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para-o-ensino-medio

Publicado em NOVA ESCOLA 08 de Novembro | 2018

Políticas públicas

Conheça as novas Diretrizes


Curriculares para o Ensino Médio
Foram oito votos a favor e um contra
NOVA ESCOLA

Crédito: Getty Images

A Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou nesta quarta-feira (8
de novembro) as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do Ensino Médio. O documento estava
em discussão pelo órgão em paralelo ao debate sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da
etapa, e atualiza seu formato.

O documento prevê até 20% da carga horária do Ensino Médio possa ser feita na modalidade
Educação a Distância (EaD), chegando a 30% no Ensino Médio noturno. Para a Educação para Jovens e
Adultos (EJA), o texto permite até 80%.

Após a consulta pública, que se encerrou em outubro, os conselheiros incluíram que a modade EaD
seja realizada "preferencialmente" sobre o chamado conteúdo diferenciado, ou seja, o conteúdo
utilizado nos 40% da carga horária flexível, já prevista pela reforma do Ensino Médio. O documento
indica que a modalidade não presencial pode cobrir o conteúdo comum e a parte optativa.

LEIA MAIS CNE: os desafios e as expectativas para a Educação no Brasil

A esperança dos conselheiros é de que o novo documento dê conta de suprir, de alguma maneira, as
lacunas deixadas tanto pela lei de reforma do Ensino Médio quanto pelo próprio texto da BNCC. De
acordo com a assessoria do CNE, o texto, em sua íntegra, estará disponível para o público somente na
próxima terça-feira (13 de novembro).

Principais pontos abordados pelas Diretrizes

Uma das medidas polêmicas que foram aprovadas é a possibilidade de oferta à distância de até 20%
da carga horária do Ensino Médio diurno e 30% no Ensino Médio noturno. Veja, a seguir, os principais
pontos abordados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais:

Os currículos serão compostos por formação geral básica (contemplada pela BNCC) e initerário formativo. A
formação geral básica é composta pelas competências e habilidades previstas na Base Nacional Comum
Curricular (BNCC) (ainda sob análise), organizadas por áreas de conhecimento: Linguagens e suas tecnologias;
Matemática e suas tecnologias; Ciências da Natureza e suas tecnologias e Ciências Humanas e suas tecnologias;

A formação geral básica deve ter carga horária total máxima de 1800 horas, que podem ser divididas entre
todos os anos do Ensino Médio ou somente em parte deles (com exceção dos estudos de Língua Portuguesa e
Matemática);

A interdisciplinaridade é reforçada em diferentes momentos. Estudos e práticas de diferentes disciplinas (Língua


Portuguesa e língua materna para as comunidades indígenas, Matemática, Geografia, Arte, Educação Física,
História, Sociologia, Filosofia e Língua Inglesa) devem ser contemplados, "sem prejuízo da integração e
articulação das diferentes áreas do conhecimento";

Outras línguas estrangeiras podem ser oferecidas em caráter optativo, assim como a oferta de outras
"competências eletivas complementares" também podem ser oferecidas pelas redes de ensino que quiserem,
como forma de ampliar a carga horária dos itinerários;

Os temas que devem ser abordados de maneira transversal são: respeito ao idoso, direitos das crianças e dos
adolescentes, educação para o trânsito, educação ambiental, educação alimentar, educação em direitos
humanos e educação digital;

Há cinco possibilidades de itinerários formativos que podem ser organizados pelas instituições (quatro se
aprofundando em cada uma das áreas de conhecimento e um quinto focado em formação técnica e
profissional). Todos os municípios devem oferecer pelo menos dois itinerários de áreas diferentes, e diferentes
instituições de ensino podem criar parcerias para garantir a oferta de diferentes itinerários. Os estudantes
poderão optar por mudar de itinerário ao longo do Ensino Médio (desde que haja oferta em sua escola ou rede)
ou cursar mais de um de maneira concomitante ou sequencial;

Os itinerários formativos têm quatro eixos estruturantes: investigação científica, processos criativos, mediação e
intervenção sociocultural e empreendedorismo. Entre esses quatro, pelo menos um deve ser indicado para
estruturar o itinerário (mas mais de um podem ser escolhidos);

O Ensino Médio noturno continua com, no mínimo, quatro horas de aula por dia letivo. A diferença é que, até
2022, a carga horária anual deve ser ampliada de 2.400 horas (800 por ano) para 3.000 (a mesma carga que o
ensino diurno). Para isso, será possível aumentar os anos letivos para mais de 3;

No Ensino Médio diurno, a carga horária deve ser ampliada gradativamente até chegar a 1.400 horas anuais
(aproximadamente 7 horas de aula por dia letivo);

O ensino a distância pode contemplar até 20% da carga horária total do Ensino Médio diurno e 30% do noturno.
Isso equivale a 200 horas anuais para as turmas diurnas e 300 horas para as turmas da noite. A recomendação
é que ele seja utilizado nos itinerários formativos, mas é possível aplicá-lo na formação básica. Na Educação de
Jovens e Adultos, é possível oferecer até 80% de sua carga horária a distância, tanto na formação geral básica
quanto nos itinerários formativos (desde que, segundo o documento, haja suporte tecnológico e pedagógico);

Os sistemas de ensino podem aceitar atividades que os estudantes realizarem fora da escola como
complementares à carga horária tanto da formação básica quanto dos itinerários. Aulas, cursos, estágios,
oficinas, atividades de extensão, pesquisa de campo, participação em trabalhos voluntários e outras atividades,
inclusive a distância, devem ser avaliadas e reconhecidas como parte da carga horária;

Profissionais com "notório saber" podem atuar como docentes do Ensino Médio apenas no itinerário de
formação técnica e profissional para ministrar conteúdos relacionados com sua formação ou experiência
profissional;

O Exame Nacional do Ensino Médio será reformulado para acontecer em duas etapas: uma que terá como
referência a BNCC e outra que utilizará os Referenciais para a Elaboração dos Itinerários Formativos (cuja
elaboração está a cargo do Ministério da Educação).

Foram 8 votos a favor, uma abstenção e um voto contra (de Chico Soares, ex-presidente do Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O texto segue para homologação
do Ministro da Educação, Rossieli Soares. A partir de sua publicação, o próprio ministro e sua equipe
terão 3 meses (registrados pelas DCNs) para elaborar os Referenciais para a Elaboração dos Itinerários
Formativos.

LEIA MAIS Qual é o futuro para a Base do Ensino Médio?

O Ensino a Distância na Educação Básica é uma das iniciativas defendidas pelo presidente eleito Jair
Bolsonaro, que defende a sua necessidade para atender locais mais remotos. Muitos educadores
argumentam, entretanto, que o processo de aprendizagem envolve a convivência com outros alunos e
diretamente com os professores.

Leia a seguir a íntegra da nota divulgada pelo CNE:

"Após dois anos de intensos trabalhos, a Câmara de Educação Basica - CEB do CNE aprovou por
esmagadora maioria (8 votos a favor, 1 contra e 1 abstenção) o parecer e a minuta de resolução
propostos pelo relator Rafael Lucchesi,e aperfeiçoados em 6 sessões da Comissão/Câmara nesta
semana, com mais de 17 horas de discussões ao longo de quatro dias. As melhorias incorporadas ao
texto foram fruto das mais de 90 contribuições recebidas ao longo do período de consulta pública. A
CEB seguiu todos os trâmites tradicionais do CNE para documentos desta natureza. Assim sendo, a
maioria dos conselheiros entendeu que não havia motivo para postergar sua aprovação, legando ao
País um importante documento orientador para a implementação da reforma do ensino médio
brasileiro, que vem sendo discutida desde o início desta década pelos mais diversos governos.

Eduardo Deschamps - Presidente da Comissão do Ensino Médio da CEB/CNE".


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