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CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA APLICADAS AO EXERCÍCIO Autoria: Vinícius Morato 1ª Edição Indaial - 2019 UNIASSELVI-PÓS

CINESIOLOGIA E BIOMECÂNICA APLICADAS AO EXERCÍCIO

Autoria: Vinícius Morato

1ª Edição Indaial - 2019

UNIASSELVI-PÓS

CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, n o 1.040, Bairro Benedito
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, n o 1.040, Bairro Benedito

CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, n o 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Reitor: Prof. Hermínio Kloch

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:

Carlos Fabiano Fistarol Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Jóice Gadotti Consatti Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Marcelo Bucci

Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais

Diagramação e Capa:

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Copyright © UNIASSELVI 2019

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial.

M831c

Morato, Vinícius da Silva

Cinesiologia e biomecânica aplicadas ao exercício. / Vinícius da Silva Morato. – Indaial: UNIASSELVI, 2019.

154 p.; il.

ISBN 978-85-7141-386-3 ISBN Digital 978-85-7141-387-0

1.Cinesiologia. - Brasil. 2. Biomecânica. - Brasil II. Centro Univer- sitário Leonardo Da Vinci.

CDD 612.044

Impresso por:

Sumário

APRESENTAÇÃO

5

CAPÍTULO 1

SISTEMA MUSCULAR

7

CAPÍTULO 2

CINESIOLOGIA

61

CAPÍTULO 3

SISTEMA LOCOMOTOR

105

APRESENTAÇÃO

O que é Cinesiologia? O que é Biomecânica? São a mesma coisa? Por que estudá-las? Onde e como aplicá-las? Quais conceitos, sistemas, tipologia, funções, estruturas, mecanismos que compõem esses estudos? Questões como estas serão abordadas e esclarecidas no decorrer deste livro, através de uma abordagem sucinta, porém dinâmica, englobando desde o básico ao complexo, buscando a contextualização com a realidade.

Serão apresentados desde a definição e constituição de um músculo ao sistema de alavancas, tal percurso denotará em três capítulos intitulados: Sistema Muscular, no qual serão apresentados a tipologia muscular, os componentes e composições, os nomes e seus papéis nos principais movimentos; Cinesiologia, no qual denotaremos o que é e o porquê de estudá-la, uma análise mais científica dos músculos e as variações das posições do corpo; por fim, o Sistema Locomotor, que apresentará todos os componentes que o envolvem, suas características fisiológicas e mecânicas originando o sistema de alavanca.

Atualmente, as equipes profissionais de diversos esportes, principalmente os esportes individuais, como os de lutas, vêm investindo cada vez mais em contratação de profissionais da área de fisiologia, cinesiologia e biomecânica, visando à otimização do rendimento no treinamento, buscando uma melhor performance em competições, pois com o domínio dessas ciências há uma tendência maior em traçar uma estratégia que envolve a relação de controle do treino e nutrição. Conhecer cientificamente o movimento específico de um gesto motor pertencente a uma modalidade específica semelhante ao tipo de recurso alimentar que possa potencializar e fornecer mais energia para tal, aumentando sua eficácia, torna-se uma vantagem para atletas de elite.

Bons estudos!

CAPÍTULO 1

SISTEMA MUSCULAR

C APÍTULO 1 SISTEMA MUSCULAR A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os

A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem:

Saber: o aluno conhecerá a constituição de um músculo, seu funcionamento, finalidades, tipos, sua manutenção para melhor eficácia e seu papel no movimento humano aplicado no exercício e no esporte.

Fazer: o aluno saberá identificar a localização de um músculo específico, suas ações e seu papel em um determinado movimento, paralelo à compreensão de cuidados e aplicações para manter uma musculatura saudável e eficaz.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício 8

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

1 CONTEXTUALIZAÇÃO

O que se entende quando ouvimos e/ou lemos a nomenclatura sistema

muscular? É bem simples, trata-se de todo um conjunto de músculos existentes no nosso corpo que é totalmente responsável por uma série de funções. Que funções são essas? São várias, por isso se chama sistema! O sistema muscular é considerado o maior sistema orgânico do corpo humano, responsável pela geração de calor (energia térmica) para todo o organismo, é responsável também pelo equilíbrio postural, sustentação, circulação sanguínea e está totalmente ligado a qualquer tipo de movimento, seja dinâmico (em movimento) ou estático (no qual o corpo se encontra parado, porém, há contração muscular) (MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016).

A estrela, ou como podemos dizer, o protagonista que terá todo o nosso foco

neste capítulo, será o músculo, por isso precisamos entender o que realmente ele

é, do que ele é formado, suas características e classificações, o que faz o músculo

funcionar e que recursos são utilizados para um melhor funcionamento, quais tipos de músculos existem e quais suas funções em determinados movimentos.

Já parou para analisar que exatamente nesse momento em que você está

lendo esse parágrafo, nosso sistema muscular está trabalhando em pleno vapor? Que ao usar o dedo no mouse, ou clicar no teclado para rolar a página, até mesmo nos movimentos dos olhos para acompanhar o texto, diversos músculos estão atuando? Então pare para fazer essa análise e observe a magnitude desse sistema.

2 O QUE É UM MÚSCULO? DE QUE É FORMADO E QUAIS SÃO SEUS COMPONENTES?

Para falarmos sobre um sistema, seja ele qual for, precisamos conhecer

e entender seus componentes, como um sistema específico de um carro, mais

precisamente o sistema de aceleração, no qual para entendê-lo, devemos conhecer quais peças fazem parte e qual a função de cada uma para o funcionamento geral desse sistema. Seguindo essa premissa, teremos agora acesso a uma básica e breve noção sobre conceitos e definições relacionadas aos músculos.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Informações mais detalhadas sobre esse tema encontram-se em obras

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Informações mais detalhadas sobre esse tema encontram-se em obras
Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Informações mais detalhadas sobre esse tema encontram-se em obras
Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Informações mais detalhadas sobre esse tema encontram-se em obras

Informações mais detalhadas sobre esse tema encontram-se em obras de anatomia e fisiologia geral e esportiva, como os livros citados a seguir.

MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

PAULSEN, F.; WASCHKE, J.; PASSOS, M. A. R. F. Sobotta - Atlas de anatomia humana. v. 1, 2 e 3. São Paulo: Grupo Gen, 2018.

anatomia humana . v. 1, 2 e 3. São Paulo: Grupo Gen, 2018. FIGURA 1 –
anatomia humana . v. 1, 2 e 3. São Paulo: Grupo Gen, 2018. FIGURA 1 –

FIGURA 1 – EXEMPLOS DE MÚSCULOS ESQUELÉTICOS SUPERFICIAIS DO CORPO HUMANO

DE MÚSCULOS ESQUELÉTICOS SUPERFICIAIS DO CORPO HUMANO FONTE:

FONTE: https://www.passeidireto.com/arquivo/34755473/sistema- muscular-do-corpo-humano. Acesso em: 2 jul. 2019.

O que é um músculo? O músculo é um órgão formado por fibras contráteis (células longas que possuem miofibrilas que ajudam na movimentação corporal), controladas por um outro sistema (Sistema Nervoso Central), é de cor vermelha devido à existência de pigmentos e de grande quantidade de sangue nas fibras musculares. Podem estar ligados diretamente à nossa estrutura óssea, denominando-se músculos esqueléticos, essas são estruturas que cruzam articulações executando vários tipos de movimento; ou fazem parte da estrutura

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

de órgãos e/ou aparelhos, no qual chamam-se músculos viscerais. Os músculos representam entre 40 a 50% do peso corporal total, somando mais de 650 músculos no corpo humano, cada um tendo um papel específico para executar. Quimicamente dizendo, as fibras são compostas por proteínas estruturais, como actina e miosina; mioglobina; substâncias energéticas como o glicogênio; além de enzima, íons de cálcio e fosfatos livres.

além de enzima, íons de cálcio e fosfatos livres. Miofibrilas: organelas cilíndricas formando diversos feixes
além de enzima, íons de cálcio e fosfatos livres. Miofibrilas: organelas cilíndricas formando diversos feixes

Miofibrilas: organelas cilíndricas formando diversos feixes longitudinais que ocupam quase todo o citoplasma das células musculares. Quando elas entram em contato com a membrana celular, tornam-se responsáveis pelo processo de contração muscular.

responsáveis pelo processo de contração muscular. FIGURA 2 – VISÃO ORGANIZACIONAL DOS COMPONENTES
responsáveis pelo processo de contração muscular. FIGURA 2 – VISÃO ORGANIZACIONAL DOS COMPONENTES
responsáveis pelo processo de contração muscular. FIGURA 2 – VISÃO ORGANIZACIONAL DOS COMPONENTES

FIGURA 2 – VISÃO ORGANIZACIONAL DOS COMPONENTES MUSCULARES

2 – VISÃO ORGANIZACIONAL DOS COMPONENTES MUSCULARES FONTE: https://docplayer.com.br/47001184-Tema-b-organizacao-

FONTE: https://docplayer.com.br/47001184-Tema-b-organizacao- microsacopica-e-contracao-muscular.html. Acesso em: 2 jul. 2019.

O músculo contém água (aproximadamente 75% de seu peso é água), proteínas (16 a 22%), gordura (entre 1,5 a 13%), carboidratos (0,5 a 1,3% do peso muscular, falando apenas do glicogênio) e constituintes inorgânicos. A água é o principal constituinte dos fluidos extracelulares e várias substâncias químicas são dissolvidas ou despejadas nela, por isso, a água age como um meio de transporte dessas substâncias, entre a camada vascular e as fibras musculares. A matéria

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício sólida muscular é formada principalmente pelas proteínas que são

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sólida muscular é formada principalmente pelas proteínas que são classificadas, geralmente, por sua capacidade de se dissolver no sarcoplasma, miofibrilas e do estroma. Existe também nos músculos a presença de outros compostos, que são as substâncias nitrogenadas, como as substâncias nitrogenadas não proteicas, que incluem vários compostos químicos (aminoácidos, peptídeos simples, creatina, creatina fosfato, creatinina, vitaminas, nucleosídeos e nucleotídeos, incluindo adenosina trifosfato (ATP)) (WILMORE; COSTILL, 2001).

Com relação à gordura, a quantidade é variável (pois depende da individualidade e contextualização de cada ser humano), constituindo-se praticamente apenas de lipídios neutros (triglicerídeos) e fosfolipídios. No que diz respeito a carboidratos, o músculo apresenta, em média, uma quantidade pequena. O glicogênio é o carboidrato mais presente no músculo, pois a maioria dos outros carboidratos consiste em glicosaminoglicanos, glicose e outros mono ou dissacarídeos e intermediários do metabolismo glicolítico. Além de todas essas substâncias, o músculo contém vários constituintes inorgânicos, entre eles cálcio, magnésio, potássio, sódio, ferro, fósforo, enxofre e cloro.

Os músculos se dividem em nove grupos pelo corpo: cabeça, pescoço, abdômen, região posterior do tronco, tórax, membros inferiores, membros superiores, órgãos dos sentidos e períneo. Dentre as principais funções dos músculos, podemos citar:

A produção de movimentos: que podem ir desde os mais simples, que são os movimentos naturais (andar, engatinhar, pular) aos mais complexos (escrever, rebater uma bola, executar um golpe).

Estabilização corporal: a contração muscular esquelética atua como estabilizador articular, produzindo o equilíbrio, permitindo algumas posturas, como ficar em pé ou simplesmente sentar.

Controle do volume dos órgãos: a contração sustentada das faixas anelares dos músculos lisos (como os esfíncteres) pode impedir a saída do conteúdo de um órgão oco.

Movimentação e transporte de substâncias intercorporal: a intensidade do fluxo sanguíneo é controlada pelos músculos lisos das paredes dos vasos. Nutrientes e oxigênio são levados aos músculos pela corrente sanguínea através do movimento (bombeamento) do músculo cardíaco.

Produção de calor: há manutenção da temperatura corporal a partir de uma quantidade de calor produzida em uma contração muscular.

Consequentemente, os músculos são os órgãos que melhor se adaptam à realidade do sujeito, seja ele uma pessoa normal ou um atleta de elite. Podemos citar dois exemplos, um em cada tipo de músculo diferente. No caso dos músculos

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

viscerais, podemos apontar o coração, que é considerado um órgão nobre que se adapta à necessidade do ser humano. Consequentemente, o coração dos praticantes de exercícios e atletas tem a estrutura cardíaca modificada naturalmente para suprir as necessidades do corpo, a hipertrofia do ventrículo esquerdo e o aumento da espessura da veia aorta são um exemplo de adaptação fisiológica estrutural, pois na necessidade de melhor e maior bombeamento sanguíneo para levar maior quantidade e mais rápido os nutrientes e o oxigênio para todo o corpo buscando sua melhor performance, essas estruturas se modificam e se adaptam. Já os músculos esqueléticos, através do exercício físico, podem desenvolver maior volume e aumentar seu ganho de força e/ou resistência.

2.1 TECIDO FASCIAL

O coração dos praticantes de exercícios e atletas tem a estrutura cardíaca modificada naturalmente para suprir as necessidades do corpo, a hipertrofia do ventrículo esquerdo e o aumento da espessura da veia aorta são um exemplo de adaptação fisiológica estrutural.

Antes de avançarmos em nosso estudo para entendermos o funcionamento muscular, seja estrutural ou como parte de um sistema, precisamos entender e saber que os músculos não trabalham de maneira individual ou em grupos e que não são os únicos responsáveis pelo movimento. Existe uma rede sistemática de diversos componentes que fazem parte desse processo, que vão desde mecanismos neurais a tecidos conjuntivos. Por isso, essa seção fará, de certa maneira, uma espécie de introdução para a próxima etapa.

Ao fim deste capítulo, você entenderá que o sistema muscular é caracterizado por apresentar todo um complexo sistema de sustentação, contenção, ligação, envolvimento e proteção, além, é claro, de estar presente em todos os compartimentos e cavidades corporais.

O tecido fascial (ou sistema fascial) tem participação direta em todo esse sistema. Caracteriza-se por ser uma estrutura viscoelástica formada por tecidos conjuntivos presente em todo o corpo, sendo composta principalmente por tecido conectivo, ou seja, promove também conexões (os tecidos conectivos estão presentes na maioria dos tecidos que participam de ações durante os exercícios físicos).

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício FIGURA 3 – IMAGEM DO TECIDO FASCIAL INTRA E

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FIGURA 3 – IMAGEM DO TECIDO FASCIAL INTRA E EXTRAMUSCULAR

FIGURA 3 – IMAGEM DO TECIDO FASCIAL INTRA E EXTRAMUSCULAR FONTE: https://anatomiaefisioterapia.com/2018/05/07/

FONTE: https://anatomiaefisioterapia.com/2018/05/07/ redescobrindo-a-fascia-muscular/. Acesso em: 2 jul. 2019.

As bainhas em torno dos nervos e vasos, os órgãos, a constituição do peritônio e da pleura, a junção do osso ao osso, músculo ao osso e as bandas tendíneas são exemplos de elementos estruturais e funcionais que sofrem interferência direta do tecido fascial, seja como proteção, constituição e/ou auxílio em formação. Em uma visão mais

geral, o tecido fascial penetra e envolve todos os órgãos, músculos (individualmente e em todas a conexões), ossos, tecidos fibrosos (ligamentos, tendões, retináculos, cápsulas articulares) e fibras nervosas. Encontram-se em todas as direções e sentidos do corpo, sendo o único sistema conectivo que tem como característica se interligar a todos os músculos simultaneamente, criando um ambiente funcional único para todos os sistemas do corpo, ou seja, literalmente, o tecido fascial permite que todos os sistemas trabalhem interligados em um ambiente comum a todos.

O tecido fascial permite que todos os sistemas trabalhem

interligados em um ambiente comum a

todos.

Caracterizado como um sistema multifuncional (várias funções), o sistema fascial tem como principal importância seu papel na manutenção e na estabilização da postura ereta do corpo, porém, também tem importante papel na proteção intermuscular, ou seja, ele impede que haja atrito de um músculo com outro. Dependendo da área corporal, as fáscias podem ser extremamente finas e frágeis ou fortes e resistentes. As fáscias se subdividem em dois grupos, sendo eles:

Superficial: encontra-se unida na camada inferior à pele. É composta por

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
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tecido fibroelástico, estruturas vasculares sanguíneas e linfáticas, gordura e terminações nervosas, há a presença dos corpúsculos de Pacini e dos receptores cutâneos de pressão.

Profunda: como o nome já diz, encontra-se em áreas mais profundas, como áreas intramusculares (envolve e separa os músculos) e/ou se aderindo em proeminências ósseas. Possui uma fáscia dura, resistente e compacta.

ósseas. Possui uma fáscia dura, resistente e compacta. Corpúsculo de Pacini: terminação nervosa periférica que
ósseas. Possui uma fáscia dura, resistente e compacta. Corpúsculo de Pacini: terminação nervosa periférica que

Corpúsculo de Pacini: terminação nervosa periférica que faz papel de receptor mecânico.

nervosa periférica que faz papel de receptor mecânico. FIGURA 4 – IMAGEM DA LOCALIZAÇÃO DAS FÁSCIAS
nervosa periférica que faz papel de receptor mecânico. FIGURA 4 – IMAGEM DA LOCALIZAÇÃO DAS FÁSCIAS
nervosa periférica que faz papel de receptor mecânico. FIGURA 4 – IMAGEM DA LOCALIZAÇÃO DAS FÁSCIAS

FIGURA 4 – IMAGEM DA LOCALIZAÇÃO DAS FÁSCIAS MUSCULARES SUPERFICIAIS E PROFUNDAS

DAS FÁSCIAS MUSCULARES SUPERFICIAIS E PROFUNDAS FONTE: https://www.facebook.com/abfascias/photos/

FONTE: https://www.facebook.com/abfascias/photos/ d41d8cd9/1901136373539910/. Acesso em: 2 jul. 2019.

Agora que temos uma breve noção de que o músculo não trabalha sozinho no corpo humano, podemos entender como o músculo funciona em sua estrutura interna e em todo o sistema muscular.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício 3 O QUE FAZ UM MÚSCULO FUNCIONAR? Acabamos de

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

3 O QUE FAZ UM MÚSCULO FUNCIONAR?

Acabamos de entender que o músculo não tem vida própria, certo? Ou será que ele resolve se contrair e criar movimentos do nada? Claro que não, seria uma loucura, não é? Já imaginou você, querendo dormir, mas seus músculos resolvem dançar? Obviamente algo ou alguém é responsável pelo seu funcionamento além de toda uma estrutura química. Alguém dá as ordens! Há um general, e os músculos, como bons soldados, seguem essa ordem de maneira perfeita. É uma hierarquia corporal, mas quem será que dá as ordens? Como essas ordens chegam ao conhecimento dos músculos? Como estes respondem? Essas são algumas das perguntas que serão respondidas nas próximas seções. Agora faremos uma pergunta diferenciada com um outro objetivo, e gostaríamos que você a fixasse e aplicasse em cada parte da leitura desta seção, procurando respondê-la de maneira resumida, clara e objetiva. Ao final desta seção, apresentaremos a resposta e você reflitará se está de acordo com a sua análise, se há a necessidade de alteração ou não, combinado? A pergunta é a seguinte: O que faz um músculo funcionar?

3.1 SISTEMA NERVOSO CENTRAL

O general se chama sistema nervoso e é responsável por enviar estímulos à musculatura, e baseado nesses estímulos, todo um sistema é solicitado para trabalhar, desde o oxigênio e os nutrientes levados pela corrente sanguínea ao músculo até o movimento corporal propriamente dito. Você se lembra de que falamos um pouco sobre o sistema fascial? Então, o sistema nervoso utiliza esse sistema para conduzir as ações motoras. A reação do procedimento de contração muscular ocorre devido à combinação de impulsos neurais inibitórios (quando o sinal produzido na membrana pós-sináptica for de hiperpolarização, a ação resultante será inibitória do potencial de ação) e excitatórios (quando o sinal produzido na membrana pós-sináptica for a despolarização, iniciando o potencial de ação), que transmitem estímulos contínuos aos neurônios e determinam seu potencial de ação para a excitação, assim, os impulsos excitatórios se sobressaem aos impulsos inibitórios das fibras musculares, resultando numa contração e estimulando o recrutamento de unidades motoras (são essas unidades funcionais que são responsáveis pelo fenômeno do controle neuromuscular no que diz respeito à parte final de toda a estrutura desse processo) (MAIOR; ALVES, 2003; WILMORE; COSTILL, 2001).

Imagine dois carros, um vermelho e um azul paralelos e em movimento na mesma velocidade, pois recebem a mesma energia, e você tem o poder de apertar um botão para gerar em um desses carros uma energia extra, contudo, em cada

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

carro há uma reação. Enquanto o carro azul ao receber mais energia se torna mais veloz, o carro vermelho ao receber mais energia se torna mais lento. Digamos que a ação excitatória do músculo seja a energia extra no carro azul e que esse botão, para ter efeito, depende de alguns mecanismos, os mecanismos neurais!

O que é uma unidade motora? É um conjunto de elementos funcionais formado por um motoneurônio (neurônios motores) e todas as fibras musculares que ele inerva, assim, essas fibras, de maneira sincronizada, sofrem ativação por um axônio motor, resultando na contração, como podemos ver na figura a seguir.

FIGURA 5 – IMAGEM DE UMA UNIDADE MOTORA

figura a seguir. FIGURA 5 – IMAGEM DE UMA UNIDADE MOTORA FONTE:

FONTE: https://www.saberatualizado.com.br/2016/06/como-explicar- nossos-momentos-de-super.html. Acesso em: 2 jul. 2019.

Existem dois tipos de motoneurônios:

Pequenos: aqueles que inervam poucas fibras musculares, formando unidades motoras capazes de produzir menos força.

Grandes: aqueles que inervam maior quantidade de fibras musculares, formando unidades motoras maiores e mais potentes, consequentemente, gerando mais força.

Como supracitado, essas contrações são comandadas pelo sistema nervoso central através dos mecanismos neurais. Com relação a esses mecanismos, daremos ênfase para o órgão tendinoso de Golgi (OTG) e para os fusos musculares.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício 3.2 MECANISMOS NEURAIS - ÓRGÃO TENDINOSO DE GOLGI (OTG)

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3.2 MECANISMOS NEURAIS - ÓRGÃO TENDINOSO DE GOLGI (OTG)

O órgão tendinoso de Golgi está localizado entre os tendões e as fibras musculares, exatamente onde ocorre essa junção, misturando-se entre as fibras de colágeno que respondem instantaneamente a estímulos de variação do comprimento do músculo, assim como o aumento de tensão, provocando um relaxamento reflexo. Quando os tendões recebem uma carga de tensão extrema, os receptores do órgão tendinoso de Golgi enviam um grande comando de ação para as fibras conducentes do seu nervo sensorial, que seguem para a membrana plasmática da célula muscular desenvolvendo um efeito inibitório nos motoneurônios (que são responsáveis pelo relaxamento do músculo), diminuindo a carga de tensão. O que isso quer dizer? Esse mecanismo é um sistema de proteção reflexo, que atravanca (trava, diminui) a ação muscular, limitando e controlando a contração.

FIGURA 6 – ÓRGÃO TENDINOSO DE GOLGI

a contração. FIGURA 6 – ÓRGÃO TENDINOSO DE GOLGI FONTE: https://www.slideshare.net/dimitryjunior/fundamentos-

FONTE: https://www.slideshare.net/dimitryjunior/fundamentos- da-avaliao-neurolgica. Acesso em: 2 jul. 2019.

É como o papel de um disjuntor no quadro de luz. Para evitar um curto-circuito e uma provável tragédia, ou simplesmente a perda de um eletrodoméstico, o disjuntor, quando recebe uma carga excessiva de eletricidade, desarma, ou seja, ele deixa de ser condutor de energia e a corrente elétrica é cortada, não passando para os eletrodomésticos, tomadas etc. O órgão tendinoso de Golgi é o nosso disjuntor.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

3.3 MECANISMOS NEURAIS - FUSO MUSCULAR

O segundo componente dos mecanismos neurais que temos como ênfase é o fuso muscular. Esses são os receptores de flexibilidade ativos na nossa musculatura, logo, são acionados por qualquer alteração muscular no que diz respeito ao avanço sobre o limiar de extensão. Quando tal fato ocorre, o fuso muscular envia informações sensoriais à medula, que responde de imediato (resposta reflexa). Essa resposta reflexa é transformada em excitação tônica das fibras musculares extrafusais pelos neurônios motores do tipo alfa. É esse fenômeno tônico que permite que um certo nível de tensão permaneça em um músculo mesmo estando em repouso, este acontecimento é conhecido como tônus muscular.

FIGURA 7 – FUSO MUSCULAR

conhecido como tônus muscular. FIGURA 7 – FUSO MUSCULAR FONTE:

FONTE: https://docplayer.com.br/115012146-Aula-2-neurofisiologia- do-movimento.html. Acesso em: 2 jul. 2019.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Além dos neurônios motores do tipo alfa, o tônus

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Além dos neurônios motores do tipo alfa, o tônus muscular também sofre interferência de outro neurônio, localizado na ponta anterior da medula: o neurônio motor tipo gama (ver Figura 9). O que ele faz? Seu axônio é como o cabo USB do carregador de um celular, ele leva a eletricidade da tomada ao telefone, esse cabo é um axônio (ver Figura 5), acompanha o axônio do neurônio motor alfa chegando até o músculo esquelético, fazendo sinapse (sinapse é o local exato onde ocorre a junção entre dois neurônios, ali a atividade elétrica de um influencia a atividade do outro, resultando na sinapse excitatória ou inibitória, como já falamos anteriormente) com a fibra do fuso muscular, contraindo as suas extremidades. Isso ocasiona a diminuição de tensão da região central do fuso, incentivando o reflexo monossináptico (mono = um, ou seja, apenas uma sinapse) elevando a tensão no músculo.

ou seja, apenas uma sinapse) elevando a tensão no músculo. Axônio: é uma parte do neurônio
ou seja, apenas uma sinapse) elevando a tensão no músculo. Axônio: é uma parte do neurônio
ou seja, apenas uma sinapse) elevando a tensão no músculo. Axônio: é uma parte do neurônio

Axônio: é uma parte do neurônio que é responsável pela condução do impulso elétrico do corpo celular até o músculo.

do impulso elétrico do corpo celular até o músculo. FIGURA 8 – IMAGEM DE UMA SINAPSE,
do impulso elétrico do corpo celular até o músculo. FIGURA 8 – IMAGEM DE UMA SINAPSE,

FIGURA 8 – IMAGEM DE UMA SINAPSE, JUNÇÃO ENTRE DOIS NEURÔNIOS

8 – IMAGEM DE UMA SINAPSE, JUNÇÃO ENTRE DOIS NEURÔNIOS FONTE:

FONTE: https://psicoativo.com/2017/01/sinapses-partes-funcoes- e-tipos-de-sinapses.html. Acesso em: 2 jul. 2019.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

Cada fuso muscular é composto por:

Cápsula: bainha de tecido conjuntivo que recobre as fibras intrafusais.

Fibras intrafusais: são fibras musculares que se localizam dentro do fuso muscular.

Fibras aferentes (sensoriais e motoras): fibras que captam a informação e levam para o centro nervoso.

As fibras intrafusais (como o próprio nome já diz “intra” = dentro; interno) se encontram no interior do fuso muscular. Essas fibras não são contráteis e não possuem miofibrilas na sua porção central, contudo, em suas extremidades, contêm fibras que se contraem quando estimuladas pelos neurônios motores, nesse caso, o neurônio motor gama. Um típico fuso muscular é composto por duas fibras de saco nuclear e um número variável de fibras de cadeia nuclear (geralmente, em média, contém cinco).

FIGURA 9 – IMAGEM DE UM SISTEMA NEUROMUSCULAR

cinco). FIGURA 9 – IMAGEM DE UM SISTEMA NEUROMUSCULAR FONTE: https://slideplayer.com.br/slide/363271/. Acesso em:

FONTE: https://slideplayer.com.br/slide/363271/. Acesso em: 2 jul. 2019.

Já as fibras eferentes motoras do tipo gama, que se distribuem nas extremidades contráteis das fibras intrafusais, têm como função o controle do comprimento do músculo, independente do estado em que se encontra (alongado ou encurtado). O encurtamento, nesse caso, ocorre somente nas

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício suas extremidades, onde estão presentes os filamentos de actina

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suas extremidades, onde estão presentes os filamentos de actina e de miosina (proteínas contráteis) que são responsáveis pela ação de encurtamento da linha M durante a contração (a linha M faz parte do sarcômero, localizada em uma região chamada zona H, que é composta exclusivamente por filamentos grossos (miosina), que se encontram entre os filamentos finos (actina)).

Quando acontece a ativação das fibras aferentes, imediatamente a medula recebe essa informação, produzindo uma ação reflexa dos motoneurônios, que dirige a contração com maior força, diminuindo o estímulo de estiramento. Esse sistema de contração é responsável por evitar lesões como a hiperextensão muscular e é conhecido como reflexo do estiramento, pois quando há uma contração muscular, a coativação dos motoneurônios tipo alfa e gama garante a atividade permanente do fuso muscular.

alfa e gama garante a atividade permanente do fuso muscular. Para um entendimento mais específico e
alfa e gama garante a atividade permanente do fuso muscular. Para um entendimento mais específico e
alfa e gama garante a atividade permanente do fuso muscular. Para um entendimento mais específico e

Para um entendimento mais específico e detalhado sobre o sistema nervoso central e mecanismos neuromusculares, consulte os seguintes livros de fisiologia do exercício.

MAIOR, A. S. E.; ALVES. A. A contribuição dos fatores neurais em fases iniciais do treinamento de força muscular: uma revisão bibliográfica. Motriz. Rio Claro, v. 9, n. 3, p. 161-168, 2003.

WILMORE, J. H.; COSTILL, D. L. Fisiologia do esporte e do exercício. 2. ed. São Paulo: Manole, 2001.

esporte e do exercício . 2. ed. São Paulo: Manole, 2001. 3.4 BIOQUÍMICA MUSCULAR Além de
esporte e do exercício . 2. ed. São Paulo: Manole, 2001. 3.4 BIOQUÍMICA MUSCULAR Além de

3.4 BIOQUÍMICA MUSCULAR

Além de todo o funcionamento estrutural comandado pelo sistema nervoso central, há também elementos e substâncias químicas que estão presentes e atuantes em todo o processo, estas são produzidas pelo próprio corpo e/ou oriunda externamente, é por isso que uma alimentação saudável, paralela à hidratação, contribui para a manutenção e o funcionamento do nosso corpo.

Através dessa união (alimentação e hidratação), temos acesso a vários nutrientes e macronutrientes que serão utilizados em todo o processo de funcionamento muscular (e de todos os outros sistemas), um rápido exemplo:

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

o hidrato de carbono (carboidrato) é armazenado nos músculos e no fígado na forma de glicogênio, que é a primeira fonte de energia utilizada durante o exercício, exercendo assim funções, como fonte de energia, preservação das proteínas, ativador metabólico e combustível para o sistema nervoso central. A proteína é um dos nutrientes que desempenha maior número de funções nas células, fazendo parte da estrutura básica dos tecidos e desempenhando funções metabólicas relevantes (transporte de oxigênio etc.). A gordura, apesar de não representar fonte energética determinante durante um momento específico de uma ação, exerce papel essencial no metabolismo (WEINECK, 2000; MORATO,

2016).

Já foi observado, por exemplo, que os atletas que consumiam baixos valores de gordura e altos valores de hidratos de carbono apresentaram maior força muscular e maior velocidade em seus movimentos (WILMORE; COSTILL, 2001; MORATO, 2016). De fato, para todo o mecanismo do corpo funcionar perfeitamente e melhor, há a necessidade de recursos suplementares naturais, simplesmente, uma boa alimentação. Esse tema foi abordado bem superficialmente no intuito de apenas mostrar que há todo um conjunto que faz parte do funcionamento de um simples músculo.

Para todo o mecanismo do corpo funcionar perfeitamente e melhor, há a necessidade de recursos suplementares naturais, simplesmente, uma boa alimentação.

Voltando ao nosso “protagonista”, como dito anteriormente, os músculos são constituídos de fibras, que são compostas por proteínas estruturais. Fazendo um apanhado geral, no caso das miofibrilas, estas são constituídas por proteínas contráteis chamadas actina e miosina. Há nas fibras também a presença de uma proteína semelhante à hemoglobina, a mioglobina, responsável não só pela cor avermelhada do músculo, mas também é responsável pelo transporte do oxigênio para as mitocôndrias. Além disso, as fibras possuem substâncias energéticas, necessárias para o trabalho muscular, como o glicogênio. Como são células com grande atividade metabólica, as fibras musculares apresentam grande quantidade de enzima, íons de cálcio e fosfatos livres.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício FIGURA 10 – EXEMPLO DE MOLÉCULAS DE PROTEÍNAS ACTINA

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

FIGURA 10 – EXEMPLO DE MOLÉCULAS DE PROTEÍNAS ACTINA E MIOSINA E MOLÉCULAS DE PROTEÍNAS REGULADORAS TROPONINA E TROPOMIOSINA

DE PROTEÍNAS REGULADORAS TROPONINA E TROPOMIOSINA FONTE: https://mind42.com/public/4c81972b-0730-4f90-

FONTE: https://mind42.com/public/4c81972b-0730-4f90- 8f6b-895dfe02c23a. Acesso em: 2 jul. 2019.

Quando falamos de porcentagem, 75 a 80% das proteínas miofibrilares são formadas pelas proteínas miosina (50 a 55% das proteínas miofibrilares caracterizam-se por sua grande proporção de aminoácidos carregados (positiva ou negativamente)) e actina (20 a 25%), enquanto o restante é constituído pelas proteínas reguladoras da função muscular, atuando direta ou indiretamente no complexo adenosina trifosfato-actina-miosina. As principais proteínas reguladoras são a tropomiosina e troponina (entre 16 a 20% das proteínas miofibrilares são formadas pela tropomiosina e troponina juntas (que estão associadas ao filamento de actina)). A tropomiosina é responsável pela sensibilidade do sistema actomiosina ao cálcio, que libera a contração, e a troponina é a proteína que recebe esse íon (Figura 10); há ainda as proteínas da linha M (creatina quinase, miomesina e proteína M), α actinina, proteína C e β actinina, que se enquadram também como proteínas reguladoras. Como será apresentado na Figura 11, durante a contração muscular, as cabeças de miosina formam ligações com os filamentos de actina, originando a actomiosina, proporcionando um estado de rigidez e de relativa inextensibilidade muscular. Na fase de relaxamento muscular, essas ligações se rompem, por isso, quando o músculo está em repouso praticamente não existem ligações.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

FIGURA 11 – O MOMENTO EM QUE AS CABEÇAS DE MIOSINA FAZEM LIGAÇÕES COM OS FILAMENTOS DE ACTINA

DE MIOSINA FAZEM LIGAÇÕES COM OS FILAMENTOS DE ACTINA FONTE: https://www.youtube.com/watch?v=j-5959hSHCc. Acesso

FONTE: https://www.youtube.com/watch?v=j-5959hSHCc. Acesso em: 2 jul. 2019.

Assim como um carro precisa de combustível para funcionar, o nosso

músculo também precisa de uma fonte de energia para realizar algumas funções, no caso do processo de contração, a principal fonte de energia usada se

chama adenosina trifosfato, ou simplesmente “ATP”, e é justamente no processo de contração que o músculo necessita de maior quantidade de energia. O mecanismo mais eficiente para a quebra da molécula de ATP consiste numa série de reações decorrentes do metabolismo aeróbico. Estas reações envolvem a glicólise (é a sequência das reações que convertem a glicose em ácido pirúvico, com produção simultânea de ATP) e o ciclo do ácido tricarboxílico. A glicólise é um meio de obtenção rápida de ATP sob condições anaeróbicas.

Sabe quando você resolve dar uma corridinha no fim de tarde ou vai jogar futebol nos fins de semana e durante essas atividades aparecem as câimbras? Então, nesse momento, significa que não está tendo oxigênio suficiente na corrente sanguínea para quebrar as moléculas de ATP e produzir energia suficiente para o seu músculo continuar a funcionar, ao invés disso, seu músculo se encheu de íons de hidrogênio, dando origem final ao lactato.

Quando o músculo contrai rapidamente, o suprimento de oxigênio

torna-se insuficiente para uma nova quebra da molécula de ATP via metabolismo aeróbio, havendo um acúmulo de íons hidrogênio no músculo (ocasionando a produção de ácido lático), permitindo que

a glicólise se processe rapidamente em conjunto à menor produção

de energia e diminuição do pH sanguíneo (aumento de acidez). Esse evento ocasiona a fadiga, que resulta no mal funcionamento muscular,

uma vez que a falta de energia e o acúmulo de acidez fazem com que

o músculo não consiga mais contrair. Para o músculo se recuperar

da fadiga, o ácido lático acumulado é transportado pela corrente

sanguínea até o fígado, no qual é reconvertido em glicose e o ATP então

é novamente produzido através do processo aeróbico normal. Sabe

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício quando você resolve dar uma corridinha no fim de

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

quando você resolve dar uma corridinha no fim de tarde ou vai jogar futebol nos fins de semana e durante essas atividades aparecem as câimbras? Então, nesse momento, significa que não está tendo oxigênio suficiente na corrente sanguínea para quebrar as moléculas de ATP e produzir energia suficiente para o seu músculo continuar a funcionar, ao invés disso, seu músculo se encheu de íons de hidrogênio, dando origem final ao lactato.

FIGURA 12 – EXEMPLO DE ELEMENTOS PARTICIPANTES NA PRODUÇÃO DE ENERGIA MUSCULAR

DE ELEMENTOS PARTICIPANTES NA PRODUÇÃO DE ENERGIA MUSCULAR FONTE:

FONTE: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-obtida-a- energia-que-faz-nosso-corpo-funcionar/. Acesso em: 2 jul. 2019.

No músculo, o glicogênio é metabolizado pela via glicólica. O piruvato é metabolizado no ciclo do ácido tricarboxílico, formando dióxido de carbono e água ou sendo convertido a ácido lático. O ácido lático, o dióxido de carbono e a água são removidos do músculo através da corrente sanguínea (isso mostra a importância de uma boa hidratação). Parte da energia deste metabolismo não é utilizada para a contração muscular e é liberada no músculo na forma de calor para a manutenção da temperatura do corpo. É por esse motivo que alguns métodos de perda de peso muito utilizados, principalmente nos esportes de combates, não são aconselháveis, pois impedem a ação de controle térmico corporal, podendo ocasionar a morte (podemos usar, por exemplo, o ato de treinar de casaco, ou com saco plástico na tentativa irregular de perder peso). O excesso de calor é removido pela corrente sanguínea e é dissipado pela pele e pelos pulmões.

Você conseguiu responder à pergunta que fizemos no início? O que faz um músculo funcionar? Simples: o músculo funciona a partir da ação paralela do sistema nervoso central e da bioquímica muscular. Enquanto um é responsável

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

pelas ações neuromusculares (tipos de estímulo, condução, respostas, contração), o outro é responsável pelo tipo de fonte de energia (elementos (nutrientes) e substâncias químicas ingeridas, produzidas, solicitadas, transportadas) e as vias metabólicas utilizadas.

Conseguimos ter uma breve ideia de como o corpo humano é perfeito, não é? Um sistema complexo, porém, dinâmico, que fornece energia para o funcionamento do músculo.

que fornece energia para o funcionamento do músculo. Para saber mais sobre o sistema energético, leia
que fornece energia para o funcionamento do músculo. Para saber mais sobre o sistema energético, leia

Para saber mais sobre o sistema energético, leia sobre fontes de energias e vias metabólicas em “Fisiologia do exercício”.

e vias metabólicas em “Fisiologia do exercício”. MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L.

MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. Agora que sabemos como funciona e o
humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. Agora que sabemos como funciona e o

Agora que sabemos como funciona e o que faz um músculo funcionar, conheceremos os tipos de músculos existentes.

4 TIPOLOGIA MUSCULAR

Quando falamos de tipologia, nos referimos a vários tipos de alguma coisa, nesse caso, os vários tipos de músculos. Obviamente que o que foi abordado na primeira seção era uma visão mais geral dos papéis e funções do músculo no corpo, contudo, nesta seção, a abordagem será mais específica, pois além de conhecer os tipos de músculos, conheceremos também a função específica de cada um, formas, entre outras informações.

Ao classificar os músculos com relação à localização, encontramos dois tipos, que se expressam na Figura 13.

Superficiais ou cutâneos: estes se encontram bem na superfície logo abaixo da pele e têm pelo menos uma parte inserida na camada profunda da derme. Podemos vê-los na região do crânio e da face e na região das mãos e pescoço, por exemplo, o músculo peitoral.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Profundos ou subaponeuróticos : esses músculos não possuem

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Profundos ou subaponeuróticos: esses músculos não possuem ligações inseridas na parte profunda da derme, porém, são inseridos nos ossos, como o serrátil.

FIGURA 13 – EXEMPLOS DE MÚSCULOS SUPERFICIAIS (ESQUERDA) E PROFUNDOS (DIREITA)

DE MÚSCULOS SUPERFICIAIS (ESQUERDA) E PROFUNDOS (DIREITA) FONTE: https://br.pinterest.com/pin/217861700703189101/.

FONTE: https://br.pinterest.com/pin/217861700703189101/. Acesso em: 2 jul. 2019.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

Já com relação à forma, os músculos se dividem em três tipos, são eles:

FIGURA 14 – FORMAS DOS MÚSCULOS

três tipos, são eles: FIGURA 14 – FORMAS DOS MÚSCULOS FONTE:

FONTE: http://filosonatural.blogspot.com/2017/02/anatomia-musculos- configuracao-externa.html. Acesso em: 2 jul. 2019.

Longos: os músculos mais longos são os superficiais, estes podem ultrapassar duas ou mais articulações, como no caso do músculo sartório, que se localiza na coxa, originando-se na crista ilíaca superior e se inserindo na parte medial da tuberosidade tibial.

Curtos: os músculos curtos são aqueles que se encontram em locais com pouca amplitude articular, porém não quer dizer que sejam fracos ou que não tenham um desempenho importante, os músculos da mão se encaixam nesse exemplo.

Largos: estes são caracterizados por terem um formato laminar (imagine uma massa de pizza logo após ser esticada), encontram-se nas paredes do abdômen e tórax, como o diafragma.

Com

relação

ao

classificados como:

posicionamento

das

fibras,

os

músculos

podem

ser

Reto: paralelo à linha média, como o reto abdominal.

Transverso: perpendicular à linha média, como o transverso abdominal.

Oblíquo: diagonal à linha média, como o oblíquo externo.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício FIGURA 15 – TIPOS DE MÚSCULOS COM RELAÇÃO AO

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

FIGURA 15 – TIPOS DE MÚSCULOS COM RELAÇÃO AO POSICIONAMENTO DE SUAS FIBRAS

DE MÚSCULOS COM RELAÇÃO AO POSICIONAMENTO DE SUAS FIBRAS FONTE: https://blog.queimadiaria.com/contrair-o-abdome-

FONTE: https://blog.queimadiaria.com/contrair-o-abdome- durante-os-exercicios/. Acesso em: 2 jul. 2019.

No que diz respeito às funções, os músculos possuem quatro:

Agonistas: são considerados os músculos principais, responsáveis pela ativação de um movimento específico do corpo, o que produz a ação. Eles se contraem para realizar o movimento desejado, como na execução do exercício “rosca bíceps”, o músculo agonista é o bíceps braquial, pois é o músculo que faz a ação e se contrai.

Antagonistas: são os músculos contrários aos que executam a ação, consequentemente, no momento em que os agonistas se contraem, os antagonistas se alongam. No exemplo anterior, na rosca bíceps, no qual o bíceps braquial é agonista, executando toda a ação e contração, o tríceps braquial faz papel de antagonista, se relaxando. Entretanto, se o trabalho fosse, por exemplo, “tríceps no pulley”, então o tríceps se transforma na musculatura agonista enquanto o bíceps executa um papel antagonista.

Sinergistas: auxiliam na movimentação dos agonistas e/ou antagonistas, fornecendo também a estabilização para uma execução sem riscos indesejáveis durante a ação principal. Ainda usando o exemplo da “rosca bíceps”, o bíceps braquial age como agonista, o tríceps braquial como antagonista e os flexores e extensores do punho exercem uma contração para estabilizar as articulações do cotovelo e do punho.

Fixadores: por fim, os fixadores, que são responsáveis por estabilizar a origem do músculo que executa a ação (antagonista), para este executar o movimento com maior segurança e eficácia.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

FIGURA 16 – EXECUÇÃO DE UMA FLEXÃO DE COTOVELO, APRESENTANDO A FUNÇÃO DE CADA MÚSCULO

DE COTOVELO, APRESENTANDO A FUNÇÃO DE CADA MÚSCULO FONTE: http://blogdescalada.com/musculatura-antagonista-

FONTE: http://blogdescalada.com/musculatura-antagonista- escalada/. Acesso em: 2 jul. 2019.

Enfim, para finalizarmos a tipologia muscular enfatizando de fato os tipos de músculos com relação à estrutura e à função, estes se subdividem em três:

músculo liso, músculo cardíaco e músculo esquelético.

4.1 MÚSCULO LISO

O músculo liso se encontra nas paredes do sistema digestivo, sistema respiratório (vias respiratórias), sistema reprodutor (ductos urinários e genitais), sistema cardiovascular (paredes arteriais, veias e grandes vasos linfáticos) e na pele (ZANELA, 2015). É regulado pelo sistema nervoso autônomo, por hormônios e por situações e condições fisiológicas, logo, não está sobre controle voluntário, ou seja, nós não temos controle sobre essa musculatura (eu não posso escolher a hora em que meu estômago deve digerir algum alimento).

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício FIGURA 17 – IMAGEM DE UM EXEMPLO DE ÓRGÃO

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

FIGURA 17 – IMAGEM DE UM EXEMPLO DE ÓRGÃO COMPOSTO POR MÚSCULO LISO E UM CORTE TRANSVERSAL

DE ÓRGÃO COMPOSTO POR MÚSCULO LISO E UM CORTE TRANSVERSAL FONTE:

FONTE: https://descomplica.com.br/blog/biologia/quais-as-principais- caracteristicas-do-tecido-muscular/. Acesso em: 2 jul. 2019.

Esse tipo de musculatura possui fibras que normalmente são alongadas com as extremidades mais estreitas (Figura 17), contudo variam de forma dependendo de sua localização. Atuam de modo que a parte mais espessa de uma está aplicada sobre as extremidades delgadas de fibras adjacentes. Observando o corte transversal, o músculo liso apresenta contornos que variam de arredondados até triangulares ou poligonais e uma diferenciação considerável em relação ao diâmetro entre as células.

A actina e a miosina estão presentes nas mesmas proporções que no músculo esquelético, porém, não há formação de estrias. As células musculares lisas podem se apresentar isoladas ou em pequenos grupos formando feixes. Independente do jeito que se apresentam, são envolvidas por um tecido conjuntivo que as mantém unidas e que transmite a força de contração simultaneamente. Assemelha-se ao cabeamento de fios elétricos que temos em casa, todos são encapados, essa capa exerce exatamente o papel que o tecido conjuntivo executa nas fibras. Esse mesmo tecido conjuntivo também preenche os espaços que existem entre as fibras, juntamente às fibras nervosas e aos vasos sanguíneos, no entanto, as fibras do músculo liso são menos irrigadas que as do músculo esquelético, que conheceremos mais à frente.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

4.2 MÚSCULO CARDÍACO

Apesar de o músculo cardíaco, no que diz respeito à biomecânica e à cinesiologia, não ter interesse-alvo, entender seu funcionamento e função é essencial, pois esta musculatura é responsável pelo batimento cardíaco e, consequentemente, toda a circulação corporal, que é a máquina que faz tudo funcionar, ou seja, o músculo cardíaco é o motor do carro. O coração é um órgão nobre que tem a capacidade de se adaptar ao tipo de esforço que o indivíduo se submete de acordo com a sua modalidade desportiva ou contextualização diária, com a finalidade de suprir suas necessidades relacionadas ao bombeamento sanguíneo, é por isso que o treinamento intensivo e constante dos atletas instiga adaptações cardiovasculares, contudo, essas adaptações incluem alterações funcionais, estruturais e anatômicas, que podem exceder os valores de referência de uma pessoa normal (PELLICCIA et al., 1999; PELLICCIA et al., 2002; PUFFER, 2002; MORATO, 2016).

1999; PELLICCIA et al ., 2002; PUFFER, 2002; MORATO, 2016). Para ter um conhecimento mais aprofundado
1999; PELLICCIA et al ., 2002; PUFFER, 2002; MORATO, 2016). Para ter um conhecimento mais aprofundado

Para ter um conhecimento mais aprofundado sobre esse tema, sugerimos que busque ler sobre o sistema cardiovascular e cardiorrespiratório geral e aplicado ao exercício.

e cardiorrespiratório geral e aplicado ao exercício. MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L.

MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

ZANELA, C. Fisiologia Humana. Rio de Janeiro: Seses, 2015.

ZANELA, C. Fisiologia Humana . Rio de Janeiro: Seses, 2015. Assim, estruturalmente, o músculo cardíaco apresenta
ZANELA, C. Fisiologia Humana . Rio de Janeiro: Seses, 2015. Assim, estruturalmente, o músculo cardíaco apresenta

Assim, estruturalmente, o músculo cardíaco apresenta uma mistura de características semelhantes às do musculo esquelético e liso e é por isso que a sua especialização é realizar as contínuas e involuntárias contrações necessárias para o bombeamento sanguíneo. As fibras do músculo cardíaco (ou miocárdio) são menores que as fibras do músculo esquelético, há uma quantidade maior de glicogênio em seu sarcoplasma e suas mitocôndrias são maiores e em maior número. Além de todas essas diferenças, as células do miocárdio são compostas por um único núcleo (localizado ao centro) e são ramificadas. Seus miofilamentos se juntam formando várias fibrilas, que variam muito em tamanho, contudo, os filamentos de actina e miosina permanecem alinhados, caracterizando um formato estriado.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício FIGURA 18 – EXEMPLO DE UM MÚSCULO CARDÍACO E

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

FIGURA 18 – EXEMPLO DE UM MÚSCULO CARDÍACO E UM CORTE TRANSVERSAL DE SUAS FIBRAS

UM MÚSCULO CARDÍACO E UM CORTE TRANSVERSAL DE SUAS FIBRAS FONTE:

FONTE: https://descomplica.com.br/blog/biologia/quais-as-principais- caracteristicas-do-tecido-muscular/. Acesso em: 2 jul. 2019.

Outra característica exclusiva do músculo cardíaco é a presença dos discos intercalares, uma espécie de membrana dupla, são junções intercelulares que aparecem como linhas retas ou escalariformes (têm um aspecto de escada), são responsáveis pela manutenção da junção entre as fibras e pela transmissão da tensão das fibrilas ao longo do eixo da fibra de uma unidade celular para a seguinte, ou seja, atuam na sincronia da contração. A distribuição do tecido conjuntivo, vasos e fibras nervosas, é igual à dos músculos esqueléticos e lisos, exceto pelo fato de possuir uma maior rede de capilares sanguíneos, esse fator contribui para o fato de o músculo do miocárdio possuir capacidade maior para o metabolismo oxidativo.

4.3 MÚSCULO ESQUELÉTICO

Este grupo muscular é o que mais nos interessa no que diz respeito à cinesiologia e à biomecânica do movimento aplicado no exercício.

Este grupo muscular é o que mais nos interessa no que diz respeito à cinesiologia e à biomecânica do movimento aplicado no exercício.

Tudo o que já foi falado sobre mecanismos neurais, bioquímica funcional muscular, transportes, execuções, tipos de contração, entre outros temas, se aplica nesse grupo. Não que os outros tipos musculares sejam inferiores e/ou não importantes para a educação física e o exercício, mas, de fato, para esta disciplina, o músculo esquelético é o nosso carro-chefe, afinal é responsável por toda a produção de

movimento. O músculo esquelético é o músculo ligado ao esqueleto.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

4.4 COMPOSIÇÃO FUNCIONAL DA MUSCULATURA ESQUELÉTICA

O músculo esquelético é constituído por dois grandes conjuntos celulares, um especializado na produção da contração, este é composto pelas miofibrilas, e o outro é responsável pela sustentação, composto pelo tecido conjuntivo. Podem ter ligações diretamente aos ossos, às cartilagens, às fáscias e à pele.

O músculo esquelético é constituído por dois grandes conjuntos celulares, um especializado na produção da contração, este é composto pelas miofibrilas, e o outro é responsável pela sustentação, composto pelo tecido conjuntivo.

A estrutura física do músculo esquelético é composta por um conjunto de fibras musculares (miofibrilas), e como dito anteriormente, são células altamente especializadas, longas, cilíndricas e multinucleadas. No músculo, as miofibrilas se agrupam de forma paralela, literalmente como um cabeamento de fios elétricos formando vários feixes de fibras, associados de modos diferentes e variados,

formando, assim, tipos diferentes de músculos. Essas fibras musculares são recobertas por um tecido conjuntivo (sarcolema), porém, dependendo de sua localização, a nomenclatura é alterada. Por exemplo, quando envolve o músculo, esse tecido recebe o nome de epimísio, já os delgados septos, que se estendem para dentro circundando todos os feixes, recebem o nome de perimísio e a rede que recobre as fibras musculares individualmente se chama endomísio. Como podemos observar, todos são tecidos conjuntivos, porém, cada um com um nome específico de acordo com a sua localização. Observe a figura a seguir.

FIGURA 19 – EXEMPLO DE ESTRUTURA DE MÚSCULO ESQUELÉTICO

FIGURA 19 – EXEMPLO DE ESTRUTURA DE MÚSCULO ESQUELÉTICO FONTE: http://fisioterapiafisioex.blogspot.com/2013/05/

FONTE: http://fisioterapiafisioex.blogspot.com/2013/05/ neuromuscular.html. Acesso em: 2 jul. 2019.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício A miofibrila é composta por miofilamentos, que podem ser

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

A miofibrila é composta por miofilamentos, que podem ser finos e grossos. O miofilamento fino é composto pela proteína actina, como observado na seção referente à bioquímica celular, e o grosso, pela proteína miosina. A produção da contração muscular ocorre mediante a interação destes dois. Dois miofilamentos de actina entrelaçados um no outro formam o miofilamento fino. Nos locais em que esses dois filamentos se encontram, forma-se uma espécie de ligação, nessa ligação existe a molécula de proteína chamada troponina, e ocorre a ligação com a molécula de proteína tropomiosina. O cálcio é ativado exatamente pela troponina e tropomiosina, tornando-as elementos essenciais reguladores da contração muscular (ROBERGS; ROBERTS, 2002; WILMORE; COSTILL, 2001).

No entanto, as moléculas de miosina são organizadas formando um longo filamento, o miofilamento grosso, no qual cada molécula possui uma cabeça (uma espécie de alargamento). Essas cabeças de miosina são capazes de se movimentar, ligando-se aos locais onde se encontra a actina (Figura 11), gerando a contração e/ou relaxamento muscular.

FIGURA 20 – ORGANIZAÇÃO DA FIBRA MUSCULAR

muscular. FIGURA 20 – ORGANIZAÇÃO DA FIBRA MUSCULAR FONTE: https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Histologia/

FONTE: https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Histologia/ epitelio22.php. Acesso em: 2 jul. 2019.

Os tendões musculares são originados pela capacidade elástica dos tecidos fasciais (o tecido conjuntivo colagenoso que envolve os músculos), e os

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

componentes elásticos paralelos funcionam como sustentação da fibra muscular. Assim, quanto maior for a porcentagem de colágeno para as fibras elásticas, maior será o número de fibras orientadas na direção do estresse, consequentemente, quanto maior a área transversal do tendão, mais forte ele será. Como dito anteriormente na Seção 2.1 (Tecido Fascial), a sua composição viscoelástica é essencial, correspondendo ao limite de elasticidade.

Existe um momento em que as fibras musculares vão se afunilando, dando origem aos tendões (onde ocorre a transmissão da força), esse local chamamos de região musculotendínea. Ocorre uma redução de até 90% das fibras musculares para que se juntem ao tecido tendíneo, aumentando consideravelmente a tensão através da área de secção transversa, conjuntamente às unidades funcionais contráteis (os sarcômeros), que estão localizados próximo à junção musculotendínea (são normalmente menores), produzindo menor geração de força, porém, aumentando a taxa de contração e diminuição da capacidade de mudança de comprimento. Em cada ponta da fibra muscular há uma grande dobra de sarcolema, que conectada aos terminais de actina do sarcômero e do tecido tendíneo (pela proteína transmembrana), acabam diminuindo o impacto causado pelo sarcômero.

Não podemos falar de tendões sem pensar em flexibilidade muscular, não é? Para um bom entendimento desse fenômeno, é necessária a compreensão do comportamento mecânico do músculo esquelético.

O tecido muscular, por exemplo, é composto por dois elementos, um

contrátil e outro elástico. O elemento contrátil é representado pelo

componente ativo, já mencionado, que é formado pelos miofilamentos de actina

e miosina. O elemento elástico é representado pelo componente passivo,

formado pelo tecido conjuntivo conectivo (endomísio, perimísio e epimísio). Estes elementos resistem à deformação tendínea e muscular no momento que são submetidos a uma força de tração, contribuindo para a diminuição da flexibilidade. As fibras elásticas são compostas por elastina e são capazes de alongar-se até 150%, ou seja, possuem uma grande capacidade de alongamento, diferente das fibras de colágeno (ROBERGS; ROBERTS, 2002; WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016).

As fibras elásticas são compostas por elastina e são capazes de alongar- se até 150%.

Funcionalmente dizendo, as fibras nervosas, assim como os vasos que trazem sangue nutrido e oxigenado ao músculo esquelético, acompanham os septos de tecido conjuntivo a partir do epimísio e vão se ramificando até alcançarem as fibras musculares. As arteríolas e vênulas são conduzidas no sentido transversal em relação às fibras musculares e a maioria dos capilares são direcionados paralelamente ao eixo longitudinal das fibras. Esta organização de funcionalidades e localização permite uma cobertura mais expansiva da superfície da célula para a troca de nutrientes e produtos do metabolismo celular. Como

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício falado anteriormente em Mecanismos Neurais , cada fibra nervosa

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

falado anteriormente em Mecanismos Neurais, cada fibra nervosa pode se ramificar e enervar numerosas fibras musculares, e esse contato ocorre através dos axônios terminais.

e esse contato ocorre através dos axônios terminais. Para um entendimento mais profundo sobre arteríolas e
e esse contato ocorre através dos axônios terminais. Para um entendimento mais profundo sobre arteríolas e
e esse contato ocorre através dos axônios terminais. Para um entendimento mais profundo sobre arteríolas e

Para um entendimento mais profundo sobre arteríolas e vênulas, leia sobre o sistema circulatório nos livros indicados a seguir.

MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

ZANELA, C. Fisiologia Humana. Rio de Janeiro: Seses, 2015.

ZANELA, C. Fisiologia Humana . Rio de Janeiro: Seses, 2015. 4.5 COMO A MUSCULATURA ESQUELÉTICA SE
ZANELA, C. Fisiologia Humana . Rio de Janeiro: Seses, 2015. 4.5 COMO A MUSCULATURA ESQUELÉTICA SE

4.5 COMO A MUSCULATURA ESQUELÉTICA SE COMPORTA?

A irritabilidade, a

O músculo se comporta de acordo com o tipo de estímulo que recebe, a irritabilidade, a contratilidade, a extensibilidade, a elasticidade

extensibilidade, e a capacidade de desenvolver tensão são as propriedades mais

contratilidade, a

elasticidade e

a comuns que determinam o desempenho muscular quando falamos de

a capacidade de

desenvolver tensão

são as propriedades mais comuns que determinam

o desempenho

muscular quando falamos de variação de sobrecarga e velocidade.

variação de sobrecarga e velocidade.

No caso da irritabilidade (ou excitabilidade), esse comportamento se caracteriza pelo fato de o músculo ser capaz de responder a

estímulos vindos de um neurônio motor. A contratilidade, por sua vez, corresponde à capacidade que o músculo tem de gerar tensão ao realizar o seu encurtamento após receber uma estimulação competente. Você sabia que o nosso corpo possui músculos que são capazes de se encurtar dentro de uma amplitude que varia de 50% a 70%?

A extensibilidade é definida pela capacidade que o nosso músculo tem de se alongar além do comprimento de repouso. Paralelo à extensibilidade, a elasticidade se caracteriza pelo fato de a fibra muscular retornar ao seu comprimento de repouso após o término da força de alongamento. Tanto a extensibilidade quanto a elasticidade são estipuladas pela quantidade de tecido conjuntivo presente nos músculos.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

Dependendo do comprimento em que o músculo se encontra no momento em que está recebendo um estímulo, é capaz de produzir, ou não, força (ou tensão). No momento em que o músculo está perto do seu comprimento de repouso, é produzida a força máxima, porém, em uma posição de encurtamento, a força diminui (primeiro lenta e depois mais rapidamente), e quando ocorre um alongamento, a força diminui de maneira progressiva (HAMILL; KNUTZEN, 1999; AMADIO; BARBANTI, 2000; NORDIM; FRANKEL, 2003; KNUDSON, 2007).

4.6 TIPOS DE MÚSCULOS ESQUELÉTICOS COM RELAÇÃO ÀS ARTICULAÇÕES

Um músculo, na maioria das vezes, realiza o movimento de um único segmento (o segmento que o músculo atravessa a articulação). Estes músculos são chamados de monoarticulares, contudo, existe outro tipo de músculo que não se encaixa nesse perfil: os músculos biarticulares ou poliarticulares. Esses músculos atravessam mais de uma articulação, criando um número relativo de movimentos que ocorrem de modo oposto entre si.

A posição corporal e a interação do músculo são influenciadas por algumas variáveis externas no que diz respeito a uma determinada ação, como a superfície em que o membro está apoiado ou o objeto no qual esse membro está fixado. O gasto energético dos músculos monoarticulares é consideravelmente reduzido graças à atuação dos músculos biarticulares, pois estes permitem o trabalho positivo em uma articulação e o negativo em uma outra articulação adjacente.

FIGURA 21 – DOIS EXEMPLOS DE MÚSCULOS MONOARTICULARES E BIARTICULARES

DOIS EXEMPLOS DE MÚSCULOS MONOARTICULARES E BIARTICULARES FONTE:

FONTE: http://virtual.udabol.edu.bo/pluginfile.php/166749/mod_resource/content/1/ WORK%20PAPER%20biomecanica%20del%20musculo.pdf. Acesso em: 2 jul. 2019.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Estes músculos podem apresentar com maior frequência um fenômeno

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Estes músculos podem apresentar com maior frequência um fenômeno

conhecido como insuficiência, que se classifica em ativa e passiva. A insuficiência ativa ocorre quando um músculo atinge um ponto em que não pode mais ser encurtado. Sabe quando, por exemplo, o músculo bíceps braquial realiza uma flexão de cotovelo e acaba realizando também uma flexão de ombro? Então, se tentarmos realizar uma flexão de ombro e cotovelo ao mesmo tempo, ocorrerá

a proximidade de suas inserções, nesse momento o bíceps se encontrará em

insuficiência ativa. Agora, quando um músculo não pode mais ser alongado sem danificar suas fibras, como os músculos isquiotibiais ao realizarem duas ações diferentes em duas articulações, por exemplo a flexão do joelho e a extensão do quadril, se fletimos o quadril com o joelho estendido, os isquiotibiais ficam em insuficiência passiva (NORDIM; FRANKEL, 2003; KNUDSON, 2007).

5 IMPORTÂNCIA DO SISTEMA MUSCULAR PARA O EXERCÍCIO FÍSICO E O ESPORTE

Todo o conteúdo apresentado anteriormente foi uma maneira de apresentar de forma geral e resumida sobre a fisiologia do músculo, suas funções, objetivos, estrutura, funcionamento e classificações, pois é impossível entender como um sistema funciona sem saber alguns detalhes de seus componentes. Ainda nessa perspectiva muscular, todo o assunto apresentado foi com relação a um mecanismo universal de qualquer ser humano, mas quando se trata de migrar esses conhecimentos para pessoas praticantes de exercícios, sejam essas pessoas apenas simples praticantes ou atletas/superatletas, todas essas funções são potencializadas, pois esses indivíduos solicitam desses sistemas funções superiores aos das funções básicas do dia a dia.

Ainda usando o exemplo de um carro (afinal, por que um carro? Porque um carro é uma máquina estruturada e nosso corpo é como se fosse uma), o seu mecanismo estrutural funcional é igual em todos, mas o que diferencia um carro

popular (pessoa convencional) de uma Ferrari (superatleta), são as estruturas e os componentes introduzidos e adaptados. Logo existe uma série de adaptações

e recursos que aumentam e melhoram o desempenho do sistema muscular nos exercícios.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

FIGURA 22 – ESSA IMAGEM SATIRIZA UMA ATLETA COM SUAS ESTRUTURAS TÃO POTENCIALIZADAS A PONTO DE SUPERAR LIMITES HUMANOS

TÃO POTENCIALIZADAS A PONTO DE SUPERAR LIMITES HUMANOS FONTE: http://augusthocesar.blogspot.com/2011/05/

FONTE: http://augusthocesar.blogspot.com/2011/05/ como-treinar.html. Acesso em: 2 jul. 2019.

É uma sequência mais suprida de elementos. Por exemplo: quando o indivíduo pratica exercício físico, o corpo tem que se adaptar, portanto, automaticamente, toda a quantidade nutricional deve ser aumentada, afinal aumenta-se a solicitação de combustível e, consequentemente, o consumo de energia, o coração precisa mandar ainda mais oxigênio e nutrientes para o músculo que, por sua vez, para se adaptar e promover uma execução técnica específica de uma modalidade específica, recebe os estímulos necessários para seguir com um melhor desempenho e eficácia.

Vários estudiosos e investigadores científicos, como Morato (2016), Weineck (1989; 1999; 2000), Willett (1990) e Paiva (2009), aplicam e observam testes em busca de novas descobertas que contribuam para a relação otimização de rendimento com a melhora de desempenho (seja no treino ou em competição) e menores riscos de lesões. Esse processo envolve toda uma estratégia de controle de treino, com suporte nutricional e psicológico, modificando o corpo estrutural e fisiologicamente.

Esse processo envolve toda uma estratégia de controle de treino, com suporte nutricional e psicológico, modificando o corpo estrutural e fisiologicamente.

5.1 AÇÕES MUSCULARES

Qualquer aumento de trabalho requer o aumento de outros componentes, sejam nutricionais ou até de repouso. Através do treinamento, o atleta desenvolve

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício a capacidade de acionar ao mesmo tempo e em

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a capacidade de acionar ao mesmo tempo e em maior número as unidades motoras musculares, gerando uma melhor e maior contração, com certeza possui uma melhor coordenação muscular. Quer um exemplo? Enquanto uma pessoa convencional (não atleta) só consegue colocar em ação ao mesmo tempo uma certa porcentagem de suas fibras musculares ativáveis, os atletas conseguem atingir nitidamente uma porcentagem mais alta e podem atingir até 100% das referências estabelecidas.

Ao praticar um exercício ocorre naturalmente um aumento da solicitação muscular, esse aumento está correlacionado a um desempenho maior da sincronização das unidades motoras, é por isso que se consegue maior velocidade de contração e aumento da capacidade muscular durante a contração. Contudo, essa solicitação das unidades motoras depende do tipo de exercício que está sendo executado, pois nem todas as unidades motoras são solicitadas simultaneamente, isso varia de acordo com o tamanho do seu motoneurônio, que se agrupa estimulando as fibras musculares de acordo com as suas características (fibras do tipo I, IIa e IIb) para realizar a contração.

(fibras do tipo I, IIa e IIb) para realizar a contração. Motoneurônio é um neurônio capaz
(fibras do tipo I, IIa e IIb) para realizar a contração. Motoneurônio é um neurônio capaz
(fibras do tipo I, IIa e IIb) para realizar a contração. Motoneurônio é um neurônio capaz

Motoneurônio é um neurônio capaz de exercer atividade motora em um determinado músculo.

de exercer atividade motora em um determinado músculo. FIGURA 23 – FIBRAS DO TIPO I E
de exercer atividade motora em um determinado músculo. FIGURA 23 – FIBRAS DO TIPO I E

FIGURA 23 – FIBRAS DO TIPO I E DO TIPO II COM SUAS CARACTERÍSTICAS

– FIBRAS DO TIPO I E DO TIPO II COM SUAS CARACTERÍSTICAS FONTE: https://blogpilates.com.br/como-ativar-cada-tipo-

FONTE: https://blogpilates.com.br/como-ativar-cada-tipo- de-fibra-muscular/. Acesso em: 2 jul. 2019.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

As fibras do tipo I são as fibras vermelhas, de contração lenta, as quais usam o oxigênio como principal sistema energético, ou seja, a via aeróbia. São mais resistentes à fadiga e mais requisitadas em exercícios contínuos de grande volume e baixa intensidade, como a natação (fundista) e a corrida (maratona). Já as fibras do tipo II são as fibras brancas, que utilizam como fonte de energia a fosfocreatina e a glicose, ou seja, a via anaeróbia. Possuem como característica a contração rápida, contudo, têm pouca resistência à fadiga. São requisitadas em atividades explosivas e com alta intensidade, como a musculação ou esportes de combates.

Durante o exercício ocorrem vários estímulos externos. Estes estímulos produzem impulsos nervosos que são recebidos pelas unidades motoras, que a partir dessas informações definem que tipo de contração e relaxamento será realizado, ou seja, quanto maior for o impulso nervoso produzido por esses estímulos, maior será a quantidade de unidades motoras solicitadas para a contração muscular (de acordo com o tipo de fibras). Quando as pessoas se inscrevem em uma academia e procuram obter ganho de massa muscular, aumentando seu volume, querem ter ênfase em hipertrofia. Fisiologicamente, o que ocorre no músculo é a ativação de todas as unidades motoras, produzindo força máxima (isso ocorre devido à soma de unidades motoras múltiplas), gerando ganho de força e, em alguns casos, sem alteração na área de secção transversa da musculatura (ROBERGS; ROBERTS, 2002; WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016; POWERS; HOWLEY, 2009; PEREIRA; SOUZA JÚNIOR, 2004).

Os exercícios apresentam uma resistência (externa) aos músculos que, por sua vez, enviam ao cérebro essas informações, solicitando às unidades motoras a produção de tensão muscular (tensão essa de acordo com a atividade proposta). Diante disso, ocorre a produção da força muscular, ou torque, sobre as articulações, ocorrendo a produção do movimento para suportar a sobrecarga. Isso significa que as ações musculares, sejam elas quais forem, dependem do nível de estimulação e da força desenvolvida pelo músculo diante da resistência imposta a ele. Além de gerar o movimento, os músculos também podem trabalhar como estabilizadores, contribuindo para um movimento específico em uma articulação adjacente. Essas ações musculares são as contrações musculares. Dentre os tipos de contração muscular, podemos listar dois (exemplificados na Figura 24):

Contração isotônica: quando a tensão muscular ocorre em graus diferentes, promovendo a mudança dos ângulos articulares. Esta se subdivide em duas:

o

Contração concêntrica: efetua uma ação mais concentrada, ou

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício seja, há um encurtamento muscular provocando uma tração em

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seja, há um encurtamento muscular provocando uma tração em outra estrutura, reduzindo o ângulo de uma articulação e aproximando uma extremidade de outra, como na flexão de cotovelo, onde o ângulo é diminuído devido à contração do bíceps braquial, aproximando a extremidade da mão à extremidade do ombro. o Contração excêntrica: quando aumenta o comprimento total do músculo durante a contração. Usando o exemplo anterior, é quando a flexão do cotovelo muda para a fase de extensão e há um alongamento do bíceps braquial com uma leve contração para segurar a volta do movimento.

Contração isométrica: ocorre quando é gerada uma tensão muscular sem movimento, geralmente quando se sustenta algum objeto ou um próprio membro em uma certa posição no ar, também tem como objetivo estabilizar as articulações enquanto outras são movidas.

Ainda com o exemplo da flexão de cotovelo, quando ocorre a contração muscular na flexão ou extensão, a contração isométrica ocorrerá no momento em que o indivíduo parar no meio do movimento, sustentando o peso.

FIGURA 24 – OS TIPOS DE CONTRAÇÕES, SENDO RESPECTIVAMENTE:

ISOTÔNICA CONCÊNTRICA, ISOTÔNICA EXCÊNTRICA E ISOMÉTRICA

CONCÊNTRICA, ISOTÔNICA EXCÊNTRICA E ISOMÉTRICA FONTE:

FONTE: http://cinesiologiaemfisioerapia.blogspot.com/2012/02/ miologia-o-que-sao-os-musculos.html. Acesso em: 2 jul. 2019.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR
Capítulo 1 SISTEMA MUSCULAR 1 Vamos fazer uma pequena investigação seguida de uma análise? Faremos de
Capítulo 1 SISTEMA MUSCULAR 1 Vamos fazer uma pequena investigação seguida de uma análise? Faremos de

1 Vamos fazer uma pequena investigação seguida de uma análise? Faremos de duas formas: primeiro você buscará em qualquer site que contenha vídeos, uma execução de algum movimento simples (exceto flexão e extensão de cotovelo) e, ao observar o vídeo, tente identificar qual músculo está realizando a contração concêntrica e qual está realizando a contração excêntrica (se necessário busque outro vídeo em que ocorra a contração isométrica). Após essa análise, observe outra execução de movimento, porém em você mesmo ou em outra pessoa, e faça o mesmo procedimento analítico (nesse caso, se houver dúvidas sobre o acerto, busque novamente em vídeos o movimento proposto e certifique-se).

novamente em vídeos o movimento proposto e certifique-se). No que diz respeito ao consumo de energia
novamente em vídeos o movimento proposto e certifique-se). No que diz respeito ao consumo de energia
novamente em vídeos o movimento proposto e certifique-se). No que diz respeito ao consumo de energia

No que diz respeito ao consumo de energia e à produção de força, essas ações musculares são muito diferentes. No caso da contração excêntrica, ela é capaz de gerar a mesma força ou até maior que os outros dois tipos de ações musculares, realizando a solicitação de um menor número de fibras. Isso ocorre no nível do sarcômero. Já a contração concêntrica possui uma capacidade menor de produzir força por conta da diminuição do número de pontes cruzadas formadas com o aumento da velocidade de contração. Essa diferença de força gerada que ocorre entre as contrações excêntricas e concêntricas é consequência das ações que geram movimentos verticais, pois a produção de força, nesse caso, é influenciada por torques desenvolvidos pela ação gravitacional, como em um trabalho de agachamento. Nesse movimento existe um torque imposto pela força gravitacional (torque descendente) paralelo à ação excêntrica do músculo.

Além das contrações mencionadas, existem ainda mais dois tipos que são importantes para o nosso conhecimento: a contração isocinética e a isoinercial. A contração muscular isocinética é a contração dinâmica, caracteriza- se pela velocidade do movimento, que se mantém constante, associada a uma sobrecarga muscular, oriunda de um equipamento específico, como nos exercícios de musculação. Essa contração também favorece a resistência muscular. Já a contração isoinercial é uma resistência em que o músculo se contrai constantemente (HAMILL; KNUTZEN, 1999; AMADIO; BARBANTI, 2000; NORDIM; FRANKEL, 2003; KNUDSON, 2007).

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício 5.2 VARIÁVEIS QUE INTERFEREM NA FORÇA MUSCULAR O entendimento

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

5.2 VARIÁVEIS QUE INTERFEREM NA FORÇA MUSCULAR

O entendimento e a compreensão dessas relações de fato contribuem para um treinamento mais específico, otimizando resultados e aumentando o desempenho.

Há várias variáveis (controláveis ou não), que podem interferir de maneira positiva e/ou negativa na produção de força muscular. Essas variáveis podem ser oriundas de fatores internos ou externos. Nesta seção, denotaremos algumas das correlações mais importantes a respeito da correlação força e mecânica do movimento, como a área do corte transversal muscular; o ângulo de inserção muscular; a correlação comprimento x tensão, força x velocidade, excêntrico x concêntrico e tempo x tensão. O entendimento e a compreensão dessas relações de fato contribuem para um treinamento mais específico, otimizando resultados e aumentando o desempenho.

Em vários momentos desse capítulo o nome “área transversa do músculo” foi citado, mas enfim, o que ela é? Simples, podemos dizer que é a porção inteira de um músculo (exatamente uma visão transversa) com os seus componentes, onde podemos ter uma ideia de dimensão, espessura, largura, como se pôde observar na Figura 3. Isso significa que quanto maior essa seção, maior volume terá o músculo, maior tamanho, não em relação ao comprimento, mas em espessura, consequentemente, maior força. Imagine um pedaço de carne, essa carne é retangular, se fizer um corte em bife seguindo seu comprimento teremos uma visão longitudinal, já para ter um corte transversal, teríamos que tornar esse retângulo em dois quadrados, consequentemente, teremos uma visão da secção transversa dessa carne.

A produção de valências, como a força e a velocidade muscular, podem ser determinadas de acordo com a arquitetura muscular. A área de corte transversal de uma fibra depende do grau de separação, inclinação ou dispersão do sarcômero, que admite mudanças na velocidade de encurtamento do músculo, por isso, quanto maior separação (volume) ou área de corte transversal fisiológica, maior capacidade de gerar força, contudo, com perda na velocidade de contração. As fibras longas paralelamente exibem uma área de trabalho mais extensa, gerando maior amplitude de movimento e velocidade de contração.

A aproximação e o afastamento de um osso com relação à articulação dependem da estabilização ou desestabilização de um músculo em relação ao segmento proposto, realizada pelo ângulo em que este se insere, ou seja, dependendo do ângulo que ocorrer uma inserção muscular, esta pode promover a estabilização ou o inverso de um segmento. Usando mais uma vez o movimento de extensão e flexão de cotovelo como exemplo, quando o ângulo do tendão for

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

reto sobre o osso, a força muscular é direcionada ao longo da extensão do osso e para dentro da articulação, já para ocorrer a flexão, é necessário que ocorra uma força ainda maior para realizar o movimento dos segmentos em torno da articulação, promovendo a estabilização articular no momento em que ocorre o deslocamento do antebraço na direção do cotovelo.

Os componentes “rotatórios” e “de deslizamentos” são dois constituintes da

força, que independentemente de qualquer tensão muscular ocorrente durante o movimento, sempre vão variar de acordo com o ângulo de inserção do músculo.

O primeiro age de forma perpendicular ao eixo longitudinal do segmento e é

responsável pelo torque, permitindo o movimento rotacional do segmento em torno da articulação, e o segundo está associado à força muscular, atuante paralelamente ao eixo longitudinal do segmento.

O resultado da relação entre comprimento e tensão dos sarcômeros dará

origem ao tipo de tensão proporcionada pela fibra muscular. Como supracitado,

a contração e/ou o encurtamento muscular são provocados pelas proteínas

contráteis do sarcômero, devido a estímulos enviados pelo sistema nervoso. Nesse processo estão envolvidos as proteínas estruturais e os tecidos conjuntivos não contráteis que estão por fora das células musculares (epimísio, perimísio e endomísio) e são os componentes elásticos paralelos (tecidos que repousam paralelamente às fibras ativas, como o perimísio) e seriados (estruturas que repousam alinhadas em série com as proteínas ativas, como os tendões) do músculo.

O estiramento muscular resulta em um alongamento dos componentes

elásticos paralelos e seriados, gerando uma curva de tensão passiva (essa

tensão é produzida pela força elástica dos tendões ou pelas proteínas estruturais), que é uma parte importante da capacidade de geração de força da unidade musculotendínea. Essa tensão passiva é essencial para os músculos

estirados, pois estes realizam a movimentação e a estabilização das articulações contra as forças gravitacionais.

Esse é um dos princípios básicos da musculação, no qual por segurança e por eficácia em resultado, usamos a velocidade de execução do movimento de acordo com a sobrecarga imposta, ou seja, quanto maior a carga, menor a velocidade e vice-versa.

Sobre a correlação força x velocidade, podemos dizer que o tipo de ação do músculo que definirá essa relação. Por exemplo, na ação

concêntrica, ocorre a diminuição da força simultaneamente ao aumento

da velocidade. Quando chega em um momento em que a velocidade é

zero, ocorre o alcance à força máxima, porém, vale ressaltar que o modo inverso também pode ocorrer, ou seja, quanto maior a força, menor a velocidade e quanto maior velocidade significa que há uma força menor. Vale ressaltar que esse é um dos princípios básicos da musculação, no qual por segurança e por eficácia em resultado, usamos a velocidade de

execução do movimento de acordo com a sobrecarga imposta, ou seja,

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício quanto maior a carga, menor a velocidade e vice-versa.

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quanto maior a carga, menor a velocidade e vice-versa. No momento em que aumentamos a carga e, consequentemente, reduzimos a velocidade, produzimos também uma potência maior, por isso, a potência é resultado da força pela velocidade.

Já nas ações realizadas pelos grupos musculares antagonistas (ações excêntricas), ocorre o aumento da tensão muscular com a velocidade de alongamento, exatamente pelo fato desses músculos estarem sofrendo um alongamento durante a contração.

Há alguns detalhes bem específicos sobre o trabalho das fibras (rápidas

e lentas) com relação a sua participação no efeito de pré-alongamento e na

modificação da tensão depois de um certo tempo de alongamento. No ciclo que envolve o alongamento e o encurtamento muscular, ocorre um aumento de tensão devido ao acúmulo de energia potencial elástica. Esse acúmulo acontece no componente elástico, logo, toda essa energia armazenada será recuperada após uma contração de tempo razoável (esta gira em torno de 0,9 segundo) e logo em seguida será novamente utilizada no movimento oposto. Semelhante ao funcionamento de uma mola, algumas estruturas musculares devolvem essa energia acumulada, contudo, se ocorre um período de tempo significativo de alongamento muscular, essa energia elástica acumulada se perderá por meio da produção de calor e perderá seu papel efetivo de contribuição para o movimento oposto.

Pliometria, que é um protocolo de exercício que tem como objetivo utilizar a maior quantidade de músculos possíveis em movimentos explosivos.

Há uma técnica muito conhecida que contribui para que haja um aumento no desempenho da ação muscular concêntrica, ela se caracteriza por um pré-alongamento muscular com uma pequena amplitude em um curto período de tempo, o que contribui principalmente com relação ao retorno da energia elástica e ao aumento da ativação muscular. Consequentemente, essa ação acelera a capacidade de receber maior retorno da energia absorvida durante a ação excêntrica. Neste caso, o músculo sofre um rápido alongamento (que se caracteriza

como uma ação excêntrica) e logo em seguida sofre uma ação concêntrica no final do alongamento. Esta técnica se chama pliometria, que é um protocolo de exercício que tem como objetivo utilizar a maior quantidade de músculos possíveis em movimentos explosivos.

Sobre a correlação entre tempo e tensão, podemos dizer que quanto maior

o tempo de duração de uma contração, maior será a sua produção de força

até chegar ao ponto de tensão máxima, ou seja, toda tensão é proporcional ao tempo de contração. Logo, uma contração mais lenta produzirá maior força que uma contração mais rápida, fisiologicamente isso deve-se ao fato de haver um

tempo maior disponível para que a força produzida seja levada aos elementos

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
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elásticos e aos tendões (HAMILL; KNUTZEN, 1999; AMADIO; BARBANTI, 2000; NORDIM; FRANKEL, 2003; HALL, 2003; KNUDSON, 2007; MAIOR; ALVES, 2003; ABERNETHY, 1994; CARROLL; RIEK; CARLSON, 2001).

5.3 EFEITOS DO TREINAMENTO NO SISTEMA MUSCULAR

Como abordado na Seção 3.4 (Bioquímica Muscular), o treinamento esportivo potencializa um sistema realizando uma adaptação de todo um conjunto de processos relacionados aos mecanismos de produção de energia, síntese proteica e vias metabólicas, que provocam a síntese de substratos para a liberação de ATP até chegar na contração muscular. Por isso, para melhorar ainda mais algumas capacidades físicas, como força e potência, é preciso que haja alterações na quantidade das atividades de determinadas proteínas estruturais específicas (regulatórias ou de transporte), no qual esse acréscimo se resulta através das repetidas sessões de treino, por isso, na musculação, dependendo

de seu objetivo, há toda uma ciência na elaboração do treinamento, envolvendo número de séries, repetições e carga. Não há treinamentos que promovam apenas adaptações neurais sem as musculares, nem morfológicas (composição corporal) sem as funcionais (capacidades biomotoras) (VOLEK et al., 2006; AUCOUTURIER; BAKER; DUCHÉ, 2008; ARAÚJO; MENÓIA, 2008; ROBERGS; ROBERTS, 2002; WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE; KATCH; KATCH, 2016).

Não há treinamentos que promovam apenas adaptações neurais sem as musculares, nem morfológicas (composição corporal) sem as funcionais (capacidades biomotoras)

corporal) sem as funcionais (capacidades biomotoras) 1 Propomos a você um pequeno desafio: durante a leitura
corporal) sem as funcionais (capacidades biomotoras) 1 Propomos a você um pequeno desafio: durante a leitura

1 Propomos a você um pequeno desafio: durante a leitura desta seção e somente com relação ao conteúdo nela apresentado, enumere em um papel os efeitos do treinamento no sistema muscular, no final, compare com o resultado apresentado e verifique se estão de acordo e/ou fazendo parte das informações expostas; se faltou ou não alguma colocação e se há algum efeito mencionado no texto que não foi apontado.

há algum efeito mencionado no texto que não foi apontado. Quando comparamos um atleta a uma
há algum efeito mencionado no texto que não foi apontado. Quando comparamos um atleta a uma
há algum efeito mencionado no texto que não foi apontado. Quando comparamos um atleta a uma

Quando comparamos um atleta a uma pessoa normal, ou a um praticante de esporte amador, as primeiras características observadas são estruturais e em

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício seguida fisiológicas direcionadas à performance, à capacidade de

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seguida fisiológicas direcionadas à performance, à capacidade de fazer e realizar algumas façanhas que nenhuma pessoa convencional (não atleta) conseguiria. Para realizar tais façanhas, o indivíduo se submete a diferentes e contínuas cargas de treinamento (gerais e específicas) para cada valência que necessita, somando à particularidade da modalidade. O nosso corpo tem a capacidade de se adaptar à realidade do atleta e a sua modalidade para suprir as necessidades para melhorar ainda mais o seu desempenho. O músculo cardíaco modifica a sua estrutura com essa finalidade, essa adaptação é conhecida como coração de atleta.

O coração é um dos órgãos que modifica a sua estrutura devido ao exercício imposto para suprir a necessidade do corpo em receber maior quantidade de sangue nutrido.

FIGURA 25 – NA ESQUERDA DENOTA-SE UM CORAÇÃO NORMAL, NA DIREITA UM CORAÇÃO DE ATLETA COM HIPERTROFIA NO VENTRÍCULO ESQUERDO

CORAÇÃO DE ATLETA COM HIPERTROFIA NO VENTRÍCULO ESQUERDO FONTE:

FONTE: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/left-ventricular- hypertrophy/symptoms-causes/syc-20374314. Acesso em: 2 jul. 2019.

Dois tipos de exercícios podem alterar a estrutura do coração e de outros elementos corporais, os exercícios dinâmicos (no qual existe um maior número de grupamentos musculares em ação aumentando o consumo de oxigênio e o débito cardíaco, sobrecarregando o volume no ventrículo esquerdo, causando o alargamento e a hipertrofia) e os exercícios estáticos (no qual a via metabólica que predomina é a anaeróbia, explosiva, causando uma sobrecarga de pressão

Capítulo 1

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sanguínea no coração, aumentando especificamente a sua massa muscular sem o aumento do volume). Em prática, quase todos os esportes relacionam os dois tipos de exercício, por isso ocorre um aumento das dimensões das estruturas cardíacas acompanhada de hipertrofia simétrica. Essa constante exposição a sobrecargas resulta em alterações no automatismo cardíaco como: bradicardia de repouso e alteração de condução atrioventricular, despolarização e repolarização ventricular.

Os esportes de combates e esportes com levantamentos de peso apresentam uma grande sobrecarga de pressão, resultando numa hipertrofia cardíaca, ao contrário de modalidades esportivas, como corrida e ciclismo de longa duração, no qual há maior sobrecarga de volume, além de ocorrerem a hipertrofia e a dilatação. No caso do fisiculturismo, é comum encontrar tal hipertrofia do ventrículo esquerdo oriunda do treinamento de força, já em atletas de endurance adultos, essas respostas são caracterizadas por uma lentidão anormal na frequência cardíaca de repouso, expansão e hipertrofia do ventrículo esquerdo (MCCALL et al., 1996; PELLICCIA et al., 1999; 2002; PUFFER, 2002; PAVLIK et al., 2010; MORATO, 2016).

O sistema nervoso central pode se adaptar para melhorar sua função recrutando grandes quantidades de unidades motoras, afetando diretamente o número de fibras, o conteúdo de ATPase (enzima fornecedora de energia), a miosina e a densidade capilar. Por exemplo, em exercícios de força pura ou de potência muscular (musculação) ocorrem alterações na expressão genética da ATPase, nos componentes estruturais da miosina e na função contrátil da miosina em fibras musculares específicas. A velocidade de contração é uma das alterações provenientes das alterações na função contrátil da miosina, fornecendo ação específica para cada modalidade ou estímulo externo (a proporção de solicitação de fibras musculares rápidas (tipo IIa e IIb) não é alterada).

Já em exercícios de resistência muscular (corrida), o número de vasos capilares sofre um considerável aumento quantitativo por cada área da secção transversa muscular, aumentando também a densidade capilar ao redor das fibras vermelhas (tipo I, de contração lenta e com grande potencial aeróbio). No treinamento de resistência aeróbia (exercícios de longa duração com maior utilização de oxigênio), ocorre também um aumento da densidade capilar, elevando consideravelmente o fluxo sanguíneo das fibras musculares em atividade, fornecendo mais oxigênio para as fibras musculares tipo I e tipo IIa, (devido à integração das vias metabólicas, esses novos vasos capilares não podem estar associados somente às fibras musculares do tipo I). A oxigenação das fibras musculares do tipo IIa, acaba servindo como substrato, aumentando a capacidade da respiração mitocondrial desse tipo de fibra.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Seguindo essa premissa, podemos afirmar que quanto mais e

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Seguindo essa premissa, podemos afirmar que quanto mais e melhor se estimula corretamente o sistema neuromuscular, ocorrem melhores resultados com relação a adaptações aos exercícios físicos e ao treinamento, alcançando um melhor desempenho motor para uma ação específica, paralelo à melhor atuação das demandas metabólicas e neuromotoras, obtendo o aumento da força, a hipertrofia e a hiperplasia.

5.4 FENÔMENO DA HIPERTROFIA E HIPERPLASIA

A hipertrofia basicamente é caracterizada pelo aumento do volume muscular, isso pode ser observado visualmente porque há de fato um aumento na secção transversa do músculo, essa é a principal adaptação que ocorre devido ao treinamento constante de força. A hiperplasia se caracteriza pelo fato de ocorrer o aumento das dimensões das fibras e/ou o aumento da quantidade de células musculares, isso ocorre devido à capacidade máxima de produção de força muscular, que surge a partir do trabalho de hipertrofia, ou seja, a hipertrofia favorece o desenvolvimento da hiperplasia, contudo, alguns estudiosos apresentam que o fenômeno da hipertrofia está associado diretamente ao aumento da área de secção transversa e não à hiperplasia. É como se fizéssemos uma massa de pão (músculo), e usamos o fermento (hipertrofia) para essa massa crescer, consequentemente, o fermento também produz um sabor (hiperplasia) ao pão, porém esse sabor não interfere no crescimento da massa.

FIGURA 26 – DIFERENÇA ENTRE CÉLULAS MUSCULARES NORMAIS, HIPERTROFIADAS E HIPERPLASIADAS

CÉLULAS MUSCULARES NORMAIS, HIPERTROFIADAS E HIPERPLASIADAS FONTE:

FONTE: https://theartofmed.wordpress.com/2015/05/23/cellular- adaptation-to-stress/#more-12. Acesso em: 2 jul. 2019.

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

No que diz respeito ao aumento por área de secção transversa, o aumento do número de miofibrilas e de filamentos de actina e miosina contribui para o desenvolvimento da hipertrofia, pois quanto maior a quantidade de miofibrilas e filamentos, maior a quantidade de pontes cruzadas para a produção de força durante a contração máxima muscular. Além disso, há também o fator “aumento da síntese de proteínas musculares”, pois dependendo da necessidade do corpo em relação à realização de algum exercício, o conteúdo proteico no músculo se encontra em um estado de fluxo contínuo e as proteínas são sintetizadas e degradadas sem interrupção.

FIGURA 27 – DIFERENÇA ENTRE UMA MUSCULATURA NORMAL E HIPERTROFIADA, RESPECTIVAMENTE

UMA MUSCULATURA NORMAL E HIPERTROFIADA, RESPECTIVAMENTE FONTE: https://vocemaisaudavel.wordpress.com/2014/05/21/

FONTE: https://vocemaisaudavel.wordpress.com/2014/05/21/ hipertrofia-muscular-o-que-e/. Acesso em: 2 jul. 2019.

A capacidade de gerar maior força e potência muscular é uma das características funcionais morfológicas de um músculo que sofreu hipertrofia. Por isso podemos notar que, em indivíduos iniciantes em algumas atividades físicas, como na musculação, o ganho de força é perceptível logo na fase inicial do treinamento (esses aumentos podem ser atribuídos à melhora na solicitação das unidades motoras devido ao aumento das atividades neurológicas). O hormônio masculino produzido e secretado por células intersticiais nos testículos (hormônio testosterona), também é um agente que contribui no processo de hipertrofia. Não é incomum encontrar mulheres que frequentam academias e que utilizam recursos suplementares anabólicos para aumentar seu ganho de massa muscular, no entanto, elas apresentam algumas características masculinas, obviamente esses suplementos contêm hormônios masculinos facilitadores de ganho de massa muscular (BILLAT, 2002; BOGDANIS, 2012; WEINECK, 1989; 1999; HALL, 2003; MCCALL et al., 1996).

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Saindo um pouco da parte biomecânica, porém fazendo um

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Saindo um pouco da parte biomecânica, porém fazendo um importante e breve ressalto, devido aos efeitos do exercício físico não só no sistema muscular, mas em todos os sistemas corporais, que acabam sofrendo uma grande melhora em seu desempenho funcional, assim como no âmbito psicológico. Essas atividades, sendo orientadas por um profissional qualificado, consequentemente contribuem para a manutenção da saúde do indivíduo paralelo à prevenção de lesões, fatores como esses transformam o exercício físico em tratamento não medicamentoso.

Então, fez suas anotações? A seguir, os efeitos causados pelo treinamento

no sistema muscular descrito nessa seção, confira:

• Potencialização do sistema bioquímico muscular.

• Aumento das estruturas cardíacas.

• O recrutamento de grandes quantidades de unidades motoras.

• Aumento quantitativo e da densidade dos valos capilares.

• Maior desempenho motor.

• Maior demanda metabólica.

• Hipertrofia e hiperplasia.

• Menor risco de lesões.

Está correto? Ou será que faltou algum?

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Para um bom entendimento funcional de qualquer coisa, precisamos seguir toda uma progressão pedagógica, ou seja, começar da origem de algo até o bem final.

A biomecânica e a cinesiologia estudam e observam o movimento do corpo, seja com o olhar científico ou simplesmente funcional, porém, para essas análises serem observadas e estudadas, precisamos de fato entender como os elementos desse fenômeno funcionam e, para isso, saber toda a sua composição e os mecanismos de ação. Depois dessas concepções, entendendo que o básico é aplicado em qualquer ser humano, temos que ter a capacidade de transferir esses conhecimentos para o público praticante de exercício, com o entendimento de potencialização de todas as funções.

do

movimento em si, tivemos acesso a um dos componentes principais para

a produção do movimento: o músculo. Iniciamos com a definição sobre o

Baseado

nessa

concepção,

antes

de

avançarmos

para

o

estudo

Capítulo 1

SISTEMA MUSCULAR
SISTEMA MUSCULAR

músculo, quais os componentes que o formam, apresentando de maneira geral suas principais funções para o corpo humano e seus grupos pelo corpo. Foi apresentado também que o músculo não funciona sozinho.

Em seguida, falamos sobre o que faz um músculo funcionar e tivemos acesso

a todo um sistema que envolve a parte neuromotora, os mecanismos neurais

com o papel dos neurônios motores, as ativações e os elementos que realizam essas ativações e comunicações com o sistema nervoso central, assim como a parte bioquímica, que envolve todo um processo de sistemas energéticos, com fontes de energias, vias metabólicas, como essa energia é liberada, transportada, utilizada e os efeitos que causa no desempenho muscular.

Tivemos acesso aos tipos de músculos em diversas características, como com relação as suas formas, sua localização, seus nomes com relação à posição de suas fibras, ao tipo de contração e, por fim, seu tipo em geral, no qual, para o nosso estudo, se destaca a musculatura esquelética.

Por fim, destacamos a importância dos músculos para o exercício e o esporte. Foram abordadas as ações musculares, as variáveis que influenciam

a força muscular e os efeitos do treinamento em nosso corpo. Paralelo a isso,

mostrou-se a diferença de uma pessoa não atleta para um atleta, a diferença estrutural e funcional dos sistemas corporais devido a uma potencialização de ações e nutrição e, consequentemente, os benefícios que o exercício traz para esses sistemas.

De fato, o mais importante a ser denotado é sabermos o porquê de os atletas de elite cometerem façanhas que uma pessoa não atleta não tem condições de realizar. Vimos na essência do funcionamento geral do sistema muscular o que precisa ser feito para todo o processo funcionar buscando a melhor eficácia. Entendemos como é complexo, porém sistemático e adaptável à realidade do sujeito, isso significa que, um treinador que possui essas informações tem uma maior possibilidade de desenvolver em seu atleta vantagens com relação ao desempenho estrutural, funcional e fisiológico do seu corpo.

Um treinador que possui essas informações tem uma maior possibilidade de desenvolver em seu atleta vantagens com relação ao desempenho estrutural, funcional e fisiológico do seu corpo.

Foram apresentados em conjunto vários sistemas que atuam paralelos ao sistema muscular, estes foram devidamente apontados. Foram indicadas também as possíveis áreas que devem ser pesquisadas para um entendimento mais detalhado. Após toda essa abordagem, podemos iniciar o próximo capítulo, que se dedica especificamente à cinesiologia.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício REFERÊNCIAS ABERNETHY, P. J. et al . Acute and

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

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SISTEMA MUSCULAR
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Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício 60

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

CAPÍTULO 2

CINESIOLOGIA

C APÍTULO 2 CINESIOLOGIA A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes

A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem:

Saber: o aluno conhecerá como funciona o movimento humano especificamente aplicado no exercício e no esporte, seus conceitos e os principais grupos musculares.

Fazer: o aluno analisará cientificamente um determinado movimento, sabendo exatamente quais e que tipos de músculos fizeram parte, seu trabalho e que tipo de ação foi executada.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício 62

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Capítulo 2

CINESIOLOGIA
CINESIOLOGIA

1 CONTEXTUALIZAÇÃO

No primeiro capítulo deste livro, tivemos acesso ao sistema muscular, no qual entender esse sistema e conhecer toda a sua estrutura e funcionamento é essencial para darmos o próximo passo, que é compreender a cinesiologia. A cinesiologia é uma área que não trabalha sozinha, é uma área multidisciplinar científica, que envolve anatomia, fisiologia, biomecânica e outras subáreas que envolvem o movimento do corpo humano.

Este capítulo tratará deste assunto, colocando em questão sua definição e a importância de seu estudo, como aplicá-la no exercício e no esporte, apresentará sua funcionalidade muscular e suas variações de posicionamento muscular com uma visão mais científica e analítica.

Atualmente, o conhecimento cinesiológico está muito além da área de conhecimentos fundamentais e básicos, há uma valorização mais considerável e respeitosa dessa área, pois seu conhecimento e domínio é necessário para uma aplicabilidade correta na execução de movimentos simples e complexos, seja na vida cotidiana ou na busca de melhor eficácia gestual de um atleta.

Um exemplo bem breve dessa importância e valorização, ressaltando que a cinesiologia se aplica em todas as áreas esportivas, é o trabalho de Personal Training, pois obviamente que a execução correta de um movimento gera um melhor resultado, com maior rapidez e com menor risco de lesão, portanto, os profissionais com posse desse conhecimento são mais requisitados que os demais, gerando, é claro, o direito de ter um valor (financeiramente falando) mais alto em relação ao que não tem o domínio desse conhecimento.

Portanto, conhecer e dominar a cinesiologia lhe dará vantagens e condições de atuar como profissional de excelência e responsabilidade, tornando-o de fato, um profissional facilitador da qualidade de vida, promoção da saúde física e mental.

2 O QUE É CINESIOLOGIA E POR QUE ESTUDÁ-LA?

Dominar a cinesiologia lhe dará vantagens e condições de atuar como profissional de excelência e responsabilidade, tornando-o de fato, um profissional facilitador da qualidade de vida, promoção da saúde física e mental.

Afinal, o que é cinesiologia? Os mais íntimos dessa área a chamam de “cinésio”, então, cinésio se trata de uma área científica do estudo do movimento humano, porém um estudo mais analítico, mais criterioso do ponto de vista

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Cinésio se trata de uma área científica do estudo

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Cinésio se trata de uma área científica do estudo do movimento humano, porém um estudo mais analítico, mais criterioso do ponto de vista científico, e como se trata de executar essa análise com relação ao movimento humano.

científico, e como se trata de executar essa análise com relação ao movimento humano. Obviamente, toda a ênfase se encontra na relação osso x músculo (esquelético) x articulação paralela à ação das forças internas e externas e posicionamento corporal.

Você deve estar se perguntando: “Qual é a diferença da biomecânica para a cinésio?”. Ambas estudam o movimento humano, isso é fato, mas a diferença se encontra exatamente na perspectiva que cada área estuda. A biomecânica tem uma perspectiva voltada para a relação da execução do movimento com a produção de força (e como esta foi gerada) e resistência aplicada, já a cinésio tem uma perspectiva

mais geral do movimento humano com um ponto de vista científico, ou seja, observa os músculos que participaram do movimento, o movimento desses músculos, as forças externas, o tipo de movimento com relação à gravidade etc., inclusive a cinésio se engloba em áreas, como fisiologia, anatomia, entre outras. Apesar de serem distintas, uma depende da outra para um bom entendimento.

FIGURA 1 – ESTA IMAGEM REPRESENTA UMA ANÁLISE CIENTÍFICA DO ESTUDO DE UM DETERMINADO MOVIMENTO

ANÁLISE CIENTÍFICA DO ESTUDO DE UM DETERMINADO MOVIMENTO FONTE:

FONTE: https://www.researchgate.net/publication/228328311_Desenvolvimento_ de_um_recurso_de_realidade_virtual_para_o_Ensino_a_Distancia_de_

cinesiologia_das_articulacoes_do_membro_superior/figures?lo=1&utm_

source=google&utm_medium=organic. Acesso em: 2 jul. 2019.

Acesso em: 2 jul. 2019. Para um melhor entendimento dessa diferença, consulte o
Acesso em: 2 jul. 2019. Para um melhor entendimento dessa diferença, consulte o
Acesso em: 2 jul. 2019. Para um melhor entendimento dessa diferença, consulte o

Para um melhor entendimento dessa diferença, consulte o site a seguir. Disponível em: <https://universidadedofutebol.com.br/a- diferenca-de-atuacao-entre-biomecanica-e-cinesiologia>. Você terá uma breve e sucinta ideia dessa diferença.

diferenca-de-atuacao-entre-biomecanica-e-cinesiologia>. Você terá uma breve e sucinta ideia dessa diferença. 64
diferenca-de-atuacao-entre-biomecanica-e-cinesiologia>. Você terá uma breve e sucinta ideia dessa diferença. 64

Capítulo 2

CINESIOLOGIA
CINESIOLOGIA

Sabendo o que é a cinésio, já fazemos ideia de por que estudá-la (assim como a biomecânica), principalmente para os profissionais na área de Educação Física. Com esses conhecimentos, podemos otimizar e potencializar todo um processo de treinamento (independente da população que este será aplicado), promovendo diversas variáveis que quando não controladas podem interferir negativamente no rendimento e no desempenho. Podemos exemplificar algumas como: maior economia de energia durante um gesto motor sem perder a qualidade da ação; velocidade da ação motora com precisão, posicionamento correto da postura corporal, dos membros e dos elementos externos; realizar a execução de um movimento com maior eficácia e adequadamente ao tipo de aparelho; prevenir e recuperar lesões, entre outras. Todas essas variáveis mencionadas estão diretamente ligadas ao sucesso ou insucesso de um atleta.

Quando pensamos em atividade física para uma melhor qualidade de vida, a primeira coisa que vem em nossa cabeça é a palavra “saúde”. Atualmente, a atividade física e o exercício são considerados um tratamento não medicamentoso (IRIGOYEN et al., 2003; NEGRÃO et al., 2001), porém, será mesmo que a atividade física trará saúde e bem- estar para a pessoa? A resposta é sim, desde que seja orientada por um profissional capacitado e com domínio da cinésio. É nessa perspectiva que vemos a importância dessa área. Afinal, uma atividade física executada errada pode gerar graves problemas estruturais e fisiológicos, consequentemente, psicológicos, lembrando que estamos falando de atividade física para a população geral, imagine essa atividade mal

ministrada para um atleta de elite. Isso significa que a verdadeira saúde e o bem-estar das pessoas dependem totalmente do profissional que as orienta, ou seja, “nós”. O domínio dessa ciência proporciona ao profissional orientar de maneira correta e segura a execução de um determinado movimento de uma modalidade específica com total entendimento de como esse movimento ocorre.

O domínio dessa ciência proporciona ao profissional orientar de maneira correta e segura a execução de um determinado movimento de uma modalidade específica com total entendimento de como esse movimento ocorre.

Tendo uma visão mais evolutiva sobre conhecer e dominar a cinésio, sobre o princípio dessa ciência, segundo os estudiosos Floyd (2000) e Fornasari (2001), a maioria das alavancas mecânicas no corpo humano é otimizada para desenvolver a velocidade e não a força, essa análise denota que a espécie humana evoluiu “com”, “devido” e “para” o movimento, pois houve uma era em que a lei da natureza era soberana, ou seja, somente os mais fortes sobreviviam, e alguns seres humanos se adaptaram e sobreviveram a essa era graças à necessidade do movimento, seja para correr de um perigo ou de correr para caçar, enfim, correr para a sua sobrevivência. Isso mostra que houve uma evolução que direcionou as ações da Pré-História para a atual atividade física, por isso se torna exatamente importante estudar a ciência do movimento humano no que diz respeito a sua estrutura anatômica e funcional. Seguindo essa premissa,

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício falaremos um pouquinho da história da cinésio, até porque

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

falaremos um pouquinho da história da cinésio, até porque o patrono de nosso centro universitário, o gênio que atuou em diversas áreas (desde a arte até a fisiologia), Leonardo da Vinci, fez parte dessa história.

2.1 HISTÓRIA DA CINÉSIO

Como supracitado, para o homem sobreviver durante a Pré-História, ele dependia do movimento e esse fator sempre foi de grande interesse para estudos de cientistas de épocas passadas. Esses estudiosos, além de cientistas, eram também físicos, filósofos e fisiologistas que tiveram um grande papel na sociedade. Estes sempre correlacionaram o movimento humano com diversos fatores que na época eram limitados com relação a informações, como a complexidade das alavancas motoras, toda a mecânica corporal, o funcionamento dos organismos vivos, a anatomia e a fisiologia humana.

Podemos dizer que todo esse interesse e descoberta sobre o estudo do movimento partiu de dois homens bem famosos: Aristóteles (o pai da cinésio) e Galeno. Você pensava que eles eram só filósofos? Eles eram gênios em suas épocas e os primeiros registros que se têm na área levam seus nomes.

O primeiro (Aristóteles) era grego e iniciou os estudos do movimento através da análise funcional dos músculos envolvidos na marcha dos animais, logo em seguida identificou as alavancas mecânicas como alavancas anatômicas que atuam no homem, isso tudo entre 384-322 a.C. O segundo (Galeno 131-201 d.C.) estudou a contração muscular e constatou que as artérias conduziam sangue ao invés de ar, como pensava-se, além de identificar que alguns ossos possuíam medulas e outros não. Seus estudos anteciparam uma época chamada de Idade das Trevas, ou Idade Média, e durante todo esse período, aproximadamente mil anos, não houve avanços científicos consideráveis (PORTELA, 2016; DOBLER, 2003). Após a Idade das Trevas, entramos numa época conhecida como o Renascimento, e é nesse momento que nosso patrono aparece com outros estudiosos que também apresentaram contributos importantes para a evolução humana e científica, consequentemente, para a história da cinésio.

Capítulo 2 CINESIOLOGIA FIGURA 2 – ARISTÓTELES
Capítulo 2
CINESIOLOGIA
FIGURA 2 – ARISTÓTELES
Capítulo 2 CINESIOLOGIA FIGURA 2 – ARISTÓTELES FONTE: https://lh3.googleusercontent.com/proxy/hBo83H-

FONTE: https://lh3.googleusercontent.com/proxy/hBo83H-

gkp2k-d9CjiSPPQ6gSz-O9ppyTEYq8S14jsih2KKu_

U4HtIpZyvKLzNkytqtgVBeCO39vDsZAqUrAYpGnMgDbCqfVacEECxdXTJ_

fQH0WhTo3WI0-aeNTRVkPznDyDQ=s0-d. Acesso em: 2 jul. 2019.

FIGURA 3 – GALENO

Acesso em: 2 jul. 2019. FIGURA 3 – GALENO FONTE:

FONTE: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f5/ Galen_detail.jpg/540px-Galen_detail.jpg. Acesso em: 2 jul. 2019.

Durante o Renascimento, por volta do ano de 1200, começaram a surgir universidades pela Europa, sendo que em 1500 já existiam por volta de setenta instituições (já parou para analisar que no ano de 1200, quando surgiram as primeiras universidades, o Brasil nem sonhava em ser descoberto?). É por isso que essa época se chama Renascimento, pois com a criação e o desenvolvimento dessas instituições educacionais, a dedicação e a razão do conhecimento científico “RENASCERAM”. Vários estudiosos dessa época contribuíram para esse renascimento, consequentemente, para a cinésio, dentre eles, Leonardo da Vinci.

Já parou para analisar que no ano de 1200, quando surgiram as primeiras universidades, o Brasil nem sonhava em ser descoberto?

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício FIGURA 4 – NOSSO PATRONO LEONARDO DA VINCI FONTE:

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

FIGURA 4 – NOSSO PATRONO LEONARDO DA VINCI

ao Exercício FIGURA 4 – NOSSO PATRONO LEONARDO DA VINCI FONTE:

FONTE: https://amenteemaravilhosa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/ estatua-de-leonardo-da-vinci.gif. Acesso em: 2 jul. 2019.

Considerado como um gênio do Renascimento, da Vinci (1452-1519) era artista (pintor, escultor, músico) cientista (fisiologista, anatomista, mecânico) e engenheiro (arquiteto), seu maior interesse de estudo era a estrutura física humana com o foco maior na ação gravitacional no desempenho, equilíbrio e centro de resistência do corpo humano. Segundo alguns registros, da Vinci foi o primeiro a analisar e “publicar” (no sentido de registrar) cientificamente a marcha humana. Esse interesse na marcha humana por da Vinci se deve à intenção de mostrar que vários tipos de músculos participam dessa ação simultaneamente, paralelo ao tipo de movimento que esses músculos realizam. Para isso, ele utilizou cordas como substitutos dos músculos, as colocou fixas em um esqueleto, respeitando a origem e a inserção exata que cada músculo possuía, e executou o movimento de marcha com esse esqueleto como se fosse um boneco de ventríloquo, tendo uma visão analítica do movimento e aproveitamento muscular. Além disso, trabalhou com dissecação de cadáveres e produziu mais de duzentos desenhos relacionados à anatomia humana. Apesar de todos esses trabalhos terem sido registrados, quando ainda era vivo, poucas pessoas na época acompanharam e aproveitaram suas publicações, pois a linguagem utilizada era muito difícil para pessoas leigas, por isso, só depois de 300 anos de sua morte que seus trabalhos foram real e amplamente utilizados.

Capítulo 2

CINESIOLOGIA
CINESIOLOGIA

FIGURA 5 – UM DOS DESENHOS MAIS FAMOSOS DE DA VINCI COM RELAÇÃO À ANATOMIA, ESTE REPRESENTA A POSTURA CORPORAL

RELAÇÃO À ANATOMIA, ESTE REPRESENTA A POSTURA CORPORAL FONTE:

FONTE: http://www.sabercultural.com/template/especiais/fotos/ Leonardo-da-Vinci-Anatomia-Foto07.jpg. Acesso em: 2 jul. 2019.

Além de da Vinci, outros estudiosos também contribuíram para a evolução da ciência e para o estudo da cinésio na época do Renascimento em diante, como Galileu Galilei (1564-1642); Alfonso Borelli (1608-1679); Isaac Newton (1642- 1727); James Keill (1673-1719); William Cheselden (1688-1752); Marie François Bichat (1771-1802); Eadweard Muybridge (1830-1904); Étienne-Jules Marey (1830-1904); Jules Amar (1879-1935) (RASCH; BURKE, 1977).

(1830-1904); Jules Amar (1879-1935) (RASCH; BURKE, 1977). Para conhecer detalhadamente cada um desses estudiosos e
(1830-1904); Jules Amar (1879-1935) (RASCH; BURKE, 1977). Para conhecer detalhadamente cada um desses estudiosos e

Para conhecer detalhadamente cada um desses estudiosos e outros que também fizeram parte da evolução científica e da história da cinésio, busque informações em suas biografias e relacione com conteúdos estudados em cinesiologia, prática de exercícios e esportes, como no link a seguir. Disponível em: <https://pt.slideshare. net/GlaukusBueno/histria-da-cinesio-e-biomecnica>.

net/GlaukusBueno/histria-da-cinesio-e-biomecnica>. Depois de todos esses anos e épocas acompanhando os
net/GlaukusBueno/histria-da-cinesio-e-biomecnica>. Depois de todos esses anos e épocas acompanhando os
net/GlaukusBueno/histria-da-cinesio-e-biomecnica>. Depois de todos esses anos e épocas acompanhando os

Depois de todos esses anos e épocas acompanhando os avanços tecnológicos paralelos às análises do movimento humano, cada vez mais embasadas e fundamentadas, quando chegamos no século XX, a nossa querida disciplina de fato se consolida como área de conhecimento e é introduzida nas

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício universidades, inicialmente de Educação Física e Fisioterapia, como

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

universidades, inicialmente de Educação Física e Fisioterapia, como cadeira disciplinar indispensável para o estudo do movimento humano. Atualmente, compreender e dominar a cinesiologia como uma área científica multidisciplinar é fundamental para o profissional de Educação Física aplicar em seus alunos e/ou atletas os exercícios de forma eficaz, qualitativa e segura.

Agora que sabemos o que é a cinésio e a importância de estudá-la, conheceremos sua estrutura postural, funcional e como aplicá-la no esporte.

3 VARIAÇÕES DE POSICIONAMENTO POSTURAL

Como parte da análise científica de um movimento, é importante sabermos também as diferentes posições do corpo com relação ao centro gravitacional, pois estes são pontos de referências em determinadas descrições, por isso esta seção será focada nos posicionamentos e orientação, planos e eixos do corpo e sua relação com o centro gravitacional do planeta e do corpo.

Iniciaremos pela orientação corporal, que são duas, a posição anatômica, que é uma posição mais utilizada para análises de estudo. Nesse caso, a pessoa se encontra em pé, ereta, com as pernas e os braços ligeiramente afastados e com a palma da mão para frente. Já a posição fundamental é mais natural, semelhante à posição anatômica, porém, os braços são encostados no corpo com as mãos viradas para o corpo, esta usamos mais no nosso cotidiano. Na figura a seguir pode-se ver como são essas posições.

FIGURA 6 – ORIENTAÇÃO CORPORAL COM A POSIÇÃO ANATÔMICA E FUNDAMENTAL

CORPORAL COM A POSIÇÃO ANATÔMICA E FUNDAMENTAL FONTE: https://files.passeidireto.com/a38d20b0-2388-4652-

FONTE: https://files.passeidireto.com/a38d20b0-2388-4652- 8b03-57be0ea024d6/bg2.png. Acesso em: 2 jul. 2019.
70

Capítulo 2

CINESIOLOGIA
CINESIOLOGIA

Tudo que está em nosso planeta sofre a ação da gravidade, certo? A gravidade é uma força física que a Terra exerce sobre todos os corpos, no seu respectivo centro, daí a expressão centro gravitacional da Terra. Portanto, essa força gravitacional permite que fiquemos em pé e nos locomovemos, porém, para isso acontecer existe uma relação entre equilíbrio corporal e o nosso centro de gravidade, pois é, nós também possuímos um centro gravitacional.

3.1 CENTRO GRAVITACIONAL E EQUILÍBRIO CORPORAL

Vamos relembrar alguns conceitos? Começaremos falando do equilíbrio, que é uma qualidade física essencial para as nossas vidas, afinal, sem ele não conseguiríamos sequer ficar em pé, isso significa que o equilíbrio, além de promover a manutenção da posição e dos segmentos corporais em relação a eles mesmos e ao ambiente, também promove o equilíbrio de nossa postura, quando ocorre a interação entre as forças que agem no nosso corpo na busca de um equilíbrio corporal durante algum movimento (HORAK, 2006).

Quando falamos de modalidades esportivas, elas podem ser cíclicas (que contêm movimentos mais simples e contínuos) ou acíclicas (que contêm movimentos mais complexos e em diversas direções, intermitentes), porém, não só nas modalidades esportivas possuímos esses tipos de movimentos, todo corpo humano possui movimentos simples e complexos, e para que eles ocorram, é preciso que haja equilíbrio. Nesses casos de diferentes movimentos, também se sugere diferentes formas de equilíbrio, são eles:

Equilíbrio estável: é aquele que se mantém por um longo período de tempo sem alteração na estabilidade corporal, por exemplo, uma pessoa caminhando numa esteira na academia, na mesma velocidade durante um bom tempo.

Equilíbrio instável: sabe aquela situação em que a pessoa está tentando andar em um meio-fio e constantemente ela se desequilibra e corre o risco de cair? Esse intervalo de tempo bem rápido em que ocorre o desequilíbrio é o equilíbrio instável.

Equilíbrio recuperado: este se encontra entre o equilíbrio estável e instável. É uma alternativa de uma nova posição (quantas vezes forem necessárias) para retomar o mínimo que seja de equilíbrio. Por exemplo, quando estamos andando e de repente escorregamos e mudamos nossa posição para recuperar o equilíbrio.

Seguindo essa linha de conceitos, quem nunca ouviu esse termo em um

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício O campo gravitacional do nosso planeta exerce uma força-

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

O campo gravitacional do nosso planeta exerce uma força- peso diretamente no centro gravitacional de nosso corpo, essa força-peso ocorre devido à aceleração da gravidade que mantém ou altera o nosso equilíbrio.

esporte: “Mantenha essa base” ou em um combate de judô, por exemplo:

“não troque de base”. Essa posição (postura) de estar com uma “base” significa que estamos equilibrados (estavelmente) em relação ao centro gravitacional do planeta paralelo ao do nosso corpo, contudo, quando nos encontramos momentaneamente “fora de base” ocorre o oposto, ou seja, não há uma combinação entre postura, equilíbrio e centro de gravidade. O campo gravitacional do nosso planeta exerce uma força-peso diretamente no centro gravitacional de nosso corpo, essa força-peso ocorre devido à aceleração da gravidade que mantém ou altera o nosso equilíbrio. No corpo humano, a coluna vertebral sustenta grande parte do peso corporal devido a sua flexibilidade e resistência mecânica, suportando as alterações

de cargas e sempre buscando a estabilidade para a realização dos movimentos. Na figura a seguir pode-se ver a diferença de um corpo em equilíbrio estável e instável em relação a sua base e ao centro gravitacional.

FIGURA 7 – EXEMPLO DE EQUILÍBRIO ESTÁVEL E INSTÁVEL DE UM CORPO EM RELAÇÃO A SUA BASE E AO CENTRO GRAVITACIONAL

UM CORPO EM RELAÇÃO A SUA BASE E AO CENTRO GRAVITACIONAL FONTE: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/wp-content/

FONTE: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/wp-content/ uploads/2017/08/f2-equilibrio-do-corpo.jpg. Acesso em: 2 jul. 2019.

Capítulo 2

CINESIOLOGIA
CINESIOLOGIA

Todo movimento do corpo humano precisa de estabilidade para ser realizado. Os tipos de equilíbrios supracitados (estável, instável e recuperado) fazem parte de duas classificações mais globais de equilíbrio, que são: equilíbrio dinâmico (em movimento) e o equilíbrio estático (parado).

Como comentamos anteriormente, há uma relação entre equilíbrio e centro de gravidade, esta relação nos mantém estabilizados para realizar os diversos movimentos. Acabamos de ter uma rápida noção conceitual de equilíbrio e agora faremos o mesmo com relação ao centro de gravidade. Este é um ponto que alguns chamam de ponto de equilíbrio, é um ponto único no nosso corpo, centralizado onde todo o resto do corpo (seu peso) se encontra igualmente distribuído em todas as direções. É exatamente nesse ponto que ocorre a aceleração da gravidade (força- peso), e adivinhe onde fica esse ponto? Quando estamos equilibrados, esse ponto se encontra onde todas as linhas de eixo corporal (transverso, sagital e frontal, falaremos desse assunto a seguir) se cruzam, próximo à cicatriz umbilical. Vale ressaltar que as mulheres possuem o centro gravitacional um pouco mais abaixo que os homens.

FIGURA 8 – LOCALIZAÇÃO DO CENTRO DE GRAVIDADE EM DIFERENTES POSIÇÕES DO CORPO E DE OBJETOS

DE GRAVIDADE EM DIFERENTES POSIÇÕES DO CORPO E DE OBJETOS FONTE:

FONTE: https://1.bp.blogspot.com/-g9pXuPWfpb8/V2LmYqlMS-I/AAAAAAAAAGY/ anu0a6YyW_MB4ZjJXSoGz8CAJiv5R4rvwCLcB/s1600/CG.png. Acesso em: 2 jul. 2019.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Na figura anterior observa-se que o centro de gravidade

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Na figura anterior observa-se que o centro de gravidade do corpo humano

pode se encontrar em lugares diferentes de acordo com o tipo de posicionamento

e movimento. Quando o corpo se encontra em equilíbrio estável e há um centro

de gravidade definido, traça-se uma linha gravitacional, relacionando a gravidade do planeta, o ponto de gravidade do corpo e a base. Alguns fatores, além de postural e movimento, podem também alterar o centro de gravidade do copo, como a idade, a composição corporal (seja no aumento de volume muscular e/ou distribuição da massa corporal), a expiração/inspiração etc.

A figura também apresenta imagens de objetos com seus respectivos centros de gravidade, nesses casos, quando o objeto respeita uma total simetria

(quadrado, círculo, retângulo) em sua forma e seu peso é igualmente distribuído,

o centro de gravidade se encontra no centro geométrico do objeto, já nos objetos

assimétricos (formato irregular), o ponto de gravidade se localizará onde as linhas referentes ao diâmetro, à altura e às linhas diagonais se cruzam.

3.2 PLANOS E EIXOS DE ORIENTAÇÃO DO CORPO

Agora que entendemos essa relação entre equilíbrio e centro gravitacional,

você se lembra de que foi comentado que a localização do ponto do centro de gravidade envolve o cruzamento das linhas dos três planos da orientação do corpo? Conhecer esses planos de orientação e consequentemente seus eixos,

é essencial para entendermos, analisarmos e descrevermos um movimento do

ponto de vista cinesiológico. Os planos de orientação correspondem às dimensões espaciais em que ocorrem os movimentos com relação ao ambiente. São três:

plano sagital, transversal e frontal.

Observando uma pessoa em pé posicionada em nossa frente, o plano sagital

é aquele que corta o corpo humano em duas partes iguais, produzindo o lado

direito e o lado esquerdo; o plano transversal corta o corpo no meio, dividindo em duas partes, sendo parte superior e parte inferior, é um corte horizontal; e o plano frontal corta o corpo lateralmente de maneira vertical, dividindo-o entre parte da frente (anterior) e parte de trás (posterior), esse plano também é conhecido como plano coronal.

Ao visualizarmos os planos de orientação do corpo (Figura 9), podemos observar também os seus eixos, que são as linhas perpendiculares que cortam esses planos, são eles: o eixo bilateral, que é o eixo que permite o movimento de flexão e extensão, como a articulação do cotovelo, com uma visão horizontal

Capítulo 2

CINESIOLOGIA
CINESIOLOGIA

perpendicular ao plano sagital, esse eixo também é conhecido como eixo crânio- pedal, horizontal ou transversal; eixo vertical, que possibilita o movimento de rotação medial e lateral, como a articulação do ombro, visualiza o corpo de cima para baixo, perpendicular ao plano transversal; e o eixo anteroposterior, o próprio nome já sugere, este possibilita o movimento adução e abdução, como a articulação do quadril, segue a linha sentido anterior posterior do corpo, sendo perpendicular ao plano frontal. Na figura a seguir, pode-se ver com clareza o posicionamento dos planos e eixos do corpo.

FIGURA 9 – PLANOS E EIXOS DO CORPO

e eixos do corpo. FIGURA 9 – PLANOS E EIXOS DO CORPO FONTE:

FONTE: https://i1.wp.com/enfermagemcomamor.com.br/wp-content/uploads/2018/04/ Sem-T%C3%ADtulo-1.png?fit=658%2C494. Acesso em: 2 jul. 2019.

Cada plano de orientação permite a análise e a observação de respectivos movimentos, são movimentos fundamentais como: no plano frontal visualizamos movimentos, como adução, abdução, hiperabdução e flexão lateral; no plano transverso visualizamos as rotações esquerda, direita, medial, lateral, a pronação e a supinação; e no plano sagital visualizamos além da flexão e da extensão, como supracitado, a hiperextensão e a hiperflexão.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício FIGURA 10 – EXEMPLOS DE MOVIMENTOS FUNDAMENTAIS COM RELAÇÃO

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

FIGURA 10 – EXEMPLOS DE MOVIMENTOS FUNDAMENTAIS COM RELAÇÃO AOS PLANOS E EIXOS DE ORIENTAÇÃO CORPORAL

COM RELAÇÃO AOS PLANOS E EIXOS DE ORIENTAÇÃO CORPORAL FONTE:

FONTE: http://md.intaead.com.br/geral/cinesiologia/img/img8.png. Acesso em: 2 jul. 2019.

Acesso em: 2 jul. 2019. 1 Uma vez que entendemos os planos e os eixos anatômicos
Acesso em: 2 jul. 2019. 1 Uma vez que entendemos os planos e os eixos anatômicos
Acesso em: 2 jul. 2019. 1 Uma vez que entendemos os planos e os eixos anatômicos

1 Uma vez que entendemos os planos e os eixos anatômicos da orientação corporal, podemos fazer uma análise mais científica dos movimentos. Agora, reflita sobre isso: imagine um movimento simples e escreva em um papel o tipo de movimento, os músculos que participam e em que plano e eixo este pode ser analisado, depois faça o mesmo com um movimento mais complexo, pratique e exercite.

o mesmo com um movimento mais complexo, pratique e exercite. 4 CINESIOLOGIA FUNCIONAL MUSCULAR No primeiro
o mesmo com um movimento mais complexo, pratique e exercite. 4 CINESIOLOGIA FUNCIONAL MUSCULAR No primeiro

4 CINESIOLOGIA FUNCIONAL MUSCULAR

No primeiro capítulo deste livro tivemos acesso ao sistema muscular, suas funções e ações, porém, de uma maneira mais abrangente. Nesta seção, apresentaremos vários tipos de movimentos mais específicos com uma análise mais científica, consequentemente, será impossível não denotar a participação óssea e articular, contudo, estas terão maior ênfase no próximo capítulo (Sistema Locomotor).

Quando analisamos um movimento, cinesiologicamente falando, muitas vezes

o único recurso que temos é o recurso visual e, assim, tentamos modificar algo em um movimento para otimizar seu desempenho e aumentar sua eficácia. Obviamente,

a análise biomecânica e cinesiológica de um movimento pode ser da maneira mais

Capítulo 2

CINESIOLOGIA
CINESIOLOGIA

sofisticada e tecnológica possível, na qual requer diversos aparelhos dentro de um laboratório, ou de uma maneira mais simples e real, de acordo com o nosso cotidiano. Claro que cada particularidade de estudo envolve profissionais mais capacitados para tal, no nosso caso, conseguir fazer uma análise de maneira simples com os conhecimentos básicos conceituais já é o suficiente para melhorarmos o desempenho de um atleta, corrigir um aluno e promover uma melhor qualidade de vida em praticantes

de exercícios. A partir desses conhecimentos e do objetivo de cada um, cabe seguir o caminho da especialização específica para uma atuação excepcional.

A partir desses

conhecimentos

e do objetivo de

cada um, cabe seguir o caminho da especialização específica para uma atuação excepcional.

Na cinésio podemos executar uma análise de maneira dedutiva ou indutiva. Analisar de maneira dedutiva significa observarmos um movimento específico e suas características baseado em um critério previamente definido, por exemplo:

escolhemos como critério a correção postural de um praticante de musculação,

solicitamos que o indivíduo faça um trabalho de remada curvada, então será analisado o movimento da remada visando à correção da postura durante esse exercício, ou seja, como esse movimento deve ser feito para se manter a postura correta. Já na análise indutiva avaliamos o que é preciso para melhorar o desempenho de um movimento, ou seja, significa analisar “o que fez” aquele movimento

específico escolhido ter melhor eficácia. Usando o exemplo da remada curvada, a análise indutiva responderia à questão: “O que é possível fazer para essa remada ser executada da melhor maneira?”.

Para analisarmos

um movimento

completo, devemos:

dividir esses movimentos em partes; cada parte deve possuir a descrição da atuação articular e muscular; e definir quais critérios devem ser avaliados com relação ao movimento escolhido.

Enfim, o tipo de análise dependerá do tipo de objetivo proposto, correção estrutural ou aumento da performance, contudo, em ambas devemos ter um conhecimento apurado da cinesiologia, considerar o princípio da individualidade e especificidade e utilizar bases teóricas cientificamente provadas com criatividade para a aplicação. Portanto, para analisarmos um movimento completo, devemos: dividir esses movimentos em partes; cada parte deve possuir a descrição da atuação articular e muscular; e definir quais critérios devem ser avaliados com relação ao movimento escolhido.

devem ser avaliados com relação ao movimento escolhido. Antes de descrevermos os tipos de movimentos gerais,
devem ser avaliados com relação ao movimento escolhido. Antes de descrevermos os tipos de movimentos gerais,

Antes de descrevermos os tipos de movimentos gerais, faremos uma breve análise dos principais músculos e suas funções interessantes para o exercício. Para ter acesso a informações detalhadas sobre cada músculo, sugerimos que as busque em livros de anatomia aplicada geral e anatomia aplicada ao exercício, como o livro a seguir:

e anatomia aplicada ao exercício, como o livro a seguir: SOBOTTA, J. Atlas de Anatomia Humana

SOBOTTA, J. Atlas de Anatomia Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

ao exercício, como o livro a seguir: SOBOTTA, J. Atlas de Anatomia Humana . Rio de
ao exercício, como o livro a seguir: SOBOTTA, J. Atlas de Anatomia Humana . Rio de
Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Respeitando o plano de orientação corporal transverso, dividiremos o

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Respeitando o plano de orientação corporal transverso, dividiremos o corpo em duas partes, parte superior e parte inferior, começaremos com a parte superior.

4.1 MOVIMENTOS DA PARTE SUPERIOR DO PLANO TRANSVERSO CORPORAL

Visando à parte superior do corpo em relação ao plano transverso, ela é composta pelos movimentos da cintura escapular, dos ombros, dos cotovelos e da coluna. Começando pelo movimento da cintura escapular (composta pelas escápulas e clavículas), podemos dizer que esta é uma estrutura extremamente instável, porém produtora de movimentos complexos, e toda sobrecarga imposta sobre ela será transferida através da musculatura local para a coluna. Os movimentos oriundos dessa estrutura têm origem na escápula, na qual a clavícula se movimenta apenas para ajudar a escápula a se posicionar em relação à caixa torácica, seus movimentos se resumem em rotação para cima e para baixo, retração, prostração, elevação e depressão. No quadro a seguir, serão apresentados os músculos que participam do movimento da cintura escapular, com sua origem, inserção e ação.

QUADRO 1 – PRINCIPAIS MÚSCULOS ENVOLVIDOS NO MOVIMENTO DA CINTURA ESCAPULAR, COM SUAS ORIGENS, INSERÇÕES E AÇÕES

Músculo

Origem

Inserção

Ação

Subclávio

Superfície superior da 1ª costela.

Superfície inferior da clavícula.

Tracionar a clavícula medialmente, fixando-a ao esterno.

Peitoral maior

Borda anterior da clavícula, do esterno e das cartilagens das seis primeiras costelas.

Borda externa da goteira bicipital do úmero.

É responsável pela flexão do om- bro, auxiliando a abdução, é motor primário da extensão e adução do ombro.

Peitoral

 

Extremidade do pro- cesso coracoide.

Atuar como motor primário da abdução e rotação para baixo da escápula.

Menor

Na 3ª, 4ª e 5ª costelas.

Serrátil

Superfície externa e lateral das oito ou nove primeiras costelas.

Superfície anterior da borda medial da escápula.

Prostração (porção superior) da escápula e rotação (porção infe- rior).

Trapézio

Base do crânio e pro- cessos espinhosos da 7ª vértebra cervical até a 12ª vértebra torácica.

Terço lateral da clavícula; acrômio e espinha escapular.

Elevação da escápula; a retração, adução e rotação da escápula.

Capítulo 2

CINESIOLOGIA
CINESIOLOGIA

Elevador da

Processo transverso das quatro ou cinco primei- ras vértebras cervicais.

Borda medial da es- cápula até o ângulo superior.

Elevar a escápula e manter a pos- tura natural.

Escápula

Romboide

Processos espinhosos das vértebras 7ª cervical até a 5ª torácica.

Borda medial da es- cápula, da espinha até o ângulo inferior.

Realizar a adução do ângulo infe- rior da escápula e limitar a rotação escapular, auxiliando no posiciona- mento da cavidade glenoide.

FONTE: https://www.auladeanatomia.com/novosite/. Acesso em: 2 jul. 2019.

FIGURA 11 – IMAGEM DOS MÚSCULOS QUE ATUAM NO MOVIMENTO DA CINTURA ESCAPULAR E DO OMBRO

QUE ATUAM NO MOVIMENTO DA CINTURA ESCAPULAR E DO OMBRO FONTE: http://2.bp.blogspot.com/-XLzD4w16uQc/

FONTE: http://2.bp.blogspot.com/-XLzD4w16uQc/

TtrdlYyC4_I/AAAAAAAAALE/7u3eIIk4cCA/s1600/

OMBROEESC%25C3%2581PULA.jpg. Acesso em: 2 jul. 2019.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Subsequentemente, unida à estrutura da cintura escapular,

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Subsequentemente, unida à estrutura da cintura escapular, apresentaremos os movimentos do ombro, que apesar de ser uma estrutura diferente, acaba compondo e sendo composta por alguns elementos da cintura escapular, como no caso, a escápula (ligação do úmero à cavidade glenoide), onde ocorre a

estabilização dessa articulação devido aos ligamentos unirem o úmero ao acrômio

e processo coracoide e, consequentemente, também pela clavícula, fazendo

dela a articulação mais móvel do corpo humano. Ela executa os movimentos de

flexão e hiperflexão, extensão e hiperextensão, abdução, adução, rotação (lateral

e medial), adução horizontal e abdução horizontal. Na Figura 11, juntamente à

musculatura da cintura escapular, podemos também visualizar os músculos da articulação do ombro. Na figura e no quadro a seguir, pode-se observar a estrutura articular do ombro e os músculos participantes.

FIGURA 12 – ARTICULAÇÃO DO OMBRO COM SEUS COMPONENTES

FIGURA 12 – ARTICULAÇÃO DO OMBRO COM SEUS COMPONENTES FONTE:

QUADRO 2 – PRINCIPAIS MÚSCULOS ENVOLVIDOS NO MOVIMENTO DO OMBRO, COM SUAS ORIGENS, INSERÇÕES E AÇÕES

Músculo

Origem

Inserção

Ação

 

Terço lateral da clavícula; acrômio; espinha da es- cápula

Tuberosidade do

Flexão extensão, flexão lateral, rotação externa, rotação interna, abdução, adução e estabili- zação.

Deltoide

úmero.

   

Tubérculo maior

Abdução do ombro e auxiliar na rotação externa.

Supraespinhoso

Fossa supraespinhal.

do úmero.

Capítulo 2

CINESIOLOGIA
CINESIOLOGIA
   

Porção an-

 

Coracobraquial

Processo coracoide.

teromedial do

Adução horizontal, auxiliar na flexão e estabilização.

úmero.

Grande Dorsal

Processo espinhoso das seis vértebras torácicas inferiores e todas as lom- bares, a crista ilíaca e as três costelas inferiores.

Sulco intertuber- cular do úmero.

Motor primário em adução, ex- tensão, hiperextensão do ombro, auxiliando na abdução horizontal e rotação interna.

 

Ângulo inferior da es- cápula.

Goteira bicipital

Motor primário na adução, ex- tensão, rotação interna do om- bro e estabilizador.

Redondo Maior

do úmero.

 

Superfície costal da es- cápula.

Tubérculo menor

Motor primário na rotação inter- na do ombro e estabilizador.

Subescapular

do úmero.

     

Conjunto de tendões de vários músculos (subescapular, supraespinhal, infraespinhal e

Manguito Rotador

x

x

redondo menor) que aproximam a cabeça do úmero na cavidade glenoide, aumentando a estabilidade.

FONTE: https://www.auladeanatomia.com/novosite/. Acesso em: 2 jul. 2019.

Conheceremos agora os movimentos do cotovelo (flexão, extensão pronação e supinação). Antes de apresentarmos os músculos participantes do movimento do cotovelo, vale ressaltar que ao contrário do que parece, não existe apenas uma articulação no cotovelo, mas, sim, três articulações, sendo elas as articulações umeroulnar, umerorradial e radioulnar. Essas três articulações permitem que o cotovelo tenha uma amplitude mediana de 150 graus limitada pela extensão e flexão.

QUADRO 3 – PRINCIPAIS MÚSCULOS NO MOVIMENTO DO COTOVELO, COM SUAS ORIGENS, INSERÇÕES E AÇÕES

Músculo

Origem

Inserção

Ação

Tríceps Braquial

Escápula; da diáfise até o tubérculo maior; dorso inferi- or do úmero.

Olecrano da ulna.

Motor primário da ex- tensão do cotovelo.

Ancôneo

Epicôndilo lateral do úmero.

Olecrano da ulna e face posterior da diáfise da ulna.

Extensão do cotove- lo e participação na pronação.

Bíceps Braquial

Parte superior da cavidade glenoide; processo cora- coide.

Tuberosidade do rádio.

Flexão do cotovelo e auxiliar na supinação (articulação radioulnar).

Braquiorradial

Crista supraepicondilar e no septo lateral.

Processo estiloide do rádio.

Flexão do cotovelo e auxiliar na supinação.

Braquial

Terço médio do úmero.

Tuberosidade da ulna.

Flexão do cotovelo.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício Pronador Re- Epicôndilo medial do úmero e processo coronoide

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

Pronador Re-

Epicôndilo medial do úmero e processo coronoide da ulna.

Superfície centro later- al do rádio.

Auxiliar a pronação na articulação radioulnar e na flexão do cotovelo.

dondo

Pronador

 

Porção anterodistal do rádio.

 

Quadrado

Porção anterodistal da ulna.

Pronação do antebraço.

Supinador

Epicôndilo lateral do úmero.

Terça parte proximal lateral do rádio.

Supinação do antebraço.

FONTE: https://www.auladeanatomia.com/novosite/. Acesso em: 2 jul. 2019.

Apesar de ser uma estrutura estável, devido a sua mobilidade e ao uso de complementos externos com sobrecargas (sacolas de mercado, bolsas, raquete, tacos, entre outros) paralelo a grandes alavancas impostas, apresenta um grande risco de lesão.

FIGURA 13 – IMAGEM DOS MÚSCULOS QUE ATUAM NO MOVIMENTO DO COTOVELO, PUNHO E MÃO

MÚSCULOS QUE ATUAM NO MOVIMENTO DO COTOVELO, PUNHO E MÃO FONTE:

FONTE: http://1.bp.blogspot.com/-Mc22yZxpF7M/UWIIO_JTW-I/AAAAAAAAAGY/ SyGUcc6G99o/s1600/cotovelo+musculos.jpg. Acesso em: 2 jul. 2019.

Não precisamos mencionar aqui a importância que a mão exerce na vida do ser humano e obviamente nos movimentos cotidianos e nas modalidades esportivas, não é?

Capítulo 2

CINESIOLOGIA
CINESIOLOGIA
Capítulo 2 CINESIOLOGIA Você sabia que possuímos um músculo que alguns primatas não possuem e que
Capítulo 2 CINESIOLOGIA Você sabia que possuímos um músculo que alguns primatas não possuem e que

Você sabia que possuímos um músculo que alguns primatas não possuem e que esse fato ajuda a comprovar a teoria evolutiva? Esse músculo permite que o polegar encoste em todos os outros dedos. Sabe como ele se chama? Oponente do polegar, inclusive o fato de possuirmos o polegar nos permite exercer o movimento de pinça para pegarmos os objetos, inclusive escrever.

de pinça para pegarmos os objetos, inclusive escrever. A mão e o punho possuem uma estrutura
de pinça para pegarmos os objetos, inclusive escrever. A mão e o punho possuem uma estrutura
de pinça para pegarmos os objetos, inclusive escrever. A mão e o punho possuem uma estrutura

A mão e o punho possuem uma estrutura dimensional pequena, contudo, com uma complexidade funcional extrema, possuindo 33 músculos e 27 ossos, que são unificados por 24 articulações e executam movimentos de flexão, extensão, abdução, adução e circundução. É claro que não apresentaremos aqui todos esses componentes, lembre-se de que a ideia é apenas conhecer os principais músculos e seus movimentos para termos uma análise cinesiológica mais contundente.

para termos uma análise cinesiológica mais contundente. Para ter mais informações sobre toda essa estrutura,
para termos uma análise cinesiológica mais contundente. Para ter mais informações sobre toda essa estrutura,

Para ter mais informações sobre toda essa estrutura, procure obras na área de anatomia aplicada. Como sugestão, indicamos os livros a seguir:

aplicada. Como sugestão, indicamos os livros a seguir: NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana .

NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana . Porto Alegre: Artmed,

2000.

SOBOTTA, J. Atlas de Anatomia Humana. Rio de Janeiro:

Guanabara Koogan, 2006.

de Anatomia Humana . Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. Com relação ao punho, mesmo possuindo
de Anatomia Humana . Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. Com relação ao punho, mesmo possuindo

Com relação ao punho, mesmo possuindo vários músculos, a sua função se limita em ser extensor e flexor. A apresentação visual destes se encontra na Figura 13. No quadro a seguir, denotam-se alguns dos principais músculos que participam do movimento do punho e da mão.

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício QUADRO 4 – PRINCIPAIS MÚSCULOS NO MOVIMENTO DO PUNHO

Cinesiologia e Biomecânica Aplicadas ao Exercício

QUADRO 4 – PRINCIPAIS MÚSCULOS NO MOVIMENTO DO PUNHO E DA MÃO, COM SUAS ORIGENS, INSERÇÕES E AÇÕES

Músculo

Origem

Inserção

Ação

Flexor radial do carpo

Epicôndilo do úmero.

Superfície anterior do 2ª metacárpico.

Flexão e abdução do punho.

Flexor ulnar do carpo

Epicôndilo medial do úmero.

Osso pisiforme, base do 5º metacarpo e osso hamato.

Flexão e adução do punho.

Extensor radial longo do carpo

Crista supracondilar lat- eral do úmero.

Porção dorsal do 2ª metacárpico.

Extensão e abdução do punho.

Extensor ulnar

Epicôndilo lateral do úmero.

Porção posterior do 5º metacárpico.

Extensão e adução do punho.

do carpo

Flexor superfi- cial dos dedos

Epicôndilo medial do úmero; processo coro- noide da ulna.

Lados proximais das fa- langes médias dos dedos (exceto polegar).

Flexão das falanges proximal, distal e do punho.

Flexor longo do polegar

Superfície anterior média do rádio e da membrana interóssea.

Porção anterior proximal da falange distal do polegar.

Flexão da falange distal, flexão e adução do meta- carpo e do punho.

Oponente do

Osso trapézio e no lig- amento transverso do carpo.

Porção medial e radial do 1º metacárpico.

Movimento de circun- dução (oposição) parcial do metacarpo do polegar.

polegar

Extensor dos

Epicôndilo lateral do úmero.

Superfície dorsal da falange proximal; superfície dorsal proximal da falange média.

Extensão da falange proximal e do punho.

dedos

FONTE: https://www.auladeanatomia.com/novosite/. Acesso em: 2 jul. 2019.

Falaremos agora sobre os movimentos da coluna, estes se resumem em flexão e extensão da lombar e da cervical, flexão lateral e rotação. A coluna tem algumas particularidades, além de ser composta por 33 vértebras, estas iniciam pela cabeça, sendo estruturalmente menores do que as vértebras que terminam no quadril (lombar), isso porque a maior carga (peso) é sustentada por essa região, além disso, algumas partes da coluna explicam sua anatomia e ação em função da adaptação e do funcionamento fisiológico, como é o caso das vértebras torácicas, que executam uma flexão menor para não comprimirem os órgãos. Outra particularidade é que entre as vértebras existem os discos intervertebrais, que estão ali para ajudar na movimentação e proteger o contato de uma vértebra com a outra.

e proteger o contato de uma vértebra com a outra. Ao estudar mais detalhadamente a coluna
e proteger o contato de uma vértebra com a outra. Ao estudar mais detalhadamente a coluna
e proteger o contato de uma vértebra com a outra. Ao estudar mais detalhadamente a coluna

Ao estudar mais detalhadamente a coluna vertebral em livros e sites de anatomia aplicada, você perceberá que há uma quantidade maior de músculos extensores do que flexores. Por quê? Lembra de quando falamos sobre a ação da gravidade? A gravidade vai ajudar a

posição de flexão, por isso não precisa de tantos músculos, porém, para retornar para a posição natural executando uma extensão, além da força

a ser executada contra o peso do próprio corpo, ainda temos que vencer

a força da gravidade, por isso a coluna tem mais músculos extensores.

peso do próprio corpo, ainda temos que vencer a força da gravidade, por isso a coluna
peso do próprio corpo, ainda temos que vencer a força da gravidade, por isso a coluna

Capítulo 2

CINESIOLOGIA
CINESIOLOGIA

No quadro a seguir, apresentaremos alguns músculos importantes para o movimento da coluna.

QUADRO 5 – PRINCIPAIS MÚSCULOS NO MOVIMENTO DA COLUNA VERTEBRAL, COM SUAS ORIGENS, INSERÇÕES E AÇÕES

Músculo

Origem

Inserção

Ação

Esternocleidomastoideo

Manúbrio do ester- no; porção média da clavícula.

Processo mastoide.

Flexão lateral do pescoço.

Escaleno

Tubérculo posterior das apófises transversas de C3 a C7.

1ª costela posteriormente ao músculo escaleno anterior.

Flexão lateral do pescoço e auxil- iar na respiração.

Transverso

Processo xifoide.

Sínfise púbica e crista ilíaca.

Flexão lombar.

Reto abdominal

Da 5ª a 7ª cartilagens costais; processo xi- foide; ligamento costo- xifoide.

Púbis; Sínfise púbica.

Flexão lombar

 

Metade inferior do ligamento da nuca; pro- cessos espinhosos da T1 a T6.

Tubérculos posteriores dos processos transver- sos de C1 a C4.

Extensão das

Esplênio do pescoço

vértebras cerv-

icais.

   

Processo medial da linha da nuca inferior e superi- or do occipital.

Extensão das

Semiespinhal

Processo transverso de T1 a T6.

vértebras cerv-

icais.

Iliocostal

Região cervical.

Região do sacro e cóc-

Extensão da coluna e ma-

cix.