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DIREITO DE FAMILIA I - PROF.

CELSO SUZUKI
AULA 03 - PARENTESCO: CONCEITO, MODALIDADES; CONTAGEM DE GRAUS, AFINIDADES.

1. CONCEITO

“O parentesco é um vínculo que une duas ou mais pessoas, em decorrência de uma delas
descender da outra ou de ambas procederem de um genitor comum.(VENOSA)

"Parentesco é a relação vinculatória existente não só entre pessoas que descendem uma das outras
ou de um mesmo tronco comum, mas também entre um cônjuge ou companheiro e os parentes do
outro, entre adotante e adotado e entre pai institucional e filho socioafetivo."(MARIA HELENA DINIZ)

"Parentesco é a relação jurídica estabelecida pela lei ou por decisão judicial entre uma pessoa e as
demais que integram o grupo familiar, nos limites da lei. A relação de parentesco identifica as
pessoas como pertencentes a um grupo social que as enlaça num conjunto de direitos e
deveres."(PAULO LOBO)

Parentesco é vínculo jurídico que estabelece “estado de família” entre os sujeitos

2. MODALIDADES DE PARENTESCO

NATURAL(origem consanguinea)
Art. 1.593. O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consangüinidade ou
outra origem.

CIVIL(origem civil/jurídica)
adoção - fecundação heterologa - socioafetividade

AFINIDADE(origem conjugal)
Art. 1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo
vínculo da afinidade.
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AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 660.156 - MT (2015/0034930-8) – PARENTESCO CIVIL –
MODALIDADES (...) O artigo 1.593, do Código Civil, ao prever a formação do estado filiativo advindo
de outras espécies de parentesco civil que não, necessariamente, a consanguínea, permite a
interpretação do alcance da expressão "outra origem" como sendo adoção, a filiação proveniente
das técnicas de reprodução assistida, bem como a filiação sócio-afetiva, fundada na posse de
estado de filho. (...) Da análise das provas coligidas nos autos, resta evidenciado a caracterização
da posse do estado de filho, necessária ao reconhecimento da filiação sócio-afetiva pretendida, ante
a existência de relação afetiva duradoura, de tratamento afetivo materno-filial frente a terceiros(STJ -
Relator: Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO)

3. PARENTESCO NATURAL – CIVIL : LINHA RETA E LINHA COLATERAL

O vínculo de parentesco é estabelecido por linhas e graus; o vínculo da pessoa ao tronco


ancestral comum chama-se linha e divide-se em linha reta e colateral ou transversal. Assim,
são parentes em linha reta os pais, filhos, netos, bisnetos; pais, avós, bisavós. O grau é o
número de relações que separam dois parentes entre si.

“O parentesco em linha reta é infinito, nos limites que a natureza impõe à sobrevivência dos seres
humanos. A linha reta é a que procede sucessivamente de cada filho para os genitores e deste para
os progenitores e de cada pessoa para seus filhos, netos, bisnetos etc. Assim, promanam da pessoa
uma linha reta ascendente e uma linha reta descendente."(PAULO LOBO)

São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para com as outras na relação de
ascendentes e descendentes.

“O parentesco colateral ou transversal supõe ancestrais comuns, que a lei chama de tronco,
segundo o modelo natural de árvore genealógica. Por consequência, os parentes colaterais não
descendem uns dos outros. Ao contrário da linha reta, a linha colateral é finita, para fins jurídicos. No
direito brasileiro, encerra-se no quarto grau. Não há parente colateral em primeiro grau, porque esse
parentesco se conta subindo ao ascendente comum; há, no mínimo, dois graus e três pessoas
relacionadas."(PAULO LOBO)

São parentes em linha colateral ou transversal, até o quarto grau, as pessoas provenientes de
um só tronco, sem descenderem uma da outra.

4. PARENTESCO NATURAL – CIVIL : CONTAGEM DE GRAUS

Contam-se, na linha reta, os graus de parentesco pelo número de gerações, e, na colateral,


também pelo número delas, subindo de um dos parentes até ao ascendente comum, e
descendo até encontrar o outro parente.
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5. PARENTESCO POR AFINIDADE

O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do
cônjuge ou companheiro. Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do
casamento ou da união estável.

TESTEMUNHA. CUNHADO DA PARTE AUTORA. IMPEDIMENTO. OCORRÊNCIA. O cunhado é


parente por afinidade em segundo grau na linha colateral (artigos 1.592, 1.593 e 1.594 do
Código Civil de 2002). A afinidade decorre do casamento ou união estável, nos termos do
artigo 1.595, § 1º, do diploma civil. Nesse prisma, o vínculo de parentesco por afinidade em
segundo grau na linha colateral existente entre a testemunha e a segunda reclamante
evidencia o impedimento desta para depor, ex vi dos artigos 829 da CLT e 405, § 2º, inciso I,
do subsidiário CPC. Decorre da lei a vedação à colhida de suas declarações como
testemunha. Recurso ordinário improvido.(TRT-2 - RO: 00008096820145020373 SP
00008096820145020373 A28, Relator: RICARDO VERTA LUDUVICE, Data de Julgamento:
18/11/2014, 11ª TURMA, Data de Publicação: 27/11/2014)

NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE OITIVA DE TESTEMUNHA.


PARENTESCO EM SEGUNDO GRAU POR AFINIDADE. Tendo a testemunha declarado ao
Juízo que é cunhado do reclamante (parentesco em segundo grau por afinidade), entende-se
configurada a hipótese de impedimento, prevista nos artigos 829 da CLT e 405, § 2º, inciso I,
do CPC, não estando o Julgador obrigado a colher o depoimento da testemunha na condição
de informante (§ 4º do art. 405 do CPC). Inexistente o cerceamento de defesa alegado, e a
suposta afronta ao art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal.DOENÇA OCUPACIONAL.
AGRAVAMENTO. EXISTÊNCIA DE CONCAUSA. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAL E
MATERIAL. Demonstrada nos autos a existência de nexo de causalidade entre a atividade
laboral desempenhada pela reclamante e a moléstia adquirida. O fato de que outros fatores
possam concorrer para o surgimento da enfermidade, não afasta o nexo causal, restando
configurada a hipótese de concausa.(TRT-4 - RO: 00001305420135040662 RS 0000130-
54.2013.5.04.0662, Relator: ANA ROSA PEREIRA ZAGO SAGRILO, Data de Julgamento:
29/05/2014, 2ª Vara do Trabalho de Passo Fundo)

APELAÇÃO CÍVEL. MANDADO DE SEGURANÇA. CONSELHEIRA TUTELAR. MANDATO


ELETIVO. TIO E SOBRINHO. PARENTESCO POR AFINIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ART. 140
DO ECA. Os casos de impedimento previstos no art. 140, do Estatuto da Criança e do
Adolescente são taxativos, não sendo possível sua interpretação extensiva. O cônjuge do tio
é somente "parente por afinidade" do sobrinho, nos termos do art. 1.595 do Código Civil.
Nestes casos, portanto, não existe o parentesco vedado pelo art. 140 do ECA. APELO
PROVIDO. (Apelação Cível Nº 70060345709, Quarta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Francesco Conti, Julgado em 17/09/2014).(TJ-RS - AC: 70060345709 RS , Relator:
Francesco Conti, Data de Julgamento: 17/09/2014, Quarta Câmara Cível, Data de Publicação:
Diário da Justiça do dia 01/10/2014)