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SEGURO DESEMPREGO

HENRIQUE CORREIA
Procurador do Trabalho

Autor e Coordenador de diversos livros para concursos públicos pela Editora Juspodivm

https://www.editorajuspodivm.com.br/concursos-publicos-direito-do-trabalho-2019

1. Seguro-desemprego
Inicialmente, cabe destacar que o tema seguro-desemprego poderá ser cobrado
tanto em direito do trabalho como em direito previdenciário. O seguro-desemprego é
um benefício previdenciário com expressa previsão constitucional, conforme os
dispositivos a seguir:
Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social:

II– seguro-desemprego em caso de desemprego involuntário (grifos acrescidos).

Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter
contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio
financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a:

III – proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário (grifos acrescidos).

Ressalta-se que o seguro-desemprego estava previsto na Constituição de 1946.


Contudo, sua criação ocorreu somente com o Decreto-Lei nº 2.284/1986. O benefício
tem a finalidade de prover assistência financeira por um prazo determinado ao
trabalhador dispensado involuntariamente. Após a promulgação da Constituição Federal
de 1988, passou a integrar o Programa do Seguro-Desemprego, que, por meio de ações
de orientação, recolocação e qualificação profissional, tem a função de auxiliar o
trabalhador na manutenção e na busca do emprego. Atualmente, é regulamentado pela
Lei nº 7.998/1990. Destaca-se que as regras para concessão do benefício foram alteradas
pela MP nº 665/2014 (chamada pela imprensa e pelo governo de “Pacote Fiscal”).
Contudo, quando referida medida provisória foi convertida na Lei nº 13.134/2015, as
regras sofreram ainda novas alterações. Diante dessas várias alterações legislativas, é

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um tema que poderá ser facilmente exigido nos próximos concursos públicos na área
trabalhista.
Tendo em vista que o seguro-desemprego é um benefício previdenciário, previsto
na Lei nº 7.998/90, a parcela paga ao empregado não tem natureza salarial. Cabe
destacar os trabalhadores que têm direito ao recebimento do benefício1:
1) empregado dispensado sem justa causa;

2) empregado que tenha requerido a rescisão indireta (art. 483 da CLT);

3) empregado cujo contrato de trabalho foi suspenso em virtude de participação em curso


ou programa de qualificação oferecido pelo empregador, conforme o art. 476-A da CLT;

4) pescador profissional durante o período em que a pesca é proibida devido à procriação


das espécies (período chamado de defeso);

5) trabalhador resgatado da condição análoga à de escravidão;

6) empregado doméstico. A LC nº 150/2015, que regulamentou os direitos assegurados aos


empregados domésticos após a promulgação da EC nº 72/2013, assegurou o recebimento do
seguro-desemprego aos domésticos obrigatoriamente.

Ademais, lembre-se de que o trabalhador que pede demissão, que tem o contrato
por prazo determinado finalizado, que é dispensado por justa causa ou quando o término
do contrato de trabalho ocorre por culpa recíproca ou por distrato, não tem direito ao
benefício, pois apenas é devido em caso de desemprego involuntário. Nesse sentido, o
art. 484-A, § 2º, da CLT, acrescentado pela Reforma Trabalhista, estabelece
expressamente que o término do contrato de trabalho por distrato não autoriza o
ingresso no Programa de Seguro-Desemprego:
Art. 484-A, § 2º, CLT (acrescentado pela Lei nº 13.467/2017): A extinção do contrato por
acordo prevista no caput deste artigo não autoriza o ingresso no Programa de Seguro-
Desemprego.

No tocante ao empregado dispensado sem justa causa ou por rescisão indireta, os


requisitos para a concessão do benefício estão previstos no art. 3º da Lei nº 7.998/1990.
Ressalta-se que essas regras foram alteradas pela Lei nº 13.134/2015. São requisitos
para a concessão do benefício a esses empregados:
1) Originalmente, a lei exigia que o empregado tivesse recebido salário nos últimos 6
meses. A Lei nº 13.134/2015 passou a exigir prazos distintos de recebimento de salários
conforme o número de solicitações do benefício realizadas. Nesse sentido, de acordo com a
nova regra:

1. MENEZES, Adriana. Direito Previdenciário para os concursos de Técnico, Analista e Perito do INSS e dos
Tribunais. 5. ed. Salvador: Juspodivm, 2015.

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a) 1ª solicitação: recebimento de salário a pelo menos 12 meses nos últimos 18 meses


imediatamente anteriores à data da dispensa;

b) 2ª solicitação: recebimento de salário a pelo menos 9 meses nos últimos 12


imediatamente anteriores à data da dispensa; e

c) 3º solicitação e seguintes: recebimento de salário a cada um dos 6 meses imediatamente


anteriores à data da dispensa.

2) A lei exigia que o empregado estivesse contratado pelo menos a 15 meses nos últimos
24 meses2. Contudo, a Lei nº 13.134/2015 revogou o art. 3º, inciso II, Lei nº 7.998/1990,
que trazia esse requisito.

3) Não estar no gozo concomitante de outro benefício previdenciário de prestação


continuada, exceto auxílio-acidente, auxílio suplementar (Lei nº 6.367/1976) e abono de
permanência em serviço.

4) Não estar em gozo de auxílio-desemprego.

5) Se possuir renda suficiente para sua manutenção, também não terá direito ao seguro-
desemprego.

6) Matrícula e frequência, quando aplicável, nos termos do regulamento, em curso de


formação inicial e continuada ou de qualificação profissional habilitado pelo Ministério da
Educação ofertado por meio da Bolsa-Formação Trabalhador concedida no âmbito do
Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) ou de vagas
gratuitas na rede de educação profissional e tecnológica.

Uma vez preenchidos tais requisitos, o segurado terá direito ao benefício. Será
pago mediante pedido do trabalhador, entre o 7º e o 120º dia a partir da dispensa ou,
ainda, da sentença judicial ou do acordo homologado na Justiça do Trabalho. O valor do
benefício varia de acordo com a média dos últimos três salários do empregado, sendo
de, no mínimo, um salário mínimo.
Destaca-se que a concessão do benefício pode ser condicionada à frequência do
segurado em curso de formação inicial e continuada ou qualificação profissional com
carga horária mínima de 160 horas.
Ademais, após as mudanças trazidas pela Lei nº 13.134/2015, a quantidade de
parcelas a ser concedida ao segurado será variável de acordo com o número de
solicitações do benefício e a quantidade de meses trabalhados:

2. Ressalta-se que o art. 3º, II, da Resolução nº 467 do Codefat – Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo
ao Trabalhador, estabelece prazo diferente do legal para a concessão do benefício, uma vez que exige que a pessoa
tenha trabalhado durante 6 meses nos últimos 36 meses.

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Solicitação do Quantidade de
Quantidade de meses trabalhados
benefício parcelas

No mínimo 12 e no máximo 23 meses. 4


1ª vez
No mínimo 24 meses. 5

No mínimo 9 meses e no máximo 11 meses. 3

2ª vez No mínimo 12 e no máximo 23 meses. 4

No mínimo 24 meses. 5

No mínimo 6 e no máximo 11 meses. 3

3ª vez ou mais No mínimo 12 e no máximo 23 meses. 4

No mínimo 24 meses. 5

Outra hipótese de recebimento do seguro-desemprego está disciplinada na Lei


nº 10.779/2003, que também foi modificada pela Lei nº 13.134/2015, com a edição de
novos requisitos de concessão. Essa modalidade de benefício refere-se à assistência
temporária ao pescador profissional que realiza as atividades de forma artesanal,
individualmente ou em economia familiar, ainda que com o auxílio de parceiros,
durante o período de defeso de atividade pesqueira. De acordo com o novo diploma
legislativo, tornou-se necessário que o pescador exerça suas atividades de forma
ininterrupta3, e foi suprimida, do art. 1º do texto legal, a possibilidade de auxílio de
parceiros nessas atividades. Nesse sentido, passa a ser considerada atividade ininterrupta
aquela exercida entre o período de defeso anterior e aquele que estiver em curso, ou nos
12 meses anteriores ao defeso em curso, o que for menor (art. 1º, § 3º, Lei
nº 10.779/2003). Somente terá direito ao seguro-desemprego o pescador artesanal que

3. Destaca-se que a MP nº 665/2014 trazia o requisito de exclusividade que não consta na Lei nº 13.134/2015.

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não disponha de outra fonte de renda diversa da decorrente da atividade pesqueira (art.
1º, § 4º, Lei nº 10.779/2003).
O período de defeso ocorre quando se verifica a reprodução dos peixes. Ressalta-
se que esse interstício é estabelecido pelo Ibama para que se restrinja ou impeça a pesca
de determinadas espécies durante certo período do ano. Assim, diante da
impossibilidade da pesca, sustento desses trabalhadores, terão direito ao recebimento de
1 salário mínimo enquanto durar o período de defeso.
De acordo com as novas regras trazidas pela Lei nº 13.134/2015, o benefício é
pessoal e intransferível, e não é possível a concessão de mais de um benefício de
seguro-desemprego no mesmo ano em se tratando de defesos relativos a espécies
distintas.
O art. 2º da Lei nº 10.779/2003 determina os requisitos para a obtenção do seguro-
desemprego para o pescador profissional. Antes das novas mudanças, o órgão do
Ministério do Trabalho era responsável pela habilitação do benefício. Com a nova regra,
o responsável por processar os requerimentos e realizar a habilitação passa a ser o INSS.
Para a obtenção dessa modalidade de seguro-desemprego, é necessário o preenchimento
dos seguintes requisitos:
1) registro como pescador profissional, categoria artesanal, devidamente atualizado no
Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), emitido pelo Ministério da Pesca e
Aquicultura com antecedência mínima de 1 (um) ano, contado da data de requerimento do
benefício;

2) cópia do documento fiscal de venda do pescado, em que conste, além do registro da


operação realizada, o valor da respectiva contribuição previdenciária ou comprovante do
recolhimento da contribuição previdenciária, caso tenha comercializado sua produção a
pessoa física. Nesse caso, o INSS passa a ter a função de verificar o recolhimento da
contribuição previdenciária dos últimos dez meses ou do último período de defeso até o
requerimento do benefício, o que ocorrer primeiro;

3) comprovante de que não está em gozo de nenhum benefício de prestação continuada da


Previdência ou da Assistência Social, exceto auxílio-acidente e pensão por morte; e

4) outros documentos estabelecidos pelo Ministério da Previdência Social que


comprovem: a) o exercício da profissão conforme disposto no art. 1º da Lei nº 10.779/2003;
b) que se dedicou à pesca, em caráter ininterrupto; e c) que não dispõe de outra fonte de
renda diversa da decorrente da atividade pesqueira.

Há, ainda, a possibilidade de recebimento do benefício no caso de empregado


resgatado de regime de trabalho forçado ou da condição análoga à escravidão,
previsto no art. 2º, I, segunda parte, da Lei nº 7.998/1990. Ressalta-se que essa hipótese
foi criada pela Lei nº 10.608/2002, portanto somente passaram a ter o benefício após

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esse período. De acordo com o art. 2º-C da Lei nº 7.998/1990, o empregado terá direito
a três parcelas de seguro-desemprego no valor de 1 salário mínimo cada uma delas:
O trabalhador que vier a ser identificado como submetido a regime de trabalho
forçado ou reduzido a condição análoga à de escravo, em decorrência de ação de
fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, será dessa situação resgatado e terá
direito à percepção de três parcelas de seguro-desemprego no valor de um salário
mínimo cada, conforme o disposto no § 2º deste artigo
São requisitos para o recebimento do benefício para os empregados resgatados do
regime de trabalho escravo:
1) comprovar o resgate do regime de trabalho escravo ou da condição análoga à
escravidão. Nesse caso, o trabalhador deverá apresentar Carteira de Trabalho e Previdência
Social, devidamente anotada pelo auditor-fiscal do Ministério do trabalho e Emprego; ou
Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho – TRCT; ou ainda, documento emitido pela
fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego que comprove a situação de ter sido
resgatado da situação análoga à escravidão;

2) não receber nenhum benefício da Previdência Social, exceto auxílio-acidente e pensão


por morte;

3) não possuir renda própria para seu sustento e de sua família;

4) pedido realizado até 90 dias após o resgate4.

Feitas essas considerações, passa-se à análise de outra hipótese para concessão do


seguro-desemprego: o uso do valor como bolsa para qualificação profissional nos
contratos de trabalho que se encontram suspensos. Diante de retrações no mercado e
crises econômicas, é comum que empresas reduzam o número de empregados para
viabilizar a continuação da atividade produtiva. Nesse sentido, para evitar a ocorrência
de demissões em massa de empregados e permitir maior qualificação profissional dos
empregados, é necessário adotar medidas que garantam a manutenção dos contratos de
trabalho mesmo em momentos de crise. Uma dessas hipóteses é o denominado lay off,
que se refere ao afastamento temporário do empregado mediante recebimento de
licença-remunerada. Sobre a possibilidade de usufruir de seguro-desemprego como
bolsa para qualificação profissional, disciplina o art. 2º-A, Lei nº 7.998/1990:
Art. 2º-A, Lei nº 7.998/1990: Para efeito do disposto no inciso II do art. 2º, fica instituída a
bolsa de qualificação profissional, a ser custeada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador –
FAT, à qual fará jus o trabalhador que estiver com o contrato de trabalho suspenso em
virtude de participação em curso ou programa de qualificação profissional oferecido pelo

4. Sobre o tema, veja o site do Ministério do Trabalho: http://portal.mte.gov.br/seg_desemp/modalidades-


seguro-desemprego-empregado-resgatado.htm.

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empregador, em conformidade com o disposto em convenção ou acordo coletivo celebrado


para este fim.

Dessa forma, em momentos de crise econômica, é possível utilizar essa medida


como alternativa à demissão do trabalhador formal5. A suspensão do contrato de
trabalho para capacitação profissional é permitida pela CLT pelo prazo de 3 a 5 meses,
conforme o art. 476-A:
Art. 476-A, CLT: O contrato de trabalho poderá ser suspenso, por um período de dois a
cinco meses, para participação do empregado em curso ou programa de qualificação
profissional oferecido pelo empregador, com duração equivalente à suspensão contratual,
mediante previsão em convenção ou acordo coletivo de trabalho e aquiescência formal do
empregado, observado o disposto no art. 471 desta Consolidação.

Assim, para viabilizar a possibilidade de recebimento do benefício, é necessário


que haja previsão em norma coletiva que autorize a suspensão do contrato de trabalho
para fins de capacitação profissional.
Por fim, a última hipótese para recebimento do seguro-desemprego refere-se aos
empregados domésticos. O pagamento do seguro-desemprego ao empregado
doméstico antes da promulgação da EC nº 72/2013 também era facultativo e
condicionado à inscrição do empregado no FGTS. A partir da promulgação de referida
emenda constitucional, esse benefício passou a ser assegurado aos domésticos, com a
ressalva de que sua exigência somente seria possível com a edição de lei
regulamentando o assunto. De acordo com o art. 26 da recém-promulgada LC
nº 150/2015, o empregado doméstico que for dispensado sem justa causa terá direito ao
recebimento do seguro-desemprego no valor de 1 salário mínimo pelo período máximo
de 3 meses, de forma contínua ou alternada.
Destaca-se que a regulamentação do benefício foi realizada pelo Conselho
Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), com a Resolução nº 754,
de 26 de agosto de 2015. Nesse sentido:
Art. 6º, Resolução Codefat nº 754/2015: O valor do benefício do seguro-desemprego do
empregado doméstico corresponderá a 1 (um) salário mínimo e será concedido por um
período máximo de 3 (três) meses, de forma contínua ou alternada, a cada período
aquisitivo de 16 (dezesseis) meses, contados da data da dispensa que originou habilitação
anterior.

Para o recebimento do benefício, é necessário que o empregado apresente ao


órgão do Ministério do Trabalho os seguintes documentos previstos no art. 28 da LC
nº 150/2015:

5. Disponível em http://portal.mte.gov.br/seg_desemp/bolsa-qualificacao.htm.

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I – Carteira de Trabalho e Previdência Social, na qual deverão constar a anotação do


contrato de trabalho doméstico e a data de dispensa, de modo a comprovar o vínculo
empregatício, como empregado doméstico, durante pelo menos 15 (quinze) meses nos
últimos 24 (vinte e quatro) meses;

II – termo de rescisão do contrato de trabalho;

III – declaração de que não está em gozo de benefício de prestação continuada da


Previdência Social, exceto auxílio-acidente e pensão por morte; e

IV – declaração de que não possui renda própria de qualquer natureza suficiente à sua
manutenção e de sua família.

O pedido para recebimento do seguro-desemprego deve ser realizado no prazo de


7 a 90 dias da data da dispensa e somente poderá ser novamente requerido com o
cumprimento de novo período aquisitivo de 16 meses.
Apresentadas as hipóteses de concessão do benefício, é necessário apontar quando
o benefício será cancelado. O art. 26, § 2º, da Nova Lei dos Domésticos traz as mesmas
hipóteses de cancelamento previstas para os demais empregados. Nesse sentido,
estabelece o art. 8º da Lei nº 7.998/1990:
Art. 8º. O benefício do seguro-desemprego será cancelado:

I – pela recusa por parte do trabalhador desempregado de outro emprego condizente com
sua qualificação registrada ou declarada e com sua remuneração anterior;

II – por comprovação de falsidade na prestação das informações necessárias à habilitação;

III – por comprovação de fraude visando à percepção indevida do benefício do seguro-


desemprego; ou

IV – por morte do segurado.

No caso de verificada fraude visando à percepção indevida do benefício do


seguro-desemprego, será possível a apuração de crime de estelionato previdenciário
previsto no art. 171, caput e § 3º, do Código Penal:
Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo
alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:

Pena – reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis.

(…) § 3º A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade


de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência.

Por fim, é dever do empregador conceder as guias para o recebimento do seguro-


desemprego. A recusa injustificada em fornecer essa documentação dará ensejo a
indenização. Nesse sentido, prevê a jurisprudência do TST:

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Súmula nº 389 do TST. Seguro-desemprego. Competência da justiça do trabalho. Direito à


indenização por não liberação de guias.

I – Inscreve-se na competência material da Justiça do Trabalho a lide entre empregado e


empregador tendo por objeto indenização pelo não fornecimento das guias do seguro-
desemprego.

II – O não fornecimento pelo empregador da guia necessária para o recebimento do seguro-


desemprego dá origem ao direito à indenização.

A Súmula nº 389, item I, do TST versa sobre o pedido dessa indenização, por
ausência das guias do seguro-desemprego. Ademais, o reconhecimento judicial da
ilegalidade da dispensa por justa causa retroage no tempo, de modo a ensejar o
pagamento da indenização substitutiva pela não liberação das guias do seguro-
desemprego de que trata a Súmula nº 389, II, do TST. Portanto, não importa o fato de o
empregador não estar obrigado a fornecer as mencionadas guias no momento da
rescisão contratual, pois o pagamento da indenização visa minimizar o prejuízo sofrido
pelo empregado6.

Texto retirado do livro DIREITO DO TRABALHO.


5ª EDIÇÃO/2019. COLEÇÃO CONCURSOS
PÚBLICOS
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publicos-direito-do-trabalho-2019
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6. Informativo nº 55 do TST.

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