslize do lado esquerdo, a maioria do movimento é rotação
em relação à um constante centro de movimento rotacional deitado ao redor do côndilo esquerdo
(usualmente posterior e lateralmente). Fig 2.6.A mostra um plano sagital e horizontal dos
triângulos condilares e quadriláteros de um côndilo esquerdo sujeito à performance de um
movimento de lateralidade, ou seja, a mandíbula se move para o lado esquerdo. Os quadriláteros
são formados pela junção dos pontos A, B, C e D no contorno do côndilo em um plano horizontal
mostrado na Fig 2.6. Os triângulos são formados pela junção dos pontos A, E e C no côndilo; o
ponto E é um ponto 9 mm superior aos outros pontos. Um triângulo ou quadrilátero traçados à
cada 300 ms da posição intercuspidal. Durante este movimento de trabalho no plano horizontal, o
côndilo não rotaciona em relação ao centro do côndilo mas ao contrário, o centro de rotação pode
ser visualizado estando atrás do côndilo.

- A cada instante sucessivo no tempo durante a mastigação, o centro de rotação desloca no espaço.
Para o movimento de mastigação mandibular, esse centro decai entre a parte posterior mais baixa
da mandíbula e anterior à linha média.

COMO DESCREVER O MOVIMENTO MANDIBULAR?

 Ao longo de um século, dentistas tiveram interesse no movimento mandibular e se atentaram a


descrever seu movimento por dispositivos gráficos como os pantógrafos e mais sofisticados
dispositivos de rastreamento de mandíbula. Uma dessas razões de fazer isso é facilitar a simulação
de trabalhos restaurativos para pacientes.
 Esses sistemas usualmente gravam o movimento da linha média anterior da mandíbula (por
exemplo, olhar a Fig 2.3) ou eixo de articulação terminal ou a palpação lateral do côndilo em 3
níveis de liberdade, ou seja, o movimento de ponta no longo eixo antero-posterior, médio-lateral
e supra-inferior. Eles não disponibilizam informação acerca dos três vetores de rotação horizontal,
vertical e sagital. Essa informação adicional é disponibilizada por sistemas de 6 graus de liberdade.
 Têm sido recentemente mostrado que consideráveis erros são introduzidos nos caminhos que
traços condilares de ponto seguem simples pela seleção de um diferente ponto na vizinhança do
côndilo (Peck et al 1997, 1999). Além disso, muitas das irregularidades em traços condilares de
ponto que têm sido atribuídos diagnósticos ou prognósticos poderiam ter simplesmente ocorridos
por conta da localização do ponto escolhido no côndilo. Fig 2.6.B mostra que o movimento dos
pontos escolhidos em distâncias iguais em relação ao centro coordernado na Fig 2.6.A. O resultado
do movimento quadrado de um modo similar ao quadrilátero e triângulo em A. Fig 2.6.C mostra
o efeito no movimento registrado simplesmente pelo deslocamento dos pontos 30 mm
lateralmente. A interpretação do movimento do côndilo traçado em C seria de que o côndilo teria
transladado posteriormente e lateralmente, enquanto que em fato o côndilo foi largamente
transladado lateralmente com alguma rotação.
 Traços de um único ponto podem entretanto promover informações enganosas se usado para
propósitos de diagnósticos ou na avaliação de finais de tratamento.
 Movimentos bordejantes da mandíbula são descrevidos no Cap 1.

MOVIMENTOS MANDIBULARES DE MASTIGAÇÃO

 Movimentos mandibulares da mastigação ocorre bem com os movimentos bordejantes exceto


quando a mandíbula se aproxima ou faz contato com o dente no final da mastigação.
 No plano frontal o ciclo mastigatório e é classicamente descrito em forma de lágrima caída. No
começo da abertura, o ponto do incisivo central move primeiramente abaixo e no final da abertura
move-se lateralmente, acima e afrente para o lado de trabalho (ou lado de mastigação). Assim, o
ponto do incisivo central move-se para cima e medialmente e a comida é triturada entre o dente.
 A sequência mastigatória e altamente variável de ciclo para clico em uma mastigação de diferentes
ou iguais tipos de alimentos e de paciente para paciente. Fig. 2.3.A (tracos menos mostrados)
mostra que o movimento do ponto do incisivo central de ciclo para ciclo não é idêntico. Parte
dessa variabilidade relaciona com a consistência da mudança do bolo alimentar de ciclo para ciclo
como a trituração da comida. O movimento de protrusão e a posição intercuspidal é menos
variável. Os músculos da mandíbula devem move-la precisamente a frente no final do ciclo
mastigatório, sendo assim, o dente desliza suavemente ao longo das inclinações das cúspides.
Mecamoreceptores (periodontais) oferecem uma continua fonte de sinais aferentes para o SNC
para garantir a harmonia do ciclo martigatório com a existência de guias dentais.
 Movimentos mastigatórios são complexos e consistem no movimento da mandíbula, face e língua
que são executadas pelos músculos mandíbula, face e língua. Os músculos faciais e da língua são
envolvidos por conta dos lábios, bochecha e língua ajuda a manter o bolo alimentar na boca e
manter esse alimento sobre a mesa oclusal e efetiva fragmentação.
 É marcante que a língua é produzida de substâncias que os dentes comumente trituram. O autor
acredita que o córtex motor primário inibe fortemente o a contração dos músculos do fechamento
mandibular antes que qualquer movimento da língua possa ocorrer. A língua é mais ativa durante
a fase de abertura durante o ciclo de mastigação quando a comida é coletada e reposicionada para
efetiva trituração sobre a mesa oclusal.
 Diferentes fases do ciclo de mastigação:
- Fase preparatória: mandíbula, língua, lábios e bochecha preparam o bolo para efetiva trituração.
- Fase de redução: período que a trituração do alimento com a liberação de saliva e a mistura dessa
saliva com o alimento.
- Pré-deglutição: a comida é juntada num bolo com saliva que começa o processo químico de
quebra, e é preparado para deglutição.
 A forma e duração do ciclo é influenciado pela dureza do alimento: a dureza de alimentos são
associadas amplamente com o ciclo mastigatório e possuem longa duração. Comidas macias são
associadas com maiores e menores ciclos mastigatórios (Gibbs & Lundeen, 1982).

MOVIMENTO DO CONDILO E DISCO

 O movimento do côndilo e do disco durante os movimentos normais da mandíbula são complexos


e difíceis de entendimento (Scapino, 1997). A questão é complicada por conta do músculo
pterigoideo lateral ATM. Com a cabeça inferior inserindo exclusivamente no colo do côndilo e a
cabeça superior inserindo largamente o colo do côndilo.
 Algumas fibras da cabeça superior inserem no disco capsular da ATM., mas a visão de longa data
(ainda mantida por alguns) é a cabeça superior que inseri exclusivamente no disco é
completamente errônea! Além disso, a vista da cabeça superior e inferior do pterigoideo lateral
exibe um padra reciproco de atividade, o que também é errôneo. Nosso grupo de pesquisa sugeriu
recentemente que a cabeça superior (e a cabeça inferior) do músculo é na verdade como vários
músculos menores, cada um capaz de ser ativado independentemente e além de prover o vetor de
força apropriado sobre o complexo côndilo e disco capsular para produzir o movimento requerido.
 Promover mudanças na oclusão possui influencia na mandíbula e sua articulação? Nosso grupo de
pesquisa também propôs recentemente que isso é uma afirmação verdadeira e a aplicação disso é
que não importa o que façamos com a oclusão pode ter efeitos significantes na mandíbula,
movimentação da ATM e a função de músculos da mandíbula.
 Recentes dados sugerem que a localização de uma interferência oclusal resulta em uma diminuição
de atividade na maioria dos músculos da mandíbula, exceto o pterigoideo lateral, onde o aumento
da atividade pode ser observado.
 Além disso, restaurações dentárias, num caminho que resultam em interferências diferente de
situações normais no ciclo mastigatórios, pode levar a diferentes níveis de ativação aferente da
região orofacial (por exemplo, aferentes periodontais) essa informação será enviada para o SNC e
pode causar uma mudança no controle do GPC, ou elevar os níveis para o SNC, por exemplo,
córtex motor primário. Essa mudança será adaptada de acordo com as mudanças particulares das
unidades motoras, nos subcompartimentos dos músculos, sendo assim a apropriação da
modificação do ciclo mastigatório pode ocorrer. O novo ciclo mastigatório ira evitar essa
interferência ao menos que essa interferência seja muito grande e além da capacidade adaptativa
do GPC e músculos.

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