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SEMINÁRIO TEOLÓGICO PRESBITERIANO

REV. JOSÉ MANOEL DA CONCEIÇÃO

“EXEGESE DE ISAÍAS 5.18-19

Eduardo Carvalho

“Exegese de Isaías 5.18-19


apresentada ao curso de Bacharel
em Teologia, para aprovar a
matéria Exegese do Antigo
Testamento III a pedido do Prof.
Rev. Dario de Araújo Cardoso”.

SÃO PAULO
2013
EDUARDO CARVALHO

“EXEGESE DE ISAÍAS 5.18-19”

“Exegese de Isaías 5.18-19


apresentada ao curso de Bacharel
em Teologia, para aprovar a
matéria Exegese do Antigo
Testamento III a pedido do Prof.
Rev. Dario de Araújo Cardoso”.

SÃO PAULO
2013
1. CONTEXTO HISTÓRICO E MENSAGEM PARA ÉPOCA DE ISAÍAS 5.18-19

O profeta Isaías tem o seu ministério compreendido na segunda metade do século VIII
a. C. O texto em análise aqui, está compreendido no contexto em que a Assíria torna-
se um grande império alastrando seu domínio por todo o antigo Oriente Próximo, este
é um período que se encaixa no contexto de Uzias (792 a 740 a. C.), rei de Judá (Is
1.1), um período precedido por uma relativa glória e conquistas.

Entretanto, uma crise está sendo gerada dentro da nação, que se estabelece nos
campos espiritual e social, isto é, a nação vive problemas socioeconômicos; ameaças
de guerras pelo Império Assírio e enfrenta uma terrível chaga espiritual que destruía
a vida religiosa, afetando os líderes e o povo da aliança, assim, todo fundamento da
fé e toda a vida da nação, que deveria sustentar-se na proximidade e submissão a
Deus, estava comprometidos.

A crise socioeconômica era fruto da decorrente proximidade da nação com o


paganismo. As causas dos problemas sociais começam a intensificar-se em Judá e a
mensagem profética de Isaías denuncia esses males, os grandes proprietários de
terras, a classe rica e dominante de Judá manifestavam a sua força contra o pobre e
o seu desrespeito pelas leis de YHWH1, não observavam a lei quanto ao trato dos
pobres, por exemplo, e cada vez mais tornavam-se pesados para eles, extorquindo,
roubando e esmagando-os (Is 3.13-15; 5.8)2.

Os pobres estavam desamparados, nem mesmo aos juízes podiam recorrer, pois
estes eram corruptos, ligados aos subornos e aos julgamentos parciais, sentenciavam
conforme os litigantes lhes fossem favoráveis (Is 1.21,23; 5.23; 10.1-2). Não havia
senso de justiça, nem havia qualquer compaixão pelos pobres, pelo contrário, os ricos
queriam mais luxo, queriam ajuntar mais para si, mesmo que o próximo fosse
defraudado de seus bens, a justiça fosse-lhe negada e seus direitos violados (Is 3.16).

Junta-se aos males socioeconômicos uma terrível chaga, o sincretismo religioso.


Acerca destas transformações religiosas, escreve Bright: “uma certa paganização

1 BRIGHT, J. História de Israel. São Paulo: Paulus, 1980. p. 372


2 Muitas das denúncias apresentadas em Isaías são encontradas no profeta Miquéias, pois são dois
profetas do mesmo período, Bright escreve: “Os ataques de Miquéias seguiram o padrão profético
clássico, com ênfase – talvez devido a sua origem humilde – nos abusos socioeconômicos,
particularmente na opressão dos proprietários rurais pelos nobres ricos de Jerusalém” (cf. Mq 1.5-9;
2.1-5; 3.5,9-12). BRIGHT, J. História de Israel. São Paulo: Paulus, 1980. p. 393
interna era inevitável, embora externamente se mantivesse um javismo normativo: o
culto do Estado tornou-se, como nas religiões pagãs em geral, o sustentáculo
espiritual e a esfera da ordem existente3”.

A religião e o culto voltado para YHWH estavam corrompidos pelos padrões do


paganismo que havia sido adaptado a teologia de Israel e, assim, eles não tinham
condições de corrigir os males decorrentes da mudança do status quo da nação, a
religião estava fundamentada numa mistura religiosa4. Consequentemente, religião,
culto e os seus sacerdotes estavam em comum acordo com os reis e príncipes da
nação, um servia ao outro, e nesta simbiose não havia possibilidades de correções.
Bright assevera:

Seus ministros (sacerdotes) poderiam possivelmente criticar um rei


individualmente, mas não podiam criticar fundamentalmente o Estado,
ou acreditar que ele pudesse cair [...] como demonstram Isaías e
Miquéias, a tendência era não haver absolutamente crítica alguma5.
Cada vez mais o culto a YHWH estava contaminado com a ideia de que só cumprindo
os rituais requeridos satisfaria a santidade requerida por YHWH (Is 1.10-17). A função
do culto é descrita como uma atividade fria, mecânica e desprovida de qualquer
sentido real, com o objetivo apenas de trazer a sensação de segurança para os seus
envolvidos (Is 1.11-15). “Sua função era, através de sacrifícios e oferendas e pela
reafirmação ritual das promessas, assegurar o bem-estar da nação6”.

Os sacerdotes estavam mais preocupados com a formalidade ritualística do que com


o coração da religiosidade, não há qualquer busca por uma vida de santidade,
claramente, esta situação se estende a todo o povo. Os líderes religiosos estavam em
busca de bens materiais, a mediação sacerdotal era baseada em seus ganhos
pecuniários (Mq 3.5-8; 9.11), até mesmo a profecia, por parte de alguns profetas,
também seguia essa relação. Todas as áreas da estrutura religiosa estavam
marcadas pela luxúria e pela ganância (Is 28.7-9)7.

Consequentemente, a reação de Judá era de mostrar uma confiança cega (Is 5.19),
ao mesmo tempo que apresentava uma postura infiel em todos os aspectos (Is 5.8-
12,18,20-24). Essa confiança cega era apresentada por líderes políticos, sacerdotes

3 BRIGHT, J. História de Israel. São Paulo: Paulus, 1980. p. 388


4 BRIGHT, J. História de Israel. São Paulo: Paulus, 1980. p. 387
5 BRIGHT, J. História de Israel. São Paulo: Paulus, 1980. p. 388
6 BRIGHT, J. História de Israel. São Paulo: Paulus, 1980. p. 388
7 BRIGHT, J. História de Israel. São Paulo: Paulus, 1980. p. 371-373
e pessoas do povo que acreditavam que, independentemente do seu procedimento,
a promessa de YHWH se cumpriria e não havia a necessidade de se preocupar com
as exigências da Lei e nem com os aspectos de santidade que envolvia a promessa
(Is 1.18-20).

Assim, o contexto em que Isaías transmite a mensagem é marcado pela postura


inescrupulosa dos nobres, dos ricos e dos juízes, um grupo impiedoso que buscava
seus prazeres, mesmo que para isto tinham que humilhar o pobre e violar o seu direito;
por uma classe de sacerdotes que admitia qualquer modus vivendi, mesmo que este
fosse permeado por características pagãs dos povos estrangeiros e que formulasse
um novo padrão moral e uma nova teologia totalmente longe daquilo que fora
estabelecido por YHWH. Esta era a nova situação da nação.

Entretanto, a mensagem de Isaías resgata os preceitos da aliança do Sinai (Êx 19)


em justaposição com a aliança feita por YHWH com o seu servo Davi (2 Sm 7.8-16,
note os vv. 14-16). Isaías reafirma o conteúdo da teologia decorrente das alianças
estabelecidas por YHWH e rejeita o pensamento e a postura pecaminosa e ofensiva
da nação, o profeta chama aquela nação ímpia para se voltar a YHWH e nele pôr a
sua confiança. A nação não deveria apoiar-se nas políticas internas e externas,
especialmente nas alianças com a Assíria e o Egito em busca de assistência política
e militar, e nem na teologia sincrética, que apenas servia para os afastarem de YHWH
e os aproximarem do paganismo, de seus deuses falsos e de suas imoralidades8.

A casa de Davi, o agente messiânico de Yahweh, e o povo que ela


governava deviam olhar para o Senhor e para ele somente – para
suprir todas as suas necessidades. Ele era sua segurança, seu
guardião, e proveria o guia que seria seu redentor e sua paz9.
Contudo, caso o povo não se voltasse para YHWH, eles seriam considerados
culpados e o Senhor executaria o seu juízo sobre eles conforme o que fora
estabelecido em Levítico 26.14-45 e Deuteronômio 29.19-2910. Dessa forma, nossa
perícope (Is 5.18-19) é resultado das denúncias dos pecados da nação que YHWH
pontua por meio do profeta Isaías, ela é fruto das circunstâncias políticas, sociais e
espirituais vigentes. O versículo 18 aponta para um povo mergulhado e indiferente

8 BRIGHT, J. História de Israel. São Paulo: Paulus, 1980. p. 397. VAN GRONINGEN, Gerard.
Revelação Messiânica no Velho Testamento. 1ª ed. Campinas: Luz Para o Caminho, 1995. p. 449
9 VAN GRONINGEN, Gerard. Revelação Messiânica no Velho Testamento. 1ª ed. Campinas: Luz

Para o Caminho, 1995. p. 465


10 VAN GRONINGEN, Gerard. Revelação Messiânica no Velho Testamento. 1ª ed. Campinas: Luz

Para o Caminho, 1995. p. 472


dentro desta condição, aquém da santidade exigida na aliança sinaítica e davídica,
que agem contrários a fé em YHWH, abandonando-o e buscando se satisfazerem com
o pecado e a iniquidade. No versículo 19 temos este mesmo povo zombando da obra
e do projeto de Deus, mostrando toda a dureza do seu coração. É neste contexto que
passaremos a analisar a mensagem do texto de Isaías 5.18-19.

2. ANÁLISE E COMENTÁRIO DA PERÍCOPE

Inicialmente, devemos pontuar que nossa perícope está inserida no contexto literário
remoto de Isaías 1.1 a 12.6, denominado: “oráculos concernentes a Judá e
Jerusalém”11. O seu contexto literário próximo está limitada por Isaías 5.11-17 e 5.20.
Assim, agora devemos mostrar o porquê dos limites desta perícope.

A perícope que estamos estudando em Isaías 5 está disposta nos versículos 18-19,
porque os recursos literários próprios a ela nos mostram uma mudança de assunto e
foco intensificados pela interjeição inicial. O capítulo 5 a partir do versículo 8 traz uma
marca inicial em todas as suas perícopes, isto é, elas são iniciadas sempre pela
interjeição, “Ai”. A nossa perícope é a terceira de seis ‘ais” sequenciais (cf. 5. 8-10;
11-17; 20; 21; 22-23).

Outro ponto a ser levantado é a ruptura do assunto anterior e do assunto posterior.


Isaías termina o assunto na perícope 5.11-17 falando das festas e daqueles que se
dão a bebedeira e não consideram os feitos e obras de YHWH, o profeta afirma que
o povo será levado cativo. Nos versículos 18-19 ele inicia com a interjeição “Ai”, que
destacamos no parágrafo anterior, e passa a falar sobre aqueles que tem a injustiça
como algo comum a sua vida e não a reconhece como ofensa a YHWH, chegando ao
ponto de pedir que Santo de Israel manifeste o seu conselho para se dar a conhecer
a nação, o texto encerra-se com a marca característica do fim de um versículo, o sôf-
pãsûq ‫׃‬, acompanhado da consoante samek ‫ס‬.

11 GAEBELEIN, Frank E. (ed.) The Expositor’s Bible Commentary: Isaiah, Jeremiah, Lamentations

e Ezekiel (v. 6). Michigan: Zondervan Publishing House, 1986. p. 24


A partir do v. 20, que se inicia com a interjeição “ai”, ele fala sobre a postura de alguns
que não enxergam o mal como mal e buscam na inversão de valores viverem uma
vida afastada de YHWH.

‫֛הוֹי מ ְֹשׁ ֵ ֥כי ֶ ֽה ָעוֹ֖ ן ְבּ ַח ְב ֵל֣י ַה ָ ֑שּׁוְ א וְ ַכ ֲע ֥בוֹת ָה ֲע ָג ָל֖ה ַח ָטּ ָ ֽאה׃‬

v. 18 – Ai dos que estão arrastando para si a iniquidade com cordas de injustiça, e


como cordão de carroça, o pecado.

A nossa perícope pertence a um gênero literário profético que podemos denominar


como: anúncio de juízo, onde o profeta anuncia a mensagem de YHWH para uma
pessoa, um grupo ou uma nação, evidenciando sua conduta reprovada pelo Senhor e
o seu juízo iminente. No entanto, a palavra do profeta Isaías nesta perícope, faz
referência a nação e não a um indivíduo específico, note a conjugação do verbo na
terceira pessoa do plural: “estão arrastando” e no versículo 19 “dizem”.

O presente versículo, assim como o 19, está disposto em uma forma de paralelismo
simétrico apontando a relação entre os elementos e a ampliação conceitual que eles
geram nos elementos. Podemos dispor assim o versículo, a-b-c-c-b:

a Ai dos que estão arrastando


b para si a iniquidade
c com cordas de injustiça,
c e como cordão de carroça,
b o pecado

Esta perícope inicia-se com um terceiro “Ai”, que é uma forma de advertência e
denúncia pecados, e por vezes pode servir para abrir uma espécie de tribunal, onde
será exposto os pecados dos acusados e servirá como um lamento para advertir o
povo quanto aos seus pecados12.

A ideia geral deste versículo é denunciar o fato de Israel estar mergulhando cada vez
mais fundo no pecado, a expressão “cordas de injustiça” e “cordão de carroça”
denotam os estratagemas maus daquele povo que estão sendo denunciados pelo

12 HARRIS, R. Laird. ARCHER, JR. Gleason L. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de


Teologia do Antigo Testamento. Reimpressão. São Paulo: Vida Nova,1998. p. 349. KEIL, C. F.
DELITZSCH, F. Commentary on the Old Testament. Disponível em
http://kad.biblecommenter.com/isaiah/5.htm. Acesso em 18/04/2013
profeta13. Na tradição rabínica este conceito é tratado como cometer um pecado após
o outro, onde o homem usa a sua disposição para o mal, no começo, eles desdenham
o pecado como um cabelo fino que pouco incomoda, contudo, progressivamente,
caminham para atos de maldades cada vez mais graves14.

Portanto, podemos observar que o ato de arrastar para si a iniquidade faz relação com
a mesma palavra usada em Deuteronômio 21.3, onde o seu uso se refere ao sentido
de trazer o jugo para si, esta figura também aparece no Novo Testamento como o
“jugo desigual” de 2 Coríntios 6.14, ἑτεροζυγέω15. Esta interpretação, e assumimos ela
aqui, ganha maior vulto com Gaebelein quando escreve que a iniquidade e o pecado,
eram os fardos que eles chamaram para si, puxaram com cordas de injustiça,
lançaram o jugo sobre si e estavam como quem arrasta uma carroça16. Isaías gostava
deste tipo de imagem para figurar a condição espiritual do povo, note os versículos:
“Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre eles, a vara que lhes feria os ombros
e o cetro do seu opressor [...]” (Is 9.14) e “Acontecerá, naquele dia, que o peso será
tirado do teu ombro, e o seu jugo, do teu pescoço, jugo que será despedaçado por
causa da gordura” (Is 10.27).

O que eles arrastavam para si como um enorme jugo era a iniquidade e o pecado. A
iniquidade envolve um amargo sarcasmo envolvido na figura empregada por Isaías.
Eles estavam orgulhosos de sua incredulidade, mas esta era como um jugo com o
qual os animais de carga aram a terra. A iniquidade, segundo VanGemeren, tem uma
função religiosa e ética17 e ocorre somente com a noção teológica abstrata assumindo
uma ideia de totalidade, especialmente, quando ela ocorre no plural, porque ela
assume um papel de resumo dos pecados e indica a totalidade dos delitos da nação
(Is 53.6) ou do indivíduo envolvido na acusação (Lv 16.22) contra Deus18.

13 BARNES, Albert. Note on the Bible. Disponível em http://barnes.biblecommenter.com/isaiah/5.htm.


Acesso em 18/04/2013
14 BARNES, Albert. Note on the Bible. Disponível em http://barnes.biblecommenter.com/isaiah/5.htm.

Acesso em 18/04/2013
15 KEIL, C. F. DELITZSCH, F. Commentary on the Old Testament. Disponível em
http://kad.biblecommenter.com/isaiah/5.htm. Acesso em 18/04/2013
16 GAEBELEIN, Frank E. (ed.) The Expositor’s Bible Commentary: Isaiah, Jeremiah, Lamentations

e Ezekiel (v. 6). Michigan: Zondervan Publishing House, 1986. p. 52


17 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo

Testamento (Vol. 3). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 353


18 HARRIS, R. Laird. ARCHER JR. Gleason L. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de

Teologia do Antigo Testamento. Reimpressão. São Paulo: Vida Nova, 2001. p. 1086
Portanto, iniquidade é um traço do caráter do homem e das suas ações, o profeta faz
a denúncia dos atos de iniquidade do povo e traz embutido a evidência do julgamento
divino na acusação, sendo a culpa no homem, a principal consequência dos atos de
iniquidade realizado por ele mesmo, que não afeta apenas o indivíduo, mas todas as
suas relações. Consequentemente, a visitação divina é um castigo certo para o
indivíduo e para a nação 19.

Mas o profeta liga à acusação de iniquidade o conceito de pecado. Para VanGemeren,


pecado tem um sentido moral e espiritual fortíssimo, vários termos estão relacionados:
errar, fracassar, pecar, rebeldia, transgressão, iniquidade e culpa20. Pecado é descrito
como um ato contra Deus, ou uma desobediência à palavra de Deus, como alienação
de Deus e violação de outros homens, envolvendo a responsabilidade humana, o
afastamento de Deus e a manifestação da graça de Deus, este último se explica pelo
fato de Deus ao castigar o pecado também oferece esperança21. Conforme escreve
Ridderbos: “cegos como são, eles atraem o pecado e a culpa, e por conseguinte o
julgamento de Deus, para os seus pescoços, como com fortes cordas de carro (de
bois); isto é, da maneira mais impudica, embora eles se reputem seguros”22.

Dessa forma, Isaías anuncia que o pecado, assim como a iniquidade, fazem parte das
acusações de Deus ao povo, o profeta, unindo iniquidade e pecado, dá amplitude as
acusações direcionadas ao povo de Israel. “Ai desta nação pecaminosa, povo
carregado de iniquidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o
SENHOR, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás” (Is 1,4).
Posteriormente, o profeta Jeremias também faz uso deste termo para mostrar que
Deus havia julgado e condenado a nação que, outrora, entregara-se aos pecados:
“Jerusalém pecou gravemente; por isso, se tornou repugnante [...]” (Lm 1,8)23.

A nação, bem como cada membro dela, é descrita pecaminosa e carregada de


iniquidade, mas “eis que o SENHOR sai do seu lugar, para castigar a iniquidade dos

19 HARRIS, R. Laird. ARCHER JR. Gleason L. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de


Teologia do Antigo Testamento. Reimpressão. São Paulo: Vida Nova, 2001. p. 1087
20 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo

Testamento (Vol. 2). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 85


21 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo

Testamento (Vol. 2). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 85. HARRIS, R. Laird. ARCHER JR. Gleason
L. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Reimpressão.
São Paulo: Vida Nova, 2001. p. 452
22 RIDDERBOS, J. Isaías. São Paulo: Vida Nova, 1990. p. 71
23 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo

Testamento (Vol. 2). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 88-89


moradores da terra [...]” (Is 26,21). Seus hábitos e costumes confirmam o
endurecimento dos seus corações, e os seus pecados são como uma chaga mortal,
fazendo-os agir presunçosamente nesta situação, eles “estão arrastando a iniquidade
com cordas de injustiça”, como o gado puxa o seu arado: “O boi conhece o seu
possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento,
o meu povo não entende” (Isa 1.3).

‫וֹאה ֲע ַ ֛צת ְק ֥דוֹשׁ יִ ְשׂ ָר ֵ ֖אל וְ ֵנ ָ ֽד ָעה׃ ס‬


ָ ‫ישׁה ַמ ֲע ֵ ֖שׂהוּ ְל ַ ֣מ ַען נִ ְר ֶ ֑אה וְ ִת ְק ַ ֣רב וְ ָת ֗ב‬
ָ ‫ָהא ְֹמ ִ ֗רים יְ ַמ ֵ ֧הר׀ יָ ִ ֛ח‬

Dizem: Apresse, mostre a sua obra para que a vejamos; aproxime-se, entre-se o
conselho do Santo de Israel e o conheçamos.

Assim como fizemos com o versículo anterior, devemos também dispor este em sua
forma de paralelismo simétrico e apontar a relação que existe entre os elementos.
Podemos dispor assim o versículo, a-b-c-a-b-c, estabelecendo a relação nestes
termos: a-a, “dizem: apresse” – “aproxime-se, entre-se”; b-b, “mostre a sua obra” – “o
conselho do Santo de Israel”; c-c, “para que a vejamos” – “e o conheçamos”:

a Dizem: Apresse
b mostre a sua obra
c para que a vejamos;
a aproxime-se, entre-se
b o conselho do Santo de Israel
c e o conheçamos.

“O versículo 19 resume o pecado do povo”24. Eles duvidavam que o dia do Senhor iria
acontecer (Ez 12.22; Jr 5.12-13), sua incredulidade era tamanha que eles chamavam
para si o que eles jamais poderiam suportar e o que, ironicamente, não acreditavam,
mas caso isso fosse verdade, diziam, queriam ver com os próprios olhos e
experimentar por si mesmos (Jr 17.15) 25, o pedido aqui, nada mais é que uma
exteriorização do desprezo e da rebeldia do povo. É a reação à mensagem profética

24 GAEBELEIN, Frank E. (ed.) The Expositor’s Bible Commentary: Isaiah, Jeremiah, Lamentations

e Ezekiel (v. 6). Michigan: Zondervan Publishing House, 1986. p. 53


25 KEIL, C. F. DELITZSCH, F. Commentary on the Old Testament. Disponível em
http://kad.biblecommenter.com/isaiah/5.htm. Acesso em 18/04/2013
mostrando a verdadeira natureza pecadora, rejeitando cinicamente a YHWH e os seus
preceitos26.

Os dois verbos que abrem o versículo podem ser utilizados como transitivos ou
intransitivos, no último caso, ele evidenciaria a passagem da seguinte forma: “vamos:
apresse”, contudo, a melhor relação é tomar os verbos como transitivos e o Senhor
como o assunto da passagem27.

Em Isaías, a ideia de conselho ocorre em pelo menos duas passagens importantes


para a teologia, por exemplo, 9.6[5], aparece o “Maravilhoso Conselheiro”, e em 11.2,
lemos: “Espírito de conselho”. Este tema será transportado para o Novo Testamento,
traduzido na palavra βουλὴ (Lc 7.30; At 4.28; 13.36; 20.27; Hb 6.17), numa relação
com a obra vicária de Cristo Jesus (Ef 1.11) e com o Espírito de Deus, logo, o conselho
de Deus, significa o plano completo de Deus e não está limitado apenas ao Antigo
Testamento28, mas estende até o Novo Testamento, porque Isaías afirma que a única
esperança de Judá só poderia ser encontrada na pessoa do Messias29.

Contudo, neste versículo, a palavra “conselho” está ligada com o título de “Santo de
Israel”, pela força do construto hebraico, muito comum no livro de Isaías. Harris e
VanGemeren, além de afirmarem a frequência deste título no livro de Isaías, (cf. 1.4;
5.19,24; 10.20; 12.6; 17.7; 29.19,23 (Santo de Jacó); 30.11; 30.15; 31.1; 37.23;
41.14,16,20; 43.3,14; 45.11; 48.17; 55.5), também nos mostra que ele é utilizado para
contrastar os pecados da sociedade do contexto do profeta com a perfeição moral de
Deus (cf. Is 30.11), além de manifestar a absoluta separação entre Deus e o mal (cf.
Is 17.7)30.

Os homens, então, chamam ou convocam, como se pudessem fazer isso, o conselho


do Santo de Israel, tal postura é um insulto ao profeta e ao próprio Deus, e nos mostra

26 GAEBELEIN, Frank E. (ed.) The Expositor’s Bible Commentary: Isaiah, Jeremiah, Lamentations
e Ezekiel (v. 6). Michigan: Zondervan Publishing House, 1986. p. 53
27 KEIL, C. F. DELITZSCH, F. Commentary on the Old Testament. Disponível em
http://kad.biblecommenter.com/isaiah/5.htm. Acesso em 18/04/2013
28 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo

Testamento (Vol. 2). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 490. HARRIS, R. Laird. ARCHER JR. Gleason
L. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. Reimpressão.
São Paulo: Vida Nova, 2001. p. 639
29 HARRIS, R. Laird. ARCHER JR. Gleason L. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de

Teologia do Antigo Testamento. Reimpressão. São Paulo: Vida Nova, 2001. p. 639
30 HARRIS, R. Laird. ARCHER JR. Gleason L. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de

Teologia do Antigo Testamento. Reimpressão. São Paulo: Vida Nova, 2001. p.1323. VANGEMEREN,
Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento (Vol. 3).
São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 879
o desprezo deles, tanto pelo profeta Isaías quanto por Deus que o comissionara.
“Aliás, deve-se notar que a frase ‘Santo de Israel’ aqui, provavelmente, foi dito por eles
numa referência desdenhosa ao termo distinto na profecia de Isaías”31.

Portanto, devemos entender o uso da expressão o Santo de Israel, não como uma
aceitação daquele povo pelo significado do título, mas como uma forma de afrontar o
profeta. O uso feito por Isaías revela grande veneração e respeito pelo Senhor Deus,
mas eles falavam “ridicularizando o que consideravam seu excesso pietista”32. A
mensagem mostra que aquele povo pecava conscientemente, não era uma condição
de ignorância, pelo contrário. “Conscientemente, estão escolhendo o mal e envidam
todo seu esforço para concretizar sua escolha”33. Ridderbos escreve: “eles zombam
da profecia de Isaías acerca do Santo de Israel e do seu decreto contra os ímpios;
com total arrogância eles pedem uma execução antecipada do plano de Deus”34.

Numa análise do título o conselho do Santo de Israel, VanGemeren, nos mostra que
a palavra conselho traz o significado de planejar e advertir, ou vice-versa35.
“Sincronicamente, o relacionamento entre esses dois sentidos básicos é alguma coisa
como a que existe entre pensamento e expressão, ambos com uma orientação para
uma ação futura”36.

Para Isaías é na história que o conselho do Santo de Israel se cumpre, tanto no seu
juízo quanto na sua obra redentiva. Deus age e executa seus desígnios por meio da
manifestação da sua glória e da sua santidade entre o seu povo e esta ideia está
contida em todo o livro de Isaías dando um aspecto progressivo na revelação de
Deus37.

O título reflete a supremacia de Deus sobre todos os rivais, manifestando o seu ser
eterno e deixando evidente o fato dele ser o único digno de devoção por parte de

31 GAEBELEIN, Frank E. (ed.) The Expositor’s Bible Commentary: Isaiah, Jeremiah, Lamentations

e Ezekiel (v. 6). Michigan: Zondervan Publishing House, 1986. p. 53


32 OSWALT, John. Isaías: Capítulos 1 a 39 (Vol. 1). São Paulo: Cultura Cristã, 2011. p. 208
33 OSWALT, John. Isaías: Capítulos 1 a 39 (Vol. 1). São Paulo: Cultura Cristã, 2011. p. 208
34 RIDDERBOS, J. Isaías. São Paulo: Vida Nova, 1990. p. 71
35 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo

Testamento (Vol. 2). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 489


36 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo

Testamento (Vol. 2). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 489


37 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo

Testamento (Vol. 2). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 490


Israel38. “O Senhor é chamado ‘o Santo de Israel’, título referente a sua autoridade
soberana sobre Israel e serve de lembrança das suas exigências ético-morais”39.

O título deixa claro que o povo não deve colocar sua confiança em sua própria força,
em carros e cavalos, ou numa possível aliança estrangeira, mas deve deposita-la em
Deus. “É impensável que um Deus santo tolerasse o pecado”40 e, “de fato, Judá era
um povo pecador, carregado de culpa, um bando de malfeitores dados à corrupção,
que haviam abandonado Yahweh, rejeitado o Santo de Israel e voltado suas costas
para ele (Is 1.4)”41, consequentemente, o povo pecador, cheio de culpa e desprezo
pelo “Santo de Israel” será, consequentemente, castigado por ele42.

Finalmente, recorrendo a Henry, fica claro que eles se julgam tão certos do
direcionamento dos seus projetos perversos que puxam para si a iniquidade e o
pecado e ainda pedem para o Santo de Israel manifestar a sua obra. Aquele povo
estava com suas mentes adormecidas para a verdade e a extensão dos seus pecados,
ao ponto de agirem cinicamente para com Deus43. “Os que se dirigiam a Yahweh,
desafiando-o com palavras de soberba enquanto realizavam seus atos enganosos e
perversos, sofreriam a dor, tristeza e devastação”44.

Para aqueles homens ímpios era como se Deus nada fizesse, o desprezo e o cinismo
é mostrado na ideia de que Deus deveria apressar-se, “pois quando ele atrasa, eles
concluem, que o que Deus falou é conversa fiada”45. Calvino, comentando este
versículo, escreve que para eles o Santo de Israel não deveria gastar tanto tempo
falando acerca do que iria fazer, mas deveria agir prontamente, e ao pedir para ver as
obras que o Santo de Israel estão demonstrando a sua infidelidade contumaz46.

38 . VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo


Testamento (Vol. 3). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 879
39 ZUCK, Roy (ed.). Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: CPAD, 2009. p. 335
40 HARRIS, R. Laird. ARCHER JR. Gleason L. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de

Teologia do Antigo Testamento. Reimpressão. São Paulo: Vida Nova, 2001. p.1323
41 VAN GRONINGEN, Gerard. Criação e Consumação: Reino, a Aliança e o Mediador (Vol. 2). São

Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 174


42 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo

Testamento (Vol. 3). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 879


43 HENRY, Matthew. Matthew Henry's Commentary on the Whole Bible. Disponível em

http://mhcw.biblecommenter.com/isaiah/5.htm. Acesso em 18/04/2013


44 VAN GRONINGEN, Gerard. Criação e Consumação: Reino, a Aliança e o Mediador (Vol. 2). São

Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 176


45 CALVINO, J. Calvin's Commentary. Disponível em: http://calvin.biblecommenter.com/isaiah/5.htm.

Acesso em 19/04/2013
46 CALVINO, J. Calvin's Commentary. Disponível em: http://calvin.biblecommenter.com/isaiah/5.htm.

Acesso em 19/04/2013
3. MENSAGEM PARA TODAS AS ÉPOCAS (TEOLOGIA)

A profecia de Isaías apresentada nesta perícope mostrou a condição da nação de


Israel mergulhada no pecado e afastada de Deus. Entretanto, a mensagem profética
não fica circunscrita apenas no século VIII, mas ela é lançada para todas as épocas,
porque evidencia a condição de pecado de todos os homens e a santidade de Deus.

O profeta trata a nação como um todo, mas há o aspecto individual, ou seja, cada
indivíduo continua sendo responsável pelo sua iniquidade e pecado, e esta é a causa
da separação entre o povo e Deus (Is 59.2; Rm 3.23)47. O pecado é uma marca da
experiência humana como fruto de sua depravação e condição de afastamento de
Deus, “ele deixa de se conformar com à lei moral de Deus, seja em ato, seja em
atitude, seja em natureza”48.

O homem carrega o jugo do pecado, e o busca como forma de satisfação pessoal (Is
5.18), entretanto, a verdade é que ele está escravizado pelo pecado (Ef 2.1-3), sua
natureza está corrompida e carece totalmente da graça de Deus49, caso contrário, o
juízo é certo, pois a justiça de Deus exige a punição do pecador, e isto, para que Deus
seja glorificado em toda a terra50.

Todo pecado, tanto o original como o atual, sendo transgressão da


justa lei de Deus e a ela contrária, torna, pela sua própria natureza,
culpado o pecador e por essa culpa está sujeito à ira de Deus e à
maldição da lei, e, portanto, sujeito à morte com todas as misérias
espirituais, temporais e eternas51.
“Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniquidade, raça de malignos, filhos
corruptores; abandonaram o SENHOR, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram
para trás”, bradou o profeta (Is 1,4). No Novo Testamento, Paulo nos mostra este
conceito: “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida
eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23), e o apóstolo ainda nos diz que
Cristo fez a obra de propiciação, carregando a ira de Deus contra o pecado e a
transformando em graça:

A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé,


para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado

47 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo


Testamento (Vol. 2). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 89
48 GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. Reimpressão. São Paulo: Vida Nova, 1990. p. 403
49 GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. Reimpressão. São Paulo: Vida Nova, 1990. p. 409
50 GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. Reimpressão. São Paulo: Vida Nova, 1990. p. 421
51 Símbolos de Fé: contendo a Confissão de Fé, Catecismo Maior e Breve: Assembleia de Westminster.

1ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2005. p. 39


impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a
manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser
justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. (Rm 3.25-26)
Assim, o Santo de Israel, que julga o pecador é o mesmo que, segundo os seus
propósitos, o remirá (Is 43.14; Ef 2,8-10), pois ele é o Criador do mundo e Senhor das
nações, o Deus santo “está suficientemente distante do seu povo para puni-lo sem
parcialidade, mas é também suficientemente poderoso para criar algo absolutamente
novo depois da punição”52. Ele, o Santo de Israel, está livre das imperfeições morais
e das fragilidades comuns aos homens e, certamente, suas promessas serão
cumpridas53.

Van Groningen esclarece que:

“O Deus Yahweh sustenta sua santidade e sua majestade. O pecado


entra em conflito com elas, degradando-as e desfazendo-as. Para
entender essa questão plenamente, é de importância vital perceber que
o Deus Yahweh, como aquele que é transcendente, também é
imanente”54.
E mais à frente nos diz:

“Assim, de modo muito apropriado, Isaías referiu-se repetidamente em


suas profecias ao Deus Yahweh como o Santo de Israel, de seu povo e
de sua cidade, de seu monte, de seu templo onde, por um modo
específico e bondoso, ele identificou-se com o povo redimido que o
adorava e o servia”55.

4. APLICAÇÃO

A perícope estudas nos ensina que o homem é pecador e sua disposição é para o
pecado (Is 5.18), essa é a realidade de nossa época também. Assim, como era a
época de Isaías, hoje o homem está cada vez mais mergulhando no pecado, a
sociedade atual está corrompida moral, social e espiritualmente. Contudo, devemos
fugir do pecado e aproximarmos de Deus, porque sua graça é suficiente para perdoar

52 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo


Testamento (Vol. 3). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 879
53 VANGEMEREN, Willem A. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo

Testamento (Vol. 3). São Paulo: Cultura Cristã, 2012. p. 879


54 VAN GRONINGEN, Gerard. Criação e Consumação: Reino, a Aliança e o Mediador (Vol. 2). São

Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 209


55 VAN GRONINGEN, Gerard. Criação e Consumação: Reino, a Aliança e o Mediador (Vol. 2). São

Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 209


os nossos pecados e nos fazer mais santos para o adorar e servir (Rm 3.21-23; 6.1-
2).

O ativismo religioso, tão comum em nossa época pela agenda eclesiástica sempre tão
cheia de compromissos, reuniões e trabalhos religiosos que podemos não nos atentar
para o fato de que isto não é sinônimo de conformidade com a Escritura nem de
santidade, pelo contrário, este ativismo pode mascarar a desobediência e a falta de
santidade, pode esconder a ausência de uma vida de piedade para com Deus (Is
5.18).

A sociedade atual rompe com os absolutos e esquece que Deus é santo, e que ele
exige que vivamos uma vida de santidade moral e de obediência aos seus
mandamentos (1Pe 1.13-21), e isso pode estar presente dentro de algumas igrejas,
devemos estar alertas, pois não existe confissão de fé verdadeira sem prática real
(5.19; Sl 119.105-112; 1Pe 2.1-10).

Finalmente, de maneira alguma, os planos de Deus não podem ser frustrados, todos
os seus decretos serão executados, o juízo e a graça se manifestará, conforme a sua
vontade (Jó 42.2; Is 46.10; Mt 6.10). Este verdade, contrapõe-se à nossa época,
marcada pelo individualismo e pela tentativa do homem emancipar-se de Deus e
seguir sua vida independente de seu Criador (Pv 16.1; Is 30.1).

5. SERMÃO

Título: Exortações Necessárias

Doutrina: Antropologia / Harmatiologia / Teontologia

Ideia Exegética: A vida cristã deve ser expressão de arrependimento e santidade, e


para tanto, o cristão deve agir consciente do Deus que serve e dá graça que ele
concede para este viver.

Ideia Homilética: Exortações necessárias ao arrependimento e à santidade

Necessidade: A igreja precisa ouvir este sermão para que possa entender que a vida
cristã não pode ser manifesta em ações de pecado e indiferença, antes, mesmo em
tempos difíceis, o cristão deve viver uma vida pratica de santidade e arrependimento.

Imagem:
“Jenny, uma jovem norueguesa na faixa dos 20 anos de idade, trabalhava como
cabeleireira na cidade de Nova Iorque na metade da década de 70. Vivia com um
homem casado com outra mulher, num apartamento próximo ao salão de beleza onde
trabalhava. No mesmo prédio de apartamentos morava uma moça brasileira, cristã,
de nome Maria do Carmo. Maria do Carmo fez amizade com Jenny e começou a
partilhar sua fé com ela. Não demorou muito para que Jenny se convertesse.

Certo dia, Maria do Carmo disse a Jenny que não era correto viver com um homem
casado. Até àquele momento, Jenny nunca havia pensado na possibilidade de estar
fazendo algo errado, mas quando o Espírito Santo a convenceu de que o que ela
estava fazendo era pecaminoso, acabou com o relacionamento imediatamente. A
separação foi dolorosa, mas ela estava decidida a servir a Deus de todo o coração,
custasse o que custasse.

Não muito tempo depois que ela terminou o seu romance ilícito, conheci Jenny em um
retiro de fim-de-semana, para o qual eu havia sido convidado como um dos
pregadores. Durante minhas horas de folga, estudei a Bíblia com ela e respondi às
suas perguntas. Poucas vezes encontrei uma pessoa tão decidida a abandonar o
pecado de imediato como Jenny. Mais tarde, fiquei sabendo que ela retornara para a
Noruega.

Vi Jenny pela última vez na Inglaterra, em 1982. Ela me contou, durante a breve
conversa que tivemos, que ela estava com câncer terminal e tinha apenas pouco
tempo de vida. Não muito tempo depois disso, fiquei sabendo que ela falecera, fiel ao
seu Senhor até o fim.

O Espírito Santo convence do pecado (Jo 16.8). Mas poucos agem tão rapidamente
como Jenny. A convicção leva ao arrependimento, e o arrependimento significa um
abandonar o pecado. Embora muitos sintam tristeza pelo pecado (especialmente
quando são apanhados em flagrante), quantos se arrependem para deixá-lo assim
que sentem a convicção?56

Esboço

Introdução

56 Ilustração disponível em: http://recursoshomiletica.blogspot.com.br/2010/11/deus-deseja-pronta-


obediencia.html. Acesso em 08/06/2013.
A introdução deverá mostrar a importância de entender corretamente as extensão do
pecado e que é necessário uma vida de arrependimento e santidade, buscará
contrapor as interpretações oferecidas atualmente de que não há pecado e que Deus
requer de nós apenas uma fé “ritual”.

A. Exortações Necessárias ao Arrependimento (Is 5.18)

1. Para não vivermos uma vida de iniquidade

2. Para não desejarmos viver em pecado

B. Exortações Necessárias à Santidade (Is 5.19)

1. Para crescermos em conhecimento do Senhor e não zombarmos do seu nome

2. Para desejarmos com alegria sincera a vinda do Senhor e não com altivez

Conclusão e Aplicação

Na conclusão a igreja deverá ter compreendido que o cristão não vive na prática do
pecado e que uma vida de iniquidade é abominável ao Senhor, antes, o cristão tem o
seu prazer no arrependimento sincero e na prática diária de uma vida santa,
almejando sempre, uma vida de profundo conhecimento do Senhor e dos seus feitos
e tendo a certeza que isso só é possível quando buscar a santidade.

A igreja deverá entender que no mundo onde vivemos haverá sempre um grupo de
pessoas, até mesmo dentro da igreja, que vive de forma destoante da Palavra de
Deus, mas isso não deve servir de parâmetro para ridicularizar e zombar dos feitos de
Deus, das suas obras, da sua santidade e do seu nome.

Diante disto:

1. O cristão deve viver uma vida de devoção a Deus e de aproximação do Santo,


mesmo em tempos de “grandes” possibilidades de pecado;
2. O cristão deve confiar em Deus e não em suas próprias forças e entender que
suas escolhas são sempre más e que ao se submeter a vontade de Deus, ele
se afastará do pecado e da iniquidade;
3. Ao submeter-se a Deus, o cristão também se afastará da ideia hodierna da
emancipação do homem com o Divino, entenderá que essa ideia é a
manifestação do pecado e seus desejos que o levará a experimentar o juízo do
Deus Santo.
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