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Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE Departamento de Letras – DL Disciplina: Tradições Líricas da Literatura Portuguesa do Século XIX Professor: Antony B. Cardoso Estudante: Emmanuel Tiago Cardoso Corrêa de Araújo

Resumo

Texto 1 – Carrossel

( Antônio Cândido – Caderno de Análise Literária)

No presente texto o autor faz a análise do poema O Rondo dos Cavalinhos escrito em meados da década de 1930 pelo poeta Manuel Bandeira. São analisados os elementos estruturais do texto e também o contexto histórico de sua produção.

O autor inicia sua análise oferecendo elementos do contexto histórico, a segunda guerra italo-etíope (1935-1936), discussão sobre o fim da poesia no Brasil diante do caráter pragmático da vida moderna, a forma como se fazia política no Brasil e a partida de Alfonso Reyes, poeta e embaixador mexicano, a quem o poema é dedicado.

Segue para análise da estrutura apontando primeiro a forma do poema, um rondó. Que corresponde a uma forma fixa medieval de origem francesa como o rondel. No rondó dos cavalinhos Bandeira faz algumas alterações a esta forma. Continua com a análise pontuação, destacando o fato de que todos os versos são pontuados, denota as rimas e as combinações entre versos e vai para a métrica, identificando versos heptassilábicos ( redondilha maior), e entrelaçando pontuação, rima e métrica nos mostra como o poema reproduz uma espécie de galope. Conclui que sua percepção de galope está correta e pode ser identificada gramaticalmente no poema, indicando o uso do diminutivo em cavalinhos como uma forma de humanizar os animais e o uso do aumentativo em cavalões como uma forma de atribuir um comportamento animal aos seres humanos. Neste ponto, deixa claro que tomou como base apenas o dístico do estribilho e vai para análise dos outros dísticos, separados do estribilho por reticências.

Não acha ligação entre os demais dísticos, mas aponta a contradição entre eles que geram o irônico e o patético. Aponta ainda a ironia no fato de Bandeira ter usado numa forma fixa medieval uma linguagem popular, trazendo mais contraste indicando a desfiguração das coisas provocadas pelo modo de vida burguês.

Texto 2 – Pastor Pianista/ Pianista Pastor ( Antônio Cândido – Caderno de Análise Literária)

A interpretação de Cândido ao poema de Murilo Mendes O Pastor Pianista inicia-se pela advertência de que poemas que seguem a versificação tradicional tendem a levar o analista a se prender aos aspectos estruturais e deixar de lado o que realmente o poema pode significar, sua mensagem mais profunda. Já os poemas não-convencionais, afirma Cândido, nos levam direto para o nível de análise do significado.

O autor inicia sua análise buscando caracterizar sua linguagem marcada por ambiguidades, sendo a primeira o próprio título. Estar-se-ia falando de um pastor que toca piano ou um pastor que apascenta pianos? O poema é marcado pelo efeito supressa, que realiza-se na sequência: divergência → ruptura → surpresa . Trata-se de uma pastoral fantástica cujos elementos naturais foram trocados ( prado – deserto/ rebanho – pianos).

O poema se desenvolve entre o surreal e o arcaico, ao piano são atribuídas ações que

não pode praticar, o homem culto apascenta objetos modernos, a congruência poética aumenta de forma diretamente proporcional ao absurdo instalado.

A partir do verso 9 passa a existir uma correspondência entre o enunciado e a lógica

usual. A ambiguidade e os paradoxos instalados trazem o homem comum a luz das artes, ao belo.

Texto 3 - Três Poemas sobre o Êxtase ( Leo Spitzer)

O autor inicia seu texto citando o poeta Karl Shapiro que em seu artigo “adeus à crítica”,

contexto o uso de poemas como objeto de estudos linguísticos, apontando a poesia como

linguagem sui generis, que encerra-se em si mesma, que só pode ser entendida como poesia. Shapiro vê a poesia como lugar da não-palavra, lugar onde as não-palavras unem-se e ganham por meio da prosódia um sentido-além-do-sentido.

Spitzer continua afirmando que fará justamente o que Shapiro condenou: explication de texte. Afirma que é comum ao crítico ter que lidar com a revolta dos poetas como resposta as atividades próprias de sua prática. Segundo o autor tal atitude não seria compreendida pelos poetas românticos, que tratavam em suas obras de sentimentos universais, e que além do mais trataram de explicar suas obras. No entanto desde a descoberta do gênio original, no século XVIII, que falavam de si e não do universal, o sentido irracional de poesia tem sido mais sublinhado pelos poetas.

Reconhece o direito do poeta de defender a natureza irracional de sua poesia contra toda tentativa de explicação racional. Todavia, lembra que a linguagem é um sistema racional e irracional , que é alçado pelo poeta ao plano irracional, mas não deixa de manter seus laços com a racionalidade. Para ele a poesia são palavas dotadas de conotações racionais e irracionais que se transformam por meio do que Shapiro chama de prosódia.

Toma como exemplo o problema de Shapiro “Nostalgia” para exemplificar como buscar o racional dentro do irracional, mostrando como Shapiro recorre frequentemente a conotações usuais, prosaicas. Conclui afirmando que a poesia “consiste em palavras cujo sentido é preservado e que pela magia do poeta alcança um sentido-além-do-sentido” ; determina ainda como tarefa do filólogo assinalar como se deu a transfiguração. Finaliza dizendo que a irracionalidade do poema não precisa ser perdido pelo crítico, que deve trabalhar juntamente com o poeta traçando o caminho do irracional ao racional.