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23º CBECiMat - Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais

04 a 08 de Novembro de 2018, Foz do Iguaçu, PR, Brasil

TECNOLOGIAS E INOVAÇÕES PARA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

I. B. da Cunha1; L. B. da Cunha2
1
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
2
Laureate International Universities - UNIRRITER

E-mail: iasminy.cunha@acad.pucrs.br

RESUMO

Através de uma pesquisa exploratória, o presente trabalho tem por finalidade


apresentar tecnologias e inovações para tornar a construção civil uma atividade
menos impactante ao meio ambiente desenvolvendo projetos que usam
racionalmente os recursos naturais, sem deixar de atender as necessidades humanas.
Uma construção sustentável busca satisfazer as necessidades humanas, ajustando-
as às condições naturais locais, aplicando de forma sustentável os recursos,
buscando sempre não esgotá-los e assim, preservando para gerações futuras. Sendo
assim, essa pesquisa traz alternativas de materiais e tecnologias que podem ser
empregados na construção de unidades habitacionais sustentáveis, que visam um
melhor conforto térmico, acústico, lumínico, captação e utilização da água da chuva,
tratamento e reuso da água, entre outros. Tornando assim acessíveis informações
sobre os ecomateriais, que muitas vezes são vistos como materiais caros, devido à
falta de informação sobre o assunto.
Palavras-chave: Construção; Inovação; Sustentabilidade; Tecnologias.

INTRODUÇÃO

Com o passar dos anos as preocupações com as questões ambientais estão se


tornando cada vez maior, já que o homem está sentindo na pele os prejuízos que
causou a natureza. Sendo assim, aos poucos, ele toma consciência do seu impacto
sobre o mundo e a escassez dos recursos naturais e percebe que é preciso mudar
seu modo de vida.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2017), a sociedade atual consome 30%
a mais do que o planeta tem capacidade de renovar, ou seja, não vivemos de forma
sustentável. Por isso, em alguns locais do mundo, já surgem às consequências como
falta de água, poluição urbana, aquecimento global e esgotamento de recursos
naturais. Para modificar esse quadro, é preciso trazer para o dia a dia soluções
sustentáveis que gerem menor impacto ambiental.

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Com isso, é possível perceber a importância da realização de estudos, que visem


melhorar a qualidade de vida e minimizar os danos causados pelo ser humano
(CUNHA, 2016). A sociedade vem buscando medidas mitigadoras para diminuir o
impacto ambiental ocasionado pelo setor da construção civil, tais como:
desenvolvimento de produtos que não agridem o meio ambiente, reutilização de
recursos naturais, racionalização do uso de energia, utilização de sistema para reduzir
o consumo de água e reciclagem de materiais.
Investir em construções sustentáveis, vai além de garantir lucros e economia de
recursos. É garantir um futuro melhor para as próximas gerações que virão.

METODOLOGIA

A pesquisa sob o ponto de vista da sua natureza pode ser classificada como
aplicada, pois, tem como objetivo gerar conhecimento para a aplicação prática,
dirigidos à solução de problemas específicos, envolvendo verdades e interesses locais
(MENEZES; SILVA, 2005).
Já sob o ponto de vista da abordagem do problema esse trabalho é considerado
como uma pesquisa exploratória, pois ela é realizada em área com conhecimento
limitado e sistematizado. Por isso, foi realizado uma pesquisa bibliográfica
caracterizando as tecnologias e inovações para construção sustentável, para orientar
as tomadas de decisões em futuros projetos construtivos, para que assim, seja
possível promover uma Arquitetura de Baixo Impacto Humano e Ambiental - ABIHA.

OS IMPACTOS AMBIENTAIS GERADOS PELA CONSTRUÇÃO E A


NECESSIDADE DE CONSTRUIR DE FORMA SUSTENTÁVEL

A indústria da construção civil é um dos setores mais importantes na economia


brasileira, pois é responsável por 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB), além de ser
um dos setores que mais geram empregos diretos e indiretos (FIGUEREDÔ, 2017).
Em 2017 devido à crise econômica Brasileira o setor da construção civil encolheu 6%,
segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil - CBIC (OTTA, 2017).
Mas apesar de toda a sua importância no desenvolvimento econômico e social
do país, o setor é responsável por uma grande parcela dos impactos ambientais
(FARIA et al., 2015). A construção civil utiliza 60% das matérias primas disponíveis no

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planeta (CAMPOS, 2012). É responsável por 30% das emissões de carbono, sendo
que o parque edificado consome 42% da energia produzida (JALALI; TORGAL, 2010).
Sendo assim, é necessário tornar a construção uma atividade sustentável. E
para isso ocorrer, devem-se utilizar materiais e tecnologias que melhoram a condição
de vida do ser humano e diminua o impacto gerado durante todo o processo
construtivo (GUERRA; LOPES, 2015).

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVIES

Não existe material de construção civil com impacto ambiental nulo. Na busca
pela diminuição do impacto ocasionado durante o processo de fabricação dos
materiais, foram lançados materiais sustentáveis, ecológicos ou também conhecidos
como eco materiais. De acordo com Araújo (2007), material ecológico é todo artigo
que, artesanal, manufaturado ou industrializado, de uso pessoal, alimentar, comercial,
agrícola e industrial, seja não-poluente, não tóxico, notadamente benéfico ao meio
ambiente e a saúde, contribuindo para o desenvolvimento de um modelo econômico
e social sustentável. Estes materiais não possuem normas técnicas. Tendo falhas na
comprovação que sua composição é ambientalmente amigável. O IBF (Instituto
Falcão Bauer), de São Paulo, em parceria com o IDHEA (Instituto para o
Desenvolvimento de Habitação Ecológica), lançou o Selo Ecológico Falcão Bauer
como objetivo de certificar a idoneidade desses materiais.
A classificação destes materiais inicia-se com aqueles aceitáveis, que indicam
baixo impacto ambiental (pré-ecologia), que se encontram no caminho da
sustentabilidade (pró-ecologia), aqueles feitos com matéria natural e de baixo
consumo de energia (básico), os que cumprem as exigências de fabricação e um item
social (master) e os mais abrangentes, cujas empresas aliam ações ambientais e
sociais (plus). Por isso, para construção se tornar mais sustentável devemos utilizar
materiais e tecnologias que melhoram a condição de vida do ser humano e diminua o
impacto gerado durante todo o processo construtivo (CUNHA, 2011).

Aço

Segundo Cunha (2011), aço é uma liga metálica formada por ferro e carbono.
Ele é um material homogêneo que não emite substâncias que agridem o meio
ambiente, e podem ser classificado de acordo com à: quantidade de carbono,
composição química, constituição micro estrutural e sua aplicação.

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De acordo com o Centro Brasileiro de Construção em Aço (CBCA), ele é um


material que proporciona um progresso mais eficiente da construção, visto que os
componentes, na sua maioria, são produzidos fora da locação. O tempo de construção
é mais curto e minimiza as inconveniências na vizinhança. Os usuários podem ocupar
a edificação mais rapidamente, visto que a economia de tempo reduz os custos de
investimento e permite que os encargos financeiros sejam amortizados mais rápido
(CUNHA, 2011).
Com a utilização do aço é possível a implantação de soluções de isolamento
interno, que trazem benefícios em relação ao consumo de energia. O seu baixo peso,
permite a construção de edificações com inércia térmica, o que proporciona uma
construção praticamente sem sistemas de aquecimento, onde o conforto durante os
meses calor é proporcionado através da circulação livre do ar.

Alvenaria

De acordo com Cunha (2011), alvenaria é a construção de estruturas e de


paredes utilizando unidades unidas entre si por argamassa. Estas unidades podem
ser de blocos cerâmicos, concreto e solo-cimento. Porém, na busca pela construção
sustentável devemos utilizar blocos de concreto ou de solo-cimento, pois esses dois
materiais durante seu processo de fabricação não emitem poluentes, por que eles não
utilizam a queima para a sua fabricação.

Cerâmica

A cerâmica existe a cerca de dez a quinze mil anos, é o material mais antigo
produzido pelo ser humano, é uma palavra de origem grega: kéramos, que significa
terra queimada ou argila queimada é um material de alta resistência. A cerâmica é
uma mistura de argila as outras matérias primas inorgânicas, queimadas em
temperaturas elevadas (CUNHA, 2011).
A placa cerâmica pode ser utilizada para os revestimentos de pisos, paredes, na
forma de azulejos, ladrilhos e pastilhas. Os principais benefícios da utilização das
cerâmicas são: proteção contra infiltrações externas, maior conforto térmico no interior
das edificações, boa resistência às intempéries e à maresia, proteção mecânica de
grande durabilidade, longa vida útil e fácil limpeza e manutenção.
Além disso, ela pode ser reciclada através da reutilização dos resíduos sólidos
da fabricação. Os resíduos originários do processamento do azulejo, através da

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biqueima, constituem peças finas, porosas e frágeis. São reciclados para a moagem
a úmido, onde são misturados a outras matérias primas para a obtenção da massa
cerâmica (CUNHA, 2011).
O resíduo de pavimentos gresificados é o resíduo sólido do processo de
fabricação do revestimento cerâmico, descartado por quebras ou defeitos visuais e
dimensionais, que inviabilizam sua utilização. A cerâmica já queimada não é
biodegradável por reagir ao calor ou à chuva, tendo como única saída ecologicamente
correta à reciclagem (MENEZES, 2002). Segundo Cunha (2011), os resíduos de
pavimentos gresificados passam por um processo mais complicado de reciclagem,
por terem características mais resistentes e maior densidade devido ao processo de
monoqueima onde as peças são queimadas até 1.220ºC. Métodos inovadores de
reciclagem de pavimentos gresificados utilizam o resíduo sólido moído a seco,
transformado em pó, e depois misturado à massa cerâmica, num índice de reutilização
de 3% dos resíduos.
A reciclagem diminui o impacto ambiental e os custos de produção das empresas
caem, pois os próprios resíduos são reutilizados como matéria-prima, retornando ao
início do ciclo de produção da cerâmica de revestimento (BÓ; SILVA; OLIVEIRA,
2009).

Cimento

Cimento é um material inorgânico finamente moído que, quando misturado com


água vira uma pasta que, se une aos agregados para preencher os vazios formados.
Depois de endurecido, torna todo o conjunto resistente. Segundo Giammusso (1992),
ele é um produto constituído por silicatos e aluminatos de cálcio, e é obtido através de
moagem e mistura de calcário e argila, essa mistura será aquecida em forno com
temperaturas de até 1500ºC, após o seu resfriamento essa mistura produzirá o
clínquer, que é moído com gesso, resultando no Cimento Portland. Porém, Giuliana
Capello afirmou a revista Arquitetura e Construção, que a produção de cada tonelada
de clínquer libera na atmosfera a mesma quantidade de dióxido de carbono. O que
torna a indústria de cimento responsáveis por 5% das emissões mundiais de gás
carbônico (CUNHA, 2011).
A medida para tentar combater o tamanho do impacto no aquecimento global é
reduzir a porcentagem de clínquer na fabricação do cimento. Essa medida começou
a ser realizada na fabricação do CPIII, o qual substitui uma parte do clínquer por

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escórias de siderúrgicas, material que sobra da fusão do minério de ferro, coque e


calcário. O CPIII existe em nosso país, desde a década de cinquenta, ele encontra-se
disponível na região Sudeste, onde se localizam os principais fabricantes de aço, o
produto reaproveita 70% dos resíduos gerados pelas siderúrgicas (CUNHA, 2011). O
CPIII tem uma durabilidade maior e seu valor é inferior aos outros cimentos
disponíveis no mercado, ele é resistente, estável e impermeável comprado ao cimento
comum, pois seu processo de hidratação ocorre mais lentamente.

Cobertura

A cobertura tem como principal função, proteger o espaço interno da edificação


das intempéries do ambiente exterior, também concedendo aos usuários privacidade
e conforto. Existem no mercado várias opções de produtos para a realização do
fechamento da cobertura, tais como: telhas cerâmicas, de concreto, fibrocimento e
vidro, mas as que ganham destaque pelo seu papel ambiental são as telhas
ecológicas, a qual utiliza material reciclado de tubo de creme dental e o telhado verde,
que apresenta uma alta taxa de permeabilidade.
Além disso, segundo Cunha (2011) essas telhas eliminam a concentração de
calor, evitando a dilatação e protegendo a edificação contra trincas e proporcionam
um excelente conforto acústico e térmico.

Drywall

De acordo com Barbosa (2015), o drywall é uma tecnologia que substitui as


vedações internas convencionais de edifícios. Consiste de chapas de gesso
aparafusadas em estruturas de perfis de aço galvanizado. Essas chapas são
fabricadas industrialmente mediante um processo de laminação contínua de uma
mistura de gesso, água e aditivos entre duas lâminas de cartão. Este sistema deve
ser utilizado somente em ambientes internos das construções, para o fechamento
externo, o sistema deverá utilizar perfis de aço estruturais e chapas cimentícias.
Existem no mercado três tipologias de placas, e são classificadas de acordo com o
seu uso (CUNHA, 2011):
• Normais: (padrão ou standard), para paredes sem exigência específica;
• Resistentes à umidade: tratadas com produtos hidrófugos;
• Resistentes ao fogo: possuem aditivos para retardar a liberação de água da
chapa, evitando o colapso da peça.

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A utilização do drywall na obra garante uma flexibilidade para projetos, alívio de


cargas na estrutura, limpeza no canteiro de obra, rapidez na execução, acabamentos
sem trincas, conforto térmico e acústico.

Madeira

Nos últimos anos são cada vez mais frequentes as notícias sobre as queimadas
e desmatamento no território nacional para a implantação de projetos agropecuários,
projetos urbanísticos, extrativismo vegetal ou exploração mineral. Para os
empresários do setor madeireiro e da construção civil, a floresta Amazônica é grande
fonte de matéria prima, acredita-se que cerca de 40% a 80% da produção madeireira
da Amazônia é ilegal. E para a continuação dos empreendimentos é necessário a
manutenção ao longo prazo (CUNHA, 2011).
De acordo com o Manual da Madeira, elaborado pelo IPT (Instituto de Pesquisas
Tecnológicas), 80% da produção de madeira da Amazônia é destinada ao mercado
interno brasileiro, sendo que o Estado de São Paulo é o maior consumidor. Outros
Estados da Federação engrossam essa necessidade, que tende a aumentar. A oferta
de matéria-prima, centraliza-se principalmente em poucas espécies, exercendo uma
pressão muito grande sobre as florestas nativas. Diante deste quadro é recomendável
a aquisição de madeira certificada pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC) e de
fontes controladas (MANUAL MADEIRA, 2011), pois elas são obtidas de florestas
plantadas, ou seja, de árvores que foram cultivadas para serem extraídas, sendo
assim para desenvolverem-se elas transformaram o CO 2 em oxigênio, através da
fotossíntese, usando a água e energia solar, realizando o sequestro de carbono, um
dos gases causadores do efeito estufa.

Tintas e vernizes

De acordo com Cunha (2011), a tinta é uma composição química formada pela
dispersão de pigmentos numa solução ou emulsão de um ou mais polímeros, que, ao
ser aplicado na forma de uma película fina sobre uma superfície, se transforma num
revestimento, ela adere com a finalidade de colorir, proteger e embelezar. Quando a
composição não contém pigmentos, é denominada verniz. Eles tem como função
revestir superfícies, proteger e embelezar imóveis e produtos industriais, além de
sinalizar estradas, ruas e aeroportos.

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As tintas são classificadas como: arquitetônicas, industriais do tipo Original


Equipment Manufacturer (OEM) e especiais. Além disso, elas podem ser classificadas
quanto à formação do filme protetor e a secagem ou cura: lacas, produtos látex,
produtos termoconvertíveis, sistemas de dois componentes e tintas de secagem
oxidativa. As matérias-primas básicas para a produção de quase todos os tipos de
tintas são constituídas pelas resinas, pigmentos, solventes e aditivos (GUIA TÉCNICO
AMBIENTAL DE TINTAS E VERNIZES - SÉRIE P+L, 2006).
Todas essas matérias-primas e processo de fabricação geram impactos
ambientais, tais como: efluentes líquido, resíduos, emissão atmosféricas de
compostos orgânicos voláteis e materiais particulados. Por isso, as indústrias vem se
preocupando como uma produção mais limpa, lançando produtos mais ecológicos,
menos poluentes e com menos odores. Esses produtos, são a base de água e
produzidas a partir de pigmentos naturais ou vegetais.

Vidro

O vidro é uma substância inorgânica, amorfa e homogênea, resultante da fusão,


pelo calor, de óxidos ou de seus derivados e misturas, tendo como seu principal
constituinte a sílica ou o óxido de silício, que, pelo resfriamento atingi a uma condição
de rigidez, mas sem sofrer cristalização. Inicialmente ele tinha como objetivo filtrar a
luz e proteger contra incidente, mas com o passar dos anos e com o avanço
tecnológico o vidro se tornou o suporte de comunicação entre o mundo interior e o
exterior (CUNHA, 2011).
O vidro se tornou uma peça chave da arquitetura para melhorar o conforto
térmico das residências e trazer mais segurança a seus moradores. Devido a suas
propriedades multifuncionais a utilização do vidro pode ocorrer de diversas maneiras:
pode ser utilizado de maneira estrutural, através de vidros duplos com persianas
embutidos, vidro curvo, entre outros. A maneira em que o vidro foi sendo utilizado ele
acabou dando lugar a um produto com inúmeras funções e de grande caráter
decorativo.
Como o vidro é 100% reciclável, no momento do processo poupamos nosso meio
ambiente da retirada de matérias primas necessárias para produção, diminuindo as
emissões de dióxido de carbono na atmosfera, consumindo menos energia.

SISTEMA DE APROVEITAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL

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O sistema de aproveitamento de água pluvial é uma tecnologia sustentável, para


captação e aproveitamento da água da chuva a partir da cobertura de qualquer
tipologia construtiva. O sistema consiste em recolher, filtrar, armazenar e disponibilizar
esta água para uso em área externa ou interna, de acordo com as recomendações da
Norma 15.527 da ABTN – Associação Brasileira de Normas Técnicas.
A viabilidade do uso da água pluvial em edificações é caracterizada pela
diminuição da demanda de água fornecida pelas companhias de saneamento, tendo
como consequência a diminuição de custos com a água potável e a redução do risco
de enchentes em caso de chuvas fortes (FENDRINCH, 2002).
Os componentes para a captação e armazenamento da água dependem das
características das edificações, mas são compostos, basicamente, da área coletora;
calhas e tubulações, as quais transportam o material até o local de reservação; peças
para a filtragem e limpeza da água, que retém materiais sólidos e impurezas; bombas
de recalque que lançam a água da chuva para um reservatório superior. Este, por fim,
distribui para os pontos de abastecimento desejados.
Porém, além de aproveitar a água pluvial, as louças, metais e acessórios
empregados no acabamento da construção sustentável devem ser escolhidos visando
a redução do consumo e o desperdício de água. Sendo assim, devem-se instalar:
equipamentos hidráulicos que apresentam controle do fluxo de água por meio de
sensores de presença, arejadores na bica das torneiras para reduzir o volume de
passagem de água, bacias sanitárias de descarga inteligente que reduzem o consumo
de água, através da válvula duoflux e os chuveiros e duchas devem ser instalados
com o registro regulador de vazão (CUNHA, 2011).

ENERGIA RENOVÁVEL

A utilização abusiva das fontes de energia de origem de combustíveis fósseis,


como o petróleo, o carvão, o gás natural e o urânio, contribuem grandemente para a
libertação de dióxido de carbono para a atmosfera trazendo consequências
desastrosas para o planeta, como as chuvas ácidas, o aquecimento global e a redução
da camada de ozônio (CUNHA, 2011).
Para diminuir o impacto ambiental gerado pelo consumo, criou-se um plano de
eficiência energética que, consiste em usar menos energia para fornecer a mesma
quantidade de valor energético. No Brasil 42% da energia consumida é utilizada por
edificações residenciais, comerciais e públicas, Lamberts et al (1997) apud Sala

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(2006), afirmam: “se os arquitetos e engenheiros tivessem mais conhecimento sobre


a eficiência energética na arquitetura, ao nível do projeto ou da especificação de
materiais e equipamentos, esses valores poderiam ser reduzidos. Além de evitar a
necessidade de maior produção de eletricidade no país, isso retornaria em benefícios
aos usuários, como economia nos custos da obra e no consumo de energia”.
Atualmente a energia renovável mais utilizada é a solar, e os processos são o
aquecimento de água e a geração fotovoltaica de energia elétrica. Onde o
aproveitamento da iluminação natural e do calor para aquecimento de ambientes, é
obtido através da absorção da radiação solar nas edificações, reduzindo-se, com isso,
as necessidades de iluminação e aquecimento.

CONCLUSÃO

A proposta deste trabalho foi apresentar tecnologias e inovações para tornar a


construção civil uma atividade menos impactante ao meio ambiente. O
desenvolvimento sustentável se tornou uma enorme preocupação devido ao consumo
excessivo dos recursos naturais, geração de resíduos e poluição, entre outros.
Para resolver esses problemas foram apresentadas novas tecnologias, eco
produtos e materiais desenvolvidos por empresas interessadas na preservação do
meio ambiente. A busca pela preservação ambiental deve-se iniciar desde a
concepção de projetos até a fase final.
Para grandes edificações ou habitações de baixo custo podem ser adotados
sistemas que visem à preservação como armazenamento de água pluvial, reuso de
água, dispositivos economizadores, captação de energia solar, utilização de eco
telhas e madeira certificada.
A estrada do desenvolvimento sustentável é longa. Podemos começar a
percorrê-la através de algumas atitudes tais como, utilizar a água e energia elétrica
de maneira consciente, sem desperdício, reciclar o lixo e reaproveitar materiais são
pequenas maneira de começar a adotar a sustentabilidade em nosso lar.

REFERÊNCIAS

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TECHNOLOGIES AND INNOVATIONS FOR SUSTAINABLE CONSTRUCTION

ABSTRACT

Through an exploratory research, the present work has the purpose of presenting
technologies and innovations to make civil construction an activity less impacting to
the environment by developing projects that rationally use the natural resources, while
attending to human needs. A sustainable construction seeks to satisfy human needs,
adjusting them to the local natural conditions, applying in a sustainable way the
resources, always trying not to exhaust them and thus, preserving for future
generations. Thus, this research brings alternatives of materials and technologies that
can be used in the construction of sustainable housing units, aiming at better thermal,
acoustic, lighting comfort, rainwater harvesting and utilization, water treatment and
reuse, among others. This makes information about eco materials accessible, which
are often seen as expensive materials due to lack of information on the subject.

Keywords: Construction; Innovation; Sustainability; Technologies.

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