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RELATÓRIO DE PARTICIPAÇÃO DO SIMPÓSIO DE PATRIMÔNIO

Amanda Lourenço Maciel RGA: 2017.2101.054-8

A Rua 14 de Julho tem um valor histórico muito agregado, na urbanização da


cidade teve como função a ligação da Estação Ferroviária com a Avenida Afonso
Pena, a principal da cidade, sendo uma das rotas mais movimentadas, mas que nos
últimos anos acabou sofrendo com o abandono, tanto em relação a sua
infraestrutura quanto ao seu uso, que acabava sendo somente durante o dia
acarretando na falta de segurança durante a noite e um abandono ainda maior por
parte da população.

Durante o IX Simpósio Estadual de Educação Patrimonial e III Seminário


Municipal de Patrimônio Cultural foi realizada a visita guiada pelo Reviva na Rua 14
de Julho, rua histórica da cidade que passa por obras para a requalificação do
centro de Campo Grande/MS, iniciada por esta rua, mas que abrangerá ruas
transversais e paralelas na região central.

Na visita tivemos noções em relação ao projeto completo da Rua 14 de julho,


composto por mudanças de mobilidade urbana, infraestrutura de rede,
acessibilidade e mobiliário urbano, afim de privilegiar a circulação de pedestres
definido como mercado consumidor. Entretanto algumas dessas mudanças geraram
muitas críticas, tanto dos comerciantes quanto da população campo-grandense em
geral, principalmente em relação a mobilidade.

A rua apresentava-se antes do início das obras com calçadas estreitas,


irregulares – com diferenças de altura – e sem acessibilidade em todos os pontos,
com três faixas de rolamento para carro e duas de estacionamento, uma de cada
lado da via. Agora se apresenta somente duas faixas de rolamento, com pontos de
parada – somente para carga/descarga e embarque/desembarque – definidos e
calçadas bem mais amplas. Entre as ruas Barão do Rio Branco e Marechal Candido
Mariano Rondon a pavimentação das ruas será feita com paver intertravado (figuras
1 e 2), que ajuda na drenagem, para causar a impressão de calçadão para os
usuários – a perspectiva é de que daqui alguns anos os próprios comerciantes
queiram torná-la pedonal.

Nas calçadas teremos a padronização dos pisos, em duas cores diferentes,


afim de trazer uma estética mais agradável além de passar a impressão de
continuidade. Elas abrigarão canteiros vegetativos (figura 3) além de Parklets de
concreto (figura 4) – para garantir maior conforto aos usuários e permitir ampliar o
tempo de permanência dos mesmos na região –, lixeiras e frades balizadores.

No projeto inicial os frades seriam os únicos elementos de indicação da


divisão calçada/rua, entretanto após a liberação de algumas quadras, carros
passaram a subir na calçada em lugares proibidos, sendo necessária a colocação de
um elemento prismático de concreto (figura 5) que limitará toda a calçada.
Outra mudança que agregará à estética da via é a retirada dos fios aparentes
de telefonia e energia, que passarão para o subterrâneo. Para a rede de energia
foram criadas caixas (figura 6) medindo 3m x 3m x 3m que abrigarão os
transformadores e postes mergulhadores nas ruas transversais. A ligação
acontecerá direto na fachada dos prédios e será protegida por caixas metálicas
(figura 7). Já para a telefonia foram instalados totens que abrigarão os equipamentos
de cada companhia telefônica – durante a visita foi informado que tentaram diminuir
ao máximo o tamanho do elemento, mas houve muita resistência por parte das
empresas fornecedoras.

O elemento descrito como o principal para a garantia da estética da via é o


paisagismo, que consta com projeto idealizado para florir o ano inteiro, separado
quadra a quadra, com árvores do cerrado como o Jacarandá.

O projeto também conta com a reimplantação do relógio (figura 8) que


décadas atrás fora retirado e “levado” para o cruzamento das avenidas Afonso Pena
e Calógeras – feito com as dimensões erradas –. Com a reimplantação ficarão dois
relógios, entretanto o novo vai fazer uma alusão à volumetria original, uma vez que
sua estrutura é metálica e exposta, sendo totalmente vazado.

80% das obras já foram concluídas e a inauguração está prevista para o dia
29 de novembro ainda deste ano. Entretanto pequenos “refinamentos” ainda serão
feitos após a inauguração, que acontecerá quatro meses antes do fim do contrato. A
manutenção de toda a estrutura ficará por conta da empresa executora das obras
durante um ano. Após isso a responsabilidade fica por conta dos proprietários de
lote em relação às calçadas. Por este motivo os idealizadores do projeto acreditam
que acabem sendo criados pequenos condomínios para a organização dos serviços.
Figura 1: Rua 14 de Julho com piso Paver

Figura 2: Colocação de piso Paver na Rua 14 de Julho


Figura 3: Canteiro vegetativo na calçada da Rua 14 de Julho

Figura 4: Parklets de concreto implantados na calçada da Rua 14 de Julho


Figura 5: Calçada da Rua 14 de Julho com elementos prismáticos de proteção

Figura 6: Caixas Subterrâneas para transformadores


Figura 7: Caixa metálica para proteção da fiação elétrica

Figura 8: Novo Relógio