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Olhar de Professor

ISSN: 1518-5648
olhardeprofessor@uepg.br
Departamento de Métodos e Técnicas de
Ensino
Brasil

Schmidt, Leide Mara


Gestão Universitária: uma relação pedagógico-administrativa
Olhar de Professor, vol. 5, núm. 1, 2002, pp. 77-80
Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino
Paraná, Brasil

Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=68450108

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Gestão Universitária: uma relação
pedagógico-administrativa

University management: a pedagocial-


administrative relation

Profa. Dra. Leide Mara Schmidt1

RESUMO

O artigo apresenta uma concepção de gestão que não comporta a separação das
tarefas administrativas das pedagógicas, premissa que fundamenta e perpassa o relato
da experiência vivenciada de uma das gestoras da Universidade Estadual de Ponta
Grossa no período 1994-2002, onde indica os desafios encontrados, as dificuldades
superadas e o crescimento pessoal.

Palavras–chave: gestão, gestão educacional, ensino superior

ABSTRACT

This essay presents a conception of administration which does not separate


administrative and pedagogical tasks, a premise which is present in the account that one
of the heads of the Ponta Grossa State University makes about her 1994-2002 term
experience, pointing out the challenges that were met with, the difficulties that had to be
overcome, and the ensuing personal growth.

Key words: administration, education administration, higher education

1
Doutora em Currículo pela PUC/SP. Professora do Programa de Estudos Pós-Graduados
em Educação - Mestrado da UEPG – Vice-Reitora no período 1994-2002

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O processo de gestão universitá- moldes em que costuma ocorrer.
ria está na pauta das discussões, em (...) O trabalho administrativo
função dos desafios presentes na somente ganha sentido a partir
sociedade e da importância crescente das atividades pedagógicas que
do conhecimento e da informação no constituem as atividades-fim, ou
mundo de hoje. A velocidade das os propósitos da organização
mudanças, impulsionada pela ciência (2002, p.23).
e pela tecnologia, está exigindo no- A gestão é um dos núcleos vitais
vas competências profissionais da- da universidade. É ela que busca e
queles que estão à frente, cobrando emprega recursos, que propicia os
das instituições formadoras maior efi- necessários estímulos à qualificação
ciência e agilidade na escolha dos mo- docente, que favorece a ampliação
delos gestionários. das oportunidades educacionais, que
Ao referirmo-nos às questões de estimula a qualidade do ensino e que
gestão, devemos ter clareza sobre as apoia o desenvolvimento da pesqui-
novas concepções existentes que se sa e da extensão. Para tanto, precisa
contrapõem a uma visão taylorista- contar com a participação de todos
fordista da administração, que difun- na definição dos objetivos comuns,
dem a idéias de que planejamento e mas cada um deve assumir seu papel
execução não são atividades isoladas na organização de acordo com a qua-
atribuídas a determinados grupos de lificação e a competência profissional,
profissionais. Um dos princípios des- admitindo-se processos sistemáticos
sa concepção é que a divisão de res- de acompanhamento e avaliação das
ponsabilidades entre os que planejam atividades administrativas e pedagó-
e os que executam o planejado, isenta gicas realizadas.
o profissional da responsabilidade Gerir uma universidade pública no
com os resultados finais de seu tra- Brasil de hoje é um desafio ao nosso
balho. Como conseqüência dessa di- bom senso, à nossa criatividade, à
visão criam-se no interior da institui- nossa inteligência, ao nosso espírito
ção grupos antagônicos que susten- de luta, até porque essa instituição
tam pontos de vista divergentes a res- enfrenta inúmeros problemas que o
peito do o que fazer institucional, gestor tem que assumir, não como
provocando dificuldades ou impedi- obstáculos ao seu trabalho, mas como
mentos no provimento de condições partes integrantes de um processo,
substantivas à realização do trabalho cujo objetivo é a sua superação.
pedagógico. Temos consciência de que o novo
Segundo ALONSO: paradigma educacional deve estar
O trabalho de gestão não com- centrado na nova economia, cada vez
porta separação das tarefas ad- mais baseado em informações e no
ministrativas e pedagógicas nos conhecimento. Ele requer, para as so-

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ciedades desenvolvidas ou emergen- as demandas educacionais não estão
tes, um processo contínuo de apren- mais restritas à sala de aula, às
dizagem, mediante a atualização per- edificações e a uma administração
manente durante toda a vida de tra- alheia a esses pontos. A educação
balho, se as pessoas pretendem per- continuada será o contraponto da
manecer empregadas e ser bem-suce- flexibilização curricular e da duração
didas. dos cursos. As universidades deve-
É lícito afirmar também que preci- rão ser mais ágeis, para atender a co-
samos formar os profissionais que munidade e o mercado. A tecno-
viverão dentro das novas regras da logia educacional incrementará o e-
economia e que passarão, por certo, learning, para poder atender os estu-
por atividades distintas de sua for- dantes de todas as regiões e fora do
mação, tendo em conta o aumento: perfil do horário tradicional.
- do desinteresse dos jovens, ha- É nas instituições públicas de en-
bituados ao mundo das imagens e dos sino superior que estão presentes,
computadores, por programas de en- enquanto filosofia norteadora e en-
sino que não mostrem aplicação ime- quanto prática educativa, os ideais de
diata; qualidade, democracia e participação.
- do número de trabalhadores que Assim, seu objetivo final não é eco-
desejam estudar dentro de suas dis- nômico, é a boa formação dos alunos
ponibilidades de horário, e não nas e o retorno à comunidade daquilo que
oferecidas pelos sistemas tradicio- foi investido na instituição, mediante
nais; avanços científicos e tecnológicos,
- de estudantes que desejam pla- formação de profissionais competen-
nos de estudos que tenham aplica- tes e desenvolvimento humano e so-
ção prática em seu trabalho, com con- cial.
teúdos que contribuam para seu êxito A compreensão desses pontos
profissional; fundantes norteou o nosso trabalho
- daqueles que almejam uma edu- durante os oito anos de exercício da
cação eficiente, aprendendo o que Vice-Reitoria: procuramos enfrentar os
necessitam aprender e não o que o problemas da universidade pública
professor quer ensinar; como desafios a serem vencidos e
- de alunos que lutam por profes- consideramos que, acima deles e das
sores que realmente estejam atuando críticas que lhe são dirigidas, estão
e não apenas aplicando teorias ultra- alguns valores que ela cultua e que
passadas. Não se crê naquele que se concretizam no dia-a-dia da vida
ensina a prática sem nunca tê-la prati- universitária.
cado. A universidade pública é o locus
Todas essas questões mostram onde encontramos a preocupação real
que, na sociedade do conhecimento, e constante com a qualidade do ensi-
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no, onde as inovações tecnológicas de participar diretamente da adminis-
são rapidamente incorporadas, onde, tração de uma instituição pública e de
apesar dos parcos recursos, se faz qualidade em que, apesar das dificul-
pesquisa séria e de qualidade e onde dades, crescemos, fizemos conquis-
a prestação de serviços se orienta de tas, vivenciamos vitórias: contra a ig-
acordo com as necessidades e os in- norância, contra o pessimismo, con-
teresses da comunidade. tra o imobilismo, contra o corpo-
O conhecimento de ponta, respon- rativismo e a favor da vida, da socie-
sável pelo avanço da ciência e da dade, do progresso, da ciência e da
tecnologia, nasce, cresce e é dissemi- educação no seu mais amplo sentido.
nado no interior das universidades.
Ali estão presentes grandes mestres,
dedicados à causa da formação da
juventude, pesquisadores preocupa- REFERÊNCIAS
dos com a ciência, com a ética e com a
qualidade de vida, ali se pensa com
ALONSO, Myrtes. O trabalho coletivo
“pés no chão e olhos no futuro”. na escola. In: ALONSO, M. et.al. For-
Não há como dirigir uma universi- mação de gestores escolares para uti-
dade pública sem um agudo senso de lização de tecnologias de informação
realidade para perceber suas mazelas e comunicação. São Paulo: Takano, 2002.
e buscar formas de superá-las, sem FERREIRA, N. S.C., AGUIAR, Márcia
vivências compartilhadas e experiên- da S. Gestão da educação: impasses pers-
cias comuns, sem um planejamento pectivas e compromissos. São Paulo:
flexível e claro para saber exatamente Cortez, 2000.
quais são as prioridades e até onde LOPES, Ruth G. de F. Gestão da educa-
podemos ir. Também não há como ção: experiências inovadoras. Brasília:
conduzir essa instituição sem utopia, MEC/INEP. 1995.
sem conceber horizontes mais amplos LUCK, Heloísa. A evolução da gestão
e ricos do que aqueles que fazem par- educacional a partir de mudança
te do cotidiano, sem ultrapassar limi- paradigmática. http:// www.uol.com.br/
tes, sem antecipar o futuro, novaescola/-acesso em 03 de agosto de
visualizando dias melhores e traba- 2002.
lhando coletivamente para que eles PARO,Vitor H. Gestão democrática da
cheguem mais depressa. escola pública. São Paulo: Ática, 1997.
Por tudo isso, ao findar a nossa
gestão como Vice-Reitora da UEPG,
cargo que contribuiu sobremaneira
para o nosso crescimento como pes-
soa e como profissional, sentimo-nos
felizes pela oportunidade que tivemos

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