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AULA DE DIREITO ADMINISTRATIVO

DIA 2 DE FEVEREIRO DE 2007


PROFESSOR OSCAR VILAÇA

Hermenêutica do Direito.
Não se aplica o Direito sem interpretação e nem somente com base na lei pura.
A lei é apenas um dos instrumentos que o aplicador do Direito possui para aplicar aos
casos práticos.
Semiótica – se utiliza de uma relação triangular que possui um suporte físico, um
significado e uma significação.
Suporte físico é tudo aquilo que vemos – ex.: uma placa proibindo a entrada de
carros em um parque.
Significado é a idéia geral das pessoas a respeito do suporte físico.
Significação – é a idéia particular de cada pessoa a respeito do suporte físico. No
Direito nada mais é do que sua interpretação. Na significação entram valores, princípios e
pressupostos.

Princípios.
Os princípios podem ser explícitos ou implícitos.
Não existe hierarquia entre princípios, nem mesmo entre princípios explícitos e
implícitos. Em cada caso concreto pode um princípio prevalecer sobre outro, o que não
significa que haja hierarquia entre eles.
O princípio mais importante do Direito, genericamente falando, é o princípio da
segurança jurídica. É a coluna mestra do Estado de Direito. Trata-se de princípio implícito.
O princípio implícito é decorrência lógica do ordenamento, por isso não é necessário
que esteja escrito.

Direito Administrativo.
Montesquieu dividiu o Poder em três funções: função administrativa, função
legislativa e função jurisdicional.
A teoria da separação dos Poderes não tem cunho científico, porque não foi testada
em busca da existência de falhas. Existe uma função que não se enquadra em nenhuma das
três anteriormente citadas: função política.
Em regra, a função administrativa é exercida pelo Poder Executivo, a função
legislativa pelo Poder Legislativo e a função judicial pelo Poder Judiciário. Porém, o art. 51 da
CF traz um exemplo de exercício da função judicial pelo Poder Legislativo.
A função administrativa é típica do Poder Executivo, mas pode ser exercida pelo
Poder Legislativo e pelo Poder Judiciário. Nenhum dos três Poderes possui função fechada.
A função administrativa é importante para a definição de Direito Administrativo.
Direito Administrativo é o ramo do Direito Público que tem por finalidade regular o
exercício da função administrativa pelas pessoas jurídicas e pelos órgãos públicos.
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O Direito Administrativo não regula toda a função administrativa: as funções que já


adquiriram feições específicas criam novos ramos do Direito: Direito Urbanístico, Direito
Previdenciário, Direito Tributário.
O Direito Administrativo possui duas bases:
1ª) prevalência do interesse público sobre o interesse privado;
2ª) indisponibilidade do interesse público.
A Administração Pública, numa relação jurídica, se encontra acima do particular: é o
que chamamos de supremacia do Poder ou prevalência do interesse público sobre o privado.
A supremacia do Poder não é absoluta, mas encontra limite na lei. Não pode a
Administração Pública praticar atos arbitrários em nome da supremacia do Poder.
A administração Pública pode estar em situação de igualdade com o particular.
Quando for usada a expressão “a Administração Pública, nessa qualidade” está se referindo à
utilização da supremacia do Poder.

Poder.
Os Poderes que a Administração Pública possui destinam-se ao alcance do interesse
público. Tais poderes não visam colocar a Administração Pública acima dos particulares. São
chamados hoje de poder-dever. A Administração Pública tem o dever de utilizar tais poderes
para a consecução do interesse público. A doutrina italiana chama tais poderes de dever-
poder.
A Administração Pública exerce a função pública que não é um poder, mas sim um
dever.
Existe uma frase que diferencia o Direito Público do Direito Privado: No Direito
Público o Estado tem o dever jurídico inescusável da obtenção do interesse público (Celso
Antônio Bandeira de Melo).

Princípios da Administração Pública.


Estão espalhados por toda a CF – alguns estão previstos no seu art. 37: legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
1. princípio da legalidade.
Art. 5º, II da CF – princípio da legalidade para o particular (brasileiros e estrangeiros
residentes no país).
O princípio da legalidade da Administração Pública é o avesso: o administrador
público só pode praticar atos que estejam previstos na lei.
A essência do princípio da legalidade é dar a previsibilidade do ato estatal.
Tal princípio visa proteger o particular quanto aos possíveis atos praticados pelo
Estado.
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2. princípio da impessoalidade.
Não tem o mesmo significado do antigo princípio da finalidade.
Pelo principio da finalidade a Administração Pública é obrigada a praticar um ato com
um único fim: satisfação do interesse público.
O interesse público é inafastável, esteja a Administração Pública agindo nessa
qualidade ou em situação de igualdade com o particular.
Quando um administrador agir com desvio de finalidade estará maculando o princípio
da impessoalidade.
A impessoalidade possui duas facetas:
- o administrador público não pode agir de acordo com seus próprios interesses;
- o administrador público age em nome do Estado.
O princípio da impessoalidade é mais amplo do que o princípio da finalidade.
3. princípio da moralidade.
A legalidade não é condição suficiente para que um ato esteja correto.
A moral que o Direito exige é a moral jurídica, uma moral razoável - deve ser
analisado o que é moral para a sociedade, ou seja, a moralidade geral, comum e razoável.
Dessa forma fica provada a integralização entre o princípio da moralidade e o da
razoabilidade.
Todos os princípios devem ser analisados conjuntamente, não devendo ser
considerados isoladamente.
4. princípio da publicidade.
Publicidade não se confunde com publicação.
Quando um ato é publicado está sendo dada publicidade a ele.
Podem ocorrer casos em que há a publicação, sem que seja dada a devida
publicidade ao ato.
A publicidade não é irrestrita – art. 5º, XXXIII, CF – existem atos sigilosos, quando
imprescindível para a segurança da sociedade e do Estado. O princípio da publicidade não é
absoluto.
5. princípio da eficiência.
Introduzido com a EC 19/98, pelo Poder Constituinte Derivado.
Muitos doutrinadores entendem que tal princípio já existia de forma implícita.
Possui duas facetas: deve ser analisado em relação ao servidor público e em relação
ao serviço público.
Quando o princípio da eficiência é analisado em razão do serviço público caberá
responsabilidade civil do Estado.
O procedimento periódico de avaliação de desempenho também foi inserido pela EC
19/98 e está ligado ao princípio da eficiência.
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6. princípio da motivação.
Art. 5º, LIV e LV da CF.
A doutrina mais coerente entende que o devido processo legal está jungido pelo
princípio da ampla defesa e do contraditório, de forma explícita. De forma implícita pela
motivação. Não há como exercer a ampla defesa se não forem os atos motivados.
Não existe Estado de Direito sem motivação do ato administrativo, seja ele
discricionário ou vinculado.
Distinção entre móvel, motivo e motivação:
- móvel – é o aspecto psíquico do ato, o “animus”;
- motivo – são as situações fáticas ou jurídicas que levam à pratica de um ato
administrativo;
- motivação – é a descrição do motivo no ato.
Um ato administrativo pode ter móvel, motivo, mas não ter motivação, porém não
pode ter motivo e motivação diferentes.
7. princípio da razoabilidade e da proporcionalidade.
A razoabilidade reside na ação ou não, na prática ou não de um ato. A
proporcionalidade é o “quantum” a ser feito pelo administrador público.
Ex.: a aplicação ou não de determinada pena deve ser analisada sob a ótica da
razoabilidade. O “quantum” da pena será analisado sob a ótica da proporcionalidade.
8. princípio da continuidade do serviço público.
O serviço público tem como destinatário a sociedade.
Quando um serviço público é concedido não pode ser interrompido – a população não
pode ser privada do serviço, em vista do princípio em análise. O serviço público não pode
parar de ser prestado.
No momento em que o Estado contrata a construção de um metrô e deixa de pagar
durante dois meses à empreiteira, pode esta paralisar a obra? Sim, pois não há que se falar
em continuidade do serviço público, pois não se trata de serviço, mas sim de obra pública.

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