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UNIVERSID ADE DO V ALE DO IT AJ AÍ

CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS


DA TERRA E DO MAR
Curso de Engenharia Ambiental

ELABORAÇÃO DA CARTA DE RUÍDO PARA A ÁREA DE


INFLUÊNCIA DO PORTO DE ITAJAÍ, SC.

Ac: Clóvis da Silva Vieira Jr.

Orientador: Rafael Medeiros Sperb

Itajaí, 11/2008
UNIVERSID ADE DO V ALE DO IT AJ AÍ
CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS
DA TERRA E DO MAR
Curso de Engenharia Ambiental

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

ELABORAÇÃO DA CARTA DE RUÍDO PARA A ÁREA DE


INFLUÊNCIA DO PORTO DE ITAJAÍ, SC.

Clóvis da Silva Vieira Jr.

Monografia apresentada à banca


examinadora do Trabalho de
Conclusão de Curso de Engenharia
Ambiental como parte dos requisitos
necessários para a obtenção do
grau de Engenheiro Ambiental.

Itajaí, 11/2008
i

DEDICATÓRIA

A minha mãe, que apesar de tudo, sempre esteve ao meu lado.


ii

AGRADECIMENTOS

Ao Professor Dr. Orientador Rafael Medeiros Sperb, pela paciência, disponibilidade,


liberdade de pensamento e quem sempre procurou aumentar o nível de complexidade com
simplicidade.

À minha família, que me ajudou muito a construir uma base sólida para minha vida.

Ao pessoal do G10, que proporcionou um ambiente de trabalho saudável.

Ao CTTMar, pelo ambiente acadêmico.

E a todos, que de alguma maneira contribuíram, sejam pelos obstáculos impostos ou pela
ajuda na transposição dos mesmos, sempre serei grato.
iii

RESUMO

O crescimento vertiginoso das cidades, nas últimas quatro décadas, concomitante ao


aumento de atividades realizadas nos centros urbanos (tráfego, construção, atividades
portuárias, lazer,...) vem ocasionando o aumento de ruídos, os quais comprometem a
qualidade de vida dos seus habitantes. Neste sentido, é necessário, não só a avaliação do
ruído em áreas afetadas por diferentes tipos de atividades, como a proposição de soluções
para a problemática em questão. A partir de uma revisão bibliográfica, estudaram-se
diferentes metodologias para a elaboração de cartas de ruído. Devido ao fato, de que, os
cálculos de propagação sonora, realizados nestas metodologias, utilizavam softwares de
modelagem específicos e pagos, foram então criados algoritmos em ambiente de
programação, baseados em modelos numéricos amplamente conhecidos para os cálculos
de propagação do som. Esta monografia propõe a elaboração de cartas de ruído, em uma
área de influência ao porto, por três diferentes métodos de atenuação sonora, são eles:
atenuação por divergência geométrica, atenuação por barreira (Kurze & Anderson) e o
cálculo de propagação sonora em ambientes externos (ISO 9613-2). Na utilização do
primeiro método citado acima, foram realizados cálculos simplificados em SIG, os quais não
relevaram a presença de obstáculos à propagação, obtendo como resultado final a
elaboração da carta de ruído. A aplicação do segundo e terceiro método, em algoritmos
implementados em ambientes de programação Matlab, abrangeu a modelagem de cenários
com barreiras acústicas. Pôde-se concluir que a elaboração da carta de ruído, pelo método
de atenuação por divergência geométrica é demasiado simples. A aplicação dos métodos
de Kurze & Anderson e da ISO 9613-2 demonstrou uma alta complexidade na
implementação de ferramentas (Matlab) ao longo do trabalho. A geração da carta de ruído
com base nos métodos anteriores, em ambiente SIG, requer esforços que fogem ao escopo
deste trabalho.

Palavras-chaves: Cartas de ruído, atenuação de ruído, tráfego urbano.


iv

ABSTRACT

The giddy growing of cities, in the last four decades, concomitant to the increase of activities
carried out in the urban centres (traffic, construction, port activities, leisure...) is causing the
increase of noises, which compromise the quality of life of its inhabitants.In this sense, it is
necessary, not only the evaluation of noise in areas affected by different types of activities,
likewise, it is necessary the proposition of solutions for the problematics opened to question.
From a bibliographical review, different methodologies were studied for the preparation of
noise maps. Due to the fact, of which, the calculations of sound propagation, carried out in
these methodologies, were using specific and paid softwares of sound modelling, algorithms
were created then in programming environment, based on numerical models widely known
for the calculations of sound propagation.This work proposes the preparation of noise maps,
in an area of influence of the port, using three different methods of sound attenuation, they
are: attenuation by geometrical divergence, attenuation of acoustic barrier (Kurze and
Anderson) and the attenuation of sound during propagation outdoors (ISO 9613-2).In the use
of the first method, quoted above, in the preparation of the noise map, there were carried out
simplified calculations in GIS, which did not relieve the presence of obstacles at the sound
propagation.The application of the second and third method, included the modelling of
sceneries with acoustic barriers, in Matlab. It could be concluded that the preparation of the
noise map, by the method of attenuation for geometrical divergence is far too simple. The
application of the methods of Kurze and Anderson and the method proposed by ISO 9613-2,
demonstrated a high complexity in the implementation of tools (Matlab) along the work. The
generation of noise maps on the basis of previous methods, in GIS, applies for efforts that
avoid the aim of this work.

Keywords: Noise maps, attenuation of noise, urban traffic.


v

SUMÁRIO

Dedicatória ............................................................................................................................. i

Agradecimentos ..................................................................................................................... ii

Resumo ................................................................................................................................. iii

Abstract ................................................................................................................................ iv

Sumário ................................................................................................................................. v

Lista de Figuras ................................................................................................................... viii

Lista de Tabelas ................................................................................................................... ix

1 Introdução....................................................................................................................... 1

1.1 Objetivos ................................................................................................................. 2

1.1.1 Geral ................................................................................................................ 2

1.1.2 Específicos ....................................................................................................... 2

1.2 Escopo do trabalho .................................................................................................. 2

1.3 Estrutura do Trabalho .............................................................................................. 2

2 Fundamentação Teórica ................................................................................................. 3

2.1 Definição de Poluição Sonora .................................................................................. 3

2.2 Aspectos Físicos do Som ........................................................................................ 3

2.3 Legislação ............................................................................................................... 6

2.3.1 Legislação e o Ruído ........................................................................................ 7

2.4 Paisagem Sonora .................................................................................................... 8

2.5 Cartas de Ruído ...................................................................................................... 9

2.5.1 Métodos de Elaboração da Carta de Ruído .................................................... 10

3 Metodologia .................................................................................................................. 20
vi

3.1 Atenuação por Divergência Geométrica ................................................................ 21

3.1.1 Atenuação por Divergência Geométrica em ArcMap ...................................... 21

3.2 Atenuação por Barreira (Kurze & Anderson) .......................................................... 22

3.2.1 Aplicação de Atenuação por Barreira (Kurze & Anderson) em Excell ............. 24

3.2.2 Aplicação de Atenuação por Barreira (Kurze & Anderson) em Matlab ............ 25

3.2.3 Aplicação de atenuação por barreira (Kurze & Anderson) em ambiente Matlab -
Abordagem com utilização de matrizes representativas do local de estudo .................. 26

3.3 Atenuação de Som em Ambientes Externos (ISO 9613-2) .................................... 27

4 Resultados e Discussão ............................................................................................... 31

4.1 Elaboração do Quadro Comparativo de Metodologias Estudadas ......................... 31

4.2 Elaboração da Carta de Ruído pelo Método de Atenuação por Divergência


Geométrica ...................................................................................................................... 32

4.3 Atenuação por Barreira em Excell (Kurze & Anderson) ......................................... 33

4.3.1 Projeção da curva de referência por diferentes tipos de fontes de ruído ......... 33

4.3.2 Cálculo de atenuação por barreira (Kurze & Anderson) .................................. 34

4.3.3 Elaboração do gráfico comparativo de um cenário sem barreira com outro com
barreira 36

4.4 Elaboração de Cenários com o Uso de Algoritmos de Atenuação por Barreira


(Kurze & Anderson) em Matlab ........................................................................................ 37

4.4.1 Cenário 01 ...................................................................................................... 38

4.4.2 Cenário 02 ...................................................................................................... 40

4.4.3 Cenário 03 ...................................................................................................... 41

4.5 Elaboração de Cenário com o Uso de Algoritmos de Atenuação por Barreira (Kurze
& Anderson) – Abordagem: Matrizes Representativas do Local de Estudo ...................... 43
vii

4.6 Elaboração de Cenário com o Uso de Algoritmos de Atenuação de Som em


Ambientes Externos (ISO 9613-2) – Abordagem: Matrizes Representativas do Local de
Estudo .............................................................................................................................. 44

5 Considerações Finais ................................................................................................... 46

6 Referências .................................................................................................................. 47
viii

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Fluoxograma dos passos para a elaboração de cartas de ruído (KLUIJVER, 2001)
............................................................................................................................................ 11

Figura 2 - Posicionamento dos pontos de observação na porção frontal de edifícios


(KURAKULA, 2007). ............................................................................................................ 16

Figura 3 - Apresentação 3D do ruído (KURAKULA, 2007). .................................................. 17

Figura 4 - Apresentação dos contornos de ruído com diferentes dimensões de barreira


acústica (KURAKULA, 2007). .............................................................................................. 18

Figura 5 - Apresentação da evolução dos processos envolvidos na aplicação de


metodologias para construção de carta de ruído. ................................................................ 20

Figura 6 - Ilustração dos elementos utilizados no cálculo do número de Fresnel. ................ 23


ix

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Projeção da curva de ruído na fonte (projeção para fonte linear). ....................... 33

Tabela 2 - Projeção da curva de ruído a partir da fonte (projeção para fonte pontual). ........ 33

Tabela 3 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 125 hz ..................... 34

Tabela 4 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 250 hz ..................... 34

Tabela 5 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 500 hz ..................... 35

Tabela 6 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 1000 hz ................... 35

Tabela 7 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 2000 hz ................... 35

Tabela 8 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 4000 hz ................... 36

Tabela 9 - Curva de referência sem barreira........................................................................ 36

Tabela 10 - Curva de referência com barreira ...................................................................... 37


1

1 INTRODUÇÃO

A cidade de Itajaí – localizada no litoral centro norte do estado de Santa Catarina,


colonizada basicamente por açorianos, possui desde sua origem raízes junto ao mar e a
navegação.

O Porto de Itajaí, fruto desta herança histórica, representa hoje uma grande fonte de renda
direta e indireta para a Cidade de Itajaí. Atividade esta que possui uma série de processos
que, de alguma maneira, afetam o meio ambiente. Este é o caso de questões como a
dragagem para manutenção do canal de navegação do porto, a problemática da água de
lastro no estuário, armazenamento e transporte de contêineres, entre outros. Existem, ainda,
as questões socioambientais, com ênfase a presença do porto em área adjacente ao centro
urbano.

Segundo dados estatísticos do Porto de Itajaí (PORTO DE ITAJAÍ, 2007), o movimento total
de cargas no porto aumentou em quase três vezes no período 2000/2006. Este crescimento
é benéfico em termos socioeconômicos para a região, porém, trás impactos socioambientais
negativos como o ruído na área de influência do porto, causado pela atividade de
carga/descarga dos navios e transporte através de vias urbanas. No entanto, não apenas a
atividade portuária é fonte de ruídos. De fato, a poluição sonora está diretamente
relacionada ao crescimento e desenvolvimento de centros urbanos o que inclui uma grande
variedade de fontes sonoras, como tráfego urbano, construções, etc. Tais ruídos são de
modo geral, conhecidos como poluição sonora, sendo importante para a sociedade
caracterizá-los e classificá-los segundo o grau e área de influência.

Uma das ferramentas de gestão urbana para tratar o problema da poluição sonora,
conforme acima descrito, são as cartas de ruído utilizadas a partir da década de 90 nos
países da União Européia e na Austrália. Assim, esta proposta de trabalho tem por objetivo
conhecer as metodologias disponíveis na literatura para a elaboração de cartas de ruído,
visando a adoção daquela mais apropriada para aplicação num estudo de caso para a área
de influência do porto de Itajaí.
2

1.1 OBJETIVOS
1.1.1 Geral

Elaborar a carta de ruído para a área de influência do Porto de Itajaí, SC.

1.1.2 Específicos

 Levantar as metodologias existentes na literatura para construção de cartas de ruído.

 Levantar as legislações e normas referentes a poluição sonora.

 Eleger e adaptar – se necessário – a metodologia para a construção da carta de


ruído

 Definir o plano amostral e coletar dados para a geração da carta conforme a


metodologia eleita

 Elaborar a carta de ruídos com base na metodologia, legislações e normas


levantadas e dados coletados.

1.2 ESCOPO DO TRABALHO


Este trabalho abrange o levantamento das metodologias disponíveis para a elaboração de
cartas de ruído, bem como as ferramentas comerciais e gratuitas para tal. Baseado nestas
informações pretendeu-se selecionar uma das metodologias para aplicá-la a um estudo na
região portuária de Itajaí, com o intuito não apenas de elaborar uma carta de ruídos, mas
verificar a sua viabilidade operacional, principalmente frente a questão de custo.

1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO


O presente trabalho foi subdividido em cinco capítulos que abrangem a Introdução ao tema
e os objetivos a ele associados (Capítulo 1). O segundo capítulo encontra-se direcionado ao
estudo teórico do ruído e levantamento das metodologias e das ferramentas disponíveis
para elaboração de cartas de ruído. No capítulo seguinte, a metodologia encontra-se
apresentada como uma evolução dos testes realizados com os distintos métodos e
ferramentas. Neste capítulo encontra-se evidente a impossibilidade de aquisição de software
para elaboração de modelos de propagação de ruídos devido ao alto custo. Tal situação se
reflete na opção por desenvolver os algoritmos em Matlab para testar possibilidade de
emprego em situação real. No capítulo 4 é apresentada uma discussão sobre os resultados
alcançados e as perspectivas de desenvolvimento. Finalmente, no capítulo 5, são tecidas as
considerações finais sobre o trabalho.
3

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 DEFINIÇÃO DE POLUIÇÃO SONORA


Existem distintas definições sobre poluição, sendo de interesse para esta proposta a feita
por Cunha (Cunha & Guerra, 2000) que diz:

A poluição é considerada, juridicamente, como a inclusão de qualquer fator ao ambiente que


provoque alteração de suas qualidades naturais, impondo ao vizinho condições modificadas
de seu meio. Do ponto de vista científico a poluição ambiente é mais caracterizada pela
impureza introduzida, em um determinado momento, do que o ato de lançamento desta ao
meio. Nesse contexto, a poluição é o resultado indesejável das ações de transformação das
características naturais de um ambiente, atribuindo um caráter nocivo a qualquer utilização
que se faça do mesmo. A Lei federal n° 6.938/81 define poluição como toda alteração das
propriedades físicas, químicas e biológicas que possa constituir prejuízo à saúde, à
segurança e ao bem-estar das populações e, ainda, possa comprometer a biota e a
utilização dos recursos para fins comerciais, industriais e recreativos.

Para o tema específico do trabalho ora proposto é importante detalhar esta definição para a
poluição associada ao som. Gerges (2000) define som como uma forma de energia que é
transmitida pela colisão das moléculas do meio, umas contra as outras, sucessivamente.
Portanto, o som pode ser representado por uma série de compressões e rarefações do meio
em que se propaga, a partir da fonte sonora. Som e ruído não são sinônimos. Um ruído é
apenas um tipo de som, mas um som não é necessariamente um ruído. O conceito de ruído
é associado a som desagradável e indesejável, comumente conhecido como Poluição
sonora.

2.2 ASPECTOS FÍSICOS DO SOM


O estudo do som se encontra delimitado por grandezas físicas como a pressão sonora,
intensidade sonora, escala decibel, potência sonora entre outros que conseqüentemente, se
aplicam ao estudo do ruído também.

A pressão sonora se dá por series de compressões e rarefações no meio em que se


propaga e que possam ser ouvidas. Saliba (2000) define o som, sendo originado por uma
vibração mecânica que se propaga no ar e atinge o ouvido.

Quando essa vibração estimula o aparelho auditivo, ela é chamada vibração sonora. Assim,
o som é definido como qualquer vibração, ou conjunto de vibrações, ou ainda ondas
4

mecânicas que podem ser ouvidas. A variação de pressão sonora mais simples, causada
por um tom puro, produz o padrão de onda sinusoidal (KIELY, 1998).

A energia sonora é a energia associada a uma determinada onda sonora, já a intensidade


sonora é a relação desta energia com a área de propagação. A taxa de energia, que é
transmitida pelas ondas sonoras, é chamada de energia sonora (sound power – W) medida
em watts. A média de energia sonora por unidade de área, normal a direção de propagação
de onda sonora é determinada como intensidade sonora ou acústica (I). Considerando uma
fonte sonora esférica, irradiando energia sonora em um meio não–dissipativo, a intensidade
acústica em uma distância r é (KIELY, 1998):

Onde:

= intensidade do som a uma distância r, em Watt/m².

= potência da fonte, em Watt.

= distância a partir da fonte, em metros.

Devido à grande amplitude de percepção de pressão sonora do ouvido humano criou–se a


escala decibel para melhor relacionar valores com determinados fenômenos sonoros. O
ouvido humano responde a uma larga faixa de intensidade acústica, desde o limiar de
audição até o limiar da dor. A 1000Hz a intensidade acústica é capaz de causar a sensação
de dor é 10¹² vezes a intensidade acústica capaz de causar a sensação de audição. O nível
de intensidade sonora NI é dado por (GERGES, 2000):

Onde:

= intensidade acústica em Watt/m².


5

= intensidade de referência igual a 10¹² Watt/m².

Para se expressar as faixas de audibilidade percebida pelo ouvido humano, que variam de
0,00002 N/m² (mínima pressão perceptível à freqüência de 1000Hz) até valores muito
elevados, atingindo 200 N/m² (limiar da dor) utiliza uma relação logarítmica (SALIBA,2000).

A intensidade acústica é proporcional ao quadrado da pressão acústica. Então o nível de


pressão sonora é dado por (GERGES, 2000):

Onde:

(N/m²) = uma dada pressão, em Pascal.

(N/m²) = mínima pressão perceptível, em Pascal.

A onda sonora tende a se propagar em esferas de compressões e descompressões do ar.


Na presença de obstáculos a onda realiza o fenômeno da difração. Além de se propagar em
forma de ondas esféricas, conforme citado anteriormente, o som também se propaga a partir
de uma fonte pontual. No entanto, duas situações podem dificultar este modelo simples: a
presença de obstáculos na trajetória de propagação e, em campo aberto, a não
uniformidade do meio, causada por ventos e/ou gradientes de temperatura.

Na prática, se uma onda sonora encontra um obstáculo com dimensões menores do que o
seu comprimento de onda, o efeito não é perceptível, ocorrendo o oposto se a dimensão do
obstáculo for comparável ao comprimento de onda do som. Tal conhecimento assume
grande importância em termos de gerenciamento, pois para impedir a passagem de som,
barreiras devem ser colocadas perto da fonte ou do receptor, e suas dimensões devem ser
três a cinco vezes o comprimento de onda do som envolvido (GERGES, 2000).

Levando em consideração a escala temporal, diferentes ruídos apresentam distintas


distribuições ao longo do tempo, conforme a seguinte classificação (SALIBA, 2000):

 Contínuo: ruído com pequenas variações dos níveis (até + ou – 3 dB). Durante o
período de observação.
6

 Intermitente: ruído cujo nível varia continuamente de um valor apreciável durante


um período de observação superior a 3 dB.

 Ruído de impacto ou impulso: ruído que se apresenta em picos de energia acústica


de duração inferior a um segundo.

2.3 LEGISLAÇÃO
A partir do final da década de 60 e início da década de 70, época marcada pela dualidade
entre preservacionistas e desenvolvimentistas – surgiu uma série de eventos relacionados
com as questões ambientais, como a publicação do livro Primavera Silenciosa em 1962, a
Conferência da biosfera em 68, a Conferência de Estocolmo em 1972 entre outros. Soma-se
a estas circunstâncias, incidentes ambientais de grande magnitude que comprometeram
muitas comunidades, como o incidente de Bhopal na índia (1984), o incidente de Chernobyl
na ex-URSS – em 1986, o incidente do Exxon Valdez no Alasca – em 1989. Todas estas
situações incorporaram novos valores sociais, os quais passam a relacionar diretamente a
qualidade de vida do ser humano com a qualidade do meio ambiente. Por conseqüência,
demandando a elaboração de leis relacionadas com esta nova percepção e valores da
sociedade contemporânea, e marcando o surgimento do direito ambiental.

No Brasil, a evolução do direito ambiental não fugiu a regra. Porém, merecem destaque às
questões agrárias relacionadas ao I Plano Nacional de Desenvolvimento , o qual procurava
estimular o extrativismo florestal e nunca teve o objetivo de normatizar a relação do homem
com os recursos naturais em meio eminentemente urbano (CASTANHO FILHO, 2006). O II
Plano Nacional de Desenvolvimento incorporou medidas de proteção ao meio ambiente em
contrapartida a sua primeira versão (MEIRA, 2003). Dentre elas, destacam-se:

 Combate à erosão;

 Plano Nacional de conservação do Solo;

 Criação das Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental;

 Estabelecimento de diretrizes para o zoneamento industrial;

 Criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente.

A partir de então, surgem varias leis e medidas governamentais relacionadas ao meio


ambiente, sendo de grande relevância a elaboração da Política Nacional para o Meio
7

Ambiente – PNMA, a qual passa a exigir a estudo de impacto ambiental e seu respectivo
relatório (EIA/RIMA) para a obtenção de licenciamento em qualquer atividade modificadora
do meio ambiente (BRASIL, 1981). Meira (2003) considera, ainda, a inserção de um capítulo
específico sobre o meio ambiente na Constituição de 1988 como um marco tão importante
quanto a PNMA.

2.3.1 Legislação e o Ruído

No que concerne a legislação sobre ruído, já em 1941 a Lei Nº 3.688 tratava do ruído em
face ao conforto ambiental, principalmente no ambiente de trabalho.

Para efeito deste estudo foram pesquisados diversos trabalhos cujo ruído foi abordado em
relação às referências legais (SOUZA, 2004; SENDINO, 2007; NAGEM, 2007). O resultado
desta pesquisa foi a compilação das principais legislações que se aplicam a área, conforme
apresentado no Quadro 1.

Quadro 1 - Apresenta-se abaixo o quadro com a legislação referente à perturbação do meio


ambiente.

Legislação Esfera Escopo


DECRETO-LEI Nº 3.688, DE 3 Dispõe sobre a perturbação do trabalho
Federal
DE OUTUBRO DE 1941 ou sossego alheios.
Dispõe sobre a Política Nacional do Meio
LEI Nº. 6.938, DE 31 DE Ambiente, seus Fins e Mecanismos de
Federal
AGOSTO DE 1981 Formulação e Aplicação, e dá outras
Providências.
Disciplina a ação civil pública de
responsabilidade por danos causados ao
LEI No 7.347, DE 24 DE JULHO meio-ambiente, ao consumidor, a bens e
Federal
DE 1985 direitos de valor artístico, estético,
histórico, turístico e paisagístico
(VETADO) e dá outras providências.

Dispõe sobre as sanções penais e


LEI Nº 9.605, 12 DE administrativas derivadas de condutas e
Federal
FEVEREIRO DE 1998 atividades lesivas ao meio ambiente, e
dá outras providências.
Dispõe sobre o nível de ruído permissível
RESOLUÇÃO/conama/N.º 001 segundo a NBR 10.152 da ABNT e como
Federal
de 08 de março de 1990 realizar as medições de ruído segundo a
NBR 10.151 da ABNT
Institui o programa nacional de educação
e controle da poluição sonora
RESOLUÇÃO/conama/N.º 002
Federal “SILÊNCIO”, coordenado pelo
de 08 de março de 1990
IBAMA,atribuindo-lhe suas
competências.
Dispõe sobre a proteção e melhoria da
LEI N.º 5.793 DE 15 DE
Estadual qualidade ambiental e dá outras
OUTUBRO DE 1980
providências.
LEI COMPLEMENTAR Nº 24, 10 Dispõe sobre ruídos urbanos e proteção
Municipal
DE MARÇO DE 2003 do bem estar e do sossego púbrico.
8

Dentre estas legislações, destaca-se a resolução CONAMA 01 de 1990 que considera o


ruído excessivo como passivo de Controle da Poluição. A resolução estabelece os
referenciais técnicos, para a medição de ruídos (NBR 10.151) e para os níveis permitidos
em áreas habitadas (NBR 10.152). Estes níveis encontram-se apresentados no Quadro 2.

Quadro 2 - Apresenta os níveis de ruídos máximos permitidos segundo tipo de área (ABNT -
NBR 10.152)

Diurno Noturno
Tipos de Área
dB(A) dB(A)
Área de Sítios e Fazendas 40 35
Área estritamente residencial urbana ou de hospitais/escolas 50 45
Área mista, predominante residencial 55 50
Área mista, com vocação comercial e administrativa 60 55
Área mista, com vocação recreacional 65 55
Área predominantemente industrial 70 60

2.4 PAISAGEM SONORA


A modificação da paisagem sonora está muito relacionada com a história da humanidade.
Mais especificamente, com a história evolutiva dos centros urbanos.

A paisagem sonora do mundo está mudando... A poluição sonora é hoje um


problema mundial. Pode-se dizer que em todo mundo a paisagem sonora
atingiu o ápice da vulgaridade em nosso tempo...

(SCHAFER & FONTERRADA, 1997)

Para o autor, existe uma serie de indicadores ambientais para a avaliação qualitativa de um
meio em estudo, conforme apresentado no Quadro 3. Ele sugere que o modo mais simples
de calcular o aumento do ruído ambiental seria medir os sinais sonoros da comunidade. O
pressuposto seria que o nível de ruído ambiental cresceria de modo proporcional aos sinais
sociais. Schafer & Fonterrada (1997) cita como exemplo, uma pesquisa, relacionando um
aumento de 20 a 25 dB em sessenta anos. Aproximadamente meio decibel por ano.

Em face a estes potenciais indicadores ambientais, o que o analista da paisagem sonora


precisa fazer, em primeiro lugar, é descobrir os seus aspectos significativos, aqueles que
são importantes devido a sua individualidade, quantidade ou preponderância.
9

QUADRO 3 - Potenciais indicadores ambientais para a avaliação qualitativa de um meio em


estudo e o número de reclamações por diferentes fontes (SCHAFER & FONTERRADA, 1997).

Tipo de ruído Nº de vezes mencionado


Tráfego (geral) 115
Construção 61
Indústria 40
Rádio/música amplificada 29
Tráfego aéreo 28
Motocicleta, bicicleta motorizada... 23
Caminhões 21
Animais 20
Bandas/discotecas 12
Festas 9
Cortadores de grama elétricos 7
Vizinhos/pessoas 7
Estradas de ferro 6
Estaleiros 4
Carro limpa-neve 3
Veículos motorizado de andar sobre neve 3
Sinos de igreja 2
Outros 19

Para Schafer & Fonterrada (1997), hoje, o espaço acústico tem importantes implicações
ambientais e legais, que ainda não foram totalmente avaliadas. O espaço acústico de um
objeto sonoro é o volume de espaço no qual o som pode ser ouvido. O máximo espaço
acústico habitado pelo homem será a área dentro da qual se pode ouvir a sua voz. Com o
aumento da população e a redução do espaço físico disponível por indivíduo esse
desenvolvimento parece estar correndo em uma rota de colisão.

Além das características físicas (acústicas), os sons podem ser classificados pelo modo com
os quais são percebidos (psicoacústica) (SCHAFER & FONTERRADA, 1997), sendo tal
procedimento de caráter subjetivo, pois varia de individuo para indivíduo, ou mesmo entre
grupos de indivíduos.

2.5 CARTAS DE RUÍDO


A elaboração de cartas de ruído visando e entendimento geoespacial é essencial para o
devido tratamento da questão. As cartas de ruído são ferramentas para gestão e
planejamento de municípios que permitem a visualização de áreas diretamente afetadas
pelo efeito indesejável de tráfego urbano, atividades industriais entre outros. Idéia reforçada
por Coelho (2008), que diz que a cartografia de ruído é um instrumento com enorme
potencial para efeitos de planejamento e de informação sobre poluição sonora. Ela
apresenta uma descrição detalhada da distribuição geoespacial dos níveis sonoros,
10

fornecendo imagens quantificadas da exposição da população ao ruído ambiente. Esta


estrutura revela-se particularmente importante em termos de planejamento urbano,
permitindo a identificação das áreas onde se deve atuar, ao passo que influencia as
propostas de desenvolvimento local.

Finalmente, um mapa de ruído constitui-se num meio simples e direto de informação,


educação e, de uma forma geral, de sensibilização da população para as questões do ruído.

É importante salientar, o conflito do uso de solo, estabelecido pelo plano diretor, com os
níveis de ruído críticos existentes. Neste âmbito, têm-se a carta de ruído como uma
ferramenta decisiva na qualificação do efeito do ruído e visualização de zonas com níveis
críticos de ruído.

Elaborar, uma carta de ruído, é um conjunto de processos. Existe uma série de


metodologias voltadas para a elaboração de cartas de ruído, ver Quadro 04. Segundo
Kluijver et al (2001), até o ano de 2001 não havia uma padronização para esta, e, devido ao
fato de a Comissão Européia (EC) ter incluído a carta de ruído como instrumento necessário
para a avaliação de qualidade de vida nas cidades européias, é criada, em 2002, uma
diretriz na EC com os critérios para a respectiva construção de carta de ruído, sendo o autor
citado, um dos integrantes na elaboração destes critérios.

Dentre os processos de construção de cartas de ruído, a modelagem numérica destaca-se


pela importância no cálculo dos fenômenos físicos envolvidos na propagação do ruído, a
partir de uma fonte sonora específica, e, até mesmo, como base de cálculo de emissão da
fonte sonora específica, e, até mesmo, como base de cálculo de emissão da fonte sonora,
como nos casos de tráfego urbano, ferroviário e aéreo. Estes modelos levam em
consideração os fenômenos físicos como a difração, reflexão e absorção do ruído.

2.5.1 Métodos de Elaboração da Carta de Ruído

Foram levantadas metodologias, ver Quadro 05, a fim de verificar os processos envolvidos
na elaboração de cartas de ruídos. Os parâmetros foram definidos através das
características das interpolações executadas para a construção dos contornos de ruído, os
tipos de fontes sonoras, a dimensão do modelo da cidade – utilizado para a apresentação
dos contornos de ruído, os softwares envolvidos no mapeamento e cálculo dos níveis de
ruído em pontos pré-determinados pelo pesquisador na área de estudo, os tipos de modelos
numéricos utilizados para o cálculo de propagação do ruído com ou sem obstáculos e
previsão de ruído gerado por tráfego, se são de natureza preditiva ou não, a similaridade
entre as metodologias estudadas, grau de detalhamento e custos.
11

Dentre os modelos estudados, são de especial interesse para este trabalho os métodos
de Kluijver et al (2001), Kurakula et al (2007) e Lee S-W et al (2006) a seguir apresentados:

2.5.1.1 Mapeamento de Ruído e SIG: Aperfeiçoamento da Qualidade e Eficiência dos


Estudos de Efeitos de Ruído

O uso de Sistemas de informações Geográficas possui uma significativa importância na


quantificação e visualização dos efeitos do ruído, para tanto, é utilizado um extenso conjunto
de dados espaciais, ferramentas espaciais e métodos computacionais. Kluijver et al (2001),
define critérios para a padronização e precisão da elaboração de cartas de ruído. O autor
estipula seis passos para o mesmo, conforme o diagrama da Figura 01, na seqüência
explicado.

Figura 1 - Fluoxograma dos passos para a elaboração de cartas de ruído (KLUIJVER, 2001)

Passo 1: Segundo o autor dois tipos de dados podem ser distinguidos:

 Dados necessários para computar níveis de ruído (emissão de ruído da fonte de


ruído e aspectos que influenciam a transmissão de ruído como a altura de edifícios).
12

 A locação de pessoas, animais e/ou suas atividades (em áreas, casas e outras
edificações) com respeito à sua sensitividade a ruído.

Os efeitos do ruído são determinados pela combinação destes dois grupos de dados.

Outro critério significativo são a escala e nível de detalhe dos dados. Estes precisam ser
suficientes para alcançar a precisão proposta. Entretanto, deve-se tomar cuidado, pois muito
detalhe pode gerar um consumo de tempo excessivo na coleta, preparação e computação
dos dados.

O autor destaca que grandes variações em informação espacial só podem ser reproduzidas
adequadamente se a densidade, dos pontos de observação, é alta o suficiente. Significa
que, locais próximo à fonte sonora, onde há grande variação de níveis de ruído, vão precisar
de uma maior concentração de pontos de observação, ao invés de lugares afastados ou
paralelos à fonte sonora, onde há pequena variação do nível de ruído

Passo 2: Segundo o autor computar tem vantagens sobre medir:

 Pode simular situações futuras;

 É praticamente impossível recolher dados de tantos pontos de observação na


prática;

 Segurança legal das partes envolvidas é maior, evita os erros de medição.

Passo 2.1: O método de cálculo de ruído holandês (Dutch noise calculation method)

Na Holanda o cálculo do ruído é realizado por dois métodos oficiais: Método de Cálculo
Padrão 1 e 2 (Standard Calculation Methods). O primeiro é um método simples que leva em
consideração a emissão da fonte, a distância da fonte, a absorção do ruído pelo solo, o
efeito do vento e temperatura (média anual) e um termo de reflexão simples que não
considera a obstrução de ruídos por objetos. Ou seja, calcula a obstrução e difração por
objetos e/ou elevações na paisagem. Para tanto, “caminhos de ruído” (noise paths), são
definidos para cada ponto de cálculo (ponto de observação), ver Figura 03. Os ângulos,
entre esses caminhos, permanecem constantes. Então, a contribuição de cada caminho é
calculada e acumulada para se obter o nível de ruído no ponto de cálculo. A contribuição da
primeira, segunda e terceira ordem de reflexão, também podem ser calculadas.

Obviamente a base de cada cálculo é a informação na emissão de ruído pela fonte. Em se


tratando de tráfego, como fonte sonora, tem-se como parâmetros, o número de veículos por
hora, o tipo de veículos (motocicletas, carros, van, ônibus e caminhões), a velocidade e a
13

superfície da rua. Estas variáveis são baseadas em extensivas medidas, repetidas


periodicamente. No caso de fonte sonora de atividades industriais é necessário fazer a
medição diretamente na fonte, visto que estas são compostas por uma grande variedade.

Passo 2.2: Integração de SIG e modelos computacionais

Kluijver et al (2001), explica que o método de cálculo do ruído pode ser implementado em
SIG, sendo que neste existem funções de processamento espacial para otimizar o processo
do cálculo. Porém afirma haver dificuldade em substituir softwares de modelagem de ruído
em função de os modelos computacionais de ruído implementados nestes softwares terem
um caráter confidencial.

Passo 3: Acúmulo de ruído de diferentes fontes

O acúmulo de ruído de diferentes fontes é um fator importante, pois geralmente o incômodo


gerado pelo ruído (annoyance) em um determinado ponto da área de estudo é determinado
por de uma fonte de ruído. É importante também devido ao fato de que ao concentrar as
fontes sonoras em uma mesma zona, menos poluição sonora será gerada, ao invés de
estas fontes encontrarem-se espalhadas. Deve-se levar em consideração, também, o tipo
de fonte geradora de ruído, visto que diferentes fontes ocasionam diferentes graus de
incômodos.

Segundo Kluijver et al (2001), estes acúmulos podem ser calculados em SIG.

Passo 4: Determinando contornos de ruído

Segundo o autor a escolha do método de interpolação, assim como, da densidade dos


pontos de observação, é subjetivo e à critério do pesquisador. Como dito anteriormente, vai
depender do grau de detalhamento e do fator tempo. Alguns softwares comerciais de
acústica necessitam de um número mínimo para a interpolação. Em SIG, isto não é
necessário.

Passo 5: Determinando os efeitos do ruído

Kluijver et al (2001), define que os efeitos dos ruídos são quantificados e visualizados ao
confrontar os contornos de ruído com as informações da vizinhaça, e, atividades sensíveis
ao ruído. Para quantificar os efeitos do ruído inclui-se:

 Cálculo da área afetada pelo ruído;

 Determinação do número de cidadãos perturbados pelo ruído;


14

 Determinação do número de edifícios afetados pelo ruído;

 Determinação de áreas dentro de zonas de conservação afetadas pelo ruído.

Passo 6: Apresentação do impacto do ruído

Para um sentido dos resultados, mais significativo, são necessárias perspectivas e


apresentação da qualidade dos resultados.

Técnicas, que estimem o erro dos estudos de efeito do ruído devem ser aplicadas, são elas:

 Métodos de erro de propagação;

 Exposição da qualidade dos resultados através da quantificação de potenciais erros;

 Adição aos contornos de ruído de bandas de incerteza.

2.5.1.2 Uma Metodologia para Aperfeiçoar a Modelagem do Ruído e Visualização 3D de


Ruído em Áreas Urbanas.

Em um estudo realizado por Kurakula et al (2007), para a melhoria da modelagem e


visualização do ruído em áreas urbanas com a aplicação de SIG, funções de SIG 3D foram
incorporadas na fase de predição do ruído, assim como também, na fase de geração de
representações 3D e usando-as para a fase de avaliação de ruído.

Para a abordagem 3D, foram estudados métodos de interpolação 2D para produzir


representações 2.5D – representando níveis de ruído sobre uma superfície acompanhando
a altura do terreno, incluindo edificações – e métodos de interpolação 3D para produzir um
modelo completo 3D do ruído. Este por sua vez, apresenta a informação volumétrica do
ruído

A citada representação 2.5D, consiste em calcular a atenuação sonora a partir da fonte,


levando em conta uma determinada posição (x,y). O modelo 2.5D pode ser construído ao
projetar a superfície 2D sobre uma modelo de altura (eixo z).

O modelo 3D da cidade foi utilizado para construir um modelo de simulação


computadorizada 3D de ruído. Os modelos computacionais de ruído calculam o nível de
ruído, em pontos de observação que indicam o nível de ruído em um determinado local em
uma dada circunstância.

O método de cálculo, utilizado pelo autor, foi o Método de Cálculo Padrão Holandês de
Ruído 01, o qual afirma ser relativamente fácil de utilizar e implementar em SIG.
15

Os cálculos realizados para os pontos de observação, são baseados em:

 Informação da fonte de ruído (no presente estudo, foi utilizado, como fonte, a rua):
Intensidade do tráfego, velocidade máxima, tipo de superfície da rua, emissão média
de ruído de diferentes tipos de veículos;

 Informação dos aspectos, que, influenciam a propagação do ruído com obstruções


de objetos (como edificações ou barreiras sonoras) a absorção do ruído (como áreas
abertas com grama ou solo exposto);

 Distância e direção dos pontos de observação, com respeito a localização da fonte


sonora.

Para a elaboração de representações 2.5D, seguiram-se os seguintes passos:

 Posicionamento dos pontos de observação no software de simulação de ruído. Os


pontos foram localizados em 3D sobre a superfície acompanhando o terreno e
edificações. A Figura 02 mostra como foram posicionados os pontos inclinando-se
levemente em direção aos edifícios, com a intenção de evitar que os pontos tenham
mesmas coordenadas x, y e z - o qual não seria possível para o método de
interpolação 2D.

 Cálculo do nível de ruído nos pontos de observação;

 Determinação dos contornos de ruído 2D com o método de interpolação 2D,


utilizando-se os níveis dos pontos de observação em 3D;

 Introduzindo a terceira dimensão ao colocar os contornos de ruído 2D no modelo da


cidade. A ferramenta de análise 3D do software ArcScene foi utilizada para a
geração destes representações 2.5D.
16

Figura 2 - Posicionamento dos pontos de observação na porção frontal de edifícios


(KURAKULA, 2007).

Para a elaboração da representação 3D, seguiram-se os seguintes passos:

 Posicionamento dos pontos de observação em um raster 3D. Neste raster de pontos,


estes podem ter mesmas coordenadas x e y, mas diferentes coordenadas z. Os
pontos são distribuídos uniformemente com intervalos iguais (2m) paralelamente as
ruas.

 Cálculo do nível de ruído nos pontos de observação;

 Determinação do modelo de ruído sólido com o método de interpolação 3D.

 Com este método um passo extra para reintroduzir a terceira dimensão não é
necessário.

Para ambos os métodos, o posicionamento dos pontos foi baseado pelas seguintes
considerações:

 Espera-se que os contornos de ruído sejam paralelos às ruas e os pontos localizados


em um padrão paralelo para tanto.

 Cuidado em não posicionar os pontos dentro de edifícios, pois estes agem como
objetos bloqueadores e produziriam baixos níveis de ruídos, os quais não seriam
representativos nas fachadas dos edifícios.

Segundo o autor, representações 2.5D oferecem perspectiva sobre o efeito do ruído a uma
altura particular na superfície do terreno – com a introdução da terceira coordenada – e
fachadas de edifícios, sendo que níveis de ruído de alta intensidade ocorrem sobre a
17

superfície das ruas e os de baixa intensidade ocorrem no topo e parte posterior dos
edifícios.

O autor afirma que poucos softwares comerciais de SIG, provêm de ferramentas de


interpolação 3D e apresenta como o de melhor sucesso na pesquisa o software FIELDS
(extensão do ArcGis). O software GRASS também pode ser utilizado, porém possui uma
limitação com a quantidade de pontos de observação a serem utilizados.

Apesar de a interpolação em 3D parecer promissora, o software FIELDS apresenta algumas


limitações:

 O software não tem ferramentas para análise espacial. É difícil de identificar níveis
de ruído a uma altura específica.

 Não é possível a geração de contornos de ruído.

 A apresentação 3D do ruído não pode ser apresentada junto com o modelo 3D da


cidade, dificultando a orientação, ver figura 03.

 O modelo sólido requer funcionalidades de interação específica para ser possível a


análise a qualquer local.

Figura 3 - Apresentação 3D do ruído (KURAKULA, 2007).

Segundo o autor, a vantagem da abordagem 2.5D sobre a 2D é a avaliação da redução de


níveis de ruído com o uso de barreiras acústicas. A Figura 04 apresenta diferentes barreiras
acústicas, variando em altura, largura e distância da rua.
18

Figura 4 - Apresentação dos contornos de ruído com diferentes dimensões de barreira


acústica (KURAKULA, 2007).

2.5.1.3 Utilização de Carta de Ruído para Avaliação de Impacto Ambiental de um Centro


em Reurbanização em Seoul, Korea.

Lee S-W et al (2007), utilizou o mapeamento de ruído como ferramenta de avaliação de


impacto ambiental de um local em construção no centro de Seoul, Korea. No presente
trabalho foram utilizados, como métodos para a elaboração das cartas de ruído, a relação
de atenuação a distância da fonte sonora, a qual não envolve fenômenos acústicos
complexos como difração, reflexão e absorção e o software de mapeamento de ruído
SoundPLAN. Neste ambiente, diferentes modelos de previsão são testados a fim de verificar
quais destes são válidos para o local de estudo.

O autor define que a avaliação de impacto do ruído de construção consiste de três estágios:

 Coletar níveis de ruído existentes: medição de ruído de acordo com normas


regulamentadoras.

 Predizer níveis de ruído por futuras construções: predição do impacto ocasionado


pelo ruído da construção. Cálculo do nível de ruído total da construção, com a adição
de possíveis níveis de ruído de todos os equipamentos a serem usados. É utilizado,
o cálculo da relação de atenuação a distância da fonte.
19

 Predizer níveis de ruído após o término das construções: predição de ruído de


tráfego rodoviário e outras fontes sonoras quando existentes, após haver sido
completado o projeto.

Para um mapeamento de ruído, de um local em construção, informações de natureza


acústica e topográfica são essenciais. Níveis de pressão sonoros, padrões e diretrizes dos
equipamentos de construção são necessários. O cronograma dos processos de construção,
locação dos equipamentos e dados de tráfego são também relevantes.

Os dados de SIG contêm informação sobre a geometria do terreno, nome e relatos dos
edifícios, e outros dados descrevendo todas as ruas da vizinhança da área de estudo.

Dados de tráfego e velocidade de veículos, são coletados para todas as ruas principais.
NPS presentes, número de veículo por hora e velocidade são coletados simultaneamente
para garantir a segurança dos resultados. São necessários, também, a largura das pistas e
volumes futuros de tráfego.

Após a coleta de todas as informações pertinentes, o mapeamento do ruído se realiza da


seguinte forma:

 Criação do modelo 3D computadorizado da área do projeto, incluindo o modelo do


terreno, todos os edifícios e ruas grandes.

 Cálculo utilizado para o ruído da construção e ruído do tráfego, através dos métodos:
ISO 9613 Parte 02 e RLS 90, respectivamente.

 Geração das curvas de níveis.

 Mapeamento utilizando-se SoundPLAN.

 Apresentação dos resultados da avaliação em três cartas de ruído: da situação


presente, das atividades da construção e da situação futura do projeto acabado.

Os edifícios e ruas vizinhas são incluídos na simulação para estudar os fenômenos


acústicos complexos, como multi-reflexões e difrações. Admitiu-se um erro, de até 3 dB,
entre valores medidos e estimados.
20

3 METODOLOGIA

A primeira etapa da metodologia consistiu numa extensiva revisão bibliográfica que serviu
de referencial teórico para o desenvolvimento do trabalho. Esta atividade rendeu, além do
conhecimento, a tabela comparativa entre as metodologias para elaboração de cartas de
ruído (Erro! Fonte de referência não encontrada.). Instrumento que orientou a eleição das
metodologias a serem testadas, quais seja: métodos de atenuação por divergência
geométrica, atenuação por barreira (Kurze & Anderson) e o cálculo de propagação sonora
em ambientes externos (ISO 9613-2).

Em realidade, a escolha se deu, primeiramente, em relação à disponibilidade de ferramentas


que permitissem a elaboração das cartas de ruído. Contudo, devido ao alto custo das
ferramentas comerciais, partiu-se para a perspectiva de uso das ferramentas disponíveis,
como o sistema de informação geográfica (ArcGIS) e o Matlab. Assim, a medida que as
metodologias foram sendo testadas, e os resultados alcançados, buscou-se a inclusão de
novos elementos aos modelos. Processo que, gradualmente, aumentou a complexidade do
trabalho. A evolução deste processo encontra-se ilustrada na Figura 5.

Figura 5 - Apresentação da evolução dos processos envolvidos na aplicação de metodologias


para construção de carta de ruído.
21

Os itens que seguem descrevem cada uma destas etapas.

3.1 ATENUAÇÃO POR DIVERGÊNCIA GEOMÉTRICA


A atenuação por divergência geométrica consiste em calcular a dispersão da energia a partir
da fonte. Ou seja, considerando uma fonte esférica com uma determinada potência sonora,
irradiando ruído por todas as direções, e, um ponto receptor localizado a uma determinada
distância, a qual corresponde ao raio da esfera em que este se encontra com relação à
fonte. A parcela de energia encontra-se distribuída, com relação ao citado receptor, a uma
área de esfera maior que a área da esfera inicial da fonte, ver equação 3.1.

Portanto, quanto maior a distância com relação à fonte, maior será a área em que a energia
inicial se encontrará distribuída na nova esfera de raio equivalente a nova distância, e,
conseqüentemente, menor será o NPS (Nível de Pressão Sonoro) no receptor.

3.1.1 Atenuação por Divergência Geométrica em ArcMap

A aplicação do método de atenuação por divergência geométrica foi realizada com o


software ArcMap. Fazendo-se o uso da ferramenta Spatial Analyst, foram criados rasters
com pixels computando a distância a partir da fonte. Foram consideradas quatro fontes
distintas, as quais são representadas por porções das rotas obrigatórias de caminhões
(Mapa 1). Cada fonte foi representada por um vetor de pontos, sendo cada ponto distante 20
metros entre si, e para estes, elaborados seus respectivos rasters com as distâncias
computadas.

Com a utilização de uma série histórica de dados, de monitoramento de ruído, do Porto de


Itajaí (SC)1, foi utilizado um valor médio de Leq (Nível Equivalente de Ruído – dB(A)) para
cada rota respectiva, o qual foi aplicado para todos os pontos de um mesmo vetor, foram
eles:

 Rota Obrigatória de Caminhões 01 – 84 dB(A) na fonte.


 Rota Obrigatória de Caminhões 02 – 78 dB(A) na fonte.
 Rota Obrigatória de Caminhões 03 – 84 dB(A) na fonte.
 Rota Obrigatória de Caminhões 04 – 77 dB(A) na fonte.

1
Esta série histórica foi produzida pela UNIVALI para o projeto de monitoramento ambiental do Porto
de Itajaí. Ela se refere ao período de período de 10/06 a 09/08 e encontra-se publicada no Relatório
Final do referido projeto.
22

A partir destes valores médios, calcularam-se os valores de atenuação em função da


distância, dos rasters então elaborados, ver equação 3.1. Posteriormente, foi calculada a
média (RMS – Root Mean Square) dos quatro rasters, realizando a elaboração do Mapa 1,
sendo importante salientar que não foram considerados os obstáculos à propagação do
ruído.

A Equação 3.1 corresponde à aplicação de fontes lineares. Visto que as fontes pontuais,
dispostas de forma linear, possuem uma propagação semelhante a fontes lineares (com
atenuação de 3 dB ao dobrar a distância), é recomendado, portanto, a aplicação da fórmula
abaixo.

Após a aplicação deste método e devido a necessidade de serem considerados os


obstáculos à propagação, pesquisaram-se métodos com a capacidade de realizar cálculos
considerando a presença destes. A seguir são apresentados os mesmos com diferentes
aplicações.

3.2 ATENUAÇÃO POR BARREIRA (KURZE & ANDERSON)


O método consiste de uma diferença geométrica, relacionada a um determinado
comprimento de onda, conhecida como número de Fresnel (Equação 3.2), entre a fonte
emissora, a barreira e o receptor, ver figura 06.
23

Figura 6 - Ilustração dos elementos utilizados no cálculo do número de Fresnel.

Onde:

A = caminho da refração da fonte até a borda de refração.

B = caminho de refração da borda de refração até o receptor.

C = distância direta entre fonte e receptor.

Kurze & Anderson, desenvolveram a seguinte equação para o cálculo de atenuação por
uma barreira simples:

É importante destacar a origem deste método, pois há uma ligeira confusão sobre essa
(Método Kurze & Anderson ou Maekawa). A equação de atenuação por barreira (Equação
24

3.3) foi, na verdade, elaborada por Kurze & Anderson, sendo que estes utilizaram uma
curva de dados elaborada originalmente por Maekawa.

3.2.1 Aplicação de Atenuação por Barreira (Kurze & Anderson) em Excell

A aplicação inicial do método de atenuação por barreira foi realizada em uma planilha em
Excell, idealizando um cenário em que a barreira possui uma largura infinita, havendo,
portanto, apenas difração na borda superior. A fonte sonora e os pontos receptores foram
determinados com a mesma altura, e, dispostos em um mesmo plano.

Para a elaboração desta planilha, foi necessária a utilização de uma curva de referência,
com valores médios de um estudo realizado na cidade de São Paulo, ver quadro 5. Esta
tabela apresenta valores estatísticos do espectro de ruído relacionando o tipo de via e as
bandas de oitavas de 125 Hz, 250 Hz, 500 Hz, 1000 Hz, 2000 Hz e 4000 Hz. Assim como
também, o valor correspondente em dB(A).

Quadro 4 - Quadro com curvas de referência de espectros de ruído.

Resultados estatísticos de medições na cidade de São Paulo

Espectro típico do ruído de tráfego a 7m da fonte/velocidade 60 km/h

Curvas de referência em dB(A)


125 250 500 1000 2000 4000 dB(A)
Via expressa 15000 veículos/h 83 82 80 78 77 72 87
Via expressa 4000 veículos/h 77 76 74 72 71 66 81
Via expressa 2000 veículos/h 75 74 72 70 69 64 79
Via coletora 1000 veículo/h 71 70 68 66 65 60 75
Via coletora 500 veículo/h 68 67 65 63 62 57 72
Via local 250 veículos/h 65 64 62 60 59 54 69
Via local 100 veículos/h 61 60 58 56 55 50 65
Vial local 50 veículo/h 58 57 55 53 52 47 62

Para a realização dos cálculos de atenuação, foram utilizados os valores de bandas de


oitavas referentes a uma via coletora com 1000 veículos/hora, ver quadro 5. Devido ao fato
de estes dados terem sido coletados a 7 metros da fonte, foi necessário realizar a projeção
destes valores na fonte (Tabela 1), a fim de encontrar a potência sonora da mesma. Para
esta projeção, foi utilizada a equação por divergência geométrica para fontes lineares
(Equação 3.1). Com a devida potência sonora encontrada, e, considerando então, a fonte
como pontual e simples, realizou-se uma nova projeção (Tabela 2) a fim de calcular a
atenuação por divergência geométrica para fontes pontuais, ver equação 3.4.
25

Onde:

Lp = Nível de intensidade sonora no receptor.

Lw = Potência sonora na fonte.

r = distância do receptor à fonte.

Utilizando a equação 3.2 e o método de atenuação por barreira simples (Kurze & Anderson),
foram elaboradas seis tabelas, sendo que cada tabela corresponde ao cálculo de atenuação
por barreira para cada banda de oitava de estudo, ver tabelas 3 a 8.

Para a elaboração destas tabelas, a fonte e os receptores, foram considerados a uma


mesma altura. E, com relação à barreira, a esta, foi estabelecida uma altura de 5 metros a
mais aos citados receptores e fonte.

Fazendo uso da equação 3.5 foi elaborada uma nova curva de referência, ver tabela 10.
Posteriormente os valores de NPS sem barreira (Tabela 9) e NPS com barreira (equação
3.5), ver tabela 10, foram elaborados em um gráfico (Gráfico 1) a fim de verificar
visualmente a atenuação ocasionada pela barreira.

Onde:

Lp = Nível de intensidade sonora do receptor, resultante da divergência geométrica.

AT = Atenuação calculada.

3.2.2 Aplicação de Atenuação por Barreira (Kurze & Anderson) em Matlab

A aplicação do método de Kurze & Anderson, elaborado em estrutura algorítmica, em


ambiente Matlab, foi um passo necessário rumo à elaboração de uma carta de ruído com
maior grau de precisão.

Após a aplicação do método em planilha Excell, surgiu a necessidade de extrapolar os


receptores para diferentes planos de refração, devido ao fato, de que, facilitaria a
elaboração de uma carta de ruído.
26

Anteriormente, havia sido calculada a refração, para apenas uma borda da barreira
(barreira infinita). Situação esta, a qual se encontra muito distante da realidade. Com isto,
gerou-se a necessidade de levar em consideração todos os caminhos de refração (superior
e laterais).

Ademais, visto que as fontes sonoras podem distinguir em intensidade, assim como também
podem estar espacialmente em diferentes pontos com relação aos obstáculos, foi
necessário, também, tornar possível a construção de um cenário conforme a necessidade
do usuário.

Foram, então, dados os seguintes graus de liberdade ao usuário, são eles:

 Escolha de uma altura específica para a fonte sonora.


 Escolha de alturas para pontos receptores (iguais entre si).
 Escolha de uma altura para a barreira.
 Escolha de uma largura para a barreira.
 Escolha de distância da fonte a barreira.
 Escolha de uma distância máxima para os receptores.

Um passo chave, para a realização dos cálculos, foi a elaboração de um sistema de


coordenadas, com a origem localizada na borda lateral da barreira, e, distante desta, a uma
distância da barreira à fonte, determinada pelo usuário. Isso possibilitou estabelecer
relações geométricas e cálculos de distância entre pontos no espaço, a fim de calcular os
caminhos de refração.

É importante ainda, salientar, que o algoritmo calcula a atenuação entre fonte e receptores
com alturas diferentes ou iguais entre si, e, foi elaborado com uma resolução de 1 metro por
ponto de cálculo.

Esta abordagem, utilizada para a aplicação deste método, apresentou como limite o cálculo
de atenuação para uma área restringida às bordas verticais da barreira, porém, possibilitou
a visualização da refração para diferentes comprimentos de onda e a capacidade de
identificar a sombra acústica.

3.2.3 Aplicação de atenuação por barreira (Kurze & Anderson) em ambiente Matlab -
Abordagem com utilização de matrizes representativas do local de estudo

Conforme visto anteriormente, os receptores tinham seus valores calculados em uma área
restringida às bordas laterais da barreira. Ademais, o posicionamento da fonte, também se
27

encontrava limitado ao espaço entre as bordas laterais da barreira, reduzindo a


aplicabilidade do modelo.

Outro fator importante, é que, a situação anterior confinaria a utilização dos dados
calculados em SIG e, ademais, possibilitaria uma maior margem de erro com o incremento
de trabalho na obtenção dos dados de entrada, que seriam então utilizados no algoritmo
anterior. Portanto, surgiu mais uma vez, a necessidade de incrementar a complexidade do
algoritmo.

Esta nova abordagem teve a finalidade, em criar um algoritmo, que identificasse a barreira
em uma dada matriz, com sua respectiva altura e posição dentro da matriz, e a posição da
fonte em outra matriz de mesma dimensão. As citadas matrizes seriam então,
representativas de um local de estudo, necessitando apenas a entrada de valores
correspondentes a altura da fonte, a curva de referência do espectro do ruído e altura dos
pontos receptores.

3.3 ATENUAÇÃO DE SOM EM AMBIENTES EXTERNOS (ISO 9613-2)


O método ISO 9613-2 é bastante conhecido. E, como visto anteriormente, é utilizado
amplamente em softwares de modelagem ambiental para o cálculo de atenuação sonora.

A grande vantagem deste método sobre o método de Kurze & Anderson, é que a ISO 9613-
2 aborda parâmetros como a influência de condições meteorológicas, absorção atmosférica,
efeito do solo e reflexões. Além, é claro, considerar também, a atenuação por divergência
geométrica e refração de obstáculos.

Porém, a aplicação deste método, não considerou os efeitos de reflexão, e, nem os efeitos
meteorológicos.

A utilização inicial deste método teve como base, em termos de estrutura, o algoritmo
elaborado anteriormente, de Kurze & Anderson. Realizando os cálculos, portanto, a partir
de matrizes previamente elaboradas e representativas da região de estudo.

O cálculo da atenuação, realizado a partir da fonte, levou em consideração a atenuação por


divergência geométrica (Equação 3.6), a atenuação atmosférica (Equação 3.7) e os efeitos
do solo os quais consistem de reflexões que interferem com a propagação direta entre a
fonte e receptores (Equação 3.8).
28

Onde:

d = distância do receptor a partir da fonte.

do = distância de referência igual a 1.

A atenuação atmosférica possui pouca influência na propagação sonora a curtos espaços e


é significativa apenas em cálculos envolvendo grandes distâncias (km). Os coeficientes de
atenuação atmosférica utilizados nos cálculos, obtidos a partir de uma tabela disponível na
própria norma, do método proposto pela ISO 9613-2 receberam parâmetros atmosféricos
que se mostra a seguir:

• Temperatura do ar: 20º C


• Umidade relativa do ar: 70%

Onde:

= atenuação atmosférica

= coeficiente de atenuação atmosférica (dB/km)

= distância a partir da fonte (m)

Onde:

= atenuação por efeitos do solo por banda de oitava.

= atenuação por reflexões do solo na região da fonte.


29

= atenuação por reflexões do solo na região do receptor.

= atenuação por reflexões do solo na região intermediária à fonte e receptor.

Com base em princípios de SIG, onde é executada a sobreposição de camadas, o mesmo


foi realizado com as camadas de atenuação obtidas pelo método proposto pela ISO 9613-2.

Com respeito ao cálculo de atenuação por barreiras, deste método, foram realizados
cálculos dos caminhos de refração, de maneira distinta ao proposto pelo Método de Kurze &
Anderson. Ainda que seja possível realizar cálculos para barreiras duplas, para o presente
estudo foram consideradas apenas barreiras simples.

Para os cálculos de atenuação na borda superior, segue abaixo a equação utilizada:

Para os cálculos de atenuação nas bordas laterais, segue abaixo a equação utilizada:

Onde:

= cálculo de atenuação

Nesta seção, os cálculos dos efeitos do solo são cancelados no cálculo da atenuação pela
borda superior.

A seguir é apresentada a equação para o cálculo de atenuação por barreira:

Onde:

= 20, para situações onde são considerados os efeitos do solo;

= 1, para barreiras simples;


30

= comprimento de onda, em metros;

= fator de correção para efeitos meteorológicos;

= diferença dos caminhos de refração (apresentado a seguir).

Para difração em barreiras simples, a qual é o objeto de trabalho deste estudo, as


diferenças dos caminhos de refração são calculadas a partir da seguinte equação:

Onde:

= é a distância da fonte a borda de refração, em metros;

= é a distância do receptor a borda da refração, em metros;

= é a distância paralela a borda de refração, entre fonte e receptor, em metros;

O fator de correção , para a refração pelas bordas laterais deve ser assumido igual a 1.

Para refração pela borda superior deve ser calculado usando a seguinte a equação:

Após o cálculo das devidas atenuações, tem-se a atenuação total por banda de oitava,
sendo ela:
31

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 ELABORAÇÃO DO QUADRO COMPARATIVO DE METODOLOGIAS ESTUDADAS


Quadro 5 - Quadro comparativo de metodologias de carta de ruído estudadas

Apresentação de Método de
Grau de Grau de parâmetros de Tipo de fonte interpolação
Método Descrição Preditivo Modelos numéricos Modelo da cidade Software Custo
detalhamento similitude estudo do sonora (contornos de
modelo ruído)
Desenvolver um método
SIG e Modelo Software
Proposto por Kuijver padrão para a A critério do Tráfego,ferrovias A critério do
sim sim SCM1/SCM2 Computacional Comercial
et al elaboração de cartas de pesquisador ,industrial pesquisador
de Ruído (Aquisição)
ruído.
SIG e Modelo Software
Desenvolver uma carta Tráfego,ferrovias
sim sim SCM2 3D TIN Computacional Comercial
de ruído 2.5D. ,industrial
de Ruído (Aquisição)
Proposto por
Kurakula et al SIG, FIELDS e
Software
Desenvolver uma carta Tráfego,ferrovias Modelo
sim sim SCM2 3D 3D IDW Comercial
de ruído 3D. ,industrial Computacional
(Aquisição)
de Ruído
Desenvolver três cartas
de ruído: uma antes da ISSO 9613-2, RLS 90,
Software
Proposto por Lee S- construção, uma durante relação de atenuação a Construção,
sim sim 3D ND SoundPLAN Comercial
W et al a construção e uma distãncia(equipamentos tráfego
(Aquisição)
após o término da de construação)
construção.
Tráfego
Descrição genérica dos
rodoviário, SIG e Modelo Software
Proposto por Santos passos para
sim sim ND 3D ferroviário, ND Computacional Comercial
et al desenvolvimento de
aéreo, zonas de Ruído (Aquisição)
cartas de ruído.
industriais
Elaboração do perfil da
secção transversal ao Software
Proposto por
longo de uma avenida não NA NA 2D Tráfego ND SIG e TransCAD Comercial
Berritini et al
com um mapa de (Aquisição)
contorno de ruído.
Elaboração de cartas de
Software
Proposto por Silva et ruído sazonais e
sim sim SETRA 3D Tráfego ND SIG Comercial
al quantificação de
(Aquisição)
população afetada.
Quantificação da
população exposta a
Software
Proposto por diferentes classes de
sim NA NA 2D NA ND ArcSDE Comercial
Baltazar et al ruído a partir de um
(Aquisição)
banco de dados de
mapas de ruído.
Elaboração de uma carta
de ruído com a utilização ENPro e Software
Proposto por Cho et
de níveis de ruído não sim NA 3D Ambiental ND programa de Comercial
al
coletados em um banco de dados (Aquisição)
campus universitário.
32

4.2 ELABORAÇÃO DA CARTA DE RUÍDO PELO MÉTODO DE ATENUAÇÃO POR

DIVERGÊNCIA GEOMÉTRICA
A elaboração da carta de ruído na área adjacente ao porto de Itajaí, local onde se
encontram porções das rotas obrigatórias – representadas no mapa 1 por pontos,
apresentou resultados que requerem esclarecimento.

Como pode-se observar, a Rota Obrigatória de Caminhões 1 e 3, localizadas na porção


superior do mapa, apresentaram uma maior área em azul, comparativamente às rotas 2 e 4.
Isto se deve ao fato de, as primeiras destas citadas, possuírem um maior valor na fonte.

Outra importante observação é a presença de uma grande área em azul na intersecção das
quatro rotas, indicado pela flecha. Este é um fenômeno resultante do acúmulo de ruído das
quatro rotas na área de estudo.

Mapa 1 - Mapa com a aplicação do método de divergência geométrica


33

4.3 ATENUAÇÃO POR BARREIRA EM EXCELL (KURZE & ANDERSON)


4.3.1 Projeção da curva de referência por diferentes tipos de fontes de ruído

As tabelas 1 e 2 foram elaboradas com a finalidade de projetar os valores de intensidade


sonora para uma fonte pontual em um cenário sem a presença de barreiras.

A tabela 1 utilizou os valores de referência (Quadro 5), em amarelo na tabela 1, a fim de


encontrar os valores na fonte linear, em verde escuro na tabela 1.

Tabela 1 - Projeção da curva de ruído na fonte (projeção para fonte linear).

Curva de referência a 7m da via - 1000 veic./hora dB(A) - calculado


125 250 500 1000 2000 4000 dB(A)
71 70 68 66 65 60 75 75,69

Projeção da Curva a partir da Fonte Sem Barreira - Projeção para fonte linear
125 250 500 1000 2000 4000 dB(A)_Proj Distância dB(A)_Calc. Erro(dB(A)_Calc. - dB(A)_Proj)
84,45 83,45 81,45 79,45 78,45 73,45 88,45 0 89,14 0,69
79,45 78,45 76,45 74,45 73,45 68,45 83,45 1 84,14 0,69
76,44 75,44 73,44 71,44 70,44 65,44 80,44 2 81,13 0,69
74,68 73,68 71,68 69,68 68,68 63,68 78,68 3 79,37 0,69
73,43 72,43 70,43 68,43 67,43 62,43 77,43 4 78,12 0,69
72,46 71,46 69,46 67,46 66,46 61,46 76,46 5 77,15 0,69
71,67 70,67 68,67 66,67 65,67 60,67 75,67 6 76,36 0,69
71,00 70,00 68,00 66,00 65,00 60,00 75,00 7 75,69 0,69

A partir dos valores encontrados, na fonte linear (Tabela 1), assumiu-se então, a fonte como
sendo pontual, e projetou-se uma nova curva de referência (Tabela 2), fazendo o uso dos
valores anteriormente encontrados na tabela anterior para a respectiva fonte.

Tabela 2 - Projeção da curva de ruído a partir da fonte (projeção para fonte pontual).

Curva de referência a 7m da via - 1000 veic./hora


125 250 500 1000 2000 4000 dB(A) dB(A) - calculado
71 70 68 66 65 60 75 75,69

Projeção da Curva a partir da Fonte Sem Barreira - Projeção para fonte pontual
125 250 500 1000 2000 4000 dB(A)_Proj Distância dB(A)_Calc. Erro(dB(A)_Calc. - dB(A)_Proj)
84,45 83,45 81,45 79,45 78,45 73,45 88,45 0 89,14 0,69
76,45 75,45 73,45 71,45 70,45 65,45 80,45 1 81,14 0,69
70,43 69,43 67,43 65,43 64,43 59,43 74,43 2 75,12 0,69
66,91 65,91 63,91 61,91 60,91 55,91 70,91 3 71,60 0,69
64,41 63,41 61,41 59,41 58,41 53,41 68,41 4 69,10 0,69
62,47 61,47 59,47 57,47 56,47 51,47 66,47 5 67,16 0,69
60,89 59,89 57,89 55,89 54,89 49,89 64,89 6 65,57 0,69
59,55 58,55 56,55 54,55 53,55 48,55 63,55 7 64,24 0,69
58,39 57,39 55,39 53,39 52,39 47,39 62,39 8 63,08 0,69
57,37 56,37 54,37 52,37 51,37 46,37 61,37 9 62,05 0,69
56,45 55,45 53,45 51,45 50,45 45,45 60,45 10 61,14 0,69
55,62 54,62 52,62 50,62 49,62 44,62 59,62 11 60,31 0,69
54,87 53,87 51,87 49,87 48,87 43,87 58,87 12 59,55 0,69
54,17 53,17 51,17 49,17 48,17 43,17 58,17 13 58,86 0,69
53,53 52,53 50,53 48,53 47,53 42,53 57,53 14 58,22 0,69
52,93 51,93 49,93 47,93 46,93 41,93 56,93 15 57,62 0,69
52,37 51,37 49,37 47,37 46,37 41,37 56,37 16 57,06 0,69
34

4.3.2 Cálculo de atenuação por barreira (Kurze & Anderson)

As tabelas 3 a 8 apresentam os cálculos de atenuação propriamente ditos.

Em verde, estão dispostos os valores da curva de referência sem barreira (Tabela 2) a partir
dos 5 metros com relação à fonte. Isto se deve ao fato de haver considerado a fonte a 4
metros de distância de uma barreira infinita. Portanto, os cálculos de atenuação passam a
ser realizados a partir de 1 metro de distância da barreira.

Em amarelo, se encontram os valores finais de intensidade sonora. Ou seja, o suposto valor


caso não existisse a barreira (em verde) subtraído da atenuação calculada.

Tabela 3 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 125 hz

#1 - Situação freqüência 125 Hz


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
h (Barreira) 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
f 125 125 125 125 125 125 125 125 125 125 125 125
db Sem Barreira 62,47 60,89 59,55 58,39 57,37 56,45 55,62 54,87 54,17 53,53 52,93 52,37
db Com Barreira 50,10 48,77 47,65 46,68 45,81 45,02 44,30 43,64 43,03 42,45 41,91 41,40
c 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343

λ 2,744 2,744 2,744 2,744 2,744 2,744 2,744 2,744 2,744 2,744 2,744 2,744

A - Fixo 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124
B - Variável 5,09902 5,385165 5,830952 6,403124 7,071068 7,81025 8,602325 9,433981 10,29563 11,18034 12,08305 13
d1 - fonte-barreira 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4
d2 - barreira-receptor 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
C - fonte-receptor 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

N 4,739172 4,21887 3,814924 3,503097 3,261073 3,070972 2,919424 2,796724 2,695885 2,611854 2,54094 2,480411

√2πN 5,456839 5,148586 4,895904 4,691546 4,52658 4,392663 4,282906 4,191937 4,115671 4,05102 3,995648 3,947769

tanh(√2πN) 0,999964 0,999933 0,999888 0,999832 0,999766 0,999694 0,999619 0,999543 0,999468 0,999394 0,999323 0,999255

Atenuação 12,36957 12,11717 11,89881 11,71389 11,55872 11,42861 11,31904 11,22613 11,14672 11,07828 11,01881 10,96675

Tabela 4 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 250 hz

#2 - Situação freqüência 250 Hz


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
h (Barreira) 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
f 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250 250
db Sem Barreira 61,47 59,89 58,55 57,39 56,37 55,45 54,62 53,87 53,17 52,53 51,93 51,37
db Com Barreira 47,60 46,27 45,15 44,17 43,30 42,52 41,80 41,14 40,52 39,95 39,41 38,90
c 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343

λ 1,372 1,372 1,372 1,372 1,372 1,372 1,372 1,372 1,372 1,372 1,372 1,372

A - Fixo 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124
B - Variável 5,09902 5,385165 5,830952 6,403124 7,071068 7,81025 8,602325 9,433981 10,29563 11,18034 12,08305 13
d1 - fonte-barreira 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4
d2 - barreira-receptor 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
C - fonte-receptor 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

N 9,478344 8,437739 7,629849 7,006193 6,522146 6,141944 5,838848 5,593448 5,39177 5,223709 5,081881 4,960823

√2πN 7,717136 7,2812 6,923854 6,634848 6,401551 6,212163 6,056943 5,928294 5,820437 5,729008 5,650699 5,582989

tanh(√2πN) 1 0,999999 0,999998 0,999997 0,999994 0,999992 0,999989 0,999986 0,999982 0,999979 0,999975 0,999972

Atenuação 13,87456 13,62203 13,40349 13,21832 13,06288 12,93246 12,82258 12,72936 12,64963 12,58089 12,52113 12,46879
35

Tabela 5 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 500 hz

#3 - Situação freqüência 500 Hz


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
h (Barreira) 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
f 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500 500
db Sem Barreira 59,47 57,89 56,55 55,39 54,37 53,45 52,62 51,87 51,17 50,53 49,93 49,37
db Com Barreira 44,09 42,76 41,64 40,67 39,80 39,01 38,30 37,63 37,02 36,44 35,90 35,39
c 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343

λ 0,686 0,686 0,686 0,686 0,686 0,686 0,686 0,686 0,686 0,686 0,686 0,686

A - Fixo 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124
B - Variável 5,09902 5,385165 5,830952 6,403124 7,071068 7,81025 8,602325 9,433981 10,29563 11,18034 12,08305 13
d1 - fonte-barreira 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4
d2 - barreira-receptor 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
C - fonte-receptor 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

N 18,95669 16,87548 15,2597 14,01239 13,04429 12,28389 11,6777 11,1869 10,78354 10,44742 10,16376 9,921645

√2πN 10,91368 10,29717 9,791808 9,383092 9,05316 8,785326 8,565811 8,383874 8,231342 8,10204 7,991295 7,895539

tanh(√2πN) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

Atenuação 15,37971 15,12718 14,90863 14,72346 14,568 14,43758 14,32769 14,23445 14,15471 14,08594 14,02617 13,97382

Tabela 6 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 1000 hz

#4 - Situação freqüência 1000 Hz


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
h (Barreira) 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
f 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000
db Sem Barreira 57,47 55,89 54,55 53,39 52,37 51,45 50,62 49,87 49,17 48,53 47,93 47,37
db Com Barreira 40,59 39,26 38,14 37,16 36,29 35,51 34,79 34,13 33,51 32,94 32,40 31,89
c 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343

λ 0,343 0,343 0,343 0,343 0,343 0,343 0,343 0,343 0,343 0,343 0,343 0,343

A - Fixo 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124
B - Variável 5,09902 5,385165 5,830952 6,403124 7,071068 7,81025 8,602325 9,433981 10,29563 11,18034 12,08305 13
d1 - fonte-barreira 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4
d2 - barreira-receptor 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
C - fonte-receptor 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

N 37,91337 33,75096 30,51939 28,02477 26,08858 24,56778 23,35539 22,37379 21,56708 20,89483 20,32752 19,84329

√2πN 15,43427 14,5624 13,84771 13,2697 12,8031 12,42433 12,11389 11,85659 11,64087 11,45802 11,3014 11,16598

tanh(√2πN) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

Atenuação 16,88486 16,63233 16,41378 16,22861 16,07315 15,94273 15,83284 15,7396 15,65986 15,59109 15,53132 15,47897

Tabela 7 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 2000 hz

#5 - Situação freqüência 2000 Hz


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
h (Barreira) 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
f 2000 2000 2000 2000 2000 2000 2000 2000 2000 2000 2000 2000
db Sem Barreira 56,47 54,89 53,55 52,39 51,37 50,45 49,62 48,87 48,17 47,53 46,93 46,37
db Com Barreira 38,08 36,75 35,63 34,66 33,79 33,00 32,29 31,62 31,01 30,43 29,89 29,38
c 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343

λ 0,1715 0,1715 0,1715 0,1715 0,1715 0,1715 0,1715 0,1715 0,1715 0,1715 0,1715 0,1715

A - Fixo 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124
B - Variável 5,09902 5,385165 5,830952 6,403124 7,071068 7,81025 8,602325 9,433981 10,29563 11,18034 12,08305 13
d1 - fonte-barreira 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4
d2 - barreira-receptor 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
C - fonte-receptor 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

N 75,82675 67,50191 61,03879 56,04954 52,17717 49,13556 46,71078 44,74758 43,13416 41,78967 40,65505 39,68658

√2πN 21,82736 20,59434 19,58362 18,76618 18,10632 17,57065 17,13162 16,76775 16,46268 16,20408 15,98259 15,79108

tanh(√2πN) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

Atenuação 18,39001 18,13748 17,91893 17,73376 17,5783 17,44788 17,33799 17,24475 17,16501 17,09624 17,03647 16,98412
36

Tabela 8 - Cálculo da atenuação (Kurze & Anderson) - freqüência de 4000 hz

#6 - Situação freqüência 4000 Hz


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
h (Barreira) 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
f 4000 4000 4000 4000 4000 4000 4000 4000 4000 4000 4000 4000
db Sem Barreira 51,47 49,89 48,55 47,39 46,37 45,45 44,62 43,87 43,17 42,53 41,93 41,37
db Com Barreira 31,58 30,25 29,12 28,15 27,28 26,50 25,78 25,12 24,50 23,93 23,39 22,88
c 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343 343

λ 0,08575 0,08575 0,08575 0,08575 0,08575 0,08575 0,08575 0,08575 0,08575 0,08575 0,08575 0,08575

A - Fixo 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124 6,403124
B - Variável 5,09902 5,385165 5,830952 6,403124 7,071068 7,81025 8,602325 9,433981 10,29563 11,18034 12,08305 13
d1 - fonte-barreira 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4
d2 - barreira-receptor 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
C - fonte-receptor 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

N 151,6535 135,0038 122,0776 112,0991 104,3543 98,27111 93,42156 89,49517 86,26832 83,57934 81,31009 79,37316

√2πN 30,86854 29,1248 27,69542 26,53939 25,6062 24,84865 24,22777 23,71318 23,28175 22,91603 22,6028 22,33196

tanh(√2πN) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

Atenuação 19,89516 19,64263 19,42408 19,23891 19,08345 18,95303 18,84313 18,7499 18,67016 18,60139 18,54162 18,48927

4.3.3 Elaboração do gráfico comparativo de um cenário sem barreira com outro com
barreira

As tabelas 9 e 10, são os valores em destaque (verde e amarelo) das tabelas 3 a 8, com a
finalidade de visualizar melhor os resultados e apresentar os valores em dB(A). Com estes,
foi então realizado o gráfico 1, o qual encerra esta etapa inicial em Excel.

Tabela 9 - Curva de referência sem barreira

Curva de Referência Sem Barreira - Pontual


Distância da fonte ao receptor
125 Hz 250 Hz 500 Hz 1000 Hz 2000 Hz 4000 Hz dB(A)
62,47 61,47 59,47 57,47 56,47 51,47 66,47 5
60,89 59,89 57,89 55,89 54,89 49,89 64,89 6
59,55 58,55 56,55 54,55 53,55 48,55 63,55 7
58,39 57,39 55,39 53,39 52,39 47,39 62,39 8
57,37 56,37 54,37 52,37 51,37 46,37 61,37 9
56,45 55,45 53,45 51,45 50,45 45,45 60,45 10
55,62 54,62 52,62 50,62 49,62 44,62 59,62 11
54,87 53,87 51,87 49,87 48,87 43,87 58,87 12
54,17 53,17 51,17 49,17 48,17 43,17 58,17 13
53,53 52,53 50,53 48,53 47,53 42,53 57,53 14
52,93 51,93 49,93 47,93 46,93 41,93 56,93 15
52,37 51,37 49,37 47,37 46,37 41,37 56,37 16
37

Tabela 10 - Curva de referência com barreira

Curva de Referência Com Barreira - Pontual


125 Hz 250 Hz 500 Hz 1000 Hz 2000 Hz 4000 Hz dB(A) Distância a partir da barreira
50,10 47,60 44,09 40,59 38,08 31,58 53,11 1
48,77 46,27 42,76 39,26 36,75 30,25 51,78 2
47,65 45,15 41,64 38,14 35,63 29,12 50,66 3
46,68 44,17 40,67 37,16 34,66 28,15 49,69 4
45,81 43,30 39,80 36,29 33,79 27,28 48,82 5
45,02 42,52 39,01 35,51 33,00 26,50 48,04 6
44,30 41,80 38,30 34,79 32,29 25,78 47,32 7
43,64 41,14 37,63 34,13 31,62 25,12 46,65 8
43,03 40,52 37,02 33,51 31,01 24,50 46,04 9
42,45 39,95 36,44 32,94 30,43 23,93 45,46 10
41,91 39,41 35,90 32,40 29,89 23,39 44,92 11
41,40 38,90 35,39 31,89 29,38 22,88 44,42 12

Gráfico 1 - Gráfico comparativo entre um cenário sem barreira e outro com barreira, para uma
mesma fonte sonora.

4.4 ELABORAÇÃO DE CENÁRIOS COM O USO DE ALGORITMOS DE ATENUAÇÃO


POR BARREIRA (KURZE & ANDERSON) EM MATLAB

A aplicação do primeiro algoritmo, elaborado em Matlab, foi idealizado com a construção de


três cenários distintos.

Para todos os gráficos elaborados a partir desta etapa foram adotados como padrão a altura
da fonte igual a 0,5 metros, correspondente a uma altura representativa de um automóvel, e,
para os pontos receptores, foram considerados com uma altura de 1,5 metros,
representando, em média, uma pessoa.
38

Cada cenário ilustra a mesma situação de duas formas: uma com os valores totais em
dB(A) (Situação sem barreira e com barreira) e outra é a apresentação dos valores de
atenuação, em dB, pelas faixas de freqüência de estudo.

Outra característica, de importante relevância, é a visualização da sombra acústica, a qual


pode ser verificada nos gráficos complementares por bandas de oitava do objeto de estudo
deste trabalho.

4.4.1 Cenário 01

Este cenário ilustra, particularmente, uma fonte localizada ao meio de uma barreira e
distante desta 4 metros. Dos três cenários elaborados, é a que representa a menor altura
para uma barreira.

Os gráficos 2 e 3, mostram o cenário 01, no qual foram utilizados como dados de entrada:

 Curva de referência utilizada na fonte: 71 dB – 125 Hz, 70 dB – 250 Hz, 68 dB – 500


Hz, 66 dB – 1000 Hz, 65 dB – 2000 Hz, 60 dB – 4000 Hz.
 Altura da fonte: 0,5 metros.
 Altura da barreira: 3 metros.
 Alturas dos receptores: 1,5.
 Distância da fonte à barreira: 4 metros.
 Distância máxima da fonte ao último receptor: 54 metros.
 Largura da barreira: 40 metros.
 Distância do plano da fonte, ortogonal ao plano da barreira: 20 metros.
39

Gráfico 2 - Aplicação do Método de Kurze & Anderson, com um cenário sem barreira e outro
equivalente com barreira.

Gráfico 3 - Visualização da atenuação da barreira por bandas de oitavas (complementar ao


gráfico 02)

Atenuação em dB - f = 125Hz Atenuação em dB - f = 250Hz Atenuação em dB - f = 500Hz

5 5 5
-8
10 10 10
Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)

15 15 15 -10

20 20 20

25 25 25 -12

30 30 30

35 35 35 -14

40 40 40
10 20 30 40 50 10 20 30 40 50 10 20 30 40 50 -16
Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m)

-18
Atenuação em dB - f = 1000Hz Atenuação em dB - f = 2000Hz Atenuação em dB - f = 4000Hz

5 5 5 -20

10 10 10
Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)

15 15 15 -22

20 20 20
-24
25 25 25

30 30 30
-26
35 35 35

40 40 40
10 20 30 40 50 10 20 30 40 50 10 20 30 40 50
Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m)
40

4.4.2 Cenário 02

O cenário 02 também ilustra uma situação com uma fonte ao meio da barreira, porém,
distante desta 4 metros, representou a maior situação de barreira, possuindo esta, então, 8
metros.

Os gráficos 4 e 5, mostram o cenário 02, no qual foram utilizados como dados de entrada:

 Curva de referência utilizada na fonte: 71 dB – 125 Hz, 70 dB – 250 Hz, 68 dB – 500


Hz, 66 dB – 1000 Hz, 65 dB – 2000 Hz, 60 dB – 4000 Hz.
 Altura da fonte: 0,5 metros.
 Altura da barreira: 8 metros.
 Alturas dos receptores: 1,5 metros.
 Distância da fonte à barreira: 4 metros.
 Distância máxima da fonte ao último receptor: 54 metros.
 Largura da barreira: 40 metros.
 Distância do plano da fonte, ortogonal ao plano da barreira: 20 metros.

Gráfico 4 - Aplicação do Método de Kurze & Anderson, com um cenário sem barreira e outro
equivalente com barreira
41

Gráfico 5 - Visualização das atenuações da barreira por bandas de oitavas (complementar


ao gráfico 04)

Atenuação em dB - f = 125Hz Atenuação em dB - f = 250Hz Atenuação em dB - f = 500Hz

5 5 5

10 10 10
Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)


15 15 15

20 20 20 -15

25 25 25

30 30 30

35 35 35

40 40 40 -20
10 20 30 40 50 10 20 30 40 50 10 20 30 40 50
Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m)

Atenuação em dB - f = 1000Hz Atenuação em dB - f = 2000Hz Atenuação em dB - f = 4000Hz

-25
5 5 5

10 10 10
Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)


15 15 15

20 20 20
-30
25 25 25

30 30 30

35 35 35

40 40 40
10 20 30 40 50 10 20 30 40 50 10 20 30 40 50
Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m)

4.4.3 Cenário 03

Este cenário foi elaborado a fim de verificar o comportamento da pluma sonora, quando uma
fonte não se encontra simetricamente ao meio da barreira, e, sim, tendendo para um dos
lados de uma das bordas desta.

Os gráficos 06 e 07, mostram o cenário 03, no qual foram utilizados como dados de entrada:

 Curva de referência utilizada: 71 dB – 125 Hz, 70 dB – 250 Hz, 68 dB – 500 Hz, 66


dB – 1000 Hz, 65 dB – 2000 Hz, 60 dB – 4000 Hz.
 Altura da fonte: 0,5 metros.
 Altura da barreira: 6 metros.
 Alturas dos receptores: 1,5 metros.
 Distância da fonte à barreira: 4 metros.
 Distância máxima da fonte ao último receptor: 54 metros.
 Largura da barreira: 40 metros.
 Distância ortogonal do plano da fonte, ao plano da barreira: 3 metros.
42

Gráfico 6 - Aplicação do Método de Kurze & Anderson, com um cenário sem barreira e outro
equivalente com barreira

Gráfico 7 - Visualização das atenuações da barreira por bandas de oitavas (complementar ao


gráfico 06)

Atenuação em dB - f = 125Hz Atenuação em dB - f = 250Hz Atenuação em dB - f = 500Hz

5 5 5

10 10 10
Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)

15 15 15 -10

20 20 20

25 25 25

30 30 30

35 35 35 -15

40 40 40
10 20 30 40 50 10 20 30 40 50 10 20 30 40 50
Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m)

-20
Atenuação em dB - f = 1000Hz Atenuação em dB - f = 2000Hz Atenuação em dB - f = 4000Hz

5 5 5

10 10 10
Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)

Larg. Barreira (m)

15 15 15
-25
20 20 20

25 25 25

30 30 30

35 35 35
-30
40 40 40
10 20 30 40 50 10 20 30 40 50 10 20 30 40 50
Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m) Dist. Barreira-Recep. (m)
43

4.5 ELABORAÇÃO DE CENÁRIO COM O USO DE ALGORITMOS DE ATENUAÇÃO

POR BARREIRA (KURZE & ANDERSON) – ABORDAGEM: MATRIZES


REPRESENTATIVAS DO LOCAL DE ESTUDO
A seguir são apresentadas as aplicações do algoritmo elaborado, que foi incrementado a
partir do algoritmo anterior, com a finalidade de uma maior aplicabilidade em SIG.

Os dois gráficos obtidos são apresentados com uma vista superior de uma área de estudo.

Pode-se observar o ponto vermelho, representando a fonte geradora de ruído, e sua


respectiva propagação em tons de cores tendendo ao verde. Sendo que os tons de azul
representam a atenuação ocasionada pela barreira (azul escuro).

O gráfico 8 apresenta os valores em dB(A), sendo que o gráfico 9 apresenta os valores em


dB, por faixas de freqüência. Ambos gráficos ilustram a mesma situação.

Gráfico 8 - Visualização da atenuação total ocasionada por uma barreira a partir de uma fonte
pontual - Método de Kurze & Anderson.

Propagação sonora com atenuação por barreira (dB(A))

2
70

4
60

50

8
Distancia (m)

40
10

12 30

14
20

16
10

18

20
2 4 6 8 10 12 14 16 18 20
Distancia (m)
44

Gráfico 9 - Visualização da atenuação, em bandas de oitava, por uma barreira a partir de


uma fonte pontual - Método de Kurze & Anderson (complementar ao gráfico 8).

Propagação sonora com atenuação por barreira (dB) - f = 125 Hz Propagação sonora com atenuação por barreira (dB)- f = 250 Hz Propagação sonora com atenuação por barreira (dB)- f = 500 Hz
70

2 2 2 60
60 60
4 4 4
50 50
6 50 6 6
Distancia (m)

Distancia (m)

Distancia (m)
8 8 8 40
40 40
10 10 10
30 30 30
12 12 12
14 14 14 20
20 20
16 16 16
10 10 10
18 18 18
20 20 20
5 10 15 20 5 10 15 20 5 10 15 20
Distancia (m) Distancia(m) Distancia (m)

Propagação sonora com atenuação por barreira (dB) - f = 1000 Hz Propagação sonora com atenuação por barreira (dB)- f = 2000 Hz Propagação sonora com atenuação por barreira (dB)- f = 4000 Hz

60 60
2 2 2
50
4 4 4
50 50
6 6 6 40
40
Distancia (m)

Distancia (m)

Distancia (m)
8 40 8 8
30
10 10 10
30 30
12 12 12
20
14 20 14 20 14
16 16 16 10
10 10
18 18 18
0
20 20 20
5 10 15 20 5 10 15 20 5 10 15 20
Distancia (m) Distancia (m) Distancia (m)

4.6 ELABORAÇÃO DE CENÁRIO COM O USO DE ALGORITMOS DE ATENUAÇÃO


DE SOM EM AMBIENTES EXTERNOS (ISO 9613-2) – ABORDAGEM:
MATRIZES REPRESENTATIVAS DO LOCAL DE ESTUDO
Este cenário é elaborado de maneira muito semelhante ao anterior, porém, com a posição
da fonte de ruído, localizada no canto superior esquerdo dos gráficos. Porém, ressalta-se a
utilização de um outro algoritmo que, apesar de possuir uma estrutura muito semelhante ao
anterior, possui a base de cálculos propostos pela Norma ISO 9613-2, em que, os diferentes
fenômenos físicos são calculados e sobrepostos em camadas (princípio de SIG).
45

Gráfico 10 - Visualização da atenuação total ocasionada por uma barreira a partir de uma
fonte pontual - Método ISO 9613-2.

Propagação sonora com atenuação por barreira - dB(A)

2
70

4
60

50

Distancia (m) 8

40
10

12 30

14
20

16
10

18

20
2 4 6 8 10 12 14 16 18 20
Distancia (m)

Gráfico 11 - Visualização da atenuação, em bandas de oitava, por uma barreira a partir de uma
fonte pontual - Método ISO 9613-2 (complementar ao gráfico 12).

Propagação sonora com atenuação por barreira (dB) - f = 125 Hz Propagação sonora com atenuação por barreira (dB) - f = 250 Hz Propagação sonora com atenuação por barreira (dB) - f = 500 Hz
70

2 2 2 60
60 60
4 4 4
50 50
6 50 6 6
Distancia (m)

Distancia (m)

Distancia (m)

8 8 8 40
40 40
10 10 10
30 30 30
12 12 12
14 14 14 20
20 20
16 16 16
10 10 10
18 18 18
20 20 20
5 10 15 20 5 10 15 20 5 10 15 20
Distancia (m) Distancia (m) Distancia (m)

Propagação sonora com atenuação por barreira (dB) - f = 1000 Hz Propagação sonora com atenuação por barreira (dB) - f = 2000 Hz Propagação sonora com atenuação por barreira (dB) - f = 4000 Hz

60 60
2 2 2
50
4 4 4
50 50
6 6 6 40
40
Distancia (m)

Distancia (m)

Distancia (m)

8 40 8 8

10 10 10 30
30 30
12 12 12
20
14 20 14 20 14
16 16 16 10
10 10
18 18 18
20 20 0
20
5 10 15 20 5 10 15 20 5 10 15 20
Distancia (m) Distancia (m) Distancia (m)
46

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Devido ao limitado aporte de recursos financeiros para um trabalho de conclusão de curso,


não foi possível a obtenção de softwares comerciais para cálculo de propagação sonora.
Esta condição gerou a necessidade de criar uma ferramenta que permitisse a execução do
trabalho. Para tanto, resgatando e utilizando conhecimentos de programação, obtidos
durante o Curso de Engenharia Ambiental, assim como também, aprimorando estes
conhecimentos durante a execução deste trabalho, foram criados algoritmos a fim de
elaborar cartas de ruído.

Como pode ser observado, no decorrer deste trabalho o nível de complexidade foi sendo
gradualmente aumentado, pois são muitas as variáveis a serem consideradas quando se
trata de fenômenos acústicos. Existem questões relacionadas com a natureza do ruído
gerado, fenômenos meteorológicos, tipos de solo na região de estudo, propriedades de
obstáculos presentes, características da fonte, entre outros que não foram totalmente
abordados. Ou seja, os modelos ora implementados ainda aquém do uso como ferramenta
de predição.

Isto se deve a decisão de, ao longo do projeto, restringir o escopo das atividades do
trabalho. Assim, foi estabelecido o encerramento das etapas de incremento dos algoritmos.
Conseqüentemente os métodos de Kurze & Anderson e ISO 9613-2 não chegaram a ser
aplicados em ambiente SIG, desta forma não se chegando a carta de ruído gerada a partir
destas metodologias.

Tal situação de modo algum indica falha na condução deste trabalho. Indica sim, o
reconhecimento da complexidade do tema abordado, bem como a indicação da viabilidade
de ser desenvolver tal modelo. Assim, compete a trabalhos futuros, talvez de Mestrado, o
aprimoramento destes algoritmos e respectivas aplicações em ambiente SIG.

Para trabalhos futuros, recomenda-se a implementação dos cálculos de reflexão no


algoritmo do método ISO 9613-2, assim como também os efeitos meteorológicos, visto que
estes não foram considerados neste trabalho.

Outra recomendação a ser considerada, seria a exportação dos dados calculados para
ambiente SIG, com a finalidade de estudar os efeitos do ruído em uma região de estudo. O
emprego do SIG apresenta potencial de análises complexas relacionadas ao uso e
ocupação do solo, planos diretores, bem como uma série de análises relacionadas aos
aspectos legais do referido tema.
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