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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS


DISCIPLINA: INICIAÇÃO A ANTROPOLOGIA – 2016.1
PROFESSORA: MARCIA LEILA
DISCENTE: ANTONIO ANDRESON DE OLIVEIRA SILVA

FICHAMENTO DE CONTEÚDO

CLASTRES, Pierre. 'O Arco e o Cesto'. In: A Sociedade contra o Estado. São Paulo: Cosac &
Naify, 2003.

 O Texto de Clastres inicialmente aborda uma diferenciação entre os papeis sociais da


figura feminina e masculina em uma tribo indígena fazendo ainda uma relação de
diferença não apenas entre os papeis que são executados em formas de ações
cotidianas de acordo com o gênero, mas também como esses papeis podem variar de
acordo com a tribo, tal como a cultura construída pelos sujeitos que ali habitam.
 A construção, o território são características que desde cedo traçam o futuro dos
jovens indígenas no grupo dos guayaki ao serem iniciados ainda crianças em suas
atividades cotidianas os papeis de masculino e feminino são definido cedo. A mulher
gestora da família possui um território denominado acampamento, o homem cujo
trabalho principal é sobreviver de tudo que a floresta pode prover, como principal
provedor deve aprender a ser um caçador, fazendo da infância um processo de preparo
para a vida adulta e as responsabilidades dos papeis que sobre caem na vida das
meninas e meninos da tribo guayaki em constante diferença dos nômades. Sendo a
materialização desses papeis os instrumentos de caça (arco) e instrumento de colheita
(cesto) cuja regra de probidade inicial entre os sujeitos seria os homens não tocar nos
cestos das mulheres e as mulheres não manipularem os arcos dos homens fazendo
assim uma exata divisão de tarefas no meio social da tribo.
 Essa introdução estabelecida por Clastres no inicio do texto servi para primeiro definir
as concepções de gênero no grupo dos guayaki para depois apresentar uma analise de
que a cultura estabelecida por um grupo possa definir os papeis que são atribuídos a
esses sujeitos que fazem parte desse grupo ao destrinchar a história do arco e da cesta
ambos como representação dos papeis construídos de homem e mulher o autor insere
dois personagem cujas histórias se diferem do “comum”. Chachubutawachugi, viúvo
andava com o cesto que uma mulher havia lhe dado por falhar como caçador
obstruindo assim o acesso as mulheres por ter tido sua identidade masculina
parcialmente destituída. Krembegi, sodomita já se encontrava no “campo simbólico do
cesto” ou seja, ele já assumiu uma identidade que pra ele já era certa, mesmo
considerado homossexual no grupo não havia uma chacota por seu comportamento,
diferente de Chachubutawachugi que havia “perdido” sua masculinidade porém
assumia o seu cesto mesmo não usando como as mulheres usavam ou como Krembegi
se apropriou dessa maneira, Chachubutawachugi estava ali para provar que existia
mesmo não sendo mais considerado um homem.
 Continuando com as relações dos papeis de masculino e feminino dentro da aldeia
Pierre ainda cita o “canto” das mulheres como um rito que “... Quase sempre trazia
uma atmosfera de morte ...” [adaptado, pag. 129] poderia ser utilizado também como
uma saudação ao caçador que ao chegar com o alimento retribuí emitindo um “canto”
improvisado e quase sempre na intenção de alto se exaltar.
 Além do medo por se torna pane expressão utilizada ao homem que perdeu sua honra
dentro do grupo tal como o Chachubutawachugi haviam dentro do grupo outras
probidades como o fato de que o caçador não poderia servir de sua própria caça
entrando assim em um processo de reciprocidade já que a caça era distribuída entre
sua mulher e filhos e demais membros do grupo, o homem sempre estava dividindo
sua caça com o outro homem uma vez que essa era uma lei dentro da cultura e jamais
poderia ser quebrado e se acontece-se o mesmo perderia sua honra, masculinidade
direito a usar o arco, além de dividir sua comida o homem guayaki também submetia-
se a dividir sua mulher com um outro homem uma vez que o número de mulher era
inferior a quantidade de homens na tribo, estabelecendo assim uma outra lei de ondem
social na qual o homem deveria dividir sua mulher para que possa existir um
equilíbrio.
 Concluindo a abordagem teórica apresentada pelo autor podemos ver como ele utiliza
os recursos de uma tribo primitiva e sua ordem em comparação a tribo dos Axés a
ponto de comprovar as diferentes culturais e sociais ali vivenciadas e como as várias
formas de vermos o comportamento do homem quando inserido em um ambiente em
que a natureza da sobrevivência o faz aceitar o outro, mesmo que não por satisfação,
porém em prol de uma ordem, vemos nos guayaki como seus ritos e crenças firmaram
e identificaram suas culturas e como devemos aprender a utilizar desses mesmos
dados para nos reconhecer em nossos papeis e suas reais importância.