Você está na página 1de 17

#0

“ A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é


o medo, e o medo mais antigo e mais forte de todos
os medos é o medo do desconhecido...”

H.P. Lovecraft
Apresentação

em vindos ao despretensioso zine Contos Estranhos,


a intenção do autor com esta obra duvidosa é trazer
desafios, dicas e qualquer coisa que venha de
alguma forma acrescentar nas mesas e jogos dos 1d4+1
leitores que me fizerem o favor de ler as
estranhezas que se encontram nessas páginas frias e
ressequidas, nesta edição de número inexistente teremos:

O estranho caso do Dr. Ábner


Um cenário para Call of Cthulhu

Tomos amaldiçoados
Uma pequena coleção de livros sinistros

Trilhas do Abismo
Dicas de trilhas sonoras para instigar o horror
O Estranho caso do Dr. Ábner
Esta aventura foi pensada para investigadores iniciantes, a
mesma se passa no ano de 1922 em uma cidade fictícia e interiorana
de algum lugar do Brasil, porém o guardião tem total liberdade de
mudar sua localização e com alguns ajustes até mesmo seu lugar no
tempo.

Informações para o Guardião:


No grande charco que faz divisa com as terras do dr. Ábner reside
um estranho ser, o mesmo foi aprisionado por feitiçaria indígena em
um lugar além do tempo ainda durante o período colonial e desde
então estava a hibernar em um sono sem sonhos, até ser acidentalmente
descoberto por Ábner em um momento de desespero, agora tal horror
almeja a liberdade e o sangue e tenta utilizar de sua estranha
biologia para tal intento…

O Problema:
Dr. Ábner, Um industriário falido, vivia recluso após seu
fracasso nos negócios, em uma segunda feira chuvosa seu advogado, Dr.
Edgar Almeida, achou o corpo de Ábner sobre uma poça de sangue em sua
sala de estar, tudo apontava para um possível suicídio se não fosse o
estado bizarro em que o cadáver se encontrava.

Dr. Edgar Almeida fez valer o testamento de Ábner e contatou seus


herdeiros mais queridos para reivindicar sua herança, herdeiros
esses que Ábner ajudou muito em vida e que agora deseja lhes passar
seu legado.
Edgar não está bem psicologicamente desde que encontrou o
cadáver de seu amigo, ainda muito trêmulo e nervoso ele relata de
forma impessoal que algo não se encaixa nessa história e pede aos
investigadores para que vasculhem o casarão antes que a polícia o
faça, o mesmo relata que aquilo que fizeram com seu amigo não pode ser
aceito de forma alguma, porém o assustado senhor não tem coragem de
descrever oque encontrou dizendo para os investigadores visitarem o
necrotério e verem por conta própria tal horror.
O que Aconteceu:
Semanas antes de morrer o senhor Ábner durante uma caminhada
matinal encontrou enterrada na lama do charco, que faz divisa com sua
propriedade, uma antiga placa de madeira repleta de uma exótica
escrita cuneiforme, o pobre senhor então desenvolveu uma estranha
obsessão pelo artefato passando a pesquisá-lo e a ter estranhos
sonhos onde se via em meio a uma multidão medieval, todos envolvidos
em uma tórrida cena onde arrastavam e espancavam uma mulher
grávida, por fim a mesma era pendurada em uma árvore, enforcada e num
momento de dor extrema expelia o feto pelas pernas ensanguentadas em
uma cena chocante, este então era jogado ainda vivo nas águas escuras
de um pântano enevoado e um ritual indígena era performado selando-
o ali, os sonhos foram se tornando cada vez mais recorrente até se
confundirem com a realidade levando o pobre doutor para além
daquelas terras alagadas onde se deparou com algo pior que a morte e
foi impregnado no processo, desesperado ao descobrir que carregava o
fruto hediondo da escuridão em seu corpo, Ábner estourou seu crânio
com uma garrucha na fria tarde de um domingo nublado…
No Casarão:

Há cerca de 4km da cidade mais próxima existe o casarão onde


Ábner residia, um lugar antigo e soturno na borda de um charco
enevoado cujas corujas cantam mesmo durante o dia, o lugar ostenta um
terreno de grama alta e mal cuidada com janelas manchadas e madeira
corroída por cupins.

Grande parte dos aposentos estão revirados e em precário estado,


na parte anterior a construção existe uma estufa de cultivo
parcialmente queimada.

No local os investigadores precisam rolar em separado suas


habilidades perceptivas para encontrar:

> Sobre a mesa de centro em meio a jornais velhos e úmidos está um


cartão da biblioteca, um pé de cabra com marcas de sangue seco e
correntes de ferro partidas.

> Em frente a lareira existe um amontoado de cinzas entre as quais


pode ser resgatada uma carta parcialmente queimada porém ilegível
endereçada a um tal Sérgio Morais (Dr. Edgar pode identificar Sérgio
como um policial local), existem pegadas de lama por toda a sala.

> Pendurada na parede da sala está um pedaço de madeira de lei com


cerca de 90 centímetros e repleto de marcas de umidade onde estão
gravadas uma exótica escrita cuneiforme (Um rolamento bem-sucedido
de antropologia revela as escritas como o idioma púnico, um idioma
antigo do norte da África, ramificação do fenício)
No Necrotério:

No fim de uma rua parcialmente iluminada no centro da cidade


existe um prédio recém-reformado para onde são levados os mortos, o
lugar está repleto de funcionários mal remunerados com cara de
poucos amigos; Por serem herdeiros do Dr. Ábner os personagens têm
acesso relativamente fácil ao corpo do mesmo.

O legista em questão pede cautela aos investigadores, lhes


alertando que não será uma visão fácil:

> O Corpo sobre a fria mesa de metal mostra um homem com cerca de seus
46 anos, o mesmo apresenta um ferimento grave na boca feito por arma
de fogo, seu rosto está inchado e os olhos estufados como se fossem ser
expelidos das órbitas pela força do impacto, porém o mais assustador
é o abdômen do cadáver, o mesmo se encontra anormalmente inchado, a
pele ao redor possui uma coloração purpura profunda atravessada por
uma tórrida costura pós-autopsia, um rolamento de lábia ou crédito
bem-sucedido faz o legista revelar um vidro cheio de formol onde está
conservado aquilo que foi retirado das vísceras de Ábner, vários
bizarros fetos absurdamente mal formados que ainda parecem se mexer
em espasmos irregulares, tal visão custa a cada um dos investigadores
3/1d6 pontos de Sanidade.
Na Biblioteca:

No prédio da antiga biblioteca os investigadores podem encontrar


diversos tomos de assuntos variados, mas precisam rolar em separado a
habilidade Pesquisar Biblioteca para achar cada uma das informações,
o bibliotecário revela que o Dr. Ábner frequentou muitas vezes o
lugar no último mês e pesquisou livros de assuntos controversos:

> Um livro sobre cultura africana e lendas do mundo antigo possui


páginas marcadas no capítulo de idiomas.
> Um armário arquivo empoeirado revela um copilado caótico de
relatos e recortes de jornais locais, pelo menos alguns deles chamam a
atenção dos investigadores:
. Recortes de jornais dos últimos 30 anos revela um padrão
perturbador de desaparecimentos de moças cujos corpos eram
posteriormente achados as margens dos charcos próximos onde hoje
fica a propriedade de Ábner.
. Outro recorte revela uma incursão policial nos charcos onde uma
seita foi desmantelada e seu líder preso, seu nome era Euzébio Morais.
. Um dos recortes revelam a morte de Euzébio na prisão, o mesmo teria
sido assassinado com um espeto de madeira brutalmente transfixado
através do olho esquerdo.
Cada item está em um arquivo diferente e leva três horas para ser
encontrado.
A residência de Sérgio morais

Um pequeno casebre na periferia é o endereço encontrado nas


cartas queimadas descobertas no casarão de Ábner, porém diferente do
esperado é Lúcia Morais, a única filha de Sérgio, que mora ali, a
mesma aparenta estar de luto mas recebe bem os investigadores.
Lúcia revela que seu pai, Sérgio foi assassinado há algumas
semanas após sua casa ter sido arrombada na calada da noite, ela então
veio da capital enterrar o finado e acertar a papelada, com uma
rolagem bem-sucedida para convencer a mulher a falar a mesma revela
que seu pai foi achado nu e com diversos ferimentos na cabeça.
Lúcia comenta que seu pai se resguardava trancando a casa com
correntes de ferro, porém até as mesmas desapareceram.

(As ações dos investigadores aqui pode revelar informações cruciais)

. Um quadro antigo na parede da sala mostra a árvore genealógica da


família morais, o nome Euzébio Morais está sublinhado de carvão em
um de seus ramos mais baixos, assim como Magnólia Le Blanc.
. Caso confrontada Lúcia revela que pertencer a uma linhagem
descendente de Magnólia Le Blanc, uma bruxa que viveu no período
colonial e que foi enforcada ainda jovem
.É possível perceber em um dos corredores da casa um modelo
masculino de velhas galochas sujas de lama em frente a porta de um
porão trancado a sete chaves.
O porão de Sérgio Morais

Caso os investigadores consigam vasculhar a casa os mesmos


encontram no porão a coleção pessoal de Sérgio, uma profusão de
manuscritos mal conservados de origem duvidosa, rolagens bem-
sucedidas de usar biblioteca revelam:

.Um livro de anotações e pesquisa revelam que Magnólia Le Blanc foi


uma imigrante francesa do século passado que viveu na região, ela
teria sido acusada de feitiçaria e condenada por certos
comportamentos incomuns, relatos da época afirmam que a mulher
conduzia um grande sabá no interior dos charcos e que comungava com
entidades escuras.
.A maioria dos manuscritos são anotações estranhas sobre períodos
sazonais, observações climáticas, mapas estelares, receitas caseiras
e ilustrações enigmáticas, porém um papiro recente mostra um texto
em escrita cuneiforme e sua provável tradução, o mesmo revela
detalhes hediondos sobre a pesquisa de um antigo feiticeiro
hiboriano de nome não revelado e sua fixação a cerca de locais
abandonados em determinados pontos cardeais, locais esses onde
em determinadas épocas seria possível rasgar a malha do espaço e
do tempo e acessar planos de existência mais altos, o conteúdo
desses estudos abordam detalhes e minucias de verdades além do
véu da realidade que custam aos leitores 3/1d6 pontos de Sanidade
e concedem 8% da habilidade Mythos de Cthulhu.
O Charco

Quando os investigadores chafurdarem no charco que fica nos


fundos da Propriedade do Dr. Ábner encontrarão a princípio apenas
uma região alagada em seus primeiros quilômetros, porém a medida que
adentram o lugar começa a tomar características desconcertantes, uma
precipitação que não cessa e uma névoa amarelada de odor horrível
porém indefinido os acompanha por toda a viagem, o espaço e o próprio
tempo parece se alongarem de forma bizarra, relógios e bússolas param
de funcionar corretamente, a vegetação se mostra bizarramente
deformada e ao longe pode-se escutar tambores e gritos vindos de uma
estranha claridade na névoa que agora domina o ambiente…

Em meio a uma ilha de lama uma grande fogueira de chamas púrpuras


está acesa, ao redor da mesma seres vagamente humanoides e débeis
dançam frenéticos, todo o lugar está repleto de sujeira e dejetos e em
meio ao caos uma entidade enorme e horrível parece regozijar-se com
tal celebração…

Assim que os investigadores se deparam com tal cena todos devem rolar
Sanidade 4/1d8, a surpresa dos mesmos faz com que os seres possam
percebe-los e tentem capturá-los para serem impregnados pela
semente negra de seu mestre hediondo…
Filhos do Charco

Seres débeis resultantes da semente mal formanda dos Zy’xizults em


contato com a frágil biologia humana, os mesmos apresentam severas
debilidades mentais e estão em algum lugar entre a morte e a vida,
quando eliminados sua carne se deteriora rápido se tornando algo
parecido com uma fétida lama viscosa.

FOR 18 CON 22 TAM 11 INT 4 POD 6

DES 7 APA 1 EDU 0 SAN 0 PV 17

Bonus de Dano:+1d4 Mov: 9

Arma: Garras 50%, dano 1d6+BD

Habilidades: Escutar 70%, Furtividade 80%, Esconder 40%, Pulo 75%

Perda de Sanidade: 2/1d4 pontos de sanidade ao ver um Filho do Charco


Zy’xizults

Esses horrores hiborianos são o resultado das interações dos


feiticeiros da tal era com planos de existência exóticos
além do véu da realidade, tais entidades são organismos
alienígenas semivegetais simbióticos implantados em
organismos vivos com o intuito de proliferação da espécie,
ainda na antiguidade foi-se percebido o real perigo de
contatar essas entidades e tal ato proibido, porém esse
conhecimento sobreviveu ao peso das eras, sua estranha
nomenclatura é proveniente do som que fazem ao disseminar
sua semente…
FOR 20 CON 22 TAM 25 INT 14 POD 11

DES 10 PV:20

Bonus de Dano:+1d4 Mov: 15

Armadura: 4 de quitina, regenera 4 pontos de vida por rodada

Arma: Ferrão 70%*, dano 1d8+BD

Habilidades: Escutar 80%, Furtividade 88%, Esconder 45%

Perda de Sanidade: 3/1d6 pontos de sanidade ao ver um Zy’xizults

*No ato da inseminação o ferrão ejacula as larvas pelos orifícios


úmidos da vítima sem causar dano, as mesmas em seguida são soltas
para gestarem os parasitas, as vítimas que não morrem gradativamente
se tornam filhos do charco, porém cerca de 10% sobrevivem
conservando sua integridade física e criam um laço simbiótico com a
entidade, as larvas se instalam no cérebro desenvolvendo enormemente
suas capacidades físicas e longevidade.

Os Zy’xizults são provenientes de um plano de existência distante


contatado apenas em épocas específicas, o ser no charco na verdade
está em seu bolsão de realidade aberto de tempos em tempos devido aos
rituais de seus antigos cultistas, quando desperto o mesmo libera
emanações psíquicas a fim de atrair prováveis hospedeiros, porém a
entidade não consegue sair dos limites do charco devido a feitiços de
contenção erigidos pelos povos indígenas da antiguidade.
Zy’xizults
TOMOS AMALDIÇOADOS
Uma pequena e instigante coleção de tomos sinistros para
serem ocasionalmente encontrados pelos investigadores…

Visões de Okaesis – em latim, atribuído a Copérnico, de alto


teor herético este livro apresenta uma fábula romantizada a
cerca da vitória e terrível derrocada de um ex-escravo que
se tornou herói ao libertar seu povo comungando com seres do
labirinto, sua leitura completa leva duas semanas para
estudar e compreender as mensagens nas entrelinhas, concede
+10 % de ocultismo, Perda de Sanidade 3/1d6, Feitiços:
Contatar/banir Eihort.

Elucubrações e profecias – em inglês, por Sir Stuart Cumble,


1808, uma tradução incompleta e com falhas de antigos
escritos hebreus sobre visões proféticas e estados alterados
de consciência, sua leitura completa leva um mês. Perda de
Sanidade 1d4/2d4; +10% de Mythos de Cthulhu. Sem feitiços.

Fragmentos de Zula-Khan – em acádio, autor desconhecido,


datado de 2000 a.c., se trata de um texto escrito em pele
humana na forma de tatuagens elaboradas, o mesmo é um
tratado bizarramente avançado sobre física quântica,
geometria e conceitos de hipermatemática, a leitura completa
leva cerca de três semanas, para estudar e compreender leva-
se quatro meses. Perda de Sanidade 4/1d8, Feitiços: Criar
portal, Criar barreira de NAACH-TITH; +5% de Mythos de
Cthulhu.

Manuscritos de Turan – Traduzido do púnico para diversas


línguas, datado de 10.000 A.C., trata-se de um bestiário
antediluviano extremamente raro sobre os horrores e feras
do mundo antigo, assim como formas mais eficientes de lidar
com os mesmos, o manuscrito traz também um ensaio sobre
alquimia, sua leitura leva cerca de um mês, Perda de Sanidade
3/1d6, +10% de Ocultismo, Feitiço: Aprisionar Cria de Yig,
+5% de Mythos de Cthulhu.
Trilhas do Abismo
Entre as maiores dificuldades que um guardião enfrenta
está a de manter a atmosfera de terror e medo durante sua
narrativa, visto isso trago algumas sugestões de trilhas
sonoras capazes de instigar o medo nos corações dos
jogadores conforme os mesmos investigam seus mistérios,
todas as trilhas estão disponíveis no Youtube:

A primeira é “Angst – myuu”, excelente para momentos de


suspense investigativo:

https://www.youtube.com/watch?v=ODIyUwS2p2M

Outra sensacional é “Haunted by Screams”:

https://www.youtube.com/watch?v=uSxM2IIABRg

“Nebula” é perfeita para momentos onde algo insólito é


vislumbrado pelos investigadores:

https://www.youtube.com/watch?v=tXC5pgOKcRw

Collapse é ideal para quando os investigadores se recolhem


para contabilizar os mortos:

https://www.youtube.com/watch?v=ZvD8QSO7NPw

Todas as músicas disponibilizadas são do canal Myuu, o cara


é um compositor freelance, vale muito a pena conferir o
trabalho, seu site oficial é o http://www.thedarkpiano.com/
#zinejambrasil

+sobre o autor Instagram: @becodoesboco


https://www.instagram.com/becodoesboco/