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A Legalização da Classe Operária – Bernard Edelman – Nasceu em 1938

Publicado em 1978
Influência Marxista – é um dos primeiros livros dele
Por consequência os termos comuns de Marx, especialmente do marxismo ortodoxo são bem
comuns como burguesia, proletariado, luta de classes.
Interessante que na década de 1960, novas correntes já buscavam revisar o marxismo (a
formação da classe operária inglesa de E. P. Thompson e Marxismo e literatura de Raymond
Williams)

Parte 3 top.1 – A quem pertence a classe operária:


“A burguesia apropriou-se da classe operária (dos indivíduos da classe operária enquanto força
de trabalho...restava apropriar-se da organização dos operários enquanto classe (sindicatos)”

Pergunta inicial: O sindicalismo está contaminado das ideias dominantes? Sim (segundo o autor,
a burguesia contaminou a organização operária para ter um viés burguês, estruturou e deu forma
aos movimentos, burocratizando eles) e não (as massas não obedecem os sindicatos em uma
relação hierárquica da mesma maneira que obedecem os superiores no mercado de trabalho).
Dar uma estrutura industrial e consequentemente controlar os sindicatos é uma das tentativas
essenciais da burguesia. (no Brasil, pelegos)

Porém, a burguesia conseguiu negar uma existência à classe operária fora da legalidade . (o
operário sem sindicato perde pode de fala nas negociações )....ou seja o operário só é
representável se for parte de uma estrutura sindicalizada.

Então o autor apresenta o caso a ser analisado: Um caso de 1978 sobre os operários da empresa
Alsthom que entraram em greve e ocuparam as instalações da fábrica. O empregador decide
pela expulsão dos trabalhadores. Porém como expulsar?

Na França daquele momento prevalecia o principio do contraditório:


“Ninguém pode ser julgado sem ser ouvido” o direito de defesa é fundamental
Isso geraria um problema pela quantidade de pessoas a serem citadas e ouvidas, tornando
impraticável o próprio andamento da ação.

Solução inicial: citar os líderes de sindicatos enquanto representantes dos grevistas:


Isso gera um problema:
Os sindicatos respondem a esse argumento:
“Não somos representantes nem mestres dos grevistas”. A própria ideologia de uma greve
pressupõe a liberdade de decisões do grevista e em muitas vezes é iniciada por uma assembleia
de grevistas.

O tribunal não acatou o argumento dos sindicatos e manteve a expulsão:

Apelada pelos grevistas na Cour d'appel de Pau (cour d’appel de pú)


Primeira regra;
Princípio do contraditório é reafirmado:
Sindicatos não podem representar todos os grevistas, mas apenas os grevistas sindicalizados.
Se os sindicatos representassem todos os grevistas, isso extrapolaria seu próprio poder e
invadiria espaços como os operário não participantes de uma greve e os operários que
escolheram não se sindicalizar e/ou não se sentem reconhecidos por um sindicato.

Assim, a greve não pode atingir os direitos de escolha individual, como o direito de não participar
da mesma.

Assim, se por um lado se coloca uma tentativa de estabelecer os membros grevistas de uma
empresa enquanto uma pessoa que pode responder juridicamente (os sindicatos), por outro a
lei não poderia negar os direitos fundamentais de não ser sindicalizado ou de não participar da
greve.

A resposta inicial apresentada pela corte de apelação é reconhecer o líder sindicalista como
“membro privilegiado do corpo sindical” e citar a eles no julgamento. Nos casos de operários não
sindicalizados ou que não se reconhecem como influenciados solidariamente pelo sindicato, a
citação seria individual.

Porém isso também é claramente inviável, pois afinal, como saber quem responde ao sindicato
e quem a si mesmo?

Por consequência, a corte apoiará um segundo argumento: o argumento moral de que: grevistas
e empregadores devem escutar ao bom-senso. Por consequência, a greve, nesse caso, passa
a ser pensada como uma modalidade de discussão, tema esse que será apresentado por meu
colega.

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