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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERIAS

Engenharia Civil

Arthur Marwin M. Morcerf


Isabela de Castro Pinheiro
Iury Antônio Ribeiro Freire de Carvalho

INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS PREDIAIS


Instalações de GLP e Combate a Incêndios
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERIAS
Engenharia Civil

Arthur Marwin M. Morcerf


Isabela de Castro Pinheiro
Iury Antônio Ribeiro Freire de Carvalho

INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS PREDIAIS


Instalações de GLP e Combate a Incêndios

Trabalho apresentado à disciplina


Instalações Hidráulicas Prédiais do curso de
Graduação de Engenharia Civil da PUC-MG

Orientador: Hiram
1. Introdução

As instalações prédiais de combate a incêndio e GLP compreendem


subsistemas de uma edificação para a correta captação, transporte e
armazenamento de fluídos e gases.
Constituem num sistema de combate a incedio eficiente itens como: redes de
hidrantes, extintores, corrimão, escadas com proteção adequada, detectores de
calor, contrle de fumaça, sprinkles, quadros de comando, alarmes visuais e
sonoros, rotas de fuga, portas corta-fogo, iluminação e sinalização de
emergência. uma instalação hidráulica
Para os sistemas de GLP, a sua execução é norteado pelas normas técnicas,
o projeto determina a pressão de fornecimento e a de utilização dentro do
empreendimento, o que permitirá dimensionar as instalações e tubulações. Para
este sistema os itens básicos utilizados nas intalações são: reguladores de
pressão, medidores de vazão, valvulas e conexções. Para as tubulações, os
materiais mais empregados são cobre, tubulação de aço revestida em polietileno
e multicamadas.

2. Instalações prediais de GLP

O gás GLP, é o gás comumente usado para cozimento de alimentos e


desta forma é o mais utilizado em residências, prédios residenciais e empresas
alimentícias, apesar de ter outras utilizações podendo desta forma ser aplicado
em outros tipos de locais, levando em conta outras finalidades.
Na atualidade, existem várias estratégias para criar conceções
construtivas que tentam apresentar uma aproximação dos projetos com a
realidade dos canteiros de obras, a fim de evitar problemas construtivos. A
metodologia BIM se enquadra nesse cenário como uma possibilidade de
inovação tecnológica para todo tipo de projeto de construção civil.
Os projetos ajudam a planejar a instalação de conjuntos de canalizações,
peças, aparelhos e acessórios que formam os sistemas canalizados de uma
edificação e manter a estabilidade do sistema conforme orientações
estabelecidas pelas Normas Brasileiras, assegurando o atendimento dos
requisitos de desempenho, manutenção e seguração da edificação.

A aplicação do projeto consiste na confeção de desenhos que permitam


a perfeita caracterização das instalações de GLP na edificação, a partir da
concepção arquitetônica, e diretrizes.

2.1. Principais Normas Brasileiras

Existem diversas normas que envolvem as instalações prediais de gás, mas


as principais são:
• ABNT NBR 15526/13 – Rede de distribuição interna para gases
combustíveis em instalações residenciais e comerciais;
• ABNT - NBR 6493/94 Emprego de cores para identificação de tubulações;
• ABNT NBR 13523/08 – Central de GLP;
• ABNT NBR 15923/11 – Inspeção de rede de distribuição interna de gases
combustíveis;
• ABNT NBR 13103/13 – Instalação de aparelhos a gás para uso
residencial.
As concessionárias procuram manter as exigências das normas técnicas,
porém estabelecem parâmetros e detalhamentos específicos para abrigos de
reguladores e medidores.

2.2. Principais sistemas de atendimento, arranjo e execução

A tubulação da rede de distribuição interna pode ser instalada das seguintes


formas:
• Aparente (imobilizada com elementos de fixação adequados);
• Embutida em paredes ou muros;
• Enterrada.

2.2.1. Aparente

A tubulação aparente não pode passar por espaços fechados que


possibilitem o acúmulo de gás em caso de vazamento, ou que dificultem
inspeção e manutenção.
Nos casos em que esta condição for inevitável, as tubulações devem estar
envolvidas por tubos-luva (ver figura 4.6).
A tubulação aparente deve atender aos seguintes requisitos:
• Ter um afastamento das demais tubulações para que permita sua
manutenção, conforme tabela 1.0;
• Ter material isolante elétrico quando o cruzamento de tubulação de gás
com condutores elétricos for inevitável – recomenda-se para tal o uso de
isolantes fenolite, placa de celeron, fita de isolamento de auto fusão;

• Em caso de superposição de tubulações, ficar preferencialmente acima


das demais;
• Estar protegida contra choques mecânicos em função dos perigos que
ameaçam a sua integridade,
Figura - Proteção mecânica de tubulação aparente
A tubulação aparente deve manter afastamentos mínimos, conforme tabela
1.0.

Tabela 1.0 - Afastamento mínimo na instalação de tubos para gás

A figura 2.0 ilustra exemplos de afastamentos mínimos da tubulação de gás.

Figura 2.0 - Exemplo ilustrativo de afastamentos mínimos da tubulação de


gás
1.2.1 Embutida

A tubulação embutida deve ser instalada sem vazios, sendo envolta com
revestimento maciço. A tubulação embutida deve manter afastamentos mínimos
conforme a tabela 1.0. A tubulação da rede de distribuição interna embutida pode
atravessar elementos estruturais (lajes, vigas, paredes etc.), seja transversal ou
longitudinal, desde que atendidos os requisitos.
Quando for utilizado tubo luva, a relação da área da seção transversal da
tubulação e do tubo luva deve ser de no mínimo 1 para 1,5 do diâmetro nominal
da tubulação de gás.
A tubulação embutida deve manter afastamentos mínimos conforme a tabela
1.0.

Exemplo ilustrativo de ventilação em forro

1.2.2 Enterrada
A tubulação enterrada deve manter um afastamento de outras utilidades,
tubulações e estruturas suficiente para permitir sua manutenção e com
afastamento mínimo conforme tabela 1.0.

A profundidade da tubulação enterrada que faz parte da rede de distribuição


interna até o medidor do consumidor deve ser no mínimo:
• 0,30 m a partir da geratriz superior do tubo em locais não sujeitos a tráfego
de veículos, em zonas ajardinadas ou sujeitas a escavações;
• 0,50 m a partir da geratriz superior do tubo em locais sujeitos a tráfego de
veículos.
Caso não seja possível atender às profundidades determinadas, deve-se
estabelecer um mecanismo de proteção adequado – laje de concreto ao longo
do trecho, tubo em jaqueta de concreto, tubo luva ou outros.

1.2.3 Arranjo
Figura - Esquema dos abrigos de medidores e prumadas

3. Materiais empregados para instalação do sistema GLP

Os materiais “básicos”, que são mais utilizados nas instalações prediais de


gás são, tubulações de aço com ou sem costura, cobre rígido e fléxivel,
polietileno, tubulações com multicamadas, tubulações galvanizadas, medidores
de vazão, reguladores de pressão, válvulas e conexões. Destes materiais
podemos destacar que existes vantagens e desvantagens, por questão de
facilidade de execução ou até mesmo de custo.
Conforme o item 5.1 da NBR 15526 vemos:
• Tubos de aço carbono, com ou sem
costura, segundo NBR 5580 no mínimo
classe média, ABNT NBR 5590 no
mínimo classe normal, com espessura
mínima correspondente a SCH40;
• Tubos de cobre rígido conforme NBR 13206

• Tubo de cobre flexível, sem costura, classes 2 ou 3, conforme NBR


14745 da ABNT.
• Tubo de condução de
polietileno (PE80 ou PE100),
para redes enterradas NBR
14462, esses tubos devem ser
instalados fora da projeção da
edificação e enterrados.

Além desses, ainda podemos usar tubulações do tipo polietileno(PEX), cobre,


aço preto e aço galvanizado, e as suas devidas conexões, conforme o material
escolhido.

4. Equipamentos empregados para instalação

Para garantir o perfeito funcionamento do sistema, é sugerido que cada


trecho de tubulação seja protegido por uma Válvula de Segurança de Excesso
de Fluxo (GS) em conjunto com uma Válvula Térmica (TAE). O esquema abaixo
pode demosntrar como fazer as intalações:

Figura – Valvula GS e TAE – Fonte: Tigre


Utilizam-se as válvulas de segurança após o registro principal ou no Manifold
de distribuição.
A correta seleção da válvula de excesso de fluxo depende da vazão máxima
na qual o sistema/trecho do sistema está submetido.
Antes da instalação deve-se verificar se a válvula e a vazão da válvula de
segurança disponível é compatível com a válvula de segurança do projeto,assim
como suas vazões.
A posição de instalação deve respeitar indicação na etiqueta da válvula de
modo que o fator de desligamento se mantenha menor que 1,45 da vazão do
projeto.
É importante verificar se a válvula está em condições adequadas de uso.
É recomendado que após a instalação seja concluída, façamos os testes de
pressão e de estanqueidade, onde:
O ensaio de pressão deve ser realizado antes do ensaio
de estanqueidade e aplicado por todos os tubos, por exemplo:
os sistemas de tubos sem conexões, dispositivos de controle
de pressão de gás, medidores de gás, bem como os aparelhos
de gás e os equipamentos de segurança e controle
relacionados. As conexões podem ser incluídas no ensaio se suas pressões de
operação máxima (MOP) correspondem em pelo menos na pressão do ensaio.
A pressão de ensaio é 1 bar. Durante o período de ensaio de 10 minutos,a
pressão não pode baixar. Uma queda em pressão de 0,1 bar deve ser
reconhecido no dispositivo de medição. Depois de concluir o ensaio de carga, a
pressão de ensaio deve ser liberada, num modo sem perigo. No mesmo tempo,
quaisquer partículas de sujeira que vem da instalação devem ser sopradas para
fora de todas as seções dos tubos
O ensaio de estanqueidade é realizado depois do ensaio de carga e passar
por todos os sistemas de encanamento, inclusive as
conexões, mas sem os aparelhos a gás e os equipamentos
de segurança e controle relacionados.
A pressão de ensaio é de 150 mbar e não deve baixar
durante a duração de teste. Uma caída em pressão de 0,1
mbar deve ser reconhecido no dispositivo de medição (a resolução mínima).
A duração de ensaio e períodos de ajuste para o ajuste de temperaturas são
especificadas na seguinte tabela.

5. Orientações, princípios e principais fórmulas e parâmetros de cálculo

Quando se usa GLP, há de se levar em conta fatores que são fundamentais para
o bom funcionamento do sistema e dos equipamentos, como:
• Dimensionamento da demanda de consumo de acordo com os
equipamentos a serem utilizados (aquecedores a gás, fogão, forno,
cooktop, sauna lareira, secadora a gás);
• Dimensionamento de quantos cilindros são necessários, para que haja a
correta vaporização do gás. Isso evita o congelamento e eventual saída
de oleína;
• Tipo e modelos de regulador de gás (Alta ou baixa pressão);
• Modelo de medidor de gás (quando se faz necessário);

6. Dimensionamento da tubulação de gás;


Cores padrão das tubulações:

Cor Inst. prediais Inst. industriais

Vermelho combate a incêndio

Verde água fria

Amarelo gás para cocção e gases não


aquecimento liquefeitos
Branco ar comprimido vapor

Lilás álcalis

Laranja água quente ácidos

Cinza escuro eletrodutos


7. Instalações hidráulicas prediais de Combate a Incêndio

A água é o mais completo dos agentes extintores. A sua importância é


reconhecida, pois mesmo que não leve à extinção completa do incêndio auxilia
no isolamento de riscos e facilita a aproximação dos bombeiros ao fogo para o
emprego de outros agentes extintores. Atualmente é mais utilizada em sistemas
de proteção contra incêndio como o sistema de hidrantes e mangotinhos,
sistema de chuveiros automáticos e sistema de água nebulizada, tendo como
objetivo o controle e a extinção rápida e eficiente de um incêndio (GOMES,
1998).

7.1. Principais Normas Brasileiras

• NBR 13714 – 2000 - Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para


combate a incêndio
• •NBR 10897 – 2014 – Sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros
automáticos – Requisitos
• NR 23 - Proteção Contra Incêndios, do Ministério do Trabalho.

I. Sistema de hidrantes e mangotinhos

O sistema de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio em


edificações e áreas de risco diferem dos sistemas de hidrantes urbanos em
relação à forma de abastecimento. Os sistemas urbanos apresentam pontos de
tomada de água providos de dispositivos de manobra (registros) e uniões de
engate rápido, ligado à rede pública de abastecimento de água, podendo ser
emergente (de coluna) ou subterrâneo (de piso) enquanto que os sistemas
prediais de hidrantes e de mangotinhos apresentam pontos de tomada
(PEREIRA, 2004).

O sistema de hidrantes e de mangotinhos é um sistema fixo de combate


a incêndio que funciona sob comando e libera água sobre o foco de incêndio em
vazão compatível ao risco do local que visa proteger, de forma a extingui-lo ou
controlá-lo em seu estágio inicial.
O sistema de hidrantes e mangotinhos são organizados em três
subsistemas: reservação, pressurização, comando, conforme ilustra a figura a
seguir.

Figura – Elementos e componentes do sistema de hidrantes

I.I. Sistema de reservação

O reservatório de água é um compartimento construído na edificação, em


concreto armado, metal apropriado ou qualquer outro material que apresente
resistência mecânica às intempéries e ao fogo.

Destina-se a armazenar uma quantidade de água (reserva de incêndio)


que, efetivamente, deverá ser fornecida para o uso exclusivo de combate a
incêndios.

Quanto ao tipo de reservação têm-se: sistemas com reserva de água para


incêndio em reservatório inferior e sistemas com reserva de água para incêndio
em reservatório superior.

I.I. a) Sistemas com reserva de água para incêndio em reservatório inferior;

Esses sistemas são alimentados por bomba de incêndio e pressurizados


com tanque de pressão, ou alimentados com bomba de incêndio em conjunto
com bomba jockey; e podem ser utilizados em conjunto de edificações verticais,
horizontais, industriais ou outras.
Figura - - Sistema de hidrantes alimentados por bomba de incêndio e
pressurizados com tanque de pressão

I.I. b) Sistemas com reserva de água para incêndio em reservatório superior


Quando o abastecimento é feito pela ação da gravidade, os reservatórios
elevados devem estar à altura suficiente para fornecer as vazões e pressões
mínimas requeridas para cada sistema.(NBR13714:200)

Figura 2 - Sistema de hidrantes por gravidade


I.II. Sistema de pressurização
Tem a função de fornecer energia para o transporte da água e ainda
atingir o material em combustão a uma determinada distância, com vazão e
pressão adequada à extinção do fogo (HERNANDES (1987).
O sistema operado por bombas é composto por bomba principal ou bomba
de incêndio, bomba de pressurização ou bomba jockey. A bomba de incêndio
tem a finalidade de recalcar a água do reservatório para os hidrantes ou
mangotinhos. Deve possuir motor elétrico ou a explosão.
Quando a bomba principal fornece água aos hidrantes mais desfavoráveis
hidraulicamente, no caso de não poderem ser abastecidos pelo reservatório
elevado, ela recebe o nome de bomba de reforço.
A bomba de pressurização ou bomba jockey tem a função de manter o
sistema pressurizado em uma faixa preestabelecida e de compensar pequenas
perdas de pressão.
O sistema operado por tanques de pressão compõe-se de bomba de
incêndio e de tanque de pressão. O tanque de pressão acoplado a uma bomba
fornecerá pressão e vazão constantes e contínuas ao sistema hidráulico.
A bomba de incêndio acoplada ao tanque de pressão com diafragma
poderá succionar água de um reservatório tanto acima quanto abaixo
(reservatórios, poços etc.) e, simultaneamente, pressurizar a rede hidráulica.
I.II. a) Bomba de pressurização
A bomba de pressurização é um sistema muito usado, principalmente, no
controle de água, em que é feita certa pressão no líquido para que ele seja
direcionado para a direção correta. A bomba de pressurização deve trabalhar em
velocidade adequada para que seja mantida uma pressão constante por meio do
ajuste automático da rotação da bomba, que faz com que, quando a vazão de
consumo é reduzida, a bomba hidráulica desligue automaticamente, como
programado.

Além disso, toda a bomba de pressurização deve estar dimensionada


pelas normas da ABNT, para que vazamentos, escoamentos ou ruídos sejam
evitados. É importante que seja instalada em locais estratégicos a fim de que
seus ruídos não causem transtornos.
Figura – Bomba jockey
I.II. b) tanques de pressão
Quando aberto o sistema de combate a incêndio uma bomba é
responsável em bom bombear o liquido combatente pelos condutos numa
pressão correspondente à necessidade do local, as bombas quando acionadas
demoram um certo tempo para responder ao comando, também existe uma
demora na pressurização do fluido no conduto.
Visando minimizar esse tipo de demora na resposta em uma situação de
emergência, são instalados tanques para sistema de incêndio, que consiste em
um tanque hidropneumático com membrana interna fixada no interior do mesmo,
ela é preenchida com o liquido combatente, e a parte entre o tanque e a
membrana é preenchida com ar comprimido ou Nitrogênio, mantendo o sistema
sempre pressurizado.
Quando o sistema de combate a incêndio é aberto, esta membrana
mantem o sistema em pleno funcionamento com a pressão necessária até que
as bombas entrem em operação, eliminando demora na resposta do sistema.

Figura – Tanque de pressão


I.III. Sistemas de comando
O acionamento do sistema de hidrantes e de mangotinhos pode ser
manual, por meio de botoeira do tipo liga e desliga, ou automático, por meio de
chave de fluxo ou de pressostato.
A botoeira do tipo liga e desliga é um acionador manual da bomba
principal.
A chave de fluxo aciona o sistema automaticamente pelo deslocamento
de água na tubulação, devido à abertura de um hidrante, e o pressostato aciona
o sistema devido a uma variação de pressão hidráulica na tubulação.

Assim, a bomba de incêndio entra em operação mediante acionamento


manual, por meio de botoeira tipo liga-desliga próxima aos hidrantes, ou
automático, por meio de chave de fluxo para reservatórios elevados ou por meio
de pressostatos para reservatórios no nível do solo, semi-enterrados ou
enterrados.

I.III. a) Sistemas de comando manual.


Quando o sistema é acionado de forma manual pelo usuário, na forma de
uma botoeira, liga-desliga.

Figura – Botoeira liga-desliga.


I.III. b) Sistemas de comando manual automático.
Quando o sistema é acionado automaticamente no caso de algum
incêndio. Pode ser acionado por meio de fluxostato ou pressostato.
I.III. b.1) Sistemas de comando manual automático por pressostato
O pressostato atua com base em pressão. Uma “chave” em contato com
o líquido, ou gás, é limitada por uma pressão determinada através de uma faixa
padrão, definida em sua fabricação, ou por meio de regulagem. Ao ser submetida
a uma pressão diferente daquela definida o pressostato libera (ou interrompe)
um sinal elétrico, acionando os componentes seguintes. Isso ocorre, por
exemplo, no funcionamento de um sistema de incêndio.

Figura - Pressostato

I.III. b.2) Sistemas de comando manual automático por fluxostato


Fluxostato, seu funcionamento ocorre de modo diferente. Sua ação ocorre
na leitura de fluxo, ou seja, ele não lê a presença de água ou sua pressão em
uma tubulação, mas sim sua movimentação, seu fluxo. Utilizando o mesmo
exemplo acima, o fluxostato poderia ser utilizado para identificar que a água da
tubulação não está em movimento, mesmo após o acionamento das bombas, o
que poderia alertar para alguma falha na alimentação de água.

Figura – Fluxostato dentro do sistema.

I.IV. Orientações, princípios e dimensionamento.


I.IV. a) A NBR 13714 (2000) e o Regulamento de Segurança Contra Incêndio
das Edificações recomenda os seguintes critérios de projeto:
1) As edificações com área construída superior a 750 m2 ou altura superior
a 12 m devem ser protegidas por sistemas de mangotinhos ou de
hidrantes.
2) Os pontos de tomada de água devem ser posicionados:
2.1) Nas proximidades das portas externas, escadas e/ou acesso principal
a ser protegido, a não mais de 5 m;
2.2) Em posições centrais nas áreas protegidas e obrigatoriamente nas
proximidades das portas externas, escadas e/ou acesso principal a ser
protegido, a não mais de 5 m;
2.3) Em posições centrais nas áreas protegidas e obrigatoriamente nas
proximidades das portas externas, escadas e/ou acesso principal a ser
protegido, a não mais de 5 m;
2.4) de 1,0 m a 1,5 m do piso;
3) No caso de projetos utilizando hidrantes externos deverá atender ao
afastamento de, no mínimo, uma vez e meia a altura da parede externa
da edificação a ser protegida.
4) O sistema deve ser projetado de tal forma que dê proteção em toda a
edificação, sem que haja a necessidade de adentrar as escadas,
antecâmaras ou outros locais determinados exclusivamente para
servirem de rota de fuga dos ocupantes.
5) Os hidrantes ou mangotinhos devem ser distribuídos de tal forma que
qualquer ponto da área a ser protegida seja alcançado por um ou dois
esguichos, conforme o tipo de sistema, considerando o comprimento
da(s) mangueira(s) através de seu trajeto real e desconsiderando o
alcance do jato de água.

I.IV. b) A NBR 13714 (2000) e o Regulamento de Segurança Contra Incêndio


das Edificações recomenda os seguintes critérios de dimensionamento:
1) A pressão máxima de trabalho em qualquer ponto do sistema não deve
ultrapassar a 1.000 kPa.
2) A velocidade da água na tubulação de sucção das bombas de incêndio
não deve ser superior a 2 m/s (sucção negativa) ou 3 m/s (sucção
positiva).
3) A velocidade máxima da água na tubulação não deve ser superior ao valor
de 5 m/s.
4) O volume do reservatório pode ser obtido em função da vazão total do
sistema e do tempo de operação, que é definido em função do tipo de
sistema (NBR 13714 (2000));
5) O sistema deve ser dimensionado de modo que as pressões dinâmicas
nas entradas dos esguichos não ultrapassem o dobro daquela obtida no
esguicho mais desfavorável hidraulicamente.
I.IV. c) Principais formulas.
O dimensionamento hidráulico do sistema deve ser realizado utilizando-
se a eq. De Darcy-Weisbach ou Fórmula universal (Equação1), ou as equações
de Hazen-Williams (Equação2):
Equação 1

Equação de Darcy-Weisbach.

Equação 2

Equação de Hazen-Williams.
II. Sistema de chuveiros automáticos.
O sistema de chuveiros automáticos, também chamado de sistema
sprinkler, é o mais eficiente e que obtém maior êxito no controle do foco de
incêndios em edificações. Quando um profissional é contratado para elaborar
um projeto de combate a incêndio, ele deve considerar que a construção está
sujeita a riscos de perdas econômicas ou, ainda mais grave, de perdas de vidas
humanas.
Vale ressaltar que, para os chuveiros automáticos serem realmente
eficientes, eles devem estar 100% instalados em toda a edificação. Caso
contrário, as áreas desprotegidas podem tornar o incêndio incontrolável.
O princípio de operação desse sistema consiste em confinar o fogo na
área de aplicação controlando ou extinguindo o foco do incêndio em seu estágio
inicial, por meio de descarga automática de água.
Assim, em uma grande área sem compartimentação como, por exemplo, em um
galpão industrial, o sistema de chuveiros automáticos opera como
compartimentação agindo na área restrita ao foco do incêndio, evitando a
propagação do fogo e reduzindo os danos. Já o princípio de funcionamento do
chuveiro automático é atuar como alarme, detectar e combater o fogo.
Conforme a NBR 10897 (1990), os sistemas de chuveiros automáticos
classificam-se em: sistema de tubo molhado, sistema de tubo seco, sistema
de ação prévia, sistema dilúvio e sistema combinado de tubo seco e ação
prévia.
II.I. Sistema de tubo molhado
Emprega chuveiros automáticos ligados aos ramais de uma rede de
tubulação fixa contendo água sobpressão. É controlado em sua entrada, por
uma válvula de alarme cuja função é fazer soar automaticamente um alarme
quando da abertura de um ou mais chuveiros acionados pelo incêndio. Os
chuveiros automáticos realizam de forma simultânea a detecção, alarme e
combate ao fogo. Nesse sistema o agente extintor, a água, somente é
descarregada pelos chuveiros ativados pela ação do fogo. É recomendado
para locais nos quais não há risco de congelamento da água na tubulação.

Figura – Sistema tubo molhado


II.II. Sistema de tubo seco
Consiste de uma rede de tubulação fixa contendo ar comprimido ou nitrogênio
sob pressão, na qual estão instalados chuveiros automáticos em seus ramais. O
sistema possui uma válvula, denominada válvula de tubo seco, que é aberta
quando da liberação do gás contido na tubulação pelo acionamento dos
chuveiros automáticos e, dessa forma, permite a admissão da água na rede da
tubulação. Esse tipo de sistema é destinado em locais de baixas temperaturas,
podendo ocasionar o congelamento da água na tubulação.
Uma característica deste sistema é o intervalo de tempo relativamente
prolongado entre a abertura do chuveiro automático e a descarga de água, o que
propicia a propagação do incêndio e, conseqüentemente, aumen-tando o
número de chuveiros a serem abertos.

Figura – Sistema de tubo seco

II.III. Sistema de ação prévia


Consiste de uma rede de tubo seco contendo ar que pode estar ou não sob
pressão, em cujos ramais são instalados os chuveiros automáticos. Na mesma
área protegida pelo sistema de chuveiro, é instalado um sistema de detecção de
incêndio muito mais sensível, interligado a uma válvula especial, instalada na
entrada da rede de tubulação.
A atuação de quaisquer dos detectores, motivada por princípio de incêndio, faz
com que a válvula especial seja aberta automaticamente. Uma vez aberta a
válvula especial, ela permite a entrada de água na rede, que descarregará nos
chuveiros ativados pelo fogo. A ação prévia do sistema de detecção faz soar
simultânea e automaticamente um alarme de incêndio, antes da abertura de
qualquer chuveiro automático.
A principal diferença entre os sistemas de ação prévia e de tubo seco é que no
sistema de ação prévia a válvula especial atua independentemente da abertura
dos chuveiros, ou seja, ela é acionada pela operação automática de um sistema
de detecção de incêndio e não pela abertura de um chuveiro.
O sistema de ação prévia apresenta algumas vantagens sobre o sistema de tubo
seco, sendo destacadas as seguintes:
• a válvula é aberta em menor tempo, uma vez que o detector automático é mais
sensível que o chuveiro.
• o sistema de detecção torna o acionamento do alarme mais rápido.
• o alarme é dado quando a válvula é aberta.
• os danos causados pela água e pelo fogo são menores, pois a água é
descarregada sobre o fogo assim que o chuveiro é aberto.

Figura – Sistema de ação prévia


II.IV. Sistema dilúvio
Consiste de uma rede de tubulação seca em cujos ramais estão instalados os
chuveiros automáticos abertos, ou seja, não possuem elementos termos-
sensíveis como também nenhum tipo de obstrução. É acrescido de um sistema
de detecção de incêndio, na mesma área de proteção e interligado a uma
válvula, denominada válvula-dilúvio e instalada na entrada da rede de tubulação,
a qual entra em operação quando da atuação de qualquer detector, motivado
pelo princípio de incêndio ou mesmo pela ação manual de um controle remoto.
Após a abertura da válvula-dilúvio, a água entra na rede e é descarregada por
todos os chuveiros abertos.
Nesse instante, de forma automática e simultânea, soa um alarme de incêndio.
Em casos especiais, o acionamento da válvula-dilúvio pode ser feito por meio de
um sistema de detecção de gases específicos.

Figura – Sistema Diluvio


II.V. Componentes do sistema de chuveiros automáticos
O sistema de chuveiros automáticos apresenta os elementos e componentes,
apresentados na Figura e organizados em quatro subsistemas: abastecimento
de água, pressurização, válvula de governo e alarme e distribuição.

Figura – Componentes do sistema de chuveiros automáticos


II.V. A) Sistema de abastecimento de água
O volume de água necessário ao sistema de chuveiros automáticos está
relacionado com o número de chuveiros esperados para entrar em operação
que, por sua vez, depende da capacidade de resfriamento da descarga de água
ser maior que a liberação de calor gerado pelo fogo. A exceção é feita para os
casos em que o sistema é projetado para abrir todos os chuveiros na área de
incêndio como, por exemplo, no sistema dilúvio.
Todo sistema de chuveiros automáticos deve possuir pelo menos um sistema de
abastecimento de água exclusivo e de operação automática, com capacidade
suficiente para atender adequadamente a vazão do sistema.
Conforme a NBR 10897 (1990), o abastecimento de água necessário para um
sistema de chuveiros automáticos pode ser suprido pelas seguintes fontes:
• reservatório elevado.
• reservatório elevado, no nível do solo, semi-enterrado ou enterrado; piscina;
açude; represa; rio; lago e lagoa com uma ou mais bombas de incêndio.
• tanque de pressão.

Figura – Exemplo de reservatório elevado


II.V. B) Sistema de abastecimento de água
Tem a função de garantir ao sistema vazão e pressão adequada ao tipo de risco
do sistema e constitui-se do conjunto moto-bomba. As bombas, segundo a NBR
10897 (1990), devem ser dos seguintes tipos:
• centrífuga horizontal de sucção frontal.
• centrífuga horizontal de carcaça bipartida.
• centrífuga e/ou turbina horizontal.
As bombas devem ser diretamente acopladas, por meio de luva elástica a
motores elétricos ou a diesel, sem interposição de correias ou correntes.
Também, devem possuir dispositivo para partida automática pela queda de
pressão hidráulica no sistema de distribuição dos chuveiros automáticos. Ainda,
deve ser introduzido um dispositivo que, após a partida do motor, o desligamento
só possa ser efetuado por controle manual.
Para evitar a operação indevida da bomba principal, deve ser instalada uma
bomba de pressurização, denominada jockey, para compensar pequenos e
eventuais vazamentos na tubulação, em uma faixa de pressão hidráulica
preestabelecida para garantir uma pressão hidráulica de supervisão no sistema
de distribuição. Essa bomba deve manter a rede do sistema de chuveiros sob
uma pressão imediatamente superior à pressão máxima da bomba principal,
sem vazão, e sua demanda nominal não superior a 20 L/min (1,2 m3/h).

Figura – Exemplo de conjunto moto-bomba centrifuga bi-partida;


II.V. C) Distribuição de distribuição
Constitui-se de uma rede de tubulações compreendida desde a válvula de
governo e alarme até aos chuveiros automáticos.
1) Válvula de governo e alarme
Para o sistema de tubo molhado, a Válvula de Governo e Alarme (VGA) é uma
válvula de retenção com uma série de orifícios roscados para a ligação de
componentes de controle e alarme descritos a seguir:
• válvula de drenagem de 11/2” ou 2”, para esvaziar o sistema e reabastecer os
chuveiros atingidos pelo fogo.
• manômetros, a montante e a jusante do obturador. O superior deve marcar uma
pressão igual ou maior ao inferior.
• linha de alarme para ligar o pressostato e alarme hidromecânico tendo câmara
de retardação, quando necessário.
Quando da abertura de um ou mais chuveiros, durante um incêndio, a pressão
hidráulica na rede de distribuição diminui. Dessa forma, a pressão da água,
abaixo do obturador, por diferencial de pressão, impele-o para cima, fornecendo
água para o sistema e provocando a abertura da válvula auxiliar para permitir a
passagem de água para acionar o circuito de alarme

Figura – Valvula de governo e alarme


2) Tubulações
São elementos do sistema e podem ser especificadas com os seguintes
materiais: aço carbono com ou sem costura, aço preto ou galvanizado e cobre
sem costura. A NBR 10897 (1990) aprova também o emprego de tubulações de
PVC rígido, cimento amianto e poliéster reforçado com fibra de vidro, desde que
tenham desempenho equivalente aos das tubulações aparentes e enterradas.
II.VI. Dimensionamento
O sistema de chuveiros automáticos pode ser dimensionado hidraulicamente ou
por meio de tabelas. O método por tabelas permite somente a disposição da
tubulação na forma ramificada, enquanto o cálculo hidráulico permite uma maior
flexibilidade quanto à escolha da configuração da tubulação podendo ser na
forma de malha ou em anel.
II.VI. A) Dimensionamento por tabela
Nesse método os diâmetros nominais das tubulações são estabelecidos com
base em tabelas definidas em normas, em função de cada classe de risco de
ocupação e do material da tubulação.
Para o dimensionamento do sistema utilizando-se a NBR 10897 (1990) devem
ser atendidas as recomendações da tabela. Para outras situações como, por
exemplo, um mesmo ramal que alimenta chuveiros acima e abaixo de forros,
devem ser consultadas outras tabelas na NBR 10897 (1990).
Figura – Tabela NBR 10897(1990) para dimensionamento de chuveiros
II.VI. A) Dimensionamento por cálculo
Cálculo da vazão e pressão

Cálculo da perda de carga

8. Relacionamento entre as duas instalações


Por se tratar de um gás inflamável, as normas de utilização do GLP são
geridas por uma série de procedimentos, normas e regras com a finalidade de
atender ao combate ao incêndio. A Portaria CNP Nº 76, DE 21.7.1966 estabelece
normas para a instalação, operação e segurança de terminais de gases
liquefeitos de petróleo com o objetivo de padronizar as condições em que os
terminais de GLP sejam construídos, bem como regular os processos e
procedimentos necessários durante as operações de abastecimento dos
mesmos.
O Capítulo II deste documento evidencia a questão que irá relacionar as
duas temáticas abordadas no presente trabalho: as instalações hidráulicas
prediais de combate a incêndio e de gás liquefeito de petróleo. Neste capítulo,
são evidenciados os seguintes parágrafos normativos:
“Art. 37. O terminal será provido de redes de hidrantes e de extintores de
incêndio. Os extintores de incêndio serão do tipo adequado a instalações de gás
liqüefeito de petróleo.
Art. 38. O abastecimento d’água às redes de hidratantes será feito por
meio de um reservatório, com capacidade suficiente para garantir o
funcionamento simultâneo de dois hidrantes com a descarga mínima, cada uma
de 500 litros por mutuo, durante 30 (trinta) minutos.
Parágrafo único. As instalações hidráulicas destinadas ao combate a
incêndio e ao consumo permanente do terminal serão independentes.
Art. 39. Deverá ser construído, sobre os tanques de armazenamento, um
sistema de nebulizadores. ”
9. Referências bibliográficas
1 CARVALHO JÚNIOR, Roberto de. Instalações hidráulicas e o projeto de
arquitetura. 4. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo

2 CREDER, Hélio. Instalações hidráulicas e sanitárias. 6. Rio de Janeiro


LTC 2006 ISBN.

3 MACINTYRE, Archibald Joseph. Instalações hidráulicas prediais e


industriais. 4. Rio de Janeiro LTC 2010.

4. SEITO, Alexandre (Ed.). A segurança contra incêndio no Brasil. São


Paulo: Editora Projeto, 2008. Disponível em:
<https://drive.google.com/file/d/0B__5SEEP-yn0dDFmSVdocEY4bEU/view>.
Acesso em: 20 set. 2019.

5. Normas ABNT

ABNT NBR 15526/13 – Rede de distribuição interna para gases combustíveis


em instalações residenciais e comerciais;
ABNT - NBR 6493/94 Emprego de cores para identificação de tubulações;
ABNT NBR 13523/08 – Central de GLP;
ABNT NBR 15923/11 – Inspeção de rede de distribuição interna de gases
combustíveis;
ABNT NBR 13103/13 – Instalação de aparelhos a gás para uso residencial.
NBR 13714 – 2000 - Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a
incêndio
NBR 10897 – 2014 – Sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros
automáticos – Requisitos
NR 23 - Proteção Contra Incêndios, do Ministério do Trabalho

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