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MÚSICA TRADICIONAL

PORTUGUESA

Trabalhos de grupo

Curso de Animador Sociocultural


Área das Expressões — Módulo 14
Fevereiro/Março de 2007
1 Minho
Sónia Santos, Rosa Morgado

Introdução
A imagem mais corrente e divulgada do flok­‑lore musical minhoto é a da alegria, de algum modo
correspondente a uma certa superficialidade.

Pensa­‑se que nas festas e romarias os trajes visto‑ Portuguesa, designada por ramaldeira, também não
sos são: carregados de ouro por causa da Senhora da tão utilizada por braguesa e amarantina.
Agonia. Utiliza­‑se também o cavaquinho, a guitarra, o pa‑
A música pode estar ligada aos amanhos da terra e pel dos violinos também designados por rabecas
às práticas litúrgicas e extras­‑litúrgicas, mas também (instrumentos em vias de extinção).
extremamente aos trabalhadores e aos religiosos. Na igreja as músicas mais utilizadas e cantadas são:
O que constitui a diversidade e a riqueza da vida “A devoção às Almas do Purgatório”, “Os cânticos qua‑
musical popular é a alegria e a festa, que são as carac‑ resmais e de romaria”. Estes cânticos são utilizados
terísticas que o povo acha inquestionáveis. também nos campos, durante os trabalhos agrícolas,
Ao longo da Primavera e sobretudo no Verão particularmente na Quaresma.
sucedem­‑se as grandes romarias e as pequenas fes‑ Os cantos de trabalho, também a voz ocorrem,
tas religiosas, sempre com a marca inconfundível das sobretudo nas sachas e as descamisadas do milho
rusgas (é um conjunto de violas, rebeca [violino], ca‑ e nos trabalhos do limo, e também nas segadas do
vaquinho, concertina), e das danças populares. centeio.
Haja em dia é nessas romarias que se canta ao de‑ Os cantares polifónicos, resultam tanto nos mo‑
safio que se canta e baila a chula. As modas coreo‑ mentos de fervor religioso como dos trabalhos agrí‑
gráficas que se destacam mais naquela região, são as colas conferem ao folk­‑lore musical de Entre­‑Douro­
chulas. ‑e­‑Minho.
As músicas mais bailadas são: a Tirana, o Malhão, o Neste povo está sempre presente uma imagem de
Vira, a Cana­‑Verde. alegria, habitualmente associada ao espírito do povo
No Minho o instrumento mais importante é a viola desta região.

Bibliografia
Portugal Raízes Musicais 1 ­‑ Minho e Douro Litoral, Jornal de Notícias
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2 Trás­‑os­‑Montes
Joana Paulo, Sandrina Patriarca

A música de Trás­‑os­‑Montes será triste e pesada Bragança, Chaves, Macedo de Cavaleiros, Miranda do
porque a natureza é aí dura e pesada. Douro, Mirandela, Mogadouro, Montalegre, Murça,
Os instrumentos musicais que representam esta Valpaços, Vila Pouca de Aguiar, Vimioso e Vinhais.
diferença são a gaita­‑de­‑foles e a viola, é evidente Nestas zonas o trabalho do linho, as segadas (cei‑
que esta é uma visão simplificadora. fas), e malhadas do centeio são actividades que ab‑
Pois em Trás­‑os­‑Montes também se baila, mesmo sorvem uma grande importância económica pela
na parte oriental da província, muitas das alegres mo‑ população dedicar muito do seu tempo a trabalhar,
das coreográficas do litoral, como o malhão e a cana­ as populações criaram muitos tipos de cantos asso‑
‑verde. ciados a este trabalho, determinando as várias fases
Estamos em Trás­‑os­‑Montes perante uma paisa‑ de tratamento destes.
gem musical diferente e diversificada, como alias é Muitas das músicas foram passadas de geração
pró­prio do território que vai Alfândega da Fé, Boticas, para geração e muitas ainda hoje são cantadas.

——
3 Beiras
Nuno Botelho, Vânia Coito

Beira Alta
A Beira Alta nas zonas do norte e do centro parece trados, sem embargo de o seu ethos musical abran‑
ter sofrido uma forte influência da tradição das tunas, ger também outros géneros ligados aos amanhos da
muitas das quais, aliás, permanecem em actividade, terra e à religiosidade popular, notoriamente de me‑
sobretudo ao redor de Viseu. As tunas são grupos nor vivacidade.
instrumentais constituídos essencialmente por cor‑
das, bandolins, violões e violinos, conheceram a sua
época áurea pelo virar do século e nas primeiras duas Beira Baixa
décadas da nossa centúria. Quando se fala da musica tradicional da Beira Bai‑
Além das tunas propriamente ditas, proliferaram xa, ocorre habitualmente a imagem da adufe, que
pelas aldeias pequenos grupos instrumentais aparen‑ é o verdadeiro exilibris da província. Há notícias da
tados com elas, de repertório só em parte comum. Es‑ antiga presença da pandeira quadrangular por todo
ses conjuntos tinham como finalidade tocar para bai‑ o país, mas acabou por e conservar apenas em Trás­
les da mocidade aldeã e alguns deles atravessaram as ‑os­‑Montes, no alto Alentejo e sobretudo na Beira
décadas e as respectivas modas musicais e permane‑ Baixa, onde perdurou a designação de adufe. O adufe
cem ainda em actividade, sobretudo na zona norte da é o principal e sem duvida o instrumentos mais arcai‑
Beira Alta. O seu repertório inclui tanto a chula carac‑ co. É um instrumento exclusivamente feminino, este
terística do Douro como o fado, marchas, corridinhas, instrumento, pela diversidade e natureza da circuns‑
mazurcas, valsas, e principalmente contradanças. tância em que ocorre o papel que a mulher aí assu‑
A contradança difundiu­‑se pelo continente euro‑ me, aliás na esteira da tradição das culturas hebraica
peu nos séc. XVI e XVIII e sabe­‑se que foi um género e árabe, parece ter uma fusa essencial de afirmação
coreográfico que destronou todas as antigas formas exibição feminina.
de dançar. A sua popularidade foi tanta e o seu carác‑ Durante os últimos anos houve outro instrumen‑
ter vistoso era tão apreciado que começaram a surgir to que se impôs em toda a Beira Baixa, assim como
grupos ensaiados, que se andavam a exibir pelas pra‑ na beira transmontana, aliás como no resto do país, a
ças das vilas e cidades e sobretudo entre os Reis e o guitarra portuguesa.
Entrudo. A contradança permanece na nossa tradição A guitarra portuguesa, cuja importância na mú‑
musical popular um pouco por todo o país. sica tradicional portuguesa tem sido obliterada
Ainda nas modas bailadas, havemos de destacar a pela associação do instrumento, em termos de
presença da guitarra. No que respeita aos contos de exclusividade, ao Fado. As suas origens históricas
trabalho, quase todos eles são as vozes, como aliás situam­‑se na cítara medieval e na cítara renascen‑
acontece com os cânticos religiosos. tista. Á guitarra se tocavam os bailes populares
Na Beira Alta, como noutras províncias do pais, de outrora e se acompanhavam os mais variados
surgem­‑nos dois cantos distintos, com o objectivos tipos de canto, e daí o fado, quando surgiu esse
também diversos: o primeiro, designado por Amenta, nome, fosse apenas em dos muitos géneros cul‑
corresponde ao que noutras regiões se nomeia por tivados pelo povo na guitarra. Continuando com
Encomendações, e distinga­‑se a exortar os cristãos os instrumentos, a beira interior possui além do
que estão a dormir nas suas casas e rezarem pelas adufe, a flauta travessa de sabugueiro, as caixas e
almas. os bombos, bem como a palheta. Além da música
instrumental a beira interior é detentora de um rico
aceno de música vocal, de onde a riqueza e o ar‑
Beira Litoral caísmo da música vocal da beira baixa melhor se
A beira Litoral prolonga de certa forma a tradição patenteiam é nos cantos de trabalho nas ceifas. O
musical do Minho e do Douro litoral, o que é desde romanceiro é outro dos pontos altos da beira baixa
logo patente na presença da viola portuguesa, aqui de da beira transmontana. Também neste domínio
conhecida por viola ramaldeira e pelas danças que se verifica que a beira transmontana possui gene‑
são em grande parte por coincidentes com as desta ricamente as mesmas características etnómusicais
última província, como é o caso patente do vira, da que são conhecidas da beira baixa e que levaram
tirana e também rusga. A exuberância, a alegria e o Lopes Graça a dizer ser talvez esta a musicalmente
espírito festivo das gentes do litoral ficam demons‑ mais rica da província do país.

——
4 Alentejo e Algarve
Catarina Gavancha, Patrício Tojal

No nosso Trabalho vamos falar da música popular portuguesa, como é que a faziam, que tipo de
instrumentos tocavam, como é que cantavam e onde; em que locais cantavam e em que situa‑
ções a cantavam. Vamos falar também das quadras, com é que faziam as quadras para a música
como representavam e como as caracterizavam. E suas tradições. No Baixo Alentejo, Alto Alen‑
tejo e Algarve.

Baixo Alentejo

Foi há mais de 20 anos, que um estudante do Con‑ ratinhos­‑ceifeiros, como o Oliveirinha da Serra, aos
servatório espreitando duma carruagem de terceira ranchos da Beira: outras aos ceifeiros algarvios, como
classe a torre, aprumada sobre muralhas esboroadas, a Ponte nova do Algarve. Estes, por sua vez, levam os
perguntava: ­‑ É Beja?... coros alentejanos para a sua província.
Nesse Domingo de Páscoa, Beja folgava com ba‑ Recortemos algumas quadras e versos soltos que
lhos caseiros e apreciava nas adegas os despiques à se referem a estes balhos da ex­‑romana Beja:
viola e as modas dobradas, pianinhas, entoadas por
Olhem para este balho,
trabalhadores rurais.
Olhem para este asseio,
Cantava­‑se por toda a Cidade a moda:
Olhem para o lindo par

Ai… ai… ai…, Qu’anda balhando no meio.
Santinha, santinha, ……………………
Foge à tua mãe O cantar quer’hora
Que eu fujo à minha, E a balhar maré
………………… ……………………
Esta moda alentejana,
A musicalidade destes corais, tem por projecção
Alentejana, quer balhar.
musico­‑espirituais das linhas alongadas das searas
Não me vou daqui embora
ondulantes, da enfuziada dos ventos de Abril, ou do
Sem ô mê amor falar.
esmaecer dos trigais.
Não se repetem as frases feitas em seu desprimor,
Ao passar a ribeirinha
apodando­‑os de lúgubres, árabes, monótonos, músi‑
Pus o pé, molhi a meia;
ca de cantochão, etc…
Não casi na minha terra
O esquema ritmo­‑melódico de todos os corais
Fui casar cm terra alheia.
alentejanos é de marchas, valsas e até mazurcas, can‑
……………………
tadas descansadamente. Do Baixo Alentejo desdo‑
bremos o que ainda se canta no ciclo anual. Esta moda – Ao passar da ribeirinha – canta­‑se com
O Natal. Nos lares as famílias aborralhadas pelos variantes musicais e poéticas em terras da Maia, Beira
madeiros comem os tradicionais bolos folhados. Ai, Baixa, Aljustrel e até no Algarve.
cantam, na igreja, O Deus Menino. No Baixo Alentejo, demonstra­‑o a reconstituição
das Almas Santas que se praticava, ainda há 30 anos,
Namorou­‑se o Deus Menino nas ruas de Ficalho, pela meia noite do ultimo dia de
Da cigana em Belém cada ano. Entoado por homens, acompanhava­‑se
………………… pela viola campaniça.
Esta noite de Janeiras
É de grande mer’cimento Já lá tendes os vossos pais
Por ser a noite primêra E mais alguns parentes seus
Em que Deus passou tormentos. ……………………
…………………
Estas quadras eram cantadas às portas para obter As frases são coreográficas de bailios regionais, o
ofertas de bolos, figos passados, amêndoas etc… desembaraço dos pares, o mexido dos pés, os saltos,
Algumas das quadras eram aprendidas pelos o rodopiar ágil, não se adaptam à sobriedade da gen‑

——
te do Baixo Alentejo. Dançam, sim, balham, mas à sua do Castelo de Portel, Mourão, Monsaraz, Arraiolos,
maneira. Uma das suas quadras, o explica: Aviz, Évora­‑Monte, Compo Maior, Castelo de Vide e
Amieira.
P’ra tocar o algarvio, Alentejo, senhora de Aires tão pequenina e Se‑
P’ra fandangos o Ribatejo, nhora de tão grande Mosteiro; frisos de esgrafitos,
P’ra campinos, Borda de Água, mármores de Borba; samarras e safões nos mercados
P’ra cantar o Alentejo. matutinos; brochas caiadoras porque:
Completa­‑se: p’ra cantar o Baixo Alentejo, porque
os corais estão para a sua predilecção como as salti‑ Nas terras do Alentejo
tantes saias para as camponesas do Alto Alentejo. É tudo tão asseado…
Com o harmónico, a flaita – gaita de bêço, bandur‑ As casas e o coração,
ra – a tocar, não há par que não balhe ou seja os ra‑ Sempre tudo anda lavrado.
pazes e raparigas dispostos alternadamente, em roda Alentejo dos ranchos que no acabamento da azei‑
fechada. No final os pares formados dão uma volta de tona, cantam de monte em monte, com vozes guin‑
modo a deixar à sua direita, a rapariga que antes fica‑ chantes das mulheres – com sais armadas em calções
ra à esquerda. – aos donos das colheitas:
Os Corais do Baixo Alentejo, são o natural exte­
riorizado dos que sentem a necessidade de não estar Já s’acabou àzeitona
sozinhos e cantando agrupados, se livram daquele Já se ganhou o dinheiro
silêncio amarfanhador das planícies despovoadas; si‑ De­‑em vivas ao patrão
lêncio que humilha os simples, ensimesma os pensa‑ E também ao mênagero
dores; planuras imensas. A paisagem do Baixo Alen‑ No ultimo dia da apanha da azeitona, os ranchos
tejo sem corais, é como catedral gigantesca sem as terminam o trabalho mais cedo, organizando um cor‑
sonoridades dum órgão! tejo que se dirige a casa do patrão, que lhe dá neste
Os Alentejanos cantam no tempo das ceifas, ao va‑ dia melhor tratamento, autentica ceia, com três ou
rejar do arvoredo, na apanha da azeitona, nas mon‑ quatro variedades culinárias, filhós e vinho, tanto
das e adiafas. quanto o rancho queira beber. O cortejo leva à fren‑
Cantam nas arruadas, nos sábados à noite, aos do‑ te uma bandeira de tecido vistoso, da qual pendem
mingo s em passeio e em calhando. objectos do ouro e prata: relógios, cordoes, brincos
Cantam também a natureza, o amor, a soledade, as etc… a bandeira é transportada por uma rapariga.
terras natais, a vida militar, factos históricos etc… No Alto Alentejo é no S. Mateus – Elvas – que os
Têm os corais antigos do Minho, das Terras de Mi‑ grupos de Campo Maior, do concelho de Borba, Vila
randa e de Riba Vouga – concelhos de Vouzela e S. Viçosa e Alandroal se despicam no bailar das saias
Pedro do Sul – corais a duas e três vozes harmónicas e novas:
quatro nos finais. No Douro e Beira Litoral, canta­‑se a
duas vozes, e a três no concelho de Sever­‑do­‑Vouga. Eu gosto de S. Mateus
Alguns dos corais são comuns a todo o Baixo Alen‑ Por causa dos arrais…
tejano, as variantes de timbres, a colaboração femi‑ ……………………
nina, a musicalidade dos pontos, altos ou requintas, Embora estas modas coreográficas se nos depa‑
dão­‑lhes sonoridades imprevistas que os renovam na rem do Sabugal a Évora, ou na região abrantina, é no
expressividade. Alto Alentejo, ao ritmar do pandeiro, que elas são mas
No Baixo Alentejo cantam­‑se os coros em atitudes castiças. Também dançam: fandangos, contradanças
de respeito, de concentração, quer que seja na arrua‑ com mandador e guitarras, violas, bandolins, harmó‑
da, nos trabalhos ou vendas à volta das mesas, beben‑ nicas e até pífaros.
do, bebendo… com as mãos enconchadas às bocas. Como expressão musica­‑etnográfica, os corais são
Cada grupo ou cada moda tem os seus pontos, isto para o Baixo Alentejo como as sais para o Alto Alen‑
é vozes escolhidas que começam, sós, os coros. tejo.
Neste ponto canta as letras, quadras variáveis:
o alto – requinta – sobrepõe­‑lhe a voz harmónica,
floreando­‑a na moda – estribilho – e os baixos com‑ Algarve
pletam a harmonização destes excelentes órgãos hu‑
manos. È no Algarve que se exportam os “corridinhos” e os
Há variantes na entrada do coro e do alto. Este figos torrados; estes ainda conservam o sabor pró‑
por exemplo, ataca na primeira sílaba um verso ou prio; quanto aos outros… já se fabricam e editam em
antecede­‑a com um ai ou a conjunção e… como Lisboa.
guia dos baixos, que entoam logo, até cortando vo‑ O corridinho algarvio consta de duas partes: o
cábulos. corrido propriamente dito e o rodado, que é orienta‑
do em sentido inverso do corridinho; consta de dois
compassos ou voltas completas de polca.
Alto Alentejo A segunda parte da moda é mais mexida e o par‑
ceiro é de feição, abandonam­‑se os passos conheci‑
No Alto Alentejo, o silencio na amplitude dos tri‑ dos e o par rodopia, sempre no mesmo lugar, num
gais, nos montes caiados e nas ruínas cenográficas passo especial.
——
Ao redor circulam os pares nos bailes de roda, Rouba, rouba
basta­‑lhes a gaita ou o fole, a guitarra, o bandolim, e Carinhosa
os ferrinhos para os movimentar. Viscodessa d’Aragão
Algumas modas de roda:
Na oitava algarvia fixaram­‑se modas nortenhas in‑
Anda lá p’ra diante tegrais ou assimiláveis à sua predilecção rítmica. Vi‑
As moças da nossa aldeia mos o Regadinho do século passado.
Os pratos da cantareira O cancioneiro da gente algarvia comparticipa das
Eu atrás das pulgas festas anuais do País, como Natal, fogueiras de Junho
Machadinha etc…

As conclusões que nós podemos tirar é que as modas, as quadras, as tradições, os instrumentos e
as musicas são muito diferentes em cada região; Baixo Alentejo, Alto Alentejo e Algarve.

Alto Alentejo

Baixo Alentejo

Algarve

——
5 Madeira e Açores
Bárbara Pereira, Elsa Constantino

Madeira Açores

Os instrumentos tradicionais da Madeira são: a Os instrumentos tradicionais dos Açores e a viola.


viola de arame, braguesa, toeira, campaniça, da terra, Nos Açores a viola da terra é um instrumento que
o branguinha (descendente do cavaquinho), o rajão todas as famílias têm em sua casa. A viola e uma tra‑
(tem dimensões intremedias entre o branquinha e o dição de família, passa de pais para filhos.
cavaquinho e de cinco cordas), estes é os da família A música tradicional dos Açores vem dos grupos
das violas. A rebeca (violino popular), bombo, trécu‑ folclóricos.
las e pandeiros.
O instrumento rajão apenas existe na Madeira.

Musicas tradicionais
O bailinho, charamba e a mourisca.
O bailinho é um canto despicado, podendo ser bai‑
lado, encontramos este canto nos grupos folclóricos.
O charamba é também um canto despicado, tem
uma longa tradição.
A mourisca é um canto despicado mas que tem
evoluído para um baile próprio de certas zonas.
A Madeira tem diversos cantos tradicionais, uns
são associados ao trabalho agrícola com carácter reli‑
gioso. Nas diversas festas festivas tem diversos cantos
próprios.
O Porto Santo tem aspecto mais notório tem a ex‑
clusividade dos cordofones na tradição
Musica do Porto Santo caracteriza­‑se por anda‑
mentos significativamente mais lentos que os da Ma‑
deira.

——
6 Romances
Joana Teixeira, Tânia Penha

Romances são composições que ilustram a possí‑ dieval peninsular. No romance tradicional português
vel articulação da literatura com os textos adoptados tratam de muitos assuntos através de intrigas, histórias
pela comunidade popular/rural, os romances foram ou fragmentos de his­tórias.
durante séculos conservados e transmitidos na vida Os primeiros romances foram cantados em Caste‑
quotidiana do povo. la, também se cantavam na Beira Baixa e em Trás­‑os­
O romance é o representante poético­‑narrativo na ‑Montes.
Península Ibérica e apresenta características próprias. É raro encontrar­‑se hoje em dia, alguma aldeia
distante escondida na montanha, perdida nos areais
Constituição do romance: do litoral, pessoas que se recordem de alguns destes
Os romances caracterizam­‑se por ser constituídos velhos romances.
por versos de 14 ou 15 sílabas, a rima pode ser polir‑ Exemplo: “Conde de Alemanha” – foi recolhido há
rímica (ter várias rimas) ou monorrímica (ter só uma mais de 20 anos numa aldeia da Beira Baixa.
rima). O romance é um produto da circunstância de um
Os romances eram quase sempre cantados, pre­do­ tempo e lugar, ele reflecte uma Espanha que procura
minam os diálogos e a narração. atingir ao sul as suas fronteiras modernas e ao mes‑
mo tempo busca, por via marítima, outros horizontes
História do Romanceiro Tradicional: para essa expansão.
Os romances terão tido a sua origem na frag­mentação O estudo do romance dos séculos XV e XVI consti‑
de gesta (relatos históricos que os tro­va­dores canta‑ tui mais uma das vias através das quais nos é possível
vam, depois a população ouvia e iam aprendendo), os constatar a unidade cultural que durante muitos sé‑
romances representam o prolon­gamento da épica me‑ culos nos oferece a Península Ibérica.

——
7 Fado
Adriana Tojal, Cláudia Marques, Diogo Leitão

Quando se fala de Portugal uma das coisas em que pensamos é “FADO”. Depois de ter sido repre‑
sentado durante décadas por Amália Rodrigues, o “Fado” é hoje um dos símbolos maiores de Por‑
tugal . Considerado a expressão da alma portuguesa, o “Fado” é cantado em bares e restaurantes
em quase todo o país e acompanhado pela “guitarra portuguesa”. Não importa qual a origem
do Fado, o que interessa salientar é que este se tornou um tesouro nacional a preservar, daí que
esteja em marcha o processo para a sua classificação como Património Mundial.
O Fado toca­‑nos pela melodia e pelas palavras e mesmo aqueles que não falam português não
ficam indiferentes como nos provam os espectáculos que têm lugar em vários pontos do mundo
e que atrem milhares de pessoas.

O Fado é, hoje em dia, um símbolo mundialmente gadas não só ao mar como às terras para lá daquele,
reconhecido de Portugal, desde há muitos anos re‑ onde habitavam os escravos. Veja­‑se o exemplo de
presentado no estrangeiro por Amália, e mais tarde uma das músicas cantadas pela Amália, chamada “O
por Dulce Pontes, entre outros. Pelo mundo fora, ao Barco Negro”, que fala precisamente de uma sanzala.
nome do nosso país, associam­‑se de imediato duas Uma outra hipótese considerada remonta o nasci‑
coisas: as toiradas e o Fado. Adquirindo diversas for‑ mento do fado à idade média, à época dos trovado‑
mas consoante seja cantado no Porto, em Coimbra res e dos jograis. Já nessa altura se encontravam nas
ou em Lisboa, o Fado é, por direito próprio, a expres‑ músicas características que ainda hoje o facto con‑
são da alma portuguesa. serva. Por exemplo, as cantigas de amigo, que eram
O nosso país está, desde o seu nascimento, embe‑ os amores cantados por uma mulher, têm grandes
bido num cruzamento de culturas. Foram primeiro os semelhanças com diversos temas do fado de Lisboa.
diversos povos que habitaram a zona que mais tarde As cantigas de amor, que eram cantadas pelo homem
se transformaria em Portugal e que deixaria os seus para uma mulher, parecem encontrar parentesco no
traços, foram os que invadiram o país já depois do Fado de Coimbra, onde os estudantes entoam as suas
seu nascimento, e são, ainda hoje, os diversos povos canções debaixo da janela da amada. Temos ainda, da
que aqui habitam e que contribuem para uma cultura mesma época, as cantigas de sátira, ou de escárnio e
comum. É neste sentido que é complicado apontar mal dizer, que são ainda hoje mote tão frequente do
com toda a certeza a origem do Fado, mas todos os fado, em críticas políticas e sociais.
estudiosos garantem que esta remonta há muitos sé‑ De qualquer modo, o fado parece ter surgido pri‑
culos atrás. meiramente em Lisboa e Porto, sendo depois trans‑
A explicação mais comumente aceite, pelo me‑ portado para Coimbra através dos estudantes Univer‑
nos em relação ao fado de Lisboa, é de que este teria sitários (já que Coimbra foi, durante muitos anos, a
nascido a partir dos cânticos dos Mouros, que per‑ cidade Universitária por excelência), e tendo aí adqui‑
maneceram nos arredores da cidade mesmo após a rido características bastante diferentes.
reconquista Cristã. A dolência e a melancolia daque‑
les cantos, que é tão comum no Fado, estaria na base
dessa explicação. Diferenças entre fados
Há no entanto quem diga que na realidade o fado Em Lisboa e no Porto encontramos o fado cantado
foi entrou em Portugal, mais uma vez pela porta de essencialmente na parte mais antiga da cidade, em
Lisboa, sob a forma do Lundum, uma música dos es‑ tabernas ou casas de fado, pequenas, antigas, de pa‑
cravos brasileiros, que teria chegado até nós através redes frias, decoradas com os símbolos daquela for‑
dos marinheiros vindos das suas longas viagens, cer‑ ma de canção nessas duas cidades: o xaile negro e a
ca de 1822. Só após algum tempo é que o Lundum guitarra portuguesa.
se foi modificando, até se ter transformado no nosso O homem que canta o fado fá­‑lo normalmente
Fado. A suportar esta hipótese está o facto de que as de fato escuro. Canta os seus amores, a sua cidade,
primeiras músicas dentro do género estavam de li‑ as misérias da vida, critica a sociedade, os políticos.
— 10 —
Fala muitas vezes da toirada, dos cavalos, de tempos Esta corrente diz­‑nos que a guitarra portuguesa, tal
passados e pessoas já idas, e fala, quase sempre, de como a conhecemos hoje, é de origem árabe. Mas, se
saudade. Mas de onde vem a palavra Fado? Do latim é verdade, que esta teoria é sustentada por inúmeros
fatum, que significa destino, o destino inexorável e adeptos, é também verdadeiro o facto de que assenta
que nada pode mudar. É por isso que o fado é normal‑ num pressuposto meramente verbal, o qual compara
mente tão melancólico, tão triste: porque canta a par‑ o nosso instrumento actual à antiga guitarra mouris‑
te do destino que foi contra os desejos do seu dono. ca, ou sarracénica, associando­‑a ao fado.
A mulher canta sempre de negro, normalmente de Diz­‑nos ainda que esta nossa forma musical de ex‑
xaile aos ombros, com uma voz lamentosa. Canta, tal pressão essencialmente popular (fado) é de origem
como o homem, o amor e a morte: a morte que vem árabe. Ora, esta teoria geralmente rebatida com dois
da perda do amor, o amor perdido para a morte... argumentos: é que, por um lado, a guitarra mourisca
Este modo de cantar espelha, de certo modo, o es‑ está na origem de uma linha de instrumentos com‑
pírito do povo português: a crença no destino como pletamente diferentes ­‑ as mandolas e as mandolinas
algo que nos subjuga e ao qual não podemos esca‑ ­‑, sabendo­‑se, por outro, que a associação da guitarra
par, o domínio da alma e do coração sobre a razão, ao fado é um fenómeno bem mais recente.
que levam a actos de paixão e desespero, e que se A partir de estudos realizados por diversos auto‑
traduzem naquele lamento tão negro mas tão belo. res e compositores ­ ‑ como Pedro Caldeira Cabral e
E em Coimbra? Em Coimbra temos o mesmo estilo António Portugal, entre outros ­‑, parece mais prová‑
triste, mas com uma motivação totalmente diferen‑ vel que a actual guitarra portuguesa resulte de uma
te. Tal como já se disse, o ex­‑libris de Coimbra são os fusão entre dois instrumentos: O Cistro Europeu, ou
estudantes. Aos poucos, jovens que iam de Lisboa e Cítara (utilizado em toda a Europa Ocidental durante
do Porto para ali, foram levando as suas guitarras e o Renascimento, que apresenta uma forma extrema‑
aquele estilo novo de tocar, que caiu nas boas graças mente semelhante e até, em alguns casos, o mesmo
da população estudantil. O que poderia ser melhor número de cordas e afinações que a guitarra, e que
para impressionar as suas amadas, do que cantaram terá sido introduzido em Portugal no século XVI, so‑
a sua angústia por não as terem, depositando­‑lhes bretudo a partir de Itália e França, propagando­‑se a
nas mãos um coração cheio de penas que só elas po‑ sul de Coimbra) e a Guitarra Inglesa (aqui introduzida
deriam aliviar? E que outra música poderia explicar no século XVIII, no Porto, difundindo­‑se depois rápi‑
melhor o desgosto de abandonar os melhores anos damente a norte de Coimbra). Isto poderá explicar as
da mocidade, a vida boémia de um estudante, do diferenças de construção, de estrutura e de afinação
que o Fado? Foi assim que ele surgiu como a música entre a guitarra de Coimbra, com origem no Porto e
oficial das despedidas de cada ano, e dos estudantes a de Lisboa.
em geral. A conclusão que se tira deste estudo é que a evo‑
Em Portugal é costume os estudantes trajarem lução da Guitarra se pode formular a partir de uma
com um fato e uma capa grossa, negros, e é assim teoria baseada nas coincidências existentes entre es‑
que se canta o fado em Coimbra. Pode parecer um tes dois instrumentos ­ ‑ o Cistro e a Guitarra Inglesa
pouco soturno, uma multidão de negro ouvindo ­‑ dando­‑se a adopção de elementos de um e de outro
uma serenata de Fado de Coimbra, mas na verdade e mantendo­‑se a sua prática ligada, desde o início, à
é muito belo. No silêncio da noite ­‑ pois as serenatas musica de tradição oral. Tal facto não terá também
são sempre à noite ­ ‑ ecoam as guitarras e as vozes sido alheio à deslocação da Corte para Coimbra, sen‑
profundas, num lamento que se estende por sobre a do bastante provável que estes dois antepassados da
multidão de capas negras, ou que se esgueira pelas guitarra tenham continuado a ser cultivados entre
esquinas das ruas estreitas e se entranha nas pedras nós, mesmo depois da época trovadoresca.
centenárias. Carlos Paredes acrescenta que já antes do Cistro,
no Renascimento, a nossa guitarra vai encontrar as
suas origens na Cítola, instrumento da Idade Média.
Origens E, tentando definir com mais precisão esse “Instru‑
Etimologicamente, a designação de Guitarra ad‑ mento musical a que chamamos hoje guitarra por‑
vém do vocábulo grego Kythara, que mais tarde os tuguesa”, diz­‑nos que “foi inventado em Inglaterra
latinos converteram em Cithara. Conta uma lenda na segunda metade do século XVIII”, surgindo como
que este nome provém de Cyterón, o nome de uma “resposta à necessidade de obter do Cistro uma so‑
montanha situada algures entre a Beócia e a Ática. noridade mais emotiva e volumosa, de acordo com
Mas há quem, discordando desta opinião, defenda as transformações verificadas no gosto musical da
que deriva sim de Cythara, o antigo nome da ilha gre‑ época, a apontar para o Romantismo (...) foi­‑lhe dado
ga Cerigo, a qual era considerada como o paraíso da o nome de Guitarra Inglesa”.
poesia e do amor, e na qual existia um templo dedi‑ Mas Paredes introduz um dado novo ao dizer que,
cado a Vénus. se na aparência, este instrumento pouco se distin‑
Mas, como esta matéria não reúne qualquer con‑ guia do Cistro, “já dele profundamente diferia nas
senso, há ainda quem prefira acreditar que a origem qualidades essenciais”. Segundo um texto do mesmo
do nome guitarra remonta à Idade Média, sendo a compositor, este novo instrumento teve a aceitação
sua invenção e construção da responsabilidade de rápida e apaixonada, especialmente pela juventude
um mouro espanhol que daria pelo nome de Al­ de diversos países europeus, nomeadamente em
‑Guitar. Portugal, nas cidades do Porto, Coimbra e Lisboa.
— 11 —
Abandonada, no resto da Europa, entre finais do sé‑ É então que um construtor anónimo do século XIX,
culo XVIII e princípios do século XIX, terá sobrevivido respeitando o instrumento anterior, adapta as cabe‑
até aos nossos dias apenas na Escócia e em Portugal, ças da viola de arame à guitarra e, como estas tinham
aqui com o nome de Guitarra Portuguesa, instrumen‑ doze cordas, viu­‑se obrigado a alterar o encordoa‑
to que se adaptou às expressões da música popular mento, redistribuíndo­‑as em seis ordens de cordas
urbana, como é o caso do Fado de Lisboa ou da Can‑ duplas e adicionando cordas de aço aos bordões.
ção de Coimbra. Esta foi, seguramente, a maior transformação de
E foi em virtude do sucesso que o instrumento todas, e aquela que mais terá contribuído para que a
teve entre nós, que o mestre António da Silva Leite guitarra adquirisse a especificidade que lhe conhece‑
publica, em 1976, no Porto, o seu “Estudo de Gui‑ mos hoje, com doze cordas e cravelhas.
tarra”, com vista a facilitar a aprendizagem aos seus Em Coimbra, na opinião de Armando Simões, a
inúmeros discípulos. Esta obra confirma a origem da construção de guitarras remonta aos finais do sé‑
guitarra a partir da Inglaterra, onde eram construídas culo XIX e primeiro quartel do século XX, sendo
por um artesão de nome Simpson, passando então as primeiras guitarras trazidas por estudantes do
a ser copiadas e fabricadas em Portugal pelo artesão Porto e de Lisboa, mesmo quando a indústria da
portuense Luis Cardoso Soares Sevilhano. cidade já as fabricava. Segundo este autor, a Gui‑
Estes factores terão contribuído para a vasta difu‑ tarra de Coimbra passa a distinguir­‑se da de Lisboa
são da guitarra na cidade nortenha, onde era usada já nos finais do século XIX, sendo exemplo deste
como instrumento de sala, em substituição do cravo facto a guitarra de Augusto Hilário que, apesar de
e de outros instrumentos do género. Segundo Silva construída em Lisboa, por A. Vieira, tinha a escala
Leite, a guitarra era “assaz suficiente para entreteni‑ mais comprida, para o mesmo número de pontos,
mento de uma assembleia, evitando o incómodo a ilharga mais estreita e passou a afinar dois pontos
convite de uma orquestra”. abaixo do lámiré, perdendo o brilho do som que
Esta guitarra, que Mário Sampayo Ribeiro acredita ter até aí apresentava, mas ganhando, em contraparti‑
sido introduzida pela colónia inglesa no Porto, passou a da, uma sonoridade mais grave, mais suave e melo‑
desempenhar um papel social e musical muito impor‑ diosa, bem ao estilo da música de Coimbra. Outro
tante, desde o início do século XVIII. Segundo Sampayo magnífico instrumento que podemos encontrar
Ribeiro, seria já nos finais desse século que a guitarra se em Coimbra, nos finais do século XIX, é a guitar‑
“aportuguesaria” e se difundiria por todo o país, a par‑ ra de Antero Alte da Veiga, da autoria de Augusto
tir da “Cidade Invicta”, começando então a substituir a Vieira e com a voluta esculpida por Ventura da Câ‑
viola que era, até aí, um instrumento de grande popu‑ mara. Esta, tal como outros instrumentos que vão
laridade. Será a partir desta altura que a guitarra sofre da mesma época até ao começo do nosso século,
reajustamentos diversos, com vista a melhor se adaptar apresentava outra curiosidade, tendo no tampo
às raízes da música tradicional portuguesa. dois orifícios acústicos.

Com este trabalho concluimos que o fado é um tipo de musica muito importante e que tras mui‑
tas recordações. Vejamos alguns exemplos de letras de fados:

Que Deus me perdoe


Letra: Silva Tavares
Música: Frederico Valério

Se a minha alma fechada E nada me dói


Se pudesse mostrar, Se é pois um pecado
E o que eu sofro calada Ter amor ao fado
Se pudesse contar, Que Deus me perdoe.
Toda a gente veria
Quanto sou desgraçada Quanto canto não penso
Quanto finjo alegria No que a vida é de má,
Quanto choro a cantar... Nem sequer me pertenço,
Nem o mal se me dá.
Que Deus me perdoe Chego a querer a verdade
Se é crime ou pecado E a sonhar ­‑ sonho imenso ­‑
Mas eu sou assim Que tudo é felicidade
E fugindo ao fado, E tristeza não há.
Fugia de mim.
Cantando dou brado

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A moda das tranças pretas Povo que lavas no rio
Letra: Vicente da Câmara Letra: Pedro Homem de Melo
Música: Ginguinhas Música: Fado Victoria

Como era linda com seu ar namoradeiro Povo que lavas no rio
‘Té lhe chamavam “menina das tranças pretas”, E talhas com o teu machado
Pelo Chiado passeava o dia inteiro, As tábuas do meu caixão.
Apregoando raminhos de violetas. Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
E as raparigas d’alta roda que passavam Mas a tua vida não.
Ficavam tristes a pensar no seu cabelo,
Quando ela olhava, com vergonha, disfarçavam Fui ter à mesa redonda
E pouco a pouco todas deixaram crescê­‑lo. Bebi em malga que me esconde
O beijo de mão em mão.
Passaram dias e as meninas do Chiado Era o vinho que me deste
Usavam tranças enfeitadas com violetas, A água pura, puro agreste
Todas gostavam do seu novo penteado, Mas a tua vida não.
E assim nasceu a moda das tranças pretas.
Aromas de luz e de lama
Da violeteira já ninguém hoje tem esperanças, Dormi com eles na cama
Deixou saudades, foi­‑se embora e à tardinha Tive a mesma condição.
Está o Chiado carregado de mil tranças Povo, povo, eu te pertenço
Mas tranças pretas ninguém tem como ela as tinha. Deste­‑me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.

Povo que lavas no rio


E talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

BILIOGRAFIA
Alguns dos conteudos deste trabalho foram retirados dos seguintes sites: www.sapo.pt, www.google.pt
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8 Danças Tradicionais
Paulo Santos, Susana Lourenço

A dança é uma arte, ou seja, é um conjunto de regras para realizar algo com perfeição, no qual
exige habilidade e compromisso ao dedicar­‑se, todavia é uma forma de expressão artística coor‑
denada, que carece de sentimentos e ideias através do movimento corporal.
Na maior parte dos casos, a dança, com passos cadenciados é acompanhada ao som e compasso
de músico e envolve a expressão de sentimentos potenciados por ela.

O Vira
O vira é uma das mais antigas danças populares dango são intercalados por voltas apertadas, ombro
portuguesas. com ombro e largas – são as voltas de fuga em que a
O vira é uma dança de tradição minhota embora se mulher se escapa e o homem procura apanhá­‑la, as
baile, de maneira diferente, também na Nazaré e no voltas do cerco em que o homem impede a fuga da
Ribatejo e, hoje se baile á maneira minhota em quase mulher, dançando em sentido contrário ao da com‑
todo o país. panheira, aparecendo­‑lhe ao caminho no intuito de a
O vira é, de uma maneira geral, a dança popular obrigar a mudar de atitude.
portuguesa mais característica e popularizada.
Há inúmeras variantes – tanto musicais como a
maneira de bailar: VIRA DE RODA, VIRA DE ESTREPAS‑ O corridinho
SADO, VIRA ROUBADO, VIRA AFANDANGADO, VIRA O corridinho que, também se baila em algumas
VALSEADO, VIRA­‑FLOR, VIRA DE TREMPE, VIRA GALE‑ terras do Ribatejo e do Alentejo, é, sobretudo, uma
GO, VIRA AO DESSAFIO, VIRA POVEIRO (da Póvoa do dança algarvia: o Algarve é a verdadeira pátria do cor‑
Varzim), etc. ridinho.
No ponto de vista musical, o Vira em maior e é O corridinho é uma dança antiga, porém, não
muito semelhante ao fandango; porém o fandango muita velha: reflecte aspectos de danças citadinas
dança­‑se de diferente maneira. adaptadas pelo povo pois que é, no seu aspecto ge‑
ral, uma dança que se baila ao ritmo da polca­‑galope.
Ora, tanto a polca como a galope são danças estran‑
O Fandango geiras citadinas.
No ponto de vista musical o Fandango é seme‑ O corridinho é bailado ao som do fole ou flaita, isto
lhante ao vira, baila­‑se de diferente maneira: de resto, é, da concertina.
o actual vira, porém, baila­‑se de diferente maneira; de É curioso notar que o corridinho é das raras danças
resto, o actual vira é o antigo fandango agora dança‑ populares que não têm canto.
do em cruz. O corridinho consta de duas partes: o corrido, pro‑
Dança que nos veio de Espanha, o Fandango priamente dito; e o rodado, que é orientado em sen‑
enraizou­‑se em Portugal, onde é bailado em quase tido inverso ao do corrido. Quando, porém, uma se‑
todo o país desde há muito. gunda parte da moda é mais mexida e a parceira é de
È o fandango uma dança de agilidade e sapateado, feição, abandonam­‑se os passos conhecidos e o par
uma espécie de torneio no qual o homem pretende rodopia sempre no mesmo lugar, num passo especial
atrair as atenções femininas, salientando­‑se na pres‑ que se chama escovinha.
teza e plasticidade dos seus movimentos, transfor‑
mando os pés em bilros.
Cada fandango é, assim, uma história de amor na A chula
qual a mulher começa por aceitar o convite que o ho‑ A chula – ou xula – é uma dança popular portu‑
mem lhe dirige para bailar; este convite não é senão guesa muito antiga. Gil Vicente refere­‑se a ela numa
um colóquio em que os passos prolongam a força das das suas peças ou autos teatrais.
palavras. A mulher, cortejada, foge na esperança de É uma dança que tem cantador ou cantadeira ao
ser perseguida; na ânsia de a conquistar, o homem desafio, mas o seu estribilho – ou refrão – é só instru‑
vai atrás dela, até que ela, vencida pelo cansaço ou mental.
desejosa de encara o perseguidor, suspende o jogo e Baila­‑se a chula – que é uma dança tipicamente
se volta para ele. De quando em quando, tanto o ho‑ nortenha – do Minho à Beira­‑Alta setentrional. Porém,
mem como a mulher, fingem­‑se amuados, pelo que a chula do Alto­‑Douro tem instrumentos especiais e
se viram de costas um para o outro. Os passos do Fan‑ especial maneira de se bailar. Tal como o malhão, a
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Cana­‑verde e o vira, a chula pode acompanhar­‑se A Tirana
apenas pelo ritmar da viola­‑ramaldeira e, tal como Apesar de melodicamente a tirana ser uma dança
elas, que são danças típicas do Minho e do Douro. meridional, isto é, do sul, a verdade é que ela se baila
exclusivamente do Minho à Beira­‑Litoral, particular‑
mente na região de Coimbra – pois tirana se chama
A gota ás tricanas de Coimbra.
A gota é uma dança popular portuguesa, bailada O ritmo de tirana é um ritmo valseado. No nosso
no Minho, que nada tem que ver com a jota espanho‑ teatro ligeiro musicado, bem como nos ranchos fol‑
la (geralmente conhecida pelo nome de jota arago‑ clóricos, dança­‑se frequentemente a tirana mas, erra‑
nesa). damente, lhe chamam, a maior parte das vezes, vira.
Há, contudo, íntimas relações entre a gota, o vira, Como a moda­‑das­‑saias, a tirana tanto pode ser só
o fandango e jota espanhola; a gota é, porém, uma cantada como cantada e bailada, como, ainda, baila‑
espécie de fandango. da com acompanhamento instrumental.
O fandango distingue­‑se da gota porque esta pos‑ As lavadeiras de Riba­‑Lima cantam­‑na em forma
sui um carácter mais instrumental. O desenvolvimen‑ de coral­‑terno.
to melódico da gota aparenta­‑se com o da tirana, que A tirana tem inúmeras e variedades marcações.
é, também, uma dança popular portuguesa.
A gota baila­‑se da mesma maneira que o fandan‑
go, apenas com o ritmo um pouco diferente. Malhão
Ao malhão também lhe chamam a Moda das Ca‑
minhas como a Rusga ou o Senhor da Pedra.
A moda das saias Embora se baile também na Beira­‑Alta, o Malhão
A moda das saias é uma dança popular bailada é uma dança tipicamente minhota, do Minho Litoral,
principalmente pela gente do Alto­‑Alentejo mas, muito semelhante á chula.
também, bailada em algumas regiões do Ribatejo, da Dança muito antiga, o Malhão tem, como a chula,
Beira­‑Baixa, da Beira­‑Litoral, da Extremadura, da Beira­ acompanhamento de canto: o seu acompanhamento
‑Alta e do Douro Litoral. Contudo, repetimos, é mais musical é de instrumento e cantador.
característica do Alto­‑Alentejo e das terras interiores
da Beira­‑Litoral e do Ribatejo – precisamente daquela
região que outrora pertenceu à Extremadura (Tomar, A ciranda
Pombal, Ancião, Figueiró dos Vinhos, Chão de couce, A ciranda é uma dança que se divulgou no século
Avelar, etc.) É uma dança sincopada e, ás vezes, com passado e vem inserta em vários cancioneiros. Não
marcador. tem acompanhamento instrumental, pois baila­‑se
O ritmo típico das Saias é o binário; no Alto­‑Alentejo apenas ao som de harmónio e com acompanhamen‑
o binário composto (6/8); no Douro­‑Litoral as saias to de canto.
têm um ritmo nortenho – binário simples (2/4). Não deve ser uma dança muito antiga entre nós
A Moda das saias tem vários aspectos, por isso, há porque o harmónio é um instrumento austríaco que
várias modalidades de saias: só há um século começou a popularizar­‑se em Por‑
tugal.
a) Velhas – as antigas, em forma de valsa­‑mazurca; A ciranda é uma dança que se baila particularmen‑
b) Novas – as actuais, em forma de valsa­‑campestre; te na Beira­‑Litoral e na região do norte da extrema‑
c) Aiadas – aquelas em que o marcador grita um dura.
«ai» no estribilho, a indicar a volta;
d) Puladinhas (ou pulado);
e) Com estribilho. A farrapeira
A farrapeira é uma das mais típicas e belas danças
de Portugal. Não se sabe bem desde quando o povo
O bailarico a baila, mas parece ser uma dança bastante antiga,
O bailarico é uma dança popular actual que se bai‑ pois o seu aspecto musical aparenta­‑se com as mais
la na região que vai do Alcoa ao Sado, isto é, em toda antigas danças da nossa gente do povo.
a região estremenha. Baila­‑se, sobretudo, nas regiões É a farrapeira uma dança nortenha do interior; me‑
de torres Vedras, Caldas da Rainha e Malveira, Sintra lodia que se assemelha à caninha­‑verde, exige ela um
e Mafra, pelo que é conhecida pelo nome da «dança marcador espirituoso.
saloia». Porém, também no Alentejo, no Ribatejo e no Apesar de ser uma dança típica das Beiras também
Algarve o dançam. no Ribatejo e bailam.
É o Bailarico uma das mais típicas e características Dança bem ritmada, é acompanhada à guitarra e,
danças populares portuguesas. É, também, uma dan‑ em algumas regiões, a pífaro e gaita­‑de­‑foles.
ça simples e ingénua, se bem que ritmada e muito Uma das características da Farrapeira é o facto de
movimentada são bem característicos da sua pureza ela ser uma das raras danças populares portuguesas
e genuidade portuguesas. cujo refrão ou estribilho é instrumental.
O bailarico é dançado com dois, quatro ou seis pa‑
res.
No Ribatejo chamam­‑lhe bailharico.
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O regadinho pelo povo da Beira­‑alta, particularmente nos arredo‑
O regadinho é uma dança popular que se vulga‑ res de Viseu.
rizou no século passado e se baila em todo o norte A moda do indo eu é uma moda de roda mais per‑
do País e, também, na Beira Litoral. É, por isso, uma to das brincadeiras e dos jogos de entretenimento do
dança híbrida, quer dizer: com algo de nortenho e que das danças.
algo de litoral.
Dança bem ritmada, o regadinho é, pouco mais ou
menos, uma marcha; este seu aspecto leva­‑nos a crer A moda da ti´anica de loulé
que se trata de uma dança de salão ou burguesa, im‑ Como o indo eu, a moda da ti’anica de Loulé é mais
portada da Europa após as invasões francesas. uma brincadeira do que uma dança.
No norte bailam o regadinho sem acompanhamen‑ Porém, como se baila muito, resolvemos dá­‑la
to instrumental, apenas acompanhado á viola, ao pas‑ igualmente aqui.
so que na Beira Litoral o bailam ao som da guitarra. A ti’anica de Loulé é uma moda de roda algarvia
que se vulgarizou, no sul do País, no século passado.
É uma moda muito semelhante ás danças burguesas
A moda do indo eu e citadinas de salão. Julgamos tratar­‑se de uma dança
Pensamos ser útil incluir aqui a moda que, apesar de salão que os camponeses adaptaram.
de não ser uma dança autêntica, é muito dançada A ti’anica não tem acompanhamento próprio.

— 16 —
9 Ranchos Folclóricos
Daniela Santos, Filipe Silva

Não é fácil estabelecer uma data para a constitui‑ própria designação de rancho provém daí, conforme
ção do «primeiro» rancho folclórico português, dado explica Manuel Enes Pereira a respeito de Carreço: «A
que a génese destes agrupamentos foi um processo princípio houve hesitações a respeito do título. Gru‑
continuado no tempo. po? Rancho? Optou­‑se pelo Rancho».
Pelos dados disponíveis, foi o Rancho de Carreço, do Outros agrupamentos de folclore, por fim tiveram
concelho de Viana do Castelo, o primeiro que, devida‑ a sua origem nos grupos ambulantes de representa‑
mente organizado, se fundou em Portugal, por volta ção coreográfica que até há alguns anos percorriam
de 1925, segundo nos conta Manuel Enes Pereira. aldeias, vilas e cidades no período entre os Reis e o
A autora Maria Emília de Vasconcelos terá, pois, Entrudo, e a que, na maior parte dos casos, se dava o
utilizado a expressão «grupo folclórico» para desig‑ nome de contradanças. A respeito da Beira Baixa: «as
nar apenas um conjunto de pessoas reunidas com nossas contradanças de antigamente eram o que são
trajes regionais ou folclóricos. hoje os ranchos folclóricos», querendo­‑se com isso
Voltando, portanto, às relevantes informações significar que eram grupos de populares que se orga‑
que nos presta Manuel Enes Pereira sobre o rancho nizavam, ensaiavam e trajavam especialmente para
de Carreço, conta­‑nos uma série de factos relativos apresentarem espectáculos músico­‑coreográficos. Já
à fundação do agrupamento, cuja a origem se pode na região de Odemira – posto que o fenómeno era
situar no inicio do século XX quando as moças de Car‑ nacional – os grupos de populares que assim actua‑
reço, vistosamente trajadas à minhota, eram solicita‑ vam pelas povoações ao derredor eram conhecidos
das para se apresentarem em Viana do Castelo nas por uma designação que releva a mesma característi‑
recepções de entidades civis ou religiosas em visita à cas: chamavam­‑lhes a «dança dos ensaiados».
Princesa do Lima. Estes grupos de danças populares desceram da
Depois, começaram a pedir­‑lhes que, nessas apre‑ velha tradição lusitana de organizar espectáculos
sentações, dançassem e cantassem, até que, graças músico – coreográficos nas mais diversas circuns‑
à regularidade deste tipo de solicitações, o agrupa‑ tâncias, sobretudo por ocasião das mais importan‑
mento veio a constituir­‑se com membros certos e sob tes festividades e cerimónias civis ou religiosas. Essa
a orientação de um ensaiador, o que poderá situar­‑se tradição provinha de longe, da Idade Média, de que
em 1925. O Rancho de Carreço tem, com efeito, bas‑ se conhece o caso notório das procissões religiosas
tas notícias: alguns ranchos de folclore tiveram os para as quais as próprias corporações profissionais
seus primórdios nos grupos informais que se desloca‑ estavam obrigadas a assegurar o concurso de certas
vam à vila ou cidade sede do seu concelho a convite danças (das espadas, da serpente, das ciganas, do im‑
especial das autoridades para certas cerimónias, nor‑ perador, etc.) para maior culto e melhor celebração
malmente de recepção a convidados ilustres; outros do Santo ou entidade venerada. A dança teve, desde
conheceram esses primórdios nos cortejos anuais das tempos imemoriais, carácter ritual e mágico­‑religioso
festas, civis ou religiosas, do deu concelho, em que e, por essa razão, foi também chamada a fazer parte
participavam ranchos de rapazes e raparigas das vá‑ das procissões e dos grandes momentos cerimoniais
rias freguesias, com os trajos do campo, e por vezes do catolicismo. Esta tradição atingiu o seu máximo
dançando e cantando. esplendor nos séculos XVII e XVIII, com o gosto barro‑
Há uma outra situação semelhante a estas duas: a co pela imponência e pelo aparato. A igreja rivalizava
dos ranchos que se formavam nas várias aldeias para com a Corte na magnificência das suas cerimónias, e
irem a pé, cantando e dançando, às romeiras dos mais as danças desempenhavam nisso papel de relevo. Os
variados oragos por todo o país, ou ainda às fogueiras próprios conventos rivalizavam entre si no fausto e
do S. João, em Braga, em Coimbra, ou noutras povo‑ brilho das suas danças e festividades em honra dos
ações. Alguns agrupamentos folclóricos nasceram a vários santos e nas respectivas solenidades.
partir desses ranchos, ou rusgas de romeiros, como O gosto nacional pelos espectáculos coreográficos
foi precisamente o caso da Rusga de S. Vicente. A de rua era tamanho que se aproveitava quase todos os

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acontecimentos sociais, civis, ou religiosos, para orga‑ também nos Santos Populares de Junho, em que con‑
nizar um cortejo de danças. Havia, obviamente, grupos tinuou a ser costume desfilarem grupos de danças en‑
de populares relativamente estruturados, preparados saiados vindos das aldeias, com os respectivos trajos
e ensaiados para o efeito. E era a dança dos rios, era a populares, geralmente com tendência uniformizante,
dança dos arcos, das espadas, as chacotas, etc. que vinham, mais espontaneamente ou mais organi‑
Os grupos de populares que ensaiavam regular‑ zadamente (a pedido, combinadamente com as en‑
mente para as apresentações públicas começaram tidades ou as comissões de festas), desfilar na vila e
a rarear e a orientar as suas actividades para as já assim representar com vaidade as suas localidades.
poucas ocasiões que os solicitavam. Quase toda esta Temos notícia de que o mesmo sucedia (sucede) um
vasta tradição coreográfica de rua se foi perdendo. pouco por todo o país. No fundo, a integração de gru‑
Acabou por sobreviver apenas o gosto popular pelos pos ou ranchos campesinos nos cortejos da principal
espectáculos de danças, com afloramentos em várias festa do concelho correspondeu ao enquadramento
época do ano, designadamente no Entrudo. institucional dos grupos populares que espontânea‑
Mas nem só nas comemorações entrudescas se mente ocorriam a esse tipo de festas, da mesma for‑
consegue detectar resquícios da velha tradição na‑ ma como o faziam, por exemplo, nas romarias.
cional das danças de rua. Essa tradição prolongou­‑se Estes grupos eram acompanhados por instrumen‑
noutras épocas e noutras ocasiões, nomeadamente tos que eram: violas populares, violões, rabecas, flau‑
nas festas concelhias, em cortejos de oferendas, e tas e rabecão ou contrabaixo.

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10 Instrumentos Populares
Joana Silva, Milene Almeida, Suse Gomes

Portugal forma­‑se com Nação num território cul‑ TRÁS­‑OS­‑MONTES


turalmente abrangido pela Península Ibérica. A este Em Trás­‑os­‑Montes, além dos conjuntos instru‑
espaço confluem vários povos e culturas que até ao mentais do GAITEIRO e TAMBORlLElRO,tem também
séc. XVI se vão influenciar mutuamente, conservando importância o PANDEIRO, membranofone de forma
particularidades que Ihe são próprias e criando por quadrangular, geralmente tocado pelas mulheres a
isso aspectos muito ricos, nomeadamente no campo acompanhar todo o género de cantares de festa.
da música e dos instrumentos musicais. Neste aspec‑
to tem particular importância a ocupação árabe. Os BEIRA LITORAL
seus músicos alcançaram grande prestígio e alguns Também nesta região, além dos conjunto instru‑
dos seus instrumentos foram rapidamente copiados mental dos ZÉS­‑PEREIRAS e do FADO, teve particular
e utilizados pelos músicos cristãos. Alguns deles che‑ importância a VIOLA TOEIRA nomeadamente na re‑
gam até aos nossos dias mantendo o nome árabe gião de Coimbra, onde hoje infelizmente já não existe
como por exemplo o adufe. Os materiais usados na nenhum tocador.
feitura dos instrumentos são também reveladores
das actividades quotidianas dos seus proprietários. BEIRAS INTERIORES
Instrumentos feitos com peles de animais como por Sobretudo na Beira­‑Baixa, o ADUFE é o instrumen‑
exemplo: a gaita­‑de­‑foles, o adufe e a sarronca são de to mais importante da região. Ele é aí tocado com
carácter pastoril aparecendo por isso nas regiões do grande maestria, imaginação e paixão, tanto em fes‑
país onde essa actividade é predominante. tas profanas como religiosas, alvíssaras da Páscoa e
Romarias. A FLAUTA TRAVESSA e a PALHETA são pas‑
satempo individual de pastores. Na região do Fundão
Distribuição Regional tem grande importância os BOMBOS. A VIOLA BEIROA
Na verdade a caracterização geográfica do País além das funções de passatempo era também um
está intimamente ligada à distribuição das formas instrumento cerimonial usado na Dança da Genebres
instrumentais. Ernesto Veiga de Oliveira apoia­‑se na e outras que tinham lugar na festa da Senhora dos
divisão que Orlando Ribeiro faz em Portugal Atlân‑ Altos Céus, na Lousa, e nas Folias do Espírito Santo de
tico, Transmontano e Mediterrâneo. “... Sob o ponto grande importância nesta região.
de vista paisagístico e cultural especial e muito geral,
distinguiremos em Portugal, ao norte do Tejo duas ESTREMADURA
áreas fundamentais por um lado, as terras do planalto Na Estremadura o ACORDEÃO, se bem que seja um
alto e leste transmontano e beirão, marcadamente ar‑ instrumento muito difundido por todo o país tem um
caizantes e pastoris e por outro lado, as terras baixas a lugar muito especial nos bailes acompanhando o fan‑
ocidente da barreira central, do Minho ao Tejo, popu‑ dango, o passecate, o verde gaio, a contradança, etc.
losas, conviventes, intensamente humanizadas, aber‑ Também a GAITA DE FOLES é um elemento impres‑
tas a todas as influências e naturalmente impelidas cindível dos Círios da região. Em Lisboa tem grande
para fórmulas mais progressivas, embora imersas ain‑ destaque a GUITARRA PORTUGUESA e o VIOLÃO por
da em inúmeros sectores culturais, no seu ambiente vezes acompanhado pelo VIOLÃO BAIXO no conjunto
tradicional. O Alentejo, sob certos aspectos, prolonga do FADO.
a sul, o panorama pastoril do planalto; a cultura regio‑
nal reflecte uma personalidade original muito forte, e ALENTEJO
é também acentuadamente tradicional, mas a marca No Alentejo existe três formas instrumentais: TAM‑
do espaço é ali mais sensível do que a do tempo. E no BORIL E FLAUTA na região além Guadiana. O PANDEI‑
Algarve, por seu turno, inversamente, condições pa‑ RO quadrangular e a PANDEIRETA majs a norte da
ralelas às que apontamos nessas regiões nortenhas província. Mais a sul a VIOLA CAMPANIÇA como ins‑
ocidentais estão na base de um ambiente que sob trumento acompanhador do canto e animador dos
certos aspectos, se assemelha ao dessas terras...” bailes da região.

MINHO ALGARVE
No Minho os instrumentos mais importantes são No Algarve além dos instrumentos de tuna e do
os conjuntos instrumentais das RUSGAS, da CHULA, e ACORDEÃO, na região da serra encontra­‑se com fre‑
também dos ZÉS­‑PEREIRAS. quência a FLAUTA TRAVESSA feita de cana.

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MADEIRA GAITEIROS
Na Madeira têm grande importância os conjuntos Da região de Trás­‑os­‑Montes é composto pela
formados pelos instrumentos de corda: a VIOLA DE gaita­‑de­‑foles, caixa bombo. É o grupo instrumental
ARAME, o RAJÃO e a BRAGUINHA e a RABECA ou VIO‑ mais importante da região para as grandes festas,
LINO, que acompanham os cantadores e a dança nas danças de Pauliteiros, procissões, peditórios, ofícios
festas públicas que se realizam na ilha. religiosos, Festas dos Rapazes, etc.

AÇORES TAMBORILEIRO
Os instrumentos mais importantes das ilhas dos É um conjunto composto por tamboril e flauta to‑
Açores são as violas com dois tipos distintos: A VIOLA cado por um só individuo. Surge em duas regiões. Em
MICAELENSE com a boca em forma de dois corações terras de Miranda, Trás­‑os­‑Montes com as mesmas
e a viola TERCEIRENSE com a boca redonda. Ambas funções e o mesmo reportório da gaita­‑de­‑foles. Na
se usam em ocasiões festivas a solo ou a acompanhar área além Guadiana em Vila Verde de Ficalho e Sto.
o canto e a dança, nas romarias, aos serões. Também Aleixo da Restauração, Alentejo também com carác‑
nas festas do Espirito Santo de grande importãncia ter cerimonial muito pobre, tocando exclusivamente
em todas as ilhas, os Foliões, grupos de tocadores que na festa do padroeiro local.
acompanham os vários momentos da festa e tocam o  
TAMBOR DA FOLIA juntamente com o PANDEIRO, fus‑ RUSGA
te de pandeireta sem pele, na ilha de S. Miguel. Nas Composto essencialmente por instrumentos de
ilhas de S. Maria, Flores e Corvo o acompanhamento corda, cavaquinho, viola braguesa e violão, são acom‑
do tambor é feito com os TESTOS, pequenos pratos panhados ritmicamente pelo tambor, os ferrinhos e
metálicos que se batem um contra o outro. o reque­‑reque. Mais modernamente surge também
a concertina ou o acordeão. As rusgas minhotas são
grupos festivos que se podiam ver a caminho das fes‑
tas e romarias e nos trabalhos colectivos da região,
Os Conjuntos acompanhando a dança que espontaneamente se
Apesar da importância da música vocal tradicio‑ organizava.
nal em Portugal, nomeadamente no Alentejo com os
corais masculinos ou as canções polifónicas a três e FADO
quatro vozes minhotas e beirãs além dos cantos de Na região de Lisboa e de Coimbra a guitarra e o
trabalho, canções de embalar, os instrumentos têm violão acompanham uma forma específica, o fado,
funções muito importantes na vida das comunidades que em Lisboa é característico dos bairros populares,
que os utilizam. Geralmente construídos pelos pró‑ e que em Coimbra se encontra relacionado com o
prios tocadores ou por habilidosos locais, mantendo ambiente estudantil da Universidade.
formas e técnicas de construção que se foram perpe‑  
tuando ao longo dos anos, foram também fixando CHULA
funções de carácter ora cerimonial ora lúdico, onde É uma forma musical, instrumental, vocal e coreo‑
o próprio instrumento dava significado a essas festas gráfica de todo o Noroeste e mais especificamente da
e a essas cerimónias. Tocadores de gaita de foles que região compreendida entre os rios Douro e Tâmega.
acompanham o Círio da região estremenha, e Zés Pe‑ Semelhante à RUSGA, tem no entanto um carácter
reiras minhotos que acompanham pela aldeia o com‑ mais definido. A viola utilizada é a viola amarantina
passo pascal são exemplos dessa funcionalidade da e utiliza um instrumento específico a rabeca chulei‑
música e dos instrumentos ao serviço de uma cultura ra, espécie de violino de braço muito curto e escala
onde estes objectos de fazer música ocupavam um muito aguda que sublinha a melodia e improvisa nos
espaço muito importante. Alguns destes instrumen‑ longos «ritornellos» instrumentais entre o cantador e
tos nunca tocam isolados mas integrados em peque‑ a cantadeira que cantam ao desafio.
nos grupos instrumentais que caracterizam formas
musicais próprias onde cada instrumento tem uma BOMBOS
função específica. Formando parte de um todo que Na região da Serra da Estrela (Lavacolhos, Silvares,
se apresenta geralmente em situações festivas ou Souto da Casa) surge o conjunto instrumental dos
cerimoniais, estão ligados aos momentos mais im‑ BOMBOS composto por bombos e caixas acompa‑
portantes da vida dessas comunidades, prestigiando nhados por uma flauta travessa cuja melodia bastante
assim quem os integra e a aldeia a que pertencem. aguda se sobrepõe ao poderoso troar dos bombos.

ZÉS PEREIRAS
Também no Minho e na região de Coimbra
encontra­‑se a gaita­‑de­‑foles acompanhada de caixa e Os Instrumentos
bombo, por vezes em grande número nas festas e ro‑ Os instrumentos musicais populares portugueses
marias, cortejos, procissões, visitas pascais. Na região pertencem à tradição organológica europeia, e para
de Coimbra os Zés Pereiras são especialmente requi‑ a sua descrição seguimos a classificação de C. Sachs e
sitados para os desfiles de Carnaval não só dessa zona Hornbostel, que agrupa todas as espécies existentes
mas de todo o país. em quatro categorias, conforme a natureza do ele‑
  mento vibratório:
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Membranofones — Trata­‑se dos Instrumentos cujo Viola de Arame
elemento vibratório é uma membrana retesada. São semelhantes à viola braguesa, mas de boca re‑
Cordofones — Instrumentos cujo elemento vibra‑ donda na Madeira, e nos Açores com duas formas dis‑
tório é uma corda ou mais cordas esticadas. tintas. A de tipo micaelense com a boca em forma de
Idiofones — O elemento vibratório é o próprio cor‑ dois corações, e a terceirense com a boca redonda.
po do instrumento, constituído por materiais mais ou
menos vibráteis, independentemente da sua tensão. Braguinha
Aerofones — Instrumentos cujo elemento vibra‑ É um tipo de cavaquinho da ilha da Madeira. É to‑
tório é o ar accionado de modo especial pelo instru‑ cado de rasgado pelos grupos de bailhos que exis‑
mento. tem em algumas zonas rurais da ilha. Na cidade do
Funchal aparecia integrado em tunas, dedilhado com
uma palheta. Este instrumento terá sido levado para
Membranofones o Hawai nos fins do século passado por emigrantes
Os tambores portugueses são de um tipo comum. madeirenses tornando­‑se aí um instrumento muito
Bimembranofones de caixa de ressonância cilíndrica, popular com o nome de Ukulele.
e de peles tensas por meio de cordas ou parafusos
que apoiados em aros esticam uniformemente as Viola Campaniça
duas peles. É a maior das violas portuguesas. De enfranque
muito pronunciado, tem também cinco ordens de
Bombos cordas. As três primeiras duplas e as duas últimas tri‑
Pode ter até cerca de oitenta centímetros de diâ‑ plas. É tocada de dedilho apenas com o dedo pole‑
metro. São tocados na vertical, geralmente só numa gar.
das peles com uma massa. Não têm bordões nas pe‑
les o que Ihes dá uma sonoridade profunda. Viola Braguesa
  Com 5 ordens de cordas duplas metálicas. Tem a
Adufe abertura central em forma de boca de raia. É tocada
Bimembranofone de forma quadrangular. As peles de rasgado, isto é, correndo todas as cordas ao mes‑
são cosidas entre si, e no seu interior são colocadas mo tempo, ora com cinco dedos todos juntos, ou só
sementes, grãos de milho ou pequenas soalhas, a fim com o polegar e o indicador. Mas os bons tocadores,
de enriquecer a sonoridade. ao mesmo tempo que tocam de rasgado, destacam
  sobre as primeiras cordas, mais agudas, a linha do
 Caixa e Tamboril canto.
A Caixa é tocada com duas baquetas em posição
horizontal. Sobre a pele inferior tem geralmente um Viola Amarantina
ou mais bordões, geralmente feitos de tripa. O tam‑ É muito semelhante à viola braguesa, mas tem a
boril caracteriza­‑se pelo fuste cilíndrico alongado, e boca em forma de dois corações.
pela existência de bordões em ambas as peles. Tocan‑  
do juntamente com a flauta, e percutido por uma só Viola Beiroa
baqueta. É um instrumento muito ornamentado. Além das
  cinco ordens de cordas, tem duas cordas mais agudas
Sarronca e presas a um cravelhal suplementar junto da caixa, e
É um membranofone de fricção composto de um que eram sempre tocadas sem serem pisadas.
reservatório, geralmente uma bilha, que serve de cai‑
xa de ressonância, cuja boca é tapada com uma pele Cavaquinho
esticada que vibra quando se fricciona um pequeno Da família da viola, mas de forma muito mais re‑
pau ou cana preso por uma das pontas no seu cen‑ duzida. Tem quatro ordens de cordas simples. Toca­‑se
tro. de rasgado.

Rabeca Chuleira
Espécie de violino, mas de braço muito curto e
Cordofones escala muito aguda, afinando urna oitava acima do
Tratam­‑se dos instrumentos cujo elemento vibra‑ violino.
tório é uma corda ou mais cordas esticadas.
Guitarra
Viola Toeira A guitarra portuguesa é um instrumento de gran‑
É hoje uma espécie já completamente extinta, de importância na música tradicional. De corpo piri‑
semelhante à viola braguesa em dimensões. Tem a forme tem seis ordens duplas, e é tocado com uma
abertura central sempre em forma oval deitada. Tem técnica especial em que o tocador usa unhas postiças
no entanto doze cordas, organizadas também em para poder tirar melhor sonoridade do instrumento.
cinco ordens. As três primeiras duplas, e as duas úl‑ VIOLÃO – Com seis ordens de cordas simples serve de
timas triplas. acompanhamento à guitarra portuguesa, ou à viola
nos grupos das rusgas e chulas minhotas.

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Idiofones Gaita­‑de­‑foles
Juntamente com os instrumentos mais importan‑ É um aerofone composto por dois tubos ligados
tes existem outros, geralmente idiofones que têm a um saco feito de pele de cabrito. Um dos tubos é
funções diversas, e que segundo Ernesto Veiga de cilíndrico e composto por três secções tendo na ex‑
Oliveira são divididos nas seguintes categorias: tremidade uma palheta simples de cana, produzindo
sempre a mesma nota. É o chamado bordão ou ron‑
Marcar o Ritmo cão. O outro tubo mais pequeno é de secção cónica
Instrumentos para marcar o ritmo e acompa‑ com oito orifícios, de palheta dupla e toca a melodia.
nhar a dança: CASTANHOLAS, FERRINHOS, BILHA O fole cheio de ar através de um outro pequeno tubo
COM ABANO, REOUE­‑REQUE munido de uma válvula, é pressionado pelo braço o
tocador, obrigando o ar a sair, pondo as palhetas a
Festividades vibrar.
Instrumentos da Semana Santa, Carnaval, Ser‑
ração da Velha, etc.: MATRACAS, ZACLITRACS Palheta
É um instrumento de palheta dupla, tipo oboé. O
Modos de vida tubo melódico tem cinco orifícios, e termina em for‑
Instrumentos próprios de certas profissões e ma de campanula.
modos de vida, para avisar por exemplo o começo
de determinados trabalhos: GAITA DE AMOLADOR, Flauta
CORNETAS, ASSOBIOS DE CAÇA, CORNOS, BÚZIOS Existem dois tipos de flautas: flauta de bisel de cor‑
po cilíndrico ou ligeiramente cónico e com três furos;
Como passatempo Individual a flauta travessa geralmente feita de cana na faixa
Instrumentos de passatempo individual: OCA‑ ocidental do país no Minho, Estremadura e Algarve,
RINA, HARMÓNICA DE BOCA, GAITAS DE PALHAS. e de sabugueiro no interior, nomeadamente na Beira
Baixa. Tem seis furos além do insuflador.
 
Aerofones Concertina
Trata­‑se dos instrumentos cujo elemento vibratório É um aerofone de palhetas livres que são acciona‑
é o ar accionado de modo especial pelo instrumento. das por meio de um fole que une os dois teclados.

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11 Jogos Musicais
Carla Zina, Daniela Oliveira

“O jogo consiste em transformar, um meio, num fim, em si mesmo”, disse Piaget. Isso acontece com
o jogo infantil. No seu quarto estádio de desenvolvimento, entre 8 e 12 meses (período sensório-
motor), a criança aprende a separar os meios dos fins, e o jogo surge, isto é, começa a ser dotado
de estruturas sólidas mais nítidas. Por exemplo uma bola com que brinca escapa-se para trás de
um obstáculo, antes, fora do alcance visual, mas a procurava, agora sim. Ultrapassar o obstáculo
é o meio a que pode achar graça. Se o converter num fim, aparece um jogo.

O que são jogos populares musicais infantis… 6) Brinquedos de pegar: “Vamos passear no
bosque”, etc.
São todos aqueles jogos que à medida que se joga 7) Brinquedos de esconder: “Senhora D. Sancha”,
vai-se cantando, para dar mais ênfase ao jogo. Por ex‑ etc.
emplo as lengalengas, entre outros, que vamos dar 8) Brinquedos de cabra-cega: “A gatinha parda”,
exemplos nas folhas anexadas. etc.
9) Chamadas para brinquedo: “Ajunta povo, para
“Cancioneiro Folclórico Infantil”, são um conjunto brincar”, etc.
das cantigas próprias da criança e por ela entoadas 10) Cantigas de escolha de jogadores: “Um no ni é
em seus brinquedos ou ouvidas dos adultos, quando de pó politana”, etc.
pretendem adormecê-la, entretê-la ou instruí-la; são
cantigas que vêm de geração a geração e que se per‑
petuam e se transmitem pela tradição oral.
O Cancioneiro Folclórico Infantil:
- Acalantos ou cantigas de ninar: “Tutu Marambá”,
“Dorme Nenê”, etc.
- Cantigas avulsas (que as crianças entoam em
qualquer de suas actividades, sem que com elas ten‑
ham uma correlação direta): “Mestre Domingos”, “Me‑
nina bonita”, etc.
- Estribilhos musicais (que integram as histórias
contadas e cantadas): “Minha mãezinha”, Carpinteiro
de meu pai”, etc.
- Toadas (ou melodias para ensino da soletração e
da tabuada já em desuso, mas ainda de valor, sob al‑
guns aspectos): “B-a-bá, B-í-bí”, “Um e um, dois, um e
dois, três”, etc.
- Brinquedos cantados (de vários tipos, conforme
classificação e divisão a seguir):

Divisão dos brinquedos cantados:


1) Brinquedos de roda: “Ciranda, cirandinha”, etc.
2) Brinquedos de grupos opostos: “O pobre e o
rico”, etc.
3) Brinquedos de fileira: “Passarás, não passarás”,
etc.
4) Brinquedos de marcha: “Marcha, soldado”, etc.
5) Brinquedos de palmas: “Pirolito que bate, bate”,
etc.
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