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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS

GUILHERME JOSÉ SAMPAIO

KAREN BACCON

MARIA LUIZA SCARDUA PEREIRA

MATERIAL MÉDICO HOSPITALAR

VITÓRIA

2018
GUILHERME JOSÉ SAMPAIO
KAREN BACCON
MARIA LUIZA SCARDUA PEREIRA

MATERIAL MÉDICO HOSPITALAR

Trabalho acadêmico apresentado à disciplina Farmácia


Hospitalar, ministrada pelo professor Neudo Magnago
Heleodoro, do Departamento de Ciências Farmacêuticas da
Universidade Federal do Espírito Santo.

VITÓRIA, 2018.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 4
2 GESTÃO DE MATERIAIS MÉDICO-HOSPITALARES ............................................... 5
3 PROCESSOS DE PADRONIZAÇÃO ............................................................................. 7
3.1 ARMAZENAMENTO.................................................................................................. 8
3.2 CONTROLE DE ESTOQUE ..................................................................................... 9
3.3 CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DE MATERIAIS ........................................... 9
3.4 CLASSIFICAÇÃO ABC .......................................................................................... 10
4 MATERIAL MÉDICO HOSPITLAR ............................................................................... 11
4.1 Ataduras ................................................................................................................... 11
4.1.1 Atadura de Crepom ........................................................................................ 11
4.1.2 Ataduras Gessadas........................................................................................ 11
4.2 Curativos .................................................................................................................. 12
4.3 Luvas ......................................................................................................................... 12
4.4 Sondas ...................................................................................................................... 13
4.5 Cânulas e Tubos ..................................................................................................... 13
4.6 Dispositivos de infusão ........................................................................................ 14
4.7 Equipo ....................................................................................................................... 15
4.8 Recipientes para resíduos ................................................................................... 15
4.8.1 Bolsas Coletoras ............................................................................................ 15
4.8.2 Drenos ............................................................................................................... 16
4.9 Material para punção e incisão ........................................................................... 17
4.9.1 Cateter ............................................................................................................... 17
4.9.2 Cateter Periférico............................................................................................ 17
4.9.3 Cateter central ................................................................................................. 17
4.9.4 Lâminas de Bisturi ......................................................................................... 18
4.10 Material de sutura................................................................................................... 18
4.10.1 Agulhas ............................................................................................................. 18
4.10.2 Fios..................................................................................................................... 19
5 CONCLUSÃO ................................................................................................................... 20
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 21
1 INTRODUÇÃO
Os materiais médico-hospitalares são aparelhos, produtos, substâncias ou
acessórios não enquadrados como drogas, medicamentos ou insumos
farmacêuticos, utilizados direta ou indiretamente nos diversos procedimentos
médicos, com a finalidade diagnóstica, terapêutica, curativa e preventiva do
paciente, objetivando sua rápida recuperação.

A RDC nº 185/2001 define produto médico como produto para a saúde, tal
como equipamento, aparelho, material, artigo ou sistema de uso ou aplicação
médica, odontológica ou laboratorial, destinado à prevenção, diagnóstico,
tratamento, reabilitação ou anticoncepção e que não utiliza meio farmacológico,
imunológico ou metabólico para realizar sua principal função em seres humanos,
podendo, entretanto, ser auxiliado em suas funções por tais meios.

Como são materiais utilizados em grande parte dos procedimentos


hospitalares, a escolha e padronização desses materiais englobam os requisitos
médicos e da enfermagem, visando viabilizar o trabalho dessas equipes. O
processo de padronização deve ser estratégico e muito bem elaborado,
buscando evitar a compra de materiais repetidos e facilita também a visão mais
ampla dos materiais que serão adquiridos, podendo assim, substituir materiais
sem prejudicar o paciente e contribuir com a gestão financeira do hospital. Cada
hospital tem a autonomia de elaborar a padronização desses materiais de
maneira personalizada, atendendo as necessidades das especialidades médicas
que atende, e a equipe precisa sempre estar atualizada devido às mudanças e
surgimentos de novos produtos nessa área.
2 GESTÃO DE MATERIAIS MÉDICO-HOSPITALARES
A gestão de materiais hospitalares é um dos setores de maior custo e mais
complexos na área de gerenciamento de um hospital, devido as constantes
atualizações e surgimento de novos produtos. Portanto, a gestão visa planejar,
executar e controlar o fluxo de materiais, de forma eficiente e econômica, desde
as especificações dos artigos a comprar até a entrega desses produtos.

Geralmente, na maioria dos hospitais, a gestão de materiais é responsabilidade


da equipe farmacêutica, que está a cargo da solicitação dos produtos com a
correta especificação, controle da qualidade do que será comprado, realização
do recebimento qualitativo e muitas das vezes também os utiliza. Mesmo essas
ações sendo concentradas em uma única equipe ou até mesmo em um único
profissional, é importante que as técnicas de gerenciamento de materiais sejam
de domínio de todos os profissionais participantes do processo, possibilitando a
diminuição de custos e garantindo a qualidade do serviço.

No planejamento é necessário levar em consideração as particularidades do


hospital, como o número de leitos, os tipos de unidades e enfermidades, o
armazenamento, o custo e a durabilidade do material, a idade e o sexo dos
pacientes, entre outros. A partir dessa análise, observa-se a qualidade e
quantidade de materiais necessários para cada unidade e especialidade.

A figura a seguir demonstra em forma de fluxograma o processo de


gerenciamento de materiais de um hospital público, integrado ao Sistema Único
de Saúde, a partir do momento da compra de um material, sendo ele
padronizado ou não, até o momento da liberação desse material para os devidos
setores.
Figura 1 - Fluxograma do processo de gestão de material médico-hospitalar em
hospital público de média complexidade. GARCIA, S.D et. Al. Gestão de
material médico-hospitalar e o processo de trabalho em um hospital
público. Londrina-PR, 2012. Disponível em: <
http://www.redalyc.org/html/2670/267028449021/>
3 PROCESSOS DE PADRONIZAÇÃO
A padronização consiste na incorporação de um determinado produto à
lista de artigos passíveis de serem comprados para estarem disponíveis para
prescrição, dispensação e utilização. Padronizar é importante para que os
materiais tenham uma única classificação nos diversos ambiente e com isso,
torna-se mais fácil a realização de compras e solicitações dos produtos.

Este processo tem como objetivo: diminuir o número de itens no estoque


em aspectos técnicos e econômicos; simplificar os materiais, eliminando os tipos
ineficientes, evitando o desperdício; permitir a compra de grandes lotes; otimizar
o trabalho do Setor de Compras; diminuir os custos de estocagem; reduzir a
quantidade de itens estocados; adquirir materiais com maior rapidez; evitar a
diversificação de materiais de mesma aplicação; obter maior qualidade e
uniformidade.

Com a padronização são obtidas diversas vantagens como: reduzir o risco


de falta de materiais no estoque; racionalizar a quantidade de itens no estoque;
permitir compras em grandes lotes e minimizar a compra de materiais de baixa
qualidade.

Para que a padronização seja feita de forma correta é necessário a criação


de uma comissão de padronização de materiais médico-hospitalares do hospital.
Esta comissão tem a função de padronizar os materiais médico-hospitalares do
hospital pautada em evidência científica, promovendo assim o uso adequado
destes materiais. Além disso, avalia juntamente com a gerência de risco os
possíveis desvios de qualidade e coordena a pré-qualificação dos fornecedores
para que os mesmos possam participar do processo de compra.

A comissão de padronização de materiais médico-hospitalares deve ser


formada por equipe multiprofissional com a finalidade de regulamentar a
padronização de materiais-médicos hospitalares de uso geral e é necessário a
presença desejável do farmacêutico, enfermeiro e médico. A comissão fica
responsável pela realização de reuniões periódicas para avaliar, aprovar e emitir
parecer sobre os produtos a serem padronizados (REGINO, 2016).

Para que haja um abastecimento eficaz com a absorção das inovações


produzidas pelo mercado, os novos insumos e materiais médico-hospitalares
solicitados devem passar pela avaliação da comissão de padronização. Essa
atividade é desenvolvida para o abastecimento eficaz de materiais e insumos
através da realização de estudo de custo, avaliação de compatibilidade,
pesquisa de mercado e elaboração de pareceres que irão avaliar a compra e
utilização deste (ANTONIACOMI, 2016)

Durante a padronização alguns critérios devem ser levados em consideração:

 Os materiais devem atender as necessidades das equipes atuantes e dos


tipos de procedimentos realizados;
 Racionalizar itens, evitar padronização de vários itens para a mesma
finalidade;
 Ponderar custos de aquisição e valores para venda, considerando a
aceitação das fontes pagadoras;
 Avaliar a origem do material (fornecedor – idoneidade), registro na
ANVISA, assim como as características funcionais do mesmo;
 Aliar a padronização com treinamento sobre manuseio e funcionalidade.
 Deve existir uma padronização no cadastro de produtos, adequando cada
item a classe, subgrupo e fabricante pertencente;
 A nomenclatura dos materiais deve ser o mais completa possível,
considerando: descrições claras que determinam sua funcionalidade,
tamanho e referências;
 A adequação das nomenclaturas cadastradas ao conhecimento do
solicitante é de extrema importância para agilizar o atendimento.

3.1 ARMAZENAMENTO
Os materiais hospitalares devem ser disponibilizados em boas condições, para
que seja garantido a esterilização do produto. A integridade das embalagens está
diretamente ligada as formas de armazenamento e manuseio dos produtos. A
disposição dos itens deve ser dividida de modo que sejam separados pela sua
classe e sequencialmente pela ordem alfabética. É de suma importância que
todos os locais sejam identificados e que todos os materiais tenham suas
localizações registradas em sistema junto ao cadastro do item.
3.2 CONTROLE DE ESTOQUE
Os materiais em estoque devem estar disponíveis em níveis adequados,
evitando faltas e excessos.

O controle de estoque deve estar integrado a um sistema de gestão de estoque.


Dentre os mais utilizados, temos a Classificação ABC e o Ponto de Pedido
(SANTANA, 2015).

3.3 CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DE MATERIAIS


Para Barbieri e Machline (2009), os materiais que a organização pretende utilizar
devem ser classificados mediante critérios que tornem mais fácil as atividades
operacionais, pois materiais distintos devem ser tratados de forma distinta. O
autor nos apresenta alguns critérios de classificação, como mostra a tabela 1:

Critério de Objetivos Principal área de


classificação interesse
Valor de utilização Atribuir instrumentos de Gestão de estoques
(classificação ABC) gestão diferenciados por
classe de valor
Criticidade (classificação Atribuir níveis de serviço Gestão de estoques
XYZ) (atendimento, rapidez e
pontualidade das entregas
etc.) diferenciados em
função do grau de
criticidade para as
atividades.
Forma de disponibilidade Identificar os itens que Gestão de estoques
dos materiais serão mantidos em estoque Compras
e os que serão
disponibilizados de outros
modos, por exemplo, só
após configurar a sua
necessidade.
Dificuldade para Identificar os itens pelo Seleção de materiais
aquisição grau de dificuldade em Gestão de estoques
termos de aquisição, por Compras
exemplo, fornecedor único,
produto importado, prazos
longos ou irregulares de
entrega e outros.
Periculosidade, Orientar o processo de Seleção de materiais
toxicidade e manuseio, transporte e Armazenagem
perecibilidade armazenagem, distribuição
e uso.

Tabela 1 - Critérios de classificação.

Fonte: Barbieri e Machline, 2009.

3.4 CLASSIFICAÇÃO ABC


A classificação ABC pode ser definida como uma ordenação dos artigos de
acordo com as quantidades e os valores em estoque. Este método de
classificação funciona com ferramenta de análise de gestão de materiais. Na
categoria A estão os produtos mais importantes do ponto de vista financeiro,
para o hospital. E, por esse motivo merecem um tratamento diferenciado,
requerendo maior atenção da administração. Na categoria B também estão itens
financeiramente importantes, que por sua vez merecem planejamento e controle
precisos. Finalmente no grupo C estão aqueles itens não tão importantes no
aspecto financeiro. Não significando que devam ser deixados de lado, no entanto
não requerem atenção tão especial quanto os produtos das categorias A e B.

Os itens A representam, em média 5% dos artigos e 80% dos recursos


financeiros programados. Os itens B, por sua vez, representam, em média, 15%
dos materiais estocados e 15% dos recursos financeiros programados. Já os
itens da classe C, representam em média 80% dos itens e 5% dos recursos
financeiros programados.
Essa classificação tem como objetivo dar prioridade a vigilância, dos itens
em estoque, que tenham maior importância financeira para a organização
(SILVA et. al., 2010).

3.5 CLASSIFICAÇÃO XYZ

Essa classificação tem como parâmetro o grau de criticidade ou


imprescindibilidade do material para realização das atividades em que eles
estarão sendo usados (BARBIERI e MACHLINE, 2009). Essa classificação
indica a importância de cada item para o funcionamento operacional da
organização, independentemente do valor do produto (SILVA et. al., 2010).
Nesse sentido, a falta de alguns materiais pode levar a paralisação de atividades
fundamentais, podendo colocar em risco pessoas, o ambiente e o próprio
patrimônio da organização (BARBIERI e MACHLINE, 2009).
Os itens que compõe o grupo Z são os mais críticos, imprescindíveis e de
difícil substituição. Os itens do grupo Y possuem um grau de criticidade média,
pois, mesmo sendo essenciais, podem ser substituídos por equivalentes com
certa facilidade. Por fim os itens X podem faltar sem gerar prejuízos ao
funcionamento da empresa e podem ser substituídos facilmente. (BARBIERI e
MACHLINE, 2009).

4 MATERIAL MÉDICO HOSPITLAR


4.1 Ataduras
4.1.1 Atadura de Crepom
Uma atadura é um pedaço de tecido aplicado de tal maneira que se ajuste
a uma parte do corpo. São faixas de crepe grosso usadas com a finalidade de
dar firmeza à musculatura a ela enfaixada. São encontradas na forma de rolos
de várias larguras.
4.1.2 Ataduras Gessadas
São produtos de uso ortopédico, utilizados para confecção de aparelhos para
imobilizar segmentos ósseos e músculos esqueléticos, comprometidos em
fraturas ou por outras intercorrências. São faixas de atadura de gaze impregnada
de gesso (gipsita). A gipsita é um mineral encontrado em jazidas no subsolo
constituídas pelo sulfato de cálcio hidratado. Quando aquecido ele perde a água
e passa a sulfato de cálcio seco que apresenta, então, a propriedade de absorver
a água e de se endurecer logo após alguns minutos.

4.2 Curativos
É um meio que consiste na limpeza e aplicação de uma cobertura estéril
em uma ferida, quando necessário, com finalidade de promover a rápida
cicatrização e prevenir contaminação e infecção. Tem como objetivo tratar e
prevenir infecções; eliminar os fatores desfavoráveis que retardam a cicatrização
e prolongam a convalescência, aumentando os custos do tratamento; diminuir
infecções cruzadas, através de técnicas e procedimentos corretos.

Tipos de Curativos:
 Semi-oclusivo: Este tipo de curativo é absorvente e comumente é
utilizado em feridas cirúrgicas. Ele tem várias vantagens como permitir a
exposição da ferida ao ar, absorve exsudato da ferida e isola o exsudato
da pele saudável adjacente.
 Oclusivo: não permite a passagem de ar ou fluidos, funcionando como
uma barreira contra bactérias. Tem como vantagens: vedar a ferida;
impedir a perda de fluidos; promover o isolamento térmico e de
terminações nervosas e impedir a formação de crostas.
 Compressivo: é utilizado para reduzir o fluxo sanguíneo, ou promover
estase, e auxiliar na aproximação das extremidades do ferimento.
 Sutura com fita adesiva: após a limpeza da ferida, as bordas do tecido
seccionado são unidas e a fita adesiva é fixada. Esse tipo de curativo é
apropriado para cortes superficiais e de pequena extensão.
 Curativos abertos: são realizados em ferimentos descobertos e que não
têm necessidade de serem ocluídos. Algumas feridas cirúrgicas (após 24
horas), cortes pequenas ou escoriações, queimaduras, etc. são exemplos
desse tipo de curativo:
 Curativo Seco: fechado com gaze ou compressa seca.
 Curativos Úmidos: fechado com gaze ou compressa umedecida, com
pomada ou soluções prescritas.
4.3 Luvas
As luvas atuam como barreira física para impedir a transmissão de doenças
infectocontagiosas entre pacientes e equipes de saúde, durante os atos
cirúrgicos, procedimentos, curativos, exames, etc, agindo desta forma, como um
fator na prevenção de infecções hospitalares.
 Luvas Cirúrgicas: Apresentam-se em diversos tamanhos, com formatos
anatômicos, moldados em látex natural, de espessura fina, conferindo alta
sensibilidade as pontas dos dedos, contendo pó lubrificante absorvível e
hipoalergênico. São comercializados em par esterilizadas por radiação gama
ou óxido de etileno.
 Luvas de Procedimentos: Apresentam-se em 3 tamanhos e são compostas
de látex não estéril: pequeno, médio e grande.
 látex não estéril: pequeno, médio e grande.

4.4 Sondas
Tubo flexível ou rígido introduzido num canal, natural ou não, com a finalidade
de extrair ou introduzir algum tipo de matéria – urina, alimentos, medicamentos.
 Sonda Nasogástrica: É uma sonda passada do nariz até o estômago. Seu
procedimento é simples, indolor, podendo causar uma discreta náusea ou um
desconforto na garganta ou nariz. O tempo de utilização é indeterminado,
ficando a troca a critério do enfermeiro ou médico.
 Sonda de Jejunostomia: Diretamente no intestino, por meio de pequeno
orifício no abdômen. Para uso a longo prazo (mais de seis semanas)
 Sonda Vesical: Usado na uretra quando o fluxo de urina está interrompido.
Existindo dois tipos:
o Sonda vesical de alivio: Colocada por um curto período de tempo
para esvaziamento da bexiga.
o Sonda vesical de demora: Sonda utilizada por períodos
prolongados que contem balonete.
 Sonda Retal: A sonda retal é indicada para aliviar a tensão provocada por
gases e líquidos no intestino grosso. Utilizável também para retirada de
conteúdo fecal através do reto.

4.5 Cânulas e Tubos


São tubos de plástico, borracha ou metal, de calibre variável, com formas
e objetivos diversos, aberto em ambas as extremidades, destinado a ser
introduzido no corpo ou em algum orifício do mesmo como procedimento de uso
em determinados pacientes, por recomendação médica. Existem:
 Cânula de Traqueostomia: dispositivo inserido na traqueia que estabelece
um orifício artificial para ventilação.
 Cânula Nasofaríngea/orofaríngea: é um tubo introduzido pelo nariz/boca
para manter a via aérea pérvia.
 Tubo endotraqueal: é um dispositivo inserido na traqueia através da boca ou
nariz com objetivo de obter uma via aérea definitiva.

4.6 Dispositivos de infusão


Os dispositivos de infusão ambulatoriais ou de finalidade geral são usados para
introduzir no sistema circulatório de pacientes, líquidos e agentes farmacológicos
através de rotas intravenosas (IV), epidurais e mais raramente intra-arteriais, em
aplicações diversas como:

 A manutenção dos níveis apropriados de fluidos do paciente durante e após


cirurgias, tratamento de queimaduras e controle de desidratação em pacientes
pediátricos;
 Nutrição parenteral (endovenosa) de pacientes;
 Para manter a veia aberta facilitando a administração de medicamentos em
emergência;
 Infusão contínua ou intermitente de drogas, em quantidades efetivas e não
tóxicas.
Existem três sistemas de infusão:
 Controle manual de fluxo: consiste em um reservatório e um equipo,
composto por um tubo, uma câmara de gotejamento e uma pinça rolete ou
chapinha metálica (grampo) para comprimir o tubo do equipo e controlar o
fluxo de líquido do reservatório para o paciente.
 Controlador de infusão: é destinado a regular a vazão do líquido
administrado ao paciente sob pressão positiva gerada pela força da
gravidade. Depende da pressão gerada pela ação da gravidade para
proporcionar a infusão, porém a regulação do fluxo é controlada por uma
contagem eletrônica de gotas.
 Bomba de infusão: são usadas quando se necessita de maior precisão na
aplicação de fluidos no paciente, ou quando é necessário empregar fluxos
maiores que os obtidos com sistemas gravitacionais ajustados manualmente.
Nas bombas de infusão a pressão de infusão independe da pressão
gravitacional, e muitas vezes são maiores que a pressão gravitacional.

4.7 Equipo
O equipo é o dispositivo que transporta o líquido do reservatório para o
paciente. É o principal material desse grupo, sendo utilizado nos três sistemas
de infusão. Corresponde a um material de confecção plástica que se destina a
administração, em grande volume, de soros ou solução hidroeletrolítica por via
endovenosa que possibilita o controle de volume infundido por minuto.
O equipo pode ser universal que foi desenvolvido para utilização em
qualquer bomba peristáltica ou específico, desenvolvido para uso específico em
um modelo de bomba de infusão, garantindo maior exatidão da vazão infundida.

4.8 Recipientes para resíduos


4.8.1 Bolsas Coletoras
As bolsas coletoras podem ser encontradas em diversos tipos e modelos,
de acordo com as diferentes necessidades (colostomia, ileostomia e urostomia)
e dimensões dos estomas dos ostomizados.
 Bolsa coletora de urina: coletor de natureza plástica que se destina ao
recolhimento da urina.
 Bolsa para colostomia: depósito de plástico usado para recolhimento de
materiais fecais, oriundos da comunicação cirurgicamente construída entre o
cólon e o meio exterior em pacientes operados.

Em relação à forma de descartar os dejetos, as bolsas coletoras podem


ser:
 Drenáveis: são aquelas que possuem uma abertura na extremidade inferior
por onde são esvaziadas periodicamente. Elas costumam ter maior
durabilidade e têm como vantagem a redução das lesões na pele do abdômen,
uma vez que a bolsa será trocada menos vezes.
 Não drenáveis: são bolsas fechadas, e por isso não podem ser esvaziadas.
Elas sempre devem ser trocadas quando estiverem com 1/3 de sua
capacidade preenchida ou quando for necessário. Como esse tipo de bolsa é
trocada com mais frequência, o constante descolamento pode causar lesões
na pele, em volta do estoma.

4.8.2 Drenos
São usados em diversos contextos para possibilitar o escapamento de
líquido de uma cavidade corporal específica. As indicações para colocação de
controle de drenos são específicas de cada tipo de dreno.

 Dreno de Penrose: é um dreno de borracha, tipo látex, utilizado em cirurgias


que implicam em possível acúmulo local de líquidos infectados, ou não, no
período pós-operatório. Seu orifício de passagem deve ser amplo e ser
posicionado à menor distância da loja a ser drenada, não utilizando o dreno
por meio da incisão cirúrgica e, sim, por meio de uma contraincisão.
 Dreno de Sucção (Portovac): é composto por um sistema fechado de
drenagem pós-operatória, de polietileno, com resistência projetada para uma
sucção contínua e suave. É usado para drenagem de líquido seroso ou
sanguinolento, de locais de dissecção ou da área de anastomoses
intraperitoneais. Seu objetivo é impedir o acúmulo de soro e a formação de
hematoma.
 Dreno de Abramson: são tubos de grande calibre e luz múltipla e têm as
seguintes finalidades: irrigação e aspiração contínua; usado mais comumente
para drenar espaços intra-abdominais que se espera drenar grande volume
de líquido.
 Dreno de Kehr: é introduzido nas vias biliares extra-hepáticas, sendo
utilizada para drenagem externa, descompressão, ou ainda, após anastomose
biliar, como prótese modeladora, devendo ser fixado por meio de pontos na
parede duodenal lateral ao dreno, tanto quanto na pele, impedindo sua saída
espontânea.
4.9 Material para punção e incisão
4.9.1 Cateter
Define-se cateter como instrumento oco, fabricado de material de
natureza plástica que é introduzido no corpo com o objetivo de retirar líquidos;
introduzir sangue, soros e medicamentos; efetuar investigações e estabelecer
diagnóstico.

4.9.2 Cateter Periférico


São cateteres com tamanhos que variam de 4 a 8 cm, indicados aos
acessos venosos de curta permanência para a administração de drogas não
irritantes e coleta de sangue, produzidos em PVC, aço inoxidável ou poliuretano.
 Cateter intravenoso periférico de curta permanência (scalp ou butterfly):
são agulhas de aço curtas com asas de plástico. São fáceis de introduzir
mas, por serem pequenas e não maleáveis, infiltram facilmente. Utilizadas
para administração de drogas em seringas, soros em pequenos volumes
ou em infusões rápidas. Numerações mais utilizadas: 19 G, 21G, 23 G,
25 G e 27G.
 Cateter intravenoso periférico de longa permanência (jelco): São
cateteres de plástico introduzidos sobre agulhas de aço. A introdução
requer a etapa adicional de progredir o cateter no interior da veia após a
punção venosa. Com relação ao scalpe tem uma probabilidade menor de
infiltração. Tempo de permanência 72 horas. Tamanhos: 14 G, 16 G, 18
G, 20 G, 22 G, e 24 G.

4.9.3 Cateter central


São cateteres que possuem tamanho suficiente para que a ponta distal
tenha uma localização a nível central, em geral no terço médio da cava superior.
Podem ser de PVC, poliuretano ou silicone.
 Cateter venoso central de longa permanência (Port): implantação
subcutânea, composto de reservatório plástico, com bordas palpáveis ao
exame clínico, contendo em sua parte central um amplo septo de
membrana de silicone com 12,5 mm de diâmetro, que permite múltiplas
punções com agulhas especiais. Procedimento cirúrgico. Principalmente
utilizados para tratamentos quimioterápicos, administração mais segura
das drogas, evitando extravasamentos, destruição tecidual e necrose.
 Cateter central de curta permanência (Intracath): utilizado em terapias
venosas em pacientes críticos que necessitem de infusão múltipla de
soluções parenterais e mensuração de pressão venosa central. Principal
local de inserção é veia jugular interna e subclávia, localização do cateter
em veia cava superior. Tempo de permanência de 15 dias depende da
rotina estabelecida pela CCIH da Instituição. Existem cateteres de
01,02,03 e 04 lúmens.
 Cateter tipo PICC (cateter central de inserção periférica): Trata-se de um
cateter especial para infusão intravenosa, colocado em uma das veias
perto da dobra do cotovelo ou na parte superior do braço. Depois de
colocado, ele é introduzido até chegar na maior veia do corpo, localizada
acima do coração, conhecida como veia cava.

4.9.4 Lâminas de Bisturi


O bisturi, um instrumental de corte, existe em vários tamanhos e formas de
lâminas. Os cabos são classificados em nº3 e nº4 sendo o primeiro receptor de
lâminas em geral menor e destinado a atos cirúrgicos delicados. O segundo
apresenta um encaixe maior para lâmina e destina-se a ato cirúrgico geral. Cada
cabo ainda apresenta variedade no seu tamanho (3L e4L), destinada a operar
na profundidade. As lâminas para bisturi podem ser classificadas quanto seu
formato e aplicabilidade.

4.10 Material de sutura


4.10.1 Agulhas
A agulha tem como finalidade levar o material de síntese através dos
tecidos, causando mínima lesão tecidual. A seleção da agulha é determinada
pela acessibilidade do tecido a ser suturado; pelo diâmetro do fio de sutura e
pelo tipo de tecido, levando-se em consideração sua constituição histológica, o
que lhe confere maior facilidade em sua transecção (intestino delgado – agulha
cilíndrica) ou maior dificuldade no afastamento dos tecidos (pele – agulha
triangular cortante).
As agulhas podem ser descartáveis (para uso único apenas) ou
reutilizáveis. As agulhas podem ser classificadas quanto à dimensão, calibre,
forma, ponta e fundo.
As agulhas, conforme o seu ângulo interno, podem ser classificadas em:
curvas (ângulo interno de 180 graus), semirretas (ângulo interno menor que
180graus) e retas. De acordo com a secção transversal da ponta, as agulhas
dividem-se em: cilíndricas, triangulares e prismáticas. Dependendo do tipo da
ponta, as agulhas são classificadas em: traumáticas, com pontas triangular ou
prismática e atraumática quando cilíndricas.

4.10.2 Fios
Os fios de sutura são materiais utilizados para selar vasos sanguíneos e
aproximar tecidos. Surgiram e foram desenvolvidos ao longo dos séculos, em
função da necessidade de controlar hemorragias e também de favorecer a
cicatrização de ferimentos ou incisões por primeira intenção.
Os fios de sutura estão divididos em dois grandes grupos:
 Absorvíveis: são aqueles que perdem gradualmente sua resistência à
tração até serem fagocitados ou hidrolisados. Eles podem ser de origem
animal (catgut simples e cromado) ou sintético multi ou monofilamentares
(poliglactina, poliglecaprone e polidioxanona).
 Não absorvíveis: são aqueles que se mantêm no tecido onde foram
implantados. Podem ser de origem animal (seda), mineral (aço), vegetal
(algodão ou linho) ou sintético (poliamida, poliéster, polipropileno).
A escolha adequada do fio de sutura deve levar em consideração suas
características de comportamento físico e biológico em relação ao processo de
cicatrização do tecido a ser suturado.
Os fios de sutura são encontrados em comprimentos padronizados que
variam de 8 a 90 cm. Deve ser lembrado que dentro da classificação dos fios de
sutura, o número de zeros que vem escrito na embalagem informa o calibre do
fio e também sua força tênsil que é determinada dividindo-se a força necessária
para romper o fio pelo seu diâmetro. Assim, quanto maior o número de zeros na
classificação dos fios, menos calibroso ele será e terá menor força tênsil, porém
será mais delicado. O contrário também é verdadeiro.
5 CONCLUSÃO
É fundamental conhecimento a funcionalidade e a importância de cada
material médico hospitalar que possa ser utilizado no ambiente hospitalar. A
escolha e padronização dos materiais médicos a serem utilizados são de
extrema importância para o bom funcionamento da rede hospitalar,
possibilitando uma interação entre multiprofissionais viabilizando assim o
trabalho das equipes. Portanto os farmacêuticos hospitalares deverão buscar
continuamente melhorias nas condições técnicas e de trabalho, de forma a
alcançar além dos parâmetros recomendados como “padrões mínimos”,
processos mais refinados e um ambiente mais seguro para o paciente.
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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materiais médico hospitalares em um hospital universitário. 2016. 48f.
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<http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/17/gestao_material.pdf>.
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6. REGINO, Patrícia Afonso. Padronização de materiais médico-


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8. SILVA. Renaud Barbosa da. [et. al.]. Logística em organizações de


saúde. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010.