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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

DHIOGO MANTOVANI SCOMASSON


GABRIELA ROCHA LEITE
VINICIUS BERNARDINO FRAZETO

OBRAS DE SANEAMENTO
ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS

PONTAL DO PARANÁ
2019

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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 3
2 OBJETIVO .................................................................................................................................... 3
3 MEMORIAL DESCRITIVO ......................................................................................................... 3
3.1 ESTUDO DE VAZÃO ........................................................................................................... 3
4 MEMORIAL DE CÁLCULO ....................................................................................................... 5
5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................ 9

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1 INTRODUÇÃO

Um sistema de esgotamento sanitário funciona por gravidade, portando depende da


declividade para ter um escoamento. Quando existem bacias sanitárias (áreas a serem
esgotadas que contribuem com o fluxo dos esgotos por gravidade para um mesmo ponto
do interceptor) muito extensas, as profundidades das tubulações se tornam muito
grandes, seja pela declividade natural do terreno, ou pela necessidade de vencer uma
elevação, o que indica que será preciso utilizar uma bomba para transpor o esgoto para
um nível mais elevado. A partir desse ponto, os esgotos podem voltar a escoar por
gravidade. As unidades que fazem o bombeamento são denominadas estações
elevatórias.

2 OBJETIVO

O presente trabalho tem como objetivo dimensionar um sistema constituído por uma
linha de recalque e estação elevatória, uma vez definidos os parâmetros para os cálculos,
como a população da bacia, vazões, cotas, materiais utilizados, acessórios, rugosidade
diâmetros, entre outros. Apresentar-se-á um memorial descritivo e de cálculo justificativo
de todos os elementos do projeto. Este memorial conterá, para melhor entendimento, os
dados, quadros, gráficos e tabelas utilizados para a concepção do projeto.

3 MEMORIAL DESCRITIVO

3.1 ESTUDO DE VAZÃO

A partir do estudo populacional da bacia, serão estimadas as vazões do esgoto


sanitário. O volume de esgoto está diretamente conectado ao consumo de água, sendo
assim, utiliza-se normalmente o consumo per capita usado para projetos de sistemas de
abastecimento de água para o projeto do sistema de esgotos. Porém, no sistema de
esgoto sanitário, é considerado o consumo efetivo per capita, excluindo as perdas de
água.

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O consumo per capita de água varia em função do local. Em locais onde não há
dados referentes ao consumo per capita de água, é recomendado que sejam adotados
valores de regiões com características similares.

Será adotado para o município de Paranaguá o valor de 153 l/hab.dia. Para que
possa ser estabelecida a contribuição per capita de esgoto, o consumo de água efetivo
per capita é multiplicado pelo coeficiente de retorno.

O coeficiente de retorno é a relação entre o volume de esgoto oriundo da rede


coletora e o volume de água que efetivamente chega à população. Esse coeficiente
depende de alguns fatores, como a localidade, o tipo de residência, condições das ruas,
do clima e geralmente tem valores entre 0,5 e 0,9. Em regiões centrais com uma alta
densidade populacional, os coeficientes de retorno são mais elevados, enquanto que em
regiões mais residenciais com grandes áreas com jardins, os valores são menores. Será
adotado o valor de 80 % para o coeficiente de retorno, recomendado pela NBR 9649
quando não existem valores obtidos em campo.

Para um sistema público de esgotamento sanitário, o volume de contribuição


depende de alguns fatores como o tempo, condições climáticas, entre outros. Nota-se
que em países tropicais há meses com maior consumo de água, como o verão, que gera
uma contribuição maior de esgoto. Assim como existem variações nos meses, existe
também entre os dias e as horas durante o dia. Assim, são utilizados coeficientes que
demonstrem essas variações para que seja feito um dimensionamento fidedigno.

Esses coeficientes são dados por:

K1 coeficiente de máxima vazão diária - é a relação entre a maior vazão diária


verificada no ano e a vazão média diária anual;

K2 coeficiente de máxima vazão horária - é a relação entre a maior vazão


observada num dia e a vazão média horária do mesmo dia;

K3 coeficiente de mínima vazão horária - é a relação entre a vazão mínima e a


vazão média anual.

Na falta de valores obtidos em medições, a NBR 9649 da ABNT recomenda o uso


de K1 = 1,20, K2 = 1,50 e K3 = 0,50.

Existem contribuições indevidas de água proveniente de infiltrações na rede de

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esgotos originadas no subsolo, e é recomendado pela NBR 9649 que estas sejam
consideradas em projetos das redes coletoras. Essa infiltração ocorre quando a
tubulação está alocada abaixo do lençol freático e a água pode penetrar através das
juntas e paredes da tubulação, através dos poços de visita, tubos de inspeção e limpeza,
caixas de passagem, estações elevatórias entre outros.

A quantidade de água infiltrada das redes de esgoto sanitário dependerá dos


materiais utilizados, do seu estado de conservação, do assentamento da tubulação, das
características do solo, nível do lençol freático, permeabilidade, entre outros. Será
adotada uma infiltração de 0,0002 L/s.m

4 MEMORIAL DE CÁLCULO
Para o dimensionamento do Sistema de Elevatória é necessário calcular
algumas vazões, como vazão média, vazão máxima diária, vazão máxima
horária e vazão mínima.

4.1 VAZÃO DE DIMENSIONAMENTO


 VAZÃO MÉDIA
A vazão média de esgoto é obtida mediante esta equação:
𝑄𝑚é𝑑 = 𝑃. 𝑞. 𝐶
Onde:
P = População contribuinte (hab);
q = quota per capita de água (l/hab.dia);
C = Coeficiente de retorno.

As variáveis “P” e “q” são referentes da cidade a qual foi realizada pesquisa
e citado anteriormente, já o C é conforme a Norma NBR 9.649. Então:
𝑄𝑚é𝑑 = 1580. 153. 0,8 = 193.392 𝑙/𝑑𝑖𝑎
Para unidade em l/s basta dividir o resultado por 86.400. Por fim 𝑄𝑚é𝑑 =
2,24 𝑙/𝑠.
 VAZÃO MÁXIMA DIÁRIA
Essa vazão é obtida por meio da fórmula a seguir:

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𝑃. 𝑞. 𝐶. 𝐾1
𝑄𝑀𝑎𝑥.𝐷𝑖𝑎 =
86400
Onde:
𝐾1 = Coeficiente de máxima vazão diária (citado anteriormente)
Então,
1580. 153. 0,8. 1,2
𝑄𝑀𝑎𝑥.𝐷𝑖𝑎 = = 2,69 𝑙/𝑠
86400

 VAZÃO MÁXIMA HORÁRIA

Neste caso o cálculo dessa vazão utiliza-se a seguinte equação:


𝑃. 𝑞. 𝐶. 𝐾1 . 𝐾2
𝑄𝑀á𝑥.𝐻𝑜𝑟 =
86400
Onde:
𝐾2 = Coeficiente de máxima vazão horária (citado anteriormente).
Então,
1580. 153. 0,8. 1,2. 1,5
𝑄𝑀á𝑥.𝐻𝑜𝑟 = = 4,03 𝑙/𝑠
86400

 VAZÃO MÍNIMA

A vazão mínima é calculada por:


𝑃. 𝑞. 𝐶. 𝐾3
𝑄𝑚í𝑛 =
86400
Onde:
𝐾3 = Coeficiente de mínima vazão horária (citado anteriormente).
Então,

1580. 153. 0,80. 0,50


𝑄𝑚í𝑛 = = 1,12 𝑙/𝑠
86400

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4.2 CÁLCULO DAS VAZÕES TOTAIS

O dimensionamento da rede coletora pública de esgoto necessita dos


valores das vazões máxima de final de plano e a vazão máxima horária de
um dia comum do início do plano. A primeira define a capacidade que deve
atender o coletor, já a segunda é utilizada para verificar a autolimpeza do
coletor que acontece pelo menos uma vez no dia.
Segundo a NBR 9.694 as vazões em redes de esgoto podem ser
dimensionadas pelos seguintes critérios:
 Inexistência das medições de vazão utilizáveis em projeto;
 Existência de Hidrogramas utilizáveis em projeto.

Neste dimensionamento irá determinar a vazão de modo tradicional que


deverão seguir as fórmulas abaixo:

 Início de plano: 𝑄𝑖 = 𝑘2 . 𝑄𝑑𝑖 + 𝑄𝑖𝑛𝑓𝑖 + ∑𝑄𝑐𝑖


K1 não está incluso, pois não se refere ao dia de maior contribuição.
 Final de plano: 𝑄𝑓 = 𝑘1 . 𝑘2 𝑄𝑑𝑓 + 𝑄𝑖𝑛𝑓𝑓 + ∑𝑄𝑐𝑓
Qdf igual a vazão média de saturação

Onde:

Qi, Qf = vazão máxima inicial e final (l/s);


Qdi, Qdf = vazão média inicial e final de esgoto doméstico (l/s);
Qinfi, Qinff = vazão de infiltração inicial e final (l/s);
Qci, Qcf = vazão concentrada ou singular inicial e final (l/s).
A vazão doméstica de esgoto inicial e final são obtidas por essas
equações:

𝐶. 𝑃𝑖. 𝑞𝑖
𝑄𝑑𝑖 =
86400

𝐶. 𝑃𝑓. 𝑞𝑓
𝑄𝑑𝑓 =
86400

Onde,

Pi, Pf = população inicial e final (hab);

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qi, qf = consumo de água efetivo per capita inicial e final (l/hab.dia).

Para vazão doméstica de esgoto inicial com população baseada em 2018, o P =


1580.

0,80. 1580.153
𝑄𝑑𝑖 = = 2,24𝑙/𝑠
86400

Agora para a vazão doméstica de esgoto final com população baseada em 2045,
o P = 1702.

0,80. 1702.153
𝑄𝑑𝑓 = = 2,41𝑙/𝑠
86400

Para a vazão de infiltração é calculado a partir de:

𝑄𝑖𝑛𝑓 = 𝐿. 𝑇𝑥𝑖𝑛𝑓

Onde,

L = extensão da rede em metros, no valor de 2.267m;

Txinf = taxa de infiltração, (citado anteriormente). Esse valor equivale a 0,0002l/s.m

𝑄𝑖𝑛𝑓 = 2267. 0,0002 = 0,453𝑙/𝑠

Nesse estudo vamos desconsiderar a vazão concentrada ou singular, que essa


vazão provém de industrias, hospitais, escolas, edifícios, entre outros.

Então: 𝑄𝑖 = 𝑘2 . 𝑄𝑑𝑖 + 𝑄𝑖𝑛𝑓𝑖 + ∑𝑄𝑐𝑖 = 1,5 . 2,24 + 0,453 = 3,8𝑙/𝑠 ;

e para 𝑄𝑓 = 1,2. 1,5. 2,41 + 0,453 = 4,79𝑙/𝑠.

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5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS