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S

Sumário
Introdução ................................................................ 4

Terapia Manual ......................................................... 5


Principais tipos de ponto gatilho e como identificá-los .................................................... 6

O que são pontos gatilhos? ................................................................................................... 6

Mobilidade Articular ................................................ 12


Mobilidade articular: o segredo para uma reabilitação eficiente ................................... 13

Complexo do ombro: tudo o que você precisa saber .......................................................... 18

Ótimos exercícios para mobilidade do ombro para sua aula ............................................... 39

Mobilidade x estabilidade na reabilitação da coluna: como realizar .................................. 46

13 exercícios de mobilidade torácica para melhorar suas aulas ......................................... 53

Mobilidade torácica com mobilidade de ombro .................................................................. 71

Reabilitação da Coluna ............................................. 74


Escoliose: como usar o corpo inteiro para um tratamento eficaz ...................................... 75

Dicas de exercícios para tratamento de hérnia cervical ....................................................... 90

Tudo que você precisa saber para aplicar terapia manual na lombalgia ............................ 97
S
Reabilitação do Quadril ........................................... 105
Conheça as principais lesões no quadril e como tratá-las .................................................. 106

Como diagnosticar e tratar corretamente a disfunção sacroilíaca ........................................ 113

19 exercícios para dor no quadril infalíveis para sua aula ....................................................... 121

Pilates e Treinamento funcional e reabilitação


do quadril ................................................................. 128
7 provas que Treinamento Funcional e Pilates são completamente compatíveis ................ 129

Como deixar sua aula de Treinamento Funcional perfeita com 10 dicas ............................. 142

Como montar a aula perfeita aliando Pilates e funcional suspenso ...................................... 159

Confira 14 exercícios funcionais para melhorar a postura de seu aluno ............................... 164

4 passos básicos para preparar aula de treinamento funcional ............................................. 171

5 exercícios funcionais obrigatórios para sua aula ................................................................... 175


I
Introdução
Como profissional do Movimento nos deparamos com diversas modalidades:
Pilates, Treinamento Funcional e Terapia Manual. Mas como saber quando
e qual é a técnica ideal a ser incorporada nos tratamento para garantir
resultados mais eficazes?

Diantes das possibilidades, é muito importante conhecermos a fundo cada


uma delas a fim de aproveitar o melhor que elas tem a oferecer.

Pensando nisso, reuni todos os meus conteúdos neste Guia Completo do


Movimento para te ajudar a potencializar seus resultados, desenvolvendo
um plano de aula crítico e científico, prevenindo lesões, aplicando exercícios
corretamente e acelerando a recuperação do seu cliente com eficiência e
segurança.

Quer saber mais? Então continue lendo e aprenda como utilizar cada método
de forma inteligente!
1
PRINCIPAIS TIPOS DE
PONTO GATILHO E
COMO IDENTIFICÁ-LOS
Dor muscular, tensão excessiva e encurtamento do músculo? Esses sintomas
são muito parecidos com os problemas causados por pequenos pontos
irritáveis que se encontram nos tecidos musculares ou fáscias. Os diversos
tipos de ponto gatilho são um problema bastante comum nos pacientes, por
isso precisamos aprender a identificar.

Quer descobrir os principais tipos e como eles podem ser encontrados na


musculatura? Continue lendo e aprenda tudo sobre eles!

O que são pontos gatilhos?


Nessa parte trabalharemos principalmente com o
conceito de ponto gatilho miofascial. Portanto, estamos
falando de um pequeno nódulo que surge nas fáscias,
tecidos musculares ou tendões. Esse nódulo é um
sinal de irritação que tensiona a região e também a
musculatura próxima.
O principal sintoma do ponto gatilho é a dor, que pode ser localizada ou
irradiar para outras regiões. Tudo depende do tipo de ponto gatilho que
encontramos na região, mas falaremos mais a respeito disso depois.

Os pontos são algumas das principais causas de dor musculoesquelética,


portanto, precisamos ficar atentos. Além de causar dor, eles também
aumentam a quantidade de íons de substâncias nocivas para a musculatura
que em tecidos saudáveis seria eliminada. Isso acontece porque a tensão
muscular exagerada diminui o fluxo de sangue, impedindo a eliminação
de resíduos tóxicos do metabolismo das células e sua recuperação.

É comum que os pontos gatilho piorem o quadro de patologias que já


causam dor. Por causa de sua existência, a musculatura contrai e torna
o paciente ainda mais difícil de trabalhar. Ele também gera perda de
mobilidade e rigidez local.

O pior de tudo é: quase todos os nossos pacientes têm pontos gatilho. Na


verdade, quase toda a população sofre com o problema de vez em quando,
mas pessoas lesionadas ou com patologias estão mais sujeitas a eles.

Antes de iniciar o tratamento precisamos encontrar e liberar todos os


tipos de ponto gatilho para conseguir resultados no alívio da dor.

Tipos de pontos gatilhos?

Calma, você não vai conseguir sair por aí liberando


pontos gatilho se não compreender que existem diversos
tipos. Cada um deles apresenta sintomas um pouquinho
diferentes e deve ser trabalhado cuidadosamente.
• Ponto gatilho miofascial

Esse tipo de ponto gatilho é definido como uma pequena área circular
hiperirritável que está localizada numa banda de músculo esquelético ou na
fáscia. O ponto é doloroso e também pode causar dor irradiada.

Quando existe um ponto gatilho miofascial teremos também um grupo de


fibras musculares contraídas ao longo do músculo. Esse grupo de fibras
é diferente de um espasmo muscular porque não sofre ativação pelo
motoneurônio ou atividade elétrica que faça com que o músculo permaneça
contraído.

A contração muscular causada pelo ponto gatilho acontece principalmente


pela presença de íons de cálcio nas fibras. Estima-se que o trauma gerador
do ponto abre o retículo sarcoplasmático da célula, causando a liberação do
cálcio.

Os íons de cálcio combinam-se com ATP e ativam os mecanismos locais de


contração de forma contínua. Isso também faz com que o feixe muscular
afetado torne-se encurtado. Além disso, a musculatura afetada tem sua
microcirculação prejudicada e aumenta seu gasto energético.

• Ponto gatilho ativo

O ponto gatilho ativo provoca dor aguda na região


afetada. Um indivíduo com esse tipo de ponto gatilho,
além de sentir dor, também tem o músculo encurtado e
enfraquecido por sua incapacidade de contrair e relaxar.
Para conseguir identificá-lo basta comparar a força muscular e o alongamento.
Além disso, se pressionarmos o ponto, o paciente sentirá dor na área referida. Ele
é um dos mais fáceis de encontrar por causar dor constante.

Ao iniciar o tratamento de um paciente lesionado ou com patologias, a


liberação dos pontos ativos ajuda a encontrar um alívio imediato da dor.

• Ponto gatilho latente

Diferente do ativo, esse tipo de ponto gatilho não provoca dor


continuamente. Ele fica oculto na musculatura, gerando o acúmulo de cálcio
e contratura muscular, mas é mais difícil de identificar porque não demonstra
seus sintomas com clareza.

Os pontos latentes causam dor local ou na região de referência quando são


pressionados e podem ser encontrados ao procurar por regiões tensionadas
no músculo.

• Ponto gatilho central

Nos tópicos anteriores, os tipos de ponto gatilho eram identificados pela


presença ou não de dor. Porém, ponto gatilho também pode ser dividido
em tipos de acordo com sua localização. Os centrais, por
exemplo, estão localizados no centro da fibra muscular,
como seu nome indica. Ele é associado às placas
terminais disfuncionais.
• Ponto gatilho de inserção

Esse tipo de ponto gatilho está localizado na zona de inserção do músculo.

• Ponto gatilho primário ou principal

Nesse caso, identificamos o tipo de ponto gatilho de acordo com sua


ativação. O primário é aquele que surge por causa de um trauma, sobrecarga
ou overuse muscular. Além de ser o primeiro a surgiu na musculatura, o
ponto primário também gera pontos gatilho satélite.

• Ponto gatilho satélite

Onde existe um ponto gatilho sempre há a possibilidade de surgir um novo.


Esse é o ponto gatilho satélite, que surge por causa da interação com o
ponto principal.

Características comuns dos pontos gatilho

Apesar de serem diferentes em características como


localização, formação e tipo de dor, os pontos gatilho
ainda são bastante similares.

Listarei aqui alguns sintomas que são comuns a todos


eles e que devem ser observados na hora de identificar
os pontos miofasciais que prejudicam seu paciente:

• Presença de banda muscular tensa;


• Nódulo sensível ao toque (mesmo em pontos latentes, basta apertar que a
pessoa sente dor);

• Aumento da temperatura local por causa da inflamação;

• Sinais sensoriais referidos;

• Diminuição de ADM;

• Contração dolorosa;

• Sensação de fraqueza muscular;

• Referência na região distal, medial ou em ambas as regiões.

• Utilize esses sintomas para ter certeza que está observando um ponto
gatilho na musculatura do indivíduo e para começar a realizar a liberação.

Conclusão

Os pontos gatilho são grandes vilões no tratamento de patologias


musculoesqueléticas. Além de causar dor, eles também diminuem a eficiência do
músculo por mantê-lo contraído e aumentar seu gasto energético. O processo
inflamatório e compensatório iniciado por um ponto gatilho
precisa ser contido para que a patologia ou lesão seja
resolvida.

Por isso, procure cuidadosamente os pontos gatilho nos seus


alunos, mesmo que eles não apresentem dor. Depois, chega
a hora de realizar a sua liberação.
2
MOBILIDADE
ARTICULAR: O
SEGREDO PARA
UMA REABILITAÇÃO
EFICIENTE
(+ EXERCÍCIOS)
Você usa exercícios de mobilidade articular como parte do processo de
reabilitação?

Mesmo que a resposta seja sim, quero que fique atento a esse artigo!

Aqui aprenderemos a importância de trabalhar essa característica funcional


com alguns exercícios que te ajudarão a inseri-la em aula.

Importância da mobilidade articular na reabilitação

A reabilitação já se tornou sinônimo de fortalecimento


para muitos profissionais. Lesão no joelho? Comece a
fortalecer agora! Lesão no quadril? Fortalecimento é a solução! Lesão na
coluna lombar? Fortalecimento nela!

Fortalecer musculaturas realmente é parte essencial do nosso trabalho


na reabilitação, mas não é tudo. Uma articulação lesionada passa por um
processo gradual de perda de movimento. Lembre-se que a primeira reação
do corpo à dor é tentar não sentir mais dor. Se um certo movimento causa
desconforto, a pessoa começa a evitá-lo.

Já viu alguém que tem dor no joelho caminhando? A pessoa manca e


faz uma movimentação completamente diferente com a perna lesionada
somente para não precisar flexionar o joelho. Ela está impondo a imobilidade
sobre aquela articulação. Isso acontece com boa parte dos nossos alunos
lesionados.

Considerando que quase todos eles só buscam ajuda médica e


fisioterapêutica depois de algum tempo com a patologia, já os encontramos
com articulações rígidas. O ombro é outro exemplo muito comum de falta de
mobilidade por causa de lesões. Alguém

que sofreu uma lesão que causa dor ao levantar o braço acima da altura da
cabeça simplesmente deixa de fazer o movimento. Ou seja, deixa seu ombro
rígido.
Mobilidade articular é uma característica funcional
que todo o corpo precisa para conseguir realizar seus
movimentos sem risco. Quando ela não existe ou está
diminuída, criamos criando o cenário ideal para o
surgimento de:
• Dores;

• Patologias;

• Desequilíbrios e tensões musculares;

• Lesões.

Não importa com quem você está trabalhando, todos precisam recuperar sua
mobilidade articular para terem um bom tratamento.

Mesmo quem não trabalha com reabilitação precisa prestar atenção nessa
característica.

Quais as causas da rigidez?

Por acaso você já viu alguém que não consegue agachar? Quem trabalha
com funcional conhece bem esse tipo de aluno. Eles costumam realizar
alguns erros, como levantar os calcanhares ou hiperestender a coluna lombar.
Esses erros são indicativos de falta de mobilidade.

A maioria dos alunos iniciantes possui algum tipo de limitação de movimento.


Isso acontece porque o sedentarismo é um dos grandes causadores de
rigidez articular, algo que queremos evitar a qualquer custo.

O trabalho de mobilidade articular pode servir como


parte do tratamento de indivíduos lesionados ou
somente como melhora na qualidade de vida. Você
pode ter certeza que seu aluno iniciante estará bem
melhor quando conseguir apresentar mobilidade na sua
amplitude total de movimento.
Abordagem joint by joint no funcional

No treinamento funcional o corpo é visto como um todo e não musculaturas


e articulações separadas. Isso é evidenciado pela existência de cadeias
musculares e cadeias cinéticas que regem o movimento. Existe mais uma
abordagem importante para essa visão global, a abordagem joint by joint.

Criada pelos fisioterapeutas Gray Cook e Mike Boyle, essa abordagem vê


o corpo como uma junção de articulações trabalhando em conjunto. Cada
segmento tem a função de estabilidade ou mobilidade e de acordo com ela
conseguimos prever suas disfunções.

Para manter o equilíbrio, o corpo possui segmentos com função de


mobilidade alternadamente com aqueles que têm função de estabilidade. A
tendência é que os desequilíbrios articulares gerem um exagero na função
da articulação. Ou seja, uma articulação com função de estabilidade se torna
rígida quando desequilibrada.

Como resultado, surgem as patologias e dores que tanto conhecemos. Mais


importante ainda é entender que essas articulações formam um conjunto. Por
isso, o desequilíbrio articular costuma se manifestar como dor na articulação
imediatamente acima ou abaixo. Veja um tornozelo sem mobilidade como
exemplo. É raro encontrar pacientes com dores no próprio tornozelo, mas as
dores no joelho são bastante comuns.

Exercícios de mobilidade no Treinamento Funcional

Exercícios de mobilidade no Treinamento Funcional


Como falei anteriormente, se quisermos um corpo
com seu funcionamento fisiológico correto, precisamos
trabalhar a mobilidade.
Para isso, separei aqui algumas opções de exercícios que você pode aplicar
no Treinamento Funcional. Apesar de não serem exercícios de Pilates, eles
também servem para as aulas do Método sem problemas.
Conclusão

Sem trabalhar mobilidade articular sua reabilitação dificilmente estará


completa. Provavelmente você percebeu que nos exercícios mostrados acima
tivemos forte ênfase em mobilidade de regiões como torácica e quadril.

Para entender isso, basta observar novamente a abordagem joint by joint.


Nela, o quadril e a torácica são duas regiões com função de estabilidade.
Como parte de um conjunto articular que anula e distribui forças, o quadril
precisa de uma estabilização bastante eficiente, mas em alguns casos essa
estabilização causa rigidez. O mesmo ocorre com a coluna torácica.

Ou seja, precisamos trabalhar mobilidade com ainda mais frequência quando


enfrentamos problemas articulares em um local com função de estabilidade.

Isso não quer dizer que você pode descartar a mobilidade em articulações
que têm essa função! Elas podem estar rígidas, especialmente quando a
pessoa passou muito tempo com dor.

Complexo do Ombro: tudo o que você


precisa saber
Como estão seus conhecimentos sobre o complexo do
ombro? Preciso te avisar: entender perfeitamente como
funciona esse conjunto de articulações te ajuda a realizar
uma boa avaliação da patologia e lesões na região.
Por ser um conjunto articular extremamente complexo acabamos
trabalhando com patologias, lesões e desequilíbrios com frequência. Nesse
artigo realizo uma breve revisão sobre algumas importantes articulações
e musculaturas do complexo do ombro, dando ênfase à cintura escapular.
Continue lendo para aprender tudo que você precisa saber sobre essa
região!

Anatomia do complexo do ombro

Conhecemos o ombro por ser uma das articulações mais complexas do


corpo. Sendo assim, não é à toa que ele pode ser acometido por diferentes
tipos de patologias, visto sua grande instabilidade e mobilidade superior às
demais articulações do corpo.

Na rotina de trabalho encontramos sempre desafios envolvendo a


reabilitação e prevenção de lesões no ombro. Dessa forma, para termos
mais chances de sucesso e oferecermos um trabalho eficiente é importante
conhecer sua anatomia.

Mesmo que você ache que isso é só matéria de faculdade, fique sabendo
que algumas alterações anatômicas são importantes para identificar
patologias e não podem passar despercebidas.

O tipo de acrômio encontrado no ombro, por exemplo,


é provavelmente um dos mais comuns causadores da
síndrome do impacto. Se você quiser aprender mais
sobre uma dessas alterações, recomendo o ótimo artigo
da Janaína Cintas, que você encontra nesse link.
Por esse motivo nunca podemos deixar de revisar alguns conteúdos de
anatomia e biomecânica. No caso do ombro estamos observando uma
anatomia complexa e movimentos mais complexos ainda.

Como o ombro é formado por um complexo de articulações, isto é, existe


mais de uma articulação que forma o ombro, existem diversos fatores
que influenciarão no desenvolvimento de patologias e nas estratégias de
intervenção.

Articulações do complexo do ombro

O público em geral vê o ombro como uma única articulação que vive dando
problema. Nós, como profissionais do movimento, sabemos que ele é muito
mais que isso.

O complexo do ombro é composto por várias articulações que devem


funcionar em sincronia para ter um movimento de qualidade. Neste texto
vamos considerar o ombro e cintura escapular, bem como suas articulações
formadoras, como o complexo do ombro.

Começaremos analisando cada uma delas para entender seu papel no


movimento.

• Articulação escapulotorácica

Consideramos a articulação escapulotorácica como


uma falsa articulação ou articulação funcional. Ela não é
composta por uma união de ossos, mas sim pela escápula
e musculaturas relacionadas. Além de não existir uma união de ossos, ela
também não apresenta ligações feitas por estruturas cartilaginosas.

Apesar de possuir poucas características típicas das articulações, os


movimentos da escápula relacionada à coluna torácica são completamente
interdependentes. A escápula deve deslizar sem impedimentos sobre a
torácica para que o ombro tenha amplitude completa de movimento.

Para que isso aconteça, ela faz uso de diversas musculaturas. Caso exista
algum encurtamento ou tensão, o deslizamento da escápula será
prejudicado, assim como todo o movimento do complexo do ombro,
podendo gerar pequenos impactos ou sobrecarregar estruturas
tendíneas, por exemplo.

Além das musculaturas do complexo, outro fator tem forte influência


no funcionamento da articulação escapulotorácica: as articulações
acromioclavicular e esternoclavicular.

Essas articulações fazem parte da cintura escapular e devem ser consideradas


quando falamos no ombro. Isso porque qualquer movimento realizado pela
escapulotorácica leva a um movimento em uma dessas articulações, sendo
que o oposto também é verdadeiro.

• Posições da escápula

A escápula possui uma posição “neutra” ou de descanso,


na qual costuma ficar enquanto não existe movimento do
complexo do ombro. Essa posição é na face posterior da
caixa torácica, entre a segunda e sétima costela. Claro
que existem pequenas diferenças anatômicas entre cada
indivíduo que podem fazer essa posição mudar. E isso não representa uma
característica patológica.

A escápula também possui uma rotação interna de 35º a 40º do plano


coronário, com uma inclinação anterior de 10º a 20º. Ela também tem uma
rotação vertical de 10º a 20º.

Novamente, esses valores são uma referência já que cada indivíduo possui
pequenas variações.

De qualquer maneira precisamos ficar atentos à posição da escápula


durante nossa avaliação. Uma escápula mal posicionada geralmente é
sinal de desequilíbrios musculares ou fraquezas.

Um bom exemplo é quando encontramos uma discinesia da escápula no


nosso paciente, a famosa escápula alada.

Nesses casos os movimentos e a posição da escápula ficam alterados por


desequilíbrios musculares, envolvendo o músculo serrátil anterior e trapézio
mais comumente, ou lesões que impedem a correta resposta neuromotora
dos músculos estabilizadores do ombro.

• Articulação acromioclavicular

Como mencionei anteriormente, essa articulação é


uma das grandes influenciadoras dos movimentos da
escápula. Isso quer dizer que, quando encontramos
uma escápula disfuncional, é bastante provável que a
acromioclavicular também compense.
A articulação acromioclavicular está na parte superior do ombro. É formada
pela junção entre a lateral da clavícula e o processo acromial do ombro. Essa
é uma articulação sinovial plana que realiza movimentos de deslizamento.

Por que ela tem uma influência tão forte nos movimentos da
escapulotorácica? Bem, ela é um dos pontos que conecta a escápula com a
clavícula e suspende a extremidade superior da escápula do tórax.

Assim, sem os movimentos da acromioclavicular, não conseguimos um


movimento funcional da escápula.

Podemos resumir as funções dessa articulação da seguinte maneira:

• Permitir rotação da escápula sobre a caixa torácica;

• Permitir ajustes nos movimentos da escápula além do seu plano inicial de


movimento;

• Ela auxilia a escápula a se adaptar às mudanças de forma do tórax


conforme os movimentos dos membros superiores aumentam de amplitude;

• Permitir transmissão de forças para a extremidade superior da clavícula.

Formato da articulação acromioclavicular

As formas que essa articulação assume variam,


especialmente devido a uma variação no formato do
acrômio. Assim, a acromioclavicular pode ter variados
níveis de contato entre suas estruturas e atrito.
Os níveis de inclinação das estruturas articulares também variam de indivíduo
para indivíduo.

Alguns autores descrevem três tipos de articulação que têm inclinação entre
16º e 36º.

Quanto mais próximas as estruturas chegam de uma posição vertical, maior a


probabilidade de sofrer de patologias causadas pelo impacto.

Ligamentos e cápsula articular

A articulação acromioclavicular está rodeada por quatro importantes


ligamentos. Sua principal função é criar estabilidade e manter a clavícula em
contato com o processo acromial da escápula.

Devido à proximidade desses ligamentos, é comum que uma lesão na


articulação também leve a uma ruptura de alguns ligamentos. Assim, as
estruturas articulares acabam separadas, gerando instabilidade na escápula e
desequilíbrio em seus movimentos.

Além disso, a articulação também possui uma cápsula articular, tornando-a


numa articulação de tipo sinovial. A cápsula encontrada na acromioclavicular
possui o reforço de alguns ligamentos capsulares na parte superior e inferior.

Eles ajudam a reforçar a cápsula e manter a integridade


articular.

Essa articulação merece atenção redobrada por mais um


motivo. Ela é o ponto de inserção de diversos músculos
importantes para os membros superiores.
Articulação esternoclavicular

Essa articulação realiza a união entre a clavícula, o esterno e a cartilagem


da primeira costela. Isso acontece na face medial da clavícula, que se junta
à face clavicular do esterno. Ela também é influenciada e influencia os
movimentos da escápula e da articulação acromioclavicular.

Preste muita atenção nas informações sobre a esternoclavicular porque ela


é o principal ponto de conexão entre as estruturas do ombro e da caixa
torácica.

A articulação esternoclavicular é pequena e com pouco ou nenhum suporte


das musculaturas do complexo do ombro. Por isso seus ligamentos possuem
um papel fundamental na estabilização articular.

Ao todo são quatro ligamentos que atuam nessa região:

• Ligamento esternoclavicular anterior;

• Ligamento esternoclavicular posterior;

• Ligamento interclavicular;

• Ligamento costoclavicular.

Uma das principais características dos ligamentos


encontrados na articulação esternoclavicular é sua força.
Por isso existem até casos em que encontramos fraturas
na clavícula devido a algum impacto sem deslocamento
articular.
Também existe uma cápsula articular para auxiliar no suporte da articulação,
porém ela depende dos ligamentos para essa função.

• Articulação subdeltoidea

Alguns autores desconsideram essa articulação quando falamos em


articulações do ombro. Isso porque ela também é uma articulação funcional,
sem características comuns nas estruturas verdadeiras como junção por
ligamentos.

Ela é uma junção da bursa subdeltóidea, o arco coracoacromial e os tendões


que formam o manguito rotador.

Só de conter os tendões do manguito você já consegue perceber quando


teremos a maioria dos problemas nessa região, certo?

Cuidado com a articulação subdeltoidea. Ela também tem forte poder


de influenciar os movimentos da escápula e merece atenção durante sua
avaliação.

• Articulação escapuloumeral ou glenoumeral

Essa é uma articulação verdadeira do tipo de esfera. Ela é


formada pela junção entre a cabeça esférica do úmero e
da cavidade glenoide da escápula. Consideramos a maior
e mais importante articulação do complexo do ombro.
Ela pode facilmente apresentar alguns problemas que nós encontramos com
frequência nos consultórios. Essa é a articulação mais instável e móvel de
todo o complexo do ombro. Ou seja, sem uma boa sustentação muscular
ela está sujeita a diversos tipos de lesões devido à pouca profundidade da
cavidade glenoide, o que faz com que a cabeça do úmero fique bastante livre
para se movimentar. Não só lesões, mas deslocamentos da escapuloumeral
também são extremamente comuns.

Por ser extremamente móvel, obviamente a glenoumeral teria o maior


número de movimentos em todo o ombro. Eles são:

• Abdução: elevação do úmero na cavidade glenoumeral no plano frontal;

• Flexão: movimento frontal e para cima do úmero no plano sagital;

• Extensão: movimento para cima do úmero no plano sagital na direção do


posterior do corpo;

• Rotação interna: rotação do úmero na direção medial;

• Rotação externa: rotação do úmero na direção lateral;

• Abdução da escápula: elevação do úmero no plano escapular, que fica na


metade dos planos coronário e sagital;

• Flexão horizontal: movimento do úmero em direção


medial quando o ombro estiver em flexão ou em
abdução de 90 graus;

• Extensão horizontal: movimento do úmero em direção


lateral quando o ombro estiver em flexão ou abdução de
90 graus.
Lembre-se, todos esses movimentos são possíveis porque o úmero é
separado por um espaço considerável da cavidade glenoide. Essa cavidade
também é rasa demais para limitar seus movimentos, justificando a
instabilidade e mobilidade da articulação.

Por isso ela possui uma necessidade extrema de estruturas estabilizadoras


que limitem seus movimentos. Essas estruturas são ligamentos, cartilagens e
músculos.

• Ligamentos da articulação escapuloumeral

Sua principal função é limitar os movimentos da articulação. Sem o seu


suporte a escapuloumeral é móvel demais e sujeita a lesões, subluxações e
até mesmo a deslocar-se totalmente. Existem três principais ligamentos que
atuam na articulação:

• Ligamento coracoumeral;

• Ligamento glenoumeral;

• Ligamento umeral transverso.

Também existe o labrum glenoidal e a bursa subacromial


que auxiliam nessa estabilização. O lábio glenoidal é
uma estrutura de cartilagem que molda a articulação,
auxiliando na manutenção dos movimentos do úmero.

Já a bursa é uma bolsa preenchida com líquido sinovial


que diminui o atrito entre as estruturas articulares. Essa
também é uma das maiores bursas que encontramos no corpo. É comum
encontrarmos a bursa inflamada gerando um quadro de dor aguda no
paciente.

Lembre-se que os ligamentos sozinhos são incapazes de manter essa


articulação estável. É aí que entram as musculaturas do complexo do ombro,
graças a ela que o manguito rotador consegue deslizar sem problemas sob o
músculo deltoide. Elas também precisam estar fortalecidas e trabalhando de
maneira funcional para evitar dores e lesões.

Músculos do complexo do ombro

Encontramos no ombro musculaturas que, à primeira vista, parecem bastante


curtas. E isso especialmente quando comparamos essas estruturas a outros
músculos espalhados pelo corpo. Mas não se engane, elas são potentes e
possuem a capacidade de realizar diversos movimentos.

Eles também auxiliam na estabilização do ombro, e frequentemente estão


entre os culpados de patologias e lesões no ombro. Esse é um grande
desafio que encontramos no ombro: fortalecer os músculos a ponto de
estabilizar as articulações e ajudá-las a manter a mobilidade.

A instabilidade e a falta de mobilidade são dois


problemas extremamente comuns nos ombros que
recebemos em consultórios e Studios. Ao fortalecer
exageradamente algumas musculaturas do ombro
arriscamos perder a mobilidade desse ombro.

Examinaremos aqui algumas das musculaturas mais


importantes que atuam nessa região.
Deltoide

Esse é um músculo grande e poderoso que atua na articulação do ombro.


Ele é facilmente identificável já que está localizado na parte superior da
articulação. Ele é inervado por um ramo do plexo braquial.

Podemos dividir o deltoide em três partes com origens distintas. Elas são:

• Clavicular: a parte anterior do músculo deltoide, tem origem no terço


ânterolateral da clavícula e função de flexão e flexão horizontal do ombro;

• Acromial: a parte medial do músculo, tem origem no acrômio e função de


abdução e extensão horizontal do ombro;

• Espinal: a parte posterior do músculo, com origem na espinha escapular e


função de extensão horizontal do ombro.

Todas essas partes têm inserção no tubérculo deltoideo, terço médio da


região lateral do úmero.

Sua principal função é estabilizar a articulação escapuloumeral. Sua contração


pode ser tanto sinergista quanto agonista, dependendo da posição do
úmero.

Supraespinhal

O supraespinhal é um dos músculos do manguito


rotador. É comum encontrarmos lesões nesse músculo
relacionadas ao manguito devido ao seu posicionamento,
que o faz fixar sob o acrômio, favorecendo o impacto
quando realizados movimentos de grande amplitude.
Sua origem é na fossa supraespinhal e sua inserção no tubérculo maior do
úmero, tendo como função a abdução do ombro.”

Serrátil anterior

Esse é o músculo responsável pela ligação entre a escápula e a caixa torácica.


Ele tem origem na superfície das nove costelas superiores no lado do tórax e
inserção na face anterior de toda a borda medial da escápula.

Devido a essa inserção na escápula percebemos que o serrátil anterior o


serrátil anterior é um dos músculos que regulam os movimentos da escápula,
sendo responsável por regular os movimentos da escápula sendo responsável
pela sua abdução e rotação superior. Olhando de forma global ele tem
papel quando realizada a rotação interna, flexão horizontal, abdução e
flexão do ombro. Por isso, ele está relacionado ao ritmo escapuloumeral,
que discutiremos mais à frente no artigo. O músculo serrátil anterior é
principalmente responsável por deslizar a escápula sobre a caixa torácica
e fundamental para tratamento de disfunções como a escápula alada, que
falamos anteriormente.

Quando pensamos de forma ainda mais abrangente, para trabalhar de


maneira adequada e estabilizar o ombro, juntamente com
a cintura escapular, o serrátil anterior precisa da ajuda
dos oblíquos internos e externos por serem componentes
da cadeia cruzada do tronco.
Trapézios

Os trapézios são divididos em trapézio ascendente, descendente e


transverso. Eles são músculos superficiais cobrindo uma área que vai da
cervical, passa pela escápula e se insere na altura da última costela. Mais
detalhadamente origina-se na base do crânio, ligamento do pescoço,
espinhas da C7 e todas as vértebras torácicas (T1-T12). A inserção é na
clavícula distal, processo do acrômio e espinha da escápula. Devido às
origens tão distantes convergindo para um mesmo ponto de inserção, a
orientação das fibras entre suas três porções confere ao trapézio funções até
mesmo antagônicas. Por exemplo, o trapézio ascendente é responsável pela
depressão e rotação superior da escápula, enquanto o trapézio descendente
realiza a elevação e rotação superior. Dessa forma eles são sinergistas e
antagônicos ao mesmo tempo. Esse exemplo mostra a complexidade que é
intervir na região do ombro. Já o trapézio transverso realiza a abdução das
escápulas.

Ao pensar em um programa de intervenção envolvendo os trapézios lembre-


se de avaliar com cuidado os movimentos do ombro que contam com a
participação desse músculo.

O trapézio, em especial o trapézio superior, fica tensionado em casos


de lesão no ombro. Alguns confundem a tensão no trapézio com força,
especialmente em indivíduos com o corpo mais
condicionado. Porém, isso não é verdade.

A tensão precisa ser liberada para conseguirmos tratar a


lesão ou patologia do ombro.
Peitoral menor

Vejo que muitos profissionais esquecem da importância do peitoral menor


para os movimentos do ombro. Realmente, se compararmos o peitoral
menor com trapézio, deltoide ou serrátil anterior, ele passa um pouco
despercebido. Porém, ele é responsável pela abdução, depressão e rotação
inferior da escápula. Seu papel na rotação inferior está intimamente ligado à
adução e à extensão do ombro. Além disso, por ser um abdutor da escápula
e estar envolvido na flexão horizontal do ombro, quando tensionado esse
músculo pode gerar protrusão e rotação interna do ombro.

Além disso, os movimentos realizados pelo serrátil anterior tendem a


diminuir o espaço articular, o que pode contribuir para o desenvolvimento de
patologias do ombro, como a síndrome do impacto.

Alguns fatores que deixam esse músculo tão propenso a encurtamentos e


compensações são:

• Ombros em rotação interna por muito tempo;

• Disfunções articulares, especialmente da glenoumeral;

• Disfunções respiratórias.

Além disso, o peitoral menor está localizado junto de


diversos outros músculos. O que quer dizer que se um
aluno está com encurtamentos nesse músculo, esse
problema provavelmente estará gerando compensações
em cadeia.
Note que a postura tem uma grande influência nessa musculatura. Em geral,
pessoas sedentárias que passam boa parte do dia sentadas em frente a
uma tela desenvolvem encurtamentos no peitoral menor. Você encontrará
situações assim com muita frequência no seu Studio e em pacientes com
dores no ombro.

Essa musculatura costuma estar desequilibrada quando os alunos apresentam


movimentos alterados da escápula. Sua origem está nos processos
transversos das vértebras cervicais superiores (C1-C4), com inserção na borda
medial da escápula acima da espinha.

Romboides

Os romboides estão localizados na parte medial do tórax sobre as primeiras


costelas e entre as vértebras e a borda medial da escápula. Eles são divididos
em duas partes, maior e menor. Quando contraídas, essas musculaturas
aproximam a escápula da coluna vertebral no plano frontal, realizando
a adução das escápulas. Além disso, devido à inclinação das suas fibras,
também consegue realizar a rotação superior e a elevação dessas estruturas.

Ritmo escapuloumeral

Por ser um conjunto de articulações bastante complexo,


o ombro precisa de musculaturas e articulações
funcionando juntas. De acordo com a posição e
amplitude de movimento do ombro, as musculaturas e
articulações em movimento mudam.
No caso da escápula não existe movimento até os 30º de abdução ou
flexão do ombro, o movimento nessa amplitude acontece na articulação
glenoumeral. Para que o movimento acima dessas amplitudes seja possível
existe o ritmo escapuloumeral.

Ele é o movimento coordenado da articulação glenoumeral e da cintura


escapular para garantir a grande amplitude de movimentos do ombro.

Quando esse ritmo está alterado teremos uma alta possibilidade de


desenvolver patologias, lesões e problemas na região do ombro.

Manguito Rotator

O manguito rotador é um conjunto de músculos e tendões responsáveis


por estabilizar as articulações do ombro durante o movimento. O manguito
rotador é o grupo de músculos com o papel principal de estabilizar a
articulação glenoumeral. Devido a sua amplitude de movimento ela é
extremamente instável.

Além disso, a cápsula articular da glenoumeral é rasa demais para manter


a cabeça do úmero bem posicionada. Por isso, sem a ação do manguito, a
articulação glenoumeral está sob risco de deslocamento constante.
O manguito rotador é formado por quatro músculos:

• Supraespinhal;

• Infraespinhal;
• Redondo menor;

• Subescapular.

Em muitos casos de lesões e patologias do ombro encontramos um manguito


rotador enfraquecido.

Como vimos, um manguito enfraquecido leva à instabilidade no complexo do


ombro.

Precisaremos trabalhar com o fortalecimento das musculaturas do manguito


na maioria dos processos de reabilitação do ombro.

Estabilidade e mobilidade do ombro

O complexo do ombro vive em contradição: precisa de mobilidade o


suficiente para se movimentar com qualidade e de estabilidade o suficiente
para evitar lesões. Adivinhe, boa parte dos ombros que encontramos
nos Studios tem uma dessas características exagerada ou em falta. Você
encontrará complexos do ombro sem mobilidade ou sem estabilidade com
muita frequência. Se não fossem os estabilizadores dinâmicos do ombro, as
articulações, em especial a glenoumeral, teriam pouquíssima estabilidade.
Portanto, um dos pontos centrais de qualquer
reabilitação do ombro é o fortalecimento dos
estabilizadores do ombro.
Avaliação do complexo do ombro

O aluno chega no seu Studio com dor no ombro, o primeiro passo para
começar a tratá-la é uma boa avaliação. Agora que relembramos algumas
características do complexo do ombro podemos aprender como realizar uma
avaliação mais eficiente.

Começaremos analisando seu histórico clínico. Pergunte ao paciente sobre


episódios anteriores de dor no ombro e lesões na região. Nesse momento
você também deve descobrir quais os movimentos que mais causam dor no
aluno, se existe alguma atividade específica que piora o quadro e há quanto
tempo ele sente esse desconforto.

O histórico clínico não é capaz de te dar um diagnóstico completo do


corpo desse paciente, mas te dará uma direção para seguir no restante da
avaliação.

Depois de passar pelo histórico clínico você está pronto para começar a
avaliação física. Agora é o momento de avaliar o ombro em todos os planos
de movimento, entendendo mais sobre suas limitações de movimento.

Os testes dinâmicos e estáticos são essenciais para determinar qual é o


verdadeiro problema desse ombro. Analisaremos a força muscular das
principais musculaturas estabilizadoras do ombro e também sua postura.

A avaliação postural será um ponto importante para


determinar tensões nas musculaturas do ombro e
compensações relacionadas à coluna torácica.

Um detalhe: nunca avalie somente o ombro. Devemos


entender todo o corpo e suas compensações.
Você deverá descobrir outras queixas de dores e desconfortos do paciente,
mesmo que pareçam não relacionadas.

Avalie os movimentos de outras regiões e também a força das musculaturas


de base do corpo.

Conclusão

Os ombros, juntamente com a cintura escapular, formam um conjunto


articular bastante complexo, sendo propenso a desenvolver diversas formas
de lesões e patologias. Quando o aluno nos procura para tratar seus
problemas de ombro, ou escapulares, ele espera resultados rápidos para
voltar às suas atividades diárias.

É algo impossível de oferecer sem entender muito bem o funcionamento e


interação de todas as articulações do ombro e cintura escapular, bem como a
ação dos diversos músculos envolvidos nos seus movimentos.

Ótimos exercícios de mobilidade de ombro


para sua aula
O ombro é um complexo articular com um pequeno
problema: grande amplitude de movimento e pouca
estabilidade. Para entender melhor, vamos relembrar
rapidamente das articulações que o formam:
• Escapulotorácica;

• Acromioclavicular;

• Esternoclavicular;

• Subdeltoidea;

• Escapuloumeral.

Algumas dessas articulações na verdade são bem estáveis, mas outras


têm um grande problema com estabilização, tendo estabilizadores
passivos pouco eficientes. Algumas usam o manguito rotador como
seu principal estabilizador, enquanto outras trabalham praticamente só
com estabilizadores passivos. Por isso, encontraremos no ombro alguns
ligamentos fortes e musculaturas com funções importantes de estabilização.

A estabilização estática desse complexo é realizada principalmente por


ligamentos, bursas e tendões. Também temos os músculos dando suporte
dinâmico, com destaque para o manguito rotador.

Um desequilíbrio em qualquer um desses tipos de estabilizadores causa


dores e lesões. Por isso, a estabilização é o primeiro fator que chama a
atenção de muitos profissionais do movimento ao trabalhar com um aluno
lesionado.
Esse é nosso grande erro: lembrar somente de uma
das características funcionais do ombro. Mesmo
quem sofreu uma lesão ou trauma precisa desenvolver
mobilidade, como veremos a seguir.
Por que usar exercícios de mobilidade de ombro?

Cada vez mais pessoas sofrem com perda de mobilidade em seus corpos.
Aqui não estou falando somente de ombro, mas do organismo de maneira
geral. A coluna é um grande exemplo disso. Quantos alunos você já
encontrou com uma rigidez na coluna que os impedia de manter a postura
correta?

É claro que essa rigidez é global e afeta também o ombro. Quando alguém
reclama de dor, ela geralmente já está incentivando uma rigidez articular na
região. Veja uma pessoa lesionada se movimentando-se: ela faz de tudo para
não mexer na região dolorida. Esse é o primeiro passo para deixar de usar
as musculaturas locais e piorar muito os movimentos.

Além disso, precisamos lembrar que o ombro está intimamente conectado


ao restante do corpo através da cintura escapular. Não conseguimos tratar
essa região sem pensar nas consequências da falta de mobilidade nessas
estruturas. As escápulas estão conectadas diretamente à caixa torácica,
região bastante prejudicada pela falta de mobilidade da coluna torácica.

Quem treina algum tipo de arte marcial sabe muito bem que o ombro não é
uma estrutura isolada. Quando um boxeador dá um soco no oponente, ele
não está simplesmente movimentando o ombro e estendendo o braço. O
que acontece é um movimento complexo que começa nos pés, passa pelo
quadril, segue pela coluna e chega aos membros superiores.

Mas você não precisa ser um lutador para necessitar de


toda essa mobilidade. Todos os movimentos diários com
membros superiores estão conectados ao restante do
corpo.
Sem mobilidade nunca teremos um corpo com movimentos funcionais ou um
ombro com bom funcionamento e sem dores. O ombro lesionado desenvolve
falta de mobilidade principalmente por causa de musculaturas tensionadas e
um padrão de movimento incorreto.

Causas da falta de mobilidade do ombro?

Sempre que estou trabalhando com uma patologia, dor ou lesão eu procuro
saber sua causa. É bastante simples, preciso saber a origem do problema
para conseguir consertá-lo. Obviamente, o mesmo se aplica à necessidade
de exercícios de mobilidade de ombro.

A falta de mobilidade faz parte de um ciclo vicioso do corpo. Um problema


postural, por exemplo, pode deixar o ombro com amplitude menor de
movimento. As compensações aos poucos começam a gerar dor e o paciente
deixa de usar esse ombro nos movimentos diários. Assim, os músculos ficam
mais enfraquecidos e tensionados, diminuindo ainda mais a mobilidade.

Isso acontece porque o corpo está criando mecanismos de defesa para


prevenir a dor. Ninguém gosta de se mover com desconforto e a alteração
acontece mesmo sem que o paciente perceba. Só existe um problema: essa
solução não é o ideal.

Ao invés de resolver o problema do ombro, diminuir


seus movimentos só disfarça a dor. Ela continua lá e os
desequilíbrios só se espalham. A capsulite adesiva é um
exemplo bem claro disso.
Pessoas com o problema desenvolvem uma inflamação na cápsula do ombro
com o sintoma de dor aguda e intensa.

Aos poucos, sua articulação perde mobilidade, fica rígida e sem amplitude
de movimento. Mas a capsulite é um problema específico que não pode ser
tratada como outras patologias do ombro.

Principais causas

Em geral, pacientes que perdem movimento do ombro costumam apresentar


um dos seguintes problemas (ou mais de um combinado):

• Fraturas;

• Inflamações como a artrite;

• Tensão muscular;

• Lesões na região;

Só preste atenção: nem todo aluno lesionado, fraturado ou com inflamação


precisa ter perda de mobilidade. Tudo depende do tratamento que ele
consegue. Quem realiza uma boa reabilitação é capaz de proporcionar um
ombro com amplitude total de movimento e sem dores.

Outro ponto importante: nem sempre o trauma precisa


ser recente para prejudicar o aluno atualmente. Algumas
pessoas perdem a mobilidade depois de uma cirurgia
ou lesão que aconteceu anos atrás, mas não procuraram
ajuda. Elas só perceberam que isso é um problema recentemente quando
surgiu algum desconforto.

Cirurgias são bastante problemáticas para esses pacientes, apesar de


necessárias para tratar os problemas da articulação. Assim que um paciente
passa por uma cirurgia ele é submetido a certo período de repouso. Alguns
sequer procuram a fisioterapia conforme o médico recomendou, só esperam
a dor passar e voltam a suas atividades.

Quer ter certeza do motivo dessa falta de mobilidade? Pesquise o histórico


médico do aluno e faça uma avaliação completa.

Exercícios de Mobilidade de Ombro

Sabendo que os exercícios de mobilidade de ombro são essenciais no nosso


tratamento, separei algumas opções para você. Caso você esteja trabalhando
com um aluno lesionado, deixe que faça o movimento na amplitude que
conseguir e aumente aos poucos. Nunca exagere de maneira que a pessoa
sinta dor.

Veja alguns exercícios de mobilidade de ombro:


Conclusão

Como foi dito, o ombro conta com pouca estabilidade e grande amplitude
de movimento. Sendo necessário equilibrar essas estruturas para não gerar
lesões.

Comumente alunos reclamam para profissionais do movimento sobre dores,


o primeiro passo desses profissionais é diagnosticar a estabilização do local
lesionado. Assim, os indivíduos devem ficar atentos nesses desequilíbrios
para evitar possíveis problemas.

Frequentemente as pessoas após terem problema com a estabilização,


esquecem de outra característica importante do ombro, que é a mobilidade,
ficando sem mobilidade em alguma parte do corpo, o
prejudicando por inteiro.

Com esse e-book, eu tenho o intuito de alertar os


leitores sobre problemas que podem ser causados
no ombro e mostro exercícios de mobilidade de ombro que podem ser
aplicados em sua aula.

Mobilidade X estabilidade na reabilitação


da coluna: como realizar
Será que uma coluna com dor precisa de movimento? Com certeza!
Mesmo assim insistimos em trabalhar só fortalecimento de estabilizadores,
fortalecimento de core e muito pouco ou quase nada de mobilidade. A
reabilitação da coluna nunca estará completa enquanto nosso foco for
somente a estabilidade.

Para conseguir mudar a ideia de que a coluna precisa só de estabilidade,


separei algumas dicas relacionadas à mobilidade na reabilitação da coluna.
Você vai aprender como a falta de movimento está relacionada com a dor
lombar e como trabalhar o movimento em aula. Vamos lá? Continue lendo
para conferir dicas valiosas.

Dores na coluna causadas por instabilidade

Geralmente quando um aluno chega para realizar


a reabilitação da coluna, especialmente na região
lombar, encontramos bastante instabilidade. Isso
costuma acontecer porque existe uma fraqueza nos
estabilizadores da coluna.
Em geral relacionamos dor lombar com uma falta de estabilidade e
excesso de mobilidade. Tal fator coloca as estruturas ósseas e de
proteção, como discos intervertebrais, sob pressão. Como resultado
vemos as mais variadas dores e lesões.

O que esquecemos ao analisar uma dor lombar causada por instabilidade


e falta de sustentação é a visão global do corpo. Se existe instabilidade em
uma articulação, provavelmente existe rigidez na articulação subsequente.

Para a lombar esse seria o quadril ou a coluna torácica.Então perceba que


a mobilidade excessiva da lombar na verdade foi causada por falta de
mobilidade em outra área. Confuso?

Olhe como vemos o corpo na abordagem joint by joint com a qual


trabalhamos no funcional. Cada conjunto articular possui uma necessidade
em especial. Essa necessidade seria características que ele tende a perder
nas atividades cotidianas.

A coluna torácica, por exemplo, precisa de mobilidade. Já a lombar


precisa trabalhar estabilidade. Isso quer dizer que a maioria dos nossos
alunos possui uma torácica rígida, sem movimento.

Os alunos que estão em fase de reabilitação na coluna lombar precisam


desse trabalho de mobilidade, especialmente se acontecer de maneira
global.
Mesmo que você trabalhe estabilidade à exaustão o
corpo não se cura. É até possível que a dor desapareça
temporariamente, mas os desequilíbrios biomecânicos
continuam lá.
O que acontece quando priorizamos estabilidade?

Seu aluno veio realizar a reabilitação da coluna lombar, nada de novo


para nós que trabalhamos com funcional ou Pilates. Logo após a primeira
avaliação você decide: essa lombar está instável, sabe o que essa pessoa
precisa? De muito trabalho de estabilidade!

Então começa a trabalhar ativação de core, fortalecimento de transverso


do abdômen e outras musculaturas estabilizadoras. Não está errado,
precisaremos de tudo isso para realizar o tratamento. Mas em excesso é
possível gerar mais problemas do que resolver.

Quando realizamos um fortalecimento excessivo dos estabilizadores da


coluna lombar, criamos uma coluna rígida. Sem movimento o sistema
musculoesquelético fica sobrecarregado. Até os discos intervertebrais
ficam em risco. Como resultado, surge uma probabilidade maior do aluno
desenvolver patologias como hérnias de disco lombar.

As cadeias musculares desse corpo sem movimento tornam-se tensas. Assim,


mesmo quando o corpo está em relaxamento ele é incapaz de se recuperar
por completo e até de repor a água dos discos intervertebrais através da
hidrofilia.

Existem diversas alterações que criamos quando não


trabalhamos mobilidade na reabilitação de coluna. Pegue
o transverso do abdômen como exemplo. Ele possui
várias funções na manutenção da postura e controle da
pressão intra-abdominal (PIA). Por isso é considerado um
importante estabilizador lombar. Essa musculatura forma
a parede posterior do canal inguinal, sendo responsável
por impedir herniação das vísceras.
Ao trabalhar com um excesso de contração do transverso, geramos um alto
custo compensatório para o corpo. Acabaremos com uma PIA aumentada,
problemas posturais e diminuição da mobilidade da coluna.

Fortalecer somente transverso do abdômen não é a solução para seus


problemas. Sempre devemos lembrar que músculos estabilizadores da coluna
são um conjunto e devem ser trabalhados assim. E claro, é preciso inserir
também trabalho de mobilidade.

Lembre: quanto menos móvel for a coluna, mais frágil ela se torna e maior a
probabilidade de lesão.

Influência da postura na reabilitação da coluna

Um indivíduo com uma postura considerada normal tem o peso do


corpo direcionado para a frente sobre a região do hálux. Através do
posicionamento correto da linha do centro de gravidade do corpo
observamos um bom alinhamento postural. Nesta postura os membros
inferiores encontram-se alinhados com o quadril e joelhos, estando em
posição neutra.

Quando o alinhamento postural está comprometido


vemos uma maior carga aplicada na coluna lombar.
Isso é algo bastante observado em alunos obesos, cuja
distribuição de gordura corporal interfere no alinhamento
postural.

Inclusive talvez você perceba que essas pessoas são


bastante propensas a desenvolver dor lombar.
Em um desalinhamento postural algumas musculaturas ficam enfraquecidas
e outras mais tensionadas. No caso da hiperlordose que costuma causar dor
lombar temos hipotrofia dos estabilizadores da coluna, algo que também
causa instabilidade. Mesmo com a alta capacidade de suportar peso da
região lombar ela eventualmente sofrerá por causa da postura errada.

Para conseguir recuperar um bom alinhamento postural é necessário


trabalhar o corpo todo. A hiperlordose que mencionei aqui também causa
uma inclinação da pelve que prejudica a mobilidade do quadril.

É possível encontrar desvios em todo membro inferior, incluindo joelhos e


tornozelos. Sabe qual é a única solução de recuperar a postura? Recuperar
também a mobilidade do corpo.

Muitas vezes, o paciente desenvolveu essa hiperlordose lombar como


compensação para uma série de desequilíbrios gerados por falta de
mobilidade.

O aumento da lordose lombar está relacionado a um aumento da cifose


torácica em muitos casos. Com a coluna torácica menos móvel até os ombros
e escápulas apresentam amplitude de movimento menor.

Por que a falta de mobilidade é tão comum?

O corpo foi criado para se mover de várias formas. Hoje


em dia, no entanto, o ambiente social e cultural em que
crescemos nos incentiva à imobilidade. Combine estilo de
vida sedentário com a ideia de que uma coluna saudável
é reta e temos a fórmula perfeita para desenvolver
rigidez na coluna vertebral.
Pessoas sedentárias tendem a perder mobilidade em todo o corpo. Ficar
muito tempo sentado é um grande problema que causa enfraquecimento
de musculaturas de base como o glúteo.

Também veremos uma ativação excessiva de músculos como os isquiotibiais,


que, apesar de permitir movimentos da pelve, são responsáveis por desvios
posturais no movimento.

Sem musculaturas de base para sustentar o corpo é claro que a coluna


lombar fica instável.

A solução para todo esse quadro compensatório não é isolar a lombar e


trabalhar sua estabilidade.

Assim você só conseguirá mais rigidez. O ideal para uma boa reabilitação de
coluna é combinar mobilidade e estabilidade.

Adquira estabilidade onde e quando o corpo precisar, mas evite a


rigidez. O corpo rígido só fica mais frágil. Seu aluno talvez saia da aula
sem dor lombar, mas ela vai voltar e talvez pior.

Como trabalhar mobilidade na reabilitação da coluna


lombar

Logo que começamos a reabilitação da coluna


com o aluno ele tem medo de movimento. Isso é
completamente compreensível, mas não aceitável.
Mesmo que nossa vontade seja mobilizar essa coluna
agora mesmo, não podemos forçá-lo. Seu papel será de incentivar o
movimento e mostrar que não existem riscos.

Talvez seja um processo demorado. Estamos lidando com alguém que


provavelmente vem sentindo dor há meses. Até onde essa pessoa sabe, se
ficar quietinho deitado na cama a dor passa, então se mover é o problema.

Sabemos que o verdadeiro problema está em não se movimentar, mas o


paciente terá de descobrir.

Comece com exercícios mais leves e com uma amplitude de movimento


menor. Você pode e deve usar acessórios que facilitam o movimento e
ajudem a estabilizar a coluna. Muitas vezes precisamos limitar o trabalho de
mobilidade nas fases iniciais da reabilitação da coluna. Conforme a pessoa
for progredimento você aumenta a amplitude de movimento usada no
exercício.

Conclusão

Com os avanços tecnológicos e uma cultura do sedentarismo a tendência é


ver corpos cada vez mais rígidos. Essa rigidez e falta de movimento está
diretamente ligada à alta incidência de dor lombar
que observamos na população em geral. Se quisermos
realizar uma reabilitação eficiente para cada um de
nossos alunos teremos de lembrar que o problema não
é só a instabilidade.
O verdadeiro problema é a falta de movimento. Uma boa reabilitação
envolve exercícios focados em estabilidade e mobilidade que se
complementam.

Queremos ganhar amplitude de movimento aos poucos conforme os


músculos estabilizadores da coluna se fortalecem. É a melhor maneira de
evitar deixar a coluna do aluno rígida e de realmente oferecer resultados.

13 exercícios de mobilidade torácica para


melhorar suas aulas
As pessoas me falam várias vezes no início da aula: “Nossa Keyner, eu não
sou nada flexível”.

Geralmente isso acontece quando eu peço para eles realizarem alguns


movimentos. Tem muita gente que sente dificuldade. E é nessa hora que as
reclamações começam.

Sei que essa é uma situação comum em muitos alunos.

Mas preste atenção, o aluno pode pensar que é falta de


flexibilidade, mesmo que esse talvez não seja o caso.
É bem provável que esse aluno tenha uma falta de
mobilidade na coluna torácica.

Quando a torácica é incapaz de realizar seus


movimentos de flexão, extensão e rotação, a lombar
é forçada a fazê-lo. Porém esse movimento lombar não é tão eficiente,
fazendo com que o aluno sinta dificuldade de fazer um movimento
completo.

Na hora de corrigir os problemas desse aluno talvez você fique um pouco


perdido. À primeira vista a coluna torácica parece uma região complicada de
trabalhar. Dessa maneira, seria ainda mais difícil arranjar exercícios específicos
para ela, não acha?

Veremos ao longo desse artigo que não é o caso. Separei uma seleção com
13 exercícios para mobilidade da coluna torácica. Também entenderemos um
pouco mais da importância de devolver a mobilidade dessa região e como
ela influencia na dor.

Você verá neste artigo:

• Como funcionam os movimentos da torácica;

• Influência da torácica na dor no ombro;

• Influência da torácica na dor cervical;

• Influência da torácica na dor lombar;

• Exercícios para melhorar a mobilidade da coluna torácica.

A coluna torácica

Toda a coluna vertebral é importantíssima no corpo.


Talvez esse seja um dos motivos que a faz ser alvo de
problemas e compensações com tanta frequência.
Ela é a responsável por tantas funções que é óbvio que em todo mundo
deve existir algum desequilíbrio. Quer uma prova? Boa parte dos alunos que
buscam Pilates ou Treinamento Funcional sofrem de dor lombar.

Mas Keyner, o artigo não é sobre coluna torácica? O que dor lombar tem a
ver com isso? Tudo, como veremos logo!

Antes disso quero mostrar como todas as partes da coluna estão


interligadas. E para isso precisamos entender um pouquinho mais sobre seu
funcionamento.

Nossa coluna cumpre funções de suporte, proteção e movimento. Ou seja, se


qualquer uma dessas funções estiver prejudicada veremos compensações nas
outras também.

Para cumprir tais funções, a coluna vertebral apresenta os seguintes


componentes moles:

• Músculos;

• Ligamentos;

• Cápsulas;

• Tendões.

E eles são a fonte da flexibilidade da coluna. Dá para ver


onde quero chegar? Ainda não? Vamos em frente então.
Movimentos da coluna

A coluna realiza:

• Extensão;

• Flexão;

• Inclinação lateral;

• Rotação.

Para que cada um desses movimentos aconteça precisamos da ação de


diversas musculaturas. Por esse motivo é necessário que em qualquer
reabilitação de coluna adotemos um trabalho global, que reabilite todo o
corpo.

Se o aluno estiver com dor provavelmente terá dificuldades em fazer um


desses movimentos. Essa é uma situação bastante comum, e pode nos limitar
em vários aspectos da aula.

Curvas fisiológicas da coluna

Acho que você também cresceu com uma mãe que dizia
para ficar com a coluna reta. Boa parte das pessoas teve
alguém que falava isso na infância, mas é uma grande
mentira, como já sabemos.

A coluna possui curvas fisiológicas, que ajudam cada


seção a realizar sua função e suportar o corpo. Elas
podem ser lordoses ou cifoses. Uma lordose é uma convexidade anterior,
enquanto a cifose é posterior. Existem pessoas com uma lordose ou cifose
exagerada, que pode ser patológico ou indicar um desvio postural.

A posição ideal da coluna é a neutra. Ao permanecer nessa posição o corpo


mantém as curvas fisiológicas, evita tensão de outras musculaturas e evita a
dor.

Características específicas da coluna torácica

Falando da torácica em especial observaremos que essa é uma parte pouco


móvel e com uma convexidade posterior. Várias características da região a
tornam menos móvel que a lombar ou a cervical. Exemplos são o tamanho de
suas vértebras e sua relação com o processo respiratório.

Mas não é porque a torácica é naturalmente menos móvel que o aluno


pode apresentar rigidez sem problemas. Quando encontrarmos uma falta
de mobilidade excessiva dessa região precisamos recuperá-la, devolvendo à
torácica seus movimentos funcionais.

Precisamos lembrar que a torácica está intimamente relacionada à caixa


torácica, já que suas vértebras estão ligadas às costelas.

Respiração e coluna torácica

Já ouviu falar que desvios posturais talvez estejam


envolvidos nos problemas respiratórios do aluno? Na
verdade, isso é bem provável.
Vimos que a coluna torácica está ligada às vértebras que formam a caixa
torácica. Essa estrutura é responsável pelos mecanismos respiratórios
durante a expiração e inspiração.

Adotar uma posição ruim da coluna pode tranquilamente reduzir a


capacidade respiratória do indivíduo.

Com uma coluna torácica mal posicionada ou com lordose aumentada,


observamos que a caixa torácica expande menos. Como resultado, o pulmão
recebe menos ar do que poderia.

Vejamos o exemplo de um paciente que sofre com dor na região torácica. Ele
cria adaptações que ajudam a aliviar a dor, mas deixam a coluna retificada,
com pouca mobilidade e mais curvada. Isso é típico de quem trabalha por
muitas horas sentado na mesma posição.

Por forçar sua coluna a uma posição pouco funcional, esse aluno também
está diminuindo sua capacidade respiratória. Quando ele resolver começar
a fazer alguma atividade física vai se cansar fácil, ficar frustrado e talvez
desistir.

A posição errada da coluna torácica também leva a uma fraqueza das


musculaturas relacionadas ao processo respiratório. No final, encontraremos
um aluno não só com a coluna prejudicada, mas também todo seu
organismo.
Só para entender melhor essa importante relação,
vamos observar outros fatores agravantes de problemas
respiratórios.
Começando com o aumento da massa visceral, algo que ocorre
especialmente quando o corpo está acima do peso. A obesidade está
relacionada a problemas na coluna. Ela é uma característica de pessoas
sedentárias, algo que também leva a problemas posturais.

Então quando encontrarmos um aluno com problemas na coluna torácica,


ele provavelmente terá uma respiração pouco eficiente. Isso quer dizer que é
alguém que se esforça mais para respirar e obtém um resultado menor.

Core e coluna torácica

A respiração utiliza uma musculatura essencial: o diafragma. Ele, por sua vez,
possui grande influência nas musculaturas do core.

Em um aluno com dificuldades respiratórias e falta de mobilidade torácica, o


core provavelmente tem uma ativação ineficiente.

Como sabemos, o core é um conjunto de musculaturas fundamentais para


a estabilização do tronco. Por influenciar diretamente nas estruturas da
coluna, uma má ativação do core também pode levar à dor lombar.

Importância de uma boa mobilidade torácica

Treinar aquele aluno que fica sem ar rápido e não


aguenta todas as séries é difícil, não? Eu também já
passei por isso. Faça uma avaliação rápida com essa
pessoa, talvez sua coluna torácica esteja prejudicada.
Entendemos no tópico anterior que compensações na torácica influenciam a
respiração. Mas existem outras regiões que sofrem.

Mobilidade torácica e ombro

O ombro não está diretamente conectado à coluna, certo? Mas


indiretamente ele tem tudo a ver com a torácica.

A articulação esternoclavicular e a escápula estão conectadas à caixa


torácica. Lembram que essa região está ligada às vértebras pelas
costelas?

Isso quer dizer que o movimento (ou falta dele) na coluna torácica também
pode ser fonte de desequilíbrios no ombro.

Quando a torácica encontra-se pouco móvel, também encontraremos


encurtamentos musculares. Um deles em especial terá grande influência no
ombro: o peitoral menor.

Com essa musculatura encurtada toda a cintura escapular terá problemas de


movimento. E isso também tem relação com a torácica.

Alterações na coluna torácica que influenciam o ombro

Para começar a discutir o assunto imagine um ombro


com movimentos funcionais e sem compensações. Em
qualquer movimento a escápula desliza sobre a caixa torácica com o auxílio
das musculaturas do ombro. Nada de problemas aí.

Agora veja o mesmo ombro, mas com a caixa torácica com sua posição
alterada devido a uma falta de mobilidade torácica.

Sem a mobilidade da coluna, a caixa torácica impede o movimento completo


da escápula. Isso acontece especialmente em exercícios que exigem uma
amplitude elevada de movimento do ombro.

Outra possibilidade de dor no ombro relacionada à coluna é a falta de


sincronia entre os movimentos. Para que o complexo do ombro seja capaz
de realizar seus movimentos na amplitude máxima, a escápula e a torácica
devem se mover em sincronia.

Quando isso não acontece veremos compensações em uma das partes


e a dor como consequência. Alguns autores também sugerem que uma
hipercifose na coluna torácica geraria um movimento errôneo de escápula.

Numa postura caracterizada por hipercifose observaremos alguns músculos


tensionados e outros enfraquecidos. Portanto, a escápula seria incapaz de
atingir um movimento equilibrado.

Tais disfunções relacionadas à coluna torácica podem inclusive levar a


lesões por movimentos repetitivos e diminuição do espaço subacromial.
Para entender mais você pode visitar meu guia
completo das principais patologias e lesões do ombro.
Quando encontrarmos alunos com desequilíbrios na articulação
escapulotorácica é importante lembrar dessa relação. Tratar somente a
disfunção do ombro e esquecer que a coluna torácica está entre as causas te
dá um tratamento pouco eficiente.

Talvez seu aluno até sinta um alívio da dor e recupere as funções do ombro
por um tempo. Mas logo ele estará de volta com o mesmo problema ou pior,
uma lesão.

Mobilidade torácica e dor cervical

Buscando informações sobre dor cervical na internet você encontrará uma


série de artigos sugerindo a manipulação torácica como tratamento.

A coluna torácica é uma continuação da cervical, portanto podemos


compreender como as duas partes estão interligadas. E a falta de
mobilidade dessa região gera compensações óbvias na região cervical.

Portanto, é bastante comum encontrar alunos com dificuldades na cervical


por falta de mobilidade torácica.

A restrição de movimentos torácicos é com frequência a origem de falta de


mobilidade cervical ou tensão em musculaturas relacionadas.

Durante a reabilitação de um paciente com cervicalgia,


recuperar a mobilidade da coluna torácica leva até ao
retorno da mobilidade cervical. A manipulação torácica
através da Terapia Manual também é uma boa maneira
de obter alívio da dor eficiente.
A hipercifose aliada a um desvio postural da torácica está entre as causas
de cervicalgia. Portanto, o profissional deve prestar atenção extrema a
essa região.

Em alguns casos você pode estar diante de um caso de problema torácico. A


cervicalgia pode ser nada mais que um sintoma.

Mobilidade torácica e dor lombar

A lombar é a continuação da coluna torácica, o que quer dizer que é outra


região fortemente afetada por suas disfunções.

Um corpo que possui pouca ou nenhuma mobilidade torácica ainda precisa


se mexer. Qualquer pessoa precisa continuar sua vida que é cheia de
movimentos de extensão e flexão de tronco. Por isso a lombar entra em
ação.

Encontramos com frequência uma lombar com falta de estabilidade no corpo


que possui rigidez torácica.

A lombar compensa, ganhando mais mobilidade para realizar os movimentos


que a coluna torácica deixou de fazer.

Estou querendo dizer que seu paciente com lombalgia


pode ter falta de mobilidade torácica.
Alterações torácicas que influenciam na lombar

Estudando a abordagem joint by joint percebemos que a coluna lombar é


uma articulação com grande necessidade de estabilidade. Ela é bastante
móvel e costuma compensar quando existe uma falta de mobilidade de
quadril ou torácica.

Alunos que apresentam hipercifose torácica também costumam sofrer


com uma pronação de cabeça (que pode levar à cervicalgia) e aumento
na curvatura da lombar. Precisamos sempre lembrar que as curvaturas
fisiológicas da coluna agem de maneira compensatória.

Dessa maneira uma curvatura aumentada precisará alterar outra para


redistribuir o peso do corpo sobre a coluna.

Ao encontrarmos uma modificação postural como a hipercifose também


observamos um paciente com encurtamentos musculares. Os principais
afetados são a musculatura extensora, que estará bastante tensa.

Na hora de realizar os exercícios para adquirir mobilidade torácica em alunos


com lombalgia encontramos um grande problema: a dor. Muitos deles
que apresentam dor aguda sentem dificuldade ao realizar exercícios que
envolvam flexão e extensão de coluna.

Minha recomendação é limitar o movimento do exercício.


Não é preciso fazer uma flexão completa, faça até onde o
aluno aguentar. Quando ele sentir dor é um sinal de que
esse é o limite por enquanto.
Com o tempo ele conseguirá realizar exercícios de mobilidade de coluna
torácica com maior amplitude. Basta ter paciência e fazer um trabalho de
bases eficiente.

Falta de mobilidade torácica e o psicológico

O psicológico do aluno afeta em seu corpo. Um aluno com compensações


pelo corpo provavelmente é alguém ansioso ou estressado.

O corpo responde ao estresse na forma de tensão. E a parte superior é


bastante afetada. Falta de mobilidade e flexibilidade são características de
uma pessoa rígida com si mesma e que não consegue ser flexível frente a
problemas.

Quanto maior for o estresse que afeta seu cliente, maior será a tensão nas
musculaturas do ombro e da torácica. Isso gera um ciclo vicioso que teremos
que nos esforçar para quebrar.

Nesse ciclo o estresse gera rigidez e tensão muscular. A tensão, por sua vez
gera dor, seja nos ombros, cervical, lombar ou na própria torácica. E a dor
deixa aquele aluno ainda mais estressado.

Assim vemos que aliviar a dor será o primeiro passo para


quebrar o ciclo, mas não é suficiente. Mesmo que você
faça uma liberação das musculaturas tensionadas em
aula, o aluno voltará com a tensão mais tarde.

Ele precisará resolver também suas dificuldades


e bloqueios psicológicos para se livrar da dor
definitivamente.
Como recuperar a mobilidade da coluna torácica

A primeira consideração que precisamos fazer é: a coluna torácica não se


move somente em um plano de movimento.

Muitos processos de reabilitação focam muito na extensão e na flexão, mas


as rotações também são bastante importantes. Quando estiver organizando
os exercícios para reabilitação da coluna lembre-se de escolher exercícios
que contemplem todas as movimentações.

Precisamos contemplar movimentos nos planos:

• Sagital;

• Frontal;

• Transversal.

É normal lembrar muito do plano sagital, fazer alguma coisa no plano frontal
e esquecer completamente o transversal. Esse é um trabalho pouco eficiente
que esquece da necessidade de movimentos funcionais que possam ser
transferidos para o cotidiano.

Quer ideias de como fazer esses exercícios? No vídeo abaixo ensino um


exercício bem simples, mas muito eficiente para o plano transversal.
Você também pode conferir exercícios para os três planos no vídeo abaixo.
Cuidados no trabalho de mobilidade torácica

Na hora de trabalhar com o aluno preste atenção ao aluno. A coluna é uma


estrutura propensa a realizar compensações, especialmente quando
existem déficits musculares.

A mobilidade da torácica pode ser compensatória, isso fica evidente em


alunos com dor. É comum que a pessoa mobilize muito uma região da
torácica e deixe outra sem mobilidade.

Durante o exercício você deve ensinar o aluno a criar uma mobilidade


uniforme em toda a coluna torácica.

Também preste atenção nas compensações em outras partes da coluna. Seu


aluno pode tentar mobilizar a torácica enquanto compensa na cervical ou
lombar, piorando um quadro de dor.

E cuidado, desenvolver mobilidade não quer dizer abrir mão da estabilidade.


Seu aluno não deve desenvolver uma coluna instável devido aos exercícios
de mobilidade, ou arriscará uma lesão.

Caso você observe que o aluno está com alguma


parte da coluna estável, é importante trabalhar essa
característica também. A lombar, por exemplo, está
propensa à instabilidade e mobilidade em excesso.
Avaliação das causas da falta de mobilidade

Antes de começar qualquer tratamento você deve realizar uma avaliação


minuciosa. A falta de mobilidade na coluna torácica pode estar relacionada a
diversos fatores.

Muitas vezes encontramos uma torácica debilitada devido a compensações


e fraquezas musculares. Hábitos posturais, tipo de trabalho e atividade física
também influenciam.

É importante conferir como a falta de mobilidade compensa durante o


movimento para conseguirmos idealizar a reabilitação mais eficiente.

Além disso, você conseguirá perceber quais regiões estão compensadas e


poderá trabalhá-las durante a aula.

Exercícios para mobilidade da coluna torácica

Finalmente vamos descobrir como resolver o problema da falta de


mobilidade!

Nos exercícios a seguir mostrarei como trabalhar em todos os planos e


reabilitar o paciente.
Mobilidade torácica com mobilidade de
ombro
Nos exercícios a seguir demonstro movimentos que ajudam a trabalhar a
mobilidade torácica e estabilidade escapular.

Um dos exercícios também inclui trabalho de membros inferiores, ou seja, é


um maravilhoso trabalho global.
No início do texto expliquei como a falta de mobilidade torácica está
relacionada a dores e patologias do ombro. Por ser uma das causadoras
desses problemas, é ótimo inserir exercícios que combinem todas as
articulações.

Com esse tipo de aula, você consegue trabalhar todas as necessidades do


aluno e chegar mais perto da melhora da patologia. Só não esqueça: quando
o aluno estiver com dor limite a amplitude do movimento.

Conclusão

Muita gente esquece da coluna torácica na hora de


reabilitar um paciente. Infelizmente, essa região acabou
se tornando rígida em muitas pessoas, especialmente por
causa dos hábitos sedentários que levamos.
A falta de mobilidade torácica é um fator que influencia em patologias
e dores no ombro, cervical e lombar. Tratá-la é uma parte importante na
reabilitação, que certamente falhará caso seja esquecida.

É impressionante que muitos profissionais estejam em dúvidas quanto


ao trabalho da torácica. Ela é uma porção grande da coluna vertebral
(12 vértebras) e influencia em todo o sistema postural. Suas alterações
também estão relacionadas a problemas e dificuldades respiratórias.

Como profissionais do movimento devemos estar atentos a alterações


nessa região e inserir exercícios em nossas aulas direcionadas a ela. Se você
trabalha com Treinamento Funcional, exercícios de mobilidade torácica
também devem fazer parte do seu repertório.

No TF estamos sempre em busca de recuperar os movimentos funcionais de


cada parte do corpo. A torácica não deve ser exceção.

Para isso você pode utilizar os exercícios aqui recomendados, ou qualquer


movimento que te ajude na mobilidade.
3
ESCOLIOSE: COMO
USAR O CORPO
INTEIRO PARA UM
TRATAMENTO EFICAZ
Em geral, a maioria de seus pacientes nunca teria chegado até você sem
algum problema. Antes de ir parar na sua clínica, Studio ou outro lugar, essa
pessoa descobriu que existia uma patologia em alguma parte de seu corpo
e, acredite ou não, boa parte delas estão relacionados à coluna.

Problemas relacionados à coluna são tão comuns que pelo menos 80% das
pessoas sofrerão com algum deles durante sua vida. Ao menos é o que
afirma a OMS (Organização Mundial da Saúde). A escoliose é um desses
problemas, provavelmente você já tem um aluno diagnosticado com ele.

A patologia pode ocorrer em todos os públicos e faixas


etárias. É tão provável você encontrar um adulto
sofrendo do desvio postural quanto uma criança de
12 anos. De acordo com pesquisa, 12% da população
infantil brasileira é afetada por ela.
E você com certeza já sabe qual é o primeiro passo para um tratamento
eficiente de qualquer patologia: o conhecimento.

Quer aprender um pouco mais sobre a escoliose? Então continue lendo,


porque separei uma série de dicas e exercícios práticos que ajudarão você e
seus pacientes.

Causas da Escoliose

Um paciente diagnosticado com escoliose apresenta um desvio


tridimensional da coluna vertebral que varia de forma e ângulo. Seu
diagnóstico deve envolver diversos tipos de testes porque ela nem sempre
está visível a olho nu.

Ela pode ter dois formatos: em S ou C. A maioria das pessoas possui


escoliose em S, isso acontece porque a coluna desvia para um lado e depois
compensa desviando para o outro.

Antes de começar a falar das possíveis causas da escoliose, saiba que pelo
menos 80% dos casos não possuem causa definida.

Quanto à etiologia a escoliose é classificada em:


• Estrutural;

• Não estrutural;

• Escoliose estrutural.
Quem apresenta escoliose estrutural possui uma curva fixa e rígida na coluna
que não desaparece com o tratamento da causa. O tipo estrutural pode ser
dividido em algumas categorias:

• Idiopática;

• Neuromuscular;

• Degenerativa;

• Congênita.

A primeira categoria, idiopática, está entre aqueles 80%dos pacientes que


não têm causa definida.

Mesmo com todas as pesquisas ocorrendo na área, ainda é impossível definir


o que resultou na patologia desses pacientes, tudo o que podemos fazer é
aliviar o problema através de movimentos.

Já a neuromuscular é causada por doenças neuromusculares que


influenciam o alinhamento da coluna. Um exemplo é a paralisia cerebral
e a poliomielite, ambas são condições que forçam alguma alteração nos
músculos e nervos, aumentando a probabilidade de desenvolver um
desvio.
Felizmente muitas dessas doenças diminuíram sua
incidência com o aumento dos cuidados de saúde.

Alguns pacientes também desenvolvem esse desvio


devido a uma degeneração nas estruturas da coluna que
ocorra de maneira assimétrica. Também existem pessoas
com escoliose congênita, que é um defeito “de fabricação” do indivíduo.
Até mordida cruzada pode gerar a patologia, então preste muita atenção aos
detalhes em seu paciente.

Escoliose não estrutural

No caso da escoliose não estrutural a coluna é perfeita, mas desenvolve uma


curvatura por causa de outros problemas do paciente que afetam a coluna.
Eles podem vir de:

• Discrepância dos membros inferiores;

• Espasmos;

• Dor na coluna vertebral.

Vejamos o exemplo da discrepância de membros. Nesses casos o paciente


possui membros inferiores de tamanhos diferentes, causando uma alteração
postural e levando-o a desenvolver um desvio.

Outro motivo comum de escoliose é a dor. Sabe aquele seu paciente com
hérnia de disco que também apresenta essa outra patologia? A dor da
hérnia pode ter causado uma escoliose porque o
corpo realiza compensações para se adaptar a ela e
afeta a coluna.

Mas cuidado com pacientes com pequenos desvios na


coluna! Vale a pena lembrar que nem todo desvio de
coluna é escoliose.
Alterações de até 10° na curvatura são normais e grande parte das pessoas
tem esse tipo de desvio.

Caso façamos raios X em todos os leitores desse artigo, é bem possível


que boa parte deles apresente uma leve curvatura na coluna, mas não
precise de tratamento.

Desvios a partir de 20° necessitam de tratamento e podem ser tratados com


exercícios, enquanto aqueles acima de 35° talvez necessitem de intervenção
cirúrgica e outros tipos de tratamento. Como instrutores e profissionais da
reabilitação, focaremos nos desvios tratáveis.

Alterações oculares

Também existem alguns pacientes que desenvolvem escoliose devido a uma


alteração ocular. Para manter o olhar alinhado, caso haja uma alteração, a
pessoa curva a cabeça para um dos lados e força a coluna a se adaptar e
curvar-se também.

Se você suspeitar que seu paciente possui algum problema nos olhos, peça
que ele visite um profissional especializado para realizar o diagnóstico. E se
o aluno já tem problema e você sabe, inclusive ele usa óculos ou lente de
contato?
Recomendo manter os óculos ou a lente durante a
maior parte da aula. Ao remover esse acessório, seu
aluno muda de referência visual e pode realizar alguma
alteração. Só peça para que ele tire quando existe o risco
de derrubar ou danificar o acessório.
Como tratar a escoliose?

Cada profissional escolhe seu método de tratamento preferido, tem gente


que trata com colete, palmilha (no caso da discrepância dos membros
inferiores), terapia manual, RPG, alongamentos. Algumas dessas técnicas,
como o colete, devem ser indicadas pelo médico responsável por seu
paciente.

O nosso tratamento será focado em uma única coisa: movimento.

Você pode ajudar seu aluno com exercícios e treinamentos adequados que
ajudem a diminuir sintomas, dores e possíveis desconfortos do aluno. Mas
antes de começar a trabalhar com seus pacientes que sofrem de escoliose,
gostaria que todos entendessem algumas informações importantes que
discutirei abaixo.

Fáscia e escoliose

O sistema fascial é extremamente importante e não pode ser ignorado em


qualquer processo de reabilitação. Graças a ele todo o corpo está conectado,
e as fáscias também estão profundamente envolvidas no movimento.

A fáscia representa o segundo fator mais importante que limita a amplitude


de movimento. O motivo é simples, o tecido conjuntivo
corresponde a 30% da massa muscular e faz com que
o músculo consiga mudar de comprimento. Portanto, o
músculo faz o que a fáscia quiser.
Quer outra prova? Durante um movimento passivo a soma das fáscias é
responsável por 41% do total da resistência do movimento. Tudo bem, mas o
que isso tem a ver com meu paciente sofrendo de escoliose?

Primeiro veja essa informação interessante: as fáscias do nosso corpo são


capazes de se adaptar a situações boas e ruins. Ou seja, se uma parte do
seu corpo estiver com problemas, a fáscia correspondente fica tensionada e
espalha essa tensão para outras regiões.

Outra informação importante sobre as fáscias (logo você vai entender


por que eu disse tudo isso): elas são contínuas e contíguas. Ou seja, elas
estão o tempo inteiro em contato umas com as outras.

Considerando essas duas características das fáscias (contínuas e contíguas),


quer dizer que a tensão em uma parte do corpo não fica por ali, ela se
espalha através dessa relação entre fáscias.

Como a tensão se espalha, na hora de tratar alguém com escoliose NÃO


podemos tratar só os paravertebrais. Como vimos, quando uma parte
do corpo se deforma outra parte do corpo também se deformará para
compensar. A deformação de fáscia que gerou a escoliose não fica isolada, o
resto do corpo também precisa de atenção.

Escoliose e dor

Agora quero usar um pouquinho desse tempo para


falar sobre dor. Infelizmente, muita gente só procura
ajuda para seus problemas depois que eles começam a
incomodar na forma de dor. Mas será que todo mundo
que tem escoliose precisa sentir dor?
Nem sempre, uma boa parte dos desvios da coluna são assintomáticos
e não causam dor. Porém, a dor tem outra relação essencial com a
escoliose: ela é uma das causas.

Assim que seu paciente começa a sentir dor seu corpo passa por uma
adaptação. Ele altera seus movimentos ou postura para evitar sentir aquele
incômodo. Com o tempo essa mudança começa a afetar a coluna e pode
gerar uma escoliose.

Na hora que essa pessoa te procurar provavelmente vai reclamar da dor que
a escoliose causa, quando a realidade é o contrário. Algum desequilíbrio em
seu corpo levou à dor, que levou à compensação, que levou à escoliose.

Muita gente me pergunta: “Keyner, o que eu trato primeiro, a dor ou a


escoliose? ”

Minha resposta é: sempre trate a dor.

Em primeiro lugar, ela limita os movimentos do seu aluno, gera ainda


mais compensações e é o maior incômodo. Além disso, quando alguém
está com dor não consegue realizar todos os exercícios e dificulta muito
o tratamento.

Para quem acha difícil tratar pessoas com escoliose e dor porque elas não
conseguem realizar exercícios angulares e com rotação, segue uma dica: não
é preciso usar esse tipo de exercício numa fase inicial.

Isso não quer dizer que precisamos excluir esse tipo de


exercício do repertório do paciente com escoliose.
Porém, a musculatura precisa estar reforçada e a dor precisa ser menor antes
de fazer as rotações; conforme você trabalha o paciente, é possível introduzir
exercícios mais avançados aos poucos.

Exercícios simétricos e assimétricos

“Eu preciso trabalhar o aluno dos dois lados iguais ou eu trabalho mais de
um lado que do outro?”

Perguntas desse tipo são bastante comuns, cada profissional tem sua
maneira de trabalhar e nenhuma é mais correta que a outra. Eu, Keyner,
costumo trabalhar os exercícios de maneira simétrica.

Tirei essa conclusão depois de analisar nossos movimentos no dia a dia,


todos eles são assimétricos. Você não trabalha, dirige ou cuida dos filhos
usando os dois lados do corpo igualmente. Seu paciente também não.

Já que durante a rotina ninguém consegue trabalhar o corpo de maneira


simétrica, por que não aplicar a simetria ao menos na hora da aula?

“Mas ele já é inclinado para um lado, eu vou incliná-lo ele mais ainda? ”

Eu preciso entender que apesar da curvatura ser


para um lado, os dois lados estarão desequilibrados e
fracos, por esse motivo que eu procuro trabalhar os
exercícios rotacionais para os dois lados com o mesmo
número de repetições.
Movimentos são sempre ótimos para um aluno. Durante o exercício não são
só os paravertebrais que estão se movimentando. Lembre-se sempre que seu
aluno é uma pessoa inteira, não só uma coluna.

Ao colocar esse aluno para se mexer ele trabalha também glúteo, pernas,
psoas, quadril e todas as musculaturas envolvidas no movimento, isso só
melhorará sua qualidade de vida.

E se o aluno sentir dor para realizar exercícios para um lado? Falamos sobre
isso antes, primeiro você precisa aliviar a dor para conseguir trabalhar a
escoliose de maneira eficaz.

Músculos esquecidos no tratamento da escoliose

Ao esquecer de trabalhar uma musculatura, o profissional aumenta muito sua


chance de errar no tratamento. E o que acontece quando o tratamento falha?
Perdemos nossa credibilidade com o cliente, portanto nossa chance de
conseguir fidelização diminui.

O ideal é sempre trabalhar o corpo inteiro durante as aulas, mas gostaria de


lembrar aqui algumas das musculaturas que costumam ser esquecidas em
alunos com escoliose.

Glúteo máximo, médio e mínimo

Musculaturas como o glúteo máximo fazem parte da


base de sustentação do corpo. Em qualquer tratamento,
se eles forem esquecidos teremos problemas. É importante fortalecer e
alongar essas musculaturas para evitar e corrigir desequilíbrios em outras.

Apesar de precisarmos de trabalho de base durante todas as fases do


tratamento, recomendo sempre começar com ele, especialmente em alunos
que sentem dor aguda.

Fazendo exercícios nessa região conseguimos fortalecer o corpo do paciente


sem necessariamente mexer na parte afetada pela patologia.

Claro que não é só o glúteo que merece atenção. Nunca esqueça outras
musculaturas de base, como:

• Transverso abdominal;

• Multífidos;

• Músculos extensores e flexores do quadril.

Tensor da fáscia lata

Pessoas com escoliose costumam ter essa musculatura tensionada, ela fica
na lateral da coxa e tem uma fáscia longa. Quando existe tensão nessa área
outras cadeias musculares acabam desequilibradas graças
à influência das fáscias.

Em geral essa região fica esquecida pela presença de


pontos gatilho latentes. Como já sabemos, o ponto
gatilho é um ponto tensionado que geralmente causa dor
e não é muito difícil de encontrar. Mas em algumas situações a tensão vem
sem dor, criando o que chamamos de latente.

Músculo psoas

O psoas é tão importante que consegue afetar a mobilidade articular,


amplitude de movimentos e o equilíbrio. Certamente ele está relacionado à
escoliose e provavelmente tensionado nesses quadros.

Na verdade, quando esse músculo sofre tensão ele pode gerar uma rotação
que, ao afetar a coluna, leva a um caso de escoliose. Então é possível ele
estar entre os causadores do problema.

Ao trabalhar seus alunos lembre-se de fortalecer e alongar o psoas, além


de liberar os pontos gatilho que existam na região. A qualidade de seus
movimentos certamente influenciará a melhora.

Exercícios para escoliose

Agora que já entendemos bastante da parte teórica do tratamento da


escoliose, chegou a hora de recomendar alguns exercícios. Confira o vídeo
abaixo para entender mais.
Perguntas frequentes

Como devo tratar pequenas discrepâncias de membros?

A discrepância pode variar de tamanho, mas quando ela for de até 2 cm a


recomendação é usar palmilha. Em geral, médicos recomendam que nesses
casos (com uma diferença de até 2 cm) não se corrija tudo, sendo que
se deve colocar uma palmilha levemente menor que a diferença entre os
membros.

Por exemplo, se o paciente tem 2 cm de diferença, coloque uma palmilha de


1 cm.

Dá para reduzir a escoliose em jovens com atividades


físicas?

Existem vários fatores que determinam se conseguimos


reduzir ou não a escoliose. Um deles é a idade, outro
o grau de inclinação. Dependendo do caso é possível sim corrigir usando
exercícios direcionados. Pode ser Pilates, Fisioterapia, RPG ou a sua
especialidade, contanto que os movimentos sejam focados no problema.

Devo trabalhar com paciente que realizou cirurgia corretiva?

Mencionei que aqueles pacientes com uma escoliose acima de 35° podem
precisar de cirurgia para resolver o problema. Após a cirurgia ser realizada
conseguimos continuar acompanhando essa pessoa e ajudando-a com
exercícios, mas preste muita atenção às limitações impostas pelo médico.

Alunos que passaram por cirurgia provavelmente terão que tomar diversos
cuidados nos exercícios, mas a atividade física será benéfica para eles se for
na quantidade certa.

Preciso sempre usar RPG para corrigir escoliose?

Nem sempre precisa usar a modalidade de RPG. Depende muito do grau de


escoliose que o aluno apresenta e da opção do profissional.

Preciso usar liberação miofascial no início ou no fim da


aula?

Muitas pessoas me fazem essa pergunta. A liberação


miofascial é benéfica e essencial para garantir uma aula
de sucesso, então geralmente uso tanto no começo
quanto no fim da aula.
Isso serve não só para escoliose, mas para qualquer patologia ou aluno seu.

Caso a pessoa esteja com dor faça a liberação só no final.

Conclusão

A escoliose é um desvio tridimensional da coluna bastante comum. Tenho


certeza que você precisará lidar com esses alunos em algum ponto de sua
carreira, e a melhor maneira de se preparar é com conhecimento.

Primeiramente precisamos lembrar que ninguém é só uma coluna ou


um paravertebral isolado, existe todo um corpo cooperando para que o
problema continue.

Na hora do tratamento lembre de todas as musculaturas que podem estar


minimamente conectadas com a escoliose, desde glúteos, extensores e
Na hora do tratamento lembre de todas as musculaturas que podem estar
minimamente conectadas com a escoliose, desde glúteos, extensores e
flexores do quadril até as musculaturas mais influentes na coluna, como os
abdominais e extensores da coluna.

Preste atenção em algumas musculaturas que geralmente são esquecidas


durante o tratamento, como músculos de base. Dessa maneira você
conseguirá melhorar os resultados das aulas, dando uma
melhor qualidade de vida a seu paciente.
Dicas de exercícios para tratamento de
hérnia cervical
Você já teve algum caso de aluno que sofre por hérnia cervical e não
sabia que exercício utilizar para este tratamento? Muitos são os casos de
patologias que acabam chegando nos Studios, por isso é importante que
você esteja preparado para trabalhar em cima de cada um desses.

Pensando nisso, hoje preparei este texto com um protocolo de aula para
alunos/pacientes que possuem hérnia cervical, demonstrando como pode ser
realizado este tratamento. Lembrando que não existe “receita para o bolo”,
por isso, nem todos os alunos/pacientes podem ser tratados da mesma
maneira. Sendo assim, é muito importante realizar antes uma avaliação para
então verificar se estes exercícios podem ser utilizados em todos os casos de
hérnia cervical.

Como iniciar o tratamento da hérnia cervical?

A primeira coisa que a gente precisa entender para reabilitar um aluno/


paciente com hérnia cervical, é que a avaliação é muito importante, por isso,
você como profissional deve primeiro avaliar a dor que ele está sentindo
na cervical e descobrir se esse incômodo realmente
acontece por conta da hérnia. Às vezes, a dor pode vir do
ombro ou de outras estruturas. Por isso que é importante
essa avaliação.
Normalmente é muito comum que as pessoas com problema no ombro
sintam dor cervical e acabem não realizando um exame específico de ombro,
achando que o problema se encontra apenas na cervical. Desta forma, é
preciso que você avalie ambos e descubra então de onde realmente vem
esta dor.

Ao fazer a avaliação, você consegue analisar o problema de ombro e depois


fazer o passo a passo, caso essa pessoa tenha dor vindo da região cervical.

Desta forma, a primeira coisa a fazer é a palpação na região do trapézio, para


verificar se o paciente sente dor do lado que está sendo tocado, você pode
verificar também se existe algum ponto gatilho, fazendo uma palpação na
região do elevador da escápula que também costuma ficar tensionado.

Depois de feita a palpação de trapézio, você passa a realizar a palpação


do trapézio inferior, trapézio médio e escápula, assim sucessivamente. Por
que fazer isso? Para que você possa encontrar pontos de tensão para então
relaxar essa região.

É importante também realizar a palpação da musculatura do pescoço e


peitoral menor, observando o ombro do paciente através da 3ª, 4ª e 5ª
costela, para verificar se existe ponto gatilho nesta região.

Avaliando o aluno/paciente

Mesmo que o aluno consiga encostar um dedo no outro,


é importante verificar a posição da escápula. Caso a
escápula do paciente esteja saindo muito do seu devido
lugar, pode ser uma disfunção. Por isso, neste momento, é importante
perguntar ao aluno se ele sente algum tipo de dor no ombro.

No caso de haver dificuldades para encostar uma mão na outra, pode ser um
indício de tensão de cadeia anterior e peitoral menor. Então para verificar se
realmente existe esta tensão, você precisa apalpar os dois lados do peitoral
menor, verificando se um dos lados está mais tenso que o outro.

Outro exercício simples de avaliação é pedir para o aluno ficar de joelhos, em


seguida, sentar sobre os calcanhares e levar as mãos para frente, apoiando
no chão. Na seguida, pedir para ele posicionar as mãos com os polegares
para cima e levantar uma mão de cada vez o máximo que conseguir.

Ao finalizar o movimento, você deve perguntar ao paciente se um dos braços


foi mais difícil de erguer que o outro e após ter a resposta, você pode ter a
conclusão se existe ou não um lado com maior tensão.

Protocolo de tratamento para Hérnia Cervical

Com o diagnóstico pronto, você inicia então o trabalho com o aluno para
tratar a hérnia cervical através de 6 passos, sendo eles: alívio de dor,
mobilização da escápula e região torácica, alongamento de cadeia anterior,
fortalecimento dos dorsais, mobilização da região cervical
e lição de casa, conforme veremos abaixo:
Passo 1: Alívio de dor

Neste primeiro passo, você deve realizar o alívio da dor, independente se


ela vem do ombro ou da cervical, então, o ideal é iniciar com uma liberação
de escápula e trapézio, iniciando os movimentos de baixo para cima e, em
seguida, pressionando o ponto gatilho até o aluno não se queixar mais
de dor no local. Após a liberação, você pode realizar um deslizamento no
trapézio para relaxar o que foi trabalhado no ponto gatilho.

Ainda no passo de alívio de dor, você pode usar o Cadillac e deitar o aluno,
pedindo para ele segurar a barra torre e começar a fazer a terapia manual na
região de ombro e pescoço, podendo realizar também a extensão cervical,
no caso de não haver dor por parte do paciente.

Passo 2: Mobilização da escápula e da região torácica

Neste passo, você pode iniciar com o aluno em quatro apoios e pedir para
ele “empurrar o chão”, fazendo uma mobilização escapular.

Em seguida, você deve pedir para o aluno empurrar mais uma vez o chão
e elevar os ombros para frente, em direção às orelhas para depois voltar
para a posição de braços e levar o ombro para o lugar, como se realizasse o
movimento de círculo com os ombros.

Encerrando o passo de mobilização escapular, você pode


realizar a mobilização torácica que pode ser feita com o
auxílio de uma Tonning Ball. Para iniciar este movimento,
você primeiro deve pedir para seu aluno deitar no
Cadillac e colocar a Tonning Ball na coluna torácica dele.
Em seguida, auxilie seu aluno para ele cruzar os braços no peito, com as
mãos encostadas uma em cada ombro, e depois realizar uma extensão de
torácica, para ao final voltar à posição inicial.

Para aumentar a amplitude, pode ser utilizado Foam Roller no mesmo local
em que estava a Tonning Ball, pedindo então para o aluno colocar as mãos
na nuca, dobrar os joelhos e realizar uma flexão.

Passo 3: Alongamento de cadeia anterior

Este terceiro passo também pode ser realizado aproveitando o último


movimento feito para mobilizar a região torácica.

Desta forma, continue com o Foam Roller embaixo da coluna torácica do


aluno, fazendo a extensão dessa região para assim alongar toda a região do
peitoral (cadeia anterior).

Passo 4: Fortalecimento dos dorsais

O fortalecimento dos dorsais pode ser aproveitado para ganhar mobilidade


na região também. Então, para iniciar esses movimentos, você pode começar
pedindo para o aluno ajoelhar-se no Cadillac e segurar as
molas com as duas mãos puxando para si uma de cada
vez.

No segundo exercício deste fortalecimento, o aluno puxa


novamente a mola do Cadillac, porém, ao realizar este
movimento, ele deve também rodar o corpo para o lado em que a mola está
sendo puxada. Este movimento é conhecido como flecha.

Passo 5: Mobilização da região cervical

Nesta etapa, você pode aproveitar o exercício do passo 4 e pedir para o


aluno realizar uma puxada como a anterior, porém olhando para trás. Em
seguida, o aluno deve realizar a mesma puxada, porém olhando para o lado
oposto.

Para realizar o fortalecimento da cervical, pode ser utilizada a banda


elástica, sendo que você irá solicitar para o aluno apoiá-la atrás da cabeça,
tensionando-a com as duas mãos e forçando o pescoço para trás, para
fortalecer a musculatura posterior. Em seguida, o aluno deve fazer o mesmo
movimento, porém lateralmente.

Passo 6: Lição de casa

Peça para seu aluno colocar uma toalha na nuca e puxe com as duas mãos
para o lado esquerdo e em seguida para o lado direito. Após realizar
este exercício, ele deve posicionar a toalha mais para o alto da cabeça e
pressionar com as duas mãos para baixo.

Em seguida, o aluno deve pressionar o pescoço na


diagonal, realizando o movimento assim como foi feito os
anteriores e, para finalizar, o aluno deve colocar a toalha
novamente no pescoço e elevar o pescoço para cima.
Conclusão

Gostou do protocolo de aulas? Imagina ter esse e mais outros diversos


protocolos para patologias? Agora você pode!

Sempre estou compartilhando diversos exercícios e dicas em minhas redes


sociais, me acompanhe no facebook e instagram e fique super atualizado!

Tudo que você precisa saber para aplicar


terapia manual na lombalgia
Se você nunca leu algo a respeito da dor lombar é porque não acompanha
meu blog com frequência.

Esse assunto é importante porque muitas pessoas sofrem com o problema e


muitos profissionais procuram soluções mais eficientes para seus alunos.

Hoje quero falar a respeito da terapia manual na lombalgia e como ela pode
melhorar seu tratamento.
Quer entender exatamente o que quero dizer com isso?
Então continue lendo para saber mais sobre a terapia

O que é terapia manual?

Menciono com frequência que podemos usar a terapia


manual para alívio da dor e tensões miofasciais em
nossos pacientes. Os mais novos na área talvez acabem perguntando
exatamente o que é essa técnica e por que a indico com tanta frequência.

Realmente, quem fez meu curso MIT já sabe que gosto de misturar técnicas
de terapia manual em minha aula para complementá-la.

A terapia manual é uma técnica que utiliza o conceito de micromovimentos


para estimular as funções de musculatura estática e dinâmica. Para
compreender melhor o método, precisamos primeiro entender essas ideias a
seu respeito, que estão muito presentes na literatura.

Nesse tipo de terapia trabalhamos com os dois tipos de fibras musculares


descritos pela fisiologia: estáticas e dinâmicas.

As fibras estáticas são de contração lenta e permanente. Sua principal função


é realizar o controle postural. As fibras dinâmicas são de contração rápida,
intermitente e têm como objetivo o movimento.

Talvez durante seus estudos você encontre literaturas descrevendo ambos


os tipos de fibras musculares como direcionados ao movimento. Mas não
trabalhamos com essa visão na terapia manual e na fisioterapia em geral.

Consideramos que as fibras dinâmicas e estáticas trabalham em antagonismo.


Enquanto as dinâmicas realizam o movimento, as
estáticas o controlam ou impedem.

Essas fibras musculares estáticas contribuem com os


mecanismos de estabilização articular. Ou seja, possuem
uma função essencial na prevenção de lesões, dores e
patologias.
Também trabalhamos com o conceito de fáscia na terapia manual.
Basicamente, esse tecido conjuntivo recobre todo o corpo.

Como as fáscias são contínuas e contíguas, elas realizam a transmissão de


tensões. Para entender melhor a ideia de fáscia, recomendo o excelente
artigo da Janaína Cintas sobre as novidades científicas sobre a fáscia.

Como funciona a terapia manual?

O primeiro passo para a aplicação da terapia manual é realizar uma avaliação


completa. Talvez pareça óbvio, mas não conseguimos tratar as tensões
musculares e fasciais sem conhecer todos os problemas que afligem aquele
corpo.

Na terapia manual, consideramos que a lesão está relacionada a uma


tensão fascial. Tal tensão puxa o segmento móvel de uma articulação
para si, impedindo o movimento no sentido oposto.

Além da tensão, precisamos lembrar que o corpo nunca mantém um


desequilíbrio isolado. Ele tenta compensar criando outros desequilíbrios para
manter o conforto e o movimento, e esses outros desequilíbrios também são
lesivos.

Nem sempre eles são dolorosos, por isso muitos


profissionais tratam imediatamente a região que está
com dor e esquecem que existem lesões espalhadas.

Como a lesão é uma tensão fascial, o terapeuta precisa


trabalhar de maneira a aliviar essa tensão.
Só preste atenção: esse alívio nunca pode ocorrer através de manobras
forçadas que ultrapassam o limite do nosso aluno. Se ele reclamar de dor,
está na hora de parar e mudar a estratégia para o tratamento.

A tensão fascial é dolorosa porque impõe uma pressão excessiva sobre os


ligamentos que não estão preparados para recebê-la.

Quando é liberada, teremos uma melhora significativa da dor. Agora fica


a questão: será que posso usar a terapia manual na dor lombar? Vamos
descobrir!

Podemos utilizar a terapia manual na lombalgia?

A dor lombar é uma velha conhecida do profissional do movimento. Ela é


muito comum e acomete ambos os sexos, podendo ser súbita ou uma dor
intensa que permanece por tempo prolongado.

Estou falando aqui da dor lombar crônica e inespecífica, que não possui
etiologia conhecida.

Além de não ter uma causa definida, essa dor lombar muitas vezes é um
problema recorrente, estudos mostram que as lombalgias relacionadas ao
trabalho são recorrentes em 30% a 60% dos casos.

Com frequência, nossos alunos com lombalgia


apresentam padrões de movimentos errados, como:
• Puxar;

• Empurrar;

• Agachar;

• Postura durante o trabalho.

Por isso, sempre recomendo usar padrões de movimento funcional para


o tratamento, inclusive podemos aplicar o treinamento funcional nesses
pacientes. Os alunos com o problema também apresentam, com frequência,
perda de mobilidade lombar e pélvica.

O tratamento com terapia manual na lombalgia seria uma maneira de aliviar a


dor e recuperar parte dessa mobilidade para permitir o movimento.

Considerando as informações acima a respeito da terapia, podemos imaginar


que ela seria eficiente para esse objetivo.

Para confirmar essa hipótese, proponho analisar um estudo feito com 50


voluntários com um tratamento que misturou técnicas fisioterápicas e terapia
manual.

Evidências do tratamento multidisciplinar com terapia


manual

No estudo, os voluntários foram divididos num grupo


controle, contendo 25 indivíduos saudáveis, e um grupo
de tratamento, com 25 pessoas diagnosticadas com dor
lombar. O tratamento consistia em três fases.
• Primeira etapa

Na primeira delas os pacientes passavam por liberação miofascial na região


torácica, lombar e sacral. Também utilizavam alongamentos de musculaturas
da cadeia posterior e anterior e o uso de técnicas de terapia manual.

• Segunda etapa

A segunda fase consistia em utilizar exercícios de mobilidade lombopélvica,


usando exercícios na Fitball e Isostretching. Além disso, a segunda fase
incluía exercícios de fortalecimento para músculos abdominais e extensores
do tronco.

• Terceira etapa

Na terceira fase, utilizaram-se exercícios ativos e fortalecimento de


abdominais, glúteos e músculos extensores.

• Resultados

Após o tratamento, a maioria dos pacientes percebeu


alívio significativo da dor lombar. A melhor foi de 5
pontos na escala de dor.

Antes de realizar os procedimentos, os pacientes do


grupo com dor lombar apresentaram mobilidade pélvica
diminuída quando comparados ao grupo controle. Os indivíduos com
lombalgia também tiveram piores resultados quanto à mobilidade lombar.

As duas características tiveram melhora ao fim do tratamento,


proporcionando também uma melhora nos movimentos funcionais dos
indivíduos.

Qual é a melhor maneira de aplicar essa terapia no tratamento?

A melhor maneira de usar a terapia manual na lombalgia é realizar uma


avaliação contínua da dor e função do paciente. Assim, podemos perceber
quais estratégias estão surtindo resultados positivos e continuar sua
aplicação, ou mudar nosso método de tratamento.

O uso de um tratamento multidisciplinar também é importante, já que


proporciona maiores chances de melhora.

A terapia manual na lombalgia é especialmente eficiente no alívio da dor do


nosso aluno. Ela ajuda no alívio de tensões miofasciais que, de outra maneira,
prejudicam o tratamento com exercícios.

Conclusão

Como sempre, não recomendo uma receita de bolo que


te diz para aplicar terapia manual na lombalgia nesse ou
naquele paciente. Isso não existe e seguir esses protocolos prontos só traz
prejuízos para sua prática fisioterapêutica.

Porém, você pode confiar na terapia manual na lombalgia como um meio


de diminuir a dor lombar e facilitar o tratamento multidisciplinar.

Podemos utilizá-la principalmente nas fases iniciais de tratamento, quando a


dor é um importante fator de incapacidade nesse aluno. A partir do alívio de
tensões proporcionado pela técnica, conseguimos trabalhar movimentos com
maior segurança.
4
CONHEÇA AS
PRINCIPAIS AS
PRINCIPAIS LESÕES
NO QUADRIL E COMO
TRATÁ-LAS
Muito se fala de patologias do quadril e seu tratamento. Mas hoje, quero
mudar um pouquinho o foco e falar sobre algumas lesões no quadril que são
muito comuns. Precisamos aprender quais são os desequilíbrios que servem
de origem para essas lesões no quadril e como consertá-los.

Só assim conseguimos ajudar o paciente a retomar suas atividades normais


e também a prática esportiva. Foco nessa parte de prática esportiva porque,
como você logo verá, a maioria dessas lesões é mais comum em atletas.

Impacto femoroacetabular

Esse é um problema muito comum entre as lesões no


quadril. O impacto femoroacetabular acontece quando
existe algum tipo de crescimento ósseo que leve a um excesso de contato
entre o fêmur e o acetábulo. Ainda não se conhecem todas suas as origens,
mas estima-se que um dos grandes culpados seja uma mecânica errada de
movimento.

Geralmente existe uma projeção óssea no colo do fêmur ou na borda


do acetábulo. É por causa dela que as duas estruturas passam a sofrer
impacto durante os movimentos diários.

Se o seu paciente for um praticante de esportes provavelmente terá o dano


aumentado e perceberá a patologia mais rápido.

Durante as atividades físicas o corpo é exposto a impacto bastante maior do


que está acostumado.

Assim, o quadril precisa de uma boa mecânica de movimento para conseguir


distribuir e dissipar as forças geradas.

Existem três tipos de lesões no quadril causadas por impacto


femoroacetabular:

• Cam: acontece com o crescimento ósseo no colo ou cabeça do fêmur.


Causa impacto principalmente durante os movimentos de flexão, adução e
rotação interna de quadril;
• Pincer: é o crescimento anormal na borda do
acetábulo;

• Misto: é uma mistura em variados graus dos dois tipos


de lesões.
As lesões no quadril do tipo cam são mais comuns em homens e lesões
do tipo pincer acontecem mais em mulheres. Apesar disso, a lesão que
realmente é mais comum na população geral são as de tipo misto.

Antes de começar o tratamento precisamos fazer uma boa análise do quadro.


Dependendo da idade da lesão o paciente pode ter sofrido danos estruturais
profundos no quadril. Infelizmente, só é possível perceber isso através de
uma boa avaliação física e exames de imagem.

Após confirmar que o tratamento conservador é a melhor opção, podemos


começar com a fisioterapia e outras modalidades.

Tratamento de Impacto Femoroacetabular

No início do tratamento precisaremos reduzir a amplitude dos movimentos


de quadril. O aluno precisa evitar movimentos que aumentem o impacto das
estruturas ósseas, pelo menos até que esteja com a articulação mais estável.
Isso significa evitar agachamentos mais profundos e muita rotação interna de
quadril.

O objetivo dos exercícios é conseguir recuperar a flexibilidade e mobilidade


do quadril. Para isso, precisaremos avaliar e trabalhar com as musculaturas
que estão tensionadas e encurtadas.

Síndrome do piriforme

A síndrome do piriforme é uma lesão que ocorre quando


existe espasmo ou contração excessiva do músculo.
Como resultado, o piriforme também comprime parte do nervo isquiático,
causando dor e dormência ao longo do seu trajeto.

As causas variam. É possível que a síndrome aconteça por variações


anatômicas que fazem o isquiático atravessar o piriforme ao invés de passar
por baixo dele. A síndrome é bastante comum em atletas, especialmente
corredores e ciclistas.

O piriforme é um músculo importante para os movimentos do quadril e está


envolvido em:

• Rotação;

• Abdução;

• Extensão.

Ele atua em sincronia com músculos mais potentes para realizar esses
movimentos, como o glúteo médio e máximo. O piriforme também
verticaliza o sacro e distribui forças na articulação sacroilíaca.

Quando está sob o efeito de forças ascendentes e descendentes no


movimento, o piriforme afasta as asas ilíacas e protege a pelve. Podemos
perceber então que além de realizar movimentos, o piriforme tem uma
importante função de estabilização da pelve junto ao glúteo máximo.

Na síndrome do piriforme encontraremos glúteos


tensos e fora de seu funcionamento fisiológico. Além
de causar alterações no funcionamento do piriforme, a
disfunção glútea também leva a disfunções dos ilíacos.
Tratamento da síndrome do piriforme

Para compensar pela contração, tensão ou encurtamento do piriforme,


o corpo realiza uma série de adaptações. Começaremos o tratamento
identificando essas alterações, que ficam mais visíveis na posição dos ilíacos.
Após identificar como o corpo compensou, precisamos corrigir as cadeias
musculares afetadas.

Precisaremos relaxar a tensão excessiva do glúteo e também o assoalho


pélvico, que fica em tensão por causa da pressão aumentada.

Também devemos corrigir a postura do paciente, prestando atenção extrema


à posição do quadril no movimento.

Por fim, também devemos manter os músculos abdutores e adutores


alongados e fortalecidos.

Lesão do labrum acetabular

O quadril é uma articulação que precisa estar muito bem estabilizada para
realizar os movimentos corretamente. Existem, dessa maneira, diversas
estruturas responsáveis por sua estabilização, como ligamentos, tendões
e músculos. Também encontramos mais uma estrutura
única ao quadril, o labrum, uma cartilagem semelhante
ao menisco.

Ele se encontra na borda do acetábulo e tem as funções


de:
• Absorver impactos durante o movimento;

• Distribuir pressões;

• Estabilizar a articulação.

Qualquer indivíduo pode sofrer uma lesão no quadril labral. A lesão está
relacionada a traumas e impactos exercidos diretamente sobre a articulação
do quadril e também a outras patologias. Uma das causas mais comuns é a
lesão femoroacetabular que já mencionei neste artigo.

Um paciente com lesão no labrum sente fortes dores na virilha. A dor é


profunda e também pode afetar a região dos glúteos e posteriores de
coxa.

Tratamento

O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico dependendo da gravidade


da lesão. Muitos pacientes precisam de intervenção cirúrgica quando existe
um comprometimento muito grande do labrum que também pode levar a
alterações mecânicas das estruturas ósseas.

Com a fisioterapia conseguimos tratar graus menores de


lesão e especialmente patologias que estão relacionadas.
Precisaremos de uma ótima avaliação para identificar os
principais desequilíbrios musculares.

O quadril desse paciente precisa de um trabalho de


estabilização especializado para evitar a compressão das
estruturas lesionadas.
Fraturas

As fraturas de quadril são bastante comuns em idosos e têm um efeito


devastador sobre sua independência e qualidade de vida. Geralmente,
idosos sofrem fraturas nas estruturas articulares após quedas geradas
pela falta de equilíbrio e propriocepção comuns no processo de
envelhecimento.

As fraturas podem ocorrer em diversas estruturas do quadril, como colo do


fêmur e articulação trocantérica. Após uma fratura, o paciente precisa passar
por um período de imobilização e possivelmente cirurgia corretiva.

Tratamento das fraturas de quadril

O principal papel do fisioterapeuta e qualquer profissional de movimento


será no período mais avançado de recuperação. Quando a fratura já está
quase curada pelo corpo ou quando o paciente está no período pós-
operatório precisamos ajudá-lo a recuperar seus movimentos.

Perceba que as fraturas costumam acontecer em idosos após quedas ou


traumas na região. Isso significa que além dos danos físicos, esse paciente
terá traumas psicológicos com os quais precisa lidar.

É comum que alguém que passou por uma fratura desenvolva medo de se
mover, caminhar e principalmente de sair de casa.
O profissional do movimento deve trabalhar com a
recuperação da mobilidade do quadril e também da
confiança do paciente. Além disso, devemos inserir um
bom trabalho de propriocepção e equilíbrio para prevenir
novas quedas e fraturas.
Conclusão

O que mencionei aqui foi um breve resumo das lesões no quadril e os


desafios que enfrentamos com seu tratamento. É importante lembrar que
cada indivíduo terá um mecanismo de adaptação do corpo diferente.
Não adianta querermos pegar um protocolo pronto para cada lesão e
aplicar a todos os pacientes com ela. Por isso é importante investir em
conhecimento a respeito da articulação do quadril e seus movimentos
relacionados.

Quanto mais conhecermos sobre cada problema, mais preparados estaremos


para tratá-los. O movimento é uma solução ideal para boa parte dos
problemas musculoesqueléticos do aluno.

O que importa é saber utilizá-lo de maneira eficiente e garantir resultados.

Como diagnosticar e tratar corretamente a


disfunção sacroilíaca
A articulação sacroilíaca é formada pela articulação entre as superfícies do
ílio e do sacro. Ela é bastante estável e tem fortes ligamentos anteriores e
posteriores. Ela também possui o ligamento interósseo que previne seus
movimentos. Toda essa estabilidade é essencial, afinal
ela é a principal responsável por estabilizar a pelve.

Alguns pacientes apresentam o que chamamos


de disfunção sacroilíaca, um problema que é
constantemente confundido com patologias lombares ou do quadril.
Compreenda melhor o funcionamento dessa articulação e das dificuldades
que a afetam.

O que é disfunção sacroilíaca?

A disfunção sacroilíaca é uma patologia que pode afetar a região do


quadril ou lombar, podendo irradiar para a lateral do quadril e virilha. Ela
surge quando existem anormalidades biomecânicas do posicionamento da
articulação. Essas são algumas possibilidades que podem acontecer:

• Fixação;

• Hipomobilidade;

• Subluxação;

• Mal alinhamento – unilateral ou bilateral.

Apesar de sua extrema estabilidade, a sacroilíaca não é controlada


diretamente por músculos. Porém ela sofre influência de musculaturas
responsáveis por movimentos da coluna lombar e do quadril.

Começou a ver sua conexão com outras regiões do


corpo?

Muitos dos músculos que exercem influência na região


são fixados no sacro e na pelve, entre eles encontramos:
• Obturadores internos;

• Piriforme;

• Adutores;

• Glúteos;

• Abdominais.

Alterações em qualquer um desses músculos podem gerar disfunções da


pelve. Por alterações quero dizer desequilíbrios, tensões e encurtamento de
cadeias musculares.

Por causa de sua inervação, a disfunção sacroilíaca pode causar dor nas
regiões:

• Sacral;

• Pubiana;

• Perineal;

• Face posterior da coxa e perna;

• Face plantar do pé;

• Espasmo reflexo do piriforme;

• Músculos glúteos.
Como ocorre a disfunção sacroilíaca?

Quando observamos um caso de disfunção sacroilíaca encontramos um


sacro que realiza uma contra lesão. Essa lesão é bastante sutil e dificilmente
conseguimos perceber o movimento do sacro para a frente ou para trás
inicialmente.

É comum que profissionais encontrem pacientes com uma perna mais


curta que a outra e considerem esse um caso de assimetria. Porém, eles
esquecem também que pode ser um caso de disfunção sacroilíaca, no
qual a inclinação do sacro causa essa aparente assimetria.

Para diagnosticá-la é preciso realizar testes de avaliação e palpação da região


da articulação sacroilíaca. Você precisará perceber, através do apoio dos
polegares, se uma das articulações encontra-se mais alta que a outra.

Através da palpação dos ilíacos também é possível perceber se uma das


articulações é mais móvel. Geralmente, a região mais móvel parece mais
superficial e fácil de palpar, enquanto a outra é mais funda e rígida.

Importância de um bom diagnóstico

Precisamos de um diagnóstico preciso e adequado para a


disfunção sacroilíaca. Usando os testes errados, perdemos
50% da eficiência do tratamento e podemos até tratar o lado
errado da lesão. O resultado será ainda mais problemas para
um paciente que já se encontra com dor.
Depois do diagnóstico, precisamos fazer a correção necessária para
conseguir tratar a disfunção sacroilíaca. Recomendo utilizar alguns testes
que te ajudem a diferenciar a disfunção de outras patologias que possam ser
origens da dor.

Entre eles, existem três testes que descrevo e mostro em outro artigo
que são bastante úteis. Eles te ajudam a diagnosticar quando uma lesão
encontra-se no quadril ou na sacroilíaca e a evitar confusões que colocariam
todo o tratamento em risco.

Quando a sacroilíaca realiza um deslocamento, teremos modificação no


comprimento e tensão de importantes músculos. Entre eles, encontramos
o assoalho pélvico e o transverso. Também fique atento para tensões
nessas regiões.

Sintomas da disfunção

A avaliação do quadro álgico do paciente com disfunção sacroilíaca também


contribui para um diagnóstico e tratamento adequado.

Quando não está em disfunção, a sacroilíaca é localizada na pelve e garante


um movimento fisiológico e sem dor. Sua estabilidade acontece graças ao
grande número de ligamentos que já mencionei nesse artigo, porém ela
ainda possui pequenos movimentos.

Nem sempre eles são disfuncionais. Mas quando estão


em disfunção, eles causam bastante dor no paciente.

Só existe um problema: a dor geralmente é referida


e confunde muito o diagnóstico. Um dos principais
sintomas da disfunção sacroilíaca é a dor lombar. Com o
tempo e a dificuldade de diagnóstico, muitos pacientes chegam em nosso
consultório com dor crônica e um diagnóstico de lombalgia inespecífica.

Em outros casos, a disfunção sacroilíaca causa dor referida bastante similar


a uma inflamação no ciático. Por isso, precisamos usar os testes para
comprovar que a dor não acontece por causa de uma disfunção que afeta a
lombar diretamente. Na verdade, ela tem origem na sacroilíaca que estamos
estudando.

Quem tem a disfunção geralmente reclama de dor ou desconforto ao realizar


atividades diárias, como:

• Caminhar;

• Correr;

• Agachar;

• Inclinar o corpo para a frente.

Em geral, a dor causada pela disfunção sacroilíaca é lombar. Algumas vezes


ela também acontece no quadril, mas esses casos são mais raros.

Durante a avaliação de um paciente com possível


disfunção sacroilíaca, preste atenção em outras
articulações de membros inferiores. As compensações se
espalham e podem causar desvios no quadril, joelho e
tornozelo.
Como realizar o tratamento?

A disfunção sacroilíaca causa um enorme número de compensações que


afetam diversos movimentos funcionais do seu aluno. Por isso, muitos
profissionais têm dificuldade de realizar um tratamento eficiente para ela.

Inicialmente, precisamos pensar em maneiras de corrigir o movimento


errado e compensado da articulação sacroilíaca. Para isso, precisamos
identificar quais musculaturas encontram-se enfraquecidas, impedindo
a estabilização. É nessa hora que encontramos um apoio importante do
tratamento: o glúteo.

Tratamento de disfunção sacroilíaca com fortalecimento de glúteo

Os músculos glúteos realizam uma ação importante de estabilização sobre a


articulação sacroilíaca, apesar de não fazerem isso diretamente.

Para compreender essa ação, preste atenção na superfície da articulação


sacroilíaca. Ela é plana e está orientada no plano vertical, ou seja, é ideal
para transferir forças na pelve. Mas esse posicionamento aumenta a
vulnerabilidade para lesões por forças de cisalhamento vertical.

Apesar de ter ligamentos fortes para mantê-la


estabilizada, eles não deixam de ser ligamentos que se
moldam de acordo com a situação. Em casos de pressão
anormal sobre a sacroilíaca eles podem facilmente
deformar e deixar de suportá-la corretamente.
Só existe uma maneira de prevenir a deformação dos ligamentos
sacroilíacos através das forças de cisalhamento: combinando estabilização
muscular e da fáscia.

O glúteo máximo é um dos principais atores na estabilização sacroilíaca,


anulando parte das forças que comprimem a articulação. Ele também realiza
transferência de forças entre o membro inferior e superior.

Quando o glúteo máximo está fraco e pouco ativado, teremos tensão


e excesso de ativação dos isquiotibiais. Eles estão posicionados para
movimentar o quadril no lugar do glúteo, mas não são uma solução
adequada. Sua ação é incapaz de realizar uma estabilização adequada da
sacroilíaca e a deixa exposta a mais forças de cisalhamento.

O glúteo médio também precisa de trabalho durante o tratamento. É ele


que controla os movimentos do fêmur, sendo atuante também na sua
estabilização. Quando tem sua atuação fisiológica, o glúteo médio também
realiza estabilização da pelve no plano frontal e transversal.

Conclusão

A disfunção sacroilíaca é uma patologia complexa


que exige bons recursos de avaliação e testes para
diagnóstico. Quando ela é propriamente diagnosticada,
ainda encontramos uma extrema dificuldade no
tratamento.

É difícil encontrar maneiras de estabilizar uma


articulação que não possui conexão direta com
nenhum músculo da região pélvica.
Porém, um tratamento focado em fortalecimento de glúteo máximo e médio,
além de outros estabilizadores da pelve, consegue resultados satisfatórios.

19 exercícios para dor no quadril infalíveis


para sua aula
Nada mais limitante que ter dificuldade para se mover. A dor no quadril é
uma dessas dores que impedem o aluno de realizar praticamente tudo na sua
vida.

Ele demora vários minutos para entrar no carro porque o mínimo movimento
faz a articulação doer, evita agachar e até caminhar fica desconfortável.

Quando eles procuram um profissional estão em busca da sua independência


e funcionalidade de volta. É exatamente isso que queremos dar para eles
com os exercícios para dor no quadril.

É claro que os exercícios mudam de acordo com a avaliação de cada aluno.

Dependendo da patologia precisaremos evitar alguns movimentos no


início ou focar em certas regiões.

O que quero fazer nesse artigo é dar algumas


recomendações bem generalizadas.

São exercícios que podem ser incluídos em qualquer


tratamento para quadril, eles envolvem:
• Fortalecimento de musculaturas do quadril;

• Trabalho de mobilidade de quadril;

• Alívio da tensão local;

• Exercícios combinados com outras articulações.

Aplicando essas dicas em aula você consegue complementar seu tratamento


e fornecer resultados mais rápidos ao aluno.

Lembre-se bem, quanto antes seu paciente conseguir retornar às suas


atividades diárias, maior será sua satisfação. Continue lendo para entender
todos os exercícios.

Como usar exercícios para dor no quadril

Por ser uma dor tão limitante, alunos com dor no quadril costumam acabar
bastante sedentários. Eles param com as atividades físicas e aos poucos
começam a evitar certos movimentos. O resultado é um corpo limitado,
desequilibrado e com musculaturas nada eficientes.

Ok, o movimento causa dor no aluno e ele está tentando escapar disso, mas
nós não conseguimos.
O movimento é nossa própria ferramenta de trabalho
e precisamos de exercícios para conseguir reabilitar o
aluno.
No tratamento de dor no quadril precisaremos trabalhar com alguns
objetivos, que são:

• Ganhar amplitude de movimento;

• Melhorar mobilidade;

• Melhorar estabilidade;

• Ganhar flexibilidade articular;

• Obter melhor alinhamento postural.

Também deveremos corrigir os padrões de movimento do aluno. Muitas


lesões e patologias do quadril surgem devido a erros de movimento
repetidos durante a atividade esportiva ou no dia a dia. Um exemplo são
corredores com erros na passada, o que sobrecarrega o quadril e torna-se
um fator lesivo.

Exercícios de mobilidade

A mobilidade é uma das características mais prejudicadas em casos de dor


no quadril. Devido à dor o aluno simplesmente não se move.

Ele busca diminuir ao máximo sua utilização do quadril,


o que pode até proporcionar um alívio em curto prazo.
Porém, em longo prazo, é uma compensação perigosa
que impede o retorno às atividades diárias.
É muito importante utilizar exercícios para recuperação de mobilidade de
quadril de nossos alunos. Separei alguns exercícios que devem te ajudar no
processo de reabilitação.
Exercícios de fortalecimento

Também precisaremos recuperar a força muscular de diversas musculaturas


na região do quadril. Confira abaixo alguns exercícios que vão te ajudar a
fortalecer a articulação.

Alívio da dor

Claro que antes de tudo o aluno precisa se ver livre da dor. Caso contrário
ele terá dificuldade para realizar até os exercícios mais simples em nossas
aulas.

Para melhorar a dor podemos utilizar técnicas como terapia manual,


alongamento, liberação miofascial e de ponto gatilho.
Conclusão

Cada caso de dor no quadril é único e individualizado.

Os exercícios para dor no quadril nesse artigo são uma recomendação


para incluir e complementar sua aula.

Só fique atento porque eles não substituem uma boa avaliação do seu aluno
e seus desequilíbrios.
5
7 PROVAS QUE
TREINAMENTO
FUNCIONAL E PILATES
SÃO COMPLETAMENTE
COMPATÍVEIS
Você quer incrementar suas aulas, deixá-las mais atraentes, eficientes e
dinâmicas, mas tem medo de errar ao misturar métodos? Fique calmo
porque existem muitos outros profissionais na mesma situação que você.

Falarei aqui sobre o caso especial de quem trabalha com Pilates ou


Treinamento Funcional. É comum prepararmos uma aula e ficar em dúvida
sobre colocar um exercício funcional ou de Pilates. Será que isso estragaria a
aula?

Minha resposta é: não. As duas modalidades são


complementares, mesmo que você nunca tenha
trabalhado com elas dessa maneira.
E para te provar isso trouxe 7 evidências de que Pilates e Treinamento
Funcional são completamente compatíveis!

Padrões de movimento funcional

No Treinamento Funcional trabalhamos com alguns conceitos. Um deles são


os padrões de movimento, que veremos a seguir:

• Agachar;

• Girar;

• Empurrar;

• Movimentos combinados;

• Resistência de movimento.

Por que trabalhamos exatamente com esses padrões?

A resposta é simples, eles são movimentos que nosso corpo realiza


no dia a dia. Por isso eles são chamados funcionais. Mas para ficar bem
explicadinho a importância de trabalhar com esses movimentos, veremos o
que são exatamente esses padrões.
Quando eu te mando fazer uma flexão, por exemplo,
o que você acha que seu corpo entende? Seu cérebro
não compreende cada músculo que está em ação no
movimento, mas sim só o movimento em si. Então você
não consegue mentalizar cada musculatura contraindo ou
relaxando. Mas você consegue mentalizar o ato.
É exatamente isso que é o padrão de movimento. Esse padrão é formado
por pequenas informações sobre movimentos individuais que juntos dão
em um movimento complexo. Sabe aquele seu aluno no Studio que nem
consegue subir no Reformer direito de tão pouca coordenação que tem?
Seus padrões de movimento estão errados ou pobres.

Isso é diferente do que fazemos na musculação, por exemplo. Nela ao


invés de treinar um movimento integrado que forma o padrão, trabalhamos
músculo por músculo.

O Treinamento Funcional tem vários objetivos, sendo que um deles é


recuperar padrões de movimento funcionais. Por isso você vai encontrar
padrões similares de movimento repetidos muitas vezes nos exercícios
funcionais.

Deixa eu aproveitar para te contar uma notícia boa: nós trabalhos com os
mesmos padrões no Pilates. Apesar de usarmos esses padrões em alguns
planos diferentes, as duas modalidades recuperam a funcionalidade do
praticante.

Por isso posso afirmar sem problemas que o Pilates e o Treinamento


Funcional são complementares. Usando exercícios funcionais para recuperar
os movimentos do seu paciente você complementa a sua aula.
Melhora nos resultados

Quem acompanha notícias sobre o meio fitness deve ter percebido como
celebridades e atletas adoram o Treinamento Funcional. Isso tem motivo, o
Funcional é ótimo para quem deseja um trabalho dinâmico, potente e com
bons resultados.

Tudo depende de como você incorpora as duas modalidades. O Treinamento


Funcional nos ajuda a trabalhar o corpo com padrões de movimentos
funcionais, planos variados de movimento e exercícios em cadeia cinética
fechada.

Por ser um tipo de trabalho diferenciado é possível melhorar o desempenho


de nossos alunos através do Funcional. Isso porque seus movimentos nos
ajudam a desenvolver:

• Potência;

• Velocidade;

• Equilíbrio;

• Estabilidade;

• Mobilidade;
• Força.

Tenho certeza que muitos dos seus alunos de Pilates


precisam dessas características. Realmente, o
Treinamento Funcional é uma modalidade completa, por
isso sempre que possível é ótimo integrá-lo em outras aulas. Ele só tem a
adicionar no Pilates e pode sim ajudar muito seus alunos.

Diferencial para o Studio

Amo o Pilates e todo mundo pode ver isso. É uma modalidade completa,
que ajuda a melhorar os movimentos e manter o corpo saudável. Seus
exercícios são uma obra genial que contempla todas as necessidades do
corpo e nunca devem ser subestimados.

Mas nem todo mundo pensa assim, especialmente nossos alunos. Apesar
de muita gente amar praticar Pilates, eles sempre estão em busca de
algo a mais. Hoje em dia não basta ter um Studio lindo com todos os
equipamentos.

Precisamos ter um repertório enorme de exercícios e algo para oferecer a


mais.

Convenhamos que nossos clientes têm razão. Tem praticamente um Studio


de Pilates em cada esquina, então por que eles ficariam conosco? O
Funcional usado nas aulas pode ser exatamente esse diferencial. Só de sair
um pouco da rotina e trazer um trabalho aparentemente mais dinâmico as
pessoas já gostam.
Além disso, saber usar o Treinamento Funcional te
dá um diferencial como instrutor. Você pode ser um
fisioterapeuta e instrutor de Pilates, mas sabe algo
diferente. Assim suas aulas serão diferentes, mais
abrangentes e com melhores resultados.
Quer uma maneira melhor de mostrar como você é diferenciado?

Claro que esse conhecimento só realmente faz a diferença se for bem


utilizado. Por isso é importante conhecer muito bem o Treinamento Funcional
antes de aplicá-lo. Sempre recomendo que os instrutores também testem os
exercícios. Isso é válido especialmente se for algo que não costuma usar com
frequência.

Prevenção de lesão

Muitos de nós têm foco em reabilitação de lesões nos nossos Studios, o que
não quer dizer que a prevenção está fora do nosso interesse. Isso porque
praticamente qualquer um pode sofrer uma lesão, mas parte do nosso
público está especialmente em risco.

Falem com sinceridade: vocês trabalham ou já trabalharam com idosos em


alguma hora da sua vida profissional? Tenho certeza que sim. Eles costumam
procurar o Pilates para melhorar seus movimentos ou se livrar de alguma
dor.

Mesmo que o aluno mais velho seja saudável precisamos tomar um cuidado
extremo com ele. Conforme o corpo envelhece ele passa por um processo
que o deixa privado de diversos movimentos funcionais.
E nesse processo ele também começa a perder boa parte
do seu equilíbrio.

O que quer dizer que muitos idosos estão propensos a


sofrerem quedas. E uma lesão em um idoso não é algo
que podemos ignorar, o processo de recuperação pode ser longo e difícil.
Por isso devemos lembrar sempre de fazer um trabalho preventivo para
evitar quedas e lesões.

Claro que isso não se aplica só aos idosos. Os usei como exemplo sobre
como o Funcional é útil quando aplicado no Pilates. Todos os seus alunos
colhem benefícios de um trabalho de prevenção de lesões. Eles podem ser
atletas ou donos de casa, nenhum deles quer sofrer uma lesão e ficar
semanas ou meses em reabilitação.

E por que o Treinamento Funcional e o Pilates são ótimas ferramentas para


prevenir lesões? A resposta tem a ver com o trabalho global que oferecemos
ao corpo. Essa é uma maneira de trabalhar o fortalecimento de diversas
musculaturas importantes de base, como:

• Core;

• Musculaturas estabilizadoras de coluna;

• Glúteos.

Além disso, o TF também trabalha muito com propriocepção, equilíbrio e


estabilidade. Assim ele torna-se a ferramenta ideal para prevenir uma lesão.

Reabilitação com Treinamento Funcional e Pilates

Reabilitação deve ser um dos trabalhos que você mais


faz no seu Studio. Infelizmente, é extremamente comum
encontrar patologias e lesões no Pilates. Por isso é bom você saber que o
Treinamento Funcional consegue te ajudar nisso também.

Ele é especialmente eficiente quando aliados Treinamento Funcional e Pilates.


Confira tudo que conseguimos fazer com o Funcional na reabilitação:

• Fortalecer musculaturas afetadas;

• Trabalhar mobilidade e amplitude articular;

• Ensinar padrões de movimento funcionais;

• Recuperar a função da região lesionada ou afetada pela patologia;

• Incentivar o aluno a retornar às atividades diárias.

Tudo isso é possível usando a enorme variedade de movimentos funcionais.


O TF possui exercícios que se encaixam em cada fase da reabilitação da
lesão ou patologia. Lembra-se dos padrões de movimento que falei no início
no texto? Eles estão presentes aqui também.

Quando trabalhamos com padrões de movimento funcional o aluno está


fortalecendo e reabilitando musculaturas. Porém os exercícios não param aí.
Eles preparam a região para voltar a se movimentar no dia a dia. Ou seja,
conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo.

Além disso, o TF também consegue melhorar o


condicionamento físico do seu aluno. Dessa maneira ele
sairá da aula com movimentos melhores, melhor aptidão
física e também menor propensão de sofrer novas lesões.
E quem pensa que exercícios de funcional são muito avançados está
completamente enganado. Conseguimos encontrar movimentos que se
adequem até às primeiras fases da reabilitação de nossos alunos.

Repertório de exercícios compatíveis

Eu não uso Treinamento Funcional e Pilates na mesma aula porque uso


equipamentos.

Tem gente que usa essa desculpa quando eu comento que o TF é uma ótima
ferramenta para o Studio de Pilates. Só que eu posso afirmar com toda
certeza que esse não é um motivo válido. O TF se encaixa muito bem nos
equipamentos do Pilates.

Conseguimos fazer exercícios funcionais em qualquer lugar.

Basta conhecer bons exercícios e adaptá-los para os equipamentos. Eles


deixarão sua aula muito mais completa e eficiente. Se quiser você pode
inclusive usar os exercícios deste meu artigo. Eles se encaixam muito
bem nas aulas de Pilates.

Alguns equipamentos de Pilates podem até substituir a fita de suspensão, um


equipamento de TF muito popular. Podemos realizar exercícios geralmente
feitos na fita usando o Cadillac ou equipamentos da
Suspension como o Power Cord. O Power Cord inclusive
aumenta ainda mais seu repertório de exercícios que as
fitas.
Exercícios sem equipamentos

“Mas eu não tenho equipamentos nem acessórios de Funcional, Keyner”.

Isso também não é desculpa. Trabalha só com mat Pilates e tem poucos
acessórios? O Funcional pode ser feito só no solo, sem acessório algum.
Quer provas?

É fácil usar acessórios típicos do Pilates para adaptar exercícios


funcionais. Alguns exemplos são a Fitball e faixas elásticas. Isso quer dizer
que você consegue adaptar qualquer exercício para qualquer aula.

Sei que o problema de muitos instrutores é ter repertório o suficiente para


conseguir fazer aulas atrativas e variadas.

Usando o TF você nunca mais terá esse problema. Ele possui um repertório
de exercícios imenso. E isso sem contar todas as variações que também
existem.

Trabalho de core

Um dos conceitos com que trabalhamos no Treinamento Funcional é o core.


Ele também é interessantíssimo para os praticantes de Pilates. Lembra do
Power House que falamos tanto no Pilates? Então, esses
são conceitos bem parecidos, apesar de não serem a
mesma coisa.

O core é um ponto central do TF. Ele é um conjunto de


musculaturas no centro do corpo que tem como função:
• Estabilização de tronco;

• Transferência de forças pela cadeia cinética;

• Manutenção do equilíbrio.

Sem essas musculaturas fortalecidas e bem ativadas o corpo terá um


desempenho menor nas atividades físicas. Ele também estará mais
propenso a sofrer lesões e até a desenvolver dor lombar. Isso porque
as musculaturas do core são as principais responsáveis pela estabilidade
dessa região.

Sabendo que muitos de nossos alunos têm dor lombar, você consegue
perceber a importância do funcional em aula.

O Pilates possui um foco parecido, porém na estrutura que chamamos de


Power House. Lembrando que eles não são a mesma coisa, como explicarei
um pouco mais para frente.

De qualquer maneira, os dois trabalham focando na ativação de um grupo


muscular bastante parecido. Assim os exercícios de TF tornam-se muito
eficientes no Pilates. O mesmo acontece se fizermos o contrário e usarmos
movimentos do Pilates no Funcional.

Vemos assim como Pilates e Funcional realmente são


compatíveis. Até seus exercícios possuem objetivos
parecidos. Veja por exemplo os exercícios abdominais
que usamos no Funcional. Seus objetivos são bastante
parecidos de outros movimentos do Pilates.
Diferenças entre Core e Power House

Power House é o principal conceito do Pilates, é a partir dele que toda a


metodologia se constrói. Como já sabemos muito bem, ativar o Power House
seria o mesmo que ativar várias musculaturas abdominais, eretores da coluna
e do quadril. No Pilates o Power House está envolvido tanto na respiração
quanto nos movimentos.

É com sua ativação que conseguimos nos mover de maneira eficiente e com
uma boa postura.

Por isso todos os exercícios de Pilates têm um foco importante na ativação e


fortalecimento dessa musculatura.

Podemos citar alguns músculos importantes dessa estrutura, como:

• Transverso do abdômen;

• Períneo;

• Multífidos;

• Diafragma.

Já o core é uma definição própria do Treinamento


Funcional. Realmente, no Core estão incluídas algumas
musculaturas que formam o Power House. Porém, ele
incorpora principalmente músculos eretores da coluna e
extensores de quadril. Assim não tem como dizer que os
dois são a mesma coisa.
Posso usar Pilates na aula de Funcional?

É claro que pode! O Pilates é uma modalidade igualmente completa.

Quem acha que ele é muito “leve” para comparar com o TF só pode
nunca ter praticado. Eu inclusive recomendo que você inclua alguns
exercícios de Pilates na sua aula.

Eles auxiliam na hora de deixar seu aluno mais flexível e móvel. Podem ser
inclusive mais eficientes que muitos movimentos do funcional para esse
objetivo. É claro que você precisará provavelmente adaptar os acessórios e
equipamentos para sua aula.

Eu costumo recomendar que os instrutores que queiram usar o Pilates


dentro da aula de funcional invistam em faixas elásticas. Elas te ajudam a
simular a resistência das molas dos equipamentos de Pilates e possuem uma
graduação de resistência.

Conclusão

Então como aliar Treinamento Funcional e Pilates em uma aula?

Em primeiro lugar, a única maneira de fazer uma boa


aula é com bom planejamento e conhecimento dos seus
alunos. Por isso, quando você quiser incluir o Funcional
na sua aula de Pilates, planeje antes.

Você precisará ter certeza sobre o objetivo do exercício


na sua aula. Assim será possível encaixar o exercício no
momento correto. Ele deve vir de maneira natural. Evite chegar para seu
aluno e dizer “Viu, hoje a gente vai fazer um pouco de funcional no final da
aula.”

Não existe “momento” certo para incluir o funcional na aula. Devemos pensar
nesses movimentos somente como outros exercícios que incluiremos na aula.

Outro grande problema que muitos profissionais têm é usar os exercícios


funcionais como algo “divertido” e adicional na aula. Eles colocam qualquer
exercício só para fazer um agradinho aos alunos. Isso está completamente
errado.

Sempre precisamos usar exercícios que tenham um propósito dentro do


todo. Pode parecer que um exercício é insignificante, mas o aluno ganharia
muito mais se dedicasse aquele tempo a movimentos que o ajudassem.

Como deixar sua aula de Treinamento


Funcional perfeita com 10 dicas
É difícil dizer o que seria uma aula de Treinamento Funcional perfeita. São
tantos fatores que podem influenciar no resultado de uma aula que é difícil
listar todos. Por isso, não tem como eu te garantir que
consigo mostrar o que é uma aula perfeita. Mas posso te
dar algumas características que fazem a aula ter sucesso,
e chegar muito perto disso.
Quando falo em sucesso estou querendo dizer satisfação dos alunos aliado
aos resultados efetivos do seu treinamento. Sei que como instrutor de
Treinamento Funcional você certamente quer isso. Todos queremos que
nossos alunos saiam da aula satisfeitos e sabendo que estão um pouco
melhores.

Se você quer uma aula assim dê uma olhada nesse artigo. Separei aqui
algumas características de uma aula de Treinamento Funcional de sucesso
bastante úteis.

Essa é a oportunidade perfeita para você começar a aplicá-las em suas aulas


e dar uma renovada importante. Seus alunos vão adorar!

Objetivos de uma aula de Treinamento Funcional

Só de alguém trabalhar com Treinamento Funcional (TF) podemos imaginar


que já sabe os objetivos do Funcional. De qualquer maneira, sempre vale a
pena lembrar para que consigamos preparar a aula de Treinamento Funcional
da maneira mais eficiente e com a base bem forte e clara.

O TF como um todo busca recuperar e trabalhar os movimentos funcionais


do corpo. Para entender realmente o que é uma ótima aula de Treinamento
Funcional, deveremos entender também o que são movimentos funcionais.

O termo movimento funcional é bem vago e às vezes


confunde o profissional. Dependendo da definição,
qualquer coisa pode se encaixar nessa categoria.
Quando eu falar em movimento funcional, estou querendo dizer algo que
seja transferível para a vida diária.

Ou seja, não estou falando de exercícios em máquinas que o aluno nunca vai
conseguir reproduzir durante o dia.

Também não quero dizer um movimento extremamente complexo e


desafiador, mas que nada tem a ver com o que aquela pessoa realiza na
sua rotina. Para algo ser considerado transferível precisa se assemelhar aos
movimentos cotidianos ou à modalidade esportiva praticada.

“Quer dizer que eu nunca posso usar exercícios não transferíveis, Keyner?”

Não, você como instrutor deve saber julgar se aquele exercício se aplica
ao caso do aluno. Porém, dê sempre preferência a algo que possa ser
considerado funcional, já que esse é o foco da nossa aula de Treinamento
Funcional.

Existem mais duas características comuns dos movimentos funcionais que


valem a pena mencionar:

• São globais;

• São em cadeia cinética fechada (CCF).

Porém, também devemos fazer uma observação sobre


isso. Nem sempre os movimentos funcionais são em
CCF. Eles também podem ser em cadeia cinética aberta,
depende do objetivo do exercício.
Agora vamos entender um pouco mais sobre o que pode tornar sua aula
de Treinamento Funcional ótima!

Individualização

Só existe uma maneira de garantir que a aula será boa: através da


individualização. Aqui quero dizer que quem monta um protocolo único
para todas as suas aulas está muito errado e nunca conseguirá resultados
satisfatórios.

Mas eu dou aula em grupo, não tem como ser individualizada.

Claro que tem! Mas falaremos sobre isso mais abaixo.

Por que é tão importante que uma sessão seja completamente


individualizada?

Bem, a resposta é simples. Nenhum aluno é igual a outro. Cada


corpo é diferente com características únicas. Nem todos têm o mesmo
condicionamento físico, flexibilidade, agilidade, etc. E também nem todos
possuem facilidades no mesmo tipo de movimento.

Você pode ter um aluno que corre muito bem, tem


facilidade em fazer qualquer exercício que envolva
potência e agilidade, mas que é péssimo para fazer um
levantamento. Uma aula para esse aluno será individual.
E com certeza será bem diferente de uma aula para alguém que é
praticamente um levantador olímpico de tão bom.

Além de facilidades e dificuldades de cada um, também precisaremos


lembrar os problemas do seu corpo. Ou você acha que todo mundo possui
desequilíbrios, patologias e compensações iguais?

Mesmo trabalhando com alunos que possuem exatamente a mesma


patologia, as compensações não serão iguais. Então imagina como isso é
com pessoas que possuem patologias e problemas diferentes.

Agora chegamos na questão da aula em grupo. E se eu precisar dar aula para


o corredor e o levantador olímpico que mencionei nesse tópico ao mesmo
tempo?

Muitos profissionais que trabalham com sessões em grupo enfrentam esse


problema. Seria ótimo se fosse possível separar as turmas por níveis de
habilidade. Porém, devemos preparar a aula com aquela turma em mente.

Os exercícios devem ser fáceis o suficiente para que o aluno menos apto
consiga realizar e difíceis o suficiente para desafiar o melhor aluno.

Ordem lógica dos exercícios

O aluno chega todo animado para a aula de Funcional,


pronto para se exercitar e fazer exercícios. Mas algo deu
errado. Em um dos primeiros exercícios ele praticamente
travou, não conseguia fazer de jeito nenhum porque era
avançado demais. Você já passou por isso?
Acho que todos nós já demos uma aula assim. Como o aluno não conseguia
fazer o exercício acabamos pulando ou dando outra coisa para ele fazer
enquanto os outros terminam. Ao final da sessão, nós só queremos sentar e
pensar no que deu errado. Posso afirmar que boa parte das vezes a culpa é
de um planejamento ruim.

Sei que decidir os exercícios já é uma tarefa difícil às vezes, mas nunca
podemos parar nela. Depois de decidir o que fazer você deve pensar em
uma ordem. E se essa ordem for ruim teremos problemas.

Quando existem exercícios avançados na aula, precisaremos que os


movimentos anteriores sirvam de preparação. Depois de realizá-los seu aluno
precisa estar com consciência corporal o suficiente para fazer o movimento
avançado.

Graduação de exercícios

Outro ponto importante na ordem dos movimentos aplicados de aula é a


graduação. Pense bem, será que seu aluno terá energia o suficiente para
fazer os exercícios na ordem que você decidiu?

Colocar vários exercícios intensos um depois do


outro pode ser um trabalho ótimo para alguns alunos.
Especialmente se eles já tiverem algum condicionamento
físico, portanto estejam preparados para trabalhar com
intensidade.
Mas eu sei que um aluno iniciante que até agora era sedentário não
conseguirá fazer esse trabalho. Se quero incluir todos na aula, terei de pensar
nisso.

Outra opção é colocar os movimentos mais exigentes no começo para


aproveitar a energia inicial do aluno. Note que falei exigentes, não
complexos. Como mencionei anteriormente, para fazer um exercício
complexo e avançado o corpo precisará de preparação.

Vou te dar uma última opção para organizar a ordem dos seus exercícios.
Varie a intensidade. É possível colocar um exercício muito intenso com outro
mais calmo, mais um intenso e assim por diante. Essa prática é bastante
comum para quem trabalha com circuitos funcionais dentro da aula.

Uso das características funcionais do corpo

Se uma aula não usa todas as características funcionais do corpo eu nem


quero chamá-la de Treinamento Funcional.

Os movimentos funcionais que mencionei no começo do texto têm tudo a


ver com essas características. Elas são:

• Estabilidade;

• Equilíbrio;

• Coordenação motora;

• Flexibilidade;
• Resistência muscular;

• Força muscular;

• Resistência cardiovascular.

Então não basta minha aula de Treinamento Funcional ter exercícios que
trabalham força, ela será incompleta desta maneira. Talvez pareça impossível
conseguir encaixar um exercício para cada característica numa sessão que
dura em média 1 hora. Calma, você logo vai entender como fazer isso.

Aqui vai minha dica: escolha movimentos que contemplem mais de uma
característica. Para que trabalhar só flexibilidade se você consegue trabalhar
flexibilidade e equilíbrio ao mesmo tempo?

Assim você conseguirá trabalhar mais características de um corpo funcional


em um período menor de tempo. Tenho uma ótima notícia para você: o
Treinamento Funcional tem muitos exercícios que contemplam mais de uma
dessas características.

Vamos para um exemplo. Ao fazer uma prancha seu aluno está


fortalecendo musculaturas do core. Além disso, ele está trabalhando
estabilidade e equilíbrio.

Parece uma posição fácil para quem está olhando, mas


quem já testou sabe que exige bastante do corpo.

Não foi o suficiente para te convencer? Vou para um


exemplo clássico nos meus textos: o agachamento. Já
cansamos de saber que ele fortalece musculaturas de
membros inferiores e Core. Ele também ajuda a trabalhar mobilidade de
quadril, estabilidade de joelho e mobilidade de tornozelo.

Se fizer um agachamento com salto teremos um trabalho completo que


inclui resistência cardiovascular. Viu como dá para fazer tudo na mesma aula?
Basta planejamento e conhecimento dos inúmeros exercícios que temos no
Treinamento Funcional.

Objetivo específico

Falamos no início desse texto sobre os objetivos do TF. Eles devem estar
presentes em todas as aulas porque seguem como um “guia” para quem
pratica a modalidade. Além disso, também devemos lembrar que cada aula
tem um objetivo específico.

Se você está se perguntando “como assim?” fique calmo que já vou explicar.

Todo aluno está tentando atingir algo. Pode ser emagrecimento (que não
é minha área, mas os educadores físicos lendo esse artigo lidam muito com
isso), reabilitação, etc. Isso quer dizer que suas aulas precisam ajudar o aluno
a chegar perto do seu objetivo.

Não se engane, não estou querendo dizer que o aluno


vai chegar com dor nas costas na sua aula e sair curado.
Mas a sessão deverá ser um passo mais perto desse
objetivo. Muitos profissionais esquecem disso e depois
ficam com problemas para evoluir o aluno.
Assim, quando você senta para preparar uma aula, defina o que quer
que o aluno consiga fazer ao final. Pode ser algo como “conseguir fazer
agachamento profundo” ou “melhorar a mobilidade de quadril”. O que
importa é que os movimentos caminhem para esse fim.

De acordo com esse objetivo o tipo de exercícios mudará. Talvez você queira
melhorar o equilíbrio do seu aluno idoso. Provavelmente isso quer dizer que
a aula terá muitos movimentos em bases instáveis ou na fita de suspensão.

Trabalhando com um atleta que quer melhorar gestos esportivos teremos


de usar movimentos específicos. Por isso, pense bem nesse objetivo.

Lembrando que deveremos pensar também nas características funcionais que


o aluno deve trabalhar. Mesmo que o foco da aula seja em equilíbrio você
deve incluir as outras características. Seu aluno nunca trabalhará só uma delas
na sua vida diária, então por que faria isso em aula? A escolha dos exercícios
é uma parte importantíssima.

Acessórios adequados

Quantos acessórios temos no Treinamento Funcional? São muitos e cada um


tem sua característica específica. Se eu falar em Treinamento Funcional para
um leigo ele logo imagina uma sala cheia de acessórios.
Ninguém lembra que cada um desses acessórios tem
algo a adicionar ao exercício.

Muita gente pensa nos acessórios e equipamentos só


como uma maneira de deixar a aula variada. E esse
pensamento é bem limitado.
Cada acessório te ajuda a trabalhar de uma maneira, vou fazer uma listinha
rápida para te ajudar:

• Fitball: equilíbrio, estabilidade;

• Fita de suspensão: força, estabilidade, equilíbrio;

• Balance pad: estabilidade, equilíbrio;

• Bosu: estabilidade, equilíbrio;

• Escada: agilidade, condicionamento cardiovascular;

• Cone: agilidade.

• Foam roller: equilíbrio, estabilidade.

• Medicine ball, kettlebells, halteres e outros pesos: carga.

E conseguimos utilizar vários acessórios para fazer um único exercício no TF.


Então como escolher qual é o melhor para a minha aula?

Será que é só olhar qual deles é mais divertido ou o aluno gosta mais?
Espero que você não esteja pensando isso. Sempre precisamos saber qual é
o objetivo do exercício.

Fazer um agachamento na fita de suspensão é diferente


de agachar no bosu e diferente de agachar com uma
kettlebell.

O que você quer trabalhar nesse exercício? Se quiser


facilitar para que o aluno tenha mais segurança num
agachamento profundo, minha sugestão é a fita. Já para deixar o movimento
mais instável podemos usar o bosu.

Para fazer um trabalho de força a kettlebell talvez seja mais apropriada.

Lembra daqueles objetivos específicos que falei? Eles têm tudo a ver com
que tipo de acessórios você usa na aula.

Quem quer preparar uma aula de Treinamento Funcional pelo menos


decente vai ter que pensar nisso. Saiba qual é o propósito do exercício antes
de decidir qual é o acessório, só assim você terá o resultado que deseja.

Usar exercícios e variações realmente funcionais

No Treinamento Funcional temos o mesmo problema com acessórios


e exercícios. Algumas pessoas só pensam neles para deixar a aula mais
“divertida”. Mas qualquer um que realmente trabalhe com a modalidade
sabe que não é só isso.

Ao decidirmos usar uma variação de exercício ele precisa ter um propósito.


Vejo muitos profissionais se interessarem muito por 20 variações de prancha
no Facebook e poucos tentando entender o que cada uma dessas variações
faz. Sem esse conhecimento sua aula dificilmente terá
resultados rápidos.

Dica: só use variações quando for necessário. Não


precisamos ficar inventando coisas para deixar o Treinamento
Funcional mais eficiente ou completo. As variações de
exercícios ajudam? Claro, mas só se bem utilizadas.
Quero dar um exemplo para mostrar meu ponto. Numa aula eu estava
pensando em colocar o aluno para fazer uma versão mais instável do
agachamento. Mas lembrei que esse aluno em especial está com pouca
mobilidade de tornozelo, ele nem consegue trabalhar com agachamento
profundo ainda.

Como profissional, você daria um agachamento unilateral para esse aluno?


Certamente ainda não é hora para ele fazer isso. Primeiro eu precisaria
trabalhar o agachamento profundo com ele até que estivesse perfeito.
Depois poderia pensar em quantas variações quisesse para esse exercício.

E sempre lembre que os exercícios que usamos no TF precisam ser realmente


funcionais. Nada de começar a colocar qualquer exercício na aula só porque
achou interessante. Se ele não tem um propósito que se encaixa na aula, não
é global e não é transferível, troque.

Lembrando que os exercícios são funcionais de acordo com as características


individuais do aluno.

O que não é funcional para um trabalhador normal talvez seja para um


lutador de jiu-jitsu, por exemplo.

Isso porque cada um terá uma necessidade de padrões de movimento


diferente.

Para todos os públicos

Trabalhar com aula em grupo é desafiador. Nem todos os


alunos têm o mesmo preparo físico, na verdade, acho que o
comum é ter muitos níveis diferentes na mesma turma.
Sei que dá vontade de separar todo mundo em pequenas turmas por nível,
mas é impossível.

Nesse caso, precisaremos planejar uma aula que atenda todos os alunos
daquela turma. Essa também é uma característica importantíssima de uma
aula de Treinamento Funcional perfeita.

Se não tivermos exercícios que podem ser feitos por iniciantes,


intermediários e avançados nunca teremos como manter turmas. Para fazer
isso você pode usar alguns artifícios:

• Usar acessórios para facilitar ou dificultar;

• Usar variações para alguns alunos;

• Pedir que os alunos mais avançados façam o movimento com mais


intensidade.

Para decidir como facilitar ou dificultar suas aulas você precisa conhecer
muito bem sua turma. Sabe o que isso quer dizer? Que todos eles precisam
ter passado por uma ótima avaliação. Assim você saberá quais são as
necessidades, facilidades e dificuldades de cada um.

Já ficou com medo de precisar inserir tudo isso numa aula? É mais fácil do
que parece. Apesar de não podermos trabalhar individualmente com cada
um do grupo, podemos aproveitar o trabalho global. O
Treinamento Funcional possui diversos exercícios que
trabalham várias partes do corpo ao mesmo tempo, eles
serão seus aliados.

Escolha exercícios que consigam te ajudar a trabalhar


mais de um problema dos alunos ao mesmo tempo.
Técnicas misturadas sem medo

Você sabia que podemos usar outras técnicas na aula de Treinamento


Funcional? Um exemplo que já usei aqui no blog é o Pilates. Ele
complementa muito bem o Treinamento Funcional por possuir princípios
similares, além de ser uma ótima metodologia.

Podemos inclusive usar os equipamentos de Pilates para realizar exercícios


de Treinamento Funcional. O oposto também é possível, usar acessórios de
funcional para exercícios de Pilates. Os dois até dividem muitos acessórios
como fitball, bosu e faixas elásticas.

Um bom instrutor de Treinamento Funcional não deve ter medo de misturar


outras técnicas e metodologias. Darei um outro exemplo, dessa vez com a
liberação miofascial.

Quem trabalha com atletas, por exemplo, sabe que tensão muscular é muito
comum para eles. Então, qual é o problema de trabalhar com liberação
miofascial em parte da aula de Treinamento Funcional?

O mesmo se aplica para terapia manual, acupuntura, dry needling e afins.

Conhecendo outras metodologias você consegue variar mais suas aulas e


agregar valor ao seu trabalho.

Lembre-se que o conhecimento nunca é demais, você


sempre encontrará uma oportunidade para aplicá-lo.
Boa progressão

Sabe um problema bastante comum para muitos profissionais? Manter a


progressão do aluno. Eles deixam para progredir de acordo com o feeling
ou algo similar, ao invés de planejá-lo. Fazendo dessa maneira, as aulas são
raramente pensadas de acordo com a progressão.

Essas aulas não são pensadas para que o aluno aos poucos evolua mais
e torne-se mais avançado. E quem pensa que o aluno não percebe pode
continuar se enganando, alguma hora ele vai perceber. Nessa hora a
credibilidade do instrutor praticamente acaba.

Então, se uma aula de Treinamento Funcional é boa ela está encaixada na


progressão planejada para aquele aluno.

Conclusão

Só existe um segredo por trás da satisfação de nossos alunos: um bom


trabalho, o que significa dar ótimas aulas de funcional.
A verdade é que uma boa aula é o primeiro passo para
conseguir resultados.

Com as 10 características desse artigo você conseguirá


alcançar uma aula de sucesso. Basta começar a colocar
essas ideias em prática.
Lembrando que o planejamento nunca pode ser desprezado. É nele que
começa a aula e tenho certeza que você quer fazer o melhor trabalho
possível.

O que achou desse artigo? Seguindo essas dicas suas aulas melhorarão, e
muito!

Como montar a aula perfeita aliando Pilates


e funcional suspenso
O Pilates e o treinamento funcional suspenso são uma combinação perfeita,
mas isso você já sabe! O mesmo pode ser aplicado às fitas de suspensão –
porque elas seguem princípios funcionais para seus movimentos. Além disso,
elas te ajudam a trabalhar as habilidades proprioceptivas e motoras do aluno,
algo extremamente importante para quem tem alunos lesionados ou idosos.

Com o uso da fita de suspensão conseguimos introduzir um importante


elemento de instabilidade na aula. Assim, incentivamos nosso aluno a
ativar as musculaturas do core, algo que é bastante difícil de fazer só com
comandos verbais.

“Mas Keyner, se eu consigo dar exercícios com


instabilidade usando acessórios, por que a fita?”

É simples, contanto que você aplique os princípios


da suspensão é possível facilitar ou dificultar todos os
exercícios. Portanto, nosso aluno consegue realizar os
exercícios com segurança e perde o medo aos poucos. E quando ele não
tiver mais medo você pode deixar o exercício mais intenso!

Posso usar funcional suspenso na aula de Pilates?

Para te dar um exemplo de como o funcional suspenso é útil para o Pilates,


vou listar algumas habilidades que treinamos com ele:

• Mobilidade;

• Estabilidade;

• Força;

• Equilíbrio;

• Propriocepção.

Os exercícios do funcional suspenso podem ser usados inclusive para


trabalhar problemas posturais. Quem me segue no Facebook sabe que
podemos até usar os exercícios suspensos para o tratamento de escoliose.

Quais alunos pode realizar exercícios suspensos?

No Pilates treinamos todos os tipos de pessoas.


Alguns profissionais são especialistas em atletas de
alto rendimento que querem prevenir lesão e melhorar
o desempenho. Outros trabalham com patologias e
lesões e buscam sempre obter os melhores resultados.
Existem também aqueles que trabalham com pessoas que querem manter-se
saudáveis através da prática de atividades físicas.

Com tantos profissionais diferentes, parece que somente equipamentos


geniais como os do Pilates conseguem adaptar-se para todos. Mas não
precisa ser assim. O funcional suspenso consegue te proporcionar aulas para
todos.

Caso você veja um atleta fazendo uma série de exercícios suspensos pode
pensar que seu aluno com uma lesão no quadril nunca poderia usar os
equipamentos suspensos. Na verdade, ele pode! Basta utilizar todas as
ferramentas da aula suspensa para adaptar sua aula.

Já falei dos princípios da suspensão e falo novamente. Utilizando-os


corretamente todos os exercícios são seguros para qualquer nível de aluno.
Os iniciantes vão adorar esse contato com a instabilidade e um desafio
diferente, assim como os intermediários e avançados.

Só é importante ficar atento enquanto os alunos realizam exercícios


de funcional suspenso. Mais à frente falarei sobre algumas medidas de
segurança que podemos tomar com nossos alunos para garantir que tudo
dará certo na aula.

Não estou dizendo aqui que não existem exercícios avançados no


funcional suspenso. Existem, e muitos, considere que a fita de suspensão,
por exemplo, foi criada por um membro da marinha
americana que queria se exercitar em viagem. Porém, um
bom instrutor consegue reconhecer quais movimentos
são adequados ou não para seu aluno e realizar as
adaptações necessárias.
Quais tipos de exercícios combinam com os equipamentos?

Quando falo em treinamento suspenso estou falando em fita de suspensão,


Columpio e Columpio Wall. Agora quero que você pare um pouquinho o
que está fazendo e dê uma conferida no Youtube do Blog Pilates. Lá você
encontrará alguns exercícios com o Columpio que são imperdíveis. O mesmo
acontece com a fita de suspensão.

Todos os equipamentos são bastante versáteis e podem ser utilizados para


um treino que trabalha o corpo de maneira global. Os exercícios podem ser
alguns movimentos tradicionais do funcional, como agachamentos, pranchas
e flexões de braço ou adaptações do Pilates.

Dicas de segurança para exercícios suspensos

É claro que não podemos abrir mão da segurança de nossos alunos para
usar um equipamento “legal” ou “diferente” que deixe a aula mais atraente.
Felizmente, você consegue manter-se completamente seguro usando o
funcional suspenso.

Quem trabalha com alunos iniciantes, lesionados e


idosos, por exemplo, sabe que eles nem sempre têm
o corpo preparado para a instabilidade. Um excelente
exemplo são idosos que já sofreram quedas e se
lesionaram, por isso têm medo de fazer os exercícios.
Nunca devemos forçar os exercícios com esses pacientes
ou eles se tornarão um risco!
Em casos assim, trabalhamos com preparatórios para o movimento. Comece
com uma forma simplificada do exercício, ou até no solo, para que o corpo
aprenda o padrão de movimento. Se necessário, realize exercícios de
ativação muscular antes de tudo.

Você pode usar na preparação:

• Alongamento muscular, especialmente naqueles alunos que apresentam


desequilíbrios, sempre dê preferência ao alongamento dinâmico;

• Ativação de musculaturas, lembre daquelas musculaturas que o aluno tem


mais dificuldade em ativar;

• Aquecimento;

Os próprios equipamentos suspensos servem para os exercícios


preparatórios. A fita de suspensão, por exemplo, é ótima para realizar
alongamentos.

Com alunos inseguros também precisamos acompanhar o momento de subir


e descer do equipamento. Muitos alunos sentem-se melhor com o suporte
do instrutor, mesmo que ele só apoie o equipamento enquanto a pessoa se
prepara.

Nunca deixe alunos iniciantes e especialmente idosos fazendo os exercícios


sozinhos. Eles precisam ser supervisionados, uma queda,
mesmo que de pequena altura, pode ser traumatizante e
até lesiva.
Conclusão

Gostou das dicas que dei nesse artigo? Isso é prova que podemos criar uma
aula perfeita utilizando funcional suspenso e o Pilates! Os equipamentos de
funcional suspenso são ótimos complementos para sua aula e ainda fáceis de
instalar e utilizar. Basta ter um ponto para fixá-los, algo que você consegue
até em Studios pequenos!

A fita de suspensão é um adicional bom até para quem trabalha com


atendimento a domicílio. Ela pode ser presa na parede, porta e até outros
equipamentos, como o Cadillac. Lembre-se de testá-la antes de usar com o
aluno para ter certeza que está bem fixa e que não existe risco de se soltar
no exercício.

Confira 14 exercícios funcionais para


melhorar a postura de seu aluno
Quero iniciar esse artigo propondo uma espécie de exercício prático.
Comece a observar seus alunos enquanto estão na sala de espera para
começar a aula, qual é a postura que eles adotam?

Imagino que depois de um ou dois dias realizando esse


exercício você perceberá como todos estão precisando
melhorar a postura nas aulas e na vida.
O que causa a má postura?

Sabemos que muitos de nossos alunos são acometidos de desvios posturais,


mesmo que leves e praticamente insignificantes para eles. Esses desvios
são tão comuns que boa parte das pessoas sequer pensa em procurar ajuda
profissional. Pelo menos é assim até que surja alguma dor ou patologia mais
séria.

Considerando essa frequência dos problemas de postura, por que será


que ela acontece?

Vamos começar por um dos principais vilões do mundo atual: o


sedentarismo. Além de aumentar as taxas de obesidade e o risco de
desenvolver doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, ser sedentário é
a melhor maneira de piorar a postura de alguém.

Pessoas com esse estilo de vida passam boa parte do tempo paradas e
sentadas, seja no trabalho ou em casa.

No máximo, essa pessoa caminha até o estacionamento para pegar o carro e


volta para casa do trabalho sentada mais uma vez.

É um péssimo estilo de vida, e imagino que você já


sabe alguns dos motivos.

Primeiramente, manter-se sentado não te ajuda a


trabalhar qualquer grande grupo muscular.

Portanto, existe uma maior tendência ao


enfraquecimento, especialmente de musculaturas de:
• Membros inferiores;

• Core;

• Cintura escapular.

Além disso, a posição tensiona certas regiões do corpo. Os membros


inferiores, por exemplo, ficam com sua circulação sanguínea piorada e sofrem
de tensão de importantes músculos de base. Para piorar ainda mais, temos
um estiramento e enfraquecimento de músculos de sustentação da
coluna, como o transverso abdominal.

Já percebeu a quantidade de pessoas com dor lombar? Esse é um dos


motivos. Como sedentários costumam ter musculaturas do core inibidas,
a área neutra da coluna aumenta, aumentando também sua instabilidade.
Afinal de contas, a lombar perde boa parte do seu subsistema muscular de
sustentação.

Pessoas não sedentárias também podem desenvolver desvios posturais.


Algumas vezes, suas práticas esportivas podem levar a uma coluna muito
rígida ou móvel. Também devemos corrigir esses casos com movimento.

Como melhorar a postura?

Vou começar esse artigo te avisando que você


provavelmente trabalha com uma modalidade excelente
para melhorar a postura. O Treinamento Funcional, o
Pilates e a fisioterapia foram todos desenvolvidos para
garantir melhora no movimento. Através de seus exercícios e posições
conseguimos corrigir diversos problemas posturais.

Utilizando essas modalidades conseguimos recuperar o movimento em


regiões rígidas do corpo, como a coluna torácica e quadril. Além disso,
somos capazes de misturar o trabalho de fortalecimento com o de
propriocepção. Lembre-se sempre que uma pessoa com problemas
posturais terá uma série de compensações espalhadas por seu corpo.

O trabalho corretivo é como descascar uma cebola. Você encontra


compensação depois de compensação e corrige o que acha pelo caminho.
Por isso, devemos sempre combinar o tratamento com uma avaliação
funcional e postural eficiente.

Por ser um problema global, também precisamos trabalhar o corpo de forma


global. Por isso indico o Pilates e o Funcional para esse tipo de correção.
Conseguimos utilizá-los para realizar exercícios que são eficientes tanto para
fortalecer grupos musculares específicos quanto todo o corpo.

Quer complementar suas aulas e melhorar a postura de alunos? Trouxe nesse


artigo algumas dicas valiosas para você, incluindo exercícios fundamentais.

É claro que, antes de aplicá-los, você deve avaliar seu aluno para ter certeza
se são recomendados. De qualquer forma, dê uma olhadinha no que você pode
fazer para melhorar as postura nas sessões de funcional e Pilates.
Fortalecer core

O fortalecimento de core é fundamental para qualquer um que deseja


melhorar a postura de seus pacientes e alunos. Como mencionei
anteriormente, especialmente indivíduos sedentários apresentam
enfraquecimento das estruturas estabilizadoras da coluna.

Por isso, precisamos trabalhar com fortalecimento e ativação. Quero parar


um minutinho aqui para lembrar que um músculo tenso não é o mesmo que
um músculo forte. Muitas vezes encontramos pessoas que apresentam
muita tensão muscular na região do core e confundimos com força. Isso
está errado. Esses pacientes precisam, antes de tudo, de um trabalho de
liberação dessas tensões.

Depois podemos utilizar exercícios como os que estão exemplificados no


vídeo abaixo. Neles realizo um trabalho integrado de fortalecimento de core
e cintura escapular. Sabe por que eles são tão eficientes para melhorar a
postura? Porque em muitos casos a cintura escapular também está afetada.
Por isso, você consegue utilizar esses movimentos para evitar e até tratar
alguns tipos de dores no ombro e membros superiores.
Quem trabalha com Pilates e Funcional não precisa ficar limitado a esses
movimentos. Existe uma série de exercícios de fortalecimento de core
que ajudam a melhorar postura. Um excelente exemplo é a prancha, do
treinamento funcional.

Durante a realização da prancha conseguimos trabalhar com 3 fatores


fundamentais na correção postural:

• Fortalecimento de core;

• Equilíbrio;

• Alinhamento corporal.

Ou seja, você pode e deve adotá-la durante suas


aulas. Mobilidade de coluna A rigidez na coluna é
um dos grandes problemas do brasileiro moderno.
Quer melhorar a postura do seu paciente? Invista
muito em exercícios de mobilidade de coluna. Com
todo o fortalecimento, é comum esquecermos que uma coluna funcional
combina mobilidade e estabilidade e deixarmos que uma característica se
sobreponha.

Para evitar isso é importante balancear os exercícios de acordo com a


necessidade do aluno. No vídeo abaixo realizo alguns movimentos de
mobilidade que ajudam flexibilizar a coluna e ainda corrigir o alinhamento
corporal.

Conclusão

Melhorar a postura é essencial para garantir a qualidade de vida do seu


aluno, não importa seu nível, idade ou patologia. Mesmo um atleta de alto
rendimento que está se preparando para competições
precisa de uma boa postura. Então, não abra mão desse
trabalho nas suas aulas.
Felizmente, temos uma variedade enorme de exercícios para trabalhar a
coluna com Pilates e Funcional.

4 passos básicos para preparar sua aula de


Treinamento Funcional
Sabe qual é o segredo para cativar o aluno e mantê-lo interessado no
Treinamento Funcional? Talvez a resposta seja meio óbvia, mas o principal
segredo está na aula que ofereceremos para ele. O grande problema é que
muita gente tem dificuldades para preparar as aulas e deixá-las interessantes.
O pior de tudo: muitos profissionais deixam para preparar em cima da hora
ou até improvisam (um risco).

Quer oferecer ótimas aulas que eventualmente levarão a ótimos resultados?


Dedique um pouquinho do seu tempo planejando, garanto que tudo
melhorará.

Para te ajudar no planejamento da aula de Treinamento Funcional separei


4 passos básicos.

Eles serão a base do seu planejamento e, obviamente, talvez você precise


fazer mais do que só esses 4 passos indicam.
Para aprender tudo continue lendo e aproveite todas as
informações abaixo!
1. Objetivo

Toda aula de Treinamento Funcional precisa de um objetivo para guiá-la.


Podemos definir isso como aquilo que queremos melhorar no aluno com essa
sessão. Eu quero que ele termine a aula com melhor mobilidade de ombro,
mais flexibilidade ou mais força?

Usarei alguns exercícios específicos para isso. Lembrando que esse objetivo
não tira o caráter global da aula, somente a direciona. Você continua
precisando de exercícios que trabalhem todo o corpo.

2. Ordem dos exercícios

Depois de decidir o que fazer, decidiremos como fazer. Nessa etapa você
escolhe quais exercícios usar para atingir o objetivo escolhido no primeiro
passo e em qual ordem eles virão.

A intenção é criar uma aula intensa, mas que todos os alunos consigam
acompanhar. Uma dica é usar alguns exercícios mais leves intercalados com
exercícios mais intensos, dando um pouquinho de tempo para os alunos mais
iniciantes se recuperarem.

3. Alunos

Você tem algum protocolo de aula pronto que gosta de


usar?
Esqueça ele porque toda aula de Treinamento Funcional deve ser individualizada.
Pense bem nos alunos com os quais você está trabalhando, crie uma aula que
consiga atender suas necessidades individuais ou necessidades do grupo.

4. Aquecimento

Antes de terminar lembre-se de preparar um aquecimento que realmente


ajude a preparar o corpo para a aula. Nada de usar um aquecimento
levinho para uma aula intensa ou algo assim. Lembre-se dos objetivos dessa
etapa da aula, caso o aquecimento seja bem feito seus alunos terão menos
dificuldades nos exercícios e um risco de lesão mínimo.

Conclusão

Uma preparação de aula bem-feita é o diferencial para uma aula mais ou


menos e a aula perfeita que todos os alunos amam.

Por isso vale a pena investir um tempo da semana para preparar suas aulas,
especialmente se você quer garantir a satisfação de seus alunos.
O que achou desses 4 passos básicos? Comece a segui-
los hoje mesmo para perceber a diferença que fazem em
uma aula de Treinamento Funcional.
5 exercícios funcionais obrigatórios para sua
aula
Sabemos que existem tantos exercícios funcionais que é difícil de contar. E
por isso muita gente fica sem ideia do que usar nas aulas.

A decisão pode ser muito complicada de vez em quando, mas estou aqui
para te ajudar. Separei uma lista com 5 exercícios funcionais obrigatórios
para a sua aula.

Aprenda também algumas vantagens de cada um deles para que você tenha
certeza de que está usando a melhor opção para seus alunos.

Vamos aprender um pouco sobre cada um desses exercícios funcionais?


Então continue lendo.

1. Prancha

Quem trabalha com Funcional sabe a importância do core para nossos


alunos. Sem essa região fortalecida eles terão problemas posturais,
dificuldades para se movimentar e podem até desenvolver dor lombar. Por
isso exercícios que trabalham o core são maioria no Treinamento Funcional.

As pranchas, em particular, trazem diversos benefícios


ao praticante. Além de fortalecer a musculatura do
core, a prancha te ajuda a trabalhar estabilidade. Assim,
esse é um exercício ideal para quem quer melhorar seu
desempenho físico e até prevenir lesões.
2. Abdominal

Tem gente que só faz abdominais para “chapar” a barriga, preciso avisar que
esse não é o propósito do exercício.

Ele te ajuda a trabalhar musculaturas estabilizadoras de coluna de uma


maneira bastante interessante. Dependendo da variação podemos aproveitar
para incluir membros inferiores na aula.

3. Burpee

O burpee muitas vezes é confundido como um trabalho específico para


praticantes de atividades físicas mais experientes. Porém, ele pode ser
adaptado para alunos de qualquer nível. O burpee é uma combinação de
movimentos, incluindo agachamento, flexão e salto.

Ele é ótimo por combinar fortalecimento com trabalho aeróbico. Você verá
sua eficiência quando começar a aplicar esse exercício em aula. Os alunos
vão reclamar, mas terão uma das aulas mais intensas da sua vida.

4. Climber

Esse exercício também é conhecido como mountain


climber. Para realizá-lo o aluno apoia os braços no chão
(ou em um acessório) e flexiona um joelho, elevando até
quase chegar no peito. Depois o aluno retorna a perna
para a posição esticada e faz o movimento com a outra.
A intenção é realizar o exercício com movimentos rápidos para ter um
trabalho mais intenso.

5. Flexão

A flexão é praticamente um clássico entre os exercícios funcionais. Ela te


ajuda a fortalecer membros superiores ao mesmo tempo que fortalece e
ativa a musculatura do core.

Você pode inclusive usar variações dela usando acessórios.