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CONFORTO AMBIENTAL: TÉRMICO

SUMÁRIO

1. TIPOS / MODALIDADES DE CONFORTO ..................................................................................... 1

2. QUAL A IMPORTÂNCIA DO CONFORTO TÉRMICO ??................................................................. 1

3. BREVE HISTÓRICO DO CONFORTO TÉRMICO E DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DAS EDIFICAÇÕES .... 2


3.1 Arquitetura Vernacular ................................................................................................................. 2
3.2 Breve histórico .............................................................................................................................. 3
3.3 Período Gótico............................................................................................................................... 5
3.4 Renascimento ................................................................................................................................ 5
3.5 A Revolução Industrial................................................................................................................... 5
3.6 O Estilo Internacional .................................................................................................................... 6
3.7 A Crise de Energia.......................................................................................................................... 7
3.8 Arquitetura Contemporânea ......................................................................................................... 7
3.9 A Situação Atual ............................................................................................................................ 8
3.10 Conceito de eficiência energética Clássico x Conceito atual....................................................... 9
3.11 O papel do arquiteto ................................................................................................................... 9

4. CALOR E TEMPERATURA ........................................................................................................ 10


4.1 Temperatura................................................................................................................................ 10
4.2 Calor ............................................................................................................................................ 10
4.3 Formas de propagação de calor ............................................................................................... 11
4.4 Resumo das formas de troca de calor ......................................................................................... 16

5. EQUIPAMENTOS PARA MEDIÇÃO DAS VARIÁVEIS AMBIENTAIS............................................... 17


5.1 Termômetros............................................................................................................................... 17
5.2 Termômetros convencional ........................................................................................................ 17
5.3 Termometros digitais .................................................................................................................. 20

6. EXIGÊNCIAS HUMANAS QUANTO AO CONFORTO TÉRMICO .................................................... 21


6.1 O Organismo humano e a termorregulação ............................................................................... 21
6.1.1 o Metabolismo ..................................................................................................................... 21
6.1.2 A Termorregulação ............................................................................................................... 22
6.1.2.1 – Reação ao frio................................................................................................................. 23
6.1.2.2 Reação ao calor ................................................................................................................. 24
6.1.3 Mecanismos de trocas térmicas entre corpo e ambiente ....................................................... 26
1.1.4 Variáveis de conforto térmico humano ............................................................................... 26

7. VARIÁVEIS CLIMÁTICAS.......................................................................................................... 32
7.1 Climatologia................................................................................................................................. 32
7.2 Definição de Tempo e Clima ....................................................................................................... 32
7.3 Escalas Climáticas ........................................................................................................................ 32
7.4 Variáveis Climáticas ..................................................................................................................... 33
7.4.1 Radiação Solar ...................................................................................................................... 33
7.4.1.1 Movimento aparente do sol.............................................................................................. 33
7.4.2 Nebulosidade do céu ............................................................................................................ 35
Radiação Solar – Mesoclima e Microclima .................................................................................... 37
7.4.3 Temperatura......................................................................................................................... 38
7.4.4 Umidade ............................................................................................................................... 38
7.4.5 Ventos .................................................................................................................................. 38
7.5 Clima do Brasil ............................................................................................................................. 39
7.5.1 Clima Quente Seco ............................................................................................................... 40
1.5.2 Clima Quente Úmido ............................................................................................................ 43
7.5.3 Clima Temperado ................................................................................................................. 44

8. A CARTA BIOCLIMÁTICA ......................................................................................................... 46


8.1 Psicrometria ................................................................................................................................ 47
8.2 Zonas climáticas .......................................................................................................................... 48
8.3 Exemplo da carta bioclimática de Givoni para diferentes cidades ............................................. 49

9. VENTILALÇÃO NATURAL ......................................................................................................... 51


9.1 Por que ventilar ........................................................................................................................... 51
9.2 Forma e Orientação..................................................................................................................... 51
Nota: A cidade de Foz do Iguaçu possui orientação dos ventos dominantes sentido norte – sul.... 52
9.3 Projetar espaços fluidos .............................................................................................................. 52
9.4 Elementos que Direcionam o Fluxo do Ar para o Interior .......................................................... 52
9.5 Ventilação cruzada – ventilação horizontal ................................................................................ 53
9.5.1 Janelas e portas com bandeiras basculantes ....................................................................... 53
9.6 Efeito chaminé (ventilação vertical) ............................................................................................ 55
9.7 Peitoril ventilado ......................................................................................................................... 57
9.8 Redutor de velocidade ................................................................................................................ 58
9.9 Telhado ventilado ........................................................................................................................ 59

10.VARIÁVEIS ARQUITETÔNICAS ................................................................................................. 62


10.1 Localização ................................................................................................................................ 62
10.2 Orientação do edifício ............................................................................................................... 64
10.3 Forma ........................................................................................................................................ 64
10.4 Função ....................................................................................................................................... 66
10.5 Fechamentos da edificação ....................................................................................................... 67
10.5.1 Fechamentos Opacos ......................................................................................................... 68
10.5.1.1 Cálculo da resistência térmica total de um fechamento opaco ................................. 70
10.5.1.2 Transmitância térmica (U) .......................................................................................... 70
10.5.1.3 Isolamento Térmico.................................................................................................... 71
10.5.1.4 Considerações finais ................................................................................................... 72
10.5.2 Fechamentos transparentes.......................................................................................... 72
10.5.2.1 Orientação e tamanho ............................................................................................... 73
10.5.2.2 Tipos de vidros ........................................................................................................... 74
10.5.2.3 Uso de proteções solares internas ou externas ......................................................... 78
Conforto Ambiental: Térmico

1. TIPOS / MODALIDADES DE CONFORTO

TIPOS / MODALIDADES DE
OBJETOS DE ESTUDO DISCIPLINAS
CONFORTO
TÉRMICO → TEMPERATURA; Conforto Térmico
QUALIDADE DO AR → OXIGÊNIO / IMPUREZAS – ventilação Conforto Térmico
HIGRONÔMICO → UMIDADE DO AR; Conforto Térmico
→ LUZ – ILUMINAÇÃO – como é percebida através
do sistema ocular – olhos, no sentido de haver luz
LUMÍNICO adequada à visão para executar determinada tarefa. Conforto Lumínico
Também chamado de conforto Visual por alguns
autores.
→ SOM – quantidade e qualidade (ecos,
ACÚSTICO Conforto Acústico
reverberações e reflexões);

2. QUAL A IMPORTÂNCIA DO CONFORTO TÉRMICO??


Inicialmente tinha a seguinte importância:
• Aumentar a satisfação e a produtividade do trabalhador;
• Melhorar qualidade dos produtos;
• Evitar desconforto que causa acidente;
• Evitar doenças;
• Reduzir gastos de energia;
• Reduzir adicionais de insalubridade e periculosidade;
• Outros...
Atualmente é visto como forma de garantir o conforto do usuário sem gasto excessivo de energia
elétrica, reduzindo assim os impactos ambientais.

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3. BREVE HISTÓRICO DO CONFORTO TÉRMICO E DA EFICIÊNCIA


ENERGÉTICA DAS EDIFICAÇÕES

3.1 Arquitetura Vernacular


É todo o tipo de arquitetura em que se empregam materiais e
recursos do próprio ambiente em que a edificação é construída. Desse
modo, ela apresenta caráter local ou regional.
A arquitetura vernacular é uma arquitetura prática e caseira,
facilmente tachada de arcaica e muitas vezes excluída do universo de
atuação presente.
Entretanto, a arquitetura vernacular seria a representação de
uma técnica construtiva e uma ideologia global de determinada cultura,
referindo-se sempre à tradição local e à sabedoria popular; ligando-se, de
certo se modo ao folclore.
É uma arquitetura sem arquitetos, cujo resultado possui valor,
embora não tenha sido regida pelos cânones ditos civilizados ou
acadêmicos.
Com o tempo, a palavra foi sendo empregada para designar tudo
aquilo que é próprio de um país ou nação, sem estrangeirismos.

O termo “arquitetura vernacular” é amplamente discutido,


também denominada conforme o caso exige de "anônima",
"espontânea", “popular”, "indígena", "rural", “informal”, “autóctone”
entre outros. Weimer (2012) lembra que o vocábulo vernáculo provém do
latim vernaculu, que originalmente designava o escravo nascido na casa
do senhor. O termo vernáculo é o usado quando os autores brasileiros se
referem às manifestações construtivas do povo, mas, como Weimer
explica, é um qualificativo mal-empregado quando se refere à arquitetura.
Para Weimer, o termo mais apropriado é popular, cuja origem latina é
populus. Weimer explica, “populus, designava o conjunto dos cidadãos
que excluíam, por um lado, os mais privilegiados [...], e, por outro lado, os
menos afortunados, a plebe, dos despossuídos”. Donde conclui que, em
seu sentido mais direto, significa aquilo que é próprio das camadas
intermediárias da população. O autor considera o termo arquitetura
popular o mais correto para referir-se ao saber do povo. Deste modo,
define arquitetura popular como aquela que é própria do povo e por ele
realizada. Reforça tal consideração recordando que é também essa a
terminologia adotada nos países ibéricos. Já Teixeira (2017) comenta que
o termo "vernacular” é oriunda do latim "vernae", termo utilizado para
identificar a linguagem vulgar no Império Romano. Porém, como o termo
“vernacular” é consagrado será mantido no trabalho.

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3.2 Breve histórico


Desde o início da sua existência, o homem procurou a caverna
para se abrigar do sol e da chuva. Intuitivamente, ele aprendia a proteger-
se das agressões do meio. E com o passar do tempo, começou a tirar
partido dos recursos naturais para a construção do seu habitat, como a
utilização do sol.
No período clássico Vitruvio entendia a arquitetura como
“firmitas, utilitas y venustas”, ou seja, um espaço habitável onde deveria
equilibrar os aspectos estruturais, funcionais e formais. Nestes três
conceitos além das noções de estrutura da edificação, materiais,
componentes, funcionalidade e efeitos plásticos, pode-se observar a
preocupação com o clima e orientação das habitações. O conforto
ambiental já estava presente visto que as características térmicas,
lumínicas e acústicas de um ambiente denotam a funcionalidade do
espaço e dos elementos construtivos utilizados.

A arquitetura islâmica também pode ser citada como um


exemplo de preocupação em adequação das habitações com o
clima local. No norte da África, devido ao clima quente e seco –
caracterizado por temperaturas altas durante o dia e baixas à noite
– as edificações são dotadas de pátios, paredes espessas, com
poucas aberturas e pintadas de branco. Do mesmo modo que as
aglomerações urbanas se assemelham a um amontoado de
construções com circulações estreitas e muitas vezes sombreadas
(Fig. 01), expressando a preocupação em reduzir a exposição das
habitações aos raios solares durante o dia, e da mesma forma,
reduzir as perdas do calor acumulado, à noite.

Fig. 01 – A arquitetura islâmica – aglomerado de construções para proteção dos


raios solares durante o dia.
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Outro exemplo que encontramos na chamada arquitetura vernacular é o que ocorreu com
o povo de Mesa Verde, no deserto do Colorado, nos Estados Unidos, (Fig.02). As habitações
foram construídas nas encostas de pedra para que essas protegessem as moradias da
incidência dos raios solares no verão. Já no inverno, com a inclinação mais baixa do sol, as
habitações eram aquecidas durante o dia. O calor armazenado na rocha nesse período era
devolvido ao interior dos ambientes à noite, garantindo assim o conforto térmico.

Fig. 02 – Povo de Mesa Verde – Colorado – EUA: estratégias de inverno e verão

No norte da China, por exemplo, como o clima é muito severo, as edificações foram
construídas subterrâneas (Fig.03). São escolas, mercados, residências, tudo sob a superfície da terra.
Vista de cima, a cidade mostra apenas os pátios das casas. A temperatura abaixo da superfície do solo
é mais amena, compensando os extremos da temperatura do ar. (alta durante o dia e baixa durante a
noite).

Fig 03 – Casas subterrâneas no norte da China

No Brasil, encontramos na arquitetura portuguesa, as casas dos senhores de engenho


no Nordeste, as quais apresentaram como adaptação ao clima ensolarado as varandas, (Fig.
04). Estas desempenhavam excelente papel de espaço de transição entre o interior e o
exterior das edificações, funcionando como um ótimo protetor solar. Além disso, eliminavam,
quase que totalmente, a insolação das paredes externas da habitação.

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Fig. 04 – exemplo da arquitetura colonial brasileira – varandas com grandes


beirais para proteger dos raios solares.

3.3 Período Gótico


O Período Gótico foi marcado pelo trabalho do arquiteto junto com
o artesão. Nas catedrais góticas a maior parte dos problemas era resolvida
no local, ou seja, o conceber e o construir aconteciam simultaneamente.

3.4 Renascimento
Com a invenção da perspectiva por Bruneleschi, começa então a história do desenho
arquitetônico e, nesse momento, o arquiteto separa-se do artesão, e as concepções arquitetônicas
começam a mudar, deixando de ser bioclimáticas. Os projetos começaram a ser puramente formais.

3.5 A Revolução Industrial


Até a Revolução Industrial, o material mais utilizado nas construções era a alvenaria de pedra,
que dominou desde o Egito antigo até o século XIX. A partir de então, surgiram outros materiais, como
o aço e o concreto armado, que mudaram a maneira de conceber arquitetura.

Fig. 05 – Revolução industrial, surgem novos materiais em substituição a alvenaria de pedra.

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3.6 O Estilo Internacional


Os conceitos de arquitetura foram modificados no
período entre guerras, principalmente com as ideias do arquiteto
Le Corbusier de terraços jardins, planta livre, esqueleto estrutural,
pilotis.
Os avanços tecnológicos permitiram a criação de vãos
cada vez maiores, fazendo das fachadas um mero jogo de vazios,
sem a preocupação com os condicionantes do local onde estava
sendo inserida a edificação. As cortinas de vidro de Mies van der
Rohe se transformaram em ícones de edifícios de escritórios e seu
formalismo teve diversos seguidores. Como um símbolo de poder
esses edifícios foram se espalhando, assim como os sistemas de ar
condicionado e as megaestruturas de aço, vidro e concreto. As
preocupações com o conforto ambiental foram sendo deixadas de
lado, pois era mais cômodo utilizar sistemas artificiais de
iluminação e climatização para resolver os problemas depois de
construídas as edificações do que pensar nessas questões na fase
de projeto.

Uso indiscriminado de fachada de vidros e de ar condicionados.

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3.7 A Crise de Energia


Os sistemas de ar condicionado e iluminação artificial passaram a ser largamente utilizados, dando ao
projetista uma posição bastante cômoda perante os problemas de adequação do edifício ao clima.
Assim, não havia a preocupação de adaptar a arquitetura o clima.
Entretanto, com a crise de energia na década de 70, o pensamento dos projetistas começou a mudar,
pois a alternativa que se mostrava mais adequada naquela situação era aumentar a eficiência no uso
de energia. Foi constatado que era mais em conta financeiramente economizar energia do que
fornecê-la. Os projetistas começaram a conceber projetos que possibilitassem tanto conforto aos
usuários como uso racional da energia.
No Brasil, a crise do apagão afetou o fornecimento e distribuição de energia elétrica. Ocorreu
em 2001 e 2002, sendo causado por falta de chuvas, que deixaram várias represas vazias,
impossibilitando a geração de energia. Com o apagão as preocupações com o consumo energético
aumentaram no país, sendo adotadas políticas de diminuição de consumo. Começou a se incentivar o
uso de lâmpadas fluorescentes compactas, por exemplo.

3.8 Arquitetura Contemporânea


A partir do século XX a arquitetura passou a ter mais qualidade no que diz
respeito aos aspectos de eficiência energética e conforto ambiental. São vários
exemplos de arquitetura com a preocupação com a melhoria da qualidade das
edificações concebidas em diversos estilos como: pó-modernismo, high-tech,
construtivismo e desconstrutivismo.
Nicholas Grimshaw,
O Pavilhão de Sevilha, do arquiteto Nicholas Grimshaw, com sua poderosa cascata, fez com que o
edifico consumisse apenas um quarto de energia necessária se fosse climatizado artificialmente,

Pavilhão de Sevilha na EXPO-92: exemplo de preocupação com estratégias naturais de conforto.


A fachada do Instituto do Mundo Árabe do arquiteto Jean
Nouvel, foi revestida com dispositivos em forma de diafragma que
lembram a tapeçaria árabe. Estes elementos permitem criar
condições diferentes de iluminação dentro do ambiente, e oferecem
proteção contra o sol.
Jean Nouvel

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Instituto do Mundo Árabe com brise em destaque

A solução arquitetônica encontrada, por Normam Foster


para o Shangai Bank utiliza uma linguagem high-tech. A redução
para o consumo de energia em iluminação artificial foi encontrada
utilizando elementos refletores da luz natural que produzem
iluminação para os diversos andares do edifício.
Norman Foster

Shangai Bank

3.9 A Situação Atual


No Brasil, 42% da energia produzida é de edificações residenciais, comerciais e públicas. (dados de
1992). Só o setor residencial sozinho, representa 23% do consumo de energia elétrica no pais. Com o
crescimento populacional e o aumento de consumo de energia cada vez mais se torna inevitável a
construção de novas usinas, causando assim impactos ambientais.

Consumo energético do setor residencial, comercial e público no país.

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3.10 Conceito de eficiência energética Clássico x Conceito atual

3.11 O papel do arquiteto


Solucionar os problemas relativos ao conforto térmico requer esforços de diferentes frentes
de trabalho, atuando o arquiteto como coordenador das equipes. Somente elaborar o projeto
arquitetônico não é mais suficiente para o arquiteto atual. É preciso ter o conhecimento básico de as
áreas envolvidas em uma construção e o acompanhamento de todas as etapas.
Cabe ao arquiteto coordenar a interlocução dos vários profissionais com objetivo de melhorar
a eficiência energética de sua concepção arquitetônica.

Referência
FROTA, A. B. Manual de conforto térmico. 4. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2003.
LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo, 2014.
WEIMER, G. Arquitetura popular brasileira. São Paulo: Martins Fontes, 2012.
TEIXEIRA, R. B. Arquitetura vernacular. Em busca de uma definição. Arquitextos, São Paulo, ano 17, n. 201.01,
Vitruvius, fev. 2017. http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/17.201/6431. Acesso em: 20 mar.
2018.

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4. CALOR E TEMPERATURA

4.1 Temperatura
É a medida da agitação molecular de um corpo. Temperatura não é sinônimo de calor e não mede calor.
No caso do ar, define o grau de aquecimento do ar.

4.2 Calor

É energia em trânsito que se desloca do corpo de maior temperatura para o de menor temperatura. É a
energia transferida de um corpo para outro em virtude, unicamente, de uma diferença de temperatura
entre eles.
Ex: mão em copo gelado, utilizar um blusão de lã no frio

Fluxo do calor

Agitação molecular

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OBSERVAÇÕES:
 Em Física, não faz calor, pois é energia em movimento, diz-se que a temperatura está alta ou
baixa, ou seja: as moléculas estão mais agitadas ou menos agitadas.

Recordes de temperatura na Terra

− Temperatura mais alta: 57,7ºC


Local: Azizia, Tripolitania, Líbia
Data: 13 Setembro 1922

− O período climático quente mais longo: 38 ºC durante 162 dias consecutivos


Local: Martin Bar, Oeste Australiano
Data: 31 de Outubro, 1923 - 7 Abril, 1924

− Temperatura média anual mais alta: 34,4 ºC


Local: Dallol, Etiópia
Data: 1960-1966

− Período climático mais quente: 48,8 ºC ou mais durante 43 dias consecutivos


Local: Death Valley, Califórnia, EUA
Data: 6 de Julho - 17 de Agosto, 1917

− Temperatura mais baixa: -89 ºC


Local: Vostok, Antárctida
Data: 21 de Julho, 1983

− Temperatura mais baixa num local habitado: -68 ºC


Local:Oymyakon, Sibéria, Rússia
Data: 3 de Fevereiro, 1933

− Temperatura média anual mais baixa registrada: -56,6ºC


Local:Estação Pleasteau, Antárctida

4.3 Formas de propagação de calor

– O calor pode se propagar de 3 formas diferentes:

a) condução,

b) convecção e

c) radiação ou irradiação:

CONDUÇÃO − Propagação de calor na qual a energia térmica é transmitida de partícula para partícula,
mediante agitação e colisão dessas partículas. É a forma de propagação de calor que acontece com os
sólidos.
− O calor passa da região mais aquecida para a menos aquecida através de choques moleculares −
uma molécula (partícula) agitada bate na outra que bate na outra...;
− Não ocorre transporte de matéria; há somente transmissão de energia térmica (calor).

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Zoom

• Existem materiais que conduzem mais ou menos o calor. Essa propriedade é chamada de
CONDUTIVIDADE TÉRMICA.

Exemplo:

Material Condutividade térmica [W/(m.K)]

Cobre 398

Ferro 80,3

Vidro 0,72 - 0,86

Água 0,61

Madeira (pinho) 0,11 - 0,14

Espuma de poliestireno 0,033

Ar 0,026

a) CONVECÇÃO − Propagação de calor na qual a energia térmica é transmitida mediante o deslocamento


de moléculas que, ao serem aquecidas aumentam de volume, diminuindo assim a sua DENSIDADE
(kg/m³), com isso elas sobem e as mais frias descem. Ocorre com os fluidos (líquidos e gases). Provoca
o conhecido “efeito chaminé”
– Por exemplo: boia na água, aumento de volume com ar, tornando-se menos densas que a água,
assim como o poliestireno (isopor) e o gelo. O que é menos denso não afunda; gelo bóia por que
aumenta de volume.

EX: parafuso x navio, por que o parafuso afunda e o parafuso boia? O parafuso é maciço, já o navio
é “oco” tem ar no seu interior, sendo assim menos denso que a água.
− Ocorre transporte de matéria; é a própria molécula aquecida que se desloca.

A figura abaixo mostra de maneira esquemática o que ocorre com a água quando aquecida em uma
chaleira. A porção mais quente tem a densidade volumétrica diminuída, devido

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à dilatação; com isso, ela tende a subir transportando a energia térmica. Ao mesmo tempo, a porção
superior mais fria desce, formando correntes (representadas na figura) − são as denominadas
CORRENTES DE CONVECÇÃO.

CORRENTES DE CONVECÇÃO

Em regiões litorâneas, durante o dia sopram brisas marítimas e à


noite, brisas terrestres como esquematizam as figuras seguintes.
autora das imagens: Isabel Stensmann

O calor proveniente do Sol fornece calor tanto à costa continental


como ao mar. Contudo, como o calor específico da água é muito
maior do que a da terra, a temperatura na superfície da terra sobe
mais rapidamente que a da superfície do mar durante o dia. Então,
durante o dia a terra está mais quente que o mar, as correntes de
convecção vêm do mar para o continente.
À noite, quando a temperatura do ar abaixa, a temperatura da terra
também abaixa mais rapidamente do que a do mar. Durante a noite,
a situação se inverte, o mar fica mais quente do que o continente e
as correntes de convecção sopram da terra para o mar.

b) RADIAÇÃO OU IRRADIAÇÃO − Propagação de calor na qual a energia térmica é transmitida


através de ondas ELETROMAGNÉTICAS. A energia térmica emitida por um corpo (energia
radiante) propaga-se pelo espaço até atingir outros corpos. Os materiais destes corpos absorvem
a energia radiante e a transformam em calor − suas moléculas ficam agitadas.

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− Diferente dos 2 processos de propagação de calor anteriores (condução e convecção), a


irradiação não necessita de meio material (sólidos, líquidos, gases) para transmitir a energia
térmica. É o único processo que pode ocorrer no vácuo.
- Todos os corpos aquecidos emitem radiações térmicas que, ao serem absorvidas por um outro
corpo, provocam, nele, uma elevação de temperatura.
- O calor que recebemos do Sol chega até nós por radiação térmica, uma vez que entre o Sol e a
Terra existe vácuo.
− Por exemplo: no automóvel ao sol, os vidros deixam passar a energia radiante proveniente do
sol (ondas curtas = alta frequência), os materiais internos são aquecidos (absorvem a energia
radiante e a transformam em calor) e começam a emitir energia térmica radiante de ondas longas
(baixa frequência) que o vidro não permite passar (efeito estufa).
Exemplos: Desenhar: pessoa no sol; fogueira e pessoa.

Estas radiações, assim como as ondas de rádio, a luz, os raios X etc., são tipos de ondas
eletromagnéticas, capazes de se propagar no vácuo. Da grande gama de ondas eletromagnéticas
existentes, os raios infravermelhos são os que apresentam efeitos térmicos de maior intensidade.
Dependendo do meio material que encontram pela frente, tais raios podem continuar-se
propagando.

Um exemplo de aplicação da irradiação é a estufa de plantas. A luz solar (energia radiante) atravessa
as paredes transparentes de vidro e é absorvida por diversos corpos. Posteriormente, essa energia é
emitida na forma de raios infravermelhos que não atravessam o vidro (o vidro é um material opaco
para os raios infravermelhos). Dessa maneira, o ambiente interno mantém-se aquecido.

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Exemplos de Radiação

Radiação do Sol

Lareira

Radiação solar e o efeito estufa

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4.4 Resumo das formas de troca de calor

Tabela resumo
Forma de propagação Meio Exemplos
de calor
Condução Sólido - toque em superfícies de metal e de madeira;
- segurar um copo gelado ou quente.
Convecção Fluido (líquidos - aquecimento da água de uma panela;
e gases) - movimento do ar na geladeira;
- ar condicionado;
- aquecedor;
- lareira;
- chaminé.
Radiação Não necessita - raio solar;
de meio físico - fogo;
Ocorre no - lareira;
vácuo/ar - aquecedor;
- parede aquecida.

Referência
Imagens retiradas da internet com fins meramente ilustrativos.

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5. EQUIPAMENTOS PARA MEDIÇÃO DAS VARIÁVEIS AMBIENTAIS


(TEMPERATURA DO AR, TEMPERATURA RADIANTE, UMIDADE RELATIVA E VELOCIDADE DO AR)

Para projetar uma edificação é necessário entender o meio para que se possa ter conforto térmico. Do meio se pode
extrair os valores de temperatura do ar, temperatura radiante, umidade relativa e velocidade do ar (variáveis ambientais).
Para isso se utiliza os instrumentos como termômetro de bulbo seco, termômetro de globo, psicrômetro e o anemômetro.

5.1 Termômetros
São dispositivos destinados a medir temperatura (grau de agitação molecular).
Existem 2 tipos de termômetros: convencional e digital.

5.2 Termômetros convencional

A. COMUM – Composto por uma haste com 1 canal condutor da espessura de 1 fio de cabelo; e 1 bulbo com uma
substância termométrica que se expande e sobe com o aumento de temperatura; quando a temperatura baixa, a
substância se contrai e desce.

 Quanto à substância termométrica, pode ser:


– Vermelha ou azul: contém álcool com corante; mais rudimentares e baratos, porém precisos.
– Prateada: contém mercúrio (Hg); mais sofisticados e caros.

 Quanto à escala, pode ser:

– De -10 oC a 110 oC – temperatura da água (0–100 oC)


– para ambiente 100 oC é muito, o ideal é -10–60 oC
– De -30 oC a 50 oC – água não (0–100 oC)
– ambiente sim
(Sibéria -60/68 oC, água congela quando jogada para cima
– De 35 oC a 42 oC – ambiente não
– corpo – uso clínico: língua / ânus / braço (cabelos isolam)

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B. DE MÁXIMA E MÍNIMA – O termômetro de máxima e mínima registra as variações das temperaturas ocorridas,
em um ambiente num período de tempo. Ele nos fornece três valores: temperatura mínima, temperatura
máxima e a temperatura do momento.
Possui 2 termômetros convencionais com mercúrio:
• 1 sobe e não desce, marcando a temperatura máxima.
• outro desce e não sobe, marcando a temperatura mínima.
• Há 1 botão que zera as temperaturas marcadas.

C. PSICRÔMETRO – Possui 2 termômetros convencionais com mercúrio:


– TBS – Termômetro de Bulbo Seco: mede a temperatura do ambiente (ar).
– TBU – Termômetro de Bulbo Úmido: mede a temperatura devido à evaporação.
– O TBU tem uma mecha de pano que veste o bulbo;
– Quando for usar, molhar a mecha;
– Girar e a água começará a evaporar, retirando calor (processo endotérmico) do bulbo do termômetro e marcará
uma temperatura menor que a temperatura do ambiente.
– Quando o ambiente estiver úmido, evaporará pouco = diferença pequena entre as temperaturas marcadas nos
2 termômetros.
– Quando o ambiente estiver seco, evaporará muito = diferença grande entre as temperaturas marcadas nos 2
termômetros.

– O psicrômetro não mede a umidade relativa do ar.

Página 18
Conforto Ambiental: Térmico

– Os valores obtidos são colocados em uma planilha denominada Carta Psicrométrica para a verificação da umidade
relativa do ar.

Carta Psicrométrica
TBS (Temperatura de Bulbo Seco) + TBU (Temperatura de Bulbo Úmido) + Carta Psicrométrica = UR

− A taxa de umidade relativa (% UR) representa a quantidade de vapor de água no ar.

D. TERMÔMETRO DE GLOBO – Possui 1 termômetro convencional com mercúrio (prateado), tendo o bulbo
inserido em uma esfera de alumínio oca (com ar no seu interior) e pintada de preto.
– A cor preta e superfície fosca da esfera absorvem 98% dos raios infravermelhos;
– Mede a temperatura devido à absorção de energia radiante (propagação de calor por radiação). [−
Lâmpada de 250 W]

E. TERMÔMETRO DE RADIAÇÃO PORTÁTIL (INFRAVERMELHO)


Também conhecidos como Radiômetros.
Tem como objeto medir a radiação eletromagnética emitida pelo corpo em função de sua temperatura.

Página 19
Conforto Ambiental: Térmico

5.3 Termômetros digitais


- É um termômetro eletrônico. Alguns modelos possuem 1 sensor que serve para medir a temperatura em locais
de difícil acesso.
– É muito caro para ser usado para medir a temperatura ambiente.
– É multiescala − Brasil ºC - Celcius; língua inglesa ºF – Farenhait; 24ºC = 76,5.

MEDIDAS DAS VARIÁVEIS


– TERMÔMETRO DE GLOBO: Temperatura radiante;
– PSICRÔMETRO GIRATÓRIO: TBS / TBU = para achar umidade relativa do ar
– ANEMÔMETRO: Velocidade da corrente do ar – cm / segundo

1. ANEMOMETROS
Mede a velocidade do ar em m/s.
Há vários tipos de anemômetros, como o anemômetro com ventoinha, formado por hélices que se deslocam
com o movimento do ar ou o anemômetro com sensor.

Página 20
21

6. EXIGÊNCIAS HUMANAS QUANTO AO CONFORTO TÉRMICO

6.1 O Organismo humano e a termorregulação

6.1.1 o Metabolismo
A energia térmica produzida pelo organismo humano
advém de reações químicas internas, sendo a mais importante
introduzido no organismo sob a forma de alimentos, com o
oxigênio, extraído do ar pela respiração.
Esse processo de produção de energia interna é
denominado metabolismo.

O HOMEM É UM TEMPERATURA
ANIMAL INTERNA
HOMEOTÉRMICO* CONSTANTE
(37°C)

* Homeotérmico: capacidade de manter a temperatura corporal dentro de uma faixa (...)

Limites muito estreitos — entre 36,1 e 37,2°C —, sendo 32°C o limite inferior e 42°C o limite
superior para sobrevivência, em estado de enfermidade
• Organismo é uma máquina térmica com reações químicas internas:
32º36,1 a 37,2ºC→42ºC

O organismo, através do metabolismo, adquire energia. Cerca de 20% dessa energia é


transformada em potencialidade de trabalho. Então, termodinamicamente falando, a ―máquina humana
tem um rendimento muito baixo. A parcela restante, cerca de 80%, se transforma em calor, que deve ser
dissipado para que o organismo seja mantido em equilíbrio.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


22

Tanto o calor produzido como o dissipado dependem da atividade que o indivíduo desenvolve.
Em repouso absoluto — metabolismo basal* —, o calor dissipado pelo corpo, cedido ao ambiente, é de
cerca de 75 W.

* Metabolismo basal ou taxa metabólica basal é a quantidade calórica ou energética que o corpo utiliza,
durante o repouso, para o funcionamento de todos os órgãos, por exemplo, o coração, cérebro, pulmões, intestino,
etc.

6.1.2 A Termorregulação
Termorregulação é um termo que, em biologia, se refere ao conjunto de sistemas de regulação
da temperatura corporal de alguns seres vivos (em especial, dos mamíferos e das aves).
Esta regulação é exercida graças à coordenação entre a produção (termogénese) e libertação
(termodispersão) do calor orgânico interno.
EM GERAL, PODE-SE ASSOCIAR O CONFORTO TÉRMICO ÀS SITUAÇÕES ONDE SE TEM UM
MÍNIMO DE ESFORÇO FISIOLÓGICO PARA ADAPTAÇÃO AO AMBIENTE.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


23

6.1.2.1 – Reação ao frio


Quando as condições ambientais proporcionam
perdas de calor do corpo além das necessárias para a
manutenção de sua temperatura interna constante, o
organismo reage por meio de seus mecanismos automáticos -
sistema nervoso simpático - buscando reduzir as perdas e
aumentar as combustões internas.
A redução de trocas térmicas entre o indivíduo e
o ambiente se faz através do aumento da resistência
térmica da pele (ou redução da área exposta) por meio
da:
a) Vasoconstrição;
b) Arrepio
c) Tremor dos músculos
d) Curvar o corpo, fazer alguma atividade física,
ingerir bebidas quentes.

a) Vasoconstrição;
Causa um aumento da pressão sanguínea. Também possibilitará conservação do calor corporal,
em situação de baixa temperatura externa: os capilares contraem-se, forçando o sangue a circular a uma
maior distância da superfície cutânea, prevenindo uma transferência de energia para o meio externo.

b) Arrepio
Os pêlos levantados fazem com que uma camada de ar fique parada sobre a pele, funcionando
como isolante térmico. Desta forma, diminui a quantidade de sangue esfriado, o que evita uma maior
perda de calor do corpo.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


24

c) Tremor dos músculos


O grupo de músculos em volta dos órgãos vitais começam a
tremer em pequenos movimentos na tentativa de criar calor gastando
energia.

e) Curvar o corpo, fazer alguma atividade física, ingerir bebidas quentes.


Ao curvar o corpo se busca diminuir a superfície de contato
com o meio externo, evitando a troca de calor desnecessária.

Frio: aumento do metabolismo

6.1.2.2 Reação ao calor


Quando as perdas de calor são inferiores às
necessárias para a manutenção da sua temperatura interna
constante, os mecanismos termorreguladores são
acionados para proporcionar condições de troca de calor
mais intensa entre organismo e ambiente.
a) Vasodilatação periférica
b) Transpiração

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


25

a) Vasodilatação periférica

O processo de vasodilatação permite uma redução da pressão sanguínea, já que é disponibilizado


maior espaço para o sangue. Também possibilita (de acordo com mecanismos de termorregulação) perda
de calor para o exterior, em situação de elevada temperatura corporal: os capilares aproximam-se da
superfície cutânea, havendo uma transferência de energia para o meio externo.

b) Transpiração
Quando não há mais outras alternativas de termorregulação, o corpo busca a transpiração. A
transpiração ocorre com maior facilidade com o ar seco, pois evapora com maior facilidade.

Calor: Redução do metabolismo

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


26

6.1.3 Mecanismos de trocas térmicas entre corpo e ambiente


As trocas de calor entre o corpo humano e o ambiente pode ser resumida da seguinte forma:

1.1.4 Variáveis de conforto térmico humano


Podem se dividir em duas principais:
• variáveis ambientais;
• variáveis de natureza pessoal;
As variáveis ambientais se relacionam ao meio ambiente (temperatura do ar, temperatura
radiante, umidade relativa e velocidade do ar). Já as variáveis de natureza pessoal são aquelas que estão
diretamente relacionadas com o tipo de vestimenta e com a atividade física.
Unidade de medida Equipamento para medir (revisão)
a) Natureza ambiental:
• temperatura do ar - t; o
C Termômetro
• temperatura radiante - trm; o
C Termômetro de globo
• velocidade do ar - v; m/s ou km/h Anemômetro
• umidade relativa do ar ambiente - UR. % Higrômetro (não visto em aula) ou então
relacionar TBU e TBS na carta
psicrométrica
b) Natureza pessoal:
• tipo de vestimenta (isolamento térmico); clo - tabelas relacionando as atividades com o
metabolismo (ISO 7730)
• tipo de atividade física executada W (watts) - tabelas relacionando as atividades com o
(metabolismo) metabolismo (ISO 7730)

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


27

a) Natureza ambiental:
a.1) temperatura do ar - t;
a.2) temperatura média radiante trm
energia radiante - é a energia transmitida através dos elementos do ambiente: piso, teto, parede,
equipamentos no espaço interior, edifício, árvores
→ emitir energia radiante significa perder uma parte do calor. quando essa radiação é absorvida
por outro corpo, transforma-se em calor.

ELEMENTOS
QUE RODEIAM TEMPERATURA
O INDIVÍDUO SUPERFICIAL

TEMPERATURA MÉDIA TEMPERATURAS


RADIANTE SUPERFICIAIS - ÁREAS
MÉDIA
a.3) Velocidade do Ar
→ variável determinante da quantidade de calor transmitido por convecção.
→ também influencia nas trocas p/ evaporação
a.4) Umidade relativa do ar

umidade
perda de calor por +
evaporação velocidade do ar
→ umidade relativa tende a aumentar quando há diminuição de temperatura
→ umidade relativa tende a diminuir quando há aumento de temperatura
→ A baixa umidade relativa permite ao ar relativamente seco absorver a umidade da pele
(transpiração) rapidamente, e com isso, promover de forma rápida a remoção de calor do corpo.
Entretanto, se o ar está saturado, isto é, com o máximo de umidade que poderia permitir para
aquela temperatura, a evaporação não pode ser realizada e a pessoa começa a ganhar mais calor
assim que a temperatura do ar seja superior à da pele.

b) Natureza pessoal:
b.1) tipo de vestimenta (isolamento térmico);
- representa proteção contra as trocas térmicas.
É um isolante térmico pela camada de ar que mantém entre ela e a pele.
A roupa é um elemento que dificulta a remoção do calor do corpo, em virtude da sua resistência
térmica. A pele troca calor por condução, convecção e radiação com a roupa, que por sua vez troca calor
com o ar por convecção e com outras superfícies por radiação. Quanto maior a resistência térmica da
roupa, menor será suas trocas de calor com o meio.
• Diminui a troca térmica por convecção porque é um obstáculo ao movimento do ar junto à pele;
• Diminui o processo de evaporação do suor num grau que varia conforme a permeabilidade da
roupa ao vapor d'água. Quanto menor a permeabilidade da roupa, menor será a remoção de
calor por evaporação;

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


28

Resistência térmica de algumas vestimentas:

Normalmente quanto menor a temperatura, maior vai ser a necessidade de isolamento térmico
do corpo, ou seja, maior será a utilização de roupa para evitar a perda de calor para o meio ambiente.

Tabela: Resistência térmica de alguns itens do vestuário

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


29

Fonte: adaptado da ISSO 9920

Muitas vezes, além da questão climática, a questão cultural também influencia no uso de
vestimenta...

→ É possível calcular o isolamento térmico das vestimentas - icl pela fórmula:

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


30

ICL = ΣICLU ICL = ΣICLU


→ Os dados sobre o isolamento térmico de cada tipo de roupa estão na tabela 2.
→ A unidade adotada é o clo
EXEMPLO:
Calcular o isolamento térmico de uma roupa de verão composta por: camisa esporte de manga
curta, calça de trabalho de algodão, cueca de algodão, meias ¾ e sapatos.
• camisa esporte de manga curta = 0,17clo
• calça de trabalho de algodão = 0,24clo
• cueca de algodão = 0,04clo
• meias ¾ = 0,03clo
• sapatos = 0,05clo
O ISOLAMENTO TÉRMICO DA ROUPA SERÁ:
ICL = ΣICLU
ICL = 0,17 + 0,24 + 0,04 + 0,03 + 0,05
ICL = 0,53clo

b.2) tipo de atividade física executada


→ Quanto maior a atividade física, tanto maior será o calor gerado por metabolismo
Desenho esquemático relacionando o tipo de atividade exercida com o metabolismo

É importante ao arquiteto saber a função da sua arquitetura de forma a prever o nível de atividade
realizado no seu interior, obtendo assim algumas premissas sobre a sensação de conforto térmico das
pessoas. Em academias de ginástica, por exemplo, onde a atividade física é muito intensa, é recomendável
o uso abundante de ventilação (tanto para resfriamento quanto para higiene do ar). Já em uma sala de
aula, embora se deva ter boa ventilação, é necessário dosar os fluxos de ar de forma a evitar que
atrapalhem a atenção ou façam voar os papéis.

Tabela que relaciona a atividade física humana, com o metabolismo.

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31

FUNÇÃO DA ARQUITETURA

PREVER NÍVEL DE ATIVIDADE


REALIZADO

Referência
FROTA, A. B. Manual de conforto térmico. 4. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2003.
FUNDACENTRO. Conforto Térmico nos Ambientes de Trabalho. São Paulo, 1999.
LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo, 2014.
Fotos: retiradas da internet

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32

7. VARIÁVEIS CLIMÁTICAS
A análise climática do local que vai ser inserido a edificação deve ser efetuada antes da concepção
arquitetônica. Ela deve ser considerada com a mesma importância que o programa de necessidades. Uma
boa arquitetura deve satisfazer, além da forma e função, o conforto dos usuários e a eficiência energética.

7.1 Climatologia
Ciência que descreve, explica e classifica os climas, investigando seus fenômenos e influências.
- é um ramo da geografia física;
- baseia-se na meteorologia – ciência que estuda a atmosfera, o seu estado físico, dinâmico e químico e
as interações entre eles e a superfície terrestre subjacente: é o estudo cientifico do tempo.

7.2 Definição de Tempo e Clima


• TEMPO - é a variação diária das condições atmosféricas. Característica momentânea da atmosfera,
numa dada porção de tempo e em determinado lugar. Ex.: (a previsão do tempo hoje para Foz do
Iguaçu...)
• CLIMA - é a condição média do tempo em uma dada região, baseada em medições (de pelo menos
30 anos).
Obs.: Note que o tempo e clima NÂO estão relacionados SOMENTE com temperatura do AR, e sim
com todas “condições atmosféricas”.

7.3 Escalas Climáticas


O clima pode ser classificado quanto a área de abrangência; quanto a temperatura e quanto a umidade.
a) Quanto a área de abrangência:
- macroclima: são as características gerais de uma região em termos de sol, nuvens, temperatura,
ventos, umidade e precipitações. Essas variáveis são quantificadas em estações meteorológicas.
É o clima relativo a amplas áreas do planeta – regiões, como movimentos atmosféricos em larga
escala.
- mesoclima: influência das variáveis como vegetação, topografia, tipo de solo, obstáculos
naturais ou artificiais. Ex.: litoral, campo, florestas, vales, regiões montanhosas, cidades. É o clima
de áreas relativamente pequenas – 10 a 100 km de largura.
- microclima: o mais perto da edificação, pode ser alterado e concebido pelo arquiteto. É o clima
próximo a superfície, ou de áreas muito pequenas, com menos de 100 metros de extensão.
Quanto a temperatura
- quente: temperaturas médias anuais acima de 22ºC
- temperado: temperaturas médias anuas entre 16 a 18 ºC
- frio: temperaturas médias anuais entre 3 e 18 ºC
- polar: temperaturas médias anuais abaixo de 0 ºC
c) Quanto a umidade
- árido: pluviosidade média anual de 0mm a 250mm
- semi-árido: pluviosidade média anual de 250mm a 500mm
- semi-umido: pluviosidade média anual de 500mm a 1000mm
- úmido: pluviosidade média anual de 1000mm a 2000mm
- super-úmido: pluviosidade média anual acima de 2000mm

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


33

Obs.: note que a classificação do clima quanto a umidade considera a quantidade de chuvas e não
a umidade relativa do ar.

7.4 Variáveis Climáticas


As variáveis climáticas que mais interferem no espaço construído são:
• radiação solar
• nebulosidade do céu
• temperatura
• umidade relativa do ar
• sentido dos ventos

7.4.1 Radiação Solar


Radiação solar é a principal fonte de energia para o planeta. Tanto como fonte de calor, quanto
como fonte de luz, o sol é um elemento de extrema importância no estudo da eficiência energética.
O arquiteto pode tirar partido ou evitar a luz e o calor do sol em uma edificação, dependendo das
necessidades climáticas do lugar, tendo como premissas básicas o conforto térmico e visual dos usuários
e a economia de energia.

7.4.1.1 Movimento aparente do sol


Sol se movimenta ao longo dos dias ao redor da Terra, variando a inclinação dos raios em função
da hora e da época do ano.
LONGITUDE – é a medida em relação ao Meridiano de Greenwich – 0° a 180° a Leste ou Oeste.
LATITUDE – é a medida a partir da linha do Equador – 0° a 90° a Norte ou Sul.

O nosso planeta possui dois movimentos:


MOVIMENTO DE ROTAÇÃO – é o movimento em torno do seu eixo polar – responsável pelos dias e pelas
noites.
MOVIMENTO DE TRANSLAÇÃO - é a trajetória que a Terra percorre num plano inclinado de 23°27’ em
relação ao plano do Equador - define a posição dos trópicos, permitindo aos dois hemisférios terrestres
(norte e sul) receberem quantidades diferentes de radiação solar ao longo do ano, caracterizando as
estações.

O centro de gravidade da Terra gira em torno do sol formando um plano elíptico. Devido à
excentricidade da elipse, o planeta recebe uma variação do fluxo de energia solar, entre um máximo
situado no solstício de verão e um mínimo, no solstício de inverno, e mais dois momentos de equilíbrio
entre esses extremos, chamados de equinócio de primavera e equinócio de outono.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


34

Terra gira em torno do Sol num plano elíptico

Essa trajetória é percorrida pela Terra num plano inclinado de 23°27’ em relação ao plano do
equador. E é denominado movimento de translação. É esta inclinação que define a posição dos trópicos,
permitindo aos dois hemisférios terrestres (norte e sul) receberem quantidades diferentes de radiação
solar ao longo do ano, caracterizando as estações.

Inclinação da Terra em relação ao plano da elipse Exemplo de solstício de verão/inverno e de equinócio

A posição do sol na abóbada celeste pode ser definida através da altitude solar (γ) - ângulo
formado pelo sol e pelo plano horizontal da direção dos raios solares - e azimute solar (α). Esses dois
ângulos variam de acordo com as horas do dia e o período do ano, e podem ser obtidos com o auxílio das
Cartas Solares.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


35

Posição do Sol na abóbada celeste

A radiação solar pode ser dividida em direta e difusa. A parcela que atinge diretamente o planeta
é chamado de radiação direta e sua intensidade depende da altura do sol sobre o horizonte (altura solar
– γ) e do ângulo de incidência dos raios solares em relação à superfície receptora, que põe em evidência
a importância da orientação, a nebulosidade e também as impurezas do ar nas camadas baixas da
atmosfera, fato corrente nas cidades industriais.
Outro fator que influencia a quantidade de radiação solar que chega na superfície terrestre é a lei
do cosseno, a qual estabelece que a intensidade de radiação incidente em uma superfície inclinada é igual
à razão entre a intensidade normal e o cosseno do ângulo de incidência. Isso explica as diferenças entre a
intensidade do sol matinal e aquele do meio-dia, pois nas primeiras horas do dia as radiações incidem de
forma inclinada sobre a superfície, enquanto ao meio-dia a direção das radiações é perpendicular,
ocasionando uma maior concentração energética por área de superfície.

Lei do cosseno

Intensidade da radiação solar conforme o ângulo de


incidência

7.4.2 Nebulosidade do céu


O sol chega com uma intensidade quase invariável na camada externa da atmosfera, mas ao
penetrar nela, incide sobre os gases e moléculas que a compõem, os raios sofrem processos de absorção,
reflexão e difusão. Estes fenômenos modificam a quantidade de radiação direta que atinge a Terra,
transformando-se em radiação difusa. Os céus muito claros emitem pouca energia difusa, que aumenta
com a quantidade de nuvens, ou seja, quanto maior for a nebulosidade do céu, maior será a parcela
difusa. Esse tipo de radiação assume uma importância nos trópicos úmidos, devido à nebulosidade
característica desse clima.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


36

Exemplo de radiação difusa

Radiação solar difusa devido a umidade do ar.


A trajetória do sol em cada latitude e as características locais de nebulosidade e fenômenos
meteorológicos faz com que a abóbada celeste pareça mais ou menos luminosa durante o dia, em todo o
decorrer do ano. Sendo assim, de acordo com a região geográfica, a abóbada celeste pode ser:
→ Encoberta – céu totalmente coberto por nuvens, o qual o sol não está visível;
→ Parcialmente encoberta – 1/3 a 2/3 da superfície total do céu está coberto por nuvens;
→ Claro – céu coberto com nuvens com menos de 1/3 da sua superfície total

Céu claro, parcialmente encoberto e totalmente encoberto respectivamente

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


37

→ Radiação Solar – Mesoclima e Microclima


A radiação solar pode ser bloqueada por elementos vegetais e topográficos do local. As árvores com
folhas caducas, por exemplo podem sombrear a edificação no verão, enquanto que no inverno permitem
a passagem do sol. A vegetação pode interceptar cerca de 60% a 90% de radiação solar. Isso ocorre porque
o vegetal absorve parte da radiação para seu metabolismo - fotossíntese.

Árvore e radiação solar

Em escala microclimática a radiação é a maior contribuinte para o ganho térmico em edifícios, e pode
ser dívida em cinco partes:
1) radiação solar direta (onda curta)
2) radiação solar difusa (onda curta)
3) radiação solar refletida pelo solo e entorno (onda
curta)
4) radiação térmica emitida pelo solo aquecido e
pelo céu (onda longa)
5) radiação térmica emitida pelo edifício (onda
longa).

Trocas de calor em edifícios

As duas primeiras (1 e 2) são variáveis macroclimáticas. A radiação de onda curta refletida pelo
solo e pelo entrono (3) depende das características das superfícies refletoras - ALBEDO - variável
adimensional relativa a cada tipo de superfície refletora. Quanto maior o albedo maior a capacidade de
refletir a radiação. Ex.: grama tem albedo 0,2 – 20% radiação incidente é refletida. Após receber a
radiação solar, o solo se aquecerá, emitindo em seguida radiação térmica de onda longa (4). Este
fenômeno também ocorre com a edificação (5).
A radiação solar de onda curta que entra por uma abertura no edifício incide sobre os corpos, que
se aquecem e emitem radiação de onda longa. O vidro, sendo praticamente opaco à radiação de onda
longa, não permite que o calor encontre passagem para o exterior, superaquecendo o ambiente
interno. Este fenômeno é conhecido como efeito estufa.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


38

7.4.3 Temperatura
É a variável climática mais conhecida e de fácil medição. Sua variação depende dos fluxos das
massas de ar e das diferentes superfícies de recepção. Quando a velocidade do ar é pequena, a
temperatura é consequência dos ganhos térmicos solares do local. Depende das diferentes maneiras que
a radiação solar é recebida por superfícies como solo, vegetação, topografia, altitude do local. Quando a
velocidade do ar é alta, esses fatores praticamente não influenciam a temperatura. Os valores das
temperaturas médias, mínimas e máximas são obtidos através dos dados climáticos do Ano Climático de
Referência (TRY).
É importante que se saiba que uma mesma temperatura pode ocasionar sensações diferentes em
virtude de variáveis como a umidade do ar, o vento e a altitude do local.

7.4.4 Umidade
Se o conteúdo de água evaporada no ar é o maior possível, diz-se que o ar está saturado. Nesta
condição, qualquer quantidade de água a mais em estado de vapor condensará. É deste fenômeno que
se originam a névoa, o orvalho e a chuva. Quando o conteúdo de vapor de água no ar é menor que o
máximo possível para aquela temperatura, temos uma proporção, chamada de umidade relativa do ar. A
umidade relativa aumenta quando há diminuição de temperatura e diminui quando há aumento de
temperatura.
Nos locais com alta umidade, a transmissão de radiação solar é reduzida porque o vapor de água
e as nuvens a absorvem e redistribuem na atmosfera, refletindo uma parte de volta para ao espaço. Em
locais com ar muito seco, os dias tendem a ser muito quentes e a noites frias; já em locais úmidos, as
temperaturas extremas tendem a ser atenuadas.
A umidade do ar atua diretamente na capacidade de evaporação da pele. Conforme visto na aula
anterior, quando a umidade está muito alta, temos dificuldade em evaporar o suor, aumentando a
sensação de desconforto térmico.
Em regiões com clima seco, onde a umidade relativa do ar é muito baixa (inferior a 20%) deve-se
utilizar próximo à edificação espelhos de água, fontes, vegetação, com o objetivo de umidificar através da
evaporação das águas e evapotranspiração das plantas. Dessa forma, cria-se um microclima mais ameno
nas imediações do edifício.

7.4.5 Ventos
A direção e características dos ventos são determinadas pela distribuição sazonal das pressões
atmosféricas. Pressão atmosférica é a ação exercida pela massa de ar que existe sobre as superfícies.
A variação das pressões atmosféricas é em função:
• aquecimento em esfriamento das terras e mares (Diferença de temperatura entre massas de ar)
• temperatura do globo
• movimento de rotação da Terra
A Velocidade é medida nas estações meteorológicas com anemômetros e sua probabilidade de ocorrência
lida em diagramas tipo “Rosa dos Ventos”:

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


39

Rosa dos ventos


A variação da temperatura do ar no globo provoca deslocamentos de massas de ar, pois se a Terra
não girasse sobre si mesma, o movimento do ar seria constante e ascendente dos pólos para o Equador.
O movimento de rotação da Terra provoca uma força desviadora dessas direções - FORÇA DE CORIOLIS.
O resultado é 3 cintos globais de ventos em cada hemisfério: ALÍSEOS, OESTE e POLARES
• Os ALÍSEOS ou VENTOS TROPICAIS DE LESTE – são os mais importantes p/ Brasil,
originários nas regiões subtropicais de alta pressão.
• VENTOS DO OESTE – latitudes médias, origina-se nas regiões subtropicais de alta pressão.
• VENTOS POLARES – massas de ar frio nas regiões polares e árticas de alta pressão.

Diagrama dos ventos no globo terrestre

7.5 Clima do Brasil


Pode ter várias classificações, difere de autor para autor. Em aula, assumiremos a seguinte classificação
dada por FROTA (2003):
Quente semi-úmido – temperaturas médias superiores a 18°C, verão quente e chuvoso e inverno
quente e seco.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


40

Quente seco – região mais seca do país, temperatura acima de 27°C, chuvas escassas, fraca
nebulosidade, forte insolação.
Temperado – temperaturas médias abaixo de 20°C, chuvas bem distribuídas, inverno rigoroso nas
áreas mais elevadas
Quente úmido – temperaturas médias superiores a 22°C. nessa região a chuva é abundante.

7.5.1 Clima Quente Seco


O clima quente seco caracteriza-se por apresentar grande variação da temperatura durante o
dia. Exemplo: cidade de Brasília, onde a temperatura mínima (noturna) é de 15,4°C e a máxima (diurna)
de 30,7°C. Pode-se constatar que a arquitetura para este clima deveria possibilitar, durante o dia,
temperaturas internas abaixo das externas e, durante a noite, acima. Com base nisso, pode-se adotar
partidos arquitetônicos que tenham elevada inércia térmica, a qual acarretará num amortecimento do
calor recebido e um atraso no número de horas que esse calor levará para passar através das paredes da
edificação. É uma característica das paredes em virtude de sua massa térmica (peso e espessura) e do
seu revestimento.

Isolamento por inércia – atrasa a saída e a entrada de calor

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


41

Em relação às aberturas no projeto arquitetônico, estas devem ser pequenas, já que não há
necessidade de grande ventilação e também para evitar a radiação solar direta no interior do ambiente.
Também podem ser utilizadas proteções solares externas.

Casas com aberturas pequenas e com inércia térmica

As edificações devem estar próximas umas às outras para fazer sombras entre elas com o objetivo
de diminuir a exposição frente à radiação solar.

Edifícios agrupados em clima quente seco

A circulação urbana também pode ser planejada com características adequadas ao clima quente
seco. A malha urbana pode ser direcionada para que as ruas de maior largura sejam aquelas com direção
leste-oeste pois a inclinação dos raios solares ao longo do ano não atingirá tão intensamente as fachadas
voltadas para essas ruas.
Já em relação às ruas com direção norte-sul, estas devem ser mais estreitas, principalmente em
relação à altura dos edifícios, pois ocorrerá o sombreamento das edificações opostas e das ruas para os
pedestres.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


42

Orientação das ruas e sombreamento das construções

Outro fator que pode ser incorporado às construções de clima quente seco são espaços abertos
(pátios internos) que podem conter fontes, espelhos d’ água, chafarizes.

Casas com pátios internos

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


43

Brasília utiliza muitos espelho d’ água na parte externa das edificações, como no Palácio da
Alvorada.

Palácio da Alvorada e seu espelho d’ água


Nas regiões desérticas, onde há grande variação de temperatura entre o dia e a noite, é comum
encontrarmos construções pintadas de branco para a maior reflexão dos raios solares. As coberturas
geralmente são na forma de abóbadas, pois a superfície curva tem maior superfície para a transferência
de calor, facilitando a irradiação para o interior do ambiente durante a noite.

Cobertura em forma de abóbada em regiões de clima quente seco

1.5.2 Clima Quente Úmido


Com relação ao clima quente úmido, as decisões quanto ao partido arquitetônico são bem
distintas das adotadas para clima quente seco.
Nesse caso, a variação da temperatura durante um dia não é tão grande, por isso nas construções
devem ser adotadas paredes com inércia média a leve, pois isso dificulta a retirada do calor interno
armazenado durante o dia.
As aberturas devem ser grandes para permitir a ventilação principalmente à noite quando a
temperatura externa está mais baixa que a interna. Do mesmo modo, deve-se proteger as aberturas
frente à radiação solar direta, mas sem causar obstrução aos ventos.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


44

Típica casa em regiões com clima quente úmido


No que se refere ao arranjo das edificações nos lotes urbanos, elas devem estar dispostas de
modo a permitir que a ventilação atinja todos os edifícios e possibilite a ventilação cruzada nos seus
interiores. Isto significa que o partido arquitetônico deve prever construções alongadas no sentido
perpendicular ao vento dominante.

Esquema da ventilação urbana em climas úmidos

7.5.3 Clima Temperado


As decisões acerca do partido arquitetônico devem ser ponderadas a partir do grau de umidade
relativa do ar, da variação da temperatura anual e diária e da quantidade de radiação recebida nas duas
estações do ano mais importantes: inverno e verão.
Tendo em vista essas duas estações distintas, deve-se adotar alternativas que permitam a
ventilação cruzada no interior do ambiente no verão, bem como o fechamento hermético das aberturas
no inverno, impedindo a entrada dos ventos frios.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


45

Do mesmo modo, quanto à proteção das aberturas, estas devem levar em consideração a
exclusão da radiação solar no verão e a necessidade de incidência dos raios solares no inverno. Deste
modo, as proteções solares externas devem ser móveis.

Referência
FROTA, A. B. Manual de conforto térmico. 4. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2003.
LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. Eficiência Energética na Arquitetura. São
Paulo, 2014.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


46

8. A CARTA BIOCLIMÁTICA
A Carta Bioclimática de Olgyay foi desenvolvida a partir de estudos sobe os efeitos do clima sobre o
homem, quer ele esteja abrigado ou não, de zonas de conforto e de relações entre elementos de clima e
conforto. A carta apresenta duas variáveis: temperatura de bulbo seco e umidade relativa do ar.

Em 1969, Givoni concebeu uma carta bioclimática para edifícios que corrigia algumas limitações
do diagrama idealizado por Olgyay. A carta de Givoni se baseia em temperaturas internas do edifício,
propondo estratégias construtivas para adequação da arquitetura ao clima. Em 1992, Givoni concebeu
uma carta bioclimática adequada para países em desenvolvimento, tendo em vista que em seus estudos
percebeu que pessoas que moram em edifícios sem condicionamento e naturalmente ventilados aceitam
uma maior variação térmica.

A carta bioclimática adotada para o Brasil é a seguinte:


1) ZONA DE CONFORTO

2) ZONA DE VENTILAÇÃO

3) ZONA DE RESFRIAMENTO EVAPORATIVO

4) ZONA DE MASSA TÉRMICA P/


RESFRIAMENTO

5) ZONA DE AR-CONDICIONADO

6) ZONA DE UMIDIFICAÇÃO

7) ZONA DE MASSA TÉRMICA P/


AQUECIMENTO

8) ZONA DE AQUECIMENTO SOLAR PASSIVO

9) ZONA DE AQUECIMENTO ARTIFICIAL

Carta bioclimática de Givoni e suas respectivas zonas

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


47

A carta da figura acima é construída sobre o diagrama psicrométrico, que relaciona a temperatura
do ar e a umidade relativa. Obtendo os valores destas variáveis para os principais períodos do ano
climático da localidade, o arquiteto poderá ter indicação fundamentais sobre a estratégia bioclimática a
ser adotada no desenho do edifício. Os dados de temperatura e umidade relativa do ar exterior podem
ser plotados diretamente sobre a carta, onde são identificadas as nove zonas de atuação na carta.

8.1 Psicrometria
● Psicrometria é o estudo do ar úmido e das mudanças em suas condições. Na carta bioclimáticas temos
as seguintes variáveis psicrometricas
● Razão de umidade
– Quantidade de vapor em 1 Kg de ar seco
● Umidade de saturação
– Máxima quantidade de umidade a certa
temperatura

● Umidade Relativa (UR)


– Razão de umidade / umidade de saturação

Temperatura de Bulbo Úmido (TBU)


– Termômetro com bulbo envolto em umidade

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


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8.2 Zonas climáticas


Com a carta bioclimática, podemos também visualizar diferentes zonas climáticas:

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


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Material extraído da apresentação “Zonas Climáticas e Estratégias de Projeto” do prof. Arq. Ph.D. Heitor da Costa Silva

8.3 Exemplo da carta bioclimática de Givoni para diferentes cidades


a) Cidade de Porto Alegre

ESTRATÉGIAS MAIS UTILIZADAS:


→ MASSA TÉRMICA PARA AQUECIMENTO COM AQUECIMENTO SOLAR PASSIVO (33,70%);
→ VENTILAÇÃO (19,5%);
→ AQUECIMENTO SOLAR PASSIVO (11,7%);
→ AQUECIMENTO ARTIFICIAL (6%);

b) Cidade de Fortaleza

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


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ESTRATÉGIAS MAIS UTILIZADAS:


→ VENTILAÇÃO (68,5%);
→ VENTILAÇÃO, MASSA P/ RESFRIAMENTO EVAPORATIVO (15,8%)

Referência
FROTA, A. B. Manual de conforto térmico. 4. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2003.
LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo, 2014.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


51

9. VENTILALÇÃO NATURAL
A ventilação natural é tão antiga como a arte de construir edifícios. Deste modo, existe uma grande
experiência acumulada relativa a inúmeros sistemas que ao longo dos séculos foram aplicados e que,
ainda nos nossos dias, são fonte de inspiração. Muitas vezes, porém, os arquitetos esquecem-se dessas
alternativas, optando por utilização de sistemas artificiais de ventilação.
Para resfriar é necessário que a massa de ar em movimento esteja em uma temperatura mais baixa que
a nossa pele ou mesmo que a superfície em estudo.
Isto pode ser observado quando em momentos muito quente, o uso do ventilador não é suficiente para
amenizar o calor para o suficiente para amenizar o calor para o usuário.
A ventilação garante que o ar externo penetre no ambiente interno, renovando o ar ao supri-lo de
oxigênio e ao reduzir a concentração de gás carbônico. Aproxima as condições de temperatura e umidade
internos das condições do ambiente exterior, e atua diretamente no conforto térmico do usuário ao
passar pelo seu corpo (como já vimos, facilita a troca de calor do corpo humano através da retirada o
calor). Para haver ventilação, é necessário que o ar presente no ambiente saia para dar lugar ao novo.
Quando essa estratégia for necessária pode se explorar os seguintes recursos de projeto:

9.1 Por que ventilar


A ventilação é uma característica dos projetos bioclimáticos, cumprindo três papéis principais:
1. Higienização dos Ambientes: através da renovação do ar em seu interior, controlando:
• Concentração 02 (oxigênio) e C02 (gás carbônico);
• Controle de odores;
• Controle de fumaça e contaminantes;
• Controle da umidade;
2. Conforto ambiental (bioclimatologia): diminuição da temperatura interna armazenada no
interior dos ambientes:
3. Eficiência energética (dissipação de calor dos materiais): Diminuição dos gastos com energia
elétrica

9.2 Forma e Orientação


Maximizar a exposição da edificação as brisas do verão orientando corretamente o projeto e empregando
alguns recursos aplicáveis a forma do edifício. Para isso é importante saber a orientação dos ventos
dominantes do local.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


52

Nota: A cidade de Foz do Iguaçu possui orientação dos ventos dominantes sentido
norte – sul.

9.3 Projetar espaços fluidos


Além de ser atrativos plasticamente, os espaços interiores fluidos permitem a circulação do ar entre os
ambientes internos e entre os ambientes e o exterior. Muitos dispositivos podem ser utilizados para
permitir esse tipo de recurso, mantendo contudo a privacidade visual do interior (venezianas, elementos
vazados etc.). Em locais com invernos mais frios, estes dispositivos devem poder ser fechados para evitar
infiltrações indesejáveis.

9.4 Elementos que Direcionam o Fluxo do Ar para o Interior


Diversos elementos que se salientem da volumetria ou no entorno do edifício podem ser utilizados para
incrementar o volume e a velocidade do fluxo de ar para o espaço interno. Alguns elementos podem ser
úteis também para o sombreamento de aberturas.

Exemplo do uso de vegetação para proteger dos ventos e para aproveitar a ventilação.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


53

9.5 Ventilação cruzada – ventilação horizontal


Aberturas bem posicionadas podem garantir a circulação de ar nos ambientes internos, aconselhando-se
sua localização de forma cruzada sempre que a ventilação for necessária.
A ventilação cruzada implica na renovação do ar por todo o volume possível, fazendo com que ele
atravesse o ambiente ao entrar e sair por aberturas opostas. O fluxo de ar ocorre pela incidência do vento
e é influenciado pela posição das aberturas, pelas suas dimensões, pelo tipo de esquadrias e pelas
obstruções ao longo do percurso. A ventilação cruzada não se resume ao fluxo de ar por somente um
ambiente, podendo ser realizada através de mais ambientes, passando por portas e vãos.

Ventilação cruzada em planta Ventilação cruzada em corte

Ventilação cruzada aproveitando o ar refrigerado pela vegetação.

9.5.1 Janelas e portas com bandeiras basculantes


São bastantes úteis em períodos frios, por permitirem a ventilação seletiva necessária para higiene do ar
interno.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


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Porta e janela com bandeiras – auxilia na ventilação seletiva


Fonte: CUNHA et al (2005, p.111)

Porta com flexibilidade de aberturas para ventilação


Fonte: CUNHA et al (2005, p.114, 115)

Exemplo 1:
Com ventilação cruzada:

Sem ventilação cruzada:

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


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Exemplo 2: Simulação computacional de edifício com abertura em uma única face e com aberturas em
dois lados (ventilação cruzada através de captadores de vento).

Reparem que para haja ventilação é necessário aberturas para entrada e saída de ar – ou seja, ventilação
cruzada.

9.6 Efeito chaminé (ventilação vertical)


Conforme já vimos, o ar quente tende a se acumular nas partes mais elevadas do interior da edificação; a
retirada deste ar quente pode criar um fluxo de ar ascendente gerando por aberturas em diferentes níveis
(convecção).
O efeito chaminé pode ser feito através de aberturas dispostas na cobertura de edificações, para
propiciarem ventilação e iluminação naturais dos ambientes.
O efeito chaminé é viabilizado pela diferença de pressão entre o ambiente externo e interno que são
consequência das diferenças de temperatura entre estes meios. Os ambientes internos ganham calor
devido às atividades ali realizadas (ocupação, iluminação equipamentos, dispositivos de aquecimento
artificial). O ar aquecido torna-se menos denso e sobe, “puxando” ar frio que penetra, geralmente por
frestas e pequenas aberturas. Mas, em geral, frestas são comuns em janelas que costumam localizar-se a
meia altura do ambiente. Para proporcionar uma renovação de ar mais significativa, é interessante que
pequenas aberturas sejam instaladas próximas ao piso para entrada de ar, enquanto aberturas mais altas,
sejam na cobertura ou em paredes, sejam usadas para a saída de ar. Quanto maior a altura da cobertura,
mais significativa será a ascensão do ar. Deve-se evitar bolsões de ar aquecido acima de aberturas
projetadas para a saída de ar.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


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Exemplo do efeito chaminé utilizando lanternins e aberturas inferiores.

O efeito chaminé pode ser feito através de diversos dispositivos como:


• lanternins: do ponto de vista da ventilação natural, os lanternins apresentam ótimo desempenho
quando aplicados em ambientes com elevado pé direito. Em locais com inverno rigoroso, devem ser
tomadas providências de fechamento parcial das aberturas para melhorar as condições de conforto
ambiental nos dias de muito frio. Os lanternins, quando aplicados de maneira adequada e quando bem
dimensionados, passam a integrar uma boa opção para ventilação de ambientes, sem consumir energia.

Exemplo de funcionamento Exemplo de aplicação

• sheds: Consiste em uma única abertura na parte superior da cobertura, geralmente posicionada para
o lado sul, evitando assim a incidência direta dos raios solares e permitindo a entrada da luz natural.

Exemplo de funcionamento Exemplo de aplicação

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


57

• exaustores eólicos: assim como os outros sistemas, promove a retirada de ar quente do ambiente,
possibilitando a entrada de ar refrigerado melhorando consideravelmente o conforto térmico e a
qualidade do ar. Auxilia também a retirada de fumaça, umidade e particulados em suspensão. A energia
que move o sistema, provém do vento.

Exemplo de funcionamento Exemplo de aplicação

Também pode-se combinar o fator iluminação natural ao utilizar aberturas zenitais, que podem ser
colocadas em locais estratégicos para cumprir as duas funções simultaneamente (ventilação/iluminação).

9.7 Peitoril ventilado


O peitoril ventilado é uma solução para proporcionar a ventilação, em geral facilitando a ventilação
cruzada, quando se deseja separar as funções de iluminação (janelas) das de ventilação (peitoril
ventilado). Esta separação permite que as janelas recebam proteções solares que podem obstruir o vento
reduzindo sua velocidade, ou que possam permanecer fechadas em momentos de chuva enquanto a
ventilação permanece disponível. Sua localização abaixo da janela também facilita o efeito chaminé, como
já citado. Sua forma e a inclinação de suas aletas afetam a direção e a intensidade do fluxo. Assim, deve-
se avaliar a melhor solução referente à proteção contra chuvas (inclinado ou vertical), inclinação das
aletas e se há extensão do peitoril internamente para direcionar o fluxo de ar. Como exemplo, é
interessante que o peitoril ventilado seja operável para permitir o seu fechamento quando a ventilação
não é desejada.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


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Figuras - Peitoril ventilado em edifício de pesquisa da UFAL, Maceió, AL

9.8 Redutor de velocidade

Redutores de velocidade do vento são recomendados quando a ventilação é desejada mas o vento no
local apresenta maior intensidade que o desejado para proporcionar conforto e renovar o ar dos ambiente
internos. São localizados em uma orientação específica visando uma direção predominante de ventos de
elevada intensidade. Os redutores podem ser vazados ou podem ser barreiras dispostas ao longo do
entorno do edifício a fim de proporcionar uma rugosidade que desacelera, desvia e/ou reduz o vento
incidente. Estas barreiras podem ser utilizadas para fins combinados, como vegetação de arbustos ou
árvores em jardins e bancos para os usuários. Pode-se se utilizar brises, cobogós, vegetação entre outros.
Podem também ser barreiras em vidro quando se deseja manter a vista para um ponto ou direção
específica.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


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Figura 01 – Redutores de velocidade do vento no entorno do edifício


Figura 02 – Cobogós, Coluni – UFV Foto: Joyce Carlo - Fonte:
http://www.eletrosul.gov.br/casaeficiente/br/home/index.php

9.9 Telhado ventilado


É importante ventilar entre a laje e o telhado, para evitar ganhos de calor excessivos pela cobertura da
edificação.

Cobertura não ventilada Cobertura ventilada Cobertura ventilada

Como a ventilação na cobertura funciona devido a diferença de densidade do ar aquecido (mais leve) e
do ar menos aquecido (mais pesado), é fundamental ter uma abertura para saída de ar na extremidade
superior do telhado.
Exemplos:

Esquema de ventilação com efeito chaminé no forro do telhado.


Fonte: Cartilha: procedimentos básicos para uma arquitetura no trópico úmido, 134.
Machado, Isis Faria, Ribas, Otto Toledo e Oliveira, Tadeu Almeida de. CNPq. Pini Editora. São Paulo, 1986.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


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Simples aberturas podem auxiliar na ventilação da cobertura e na redução do calor interno:

Subcoberturas ventiladas também são uma boa opção quando não se tem muito espaço entre a laje e o
telhado.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


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Referência
FROTA, A. B. Manual de conforto térmico. 4. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2003.
LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. Eficiência Energética na Arquitetura. São
Paulo, 2014.

Conforto Ambiental I – Conforto Térmico


Conforto Ambiental: Térmico

10. VARIÁVEIS ARQUITETÔNICAS


Existem três principais variáveis de conforto térmico: ambiental, humana e arquitetônica. Já
estudamos as duas primeiras, restando somente estudarmos as variáveis arquitetônicas.
A arquitetura surgiu como uma forma de possibilitar ao homem um habitat seguro com o intuito
de o proteger da hostilidade climática do meio. Através da história o ser humano foi tornando seu abrigo
cada vez mais adequado às suas necessidades, desenvolvendo tecnologias e conhecimento baseado na
experiência e posteriormente na pesquisa.
O arquiteto deve fazer uso deste conhecimento adequando forma e função às necessidades do
usuário, sem esquecer da qualidade estética do ambiente construído, e sobretudo, projetando espaços
que possibilitem conforto e bem-estar aos ocupantes.

Para atingir este objetivo é necessário o estudo das variáveis arquitetônicas que será manipulado pelo
arquiteto:
1. localização da obra,
2. orientação do edifício,
3. forma,
4. função,
5. fechamentos da edificação:
5.1: opacos (cobertura, piso, paredes) e
5.2 transparentes (vidros...)

10.1 Localização
O local da obra sofre influências de fatores que interferem nas relações entre terreno e edificação.
O estudo desses fatores determina a adequada integração entre a construção e o meio que a circunda.
A topografia, a vegetação e o entorno construído são os principais elementos que influenciam na
localização da obra arquitetônica.
1.1 Topografia – o projetista deve ter conhecimento da topografia local para a escolha do sítio,
lembrando que esta terá influência na incidência de radiação solar e ventos sobre a implantação da
edificação.

1.2 Vegetação – a vegetação influencia também na escolha do sítio, já que a mesma pode ser manipulada,
podendo se fazer o uso dela para sombrear, proteger da radiação em determinadas horas do dia de modo
a diminuir a temperatura do ar próximo à edificação. Também tem a capacidade de direcionar ou proteger
dos ventos. Entretanto, deve-se lembrar que a vegetação leva um certo tempo para atingir o porte
necessário e servir como elemento arquitetônico.

Página: 62
Conforto Ambiental: Térmico

1.3 Entorno construído – a configuração da malha urbana e edificações próximas ao local do projeto
também influenciam no microclima local, tal como a ventilação e a insolação. Conforme já vimos, as
superfícies pavimentadas (concreto e asfalto principalmente) absorvem o calor e emitem ao meio
ambiente.

Página: 63
Conforto Ambiental: Térmico

10.2 Orientação do edifício


Um edifício bem orientado consegue um melhor aproveitamento da insolação. Para que isto
ocorra, sempre que o loteamento permitir, a face da edificação voltada para Norte deve ser mais longa
que as orientadas ao nascente e poente, pois se garantirá ganhos de radiação no inverno e menores
ganhos no verão. Somado a isso, deve-se propor uma correta proteção de aberturas para a insolação do
verão. Nesse caso o uso de brises também auxiliam no melhor aproveitamento da radiação solar.

MAIOR FACE
N
EDIFÍCIO
Já a orientação dos edifícios em função dos ventos dominantes é fundamental para a obtenção
de conforto, principalmente nos climas quente úmidos.

10.3 Forma
A forma arquitetônica tem grande influência no conforto ambiental em uma edificação e no seu
consumo energético pois:
• define fluxos de ar no interior e exterior;
• define quantidade de luz natural;
• define quantidade de calor recebido, ou seja, influencia nas trocas térmicas entre
edificação e o meio exterior.
Exemplos:
→ Marrakesh, em Marrocos - a implantação das edificações foi realizada favorecendo a canalização da
brisa do mar, para o interior da cidade. Do mesmo modo que o vento quente continental é desviado pela
forma das edificações.

Página: 64
Conforto Ambiental: Térmico

Traçado urbano em Marrakesh

→ A influência da forma arquitetônica no conforto térmico pode ser observada no:


• Iglu - forma hemisférica diminui a superfície de contato c/ o ar exterior;
• Chalé - cobertura inclinada evita o acúmulo de neve, permitindo maior exposição aos raios
solares.

Iglu e Chalé nas montanhas

→ Le Corbusier - uso de pilotis, permitia à arquitetura descolar-se do solo, incrementando a


permeabilidade a circulação de pedestres e a ventilação no térreo.

Além disso, a forma dos edifícios, à distância entre eles e a posição em relação à direção do
vento dominante são elementos que definem a eficiência na ventilação a nível urbano.

Página: 65
Conforto Ambiental: Térmico

→ Em função da altura das edificações, a quantidade de calor recebida pela cobertura e pelas fachadas
pode variar. Em construções com um só pavimento, 70% do calor chega pela cobertura e 30% pelas
fachadas, portanto, para edificações térreas, o isolamento térmico da cobertura é fundamental.

Ganhos térmicos nas tipologias

10.4 Função
Os parâmetros de conforto térmico dependem da atividade que será desenvolvida dentro da
edificação. De acordo com a atividade, comércio ou habitação por exemplo, serão exigidas soluções
diferentes, seja na forma ou na função. Da mesma forma, os parâmetros para conforto térmico irão variar
de acordo com a função da edificação.
O papel do arquiteto é estar consciente das diferenças e necessidades a fim de alertar e
aconselhar seus clientes na busca por soluções técnicas que diminuam o consumo energético da
edificação e maximizem o conforto térmico, luminoso e acústico das mesmas.
As funções residenciais, comerciais e públicas são distintas do ponto de vista da dependência do
clima e, consequentemente, do consumo de energia.
Em relação a horários de uso destas edificações, edifícios comerciais e públicos são usados,
geralmente, durante o dia, expondo os usuários constantemente aos efeitos da radiação solar. Somando-
se a isso, têm-se os ganhos internos de calor devido aos equipamentos, iluminação e aos próprios
ocupantes. Dessa forma, utiliza-se o uso indiscriminado do ar condicionado, elevando o consumo
energético de tais edifícios.
Em shopping centers, construções hermeticamente fechadas, a exclusão da luz natural pode se
justificar nas vitrines, em função da possível deterioração dos produtos expostos à radiação solar.
Entretanto, nas circulações, a luz natural deveria ser explorada, reduzindo o consumo de energia com
sistemas de iluminação artificial.

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Conforto Ambiental: Térmico

Em outros ambientes, como salas de aula, bibliotecas e escritórios, a presença de luz natural é
fundamental, tanto para evitar a fadiga visual provocada por uma iluminação artificial e invariável, quanto
para garantir uma qualidade na percepção das cores, contrastes e detalhes, às vezes necessários à tarefa
visual sendo desenvolvida nesses ambientes.
Já em residências a luz natural é tratada com maior importância, pois além do seu valor poético
na definição dos espaços, é fundamental para a economia de energia do morador. Também se torna mais
viável a instalação de sistemas passivos de resfriamento, como uso da vegetação em paredes externas ou
próximas às janelas, tanques de água sobre o telhado, do que a utilização de climatização artificial, visto
que sua relação com o espaço exterior é quase sempre mais efetiva que em edificações comerciais e
públicas.
Exemplos de resfriamento evaporativo:

Áreas gramadas ou arborizadas próximo à edificação

Além das variáveis arquitetônicas vistas anteriormente, há ainda os fechamentos da edificação: opacos (cobertura,
piso, paredes) e transparentes (vidros).

10.5 Fechamentos da edificação

Além das variáveis arquitetônicas vistas anteriormente, há ainda os fechamentos da edificação: opacos (cobertura,
piso, paredes) e transparentes (vidros). Nas edificações, os fechamentos são os elementos que regulam as trocas
do edifício com o meio exterior.

• FECHAMENTOS OPACOS – são aqueles que não deixam a radiação solar passar para o interior da edificação
(não somos capazes de ver através deles – paredes)
• FECHAMENTOS TRANSPARENTES – são aqueles que deixam passar radiação solar através deles para o
interior do edifico (podemos enxergar através deles – vidros).

Página: 67
Conforto Ambiental: Térmico

Os fechamentos transparentes, a radiação solar incidente se divide em parcelas absorvida, refletida e


transmitida. Esta parcela transmitida é responsável pelos ganhos térmicos no interior da edificação, atuando de
forma instantânea nas condições de conforto térmico dentro do ambiente.
Já os fechamentos opacos não possuem a parcela transmitida ao interior na forma de radiação solar, sendo
esta a principal diferença entre eles.

10.5.1 Fechamentos Opacos


A transmissão de calor no fechamento opaco ocorrerá sempre que houver uma diferença de temperatura
entre o meio exterior e o interior. O sentido do fluxo de calor será sempre do meio de maior temperatura para o
meio de menor temperatura. Esse fenômeno pode ser dividido em três fases.

Radiação Condução (quando o Radiação


convecção fechamento for maciço); Convecção
condução, convecção e
radiação (quando o
fechamento apresentar
vazios – ex. Tijolo 6 furos.)
As 3 fases na transmissão de calor nos fechamentos opacos

Fase 1 – Troca de calor com o meio exterior

À medida que a radiação solar incidir sobre a superfície externa do fechamento, a superfície exterior do
fechamento irá receber calor através da radiação e por convecção do ar exterior aquecido.
Os fechamentos opacos possuem duas características importantes que determinam a parcela que será
absorvida e refletida pela superfície. Essas características dependem dos coeficientes de absorção (α) e reflexão
(ρ) respectivamente e são específicas da superfície do fechamento e não do material do qual ele é composto.
Assim ao se pintar uma parede de tijolos com tinta branca, se está alternado seus coeficientes de absorção e
reflexão.
α + ρ = 1 (absorção + reflexão = 100% da radiação solar)

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Conforto Ambiental: Térmico

As superfícies com cores escuras, muito presentes em materiais de construção apresentam grande absortividade.
Se a absorvidade de um material for 0.8, por exemplo, significa que 80% da energia sobre ele incidente será
absorvida e 20% será refletida.
quando estamos interessados no comportamento frente à radiação solar, o coeficiente de absorção α será baixo
para os materiais claros e alto para os materiais escuros;

Fase 2 – Condução através do fechamento


Com elevação da temperatura da superfície externa, cria-se um diferencial entre esta e a temperatura da
superfície interna, gerando a troca de calor entre as duas através da condução (quando se trata de elementos
maciços).
Nesta fase a troca de calor ocorre por condução e a intensidade do fluxo de calor depende da condutividade
térmica do material, representada por λ. Quando o fechamento tiver camadas de ar, como por exemplo tijolos
furados, as trocas internas de calor serão além da condução, realizadas também com radiação e convecção.
Condutividade Térmica (λ)
É uma propriedade que depende da densidade do material e representa sua capacidade de conduzir maior ou
menor quantidade de calor por unidade de tempo.
Quanto maior a condutividade térmica, maior será a quantidade de calor transferida entre as superfícies.
Condutividade térmica de alguns materiais:

Material λ (W/mk)
Cobre 398
Concreto 1,50
Vidro 0,72 - 0,86
Água 0,61
Madeira 0,14
Isopor 0,033
Ar 0,026
Tijolo 0,65
• Resistência Térmica (R)
É a propriedade térmica do material em resistir a passagem de calor. A resistência térmica (R) depende da
espessura do fechamento (L). Quanto maior a espessura do material, maior será sua resistência em transferir o
calor.

Fig 4 - Resistência térmica: propriedade do fechamento (LAMBERTS et alli, 2014)


A resistência térmica R é expressa por:
R=L/λ
As trocas de calor com o meio exterior podem ser reduzidas consideravelmente através do bom dimensionamento
dos materiais.

Página: 69
Conforto Ambiental: Térmico

Fase 3 – Troca de calor com o meio interior


Assim como ocorre na fase 1, as trocas térmicas voltam a ser por convecção e radiação. A temperatura da
superfície interna do fechamento irá aumentar gradativamente à medida que o fluxo de calor atravessa o
fechamento.

10.5.1.1 Cálculo da resistência térmica total de um fechamento opaco


Para um fechamento formado por várias camadas com resistências térmicas distintas, a resistência
térmica total RT do fechamento será dada por:

Observe que a resistência térmica total RT inclui a resistência superficial interna e externa, além das
resistências de cada componente do fechamento.

10.5.1.2 Transmitância térmica (U)


É um coeficiente que engloba as trocas de calor referentes a um determinado material segundo a
espessura da lâmina, o coeficiente de condutividade térmica entre outros. Quantifica a capacidade do material de
ser atravessado por um fluxo de calor induzido por uma diferença de temperatura entre os dois ambientes que o
material separa.
A transmitância térmica é o inverso da RT, sendo dada por:
U = 1 / RT (W/m² K) ou (W/m²°C)

AUMENTA A RESISTENCIA < A TRANSMITÂNCIA TÉRMICA

Na tabela abaixo, têm-se os valores de transmitância térmica para alguns fechamentos utilizados na construção
civil.

Página: 70
Conforto Ambiental: Térmico

Transmitância térmica de paredes


Parede (fechamento) Descrição U (W/(m².k) Inércia térmica (horas)
Parede de concreto maciço 5,04 1,3
Espessura total da parede: 5,0 cm

Parede de concreto maciço 4,4 2,7


Espessura total da parede: 10,0 cm

Parede de tijolos maciços aparentes 3,7 2,4


Dimensões do tijolo: 10,0x6,0x22,0 cm
Espessura da argamassa de assentamento: 1,0 cm
Espessura total da parede: 10,0 cm

Parede de tijolos maciços, 3,13 3,8


assentados na menor dimensão
Dimensões do tijolo: 10,0x6,0x22,0 cm
Espessura da argamassa de assentamento: 1,0 cm
Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm
Espessura total da parede: 15,0 cm
Parede de tijolos de 6 furos circulares, assentados na 2,28 3,7
menor dimensão
Dimensões do tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm
Espessura da argamassa de assentamento: 1,0 cm
Espessura da argamassa de emboço: 2,5 cm
Espessura total da parede: 15,0 cm

Fonte: NBR – 15220 – 3

10.5.1.3 Isolamento Térmico


O objetivo do isolamento térmico é controlar ao máximo as condições térmicas de um meio habitado diante
dos agentes térmicos hostis do meio exterior, ou seja, das temperaturas muito baixas ou muito altas que
comprometem o conforto térmico do interior da edificação.
Como aumentar o isolamento térmico de um fechamento?
Suponhamos duas lâminas delgadas de fibrocimento colocadas juntas (caso a), que logo serão separadas
para interpor um material qualquer (caso b). Deste modo aumentamos a resistência total do fechamento, já que
esta é igual a soma das resistências de cada uma das camadas. Qualquer material que é agregado em forma de
camada à sua espessura (aumentando assim esta espessura) terá sempre como resultado um maior isolamento
térmico. O poder de amortecimento também se intensificará (diminuirá a amplitude das variações térmicas internas) já que foi aumentada a
capacidade térmica.

Se as lâminas forem separadas por uma câmara de ar (caso c) a transmissão de calor entre a superfície B e
C se fará por convecção e radiação. Dessa forma o calor deverá cumprir novos processos de transmissão de calor no
sentido da espessura do elemento, aumentando assim a resistência total.

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Conforto Ambiental: Térmico

Na figura abaixo estão representados 3 tipos de peças moduladas de mesmo tipo e quantidade de material.
As soluções se diferenciam pela distribuição deste material.

Qual o tipo que apresenta a maior resistência térmica?


O tipo que apresenta maior resistência é o c pois requer um maior número de processos de transmissão
do calor.

10.5.1.4 Considerações finais


→ O primeiro recurso técnico do projetista para reduzir o efeito térmico da radiação solar para clima
quente é a orientação do fechamento.
→ A redução do coeficiente de absorção da superfície por meio de uma cor adequada é outro recurso de
grande importância e provavelmente mais econômico. Um valor baixo para o coeficiente de absorção reduz
sensivelmente o valor da temperatura sol-ar para o fechamento, principalmente para fechamentos de menor
resistência térmica, como as chapas de fibrocimento ou metal.
→ Problemas como as grandes dilatações térmicas das lajes superiores de concreto podem ser resolvidos
com a redução do coeficiente de absorção. É frequente reparar uma impermeabilização defeituosa com camadas
de asfalto colocadas na parte externa sem um tratamento adicional. A cor quase preta deste acabamento ocasiona
dilatação da laje e ruptura das camadas de impermeabilização.
→ Um recurso que pode evitar a radiação solar direta é o uso de beirais e outros dispositivos de proteção,
fixos ou móveis, que podem ser usados não somente como proteção de superfícies envidraçadas, mas também
como proteção para fechamentos opacos.
→ Para climas frios, a resistência térmica e a capacidade de amortecimento são recursos indispensáveis
para controlar as temperaturas mínimas.

10.5.2 Fechamentos transparentes


As principais trocas térmicas em uma edificação acontecem geralmente nestes fechamentos, que compreendem
janelas, clarabóias e qualquer outro elemento transparente na arquitetura.
Nos fechamentos transparentes podem ocorrer os três tipos básicos de trocas térmicas: condução, convecção e
radiação. Com relação as duas primeiras, o comportamento é semelhante ao fechamentos opacos, acrescentando
aos transparentes a possibilidade do controle das trocas de ar entre o interior e o exterior, basicamente ao abri-los
ou fecha-los, Nos fechamentos transparentes a radiação pode ser diretamente transmitida para o interior,
diferentemente dos fechamentos opacos onde isso não é possivel. (ver imagem)

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No projeto arquitetônico, as principais variáveis que podem alterar o aporte de calor pela abertura são:
• Orientação e tamanho da abertura;
• Tipo de vidro;
• Uso de proteções solares internas e externas.

10.5.2.1 Orientação e tamanho


Orientação e o tamanho da abertura irão determinar sua exposição ao sol. Quanto maior uma abertura, maior a
quantidade de calor que pode entrar ou sair do ambiente. O fator importante no dimensionamento luz natural.
Deve-se pensar o calor e de forma integrada. A orientação da fachada, por exemplo, pode expor aberturas de
dimensões idênticas a quantidades de calor solar e iluminação distintas. A trajetória do sol na abóboda celeste é
diferente para cada orientação e para cada latitude.
Pode-se ter uma idéia visual sobre a insolação de uma fachada a partir da carta solar. Analisando a altura e o azimute
solar pode-se saber quando o sol está incidindo diretamente em uma fachada. Também se pode saber qual o ângulo
de incidência da radiação solar, que interfere na quantidade de calor e de luz solar direta que entra pela abertura.
Na imagem que segue, demonstra a exemplificação de uma carta solar demonstrando como é visualizado a:
trajetória solar, horário do dia, azimute solar e a altitude solar. Na outra imagem é feita uma representação
tridimensional de uma carta solar simplificada.

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Na imagem abaixo segue um exemplo de uma carta solar para a cidade de Florianópolis (latitude 27º40’ Sul) e sua
interpretação para diferentes fachadas.
• fachada leste - sol todas as manhãs em todas as
estações;

• fachada oeste - sol todas as tardes em todas as


estações;

• fachada norte - sol mais baixo durante todo o dia no


inverno e em boa parte da primavera e outono; sol mais
alto no verão, que incide poucas horas do dia;

• fachada sul - sol inexistente no inverno; sol pouco


presente no outono e na primavera, no início e final do
dia; sol mais presente no verão, no início e final d o dia,
desaparecendo por volta do meio-dia para a fachada

10.5.2.2 Tipos de vidros


Vários propósitos podem servir de argumento na escolha do tipo de vidro a ser utilizado em uma abertura. Entre
eles o controle da radiação solar, que pode ser resumido em:
• Admitir ou bloquear a luz natural;
• Admitir ou bloquear o calor solar;
• Permitir ou bloquear as perdas de calor do interior;
• Permitir o contato visual entre interior e exterior.

Os vidros têm geralmente alta transmitância térmica (U), ou seja, são bons condutores de calor. Entretanto são os
únicos materiais de construção com capacidade para controlar de forma racional a radiação solar (luz e calor).

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A radiação solar incidida em um vidro pode ser dividida em três parcelas: absorvida; transmitida e refletida. A
imagem que segue ilustra essas 3 parcelas.

No espectro solar há duas regiões de particular importância para o estudo do comportamento dos fechamentos
transparentes:

A região de onda curta (OC) e a de onda longa (OL).

• As ondas curtas se subdividem em visíveis (380 a 770 nm) e infravermelhas (760 a 3.000 nm).
• As ondas longas são radiações infravermelhas emitidas por corpos aquecidos (>3.000 nm) .

Pode-se classificar os tipos de fechamentos transparentes mais usados na construção civil basicamente em cinco
categorias:
• vidro simples (transparente);
• vidro verde;
• películas e vidros absorventes (fumês);
• películas e vidros reflexivos;
• plásticos.

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• vidro simples (transparente)


Os vidros simples são os de emprego mais comum nas
edificações no Brasil.
São altamente transparentes a ondas curtas e opacos a
ondas longas. Isto se traduz em boa visibilidade, porém
alta transmissividade da radiação solar para o interior.
Também são pouco reflexivos em ambas as regiões do
espectro (ondas curtas e longas).

O fato de o vidro ser opaco à onda longa causa o


fenômeno conhecido por efeito estufa (já visto em
aula).

• vidro verde
Este vidro é também conhecido como absorvente. É
levemente pigmentado para diminuir a transmissão da
onda curta com somente um pequeno aumento na
absorção da parte visível.

Com menos onda curta no interior do ambiente,


menor será a “produção” de onda longa e
consequentemente o calor por efeito estufa.

• películas e vidros absorventes (fumês)


O objetivo do vidro ou da película absorvente é
diminuir a transmissão da onda curta. Contudo, isto é
feito com o aumento da absorção nesse comprimento
de onda, que diminui bastante a transmissividade
visível (visibilidade). Esta solução pode implicar gastos
desnecessários de energia para iluminação artificial.
Como o vidro simples, estes tipos de película e vidro
são também altamente absorventes à radiação de
onda longa e pouco reflexivos tanto à onda longa
quanto à onda curta. Porém, com menos onda curta
no interior do ambiente, menor será a “produção” de
onda longa e consequentemente o calor por efeito
estufa.

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• películas e vidros reflexivos


As peliculas reflexivas são compostas por uma camada
metálica em um substrato transparente, produzindo
uma aparência de espelho. Os vidros reflexivos já vêm
com uma espécie de película reflexiva incorporada na
sua constituição.
Existem películas mais reflexivas à onda longa, outras
mais reflexivas à onda curta, e também películas
reflexivas em ambos os espectros. Pode-se dizer que
as películas reflexivas à onda curta reduzem o
ingresso calor ao interior e que as reflexivas à onda
longa reduzem as perdas de calor para o exterior. Esse
tipo de películas/vidros também tem a capacidade de
reduzir a transmissão de luz visivel.

• plásticos
Atualmente, alguns materiais plásticos como o
policarbonato e o acrílico começam a entrar no
mercado dos fechamentos transparentes. São
altamente transparentes à radiação de onda
longa. Isto reduz o efeito estufa, comum a
vidros, aumentando a perda de calor para o
exterior.

• camadas múltiplas
A resposta espectral de múltiplas camadas de um
mesmo material difere pouco da utilização de
uma só camada. Entretanto, combinando dois ou
mais tipos, como em um sanduíche, pode-se
produzir uma resposta totalmente diferente. Por
exemplo: uma camada de vidro com película
reflexiva:

Colocando-se a camada reflexiva na superfície


externa, a onda longa vinda do interior é
absorvida e praticamente não é refletida para o
interior. Ao contrário, colocando-se a camada
reflexiva na superfície interna, a onda longa é
refletida, evitando-se perdas de calor em climas
frios.

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10.5.2.3 Uso de proteções solares internas ou externas


O uso de proteçôes solares em uma abertura é um recurso importante para reduzir os ganhos térmicos. Entretanto,
deve-se tomar o devido cuidado com a iluminação natural, que não deve ser prejudicada.
a) Proteção interna
As proteções solares internas são basicamente as cortinas e as persianas. São
bastante flexíveis sob o ponto de vista de operação, bastando abri-las ou
fechá-las conforme a necessidade. Porém, as proteções internas não evitam
o efeito estufa, pois o calor solar que as atinge se transforma em radiação de
onda longa, permanecendo na sua maior parte no ambiente interior.

b) Proteção externa
A opção por uma proteção externa pode ser a mais adequada se houver um dimensionamento que garanta a
redução da incidência da radiação solar, quando necessária, sem interferir na luz natural.
A proteção externa bloqueia a radiação direta antes de esta penetrar pelo vidro, evitando o efeito estufa. Pode-se
especificar proteções solares externas fixas ou móveis.
É importante salientar que as proteções externas também interferem na definição da fachada arquitetônica. Podem
ser pensadas como elemento compositivo da fachada e se tirar partido desta ideia para conceber, inclusive, a
linguagem arquitetônica do edifício.
Um dos principais elementos de proteção solar é o BRISE-SOLEIL (expressão francesa = quebra-sol) é um dispositivo
arquitetônico utilizado para impedir a incidência direta de radiação no interior de um edifício, evitando um calor
excessivo. Os brises podem ser horizontais, verticais, mistos. Além disso podem ser móveis e fixos.

Exemplificação de alguns tipos de proteção externas:


b1. Light Shelf – brise do tipo bandeja de luz: O
lightshelf é um elemento que divide a abertura em
duas porções horizontais, sendo a superior
destinada à iluminação e a inferior à visão e
ventilação. Intercepta a radiação direta do sol e
redireciona a luz para o forro; dessa forma, reduz
o ganho de calor solar e uniformiza a distribuição
de luz natural nos interiores.

b2. Brise horizontal


Ideal para fachada norte e sul (quando há
incidência de radiação solar na fachada sul). Com
o brise horizontal é possivel proteger o ambiente
interno da radiação solar do verão e permitir que
a radiação solar do inverno entre no ambiente
(EV).

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b3. Brise vertical


Ideal para fachada leste e oeste. Protege da
radiação solar das estações mais quentes do ano
e, conforme a inclinação, pode permitir a entrada
da radiação solar nos meses mais frios (EV).

b4. Brise Misto: vertical + horizontal


Bom para utilizar em fachadas que se deseja um
grau elevado de sombreamento, tanto no inverno
como no verão. Ideal para local de climas quentes.

Ministério da Educação e Saúde – RJ.


b5. Cobogó: elemento vazado, tem como principal
finalidade manter a privacidade sem
comprometer a luminosidade, permitem uma
“quebra” da incidência solar direta e ainda um
melhor aproveitamento da ventilação natural e
protegendo a visibilidade do interior da edificação
(EV).
Foi inventado 1929 por três engenheiros: Amadeu
Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e
Antônio de Góis.
Parque Guinle – Rio de Janeiro - (anos 50) e seus cobogós–
Lúcio Costa
b6. Muxarabi: um recurso criado pelos árabes
(muito parecido com o cobogós) para fechar
parcialmente os ambientes de maneira que quem
está dentro possa ter visão total do lado externo,
porém de forma a preservar sua intimidade (a
principal função do muxarabi no mundo árabe era
proteger as mulheres de olhares masculinos).
/Muito utilizado pela arquitetura colonial
brasileira e, posteriormente, pela arquitetura
moderna brasileira. Tem a função parecida com o
cobogó, porém tem menor espessura e, em geral,
Exempo de muxarabi de madeira.
vazios de menor dimensão. Tradicionalmente são
formados por trama de madeira, mas podem
também ser de outros materiais (EV).

5.2.4 Fator solar (FS)


Para saber a quantidade de calor que penetra em um ambiente através de uma janela ou sistema de abertura (janela
com brise ou cortina, por exemplo) é importante conhecer o conceito de fator solar (FS).
O fator solar de uma abertura pode ser entendido como a razão entre a quantidade de energia solar que atravessa
a janela pelo que nela incide – é o somatório da parcela transmitida diretamente mais a parcela absorvida que é
transmitida para o interior, ou seja, é o total de energia solar que atravessa o vidro. Quanto maior o FS maior é a

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quantidade de enegia solar que atravessa o vidro o ambiente (EV). Este valor é característico para cada tipo de
abertura e varia com o ângulo de incidência da radiação solar.

Para o vidro simples, com a incidência direta da radiação solar normal à superfície, o fator solar é aproximadamente
0,87. Isto significa que 87% da radiação solar incidente sobre a janela com vidro simples e sem proteção penetra no
interior. A maior parte é transmitida diretamente ao interior, somando-se a 50% da parcela da radiação absorvida
pelo vidro .
Utilizando sistemas de aberturas com fatores solares baixos controla-se a entrada de calor para o interior. Deve-se
ponderar a iluminação natural nestes casos, que não pode ser reduzida na mesma proporção da entrada de calor.
Outras formas de aproveitamento da luz natural podem ser utilizadas (zenitais ou indiretas), ou mesmo empregar
algum tipo de proteção que bloqueie o calor mas permita o ingresso da luz (vidro especial, brise tipo iight shelf etc.).
Nas tabelas são apresentados os fatores solares para alguns tipos de vidro e proteções solares externas e internas
mais comuns, respectivamente.

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Referência
FROTA, A. B. Manual de conforto térmico. 4. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2003.
LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo, 2014.
V4 - 2013

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