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Revisão de literatura

Efusão Pleural em gatos: revisão de literatura e


estudo retrospectivo
Pleural Effusion in cats: literature review and retrospective study
Flávia Azevedo Cavalcanti de Melo – Médica Veterinária; Email: flaviaacm@gmail.com
Christine Souza Martins – Professora Msc. Faculdade de Agronomia e Veterinária da Universidade de Brasília

Melo FAC, Martins CS. Medvep - Revista Científica de Medicina Veterinária - Pequenos Animais e Animais de Estimação 2009; 7(23); 442-446.

Resumo
A efusão pleural é umas das principais causas de dispneia em gatos. Diversas etiologias podem ge-
rar a efusão pleural como neoplasias da pleura e mediastino, neoplasias do parênquima pulmonar,
peritonite infecciosa felina (PIF) e cardiomiopatias. Essas doenças alteram o equilíbrio dinâmico da
produção ou absorção do fluido pleural, gerando acúmulo patológico. O presente estudo analisou os
casos de felinos que apresentaram efusão pleural no Hospital Veterinário da Universidade de Brasília
desde setembro de 2000 a maio de 2009. Os prontuários de vinte e três animais foram analisados e os
dados coletados. Dentre as etiologias que ocasionam efusão pleural, o linfoma foi a mais comum, diag-
nosticado em 34,78% dos casos, seguido por piotórax (21,74%), neoplasias do parênquima pulmonar
(17,39%), PIF (8,70%), cardiomiopatia (4,35%), quilotórax idiopático (4,35%) e em dois casos (8,70%) o
diagnóstico permaneceu inconclusivo. Esse trabalho teve como objetivo analisar as causas de efusão
pleural mais comuns ocorridas no Hospital Veterinário. A ocorrência de efusão pleural mostrou-se
uma causa comum de dispneia, sendo o linfoma, a causa de base mais comumente encontrada.
Palavras-chave: Efusão pleural, gatos, dispneia, linfoma mediastinal, piotórax, quilotórax

Abstract
Pleural effusion is one of the main causes of dyspnea in cats. Many diseases can result in pleural effu-
sion such as pleural/mediastinal masses, pulmonary neoplasia, feline infectious peritonitis (FIP); and
cardiomyopathy. These diseases affect physiological mechanisms of fluid formation or absorption,
resulting in pathologic accumulation. The present study describes cases of cats with pleural effusion
in a Veterinary Hospital. The medical records of twenty three patients were reviewed. Among the
disorders that result in accumulation of pleural fluid, lymphoma was the most common, diagno-
sed in 34,78% of cases, followed by pyothorax (21,74%), pulmonary neoplasia (17,39%), FIP (8,70%),
cardiomyopathy (4,76%), idiopathic chylothorax (4,35%) and in two cases (8,70%) the diagnosis was
inconclusive. This study aimed to analyze the causes of pleural effusion occurred more common in
the Veterinary Hospital. Thus, the occurrence of pleural effusion proved to be a common cause of
dyspnea, and lymphoma, the underlying cause of most commonly found.
Keywords: Pleural effusion, cats, dyspnea, mediastinal lymphoma, pyothorax, chylothorax

442 Medvep - Revista Científica de Medicina Veterinária - Pequenos Animais e Animais de Estimação 2009;7(23);442-446.
Efusão Pleural em gatos: revisão de literatura e estudo retrospectivo

Introdução e revisão de literatura Sinais clínicos


Os sinais associados à presença de líquido pleural
A efusão pleural, isto é, o acúmulo de líquido no espaço
são primariamente respiratórios, no entanto, doenças de pro-
pleural, é uma anormalidade clínica relativamente comum
gressão lenta podem causar manifestações sistêmicas como
na medicina felina. A efusão pleural deve ser interpretada
letargia e anorexia (7,13).
pelo médico veterinário como um sinal clínico e não como
O sinal clínico mais comumente observado é a dispneia,
um diagnóstico. A busca da causa de base deve ser prio-
embora a taquipneia, cianose, respiração oral também ocor-
ridade, a fim de que se possa estabelecer o tratamento e o
ram (1).
prognóstico. Sinais inespecíficos incluem anorexia, depressão, perda
A efusão pleural se desenvolve quando alguma doen- de peso, desidratação, palidez, febre, hipotermia ou tosse
ça altera as forças que controlam a formação e absorção do (14). A tosse pode ser o primeiro sinal clínico observado nas
líquido pleural (1). Alterações nas pressões (hidrostática e formas crônicas de efusão pleural, como o quilotórax (1).
oncótica) e na permeabilidade vascular ou linfática podem
aumentar a produção de líquido pleural e/ou diminuir sua Diagnóstico
absorção, resultando em efusão pleural (1). Além disso, As doenças do espaço pleural são frequentemente sugeri-
traumas, coagulopatias e erosões em vasos por tumores ou das pelos sinais clínicos e anormalidades na auscultação (15).
processos infecciosos podem causar uma efusão pleural he- A auscultação geralmente revela sons cardíacos e respirató-
morrágica (2). rios abafados ou inaudíveis ventralmente, enquanto os sons
O piotórax é a infecção do espaço pleural caracterizada respiratórios estão preservados dorsalmente (12). A presença
pelo acúmulo de exsudato purulento (3,4). A infecção gera de efusão pleural pode ser estabelecida por toracocentese ou
uma inflamação que induz vasodilatação e um aumento na por uma radiografia torácica (12).
permeabilidade vascular gerando efusão pleural (5). A toracocentese deve ser feita antes da radiografia nos
Na clínica de felinos, a peritonite infecciosa felina (PIF) animais muito dispneicos sob suspeita de efusão pleural (1).
constitui outra causa importante de efusão. A vasculite cau- Embora a toracocentese seja mais invasiva que a radiografia,
sada pela resposta ao coronavírus felino causa uma exsuda- o potencial benéfico terapêutico do método supera em gran-
ção rica em proteína em várias cavidades corporais, incluin- de escala o pequeno risco de complicações (9) (figura 1).
do o espaço pleural (6). A radiografia torácica é muito útil na identificação de de-
sordens cardiovasculares, pulmonares e pleurais que causam
Na maioria dos animais, alterações no fluxo ou na pressão
dispneia (16). Os sinais radiográficos associados à efusão
dentro do ducto torácico supostamente conduzem à exsu-
pleural incluem falta de nitidez da silhueta cardíaca, eviden-
dação de quilo de vasos linfáticos torácicos intactos, porém
ciação das fissuras interlobares, arredondamento das bordas
dilatados (conhecido como linfangiectasia torácica) (1). O au-
pulmonares nos ângulos costofrênicos, alargamento do me-
mento da pressão linfática pode ser causado primeiramente
diastino, separação das bordas pulmonares da parede toráci-
por doença cardíaca, anormalidades dos vasos sanguíneos e/
ca e deslocamento dorsal da traqueia (figura 2) (5,14).
ou linfáticos e obstrução linfática (7).
A ultrassonografia é outro exame diagnóstico útil em
Em gatos, a insuficiência cardíaca esquerda pode ocasio-
animais com presença anormal de tecidos moles ou líquidos
nar efusão, e a causa mais comum é a cardiomiopatia hiper- dentro do espaço pleural (15). O exame de ultrassom toráci-
trófica, embora outras formas de cardiomiopatias também co pode frequentemente complementar o exame radiográfico
sejam possíveis (7). A insuficiência cardíaca congestiva leva torácico em pacientes com alargamento mediastinal, efusão
ao aumento da pressão hidrostática venosa, gerando a efu- pleural, infiltrados pulmonares incomuns ou massas intrato-
são. Sob pressões venosas elevadas, a drenagem linfática do rácicas (17).
espaço pleural pode ser bloqueada, resultando em efusão
transudativa ou em quilotórax (1).
A neoplasia é uma causa comum de efusão em cães e
gatos (8). As neoplasias podem envolver qualquer uma das
estruturas intratorácicas, incluindo os pulmões, os tecidos
mediastinais, a pleura, o coração e os linfonodos (9). Linfo-
ma é a neoplasia mais comumente diagnosticada em gatos e
representa cerca de 30% de todos os tumores felinos (10). Os
gatos com linfoma mediastinal comumente são jovens e FeLV
positivos (11).
A perda de proteínas por enteropatias, por nefropatias e
por falência hepática são causas comuns de hipoproteinemia,
especificamente hipoalbuminemia, resultando no decréscimo
da pressão oncótica e transudação (6).
Outras causas raras de efusão pleural incluem torção de
lobo pulmonar, pancreatite, infarto pulmonar, cistos tímicos
Figura 1: Toracocentese realizada em um animal com quilotórax
e infecção pulmonar por Aelurostrongylus (12).

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gens de células nucleadas de até 5.000/µl (11). Transudatos


crônicos frequentemente se tornam transudatos modificados,
quando adquirem maior celularidade e concentração protei-
ca (12).
Em contraste com os transudatos e transudatos modifica-
dos, os exsudatos são resultado do extravasamento de fluidos
da vasculatura anormal ou alterada (1). A concentração pro-
teica é alta (>3g/dL) e a contagem de células é tipicamente
maior que 5.000/µ (1). Os tipos celulares presentes nos exsu-
datos assépticos incluem neutrófilos, macrófagos, eosinófilos
e linfócitos (9).
Exsudatos sépticos são efusões purulentas que contém
um número elevado de neutrófilos degenerados (50.000 a
100.000/µl), geralmente em associação com bactérias intra ou
extracelulares (7,14).
As efusões quilosas resultam do extravasamento de fluido
do ducto torácico, que transporta linfa rica em lipídeos (9). O
quilo apresenta concentrações moderadas de proteína, geral-
mente superiores a 2,5g/dL. A contagem de células nuclea-
das é baixa a moderada, variando de 400 a 10.000/µl, sendo o
tipo celular predominante o linfócito maduro (1,13).
As efusões hemorrágicas possuem concentrações superio-
res a 3 g/dL de proteína e mais de 1.000 células nucleadas/
µl, com distribuição similar àquela do sangue periférico (9).
A eritrofagocitose é um achado citológico comum nesse tipo
de fluido pleural (8). O tratamento e prognóstico do hemotó-
rax depende da severidade do sangramento e da condição do
paciente (12).

Material e método
Foram coletados dados de felinos atendidos no Hospital
Veterinário da Universidade de Brasília, que apresentaram
efusão pleural, no período de setembro de 2000 a maio de
Figura 2: Alterações radiográficas de efusão pleural no posicionamento 2009. Os dados foram obtidos a partir dos resultados de aná-
laterolateral (A) e ventro dorsal (B). Sinais de efusão pleural como
arredondamento das bordas pulmonares nos ângulos costofrênicos, lise do líquido cavitário, realizados no Laboratório de Patolo-
falta de nitidez da silhueta cardíaca, deslocamento da traqueia e gia Clínica da própria instituição. No total foram analisados
separação das bordas pulmonares da parede torácica são visíveis nessa
radiografia.
23 prontuários, desses foram extraídos dados sobre a idade,
raça, sexo, etiologia da efusão pleural e desfecho clínico de
Avaliação do líquido pleural cada paciente.
O exame do líquido pleural baseia-se em características A presença de efusão pleural foi confirmada através de
bioquímicas, citológicas e físicas, e podem ajudar a deter- exames radiográficos e toracocentese. Todas as efusões foram
minar a etiologia (1,6). Essas características permitem que o analisadas quanto às características físicas, químicas e ava-
fluido seja classificado como transudato, transudato modifi- liação citológica do fluido pleural. Alguns casos suspeitos
cado, exsudato asséptico, exsudato séptico, quilo ou efusão de envolvimento séptico, foram enviados ao Laboratório de
hemorrágica (18). Além disso, qualquer um desses pode ser Microbiologia, onde foram realizados exames de cultura bac-
sub-categorizado como neoplásico dependendo da avaliação teriana do fluido pleural.
citológica (12). Uma parte do fluido deve ser analisada e ser
submetida à cultura bacteriana se há a suspeita de causa in-
fecciosa (19).
Resultados e discussão
Este estudo demonstrou que a efusão pleural foi um acha-
Os transudatos puros são líquidos claros e transparen- do relativamente comum no Hospital Veterinário da Univer-
tes, com baixas concentrações de proteína, inferiores a 2,5 a sidade de Brasília no perídio de setembro de 2000 a maio de
3 g/dL, e baixas contagens de células nucleadas, entre 500 2009 (cerca de 3 casos por ano), embora muitos casos possam
a 1.000/µl (9,11). A transudação é considerada um processo não ter sido incluídos nesse estudo devido à dificuldade da
passivo, porque o acúmulo de fluido não é resultado da alte- coleta de dados, os quais foram obtidos através de um siste-
ração da permeabilidade dos capilares (8). ma não informatizado de arquivamento, como também do
Os transudatos modificados possuem concentração pro- preenchimento incompleto dos prontuários. Por isso, suspei-
téica ligeiramente mais elevada, de até 3,5 g/dL, com conta-

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ta-se que a casuística de efusão pleural tenha sido, na reali- As efusões pleurais foram classificadas, de acordo com as
dade, maior. características físicas, bioquímicas e citológicas. Foram obser-
Os felinos avaliados apresentaram média de 6,6 anos de vados efusões do tipo transudato em 6 casos (26,09%), transu-
idade, variando de cinco meses a 16 anos dos quais quinze datos modificados em 4 casos (17,39%), exsudatos assépticos
eram fêmeas e oito eram machos. As raças dos animais anali- em 5 casos (21,74%), exsudatos sépticos em 5 casos (21,74%) e
sados variaram de Sem Raça Definida (S.R.D) (16 casos), Sia- efusões quilosas em 3 casos (13,04%). Nenhum caso de efusão
mês (4 casos), Himalaia (2 caso) e Exótico (1 caso) . As causas hemorrágica foi observado nesse estudo.
da efusão pleural incluíram linfoma mediastinal (8 casos), As efusões foram classificadas ainda em efusões neoplási-
piotórax (5 casos), neoplasia pulmonar (4 casos), PIF (2 ca- cas. Os achados no exame citológico compatíveis com efusão
sos), cardiomiopatia dilatada (1 caso), quilotórax idiopático neoplásica foram, principalmente, a presença de linfócitos re-
(1 caso) e 2 casos cujo diagnóstico foi inconclusivo (gráfico ativos, figuras de mitose, células multinucleadas com nuclé-
1). Os sinais e achados físicos encontrados nos felinos com olo evidente e presença de material amorfo não-classificável.
efusão pleural estão relacionados no gráfico 2. A idade dos Dos casos neoplásicos acompanhados, linfoma mediastinal e
animais que apresentaram efusão pleural foi em média 6,6 neoplasia do parênquima pulmonar, houve a incidência de
anos, variando de 5 meses a 15 anos, similar ao estudo feito efusão pleural do tipo transudato em 2 casos (16,67%), tran-
por Davies e Forrester (2) cuja a idade média foi de 5,8 anos. sudato modificado em 4 casos (33,33%), exsudato em 5 casos
Apesar da variedade de etiologias que podem gerar efu- (41,67%) e quilo em 1 caso (8,33%) . Dentre os casos de linfo-
são pleural, os sinais clínicos sofreram pouca variação, sendo ma mediastinal, todos apresentaram na citologia da efusão
o principal deles, a dispneia. Esse achado foi similar ao estu- uma alta contagem de linfócitos, sendo este o tipo celular
do realizado por Davies e Forrester (2), em que a dispneia e mais abundante.
taquipneia foram os achados mais consistentes com efusão Foram diagnosticados cinco casos de piotórax. A idade
pleural. A desidratação, diminuição ou ausência de apetite e dos felinos diagnosticados com essa afecção variou de 5 me-
apatia também foram achados clínicos relevantes em ambos ses a 10 anos, sendo a média de 4 anos, que foi similar a mé-
os estudos. dia 5 a 6 anos relatada anteriormente (2,3).
Dentre os casos de piotórax, foram feitos exames de cul-
tura bacteriana do líquido pleural em quatro casos e em um
caso não havia informação sobre esse exame no prontuário
do animal. Em um caso, não houve crescimento bacteriano no
meio de anaerobiose; em três casos houve crescimento bacte-
riano e os agentes isolados individualmente foram Pasteurella
ssp., Streptococcus spp. e Rhodococcus equi. Esse resultado não
foi semelhante a outros estudos, em que os principais micro-
organismos isolados nos casos de piotórax foram Mycoplasma
spp. e Bacterioides spp (2,5). Na citologia do fluido pleural, o
neutrófilo foi o tipo celular predominante nos exsudatos sép-
ticos em todos os casos. As bactérias foram visualizadas em
todos esses casos, de modo livre ou sofrendo fagocitose; os
neutrófilos degenerados também foram um achado comum
Gráfico 1: Distribuição percentual das etiologias dos casos de felinos
que apresentaram efusão pleural, no período de setembro de 2000 a (3 casos).
maio de 2009 no HV da UnB. A efusão quilosa foi encontrada em três casos. Em um dos
casos, essa efusão foi secundária à cardiomiopatia dilatada e
no outro caso foi secundário ao linfoma mediastinal. Em um
animal, não foi encontrada causa de base para o quilotórax,
podendo então tratar-se de um caso de quilotórax idiopático.
O linfoma mediastinal foi a etiologia de efusão pleural
mais comumente encontrada neste estudo, embora no estudo
realizado por Davies e Forrester (5), o linfoma mediastinal te-
nha sido segunda causa de efusão pleural. Foram observados
oito casos, cuja idade média foi de 3,6 anos, variando de 1 a
9 anos. Desses animais, cinco foram testados para a presença
de antígeno do FeLV (SNAP® combo teste) e todos se mos-
traram positivos.
O fluido pleural resultante dos casos de linfoma medias-
tinal foi transudato em um caso (12,5%), transudato modifi-
cado em dois casos (25%), exsudato em quatro casos (50%)
Gráfico 2: Sinais clínicos e achados físicos apresentados nos felinos
atendidos com efusão pleural, no período de setembro de 2000 a maio e efusão quilosa em um caso (12,3%). O linfócito foi o tipo
de 2009 no HV da UnB. celular predominante no fluido pleural em todos os oito ca-

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sos (100%). A observação de linfócitos reativos na citologia do pelo histórico, alterações clínicas e achado de hiperglo-
esteve presente em cinco análises (62,5%) e a leucofagocitose bulinemia sérica. Em um dos casos a necropsia foi feita que
foi achado em três casos (37,5%). ratificou o diagnóstico clínico de PIF, sendo evidenciadas
A efusão pleural causada por neoplasia pulmonar foi lesões piogranulmatosas distribuídas por todos os órgãos.
observada em quatro casos. Os animais acometidos por essa Os dois animais acometidos com essa afecção tinham 5 anos
afecção tiveram em média 13,2 anos, variando de 10 a 16 de idade, diferente do que relatou Davies e Forrester (2),
anos, similar ao estudo feito por Davies e Forrester (2), cuja cuja a idade média de gatos acometidos pela PIF foi de 2,9
idade média foi de 14 anos. A idade média desses animais anos.
foi significantemente mais alta da média de todos os ani- Nos dois casos encontrados a efusão pleural foi do tipo
mais avaliados com efusão pleural. Isso provavelmente se transudato. O tipo de fluido produzido não se mostrou na
deve ao fato das neoplasias serem mais comuns em animais forma clássica, que seria o exsudato (8). As concentrações
idosos. Dos animais com neoplasia pulmonar, três tinham proteicas foram relativamente baixas embora, macrosco-
histórico de tumor de mama (75%), definindo o diagnósti- picamente, o líquido tivesse características relacionadas
co de efusão pleural secundária à metástase pulmonar. Um com a doença, como coloração amarelada e aspecto lím-
dos animais não tinha histórico nem apresentação clínica pido.
de tumor de mama; mas havia sido feita a citopatologia do Em dois casos o diagnóstico da causa de base da efusão
fluido pleural sugerindo o diagnóstico de adenocarcinoma pleural foi inconclusivo. Nesses casos, o tipo de efusão era
como causa da efusão pleural. O animal veio a óbito e a do tipo transudato. Ambos os animais vieram a óbito. Porém,
necropsia não foi realizada, por isso o diagnóstico foi suges- em nenhum caso foi feito exame de necropsia, e a causa de
tivo de neoplasia primária pulmonar ou metástase pulmo- base permaneceu desconhecida.
nar, já que nenhuma neoplasia primária foi diagnosticada.
O tipo de efusão gerada pela neoplasia pulmonar variou Conclusão
de transudato em um caso (25%), transudato modificado em A efusão pleural deve ser considerada em felinos de qual-
dois casos (50%) e exsudato em um caso (25%). quer idade que apresentam, principalmente, dispneia. Em-
Um único caso de efusão pleural causado por cardiomio- bora diversas etiologias possam gerar efusão pleural, esta
patia foi observado nesse estudo. O animal tinha 10 anos e deve ser pesquisada, a fim de estabelecer o diagnóstico,
apresentava dispneia grave como primeira apresentação clí- tratamento e prognóstico. A radiografia e toracocentese são
nica. O animal veio a óbito e, durante o exame de necropsia suficientes para o diagnóstico de efusão pleural. A análise
foi diagnosticado cardiomiopatia dilatada, e a etiologia não do líquido pode proporcionar informações importantes e, em
foi identificada. Nesse caso, a efusão gerada foi o quilotórax. alguns casos, pode ser diagnóstica.
No estudo realizado por Davies e Forrester (2), não houve ne- Embora o prognóstico de felinos com efusão pleural seja
nhum caso de cardiomiopatia dilatada sendo que, a terceira reservado, o médico veterinário deve lançar mãos de todas
etiologia de efusão pleural nesse estudo foi a cardiomiopatia as possibilidades de tratamento para obter a cura ou pelo
hipertrófica. menos aumentar a expectativa de vida do paciente, que
O diagnóstico sugestivo de peritonite infecciosa felina quando proporcionado com qualidade de vida, é extrema-
(PIF) foi observado em dois casos. O diagnóstico foi sugeri- mente valorizada pelos proprietários.

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